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Agas 278

  1. 1. mercado N donos lá fora egócios aqui, O setor supermercadista sofreu mudanças radicais ao longo da última década. Seguindo a tendência mundial, o mercado brasileiro tem hoje na liderança grandes players internacionais Svendla Chaves das cinco maiores empresas supermercadistas sempre alta e fechamento do mercado dificulta- em atuação no Brasil, quatro têm capital estrangei- vam a entrada das multinacionais. “Entre 1982 e ro. As três primeiras, Carrefour, Pão de Açúcar/ 1994, o fluxo de investimento direto estrangeiro Casino e Wal-Mart, respondem por quase 40% no Brasil era muito baixo, quase zero. Quando a de todo o faturamento do setor, somando juntas dívida externa foi renegociada, em 1994, houve R$ 53 bilhões em 2007. O cenário do último ano, mudança de perspectiva, aliada ao maior controle desenhado pelo Ranking Abras, é bem diferente da inflação. A partir daí houve a retomada dos do encontrado uma década antes. Em 1996, o investimentos, que ocorreram em vários setores, Carrefour era a única transnacional presente en- incluindo varejo em geral e supermercados”, tre as cinco líderes: então, Companhia Brasileira explica o economista Marcelo Portugal. de Distribuição (Pão de Açúcar), Bompreço, Sendas e Paes Mendonça figuravam do segun- O país do futuro do ao quinto lugar – e ainda eram controladas por capital brasileiro. O faturamento das três Segundo dados do Banco Central, o in- primeiras ficava em torno de R$ 11 bilhões, em vestimento direto estrangeiro no Brasil, que valores da época. em 1990 ficou em torno de US$ 1 bilhão, Até o início da década de 1990, o Brasil não superou os US$ 30 bilhões em 2000. A se- apresentava grande atratividade aos investidores gunda metade dos anos 90 foi marcada pelo estrangeiros. A fama de país caloteiro, a inflação ingresso de grandes players internacionais no supermercadismo brasileiro: As 5 Maiores no Brasil Wal-Mart, Royal Ahold, Jerôni- Classificação 1996 1999 2008 mo Martins e Casino entraram no país entre 1995 e 1999. 1 Carrefour Carrefour Carrefour “Além da abertura eco- 2 Pão de Açúcar Pão de Açúcar/Casino Pão de Açúcar/Casino nômica, é importante lembrar 3 Casas Sendas Sonae Wal-Mart que o Brasil estava ‘para cima’: 4 Bompreço Bompreço/Ahold GBarbosa/Cencosud houve a estabilização da moe- 5 Paes Mendonça Casas Sendas Cia. Zaffari da, a paridade com o dólar, a Fonte: Ranking Abras inflação despencou. O país se 68/69 Revista AGAS (agosto 2008)
  2. 2. mostrava muito promissor para o futuro. A década terminou com um novo pano- Onde os estrangeiros iriam aplicar seu di- rama no ranking brasileiro: em 1999, das sete nheiro, se seus próprios mercados estavam primeiras colocadas, seis tinham participação saturados? Dos cinco maiores supermercados internacional, e as três líderes somavam um da França, país que tem grande tecnologia faturamento de R$ 18 bilhões. A concentra- no setor, quatro deles estão espalhados pelo ção, no entanto, ainda não era tão grande: mundo”, salienta o consultor de varejo An- a primeira colocada faturava aproximada- tonio Carlos Ascar. mente três vezes mais que a quinta; hoje, o A estabilização de preços foi um im- faturamento do Carrefour (1o) é mais de dez portante fator para a mudança de cenário. vezes maior que o do Zaffari (5o). Se de alguma forma enfraqueceu os opera- dores nacionais, já habituados a administrar As redes vão às compras lucros com a situação, de outra parte tornou a gestão menos árdua para os estrangeiros. Boa parte das mudanças do setor aconteceu Marcelo Portugal lembra que é muito mais por meio de fusões e aquisições, fluxos presentes difícil operar uma empresa com taxas de no Brasil e no exterior. Conforme relatório da Co- inflação de 40% ao mês: “O término da missão Econômica para a América Latina e o Caribe inflação não só facilitou a gerência finan- (Cepal) sobre investimento estrangeiro no Brasil, a ceira como também aumentou a renda dos partir de 1995 “várias empresas enfrentaram difi- consumidores, o que é fundamental para o culdades, gerando condições propícias para fusões setor supermercadista. Cresceu o crédito, e aquisições e para a expansão regional de grandes cresceu a renda, as pessoas tiveram mais grupos já estabelecidos. Do ponto de vista das em- poder de consumo”. presas estrangeiras, o momento representava uma
  3. 3. mercado oportunidade”. Ainda de acordo com o relatório, “é interessante Concentração observar que as primeiras redes Embora tenha quase a metade de seu mercado nas varejistas que entraram no mer- mãos das dez maiores redes de varejo, o Brasil ainda está cado brasileiro foram as cadeias longe de exibir um alto índice de concentração quando européias, já que entre as classes comparado a outros países. Abaixo, o percentual de par- média e alta no Brasil – pelo ticipação das cinco maiores redes sobre a venda total dos menos até os anos 80 – predo- supermercados em cada país (estudo feito pela Ascar & minavam características mais Associados sobre dados de 2006). européias de consumo”. A primeira estrangeira Índice de países selecionados em 2006 (%) a entrar no Brasil foi o francês Carrefour, em 1975. “O primei- Suiça 86,3 ro hipermercado, na marginal Pinheiros, em São Paulo, pas- Reino Unido 77,9 sou meio despercebido. Mas o Carrefour cresceu e se tornou Chile 68 o maior competidor do Pão de França 64,7 Açúcar. Na década de 90, virou o número um”, lembra o consul- EUA 51 tor Ascar. A empresa adquiriu, México 38,4 entre 1995 e 1999, as redes Eldorado (SP), Planaltão (DF), Brasil 26,4 Roncetti (ES), Mineirão (MG) e as cariocas Rainha, Dallas e China2,8 Continente, além de arrematar os supermercados das Lojas Americanas. Em 2006, comprou o Atacadão, o que No final dos anos 80, o grupo português So- elevou novamente sua posição no Ranking Abras. nae criou em Porto Alegre, com a Josapar, a Cia. Real de Distribuição. O boom de crescimento veio no final da década seguinte: com a aquisição das Carrefour paranaenses Mercadorama, Coletão e Muffatão, das gaúchas Exxtra Econômico e Nacional, além No mundo: Criada na França, em 1960, hoje a rede opera mais de 14 mil estabelecimentos de participação de 85% na Cândia Mercantil Norte em 30 países, empregando aproximadamente Sul (SP), a empresa passou a figurar entre as cinco 450 mil funcionários. É a maior varejista da maiores do país. Em 2005, vendeu suas operações Europa e a segunda maior no mundo. Divulgação/Carrefour No Brasil: Primeira transnacional supermercadista a se instalar aqui, o Carrefour escolheu o país para implantar sua primeira loja no con- tinente americano, em 1975. Teve em 2007 faturamento superior a R$ 19 bilhões, empregando 59 mil funcionários em 510 lojas. Arrema- tou, ao longo da última década, uma dezena de empresas, o que ajudou a recolocá-lo no topo do ranking no ano passado. 70 Revista AGAS (agosto 2008)
  4. 4. mercado no mercado brasileiro, pois cada país tem suas características, Pão de Açúcar/Casino hábitos de compra e condições No mundo: A rede Casino está entre as 30 varejistas mais sociais. Muitas empresas acham poderosas do globo, embora estruture boa parte de seus que, por terem sucesso em de- negócios da França, onde foi fundada, no século 19, e tem mais terminado país, o mesmo vai se de 8 mil lojas. Na América do Sul, também está presente na passar no Brasil”, afirma Ascar. Argentina, Uruguai, Venezuela e Colômbia. O Brasil é o segundo No entanto, nem todas se país em número de lojas, perdendo apenas para a França. dão bem por aqui. Dois exem- No Brasil: A Companhia Brasileira de Distribuição (grupo Pão de plos de insucesso são a holandesa Açúcar) foi fundada em São Paulo em 1948 por Valentim dos Ahold e a portuguesa Jerônimo Santos Diniz, pai do atual presidente, Abílio Diniz. Com 66 mil Martins – coincidentemente, empregados em 13 estados brasileiros, opera com as bandeiras parceiras em Portugal. A pri- Pão de Açúcar, Sendas, CompreBem e Extra. Apresentou grande meira ingressou na região Nor- crescimento na última década, principalmente pela aquisição ou deste do Brasil, com a compra união a redes Divulgação/Pão de Açúcar dos supermercados Bompreço e como Barateiro, Peralta, Paes Men- GBarbosa – essa, hoje a quarta donça, ABC, Sé e no ranking, foi vendida em 2007 Sendas. Em 2007, para a chilena Cencosud. O gru- adquiriu a rede po holandês, que já foi um dos atacadista Assai, dez mais poderosos do varejo que apresentava global, encerrou seus negócios faturamento supe- no Brasil após uma crise con- rior a R$ 1 bilhão. tábil que afetou suas operações internacionais. Já a Jerônimo Martins, que em 1997 comprou os supermercados Sé, Batajão e Santo An- tônio (SP), desistiu de investir nos negócios brasileiros e deixou o país em 2002. no Brasil ao Wal-Mart, que, no ano anterior, já A última grande transnacional a inves- havia adquirido o Bompreço. tir foi a francesa Casino. Desde 1999, vem Para Ascar, o Sonae não soube administrar gradualmente assumindo o controle do Pão bem seus negócios no país, que devem ser recu- de Açúcar – que arrebatou boa fatia das perados pela rede norte-americana: “O Wal-Mart pequenas e médias. Para Antonio Carlos tem uma visão mais centralizada, em um formato só. A intenção, quando entrou no Brasil, era construir sua pró- GBarbosa/Cencosud pria rede, com características próprias. No mundo: A chilena Cencosud vem apresentando desempenho Em quatro ou cinco anos, no entanto, considerável entre as empresas latino-americanas. Está entre as 60 começou a comprar outras. Essa é uma maiores transnacionais com negócios na região e é a terceira maior forma mais rápida e fácil de crescer”. varejista com capital local. A empresa surgiu na década de 50, em Temuco, e hoje atua na Argentina (perdendo apenas para o Carrefour), É mais fácil comprar no Peru, onde comprou a maior rede varejista em 2007, e na Colômbia, trabalhando em parceria com a Casino. A dificuldade de adaptação No Brasil: A GBarbosa, que havia sido incorporada ao grupo ao mercado local é outro fator que Bompreço pela holandesa Ahold, teve de ser vendida separadamente, favorece fusões e aquisições em em função de questões antitruste. Em 2007, a rede, que opera detrimento da criação de novos na região Nordeste e foi fundada em 1955, empregava 10 mil espaços. “Quando chegam, as funcionários, com faturamento de R$ 1,9 bilhões. redes têm dificuldade para entrar 72 Revista AGAS (agosto 2008)
  5. 5. Wal-Mart No mundo: Fundada em 1962 pelo norte- Divulgação/Wal-Mart americano Sam Walton, o Wal-Mart é a maior empresa do varejo global. Segundo relatório da Deloitte, “sozinho, o Wal-Mart representa a soma do segundo, terceiro, quarto e quinto varejistas juntos”. São 7 mil lojas, quase dois bilhões de funcionários e um faturamento de US$ 374 bilhões em 14 países. No Brasil: Depois de estruturar uma rede própria no centro do país, o grupo adquiriu as operações do Bompreço, no Nordeste brasileiro, e do Sonae, no Sul. Com 68 mil colaboradores e 313 lojas, a empresa ficou em terceiro lugar no último Ranking Abras. Ascar, que atuou por mais de 30 anos na com a venda das empresas normalmente é rede paulista, o Pão de Açúcar já é do grupo reaplicado em novos empreendimentos aqui.” Casino: “São os franceses que mandam na Ou seja: mantém-se os empregos e as finanças rede hoje, mesmo com a presença do Abílio das primeiras girando no país e ainda se abrem Diniz. Eu não tenho dúvida: em dois ou três novas oportunidades. “Também há vantagens do anos, a operação toda vai ser deles”. ponto de vista organizacional, pois as empresas estrangeiras trazem uma tecnologia gerencial Positivo e negativo mais avançada, que acaba contagiando todo o mercado”, lembra Portugal. Apesar de afetar as empresas e fornecedores Em tempos de estabilidade, para cada nova nacionais, essa dança das cadeiras traz alguma companhia que entra no mercado, alguma, mais vantagem para o país? O economista Marcelo antiga, é obrigada a deixar o setor. “As mais Portugal acredita que sim: “Às vezes se la- defasadas vão desaparecendo. Há muitos casos menta quando o controle de uma empresa sai na história brasileira, como as redes Disco, Casa do país, pois as decisões estratégias ficam na da Banha, Pegue e Pague, todas desapareceram. mão de estrangeiros. Isso é Eram grandes, conhecidas e fortes, mas pararam uma perda. Mas, por outro no tempo. Quem não se atualiza perde espaço”, lado, o dinheiro que entra avisa Antonio Carlos Ascar. O consultor acredita, contudo, que ainda há espaço para as redes nacionais: “As brasilei- Divulgação/GBarbosa ras estão se tornando pequenas e médias. Mas o mercado está mudando, as grandes lojas estão perdendo espaço, pois têm mais dificuldade de adaptação a merca- dos específicos. Isso abre espaço para as redes menores e mais fle- xíveis, que, se tiverem dinheiro, sucessão e profissionalismo, vão se manter por meio da especiali- zação de seus serviços”. (agosto 2008) Revista AGAS 73

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