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Encontro das equipes de aprendizagem: 
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Conteúdo da Disciplina 
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1.1 Hábitos de estudo e trabalho. 
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Para saber mais 
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Colocando o conhecimento em prática: 
Organização do material e do ambiente 
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Colocando o conhecimento em prática 
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Aplicação em grupo 
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2 MÉTODO CIENTÍFICO: UM GUIA PARA A BUSCA DO CONHECIMENTO 
2.1 O que é ciência: como a ciência fun...
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Exercício # 2: Caçadores de mitos (Mythbusters) 
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3.1 O primeiro passo: a escolha do tema. 
3.2 Qual é minha pergunta? 
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Pesquisa bibliográfi ca 
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Colocando o conhecimento em prática: 
A atividade científi ca da profi ssão escolhida (2.ª parte) 
Aplicação individual 
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Leitura Obrigatória 
Leitura para o subtópico: 3.3.2 - Dados que confrontarão a hipótese 
Para testar a nossa hipótese, te...
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Escolha das ferramentas 
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  1. 1. O texto desta publicação, ou qualquer parte dela, não poderá ser reproduzi-do ou transmitido em nenhuma forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópias, gravação, arquivamento em um sistema de informação sem uma prévia permissão por escrito dos direitos autorais do proprietário. Copyright© by Faculdade Pitágoras. Todos os direitos reservados. Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa MIPP v2.0 - FEV/2008 Concebido por Cláudio Moura Castro, Doutor Colaboração de Alessandra Gomes Mendes, Mestre Sistema Universitário Pitágoras PITÁGORAS FACULDADE
  2. 2. Ementa Transmitir os conceitos básicos da metodologia de pesquisa científi ca. Apresentar e exercitar a aplicação desses conceitos na realização de trabalhos, planos de pesquisa e monografi as científi cas. Conhecer a relação entre a sociedade e o conhecimento e a ciência produzidos a fi m de estimular o espírito crítico através do método científi co. Objetivo da Disciplina O objetivo principal do curso é desenvolver no aluno a arte de pensar bem. E o guia para essa viagem é o método científi co, cuja utilidade de muito ultrapassa a pesquisa acadêmica. No entanto, ao início de um curso universitário, em que o aluno precisa adquirir maior autonomia intelectual, começaremos com uma etapa inicial muito simples e básica: como estudar. Em seguida, vamos dar um primeiro mergulho no método científi co. Aqui estamos falando de um dos maiores avanços do pensamento humano. São as regras que permitiram a busca dos conhecimentos que mudaram a face da terra. Seja a medicina que prolonga nossa vida, seja a informática que revolucionou as comunicações, todo conhecimento novo passou pelo funil do método científi co. A pesquisa científi ca é a busca de conhecimentos novos. Mas, ao contrário do que fazemos de forma casual, segue de perto um conjunto de regras de conduta e de controle de qualidade. Além de ser a alma da pesquisa, a disciplina intelectual que resulta de usar o método científi co infl uencia e até molda nosso pensamento cotidiano. Portanto, lidar com pesquisas e método científi co é adquirir uma ferramenta de uso universal. Quem domina o método científi co, pensa melhor e pensa com mais rigor. Mas só aprendemos o método aplicando-o em problemas “de verdade”. Portanto, a terceira parte da disciplina se volta para aplicações práticas. E como será demonstrado, a pesquisa não é uma atividade inexpugnável e nem mesmo tão difícil assim. Pesquisa é tentar responder a uma pergunta de forma sistemática e rigorosa, de tal forma que os resultados merecem confi ança. 3 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Conteúdo da Disciplina 1 COMO ESTUDAR, COMO APRENDER 1.1 Hábitos de estudo e trabalho. 1.1.1 O uso do tempo. 1.1.2 Organização do material e do ambiente. 1.1.3 Exercícios de relaxamento para ler e estudar. 1.2 Como ler melhor. 1.2.1 Para cada leitura, uma técnica. 1.2.2 Concentração e pré-leitura. 1.2.3 Como fazer anotações e resumos. 1.2.4 Como lembrar-se do que foi lido. 1.2.5 Uma ferramenta: mapas conceituais. 2 MÉTODO CIENTÍFICO: UM GUIA PARA A BUSCA DO CONHECIMENTO 2.1 O que é ciência: como a ciência funciona. 2.2 O conhecimento científi co é diferente de outras formas de conhecimento. 2.3 As regras do jogo: o método científi co. 3 VAMOS FAZER UMA PESQUISA 3.1 O primeiro passo: a escolha do tema. 3.2 Qual é minha pergunta? 3.2.1 O que se sabe sobre o assunto: pesquisa bibliográfi ca. 3.3 Como vou responder a ela: a montagem da pesquisa. 3.3.1 Hipótese a ser testada: em quem apostamos. 3.3.2 Dados que confrontarão a hipótese. 3.3.3 Escolha das ferramentas. 3.3.4 Aplicação das ferramentas e análise dos dados. 3.3.5 Relatório de pesquisa.
  3. 3. Material Usado na Disciplina Bibliografi a Adotada: Leitura Obrigatória CARAVENTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Porto Alegre: AGE, 2003. CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. São Paulo: Pearson / Prentice Hall, 2006 Bibliografi a Adicional: Para Saber Mais BASTOS, Cleverson; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender. Introdução à metodologia científi ca. LATOUR, Bruno. A ciência em ação. Como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Editora UNESP, 2000. LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências huma-nas. Porto Alegre: Artmed, 1999. 340p. LIBANIO, João Batista. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001. Petrópolis: Vozes, 2000. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografi a. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 4 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Aula Zero Visão Geral Metodologia de ensino/aprendizagem da Faculdade Pitágoras: Utilização de módulos, cada um dos quais podendo se subdividir nos seguintes momentos: • Aula expositiva: informação, conhecimento, aprendizagem de conceitos e princípios. • Encontros das equipes de aprendizagem: desenvolvimento de habilidades e competências, não só da disciplina em questão, mas também habilidade de trabalhar em grupos e equipes. Ênfase em projetos e pesquisas dos alunos, fazendo a relação entre a teoria e o mundo real. • Em algumas disciplinas mais instrumentais, os encontros das equipes serão substituidos por aulas práticas. • Avaliações. Visão Geral da Disciplina • A metodologia é um caminho, é uma forma de fazer pesquisa que normatiza os passos da atividade científi ca nas pesquisas. Desde a percepção da dúvida do querer saber, da elaboração das questões que orienta a busca por respostas, dos dados levantados, até a análise e a apresentação dos resulta-dos, é necessário uma disciplina metodológica no desenvolvimento e na produção do conhecimento científi co. Esta disciplina é fundamental para garantir um saber relevante e confi ável, podendo ainda resolver problemas. Através da prática da pesquisa, aprende-se a importância de seguir as etapas do método científi co, o que facilita a comunicação entre cientistas e a sociedade. Objetivos • O curso tem como objetivo principal introduzir os alunos no estudo, através do hábito de leitura e de técnicas, para se criar uma disciplina de aprendizagem e para um melhor aproveitamento dos conteúdos. • Outro objetivo está em apresentar os fundamentos do método científi co como um guia para a busca do conhecimento. É importante que o aluno desenvolva uma atitude científi ca diante do conheci-mento, a fi m de que sua postura seja crítica e contribua com outros questionamentos e técnicas. • Ao introduzir a prática da pesquisa, a disciplina objetiva a aproximação do aluno do saber acumulado, das teses e dissertações produzidas, das questões fundamentais nas diferentes áreas de estudo. Essa aproximação ampliará a sua visão a respeito da ciência como caminho para o conhecimento. Competências • Uma primeira competência da disciplina está na disciplina de estudo e aprendizagem; • Outra competência está no desenvolvimento de uma atitude desafi adora frente a dúvida, ao desco-nhecido e ao saber necessário e relevante; • Uma competência relevante está no estímulo à habilidade de observação das realidades, na obtenção e análise de dados, e na refl exão dos resultados importantes à sociedade.
  4. 4. Regras Encontro das equipes de aprendizagem: • Nenhum aluno pode participar dos encontros das equipes de aprendizagem sem fazer parte de uma equipe. • O aluno deve ler o material indicado no Guia do Aluno anteriormente. Não é possível desenvolver satisfatoriamente uma atividade sem um mínimo de conhecimento do conteúdo ministrado nas aulas expositivas. • O aluno deve trazer o material indicado para a sala de aula. • A participação será avaliada a cada encontro das equipes. A nota de participação não é nota de presença. Avaliações: o que se avalia? • Avaliação de conteúdos. • Produtos: estruturas internas que revelam o grau de proficiência do aluno para elaborar os conteúdos, relacioná-los com conhecimentos anteriores e aplicá-los a situações concretas, conhecidas ou novas. • Estratégias cognitivas e metacognitivas: capacidade do aluno em monitorar e regular o próprio pro-cesso de aprender a aprender. Avaliação Avaliações dos alunos: • Conhecimentos adquiridos. • Habilidades e competências específi cas da disciplina, principalmente, a competência argumentativa. • Atitudes: abertura às idéias e argumentos dos outros, mostrando disponibilidade para rever suas próprias opiniões; cooperação com os outros, mostrando que a crítica só é efi caz através do diálogo justo e honesto no seio de uma comunidade. • Participação efetiva nas aulas (não é apenas presença). Anotações em Sala de Aula Por que fazer anotações das aulas? • Fazer anotações das aulas obriga o aluno a prestar atenção cuidadosa às aulas e a testar o seu entendimento da matéria lecionada. Isso ajuda o aprendizado e poupa tempo de estudo. • A revisão das anotações mostra o que é mais importante na matéria lecionada e o que deve ser estudado com mais cuidado. • É mais fácil guardar na memória as próprias anotações do que os textos dos livros. • Ajuda a memorização. • Promove entendimento muito mais profundo da matéria do que a simples escuta. 5 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Avaliação do Rendimento Escolar O aproveitamento escolar do aluno será verifi cado por disciplina, mediante a avaliação das atividades escolares e da assiduidade, exigindo-se para aprovação a obtenção de, no mínimo, 60 (sessenta) pontos em um total de 100 (cem) pontos e 75% (setenta e cinco por cento) de freqüência nas atividades programadas. A verifi cação do rendimento escolar será feita através de: → avaliações individuais, compreendendo provas ou trabalhos produzidos ao longo da disci-plina, que valerão ao todo 70 (setenta) pontos. → avaliações de tarefas ou trabalhos produzidos por equipes de aprendizagem durante a disciplina valendo, ao todo, 30 (trinta) pontos. → distribuição de pontos entre as avaliações individuais e as avaliações das equipes, da seguinte forma: Etapa 1: 30 pontos – até o fi nal da terceira semana de aula, sendo 20 pontos em avaliações individuais e 10 pontos em equipe. Etapa 2: 30 pontos – até o fi nal da sexta semana de aula, sendo 20 pontos em avaliações individuais e 10 pontos em equipe. Etapa 3: 40 pontos – até o fi nal da décima semana de aula, sendo 30 pontos em avaliações individuais e 10 pontos em equipe. Ao fi nal de cada termo, em data prevista no calendário acadêmico, o aluno poderá fazer uma avaliação suplementar, a título de recuperação, para cada disciplina, que substituirá o conjunto das notas individuais obtidas pelo aluno (total de 70 pontos). → A nota da prova suplementar só produzirá efeitos para apuração da nota fi nal do aluno se for maior do que os pontos obtidos no conjunto das notas individuais das 3 etapas. → O aproveitamento fi nal do aluno em cada disciplina será expresso também em conceitos, conforme a seguinte escala: Conceito A: entre 90 e 100 pontos Conceito B: entre 80 e 89 pontos Conceito C: entre 70 e 79 pontos Conceito D: entre 60 e 69 pontos Conceito E: entre 0 e 59 pontos Será considerado reprovado o aluno que obtiver conceito fi nal E na disciplina.
  5. 5. Conteúdo da Disciplina 1 COMO ESTUDAR, COMO APRENDER 1.1 Hábitos de estudo e trabalho. 1.1.1 O uso do tempo. 1.1.2 Organização do material e do ambiente. 1.1.3 Exercícios de relaxamento para ler e estudar. 1.2 Como ler melhor. 1.2.1 Para cada leitura, uma técnica. 1.2.2 Concentração e pré-leitura. 1.2.3 Como fazer anotações e resumos. 1.2.4 Como lembrar-se do que foi lido. 1.2.5 Uma ferramenta: mapas conceituais. Um começo de conversa Temos sempre mais matéria para estudar do que tempo. Uma solução é roubar mais tempo de outras atividades, como dormir menos, ver menos os amigos. Mas há uma resposta bem mais interessante: conseguir aprender mais no mesmo tempo. Provavelmente, você não se deu conta de que é possível aprender a usar melhor o tempo disponível. Estudos mostraram que a maioria dos alunos desperdiça seu precioso tempo, por não ter método e não conhecer algumas regrinhas simples que vamos ensinar na primeira parte deste curso. Ponto de partida – tópico gerador • Você está sempre achando que seu tempo é pouco? Mas será que você sabe usar bem o seu tempo? • Estudo efi ciente não dependerá dos seus hábitos e técnicas de leitura? • Você já pensou que existem técnicas melhores para ler e para obter mais das leituras? 6 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.1.1 – O uso do tempo Nesta seção, você aprenderá como melhorar as suas habilidades para gerenciar seu tempo. Lembre-se, o tempo é o recurso mais precioso que você tem! Assim como há perdas de tempo na sala de aula, há enormes perdas por parte dos alunos que usam mal o tempo disponível. Aprender a usar bem o seu tempo é uma das conseqüências esperadas desta disciplina. Na aula, o professor administra o tempo de todos. No Pitágoras, ele foi preparado para fazer isso bem. Mas, em casa, os alunos não sabem fazê-lo. Não sabem se preparar para os estudos. Não sabem estudar e nem por onde começar. Têm difi culdades de concentração. Em suma, não sabem usar o seu tempo. Organizar o tempo é tão importante quanto qualquer outro tipo de organização. Assim como não achamos o que precisamos em uma casa bagunçada, um uso bagunçado do tempo não leva a bons resultados escolares. E a escola é uma preparação para o trabalho. Há uma tendência universal para perder tempo com atividades secundárias e deixar para o fi m o mais importante – e que muitas vezes é o mais difícil e o que mais nos amedronta. O resultado é que muitas vezes terminamos o dia sem ter pronto aquilo que é mais crítico para o nosso sucesso. É preciso planejar o tempo de forma a conseguir terminar pelo menos o que consideramos mais impor-tante. Então, o primeiro passo é fazer uma lista de tudo que precisamos fazer e, em seguida, dar uma ordem de prioridade. O maior erro que podemos cometer é confi ar na memória para nos lembrarmos do que e quando devemos fazer. O papel faz isso muito melhor do que nossa mente. A seguir, estão algumas sugestões para orientar a melhora do uso do seu tempo: Gestão do tempo 1 Há sempre mais coisas a serem feitas do que tempo. Disso não escapamos. Observa-se também que a maioria das pessoas usa muito mal o tempo. Na verdade, o problema maior não é falta de tempo, mas de tempo mal aproveitado. Portanto, o problema prático a ser resolvido é como melhor usar o pouco ou muito tempo que temos. Lembremo-nos inicialmente do venerando confl ito entre o importante e o urgente. Algumas coisas são mais importantes, isto é, se não as fi zermos, as conseqüências negativas são mais sérias. Outras coisas são urgentes, precisam ser feitas imediatamente, sentimos a pressão para que sejam feitas. À primeira vista, são idéias irmãs e aliadas. Na prática, o urgente é o maior inimigo do importante. O urgente clama, os interessados reclamam. Os prazos vão vencer! São sempre tarefas tangíveis, concretas: como acabar o relatório, lidar com a crise ou cuidar do encanamento entupido. O problema é que de urgente em urgente, o tempo vai se escoando. Ao fi m e ao cabo, damos conta do urgente. Mas e o importante? Para a nossa carreira futura, entender bem Estatística é mais importante do que o aniversário da namorada. É o importante, mas não é urgente. É empurrado para o futuro, pela sucessão dos urgentes. Acaba não sendo feito. Daí a importância de estabelecer prioridades claras e um planejamento do tempo realista. 1 Adaptado de Stephanie Winston, Best Organizing Tips (New York: Simon & Schuster, 1995), David Allen, Getting Things Done (New York: Penguin, 2001), Charles Hobbs, Time Power (Grand Rapids: Harper & Row, 1987)
  6. 6. Além desse confl ito insidioso, há outros problemas no uso do tempo. Os principais obstáculos são as interrupções e as tarefas feitas na hora errada (em geral, tarde demais). Algumas tarefas podem ser feitas “picadinho”, um pedaço agora, outro daqui a pouco. Por exemplo, arrumar a casa ou os livros. Aproveitamos a ida ao banheiro para levar a camisa suja, no caminho recolhemos um copo servido. Mas outras atividades não podem ser feitas com efi ciência se há interrupções, pois exigem concentração e um período de ‘aquecimento’ prévio. Para estas, é preciso blindar e proteger blocos de tempo sem interrupções. As maneiras mais fáceis consistem em reservar para elas momentos em que estamos em espaços físicos inacessíveis e horários onde há menos ‘invasores’ externos. Além disso, é preciso estabelecer “combinados” com aqueles que costumam criar interrupções. Cada um tem uma hora do dia em que trabalha melhor. É a hora para ser reservada, sem interrupções, para as tarefas mais difíceis e ingratas, diante das quais temos as maiores trepidações e relutâncias. Cada pessoa tem de consultar o seu ‘relógio circadiano’ e encontrar sua hora melhor. Independentemente disso, a melhor hora de fazer alguma coisa não é, em geral, o último minuto antes do prazo fatal. Embora alguns trabalhem melhor sob pressão, há tarefas preparatórias – tais como con-seguir uma referência ou uma informação – que dependem de outras pessoas, cujo ritmo de trabalho não podemos controlar. Diante de uma tarefa espinhosa ou que nos causa calafrios, a pior coisa é adiá-la, pois a sua assombração estará permanentemente nos perseguindo. Ou seja, nem a fazemos e nem ela deixa de nos atrapalhar o resto do tempo. Portanto, a melhor regra é concentrar todas as forças e fazê-la imediatamente – se é alguma coisa que precisa ser feita. Sabemos que nossa capacidade de concentração em um só assunto é limitada – hoje se estima em 20 minutos. Portanto, lutar contra um determinante de raízes fi siológicas é má idéia. É preciso introduzir pausas quando a concentração foge. Uma alternativa é alternar tarefas. Quando nos cansamos de uma, passamos a uma outra. Fechamos um livro e abrimos outro. Diante de mais tarefas do que tempo e de prioridades confl itantes, determine realisticamente o que é mais importante. Obter uma estatística confi ável para terminar o relatório é mais importante do que comprar um papel bonito para apresentá-lo? O trabalho fi nal de curso é mais importante do que encontrar o último CD do cantor da moda? Estabeleça o seu plano de uso do tempo: • Coloque em ordem decrescente o que você precisa fazer. • Decida quando cada coisa precisa ser feita. • Programe o seu “tempo protegido“ – que será dedicado àquelas tarefas que não podem ser feitas em meio a interrupções. Sabe-se que o cérebro humano é excelente para pensar, para criar, para imaginar, para resolver proble-mas. Mas é péssimo para lembrar do que precisa ser feito. Na prática, lembramo-nos de que é preciso achar as referências certas para o trabalho de fi m de ano durante o chope com os amigos. E fi camos pensando na necessidade de arrumar nossa biblioteca durante a redação do trabalho fi nal. É preciso tirar do nosso cérebro a função de lembrar o que precisa ser feito. Não só o cérebro é defeituoso para essas tarefas, mas isso interfere com o que estamos fazendo, acabando por ser uma fonte de estresse. É preciso liberar o cérebro das tarefas de organizar nossas atividades diárias e deixá-lo livre para fazer aquilo que faz bem, isto é, conceber, analisar, inventar. A solução é fácil e é uma só: faça listas. Ao elaborar uma lista de forma criteriosa, estamos transferindo para o papel (ou para a o computador) boa parte do processo de planejar o uso do tempo, assim libe-rando nosso cérebro da tarefa de lembrar-se disso ou daquilo. Na prática, a fórmula consagrada é ter duas listas: 7 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender 1. O listão de tudo que precisa ser feito. Aí descarregamos tudo que podemos lembrar. Não importa muito o tipo de coisas ou a ordem em que entram. A lista é o processo de descarregar ou desobstruir nossa memória. Ou seja, como está na lista, não é preciso onerar o nosso cérebro com a tarefa de lembrar-se de que precisa ser feito. Obviamente, é preciso lembrar-se de rever a lista com freqüência. O erro mais comum é fazer várias listas e não achar nenhuma. Operar a lista consiste, entre outras coisas, em estabelecer prioridades e ir marcando o que já foi feito. É nesse momento que a lista passa a ser a arena onde se duelam as prioridades com as urgências, o que gostamos de fazer versus o que temos de fazer sem gostar. 2. A agenda. Trata-se de uma lista datada, isto é, estabelece uma conexão entre o que precisa ser feito e o calendário. Portanto, a agenda faz a ponte entre o que está no listão e o calendário. Exemplo clássico é a hora marcada com o dentista. Precisamos consertar o dente e isso vai se dar em um momento previamente agendado. Em uma agenda escolar, demarca o tempo limite para tarefas que podem ser feitas antes dessa data, mas não depois. É o caso também das provas e do trabalho escrito encomendado pelo professor. Como a experiência sugere, tudo que colocarmos na agenda e não for realizado no dia, precisa ser transferido para outra data. Ao se repetir com freqüência tal situação, há a tentação forte de deixar lista e agenda desatualizadas. Pessoas com mais inteligência visual têm necessidade de refazer as listas com freqüência, para eliminar o já feito, atualizar o que está em processo e entrar o novo que aparece. Para elas, a con-fusão de cortes, remendo e rabiscos atrapalha. Há inúmeros programas de computador – alguns de domínio público – que fazem isso com elegância e efi ciência. As agendas eletrônicas oferecem a portabilidade adicional. A questão aqui é puramente de preferência pessoal. Colocando o conhecimento em prática: O uso do tempo Aplicação individual • Faça uma lista completa do que você precisa fazer durante a semana. • Usando um papel com colunas, em cada tópico da lista, anote na mesma linha uma estimativa do tempo necessário. • Separe as atividades profi ssionais, das atividades de estudo e de lazer. • Some os tempos para cada atividade e compare com o tempo que, realisticamente, você tem disponível. • Dá tempo para tudo? • Transfi ra para o topo da lista aquelas atividades que não devem ser adiadas • Decida quais atividades não poderão ser realizadas na semana. • Tente reorganizar a sua semana, a partir desta lista. • No fi m da semana, avalie os resultados e redija uma nota com suas conclusões
  7. 7. Para saber mais Título: BASTOS, Cleverson; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender. Introdução à metodologia científi ca. Capítulos: II - Facilitando o estudo. III - Formando o hábito de estudo. Título: LIBANIO, João Batista. Introdução à vida intelectual. Capítulo: 3 - Atitude realista e criativa. Título: SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografi a. Capítulo: II - Aperfeiçoamento da leitura. Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.1.2 – Organização do material e do ambiente O espaço físico e o ambiente infl uem na sua concentração e capacidade de aprender. É mais difícil a concentração se o ambiente físico está desorganizado. É como se o impacto visual da bagunça tirasse a vontade e a disposição para estudar. Para muitas pessoas, arrumar os livros e os papéis predispõe a mente para estudar. Embora algumas pessoas sejam mais afetadas por tais distrações, a quase todos ajuda ter um lugar tranqüi-lo que não esteja associado com outras atividades mais agitadas. Esse vai ser o seu local de estudo. Pesquisas de psicologia mostraram que nossa mente associa os lugares a certas atividades. Quanto mais você estudar nesse lugar, mais fácil será a concentração. Como escolher um lugar para estudar Em um livrinho clássico, mas hoje pouco conhecido (On becoming an educated person. Philadelfi a: W.B. Saunders, 1964), Virginia Voeks propõe várias regras para o ambiente físico onde vamos estudar. 1. Evite estudar cada dia em um lugar diferente. Isso só faz aumentar a difi culdade. Em vez disso, estude sempre no mesmo lugar, na mesma mesa, na mesma cadeira. Se possível, só use esse local para estudo. Parece bobagem, mas foi observado que tal prática reduz o tempo necessário “para esquentar os motores” e concentrar-se no assunto. Somente quando seus hábitos de estudo estiverem consoli-dados é que você deve variar de lugar. 2. Silêncio não é essencial, mas ajuda. O importante é que não haja distrações no local onde você estuda. 8 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender 3. Tenha imediatamente à mão todos os instrumentos de que você precisa para estudar (dicionário, lápis, cadernos, livros etc.). Mesmo que seja um sacrifício fi nanceiro, comprar os livros-texto da disciplina é uma boa idéia. Mais adiante, após o curso, esse é o livro em que você saberá encontrar o que precisa. Além disso, anotar na margem ajuda muito a chamar a atenção para o que precisa ser lembrado. 4. Tenha uma iluminação sufi ciente e homogênea. Tenha muita luz. No mínimo, uma lâmpada de 50 watts a um metro e pouco de distância. Nem deve haver sombras no papel e nem refl exões da lâmpada. Lâmpadas que iluminam diretamente o seu livro e deixam o resto do ambiente pouco iluminado são uma causa demonstrável de fadiga. O cômodo deve estar iluminado, não apenas o seu livro. Excesso de contraste é cansativo. Algumas pessoas não se dão bem com o piscar das lâmpadas fl orescentes. 5. Evite um excesso de relaxamento muscular. Cadeira é melhor do que poltrona, pois não permite um relaxamento completo dos músculos. Pesquisas demonstram que a concentração é maior se há alguma tensão muscular (mas é tensão física, não ansiedade). Obviamente, não é o caso de estudar levantando pesos. 6. Há hora de estudar sozinho e há hora de estudar em grupo. Na maior parte das vezes, o estudo independente rende mais. Contudo, há exceções: • Os membros do grupo já estudaram e entenderam o assunto, podendo fazer perguntas, um ao outro. • O assunto é tão difícil que não dá para entender sozinho. Talvez, em conjunto sejam capazes de entender. • Você tem difi culdade de concentração, quando está sozinho. A mera presença de um colega disciplinado nos estudos pode criar um clima favorável. 7. Se você realmente não consegue prestar atenção, pare de estudar. Por diferentes razões, há ocasiões em que não conseguimos concentração e a cabeça fi ca vagando, sonhando acordado. É melhor parar e descansar, pois foi observado que tais momentos reforçam a sua incapacidade de se concentrar. Se você se habitua a sonhar acordado quando abre o livro, esse refl exo vai sendo incorporado. Cada vez que você abrir o livro, sua mente começa a sonhar, como o cachorro de Pavlov que salivava só de saber que viria a comida. Ou seja, você estará aprendendo a não se concentrar quando abre o livro! Se a cabeça derrapa e não quer fi xar-se no livro, pare. Faça alguma coisa por poucos minutos e volte à carga. Tente concentrar-se, que seja por cinco minutos. Quando derrapar, pare de novo. Concentração é um hábito a ser aprendido. É uma das competências mais importantes e genéricas que você pode aprender na escola.
  8. 8. Colocando o conhecimento em prática: Organização do material e do ambiente Aplicação individual • Descreva e avalie o lugar onde você estuda: • Anote os pontos positivos (por exemplo, silêncio, ausência de interrupções, espaço para dispor de seus materiais). • Anote os pontos negativos (por exemplo, falta de lugar para guardar os livros, não consegue achar os papéis importantes, telefone tocando). • Escreva uma nota com as suas conclusões avaliando seu local de estudo Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.1.3 – Exercícios de relaxamento para ler e estudar Muito já se pesquisou os hábitos de estudo. Muito já se aprendeu acerca das melhores maneiras de obter mais resultados, em menos tempo. Estamos passando em revista um conjunto de regras práticas de como organizar o espaço de estudo, o tempo disponível e as melhores técnicas para estudar. Algumas pessoas não têm difi culdade de se concentrar e ler as matérias da Faculdade. Mas a maioria não está acostumada ao estilo de estudo requerido em um curso superior. Nesta aula, você vai tomar conhecimento de técnicas que irão ajudá-lo a fazer isso. Para ler, é preciso concentração, é preciso focalizar a mente na tarefa. A leitura proveitosa requer desa-celerar o corpo e a mente. É preciso liberar a cabeça e preparar o corpo. Para isso, cinco minutos de relaxamento são de grande utilidade. Indicação de Leitura Leia o que Geraldo Caravantes sugere que você faça. Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 3 – Como se preparar para a leitura. Item: Relaxamento dinâmico e concentração. Páginas: 40 – 42. 9 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Colocando o conhecimento em prática: Exercícios de relaxamento para ler e estudar Aplicação individual Faça o seguinte teste: Leia, por três minutos, um texto que você considere de difi culdade média. • Refl ita sobre o que você apreendeu dele. • Em seguida, tome as instruções do texto de Caravantes e relaxe por cinco minutos. Lembre-se, não se aprende a relaxar na primeira vez. Não espere demais. • Leia outro texto equivalente, também por três minutos • Refl ita sobre o que você apreendeu. • Agora, pergunte-se: a compreensão foi melhor na segunda leitura? Escreva uma nota registrando suas conclusões. Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.2 – Como ler melhor Neste tópico, você vai conhecer uma série de técnicas para ler melhor, para ler mais rápido e com maior compreensão. Você verá que é possível fazer progressos muito rapidamente. Leitura para o subtópico: 1.2.1 – Para cada leitura, uma técnica Intuitivamente, todos sabemos: não se lêem comentários de futebol da mesma forma que se lê um contrato prestes a ser assinado. Mesmo nos estudos, as leituras têm um caráter diferente e não podem ser tratadas como se fossem todas equivalentes. Um prefácio ou um capítulo menos importante de um livro de história pode ser lido seletivamente em um par de minutos. Um teorema, totalmente demonstrado em uma só página, pode merecer horas de dedicação, antes que se ultrapasse essa mesma página. Portanto, a arte de aprender consiste também em decidir o que é para ler como teorema e o que é para “ler na diagonal”, saltando e pescando parágrafos e palavras aqui e acolá.
  9. 9. A verdade nua e crua é que, mesmo para alunos que não trabalham, é impossível ler toda a bibliografi a de uma disciplina. O segredo é escolher o que ler, o que folhear e o que saltar. O domínio dessa técnica é a diferença entre os bons alunos e os outros. Na verdade, ler seletivamente é uma das técnicas que você deve adquirir na escola e servirá por toda vida. O desafi o é, justamente, decidir o que não ler, o que passar os olhos e onde estacionar e ler com toda a atenção. Indicação de Leitura Ler o que Geraldo Caravantes sugere em: Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 6 – O recall: organizando as idéias para retê-las. Item: Diferentes materiais, diferentes estratégias de leitura. Páginas 106 - 108. Colocando o conhecimento em prática: Para cada leitura, uma técnica Aplicação individual Releia as perguntas, procurando responder àquelas ainda pendentes. Leia o texto indicado a seguir. Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 6 – O recall: organizando as idéias para retê-las. Texto: Administração centrada no cliente. Páginas 108 - 109. Siga as instruções de Caravantes & Ledur e resolva o exercício proposto no seu texto. Questões críticas 1. O que signifi ca dizer que “o sistema de administração de parte signifi cativa das empresas brasileiras é pré-tayloriano”? 2. Por que é tão signifi cativo “olhar para fora da empresa”? 3. Quais são as conseqüências de uma empresa cuja tônica efetivamente seja o cliente? 4. Como deve ser o perfi l do novo líder de negócios? 5. Em última análise, o que vem a ser a administração centrada no cliente? Você faria algum acréscimo àquilo que foi dito pelo autor? 10 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.2.2 – Concentração e pré-leitura Para ler um texto escolar, é preciso estar concentrado, pois são quase sempre leituras exigentes. Ademais, a leitura feita com mais concentração rende mais, anda mais rápido e o entendimento é mais profundo. Mas o problema é como concentrar-se. Para isso, foram desenvolvidas técnicas que podem ser facilmente aprendidas. Indicação de Leitura Ler o que Geraldo Caravantes sugere em: Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 3 – Como se preparar para a leitura. Item: Concentração. Páginas 42 - 48. Capítulo: 4 – A pré-leitura e suas técnicas. Item: Concentração. Páginas 49 - 60. Colocando o conhecimento em prática: Concentração e pré-leitura Aplicação individual Siga as instruções de Caravantes & Ledur e resolva o exercício proposto na página 56: Avaliação da pré-leitura. Encare da seguinte forma: a História Mundial foi colocada em seu currículo na Faculdade por uma boa razão. Descubra. É possível que tenha sido, por exemplo, para você não perder uma das melhores seções do seu jornal – Assuntos Internacionais. Por quê? Porque você não teria nenhum conhecimento de História Mundial para trazer para a sua leitura. Ser capaz de ler sobre assuntos internacionais, inteligentemente, em um mundo globalizado é uma boa razão.
  10. 10. “É um bom conselho”, você pode achar, “mas agora é tarde demais para o meu curso”. Na verdade, não é. Reserve 15 minutos antes da sua leitura de hoje à noite. Olhe o título da página. Aprenda com ele tudo o que você puder. Agora leia o índice dos conteúdos e veja o que o livro pretende tratar. Leia todo o prefácio: é nele que o autor coloca seu plano. A essa altura, você já deve ter aprendido muita coisa. Agora, percorra os capítulos que precedem a leitura desta noite. Estude o título, os dois primeiros pará-grafos, as divisões, os trechos em negrito, observe as fi guras e ilustrações e leia as conclusões. Faça isso com cada um dos capítulos até chegar ao capítulo que você deve ler. Isso vai fazer você saber aonde está indo, por que está indo e as coisas que você não sabe. O mais importante é que você se envolveu com o livro. Você lidou com a História Mundial por suas próprias razões. Você começou a concentrar-se. Colocando o conhecimento em prática: Aprendendo a se organizar Aplicação em grupo Ao longo das seções anteriores, você fez vários exercícios que terminaram com três notas escritas: • Plano de uso do tempo e prioridades • Descrição do espaço físico onde você estuda • Resultado do relaxamento sobre o rendimento da leitura O grupo deverá consolidar as listas de cada aluno em uma única e proceder a uma análise dos resultados. O relatório fi nal deve mostrar as convergências e divergências entre as percepções, os problemas e as prioridades de cada um. Construam tabelas para facilitar as comparações. • Como se comparam os planos de uso de tempo? As metas prioritárias são as mesmas? Se não são, quais as diferenças e o que as explicariam? • Como se compara, de aluno a aluno, o espaço físico para estudar? Os pontos negativos são os mesmos? E os positivos? As mesmas circunstâncias (por exemplo, barulho) incomodam a todos igualmente? Quais são as generalizações? • Os exercícios de relaxamento ajudam a todos os alunos? 11 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.2.3 – Como fazer anotações e resumos Alguns alunos não anotam nada ou quase nada durante a aula. Ou são geniais e não precisam anotar, ou são alunos com falhas nos seus hábitos de trabalho. Isso porque anotar é uma técnica cuja utilidade ultrapassa a possível utilização subseqüente que se possa dar às anotações. A maioria dos alunos assiste à aula e depois faz as leituras indicadas (infelizmente, alguns nem isso). Acontece que as pesquisas sobre o processo de aprendizado mostraram que é mais vantagem ler antes o que foi indicado. Quem leu antes já sabe o que virá e não será surpreendido pelo fl uxo das idéias apresentadas pelo professor. Teve mais tempo para formar uma imagem mental da estrutura lógica da leitura (e da aula). Sabe onde teve difi culdades e poderá usar a presença do professor para fazer per-guntas de esclarecimento. Terminará a aula com um conhecimento mais sólido do que na ordem inversa adotada por quase todos. No fi m de contas, ler antes economiza tempo. Cada um pode ter um estilo próprio de anotar o que foi dito na aula. De fato, não há regras universais. Contudo, há técnicas melhores de anotar o que foi dito na aula que podem aperfeiçoar o estilo de cada um. É preciso conhecer essas regras, pois destilam a experiência de muitos e dão pistas interessantes. Cada tipo de aula sugere uma estratégia de anotações diferente. Mas não se esqueça, haver entendido uma aula brilhante é muito menos do que haver aprendido o que está sendo ensinado. Sem o reforço de leituras e aplicações subseqüentes, há apenas a ilusão de aprendizado. Novamente, o livrinho de Virginia Voek (op. cit.) nos orienta no que diz respeito ao que copiar na aula. Por que fazer anotações das aulas? • Fazer anotações das aulas obriga a prestar atenção cuidadosa às aulas e a testar o seu entendimento da matéria lecionada. Isso ajuda o aprendizado e poupa tempo de estudo. • A anotação de idéias que parecem estranhas, ridículas, fora de propósito ou que contrariam a sua opinião é fundamental, pois ali podem estar as sementes de uma compreensão ou de uma discor-dância mais persistentes. • Não discorde sem entender profundamente os argumentos apresentados. Discordar sem entender não é educativo. • Anote pontos aonde você precisa retornar, seja para entender, seja para explorar novas idéias • Anote as idéias gerais que refl etem a estrutura da aula. Mas anote também detalhes e exemplos, que mostram tais idéias em ação. • A revisão das anotações mostra o que é mais importante na matéria lecionada e o que deve ser estudado com mais cuidado. • É mais fácil guardar na memória as próprias anotações do que os textos dos livros. • Ajuda a memorização da estrutura lógica da matéria. • Ajuda a um entendimento muito mais profundo da matéria do que a simples escuta.
  11. 11. Leitura para o subtópico: 1.2.4 – Como se lembrar do que foi lido Todos sabemos que nos lembramos de algumas coisas e nos esquecemos de outras. Ao terminar um capítulo, já nos esquecemos do que diziam muitos de seus parágrafos. Assim é a mente hu-mana. Isso é normal. O que interessa é que nos capítulos dos livros adotados na Faculdade haverá algumas idéias que são mais importantes. Há fatos que ilustram as idéias. Há uma descrição do contexto em que aparecem. E há também informações perfeitamente inúteis. O desafi o da leitura é (1) identifi car os pontos verdadeiramente importantes e (2) concentrar-se neles, para obter uma verdadeira compreensão do que dizem. Se estas duas operações forem bem feitas, asseguramo-nos que esses pontos serão espontaneamente lembrados, mesmo que o resto seja esquecido ou semi-esquecido. Mas há mais do que isso. Esses pontos formam a arquitetura mental do capítulo, como se fosse o esqueleto de concreto armado de um edifício. Consolidado o seu aprendizado, os detalhes são mantidos na memória sem esforço e sem uma intenção deliberada. É como as paredes e portas que se penduram sem difi culdades na estrutura do edifício. Indicação de Leitura Ler o que Geraldo Caravantes sugere em: Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 6 – O recall: organizando as idéias para retê-las. Páginas 110 - 120 Colocando o conhecimento em prática: Como fazer anotações e resumos Aplicação individual Exercício # 1 O item: “Algumas dicas para você melhorar seu recall,” páginas 111 a 113, em Caravantes & Ledur, sugere um exercício. Para resolver esse exercício, o aluno deve utilizar o item: Prática com parágrafos curtos, na página 113. 12 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Indicação de Leitura Ler o que Geraldo Caravantes sugere em: Título: CARAVANTES, Geraldo R.; LEDUR, Paulo Flávio. Leitura dinâmica e aprendizagem. Capítulo: 7 – Garantindo um aprendizado efi caz. Páginas 121 - 140 Exercício # 2 Velocidade de Leitura O aluno deverá fazer a leitura indicada acima antes de resolver o exercício # 2. 1. Leitura rápida: A velocidade é um produto tanto do propósito quanto do conteúdo. A maioria das pessoas é capaz de melhorar seu índice de velocidade sem qualquer perda da compreensão. 2. Pratique, cronometrando seu tempo de leitura. Na fase inicial, procure manter elevada sua velocidade, ainda que a compreensão seja um pouco sacrifi cada. 3. Pratique com a ajuda de manuais e teste-se freqüentemente. O esforço consciente para melhorar produz resultados. 4. Pratique sem recursos auxiliares. Cronometre seu tempo nas dez primeiras páginas. Tente reduzir o tempo gasto nas próximas dez e assim por diante, até atingir uma velocidade mais alta (esta ve-locidade mais alta deverá ser de 600 a 700 p.p.m., ou seja, pelo menos o triplo da velocidade de leitura dita normal, a da maioria das pessoas). Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 1.2.5 – Mapas conceituais Nos últimos anos, a ciência cognitiva explorou o potencial de usar métodos gráfi cos para mostrar esquemas mentais, teorias ou seqüências de pensamentos. Esses mapas gráfi cos foram chamados de mapas conceituais. Um mapa conceitual é uma estratégia na organização das idéias por meio de palavras-chave, cores, imagens, símbolos e fi guras, em uma estrutura que se irradia a partir de uma idéia, um conceito, um conteúdo. Pontos principais: Os mapas conceituais favorecem o aprendizado e melhoram a criatividade e a produtividade pessoal, tanto na escola quanto no trabalho. Os desenhos e mapas conceituais permitem a percepção de vários elementos que compõem o todo, com seus desdobramentos e relações, tirando proveito do fato de que a mente humana lida de forma muito mais efi ciente com imagens organizadas.
  12. 12. Os mapas conceituais auxiliam a inteligência, pois ampliam a capacidade de raciocinar sistematicamente e ajudam a percepção simultânea da “fl oresta e das árvores”, permitindo a atenção segmentada e a preservação das relações com o todo. Apesar de se basearem em um substrato teórico bastante sofi sticado, a beleza dos mapas conceituais consiste em serem muito intuitivos. Não é necessário estudar ou entender as teorias que estão por trás para entendê-los e usá-los com facilidade. Os mapas conceituais foram desenvolvidos para serem desenhados com papel e lápis. De fato, há muitos pesquisadores e administradores importantes que estão perfeitamente satisfeitos com os desenhos que vão fazendo, ao tentar entender algum assunto, tomar notas de aulas ou programar atividades. Não obstante, essa é uma área em que as facilidades da informática e das interfaces gráfi cas é imbatí-vel. Isso porque uma das características mais convenientes dos mapas desenhados em computador é a velocidade com que se fazem e refazem as relações lógicas anotadas. Com o mouse, puxamos um elemento de um lugar para outro. Alguma coisa que iria para a segunda subseção do capítulo II pode instantaneamente virar o capítulo V. As planilhas eletrônicas oferecem a oportunidade de variar infi nitamente os elementos de uma tabela e obter instantaneamente os resultados sobre o sistema. São os exercícios de simulação do tipo “o que acontecerá se...” A versão eletrônica do mapa cognitivo faz exatamente a mesma coisa com a estrutura lógica de um conjunto de idéias. Permite variações rápidas e visuais na estrutura lógica de um pensamento. Existem muitos mapas conceituais disponíveis. Alguns são vendidos, como é o caso do MindManager. Porém há outros que são de domínio público. Adotamos aqui o CMapTools, que pode ser obtido no site.]: http://cmap.ihmc.us/Download/ Como é um programa voltado para o ensino, entre um conceito e outro, o mapa exige que se introduza um verbo. Dessa forma, fi cam explicitadas as relações introduzidas no mapa. Abaixo está um exemplo de um mapa conceitual simples usando como exemplo o questionamento sobre existência de um local tranqüilo para trabalhar. Conversas em voz alta? Televisão? está longe Tranqüilidade? incomodam Lugar para guardar papéis e livros? oferece oferece permite Local de estudo Trabalhar sem interrupções? Computador? oferece 13 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender Em tese, podemos transcrever para um mapa conceitual qualquer raciocínio, simples ou complexo. Po-demos fazer listas – como é o caso do mapa acima – ou podemos fazer calendários. Para as listas, os mapas dão uma versão visual do que temos de fazer. Apenas adicionam conveniência. Mas, ao escrever um trabalho mais complexo, o mapa permite verifi car a sua estrutura lógica e aperfei-çoar a apresentação. Abaixo, um mapa “de verdade” usado pelo autor para escrever um trabalho sobre ensino básico no Brasil. No caso, foi usado o programa MindManager (que não exige a introdução de verbos entre os conceitos). No caso, o trabalho foi todo estruturado no MindManager, com as idéias principais sendo adicionadas e os pontos menores ajustados ao melhor lugar, na lógica do trabalho. Após feito o mapa reproduzido abaixo, chegou, então, a hora de redigir o trabalho. Multicanais EAD com presença Tecnologias da imagem As técnicas Base bem dominada Volta à escola para atualizar: educação permanente Autodidatismo inevitável A tecnologia ‘just-in-time’ Os clássicos e as humanidades A amplitude dos conhecimentos Diploma não interessa, aprender interessa O novo Memória é passado, saber pensar é futuro Os de baixo também precisam Educação baseada em evidência Como ensinar: ciência cognitiva As contribuições da neurociência Avaliação e feedback Contextualização Aprender é aplicar Estruturação indispensável para a educação de massa E o computador? O velho que virou novo Sem habilidades básicas, nada feito Leitura continua O pensamento análitico A educação do futuro Para Saber Mais Título: FERREIRA, Luiz F. Mapas conceituais. Disponível também no endereço eletrônico: http://penta.ufrgs.br/~luis/ Título: DUTRA, Ítalo; FAGUNDES, L.; CAÑAS, A. Mapas conceituais. Disponível também no endereço eletrônico: www.emack.com.br/info/apostilas/nestor/mapas_piaget. pdf www.mindtools.com/mindmaps.html
  13. 13. Colocando o conhecimento em prática Como se lembrar do que foi lido Aplicação em grupo Exercício #1: Aprendendo a ler melhor Vocês leram sobre os diferentes estilos de leitura, de acordo com o material a ser lido. Tendo essas idéias como pano de fundo: • Anotem as leituras que vocês fi zeram na semana anterior. Cada um faz a sua lista que será conso-lidada em um listão coletivo. • Classifi quem as leituras em grupos, de acordo com a difi culdade do assunto (sugestão, criar três níveis de difi culdade). Descrevam para cada grupo por que são difíceis ou fáceis. • Determinem quais podem ser lidas seletivamente, quais devem ser integralmente lidas, mas em alta velocidade e quais leituras, ou quais trechos precisam de tempo e vagar para serem entendidos • Expliquem por que algumas são mais difíceis do que outras. Selecionem pequenos trechos que ilustrem difi culdade e necessidade de ler e reler. • Retomando o trecho de Caravantes sobre recall, cada aluno vai decidir quais as regras práticas que lhe pareceram mais úteis e justifi car por escrito. Exercício #2: Anotações Escolham uma aula a que todos assistiram e tomaram nota (em outra disciplina). • Comparem as anotações de cada aluno. • Quais são as diferenças? Todos anotaram as mesmas coisas? • Todos deram ênfase aos mesmos pontos considerados mais importantes? • As anotações mais detalhadas contam a mesma história que outras mais curtas? • Há discrepâncias sérias entre anotações de alunos? • Coletivamente, o grupo se considera competente para tomar notas? Exercício #3: Mapas conceituais Laboratório de Informática Os alunos, nas equipes de aprendizagem, elaborarão um mapa conceitual de um texto escolhido pelo professor. O texto será escolhido entre aqueles que os alunos estiverem estudando em alguma disciplina específica. O CMap, por ser de domínio público e voltado para a educação será usado. Cópia do programa pode ser obtida no site a seguir: http://cmap.ihmc.us/Download/ 14 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 1 Como estudar, como aprender
  14. 14. Conteúdo da Disciplina 2 MÉTODO CIENTÍFICO: UM GUIA PARA A BUSCA DO CONHECIMENTO 2.1 O que é ciência: como a ciência funciona. 2.2 O conhecimento científi co é diferente de outras formas de conhecimento. 2.3 As regras do jogo: o método científi co. Um começo de conversa Método científi co O método científi co é uma maneira mais rigorosa de responder a perguntas. É um estilo de pensamento, muito mais do que alguma coisa que acontece nos laboratórios. O homem educado, ao tentar responder às perguntas que encontra, tende a andar muito próximo do método científi co. Naturalmente, perguntas simples requerem um uso muito singelo do método científi co. Por outro lado, os cientistas profi ssionais tentam responder a perguntas difíceis, requerendo o uso de estatísticas com-plicadas e teorias não tão fáceis de serem entendidas. Mas é tudo uma questão de grau. Os princípios metodológicos usados para verifi car a hipótese de Einstein de que a luz faz curva não são muito diferentes daqueles usados para amostrar a água de um rio e verifi car se está poluída. Essa unicidade de visão é a beleza e o mérito do método científi co. Ponto de partida – tópico gerador Os anúncios afi rmam: ”a ciência provou que o dentifrício Maravilha é melhor do que os concorrentes”. Ou que “o sabão X limpa mais branco, de acordo com a pesquisa”. Até os vendedores de “óleo de peixe-elétrico” nas praças do interior justifi cam as maravilhas da sua poção pelo que teria dito a ciência. Por que os anúncios apelam para a ciência e seus achados? A resposta é simples. A ciência tem força. Tem credibilidade. O que diz a ciência não pode ser duvidado pelos leigos. Mas a força da ciência faz com que seja usada para esconder pura embromação. Portanto, uma pessoa educada, mesmo que não se dedique profi ssionalmente à pesquisa científi ca, deve conhecer os seus princípios, para que possa aprender com os seus resultados e não ser ludibriada por espertalhões. 15 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 2 Método Científi co: um guia para a busca do conhecimento Colocando o conhecimento em prática: O que é ciência: como a ciência funciona Aplicação individual Tente responder às questões abaixo: O que é ciência? • Se fazer ciência é tentar entender o mundo que nos cerca, de que forma é uma atividade diferente de indagações de mesma índole que fazemos no nosso cotidiano? • Por que a ciência adquiriu tanta fama e poder no mundo moderno? Será por isso que muitas outras atividades querem ser consideradas como ciência? • A ciência usa com rigor a razão, descreve o mundo real e sobrevive ou morre quando comparamos o que diz com a observação sistemática da realidade? • A astrologia também tenta explicar o mundo: É uma ciência? Por quê? Religião é ciência? Por quê? Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 2.1 - O que é ciência: como a ciência funciona A natureza da ciência e da pesquisa O homem é um animal eminentemente curioso. De fato, criou uma civilização complexa e sofi sticada, justamente, por ter dado asas a sua curiosidade e buscado respostas para as perguntas que iam apa-recendo. Assim, pôde dominar o fogo, adaptar espécies de plantas comestíveis, domesticar animais e desenvolver um número cada vez maior de implementos e ferramentas que compensam sua fragilidade física. Começa usando uma pedra para quebrar coco e já foi à Lua, xeretar o que havia na outra face. Ao longo do tempo, não perdeu sua curiosidade. Mas, além disso, aprendeu a perguntar melhor, apren-deu a observar melhor, aprendeu a interpretar melhor o que via à sua frente. Progressivamente, vai surgindo um estilo de perguntar e responder que se torna mais poderoso e mais efi ciente. E, para que os resultados do esforço de uns possa se somar ao que fazem os outros, vai criando regras de como sistematizar esse processo de busca e de comunicação. É a depuração desse esforço cumulativo que dá origem ao método científi co.
  15. 15. O método científi co nada mais é do que um conjunto de procedimentos e de regras para separar o certo do errado, o confuso do claro, o preconceito do que é demonstrável. E, ao fi m do processo, prevalece a regra mais poderosa de todas: é ciência boa aquilo que resistiu a todos os esforços de achar erros ao longo do caminho. Se ninguém conseguiu mostrar equívocos, ambigüidades ou erros nos procedimentos de verifi cação, então, é boa ciência. Adquire o direito de sobreviver, até que alguém consiga achar uma falha nos pro-cedimentos ou um resultado diferente do que a lei científi ca predica. Esse é um critério muito poderoso. Boa ciência é o que ainda não foi possível destruir com bons argu-mentos lógicos ou diante de discrepâncias com a realidade observada. A lei da aceleração da gravidade sobreviveu quatro séculos, por uma razão simples: todas as vezes que alguém deixou um corpo cair e cronometrou a trajetória da queda, descobriu o mesmo que havia observado Galileu. A ciência tem métodos e procedimentos próprios que são muito mais exigentes do que aqueles que utilizamos para responder as nossas perguntas do cotidiano. Embora seja pesado e complicado para lidar com nossas perguntas do dia-a-dia, o método científi co virou um paradigma para o pensamento rigoroso, para o cuidado no bem-pensar. Mesmo quando não podemos aplicá-lo com todo o seu rigor e minudências, quem domina o método tem uma disciplina superior no pensar e no questionar. Quem entendeu bem a lógica do método científi co, adquiriu uma das competências mais poderosas que se pode adquirir na escola. Valeu o esforço, mesmo para quem nunca vá realizar uma pesquisa científi ca em toda a sua vida. Colocando o conhecimento em prática: O que é ciência: como a ciência funciona Aplicação individual Volte às mesmas perguntas do exercício anterior e tente responder a elas, de novo. Ficaram mais claras? 16 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 2 Método Científi co: um guia para a busca do conhecimento Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 2.2 - O conhecimento científi co é diferente de outras formas de conhecimento O poder, os limites e os abusos da ciência Quanto maior o papel da ciência no mundo moderno, quanto maior o seu prestígio, mais sérios são os perigos de que se confunda ciência com outras atividades ou áreas do conhecimento. Isso porque, no fundo, todos querem a credibilidade da ciência. Portanto, é preciso aprender a separar aquilo que é boa ciência do que é outra coisa. A ciência requer rigor analítico e disciplina intelectual. Conversa de botequim não a tem, pois os argu-mentos se entrecruzam e a lógica tropeça. Mas há outras áreas em que o rigor também é exigido, como a teologia ou a ética. Contudo, não são ciências, porque o critério de certo ou errado não é o exame sistemático do mundo real, obedecendo a fórmulas rígidas. Não se faz uma pesquisa para decidir se um dado comportamento é ético ou não. A natureza da ciência Podemos entender a ciência como uma “supergramática” que impõe ao pensamento uma disciplina adi-cional que não se encontra fora dela. Na ciência não entram os juízos de valor e as opiniões. O cientista pode “torcer” pela sua teoria, assim como o juiz de futebol pode ter seu time. Mas juiz e cientista têm de ser imparciais na condução do seu trabalho. A ciência só trata com a realidade observável. Se não é algo que se possa vislumbrar a possibilidade de observar ou medir, não é assunto da ciência. Por isso, religião não é ciência. Finalmente, a ciência tem objetivos práticos. Ainda que isso não deva interferir na condução da pesquisa, em última análise, a ciência perde sentido se não permitir a compreensão de fenômenos cujo domínio é útil para a humanidade. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 1 – O poder, os limites e os abusos da ciência.
  16. 16. Colocando o conhecimento em prática: O conhecimento é diferente de outras formas de conhecimento Aplicação em grupo ou individual Identifi car tipos de publicações Identifi car três publicações curtas [sugestão: procurar em editoriais de jornais]: • Um texto rigoroso e claro, mas que não é ciência por estar imbricado em valores ou por não buscar a demonstração de afi rmativas por meio do teste empírico. • Um texto que se pretende científi co por não mesclar valores com outras afi rmativas e por tentar demonstrar empiricamente suas proposições. Contudo, falha por determinada razão, não conseguindo seu propósito. • Um texto que satisfaz a todas as exigências do método científi co. Apresentar as razões da escolha dos textos e mostrar onde estão as diferenças. Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 2.3 - As regras do jogo do método científi co O método como arma de destruição Para efeito dos objetivos aqui considerados, podemos discutir a questão do método a partir de uma dicotomia talvez um tanto simplista, mas adequada às nossas necessidades de clareza. À falta de melhor caracterização, poderíamos falar em uma dimensão positiva e uma dimensão negativa do método. A primeira refere-se ao processo de busca na ciência. A segunda às exigências que deve satisfazer o produto fi nal. A dimensão positiva é o método como mapa da estrada a ser trilhada no curso da pesquisa. A negativa é ver o método como um controle de qualidade do produto fi nal, isto é, a pesquisa. São coisas diferentes e cada um tem seu lugar. 17 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 2 Método Científi co: um guia para a busca do conhecimento A dimensão positiva do método científi co refere-se àquelas instruções de como proceder, como pesquisar, por onde começar, qual a seqüência a seguir etc. Esse será o tema do terceiro bloco do curso. Ao planejar e realizar uma pesquisa, o aluno irá tomando conhecimento com cada um desses passos. No que resta do presente bloco, lidaremos com a dimensão negativa do método científico, isto é, as regras e normas que fazem a assepsia do processo científico. São regras que impedem, que destroem, que vigiam o bom comportamento da pesquisa e dos pesquisadores O método é um instrumento de destruição da ciência, um carrasco que não perdoa deslizes e busca obsessivamente encontrar erros na pesquisa. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 2 – As regras do jogo: a metodologia científi ca. Item: A metodologia como arma de destruição. Páginas 36 - 48. Colocando o conhecimento em prática: As regras do jogo do método científi co Aplicação individual Exercício # 1: Identifi car e discutir controvérsias A partir de leituras de revistas, jornais ou publicações científi cas, identifi car uma controvérsia que seja de cunho científi co. Por exemplo: os eleitores deixam de votar em candidatos cujo nome se associou a escândalos ou corrupção? Ou um tema que possa ser redefi nido para atender às exigências do método científi co. Por exemplo, “a justiça tarda mas não falha”. • Expressar com todo rigor a hipótese a ser verifi cada. • Discutir a natureza da evidência empírica que falsifi caria a “teoria”. Por exemplo, a probabilidade de eleição dos parlamentares acusados de corrupção é tão elevada quanto a de outros candidatos sem qualquer mácula no seu currículo. Ou então, qual a freqüência de crimes não resolvidos, não julgados ou julgados com processos mal informados?
  17. 17. Exercício # 2: Caçadores de mitos (Mythbusters) No programa Caçadores de Mitos, os personagens apresentam situações curiosas, mas perfeitamente reais, em que há uma dúvida. Ao longo do programa, monta-se um experimento em que se verifi ca se a “teoria” aventada é verdadeira ou fantasiosa. Embora o novo conhecimento não avance a ciência, o experimento é conduzido como se fosse uma pesquisa científi ca. • Obter cópias de alguns programas Caçadores de Mitos. • Escolher um deles. • Formular, por escrito e de forma rigorosa, qual a hipótese ou quais as hipóteses será(ão) testada(s). • Defi nir os critérios de verifi cação da(s) hipótese(s), mostrando que resultados validam a(s) hipótese(s) e que resultados a(s) refutam. • Discutir os resultados encontrados no programa de televisão. Exercício # 3: Proposições falsifi cáveis Aplique o princípio da falsifi cabilidade em cinco proposições encontradas no jornal ou em revistas que tenham as seguintes características: • Uma proposição falsifi cável, portanto de índole científi ca que haja sido testada empiricamente e confi rmada (não precisa ser uma confi rmação com o nível de exigências usual nas ciências). • Uma proposição falsifi cável que haja sido testada e se revelou falsa. • Uma proposição falsifi cável, mas cuja verifi cação não foi testada. • Uma proposição contendo juízos de valor, portanto, não falsifi cável. • Uma proposição que seria falsifi cável, no entando está apresentada de forma vaga ou ambígua. 18 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 2 Método Científi co: um guia para a busca do conhecimento
  18. 18. Conteúdo da Disciplina 3 VAMOS FAZER UMA PESQUISA 3.1 O primeiro passo: a escolha do tema. 3.2 Qual é minha pergunta? 3.2.1 O que se sabe sobre o assunto: Pesquisa bibliográfi ca. 3.3 Como vou responder a ela: a montagem da pesquisa. 3.3.1 Hipótese a ser testada: em quem apostamos. 3.3.2 Dados que confrontarão a hipótese. 3.3.3 Escolha das ferramentas. 3.3.4 Aplicação das ferramentas e análise dos dados. 3.3.5 Relatório de pesquisa. Um começo de conversa Esta unidade refere-se à prática da pesquisa. É importante que os alunos tenham tido contato com pesquisas científi cas realizadas e que tenham despertado o interesse por determinado tema ou assunto em sua área para o estudo ou pesquisa. Ponto de partida – tópico gerador Nesta última parte da disciplina, você vai fazer duas coisas ao mesmo tempo. Vai percorrer o ciclo completo de produção de uma pesquisa, da escolha do tema ao relatório fi nal. Mas, ao mesmo tempo, irá fazer uma pesquisa “de verdade”, acompanhando, passo a passo, a descrição de cada etapa da pesquisa. Naturalmente, será escolhido um tema relativamente simples, considerando a inexperiência dos alunos e o pouco tempo disponível. Mas não será uma pesquisa “de fi ngidinho”. O tema é real e os dados também. No mesmo espírito, os resultados não são totalmente previsíveis. Não esqueçamos, se não há risco de a hipótese estar errada, não é pesquisa científi ca. 19 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 3.1 - O primeiro passo: a escolha do tema Se eu escolher bem o tema de minha pesquisa, nada impede que saia cometendo erros pelo caminho afora, pondo a perder uma boa idéia e muito esforço pessoal. Mas, se o tema foi mal escolhido, nada pode salvar a minha pesquisa. Está condenada à mediocridade e à irrelevância. Daí que a etapa mais delicada e mais perigosa da pesquisa é a escolha do tema. Tudo o mais é consertável. A escolha do tema não é. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 3 – A escolha do tema e o risco de um erro fatal. Páginas: 60 - 63 Leitura para o subtópico: 3.2 - Qual é minha pergunta? Pesquisar é tentar responder a uma pergunta. Não passa disso. Para pesquisar se está chovendo, basta chegar à janela e olhar. Não se justifi cam procedimentos mais sofi sticados. Não poderia ser considerada uma pesquisa científi ca, apesar de os resultados serem confi áveis. Mas, para saber se vai chover daqui a três dias, é preciso chafurdar nos modelos computacionais extremamente complexos com que traba-lham os meteorologistas. Para responder a tal pergunta, é preciso ter a meteorologia como profi ssão e aprender os métodos usados para as previsões de tempo. É preciso conhecer as teorias e as ferramentas computacionais. Mas, nas nossas próprias áreas de interesse, é possível responder a perguntas interessantes. Basta conhecer os procedimentos usados por quem pesquisa na área, bem como as precauções metodo-lógicas a serem tomadas. É possível fazer pesquisa científica. Não é um sonho irrealizável. Mesmo principiantes podem lidar com as ferramentas do método científico e obter resultados inte-ressantes. É pouco comum, mas já ocorreu fazerem descobertas surpreendentes. Qualquer que seja a área, qualquer que seja o nível de complexidade, na pesquisa começamos fazendo perguntas e tentando responder a elas. Nesse sentido, não é nada diferente daquela que fez o homem primitivo ao esfregar longamente um pau no outro: o que será aquela fumacinha que começa a sair? Um pouco mais de curiosidade e persistência e estava descoberta a primeira maneira de fazer fogo.
  19. 19. Leitura para o subtópico: 3.2.1 - O que se sabe sobre o assunto: Pesquisa bibliográfi ca A experiência secular e o bom senso nos ensinam: Não vamos redescobrir a pólvora. Antes de gastar tempo e recursos, é preciso verifi car o que já fi zeram os outros que nos antecederam. Não tem sentido repetir experimentos cujos resultados já foram mais do que confi rmados. Pode ser arriscado demais tentar responder a perguntas em que pesquisadores mais experientes falharam. Daí a razão para uma busca do que já foi feito. Essa é a chamada pesquisa bibliográfi ca, pois a ciência se registra e se acu-mula em publicações. Antes de começar a pesquisa, temos de conhecer razoavelmente bem o que já foi feito antes. Colocando o conhecimento em prática: A atividade científi ca da profi ssão escolhida (1.ª parte) Aplicação individual Você irá fazer um levantamento para entender as atividades científi cas e as atividades de pesquisa na profi ssão para a qual começa a se preparar. Para isso, poderá: • Consultar as revistas científi cas e anais de congressos na biblioteca. • Consultar sites de pesquisa na área, assim como departamentos de mestrado e doutorado de uni-versidades, na Internet. • Entrevistar um professor da área profi ssional e fazer uma resenha sobre o que ele pesquisa e sobre o que ele tem a dizer acerca da pesquisa em sua área de atuação. • Entrevistar um profi ssional da área, experiente, para saber quais são as pesquisas que as empresas fazem na área. Esse é mais o caso para alunos de cursos profi ssionais. Aplicação em grupo A escolha do tema Na escolha do tema, costuma-se dizer que buscamos uma idéia que seja, ao mesmo tempo, original, importante e viável. Qualquer um dos critérios que falhar põe a perder a pesquisa, apesar de todo o esforço que devotarmos a ela. Selecione três temas possíveis de pesquisa, dentro de um campo em que você tenha certa familiaridade. Discuta cada um, diante dos três critérios apresentados: É viável? É importante? É original? Dos temas escolhidos, quais passam nos três testes? Explique por escrito. 20 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 3.3 - Como responder à pergunta: a montagem da pesquisa. O passo seguinte é decidir como responder à pergunta que escolhemos. Ao contrário do homem primitivo, já temos regras bem claras de como prosseguir. É preciso defi nir um conjunto de procedimentos que, metodicamente, vão nos levar ao resultado. É a montagem da pesquisa. Este é o momento de pensar no empreendimento como um todo. Onde começa? Quando acaba (fundamental, pois quase sempre temos prazos defi nidos)? O que vamos gastar? Há recursos? De que informações vamos precisar? Quanto custam? Como vamos processar e analisar os dados? Quais as competências necessárias para lidar com as técnicas escolhidas? Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 6 – Da sutil arte de lidar com as informações. Item: Sobre a arte de pesquisar com números. Páginas: 115 - 131 Leitura para o subtópico: 3.3.1 Hipótese a ser testada: em quem apostamos? Quando fazemos uma pergunta em nosso próprio campo profi ssional, na maior parte das vezes, temos uma idéia acerca do que vamos encontrar. É como se estivéssemos dispostos a fazer uma aposta de que vamos encontrar tal ou tal resultado. A essa aposta chamamos de “hipótese a ser testada”. Na lógica da ciência, a hipótese sobrevive ou naufraga. Mas isso não resulta da fé que tenho nela (isso é ideologia), mas da correspondência entre o que diz e o que posso observar no mundo real. É o que os cientistas chamam de “teste da hipótese”. É a nossa aposta.
  20. 20. Colocando o conhecimento em prática: A atividade científi ca da profi ssão escolhida (2.ª parte) Aplicação individual A partir do levantamento realizado na 1.ª parte da atividade individual, você deverá escolher três pesquisas que podem ser consideradas típicas da profi ssão. Deverá, então, escolher uma delas e ler cuidadosamente, para entender a sua lógica e onde entrou o método científi co. Como resultado da leitura, deverá discutir: • Como e com que argumentos o tema foi escolhido? • Qual pode ser o interesse dos resultados? • Quais as hipóteses tomadas? Note que algumas vezes as hipóteses estão implícitas. • Que tipos de dados foram usados para testar as hipóteses? Sugerir alternativas. • Como foram analisados os dados? Foi uma opção óbvia ou haveria outras alternativas? • Os resultados confi rmam as hipóteses? • Diante dos resultados, que novas perguntas fi cam sugeridas? Aplicação em grupo Pesquisa bibliográfi ca A tarefa desta aula é realizar uma pesquisa bibliográfi ca sobre um tema bem específi co. Ou seja, temas como gestão, investimentos ou mercado internacional são excessivamente amplos. É preciso escolher um tema, como se fôssemos realmente fazer uma pesquisa. Sobre esse tema, realizar uma pesquisa bibliográfi ca. As publicações citadas abaixo são as fontes con-vencionais para a geração de uma bibliografi a. • Artigos de revisão da literatura. • Guias bibliográfi cos. • Dicionários e enciclopédias. • Artigos e periódicos • Teses. • Jornais. • Banco de dados informatizado e Internet (a porta de entrada clássica é o Google, mas todo cuidado é pouco, pois não há censura ou reputações a serem perdidas na Internet). • Revistas técnicas • Anuários 21 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Nos dias de hoje, o número de referências sobre praticamente qualquer tema excede em muito a nossa capacidade de conseguir as publicações e, mais ainda, de revisá-las minimamente. Por essa razão, o erro maior na preparação de uma bibliografi a é o excesso de títulos, não a sua falta. Alunos querem impressionar os leitores e professores com a abundância de livros e artigos citados. Mas os professores experimentados não se iludem com tal prolixidade. Pelo contrário, percebem logo que os títulos foram citados sem haver sido consultados. Entre outras razões, sabe quais não são encontrados na biblioteca. Portanto, é prudente citar apenas as obras que foram consultadas. Com o advento da Internet, fi cou mais fácil citar muitos títulos – que obviamente não foram lidos. Como todos sabem disso, só pode causar má impressão no leitor (ou notas mais baixas nos trabalhos escolares). Portanto, a difi culdade não está propriamente em achar obras que tratem do tema, mas de achar as melhores obras e as mais próximas do tema específi co que nos interessa. Quem leu as cinco obras clás-sicas sobre um assunto, vai ganhar pouco fazendo leituras adicionais sobre o mesmo tema. A pesquisa é feita com inteligência e não pela mera acumulação de dados e fontes. A qualidade e reputação do periódico em que se encontra a publicação é um dos indicadores clássicos de confi ança. Periódicos com comitês editoriais do tipo “double-blind” (quem revisa os manuscritos submetidos não sabe quem são os autores, e os autores não sabem quem os está lendo) são muito mais confi áveis. A CAPES tem uma lista dos periódicos de melhor qualidade (Qualis). Na prática, um dos caminhos mais promissores é seguir as trilhas dos autores mais consagrados. Um rodapé em um artigo assinado por um pesquisador famoso é uma indicação mais valiosa do que cem citações tiradas da Internet. Um artigo citado repetidas vezes em publicações de autores respeitados é uma boa aposta. Mas isso não é verdade quando estamos buscando referências a pesquisas empíricas, estudos de caso e coisas no gênero. Em tais situações, o tesouro pode estar em artigos esquecidos ou publicados em periódicos menores. É muito mais fácil encontrar citações do que encontrar o texto completo do artigo, o único que pode servir para alguma coisa. Causa má impressão incluir nas bibliografi as citações de publicações de difícil acesso – a não ser em casos muito especiais. Bibliografi a e citações Analisar criticamente a bibliografi a coletada. Como dito, uma coisa é a publicação disponível. Outra é uma referência de um artigo ou livro que talvez nem seja possível encontrar. • Qual é a confi ança que merecem as citações encontradas? Quais são os critérios para avaliar esta confi ança? • Folheando a bibliografi a coletada, quais são as principais idéias vigentes no tópico escolhido? • Quais são os estudos que propõe um marco teórico explícito? Quais são estudos empíricos, testando alguma hipótese contra um conjunto de dados reais? Quais títulos sugerem que talvez não valha a pena ler ou encontrar o texto original, por indícios de que contém fragilidades fatais?
  21. 21. Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 3.3.2 - Dados que confrontarão a hipótese Para testar a nossa hipótese, temos de decidir que evidência empírica será um bom teste para a nossa teoria. Precisamos de dados, de medidas, de observações, de resultados observáveis. Tais dados podem existir nos anuários estatísticos ou outras pesquisas podem ser reutilizadas. Ou, talvez, seja preciso coletar diretamente os dados de que necessitamos. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 9 – Um roteiro de pesquisa. Item: Quarta etapa: A escolha das variáveis empíricas. Página 179 Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 3.3.3 Escolha das ferramentas Em seguida, devemos decidir o que fazer com dados que escolhemos. Se são números, talvez tenhamos que agrupá-los e calcular médias e desvios-padrão. Ou quem sabe, usar estatísticas mais complexas. Sendo dados qualitativos, precisamos analisá-los com outras técnicas. Há técnicas muito bem defi nidas, tanto para lidar com números quanto para realizar pesquisas qualitativas. Pesquisas sérias e de primeira linha tanto podem ser feitas com números como sem eles. Não obstante, os resultados não merecem igual confi ança, pois a pesquisa quantitativa tende a ser muito mais precisa e confi ável. Porém, a escolha entre quantitativa ou qualitativa não é arbitrária e ao sabor das preferências pessoais. A natureza do objeto de estudo e as perguntas que queremos fazer tendem a estreitar muito as alternativas possíveis. Foge aos objetivos do curso entrar nas técnicas correspondentes a cada método. O objetivo aqui é ape-nas guiar os leitores nas grandes decisões, de acordo com o tipo de dados utilizados. Para as técnicas específi cas, outros livros deverão ser consultados. 22 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 6 – Da sutil arte de lidar comas informações. Item: Pesquisar sem números: a pesquisa qualitativa. Páginas: 106 - 114 A pesquisa quantitativa O que quer que se diga a favor da pesquisa qualitativa, não podemos ignorar o fato de que a ciência dá um salto para frente quando é capaz de medir e quantifi car as grandezas com as quais trabalha. A física não seria o que é sem que fosse possível tomar idéias como distância, tempo, força e transformá-las em números. O mesmo se dá nas ciências sociais. Como poderia uma grande universidade escolher os melhores candidatos, dentre dezenas de milhares, se não fosse possível quantifi car o conhecimento que têm? O processo de quantifi cação transforma a observação dos cientistas em amontoados de números. Para que revelem as tendências e informações neles contidos, é preciso que sejam examinados corretamente. E a ferramenta para examinar grupos de dados é a estatística. Portanto, cursos de estatística oferecem aos seus participantes as técnicas para lidar com informações contidas em tabelas ou outras formas de se organizarem os dados. Não seria possível compactar em algumas poucas páginas um curso de estatística. Contudo, é possível encaminhar uma questão pouco tratada nos livros de estatística: qual técnica estatística vou usar para lidar com o meu problema? Como o conhecimento de estatística elementar é quase “cultura cívica” nos dias de hoje, sólidos conheci-mentos dessa disciplina são essenciais para qualquer pesquisador na área social. Mesmo que seu próprio trabalho seja mais qualitativo, as interfaces com informações e análises estatísticas são praticamente inevitáveis. A estatística é a linguagem dos fenômenos que só podem ser capturados quando lidamos com grupos de observações. Sem entender o que dizem as estatísticas, é como se o pesquisador não conseguisse ler a língua em que estão os maiores repositórios da ciência mundial. Estará alienado das grandes obras científi cas. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 6 – Da sutil arte de lidar com as informações. Item: Sobre a arte de pesquisar com números. Páginas: 115 - 131
  22. 22. Colocando o conhecimento em prática: Escolha das ferramentas Aplicação em grupo A montagem da pesquisa: passo a passo O professor proporá à turma um tema de pesquisa. Se for necessário, fornecerá textos aos alunos (em papel ou eletrônicos) ou trabalhará com eles no laboratório. Os grupos deverão se reunir e fazer um debate seguindo o roteiro: • Por que este tema merece uma pesquisa e que benefício se pode esperar da pesquisa em relação à situação original? Sugestão: pense no grau de originalidade, importância e viabilidade. • Antes de iniciarmos a pesquisa, o que precisamos fazer? Apenas o tema é sufi ciente? Sabemos que é preciso transformar o tema em uma pergunta. Qual seria a pergunta sugerida por esse tema? • Com o tema em mãos, assegurados de que se trata de um problema que merece ser estudado, os alunos, em seminário, deverão discutir possíveis caminhos para tratar o tema. • Quais hipóteses seriam sugeridas pelo problema defi nido? Trata-se de preparar melhor o enunciado da possível solução. • Quais os dados necessários para testar a hipótese? Como podem ser obtidos? • Que tipo de análise poderia ser feita com os dados que se pensa conseguir? • Que resultados confi rmariam a hipótese proposta? Que resultados negariam a hipótese (confi rmando a chamada “hipótese nula”)? Se a hipótese for confi rmada, que implicações isso tem para a ciência? Em outras palavras, confi rma o que já se sabia ou pensava, ou muda a direção do pensamento corrente? Leitura Obrigatória Leitura para o subtópico: 3.3.4 - Aplicação das ferramentas e análise dos dados A aplicação das ferramentas corretas, para que os dados produzam as respostas que quero, tende a ser a fase mais mecânica e trabalhosa da pesquisa. Entram em cena aqui os conhecimentos de estatística ou de outras técnicas usadas. 23 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Nesta fase da pesquisa, os problemas teóricos e metodológicos já foram enfrentados e, espera-se, resol-vidos. Não obstante, é preciso olho e atenção para acidentes de percurso e para falhas que só se revelam na hora de aplicar as ferramentas. Pode ser a hora em que novas idéias nascem, diante de resultados inesperados. Pode ser a hora de detectar erros e fazer correções de curso. Mas, no todo, trata-se de uma fase de muito trabalho e relativamente pouca refl exão ou teorização. É a coleta de dados, a sua tabulação em formatos mais convenientes, é a aplicação das ferramentas estatísticas ou qualitativas. É a apresentação dos resultados de forma a facilitar a compreensão do que estão dizendo. O grande risco nesta fase é a perda de tempo, é a logística que sai do controle, são os acidentes de percurso na mecânica de coletar e tratar os dados. Mas, apesar da predominância de tarefas repetitivas, há uma mágica em ver os resultados nascerem das tabelas. Só de olhar para os dados, vamos vendo que, por exemplo, alunos que cursaram melhores escolas vão aparecendo com notas maiores nos vestibulares. Nem todos, é claro. Mas as tendências, às vezes, podem ser vistas “a olho nu”. Feito isso tudo, voltamos à pergunta inicial: o que meus dados, agora trabalhados e domesticados estão dizendo? Estava certa minha aposta? Ou os dados não concordam com ela? Pode acontecer que os resultados sejam inconclusos. Mas a ciência não avança só com resultados positivos. Aprende-se quase tanto acerca do mundo real com apostas perdidas ou resultados que não conseguimos decifrar. Leitura para o subtópico: 3.3.5 - Relatório de pesquisa Feito isso tudo, temos em mãos os resultados da nossa longa e tortuosa indagação. Como ninguém faz pesquisas para si próprio, é preciso contar para os outros o que foi concluído. Mas não podemos contar de qualquer jeito, já que há normas rígidas a esse respeito. A apresentação de um trabalho científi co está sujeita a uma disciplina férrea. É o grande paradoxo. So-mos livres para fazer perguntas, somos livres para buscar as estratégias de responder a elas. Mas somos escravizados a normas minuciosas na hora de reportar os resultados. Mas faz sentido. Há literalmente dezenas de milhares de periódicos científi cos. Só no Brasil, há muitas centenas atingindo padrões mínimos de qualidade. Um pesquisador, ao fazer as suas revisões bibliográ-fi cas ou se atualizar na sua área, precisa examinar um número enorme de pesquisas e monografi as. Se cada uma aparecer de um jeito e com um estilo diferente, cria-se uma barreira à comunicação. Por isso, os trabalhos que mereceram um prêmio Nobel estão apresentados rigorosamente segundo as mesmas regras de outros condenados ao esquecimento. A originalidade está no conteúdo e não na forma. Normas de apresentação A leitura anterior mostra como se estrutura um trabalho científi co, do ponto de vista de sua lógica interna e coerência. A leitura que segue mostra as regras práticas de como mostrar os títulos e como fazer notas de rodapé.
  23. 23. E depois? Concluímos nossa pesquisa. Podemos achar que está ótima. Mas isso vale pouco. Na lógica da ciência, só ousamos publicar uma pesquisa se estamos seguros de que o nosso maior inimigo não possa achar defeitos metodológicos nela. Daí o cuidado quase paranóico de policiar todos os procedimentos e detalhes. É melhor que nós mesmos achemos defeitos e os corrijamos do que nossos pares que serão nossos leitores. A ciência anda para frente, por conta dessa permanente competição e crítica cruzada. Epílogo: Dos perigos de usar mal o tempo Há uma diferença entre a maneira espontânea como a pesquisa avança e a maneira como deveria avançar. Observou-se que os principiantes gastam tempo demais nas fases iniciais e fi cam sem tempo para dedicar às últimas que são mais nobres e mais importantes. Indicação de Leitura Título: CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. Capítulo: 7 – A logística da pesquisa Item: Das maneiras naturais de se dispor mal do tempo: excesso de dados e escassez de análise. Páginas: 161 - 164 Colocando o conhecimento em prática: Relatório de pesquisa Aplicação individual A realização de uma pesquisa, de ponta a ponta No tempo que resta do curso, vamos realizar uma pesquisa, de verdade e de princípio ao fi m. Para que isso seja possível, é necessário escolher um tema sufi cientemente fácil e que possa ser tratado no tempo disponível. Aqui serão sugeridos alguns temas possíveis. Mas alunos ou professores poderão optar por outros. 24 0003 – 0807 – Metodologia e Introdução à Prática de Pesquisa – Guia do Aluno Unidade 3 Vamos fazer uma pesquisa Sugestões de temas: Afi rma-se que a violência é o resultado da pobreza e do baixo nível de educação. Comparando níveis de violência entre capitais brasileiras (ou entre países), tal hipótese parece verdadeira? Usando o Provão de 2003, verifi que se, de acordo com a classe social do aluno (medida por educação do pai ou da mãe), as opções de carreira são diferentes. Examine dados de relação candidato / vaga nas universidades federais e tente associar as diferenças às opções de carreira. A pesquisa deverá seguir o roteiro apresentado anteriormente no curso. De acordo com o tema, os alunos deverão aprofundar as leituras correspondentes. Primeiro passo: a escolha do tema • Qual é minha pergunta? • Como vou responder a ela: a montagem da pesquisa Pesquisa bibliográfi ca Hipótese a ser testada: em quem apostamos? Dados que confrontarão a hipótese Escolha das ferramentas Aplicação Análise dos dados Relatório de pesquisa

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