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ou qualquer outro pequeno motivo para eudesmarcar, mesmo que esta fosse minhavontade soberana.- Mô, onde vamos? – disse el...
linguicinha na chapa, torresmo e futebolsão as ornas desse dia.Cedi à pressão e fomos nesse restaurante.Nos assentamos mai...
pessoas são privilegiadas com o poder depoder usar calças da mesma largura deuma roda de trator assim como ela o fazia.Ela...
- Me dá logo.Novamente peguei e joguei mais umaporção no lixo. Fiz um favor a ela.- Metade do meu prato foi pelo lixo. Nos...
quase me escondendo debaixo da mesapara que não me visse. Mas ela fezquestão. Ergueu os braços tão alto a pontode quase fu...
esperar que nascesse um pé lindo e cheiode frutos. Isso tudo me remeteu ao nossoamor. As sementes seriamos nós. A águapara...
No palco, a banda encerrou a música.Agradeceu a nós dois e desejou felicidades.Para mim, a felicidade significava voltar a...
pensei em ter cumprido meus objetivos nodia e ter sido um tremendo de um bomrapaz. Ao menos se perguntarem para ela.      ...
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De uma perspectiva relevante

  1. 1. De uma perspectiva relevanteAcabei aceitando. Depois de dezenovevezes seguidas, aceitei. Ela não parava deme aporrinhar. Era de dia, era de noite, eranos intervalos, era no recreio, era nainternet, eram nos bate papos, era por sms,era por pombo correio, era por telegrama,era por carro de mensagem, era emqualquer tempo que tivéssemos tempo.Me acumulava de “vamos sair, meuamor?”, como se já não estivesse metransbordando daquela pergunta. Era comose eu fosse um balão e as vezes que ela meperguntasse fosse o gás. Uma hora eu iriaestourar. Mas não deixei.Ela tentou combinar comigo o lugar queiríamos se não houvesse jogo do meu time
  2. 2. ou qualquer outro pequeno motivo para eudesmarcar, mesmo que esta fosse minhavontade soberana.- Mô, onde vamos? – disse ela depois de euignorar mais de dez ligações.- Decide aí. Não estou nem aí para o lugarque seja.- Que tal aquele restaurante ao ar livreperto do chafariz e do teatro, onde umabanda de folk toca ao vivo e as mesas sãotodas banhadas em rosas vermelhas? Acholá tão lindo e apaixonante.- Prefiro pegar um misto no trailer do Betãoe depois uma cerveja no Bar do Miltinho.Se bobear até uma sinuca depois.- Que fofo amor. Você que sabe. Qualquerescolha sua será a minha. Te amo.Ela combinou no sábado à noite, data quefiz questão de não me importar. Por sorte,meu time jogaria no domingo. Farra,
  3. 3. linguicinha na chapa, torresmo e futebolsão as ornas desse dia.Cedi à pressão e fomos nesse restaurante.Nos assentamos mais longe para quepudéssemos conversar melhor. Ao lado denossa mesa, um casal de senhores queexalavam mais de 50 anos juntos. Ela,encantada, disse:- Olha nós daqui a alguns anos, amor.- Tomara Deus que não.- Como você é lindo. – disse apertandominha bochecha.O garçom trouxe o cardápio. Pedi um pratopesado, sem frescuras. Ela, com suassaladinhas. Não sei como conseguia semanter viva fazendo uma alimentaçãosemelhante ao de uma vaca. Odiava salada;ela adorava. Dizia que era porque nãoqueria engordar. Apenas retrucava dizendoque não era para se preocupar, pois poucas
  4. 4. pessoas são privilegiadas com o poder depoder usar calças da mesma largura deuma roda de trator assim como ela o fazia.Ela me enchia de abraços com essasafirmações.Minutos depois o garçom trouxe meuvatapá com jerimum, frango a molhopardo, uma lasanha de camarão e algumasmandiocas. Para ela, uma salada de agrião,tomates, rabanete e algumas cebolinhaspicadas.- Quer um pouquinho, amor?- É claro que eu aceito.- Toma, meu bebê. – disse enquantodirecionava o garfo até minha boca.Peguei o garfo e joguei toda aquela merdano lixo.- Acho que vou querer mais um pouco.- Nossa, meu bem, assim eu vou ficar sem.
  5. 5. - Me dá logo.Novamente peguei e joguei mais umaporção no lixo. Fiz um favor a ela.- Metade do meu prato foi pelo lixo. Nossa,como você é carinhoso, meu lindo.A banda de folk começou a tocar. Nem quissaber o nome. Odiava toda aquelababoseira entediante. Ela estava todaempolgada, sorridente e até batendopalminha feito uma foca.Após algumas músicas, o vocalista começoua procurar por casais no restaurante.- Vou precisar de um casal para vir até aquie improvisar uma situação românticaenquanto cantamos a música bembaixinho. É tipo um clipe ou um filme.Cortesia da casa. Quem se candidata?Ninguém levantou a mão. Ninguém seriaestúpido o suficiente a ponto de seentregar a essa vergonha alheia. Estava
  6. 6. quase me escondendo debaixo da mesapara que não me visse. Mas ela fezquestão. Ergueu os braços tão alto a pontode quase furar as telhas do local com aponta dos dedos. Ele nos escolheu. Quisfazer como um avestruz e cavar e esconderminha cabeça no solo.- Vocês podem dizer o que quiserem umpara o outro. Nós da banda apenastocaremos a música enquanto isso. Sintam-se à vontade.Ela, esbanjando aquele sorriso de meiometro de clareamento dental, pegou nasminhas duas mãos e começou a balançar.Inclinou a cabeça para a esquerda e deixouos olhos brilharem junto dos reflexos daluz. Colocou as mãos nos meus ombros ecomeçou a desembuchar.- Um dia eu peguei umas sementes delaranja e me assentei perto de um quintal.Pensei que era questão de plantá-las e
  7. 7. esperar que nascesse um pé lindo e cheiode frutos. Isso tudo me remeteu ao nossoamor. As sementes seriamos nós. A águapara nos fortificar, o tempo. Cresceríamosjuntos e um dia seriamos um lindo pomarrepresentando uma família, uma união euma felicidade compartilhada.- Um dia eu peguei uma conta de umrestaurante sofisticado que fomos, olheicom olhares sufocados num amor emêxtase pela surpresa e pelo agrado do alíviode imediatamente pensar no amor. Nonosso amor. O amor tomando partecompleta pela conta e fazendo ela sumir,sem ser indesejável. O amor é você.- O tanto que eu te amo, o tanto que eu tequero, não há medidas ou espaços detempo. É infinito, é pra sempre romântico.- O meu amor por você é como gasolina: omeu carro é a álcool.
  8. 8. No palco, a banda encerrou a música.Agradeceu a nós dois e desejou felicidades.Para mim, a felicidade significava voltar amesa e comer a ótima sobremesaprometida pelo restaurante à todos queconsumissem mais do que R$50,00 emrefeições. Nos lambuzamos com os doces efomos embora para casa.- Não vou te levar em casa. Você pode sevirar sozinha, né?- Claro. Adoro ir a pé, sozinha no meio daescuridão da noite e livre para ser vitima deestupro para marginais do meu perigosobairro.- Se encontrar com eles, faça bom proveitoda suruba.- Pode deixar, meu querido. Te amo.Dei-lhe um tapa e depois umasanfonadinha na bunda. Logo depois, umempurrão. De barriga cheia e satisfeito,
  9. 9. pensei em ter cumprido meus objetivos nodia e ter sido um tremendo de um bomrapaz. Ao menos se perguntarem para ela. Tiago Peçanha.

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