Economia

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Economia

  1. 1. Maura Montella Economia para concursos conceitos e exercícios 1ª edição São Paulo Editora Clube de Autores – 2012
  2. 2. ECONOMIA 2 MONTELLA, MAURA Economia para concursos: conceitos e exercícios. 1ª edição. São Paulo, Clube de Autores, 2013 1. Economia 2. Microeconomia 3. Macroeconomia 4. Concurso público www.sage.coppe.ufrj.br/mauramontella São Paulo Editora Clube de Autores - 2012
  3. 3. ECONOMIA 3 PARTE I: O LADO REAL DA ECONOMIA 10 1 DEFINIÇÃO E OBJETO DA ECONOMIA 10 1.1 Conceitos preliminares 10 2 A DEMANDA E A OFERTA 14 2.1 A demanda 14 2.2 Deslocamentos da curva de demanda 18 2.3 A oferta 27 2.4 Deslocamentos da curva de oferta 29 3 O EQUILÍBRIO DE MERCADO 35 3.1 O equilíbrio entre demanda e oferta 35 3.2 Mudanças no equilíbrio 39 3.3 Tabelamento de preços 44 4 O EXCEDENTE DO CONSUMIDOR E O EXCEDENTE DO PRODUTOR 45 5 AS ELASTICIDADES 47 5.1 Elasticidades da demanda 48 5.1.1 A elasticidade-preço da demanda 48 5.1.2 A elasticidade-renda da demanda 61 5.1.3 A elasticidade-cruzada da demanda 63
  4. 4. ECONOMIA 4 5.2 Elasticidade-preço da oferta 64 6 AS ESTRUTURAS DE MERCADO 70 PARTE II O LADO REAL DA ECONOMIA 76 1 ECONOMIA COM DOIS AGENTES 76 1.1 O conceito de fluxo econômico 76 1.2 O fluxo econômico em uma economia com dois agentes 76 1.3 As identidades contábeis em uma economia com dois agentes 78 1.4 Comportamento das variáveis de uma economia com dois agentes 81 1.4.1 A função consumo 81 1.4.2 A função poupança 85 1.4.3 A função investimento 90 1.4.4 A demanda agregada com dois agentes 92 1.4.5 O equilíbrio com dois agentes 93 1.4.6 Injeções e vazamentos numa economia com dois agentes 98 2 ECONOMIA COM TRÊS AGENTES 100 2.1 O fluxo econômico em uma economia com três agentes 100 2.2 As identidades contábeis em uma economia com três agentes 103 2.3 O comportamento das variáveis de uma economia com três agentes 106 2.3.1 A função consumo e a função investimento 106 2.3.2 A função gastos do governo 106 2.3.3 A função tributos 107 2.3.4 A demanda agregada com três agentes 108
  5. 5. ECONOMIA 5 2.3.5 O equilíbrio com três agentes 109 2.3.6 Injeções e vazamentos numa economia com três agentes 112 3 ECONOMIA COM QUATRO AGENTES 114 3.1 O fluxo econômico em uma economia com quatro agentes 114 3.2 As identidades contábeis em uma economia com quatro agentes 115 3.3 O comportamento das variáveis de uma economia com quatro agentes 118 3.3.1 As funções consumo, investimento, gastos do governo e tributos 118 3.3.2 A função exportação e a função importação 119 3.3.3 A demanda agregada com quatro agentes 119 3.3.4 O equilíbrio com quatro agentes 121 3.3.5 Injeções e vazamentos numa economia com quatro agentes 123 3.4 A teoria keynesiana 125 3.4.1 O multiplicador keynesiano 128 4 A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA 130 4.1 Os principais agregados macroeconômicos 130 4.2 A distribuição da renda 137 4.2.1 A curva de Lorenz e o coeficiente de Gini 139 PARTE III: O LADO MONETÁRIO DA ECONOMIA 145 1 OS ATIVOS FINANCEIROS 145 1.1 O título 145
  6. 6. ECONOMIA 6 1.2 A moeda 147 1.2.1 A origem e a evolução da moeda 147 1.2.2 As funções da moeda 150 1.2.3 A demanda por moeda 151 1.2.4 A oferta de moeda 155 1.2.5 O equilíbrio no mercado de moedas 159 1.2.6 Criação e destruição de meios de pagamento 160 1.2.7 Criação de moeda bancária 161 2 POLÍTICA MONETÁRIA 163 2.1 A taxa de juros e o lado real da economia 163 2.2 Políticas expansionista e contracionista 165 2.3 Mecanismos de controle monetário 166 2.3.1 Os depósitos compulsórios 166 2.3.2 A taxa de redesconto 167 2.3.3 As operações de open market 167 PARTE IV: O DESEMPREGO E A INFLAÇÃO 170 1 A QUESTÃO DO DESEMPREGO 170 1.1 A composição da população de um país 170 1.2 A taxa de desemprego e a taxa de atividade 173 1.3 O mercado de trabalho 174 1.3.1 A demanda por trabalho 175 1.3.2 A oferta de trabalho 176 1.3.3 O equilíbrio no mercado de trabalho 176
  7. 7. ECONOMIA 7 1.4 Os tipos de desemprego 179 1.4.1 Desemprego friccional ou natural 180 1.4.2 Desemprego cíclico ou conjuntural 181 1.4.3 Desemprego estrutural ou tecnológico 181 1.4.4 Desemprego sazonal 182 1.4.5 Desemprego forçado ou subemprego 182 1.5 O conceito de pleno emprego 182 2 A QUESTÃO DA INFLAÇÃO 186 2.1 O conceito de inflação 186 2.2 As causas da inflação 187 2.2.1 A inflação de demanda 187 2.2.2 Inflação de custos 190 2.2.3 Inflação inercial 193 3 A RELAÇÃO ENTRE O DESEMPREGO E A INFLAÇÃO: A CURVA DE PHILLIPS 194 PARTE V AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 198 1 O BALANÇO DE PAGAMENTOS 198 1.1 Estrutura geral do Balanço de Pagamentos 198 1.2 Detalhamento das contas do Balanço de Pagamentos 200 1.3 O Balanço de Pagamentos do Brasil 206 2 A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO DE DIVISAS 209
  8. 8. ECONOMIA 8 2.1 O conceito de taxa de câmbio 210 2.2 O mercado de divisas 212 2.2.1 A demanda por divisas 213 2.2.2 A oferta de divisas 215 2.2.3 O equilíbrio no mercado de divisas 216 2.3 As taxas de câmbio fixas e as taxas de câmbio flutuantes 218 2.3.1 O regime de taxas de câmbio flutuantes 218 2.3.2 O regime de taxas de câmbio fixas 219 2.3.3 Vantagens e desvantagens de cada regime cambial 221 3 OUTRAS QUESTÕES RELACIONADAS AO SETOR EXTERNO 223 3.1 As variações cambiais e a inflação 223 3.1.1 A valorização cambial e a inflação 223 3.1.2 A desvalorização cambial e a inflação 225 3.2 A internacionalização da economia 226 3.3 Ajustes no BP por meio de políticas governamentais 227
  9. 9. ECONOMIA 9 PARTE I: O LADO REAL DA ECONOMIA MICROECONOMIA
  10. 10. ECONOMIA 10 PARTE I: O LADO REAL DA ECONOMIA 1 DEFINIÇÃO E OBJETO DA ECONOMIA Economia é a ciência social que estuda a produção, a circulação e o consumo dos bens e serviços utilizados para satisfazer as necessidades humanas. Os bens (1) são produzidos através da combinação de fatores produtivos (2) e são transacionados entre os agentes econômicos (3). Tanto os bens, quanto os fatores produtivos são oferecidos e adquiridos no mercado (4). Os primeiros são remunerados por seus preços (5), e os últimos, por suas respectivas rendas (6). O problema da Economia é ter que conciliar as necessidades humanas, que são, pela própria natureza do homem, ilimitadas, com os recursos produtivos (ou fatores de produção), que são limitados ou escassos. Como não há como solucionar esse problema, o jeito é contorná-lo, definindo prioridades para todas as alternativas. É por isso que a Economia é muitas vezes definida como a ciência que estuda a escassez ou a ciência que estuda o uso dos recursos escassos na produção de bens alternativos. 1.1 Conceitos preliminares
  11. 11. ECONOMIA 11 Antes de continuarmos vejamos, com mais detalhes, as definições das palavras em destaque. (1) Bens: são ativos reais utilizados na satisfação das necessidades humanas. Nesse sentido, a casa é um bem que satisfaz a necessidade que o homem tem de abrigar-se; o pão satisfaz a necessidade de alimentar-se etc. Até hoje, os bens receberam várias classificações por parte dos economistas, mas a mais frequente é a classificação apresentada na Figura 1. FIGURA 1: CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS BENS bens ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎪⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎧ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎧ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎪⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎧ ⎪ ⎩ ⎪ ⎨ ⎧ consumo capital finais sermediarioint giveistan angiveisint coseconomi abundantes Os bens são abundantes, livres ou não econômicos se a eles não se podem atribuir preços, não podendo, portanto, transacioná-los no mercado. É o caso do ar que se respira, da luz solar, das águas dos rios etc.
  12. 12. ECONOMIA 12 Vale ressaltar que ultimamente este conceito vem sendo bastante questionado, porque bens que já foram livres, como a água mineral, não o são mais. Analogamente, os bens econômicos são aqueles que, por terem preço, podem ser transacionados no mercado. Os bens econômicos dividem-se em intangíveis (que não têm corpo físico, como os serviços, as patentes, os pontos comerciais e os números de telefone) e tangíveis (que têm massa, corpo físico, propriamente dito). Os bens tangíveis dividem-se em intermediários e finais. Os primeiros são aqueles que entram na produção de outros bens e serviços. Os bens finais, por sua vez, são aqueles resultantes do processamento dos bens intermediários. Os bens finais ainda se dividem em bens de capital e bens de consumo. Tal como os bens intermediários, os bens de capital também entram na produção de outros bens e serviços. A diferença é que os bens intermediários (insumos e matérias-primas) se consomem totalmente no processo produtivo, ao passo que os bens de capital apenas se desgastam. Os bens de consumo, por fim, são aqueles que se destinam ao atendimento direto das necessidades humanas. Eles se distinguem uns dos outros em função da durabilidade, quer dizer, os bens de consumo podem ser duráveis (como geladeiras, fogões, automóveis) e não duráveis (como produtos alimentícios, de higiene e limpeza etc.). (2) Recursos produtivos (ou fatores de produção): são elementos indispensáveis ao processo produtivo de bens materiais. Classificam-se em terra (terras cultiváveis, florestas, minas, terrenos e edificações), trabalho (mão de obra) e capital (máquinas, equipamentos, instalações e matérias-primas). Os fatores produtivos são limitados e, por isso, devem ser combinados de diferentes formas em função do local e da situação histórica. Em termos locacionais podemos dizer, por exemplo, que a China, dado o tamanho da sua população, deve ser mais intensiva em mão
  13. 13. ECONOMIA 13 de obra, ao passo que o Japão, por suas limitações geográficas, deve ser intensivo em capital. Em termos históricos, sabemos que na época da agricultura escravista ou extensiva, o peso maior dos fatores de produção encontrava-se na terra e no trabalho, já que o emprego de capital (máquinas e adubos) era significativamente inferior ao dos outros dois fatores. Em compensação, na agricultura moderna, o emprego de máquinas e fertilizantes tem diminuído o peso do trabalho e mesmo da terra, enquanto aumenta o peso do capital. (3) Agentes econômicos: são os atores envolvidos nas atividades de produção, circulação, distribuição e consumo dos bens e serviços. Classificam-se em Empresas, Famílias, Governo e Resto do Mundo. As Empresas são pessoas jurídicas encarregadas de produzir os bens e serviços. A produção é realizada através da combinação dos fatores produtivos que pertencem às famílias e que são cedidos por estas mediante uma remuneração. As Famílias são pessoas físicas, donas dos fatores de produção, que utilizam a renda originária da cessão desses fatores para comprar os bens e serviços que as empresas produzem e que satisfazem às suas necessidades. O Governo inclui todas as organizações que estão sob o controle do Estado, nas suas esferas federal, estadual e municipal, e que prestam serviços tais como os de defesa da soberania nacional, de administração da justiça, de educação gratuita etc. O Governo não tem por objetivo auferir lucro com esses serviços e, por isso, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, das quais o Governo seja sócio ou acionista, por visarem lucro, são incluídas entre as Empresas. O Resto do Mundo ou setor externo é composto por todas as pessoas e instituições não residentes com quem os residentes transacionam. Em
  14. 14. ECONOMIA 14 outras palavras, o Resto do Mundo é composto pelas Famílias, Empresas e Governos dos outros países. (4) Mercado: é o contexto (e não o local) em que compradores (do lado da procura) e vendedores (do lado da oferta) realizam transações. Pode-se dizer, alternativamente, que o mercado é a interação entre as forças de oferta e procura. (5) Preço: é a expressão monetária do valor de um bem ou serviço. (6) Rendas: correspondem ao preço pago pela utilização dos serviços dos fatores de produção. As famílias, donas desses fatores, recebem uma renda específica por cada um deles. Assim, na qualidade de trabalhadores, recebem salários; na de proprietários de terra e de seus recursos, recebem aluguéis; na de capitalistas que emprestam dinheiro, juros; e na de capitalistas que gerenciam empresas, lucros. 2 A DEMANDA E A OFERTA 2.1 A demanda A demanda ou procura por um determinado bem x (Dx) é dada pela quantidade deste bem que os compradores desejam adquirir num determinado período de tempo. A demanda é influenciada por uma série de fatores, sendo que os mais relevantes são:
  15. 15. ECONOMIA 15 • o preço do bem x (px): esta é a variável mais importante para que o consumidor decida o quanto comprar do bem; se o preço for considerado baixo, provavelmente ele vai adquirir maiores quantidades do que se for considerado alto; • a renda do consumidor (Y): se a renda do consumidor aumentar, ele poderá adquirir maiores quantidades do bem x, ao passo que, se sua renda diminuir, ele provavelmente irá adquirir menores quantidades de x, ainda que px permaneça inalterado; • o preço dos bens substitutos ao bem x (ps): se o consumidor deseja adquirir manteiga, por exemplo, ele não olhará somente o preço desta, mas também o preço de bens substitutos, tais como a margarina ou o requeijão cremoso. O consumidor irá adquirir maiores quantidades do bem x, quanto mais altos forem os preços dos bens substitutos, e menores quantidades de x, quanto mais baixos estiverem os preços daqueles bens que podem substituí-lo; • o preço dos bens complementares ao bem x (pc): se o consumidor deseja comprar um apartamento, considerará não somente o preço do próprio apartamento, mas também o preço dos móveis e utensílios domésticos, já que o consumo desses bens está frequentemente associado um ao outro. O consumidor irá adquirir maiores quantidades do bem x, quanto mais baixo for o preço do seu complementar, e menores quantidades de x, quanto mais alto estiver o preço daquele bem que complementa x; • os hábitos e gostos dos consumidores (H): muitas vezes, embora o preço do bem x esteja adequado, o consumidor deixa de adquiri-lo por não estar habituado ou condicionado ao seu consumo.
  16. 16. ECONOMIA 16 Então podemos dizer que a demanda de x é uma função dessas e de outras variáveis, assim: Dx = f(px , ps , pc, Y, H...) Observando os determinantes da demanda, verifica-se que todos variam simultaneamente, ficando difícil avaliar o efeito que cada um exerce sobre a demanda. Para contornar esse problema, os economistas valem-se da condição coeteris paribus – uma expressão latina que significa “tudo mais permanecendo constante”. A partir dessa condição, pode-se supor, por exemplo, que o preço de um produto se modifique, e que a renda do consumidor, seus hábitos e os preços dos bens afins permaneçam inalterados. Assim procedendo, é possível identificar o efeito que somente as mudanças de preço provocam nas quantidades demandadas do referido produto. Neste caso, diz-se que a demanda dessa mercadoria depende do seu preço, coeteris paribus. Da mesma forma, se se quiser saber como mudanças na renda afetam a demanda, supõe-se que apenas a renda varia enquanto os outros fatores determinantes da demanda são mantidos constantes. Diz-se, então, que a demanda depende da renda, coeteris paribus. Naturalmente, esse procedimento pode ser estendido a todos os outros elementos que influenciam a procura. Assumindo-se a condição coeteris paribus, deixamos de falar de demanda e passamos a falar da quantidade demandada de bem x, apenas em relação a seu preço. Assim: qx = f(px) Graficamente:
  17. 17. ECONOMIA 17 GRÁFICO 1: A DEMANDA POR UM BEM x px Dx 0 qx A “curva” de demanda é negativamente inclinada evidenciando a lei geral da procura, segundo a qual quando o preço de um bem aumenta, a quantidade demandada desse bem diminui, e quando o seu preço diminui, a quantidade demandada aumenta. Deve-se enfatizar ainda, que variações no preço do bem provocam mudanças na quantidade demandada, com a curva de demanda permanecendo inalterada. Assim, falar em demanda significa referir-se à toda curva, enquanto que quantidade demandada refere-se a um dado ponto dessa mesma curva.
  18. 18. ECONOMIA 18 2.2 Deslocamentos da curva de demanda A curva de demanda se desloca em relação à sua posição original quando uma daquelas variáveis que supusemos constantes (renda do consumidor, preço dos outros bens e hábitos e gostos) muda de valor. Assim, quando a mudança no valor da variável aumentar a demanda, a curva se será deslocada para a direita. Analogamente, quando a alteração no valor da variável diminuir a demanda, a curva será deslocada para a esquerda. Vejamos: 1º CASO: MUDANÇAS NA RENDA DOS CONSUMIDORES Sob a ótica da renda, os bens são classificados em normais e inferiores. Diz-se que um bem é normal quando o aumento na renda dos consumidores aumenta a demanda por esse bem. Em outras palavras, havendo um aumento na renda Y, x será um bem normal se para um mesmo nível de preço p, os consumidores estiverem dispostos a adquirir quantidades maiores do bem x. No caso de um bem normal, uma variação positiva na renda (ΔY > 0) acarretará um deslocamento para direita da curva de demanda, e uma variação negativa (ΔY < 0), um deslocamento para a esquerda, como mostra o Gráfico 2.
  19. 19. ECONOMIA 19 GRÁFICO 2: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NA RENDA DOS CONSUMIDORES – O CASO DE UM BEM NORMAL px D’’ D D’ 0 qx Por outro lado, um bem x é dito inferior quando, havendo um aumento na renda, para um mesmo nível de preços p, os consumidores desejam consumir quantidades menores desse bem. Isto é o que acontece, por exemplo, com a demanda por carne de segunda: o consumidor, ao ter sua renda aumentada substitui a carne de segunda pela carne de primeira, que embora seja mais cara, torna-se acessível com o aumento da renda. O fenômeno inverso ocorre quando a renda do consumidor diminui. No nosso exemplo, o consumidor reduz o consumo de carne de primeira e aumenta o da carne de segunda. Outra exemplo de bem inferior é a passagem de ônibus. Quando a renda aumenta, as pessoas passam a andar mais de carro e menos de ônibus. Então, se o bem x for um bem inferior, uma variação positiva na renda (ΔY > 0) acarretará um deslocamento para esquerda da curva de ΔY < 0 ΔY > 0
  20. 20. ECONOMIA 20 demanda, e uma variação negativa (ΔY < 0), um deslocamento para a direita, como mostra o Gráfico 3. GRÁFICO 3: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NA RENDA DOS CONSUMIDORES – O CASO DE UM BEM INFERIOR px D’ D D’’ 0 qx 2º CASO: MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS Movimentos semelhantes aos provenientes de uma variação na renda dos consumidores podem ocorrer na demanda quando variam os preços de outros bens (pz). A relação entre o bem x e um bem z pode ser de uma dessas três formas: • x e z são substitutos; • x e z são complementares; • x e z são bens de consumo independente. ΔY < 0 ΔY > 0
  21. 21. ECONOMIA 21 Quando x e z são independentes, o preço de z nada tem a ver com a demanda de x. É o caso, por exemplo, de maçã e automóveis: alterações no preço da maçã não provocam nenhuma modificação na demanda de automóveis e vice-versa. Logo, maçã e automóveis são ditos bens de consumo independente. Existem bens, entretanto, que o consumo de um deles exclui (mesmo que parcialmente) o consumo do outro. São os chamados bens substitutos como, por exemplo, manteiga e margarina, chá e café, carne de porco e carne de vaca etc. Quando x e z são substitutos, o aumento no preço do bem z (Δpz > 0) tornará seu consumo menos atrativo do que o do bem x, fazendo aumentar a demanda por este último. Neste caso, a curva de demanda do bem x deslocar-se-á para a direita. Analogamente, uma diminuição no preço do bem z (Δpz < 0) o tornará mais atrativo, deslocando a curva de demanda do bem x para a esquerda, como mostra o Gráfico 4. GRÁFICO 4: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS – O CASO DE BENS SUBSTITUTOS px D’’ D D’ 0 qx Δpz < 0 Δpz > 0
  22. 22. ECONOMIA 22 Os bens x e z podem ainda ser complementares, como caderno e caneta, pão e manteiga, cama e colchão etc. Neste caso, o aumento no preço de z provocará uma diminuição no seu consumo; como o consumo de z está associado ao de x, a demanda de x também diminuirá, deslocando sua curva para a esquerda. E, caso o preço de z diminua, a curva de demanda de x se deslocará para a direita, como mostra o Gráfico 5. GRÁFICO 5: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS – O CASO DE BENS COMPLEMENTARES px Δpz > 0 Δpz < 0 D’’ D D’ 0 qx 3º CASO: MUDANÇAS NOS HÁBITOS E GOSTOS DOS CONSUMIDORES Muitas vezes um bem deixa de ser consumido não porque está caro, mas porque não faz parte dos hábitos dos consumidores. Esses hábitos podem ser estimulados ou desestimulados, sobretudo, através de propagandas ou campanhas de publicidade.
  23. 23. ECONOMIA 23 ΔH > 0 ΔH < 0 Sendo assim, um estímulo positivo à compra de determinado bem (ΔH > 0) acarretará um deslocamento para direita da curva de demanda, e um estímulo negativo (ΔH < 0), um deslocamento para a esquerda, como mostra o Gráfico 6. GRÁFICO 6: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NOS HÁBITOS E GOSTOS DOS CONSUMIDORES px D’’ D D’ 0 qx Uma síntese das causas dos deslocamentos da curva de demanda pode ser vista no Quadro 1.
  24. 24. ECONOMIA 24 QUADRO 1: CAUSAS DOS DESLOCAMENTOS DA DEMANDA – UMA SÍNTESE AUMENTO DA DEMANDA Aumento na renda do consumidor Aumento no preço dos bens substitutos Diminuição no preço dos bens complementares Mudança favorável nos hábitos e gostos DIMINUIÇÃO DA DEMANDA Diminuição na renda do consumidor Diminuição no preço dos bens substitutos Aumento no preço dos bens complementares Mudança desfavorável nos hábitos e gostos
  25. 25. ECONOMIA 25 GRÁFICO 7: DEMANDA DE UM BEM QUE ATENDE À LEI DA PROCURA qx1 qx0 qx Caso os movimentos do preço e da quantidade de um bem ocorram no mesmo sentido, é porque esse bem é uma exceção à lei da procura. Ele é denominado bem de Giffen, e tem sua curva de demanda positivamente inclinada em relação ao eixo das abscissas, como ilustra o Gráfico 8. px1 px0 px 0 1 D Δpx > 0 LEMBRETE: MUDANÇAS NOS PREÇOS DO BEM x Vale lembrar que mudanças no preço de x não provocam deslocamentos da curva de demanda. O deslocamento, no caso, é ao longo da própria curva de demanda, onde variações positivas no preço de x (Δpx > 0) acarretam diminuições na quantidade demandada de x e variações negativas (Δpx < 0), aumentos na quantidade demandada de x, como ilustra o Gráfico 7.
  26. 26. ECONOMIA 26 px GRÁFICO 8: DEMANDA DE UM BEM QUE NÃO ATENDE À LEI DA PROCURA O BEM DE GIFFEN qx0 qx1 qx Os bens de Giffen foram uma homenagem ao economista Robert Giffen que estudou o comportamento de uma pequena comunidade bastante pobre do Reino Unido, cuja base da alimentação era a batata. Ele observou que à medida que o preço da batata subia, curiosamente, os membros dessa comunidade compravam mais. Sua conclusão foi que, dado um orçamento extremamente limitado, se o bem mais significativo da cesta básica ficava mais caro, era melhor abrir mão de todo resto em prol de um pouco mais do item mais importante. px1 px0 0 1 D Δpx > 0 Giffen ficou mais conhecido depois que foi citado, da seguinte forma, por Alfred Marshall (1890): “Como assinalou o senhor Giffen, uma elevação no preço do pão altera tanto os recursos das famílias dos trabalhadores pobres, que são forçados a reduzir seu consumo de carne e de outros alimentos mais caros; sendo o pão ainda o alimento mais barato que podem obter, eles consumiriam mais, e não menos do mesmo”.
  27. 27. ECONOMIA 27 2.3 A oferta A oferta de determinado bem x (Sx) é dada pela quantidade desse bem que os vendedores desejam oferecer num determinado período de tempo. Tal como a demanda, a oferta é influenciada por uma série de fatores, sendo que os mais relevantes são: • mercado, em primeiro lugar, os vendedores levarão em consideração o nível de preço do bem x. Quanto mais alto for esse preço, mais eles vão querer vender, pois assim poderão obter maiores lucros; • preço dos insumos utilizados na produção (pi): alterações nos preços das matérias-primas, da energia e de outros insumos alteram a quantidade de x a ser ofertada no mercado; • tecnologia (T): inovações tecnológicas que reduzam o custo de se produzir x ou que propiciem sua produção em maiores quantidades ao mesmo custo tornam sua oferta mais abundante; • preço de outros bens (pz): o agricultor, por exemplo, ao considerar quanto produzirá de milho levará em conta não apenas o preço do mesmo, mas também o preço de uma cultura alternativa tal como a do feijão. Se o preço deste estiver maior, a oferta de milho certamente diminuirá. Então podemos dizer que a oferta de x é uma função dessas e de outras variáveis, assim: Sx = f(px , pi , pz, T...)
  28. 28. ECONOMIA 28 Assumindo-se a condição coeteris paribus, deixamos de falar de oferta de um bem x e passamos a falar de quantidade ofertada de x, apenas em relação a seu preço. Assim: qx = f (px) Graficamente: GRÁFICO 9: A OFERTA DE UM BEM x px Sx 0 qx A curva de oferta é positivamente inclinada evidenciando a lei geral da oferta, segundo a qual quando o preço de um bem aumenta, a quantidade ofertada desse bem aumenta, e quando o seu preço diminui, a quantidade ofertada também diminui. Como no caso da demanda, variações no preço do bem provocam mudanças na quantidade ofertada, com a curva de oferta permanecendo inalterada. Afinal, falar em oferta significa referir-se à toda curva,
  29. 29. ECONOMIA 29 enquanto que quantidade ofertada refere-se a um dado ponto dessa mesma curva. Observe que embora os economistas refiram-se às “curvas” de oferta e de demanda, estas também podem ser expressas linearmente, como foi feito até agora. 2.4 Deslocamentos da curva de oferta Analogamente à curva de demanda, a curva de oferta se desloca em relação à sua posição original quando uma daquelas variáveis que supusemos constantes (preço dos insumos, tecnologia, preço dos outros bens etc.) muda de valor. Assim, quando a mudança no valor da variável aumentar a oferta, a curva se deslocará para a direita. Quando a alteração no valor da variável diminuir a oferta, a curva se deslocará para a esquerda. Vejamos: 1º CASO: MUDANÇAS NO PREÇO DOS INSUMOS Os preços dos insumos necessários para se produzir x afetam o custo de produção que, por sua vez, afeta a oferta do bem x da seguinte maneira: uma variação positiva no preço dos insumos (Δpi > 0) aumenta os custos, desestimulando a produção, já que o produtor terá seu lucro reduzido. O resultado disso é um deslocamento para esquerda da curva de oferta. Por outro lado, uma variação negativa no preço dos insumos (Δpi < 0), por ser um indicativo de aumento dos lucros do produtor, estimula a produção, deslocando a curva de oferta para a direita, como mostra o Gráfico 10.
  30. 30. ECONOMIA 30 Δpi < 0 Δpi > 0 GRÁFICO 10: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE OFERTA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NO PREÇO DOS INSUMOS px S’ S S’’ 0 qx 2º CASO: MUDANÇAS NA TECNOLOGIA Inovações tecnológicas que reduzam o custo de se produzir x ou que propiciem sua produção em maiores quantidades ao mesmo custo tornam a oferta mais abundante, fazendo a sua curva se deslocar para a direita. Analogamente, a ausência dessas inovações ou mesmo a obsolescência da tecnologia utilizada fazem a curva de oferta se deslocar para a esquerda, como mostra o Gráfico 11. GRÁFICO 11: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS TECNOLÓGICAS
  31. 31. ECONOMIA 31 ΔT > 0 ΔT < 0 px S’’ S S’ 0 qx 3º CASO: MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS A relação entre o bem x e um bem z, na produção, pode ser de uma dessas duas formas: • x e z são substitutos na produção; • x e z são complementares na produção. Quando a produção de um deles concorre com a produção do outro, por utilizarem praticamente os mesmo recursos, diz-se que x e z são bens substitutos na produção. Neste caso, o produtor preferirá produzir aquele bem que estiver apresentando um preço mais alto no mercado. Como exemplo, podemos citar o feijão e o milho. Se ocorrer um aumento no preço do feijão, tornando essa cultura mais lucrativa e atraente do que a cultura do milho, agricultores que antes cultivavam milho poderão se interessar em plantar feijão, provocando um aumento da oferta deste em detrimento daquele.
  32. 32. ECONOMIA 32 Δpz < 0 Δpz > 0 Logo, quando x e z são substitutos, o aumento no preço do bem z (Δpz > 0) tornará sua produção mais atrativa do que a do bem x, fazendo aumentar a sua oferta em detrimento da oferta de x. Como consequência, a curva Sx deslocar-se-á para a esquerda. Analogamente, uma diminuição no preço do bem z (Δpz < 0) o tornará menos atrativo, deslocando a curva de oferta do bem x para a direita, como mostra o Gráfico 12. GRÁFICO 12: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE OFERTA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS – O CASO DE BENS SUBSTITUTOS NA PRODUÇÃO px S’ S S’’ 0 qx Os bens x e z podem ainda ser complementares na produção, como a carne e o couro, por exemplo. Quer dizer, um aumento no preço da carne poderá provocar um aumento no abate e, por decorrência, um aumento da oferta de couro. Em termos gerais, o aumento no preço de z provocará um aumento na sua produção; como a produção de z está associada à de x, a oferta deste também aumentará, deslocando sua curva
  33. 33. ECONOMIA 33 Δpz > 0 para a direita. Por esse raciocínio, caso o preço de z diminua, a curva de oferta de x irá se deslocar para a esquerda, como mostra o Gráfico 13. GRÁFICO 13: DESLOCAMENTOS DA CURVA DE OFERTA EM FUNÇÃO DE MUDANÇAS NOS PREÇOS DE OUTROS BENS – O CASO DE BENS COMPLEMENTARES NA PRODUÇÃO px S’’ S S’ 0 qx Uma síntese das causas dos deslocamentos da curva de oferta pode ser vista no Quadro 2. Δpz < 0 LEMBRETE: MUDANÇAS NOS PREÇOS DO BEM x Vale lembrar que mudanças no preço de x não provocam deslocamentos da curva de oferta. O deslocamento, no caso, é ao longo da própria curva de oferta, onde variações positivas no preço de x (Δpx > 0) aumentam a quantidade ofertada de x.
  34. 34. ECONOMIA 34 QUADRO 2: CAUSAS DOS DESLOCAMENTOS DA OFERTA – UMA SÍNTESE AUMENTO DA OFERTA Diminuição no preço dos insumos Diminuição no preço dos bens substitutos na produção Aumento no preço dos bens complementares na produção Mudança tecnológica favorável DIMINUIÇÃO DA OFERTA Aumento no preço dos insumos Aumento no preço dos bens substitutos na produção Diminuição no preço dos bens complementares na produção Mudança tecnológica desfavorável
  35. 35. ECONOMIA 35 E 3 O EQUILÍBRIO DE MERCADO 3.1 O equilíbrio entre demanda e oferta O equilíbrio refere-se às condições do mercado, as quais, uma vez atingidas, tendem a persistir. Em Economia, isto ocorre quando a quantidade demandada de um bem se iguala à quantidade ofertada desse mesmo bem. Neste ponto não existe nem excesso nem escassez do bem, de forma que compradores e vendedores encontram-se plenamente satisfeitos. Geometricamente, o equilíbrio ocorre na interseção das curvas de demanda e de oferta. O preço e a quantidade para as quais existe equilíbrio são conhecidos, respectivamente, como preço e quantidade de equilíbrio. GRÁFICO 14: O EQUILÍBRIO ENTRE DEMANDA E OFERTA px S D 0 qx LEGENDA: Em 1: excedente do bem x Em 2: escassez do bem x Em E: equilíbrio de mercado 1 2
  36. 36. ECONOMIA 36 Quando o preço do bem x está acima do preço de equilíbrio de mercado, está havendo um excesso de x, proveniente de uma quantidade ofertada maior do que a quantidade demandada para esse nível de preço. Por outro lado, um nível de preço abaixo do preço de equilíbrio mostra que está havendo uma escassez de x, proveniente de uma quantidade demandada maior do que a quantidade ofertada. Por fim, quando as curvas de oferta e demanda se interceptam, o mercado de bens está em equilíbrio e a quantidade demandada iguala-se à quantidade ofertada. Em um mercado onde prevalece a livre concorrência, isto é, em um mercado em “concorrência perfeita” (cf. Item 6 – Estruturas de mercado), os desequilíbrios entre quantidades ofertadas e demandadas não prevalecem por muito tempo. Isto porque, havendo excesso do bem x, o preço de x tenderá a cair. À medida que o preço vai caindo, os vendedores tendem a ofertar menos e os compradores tendem a comprar mais. Então, não havendo interferência por parte do governo (tabelando preços, por exemplo), o próprio movimento dos preços para baixo faz com que a quantidade ofertada, que estava alta, caia e a quantidade demandada, que estava baixa, aumente. Analogamente, havendo escassez do bem x, o seu preço tenderá a subir. À medida que o preço vai subindo, os vendedores tendem a ofertar mais e os compradores tendem a comprar menos. Não havendo interferência externa, o próprio movimento dos preços para cima faz com que a quantidade ofertada, que estava baixa, aumente e a quantidade demandada, que estava alta, diminua. Graficamente, GRÁFICO 15: AJUSTE DE UM MERCADO EM CONCORRÊNCIA PERFEITA
  37. 37. ECONOMIA 37 E px S D 0 qx O mecanismo de ajuste descrito no Gráfico 4 também é conhecido como market clearing, e pode ser traduzido como “limpeza de mercado”. Diz-se, pois, que um mercado está “limpo” quando não há nem excesso, nem escassez, isto é, quando as quantidades demandada e ofertada são iguais. Outra forma de se explicar a dinâmica do equilíbrio é utilizando a teoria de M. Ezequiel, mais conhecida como cobweb theorem ou “teorema da teia de aranha”. Esse teorema sustenta a hipótese de que, dadas a oferta e a procura de determinado bem, os preços, ainda que desajustados em determinado momento, evoluem na direção de um ponto de equilíbrio. Observemos pelo Gráfico 16. Se os produtores decidissem, num primeiro momento, ofertar qo esperando que o preço fosse po, eles se decepcionariam: as quantidades colocadas no mercado só escoariam por um preço bem mais baixo, representado por p1. Essa decepção iria levá- los, no momento seguinte, a oferecer, no mercado, apenas q1 unidades, compatíveis com o nível prevalecente de preços. Todavia, essa nova tentativa traria resultados melhores do que os esperados, pois a reduzida 1 2
  38. 38. ECONOMIA 38 pE quantidade ofertada levaria os consumidores a disputá-la entre si, elevando o preço para p2. A sequência das decisões e ajustamentos teceria uma verdadeira teia de aranha, cujo ponto final seria justamente o ponto de equilíbrio (qE, pE). GRÁFICO 16: A “TEIA DE ARANHA” px S p0 p2 p3 p1 D 0 q1 qE q0 qx EXERCÍCIO Encontre o preço e a quantidade de equilíbrio para um mercado cujas curvas de demanda e de oferta são dadas por: qx = 280 – 4px qx = – 20 + 2px sendo: qx é a quantidade demandada/ofertada do bem x; e px é o preço do bem x.
  39. 39. ECONOMIA 39 O que ocorrerá neste mercado, se o preço do bem x for estipulado em $30? E, o que acontecerá se o preço for tabelado em $60? Resp.: Preço de equilíbrio = 50; quantidade de equilíbrio = 80; escassez de 120 unidades e excedente de 60 unidades. 3.2 Mudanças no equilíbrio Como o equilíbrio é o resultado da interseção das curvas de oferta e demanda, um deslocamento em uma dessas duas curvas certamente provocará uma mudança de posição do equilíbrio. Já vimos os motivos que deslocam as curvas de oferta e de demanda para a direita e para a esquerda. Vejamos, agora, as consequências desses deslocamentos sobre o ponto de equilíbrio. 1º CASO: MUDANÇAS NO EQUILÍBRIO DEVIDO A UM AUMENTO DA DEMANDA Suponha um mercado cujo ponto de equilíbrio seja E0. Suponha, em seguida, que tenha havido um aumento da demanda de D para D’. Aparecerá, então, um excesso de demanda ao preço p0 (distância E0A do gráfico), já que os consumidores que compravam q0 passam a desejar q2 unidades, enquanto os produtores continuam querendo ofertar q0. Esse excesso de demanda, entretanto, logo será corrigido pelo próprio mercado, com o aumento automático do preço de p0 para p1. Essa elevação do preço de p0 para p1 aumenta a quantidade ofertada (ao longo da curva de oferta) de q0 para q1 e, ao mesmo tempo, reduz a quantidade demandada (ao
  40. 40. ECONOMIA 40 E0 E1 A longo da nova curva de demanda) de q2 para q1. Ao preço p1, portanto, a quantidade demandada volta a ser igual à quantidade ofertada, formando um novo ponto de equilíbrio E1, como mostra o Gráfico 17. Como exemplo de um deslocamento positivo da curva de demanda, imagine que algum programa de televisão com grande audiência tenha anunciado que o chá preto reduz o colesterol. Certamente a curva de demanda se deslocará para a direita e o equilíbrio de mercado se restabelecerá a uma quantidade e a um preço mais altos. GRÁFICO 17: MUDANÇA NO EQUILÍBRIO DEVIDO AO AUMENTO DA DEMANDA px S p1 p0 D’ D 0 q0 q1 q2 qx 2º CASO: MUDANÇAS NO EQUILÍBRIO DEVIDO A UMA DIMINUIÇÃO DA DEMANDA O efeito de uma diminuição da demanda também pode ser visto a partir do Gráfico 17. É só supor que o preço e a quantidade iniciais são p1 e q1, e supor, em seguida, que, por algum motivo, tenha havido uma diminuição da demanda de D’ para D. Aparecerá, desta vez, um excesso
  41. 41. ECONOMIA 41 de oferta ao preço p1, que será corrigido pelo próprio mercado com uma redução no preço de p1 para p0. Um novo equilíbrio será alcançado em E0, agora, com o preço mais baixo. Para exemplificar este caso de deslocamento negativo da curva de demanda, imagine o resultado de uma forte campanha publicitária contra o cigarro. Certamente a curva de demanda se deslocaria para a esquerda e o equilíbrio seria restaurado a uma quantidade e a um preço mais baixos. 3º CASO: MUDANÇAS NO EQUILÍBRIO DEVIDO A UM AUMENTO DA OFERTA Suponha um mercado cujo ponto de equilíbrio inicial seja E0. Suponha, agora, um aumento da oferta de S para S’. Como resultado, temos um excesso de oferta ao preço p0 (distância E0A do gráfico), já que os produtores que ofertavam q0 gostariam de ofertar q2 unidades, enquanto os consumidores, por esse preço, só aceitam comprar q0. O excesso de demanda, entretanto, será corrigido pelo próprio mercado, com a diminuição automática do preço de p0 para p1. Essa diminuição no preço aumenta a quantidade demandada (ao longo da curva de demanda) de q0 para q1 e, ao mesmo tempo, reduz a quantidade ofertada (ao longo da curva de demanda) de q2 para q1. Ao preço p1, abaixo do preço inicial, voltam a se igualar quantidade demandada e quantidade ofertada, formando um novo ponto de equilíbrio, como mostra o Gráfico 18. Para ilustrar o deslocamento positivo da curva de oferta, imagine a descoberta de uma semente de feijão que precisasse de muito menos tempo e espaço para ser cultivada. O resultado provavelmente seria o deslocamento da curva de oferta para a
  42. 42. ECONOMIA 42 E0 E1 A direita e o restabelecimento de um novo ponto de equilíbrio com um preço mais baixo do que o anterior. GRÁFICO 18: MUDANÇA NO EQUILÍBRIO DEVIDO AO AUMENTO DA OFERTA px S S’ p0 p1 D 0 q0 q1 q2 qx 4º CASO: MUDANÇAS NO EQUILÍBRIO DEVIDO A UMA DIMINUIÇÃO DA OFERTA O movimento do ponto de equilíbrio devido a uma diminuição da oferta também pode ser acompanhado a partir do Gráfico 18. Basta supor que o preço e a quantidade iniciais são p1 e q1, e supor, em seguida, que, por algum motivo, tenha havido uma diminuição da oferta de S’ para S. Aparecerá, então, um excesso de demanda ao preço p1, que será corrigido pelo próprio mercado com o aumento do preço de p1 para p0.
  43. 43. ECONOMIA 43 Com o preço mais alto, a quantidade demandada cai, a quantidade ofertada sobe e é restaurado o equilíbrio, só que com o preço mais alto. Como exemplo de um deslocamento negativo da curva de oferta, suponha uma política eficiente de inibição à entrada de drogas no país. O resultado seria um deslocamento para a esquerda da curva de oferta e um novo preço de equilíbrio mais alto do que o anterior. Uma síntese dos efeitos dos deslocamentos das curvas de oferta e de demanda pode ser vista no Quadro 3. QUADRO 3: CAUSAS DAS MUDANÇAS NO EQUILÍBRIO – UMA SÍNTESE DESLOCAMENTO DA DEMANDA • Um aumento da demanda provoca um aumento no preço e na quantidade de equilíbrio • Uma diminuição da demanda provoca uma diminuição no preço e na quantidade de equilíbrio DESLOCAMENTO DA OFERTA • Um aumento da oferta provoca uma diminuição no preço e um aumento na quantidade de equilíbrio • Uma diminuição da oferta provoca um aumento no preço e uma redução na quantidade de equilíbrio
  44. 44. ECONOMIA 44 pmín pmáx p0 p0 E 3.3 Tabelamento de preços Algumas vezes o preço de equilíbrio prejudica os consumidores ou os vendedores. Quando isso acontece, o governo intervém no mercado tabelando preços. Às vezes, o preço de equilíbrio é tão baixo, que o governo tem de tabelar um preço mínimo, ou seja, um preço para garantir que os produtores receberão, pelo menos, aquele valor. O preço mínimo fica acima do preço de equilíbrio visando favorecer o lado da oferta. Outras vezes, o preço de equilíbrio é tão alto, que o governo tem de tabelar um preço máximo, ou seja, um preço para garantir que os consumidores terão de pagar, no máximo, aquele valor. O preço máximo fica abaixo do preço de equilíbrio visando favorecer o lado da demanda. Graficamente: GRÁFICOS 19a e 19b: PREÇO MÍNIMO E PREÇO MÁXIMO px S px S D D 0 qx 0 qx E
  45. 45. ECONOMIA 45 4 O EXCEDENTE DO CONSUMIDOR E O EXCEDENTE DO PRODUTOR Há ainda um assunto muito interessante que diz respeito às curvas de oferta e demanda. Trata-se do excedente do consumidor e do excedente do produtor. Para entender o excedente do consumidor imagine que o cantor que você mais gosta acabou de lançar seu último CD. Ávido por adquiri-lo, você vai correndo à loja e toma conhecimento que o CD está sendo vendido por R$40,00 – uma quantia maior do que você dispõe para gastar com este tipo de mercadoria. Sem se dar por vencido, você decide juntar o dinheiro. Passado um tempo, você volta à loja e descobre que, depois da euforia do lançamento, o mesmo CD, que você estava disposto a pagar R$40,00, está sendo vendido por R$30,00. Feliz da vida, você compra o CD que tanto queria e ainda obtém um excedente de R$10,00. O excedente do consumidor, então, pode ser traduzido como a diferença entre o preço que o consumidor estaria disposto a pagar por um bem x e o preço que ele efetivamente paga. Em termos gráficos, o excedente do consumidor corresponde à área abaixo da curva de demanda e acima do preço que efetivamente se paga, como mostra o Gráfico 20.
  46. 46. ECONOMIA 46 E 0 GRÁFICO 20: O EXCEDENTE DO CONSUMIDOR NOTA: Os consumidores representados pelo segmento ED estão fora do mercado porque não se dispõem a pagar nem mesmo p’. Para endenter o excedente do produtor, vamos imaginar outra situação hipotética. Suponha que o proprietário de um posto de gasolina cobre R$8,00 para lavar um carro no seu posto. Suponha, também, que este proprietário saiba que, aos finais de semana, os usuários do serviço de lavagem de automóveis se dispõem a pagar até $12,00 pelo serviço prestado. Neste caso, haverá, aos finais de semana, um excedente do produtor de R$4,00 por carro lavado. O excedente do produtor corresponde à diferença entre o valor que o ofertante recebe e aquele que ele estaria disposto a receber, uma vez cobertos seus custos (inclusive o custo de oportunidade). p’ px D qx EXCEDENTE DO CONSUMIDOR
  47. 47. ECONOMIA 47 qx E 0 Graficamente, o excedente do produtor corresponde à área acima da curva de oferta e abaixo do preço pelo qual a mercadoria ou serviço foi vendido, como aparece no Gráfico 21. GRÁFICO 21: O EXCEDENTE DO PRODUTOR NOTA: Os vendedores pelo segmento ES estão fora do mercado porque seus custos são tão altos que não lhes permitem vender a um preço menor do que p’. 5 AS ELASTICIDADES p’ px S EXCEDENTE DO PRODUTOR
  48. 48. ECONOMIA 48 Na teoria econômica, o termo “elasticidade” significa “sensibilidade”. Assim, quando se afirma que a demanda ou a oferta de um bem x é elástica (inelástica) em relação a alguma variável, o que se pretende dizer é que os consumidores ou produtores do bem x são sensíveis (insensíveis) a alterações nessa variável. 5.1 Elasticidades da demanda Vejamos, então, como pode ser o comportamento da demanda frente a variações 1) no preço do bem x; 2) na renda do consumidor; e 3) no preço dos bens z. 5.1.1 A elasticidade-preço da demanda Suponha o seguinte comportamento da demanda por dois bens, a e b: Demanda de a Demanda de b pa qa pb qb 10 100 20 80 12 60 24 76 Pelas tabelas acima, observa-se que ambos os bens tiveram seus preços majorados em 20%, já que pa passou de 10 para 12 e pb passou de 20 para 24. Entretanto, o comportamento da quantidade demandada foi bem diferente: enquanto qa diminuiu 40% (de 100 para 60), qb diminuiu apenas 5% (passando de 80 para 76).
  49. 49. ECONOMIA 49 Por este exemplo, pode-se afirmar que a demanda de a é elástica ou sensível em relação a variações em seu preço, como são os automóveis e os telefones celulares, enquanto a demanda de b é inelástica ou pouco sensível a tais variações, como são os remédios e a maioria dos alimentos. A medida numérica ou coeficiente da elasticidade-preço da demanda é dada pela razão entre a variação percentual na quantidade demandada de x e a variação percentual no preço de x, ou seja: Epd = px% qx% Δ Δ A variação percentual da quantidade demandada é dada pela relação 0q qΔ onde Δq representa a variação a variação absoluta da quantidade demandada nos momentos 0 e 1, ou seja: Δq = q1 - q0 Da mesma forma, a variação percentual do preço é dada pela relação 0p pΔ onde Δp representa a variação a variação absoluta do preço nos momentos 0 e 1, ou seja: Δp = p1 - p0
  50. 50. ECONOMIA 50 Ao relacionarmos a variação absoluta na quantidade com a quantidade inicialmente demandada, e a variação absoluta no preço com o preço inicial, obtemos, respectivamente, a variação percentual da quantidade demandada e a variação percentual do preço, presentes na fórmula do coeficiente da elasticidade-preço da demanda, assim: Epd = 0 0 Δp/p Δq/q = 00)1 00)1 /pp-(p /qq-(q = pΔ Δ%q % Ou ainda, Epd = Δp Δq . q p Como preço e quantidade demandada caminham em sentidos opostos, o coeficiente da elasticidade-preço será negativo. É por isso que, para fins didáticos, será considerado apenas o número em si, com sinal positivo, ou seja, o módulo da Epd, cujos valores assumem os seguintes significados: • ⏐Epd⏐> 1 ⇒ demanda elástica • ⏐Epd⏐< 1 ⇒ demanda inelástica • ⏐Epd⏐= 1 ⇒ demanda com elasticidade unitária Quer dizer, se ⏐Epd⏐ > 1, a demanda será elástica em relação ao preço porque as variações na quantidade demandada serão mais do que proporcionais às variações no preço do bem. Se ⏐Epd⏐ < 1, a demanda será inelástica em relação ao preço, indicando que as variações na quantidade demandada não acompanham, proporcionalmente, as variações no preço do produto. E se ⏐Epd⏐ = 1, então a demanda apresentará
  51. 51. ECONOMIA 51 elasticidade unitária em relação ao preço, com a quantidade demandada variando com a mesma intensidade da variação no preço do produto. Ainda em relação à Epd, sabe-se que os fatores que influenciam uma maior ou menor sensibilidade da demanda de um bem x em relação a variações no seu preço são: • o grau de utilidade do bem; • o número de substitutos para o bem em questão; • o peso do preço do bem no orçamento do consumidor; e • o período de tempo em análise. A influência desses fatores sobre a Epd ocorre da seguinte maneira: quanto maior o grau de utilidade de determinados bens – como remédios, por exemplo – mais dependentes tornam-se seus consumidores, de forma que variações nos preços pouco afetam a quantidade demandada. Então, Por outro lado, quanto maior o número de substitutos para certo bem, mais chances o consumidor tem de escapar de aumentos no seu preço. Então, por exemplo, se o preço do leite com Ômega 3 subir demais, o consumidor pode substituí-lo por outro sem esse componente. Entretanto, bens com poucos substitutos, como é o caso do sal e do açúcar, tornam os consumidores mais vulneráveis a variações nos seus preços. Assim, Quanto maior o grau de utilidade do bem, mais inelástica será a demanda pelo bem.
  52. 52. ECONOMIA 52 Além disso, quanto maior o peso de um bem no orçamento do consumidor, isto é, quanto maior a parcela da renda destinada ao gasto com determinado bem – como a carne, por exemplo – mais o consumidor será afetado por mudanças no preço deste bem. Por outro lado, quanto menor o peso de um bem no orçamento do consumidor – como caixas de fósforos, por exemplo – menos importância os consumidores darão a variações no seu preço. Assim, se a carne de boi sobe de p para 2p, o consumidor tenderá a substituí-la por frango, peixe ou mesmo ovos, porque este item tem um peso relativamente grande nos seus gastos; entretanto, se a caixinha de fósforo passa de p para 2p, raramente um consumidor vai perder uma noite de sono por causa disso. Então, Por fim, quanto maior o intervalo de tempo considerado, mais chances o consumidor tem de descobrir bens que substituam aqueles que mudaram de preço. Isso quer dizer que no curto prazo os consumidores são mais vulneráveis a variações no preço do que em um prazo mais dilatado. Ou seja: Quanto menor o número de bens substitutos, mais inelástica será a demanda pelo bem. Quanto menor o peso do bem no orçamento do consumidor, mais inelástica será a demanda.
  53. 53. ECONOMIA 53 No caso de uma curva de demanda linear, negativamente inclinada, a representação gráfica da Epd pode ser vista no Gráfico 22. Observe que, embora se trate de uma mesma curva de demanda, a Epd assume diversos valores, que vão do zero ao infinito. Ou seja, a cada preço, a Epd terá um valor diferente, e à medida que o preço aumenta a Epd também aumenta. Assim, no ponto A do Gráfico (quando px = 0), a Epd será zero também. Para preços que vão do ponto A ao ponto E (correspondente ao ponto médio do segmento AI), a Epd será maior do que zero, mas menor do que um. No ponto E, será igual a um, e acima de E, maior do que um. Isso significa que, para um mesmo bem x, os consumidores mostram-se mais tolerantes a variações no seu preço enquanto este preço ainda assume valores baixos (isto é, valores menores do que o preço médio), e menos tolerantes a variações quando os preços de x assumem patamares mais elevados (isto é, valores acima do preço médio). Um exemplo numérico pode ser visto na Tabela 1. Quanto menor o período de tempo considerado, mais inelástica será a demanda.
  54. 54. ECONOMIA 54 Epd = 0 I E GRÁFICO 22: ELASTICIDADE DE UMA CURVA DE DEMANDA LINEAR qMÉDIA A qx TABELA 1: ELASTICIDADES DE UMA CURVA DE DEMANDA LINEAR qx = 8 - px PONTOS px qx Epd Demanda A 0 8 0 perfeitamente inelástica B 1 7 0,14 demanda inelástica C 2 6 0,33 demanda inelástica D 3 5 0,60 demanda inelástica E 4 4 1 elasticidade unitária F 5 3 1,67 demanda elástica G 6 2 3 demanda elástica H 7 1 7 demanda elástica I 8 0 ∞ perfeitamente elástica pMÉDIO px Epd = 1 Epd = ∞ Epd > 1 Epd < 1
  55. 55. ECONOMIA 55 Aproveitando o exemplo da Tabela 1, podemos ainda analisar o comportamento da Receita Total dos produtores e do Dispêndio Total dos consumidores em relação à Epd. Tanto a Receita Total (RT) quanto o Dispêndio Total (DT) são dados pelo preço multiplicado pela quantidade. Ou: RT = p x q = DT Intuitivamente acreditamos que um aumento no preço de x aumentará a receita dos produtores e a despesa dos consumidores; mas nem sempre isto acontece. Vejamos. Se a demanda do bem x é elástica, um aumento no seu preço reduzirá mais que proporcionalmente a quantidade demandada, de forma que esse aumento no preço resulte, paradoxalmente, numa diminuição tanto de RT quanto de DT. Simbolicamente, temos: RT = p x q = DT Graficamente, temos:
  56. 56. ECONOMIA 56 GRÁFICO 23: A RECEITA TOTAL (DESPESA TOTAL) E A DEMANDA ELÁSTICA 0 q1 q0 q Como a Receita Total é igual a preço multiplicado pela quantidade, graficamente, a RT será representada pela área resultante do produto entre 0q e 0p. Pelo Gráfico 26, em que a curva de demanda é elástica, pode-se notar que a área 0q0Ap0 (anterior ao aumento de preço) é maior do que a área 0q1Bp1 formada depois do aumento do preço de p0 para p1. Por analogia, se a demanda do bem x é inelástica, como no Gráfico 27, um aumento no seu preço reduzirá a quantidade demandada, porém menos que proporcionalmente, de forma que esse aumento no preço resulte num aumento tanto de RT quanto de DT. Simbolicamente, temos: RT = p x q = DT p1 p0 px A B D
  57. 57. ECONOMIA 57 D Graficamente, temos: GRÁFICO 24: A RECEITA TOTAL (DESPESA TOTAL) E A DEMANDA INELÁSTICA 0 q1 q0 qx Note agora que, quando a demanda é inelástica, a área do 0q0Ap0 (anterior ao aumento de preço) é menor do que a área 0q1Bp1 formada depois do aumento do preço de p0 para p1. Outra forma de ver o movimento da Receita Total é complementando a Tabela 1 e o Gráfico 22, da seguinte maneira: p1 p0 px A B
  58. 58. ECONOMIA 58 TABELA 2: A RECEITA TOTAL (DESPESA TOTAL) E A DEMANDA LINEAR PONTOS px qx Epd Demanda RT = DT A 0 8 0 inelástica 0 B 1 7 0,14 inelástica 7 C 2 6 0,33 inelástica 12 D 3 5 0,60 inelástica 15 E 4 4 1 unitária 16 F 5 3 1,67 elástica 15 G 6 2 3 elástica 12 H 7 1 7 elástica 7 I 8 0 ∞ elástica 0 Observe na Tabela 2 que os valores da RT vão subindo, enquanto estão no segmento inelástico da curva de demanda, até atingir o ponto máximo, quando a demanda apresenta elasticidade unitária. A partir daí a curva de demanda entra em seu segmento elástico e a RT volta a cair. Isto acontece porque, para níveis mais baixos de preços, os consumidores continuam adquirindo o bem, ainda que ele fique mais caro. Depois de determinado patamar de preço, a curva de demanda entra em seu ramo elástico, e o consumidor busca alternativas mais viáveis em substituição àquele bem. A representação gráfica disso pode ser vista no Gráfico 25.
  59. 59. ECONOMIA 59 Epd = ∞ qx GRÁFICO 25: A RECEITA TOTAL (DESPESA TOTAL) E A DEMANDA LINEAR Existem ainda, dois casos especiais em que a Epd é constante ao longo de toda curva de demanda: um, quando a curva de demanda é perfeitamente (ou infinitamente) elástica e outro, quando a curva de demanda é perfeitamente (ou infinitamente) inelástica. Uma curva de demanda é perfeitamente elástica quando os consumidores estão dispostos a comprar tudo o que puderem por determinado preço p*, e absolutamente nada por um preço ligeiramente superior a p*. Neste caso, o coeficiente da Epd é igual a infinito porque o denominador Δ%p é igual a zero, e o gráfico assume a forma de uma reta paralela ao eixo das quantidades, como mostra o Gráfico 26. pMÉDIO Epd = 1 Epd = 0 RT, px 0 qMÉDIA RT
  60. 60. ECONOMIA 60 GRÁFICO 26: CURVA DE DEMANDA PERFEITAMENTE ELÁSTICA qx Uma curva de demanda é perfeitamente inelástica quando a quantidade demandada permanece inalterada à medida que o preço varia. Neste caso, o coeficiente da Epd é igual a zero porque o numerador Δ%q é igual a zero, e o gráfico assume a forma de uma reta paralela ao eixo dos preços, como mostra o Gráfico 27. p* px D 0 LEMBRETE Caso você se esqueça da representação gráfica das curvas de demanda perfeitamente elástica e inelástica, lembre-se que a primeira forma um E de Elástica e a segunda, um I de Inelástica.
  61. 61. ECONOMIA 61 GRÁFICO 27: CURVA DE DEMANDA PERFEITAMENTE INELÁSTICA q* qx 5.1.2 A elasticidade-renda da demanda O coeficiente de elasticidade-renda da demanda (ER) mede a sensibilidade da demanda do bem x em relação a variações na renda do consumidor (Y). Em termos numéricos, ER é dado pela variação percentual na quantidade demandada de x dividida pela variação percentual na renda. ER = Δ%Y Δ%qx Ou ainda, px D 0
  62. 62. ECONOMIA 62 ER = ΔY Δq . q Y Os valores de ER têm duas implicações: uma diz respeito à classificação do bem x em relação à renda e a outra diz respeito à sensibilidade da demanda propriamente dita. Quanto à classificação do bem x em relação à renda, temos que: • se ER > 0 ⇒ o bem é normal • se ER < 0 ⇒ o bem é inferior Quanto à sensibilidade da demanda de x em relação a variações percentuais na renda R, temos que: • ⏐ER⏐ > 1 ⇒ a demanda é elástica • ⏐ER⏐ < 1 ⇒ a demanda é inelástica • ⏐ER⏐ = 1 ⇒ a demanda apresenta elasticidade unitária Para ficar mais claro, suponha uma situação em que a renda dos consumidores passa de 100 para 130, isto é, suponha um Δ%R de 30%: BENS R = 100 qx R’ = 130 qx’ ER a 20 30 1,67 b 50 60 0,67 c 60 78 1 d 40 36 -0,33 Pelo que foi visto o bem a é um bem normal com demanda elástica em relação à renda. Produtos desse tipo são também chamados bens superiores e geralmente servem para ostentar algum status, como fazem as joias. O bem b é um bem normal, porém com demanda inelástica em
  63. 63. ECONOMIA 63 relação à renda. Isto significa quando os consumidores ficam mais ricos, a demanda por esse tipo de bem aumenta, mas não tanto. É o caso da demanda por alimentos: uma pessoa que fica triplamente mais rica não ingere o triplo de comida. O bem c é um bem normal, com elasticidade unitária em relação à renda; e o bem d é um bem inferior, cuja demanda diminui à medida que seus consumidores enriquecem, como no caso da carne de segunda. 5.1.3 A elasticidade-cruzada da demanda O coeficiente de elasticidade-cruzada da demanda (Exz) mede a sensibilidade da demanda do bem x em relação a variações nos preços dos outros bens (pz). Em termos numéricos, Exz é dado pela variação percentual na quantidade demanda de x dividida pela variação percentual no preço de z. Exz = Δ%pz Δ%qx Ou ainda, Exz = zΔp Δq . q pz Tal como os valores de ER, os valores de Exz também têm dois significados. Neste caso, um diz respeito à relação existente entre x e z e o outro diz respeito à sensibilidade da demanda propriamente dita. Quanto à relação entre x e z , temos que:
  64. 64. ECONOMIA 64 • se Exz > 0 ⇒ x e z são bens substitutos • se Exz < 0 ⇒ x e z são bens complementares • se Exz = 0 ⇒ x e z são bens de consumo independente Finalmente, quanto à sensibilidade da demanda de x em relação a variações percentuais nos preços de z, temos que: • se Exz > 1 ⇒ a demanda é elástica • se Exz < 1 ⇒ a demanda é inelástica • se Exz = 1 ⇒ a demanda apresenta elasticidade unitária 5.2 Elasticidade-preço da oferta Uma curva típica de oferta mostra que uma alteração para mais (para menos) no preço provoca uma alteração também para mais (para menos) na quantidade ofertada. Todavia, os diferentes graus de sensibilidade dos produtores frente a variações no preço só podem ser mensurados calculando-se o coeficiente de elasticidade-preço da oferta (Epo). A Epo é dada pela razão entre a variação percentual na quantidade ofertada de x e a variação percentual no preço de x, assim: Epo = Δ%qx/Δ%px ou Epo = Δp Δq . q p E pode assumir os seguintes valores: • Epo > 1 ⇒ oferta elástica • Epo < 1 ⇒ oferta inelástica
  65. 65. ECONOMIA 65 Epo = 0 • Epo = 1 ⇒ oferta com elasticidade unitária Graficamente, a elasticidade-preço da oferta pode ser assim representada: GRÁFICO 28: ELASTICIDADE PREÇO DA OFERTA qx LEGENDA: Epo > 1 ⇒ oferta elástica (intercepto positivo) Epo < 1 ⇒ oferta inelástica (intercepto negativo) Epo = 1 ⇒ oferta com elasticidade unitária (intercepto na origem) Observe que, diferente da demanda, em que os valores da elasticidade-preço vão do zero ao infinito ao longo da mesma curva, no caso da oferta, a Epo será só elástica (> 1), só unitária (= 1) ou só inelástica (< 1), conforme a curva de oferta cruzar, respectivamente, o eixo dos preços, a origem dos eixos e o eixo das quantidades. Isto pode ser visto a partir de uma simples demonstração geométrica. Sabendo que a fórmula da Epo é dada por: px Epo = 1 Epo > 1 Epo < 1 Epo = ∞
  66. 66. ECONOMIA 66 B 0 C A pΔp Epo = Δp Δq . q p e, sabendo que, geometricamente: • Δq corresponde à distância horizontal que vai do intercepto da curva de oferta ao ponto analisado; • Δp corresponde à distância vertical que vai do intercepto da curva de oferta ao ponto analisado; • q corresponde à distância horizontal da origem ao ponto analisado; e • p corresponde à distância vertical da origem ao ponto analisado, temos: GRÁFICO 29: DEMONSTRAÇÃO GEOMÉTRICA DA Epo > 1 px qx q Δq Sx
  67. 67. ECONOMIA 67 Partindo da fórmula da Epo e substituindo pelos segmentos expressos no Gráfico 29, vem: Epo = Δp Δq . q p Epo = AC BC . OC AC Epo = 0C BC Como BC > OC, os valores da Epo serão, sempre que a curva de oferta cortar o eixo dos preços, maiores do que um. Diz-se, neste caso, que a oferta é elástica em relação ao preço. Vejamos agora o caso em que a curva de oferta corta o eixo das quantidades, como no Gráfico 30.
  68. 68. ECONOMIA 68 B A pΔp q GRÁFICO 30: DEMONSTRAÇÃO GEOMÉTRICA DA Epo < 1 Partindo da fórmula da Epo e substituindo pelos segmentos expressos no Gráfico 30, obtemos: Epo = Δp Δq . q p Epo = AC BC . OC AC Epo = 0C BC px 0 C qx Δq Sx
  69. 69. ECONOMIA 69 C A pΔp q Mas, neste caso, BC < OC, logo, os valores da Epo serão, sempre que a curva de oferta cortar o eixo das quantidades, menores do que um. Diz-se, aqui, que a oferta é inelástica em relação ao preço. Por fim, observe o Gráfico 31. GRÁFICO 31: DEMONSTRAÇÃO GEOMÉTRICA DA Epo = 1 Neste último caso, Δq e q têm o mesmo tamanho, e a fórmula da Epo fica assim: Epo = Δp Δq . q p px 0 qx Δq Sx
  70. 70. ECONOMIA 70 Epo = AC OC . OC AC Epo = 1 Sempre que a curva de oferta passar pela origem, a Epo será igual a um. Dizemos, então, que a oferta tem elasticidade unitária em relação ao preço. Os principais fatores que afetam a sensibilidade da oferta de um bem x em relação a variações no seu preço são: • a disponibilidade dos fatores de produção; • a perecibilidade do produto; e • o tempo exigido no processo produtivo (ou defasagem de resposta). A influência desses fatores sobre a Epo ocorre da seguinte maneira: quanto menor a disponibilidade de recursos produtivos, e quanto maior o tempo exigido na produção, mais inelástica será a oferta do bem em questão. Além disso, quanto mais perecível for o produto, mais inelástica será sua oferta, quer dizer, se o produto começa a estragar, não dá para ficar negociando um bom preço; tem que vender logo. 6 AS ESTRUTURAS DE MERCADO Entende-se por “mercado” o conjunto de compradores e vendedores que interagem entre si; e por “estruturas de mercado” as características de
  71. 71. ECONOMIA 71 cada mercado em função do número de compradores e vendedores, da diferenciação ou padronização dos produtos transacionados etc. A Tabela 3 mostra como os economistas têm classificado tais estruturas. TABELA 3: ESTRUTURAS DE MERCADO NÚMERO/ TAMANHO VENDEDORES NÚMERO/ TAMANHO COMPRADORES TIPO DO PRODUTO CONTROLE SOBRE PREÇO BARREIRA À ENTRADA FLUXO DE INFORMAÇÃO CONCORÊNCIA PERFEITA Muitos pequenos Muitos pequenos homogêneo nenhum nenhuma transparênci a MONOPÓLIO Um grande Muitos pequenos único Total do vendedor todas opacidade MONOPSÔNIO Muitos pequenos Um grande único Total do comprador todas opacidade OLIGOPÓLIO Poucos grandes Muitos pequenos semelhante Muito do vendedor muitas visibilidade limitada OLIGOPSÔNIO Muitos pequenos Poucos grandes semelhante Muito do comprador muitas visibilidade limitada CONC. MONOPOLÍSTIC A Muitos pequenos Muitos pequenos diferenciad o variável variável boa visibilidade A concorrência perfeita é uma situação de mercado em que existem tantos vendedores e compradores, que cada um deles equivale a apenas um átomo diante do todo. Daí o nome de “mercado atomizado”. Além disso, os produtos de todas as empresas são homogêneos (padronizados); há livre entrada e saída de empresas e, dada a transparência do mercado, há pleno conhecimento, tanto pelos compradores quanto pelos vendedores, de tudo o que se refere às fontes supridoras, ao processo de produção aos níveis de oferta etc. O número de compradores e vendedores na concorrência perfeita é tão grande que nenhum deles, agindo individualmente, consegue afetar o
  72. 72. ECONOMIA 72 preço de mercado. De fato, existindo um grande número de outros vendedores e o produto sendo homogêneo, nenhum vendedor conseguirá vender o seu produto por um preço maior do que o preço de mercado, porque, o comprador simplesmente fará a aquisição numa outra empresa concorrente. Analogamente, existindo um grande número de consumidores, nenhum comprador conseguirá comprar o produto por um preço inferior ao de mercado, porque o vendedor tem a consciência que, se não vender para ele, venderá para outro. Embora a concorrência perfeita seja uma construção teórica, servindo apenas como parâmetro para saber o quão imperfeitas são as demais estruturas de mercado, podemos encontrar algumas semelhanças com o mundo real, como no caso dos mercados de produtos agrícolas. O monopólio encontra-se no extremo oposto da concorrência perfeita e tem como principal característica a existência de uma única firma vendendo um produto que não tenha substitutos próximos. Neste caso, o único vendedor tem poder absoluto para fixar o preço que lhe for mais conveniente. Suas decisões são, em geral, sigilosas e garantidas pela falta de transparência desse tipo de mercado. Costuma-se dizer, inclusive, que as firmas monopolistas guardam suas informações em “caixas pretas”, numa analogia às caixas pretas dos aviões, cujos mecanismos internos não são acessíveis à observação. Como exemplo de firma monopolista, temos o caso da Petrobras, que até 1995, tinha, por lei, o monopólio da extração e refino do petróleo no Brasil. O monopsônio é uma estrutura de mercado análoga ao monopólio em que existe apenas um comprador. Suponhamos, por exemplo, uma região em que há um número expressivo de pequenos produtores de leite e apenas uma grande usina onde este leite possa ser pasteurizado. A usina
  73. 73. ECONOMIA 73 será a única opção de venda para os produtores, de modo que ela terá condições de impor os preços de compra que lhe convêm. O oligopólio é a situação de mercado em que existe um pequeno número de vendedores ou em que, apesar de existir um grande número de vendedores, uma pequena parcela destes domina a maior parte do mercado. São exemplos de oligopólios, a indústria automobilística e a indústria de bebidas, entre várias outras. Embora não haja barreiras explícitas, o poderio das grandes firmas é um fator desestimulante à entrada de novas empresas no mercado. Quanto ao controle sobre os preços, os oligopolistas, por serem poucos, podem se unir para evitar a concorrência entre eles e para impor um preço ao mercado. Quanto ao fluxo de informações sobre as fontes supridoras, sobre o processo produtivo, sobre os níveis de oferta etc., os oligopolistas até que gozam de alguma visibilidade, mas cerceada pela rivalidade existente dentro do próprio grupo. O acordo que geralmente as empresas oligopolistas fazem visando aumentar seus lucros é conhecido como conluio, e o grupo dessas empresas que age em comum acordo é chamado de cartel. O oligopsônio é uma estrutura análoga ao oligopólio, sendo que o domínio do mercado está nas mãos de um pequeno número de compradores. A indústria automobilística, por exemplo, que é constituída por um pequeno número de empresas, tem um poder oligopsonista em relação à indústria de autopeças, uma vez que é responsável por um grande volume de compras da produção desta última. A concorrência monopolística, por fim, é uma estrutura que mescla o grande número de vendedores – típico da concorrência perfeita – com a diferenciação do produto – típica do monopólio. Assim, embora existam vários produtores, cada um age como se fosse monopolista do seu produto, já que este é diferenciado dos demais. A diferenciação do
  74. 74. ECONOMIA 74 produto se dá por meio de características como qualidade, marca (grife), padrão de acabamento, existência ou não de assistência técnica etc. Neste caso, embora o poder do vendedor em fixar preços seja menor do que no monopólio e no oligopólio em função do grande número de concorrentes, o fato de o seu produto ser diferenciado dos demais lhe confere certa autonomia para determinar o preço. Outra forma de classificar os mercados é através da classificação de Stackelberg, que selecionou um único elemento de diferenciação entre eles: o número de agentes envolvidos. Desse jeito, além da concorrência perfeita, do monopólio, monopsônio, oligopólio e oligopsônio, aparecem as definições intermediárias de oligopólio bilateral, monopólio bilateral, quase monopólio e quase monopsônio, numa tentativa de maior aproximação com a realidade. A classificação de Stackelberg pode ser vista na Tabela 4. TABELA 4: CLASSIFICAÇÃO DE STACKELBERG PARA AS ESTRUTURAS DE MERCADO Muitos vendedores Poucos vendedores Um único vendedor Muitos compradores CONCORRÊNCIA PERFEITA OLIGOPÓLIO MONOPÓLIO Poucos compradores OLIGOPSÔNIO OLIGOPÓLIO BILATERAL QUASE MONOPÓLIO Um único comprador MONOPSÕNIO QUASE MONOPSÔNIO MONOPÓLIO BILATERAL
  75. 75. ECONOMIA 75 PARTE II: O LADO REAL DA ECONOMIA MACROECONOMIA
  76. 76. ECONOMIA 76 PARTE II O LADO REAL DA ECONOMIA 1 ECONOMIA COM DOIS AGENTES 1.1 O conceito de fluxo econômico O fluxo econômico retrata como a economia como um todo se movimenta, ou seja, mostra como cada agente econômico interage com os seus pares (empresas, famílias, governo, setor externo) e com os mercados (de bens e de fatores) O fluxo econômico segue a lógica tautológica, que é aquela que impossibilita precisar o começo e o fim de uma ação. Por exemplo: o céu é azul porque reflete o azul do mar ou o mar é azul porque reflete o azul do céu? A galinha veio do ovo ou o ovo que veio da galinha? Dada essa complexa linha de raciocínio, em que não conseguimos especificar qual é o agente desencadeador da dinâmica econômica, estudaremos, para facilitar a compreensão, uma economia só com dois agente, de pois com três e só quando o raciocínio estiver bem claro e sedimentado, passaremos ao estudo de uma economia com quatro agentes. 1.2 O fluxo econômico em uma economia com dois agentes Fazem parte de uma economia com dois tipos de agentes, as empresas (ou unidades produtoras) e as famílias (ou unidades consumidoras). Esse tipo de economia que não envolve nem governo, nem setor externo é usualmente chamado de “economia fechada e sem governo” ou de “economia simples”. Uma economia com dois agentes é
  77. 77. ECONOMIA 77 composta, ainda, por dois mercados: o mercado de bens e o mercado de fatores de produção. A Figura 1 mostra como a oferta e a procura das famílias ajustam-se à oferta e à procura das empresas por intermédio dos mercados de bens e de fatores. FIGURA 1: FLUXO CIRCULAR DE UMA ECONOMIA COM DOIS AGENTES OFERTA DE BENS PGTO. PELOS BENS empresas famílias PGTO. PELOS FP OFERTA DE FP fluxo monetário fluxo real O valor de toda a produção (bens e serviços) gerada pelas empresas ao utilizarem os fatores produtivos oferecidos pelas famílias (terra, trabalho e capital), corresponde ao Produto da economia. Somando-se todas as rendas auferidas pelos indivíduos por terem oferecido seus recursos produtivos às empresas (seja na forma de aluguéis, salários, lucros ou juros), obtém-se a Renda dessa sociedade. MERCADO DE BENS MERCADO DE FATORES
  78. 78. ECONOMIA 78 Por fim, supondo que a renda dos indivíduos é toda destinada ao consumo, pode-se dizer que esse consumo retrata o total da Despesa efetuada pelos indivíduos na aquisição dos bens e serviços produzidos pelas empresas. Do fluxo econômico depreende-se, portanto, que Produto = Renda = Despesa, cujos valores serão representados, a partir de agora, por Y. 1.3 As identidades contábeis em uma economia com dois agentes Para descrever as identidades contábeis é preciso, primeiro, especificar quais são os agentes envolvidos e quais são as suas respectivas demandas. Uma economia com dois agentes inclui as famílias e as empresas. Suas demandas são, respectivamente, o consumo (C) e o investimento (I). O consumo corresponde ao valor dos bens de consumo adquiridos pelas famílias. O investimento corresponde à aquisição, feita pelas empresas, de bens de capital novos mais a variação de estoques, ou seja, mais os bens não vendidos que ficaram estocados e que representam um acréscimo ao estoque inicial da empresa. Sabendo disso, vejamos quais são as relações que se formam entre produto, renda, consumo e investimento. Identidade-1: Todo produto produzido será vendido. Y = C + I (1) Os bens vendidos para as famílias serão registrados como consumo (C); os bens vendidos para as empresas serão registrados como
  79. 79. ECONOMIA 79 investimentos (I); e aqueles bens que não forem comprados nem pelas famílias, nem pelas empresas, serão reincorporados ao patrimônio destas últimas na forma de variação de estoques. Identidade-2: Parte da renda disponível será consumida e a parte restante será poupada. Yd = C + S (2) Já vimos que a renda corresponde ao somatório das remunerações recebidas pelos proprietários dos fatores produtivos como retribuição pelo uso de seus serviços nas atividades produtivas. A renda, portanto, é auferida pelas famílias, que irão gastá-la de forma a satisfazer suas necessidades. Sendo assim, parte da renda será gasta com consumo imediato (C) e o que sobrar, será destinado à poupança (S). Cabe ressaltar, ainda, dois importantes detalhes: um deles é que as famílias destinam ao consumo e à poupança não a renda total (Y), mas a renda disponível (Yd), quer dizer, a renda da economia (Y) deduzidos os tributos (T). O outro detalhe é que embora nós tenhamos vários exemplos reais de pessoas que não têm dinheiro suficiente para poupar, é certo que na economia como um todo sempre existe alguém com dinheiro suficiente para fazê-lo. Até agora temos que: Yd = C + S (2) e Yd = Y – T (3) Todavia, numa economia com dois agentes não há participação do governo e, portanto, não há arrecadação de tributos. Logo, T = 0 e
  80. 80. ECONOMIA 80 Yd = Y (4) Substituindo a equação (4) na equação (2), temos: Y = C + S (5) Identidade-3: O produto de uma economia é igual à renda dessa economia. Quando definimos o fluxo circular da economia, vimos que Produto = Renda = Despesa. Logo, equação (1) = equação (5), ou seja: C + I = Y = C + S (6) Isso significa que o produto de uma economia com dois agentes destina-se ao consumo e ao investimento e que a renda dessa economia destina-se, em parte, ao consumo e, em parte, à poupança. Identidade-4: O investimento é igual à poupança. Da equação (6), ao deduzirmos o consumo de ambos os lados, encontramos que o investimento é igual à poupança. I = S (7) Isso significa que tudo aquilo que foi poupado será revertido para a economia na forma de investimento.
  81. 81. ECONOMIA 81 1.4 Comportamento das variáveis de uma economia com dois agentes Vistas as identidades contábeis em uma economia com dois agentes, passemos, agora, para o comportamento (a relação funcional) de cada uma de suas variáveis. 1.4.1 A função consumo O consumo das famílias é uma função crescente para os diferentes níveis de renda disponível. Logo, quanto maior a renda disponível (Yd), maior será o consumo (C). C = f (Yd) (1) Note, porém, que à medida que a renda disponível aumenta, o consumo também aumenta, mas não na mesma proporção. Isto porque, à medida que a renda disponível aumenta, as famílias passam a reservar uma parte dessa renda na forma de poupança. É certo que você conhece ou já ouviu falar de famílias que gastam toda a sua renda com consumo imediato; mas é certo também que você conhece ou deve ter ouvido falar de pessoas que já consomem tudo o que gostariam de consumir, de forma que um aumento em sua renda seria todo destinado à poupança. É por isso que, no todo, à medida que a renda disponível aumenta, uma proporção cada vez menor desta renda será destinada ao consumo e uma proporção cada vez maior será destinada à poupança. Dito assim, supõe-se que o consumo seja uma função linear da renda disponível, ou: C = C0+ c.Yd (2)
  82. 82. ECONOMIA 82 Onde: C0 é o consumo autônomo, independente da renda disponível; e c é a propensão marginal a consumir. O consumo autônomo (C0) representa a parcela do consumo que não depende da renda disponível no momento, mas de outros fatores como a riqueza (renda passada) ou o crédito (renda futura). Então, quando, por absurdo, ou teoricamente, a sociedade nada produzir em um ano, a renda disponível será igual a zero, e o consumo será do tamanho da renda passada, ou seja, do tamanho do estoque de bens não consumidos em períodos anteriores. Quando Yd = 0 ⇒ C = C0 A Propensão Marginal a Consumir (c ou PMgC), por sua vez, corresponde ao acréscimo no consumo proveniente do acréscimo de uma unidade monetária na renda disponível. A PMgC indica, portanto, o quanto de cada $1,00 de renda adicional as famílias despendem em gastos com o consumo. Necessariamente c é constante e menor do que um, mostrando que, embora renda disponível e consumo caminhem no mesmo sentido, a variação no consumo é menos do que proporcional à variação na renda disponível. PMgC = c = Yd C Δ Δ (3) A Propensão Média a Consumir (PMeC), ainda que não apareça diretamente na função consumo, mostra o quanto os gastos com consumo representam percentualmente na renda disponível da sociedade. Algebricamente, a PMeC é igual à relação entre consumo e renda disponível, quer dizer:
  83. 83. ECONOMIA 83 PMeC = Yd C (4) Como na fórmula do consumo está incluída a PMgC, que é constante e menor do que um, à medida que a renda disponível se eleva, o consumo passa a representar uma porcentagem cada vez menor dessa renda. Por isso que a PMeC diminui à medida que a renda disponível aumenta. O Gráfico 1 vem representar o que foi dito até agora. No desenho, o consumo autônomo (C0), equivalente ao gasto com consumo quando a renda disponível é igual a zero, corresponde ao coeficiente linear ou intercepto da função; e a Propensão Marginal a Consumir (ou c), corresponde ao coeficiente angular ou declividade da reta. GRÁFICO 1: A FUNÇÃO CONSUMO C C C0 0 Y ΔC ΔYd
  84. 84. ECONOMIA 84 O exemplo a seguir, representado na Tabela 1, facilita a compreensão da função consumo e das Propensões Média e Marginal a Consumir. Suponha que, para determinada sociedade, fosse estimada a seguinte função consumo: C = 20 + 0,8 Yd Da fórmula extraímos que o consumo autônomo é igual a 20, ou seja, quando a renda disponível para consumo imediato é igual a zero, o gasto com consumo – financiado pela renda passada e/ou pela renda futura – é igual a $20. Temos também que a Propensão Marginal a Consumir é igual a 0,8 para qualquer nível de renda, isto é, de cada $1,00 a mais na renda disponível, $0,80 serão destinados ao consumo, e os $0,20 restantes, à poupança. TABELA 1: FUNÇÃO CONSUMO – UM EXEMPLO NÚMERICO (1) Yd (2) C (3) C/Yd x 100 PMeC em % (4) ΔC/ΔYd x 100 PMgC em % 75 20 + (0,8 x 75) = 80 106,7% - 100 20 + (0,8 x 100) = 100 100% 20/25 x 100 = 80% 125 20 + (0,8 x 125) = 120 96% 20/25 x 100 = 80% 160 20 + (0,8 x 160) = 148 92,5% 28/35 x 100 = 80% 200 20 + (0,8 x 200) = 180 90% 32/40 x 100 = 80% 285 20 + (0,8 x 285) = 248 87% 68/85 x 100 = 80%
  85. 85. ECONOMIA 85 500 20 + (0,8 x 500) = 420 84% 172/215 x 100 = 80% Para os níveis de renda disponível expressos na coluna (1), observa- se, pela coluna (2), que o consumo aumenta, mas menos do que proporcionalmente ao aumento da renda. Por isso que na coluna (3) a Propensão Média a Consumir, ou o peso do consumo na renda, é decrescente. Já a Propensão Marginal a Consumir, expressa na coluna (4), é sempre a mesma, mostrando que a inclinação da função consumo não se altera à medida que a renda varia. 1.4.2 A função poupança A poupança é a parcela da renda disponível não consumida. Pelas identidades contábeis, Yd = C + S então, S = Yd – C Como C = C0+ c.Yd, segue-se que: S = Yd – (C0+ cYd) = Yd – C0 – cYd ou S = C0 + (1 – c).Yd (5) onde: - C0 é a poupança autônoma; e (1 – c) é a Propensão Marginal a Poupar.
  86. 86. ECONOMIA 86 A poupança autônoma (- C0) é chamada despoupança da economia, ou, em outras palavras, é o valor da poupança quando a renda disponível é igual a zero. Quando Yd = 0 ⇒ S = - C0 A Propensão Marginal a Poupar (PMgS ou 1 - c) corresponde ao acréscimo na poupança proveniente do acréscimo de uma unidade monetária na renda disponível. A PMgS indica ainda o quanto de cada $1,00 de renda adicional as famílias não despendem em gastos com consumo, e sim em poupança. PMgS = (1 – c) = Yd S Δ Δ (6) Pelo exemplo da Tabela 1 vimos que de cada $1,00 a mais na renda disponível, $0,80 serão destinados ao consumo, e os $0,20 restantes, à poupança. Em termos gerais, podemos dizer que: PMgS = 1 – PMgC Ou, pelo exemplo: 0,2 = 1 – 0,8 Como a PMgS é igual a (1 – c) e como c é constante e menor do que um, então também a PMgS será constante e menor do que um, mostrando que, embora renda disponível e poupança caminhem no mesmo sentido, a variação na poupança é menos do que proporcional à variação na renda disponível. Muito embora a variação na poupança seja proporcionalmente menor do que a variação na renda, à medida que esta aumenta, a poupança assume uma importância cada vez maior na sua distribuição. Isto se deve
  87. 87. ECONOMIA 87 à Propensão Média a Poupar (PMeS) que, ao contrário da Propensão Média a Consumir, aumenta com os aumentos na renda disponível. PMeS = Yd S (7) Para melhor visualizar os conceitos relacionados à função poupança, vejamos a Tabela 2, que é uma extensão da Tabela 1. TABELA 2: A FUNÇÃO POUPANÇA – UM EXEMPLO NUMÉRICO (1) Yd (2) S (3) S/Yd x 100 PMeS em % (4) ΔS/ΔYd x 100 PMgS em % 75 - 20 + (0,2 x 75) = -5 -6,7% - 100 - 20 + (0,2 x 100) = 0 0% 5/25 x 100 = 20% 125 - 20 + (0,2 x 125) = 5 4% 5/25 x 100 = 20% 160 - 20 + (0,2 x 160) = 12 7,5% 12/35 x 100 = 20% 200 - 20 + (0,2 x 200) = 20 10% 8/40 x 100 = 20% 285 - 20 + (0,2 x 285) = 37 13% 17/85 x 100 = 20% 500 - 20 + (0,8 x 500) = 80 16% 43/215 x 100 = 20% No Gráfico 2, encontramos tanto a função consumo quanto a função poupança. Sobre esta última, cabe ressaltar que a poupança autônoma (-
  88. 88. ECONOMIA 88 Y* C = C0 + c Yd C0 - C0 C0) corresponde ao coeficiente linear ou intercepto da função; e que a Propensão Marginal a Poupar (ou 1 - c), corresponde ao coeficiente angular ou declividade da reta. GRÁFICO 2: A FUNÇÃO CONSUMO E A FUNÇÃO POUPANÇA C 0 Y LEGENDA: Y*: nível de renda de equilíbrio das famílias Deste gráfico ainda podemos destacar os seguintes pontos: • A reta pontilhada tem uma inclinação de 45 graus sendo, portanto, equidistante dos eixos C e Y. Isto significa que em cada ponto desta reta, os valores de C serão iguais aos de Y. Sabendo de 45º S = S0 + (1 – c) Yd
  89. 89. ECONOMIA 89 antemão que Y = C + S, ao longo da reta de 45º (onde Y = C), S será igual a zero para qualquer nível de renda; • A distância que vai da origem ao intercepto da função consumo e a que vai da origem ao intercepto da função poupança são iguais, e seu tamanho é igual ao módulo do consumo autônomo; • A declividade da função consumo e da função poupança dependerá, respectivamente da PMgC e da PMgS. As retas do consumo e da poupança só serão paralelas quando c for igual a 0,5; • No nível de renda Y*, a função consumo coincide com a reta de 45º. Logo, em Y*, as famílias estão em equilíbrio: Y = C e S = 0 (a função poupança corta o eixo da renda); • A distância entre a reta de 45º e a função consumo é igual à distância entre a função poupança e o eixo horizontal, e seu tamanho corresponde ao valor da poupança para aquele nível de renda. O nível de renda de equilíbrio das famílias (Y*) pode ser obtido da seguinte forma: Condição de equilíbrio ⇒ Y = C C = C0 + cYd Então, Y = C0 + cYd Com dois agentes, Y = Yd Logo, Y = C0 + cY Y - cY = C0
  90. 90. ECONOMIA 90 (1-c)Y = C0 Y* = c1 1 − C0 Pelo exemplo, C = 20 + 0,8Yd Em equilíbrio e sabendo que Y = Yd, temos: Y = C Y = 20 + 0,8Y Y – 0,8Y = 20 Y = 1/0,2 x 20 Y* = 100 1.4.3 A função investimento O investimento das empresas será suposto total ou parcialmente autônomo em relação à renda. Se totalmente autônomo, assumirá a fórmula: I = I0 Se parcialmente autônomo: I = I0 + bY Onde: I0 é o investimento autônomo, isto é, o investimento que não depende nem da renda presente (Y), mas de outros fatores como a riqueza ou o crédito; e b é a Propensão Marginal a Investir, isto é, o quanto de um aumento de $1,00 na renda da economia será gasto com despesas de investimento.
  91. 91. ECONOMIA 91 Na primeira hipótese, assume-se que os empresários tomam suas decisões de investir sem levar em consideração o nível de renda presente. Na segunda – mais realista –, o nível de investimento depende de forma direta do nível de renda da economia, ou seja, quando mais alto este, mais alto aquele. Ainda quanto à função investimento, duas observações devem ser consideradas: 1º) embora a taxa de juros seja imediatamente lembrada quando nos referimos ao investimento, essa variável só entrará em nossa análise quando discutirmos o lado monetário da Economia; e 2º) o investimento, quando parcialmente autônomo, depende da renda total da economia e não da renda disponível. Afinal, a renda disponível é uma variável que diz respeito apenas às famílias. Assumindo-se, para simplificar, que o investimento é totalmente autônomo em relação à renda, o gráfico da função fica assim:
  92. 92. ECONOMIA 92 I0 I = I0 0 GRÁFICO 3: O INVESTIMENTO AUTÔNOMO I Y 1.4.4 A demanda agregada com dois agentes Com dois agentes, a demanda agregada (DA) será igual à soma da demanda das famílias (C) e a das empresas (I), ou seja: DA = C + I Sabendo que a função consumo é positivamente inclinada e supondo uma função investimento integralmente autônoma, a demanda agregada assume a declividade vinda do consumo induzido pela renda (inclinação c), como mostra o desenvolvimento da fórmula a seguir. DA = C + I DA = C0 + cYd + I0 DA = C0+ I0 + cYd DA = DA0 + cYd
  93. 93. ECONOMIA 93 onde DA0 é a demanda agregada autônoma composta pelas parcelas autônomas do consumo e do investimento; e c é a inclinação da demanda agregada proveniente da função consumo. Graficamente (ver Gráfico 4), GRÁFICO 4: A DEMANDA AGREGADA COM DOIS AGENTES DA C + I = DA C 0 Y 1.4.5 O equilíbrio com dois agentes Quando vimos, pelas identidades contábeis, que todo produto produzido é vendido, assumimos, automaticamente, que – em equilíbrio – o produto de uma economia (Y) iguala-se à demanda agregada (DA) dessa economia, ou:
  94. 94. ECONOMIA 94 No equilíbrio ⇒ Y = DA Continuando com aquele exemplo em que C = 20 + 0,8 Yd e supondo um investimento integralmente autônomo igual a 15, chegamos aos valores descritos na Tabela 3. TABELA 3: A DEMANDA AGREGADA EM UMA ECONOMIA COM DOIS AGENTES (1) Y (2) C (3) S (4) I (5) DA 75 80 -5 15 95 100 100 0 15 115 125 120 5 15 135 160 148 12 15 163 200 180 20 15 195 285 248 37 15 263 500 420 80 15 435 Lembrando que, por convenção, produto e renda são iguais, a demanda agregada e o nível de renda (ou produto) de equilíbrio podem ser representados tais como no Gráfico 5 a seguir.
  95. 95. ECONOMIA 95 C = C0 + cYd DA = C + I I0 Y = C S = 0 S = I I = I0 GRÁFICO 5: A RENDA DE EQUILÍBRIO COM DOIS AGENTES DA LEGENDA: Y*: nível de renda de equilíbrio das famílias Y0: nível de renda de equilíbrio de toda a economia 45º Y* Y0 S = - C0 + (1 – c)Yd DA0 C0 - C0 0 Y = DA Y
  96. 96. ECONOMIA 96 Algebricamente, o valor de Y0 será dado por: Condição de equilíbrio ⇒ Y = DA DA = C + I Então, Y = C + I Y = C0 + cYd + I0 Com dois agentes, Y = Yd Logo, Y = C0 + cY + I0 Y - cY = C0 + I0 (1-c)Y = C0 + I0 Y0 = c1 1 − (C0 + I0) ou Y0 = c1 1 − DA0 Pelo exemplo, C = 20 + 0,8Yd I = 15 Em equilíbrio e sabendo que Y = Yd, temos: Y = DA Y = 20 + 0,8Y + 15 Y – 0,8Y = 20 + 15 Y = 35/0,2 Y0 = 175
  97. 97. ECONOMIA 97 Do Gráfico 5 ainda podemos destacar os seguintes pontos (além daqueles já mencionados para o Gráfico 2): • Como o investimento, neste exemplo, é integralmente autônomo, ele é representado por uma reta horizontal que mostra que seu valor é o mesmo para os vários níveis de renda. • A reta pontilhada, que tem inclinação de 45 graus, mostra que tanto Y = C quanto Y = DA; • A distância entre a reta de 45º e a função consumo é igual à distância entre a função poupança e o eixo horizontal, e seu tamanho corresponde ao valor da poupança para aquele nível de renda; • A distância vertical que vai da reta do consumo até a reta da demanda agregada é do tamanho do investimento, por isso, é igual à distância vertical que vai do eixo horizontal até a reta do próprio investimento; • No nível de renda Y*, a função consumo coincide com a reta de 45º. Logo, em Y*, Y = C e S = 0 (a função poupança corta o eixo da renda). No nível de renda Y0, a função demanda agregada coincide com a reta de 45º. Logo, em Y0, Y = DA e S = I (as retas da poupança e do investimento se cruzam); • Em Y* temos o equilíbrio das famílias ou ponto de poupanças nulas, e em Y0, temos o equilíbrio da economia ou ponto de interseção entre poupança e investimento; • Y0 é sempre maior do que Y* mostrando que a atividade econômica aumenta quando se agrega mais um agente, no caso, quando as empresas agregam-se às famílias.
  98. 98. ECONOMIA 98 1.4.6 Injeções e vazamentos numa economia com dois agentes Vimos até agora que o equilíbrio de uma economia com dois agentes corresponde àquele ponto em que a oferta agregada (Y) iguala-se à demanda agregada (DA). Existe, contudo, outra forma de se identificar o ponto de equilíbrio da economia: trata-se do estudo das injeções e vazamentos. Chamam-se vazamentos todos os recursos que saem das famílias e que não seguem para as empresas; e injeções, todos os recursos que não provêm das famílias, mas que se destinam às empresas. A economia estará em equilíbrio quando os vazamentos forem iguais às injeções. Vejamos através da Figura 2. FIGURA 2: INJEÇÕES E VAZAMENTOS EM UMA ECONOMIA COM DOIS AGENTES EMPRESAS FAMÍLIAS INVESTIMENTO (I) POUPANÇA (S) MERCADO FINANCEIRO RENDA NACIONAL (Y) CONSUMO (C) VAZAMENTOSINJEÇÕES
  99. 99. ECONOMIA 99 Na Figura 3temos os mesmos agentes, famílias e empresas, e agora, no lugar do mercado de bens e do mercado de fatores, temos os mercado financeiro. A seta da renda nacional mostra que as empresas pagam rendas às famílias pelo uso dos fatores de produção (terra, trabalho e capital), e a seta do consumo mostra que as famílias utilizam parte da renda para gastar com consumo. O restante da renda vai para o mercado financeiro na forma de poupança, caracterizando um vazamento ao fluxo renda/consumo. Os investimentos das empresas, por sua vez, provêm de empréstimos solicitados por essas empresas ao mercado financeiro, caracterizando injeções ao fluxo renda/consumo. Haverá equilíbrio da economia quando os vazamentos forem compensados pelas injeções, ou neste caso, quando o gasto com poupança for igual ao gasto com investimento. Vazamentos = Injeções Poupança (S) = Investimento (I) Pelo exemplo numérico, em que C = 20 + 0,8 Yd e I = 15, temos: C = 20 + 0,8 Yd ⇒ S = -20 + 0,2 Yd Pela condição de equilíbrio ⇒ S = I Então, -20 + 0,2 Yd = 15 Como Y = Yd, -20 + 0,2 Y = 15 0,2Y = 35 Y0 = 175
  100. 100. ECONOMIA 100 Obviamente, os valores de Y0 obtidos pela igualdade entre produto e demanda agregada e pela igualdade entre injeções e vazamentos são idênticos. 2 ECONOMIA COM TRÊS AGENTES 2.1 O fluxo econômico em uma economia com três agentes O fluxo econômico a dois setores pode ser expandido, passando a incluir um terceiro agente: o governo, em todos os seus níveis – federal, estadual e municipal, como mostra a Figura 3. subsídios transferências FIGURA 3: FLUXO CIRCULAR DE UMA ECONOMIA COM TRÊS AGENTES OFERTA DE BENS pagto e oferta e receb. pelos bens demanda de bens PGTO. PELOS BENS empresas bens não incluídos no mercado governo bens não incluídos no mercado famílias tributos indiretos tributos diretos pagto e oferta e receb. pelos FP demanda de FP PGTO. PELOS FP OFERTA DE FP fluxo monetário fluxo real MERCADO DE BENS MERCADO DE FATORES
  101. 101. ECONOMIA 101 No fluxo com três agentes, as transações entre famílias e empresas permanecem praticamente as mesmas. Os novos movimentos ficam por conta da entrada do governo. Vejamos. No mercado de fatores, o governo, no papel de comprador, adquire fatores de produção e os utiliza para produzir bens e serviços não negociados no mercado, tais como a defesa nacional, a saúde pública, a proteção policial etc., tornando-os disponíveis às famílias e às empresas. O governo possui, também, alguns recursos, como por exemplo, terras, que vende ou arrenda no mercado de fatores. Já no mercado de bens, o governo atua do lado da oferta quando vende determinados bens e serviços, como os serviços postais, o transporte urbano, as habitações populares e os serviços públicos em geral; e, do lado da demanda, quando compra bens e serviços que vão ser úteis, direta ou indiretamente, à coletividade, tais como equipamentos bélicos, veículos, material de escritório, serviços de manutenção e limpeza etc. Fora do mercado de bens e do mercado de fatores, registram-se os auxílios financeiros, do governo para as empresas, na forma de subsídios e, do governo para as famílias, na forma de transferências. De um modo geral, os subsídios e as transferências visam ao bem-estar da coletividade. Nesse sentido, justificam-se tanto os subsídios destinados ao barateamento de bens e serviços largamente consumidos pelas camadas mais pobres da população, quanto os subsídios destinados ao barateamento do custo de produção de setores vitais para a economia, como, por exemplo, o subsídio aos fertilizantes para a agricultura e ao óleo diesel para o setor de transportes. Quanto aos pagamentos de transferências realizados pelo governo, destacam-se os relacionados à Previdência Social, sobretudo pensões e aposentadorias.
  102. 102. ECONOMIA 102 As receitas que financiam as despesas governamentais provêm, em sua maior parte, dos tributos cobrados das famílias e das empresas. Os tributos são divididos em impostos, taxas e contribuições. Um exemplo de imposto é o Imposto de Renda (IR), em que o cidadão repassa ao governo uma parcela da sua renda e do seu patrimônio; um exemplo de taxa é a Taxa de Serviços Urbanos (TSU), em que o contribuinte paga pela iluminação pública, pela coleta de lixo etc.; e um exemplo de contribuição é a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), mais conhecida como “Imposto sobre Cheques”, foi criada para financiar a saúde pública e extinta no ano de 2007. Os impostos, especificamente, classificam-se em Impostos Diretos e Impostos Indiretos. Os Impostos Diretos são aqueles que incidem sobre a renda e o patrimônio de pessoas ou entidades. Dentre os mais conhecidos, encontram-se o Imposto sobre a Renda (IR), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto Territorial Rural (ITR).Os Impostos Indiretos são aqueles que incidem sobre a produção, a venda e a circulação de bens e serviços. Dentre eles, destacam-se o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).
  103. 103. ECONOMIA 103 2.2 As identidades contábeis em uma economia com três agentes Uma economia com três agentes ainda é uma economia fechada, embora com participação do governo. Suas identidades contábeis envolvem as famílias, as empresas e o governo, cujas demandas são, o consumo (C), o investimento (I) e os gastos do governo (G), respectivamente. Sabendo que os gastos do governo (G) compreendem as despesas do governo com produtos e serviços adquiridos no mercado de bens, e com recursos produtivos adquiridos no mercado de fatores, vejamos quais são as relações que se formam entre produto, renda, consumo, investimento e esses gastos governamentais. Identidade-1: Todo produto produzido será vendido. Y = C + I + G (1) Os bens vendidos para as famílias serão registrados como consumo; os bens vendidos para as empresas serão registrados como investimentos; e aqueles vendidos para o governo, como gastos governamentais. Como na economia com dois agentes, os bens que não forem comprados nem pelas famílias, nem pelas empresas, e nem pelo governo serão reincorporados ao patrimônio das empresas na forma de variação de estoque. Identidade-2: Parte da renda disponível será consumida e a parte restante será poupada. Yd = C + S (2)

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