A Pretty
Little Liars
Collection

SARA SHEPARD
PRETTY LITTLE SECRETS
(Pequenos Segredos)
SINOPSE:
‚Quatro pequenas mentirosas. Quatro histórias que elas não querem contar. ‘A’
vazará cada sujo e pequeno detalhe ...
Ele vê quando você está dormindo
Ele sabe quando você está acordado
Ele sabe se você foi bonzinho ou malvado
Então seja bo...
PERSEGUIDOR
NO NATAL
Aqui está uma bonita cena de um globo de neve para você:
É dezembro do penúltimo ano escolar de Hanna...
PEQUENOS SEGREDOS
DE HANNA
1

EM CASA PARA OS FERIADOS
Era uma ventosa quarta-feira no início de dezembro em Rosewood, na Pensilvânia,
um subúrbio ca...
dela costumava ficar. Quando Hanna deixou cair a caixa DELICATES no chão, uma
das abas se abriu e uma pequena caixa azul c...
Kate se inclinou para frente e olhou para Hanna com os olhos arregalados. Hanna
tinha a sensação de que ela sabia exatamen...
— Ótimo. Vão embora, então. — O Sr. Marin se levantou da mesa e limpou os
pratos de todos. — Izz? Qual é o lugar que você ...
2

PUKE-A-TAN
Poucos dias depois, Hanna estava sentada no sofá confortável de microfibra da
casa do seu namorado Lucas Bea...
— Posso me esconder em sua casa no futuro próximo? — Hanna implorou. — Eu
não sei se posso suportar voltar para lá.
— Isso...
— Oh. Meu. Deus — disse uma voz da varanda. Os adultos se separaram, e uma
adolescente excessivamente bronzeada, assustado...
Lucas deu de ombros. — É apenas um apelido estúpido.
Hanna fechou os olhos. — Você vai mesmo sair de férias com... ela?
— ...
3

VELHOS HÁBITOS DIFICILMENTE MORREM
Hanna passou por Brooke, atravessou a porta e ligou seu Prius tão rápido quanto
pôde...
Agora Hanna queria tocar fogo na garagem. Ou subir lá e deixar um buquê de
flores em memória de Mona. Suas emoções se desv...
— Nós celebramos os Doze Dias de Natal a cada ano. Nós sempre comemoramos
com uma festa. — Isabel tomou um gole de champan...
— Fico feliz que você tenha gostado deles. — Edith empurrou outro cookie para
ela. — Pegue outro. Você é muito magra.
Edit...
4

VOCÊ NUNCA VAI FAZER COMPRAS
NESSE SHOPPING OUTRA VEZ
Terça-feira depois da escola, Hanna atravessou as portas duplas q...
e passou os dedos pelas jeggings jeans e vestido de chiffon Marc Jacobs de cintura
amarrada. Sua frequência cardíaca dimin...
Lauren estava de volta em segundos com os jeans novos. Hanna os pegou das mãos
dela e fechou a cortina novamente. Como ess...
5

DESCIDO DO MONTE OLIMPO
Na manhã seguinte, Hanna pedalou no aparelho elíptico da Body Tonic, a
academia de luxo que ela...
Hanna olhou para trás para ver se Apollo estava falando com outra pessoa, mas ela
era a única pessoa nessa fila de máquina...
6

THE BIGGEST LOSERS
Naquele dia, depois da escola, Hanna se sentou nos degraus da Body Tonic e
colocou o celular entre o...
Todos eles, de fato, se viraram e olharam para ela, mas não ergueram os braços para
recebê-la com um abraço de grupo. Não ...
Ele estava drogado? Primeiro de tudo, era um campo de treinamento, não um retiro
de ginástica. Segundo, como Vince poderia...
7

Mazel Tov6!
Duas horas mais tarde, Hanna desmoronou dentro do Prius, mal conseguindo se
mover. Vince estava definitivam...
— Oh, nós podemos fazer isso qualquer dia — o Sr. Marin disse. — Eu pensei que
você pudesse estar um pouco chateada, já qu...
Kate já estava enchendo a pia com sabão na hora que Hanna caminhava com todos
os pratos. — Então, você gostou da sua peque...
8

UM ALONGAMENTO SEXY FAZ BEM AO CORPO
Na manhã seguinte antes da escola, Hanna olhou-se no espelho de corpo inteiro da
B...
inclinou sobre ela, suas mãos tocando suas pernas levemente e pressionando. — Como
se sente?
— Muito melhor — Hanna sussur...
refinado, sem xarope de milho rico em frutose, sem aromatizantes artificiais. Eu me
comprometo a não beber álcool ou fumar...
sobrado. As mãos da menina estavam sobre seus quadris cheios. Ela se moveu em seus
Vans xadrez. Seus olhos fortemente deli...
9

NAMORADOS DE MENTIRINHA
SÃO MUITO MAIS DIVERTIDOS
Na tarde de sábado, Hanna caminhou rapidamente para dentro do Momma’s...
Agora, Hanna suspirou. Depois de sua nova família ter feito uma comemoração do
Hanukkah para Hanna algumas noites atrás, t...
lembrou de Spencer sendo voluntária de lá na sétima série, porque isso seria bom para
sua solicitação para a faculdade. Só...
Inspirando e expirando. — Maravilhoso, meninas! — Vince berrou. — Continuem
assim!
Mas então, a visão de Hanna tinha começ...
Ele nem tinha twittado ou — Deus me livre — ligado. A mensagem era em alto e bom
som. Lucas tinha se esquecido dela, troca...
10

ISSO É EMBRULHAR
Na segunda-feira depois da escola, Hanna estacionou em um pequeno
estacionamento na frente de um edif...
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04.5. pretty little secrets [pequenos segredos]

  1. 1. A Pretty Little Liars Collection SARA SHEPARD
  2. 2. PRETTY LITTLE SECRETS (Pequenos Segredos)
  3. 3. SINOPSE: ‚Quatro pequenas mentirosas. Quatro histórias que elas não querem contar. ‘A’ vazará cada sujo e pequeno detalhe em Pretty Little Secrets.‛ Flocos de neve caem sobre gramados bem-cuidados, meias acolchoadas pairam sobre lareiras de mármore, e todos estão em paz, especialmente Hanna, Emily, Aria e Spencer. Agora que o assassino de Alison está na cadeia e A está morta, elas podem finalmente relaxar. Mal sabem elas que há uma nova A na cidade“ Regra número um de ser um perseguidor eficaz: conheça sua presa. Então eu observo essas mentirosas dia e noite, mantendo um olho nos problemas que elas arranjam, na bagunça que fazem, e nos segredos que guardam. Hanna está desesperada por uma sessão muito particular com seu professor de ginástica. Emily é a número um na lista de desobedientes do Papai Noel. Uma velha chama de Aria da Islândia está prestes a pousar em água quente. E Spencer está recorrendo a algumas táticas duvidosas para conseguir o que quer. O que acontece nas férias fica nas férias — certo? Mas adivinhe o quê. Eu vi. E agora eu estou contando.
  4. 4. Ele vê quando você está dormindo Ele sabe quando você está acordado Ele sabe se você foi bonzinho ou malvado Então seja bonzinho, pelo amor de Deus! — SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN
  5. 5. PERSEGUIDOR NO NATAL Aqui está uma bonita cena de um globo de neve para você: É dezembro do penúltimo ano escolar de Hanna, Emily, Aria e Spencer. A neve está caindo, cobrindo gramados perfeitamente cuidados de Rosewood e polvilhando os topos de SUVs de luxo. Luzes de Natal iluminam todas as janelas, e crianças com bochechas de querubim estão ocupadas fazendo suas listas para o Papai Noel. Toda a cidade está em paz, especialmente as Pretty Little Liars. Agora que o assassino de Alison DiLaurentis está na cadeia e A está morta, elas podem finalmente relaxar. Mal sabem elas que eu vou continuar de onde A parou. Eu vou ser a nova A e eu fiz a minha própria lista. Adivinha quem está no topo da coluna perversa? É isso mesmo: Hanna, Emily, Aria e Spencer. E essas mentirosas têm sido tão más! Hanna foi pega furtando e bateu com o carro de seu ex-namorado. Emily desafiou seus pais tantas vezes que eles a enviaram para Iowa. As sessões de beijos de Aria depois da escola com seu professor de inglês o fez ser demitido. E Spencer pode ter sido a mais culpada de todas elas. Roubar o noivo de sua irmã não foi suficiente — Spencer também plagiou seu trabalho de economia e empurrou-a escada abaixo quando Melissa descobriu o que ela tinha feito. Tsk tsk. Essas mentirosas merecem que coloquem brasas em suas meias — ou pior. Felizmente eu estou aqui para garantir que elas recebam o que elas merecem. É apenas uma questão de tempo antes que as Pretty Little Liars sujem suas mãos de novo — especialmente agora que elas pensam que A se foi. Então, quais serão os próximos problemas em que elas se meterão? Bem, eu vou ter que ficar quieta... e assistir. Eu vou assistir e assistir e entender exatamente com que tipo de vadias eu estou lidando. Eu vou descobrir tudo. E uma vez que eu fizer isso, eu vou saber como derrubá-las. Vamos começar com... Hanna. Esta menina está passando por uma grande reviravolta. Sua mãe a abandonou e foi para Cingapura. Seu pai está indo morar com sua noiva robótica e sua filha perfeita, Kate. Pelo menos Hanna tem um namorado fiel, Lucas. Ou não tem? Deixe a perseguição começar! —A W
  6. 6. PEQUENOS SEGREDOS DE HANNA
  7. 7. 1 EM CASA PARA OS FERIADOS Era uma ventosa quarta-feira no início de dezembro em Rosewood, na Pensilvânia, um subúrbio campestre a 30 quilômetros da Filadélfia. Enquanto muitos moradores estavam cortando pinheiros Frasier da fazenda local de árvores de Natal ou enfeitando as laterais de suas casas com coroas de pinha, uma van se moveu em direção à uma casa georgiana com a palavra MARIN escrita na caixa de correio. Três homens saíram, abriram a porta de trás e revelaram dezenas de caixas. Tom Marin, sua noiva, Isabel Randall, e a filha de Isabel, Kate, permaneceram no quintal enquanto os carregadores levavam seus pertences pela porta da frente. Hanna Marin, que vivia na casa desde que tinha cinco anos, observou de dentro do foyer enquanto mordia as unhas. — Tenha cuidado com isso — Isabel gritou para o cara musculoso que estava levantando uma caixa de tamanho médio. — Ela tem minha coleção de bonecas vintage. — E essa caixa é no andar de cima — Kate falou nervosamente para o outro carregador. — Aí estão todas as minhas bolsas. Hanna sorrateiramente deu uma espiada em sua recente-meia-irmã, Kate, que tinha um corpo esbelto, cabelos longos, castanhos e brilhantes, e grandes olhos azuis. Ela estava carregando uma bolsa Chloé que Hanna só tinha visto nas páginas da Vogue. Quando Hanna perguntou onde Kate tinha comprado, Kate respondeu que tinha sido um presente de Natal antecipado, disparando um sorriso agradecido ao pai de Hanna. Eca. — Hanna? — O Sr. Marin empurrou uma pequena caixa escrita com DELICATES para ela. — Você pode levar isso para o quarto da sua mãe, er, o nosso quarto? — Claro — resmungou Hanna, ansiosa para ficar longe de Isabel e Kate — uma delas estava usando um perfume que estava fazendo ela espirrar. Ela subiu as escadas, seu pequeno pinscher, Dot, atrás dos seus calcanhares. Apenas algumas semanas atrás, antes da Ação de Graças, a mãe de Hanna, Ashley, soltou a bomba de que ela ia aceitar um emprego em Singapura — e que Hanna não poderia ir. Hanna teria gostado de começar de novo em outro lugar. Ela havia tido um ano horrível. Ela tinha sido perseguida por uma malvada mandadora de mensagens chamada A. Sua antiga melhor amiga, Alison DiLaurentis, que tinha desaparecido há três anos, havia sido encontrada embaixo de uma laje de concreto por trás da antiga casa dela, em setembro. Descobriu-se que Ian Thomas, o namorado secreto de Ali — que Hanna e suas outras melhores amigas: Spencer Hastings, Aria Montgomery e Emily Fields todas tinham tido uma queda por ele quando ele estava no último ano e elas no sétimo — havia assassinado Ali na noite do celeiro. A polícia prendeu ele algumas semanas atrás. Tudo tinha sido um choque enorme. Porém, ela estava presa aqui, com seu pai se mudando com sua nova família — sua esposa substituta, Isabel, a ex-enfermeira de emergências, que não era tão bonita ou interessante quanto a mãe de Hanna, e sua enteada perfeita, Kate, que tinha tomado o lugar de Hanna no coração do pai dela e que odiava até as tripas de Hanna. Hanna entrou no quarto principal vazio. Cheirava um pouco a naftalina, e havia quatro recortes fundos no tapete onde a cama dinamarquesa moderna e elegante da mãe
  8. 8. dela costumava ficar. Quando Hanna deixou cair a caixa DELICATES no chão, uma das abas se abriu e uma pequena caixa azul com uma etiqueta de presente em branco apareceu. Olhando por cima do ombro para se certificar de que ninguém estava olhando, ela abriu a caixa. Dentro, havia um medalhão redondo de ouro branco coberto de vários diamantes no centro. Hanna arfou. Era o medalhão Cartier que pertenceu a avó dela, a quem todos, até mesmo os não-parentes, chamavam de Bubbe Marin. Bubbe o tinha usado religiosamente quando estava viva, vangloriando-se que nem mesmo o tirava na banheira. Ela morreu quando Hanna ia para a sétima série, logo depois que os pais de Hanna se divorciaram, e nessa época, Hanna mal falava com o pai dela. Ela não sabia o que tinha acontecido com o medalhão ou quem tinha ficado com ele. Mas agora ela sabia. Ela tocou a etiqueta em branco e sentiu uma pontada de irritação. O pai dela, provavelmente, iria dar a Isabel ou a Kate de Natal. — Hanna? — Uma voz flutuou, vindo do primeiro andar. Hanna empurrou a parte de trás da tampa da caixa e saiu para o corredor. Seu pai estava de pé na ponta das escadas. — Pizza! O aroma tentador de queijo mussarela flutuou até as narinas de Hanna. Só a metade de uma fatia, ela decidiu. Claro, seus jeans Citizens não abotoaram tão facilmente essa manhã, mas ela provavelmente os tinha deixado por muito tempo na secadora. Ela desceu as escadas no momento em que Isabel estava carregando uma caixa de pizza para a cozinha. Todos se sentaram na mesa — na mesa de Hanna — e o Sr. Marin passou os pratos e talheres. Era estranho que ele soubesse exatamente qual armário e qual gaveta abrir. Mas Isabel não deveria estar sentada na cadeira da mãe dela, usando os guardanapos de pano da Crate & Barrel da mãe dela. Kate não deveria estar bebendo na taça de estanho que a mãe dela tinha comprado para Hanna em uma viagem a Montreal. Hanna deixou escapar outro espirro, suas narinas coçavam com o perfume enjoativo de alguém. Nenhum deles disse saúde. — Então, quando são mesmo os seus testes de admissão para Rosewood Day, Kate? — o Sr. Marin disse enquanto pegava uma fatia de pizza da caixa aberta. Infelizmente, Kate iria frequentar a mesma escola que Hanna. Kate deu uma mordida delicada na massa. — Daqui a dois dias. Eu tenho estudado mais provas de geometria e palavras do vocabulário. Isabel balançou a mão em desdém. — Isso não é o SAT. Eu tenho certeza que você vai gabaritar os testes. — Eles vão ficar felizes por ter você. — O Sr. Marin olhou para Hanna. — Você sabia que Kate ganhou o prêmio Estudante Renascentista no ano passado? Ela se destacou do grupo dela em todos os assuntos. Você já me disse isso oito milhões de vezes, Hanna queria dizer. Ela deu uma mordida na pizza, para que não tivesse que falar. — E as notas dela foram excelentes na Escola Barnbury — Isabel continuou, falando da antiga escola de Kate em Annapolis. — Barnbury tem uma reputação melhor do que a de Rosewood Day. Pelo menos lá, crianças não perseguem outras crianças e atropelam umas as outras com seus carros. Ela lançou um olhar penetrante para Hanna. Hanna estendeu a mão inconscientemente para pegar uma segunda fatia de pizza e empurrou-a na boca. Que ótimo Isabel estar basicamente culpando ela pelas perseguições de A, a perseguidora que quase tinha arruinado a vida dela nesse outono, e por manchar a reputação excelente de Rosewood Day.
  9. 9. Kate se inclinou para frente e olhou para Hanna com os olhos arregalados. Hanna tinha a sensação de que ela sabia exatamente qual seria a próxima pergunta. — Você deve estar tão devastada por sua melhor amiga ter sido... você sabe — Kate disse em uma voz de falso interesse. — Como você está lidando com as coisas? — Um pequeno sorriso cruzou seus lábios, e era óbvio que sua verdadeira pergunta era: Como você está lidando com o fato de que a sua BFF quis te matar? Hanna olhou desesperadamente para seu pai, esperando que ele fosse colocar um fim nessa linha de questionamento, mas ele também estava olhando para ela, preocupado. — Eu estou lidando bem — ela murmurou rispidamente. Não que isso fosse verdade. Hanna estava tão confusa em relação a Mona Vanderwaal, sua melhor amiga desde a oitava série que na verdade era A, a pessoa que tinha atormentado ela com seus segredos, envergonhado ela publicamente mais vezes do que ela podia contar, e sim, tentado atropelar Hanna com o carro dela. Ainda havia dias em que Hanna acordava, pegava o celular e começava a digitar uma mensagem para Mona sobre qual sapato ela iria para a escola antes de recordar. No funeral de Mona, Hanna tinha realmente chorado, provocando expressões boquiabertas em suas amigas. Hanna sabia que deveria desprezar Mona com todo o coração e uma grande parte dela o fazia. Mas a outra parte não podia simplesmente esquecer todo o tempo que elas passaram juntas fofocando, planejando como se tornariam populares e dando festas fabulosas. Antes de tudo com A acontecer, Mona tinha sido uma amiga melhor para ela do que Ali nunca tinha sido — elas se tratavam como iguais. Mas agora Hanna sabia que era tudo mentira. Hanna olhou para o prato vazio. Só havia dois pequenos pedaços de massa de pizza, ela não se lembrava de ter comido o resto. Seu estômago soltou um barulho pouco atraente. O Sr. Marin limpou a boca. — Bem, nós temos um monte de bagagem para esvaziar. — Ele tocou o braço de Kate. — Vocês deveriam relaxar um pouco. Por que você e Hanna não vão ao shopping novo que abriu. Qual é o nome dele? — Devon Crest — Hanna falou rapidamente. — Ooh, eu ouvi falar que o lugar é muito bom — Isabel murmurou. — Eu já fui lá, na verdade — disse Kate. Isabel parecia surpresa. — Quando? — Uh, ontem. — Kate brincou com seu bracelete de prata Yurman David, que ela se gabava por ter sido um presente de Isabel por ganhar um concurso de redação no ano passado. — Vocês estavam ocupados. — Vocês duas podiam ir juntas, para se conhecerem um pouco melhor. — O Sr. Marin olhou de um lado a outro entre Hanna e Kate. — Ir às compras. Comprar algo legal para vocês. Deixem a desempacotação com a gente. O que vocês acham? Kate deu um longo gole em sua garrafa de água. — Obrigada, Tom. Parece ótimo. Hanna sorrateiramente deu uma olhada em Kate. Surpreendentemente, ela parecia sincera. Era possível que Kate tenha mudado desde que Hanna a tinha visto pela última vez em um jantar na Filadélfia, quando ela denunciou Hanna por roubar Percocet de um consultório? Hanna estava mantendo contato com suas antigas melhores amigas de novo, Emily, Aria e Spencer, mas nenhuma delas eram grandes seguidoras da moda, e ela estava doida para ter uma nova melhor amiga para substituir Mona. Especialmente desde que ela e suas antigas amigas haviam começado a frequentar o grupo de terapia de luto juntas. Ela precisava dar um tempo de toda essa coisa de Ali e A — imediatamente. — Eu acho que tenho algum tempo livre hoje — disse Hanna.
  10. 10. — Ótimo. Vão embora, então. — O Sr. Marin se levantou da mesa e limpou os pratos de todos. — Izz? Qual é o lugar que você quer ajeitar primeiro? — Uch, vamos começar pela cozinha. Eu não vou beber nisso nem por mais um segundo. — Ela franziu o nariz para uma das canecas favoritas de Hanna, uma caneca de faiança que seus pais tinham comprado numa viagem à Toscana. Os dois deixaram a cozinha, conversando sobre qual caixa suas taças de vinho poderiam estar. Hanna se levantou de seu assento. — Então, eu estou pronta para ir se você estiver — disse ela a Kate. — A Nordstrom de lá é boa? É verdade que tem uma Uniqlo? Nesse lugar tem suéteres de cashmere incríveis e bem baratos. Kate soltou um grunhido. — Deus, Hanna — ela disse, sua expressão de repente malvada. — Eu estava apenas dizendo que eu iria para o shopping para tirar seu pai e minha mãe do meu pé. Você realmente acha que eu iria a algum lugar com você? Ela caminhou para fora da cozinha, balançando seu rabo de cavalo castanho. A boca de Hanna formou um O. Kate tinha armado uma armadilha e ela era o animal idiota que tinha entrado direto nas mandíbulas de aço. Kate parou no corredor, pressionou algumas teclas em seu celular e depois segurou-o na orelha. — Oi — ela sussurrou para quem tinha atendido. — Sou eu. — Ela riu animadamente. Como previsto. Kate só tinha estado aqui por dois dias e já tinha um namorado. Hanna torceu o guardanapo com tanta força que ela ficou surpresa por não ter rasgado. Tanto faz — provavelmente seria horrível ela e Kate fazerem compras juntas de qualquer maneira. Em seguida, ela ouviu uma risada fraca vinda de algum lugar próximo. Por instinto, ela olhou pela janela, certa de que veria um flash loiro deslizar entre as árvores. O que seria louco, no entanto. A — Mona — estava morta.
  11. 11. 2 PUKE-A-TAN Poucos dias depois, Hanna estava sentada no sofá confortável de microfibra da casa do seu namorado Lucas Beattie, em frente da luz suave da árvore de Natal exageradamente enfeitada da família. Na TV estava passando um infocomercial de uma nova máquina de exercícios — ‚Deixe o seu corpo sarado para o Ano Novo!‛ — O vendedor excessivamente alto não parava de gritar. No chão, bem na frente deles, havia uma lata de presentes cheia de pipoca de manteiga, queijo e caramelo. — A adoração a Kate foi ainda pior do que o habitual no jantar de ontem. — Hanna gemeu quando empurrou mais um punhado de pipoca de queijo na boca. — Tudo o que o meu pai e Isabel falaram foi do discurso absolutamente maravilhoso que Kate deu na décima série na cerimônia de diplomas do ano passado. E Kate ficou apenas sentada lá e rindo, toda, yeah, eu sei que eu sou demais. — Sinto muito, Han. — Lucas tomou um gole de sua lata de Mountain Dew. — Você realmente não acha que vocês poderiam se tornar amigas? — Absolutamente não. — Hanna decidiu não contar a Lucas que Kate não quis ir ao shopping com ela. Ela não podia acreditar que tinha sido tão ingênua a ponto de cair no truque puxa-saco de Kate. — Eu não quero nada com ela. E eu acho que sou alérgica ao perfume dela, eu espirrei umas 500 vezes desde que ela se mudou. Eu aposto que vou pegar urticária. Ela deitou drasticamente no sofá e olhou fixamente para o calendário da Disney com tema de natal no outro lado da sala. Hanna não tinha crescido com decorações nos feriados. Ela era judia, e depois que o pai dela a deixou, ela e a mãe dela quase não comemoravam o Hanukkah. Mas a mãe de Lucas estava obcecada com os calendários natalinos — eles tinham três diferentes presos no frigorífico, um calendário de pano com bichinhos de pelúcia em cada uma divisória do corrimão da escada e um pequeno e brilhante pendurado no banheiro. Lucas colocou seu braço ao redor dela e começou a acariciar seu cabelo. Hanna fechou os olhos e suspirou, sentindo um pouquinho melhor. Quando Hanna e Mona eram BFFs — e comandavam a escola juntas — Lucas não era exatamente o tipo de cara no topo da lista de Meninos Que Hanna Queria Namorar. Ele não andava com o grupo certo, não jogava um esporte maneiro como futebol ou lacrosse, e ele era mais afim de clubes pós-escola e Eagle Scouting do que festas selvagens. De fato, na sexta série, Ali começou um boato de que Lucas era hermafrodita, fazendo ele ser mandado para o grupo dos perdedores. E recentemente, Mona tinha rido da amizade de Hanna e Lucas, até mesmo disse que isso ia acabar com o coeficiente de popularidade delas. Mas Mona e Ali estavam mortas, e Lucas foi se tornando o melhor namorado do mundo. Quantos caras iriam ouvi-la choramingar por horas sobre como Mona a ferrou ou o quão horrível a nova situação familiar dela era? Quantos caras iriam abrir a porta essa noite, olhar para Hanna, que estava usando jeans folgados e moletom extragrande do Philadelphia Eagles, e dizer que ela parecia sexy?
  12. 12. — Posso me esconder em sua casa no futuro próximo? — Hanna implorou. — Eu não sei se posso suportar voltar para lá. — Isso seria incrível — disse Lucas. — Mas... — Seria incrível — Hanna o interrompeu, sentando-se. — Nós poderíamos fazer coisas depois da escola, ir para o Rive Gauche toda noite, se vestir com elegância e invadir a festa natalina do Country Club de Rosewood... Lucas mordeu o lábio. — Hanna, eu... — Talvez meu pai até mesmo deixe eu passar a noite aqui! — Hanna acrescentou, ficando mais e mais animada. — Eu poderia dizer que a minha alergia ao perfume de Kate é muito, muito séria. Você acha que seus pais deixariam? Eu poderia dormir no quarto de hóspedes... mas talvez você pudesse ir para lá no meio da noite. — Ela piscou. — Hanna. — O cabelo loiro de Lucas caiu em seu rosto quando ele se sentou. — Calma aí. Na verdade, eu vou embora. Amanhã. Hanna piscou. — Embora? — Meu pai acabou de nos contar. É um presente de Natal antecipado, ele vai nos levar em uma viagem de 14 dias para a península de Yucatán. Nós vamos com o melhor amigo do meu pai da faculdade e a família dele. O interior da boca de Hanna de repente tinha gosto de azedo. — Quatorze dias... tipo duas semanas? — Uh-huh. — Lucas deu-lhe um pequeno sorriso. — Eu estou muito empolgado. — Mas ainda estamos estudando — Hanna falou lentamente, pegando mais um punhado de pipoca. Ainda era 07 de dezembro, e Rosewood Day só iria entrar de férias para o Natal e Ano Novo somente no final do mês. — Por que o seu pai não espera até as férias de inverno? Lucas deu de ombros. — Eles fizeram uma negociação incrível com os voos e os quartos de hotel. E meu irmão que está na faculdade também vai. Meu pai já resolveu com a Rosewood Day. Eu vou fazer o conjunto de testes entre o Natal e o Ano Novo. E pelo menos eu estarei de volta para a maior parte das férias. — Lucas gentilmente pegou as mãos dela e apertou-as. — Então, você e eu poderemos passar todo minuto juntos. Hanna puxou as mãos para longe de Lucas, sentindo um nó enorme na garganta. — Mas eu preciso de você agora. Lucas ergueu os braços, impotente. — Sinto muito, mas há anos que eu quero ir à Yucatán. Tem caminhadas incríveis lá. Grandes praias. E meus pais não poderiam alterar as passagens agora. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a campainha tocou ao som de Jingle Bells. Lucas levantou-se e abriu as cortinas da frente. Um Mercedes SUV azul tinha estacionado na entrada da garagem. — São os Rumsons, a família que vai viajar com a gente. Eles vão nos levar para o itinerário. Você vai amá-los. E eu aposto que você tem muito em comum com a Brooke. — Brooke? — Hanna perguntou cautelosamente, permanecendo no sofá. O Sr. Beattie, veio da cozinha e abriu a porta, deixando entrar uma lufada de ar frio. — Wade! Patricia! Quanto tempo! A Sra. Beattie saiu do andar de cima, sorrindo para os convidados. — Estamos tão animados! — Ela gritou para o casal que tinha acabado de entrar no foyer. — E aqui está Lucas! — Ela empurrou Lucas em direção a eles. O marido, Wade, que usava uma jaqueta Burberry e tinha dentes deslumbrantemente brancos, sacudiu a mão de Lucas. A esposa, Patricia, cujos braços pareciam palitos de dente até mesmo sob sua jaqueta de caxemira ajustada, deu um beijo na bochecha de Lucas.
  13. 13. — Oh. Meu. Deus — disse uma voz da varanda. Os adultos se separaram, e uma adolescente excessivamente bronzeada, assustadoramente magra e mascando chiclete com um cabelo preto longo, um batom vermelho parecendo molhado e peitos grandes caminhou até Lucas e bateu suas mãos com unhas compridas nos ombros dele. — Lukey! — Ela gritou em uma voz anasalada. — Você está incrível! Lukey? — Whoa. Brooke. — Lucas deu um sorriso trêmulo. — Você está... diferente. Os Rumsons cutucaram os Beatties. — Vocês dois cresceram um pouco desde a última vez que se viram, não foi? — a Sra. Rumson disse. — Lembram dos problemas que eles costumavam se meter? — A mãe de Lucas disse. — Lembra de todos os clubes secretos que eles formavam? — Eles eram inseparáveis. Eu sempre dizia que os dois iriam se casar algum dia — a Sra. Rumson murmurou antes de todos os pais irem para a cozinha. Hanna levantou a cabeça rapidamente. Casar? Brooke cutucou o ombro de Lucas. — Quando você disse que eu parecia diferente, eu espero que você quisesse dizer linda! — Ela traçou o dedo sobre a camiseta de Lucas, em seguida, deixou cair a mão no cós da calça jeans. — Alguém andou malhando? E onde você arranjou essas roupas sensuais? — Aham. — Hanna levantou-se e caminhou até o foyer. Esse flerte tinha ido longe demais. Ela quem tinha incentivado Lucas a comprar o jeans True Religion e a polo Armani Exchange despojada que ele estava usando. — Oh. — Lucas olhou para Hanna. — Brooke, essa é a minha namorada, Hanna. — E aí? — Brooke olhou para o cabelo sujo de Hanna, o moletom sem graça do Eagles, e os jeans velhos Sevens caindo aos pedaços. Um olhar que dizia ela não é uma ameaça atravessou o seu rosto. Ela se aproximou de Lucas. — Você está animado para a viagem? Eu ouvi dizer que a praia de lá é incrível. E eu mal posso esperar para me bronzear mais. Hanna apertou os lábios para evitar soltar risinhos. Essa menina já estava tão laranja que parecia ter nascido em uma cabine de bronzeamento. — Vai ser maneiro — disse Lucas. — Eu estava dizendo a Hanna sobre isso. Tem caminhadas incríveis, passeios, comida... — ... e a praia de nudismo — Brooke acrescentou, lambendo os lábios. — Uh, o quê? — Hanna gritou. Brooke jogou o braço em torno do ombro de Lucas. — Você vai ter o maior prazer de sua vida, Lukey, todo mundo pegando sol nu. E você e eu vamos tomar drinks de gelatina todas as noites. A pipoca de queijo voltou à garganta de Hanna. Ela tinha que acabar com isso. — Hum, eu preciso falar com você. — Ela agarrou o braço de Lucas e puxou-o para a sala de estar, que estava cheia de boxes de vídeo games, revistas velhas e mais três calendários natalinos, um deles parecia ser totalmente feito de tinta. Havia um sorriso inocente no rosto de Lucas. — Está tudo bem? Se está tudo bem? Hanna deu algumas respirações para acalmar os nervos. — O que você acha, Lukey? Lucas passou a mão pelo cabelo. — Sim, Brooke costumava me chamar disso quando ela era pequena, ela não conseguia pronunciar Lucas. — É horrível. Parece pukey1. — E eles iriam, Hanna pensou, para a península Puke-atán2 com a princesa Puke-a-tan3 em pessoa. 1 2 3 Puke: Significa vômito. Puke-atán: Junção de Puke com Atán da península Yucatán. Puke-a-tan: Tan significa bronzeado. Obs.: Deixei em inglês mesmo porque não fazia sentido traduzir.
  14. 14. Lucas deu de ombros. — É apenas um apelido estúpido. Hanna fechou os olhos. — Você vai mesmo sair de férias com... ela? — Você está com ciúmes? De mim? — Lucas sorriu como se isso fosse a coisa mais divertida que ele já tinha ouvido. — Hanna, você não precisa se preocupar com nada. Brooke é como se fosse minha prima. Algumas pessoas ficam com os primos, especialmente quando os veem se bronzeando nus, Hanna pensou amargamente. Ela olhou para Brooke na outra sala. Ela estava se olhando no espelho redondo perto da porta, franzindo os lábios e passando uma quantidade generosa de brilho. Se Mona estivesse aqui, elas poderiam cutucar uma a outra e rir do desenho brega da unha de Brooke. Se Ali estivesse aqui, ela teria intimidado Brooke e feito ela se sentir a maior idiota do universo. Uma sensação azeda atravessou o estômago de Hanna. Namorar um menino popular vinha com suas armadilhas e inseguranças, mas ela achou que ela nunca, nunca teria que se preocupar com outras garotas com um nerd como Lucas. Por outro lado, só porque vadias regularmente não se lançavam em Lucas, tirava os tops e o tentava com drinks de gelatina, não queria dizer que ele era imune a esse tipo de coisa. Havia tantas pessoas que abandonaram a vida de Hanna nos últimos anos, o pai dela, o ex-namorado dela, Sean Ackard, Ali, Mona, a mãe dela. Tudo o que ela queria era alguém estável que ficasse por perto para sempre. Mas agora, até Lucas parecia tão instável... e não havia nada que ela pudesse fazer para impedi-lo de ir.
  15. 15. 3 VELHOS HÁBITOS DIFICILMENTE MORREM Hanna passou por Brooke, atravessou a porta e ligou seu Prius tão rápido quanto pôde para sair da garagem dos Beatties. A última coisa que ela queria era ouvir mais uma palavra sobre o objetivo de bronzeamento de Brooke, os duplos sentidos mal disfarçados de como Brooke iria levar Lucas para a cama. Seu celular tocou no momento em que ela se virou no final da rua de Lucas. O nome de Lucas brilhou na tela. Hanna considerou não atender, então suspirou, atendeu e disse alô. — Você não tem que se preocupar com nada — Lucas falou abruptamente. — Eu prometo. Hanna não respondeu, em vez disso apertou o volante com tanta força que ela tinha certeza de que estava fazendo bolhas em suas palmas. — Meu pai disse que o hotel que vamos ficar tem Wi-Fi. Eu vou entrar no Skype todos os dias, enviar toneladas de fotos e dizer o quanto eu adoro você no Facebook a cada poucas horas. — Que tal de hora em hora? — Se Lucas estivesse constantemente em contato com ela, ele não poderia se meter em tanto problema, não era? — E prometa me dar um presente, algo bom. E não se atreva a olhar para qualquer peito na praia de nudismo. Quando ela desligou alguns minutos depois, ela se sentiu um pouco melhor. Hanna passou pelas ruas de Rosewood, o único som no carro era o barulho do aquecedor. Quando ela passou pela zona comercial movimentada, ela notou dois faróis atrás dela. Eles a seguiram enquanto ela passou pela escola, pelas janelas iluminadas do Otto, o restaurante chique italiano e o supermercado Fresh Fields. Em cada virada, o carro mantinha o ritmo. Ela olhou para a figura escura atrás do volante no espelho retrovisor, seu coração começou a bater mais rápido. Ela estava sendo seguida? E se fosse Ian — ele tinha saído da prisão? Ela parou em um cruzamento e esperou. O motorista passou por ela sem diminuir a velocidade, e Hanna exalou com alívio. Hanna olhou para a placa da rua e percebeu onde ela tinha parado. Essa era a antiga rua de Mona — e de Ali. Algumas das casas do quarteirão já estavam decoradas para as festividades. A propriedade dos Hastings tinha luzes cintilantes que traçava o perímetro do telhado. A casa de Jenna Cavanaugh tinha velas cerimoniosas nas janelas. A antiga casa de Ali, que vivia uma nova família agora, tinha uma coroa colorida na porta. O Santuário de Ali, que amigos e estranhos tinham montado logo após o corpo de Ali ser encontrado, brilhava no meio-fio. Era uma incógnita o que mantinha aquelas velas votivas acesas. A propriedade dos Vanderwaals estava escura. Hanna só conseguia ver a garagem longa e de cinco carros no canto do terreno, onde ela e Mona tinham subido e escrito no telhado HM + MV = BBBBBFF em grandes letras brancas. — Prometa que nós nunca vamos ser nada além de BFFs — Mona tinha dito depois que elas tinham terminado e estavam lavando a tinta branca das mãos com a mangueira do jardim. — Eu prometo — Hanna havia dito. E ela acreditou em Mona com todo o coração.
  16. 16. Agora Hanna queria tocar fogo na garagem. Ou subir lá e deixar um buquê de flores em memória de Mona. Suas emoções se desviavam tão selvagemente de segundo a segundo, era difícil saber o que ela sentia. E então, espontaneamente, a memória do carro que tinha atropelado Hanna no estacionamento há dois meses brilhou em sua mente. Hanna tentou correr, mas ele tinha vindo para cima dela rápido demais. Ela se lembrou do terror instantâneo e penetrante que ela sentiu quando soube que o carro ia atropelar ela — que Mona ia atropelar ela. — Não pense nisso — Hanna sussurrou para si mesma. Hanna dirigiu lentamente o resto do caminho para casa, dando respirações profundas e purificantes. Depois de estacionar o carro na garagem de sua família, ela quase bateu em uma fila de veículos que ela não reconhecia. Devia ter cerca de 15 sedãs, SUVs e crossovers estacionados na entrada circular. Então ela notou algo piscando na garagem. Luzes de Natal. E havia um Papai Noel que brilha no escuro e um boneco de gengibre inflável no jardim da frente? Ela deu passos hesitantes em direção à casa. Dot, usando uma espécie de capacete bizarro, latiu aos seus pés quando ela entrou. Espera. Aquilo eram chifres de rena? Hanna pegou-o nos braços e olhou para os dois chifres de pelúcia na cabeça dele. Havia um sino em cada um deles. — Quem fez isso com você? — Hanna sussurrou, tirando eles. Dot lambeu seu rosto. Ela olhou ao redor da sala e engasgou. Folhas de arbusto serpenteavam em torno do corrimão. Uma Mamãe Noel automática acenava de uma mesa console que antes ficava os vasos de cerâmica da mãe de Hanna. Uma árvore alta carregada de enfeites escandalosos estava no canto, e a lareira, que Hanna não conseguia se lembrar da família ter usado alguma vez, estava em chamas. Rudolph the Red-Nosed Reinder tocava no aparelho de som no volume máximo, e a casa toda cheirava a presunto vitrificado com mel. — Olá? — Hanna chamou. Risos flutuaram da cozinha, primeiro a gargalhada de galinha de Isabel, então a gargalhada alta do pai dela. Hanna virou no corredor. A cozinha estava cheia de pessoas segurando taças de champanhe e os pratos de aperitivo estavam cheios de mini quiches e fatias de Brie. Muitos deles usavam gorros de Papai Noel, incluindo o pai de Hanna. Isabel estava no canto, com um vestido vermelho de Mamãe Noel de veludo com pêlos brancos nos punhos e na barra, e Kate usava um vestido vermelho apertado e saltos Kate Spade preto e branco. Haviam folhas de visco penduradas no lustre, uma garrafa de cidra com especiarias estava no balcão, e pratos e mais pratos de biscoitos natalinos aparentemente deliciosos e aperitivos enchiam a ilha. Isabel viu Hanna e se levantou. — Hanna! Feliz Navidad! O Tannenbaum! Feliz Natal! Hanna bufou. — Hum, na verdade, eu sou judia. E o meu pai também. Isabel piscou estupidamente, como se não conseguisse compreender que alguém, ainda mais seu próprio noivo, pudesse comemorar outra coisa a não ser o Natal. O Sr. Marin apareceu ao lado de Isabel. — Ei, querida — ele disse, despenteando o cabelo de Hanna. Hanna olhou para ele, incrédula. — Desde quando você celebra o Natal? — Ela disse a palavra como se ela tivesse dito o aniversário de Satanás. O Sr. Marin cruzou os braços sobre o peito, defensivamente. — Eu tenho celebrado com Isabel e Kate nos últimos anos. Eu disse a Kate para lhe dizer. — Bem, ela não disse — Hanna disse categoricamente.
  17. 17. — Nós celebramos os Doze Dias de Natal a cada ano. Nós sempre comemoramos com uma festa. — Isabel tomou um gole de champanhe. — É uma tradição maravilhosa. Nós começamos cedo esse ano, essa noite é tipo um encontro de inauguração de casa de Natal. — E nós gostaríamos que você também participasse da tradição, é claro — o Sr. Marin acrescentou. Hanna olhou para toda a parafernália vermelha e verde. Sua família nunca tinha sido tão religiosa assim, mas eles acendiam velas menorá a cada noite de Hanukkah. No dia de Natal, eles pediam comida chinesa, assistiam maratonas de cinema e davam um longo passeio de bicicleta em família se o tempo estivesse bom. Ela gostava dessas tradições. A campainha tocou, e Isabel e o Sr. Marin moveram-se em direção à porta da frente. Hanna vagou em direção à mesa de bebidas, imaginando quantos problemas ela se meteria se servisse de um copo gigante de uísque. Em seguida, uma figura familiar coberta de vermelho apareceu. — Que roupa interessante para essa festa. — Kate olhou para o moletom Eagles extragrande que Hanna estava usando. — Essa festa é importante para Tom, sabe. Muitos dos novos colegas de trabalho dele estão aqui. Você poderia ter se vestido melhor. Hanna queria bater na cabeça de Kate com uma calabresa que estava na mesa de alimentos. — Eu não sabia que teria uma festa. — Você não sabia? — Kate levantou uma sobrancelha perfeitamente feita. — Eu sabia há uma semana. Eu acho que me esqueci de te dizer. Ela se virou e se afastou. Hanna pegou um biscoito e o enfiou na boca sem sentir o gosto, olhando para seu pai do outro lado da cozinha. Ele estava tagarelando com um homem de cabelos grisalhos em um terno preto e uma mulher magra usando brincos de diamantes enormes. Quando Kate se aproximou, o Sr. Marin colocou a mão em seu ombro e fez as apresentações, parecendo orgulhoso. Ele não se virou e acenou pra Hanna para que pudesse apresentá-la também, no entanto. Ela era apenas uma coisa indesejada usando um moletom do Eagles. Uma garota que não foi convidada para a festa da própria casa. Ela se sentiu como a Dama de A Dama e o Vagabundo, um dos filmes favoritos de Hanna quando era criança. Quando Jim Querido e Querida têm um novo bebê, eles deixam Dama de lado. Exceto que Hanna não tinha sequer um bad-boy imundo de rua que ela pudesse fugir e dividir espaguete porque seu namorado supostamente iria estar a centenas de quilômetros de distância aproveitando o sol em uma praia de nudismo com uma vadia. Ela se sentou em uma cadeira num canto ao lado de Edith, uma mulher idosa do final da rua, que usava óculos gigantes e continuamente parecia ter engolido a dentadura. — Quem é você? — Edith perguntou, inclinando sua orelha em direção a cadeira de Hanna. Ela cheirava levemente a violetas. — É Hanna Marin — Hanna disse a ela em voz alta. — Lembra de mim? — Oh, Hanna, sim, claro. — Edith tateou em busca da mão de Hanna e acaricioua. — É bom ver você, querida. — Ela empurrou um prato de plástico de cookies com gotas de chocolate no outro lado da mesa. — Pegue um cookie. Eu mesma assei eles. Eu tentei coloca-los na mesa com todas as outras comidas, mas essa nova mulher que vive aqui não parece querer que eles fiquem lá. — Ela franziu o nariz como se tivesse cheirado algo estragado. — Obrigada — murmurou Hanna, querendo beijar Edith por também não gostar de Isabel. Ela colocou um cookie na língua, extasiada com o sabor do açúcar, da manteiga e do chocolate. — São deliciosos.
  18. 18. — Fico feliz que você tenha gostado deles. — Edith empurrou outro cookie para ela. — Pegue outro. Você é muito magra. Edith dizia que ela era muito magra mesmo quando Hanna era gordinha, perdedora e feia, mas ainda era bom ouvir isso. O açúcar a tinha acalmado. Um terceiro cookie poderia até fazê-la se sentir eufórica. Você não deveria, disse uma voz dentro de sua cabeça. Você comeu muita pipoca na casa de Lucas. Você está usando seu jeans de gorda, e até mesmo ele parece apertado. Mas os cookies cheiravam tão bem. Hanna olhou para cima e viu Kate sorrindo para outro dos colegas de trabalho do seu pai, e algo dentro dela se partiu. Não, ela falou determinada, mas suas mãos pareciam se mover por vontade própria enquanto embrulhavam seis biscoitos em um guardanapo. Suas pernas tinham vontade própria também, levantando-a do assento e se movendo em torno dos festeiros. Hanna chegou na escada vazia antes de abrir o guardanapo e começar a empurrar os cookies na boca um por um. Ela os mastigou e os engoliu com desespero. Migalhas caiam em seu peito. Chocolate estava sobre seus dedos e sua boca. Era como se houvesse algo dentro dela que dizia que ela só poderia parar quando comesse todos — e só então ela estaria saciada. Isso era exatamente o que tinha acontecido na primeira vez que ela conheceu Kate e Isabel em Annapolis: Ela se sentia tão nervosa e estranha que a única coisa que a acalmou foi comer em grandes quantidades. Kate e Ali, que Hanna havia levado, haviam olhado para ela como se ela não fosse humana. E quando Hanna se dobrou com o estômago doendo, o Sr. Marin tinha brincado, Minha porquinha comeu demais? Tinha sido a primeira vez que Hanna induziu o vômito — e não foi a última. Ao longo dos anos ela se esforçou para parar, mas algumas vezes, velhos hábitos dificilmente morrem. Um riso estridente ressoou no hall, e Hanna se ergueu. Parecia o de Ali. Quando ela olhou pela janela da frente, ela jurou ter visto alguém se movendo nos arbustos. Hanna olhou fixamente para a escuridão. Então, ela sentiu olhos em suas costas e se virou. Seu pai e Kate estavam olhando para ela na cozinha. Seus olhos observando da boca de Hanna manchada de chocolate, as migalhas no peito dela, até os biscoitos em suas mãos. Kate sorriu. O Sr. Marin franziu a testa. Então, ele levantou a mão até seu rosto e fez um movimento de limpar os lábios. Hanna tirou um chocolate preso em sua bochecha. Kate se virou e cobriu a boca, reprimindo um riso. Os cookies restantes deslizaram de sua mão para o chão. Com o rosto em chamas, Hanna fugiu para cima e bateu a porta do quarto, dando o dedo do meio para as risadas barulhentas dos festeiros e para a música alta de natal de Bing Crosby tocando no aparelho de som. Ela tinha tido o suficiente de uma festa natalina pela vida inteira.
  19. 19. 4 VOCÊ NUNCA VAI FAZER COMPRAS NESSE SHOPPING OUTRA VEZ Terça-feira depois da escola, Hanna atravessou as portas duplas que diziam BEMVINDOS A GRANDE ABERTURA DO SHOPPING DEVON CREST! no vidro. Ela entrou em um grande saguão e respirou fundo. O ar cheirava a uma mistura de pretzels da Auntie Anne, cafés da Starbucks e uma mistura de perfumes. Uma grande fonte borbulhava e meninas bem-vestidas carregando sacolas de compras da Tiffany & Co., Tory Burch e Cole Haan passaram com arrogância. Ele era semelhante ao Shopping King James, que Hanna regularmente frequentava, mas diferente o suficiente para que ela não se lembrasse de uma única memória de suas muitas idas às compras com Mona. Apenas estar rodeada de varejo fez Hanna se sentir melhor. Ela deveria ter visitado o shopping antes, mas ela não teve tempo. Ontem, como parte dos Doze Dias de Natal extravagantes, ela tinha ido com seu pai, Isabel e Kate para uma performance do Messias de Haendel em Villanova — roncando. O dia anterior, eles participaram de uma degustação de gemada no Williams-Sonoma, e para o desgosto de Hanna, ela e Kate só foram autorizadas a beber a gemada sem álcool, que parecia desnatado e estragado. Eles tinham planejado ir para uma loja de departamentos em Philly para ver algum tipo de exposição de luzes estúpida hoje, mas a loja de departamento estava fechada por infestação de percevejos. Que pena. Agora, Hanna passou por uma área de estar com um pequeno café que vendia 208 diferentes tipos de chá e uma padaria sem glúten. Ela pegou o celular para checar mais uma vez se Lucas tinha ligado ou mandado uma mensagem, mas não havia um único email, correio de voz, ou tweet. Fazia dois dias que ele tinha ido embora e ele já tinha se esquecido da promessa de manter contato diariamente. Tanto faz. Ela podia confiar em Lucas. Certo? Hanna empinou o queixo para o ar, tentando manter a calma e parou para olhar as direções do shopping center. Ele tinha uma Otter, sua boutique favorita. Ela iria afogar suas frustrações comprando a roupa mais incrível que tivesse. — Ei, menina bonita. Hanna virou a cabeça esperando ver um cara da faculdade que certamente teria feito o comentário, mas não havia ninguém lá. Em vez disso, ela viu a Santa Land repleta de doces infláveis em formato de bengalas, uma casa de gengibre e vários elfos aparentemente entediados de idade universitária com sapatos pontudos e chapéus. Papai Noel estava sentado em um trono dourado com seu chapéu torto. — Belo sorriso, linda — disse a voz novamente, e Hanna percebeu que era o Papai Noel. Ele acenou para ela com a luva branca. — Quer sentar no meu colo? — Eca! — Hanna sussurrou, se afastando. Ela pôde ouvir ele falando ho-ho-ho enquanto caminhava até a escada rolante. A Otter brilhava no final do corredor como um farol fashion reconfortante. Hanna caminhou para dentro, se balançando com uma música mixada. Ela ergueu um lenço de seda e apertou-o contra o rosto. Então, inalou o aroma caro das bolsas Kooba de couro,
  20. 20. e passou os dedos pelas jeggings jeans e vestido de chiffon Marc Jacobs de cintura amarrada. Sua frequência cardíaca diminuiu. Ela podia sentir seus níveis de estresse diminuírem. — Posso ajudar? — Falou uma voz fina. Uma vendedora pequena e loira usando uma saia justa de cintura alta e a mesma blusa de seda de bolinhas que Hanna estava olhando desejosamente na prateleira apareceu ao lado dela. — Você está procurando alguma coisa especial? — Eu definitivamente preciso de um jeans novo. — Hanna deu um tapinha em dois jeans skinny J Brands sobre a mesa. — E talvez esse vestido, e isso. — Ela apontou para um suéter de cashmere Alice + Olivia. — Oh, ele é lindo — a vendedora falou animada. — Você tem bom gosto. Você quer que eu escolha algumas coisas para você e separe um provador enquanto você olha por aí? — Claro — disse Hanna. — Ótimo. — A vendedora olhou Hanna de cima a baixo, em seguida, assentiu. — Pode deixar comigo. Eu sou Lauren, a propósito. — Hanna. — Ela sorriu. Esse parecia ser o início de uma bela amizade. Talvez Lauren fosse pegar as peças novas para ela provar antes que as outras garotas pudessem colocar suas mãos imundas nelas, assim como Sasha da Otter do King James sempre fazia. Ela deu uma volta na loja, escolhendo mais blusas e vestidos. Lauren escolheu outros itens que ela achou que Hanna iria gostar, incluindo uma pilha de jeans, e levouos para a parte traseira. Quando Hanna estava pronta para experimentar as coisas, ela notou que Lauren tinha escolhido o maior provador para ela. Três outros provadores estavam ocupados, mas eles eram muito menores, como se essas meninas não fossem tão importantes. Hanna fechou a cortina, alisou o cabelo e olhou para as roupas lindas balançando nos cabides. Era hora de fazer um dano ao cartão de crédito. Mas, de repente, seu olhar congelou em uma etiqueta em uma das calças leggings de brim que estava na cadeira estofada e estampada que Lauren tinha escolhido para ela. Tamanho 42. Ela franziu o cenho e checou o próximo jeans da pilha de Lauren. Era um 42 também. Ela olhou para as marcas dos vestidos que Lauren tinha escolhido. Também 42. Não havia nada de errado em ter tamanho 42 para a maioria das meninas, mas Hanna não usava 42 desde antes de sua transformação com Mona na oitava série. — Uh, Lauren? — Hanna colocou a cabeça para fora do vestiário. Lauren apareceu no final do corredor, e Hanna deu a ela um sorriso de desculpas. — Eu acho que houve um erro. Eu uso 38. Um olhar desconfortável passou no rosto de Lauren. — Eu realmente acho que você deveria experimentar o 42. Leggings J Brand são um pouco pequenas. Hanna se irritou. — Eu já tenho três leggings da J Brands. Eu sei exatamente que tamanho elas são. Lauren apertou os lábios. Um longo tempo se passou, e alguém em um dos outros provadores fungou. — Tudo bem — disse Lauren após um momento, encolhendo os ombros. — Vou ver se temos 38 e 40 em estoque. A cortina se fechou novamente. Quando Lauren atravessou o corredor, Hanna jurou ter ouvido uma risada suave. Lauren estava rindo dela? As outras meninas dos provadores adjacentes tinham ficado muito silenciosas, quase como se estivessem ouvindo — e criticando.
  21. 21. Lauren estava de volta em segundos com os jeans novos. Hanna os pegou das mãos dela e fechou a cortina novamente. Como essa vendedora idiota se atrevia a rir dela?! E como ela tinha olhado para Hanna de cima a baixo e apenas supôs que ela usava 42? As vendedoras não deveriam saber exatamente qual era o tamanho de uma cliente? Elas não faziam algum tipo de treinamento? Hanna nunca tinha sido tratada de modo tão desatento na outra Otter. Quando Hanna saísse daqui, ela iria ligar para a sede da Otter para reclamar. O jeans de brim de tamanho 38 eram macios em torno de seus tornozelos nus. Hanna o subiu sobre sua panturrilha, mas quando ela puxou-os até as coxas, não subiu. Hanna olhou-se no espelho. Esse jeans obviamente estava com defeito. Ela tirou o tamanho 38 e provou o próximo tamanho. Ela conseguiu cobrir seu bumbum com esse, mas ela não conseguiria de jeito algum fechar o botão. O que diabos estava acontecendo? Como último recurso, ela provou o tamanho 42 que Lauren tinha escolhido para ela. Ela prendeu o botão e olhou-se no espelho. Suas pernas pareciam inchadas. Havia um pouquinho de gordura sobre os cós. As costuras estavam esticadas como se estivessem prestes a estourar a qualquer segundo. O coração de Hanna começou a bater forte. Todos esses jeans estavam com defeito? Ou ela tinha ganhado peso? Hanna pensou nos biscoitos que tinha comido na festa de Natal. E nos lanches que sobraram da festa que ela se fartou na noite passada enquanto assistia TV em seu quarto, escondendo-se do pai dela, de Isabel e de Kate. E os bombons que ela pegou da caixa aberta da ilha da cozinha quando ela passou por lá. Sua pele começou a formigar. Ela se sentia a um passo da gordinha, perdedora, feia e idiota que ela era antes de Ali ser amiga dela na sexta série. Ela olhou para seu reflexo no espelho novamente e, por uma fração de segundo, ela viu uma menina com cabelos castanho-cocô, borracha cor de rosa nos aparelhos de dente e espinhas na testa. Era a antiga Hanna, a menina que ela jurou nunca, jamais ser novamente. — Não — Hanna sussurrou, cobrindo os olhos com as mãos e se sentando na cadeira. — Hanna? — Os saltos plataforma de Lauren apareceram sob a porta. — Está tudo bem? Hanna soltou um sim, mas tudo estava muito, muito longe de estar bem. De repente, parecia que tudo na vida dela estava fora de controle. E ela tinha que fazer algo em relação a isso — e rápido.
  22. 22. 5 DESCIDO DO MONTE OLIMPO Na manhã seguinte, Hanna pedalou no aparelho elíptico da Body Tonic, a academia de luxo que ela frequentava desde o fim da oitava série. Cada máquina tinha uma TV embutida com zilhões de canais a cabo, um suco bar e um spa ao lado da recepção, e os vestiários ostentavam uma sauna de eucalipto, uma banheira de hidromassagem e produtos Kiehl em todos os chuveiros. À volta dela, homens, mulheres e estudantes ocasionais, muitos deles de escolas privadas de elite, corriam em esteiras, pedalavam em bicicletas penduradas ou faziam agachamentos um pouco vulgares sobre as bolas de exercício. Uma aula de yoga estava acontecendo na sala de exercícios na parte de trás, e naquele momento, a classe estava tentando fazer a posição meia-lua, seus corpos tentando formar um T, suas pernas balançando. Suor estava escorrendo nos olhos de Hanna, seus braços e pernas estavam em chamas, e ela tinha acabado de ver um noticiário perturbador na TV que mencionava que Ian Thomas estava declarando inocência atrás das grades. Mas ela não podia deixar de se exercitar agora. De jeito algum ela continuaria a usar um tamanho 42. Ela não deixaria uma vendedora rir dela outra vez. Seu celular tocou e ela pegou-o ansiosamente, checando-o mais uma vez para ver se Lucas tinha ligado, mandado uma mensagem, postado no Facebook, ou qualquer coisa, mas era só Aria, pedindo as anotações de Hanna de Inglês. O peito de Hanna se apertou. Isso a fez se sentir incrivelmente idiota, mas ela sentia falta de Lucas — e parecia que ele não sentia nenhuma falta dela. Ela jogou o celular de volta no copinho de plástico que estava no lugar destinado a garrafas de água, e aumentou mais alguns níveis da resistência. Isso não importava. Se ela perder dez quilos e parecer fabulosa novamente, ela vai atrair todo o amor de Lucas quando ele voltar. Mas por outro lado, ela pensou, e se Lucas não se importasse mais com ela quando voltasse para casa? E se ele decidisse largar ela pela Princesa Puke-a-tan? — Você está realmente pegando pesado, não é? Hanna deu um salto, olhou para baixo e viu um cara usando uma camiseta Body Tonic apertada, short de malha comprido e tênis New Balance cinza em pé ao lado da máquina dela. Ele tinha os olhos mais azuis que ela já tinha visto, cabelo escuro raspado, uma pele dourada linda e ele era musculoso sem parecer um fisiculturista. Hanna o reconheceu instantaneamente de quando ela e Mona costumavam vir para a Body Tonic juntas, elas apelidaram ele de Apolo, por razões óbvias. Ele vagueava pela sala de ginástica, sorrindo para as meninas, ocasionalmente levantando um peso ou fazendo alguns abdominais, e treinava toda a clientela feminina super-rica da Main Line. Mas o motivo final do apelido foi porque elas pegaram ele sentado em seu carro no estacionamento, ouvindo Stairway to Heaven, e fingindo que o volante era uma bateria. Apolo era um idiota reformado, assim como Hanna e Mona eram.
  23. 23. Hanna olhou para trás para ver se Apollo estava falando com outra pessoa, mas ela era a única pessoa nessa fila de máquinas elípticas. — Uh, o quê? — ela perguntou, tentando soar alegre. Ela desejava ter trazido uma toalha para enxugar o rosto. Apollo sorriu e apontou para o visor LCD na máquina de Hanna. — Você tem se exercitado por 80 minutos. Isso é intenso. — Ah. — Hanna continuava pedalando. — Estou tentando voltar a ficar em forma. Eu fui à festas demais nesse feriado. — Ela riu envergonhada, então se amaldiçoou por chamar a atenção para sua bundona de cookies de Natal. — Os feriados podem ser duros. — Apollo se inclinou na máquina ao lado dela. — Estou planejando um retiro de ginástica que começa hoje, designada especificamente para as pessoas superarem os feriados. Trata-se de exercício, nutrição e bem-estar mental. — Parece incrível — disse Hanna. Kirsten Cullen, uma menina que ela conhecia da Rosewood Day, tinha ido a um retiro de ginástica em St. Barts no verão entre o nono e o décimo ano e voltou cinco quilos mais leve e com a pele mais perfeita do que ela já tinha visto. — Um retiro para onde? — Oh, para lugar nenhum. — Apollo lançou-lhe um sorriso tímido. — Nós vamos fazer aqui na academia. Mas você vai se sentir transportada e incrível no momento em que tiver terminado. Você estaria interessada em se inscrever? Hanna olhou para seu reflexo suado no espelho em frente a ela. — Eu não sei. — Ela não estava muito afim de aulas em grupo. Apollo deu-lhe um sorriso deslumbrante. — Você tem certeza? Eu acho que você vai achar muito, muito incrível. Você é Hanna, certo? A mandíbula de Hanna caiu. — Como você sabe? — Eu vi você aqui antes. — Dessa vez, quando ele sorriu, apareceram duas covinhas adoráveis. — Eu adoraria ter você na classe. Seu interior vibrou. Ele estava flertando com ela? Por uma fração de segundo, ela mal podia esperar para descer da máquina, ligar para Mona e dizer a ela que Apollo da Body Tonic estava praticamente implorando para ela fazer parte do seu retiro de ginástica — até que ela se lembrou, mais uma vez. Toda vez que ela percebia que Mona tinha sido A, e que ela estava morta agora, era como se alguém tivesse atirado uma esfera de medicina em seu peito. — Os quilos vão evaporar de você — Apollo prometeu. — Você vai estar na forma mais incrível de sua vida. Por favor, diga que você vai participar. Colocando dessa maneira, como ela poderia dizer não? — Ok, você me convenceu — disse ela, parando a máquina. — Conte comigo. — Ótimo. — Apollo sorriu novamente. Só de estar ao lado dele fez ela se estremecer toda. E ele a tinha notado. Ele sabia o nome dela. Todos os pensamentos de Lucas e Brooke Puke-a-tan voaram para fora de sua cabeça. Se Lucas podia flertar, então ela também podia. — Meu nome é Vince — ele acrescentou. — A aula começa hoje às cinco, e teremos encontros de manhã e de noite até o final do ano. Estou tão feliz por você vir, Hanna. — Estou muito feliz, também — respondeu Hanna, olhando profundamente nos olhos de Apollo — Vince. E ela absolutamente e positivamente estava falando sério.
  24. 24. 6 THE BIGGEST LOSERS Naquele dia, depois da escola, Hanna se sentou nos degraus da Body Tonic e colocou o celular entre o ombro e a orelha. — Desculpe, pai. Eu jurava que tinha te dito que eu tinha planos para essa noite. — Mas você vai perder o Santa’s Village no Longwood Gardens. — O Sr. Marin parecia muito decepcionado. — Vai ser espetacular. Hanna resistiu à vontade de vomitar. Na sétima série, ela, Ali e as outras meninas tinham ido para o Longwood Gardens, que era apenas isso: um jardim grande e chato. Estava quente, lotado e desprezível no interior, de modo que elas haviam passado a maior parte do tempo do lado de fora no estacionamento, fofocando sobre qual menino da Rosewood Day elas mais queriam beijar e que celebridades elas convidariam para suas festas de aniversário a fantasia. — Eu realmente sinto muito — Hanna repetiu. — Mas eu planejei isso antes de saber sobre essa sua coisa de Doze Dias do Natal. O Sr. Marin suspirou. — Isso não é porque você está desconfortável com Isabel e Kate, é? Kate disse que quer te conhecer, mas você se mantém à distância. Ela também mencionou que você desistiu de ir ao shopping com ela no dia que nos mudamos. Hanna abriu a boca, depois fechou-a novamente. Kate era muito cínica. — Isso não tem nada a ver com elas — ela mentiu. Quando desligou, ela colocou o celular no colo, desejando que ele tocasse mais uma vez e que ela ouvisse a voz de Lucas do outro lado da linha. Mas ele ficou silencioso. Ela olhou para os carros indo de um lado ao outro na estrada à distância. A neve caía levemente, fazendo com que o pavimento brilhasse. Hanna ouviu um barulho à sua esquerda e se endireitou. Parecia que alguém estava escondido atrás da esquina. Hanna deu de ombros — ninguém estava mais perseguindo ela — e se levantou. Ela se dirigiu para dentro do ginásio com uma agitação em seu estômago. Ela podia ter estado resistente à ideia do grupo de ginástica no começo, mas agora ela estava empolgada. As pessoas devem ser garotas bonitas e jovens da Main Line, talvez ela até fizesse uma ou duas amigas. E Vince tinha dito que a classe constituía de ginástica, nutrição e bem-estar, talvez isso significasse massagens regulares no final de cada sessão, feitas por Vince, é claro. Em uma base estritamente profissional, para Lucas não ficar muito ciumento. Uma placa impressa dizia RETIRO DE GINÁSTICA DE NATAL foi colada na porta de uma das salas regulares de exercícios. Hanna esperava que a aula fosse em uma sala secreta da Body Tonic — algo só para VIPs — mas tanto faz. Ela respirou fundo e empurrou a porta com um sorriso enorme no rosto, meio que esperando que todos os participantes bonitos se virassem e a recebessem de braços abertos, tipo uma sessão de terapia em grupo, exceto de um jeito mais glamoroso. Mas as luzes, que eram muito brilhantes, quase fluorescentes, revelaram um cenário completamente diferente. Dez pessoas estavam sentadas no chão com vários tapetes, bolas, faixas elásticas, aparelhos de equilíbrio e blocos de yoga na frente deles.
  25. 25. Todos eles, de fato, se viraram e olharam para ela, mas não ergueram os braços para recebê-la com um abraço de grupo. Não que ela quisesse tocá-los. Eles estavam tão longe de ginástica glamorosa quanto possível. Havia uma mulher com um triplo queixo. Um homem cujo intestino aparecia sobre sua cintura. Mães desmazeladas e suburbanas. Pais gordos e suburbanos. Garotas adolescentes do tipo que se juntavam ao clube de teatro, bandas ou passavam os períodos de almoço na sala de artes, não dando a mínima para como os seus corpos pareciam. Uma menina tinha os maiores seios que ela já tinha visto. Ela tinha a idade de Hanna e se movia sexualmente com os quadris largos e uma bunda larga, como uma garota pin-up4 dos anos cinquenta. Ela tinha um estilo punk — alta, cabelo preto brilhante, delineador abundante nos olhos amendoados, muito batom vermelho nos lábios num estilo gótico baby-doll e uma tatuagem em formato de adaga em seu ombro. Normalmente, Hanna não se agradaria desse estilo, mas ele meio que combinava com ela. Não que ela fosse admitir isso em voz alta. Isso não era um retiro de ginástica glamoroso. Era mais uma versão de baixa qualidade de The Biggest Loser 5. Hanna nunca tinha visto nenhum deles na Body Tonic — era como se a academia tivesse escondido essa gente para não assustar os frequentadores. E todos estavam usando uma enorme camiseta vermelha que dizia COLOQUE SEU TRASEIRO EM AÇÃO! em grandes letras brancas na frente e CAMPO DE TREINAMENTO DO RETIRO DE GINÁSTICA DE NATAL! na parte traseira. — Hanna! — Vince apareceu de trás de um conjunto de equipamentos de som no canto e sorriu amplamente. Ele também estava usando uma camiseta vermelha COLOQUE SEU TRASEIRO EM AÇÃO! embora uma muito mais apertada. — Ainda bem que você pôde vir! Aqui, pegue uma camiseta! Ele jogou uma para ela, mas Hanna não fez qualquer esforço para pegá-la, deixando-a bater no peito dela e cair molemente no chão. Atrás dela, ela ouviu uma risadinha fina e estridente, e congelou. Uma pessoa virou a esquina com seus longos cabelos loiros balançando. Alguém tinha visto ela? Alguém achava que ela fazia parte... disso? — Vamos começar nos apresentando e dizendo porque estamos aqui — Vince começou. Ele apontou para a garota pin-up. Ela sacudiu os peitos para ele e sussurrou: — Eu sou Dinah Morrissey. Eu não me importo em perder peso, mas eu quero me comprometer em ficar saudável. — Ela piscou seus cílios para Vince, que sorriu de volta para ela. — Prazer em conhecê-la, Dinah. Hanna, que tal você ser a próxima? — Vince perguntou. Hanna apertou a boca. Ela olhou novamente para as pessoas estranhas e gordas no chão, soltou um pequeno rangido e se virou. Ela correu o mais rápido que pôde em direção ao ginásio principal, de volta para onde todo mundo era bonito, esguio e normal. — Hanna — Vince chamou quando ela virou nas máquinas de musculação e esteiras. Ele acompanhou ela no corredor entre o estúdio de yoga e a lanchonete macrobiótica. — Qual é o problema? Hanna deu de ombros sem jeito, percebendo que Vince havia seguido ela segurando a camiseta vermelha COLOQUE SEU TRASEIRO EM AÇÃO! que Hanna havia rejeitado. — Eu acho que essa classe não é pra mim. — O retiro? Por quê? 4 Pin-up: é uma modelo com fotos sensuais, elas constituem-se num tipo leve de erotismo e geralmente são modelos e atrizes. 5 The Biggest Loser: Reality Show em que os concorrentes são obesos e tentam perder peso em busca do prêmio. Adaptado no Brasil como Quem Perde Ganha.
  26. 26. Ele estava drogado? Primeiro de tudo, era um campo de treinamento, não um retiro de ginástica. Segundo, como Vince poderia achar que Hanna pertencia a uma classe dessa? Ele tinha notado ela na máquina elíptica hoje e achado que ela era alguém fora de forma, alguém comum? Alguém de quem vendedoras riam, pais rejeitavam e melhores amigas desprezavam? — Porque é uma classe cheia de gente gorda! — Hanna finalmente desabafou. Vince deu alguns passos para trás, sua boca formando um pequeno O. — Você está brincando, certo? Uma versão tecno de uma música da Rihanna tocava no fundo. Quando Hanna não respondeu, Vince balançou a cabeça. — Os outros membros não são gordos. Ok, talvez alguns deles estejam um pouco acima do peso saudável, mas você não acha que é ótimo que eles queiram entrar em forma? Eu sinto como se eu pudesse realmente ajudá-los. Você é uma Madre Teresa musculosa, Hanna queria dizer. — Bem, eu acho que vou desistir. — Você vai desistir de uma aula de ginástica que vai ser ótima para você? Por quê? Porque não parece que todo mundo saiu da Vogue? Ele estava falando muito alto. Hanna olhou ao redor cautelosamente. A garota magra da mesa de recepção estava escaneando dois cartões de membros, a máquina fez dois pequenos sinais sonoros consecutivos. Um cara de idade universitária corria na esteira com seu suave cabelo loiro balançando. E se alguém estivesse ouvindo, alguém de Rosewood Day? Se alguém tiver ouvido isso, ela será a maior perdedora da escola — de diversas maneiras. Vince deu a Hanna um olhar compreensivo. — Eu acho que entendo o que está acontecendo. Você não aguenta. Não é chamado de campo de treinamento porque é fácil. Você não tem mente afiada para passar por um programa tão rigoroso. Hanna bufou indignada. — Isso não tem nada a ver com a minha mente. — Não, esqueça. — Vince agitou a mão. — Eu deveria ter visto os sinais. Nem todo mundo está preparado para essa aula — você tem que realmente querer o bem-estar físico e mental, realmente estar pronta para isso. Não se preocupe com isso, Hanna. Eu pensei que você fosse resistente o suficiente, mas está tudo bem. — Eu sou muito resistente — disse Hanna tão alto que uma menina de vinte e poucos anos perto das esteiras e usando um moletom da Hollis olhou alarmada. — Eu tenho certeza que sou mais resistente do que todas as outras... pessoas de lá de dentro. Vince ergueu seu maxilar. — Ok, então. Me prove. Me mostre que você está falando sério. Sua voz soava rouca e severa, mas seus olhos eram suaves, quase ansiosos. Mais uma vez, Hanna sentiu uma pequena suspeita de que ele poderia estar interessado nela. E apenas saber que alguém gostava dela, aliviou a solidão que ela sentia sempre que pensava em Lucas. Se ela saísse daqui, condenando o retiro de ginástica e os participantes com excesso de peso, Vince provavelmente nunca mais falaria com ela. E ela odiaria que ele achasse que ela era uma desistente. Era praticamente o sinônimo de perdedor e de jeito algum ela seria uma perdedora novamente. — Tudo bem — ela gemeu. — Eu acho que vou dar outra chance. Mas eu tenho uma condição. Eu não vou usar isso. — Ela apontou para a camiseta que Vince estava segurando. Vince deu de ombros e colocou a mão no braço de Hanna. — Combinado.
  27. 27. 7 Mazel Tov6! Duas horas mais tarde, Hanna desmoronou dentro do Prius, mal conseguindo se mover. Vince estava definitivamente certo sobre uma coisa: o acampamento não era nada como uma experiência em um spa relaxante. Ela nunca tinha se agachado, chutado, corrido, exercitado os bíceps ou suado tanto em sua vida. Vince lotou a sessão com tantas atividades que Hanna mal tinha notado as outras pessoas da classe, exceto quando um deles caiu de exaustão ou reclamou que eles não conseguiam mais pedalar na bicicleta. A única pessoa que se destacou foi Dinah. Ela continuou empurrando seus seios no rosto de Vince e perguntando se ela estava malhando corretamente. Uma hora ela até mesmo fez ele ficar atrás dela enquanto ela estava de cócoras, com a mão nas costas dela e perigosamente perto de sua bunda, só para ele ter certeza de que ela estava malhando os músculos certos. Seu jeito desavergonhado de flertar lembrou a Hanna de Brooke, o que a fez se sentir enojada de Lucas outra vez. Ela entrou na garagem de sua casa, querendo nada mais do que rastejar até a cama e passar horas e horas assistindo TV. Estranhamente, o carro do seu pai ainda estava na calçada — não no Longwood Gardens. E as decorações de Natal que haviam enfeitado a frente da propriedade não estavam mais lá. Quando ela abriu a porta da frente, já não cheirava a pinho fresco e paus de canela, mas como... panquecas de batata? — Hanna! — O Sr. Marin saiu da cozinha. — Aí está você! Entre, entre! Temos uma surpresa para você! Ele levou Hanna pela sala de estar, mas não antes que ela percebesse que a Mamãe Noel automática havia desparecido, a árvore de Natal estava apagada e as meias que estavam penduradas sobre a lareira — com as iniciais de Isabel, Kate e o pai de Hanna, e uma em branco, presumivelmente para Hanna — tinham sido retiradas. O candelabro velho de prata que Bubbe Marin tinha dado aos pais de Hanna estava sobre a lareira. Três velas ardiam. — O que está acontecendo? — Hanna perguntou, desconfiada. O Sr. Marin virou Hanna em direção à sala de jantar. Havia uma grande quantidade de comida sobre a mesa, e Kate e Isabel estavam sentadas em cadeiras de espaldar alto com sorrisos frios em seus rostos. — Surpresa! — O Sr. Marin falou animado. — Feliz Hanna-kah! Hanna piscou para os itens sobre a mesa. Havia todos os alimentos tradicionais do Hanukkah que sua avó costumava servir: panqueca de batata, geléia donuts chamados de sufganiyot, kugel, moedas de chocolate e carne de peito. Ao lado estavam os antigos dreidels que ela e seus primos giravam por horas, brincado de verdade ou desafio, se o dreidel caísse no lado gimel, Tamar, sua prima mais nova, tinha que roubar um dólar da carteira da mãe dela, e assim por diante. Um banner azul com a Estrela de David colada estava envolto nas janelas, e velas brilhavam ao redor da cozinha. Pequenos presentes embrulhados em papel prateado estavam sobre os pratos de todos. — Eu pensava que vocês iriam para a Santa’s Village — disse Hanna lentamente. 6 Mazel Tov: Boa sorte em hebraico.
  28. 28. — Oh, nós podemos fazer isso qualquer dia — o Sr. Marin disse. — Eu pensei que você pudesse estar um pouco chateada, já que estamos fazendo tantas atividades de Natal, então nós pensamos em celebrar nossa noite de feriado! Hanukkah ou Hannakah! — Ele gesticulou para a comida na mesa. — Kate e Isabel fizeram algumas comidas essa noite, embora a maioria disso veio de uma delicatessen judaica perto de Ferra’s Cheesesteaks. — Seu pai disse que você sabe todas as histórias do Hanukkah, Hanna — Isabel disse educadamente. — Eu adoraria ouvi-las. — Isso tudo é tão agradável. — O coração de Hanna amoleceu, assim como o do Grinch. Essa foi definitivamente a melhor coisa que seu pai tinha feito por ela em um longo, longo tempo. Seu pai passou ao redor dos pratos, e todo mundo começou a se servir de panqueca de batata e pedaços de peito banhado com molho. Hanna pegou uma quantidade moderada de comida, se sentindo bem por causa do campo de treinamento. Vinho foi servido — até mesmo Hanna e Kate beberam um pouco — e todos abriram seus presentes. Kate e Hanna ganharam cartões de presente para o Fermata Spa. Isabel ganhou um pequeno pingente em formato de árvore de Natal para adicionar à sua pulseira Pandora de prata. O Sr. Marin deu a si mesmo um canivete novo suíço. Ele imediatamente abriu a navalha e cortou a etiqueta da bugiganga de Isabel. Em seguida, o Sr. Marin contou histórias sobre Bubbe Marin, que costumava fazer as melhores panquecas de batata do mundo. — Nós costumávamos ir lá toda noite do Hanukkah — ele explicou. — Ela sempre dava grandes presentes para Hanna. — Que doce — Isabel falou animada, parecendo surpresa, como se ela nunca tivesse imaginado que alguém pudesse cobrir Hanna de presentes. — E tinha um papagaio cinza Africano, o Morty — o Sr. Marin continuou, espetando uma panqueca de batata. — Ele conhecia todos os palavrões do mundo. — Ele era louco! — Hanna riu. — Eu acho que aprendi uns palavrões novos com ele! — E ele gostava de ver aqueles programas de tabloides, como eles se chamam? — A cara do Sr. Marin estava vermelha. — E! News — Hanna falou. — Ele estava obcecado por Giuliana Rancic. Lembra? Ele dizia: ela é uma vadia bonita em uma voz louca de pássaro! — Quem é Giuliana Rancic? — Isabel perguntou, piscando rapidamente. O pai de Hanna estava muito ocupado tremendo com o riso para responder. Hanna também ria, não se preocupando também em introduzir Isabel. Era bom ter uma piada interna com seu pai de novo, algo de suas vidas antes de Isabel e Kate. Eles continuaram comendo, compartilhando histórias sobre as obsessões da avó de Hanna com vendas de garagem, figuras de animais e sua paixão por Bob Barker do programa The Price Is Right. Até o momento que a refeição acabou, Hanna e seu pai continuaram caindo na gargalhada, sem se preocupar em se explicar. Isabel levantou-se para limpar a mesa, mas o Sr. Marin acenou para ela se sentar. — Eu limpo — ele disse. — Eu limpo também — Kate ofereceu rapidamente. Hanna apertou a mandíbula. — Não, eu limpo com você, pai. — A última coisa que ela queria era que Kate usurpasse o amor do pai dela novamente. O Sr. Marin sorriu. — Ei, se vocês duas vão limpar, eu acho que vocês não precisam de mim! — Ele empilhou os pratos e entregou-os a Hanna. — Que tal você lavar e Kate secar? Hanna olhou para a panqueca de batata do prato, se perguntando se isso era um truque da parte dele para fazer ela e Kate se relacionarem.
  29. 29. Kate já estava enchendo a pia com sabão na hora que Hanna caminhava com todos os pratos. — Então, você gostou da sua pequena celebração? — ela disse em uma voz fria, entregando a Hanna um pano de prato. — Foi muito boa — respondeu Hanna tão fria quanto ela. — Minha mãe e eu cozinhamos por horas. — Kate limpou um suor imaginário do rosto. — Você poderia ter pelo menos ajudado. Então, onde você estava depois da escola, afinal? Hanna mergulhou as mãos na água quente. — Apenas por aí. Fazendo compras. Indo a academia. Eu não sabia que você ia fazer isso por mim. Kate levantou uma sobrancelha. — Durante quatro horas? Foi uma maratona de compras. Ou uma maratona de academia. Ela olhou para Hanna por um longo tempo. Hanna segurou o olhar de Kate, tentando ao máximo não demonstrar nada. De jeito algum ela diria a Kate sobre o campo de treinamento. Ela iria zombar disso continuamente e de forma irritante. Kate encostou-se no balcão e estreitou os olhos. — Eu acho que você está escondendo alguma coisa. — Não, eu não estou. — Hanna respondeu um pouco rápido demais. — Talvez você esteja escondendo alguma coisa. Kate congelou. — Eu... — Ela jogou o pano de prato na ilha. — Nem eu — ela disse firmemente, em seguida, se virou e caminhou em direção ao corredor. Hanna ouviu seus passos na escada, em seguida, a batida forte da porta do quarto de Kate. Okaaay. O desaparecimento brusco de Kate significava que ela teria que limpar tudo sozinha, mas tudo bem. Parecia que ela tinha acabado de ganhar uma discussão sem sequer se esforçar. E com Kate, isso era nada a não ser um milagre.
  30. 30. 8 UM ALONGAMENTO SEXY FAZ BEM AO CORPO Na manhã seguinte antes da escola, Hanna olhou-se no espelho de corpo inteiro da Body Tonic e ajustou as alças da sua regata preta Lululemon. Em seguida, se virou e checou sua bunda com o short curto preto e rosa, satisfeita de ver que suas pernas pareciam tonificadas e sexys. Ela passou de leve um hidratante colorido nas bochechas e no nariz, passou um tubo de gloss nos lábios, amarrou seu cabelo castanho brilhante em um rabo de cavalo e borrifou um pouco de Aveda Chakra 4 em seus pontos de pressão. Todo cara que ela conhecia ficava louco pelo cheiro. Lucas tinha amado ele, mas ele tinha ido para uma praia de nudismo com a Puke-a-tan e se esquecido dela. Ela ainda não tinha recebido uma única mensagem dele. Ela cobriu todas as fotos dele do quarto dela para que ela não tivesse que olhar para os olhos azuis dele e se perguntar se Brooke estava olhando para eles naquele momento. Hanna estava realmente animada para a aula começar. Pelo menos quando Vince estava dando ordens, ela estava distraída demais para se sentir triste por causa de Lucas. Quando ela abriu a porta da sala de ginástica, ela ouviu gemidos. — Isso é muito, muito bom — disse alguém. Hanna parou, se perguntando se um casal havia se escondido no quarto para uma seção de pegação da manhã — eca. Mas então, ela viu um flash de uma camiseta vermelha familiar. Uma das campistas estava deitada no chão, com as pernas para o ar. Vince estava em cima dela, puxando seu pé para alongar o tendão. — Isso está relaxando o músculo? — Vince murmurou, sorrindo para a garota. — Oh, sim — ela respondeu com um ar sonhador. — Isso é incrível. Os cabelos de trás do pescoço de Hanna se levantaram. Era Dinah Morrissey, a garota sinta-minha-bunda. — Quer que eu faça na outra perna? — Vince perguntou. — Claro — Dinah ronronou com uma voz rouca, levantando um tênis xadrez Vans slip-on. Dinah não podia sequer usar um tênis Nikes ou Reeboks como uma frequentadora de academia normal. Hanna cruzou a sala o mais rápido que suas pernas podiam levá-la. Talvez ela não pudesse competir com Brooke a mil quilômetros de distância, mas ela estava bem aqui na frente de Vince, e a escolha entre ela e Dinah era óbvia. — Hum, Vince? — Ela sorriu maliciosamente. — Eu ia te pedir para você me alongar também. O treino de ontem foi de matar. — Ela girou uma mecha de cabelo em torno do dedo. — Você se importaria? Eu estou com muita dor. Vince levantou-se e olhou de Dinah para Hanna. — Hum, com certeza, eu acho que posso — ele disse, soltando a perna de Dinah. — Nós temos alguns minutos antes de todo mundo chegar. Dinah sentou-se e cruzou os braços sobre o peito amplo. — E eu? — Eu alongo você depois da aula — Vince prometeu. Há, Hanna pensou triunfante. — Deite-se — Vince instruiu, e Hanna fez o que ele mandou. Ele disse a ela para levantar a perna esquerda, dobrar o joelho e cruzar a perna direita sobre ele. Ele se
  31. 31. inclinou sobre ela, suas mãos tocando suas pernas levemente e pressionando. — Como se sente? — Muito melhor — Hanna sussurrou, olhando nos olhos de Vince, que tinha um tom deslumbrante de turquesa. Uma vez, quando Hanna e Mona entraram na academia na oitava série, quando elas estavam apenas começando suas transformações de garotas populares e bonitas — Mona estava parada atrás de Vince no bar de sucos e deixou cair seu troco no chão para tentar chamar a atenção dele. Quando Vince virou os olhos azuis, ela se sentiu hipnotizada. — Eu não consegui dizer uma palavra — ela falou eufórica. — Ele era muito lindo. Hanna esperava que Mona estivesse observando ela de onde diabos ela estivesse e morrendo de inveja. — Você está realmente dolorida de ontem, hein? — Vince murmurou. — Mmm-hmm — Hanna murmurou. — Mas é um tipo bom de dor, sabe? — Eu estou dolorida também — Dinah interrompeu, sentada de pernas cruzadas ao lado deles. Ela tinha o tipo de decote que os caras poderiam colocar notas de dólares dentro. — E você estaria tão orgulhoso de mim, Vince. Eu comi frango grelhado e legumes na noite passada no jantar, como no seu plano de refeição. — Isso é ótimo. — Vince parecia encantado. Bajuladora, Hanna pensou. — Há quanto tempo você trabalha na academia? — Hanna perguntou em voz alta, desviando a atenção de volta para ela. Vince colocou as mãos em torno do joelho de Hanna. — Há algum tempo, eu acho. Tempo suficiente para observá-la. Eu via você correndo na esteira. Você tem um ótimo corpo. — Ele riu envergonhado. — Desculpe. Espero que não tenha soado estranho. — Claro que não — disse Hanna rapidamente. — Então, você sempre quis ser um treinador? — Bem, sim e não — disse Vince. — Eu realmente gostaria de abrir meu próprio spa. Teria treinamento particular, mas também uma série de serviços de corpo também. — Parece incrível — Hanna falou animada. — Eu amo spas. Dinah riu de uma forma bem-humorada que parecia amistosa, mas Hanna sabia que era sarcástica. — Todo mundo adora spas — ela disse. Hanna desejou que ela pudesse expulsar ela com um dos pesos de dez quilos apoiados no canto. Ela não sabia que era rude se meter na conversa dos outros? Vince estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas, em seguida, a porta da sala de ginástica se abriu, e o resto da turma entrou, cada um deles usando novamente suas camisetas COLOQUE SEU TRAZEIRO EM AÇÃO!. Hanna esperava que eles tivessem lavado elas. — Ok — Vince disse, soltando a perna de Hanna e caminhando até a parte da frente da sala. Todos se reuniram em torno dele. Hanna olhou por cima do ombro, certificando-se de que ninguém estava à espreita no corredor. Ela pensou nas suspeitas de Kate de ontem após o jantar. Kate não tinha seguido ela até aqui, tinha? A última coisa que Hanna precisava era de fotos de si mesma suada e se agachando com um bando de perdedores vazando na internet. — Então, eu queria falar com vocês hoje sobre nutrição e bem-estar do corpo inteiro — Vince estava dizendo, ficando na posição de lótus no chão. — Estar em forma não se trata apenas de exercícios, também se trata de comer direito. Fazer escolhas saudáveis. Sentir-se bem em sua pele. E eu quero que todos prometam estar saudáveis e se sentirem bem em sua pele durante esse retiro. Ele passou folhas de papel que diziam PROMESSAS DO CAMPO DE TREINAMENTO no topo. Era uma longa lista, cada item começava com eu me comprometo. Eu me comprometo a comer apenas alimentos leves — sem açúcar
  32. 32. refinado, sem xarope de milho rico em frutose, sem aromatizantes artificiais. Eu me comprometo a não beber álcool ou fumar cigarros. No final havia um espaço para assinatura. — No momento em que essa classe acabar, o meu objetivo é que todos vocês se sintam bem na pele de vocês, não importa qual seja o corpo de vocês ou quantos quilos vocês perderam — disse Vince. — E uma coisa que pode ajudar vocês a se sentir bem é isso. Ele ergueu uma garrafa de água. Impresso no lado havia uma etiqueta que dizia em letras minúsculas AMINOSPA. — Essa é a água vitamínica mais incrível que eu já experimentei. Dá energia, ela libera toxinas, eu até acho que me ajuda a me concentrar melhor. Eu sou um vendedor licenciado, mas eu vou dar a vocês uma amostra grátis. Ele pegou mais garrafas de AMINOSPA de sua bolsa de ginástica e lançou uma para cada um. — Eu acho que vocês vão gostar — ele encorajou. — Se vocês quiserem mais, eu vendo várias por um ótimo preço. — Você disse que você mesmo vende também? — Dinah perguntou, inclinando a cabeça e franzindo os lábios carnudos. Vince concordou. — É um ótimo trabalho de tempo parcial, você pode vendê-las de casa. Se vocês estão interessados, eu posso dar o folheto de vendas. Esse tipo de negócio lembrou Hanna da nona série quando a mãe de Chassey Bledsoe tinha começado a vender imitações de faca Ginsu de porta em porta, se gabando que ela estava trabalhando em casa e ganhando muito dinheiro. Ela ainda tinha convencido Chassey a levar amostras com ela para Rosewood Day para tentar vender durante o almoço. Assim que a diretoria havia descoberto que Chassey tinha uma mala cheia de facas na propriedade da escola, eles impediram imediatamente. Mas Vince parecia tão sério sobre a água AminoSpa, como se ele realmente acreditasse que ela estava deixando todo mundo mais saudável e feliz. Hanna pegou a garrafa que ele tinha jogado para ela, abriu a tampa e tomou um longo gole. Ela lutou contra o impulso de cuspi-la. Tinha o gosto aguado de margarita. Vince bateu palmas. — Tudo bem. Vamos começar a transpirar, não é? As próximas semanas vão ser muito intensas, vocês vão ser forçados até seus limites. Muitos de nossos exercícios vão envolver lutas, competições e parcerias, por isso eu vou formar pares. A pessoa que eu emparelhar com vocês será o seu parceiro pelo resto da aula; vocês vão passar muito tempo juntos. Eles serão seu incentivo para os seus objetivos nutricionais e espero que um amigo pelo resto da vida. Com isso, Vince atirou a Hanna um olhar tímido e fugaz, e o estômago de Hanna se revirou. Era definitivamente um sinal: Ele iria emparelhá-la com ele. Ela já podia imaginar a cena: os dois lutando, Vince colado nela. Os dois correndo na pista Marwyn, os outros lentos à distância. Depois de cada sessão, eles beberiam café com leite — ou AminoSpas — juntos, e se divertiriam juntos. Então, quando Lucas voltasse, ela mostraria o quão bem ela ficou enquanto ele estava fora. — Tara, eu quero você com Josie. — Vince apontou para as duas mulheres de meia idade na parte de trás. Elas sorriram uma para a outra agradavelmente. — Ralph, você vai ser parceiro de Jerome. — Dois caras de barriga de barril e pernas separadas assentiram. Vince continuou ao redor da sala, combinando os membros de camisa vermelha um com o outro. Seu olhar continuava passando por Hanna, pulando ela. Porque ele estava deixando-a para ele mesmo, é claro. Finalmente, Vince apontou para Hanna e sorriu. — Hanna. Você vai ficar com... Hanna esperava que ele batesse no próprio peito e dissesse triunfantemente comigo, então quando ele apontou para alguém do outro lado da sala, ela não entendeu. Ela pensou que ela fosse a única pessoa que tinha sobrado, mas outro membro tinha
  33. 33. sobrado. As mãos da menina estavam sobre seus quadris cheios. Ela se moveu em seus Vans xadrez. Seus olhos fortemente delineados se estreitaram e seus lábios vermelhos estavam curvados em um sorriso de escárnio. Era Dinah.
  34. 34. 9 NAMORADOS DE MENTIRINHA SÃO MUITO MAIS DIVERTIDOS Na tarde de sábado, Hanna caminhou rapidamente para dentro do Momma’s Sweet Shoppe, uma nova-mas-feita-para-parecer-antiga sorveteria do shopping Devon Crest. O chão era xadrez preto e branco, havia bancos antiquados de cromo e couro no balcão, e um quadro-negro com tipos de sorvetes floats, malts e vários sabores do dia estava pendurado acima das máquinas de milk-shake. Os garçons usavam camisas brancas imaculadas, coletes com listras vermelhas e brancas e chapéus brancos de papel e uma música doo-wop soava no aparelho de som. O pai dela, Isabel e Kate a seguiram, fazendo brr por causa do vento forte e as temperaturas abaixo de zero que eles tiveram que suportar no estacionamento. — Me diga de novo, por que vamos tomar sorvete agora? — Hanna disse, seus dentes ainda se batendo. O Sr. Marin desenrolou o cachecol grosso e vermelho do seu pescoço. — Porque Kate e a mãe dela faziam isso depois de cada performance de Quebra-Nozes que Kate dançava. Certo, damas? — Certo — Isabel disse com orgulho, dando tapinhas no ombro de Kate. — Para a minha pequena Clara é sempre duas bolas de sorvete de hortelã. Hanna reprimiu um gemido. Era a mesma frase melosa que Isabel vinha dizendo durante o dia inteiro, na ida até Philly para ver uma matinê de O Quebra-Nozes na Academia de Música, na subida ao palco dos atores para receber os aplausos no final do balé, e na longa caminhada do local de estacionamento até o shopping. Kate era a pequena Clara dela, a criança principal de O Quebra-Nozes, o papel que Kate dançou por quatro anos com sua companhia de balé de Annapolis, e que tinha sido a peça de balé favorita de Kate desde então. Honestamente, Hanna não entendia o fascínio por esse balé — a casa de uma menina rica é infestada de ratos; bengalas doce, flocos de neve e estranhos homens russos que não deixavam ela dormir e, então, ela e um Rei Rato em um colete realmente feio desaparecendo dentro de uma colmeia gigante. Parecia uma viagem longa e estranha. — Eu aposto que você ainda é uma bailarina incrível. — Isabel empurrou uma mecha de cabelo dos olhos de Kate. — Você deveria ver ela dançando, Tom. Ela é tão graciosa. — Talvez você devesse assistir algumas aulas de novo — o Sr. Marin sugeriu. — Você poderia voltar a encenar. — Você é muito gentil. — Kate girou a pulseira David Yurman de prata em seu pulso. — Mas eu estou sem prática. Você só não quer porque você já não é mais a melhor da classe, Hanna pensou amargamente, lembrando-se da única experiência dela com balé. Ela e Ali tinham se inscrito numa classe na ACM, e quando todas elas fizeram grand jetés pela sala, Ali tinha caído em risos, dizendo que Hanna parecia com um hipopótamo usando um tutu.
  35. 35. Agora, Hanna suspirou. Depois de sua nova família ter feito uma comemoração do Hanukkah para Hanna algumas noites atrás, tudo tinha voltado ao normal logo em seguida. Os tolos Doze Dias do Natal haviam sido retomados, embora Hanna tenha sido capaz de escapar de um monte deles por causa do campo de treinamento. Ela tinha que continuar mentindo sobre para onde estava indo, mas até agora o pai dela não tinha lhe pressionado sobre isso — provavelmente porque ele realmente não queria ela lá. Ela tinha tentado contar uma piada para seu pai sobre Bubbe Marin e Morty, o indecente papagaio Africano cinza durante a refeição de hoje, mas Kate tinha interrompido ela, dizendo ao pai de Hanna sobre como Tchaikovsky tinha baseado o conto O QuebraNozes nos antigos contos infantis. Seu pai tinha acenado para Kate como se fosse a história mais interessante do mundo. Enquanto isso, apesar de Hanna ter checado obsessivamente a página do Facebook de Lucas, ele não havia dado sinal de vida. Ela estava meio tentada a ligar para o resort dele e xingá-lo por ignorá-la. Enquanto esperavam na fila do sorvete, Isabel contou outra memória de como Kate-era-uma-bela-bailarina. De repente, escutar a conversa de Quebra-Nozes foi demais para ela. — Eu tenho que ir ao banheiro — Hanna interrompeu, saindo da fila. — Só pegue para mim uma garrafa de água — disse ela, lembrando do comprometimento do campo de treinamento que ela tinha assinado. — Nós vamos caminhar pelo shopping com os nossos sorvetes. — O pai dela falou atrás dela. — Procure por nós na Brookstone, ok? — Uh-huh — Hanna respondeu distraidamente, serpenteando ao redor das mesas pequenas e sacos de compras enormes da Saks, Build-A-Bear, e da loja da Apple. Seu peito estava apertado, como se ela estivesse prestes a chorar. Seu pai havia prestado atenção nela há alguns dias, revivido os velhos tempos, rido e brincado com ela como se eles sempre fizessem isso. Mas agora isso parecia ter sido há muito tempo atrás. Ele não tinha percebido o quanto ela apreciava isso? — Hanna — uma voz chamou, e Hanna se virou. Sentado na pequena mesa no canto com uma pequena tigela de sorvete e uma garrafa de AminoSpa na frente dele, estava Vince da Body Tonic. Por um momento, Hanna não o reconheceu. Ele estava vestindo calça jeans, um suéter e botas marrons grossas. — Oi — disse Hanna, instintivamente passando a mão pelo rosto para se certificar de que não havia lágrimas escorrendo por suas bochechas. — O que você está fazendo aqui? — Compras. — Vince sorriu. — E tomando sorvete. — Hanna olhou para a taça quase vazia com uma sobrancelha levantada. Vince ergueu as mãos em sinal de rendição. — Você me pegou. Sorvete de pecan com manteiga é o meu ponto fraco. Esse lugar vai ser a minha morte. — Ele fez sinal para ela se sentar. — Eu nunca pensei que você tivesse uma fraqueza por alimentos — Hanna disse enquanto se sentava em uma cadeira de frente para ele. Ela apontou para o monte de sacolas de compras na cadeira ao lado dele. — Você conseguiu tudo da sua lista? Vince concordou. — Na sacola Toys ‘R’ Us tem um presente para uma criança carente. E o resto é para a minha família. Sua família está por aqui? — Ele apontou para Isabel, Kate e o pai de Hanna. Hanna fez uma careta. — Esses são meu pai, minha madrasta, e... Kate. — Ela preferia morrer do que se referir a Kate como sua família. Ela ficou olhando para a sacola Toys ‘R’ Us da cadeira. — É meigo você ter comprado um presente para alguém de um abrigo. É aquele em Yarmouth? — Ela
  36. 36. lembrou de Spencer sendo voluntária de lá na sétima série, porque isso seria bom para sua solicitação para a faculdade. Só Spencer pensaria em faculdades no primeiro grau. Vince bebeu um gole de sua garrafa de AminoSpa. — É algo que eu faço todos os anos. Um grupo da Body Tonic vai para lá na segunda-feira para entregar os presentes doados. É uma experiência muito gratificante. — Isso é tão meigo. — Vince era como o Brad Pitt com suas doações para as vítimas do furacão Katrina. O Sr. Marin terminou de pagar, e ele, Isabel e Kate caminharam para a saída. Só então um homem em uma roupa de Papai Noel passou perto deles. Ele olhou para a sorveteria e sorriu maliciosamente para Hanna. Hanna pegou a mão de Vince. — Rápido. Finja que você é meu namorado. — O quê? — Vince perguntou. — Só até o Papai Noel ir embora. — Ela acenou ligeiramente com a cabeça em direção à janela. Papai Noel ainda estava lá. Ela não tinha certeza de onde seus olhos estavam focando por causa dos óculos de sol, mas ela tinha um palpite muito bom. — Ele deu em cima de mim alguns dias atrás, me pedindo para sentar no colo dele. Eu não quero que ele pense que eu estou disponível. Vince riu e apertou a mão de Hanna. As palmas das mãos deles se encaixavam perfeitamente, e ela se sentiu subitamente calma e feliz. — Ok, finja que eu acabei de dizer algo realmente engraçado — Vince sugeriu. — Ha ha! — Hanna fingiu rir, jogando a cabeça para trás. — Você é muito lindo! — Ela estendeu a mão e tocou a ponta do nariz dele. — Não, você que é linda — Vince disse, tocando o nariz de Hanna também. Ela desejou que ele achasse isso e não que eles estivessem apenas fingindo. Eles fingiram rir por mais alguns segundos até Papai Noel encolher os ombros e ir embora. — Obrigada — Hanna suspirou. — Sem problema — Vince respondeu. — Sabe, uma amiga minha trabalha na Gap daqui, e ela também falou algo sobre o Papai Noel ser pervertido. Ele está dando um grande problema para o shopping. Eu não estou surpreso por ele ter dado em cima de você, no entanto. Calor se espalhou pelo rosto de Hanna. Ela mordeu o lábio inferior e baixou os olhos, fingindo estar fascinada pela forma mosaica da mesa. Isso significava que Vince achava ela bonita? A máquina de milk-shake zumbiu atrás do balcão. Uma menina bateu a colher contra seu prato vazio. Finalmente, Vince tossiu sem jeito. — Então, eu estou feliz por você ter decidido permanecer no campo de treinamento. Você está indo muito bem. Hanna sorriu. — Eu também estou feliz. Embora eu tenha ficado surpresa por você ter me emparelhado com Dinah. Vince franziu a testa. — Eu achei que vocês duas estariam perfeitas juntas. Hanna resistiu à vontade de bufar. Ontem de manhã, enquanto Dinah segurava as pernas de Hanna durante as abdominais, ela havia sussurrado: Só pra você saber, eu estou vendo sua calcinha. O que Hanna respondeu dizendo que o batom escuro de Dinah fazia ela parecer um cadáver. Então, durante o alongamento em dupla, Dinah tinha reclamado a Vince que Hanna estava alongando ela incorretamente, para que Vince alongasse ela ao invés. E durante a sessão da noite, Vince tinha proposto um agachamento para a classe, o vencedor ganharia um prêmio especial. Determinada a vencer, Hanna tinha se agachado e se agachado até seus músculos das pernas parecerem ter escorrido pelos joelhos. Um por um, os outros membros da classe caíram no chão, gemendo. A única pessoa que continuou, ao lado de Hanna, foi Dinah. Subindo e descendo elas continuaram.
  37. 37. Inspirando e expirando. — Maravilhoso, meninas! — Vince berrou. — Continuem assim! Mas então, a visão de Hanna tinha começado a embaçar. Ela caiu no chão, e Dinah soltou um grito. O prêmio de Dinah tinha sido uma garrafa de AminoSpa — há há. Mas ela olhou para Hanna, lambeu o dedo, pressionou-o contra a bunda e fez um barulho estranho. — Vocês duas são jovens e ávidas — Vince explicou agora. — Mas mais do que isso, eu acho que você é uma grande inspiração para Dinah. Eu não tenho certeza de que ela já levou a academia a sério antes, enquanto você parece que vem cuidando de si mesma há anos. Eu acho que você pode realmente ajudá-la a alcançar os objetivos dela. Hanna se animou. Isso fazia sentido. Ela nunca tinha pensado em si mesma como uma inspiração de academia, mas talvez ela fosse. Ela poderia ser como Jillian Michaels, ou o cara de cabelos compridos e de corpo bombado dos DVDs de yoga da mãe dela, sendo severa com Dinah ela dava muito incentivo. — Bem, eu estou feliz em poder ajudar — ela disse, cruzando os braços sobre a mesa. — Na verdade, se você quiser se encontrar comigo para falar sobre como eu poderia ser... mais inspiradora, eu ficaria feliz em ouvi-lo. Vince concordou contemplativamente. — Claro. Isso seria ótimo. — Eu também gostaria de ouvir mais sobre AminoSpa algum dia — Hanna acrescentou, apontando para a garrafa quase vazia. Isso fez com que os olhos de Vince se iluminassem. — Absolutamente. Eu posso te dar o resumo completo. Então Vince disse que era melhor ele ir. Os dois se levantaram e eles se despediram, e Hanna caminhou empinada para longe dele, esperando que ele estivesse dando uma boa olhada em sua bunda já mais firme. Seu coração estava disparado, seu rosto parecia corado, e ela se sentia bonita, radiante e desejada. Mas, quando saiu da loja, ela avistou algo fora da janela. EM BREVE, um cartaz grande dizia em uma loja do outro lado do corredor. RIVE GAUCHE. Ela sentiu uma pontada de culpa. Rive Gauche era o restaurante do Shopping King James que Mona e ela costumavam ir religiosamente — e era o lugar que Lucas trabalhava. Eles se conheceram lá, na verdade, Lucas tinha perseguido Hanna quando Mona tinha deixado a conta para ela, e eles desenvolveram uma amizade que levou ao namoro. Talvez fosse errado ficar fingindo estar com um cara quando Hanna tinha um namorado totalmente real de férias no outro lado do continente. Só porque Brooke era uma vadia anoréxica bronzeada não queria dizer que Lucas ia cair nas garras dela. Talvez até mesmo houvesse uma explicação para ele não ter mandado mensagem para ela ainda. Talvez a família Beattie tenha sido sequestrada por traficantes mexicanos e eles roubaram o iPhone dele. Ela tinha visto isso uma vez na série Locked Up Abroad. Ela pegou o celular para checar se havia notícias sobre Yucatán, mas antes mesmo da CNN carregar, um alerta apareceu em sua tela. Lucas Beattie foi marcado em uma nova foto, dizia. O coração de Hanna saltou. Então Lucas estava vivo! Ela clicou no link, o navegador abriu a página dela do Facebook. A foto de Lucas estava bem no topo do feed de notícias, Brooke tinha postado ela. Não havia nenhuma mensagem, apenas uma foto dele e de Brooke sentados em uma praia de areia branca, abraçados. Seus corpos pressionados juntos. Pele contra pele. O sorriso de Lucas ocupava praticamente a foto inteira. Hanna olhou para a foto pelo que pareceu horas. Isso parecia pior do que a pior dor de cabeça do mundo. Finalmente, ela saiu do Facebook e checou sua caixa de entrada para ver se tinha chegado quaisquer mensagem ou e-mail dele, mas não havia nenhum.
  38. 38. Ele nem tinha twittado ou — Deus me livre — ligado. A mensagem era em alto e bom som. Lucas tinha se esquecido dela, trocando Hanna pela Puke-a-tan. O que significava apenas uma coisa. Hanna também trocaria Lucas — por Vince.
  39. 39. 10 ISSO É EMBRULHAR Na segunda-feira depois da escola, Hanna estacionou em um pequeno estacionamento na frente de um edifício em frente à estação SEPTA de Yarmouth. ABRIGO DE SEM-TETO DE YARMOUTH, dizia uma placa com letras azuis desbotadas sobre a porta. Uma patética coroa de natal de plástico estava pendurada em uma das janelas, e alguém tinha amarrado algumas luzes de Natal em torno dos arbustos do caminho da frente. — Tem certeza que esse é o lugar que você se voluntariou? — Hanna disse em seu celular. — Parece que vai cair a qualquer momento. — Tenho certeza — Spencer Hastings respondeu do outro lado da linha. — E, bom pra você, Han, por estar se voluntariando. — Sim, bem, talvez a situação difícil com A tenha me tornado uma pessoa melhor — Hanna murmurou antes de pressionar FINALIZAR. Mas, na verdade, não era isso que a tinha incentivado a vir para o abrigo hoje. Era porque ela sabia que um certo treinador lindo iria estar aqui. Ela estava inteiramente no modo Faça Vince Querer Hanna. Ela não tinha se deixado pensar em Lucas e em Puke-a-tan desde que viu a foto do Facebook no sábado. Ela também tinha evitado o Facebook desde então, não querendo ver mais posts de Lucas e Brooke se afagando na praia. Mas se ela tinha sido dispensada, ela iria para a escola depois das férias de inverno com um novo corpo sexy e um namorado mais velho. Erguendo os ombros, ela caminhou até a frente do lugar e virou a maçaneta da porta. O abrigo tinha cheiro de madeira velha e mofada, e de suor. Uma mesa desocupada foi a primeira coisa que ela viu, em seguida, uma mini árvore de Natal giratória no chão. Ao longe, ela ouviu sons de papéis se amassando, tesouras cortando e risadas. — Olá? — Hanna chamou. Uma mulher com cara de torta em um suéter com um desenho de rena surgiu de uma porta marcada com BANHEIRO e sorriu. — Olá! Você é...? — Hanna. — Ela fez um gesto em direção aos sons de papéis se amassando. — Eu vim para embalar. — Excelente. Você veio na hora certa, temos toneladas de presentes esse ano, por isso precisamos de toneladas de ajuda. Eu sou Bette. A mulher levou Hanna por um longo corredor que era iluminado por painéis fluorescentes feios até uma grande sala com um monte de mesas e uma cozinha na parte de trás. Presentes estavam empilhados no chão, e havia tubos de papel de presente, laços, fitas e etiquetas em todos os lugares. Rockin’ Around the Christmas Tree estava tocando em um rádio portátil, e um monte de pessoas estava embrulhando presentes e bebendo o que cheirava a chocolate quente de copos térmicos. — Apenas pegue um presente e embrulhe — disse Bette. Então ela rebolou de volta na direção da recepção.

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