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Percursos de razão e afetos                O TEMPO DE TERNA MEMÓRIA                                                      B...
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Percursos de razão e afetoscientificamente condenadas, construírem pequenas barragens? (pp.70-71).      É certo e sabido q...
Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesmapas, belas fotografias e complementado ainda porsingular ...
Percursos de razão e afetosjá longa história do Felgar, nos seus mais variados aspetose plurifacetadas dimensões (pp. 21-2...
Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguescontribuição para o estudo mais pormenorizado eaprofundado ...
Percursos de razão e afetossobre minas de ferro e um breve vocabulário ligado aoferro) – textos estes que se encontram bem...
Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco RodriguesAdriano Vasco Rodrigues e Domingos de Pinho Brandão,apresen...
Percursos de razão e afetos(por exemplo, a ausência de bibliografia que esta obra bempedia!), completamente ultrapassados ...
Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues    – Mundo da Saudade!, soneto (ibidem, n.º 7), 2002;    –...
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  1. 1. PERCURSOS DE RAZÃO E AFETOS Homenagem aos Professores Maria da Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues Coimbra • 2011
  2. 2. TítuloPERCURSOS DE RAZÃO E AFETOSHomenagem aos Professores Maria da Assunção Carquejae Adriano Vasco RodriguesAutores – VáriosCoordenação – Adília FernandesCapa – Isabel Caldeira (Arquiteta)Fotografias cedidas por:Adriano Vasco Rodrigues, Alcides Amaral, Ana Subtil Roque, ArnaldoSilva – Núcleo Museológico da Fotografia do Douro Superior – Torre deMoncorvo, Carlos Seixas, Jorge Trabulo Marques© Adília Fernandes – 2011Co-ediçãoCEPIHS – Centro de Estudos e Promoção da Investigação Histórica eSocial – Torre de MoncorvoPalimageDireitos reservados por Terra Ocre – unip. lda.Apartado 100323031-601 Coimbrapalimage@palimage.ptwww.palimage.ptData de edição – outubro 2011ISBN: 978-989-703-025-3Depósito Legal n.º 334705/11Impressão – Publito – Estúdio de Artes Gráficas, Lda. – BragaApoio – Câmara Municipal de Torre de Moncorvo Palimage é uma marca editorial da Terra Ocre - edições
  3. 3. PERCURSOS DE RAZÃO E AFETOS Homenagem aos Professores Maria da Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues Coordenação Adília Fernandes A Imagem e A Palavra
  4. 4. Percursos de razão e afetos NOTA DE APRESENTAÇÃO É com muita alegria e a maior honra que, emnome do CEPIHS – Centro de Estudos e Promoçãoda Investigação Histórica e Social –, apresentamos esteregisto de manifestação pública de louvor a Maria daAssunção Carqueja Rodrigues e a Adriano Vasco da FonsecaRodrigues. Justo preito de homenagem resultante de umsentir comum de amizade, reconhecimento e gratidão porduas personalidades ímpares, de vida profissional e cívicaintensa e modelar. Eles são a referência de valores essenciaisincontestáveis, o guia precioso de sucessivas gerações, odespertar do apreço pelo património, local e nacional, aconsciência da cidadania útil e do bem comum. Evoca-se, aqui, passo a passo, em tocantes depoimentos,esse percurso brilhante e rico de importantes realizações,ressaltando-se o lugar privilegiado que a nossa regiãoocupa nele. Paralelamente, entretecem-se com aquelesque testemunham uma convivência com afetos, cortesia esentido do outro, dádivas que são, igualmente, seu timbre. Face às distintas visões que os contemplam, fica-nos aconvicção, que não reivindicamos como inédita, que fluemsob uma indiscutível coerência – todas os moldam como 7
  5. 5. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesincontornáveis referências intelectuais e humanas. Defacto, se a constatação de que o seu importante labor – oumissão – nos transporta para um conhecimento amplo dasnossas terras e das nossas gentes, não esbate a perceção deestarmos perante dois seres humanos de excelência. Esta é, sobretudo, uma homenagem do coração.Ele pulsa porque a Professora Maria da Assunção é umainestimável filha da nossa terra e porque o Professor AdrianoVasco Rodrigues a adotou, orgulhosa e generosamente,como sua também. O entusiasmo que esta iniciativagerou, alargado à autarquia, a instituições particulares,aos inúmeros admiradores e amigos, é bem prova disso.É prova, ainda, que apesar deste tributo pecar por tardionão perdeu a sua pertinência nem a vontade de traduzir eassinalar, hoje e sempre, a dívida de toda uma coletividadea Maria da Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues,porque, diligente e persistentemente, a beneficiarame, profundamente, a engrandeceram. Em boa hora secongregaram vontades da parte da Câmara Municipal e doCEPHIS para a sua organização. Desejamos todos, Senhores Professores, que prossigamna senda a que nos habituaram, com a distinção e a sabedoriaque lhes é peculiar. Uma senda que se cruza, agora, com oCentro de Estudos Transmontanos e Alto Durienses, comsede em Torre de Moncorvo, superiormente prestigiadocom a presença de ambos e que conta com o Senhor 8
  6. 6. Percursos de razão e afetosProfessor Adriano Moreira como patrono. Esta iniciativa,cuja criação tanto lhes deve, simboliza, sem dúvida, o amorà região e ao seu estudo e a determinação em continuarema trilhar e darem a trilhar caminhos proveitosos e atuantes. Terminamos, recorrendo a uns versos de Miguel Torga,não só porque a poesia é constante nesta homenagem,emprestando-lhe elegância e beleza, mas porque nosremetem para os homenageados – figuras, intelectualmente,combativas por ideais e princípios ligados a uma exemplarvisão do mundo e da vida. De seguro Posso apenas dizer que havia um muro E que foi contra ele que arremeti A vida inteira Miguel Torga Pel’ A Direção do CEPIHS, Adília Fernandes 9
  7. 7. Percursos de razão e afetos HOMENAGEM DO MUNICÍPIO DE TORRE DE MONCORVO AOS SENHORES PROFESSORES MARIA DA ASSUNÇÃO CARQUEJA E ADRIANO VASCO RODRIGUES Serei considerado obviamente suspeito, porque, tendotido sempre o apoio dos Senhores Professores Maria daAssunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues tornar-se-ialinear que, oportunamente, o viesse a retribuir. Tal apoio foi-me dispensado desde cedo, era, ainda,um jovem liceal, amigo do seu filho Jorge. Interpreto essegesto como uma tendência inata para compreendereme estimularem gerações mais novas, confiando nas suascapacidades, postura que há 30/25 anos não era habitualnas relações entre os mais velhos e os mais novos. Posturaque, sem dúvida, está no cerne do seu sucesso educativo. Não sou eu, concerteza, que enveredei pela engenhariae pela vida política local, a pessoa mais habilitada parareferir as suas qualidades como historiadores e pessoas deletras. 11
  8. 8. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues Porém, não posso deixar de recordar a atenção públicacom que foi seguida a experiência educativa inovadora doLiceu Garcia de Orta, no Porto, de que o Professor AdrianoVasco Rodrigues foi o obreiro como seu primeiro Reitor,alguns anos antes do 25 de Abril. Posteriormente a esta data, registo a sua carreirapolítica como deputado e como Governador Civil. Bastante mais tarde, já Presidente da Câmara, lembroo encontro com ambos, em Antuérpia. Foi nesse encontro que surgiu a ideia da geminaçãode Moncorvo com Mol, de cuja Escola Europeia eram, àépoca, Professores e o Dr. Adriano seu Diretor. Essa ideiachegou a ter seguimento com a vinda, a Moncorvo, deuma deputação belga, contudo, não veio a verificar-se a suaconcretização. Regressados a Portugal tive, então, várias oportunida-des de privar com os agora homenageados, quer ematividades culturais quer em encontros meramente sociais. Nuns e noutros pude apreciar a grandeza de espírito,a lhaneza de trato e a profundidade intelectual, traçosmarcantes da sua personalidade. Por estas razões, é-me particularmente gratificanteque, ainda como Presidente da Câmara, possa participarnesta singela, justa e devida homenagem e que, em nomedo Município, possa dizer: Senhores Professores Mariada Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues, muito 12
  9. 9. Percursos de razão e afetosobrigado pelos inúmeros benefícios com que enriqueceram,cultural e humanamente, a nossa – e vossa – região! O Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira 13
  10. 10. Percursos de razão e afetos HOMENAGEM AOS PROFESSORES ADRIANO VASCO RODRIGUES E ASSUNÇÃO CARQUEJA Adriano Moreira* Gostaria de poder dar maior assistência ao Centro deEstudos, criado em hora grave para Portugal, mas o tempocorre para cada um de nós, e as agendas da velhice ativaaumentam o peso de exigência. Mas não posso deixar departicipar nos testemunhos de admiração aos ProfessoresAdrianoVasco Rodrigues e Assunção Carqueja, em primeirolugar, por alinharem na fileira dos que não consentem queo globalismo, que ninguém governa, afete as identidades,como a da nossa gente e terra, e porque não confundemaquele com a especificidade cultural e com a identidade dasregiões e comunidades.* Presidente da Academia das Ciências de Lisboa. 15
  11. 11. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues Esta riqueza europeia é a defesa primeira contramovimentos de unidade politica que esquecem que opatrimónio imaterial da Humanidade é composto destasunidades que se articulam mas não se deixam absorver. Ambos são merecedores da gratidão dos que os viramservir o bem comum uma vida inteira, enriquecendo olegado que fica para cada nova geração. 16
  12. 12. Percursos de razão e afetos PELO MUNDO DA ARTE Agostinho Cordeiro* Não me foi difícil escolher o tema para poder participardeste livro de homenagem, concebido e tecido em torno defiguras maiores de historiadores, de cidadãos e, sobretudo,de grandes e perenes Amigos – Maria da Assunção Carquejae Adriano Vasco Rodrigues. Naturalmente que escolhi o caminho mais previsívele imediato – o mundo da arte –, porque capta a evidênciaprofunda de outra das facetas dos Senhores Professores eporque, fundamentalmente, me toca por ser o meu mundo. Para ensaiar uma abordagem, despretensiosa massentida, que justifique a minha presença neste variadoconjunto de testemunhos que desenham a sua ricapersonalidade, basta começar por referir a cedência dascoleções que permitiram que o País passasse a contar commais dois museus: o Museu Judaico, em Belmonte (cujavariedade e riqueza de peças estimulou a criação do Centro* Proprietário das Galerias Cordeiro. 17
  13. 13. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesde Estudos Judaicos Adriano Vasco Rodrigues), e o de ArteAfricana, em Almeida. Entre outros gestos neste domínio,o altruísmo e a sobrevivência do seu legado, que adquiriudimensão institucional e se converteu em patrimóniopúblico, torna-os detentores de significação nacional. Não dissocio, de tais gestos, a sensibilidade estética quepreside à formação das suas coleções, uma sensibilidade queme é dado observar aquando das visitas de Adriano VascoRodrigues à minha Galeria, ou às exposições que organizo.Se o artista idealiza, manipula materiais e comunica,também propicia situações imaginárias, visuais e cognitivas.A criação artística é um relato mil vezes contado, mil vezesdiferente, flexível e comprometido com o seu autor e a suaépoca. E o Professor descodifica, em toda a sua extensãoe alcance, essa imensa quantidade de informação que umaboa imagem formula. Em cada visita, experimentamosuma considerável e sempre renovada satisfação face àsobras de arte que nos rodeiam, pela sua rica argumentaçãoe comunicação fácil, traço que lhe é tão característico eapreciado. Só me resta declarar o quanto me apraz que, finalmente,Moncorvo denuncie o apreço pelo inesgotável saber deMaria da Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues ea gratidão pelos benefícios que, ao longo de décadas, essesaber lhe tem aportado. 18
  14. 14. Percursos de razão e afetos ADRIANO VASCO DA FONSECA RODRIGUES Alcides Amaral* Parafraseando Junqueiro – “O melro, eu conheci-o…”– poderia começar do mesmo modo. Mas, em vez deO Adriano, eu conheci-o… prefiro dizer – O Adriano, euconheço-o. Felizmente que assim é, pois tenho a sorte de conhecere conviver com um Homem, com H maiúsculo, que podeser exemplo para todos. Estudioso indefetível, profissional irrepreensível ecompetente nos diversos campos do Ensino/Educação/Investigação que integrou, Historiador e Académicocompetente, independente, algo rebelde, Marido e Paiextremoso e dedicado e, acima de tudo, um AMIGO, comosó ele sabe ser. O Adriano Vasco da Fonseca Rodrigues, é naturaldo distrito da Guarda, onde nasceu a 4 de maio de1928, frequentou o ensino primário, como aluno do Pai.* Inspetor do Ensino (aposentado). 19
  15. 15. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco RodriguesTerminado este, rumou para a capital onde, como alunodo Instituto do Professorado Primário – O Palheiro, nomecarinhoso, para os antigos alunos – iniciou os estudossecundários no Liceu Gil Vicente, então no Mosteiro deS. Vicente, ali à Feira da Ladra. Foi aquele espírito de independência e rebeldia que fezcom que, não aceitando uma atitude da direção do Institutopara com ele, o levou a, com pouco mais de 12 anos, coma anuência de um tio, residente em Lisboa, pedir licença aossapatos e pôr-se a mexer para a Guarda onde, no liceu local,terminou o ano letivo e fez o resto do ensino liceal. Apesarde curta, essa sua passagem pelo Instituto foi suficientepara contrair a doença que, a todos os que por lá passámos,nos atingiu e se chama a AMIZADE que une as geraçõesque o frequentaram. Uma vez no Porto, local para onde o Pai viera lecionar,por razões económicas fez o curso do Magistério Primário,dando aulas numa das escolas da cidade. O seu espírito deir mais além, leva-o a aceitar o convite do então Secretáriode Estado da Educação –, Veiga de Macedo – para integrara equipa da Campanha Nacional de Educação de Adultos,em Coimbra o que lhe possibilitaria a frequência daUniversidade. E, se hoje, as promessas nada valem, naquele tempotambém assim era! O governante esqueceu o convitepessoal que fez, e nomeou outro. Convencido que estava de ocupar o lugar que nãopedira e lhe fora oferecido, não concorreu a nenhuma 20
  16. 16. Percursos de razão e afetosescola, nem do Porto, nem de Coimbra e, no outubroseguinte, encontrou-se no desemprego… Dado que estava matriculado na Faculdade que queriafrequentar, sem disponibilidades económicas, a únicamaneira que achou para resolver a situação, seria a deacampar no campus da universidade… Deve ter sido dosprimeiros ocupas… Fruto da sua independência e sã rebeldia, se bem opensou, melhor o fez, de forma que, uma manhã, Coimbraacorda com mais uma moradia na parte alta da cidade,habitação que acolheu o Adriano, até o Magnífico Reitorlhe dar ordem de despejo, vindo a acolher-se depois, jácom o provento do trabalho que entretanto arranjou, numarepública amiga. Nestes anos passados na Lusa Atenas conhece, eenamora-se, de uma colega com quem veio a casar, a Dra.Maria da Assunção Carqueja, que o tem acompanhado atéagora, casamento de que resultaram quatro filhos. Colocado como Professor, no Liceu que frequentara,o da Guarda, por prepotência do Reitor, em função dasua posição de defesa dos alunos, aquando da visita deHumberto Delgado à cidade, foi dele corrido no ano letivoseguinte não sendo reconduzido. Ruma, seguidamente, a Angola onde vai organizar aInspeção Provincial de Educação, a implementação doCiclo Preparatório do Ensino Secundário e a Formação deProfessores, atividades que desempenhou com competênciae mérito. 21
  17. 17. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues Simultaneamente, faz o gosto ao dedo e, de 1965 a 1969,integrado no Instituto de Investigação Cientifica de Angola,agora já com a Esposa, responsável pela criação da Seçãode Pré-História e Arqueologia, trabalha em escavaçõesarqueológicas em todo o vasto território do país, que relatanos saborosos livros que publicou sobre essa atividade.Nessa altura elaborou a Primeira Carta de Pré-História deAngola. Durante esse trabalho pôde, também, reunir umacervo importantíssimo sobre Arte Negra que expôs, como título Divulgação da Arte Negra, em: 1982 – Fundação Engenheiro António de Almeida, noPorto; 1984 – Museu Regional da Guarda; 1990 e 1995 – Schola Europaea, em Mol, Bélgica; 1997 – Potsdam, Alemanha; 1998 – Universidade Portucalense, no Porto; 2004 – Instituto Superior da Maia; 2005 – Academia José Moreira da Silva, Porto; 2006 – Junta de Freguesia de Lavra, Matosinhos e,presentemente, no Museu de Arte Primitiva de Almeidadepositário do espólio. Aliás, esta atividade arqueológica tinha sido iniciada naGuarda, onde procedeu a escavações relacionadas com oslusitanos, trabalho que se estendeu até Espanha, na zona deCáceres. Também por desinteligências com o secretárioprovincial da educação de Angola, a quem não vergou 22
  18. 18. Percursos de razão e afetosa cerviz, regressa a Portugal, trabalhando em alguns dosliceus do Porto. O último, o Garcia da Orta, em experiênciapedagógica, foi o primeiro Reitor onde tomou, sempre, adefesa dos alunos. São estes, a melhor testemunha (comouma vez o testemunhei) de arriscar o seu lugar enfrentandoa polícia e a PIDE, antes do 25 de Abril. A seguir à Revolução dos Cravos, a nível concelhio,continua a ocupar lugares relacionados com a política ea cultura, acabando por ser eleito para a Assembleia daRepública. Abandonou a Assembleia e depois de ter sidoDiretor-Geral do Ensino Particular e Cooperativo, foiocupar o lugar de Governador Civil da Guarda. Com a integração na CEE, por concurso internacionalcom base no mérito pessoal, foi nomeado Diretor da ScholaEuropaea, de Mol, Bélgica, lugar que brilhantemente,desempenhou de 1989 a 1996. O que foi esse desempenho,tivemos ocasião de o verificar, quando, em excursão, umgrupo de vinte e tal amigos, aí se deslocou, numa visita porele organizada. Regressado a Portugal, é dos grandes animadores nacriação de uma cooperativa de ensino, de que nasceu aUniversidade Portucalense, cuja docência integrou comoProfessor Associado de História da Arte. Igualmente fez parte do grupo que criou a AcademiaJosé Moreira da Silva no Porto donde surge o InstitutoSuperior Joaquim Oliveira Guedes – Cooperativa deEstudos de Economia Social, a cujo Conselho Científicopreside, e posteriormente, a Escola Profissional de Eco-nomia Social. 23
  19. 19. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues No campo do Ensino/Educação, como costumo dizer,ao Adriano apenas faltou ser ministro, para ocupar todosos lugares relacionados com o assunto. Foi Professor doEnsino Primário, foi Professor do Ensino Secundário, foiReitor de Liceu, foi membro da Comissão de Educaçãoda Assembleia da República e foi Diretor-Geral do EnsinoParticular e Cooperativo… Estudioso das questões judaicas – está farto de quererconvencer-me de que, pelo meu nariz, sou judeu – é ele queestá na origem da criação do Museu Judaico de Belmonte. Tudo isto é o que qualquer biógrafo, muito melhor doque eu, poderá dizer a respeito do Adriano. A mim mais doque ele foi, ou não foi, mais do que os lugares que ocupou,o que me importa é o que o Adriano é. Não fomos contemporâneos no Palheiro. Mesmo que otivéssemos sido, a meia dúzia de anos que nos separa, era,na altura, mais que suficiente para que o puto Alcides sepusesse em sentido para falar com um grande… Daí que, o meu conhecimento do Adriano, identificadopor Vasco Rodrigues, fosse simplesmente de ouvido, comreferências às suas qualidades intelectuais, pessoais eoratórias, de tal maneira grandes que, em meu entender, secorrespondessem só a metade, já eram muitas. Ainda bem que tive a sorte de integrar a tal excursãoa Mol, uma vez que ela me permitiu ver a justeza dasapreciações que lhe eram feitas, patenteadas pela lhanezacom que nos recebeu, pelos conhecimentos que nostransmitiu, pela maneira como nos mostrou dirigir a Schola 24
  20. 20. Percursos de razão e afetosEurpeae, que integrava alunos de todas as raças, como emcasa dele, nos fez sentir como estando em nossa casa. O Adriano é, por tudo isto, uma Pessoa com a qual sepode contar incondicionalmente.Teimoso, às vezes no café,quando, ao tomarmos uma atitude (o outro nome do caféou de uma cerveja que bebemos), puxa dos seus galões deidade e avoca a ação de pagar… Senhor de uma cultura invulgar, bem patente em todasas suas conversas, Humanista convicto, sofre as dificuldadesdos outros, preocupando-se com o Social. Sempre prontoa acompanhar e a responder às necessidades dos outros,sempre com uma palavra e um conselho amigo (eu que odiga, por causa dos cigarros) que até canta bem, quando aisso se dispõe, um conversador e contador incansável quese adora ouvir. É deste Adriano de que eu gosto, é este Adriano queeu admiro, é a este Adriano a quem eu agradeço a sorte deser meu AMIGO. 25
  21. 21. Percursos de razão e afetos HOJE COMO ONTEM Ana da Encarnação Subtil Roque* Creio que a amizade é a mais bela e pura expressão doamor. É como um sacramento que todos desejamos porqueDeus para a amizade nos criou. A minha amizade com a Maria da Assunção começouna Faculdade de Letras, em 1950. Vinda dos Açores,matriculei-me no curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Quase todos os dias, depois das aulas, ia do Lar dosCoutinhos, que ficava próximo da Sé Velha, até à Rua daMatemática onde a Assunção residia. Foram quatro anos deestudo em conjunto no seu quarto de estudante. O convívioprolongava-se nos jardins e cafés de Coimbra, para aliviara cabeça e encontrar a malta... Passados alguns anos, veio anossa Queima das Fitas de quaternistas. A Assunção fez-meuns versos, para colocar na minha plaquete, que diziam:* Colega de Faculdade de Maria da Assunção Carqueja. 27
  22. 22. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues “São lindas as minhas fitas” Repete a Ana contente... E com jeito, docemente, Beija as fitas tão bonitas. Pergunto cá para mim Ao lembrar-me disto tudo; Se as fitas beijou assim O que fará ao “canudo”? O 5.º ano do curso constava de um trabalho deinvestigação para se obter a licenciatura na defesa da tesedo tema escolhido em Filosofo ou História. Dos alunos que iniciaram a sua vida universitária, em1950, licenciaram-se seis, em 1955: a Maria da Assunção,a Teresa Pinto Mendes, a Maria do Céu Cavalheiro, o RuiPrado Leitão, a Rosa Alice e eu,Ana Roque. No ano seguinte,foi a vez da Maria Clara Constantino, Cruz Pontes, Mariade Lurdes Costa e Maria de Lurdes Lopes Porto. Os trêsprimeiros eram voluntários. A Lopes porto quis preparar adefesa da tese em dois anos. Partilhámos com alegria a festade licenciatura de cada um de nós. Mas a amizade entretodos não existiu, apenas, durante estes cinco ou seis anos,continuámos amigos, muito amigos... A Maria do Céu Cavalheiro e eu organizávamos, de vezem quando, reuniões de curso para matarmos saudades esabermos como ia a vida de todos os colegas. Dialogávamosno decurso do almoço que tinha lugar num sítio romântico.Eram autênticas tertúlias. Antes, participávamos de uma 28
  23. 23. Percursos de razão e afetosMissa na Capela da Universidade, rezada pelos Professorese Colegas já falecidos. Apresentávamos os cumprimentosao Magnífico Reitor e tirávamos a tradicional fotografiana escadaria do Pátio da Universidade. Foram belos estesencontros... São tantas as fotografias e os nomes na lista departicipantes com as respetivas moradas! Prolonguei o sacramento da amizade através de umaverdadeira aventura para a época – pus-me, sozinha,a caminho da Bélgica, para passar uns dias com a minhaamiga. Na altura, a Assunção encontrava-se com o marido,em serviço de grande prestígio e responsabilidade, naquelepaís. Foram uns dias muito agradáveis, passados comalegria e ar puro, numa frondosa floresta, em Mol, onde osmeus amigos viviam. A Assunção fazia parte da ComissãoEuropeia de Filosofia e o Vasco exercia as funções de Reitorda Escola Europeia. Não vou falar em detalhe do que aquivivi, do que com eles aprendi, de alguns dos seus familiarespresentes, dos muitos amigos e admiradores, da suadedicação a uma exigente tarefa desempenhada num paisestrangeiro. Mas não posso deixar de mencionar os passeioscom tantos desses amigos, um deles a Antuérpia, dasconversas íntimas aos serões, dos deliciosos chocolates namesinha de cabeceira, da verdura da paisagem que avistavamal abria a janela do quarto pela manhã, dos esquilos asaltitar, das piscinas de água doce que ondulavam... Sobretudo, devo frisar a homenagem grandiosa que foiprestada ao Vasco pelos seus brilhantes serviços e à qual tiveo privilégio de assistir. 29
  24. 24. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues É incontestável que a sua vida académica e familiar,marcada, sempre, pelo amor e respeito pelo outro epor todos, justifica a merecida homenagem a ambos,inseparáveis companheiros numa vida rica de afetos e derealizações. A profunda amizade pela Maria da Assunção, comoqualquer amizade deste teor, mantém viva, para além detempos e de espaços, caminhos andados, palavras e gestostrocados. Este sentir, que me traz aqui e agora, tem-sealimentado de saborosas conversas telefónicas. E nãoperdemos a oportunidade de nos encontrarmos, comoaconteceu aquando da festa dos meus 80 anos, pretextoque permitiu juntar familiares, amigos e colegas de curso. A Universidade trouxe-nos conhecimento e, também,amigos que permanecem na nossa vida. Hoje, entre eles, épara a Assunção que envio o abraço mais terno, o abraço desempre, da Ana, Anita ou Aninhas / Por qualquer do nome dá... 30
  25. 25. Percursos de razão e afetos ADRIANO VASCO RODRIGUES O HOMEM QUE, HOJE E SEMPRE, INVESTIGA, PENSA E SONHA MARIA DA ASSUNÇÃO CARQUEJAA MULHER QUE AO SEU LADO INVESTIGA, PENSA E SONHA EM POESIA António Alberto Barbosa Areosa* É incomensurável o valor e o mérito que julgo deversublinhar do Homem vertical e de cariz humanista quefacilmente vislumbro do que dele fui conhecendo, nãosomente da vasta obra publicada, mas, ainda, dos cargosque tão bem soube dignificar desde cedo. Acrescemas entrelinhas das entrevistas lidas em que revejo noHomem a dignidade de um caráter notável, inteiramentededicado à investigação e ao conhecimento de valorexpresso nas inúmeras cerimónias e homenagens que lheforam, merecidamente, dedicadas. E nessas palavras há aautenticidade e a humildade de quem é grande e talvezmaior que o comum dos mortais, num mundo ondeprolifera a incompetência e arrogância.* Diretor do Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo. 31
  26. 26. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues Natural da Guarda, Adriano Vasco Rodrigues deucedo a conhecer o seu interesse pela arqueologia e históriadesse distrito, tendo promovido vários trabalhos decampo refletidos numa vasta bibliografia que se reparteentre o Paleolítico e a Idade Média. Com vida dedicada erepartida entre a investigação e a docência, nomeadamenteem Portugal, Angola e Bélgica, onde dirigiu a ScholaEuropaea, foram valiosos e sobejamente conhecidos osseus serviços na orientação do trabalho dos professores,no aperfeiçoamento da avaliação dos alunos e respetivacontextualização dos conhecimentos, particularmenteno que à Língua Portuguesa dizem respeito. Todo o seupercurso profissional é, desta forma, exemplo para asgerações contemporâneas, atendendo às característicasde perfil que o notabilizam nesta área. Dessas subscrevoa inteligência, o já antes sublinhado humanismo, o sentidopedagógico, o enaltecimento patriótico e, sobretudo, anobreza de caráter. Mais recentemente, este investigador e docente,que desempenhou, para além de deputado, as funções deGovernador Civil do Distrito da Guarda e dirigiu, durantelargos anos, a revista Altitude, foi justamente agraciado coma Medalha de Ouro desta cidade. Pormenor que passariaindelével não fosse o seu grande apego cultural às múltiplase diversas temáticas que mais interesse nele despertarame a continuidade de uma curiosidade pelo conhecimento,que emerge de uma sensibilidade entusiástica e vitalidadee que impressiona enquanto detentor de uma permanênciaintelectual rara. 32
  27. 27. Percursos de razão e afetos Adriano Vasco Rodrigues é assim o Homem que afirmaocupar atualmente o seu tempo a investigar, a ler e, algumasvezes, a pensar. Mas também a sonhar! E se o “Sonhocomanda a vida”, tal como o afirma António Gedeão, saberque tão notável ser humano possui a capacidade do sonho,grandiosa se revela a obra que nos lega e o perfil humanoque, gravado na pedra da cidade altaneira da Guarda, seabre num sorriso de mestre sempre que é interpelado,nada mais nele havendo que a claridade e a luminosidadede quem é eterno aprendente da vida e do mundo que oacolhe. De acordo com o próprio Adriano Vasco Rodrigues,em conjunto com a Mulher, sua esposa e companheira, Dra.Maria da Assunção Carqueja, esta proveniente da freguesiado Felgar, do concelho de Torre de Moncorvo, possuemvasta biblioteca, 35 a 40 mil volumes, muitos diapositivose fotografias e, também, documentação que se repartepelas várias áreas da História, desde a Arte à Política,pela Etnografia, Arqueologia, Religião, Civilizações,Monografias e obras centradas nos estudos e HistóriaJudaica, entre outras que foram motivo de interesse da Dra.Assunção, como sejam a Filosofia, a Pedagogia e a Didática.Dela, diz ainda Adriano Vasco Rodrigues, em entrevista aA Guarda, que foi Metodóloga, trabalhou a nível europeuda União na área da formação em Filosofia e pertence àAssociação Internacional dos Professores de Filosofia. Do espólio documental de ambos a bibliografia é vasta,sendo que aqui daria relevo à História Geral da Civilização(2 volumes com 8 edições), publicada e divulgada entre 33
  28. 28. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues1962 e 1975, à Retrospectiva Histórica dos Concelhos de Meda,Longroiva e Marialva (1976) e, mais recentemente, ao livrointitulado “De Cabinda ao Namibe”, cujo lançamento decorreuno Porto, na Biblioteca Almeida Garrett, posteriormentena Guarda e, de seguida, mais precisamente em 7 de maio,do ano em curso, no auditório da Biblioteca de Torre deMoncorvo. No livro, o autor revisita terras de Angola,percorrendo todo o território como inspetor escolar,registando à sua passagem aspetos significativos da História,Arqueologia e da Antropologia Angolanas. É, ainda desselivro, que salienta o papel de esperança e humanismodas Missões Católicas e Protestantes, a par de uma visãocrítica que aí desponta na apreciação de um processo deindependência de algum modo distorcido, quase doloroso, edo qual a História vindoura se encarregará de o corroborar. Contudo, devemos realçar o mérito daquela que setornou mulher e companheira do pedagogo. Autora de várias obras específicas de investigaçãoda sua área de estudos, foi autora de alguns trabalhos deinvestigação, em parceria com Adriano Vasco Rodrigues, asaber, O estudo das ferrarias do concelho de Torre de Moncorvo(1962). Tendo anteriormente dado conta da sua atividadeprofissional, da sua obra publicada destaco “Subsídios parauma monografia da Vila de Torre de Moncorvo” (Coimbra,1955), revista e publicada sob o título “Documentos Medievaisde Torre de Moncorvo” (editada com o apoio e patrocínio daCâmara Municipal de Torre de Moncorvo em 2007), “Versosdo meu Diário” (sob o pseudónimo de Miriam) com algunspoemas dedicados à freguesia do Felgar e a Trás-os-Montes, 34
  29. 29. Percursos de razão e afetospublicada em 1978 e por último “Jardim da Alma”, publicadoem dezembro de 2008. E é por se tratar de uma obra de expressão poéticaque Jardim de Alma concilia as palavras de que são feitas asemoções e os afetos com a inerente e já esperada reflexãometafísica. Laivos de vivências de infância, ruralidade ememórias desvanecidas nos tempos, mas nelas retomandoe abraçando a sua condição de Mulher – Menina semdescurar o seu perfil de Mulher inquieta e reflexiva faceao tempo e ao mundo em devir e que partilha do Sonhode que inicialmente nos dava conta o seu marido, AdrianoVasco Rodrigues. Diria, com a certeza do que foi permitido delesconhecer, que quer em Adriano Vasco Rodrigues quer nasua mulher Maria da Assunção Carqueja se revêem traçosde um caráter determinado, ávido de conhecimento epartilha, a humildade de uma sabedoria gritante, que sóalguns possuem, e a busca eterna aliada à curiosidade dosseres humanos de eleição. 35
  30. 30. Percursos de razão e afetos OS LIVROS FORAM FEITOS PARA SEREM LIDOS António José Ramos de Oliveira* Após a formação obtida na Universidade de Coimbra,em Ciências Documentais, variante de Biblioteca eDocumentação, impunha-se procurar um local paradesempenhar a minha profissão. Embora nada me ligasseà Guarda, cidade onde nunca tinha estado e, como tal, nãoconhecia, surgiu, entre outras possibilidades, a hipótesede, mediante concurso público, aqui desempenhar o cargode Técnico Superior de Biblioteca e Documentação, oubibliotecário. Precisamente por não ser natural da Guarda, nemconhecer a sua região, a primeira preocupação, na altura, foia de tomar conhecimento da sua realidade, nomeadamentea História, ciência à qual me encontro também ligado poruma licenciatura e pela paixão. Aliás, antes de ter ingressadonesse curso, ainda vacilei pela carreira de arqueologia,* Técnico Superior de Biblioteca e Documentação da Biblioteca Munici-pal Eduardo Lourenço, Guarda. 37
  31. 31. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguescomo é sabido, um tema muito caro ao Professor AdrianoVasco Rodrigues O primeiro livro lido da e na Guarda, que requisiteina biblioteca, foi a Monografia Artística da Guarda (a ediçãode 1977), da autoria de Adriano Vasco Rodrigues, que meacompanhou durante alguns dias, fosse numa viagem decomboio, fosse numa fuga para uma esplanada. O livroproporcionou-me um primeiro contacto com a HistóriaLocal, e o ter ficado por dentro de uma realidade regionalque desconhecia até então. Este livro mostrou-me que a Guarda tinha umaexistência milenar, considerando as suas origens, edespertou-me curiosidade em conhecer a restante obra doProfessor, o que me proporcionaria mais tarde um contactodireto com toda a sua obra existente na biblioteca. As Bibliotecas Municipal da Guarda e Fixa n.º 41 daFundação Calouste Gulbenkian, estiveram instaladas, de1986 a 2007, no Solar Teles de Vasconcelos, no largo com omesmo nome, junto à Sé da Guarda. Nessa época, a Biblioteca Municipal era frequentadamaioritariamente por estudantes das escolas limítrofesdos 2.º e 3.º Ciclos e Secundárias, bem como do EnsinoSuperior, na altura existentes, como o ISACE (InstitutoSuperior de Administração, Comunicação e Empresa), aEscola Superior de Enfermagem e o Instituto Politécnicoda Guarda. As escolas, dos 2.º e 3.º Ciclos e Secundário,ainda não estavam apetrechadas com as bibliotecas de quedispõem atualmente, pelo que a Biblioteca Municipal/ 38
  32. 32. Percursos de razão e afetos/Gulbenkian era o seu principal recurso para a obtenção deinformação considerada necessária. Assim, era frequente que as salas de leitura da bibliotecaestivessem lotadas com utilizadores, sobretudo estudantes,que a procuravam para realização de trabalhos e requisiçãode livros. No ano de 1998, a biblioteca passou a oferecer oserviço de internet, o que, no início, colocaria o livro numplano secundário. Na época, os temas procurados pelos utilizadoreseram bastante variados: Filosofia, Linguística, Geografia,História Geral, Literatura, História Local, Literatura,Ciências, Jornalismo, Marketing, Enfermagem, entreoutros. Esta procura tinha como base as matérias lecionadasnos respetivos anos ou cursos frequentados. A biblioteca procurava responder da melhor forma àssolicitações, tentando, na medida do possível, reunir umfundo documental adequado às solicitações dos utilizadores. Surgiu então a necessidade de formar um FundoLocal (reunir no mesmo local as obras inseridas nesseconceito), embora ficasse limitado às edições disponíveis,para melhor atender os leitores interessados neste assunto.Estas obras foram reunidas e colocadas numa estante daSala de Leitura do primeiro piso. Aqui se reuniram obras deautores que fossem naturais do Distrito da Guarda (ou a eleprofundamente ligados) ou que tivessem escrito sobre ele. Embora não existisse na biblioteca uma extensa obraque se enquadrasse nestas condições, conseguimos reuniruma estante que ficou em local destacado, devidamenteidentificada. 39
  33. 33. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues Cedo passou a ser o local da biblioteca com maiornúmero de obras consultadas. Era ali que estavam os livrosde João de Almeida, detentor de vasta obra da História daGuarda, militar e não só, e do império português em África,nas suas vertentes militar e política. Esta estante reuniatodas as monografias, existentes na biblioteca, referentes atodas as localidades do nosso distrito. As obras eram muitoprocuradas, pois incluíam assuntos como História, Usose Costumes, Tradições, Personalidades, etc. referentes àsregiões do Distrito da Guarda que retratavam. Dispunhatambém das informações mais importantes sobre tradiçõescomemorativas do Carnaval, Páscoa, São Martinho, Natal,Provérbios, entre outras. Outros autores presentes neste fundo eram ManuelRamos de Oliveira, Quelhas Bigotte, Pinharanda Gomes,Virgílio Afonso, João de Almeida, António Monteiro daFonseca, Aires Dinis, Célio Rolinho Pires, AntonietaGarcia, Américo Rodrigues, Nuno de Montemor, AugustoGil, Alípio da Rocha e muitos outros. Um dos autores selecionados para a referida estantee dos mais importantes, considerando a pertinência e aprocura das suas obras, era AdrianoVasco Rodrigues. Os seuslivros foram objeto, quer de empréstimo domiciliário, querde consulta local, em centenas de pedidos de utilizadores.Por exemplo, a obra Monografia Artística da Guarda, no iníciocom a edição de 1977 ou mesmo de 1958, era, talvez, aobra mais consultada da biblioteca. Era-o seguramente noque diz respeito ao Fundo Local. Centenas de utilizadoresconsultaram a obra para saber mais da nossa História, das 40
  34. 34. Percursos de razão e afetosnossas origens, dos nossos monumentos. Mais tarde, noano 2000, seria editada a Guarda: Pré-História, História e Arte:(monografia), que viria a substituir a edição de 1977 comobase neste tipo de consulta. Mas, como é certamente conhecido, Adriano VascoRodrigues é detentor de uma vasta obra. Embora nosdebrucemos sobre a referida época da biblioteca, nãopodemos deixar de referir, como bastante consultadas//requisitadas as seguintes obras: – Celorico da Beira e Linhares: monografia histórica eartística. Obra também muito consultada, quando sepretendia o estudo do concelho de Celorico da Beira, sejana História, Usos e Costumes ou Património. – Escultura Africana: perenidade e mudança.Consulta noâmbito do tema. – História geral da civilização. Manual escolar mas queainda era consultado para alguns temas da História. – Provérbios de origem sefardita no interior da Beira e emTrás-os-Montes. Livro bastante consultado, não só porqueexistia pouca bibliografia sobre o tema, mas porque o autorpossui vastos conhecimentos na matéria. – A Catedral da Guarda: na história e na poesia.Recordemos que a Sé da Guarda era o monumento maisprocurado em investigações de leitores. Esta era uma dasobras mais utilizadas nesse âmbito. – Salvador do Nascimento: uma vida – um ideal. Emboramais recente, trata-se de uma obra importante a nívelbiográfico. 41
  35. 35. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues – O Despotismo e a Igreja: cartas régias para o Bispo daGuarda na época pombalina. Obra, talvez única a debruçar-sesobre o tema. – Os lusitanos: mito e realidade. – As lápides sepulcrais da Capela-Mor da Sé da Guarda.Outra obra importante para o estudo da Catedral daGuarda. – Terras da Meda: natureza e cultura: (monografia). Maisum estudo monográfico, de outro concelho do distrito, eque era bastante consultado. – Trabalhos de história e arqueologia da Guarda e regiõesconfinantes: coletânea de quarenta e cinco estudos, cujaspublicações se encontram na quase totalidade esgotadas, oferecidaspelo Autor à Biblioteca Pública da sua cidade natal período de1944-1976. Gostaria de destacar esta curiosa publicaçãoartesanal, coletânea de vários artigos de Adriano VascoRodrigues, que este, em boa hora, decidiu fazer e oferecerà Biblioteca Municipal da sua terra natal. A esmagadoramaioria dos artigos são de índole arqueológica, sendobastante consultados os seguintes: Achados arqueológicosdo Mileu; Moinhos manuais na região da Guarda; Uma armacom mais de 120.000 anos: o biface de Cairrão: (Guarda); Umbracelete lusitano da estância arqueológica do Mileu; Espadade Vilar Maior: idade do bronze: espada de Castelo Bom; A pro-pósito de uma lápide do Mileu (Guarda); Estela de Meimão:cabeça de guerreiro lusitano da Guarda; Inscrições romanas deValhelhas; Inscrição tipo «Porcom» e Aras Anepígrafes do Cabeçodas Fráguas (Guarda); Subsídios para o estudo do Paleolíticono Distrito da Guarda: I Congresso Nacional de Arqueologia; 42
  36. 36. Percursos de razão e afetosSubsídios para o estudo do paleolítico na Beira Alta; O Castro doCabeço das Fráguas e a romanização das suas imediações: notíciasobre uma prospeção arqueológica no concelho da Guarda; Subsídiosnumismáticos para o estudo da dominação suévico-visigótica naregião da Guarda: elementos inéditos; Elementos para o estudoda romanização nos Montes Hermínios: I: as escavações da Póvoade Mileu – Guarda; A Torre de «Centum Celas»: pretório de umacampamento romano; Achados avulsos romanos; O templo romanode Almofala: nova interpretação sobre o casarão da Torre. O presente texto não pretende ser uma análise,completa ou incompleta, da obra de Adriano VascoRodrigues. Trata apenas do impacto que a obra de AdrianoVasco Rodrigues teve naquele período de funcionamento dabiblioteca, junto dos utilizadores, considerando a procuraque teve, em investigação ou requisição domiciliária. 43
  37. 37. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues O castro do Cabeço das Fráguas e a romanização das suas imediações Uma separata de Adriano Vasco Rodrigues, exemplo de obra muitoconsultada, na Biblioteca Municipal da Guarda, na época mencionada. 44
  38. 38. Percursos de razão e afetos ADRIANO VASCO RODRIGUES UMA REFERÊNCIA António Pimenta de Castro* Conheci pessoalmente o Senhor Professor AdrianoVasco da Fonseca Rodrigues, já há quase trinta anos,quando me encontrava a fazer uma visita habitual ao meusaudoso amigo, Dr. Armando Pimentel, na sua casa situadanos Estevais de Mogadouro. Sempre que me era possível,quando terminava as aulas na Escola Secundária de Torre deMoncorvo, a caminho do meu domicílio, em Mogadouro,fazia um pequeno desvio e parava na casa do Dr. ArmandoPimentel, aristocrata no sangue e fidalgo de fino trato, parauma amena cavaqueira, direi mesmo, uma pequena tertúlia,com este grande intelectual transmontano e, por vezes, comilustres intelectuais que o visitavam, ou mesmo gente dopovo, que ele tanto estimava. Digo pessoalmente, porquealguns dos seus trabalhos já os conhecia e muito me falava* Professor da Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado, Torre de Moncor-vo; investigador. 45
  39. 39. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesdele o meu querido amigo e colega na Escola de Moncorvo,o saudoso Senhor Padre Rebelo. Aquando da homenagemfeita ao Dr. Casimiro Henriques de Moraes Machado,escreveu o Senhor Padre Joaquim Manuel Rebelo: “Creioque foi em 1960 que encontrei, novamente, o Dr. Casimirono Vale da Vilariça, num acampamento de alunos de umliceu do Porto, dirigido pelos meus ilustrados amigos,Padre Dr. Domingos de Pinho Brandão e Dr. AdrianoVasco Rodrigues (…)”. Estes estudantes estavam a realizarescavações arqueológicas, superiormente orientados pelosreferidos professores. O Dr. Adriano Vasco Rodrigues, embora nascido naGuarda, é um verdadeiro transmontano, e é-o pelo coração.É uma das minhas maiores referências transmontanas,juntamente com o Abade de Baçal, o Dr. Casimiro Machado,o Abade Tavares (de Carviçais), o Senhor Padre Rebelo eo próprio Dr. Armando Pimentel. O Dr. Adriano VascoRodrigues, grande amigo do Dr. Armando Pimentel, temfeito ultimamente vários apelos para que a maior bibliotecaparticular de Trás-os-Montes, e não só – a do Dr. Armando–, seja preservada, tendo-me “incumbido” de falar desteproblema ao seu amigo Dr. António Guilherme de MoraesMachado, Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro,para levar a bom termo esta justa aspiração. Não vou falar aqui do seu brilhante curriculum comointelectual, investigador, escritor, etnógrafo, arqueólogo,deputado, pedagogo, fundador e diretor de revistas e autorde “mais de cem livros e separatas que revelam as importantes 46
  40. 40. Percursos de razão e afetosincursões nos mais variados campos da História da Arte, apar dos trabalhos de vanguarda da Pré-História Peninsulare da Pré-História em Angola”1, incontáveis temas redigidos,primorosamente, na língua de Camões, e dos quais salientoos regionais. De facto, as raízes são fundamentais para aidentidade de um povo e de um país. Para mim, tambémpor esta razão, o Dr. Adriano é um verdadeiro exemplo. E não vou falar da sua vasta atividade por algumasrazões: porque existem várias e extensas referências a elas,desde Enciclopédias ao Dicionário dos Mais IlustresTransmontanose Alto Durienses (vol. I, Guimarães,1998, páginas 530 a532; a Dra. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues constada página 542); porque nesta homenagem, por certo,alguns colaboradores as irão referir e, finalmente, porquequero dar o meu testemunho sobre as atividades em queestive envolvido, pessoalmente, com o Dr. Adriano VascoRodrigues. Devo acrescentar que, no seio dos seus múltiplosinteresses, há um tema comum que o Dr. Adriano VascoRodrigues e eu temos em grande estima: a História dosJudeus em Portugal. Na realidade, para além de livros eoutros estudos que o Dr. Adriano Vasco Rodrigues publicousobre este assunto (concretamente na Revista Altitude),foi fundador (é o sócio n.º 1) da Associação de Amizadee Relações Culturais Portugal – Israel (1979), Presidente1 Revista CEPIHS, Revista do Centro de Estudos e Promoção da InvestigaçãoHistórica e Social (CEPIHS), n.º 1, p. 248, Coimbra, Palimage, 2011,p. 248. 47
  41. 41. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesda Direção, e, agora, seu Presidente Honorário. DestaAssociação também eu sou sócio (caso curioso e altamentehonroso para mim é que o meu cartão de sócio tem aassinatura do Presidente da Direção, isto é, do Dr. AdrianoVasco da Fonseca Rodrigues, datado de 1988, e que euguardo, religiosamente, no meu arquivo pessoal). Das atividades, nas quais coincidi com o Senhor Dr.Adriano, destaco as seguintes: em 1988, em Mogadouro,na Comemoração do Centenário do nascimento deCasimiro Henriques de Moraes Machado, promovidapela Câmara. Desta homenagem resultou a publicaçãode um opúsculo com as palestras efetuadas pelo Dr.Adriano Vasco Rodrigues, Dr. Armando Calejo Pires epor mim próprio; no mesmo ano, prefaciou e apresentouo livro do seu grande amigo, Dr. Casimiro Henriques deMoraes Machado, Mogadouro – um olhar sobre o passado; em2001, elaborou um trabalho intitulado “O Pelourinho deMogadouro”, para a Revista n.º 2, de dezembro, Fórum Terrasde Mogadouro, páginas 9 a 11, sendo diretores desta revistaAntónio Moraes Machado, António Pimenta de Castro eMaria da Natividade Ferreira; em 2004, escreveu o livroProvérbios de Origem Sfardita no interior da Beira e em Trás--os-Montes, editado pela Câmara Municipal de Mogadouro,a cujo lançamento tive o prazer de assistir; em 2006, em co--autoria com Maria da Assunção Carqueja Rodrigues,saiu o excelente livro Felgar – História, Indústrias Artesanais,Património, com apresentação em Moncorvo, fazendo euparte do grande número de pessoas que a ela acorreram;em 2008, colaborou na Revista Campos Monteiro, n.º 3, com 48
  42. 42. Percursos de razão e afetoso artigo “Torre de Moncorvo e o alvorecer do Japão noOcidente”, a qual também integrei com o artigo “GuerraJunqueiro – Epicurista”, tendo o privilégio de participarno seu lançamento. Finalmente, em janeiro de 2011, foiapresentada, na Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado,de Torre de Moncorvo, o n.º 1 da Revista CEPIHS, órgãodo Centro de Estudos e Promoção da InvestigaçãoHistórica e Social, de que o Dr. Adriano Vasco Rodrigues éfundador. Aquele exemplar integra o seu artigo intitulado“Dissertação a propósito da Implantação da República emTorre de Moncorvo”, em co-autoria com a Dra. Maria daAssunção Carqueja Rodrigues. Colaborei nesta publicaçãocom o trabalho “O Projecto de Guerra Junqueiro para abandeira da República”. Esta revista foi dedicada aos dois investigadores, comoreconhecimento da sua importante ação cultural a favor danossa região, tal como o tributo presente, gestos que sejuntam aos muitos que coroaram a sua carreira, como ofacto de lhe ter sido conferido o título de Diretor Jubiladoda Schola Europaea e ser agraciado com vários louvorese condecorações, nomeadamente, com a Comenda daOrdem do Infante D. Henrique. Foi, para mim uma honra falar do Dr. Adriano VascoRodrigues e prestar-lhe, assim, a minha sincera homenagem,bem como à Dra. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues,símbolos das altas virtudes das nossas gentes. Estes investigadores enobrecem Trás-os-Montes e onosso país. Bem-hajam! 49
  43. 43. Percursos de razão e afetos DO OUTRO LADO DA LINHA... Arnaldo Duarte da Silva* Estávamos em maio de 2009. Germinava na minhacabeça um pulverizar de ideias acerca da personalidade queiria ser o patrono do Núcleo Museológico da Fotografia doDouro Superior, em Torre de Moncorvo. Fez-se luz. Na fotografia, a mesma tem a propriedadede decompor os sais de prata que entram na composição dacamada sensível do suporte a sensibilizar. Mas a luz fixadano meu pensamento era a do Senhor Professor AdrianoVasco Rodrigues. Surgiu como um raio luminoso que iria,com todo o seu saber, proporcionar um elevado grau desensibilidade nas pessoas presentes. Liguei-lhe pela noitee do outro lado da linha, a lembrar Torga ou até a IsabelMateus, absorvo um quem é, não como intruso, mas simnum posicionar esclarecido. E foi desse outro lado da linha,com um grau de abertura extraordinário, tal como nas* Diretor e proprietário do Núcleo Museológico da Fotografia do DouroSuperior, Torre de Moncorvo. 51
  44. 44. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesobjetivas que proporcionam e nos dão a possibilidade detrabalhar melhor , experimentando vários efeitos de luz esempre com grande profundidade, que o Senhor Professoranuiu, sem condições, ao meu convite. Mesmo assim,ainda me penitenciei a pedir-lhe desculpas pelo incómodo,sabendo que o mesmo lhe traria imensas satisfações. E são com elas que, discorrendo para a fotografia,sabemos qual a forma ideal para encontrar o sucesso naimagem. Este não depende só da exposição correta, domelhor doseamento no revelador de brometo e potássio,ou ainda quando o negativo é muito translúcido. A imagemtem que ser vigorosa, com contraste o suficiente e,inevitavelmente, qualidade superior. Do Senhor Professor absorvi, como atributos ímpares,a transparência, o vigor e a qualidade. A transparência porque foi verdadeiro e didático aosugerir-me que não fizesse um espaço para depositar coisas,mas que fosse, sobretudo, instrutivo. O vigor, atendendo à sua energia que o fez estar presenteno dia da inauguração, como portador dos elementosnecessários para melhorar a intensidade do registo, comoque estando a dosear o seu telémetro, sempre com avantagem de não ter pensado no erro de percurso entre oPorto e Torre de Moncorvo. Senti-o focado, entusiasmadoe disponível. A qualidade, esta sim, foi visível no seu discursoimprovisado, mas aproximado ao objeto, para mais de 200 52
  45. 45. Percursos de razão e afetospessoas que albergava o espaço inaugurado, no dia 12 dejulho de 2009. Abordou, com amplitude, a iniciativa com aberturareal. Porém, o mais importante foi a sua focagem naabertura útil. Os seus olhos determinaram uma grandeprofundidade de foco que não tem paralelo nas tabelasaproximadas para conseguir que todos os planos fiquemreproduzidos com nitidez. Os mesmos, abertos ao máximono seu diafragma, conseguiram atenção e sem deformação,vulgarmente designada aberração. O seu discurso fluído,coberto de saber, qual emulsão, foi ao encontro do que eraexpectável. Não apresentou bolhas de ar, nem tão poucomarcas de sódio ou potássio, ainda que a temperaturado dia rondasse os quarenta e cinco graus. Apelou àpreservação e à recuperação. Situou este Douro desde oCachão da Ribeira a Barca d’Alva. Falou do Douro romanoe da sua importância. E, por fim, rematou, proferindo,qual lembrança de erudito ou político da nossa terra, que oNúcleo Museológico valia ouro. E, neste campo, tal comoespaço panorâmico do lugar, clicavam-se sorrisos e palmase, até nos planos mais longínquos, se sentia a temperaturaideal, talvez equivalente em sorrisos de alegria, tal como aslâmpadas de tungsténio ao serviço do cinema e do retratoprofissional. Foi uma grande festa. O Senhor Professor AdrianoVasco Rodrigues foi, é e será a referência deste espaçomuseológico nascido sem as cartilhas dos especialistas e,muito menos, sem o conflito de interesses destas coisasda cultura. Ele é a peça, a obra, que deverá ser lembrada 53
  46. 46. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguestal como a máquina que registou as primeiras imagens deTorre de Moncorvo. No arquivo existente, procurei, confesso com poucaorganização, imagens do Felgar. Logo surgiram cercade trinta das décadas de cinquenta e sessenta. As maisimpressionantes, talvez pelo sentir profundo emanado,são as da Procissão da Senhora do Amparo, de 1956. Asoutras, registos imortalizados pelo Senhor Zeca Peixe epelo Dr. Horácio Brilhante Simões, fazem luz de um tempoeternizado em fórmulas preciosas ao revelar negativos.Convém referir que muitos deles, e chegados até nós, foramconservados atendendo a uma fórmula sábia de hipossulfitode soda, metassulfito de potássio e água. Na realidade, as dezenas de milhares de imagensreunidas no Núcleo Museológico da Fotografia do DouroSuperior e todo o seu espólio são um marco significativo,sem halo, em toda a região transmontana. Mas, se asimagens são também importantes para melhor homenagearo Senhor Professor Adriano Vasco Rodrigues e a sua esposa,é minha convição que os homenageados, pela humildade edesinteressada forma de estar na vida, ficariam bem felizessó pelo facto de lhes transmitirmos o nosso agradecimento.Um muito obrigado. 54
  47. 47. Percursos de razão e afetosFotografias do acervo do Núcleo Museológico da Fotografia do Douro Superior Felgar – anos 50-60 do século XX 55
  48. 48. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues 56
  49. 49. Percursos de razão e afetos 57
  50. 50. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues 58
  51. 51. Percursos de razão e afetos 59
  52. 52. Percursos de razão e afetos O TEMPO DE TERNA MEMÓRIA Belmira Parente* Recebi, com alegria, o convite para me juntar à justahomenagem que te dedicam, a ti e ao teu marido. E, numapágina, apenas, recordo a nossa vida de colegiais. Comsaudade! Fomos colegas desde a admissão ao Liceu até ao 6.ºano (hoje, 10.º ano), no Colégio de Lamego. A nossaamizade vem daí, de um tempo de crianças, de um tempode obrigações, de ensinamentos, de formação dos espíritos.Atravessámos a vida com a esperança e o optimismoinculcados então. Não posso deixar de registar alguma memória,hoje, linda, na altura penosa: a Matemática, verdadeirador de cabeça, que a irmã Marieta teimava em acentuar;a disciplina, que impunha levantarmo-nos às 7 horas damanhã para irmos à missa; o castigo de prato na mão norecreio, porque não comia a tempo, o que me impedia* Colega de Maria da Assunção Carqueja, no Colégio de Lamego. 61
  53. 53. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesde jogar à bola e ao ring contigo e as demais colegas; asescassas idas a casa, só em férias, a saudade da família quetentávamos atenuar falando dela, da casa, das brincadeirascom os irmãos. Mas retenho, também, o doce sabor dascastanhas de amêndoas feitas pela tua Mãe e que connoscopartilhavas quando regressávamos de férias, e a imagem doquanto estavas animada, naquele passeio do Colégio pelaestrada da Régua, por causa de uma tentadora árvore cheiade medronhos... Uma outra lembrança permanece, a dos teus primeirosversos! Escreveste-os quando estávamos prestes a fazer oexame de admissão no Liceu, algo que denunciava, já, atua veia poética e perspetivava a grande Poeta que vieste arevelar-te. Recordo-os aqui, com a ternura que nos remetepara esses momentos e para todos os momentos que, aolongo destes anos, temos vivido em verdadeira amizade. Lá em cima está a raposa Cá em baixo a admissão Juntaram-se os dois á esquina E combinaram entre si Não haver reprovação 62
  54. 54. Percursos de razão e afetos PARA UMA BIBLIOGRAFIA ABRANGENTE DA FREGUESIA DO FELGAR: O CONTRIBUTO INTRANSPONÍVEL DE MARIA DA ASSUNÇÃO CARQUEJA RODRIGUES E ADRIANO VASCO RODRIGUES Carlos d’Abreu* Otília Lage** 0. Intróito Amigos comuns, bem como a direção do Centro deEstudos e Promoção da Investigação Histórica e Socialem Trás-os-Montes e Alto Douro (CEPIHS), com sedenesta Vila – apesar de saberem desde a primeira hora queestaríamos hoje e aqui neste lugar presentes –, fizeramquestão que nos associássemos diretamente à homenagemde que seriam alvo, os nossos simpáticos concidadãos,conterrâneos, pedagogos e investigadores, Professores* Investigador.** Colega de trabalho de Maria da Assunção Carqueja. 63
  55. 55. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco RodriguesMaria da Assunção Carqueja e Adriano Vasco Rodrigues,ambos felgarenses e guardenses, ambos transmontano-durienses e ribacodanos. Pois se ele “pagou o vinho” no Felgar para aí passara pertencer, ela, com o consórcio, ganhou foros de beirã,uma vez que esse negócio pressupõe partilha, uma partilhade meio século, ou para sermos mais rigorosos, de 55 anose 1 mês, uma vez que casaram neste mesmo dia, mas domês de setembro do ano de 1956. Somos por isso duplamente conterrâneos, não fora oDouro a linha de união entre esses dois territórios, aliás ogrande coletor comum de milhentos cursos de água e umdos principais elementos articuladores de toda a PenínsulaIbérica. O Professor Adriano atravessou-o vindo de Sul e aProfessora Assunção em sentido inverso. Encontraram-seno caminho e passaram a caminhar juntos, numa longa efrutífera jornada, que prossegue. 1. Principal bibliografia dos autores relativa ao Felgar (e região envolvente) Na sua vasta bibliografia por várias áreas do Saber,própria de quem negou o ócio por ter consciência de que“o tempo dá-o a Natureza de graça”, cedo tomaram o gostopela investigação. Passando em revista a sua Obra, percebe-se queamaram todas as terras onde viveram e trabalharam,porquanto, sendo docentes, o mais “natural” era que as suas 64
  56. 56. Percursos de razão e afetospreocupações fossem para os temas gerais; todavia, elestambém desceram ao particular, dedicando trabalhos deinvestigação a sítios e localidades, próximas e longínquas,independentemente do seu estatuto administrativo, emPortugal e Angola, no domínio da História, da Arqueologia,da Arte, da Etnologia, do Património em geral e, até na artede cantar em verso, sempre com o fito de contribuíremcom alguma luz, ao ignoto, ao desconhecido, ao obscuro. Nessa senda, a freguesia do Felgar – e também oconcelho e região envolvente –, foi visada pelos olhosatentos dos dois investigadores. E a primeira manifestação telúrica surge logo em 1955,quando a estudante Maria da Assunção Carqueja apresentaà Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a suadissertação de Licenciatura intitulada Subsídios para umaMonografia da Vila da Torre de Moncorvo, meritório trabalhode leitura e estudo da documentação medieval do arquivohistórico municipal (que havia sido iniciado pelo Abade deBaçal) e cuja publicação há muito se impunha. Seguem-se vários outros trabalhos, ora por ela, orapelo marido, ora em parceria de ambos e, em alguns (raros)casos até com outros autores, como sejam: – A Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça, publicado em1957; – Olarias do Felgar, em 1958; – Fabrico da telha no Felgar, ainda em 1958; – Necrópole de Civitas Aravorum. Marialva – Meda, em1961; 65
  57. 57. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues – Missão de estudo arqueológico na região da Vilariça –Moncorvo, em 1962; – Subsídios para o estudo das ferrarias do Reboredo –Moncorvo, também em 1962; – Problema das fundições romanas de ferro. Escavação feitasegundo a técnica tridimensional numa ferraria do Reboredo(Moncorvo), em 19651; – Retrospectiva Histórica dos Concelhos de Meda, Longroiva eMarialva, em 1976; – Foz Coa contra Moncorvo – a disputa da barca do Douro, em1980; – Terras de Meda – Natureza, Cultura e Arte, em 1983; – Retábulo flamengo da Parentela de Santa Ana na igrejamatriz de Torre de Moncorvo, em 1990; – Terras da Meda – Natureza, Cultura e Património (reed.)em 2002; – A contribuição para o estudo do Paleolítico Inferior naRegião do Coa, 2003; – Provérbios de origem Sefardita no interior da Beira e emTrás-os-Montes, em 2004; – Felgar, em 2006;1 Estes dois opúsculos influenciaram o nosso interesse (Cd’A) pelamineração e metalurgia do ferro na nossa região e foram companheirosdurante anos, antes, durante e após, o levantamento que fizemos dosescoriais de ferro, das escavações arqueológicas na ferraria da Chapa-cunha (Mós) em que participámos e trabalhos ulteriores. O últimodeles, constituiu mesmo, a primeira lição no âmbito da ArqueologiaExperimental. 66
  58. 58. Percursos de razão e afetos – Documentos Medievais de Torre de Moncorvo, em 20072. Mas é sobre o Felgar e o seu livro, de autoria do casal,que nos debruçaremos, como no título se percebeu e, nãoobstante dele se apresentar na segunda parte deste artigouma recensão crítica, não poderemos deixar de referirque nele, livro, as palavras constituídas pelos substantivospróprios “Silhades” e “Sabor” são as mais utilizadas, depoisde “Felgar”. Não podia ser de outra maneira. É nessatrilogia (termo que preferimos a troika) que esta freguesia,esta paróquia, esta autarquia, esta aldeia, este povo e estacomunidade radicam, desde os princípios dos tempos. Felgar, a única freguesia do Concelho cujo termose reparte entre as duas margens de um Rio, deve a suaexistência a Silhades e esta nasceu porque o Sabor ali passa. A vetusta Silhades, com assento na margem direitadaquele importante afluente do Douro, envolta porexcelentes terras de cultivo, foi propriedade realenga, ouseja, régia, no início da Nacionalidade e com pergaminhosmais antigos que o concelho de Torre de Moncorvo (1285),ou mesmo o de Santa Cruz da Vilariça (1225), de quemaquele herdou o termo e as prerrogativas. Localizava-se naquelas medievas eras nos limitesdo antigo concelho de Mós (1162), a cujos habitantesD. Sancho I em meados de maio de 1200, passou umacarta de doação perpétua deste seu reguengo, com os seus2 Estes dois últimos livros incluem a compilação de vários opúsculos, queassim se reúnem, revistos e ampliados. O segundo deles é preenchidosobretudo pela dissertação de Licenciatura de MAC. 67
  59. 59. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguestermos novos e antigos, para que o povoassem [carta dedonationis aos populatoribus de Moos do nostro regalengo quoduocatur Siliade… cum suis terminis nouis et ueteribus]. Mas antes destes povoadores baixo-medievais, tiveraoutros, numa ocupação sucessiva desde a Pré-história maislongínqua, intensificada durante a Romanização, comoos abundantes vestígios arqueológicos atestam: desdeinstrumentos líticos e gravuras rupestres do Paleolítico, atéà arte móvel, fortificações e outras estruturas arquitetónicasda colonização romana e da Idade Média. A geomorfologia e a ação antrópica modelaram a suapaisagem. Novos animais e novas plantas se instalaram.Com o incremento da agricultura foi reduzida a área decoberto vegetal natural. Mas como a Natureza é sábia,reservou o leito de cheia do Sabor para arquivo, paraaí poder ir buscar as sementes sempre que necessárioe assim preservar a flora autótone. Só que a soberba dohomem cresceu e agora vai afogar o vale. Os mais atentos já perceberam onde queremos chegar. Durante os árduos anos de luta contra o projeto doempreendimento hidroelétrico do Baixo-Sabor, isto é, aconstrução de duas gigantescas presas, numa manifestaçãopopular in situ, ouvimos um felgarense exclamar: – querem--nos pôr a pescar da janela! Pois é. Por isso também os felgarenses aquihomenageados – “como filhos de boa gente” – perguntama páginas tantas no seu livro, porque não se procuram outrasalternativas energéticas, ou em vez de megabarragens, hoje 68
  60. 60. Percursos de razão e afetoscientificamente condenadas, construírem pequenas barragens? (pp.70-71). É certo e sabido que apesar das promessas de criaçãode emprego e de progresso, através da construção debarragens no Douro e seus afluentes, iniciadas durante asditaduras ibéricas, barragens essas que representam tantoem potência como em produção quase 25% da produçãohidroelétrica nacional espanhola e mais de 60% da nacionalportuguesa, elas não contribuíram nem contribuem parao desenvolvimento da região e, a prova está na sangria dassuas gentes desde então para cá, tornando-se numa regiãode baixa densidade demográfica, em franco despovoamentoe muito envelhecida. É pois muito difícil perceber, como é que uma regiãoque produz tanta riqueza, pode ser tão pobre! 2. Recensão crítica da obra: RODRIGUES, Maria da Assunção Carqueja, RODRIGUES, Adriano Vasco – Felgar: História, Indústrias artesanais, património. [Coimbra]: Edição dos Autores, 2006. No contexto da bibliografia de referência histórica,arqueológica e patrimonial de Moncorvo e do Felgar,é fundamental determo-nos na leitura e apreciação daimportante obra que é Felgar: História, Indústrias artesanais,património, da autoria coletiva de Maria da AssunçãoCarqueja Rodrigues e Adriano Vasco Rodrigues, livrograficamente muito cuidado, enriquecido de minuciosos 69
  61. 61. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesmapas, belas fotografias e complementado ainda porsingular contributo estético – literário dos autores e seusdescendentes diretos, filhos e netos. Aliás, esta dimensão gostosamente afetiva e motivante,simultaneamente humana e pedagógica que atravessa estaimportante obra de história local, destaca-se também,desde logo, na apelativa e pedagógica nota de aberturaque é o empolgante “Hino Felgarense”, poema de Mariada Assunção Carqueja de 1950 (pp. 9-10) e ainda na “chavede ouro” que a encerra com “Alguns poemas dedicadosao Felgar” da mesma autora, ficcionalmente auto-referidacomo “Mariazinha persiste/era de lá, lá ficou” (versos doúltimo poema Mariazinha ficou…, pp. 327-328). Para além desta nota imediatamente apreensível,sobressai igualmente de imediato o rigor analítico e aexigência científica e académica do tratamento com queos seus autores abordam os diversos conteúdos e variadostemas que fazem da presente obra uma referência decisivae inultrapassável para qualquer estudioso do Felgar e deMoncorvo, terras de origem e adoção de seus autores. Consagrado à memória do grande empreendedoreconómico e negociante de frutos secos, riqueza daregião, Gualdino Augusto Carqueja e esposa, Evangelinada Conceição Carqueja, respetivamente pais e sogros dosautores, este livro (332 páginas profusamente ilustradas),com prefácio/carta do amigo comum dos autores, Dr.Armando Pimentel, divide-se em três partes essenciais:uma primeira considerada introdutória sobre a antiga e 70
  62. 62. Percursos de razão e afetosjá longa história do Felgar, nos seus mais variados aspetose plurifacetadas dimensões (pp. 21-262); uma segundaparte, em que se transcrevem e atualizam “Trabalhos dearqueologia no Felgar” (pp. 263-312) e uma terceira eúltima parte já atrás referenciada, com “Alguns poemasdedicados ao Felgar” de Maria Assunção Carqueja (pp. 313--328). Ao longo da primeira parte do livro, podemosacompanhar, numa narrativa histórica de sabor etnológico,bem urdida, encadeada e referenciada, a longa evoluçãohistórica da povoação do Felgar (agrícola, industrial e detraços urbanísticos), desde o seu distante passado pré--histórico com os seus castros e divindades trazidas pelosromanos até aos desportos, lazeres, tradições comunitáriase aprazíveis ambientes naturais da atualidade, sem esqueceralguns ilustres felgarenses, passando pelas invasões ecultos medievais, o domínio da Igreja e da Inquisição e apresença dos Judeus, a noticia das devassas e inquiriçõesna paróquia e já na Idade Moderna, a introdução doEnsino Publico, notícia das populações e curiosidades,sem que se esqueça a referência às repercussões locais deacontecimentos históricos nacionais como o Ultimato oumesmo internacionais de que é exemplo a Guerra Hispano--Americana de Cuba. Já na segunda parte da obra, o enfoque vai para adescrição, estudo e análise especialmente de trabalhos deescavações arqueológicas com destque para a arqueologiado ferro, realizados pelos autores, relevando-se a sua 71
  63. 63. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguescontribuição para o estudo mais pormenorizado eaprofundado das ferrarias de Moncorvo. Conclui-se esta obra com uma terceira e última parteem que é divulgada uma amostra de 7 composições poéticasde Assunção Carqueja, de acentuado sabor memorialísticoe laivos etnográficos entretecidos por uma íntimasensibilidade ligada à sua terra natal, “Aldeia pequenina emque nasci” (título de um dos poemas), isto é, o Felgar de queoutros poemas evocam particularidades como a “varanda”,o “luar”, os “lares” (e outros tantos títulos). Trata-se efetivamente de uma das mais relevantes obrasda bibliografia transmontana sobre a região de Moncorvoe a localidade bem antiga e genuína de Felgar. Todosquantos a consultem manifestarão o seu reconhecimentopelos estudos minuciosos e eruditos realizados ao longo deanos e aqui parcelarmente compilados como é o caso dotexto “Subsídios para o estudo das Ferrarias do Reboredo--Moncorvo” de autoria conjunta, publicado como separatada revista Lucerna, Porto, vol II, n.º 1-2, 1962 (e inseridocom o título “Contributo para o estudo das Ferrariasde Reboredo” e algumas pequenas adaptações, ao níveldas gravuras em apêndice, na obra que aqui é objeto derecensão crítica, pp. 263-285), ou do texto de AdrianoVasco Rodrigues, “O problema das fundições romanasdo ferro escavação feita segundo a técnica tridimensionalnuma ferraria do Roboredo (Moncorvo)”, publicadoigualmente em separata da revista Lucerna, Porto, vol. IV,n.º 1, 1964 (e incluído também na obra Felgar, pp. 287--304 e acrescentado com mais ilustrações, uma notícia 72
  64. 64. Percursos de razão e afetossobre minas de ferro e um breve vocabulário ligado aoferro) – textos estes que se encontram bem enquadradose devidamente reconfigurados na estrutura geral da obramonográfica em análise. Percorrendo um longuíssimo arco temporal, quedecorre entre a recuada Pré-história do território ondese desenvolveu a moderna povoação do Felgar até à nossaContemporaneidade, os conteúdos desta obra, sob diversasformas de abordagem em que são dominantes importantese pioneiros estudos arqueológicos contextualizadoslocalmente, e desenvolvidos/orientados pelos autores,centram-se na história, património e arqueologia doconcelho de Moncorvo que documentam e iluminam, demodo substancial, singular e muito atrativo. Informam e preparam a sólida ancoragem destetrabalho dos autores, uma de várias outras publicações suasmais recentes (consulte-se a bio-bibliografia atualizada deAdrianoVasco Rodrigues e outras contribuições da presenteantologia), anteriores estudos eruditos aqui não compiladosde que, citando apenas alguns títulos, salientamos, porexemplo, de Maria Assunção Carqueja, Documentos Medievaisde Torre de Moncorvo, publicado pela Câmara Municipal deTorre de Moncorvo em 2007, importante repositóriode fontes e documentos, cujos originais se transcrevemseguidos das respetivas transcrições, mas também deAdriano Vasco Rodrigues, A vila morta de Santa Cruz daVilariça, publicada na revista Horizonte, n.º 44, Dez. 1957,pp. 73-76, ou ainda o trabalho, Missão de estudo Arqueológicona região da Vilariça-Moncorvo, comunicação conjunta de 73
  65. 65. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco RodriguesAdriano Vasco Rodrigues e Domingos de Pinho Brandão,apresentada ao I Colóquio Portuense de Arqueologia,1961, e publicado no Porto, no ano seguinte. Depreende-se da leitura proveitosa desta multifacetadaobra, simultaneamente erudita e de divulgação, que osseus conteúdos científicos e históricos impõem aos seusleitores um estudo atento e bem informado capaz devalorar devidamente os seus inúmeros pontos fortes querem matéria de conteúdo quer ao nível da contextualizaçãodos mais variados assuntos abordados. Situa-se esta obra na vasta e erudita tradição dos maisimportantes estudos monográficos, de pesquisa de terrenoe de investigação produzidos sobre Trás-os-Montes poralguns dos nossos mais destacados estudiosos, como osProfessores Leite de Vasconcelos e J. R. dos Santos Júnior eo notável erudito Francisco Manuel Alves, mais conhecidocomo Abade de Baçal, influências que se podem aí registar.É esta plêiade de autores e sua obra valiosa de grandeerudição e pioneirismo que Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues de modo algum ignoram e tomam comoexemplo a seguir, conforme se pode deduzir da coerenteestrutura, metódica organização e bem alicerçada tessituradeste seu livro e de muitos dos seus anteriores trabalhos queeste incorpora, contribuindo deste modo para um avançosignificativo do conhecimento e dos estudos transmontanos. Nesta medida se considera, do nosso ponto devista, assente numa perspetiva de conhecimento, situadoenquanto historiadora e transmontana, amiga e admiradorados dois autores que, para lá de possíveis pontos de discórdia 74
  66. 66. Percursos de razão e afetos(por exemplo, a ausência de bibliografia que esta obra bempedia!), completamente ultrapassados pelos muitos mais deconcordância face às teses bem apresentadas e argumentadasnesta obra de muito agradável e proveitosa leitura queestamos em presença de uma monografia exaustiva sobreo Felgar e Moncorvo. Estes trabalhos tornaram-se possíveispelo estudo aturado, pela produção intelectual e pesquisaespecializada de largos anos e pela exemplar colaboraçãocientífica dos dois investigadores e estudiosos que são osseus autores. É, indubitavelmente, como dizíamos no início,um contributo decisivo e intransponível para a bibliografiahistórica, etnográfica e arqueológica de Trás-os-Montes. 3. Nota final Numa nota final, que não desprovida de igualimportância, registe-se, ainda, que da poética da ProfessoraAssunção, ao folhearmos a revista Altitude (a revista de culturado distrito da Guarda e publicada nesta cidade), detetámosa seguinte contribuição, que poderá eventualmente ser útila quem o assunto vier a tratar: – A nossa casa, datado da Guarda, 1957 (publicado non. 5-6 da 2.ª série), 1982; os – Um Soneto, idem, idem (ibidem, n.º 1 da 3.ª série, eatual), 2003; – Três Sonetos [“A minha liberdade”, de 1999; “Quiseraser Deus por um momento”, de 25.XI.1999; “Eu sou aqueleque sou!”, de 23.XI.1998] (ibidem, n.º 5), 2000; – Trágica Lei daVida, soneto (ibidem, n.º 6), 2001; 75
  67. 67. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues – Mundo da Saudade!, soneto (ibidem, n.º 7), 2002; – Os Tempos do Tempo e O rapaz que bateu à nossa porta,este também soneto (ibidem, n.º 8), 2003; – Dó, Ré, Mi… (ibidem, n.º 9), 2004; – Meditando, de 22.VII.2006 (ibidem, n.º 10), 2006; – Sim!, “nas Bodas de Ouro, 8.IX.2006”, assinala-se nofinal (ibidem, n.º 12), 2009. 76
  68. 68. Percursos de razão e afetos NOTÁVEL CASAL Carlos Sambade* O fervor e a vontade de progresso têm expressãoliminar nos períodos que se seguem a tormentas na naturezaou no homem., ainda que não haja uma razão certa de causae efeito. Em Portugal e em meados do século XX incidênciahouve, no campo educacional, documentada a vários títulos,parecendo, a alguns, que se estava perante uma tentativadesesperada de mostrar serviço no campo da alfabetizaçãode modo semelhante, salvaguardadas as diferenças e asdistâncias, à hoje verificada com a formação profissional debase. A «regência» de escolas nos locais mais recônditos,em «quintas» anexas a freguesias, era atribuída a pessoalrapidamente preparado, supostamente com vocaçãopara o ensino para abreviar outras dificuldades, sendo acertificação obtida em provas, escrita e de prática de salade aula. É assim que muitos dos que viam na instrução e na* Professor; Mestre em Educação. 77
  69. 69. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigueseducação um valor sempre presente procuram contribuirpara esse desígnio na forma que encontram ao alcance. A coleção de “Pontos modelos de preparação para osexames de aptidão à Regência de Postos Escolares” (1954)e os problemas (de matemática) que os acompanham,respetivamente de Adriano Vasco Rodrigues e de Arnaldodo Nascimento Rodrigues, dão-nos uma medida dessetempo, singela que seja, aqui e agora. Os pontos em questão são vinte e cada um deles écomposto por uma prova de ortografia/ditado, um temaproposto para redação e problemas de aritmética. Dos vinte ditados, o primeiro centra-se em Salazar,chefe do governo de então, que, segundo J. P. d’Assac,autor do trecho, «não se parece com ninguém». Por outrolado, o tema de redação proposto nesse ponto pede “umahistória em que entre uma rua íngreme, um velho operário,dois alunos da Escola Primária e um carro de mão com umpesado fardo”. Seis dos ditados têm como base a história de Portugal,outros seis são textos de autores portugueses clássicos, doissão da lavra de Salazar. Nos restantes aborda-se o conceitode linguagem, a criança, a domesticação de animais dandocomo exemplo o cão, feitos dos homens e de Cristo.Dir-se-á que nada disso importa para ditado, contandomais a cadência relacionada com a tonalidade inerentea cada palavra ou frase. Não será totalmente assim seconsiderarmos que a um texto é imputável uma qualidadeintrínseca que extravasa o criar dificuldades a quem épedido que o reproduza. 78
  70. 70. Percursos de razão e afetos Os temas propostos para provas de redação abarcamos costumes, os recursos naturais, as festas cíclicas, a(vantagem da) alfabetização. Os problemas de índole matemática baseiam-se emoperações de transação corrente, patenteiam a necessidadedo cálculo, assentam nos sistemas decimal e sexagesimal. No ano de 1962 surge o primeiro volume da HistóriaGeral da Civilização a que o notável casal deita ombros eque vai ter sucessivas edições e algumas modificações, umavez que, como é referido no início do manual, «trabalhosdesta índole são sempre difíceis e de critério discutível».Na 1.ª edição há uma necessidade de maior parcimóniana explicação de propósitos, nomeadamente no que serefere “a interpretação das Instruções com base nos maisrecentes métodos e processos pedagógicos, (…), a práticaexperimental aperfeiçoada conforme as reações dos alunos(…) e os resultados colhidos”. Na edição de 1962 (doravante HGC62), introdução,logo à cabeça se indica que “Não há uma definição dehistória, mas vários conceitos de história”. Com semelhanterelevo, na edição de 1971 (doravante HGC71), se pergunta“Por que razão estudamos a história?”. Na HGC62, “A cultura é o aspeto espiritual dacivilização, que permite ao homem discernir, julgar erefletir sobre os valores”. Na HGC71 a cultura é tambémisso mas dá-se conta, logo de seguida, da impossibilidade dacultura enciclopédica, nos dias que correm. Tanto numa como noutra das referidas edições domanual se expressa que a civilização é “o conjunto de 79
  71. 71. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodriguesconhecimentos, costumes e instituições que integram asociedade de um povo ou de uma raça”, sendo, assim, “umponto de chegada e um ponto de partida”. Na HGC71, imediatamente a seguir à introdução e sobo título Das culturas indiferenciadas à civilização urbana, sãoencaixadas, comparando com a HGC6, dezassete páginas,com uma nota de rodapé na primeira de elas: “Embora oPrograma não faça menção especial a esta rubrica, julgamosconveniente expressá-la em linhas gerais para melhorcompreensão das civilizações pré-helénicas”. Só depois seabordam, na HGC61, “As Civilizações Orientais, a Ciênciae a Técnica” e na HGC71 “As Civilizações Orientais, aCiência, a Técnica e a Arte nas Civilizações Orientais e Pré--helénicas e a sua influência na génese da Civilização Grega”. Noutro campo (e não se incluirá a arqueologia nacerteza de que outros o farão com mais propriedade),ficamos a saber melhor que houve várias mercadorias--padrão que não foram liminarmente abolidas com as“unidades ponderais geralmente de forma anular” (AsOrigens da Moeda, 1956, Separata do Jornal O Cávado,Esposende). Da defesa de direitos de autor (1958) à possibilidadede ampliar o campo especifica e essencialmente educacional(1973) nele dando mais ênfase à arqueologia (nem que,para isso, esta tenha, de certo modo, de se deixar adaptar),passando pelas virtualidades e vicissitudes vividas, há maisde quarenta anos, na potência-Angola, uma certeza fica, nasombra e ao sol, abrigando-nos: “A saudade tem-se”. Esteter é da ordem do ser. 80
  72. 72. Percursos de razão e afetos MARIA DA ASSUNÇÃO CARQUEJA UMA ILUSTRE FELGARENSE Carlos Seixas* 1. A má porta veio bater pessoa Amiga quando meescolheu, um obscuro escrevinhador de artigos, um simplesamador das letras e das coisas do antigamente, para, com 6páginas de prosa tosca e sem brilho, participar numa maisque justa e merecida Homenagem à Dra. Maria da AssunçãoCarqueja, minha ilustre conterrânea. E tão acanhado me reconheço e sinto, que nem sequerme atrevo, ainda que profundamente honrado, a fazer aclássica apresentação de tão ilustre felgarense nas suas nobresqualidades de extremosa Mãe, de insigne investigadora epoetisa, de pedagoga e docente com vasta aptidão literáriae capacidade intelectual … e vá a responsabilidade a quem,depois de ter tido a tão louvável ideia de Homenagem,praticou o erro tremendo de encarregar um desconhecidorabiscador, que nada vale, para alinhavar meia dúzia de ideiasde testemunho para uma homenageada que vale tanto!* Advogado; investigador. 81
  73. 73. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues É que sempre corro o risco de que alguém, sorrateiro emalicioso, a sorrir, me pergunte ironicamente quem é que,primeiramente, me apresenta a mim, visto que, mesmoprocurando e rebuscando os recantos mais esconsos e oslimbos da nossa existência terrena, de comum com tãobrilhante homenageada só um ponto nos une: o de sermosambos, com a diferença da idade de Jesus Cristo, nados ecriados no Felgar, naquele torreão natal que, concedo semrelutância, a Dra. Maria da Assunção Carqueja ama maisque eu, um Amor terno, bem manifestado na sua obrapoética e, em particular, melhor expresso no mote de umseu poema de 1950: “És tão linda, ó minha aldeia”, maistarde adoptado como hino felgarense e brilhantementemusicado pelo maestro e compositor António Pedro numacasalamento mais do que perfeito de poesia e música. Ainda neste campo, cometeria uma enormeingratidão, se não fizesse também referência, ainda que aode leve, a outro exemplo de Amor à terra e que se traduziuna publicação do excelente livro monográfico intituladoFelgar, editado em 2006, seja, em ano de gozo das bodasde ouro dos seus autores e ora homenageados, os quais,em parceria, elaboraram uma obra de consulta obrigatóriasobre esta nossa aldeia e que sei ter tido uma óptimaaceitação por todos os felgarenses que se preocupamem saber das suas raízes e em saber sempre mais sobre aimensidade dos fastos históricos aí narrados. Bastaria estaobra monográfica, e até agora única, para que o nome dosseus autores seja para sempre recordado e associado a umaimportante iniciativa e a uma mui válida pedrada no charco 82
  74. 74. Percursos de razão e afetosque veio abanar o marasmo cultural das águas calmas emque o Felgar navegava. Oxalá que tão exemplar comportamento sirva paranortear e atiçar outros curiosos ou entidades a promoveremmais estudos e publicações deste cariz. De certeza que asnossas aldeias e a região culturalmente só tinham a ganharcom idênticas iniciativas. 2. E foi, ainda menino e moço, na década de 70 doséculo passado, ao som dos acordes musicais da BandaFilarmónica Felgarense, em dias de nomeada, festivos oude romaria, ou a ouvir as vozes das mulheres cantadeiras danossa terra, em dias de labuta doméstica ou lide rural, quetantas vezes entoavam e trauteavam o hino felgarense, queme levou à natural curiosidade de saber quem era o autorde tão belo poema. A resposta veio célere e algo explicativa.– É a Dra. Maria da Assunção, filha do Senhor Gualdino–, respondiam-me os mais idosos. Logo, por ser filha dequem era, consegui identificar a autora, pois, naquelaaltura, o berço ainda gozava de foros de autenticidade e deconsideração social e sendo, como alguém já escreveu, oFelgar uma terra com memória constatei, um tanto ufano e comsentido orgulho bairrista que, afinal, no campo feminino,a par de outra poetisa felgarense, Brígida Janeiro (1894--1974), com quem cheguei ainda a conviver e a escutaratenciosamente a leitura e declamação de alguma da suapoesia, em longínquos e saudosos serões culturais que seperdem na bruma da minha memória, o Felgar tinha no seuseio e era terra natal de outra poetisa, a ora homenageada.Assim, a nossa memória, coletiva e individual, inequívoca eindelevelmente ficava mais rica. Muito mais rica. 83
  75. 75. Homenagem a Maria da Assunção Carqueja e AdrianoVasco Rodrigues 3. Mais tarde, já adulto, estando naquela fase da supercuriosidade relativamente à causa das coisas e na de tentarrecolher avidamente o máximo de informação oral e escritasobre o passado do Felgar ou de compilar tudo o que à nossaterra dissesse respeito, reparo, ao consultar as folhas delidase gastas do jornal A Torre, editado nos meados do séculopassado aqui em Torre de Moncorvo, com alguns poemasassinados sob o pseudónimo de Carqueja da Serra. Agora,já não precisei de perguntar ou de pedir auxilio a terceirospara apurar da identidade de tão ilustre autora. O nomecom as suas 2 singelas palavras dizia tudo. Sem precisarmosde ser especialista ou de ter passado tempo a dissecarsementes de filologia, é fácil dar com o rasto etimológicoao nome Carqueja, a Pterospartum tridentatum do latim, eque é um arbusto que abunda nos matagais das encostasda Serrinha e do Cabeço da Mua, cuja flor tem algumaimportância medicinal, manuseada em tisanas ou mezinhascaseiras para combater as constipações ou para fazer-seum chá para atacar os males do fígado. Não olvidamos,ainda, que a propriedade principal deste arbusto, que podeatingir o máximo de 1 metro de altura, era a de ser idealpara produzir a combustão, para fazer-se lume e aquecer-se o forno da poia, importante e imprescindível atividadeindustrial da época. Daí, se nos afigurar que aquelas que se dedicavam àvenda deste arbusto e de tal faziam profissão eram conhecidascomo as “carquejeiras”, ou as “carquejas” ou, pelo ladomasculino, os “carquejos”. Estava assim o étimo Carqueja duplamente bem ligadoà toponímia por, como se intui, visar homenagear a Serrinha 84

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