Esquema Bakhtin

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Esquema Bakhtin

  1. 1. Estética da Criação Verbal Mikhail Bakhtin Thiago Hermont
  2. 2. OS GÊNEROS DO DISCURSO O problema e sua definição• Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem, sendo o caráter e as formas desse uso tão multiformes quanto os diversos campos da atividade humana. Esta multiformidade ocorre, provavelmente, pelo fato da linguagem ser a ferramenta de expressão das variadas atividades humanas. Dentro do campo da comunicação humana encontram-se três elementos indissociáveis à ideia de enunciado: o conteúdo temático, o estilo, a construção composicional.
  3. 3. • Cada enunciado particular é individual, embora cada campo de utilização da língua elabore seus tipos relativamente estáveis de enunciados: gêneros do discurso.
  4. 4. Gêneros do Discurso• São extremamente heterogêneos, tornando os traços gerais dos gêneros discursivos demasiadamente abstratos e vazios.• A questão linguística geral do enunciado e dos seus tipos quase não era levada em conta dentro do corte do gênero literário.• Denota-se a existência dos gêneros primários e secundários relacionada à definição da natureza geral do enunciado.
  5. 5. Gêneros primários e secundários• Gênero primário: formam-se nas condições da comunicação discursiva imediata.• Gênero secundário: surgem nas condições de um convívio cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado.• A diferença entre ambos é crucial para a própria natureza do enunciado.
  6. 6. Estilística• Todo enunciado é individual, podendo refletir a individualidade do falante.• As condições menos propícias para o reflexo da individualidade na linguagem estão presentes naqueles gêneros do discurso que requerem uma forma padronizada.• A relação orgânica e indissolúvel do estilo com o gênero se revela nitidamente também na questão dos estilos de linguagem ou funcionais. Em cada campo existem e são empregados gêneros que correspondem às condições específicas de dado campo.• O estilo integra a unidade de gênero do enunciado como seu elemento, estando as mudanças históricas dos estilos de linguagem indissoluvelmente ligadas às mudanças dos gêneros do discurso.
  7. 7. • Os enunciados e seus gêneros discursivos são correias de transmissão entre a história da sociedade e a história da linguagem.• Onde há estilo, há gênero.
  8. 8. Dialógica entre gramática e estilística• A gramática se distingue substancialmente da estilística, mas ao mesmo tempo nenhum estudo de gramática pode dispensar observações e incursões estilísticas.• Assim, a gramática e a estilística convergem e divergem em qualquer fenômeno concreto de linguagem, pois a própria escolha de uma determinada forma gramatical pelo falante é um ato estilístico. O estudo do enunciado como unidade real da comunicação discursiva permite compreender de modo mais correto também a natureza das unidades da língua – as palavras e orações.
  9. 9. O enunciado como unidade da comunicação discursiva. Diferença entre essa unidade e as unidades da língua.• A linguística do século XIX, sem negar a função comunicativa da linguagem, procurou colocá-la em segundo plano, promovendo ao primeiro plano a função da formação do pensamento, independente da comunicação.• Para alguns (Humboldt), a língua seria uma condição indispensável do pensamento para o homem, sendo, para outros, deduzida da necessidade do homem de se auto-expressar. A essência da linguagem se reduz à criação espiritual do indivíduo.
  10. 10. Características do enunciado• O discurso só pode existir de fato na forma de enunciações concretas de determinados falantes.• Os limites de cada enunciado concreto são definidos pela alternância dos sujeitos do discurso.• Todo enunciado tem um princípio e fim absoluto, terminando o falante o seu enunciado para passar a palavra ao outro ou dar lugar à sua compreensão responsiva.• O enunciado não é uma unidade convencional, mas uma unidade real.
  11. 11. Enunciado e Oração Oração como unidade de língua e Enunciado como unidade da comunicação discursiva• Os limites da oração enquanto unidade da língua nunca são determinados pela alternância de sujeitos do discurso (esta converte a oração em enunciado pleno).• A oração é um pensamento relativamente acabado, imediatamente correlacionado com outros pensamentos do mesmo falante no conjunto de seu enunciado.• A oração não se correlaciona de imediato nem pessoalmente com o contexto extraverbal da realidade nem com as enunciações de outros falantes, mas somente através do enunciado em seu conjunto.• A oração carece de capacidade de determinar a resposta, ganhando essa capacidade apenas no conjunto do enunciado.
  12. 12. Qualidades e peculiaridades: da oração ao enunciado pleno• Alternância dos sujeitos do discurso.Emoldura o enunciado e cria para ele a massa firme, rigorosamente delimitada dos outros enunciados a ele vinculados, distinguindo-o da unidade da língua (oração).• Conclusibilidade específica do enunciado.Aspecto interno da alternância dos sujeitos do discurso, ocorre pois o falante expressou tudo o que quis dizer em dado momento ou sob dadas condições. É determinada por três elementos: 1) Exauribilidade do objeto e do sentido; 2) Projeto de discurso ou vontade de discurso do falante; 3) Formas típicas composicionais e de gênero do acabamento.
  13. 13. • A intenção discursiva de discurso ou a vontade discursiva do falante determinam o todo do enunciado, sendo que a intenção discursiva deste falante é aplicada e adaptada ao gênero escolhido, constituindo-se e desenvolvendo-se em uma determinada forma de gênero.• As formas de gênero, por sua vez, diferem substancialmente das formas da língua no sentido da sua estabilidade e da sua coerção para o falante, sendo mais flexíveis, plásticas e livres que as formas da língua.• Quanto melhor se domina os gêneros tanto mais livremente os mesmos são empregados.• Um enunciado absolutamente neutro é impossível, tendo em vista que o mesmo é pleno de tonalidades dialógicas, sendo estas imprescindíveis para o entendimento cabal do estilo de um enunciado.• Traço constitutivo do enunciado é seu direcionamento a alguém: o endereçamento, uma vez que cada gênero do discurso em cada campo da comunicação discursiva tem a sua concepção típica de destinatário que o determina como gênero.

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