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Essa é a primeira edição, não
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Meu corpo está fraco e a mente febril.
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Hipocrisia elitista
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Rugas n1 versão digital

  1. 1. Pag.1 Editorial Essa é a primeira edição, não pretendendo ser a última, do zine Rugas. Aqui derramo meus desgostos de todo esse caos que nos cerca, sem me preocupar em enxugar, sem ninguém para me censurar, bem livre, como deve ser. Mas uma liberdade com princípios, princípios que me fazem olhar a vida que nos sufoca sem a adaptação que as pessoas costumam carregar e transmitir. Se lágrimas fossem ácidas dariam aos olhos o que sinto no peito. Tudo de mais decrépito é simplesmente ignorado por quem pode, é enxotado de suas vidas para o mais longe possível de seus olhos, e assim levam a vida os hipócritas. As pessoas vão dando descarga, e a minha função é fazer a merda voltar. Não contenho minhas magoas, pois as uso a meu favor, ninguém é feliz sem um propósito e o meu está na revolta, na desgraça, em mostrar o que viram a cara para não ver, de forma suja e fedida, cuspir na cara dos hipócritas! Quando me sinto sem forças para viver e minha respiração só pesa em meu peito, vejo que é hora de produzir, não perco tempo chorando pelos cantos, trato de escrever. Esse número abre com 13 de minhas poesias, com alguns desenhos espalha- dos, e encerra com uma historia ilustrada completamente fictícia, que por fazer sem nenhum compromisso com nada, tem certos erros que não fiz a mínima questão de corrigir. E é isso aí. Espero que goste dessa mistura de momentos infelizes e depressivos de minha vida, onde tinha vontade de gritar enquanto voltava a ser um feto com os olhos de um gato assustado e desnutrido, ou o de multilar meu rosto enquanto agonizava no chão em meio a saliva e lágrimas. Divirta-se! Solano Gualda CONTATOS E-mail: solanogualda@hotmail.com Facebook: www.facebook.com/rugaszine Blog: www.rascunho100rumo.blogspot.com.br Caixa Postal: 21819, Porto Alegre/RS cep. 90050-970 RUGAS
  2. 2. Pag.2 O cadeado da dor Meu corpo está fraco e a mente febril. Chego em casa e busco um canto para chorar. Não há cantos! Minhas lágrimas esperam sua chance de liberdade. Meu corpo de inexistir em sua totalidade. Não há cantos! A agonia corre densa e transpassa o meu rosto. Dizem que pareço febril e tento sorrir. Não há cantos! Com a mão frouxa tateio meu caderno. Rabisco em sua mente meus desgostos e fobias. Aqui há cantos, penso eu. Todos os cantos! Samba triste Como meu coração enquanto ouço um samba triste. A forca sacode pelo forte vento frio. As telhas caem por leves movimentos. Goteja em meu rosto um pouco de desgosto. Pela porta entram pessoas cinzas de uniformes coloridos. Com molas nos pescoços avançam e recuam com suas cabeças sorridentes. Correntes estremecem em desesperada alegria. As pessoas gargalhando se assustam com meu pranto. Pensam uniformes em sua clonada matilha. Sorrisos de medo e sorrisos de dor. Um homem gargalha com ódio e rancor. Me sufocam com a corda da decência. E me amarram com as mãos dos sem olhos. Sou levado em meio a chuva, mas só eu posso senti-la. Meu coração cai na lama e é pisoteado pela massa. Levado ao palco, todos aplaudem. Os risos abafam o som do samba e a chuva só cai com mais força. Sorria, todos gritam. Encharcado, sou levado a chorar. Gritos em último volume de uma alegria zombadora abafam a chuva. Quanto mais sofro mais me arremessam pesados blocos de alegria. Feridas fazem o que tinha sair e a chuva entrar. Não sinto mais a água em minha pele, mas a vejo com toda a força. Sorria, todos gritam. Sou sufocado pelo bom senso e preso pela tradição em meu pescoço. Sorria, todos gritam. Nem acredito quando não sinto o chão abaixo de meus pés. Suspenso no ar, ouço a lama pulsar enquanto as pernas tremem. As artérias são entupidas pela suja chuva e amaciada por uma alegre dança. O carrasco segura um microfone em sua mão bem tratada. Sua cabeça vai pra frente e pra trás, pra frente e pra trás. Sinto minha força esvaindo de meu corpo junto a minha saliva e vômito. Quando meu pescoço se quebra e meus olhos param de se molhar, a multidão grita, sorria. Então me tiram a corda e me põem uma mola no pescoço. Me ergo tonto e cambaleante. Olho para todos com minha cabeça indo para frente e para trás, para frente e para trás. Não consigo parar de rir, mal posso respirar. Riem para mim e eu rio para eles. Então todos rimos, porque tudo tem muita graça. RUGAS
  3. 3. Pag.3 RUGAS
  4. 4. Hipocrisia elitista Fome medo. Medo e fome. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Não tem jeito, não tem jeito. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Carro velho, compra um novo. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Putas caras e piscina. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Banho frio e urina. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. O farol e a cafetina. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. 12 anos sem um dente. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. 5 mil numa corrente. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Acorrenta o bandido. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Que morreu sem ter nascido. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. De noite reza para cristo. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Vive a vida escondido. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Números Números são tristes e solitários. Vivem suas vidas sem amor ou compaixão. Vivem suas vidas sem rimas ou sentimentos. Vivem apenas para deixar os sonhos morrer. Se alimentam das carcaças da criatividade e tiram forças da exclusão. Fazem o que fazem e não poderiam fazer se não o que já fazem. Não podemos convencê-los! Eles não entendem palavras, apenas suas próprias regras. As seguem com suas maletas cheias de desesperanças e indiferença. Vestindo com um caro terno seus corpos deformados. Marchando ao som de seus líderes mortos e dos choros das crianças. Vivendo independente da vida e comendo independente da fome. Pelas palavras liberto sentimentos de horror a seus tristes seguidores. Que marchando não entendem o que é voar. Pelas palavras não existem limites, além dos que você criar. Com elas posso inventar minhas próprias fórmulas e cálculos. Por elas, posso me afastar dos números. Podem alguns pôr regras em suas palavras. Mas estes não sabem o que é poesia. São apenas números que aprenderam a escrever. Tenho medo que com isso eles façam os sonhos morrer. Pag.4 Lágrimas Quando tudo parece fútil. Quando chorar é inútil. Quando a mente pesa o corpo. E o corpo quase morto. A dor já não machuca. A ferida não se fecha. Um canto pra cair. O asfalto vai servir. Os amigos a lhe cercar. Começam a gargalhar. Seu rosto amassar. Com chutes a golpear. Sangrar, sangrar, sangrar. Nem ele irá chorar. Tudo que começa um dia tem de terminar. Sua vida foi tão boa, mas ninguém vai se lembrar! Chora pelo desnutrido. Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. Para não sentir-se apodrecido Lá, lá, lá. Lá, lá, lá. RUGAS
  5. 5. Pag. 5 Punk A maquiagem desmancha e o vento solidifica-se diante ao meu ver. Todas suas curvas e nuances são apreciados com desgosto. Minha vista começa a pesar e minha essência a escapar. Uma forma escura e cancerígena toma seu lugar. Ela está em toda a parte. Sempre esteve. Mas agora volta a me atormentar. O que seria ela? Começo a entender depois de tão perto vê-la. De repente não só o vento, mas o resto também transforma-se. As construções, as pessoas, a estrutura social. Tudo mistura-se a esta forma que antes fora o vento. Uma maça uniforme tóxica e cada vez mais nociva me cerca. Me sinto sufocado. E quando percebo o quanto a fumaça me agride, é que vejo o quanto esse disco é bom. Esqueça Quando o vento bate em meus olhos, sinto vontade de chorar. Sei que isso não é um bom motivo, mas é tudo que o mundo me dá. Tudo o que encosta machuca e faz sangrar. E tudo isso porque um dia fui lhe amar. Descarte Arrancou-lhe os olhos, mas lhe deram alegria. Arrancou-lhe a língua, mas lhe deram os dentes. Arrancou-lhe as pernas, mas lhe deram as mãos. Arrancou-lhe os sonhos, mas lhe deram um carro. Arrancou-lhe a vida, mas lhe deram as férias. Mais alguma coisa estão pra arrancar. Quando percebe começa a sufocar. E a terra seu corpo cercar. E assim a ele descartar. No fim, ninguém irá sobrar. Consumo Viva feliz com suas mentiras. Seja carne de açougue e número em uma firma. Seja fútil e troque seu amor por uma fantasia. Seja casada e apodreça sozinha. Entre no armazém para a reserva de boceta. Está no final, mas sua vez ainda chega. Ele é tão lindo, mas esconde tua faceta. Todas com a mesma careta, nas costas do capeta. Ela não se importa de ser mais uma de suas meretrizes. Só quer ser como as outras meninas felizes. Cotidiano doente Roda, roda e roda. Ouve-se apenas o repetido balançar. Só os pensamentos ecoam e as pessoas presas em seus mundos. A agulha do desgosto perfura minha garganta. Dela só saem palavras tristes. Maldita dança cotidiana. Sua caótica essência daria mil textos sem palavras repetidas. Jogo aqui um pouco de desgosto, sem maiores objetivos. RUGAS
  6. 6. Pag. 6 As puídas gotas do sonhar Novamente a relutante chuva, com seus berros de revolução e sua dança de libertação. Ninguém a julga ou a controla, é livre das malditas garras da repressão. Toda vez que a vejo me enche o coração, pena que ninguém lhe dê a devida atenção. Sem regras ou padronização, a verdade é que invejo sua solidão. Solidão Esmurrando a parede com meus punhos, não tenho força para os fazer sangrar . A dor sufoca, mas não me lembro de como chorar. Me contorço diante ao espelho, sem público para me adorar. Jogado ao chão, volto a engatinhar. Uma faca esfrego em minha mão, mas tenho medo de me cortar. Tremulamente, não paro de agonizar. Ninguém pode me escutar, ninguém pode me ajudar. Não engulo suas mentiras, elas me fazem engasgar. Queria ser feliz, sem que pra isso tivesse que me enganar. Fabrica de futuros proletários Depois de por dois dias tão bem viver, volto a esta prisão. Grades de horários e compromissos. Conhecimentos fúteis e obrigatórios, aprendizado raso e desconexo. Se entupa de lixo e seja feliz. Obedeça o que um líder diz. Faça isso até que sua mente possa parar. Copie esses dados que nunca entenderá. Máquinas só devem ordens acatar. Máquinas não podem chorar, nem gritar. De nenhuma forma, máquinas podem se libertar. Meu lado humano vou guardar, para semana que vem reativar RUGAS
  7. 7. Pag 7 RUGAS
  8. 8. Pag. 8RUGAS
  9. 9. Pag 9 RUGAS
  10. 10. Pag 10RUGAS

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