A verdadeira obra do espírito jonathan edwards

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A verdadeira obra do espírito jonathan edwards

  1. 1. 2 a Hu. . . ÍÍJJ a. . . .ÍW u. , s . .Í
  2. 2. __a_r__ __: “:' üÍíl- 'à ““ Sinais dõautenticidadeí i * : _ : Z Z Esta obra c Llñíí¡ Exposição” di' Tlm? T-'íTcíía Emíí inaçslfíáíí íET1fñT1ÍúitTSíi11<› pur nlammthnn Eduard: que nos (LYDTUI 11 PTDYíJIIUUS aapmccdência dos Z* “ ívspílíisw: SÍCW§1ZSÍ*>"KÍ! B W111 a ICC*? lílülldfislãíl sls›_apf›§tol<› 19:30._ Os zpcausaurgvrxws do ; Lunar surgiram da nrtccsskkrçlet dc jrLsLruírLrs ; ibama _ __ _- _ _-, _,T-_7__, acute”Tvívcraauai픡xuxña*õpncaíic gr-andc*àgíiaçmrc Lüíriííisau. a uncdixhrqiüi* sc faziam Lgulus aos [tipos dc Jriyindícaçiuu espiritual. Nixué apruho dizcr _ [que a siruaçgín nn Brasil dc hBjç-Xujwarcsciíta ¡nujtas scnícltxzuííçus. Á ? int dc pruxurr a pruccdóínéií: : Lins cspírítlus, ÉiÍxvurLi§ ntxtruñiícíuí . zscrixqs du ; tpcísítiíu UaÍUrZL* sinais (juv í¡uií'cí¡1n a prãsçnçz¡ uu ausência du ilísrvíatitax) rlcaal)çraasa nuanaaa, pacssgur, na11<_›'ia¡11gtan_1ac_r_ , uuiggxjaazx açgrxjandc_ rsfrrcrc'[Cíncnatnnchlsñvc PTÉÚCÂÊ para a aigrcjzí. ênterrandn *CÚTTTÊÍÍIÍ éaalíast' caracicrístíea [na huñiíklmlrt' em Hadaxraxaxaaisasídn«Expírmtz f" - h HH# han #Ídwareh e HtFã-l .7 íêH 4m H~í<-H. ?Huwrfn t=4tn+t4tw tl1ñi-k14Hkkütiñkkâãrfñ' mnftrr i Í . Jmfññnrw (' ñTfVÚ-l( › T3 LTYUTÍTKFUÍW. Irm' Tlñx'ci~“. tnñ~*LÍr¡d; ¡dL' (mn U7 c MTT. : Hllcmc huníií-ír¡ nn Qiúgirx' íuí~línifltna *cu lv: íIh. nTiíí<1iu› ; uuuíõuíuíñv. imúntátjnííu. sI-'Iíííflíin' c“~%i'a7“17 . üímíun . l__l[líí_ll_llx_'íl jl1_4|_Í_¡f-_Íl'1i_. |_l_. línxnra 5_ÍL_'L__Í_ͧ_'. _QVAJÇ› 5; gngnglg p1_k'j; ¡_g_l_(_›_l; [311]bürljjkçgyir1111)_, ghàjjçlgllx, Lig _alíunniru lirguldurüuxpcrurururuu um: 1.44.11» Luiduxu7un1ag1:uuíu rALmüum/ duquuiuamum dcrrweixiat1w1H+rÁÇuír6xrtt›um: m ! wnwv *vfiñéwkwtahfüwtñmhi't"ü'hrtñít4ntrt*t'Ít*'F)t*tt*s7:rlgH-l-H" ~ ~ ddr-T Wíhhñdüí nñ Hmííi. “ “ D¡ a VÍDÀ NOVA * TÍ¡”É'ÍÍÍTTyíÍT7íñí *m* “
  3. 3. i 4px: : ¡rpgw ivm9igiÉ*í§7~; s§: §iÍÕE~iw f? Íãgzgiirm @ãgiíiíl-jgíiíüüiãgiãâíbfitêfggjíígiçnàíià âíãiü_l_ff-Íífe, ííííi. l~mqxi : :iiñüjgrriã. íjiizgíiii' . inííesn, @(1594 ma faná- 1 , Íiütíâüiíàííkrâiiígíñíi&IÉÊÉTWE *fm _ i ÉÕÕÉJÊÍQ e ? iujiâiliv ÍFQFJ. _rafñpaiênntz~›s a *l ü ' 'iuihiu- : Gigabit: raüíleilpjttaâà'i9aâí“5'¡íiÚãñàíâiHà* '~ : mr: gíiçítg, r * A. .a-_ . .l _ - . . -s -. 32%*»âàííêâaãgráã$§1ii§fãhii J i_ *iiíiníÊn-g. . "CL "af Íãglêntàíkafãlé f¡ ›'§3_1_(9J? L(3§'J$Ê! <' ? à qããiygüíxii ? Exilim 1' 1* . ._ n~ a « ~- v* . ln i _f ? ÍHÍÍP n' bñ-'Lttnfã' " i › *i5 *' -. r Ê__, _ ~--T: -¡. _ . _ -~-'. « ' é # , , . .. a. ? v4; o «. J.i. t:iÍàT§§: 'giaíâ-Ía. . àÍÍÊÍ? -1;Í35*: «1Í7ÍÊ@LÚ$1§¡ _, *ía ífrânãilñikisrsiâiíãfwfxí; ?Éjãítíífáaüêyxíãiíãíggàifíil n. «íiicTr-'cgjpitíà-'ÉÍÉXÍ' níãzuraíaoni t;
  4. 4. A “Jerdadeira Obra do Espírit Sinais de Autenticidade EDIÇÃO REVISADA Jonathan Edwards 'FrztduÇàtJ Íalérizt Fontana De VIDA NOVA CD
  5. 5. Título do original: Tive Mai-kr qf a : Ward : aftbe True Spirit 1.** edição: 1992 Reimpressão: 1995 2.** edição revisada: 2010 Publicado com a devida autorização e com todos os direitos reservados por SOCIEDADE REIJGIOSA Enrçoes VIDA NOVA Caixa Postal 21266, São Paulo, SP, 04602-970 wvrwwidanovaucombr Proibida a reprodução por quaisquer meio (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos, gravação, estocagem em banco de dados, etc), a não ser com citações breves com indicação dc fonte. ISBN 978-85-275 -042 7-0 Impresso no Brasil/ Prínted in Brasi! COORDENAÇÃO EDITORJAI. , Marisa K. A. de Siqueira Lopes COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Sérgio Siqueira Moura REVISÃO Arkhé Editorial Ruvrsfto DE PROVAS _Josiane de Almeida Mauro Nogueira DlACRAhiáÇz-ÍO Sk editoração CAPA Rima Comunicação
  6. 6. Sumário Prefácio . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. 7 Introdução . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . . 9 1. Sinais que supostamente. negam uma obra espiritual . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. 13 2. Sinais bíblicos de uma obra do Espírito de Deus . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . . 45 3. Inferências práticas . ... ... ... ... ... ... ... .. . . 63
  7. 7. Prefácio JONATHAN EDWARDS É CONHECIDO HOJE NO Brasil principalmente por causa de seu sermão intitulado Portadores nas mãos de um Dem irado. Isso é lamentável, pois Edwards foi antes de tudo um humilde missionário, que trabalhou entre os índios, e um pastor amoroso. É provável que ele preferisse ser lembrado simplesmente como o "fiel pastor da igreja de Northampton” e não como um pregador de mensagens sobre o fogo do inferno. De qualquer forma, devido à força e ao brilhantismo de seus escritos teológi- cos, seu nome difundiu-se através dos Estados Unidos e da Europa. Chegou o momento de apresenta-lo ao Brasil. Neste pequeno livro, Edwards nos fala sobre a atuação do Espírito na igreja através dos séculos. Essa questão lhe era crucial, pois sua igreja foi atingida pelo Grande Desperta- mento das décadas de 30 e 40, no século XVIII. Esse foi um período de grande agitação e con- fusão, à medida que se faziam todos os tipos de alegação espiritual. Não é necessário que se diga quão semelhante é hoje a situação no Brasil. Este lívreto apareceu pela primeira VCZ numa forma mais compacta, como uma palestra
  8. 8. I 8 I A 'L= -1<| ›.›i¡›L-^n1.~x OBRA no Lixvuu m realizada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Com o passar do tempo, Edwards fez alguns acréscimos, até que chegou ao tamanho que ele tem hoje. Á verdadeira obra do Espírito - sinais de autenticidade é uma exposição magistral do capítulo 4 de ljoão, texto que nos exorta a avaliar “se os espíritos vêm de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo". Edwards extrai dos escritos do apóstolo João um total de quatorze sinais ou marcas que indicam a presença ou ausência do Espírito de Deus numa pessoa, movimento ou igreja. A seguir, ele oferece cinco conclusões práticas para a igreja, encerrando com sua ênfase característica na humildade em todas as coisas do Espírito. Os editores
  9. 9. Introdução Amados, não err/ editais em qua/ quer espírito, mas erva/ iai se os egoírítos -zrém de Deus, porque muito: fàlsos pro/ feras têm . saído pelo mundo (ljo 4.1). NA ERA APOSTÕLICA, HOUVE o IVIAIOR DERRA- mamento do Espírito de Deus de todos os tempos, seja em termos de dons e influên- cias extraordináríos, seja em termos de realizações comuns, convencendo, conver- tendo, iluminando e santíficandt) as almas dos homens. Todavia, à medida que as in- fluências do verdadeiro Espírito abundavam, também as falsificações se disseminavam; o Diabo fartou-se em imitar as obras do Espí- rito de Deus, tanto as Comuns quanto as extraor- dinárias, conforme se evidencia em inúmeras passagens dos escritos apostólicos. Isso tor- nou indispensável o fornecimento de certas regras à igreja de Cristo, marcas distintivas e claras através das quais ela pudesse pros- seguir em segurança, ao avaliar o verdadeiro e o falso, sem correr o risco de ser ludibriada. A exposição dessas normas é o propósito evidente do capítulo 4 de ljoão, texto em que tal assunto é tratado de forma mais clara
  10. 10. l 10 I L~ 'l-. Rl7.-l)| iH<. OBRA I›(I1.s¡'iR|1n› e completa do que em qualquer 01.1110 lugar na Bíblia. Com esse objetivo determinado, o apóstolo encarrega-se de suprir a igreja de Deus com sinais do Espírito verdadeiro, que sejam claros, seguros e bem adaptados ao uso e à prática. Para que o assunto pudesse ser abordado de maneira simples e adequada, João insiste nessa temática ao longo de todo o capítulo. Por isso mesmo, e' estranho que o que é dito aqui não seja levado em consideração, nos insólitos dias de hoje quando há atividades tão incomuns e amplas nas mentes das pessoas, uma imensa variedade de opiniões e tantas discussões a respeito da obra do Espírito. A exposição do apóstolo João sobre esse assunto é inUoduzida por uma menção ocasional ao fato de que o Espírito habita em nós, como clara evidência da partici- pação em Cristo. “Qxem guarda seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos tem dado. " (lJo 3.24). Consequentemente, podemos inferir que o propósito do apóstolo não é apenas mostrar os sinais pelos quais é possível distinguir o Espírito verdadeiro do falso, por seus dons de profecia e milagres extraordinários, mas é também falar sobre as influências comuns desses sinais na mente do povo de Deus, visando à união com Cristo e à edificação nele, o que também fica claro nos próprios sinais oferecidos, os quais iremos observar mais adiante. As palavras iniciais do texto servem de introdução à exposição sobre os sinais distintivos entre o verdadeiro Espírito e o falso. Antes de definir cada um dos sinais, o apóstolo primeiro cxorta os cristãos contra a credulidade ingênua e a prontidão para confiar em toda manifestação ilusória como obra do Espírito verdadeiro. "Amados, não 1xruo1›L; <;/ t, › I ll I acrediteis em qualquer espírito, mas avaliai se os espíritos vêm de Deus. .." Em segundo lugar, o apóstolo adverte quanto à existência de muitas imitações: “mporque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo". Estes não só possuir o Espírito de Deus em seus extraordinários dons de inspiração, mas também fingiam ser grandes amigos e preferidos de Deus, pessoas eminentemente santas com grande interesse pelas influências da salvação e santificação vindas do Espírito de Deus. Portanto, devemos considerar essas palavras como urna ordem para examinarrnos e pro- varmos as pretensões quanto ao Espírito de Deus, nos dois aspectos acima referidos. Assim, meu intuito agora e' mostrar quais são os sinais verdadeiros, certos e distintivos de uma obra do Espírito de Deus, pelos quais podemos nos guiar segura- mente ao julgarmos qualquer ação que encontramos em nós mesmos ou nos outros. Nesse ponto, eu observaria que em tais casos devemos tomar as Esnituras como nosso guia. Elas são a grandiosa e definitiva regra de fé dada por Deus à sua igreja, para orientá-la nas coisas relativas aos principais aspectos das almas de seus redimidos, além de serem uma norma suficiente e infalível. Com certeza, foram dadas evidências suficientes para que a igreja fosse guiada na importante tarefa de discernir os espíritos. Sem elas, a igreja estaria sujeita a ilusões dolorosas e irremedia- velmente exposta a ser subjugada e devorada por seus inimigos. Não precisamos ter medo de confiar nessas reg-ras de fé. Sem sombra de dúvida, o Espírito que inspirou as Escrituras sabia como dispor boas regras, por meio das quais fôssemos capazes de distinguir suas atuações de tudo aquilo que falsamente alega proceder dele. Como
  11. 11. I 12 E A -'I-_RI'); I')Elli. ~ umm Im r-, svnulo observei antes, o Espírito de Deus fez isso delibe- radamente no capítulo 4 de Hoão, de forma mais detalhada e ampla do que em qualquer outro lugar da Bíblia. Portanto, nesta exposição não procurarei em nenhum outro lugar regras ou evidências para discernir os espíritos, mas me limitarei àquelas encontradas nesse capítulo de 1João. No entanto, antes de passar a tratar delas em detalhes, gostaria de preparar meu caminho: em primeiro lugar, partiremos da negação, observando, em alguns casos, as coisas que não são sinais ou evidências de urna obra do Espírito de Deus. Capítulo l Sinais que supostamente negam uma obra espiritual 1. NADA PODE SER (JONCLUÍDO COM CPZR'l'I-',7.A unicamente a partir do fato de uma obra ter sido realizada de maneira muito incomum e extraordinária, uma vez que a variedade ou diferença ainda está dentro dos limites das regras das Escrituras. As coisas e os even- tos com que a igreja está acostumada não servem como regras para julgarmos as obras, pois é possível que Deus aja de formas novas e extraordinárias. É evidente que várias vezes no passado Deus já agiu de maneira extraor- dinária. Ele fez coisas inéditas acontecerem, obras singulares, agindo de tal forma que surpreendeu tanto homens quanto anjos. Já que Deus agiu assim em tempos passados, não temos nenhuma razão para pensar que ele não continue a agir dessa forma. As profecias das Escrituras nos dão motivo para crer que Deus tem coisas inéditas a realizar. Se uma obra, por maior que seja, não estiver em desacordo com as regras estabelecidas
  12. 12. I 14 [ , x v1;yu). |›tí: Iz. › uuuA m) tsmltrto por Deus, o simples fato de se desviar daquilo que até agora tem sido o padrão não serve como argumento de que ela não provém do Espírito de Deus. Ele é soberano em suas ações. Sabemos que Deus lança mão de uma grande variedade de ações e não podemos definir a extensão dessa diversidade dentre dos limites das regras que ele mesmo fixou. Não devemos limitar Deus naquilo em que ele mesmo não se limitou. Portanto, não é lógico julgar que uma obra não seja do Santo Espirito de Deus por causa do extraordinário nível de influência que exerce na mente das pessoas. Ainda que elas pareçam ter uma percepção fora do comum sobre a terrível natureza do pecado e uma consciência excep- cional da desgraça de uma vida sem Cristo; ainda que tenham visões extraordinárias da realidade e da glória das coisas divinas, sendo por isso proporcionalmente leva- das a inclinações bastante incomuns de temor, contrição, desejo, amor ou alegria; ainda que a aparente mudança seja muito repentina e a ação seja levada a efeito com uma rapidez bastante rara; ou ainda que o número de pessoas afetadas seja muito grande, e muitas delas sejam bemjovens; de todas essas circunstâncias - além de outras que sejam incomuns, nenhuma delas, porém, infringindo as regras dadas nas Escrituras - nenhuma delas prova que a obra não seja do Espírito de Deus. Antes, se sua natureza estiver de acordo com as regras e os sinais dados nas Escrituras, o grau de influência e o poder da atuação extraordinários e incomuns são argumentos a seu favor; pois quanto mais alto for o grau em que sua natureza se aproximar das regras, maior será sua conformidade a elas e tanto mais evidente será tal conformidade. @tando as coisas xmaux (1131: xtwns mm¡ Nll N1(,1l| Ll-l. ', (]l"›l: .. . | 13 | acontecem em uma escala menor, ainda que realmente estejam de acordo com as regras, não é tão fácil perceber se sua natureza está de acordo com tais regras. As pessoas tendem muito a duvidar do que lhes e' estranho; especialmente os mais idosos, que hesitam em acreditar que seja certo algo a que não estavam acostu- mados em sua época e de que nunca ouviram falar nos dias de seus pais. Mas, se o simples fato de uma obra ser muito incomum se tornar um bom argumento a favor da afirmação de que ela não provém do Espírito de Deus, então precisamos rever como acontecia nos dias dos apóstolos. Naquela época, a ação do Espírito se dava de forma totalmente inédita em muitos aspectos, como nunca se vira ou ouvira desde a fundação do mundo. Naqueles tempos, mais do que nunca, a obra era levada a efeito com um poder visível e notável. Jamais se viram antes efeitos do Espírito de Deus tão poderosos e admirãveis produzindo: mudanças tão súbitas; tão grande comprome- timento e fervor em enormes multidões; tantas alterações rcpentinas em vilas, cidades e nações; tão rápido progresso e tão vasta extensão do trabalho - além de muitas outras circunstâncias extraordinárias que poderiam ser mencio- nadas. A natureza incomum da atuação do Espírito sur- preendeu os judeus; eles não sabiam como interpreta-la, mas não conseguiam acreditar que fosse uma obra de Deus. De fato, muitos consideravam que as pessoas afetadas pela ação do Espírito careciam de sanidade, como pode ser observado em Atos 2.13; 26.24 e lCoríntios 4.10. Além disso, a partir das profecias das Escrituras, temos base para supor que, no inicio do último e maior derramamento do Espírito de Deus, que acontecerá nos
  13. 13. I Jú I ^1'›uirx¡›J'I¡<, -x (uma no tSHRlR) últimos tempos, o modo de atuação será bastante extraor- dinário, algo como nunca se viu antes. Naquele momento teremos motivo para dizer, como em Isaias 66.8: “Qiem jamais ouviu isso? Quem viu Coisa semelhante? Por acaso seria possível fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião entrou em traballio de parto, deu à luz seus filhos”. Assim, pode-se esperar com razão que, em certa medida, o modo de atuação fora do comum será semelhante aos eventos extraordinários e à gloriosa mudança no estado do mundo, que Deus fará acontecer por meio desse ato. 2. Uma obra não deve serjulgada pelos efeitos cau- sados no corpo das pessoas, tais como lágrimas, tremores, gemidos, altos clamores, contorções ou fraqueza física. A influência sob a qual as pessoas estão não pode ser _julgada de forma positiva ou negativa por meio dessas manifes- tações, simplesmente porque não temos, em lugar algum das Escrituras, qualquer regra que diga isso. Não podemos concluir que as pessoas estão sob a influência do Espírito verdadeiro porque vemos tais efeitos em seus corpos, pois isso não é dado como sinal do Espírito verdadeiro. Por outro lado, também não temos qualquer razão para concluir, a partir de aparências externas, que elas não estejam sob a influência do Espírito de Deus; de fato, não há nenhuma regra bíblica de discernimento de espíritos que, de forma direta ou indireta, exclua tais efeitos sobre o corpo, e nem qualquer razão pode exclui-los. Sc levarmos em conta as coisas divinas e eternas, a natureza do homem e as leis sobre a união entre alma e corpo, poderemos facilmente explicar como uma influência certa e uma INAH QL l: L'| “l). '| '»'ÀlENE'l'l-Z . 'I7(~›M 1,"1_ UFMA. .. I lf l percepção verdadeira e adequada das coisas deveriam ter tais efeitos sobre o corpo, até mesmo no caso daquelas manifestações de caráter mais extraordinário, como por exemplo a fraqueza física, o arrebatamento em grandes contorções e os altos e estrondosos gritos assim provoca- dos. Todos nós concordamos e estaríamos prontos a dizer em qualquer momento que a miséria do inferno é, sem dúvida, tão apavorante e a eternidade tão incomensurável que, se uma pessoa pudesse ter uma clara compreensão da realidade de tal desgraça, isso seria uma experiência bem maior do que sua frágil constituição poderia suportar. Seria especificamente esse o caso se, ao mesmo tempo, a pessoa estivesse sentindo o perigo iminente do inferno, estivesse completamente insegura quanto a sua libertação dele e, ainda, não tivesse em momento algum nenhuma garantia contra isso. Se considerarmos a natureza humana, não devemos ficar surpresos com o fato de que tudo pareça estar anunciando uma rápida e imediata destruição, quando as pessoas têm uma profunda percepção de algo que é tão terrivelmente apavorante, além de uma clara visão de sua própria pecaminosidade e da ira de Deus. Vemos que a natureza do homem tem tanto essa tendência que, ao sen- tir o perigo de uma calamidade terrível à qual esteja expos- to, ele a todo o momento está inclinado a pensar: “É agora! ” Em tempos de guerra, quando o coração das pessoas está tomado pelo medo, elas tendem a tremer ao simples sacudir de uma folha e esperam a chegada do inimigo a qualquer instante, dizendo para si próprias: Ágora rem' der/ ruído”. Suponhamos que um homem se veja pendurado sobre uma grande cova repleta de chamas cruéis e ardentes, sustentado por um fio que ele sabe ser
  14. 14. | IS | .- vl-; Iumiballm (mm Im Lsviiutt") muito fraco e insuficiente para suportar seu peso, esteja bem consciente de que verdadeiras multidões já estiveram antes em tais condições e que muitas pessoas caíram e pareceram, e não veja nada a seu alcance a que possa se agarrar para se salvar - imagine a situação angustiante desse homem! Ele tenderia a pensar: (Ágora ofío está se rompendo! Ágora, neste minuto, .terei engolido por essas tem? veis cbamasl". Será que ele não gritaria em tais circuns- tâncias? Quanto mais aqueles que se veem pendendo sobre uma cova infinitamente mais terrível ou sustentados sobre ela pela mão de Deus e, ao mesmo tempo, percebem que Deus foi extremamente encolerizado por eles! Não admira que a ira de Deus, quando manifestada apenas um pouco para a alma, subjugue a força humana. Portanto, é muito Fácil explicar por que uma percepção verdadeira da gloriosa excelência de nosso Senhor Jesus Cristo e de seu maravilhoso amor sacrificial, bem como a prática de um amor e uma alegria verdadeiramente espiri- tuais sejam tais que superem em muito a força física. Todos reconhecemos que nenhum homem pode ver a Deus e continuar vivendo, e que nossas frágeis constituições fisicas conseguem suportar apenas uma fração muito pequena da percepção da glória e do amor de Cristo que os santos gozam nos céus. Assim, não é de todo estranho que às vezes Deus dê a seus santos tamanho antegozo dos céus que lhes diminua a força física. Se não foram inconcebíveis o desfalccimento da rainha de Sabá e sua fraqueza física quando ela presenciou a glória de Salomão, muito menos e' inexplicável que aquela que é o antítipo da rainha de Saba, isto é, a igreja - trazida, por assim dizer, dos extremos confins da terra, onde era forasteira e estrangeira vivendo smms ou . *›LPl)hI', -iIl: NI'l, NHL-w mm (JBRA. .. I l” I em estado de pecado e miséria - desfaleça ao ver a glória de Cristo, o antítipo de Salomão. Será especialmente assim naquele reino próspero, harmonioso e glorioso que Deus estabelecerá no mundo nos últimos dias. Algumas pessoas têm objeções contra esses fenô- menos extraordinários, alegando que não temos registrada no Novo Testamento nenhuma ocorrência de tais manifes- tações nos relatos dos derramamentos extraordinários do Espírito. Se isso fosse admitido, não consigo ver força alguma em tais objeções, já que nem a razão nem qualquer regra das Escrituras excluem tais coisas, principalmente, considerando-se o que foi observado acima. Não conheço nenhuma menção explícita no Novo Testamento de alguém chorando, gemendo ou soluçando por medo do inferno ou por ter tido uma percepção da ira de Deus. A partir disso, porém, haveria alguém tão tolo a ponto de añrmar que, não importa a quem essas coisas aconteçam, suas convicções não são do Espírito de Deus? O motivo pelo qual não seguimos essa argumentação é que tais fatos podem ser facilmente explicados, seja por nosso conheci- mento da natureza humana, seja pelo que as Escrituras nos informam em geral com relação à natureza das coisas eternas e das convicções de culpa geradas pelo Espírito de Deus, Assim, não é necessário dizer nada em particular a respeito desses efeitos externos e circunstanciais. Nin- guém supõe que seja preciso haver textos bíblicos explí- citos para toda manifestação externa e acidental dos impulsos íntimos da mente humana. Embora tais circuns- tâncias não estejam particularmente registradas na história sagrada, ainda assim temos muitas razões para acreditar, a partir dos relatos gerais que possuímos, que tais coisas
  15. 15. | 20 | A xtkLLxliLna/ x (mm HU ESPÍRIH) não poderiam ter acontecido de outra forma naqueles dias. Há também motivos para crermos que tão grande derra- mamento do Espirito não se deu totalmente sem aqueles efeitos mais extraordinários nos corpos das pessoas. Em particular, aquele carcereiro parece ter sido um exemplo disso, quando ele, em extrema aflição C asãombm, VCÍO trêmulo e prostrou-se diante de Paulo e Silas. Sua pros- tração não se assemelha a uma postura proposital de súplica nem a uma atitude de humildade para com Paulo e Silas, pois parece que ele não disse coisa alguma naquele instante. Ele primeiro os levou para fora, e só então lhes disse: “Senhores, que preciso fazer para ser salvo? " (At 1629,30). Sua prostração, porém, parece ter tido a mesma causa de seu tremor. O salmista faz um relato de seus "constantes gemidos", de uma grande fraqueza em seu corpo sob o peso da consciência e de uma percepção da culpa do pecado (Sl 323,4): “Enquanto me calei, meus ossos se consumiam de tanto gemer o dia todo. Porque tua mão pesava sobre mim de dia e de noite; meu vigor se esgotou como no calor da seca". A partir disso, podemos pelo menos argumentar que é perfeitamente possível supor que, quando há tal percepção do pecado, esse efeito possa surgir em alguns casos. Pois bem, mesmo que imagi- nássemos algum aumento ou exagero (auksêsis) em sua forma de se expressar, ainda assim o salmísta não teria ilustrado seu caso por meio de algo absurdo, para o qual nenhum grau daquele tormento mental de que ele falava pudesse tender. Em Mateus 14.26, lemos que os discípulos, ao verem Cristo vindo em sua direção na tempestade, tornaram-no por algum terrível inimigo que ameaçava destroi-los naquele temporal e, “tomados de xuxms ow SL= I'()S1:. lb: NFí. 'L(ull um uma-x. .. I 21 I medo, gritaram”. Por que, então, deveríamos achar estranho o fato de as pessoas gritarem de medo, quando Deus lhes aparece na forma de um terrível inimigo, e elas se veem em grande risco de serem engolidas pelo abismo do tormento eterno? Mais de uma vez, vemos a esposa falando de si mesma como alguém tão inundado pelo amor de Cristo que seu corpo enfraquece e ela desfalece: “Sustentai- me com passas, confortai-me com maçãs, pois estou doente de amor" (Ct 2.5); “Ó filhas de Jerusalém, eu as faço jurar: se encontrardes o meu amado, dizei-lhe que estou doente de amor" (Ct 5.8). Portanto, a partir' dessas ocorrências nos santos, podemos ao menos argumentar que é muito natural imaginamos que tais manifestações possam surgir em alguns casos, e que isso às vezes será visto na igreja de Cristo. É uma fraca objeção dizer que as impressões de pessoas entusiastas produzem grande efeito sobre seus corpos. Pelo simples fato de os quacres costumarem tre- mer, não se pode argumentar que Saulo (mais tarde cha- mado Paulo) e o carcereiro não tenham tremido devido a reais convicções de consciência. Na verdade, todas essas objeções baseadas em efeitos sobre o corpo humano, sejam eles de maior ou menor intensidade, parecem ser excessivamente frívolas. Aqueles que argumentam nesse sentido caminham no escuro, não sabendo onde pisar nem por meio de qual regra julgar. A raiz e o curso dos fatos devem ser observados, e a natureza das manifes- tações e inclinações deve ser analisada e examinada pelas regras da Palavra de Deus, e não pelos impulsos da natu- reza humana. 3. O fato de uma obra gerar muitos rumores sobre a religião não serve como argumento de que ela não provém
  16. 16. [ 22 | .x 'Fkl). l')Ellt. ()1L1<. no Esvimup) do Espírito de Deus. Embora a verdadeira religião seja de natureza contraria àquela dos fariseus - que gostavam de ostentação e tinham prazer em se colocar diante da vista dos homens para receber aplausos ~, a natureza humana não deixa de ser de tal forma que é moralmente impossível haver grande envolvimento, forte inclinação e engajamento geral em meio a um povo, sem que surja uma notável, visível e aberta comoção e alteração nessas pessoas. Na verdade, as coisas espirituais e eternas são rão grandiosas e possuem uma importância tão infinita que seria um absurdo enorme o ser humano ser apenas movido e afetado por elas de forma moderada. Logo, se os seres humanos se emocionam com essas coisas no grau em que elas merecem ou de uma forma proporcional à sua importância, isso não é argumento para dizer que não estão sendo movidos pelo Espírito de Deus. Além disso, houve alguma vez, desde a fundação do mundo, um fato assim, ou seja, algo como um povo inteiro imensamente envolvido em algum acontecimento, sem que houvesse qualquer barulho ou alvoroço? Não, a natureza humana não permitiria isso. De fato, em Lucas 17.20, Cristo diz: "O reino de Deus não vem com aparência exterior”; ou seja, não consistirá daquilo que é externo e visível. O reino de Deus não será como os reinos terrenos, estabelecidos com pompa exterior em algum lugar específico destinado a ser a cidade real e sede do reino. Como o próprio Cristo explica logo em seguida: “nem dirão: Está aqui! Ou: Está ali! Pois o reino de Deus está entre vós" (v. 21). O reino de Deus não será estabelecido no mundo, sobre a ruína do reino de Satanás, sem um efeito bastante perceptível e grandioso. Realmente, haverá uma mudança poderosa no estado das SINAESQVY: Sl. 'l'(I'íl'; Nl| :Nl'l: - ¡l. -LA11 . .l. UHILL. . I h l«. v_ coisas, para admiração e assombro do mundo inteiro. Na verdade, manifestações assim são sugeridas nas profecias das Escrituras e até pelo próprio Cristo, nesse mesmo trecho das Escrituras e em sua explicação pessoal das palavras acima mencionadas: "Pois como o relâmpago que brilha em uma extremidade do céu e ilumina até a outra extre- midade, assim também será o Filho do homem no seu dia" (v. 24). Isso serve para discernirmos a vinda de Cristo, com o propósito de estabelecer seu reino, da vinda de falsos cristos - esta, diz Jesus, ocorrerá de maneira particular nos desertos e no interior das casas. Por outro lado, o estabelecimento do reino de Deus deverá ser aberto e público, à vista do mundo todo em clara revelação, como um relâmpago que não pode ser ocultada, mas ofusca os olhos de todos e "brilha de uma à outra extremidade do céu”. Sabemos que, quando o reino de Cristo veio, por meio daquele notável derramamento do Espírito nos dias dos apóstolos, houve uma grande comoção em todos os lugares. QR? poderosa oposição se viu em Jerusalém por ocasião daquela grande eñisão do Espírito! Também em Samaria, Antioquia, Éfeso, Corinto e outros lugares! Esse acontecimento encheu o mundo de rumores e deu oportu- nidade para que algumas pessoas dissessem que os após- tolos estavam agitando o mundo (At 17.6). 4. O fato de muitas pessoas serem objeto de uma ação e receberem grandes impressões em sua imaginação não constitui prova de que tal ação não provém do Espírito de Deus. Se elas têm muitas impressões em sua imaginação, isso não significa que não recebam mais nada. É possível jusúñcar facilmente a existência de muitas manifestações
  17. 17. | 24 | .› 'li1(l). »| 'l5]ll. › OBRA no KSPIRI n) dessa natureza em meio a um povo, dentre o qual uma enorme variedade de pessoas tem a mente envolvida por intensos pensamentos e fortes inclinações para coisas invisíveis. Na verdade, seria estranho se tais impressões não existissem. Nossa natureza é dessa forma de modo que não podemos pensar em coisas invisíveis sem recorrer a certo grau de imaginação. Ouso desafiar qualquer ho- mem, mesmo dentre aqueles com os maiores poderes men- tais, a fixar seus pensamentos em Deus, Cristo, ou qualquer outra coisa do mundo por vir, sem que algumas fantasias invadam sua imaginação. Em geral, quanto mais envolvida estiver a mente e quanto mais intensas forem a contem- plação e a emoção, tanto mais viva e forte a fantasia será, especialmente se aparecer de súbito. Isso acontece quando a impressão mental é muito recente, apossando-se forte- mente de emoções como o medo ou a alegria, ou quando a mudança de estado e concepções da mente é repentina e surge de um extremo oposto, como, por exemplo, quando se passa de um estado excessivamente apavorante para outro excessivamente arrebatador e aprazível. Assim, não é admirável que muitas pessoas não distingam bem entre o que é fantasioso e o que é inteligível e espiritual; elas tendem a enfatizar demais a parte imaginária, insistindo nisso quando relatam suas experiências, especialmente se forem pessoas de menor capacidade de compreensão e discernimento. Visto que Deus nos deu uma faculdade como a ima~ ginação e nos fez de modo que não podemos pensar em coisas espirituais e invisíveis sem exercita: essa capacidade, parece-me que o estado e a natureza do ser humano são de tal forma que a imaginação é realmente subserviente e SINAIS Ql'll Sl'P()$'l'. '. l[N'l'li . l~, (¡1, '1 U. l; GNR/ L.. I 23 I útil para as outras habilidades mentais, desde que usada de maneira apropriada. Frequentemente, porém, quando a imaginação e' muito intensa, e as outras faculdades, fracas, ela predomina e perturba as atividades das demais faculdades. A partir de alguns casos de que tenho conhe- cimento, parece-me claro que Deus de fato usou essa faculdade com propósitos verdadeiramente divinos, em especial com algumas pessoas mais ignorantes. Ele parece ser condescendente com a situação delas, tratando-as como bebês, assim como em tempos antigos ele instruía sua igreja por meio de tipos e representações vivas e exteriores, quando esta ainda se encontrava em estado de ignorância e menoridade. Não vejo nada de irracional nessa minha opinião. Deixamos que outros, com mais oportunidade para lidar com as almas em assuntos espirituais, julguem se a experiência a confirma ou não. Não podemos alegar que uma obra não é do Espírito de Deus pelo fato de algumas pessoas, que são objeto dessa obra, estarem em uma espécie de êxtase, um estado em que são levadas para além de si mesmas, tendo a mente transportada em uma sequência de percepções fortes e agradáveis, uma espécie de visão, como se tivessem sido arrehatadas para. o céu e lá vissem coisas gloriosas. Conheci pessoalmente alguns desses casos e não vejo nenhuma necessidade de introduzir a hipótese da ajuda do Diabo para explicar essas coisas; nem precisamos, além disso, supor que sejam da mesma natureu das visões dos profetas ou do arrebatarnento de Paulo ao paraíso. A natureza humana, submetida a essas intensas operações e emoções, esclarece tudo por si mesma. Se é perfeitamente justificável o fato de as pessoas terem suas forças sobrepujadas quando
  18. 18. | 20 | A x'rkn, xi›i. li<a num no Lsmiuru têm uma verdadeira percepção da gloriosa e maravilhosa grandeza c excelência das coisas divinas e das enlevantes visões da beleza e do amor de Cristo - como mostrei que pode acontecer -, então acredito que não é absolu- tamente estranho que, entre os muitos que são movidos e dominados dessa forma, haja algumas pessoas especiais cuja imaginação seja assim influenciada. O efeito nada tem de proporcional e análogo a outros efeitos provenientes dc uma intensa atuação de suas mentes. Quando os pen^ samentos estão tão concentrados e as emoções são tão fortes - c toda a alma está tão compenetrada, arrebatada e absorvida -, não é admirável que todas as outras partes do corpo também sejam afetadas, a ponto de serem privadas de sua força, deixando toda a constituição física a ponto de desabar. Portanto, não é estranho que, nesses casos, principalmente em algumas pessoas, o cérebro em parti- cular - que de forma muito especial é influenciado por intensas meditações e atuações da mente - seja tão afetado que, durante algum tempo, tenha sua força e seu ânimo desviados e abstraídos das sensações dos órgãos exteriores, e se envolva por completo em uma série de agradáveis e prazerosas percepções, de acordo com a disposição atual da mente. Algumas pessoas tendem a interpretar tais coisas de maneira errada, atribuindo-lhes um valor excessivo, como se fossem visões proféticas, revelações divinas e, às vezes, sinais dos céus sobre aquilo que irá acontecer. De acordo com alguns casos de que tenho conhecimento, o desfecho revelou ser bem diferente. Mesmo assim, porém, parece~me que, às vezes, tais fatos realmente provem do Espírito de Deus, ainda que de maneira indireta; isto é, a extraordinária disposição da mente dessas pessoas e aquela . NINAIS (gui: xL'i>usT. x.¡tx1I NLMAW l'! .~^¡_1'. ›(, _, | 117 f forte e viva percepção das coisas divinas provêm desse Espirito. O mesmo pode ser dito à medida que a mente continua em sua santa disposição, retendo um senso divino da excelência das coisas espirituais, mesmo em seu arre- batamento. Tal disposição e sensibilidade santas provém do Espírito de Deus, embora as percepções que as acompanham sejam apenas acidentais e, portanto, geral- mente haja nelas algo de confuso, impróprio e falso. 5. O uso da exemplificação como recurso importante para promover uma obra não é sinal de que esta não pro- vém do Espírito de Deus. Certamente, não podemos dizer que determinado efeito não é de Deus se alguns meios são usados para produzi-lo; sabemos que é comum Deus fazer uso de instrumentos para realizar a obra dele no mundo. Assim, não se pode apresentar argumentos contrários à origem divina de um efeito alegando-se o uso de um determinado meio em lugar de outro. Está de acordo com as Escrituras o fato de que as pessoas devem ser influenciadas pelos bons exemplos dos outros. A Bíblia nos ordena que ofereçamos bons exemplos para outros (Mt 5.16; lPe 3.1; lTm 4.12; Tt 2.7) e também que nos deixemos iniluenciar pelos bons exemplos dos outros e os imitemos (2Co 8.1-7; Hb 6.12; Fp 3.17; lCo 4.16; 11.1; 2T5 3.9; lTs 1.7). Portanto, fica claro que o exemplo é um dos recursos de Deus, e seguramente não se pode argumentar que uma ação não é de Deus se os próprios meios dele são usados para efetiva-la. Além disso, assim como o exemplo é um modo bü/ ico de realização da obra de Deus, ele também é um recurso razoável. Não se pode argumentar que os homens
  19. 19. ,- L'| x'[| .-l.3L| |L~ OBRA Ut) l-hPÍllliU ix; OC não são influenciados pela razão porque se deixam influenciar pelo exemplo. Essa maneira de difundir a ver- dade entre as pessoas tende a iluminar a mente e conven- cer a razão. Ninguém negaria que a comunicação entre os homens por meio de palavras tende a iluminar de forma mútua as mentes. Contudo, a mesma coisa pode ser trans- mitida por meio de ações, de maneira muito mais completa e eficaz. Além de comunicar nossas próprias ideias para os outros, as palavras não têm utilidade alguma. Em alguns casos, porém, as ações podem fazer isso com mais eficácia. Há uma linguagem nos atos e, às vezes, ela é muito mais clara e convincente do que as palavras. Portanto, não se pode argumentar contra o mérito de um efeito, visto que as pessoas ficam profundamente comovidas ao verem as emo- ções dos outros. lsso realmente acontece, muito embora a impressão seja gerada apenas pela observação dos indícios de uma grande e extraordinária comoção percebida no comportamento dos outros, na qual se leva em conta apenas aquilo que os emociona, sem que seja dita uma só palavra. Em tais casos, só no comportamento dessas pessoas há linguagem suficiente para que seu estado mental e sua percepção dos fatos sejam transmitidos aos outros, de forma mais eficaz do que seria possível apenas com o uso de palavras. Se um homem vissc alguém sob extremo tormento físico, ele poderia ter uma ideia muito mais clara e uma prova mais convincente daquilo que as pessoas sofrem em sua miséria devido a seus atos, do que se ele somente ouvisse as palavras de um narrador insensível e impassível. Ele poderia compreender melhor o que é excelente e muito agradável vendo o comportamento de alguém que está em verdadeiro regozijo do que pelo insípido relato de uma sIN/ is Qui: sLJPrniLAn1LN I t NEC/ m LNA UHKÀ. .. l 2') I pessoa inexperiente e insensível. Gostaria que esse assunto fosse analisado com base em um raciocínio mais rigoroso. Visto que não são somente os fracos e ignorantes que se deixam influenciar pelo exemplo, mas também aqueles que mais se orgulham de seu poder intelectual são mais afetados pelo argumento demonstrado dessa forma do que de qualquer outra maneira, não fica evidente que os efeitos produzidos nas mentes das pessoas são racionais? De fato, quando assim originadas - como, por exemplo, ao ouvirem a pregação da palavra ou por meio de qualquer outro recurso - as inclinações religiosas de muitos homens podem revelar-se “fogo de palha" e logo desaparecer. É assim que Cristo descreve os ouvintes do tipo "solo rochoso” (Mt 1320,21). Mas as inclinações de alguns dos que são influenciados pelo exemplo são permanentes e provam ser de natureza salvífica. Jamais houve um período de notável derramamento do Espírito e grande renovação da religião sem que o exemplo exercesse um papel importante. Foi assim na Reforma e também nos dias dos apóstolos, em Jerusalém, Samaria, Éfeso e em outras partes do mundo, como fica evidente para qualquer pessoa que estiver atenta aos relatos registrados em Atos dos Apóstolos. Da mesma forma como naqueles tempos uma pessoa era estimulada por outra, assim também uma vila ou cidade era influen- ciada pelo exemplo de outra: "Dessa forma, tende vos tornado modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. Pois, a partir de vós, não somente a palavra do Senhor foi ouvida na Macedônia e na Acaia, mas tam- bém a vossa fé em Deus foi divulgada em todos os lu- gares. ..” (lTs 1.7,8).
  20. 20. l '30 l . -''Illl>¡l'>I1I1.- 051m DO &SPÍRHU Também não é valida a objeção contra tamanho uso de exemplos, alegando-se que a Bíblia se refere à palavra como o principal meio de realização da obra de Deus. Isso porque a Palavra de Deus realmente é o recurso mais importante por meio do qual outros instrumentos agem e se tornam eficazes. Ate' mesmo os sacramentos não têm nenhum efeito se não for pela Palavra, pois tudo o que é visível aos olhos é ininteligível e vão se não houver a Pala- vra de Deus para instruir e guiar a mente. Na verdade, a Palavra de Deus é ensinada e aplicada pelo exemplo, assim como era proclamada em outras cidades na Mace- dônia e na Acaia pelo comportamento dos tessaloni- censes que criam. As Escrituras parecem indicar de várias formas que o exemplo deve ser um importante meio de propagação da igreja de Deus. Isto é demonstrado no episódio em que vemos Rute seguindo Noemi para fora da terra de Moabe, entrando na terra de Israel, quando decidiu que não a deixaria, mas que a acompanhar-ia onde quer que fosse e pousaria onde quer que ela pousasse. Rute disse ainda que o povo de Noemi seria o seu povo, e o Deus de Noemi, o seu Deus. Como mãe ancestral de Davi e de Jesus Cristo, sem dúvida, Rute foi um magnífico tipo da igreja, e é por causa da igreja que sua história está inserida no cânon das Escrituras. O ato de Rute deixar a terra de Moabe e seus deuses para Vir e depositar sua confiança sob a sombra das asas do Deus de Israel oferece-nos um tipo da conversão, não só da igreja dos gentios, mas de todo pecador, que por natureza é peregrino e estrangeiro. Ao se converter, porém, ele esquece seu próprio povo e a casa de seu pai, tornando- se concidadão dos santos e verdadeiro israelita. O mesmo . v 5|; '_-1_~(_›_L*| -xL= l'(IHí¡E1I; NI'I room l l. (mai. .. I ol I parece ser demonstrado pelo efeito que o exemplo da esposa, ao dcsfalecer de amor, teve sobre as filhas de Jerusalém; ou seja, elas eram cristãs professas que, ao verem a esposa em circunstâncias tão extraordinárias, foram primeiro despertadas e depois convertidas (veja Cantares 5 .8,9 e 6.1). Sem dúvida, esse é um dos modos por meio do qual “o Espirito e a noiva dizem: Vem" (Ap 22.17); ou seja, é o Espírito na noiva. Está profetizado que a obra de Deus deverá ser assim realizada no último grande derramamento do Espírito, que inaugurará aquele glorioso dia da igreja, tão frequentemente mencionado nas Escrituras: ". ..e os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar 0 favor do Senhor e buscar o Senhor dos Exércitos; eu também irei. Assim, muitos povos e poderosas nações virão buscar o Senhor dos Exércitos em Jerusalém e suplicar a bênção do Senhor. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que dez homens, de nações de todas as línguas, pegarão na barra das roupas de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco" (Ze 821-23). 6. A existência de diversas acusações de graves im- prudências e irregularidades na conduta de muitos que parecem ser objetos de uma obra do Espírito não é sinal de que tal operação não provém do Espírito de Deus. Devemos considerar que o propósito de Deus, ao derramar seu Espírito, é tornar os homens santos e não estadistas. Em meio a uma multidão mista, formada por todos os tipos de pessoas ~ sábios e ignorantes, jovens e velhos, tendo grandes e pequenas habilidades naturais, estando sob intensas impressões da mente - não e' admirável
  21. 21. I '32 I A LI(l). [1LlHAHlHL- nn izsl-*Htlrru encontrar muitas pessoas comportando-se levianamente. Poucos homens sabem como agir quando estão sob profundas emoções de qualquer tipo, sejam elas de natureza física ou espiritual. Isso requer uma boa dose de discrição, força e firmeza mental. Mil imprudéncias não provam que uma ação não e do Espírito de Deus; claro, a menos que, além de tais imprudências, prevaleçam também muitos fatos irregulares e realmente contrários às regras da santa Palavra de Deus. Isso pode ser bem explicado pela fraqueza excessiva da natureza humana, além da escuridão e corrupção que restam naqueles que, mesmo assim, são objetos das influências salvííicas do Espírito de Deus e têm um verdadeiro zelo por ele. No Novo Testamento, temos um exemplo notável de um povo que participou amplamente daquele grande derramamento do Espírito nos dias dos apóstolos, mas em meio ao qual abundavam imprudêncías e enormes i. rre~ gularidades a igreja em Corinto). Dificilmente en~ contraremos alguma igreja mais célebre por ter sido abençoada com grandes derramamentos do Espírito de Deus, seja nas influências divinas comuns, ao convencer e converter pecadores, seja nos dons extraordinários e mila- grosos. Contudo, em quantas múltiplas imprudências, gran- des e pecaminosas irregularidades e estranha confusão eles incorreram na Ceia do Senhor e no exercício da disciplina da igreja! A isto se pode acrescentar seu modo inadequado de tratar de outras atividades da adoração pública, as discordâncias e os litígios a respeito dos mestres e mesmo a prática de seus extraordinários dons de profecia, glossolalia ou coisas do gênero, por meio das quais eles falavam e agiam pela inspiração imediata do Espírito de Deus. s1:. .l3¡ l . wmsIAAitNrL l-. MAMLr1.()]l]! .. _, | " Se virmos grandes imprudências e até irregulari~ dades pecarninosas em alguns dos que são poderosos instrumentos de execução da obra, isso não prova que aquilo não é uma ação de Deus. O próprio apóstolo Pedro, discípulo notável, eminentemente santo e inspirado - um dos principais instrumentos usados por Deus para o estabelecimento da igreja cristã no mundo - foi acusado de um grave e pecaminoso erro em sua conduta quando estava em pleno exercício desse trabalho. Paulo refere-se a tal falta em Gálatas 2.1143: “CLuando, porém, Cefas chegou a Antioquia, eu o enfrentei abertamente, pois merecia ser repreendido. Porque antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele estava comendo com os gentios; mas quando eles chegaram, Cefas foi sc retirando e se separando deles, por temer os que eram da circuncisão. E os outros judeus também fizeram como ele, a ponto de até Barnabé se deixar levar pela hipocrisia deles”. Se um grande pilar da igreja cristã - um dos líderes daqueles que são os próprios alicerces sobre os quais, _junto a Cristo, dizvse que a Igreja inteira foi edificada - foi culpado de tal irregularidade, devemos espantar-nos se instrumentos inferiores, que não têm aquela extraordinária orientação do Espírito divino que Pedro tinha, forem acusados de várias irregularidades? Especificamente, não se pode afirmar que uma obra não é de Deus somente porque vários homens que são objetos ou instrumentos dela são culpados de uma dema~ siada prontidão para censurar os outros como não crentes. Na verdade, essa precipitação talvez ocorra por causa de erros que eles cometeram em relação aos sinais através dos quais devem julgar a hipocrisia e a carnalidade dos
  22. 22. | . '54 1 xvuurxnl um (uma Im Lsrnurr. ) outros', ou pela incorreta percepção da amplitude dos métodos usados pelo Espirito de Deus em suas operações; ou por não levar em conta de modo adequado a debilidade e a corrupção que talvez ainda restem no coração dos santos; ou, ainda, pela falta dc uma apreensão correta de sua própria cegueira, fraqueza e corrupção remanescente, nas quais o orgulho espiritual pode permanecer oculto, sob algum disfarce, sem ser descoberto. Se admitirmos a possibilidade de talvez ainda restar uma boa dose de cegueira c corrupção em homens verdadeiramente pie- dosos, que os torna sujeitos a enganos resultantes da hipocrisia - o que sem dúvida todos reconhecem -, então não é inexplicável que às vezes eles incorram em faltas como essas mencionadas acima. É muito fácil, e em alguns casos ainda mais simples, explicarmos por que a corrupção remanescente em homens bons as vezes encontra espaço, passando mais despercebida dessa forma do que de outras; e por mais lamentável que seja. com certeza muitos santos já falharam assim. Na religião, a indiferença é abominável, e o fervor, uma graça excelente. No entanto, mais do que todas as outras virtudes cristãs, o fervor precisa ser cuidadosamente observado e buscado, pois é com a indiferença que a corrupção e, especificamente, o orgulho e a paixão humana tendem a se misturar de maneira imperceptível. Sabemos que nunca houve uma época de grande reforma, acoin~ panhada de um reavivamento do zelo pela igreja de Deus, sem que houvesse alguns casos notáveis de irregularidades, incorrendo de uma ou outra forma em severidade indevida. Foi assim que nos dias dos apóstolos se despendia muito zelo em questões como a carne sacrificial, estando os SINAIS um; SL I'(). l'; :1|7N'l'E Naomi um x manu. .. | .'55 | cristãos com ânimos acirrados uns contra os outros, e cada parte condenando e censurando a outra como se fossem falsos cristãos - ao passo que o apóstolo amou ambas as partes, pois estava sob a influência de urn espirito de real piedade: íllñnE quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor deixa de Comer» c dá graças a Deus" (Rm 14.6). Assim também na igreja de Corinto eles estavam agindo de tal modo que louvavam alguns ministros e censuravam outros, estando envaidecidos uns contra os outros; contudo, esses fatos não provavam que aquela obra, realizada de maneira tão maravilhosa, não era de Deus. Posteriormente, quando a religião ainda florescia no mundo e um espírito de eminente santidade e zelo prevalecia na igreja cristã, o . zelo dos cristãos desandou para uma severidade muito imprópria e indevida no exercício da disciplina da igreja com relação aos infratores. Em alguns casos, estes não eram admitidos de forma alguma na caridade e comunhão dos cristãos, por mais que se mostrassem humildes e peni- tentes. Nos dias de Constantino Magno, o zcio dos cristãos contra o paganismo transformou-se em certo grau de perseguição. Assim também, no glorioso reavivamento da religião, na Reforma, muitas vezes esse fervor mani- festou-se com uma severidade bastante imprópria, atin- gindo níveis de perseguição; de fato, isso ocorria até mesmo por parte de alguns dos mais eminentes reforma- dores, como o grande Calvino em particular. Naqueles dias de florescimento da religião vital, muitos homens eram culpados de terem censurado duramente outras pessoas cujas opiniões sobre algumas questões teológicas divergiam das deles.
  23. 23. | : ses | ,x ~ERL)¡l)l~. lIl_›' (IISRA m¡ &RPIRI IU 7.Também não se pode argumentar que, em termos gerais, uma obra não é do Espírito de Deus se houver muitos erros de julgamento e algumas ilusões de Satanás misturadas a ela. Por maior que seja uma influência espiritual, não devemos esperar que o Espírito de Deus seja outorgado hoje da mesma forma como foi concedido aos apóstolos, guiando-os infalivelmente nas questões da doutrina cristã a fim de que se pudesse confiar naquilo que ensinavam como regra para a igreja cristã. . Se há o surgimento de várias ilusões de Satanás ao mesmo tempo em que prevalece um grande zelo religioso, não se pode provar que, de forma geral, a ação não provém de Deus. Esse mesmo argumento não foi válido no Egito, em tempos passados. Pelo fato de Janes e Jambres realizarem falsos milagres pela mão do Diabo, ninguém podia dizer que não foram realizados milagres verdadeiros pela mão de Deus. Na realidade, as pessoas podem ser objetos de muitas influências do Espírito de Deus e, mesmo assim, às vezes se deixarem levar pelas ilusões de Satanás. Isso não é um paradoxo maior do que outras coisas que acon- tecem com verdadeiros santos em seu estado atual, nas situações em que: a graça convive com um tanto de corrupção; o novo e o velho homem subsistem juntos no mesmo ser; e o reino de Deus e o do Diabo permane- cem por algum tempo juntos no mesmo coração. Nesta e em outras épocas, muitas pessoas piedosas têm caído em lamentáveis enganos porque tendem a dar dema- siada importância a impulsos e impressões, como se estes fossem revelações diretas de Deus predizendo alguma coisa ou mostrando-lhes aonde devem ir e o que devem fazer. snxms ou' <LJI”L)SIIE-J1EN'J'E xtmm um (lliRiMH | '57 | 8. Se alguns dos que foram considerados como sendo guiados pelo Espírito cometem erros graves ou práticas escandalosas, ainda assim não podemos afirmar de forma generalizada que a obra não é do Espírito de Deus. O faro de existirem algumas imitações não prova que nada é verdadeiro - em uma época de reforma, coisas desse tipo sempre são esperadas. Se examinarmos a história da igreja, não encontraremos nenhum exemplo de um grande reavivamento da religião que não tenha sido acompanhado por tais acontecimentos. Foram inúmeros os casos dessa natureza nos dias dos apóstolos. Alguns se desviavam para graves heresias, e outros, para práticas vis, mas ainda assim pareciam instrumentos de uma ação do Espírito. Durante algum tempo, eram aceitos como irmãos e companheiros entre aqueles que de fato agiam pelo Espírito, e ninguém suspeitava de nada até que eles mesmos se afastassem. Alguns desses homens eram mestres e ministros, pessoas importantes na igreja cristã, a quem Deus concedera dons de milagres do Espirito Santo, como vemos nos versículos iniciais do capítulo 6 de Hebreus. Temos um exemplo disso em Judas, um dos doze apóstolos_ Durante muito tempo ele esteve constantemente unido e intimamente relacionado a um grupo de discípulos que havia tido experiências genuínas; ninguém descobriu ou suspeitou de Judas até que ele mesmo se revelou através de sua conduta escandalosa. Em todos os aspectos externos, o próprio Jesus o havia tratado como se verdadeiramente fosse um discípulo; Cristo até mesmo o investira do caráter de apóstolo, enviando-o a pregar o evangelho e conce- dendo-lhe dons milagrosos do Espírito. Portanto, embora jesus o conhecesse, ele não se investiu do caráter de juiz
  24. 24. l 38 | .›''1~_Ri›A¡›I: uz. A uniu no YSPÍRI rn onisciente que sonda os corações; antes, agiu como um ministro da igreja visível (pois ele era o ministro de seu Pai) e, assim, não rejeitou Judas até que ele próprio se desmascarou por meio de sua conduta pecaminosa. Dessa forma, Cristo dava um exemplo aos líderes e legisladores da igreja visível, mostrando-lhes que não deveriam atribuir a si mesmos o papel daquele que sonda os cora- ções; no exercício de seus cargos, deveriam avaliar so- mente segundo o que fosse visível e aparente. Naquela época, houve alguns apóstatas que a princípio eram tidos como homens eminentemente cheios da graça do Espí- rito de Deus. Um desses casos provavelmente foi o de Nicolau, um dos sete diáconos. Qiando ocorreu aquele extraordinário derramamento do Espírito, os cristãos em Jerusalém consideravam-no um homem cheio do Espírito Santo; por isso, ele foi escolhido entre a multidão de cristãos para o serviço diaconal, como vemos em Atos 63,5. Mais tarde, porém, ele se desviou, tornando-se lider de um grupo de vis hereges, de práticas vulgares, que, a partir de seu nome, passaram a se chamar “nico- laítas” (cf. Ap 2.6,15). * Assim também, no período da Reforma, quando ocorreu a separação do papismo, era realmente grande o número daqueles que, durante algum tempo, pareciam juntar-se aos reformadores, mas depois se desviaram e "Não há um consenso quanto a essa opinião. Há quem se coloque a favor da total falta de relação entre Nicolau, citado por Lucas, e os nicolaítas, mencionados em Apocalipse. Estes seriam uma referência a Balaão e suas obras, com o nome transliterndo para o grego (nota do editor). smms om_- . 'L'i'()sl¡l| l; n. NIJLAM LM¡(, )IKI1,. .. | '59 | cometeram os erros mais graves e grosseiros, c os atos mais abomináveis. Em épocas de grande derramamento do Espírito, em que há um reavivamento da religião no mundo, é particularmente notável o fato de que muitos daqueles que a princípio pareciam fazer parte do movi- mento se desviam e cometem erros estranhos e extravagan- tes, mostrando um fanatismo grosseiro, vangloriando-se por possuírem um alto grau de espiritualidade e perfeição, censurando c condenando outros como carnais. Foi assim com os gnósticos nos dias dos apóstolos e com várias facções na Reforma, como Anthony Burgess observa em seu livro Spiritual Rçfínings (“Ref1namentos Espirituais) parte 1, sermão 23, página 132: “Os primeiros reformadores de destaque, gloriosos instrumentos de Deus, encon- travam-se em um amargo conflito: eles não só eram provados por formalistas e papistas tradicionais por um lado, mas também por homens que se julgavam mais iluminados do que os reformadores, por outro lado; daí eles chamarem de "literistas" e “vocalistas" aqueles que de fato aderiam às Escrituras e por meio delas tentavam fazer profecias - homens que conheciam as palavras e vogais das Escrituras, mas que não possuíam nada do Espírito de Deus. Em qualquer cidade, onde quer que a verdadeira doutrina do evangelho irrornpesse e destronasse o papismo, imediatamente surgiam tais opiniões, como joio em meio ao trigo bom. Com isso, apareceram grandes divisões, e a Reforma tornouese abominável e odiosa para o mundo. Era como se ela tivesse sido o sol dando calor e vivacidade aos vermes e serpentes para que estes pudessem surgir rastejantes do solo. Por essa razão, os homens investiam contra Lutero, dizendo que ele havia proclamado somente
  25. 25. | 41! | ,'1ll[)AI7lÍlI: - (mim [m tsmknx; um evangelho carnal". No início, alguns dos líderes daqueles fanáticos "selvagens" haviam sido muito bem considerados e especialmente estimados pelos primeiros reformadores. Assim também na Inglaterra, no período em que a religião vital prevalecia (nos dias do rei Carlos l, do interregno e de Oliver Cromwell), tais fatos eram comuns. Da mesma forma na Nova Inglaterra, em seus dias mais gloriosos, quando a verdadeira religião flores- cia, coisas desse tipo aconteciam. Portanto, o fato de o Diabo disseminar tanto joio não prova que uma obra verdadeira do Espírito de Deus não está sendo glorio- samente realizada. 9. Não se pode argumentar que uma obra não é do Espírito de Deus porque, aparentemente, os ministros a promovem, insistindo demais nos terrores da santa lei de Deus, com uma boa dose de sentimento e seriedade. Se realmente existir, como geralmente se supõe, um inferno de tormentos tão pavorosos e incessantes, do qual verda- deiras multidões correm grande perigo ñ e no qual a maior parte dos homens das nações cristãs efetivamente cai, geração após geração, por não perceber sua terrível natureza e, portanto, por não tomar o devido cuidado para evita-lo -, então por que não seria correto que aqueles que se preocupam com as almas se dessem ao trabalho de conscientizar as pessoas disso? Por que os homens não deveriam ser informados o máximo possível sobre a verdade? Se corro o risco de ir para o inferno, deveria ficar feliz por saber tudo o que posso sobre sua natureza pavorosa. Se estou muito propenso a negligenciar o devido cuidado para evita-lo, aquele que me explicar a verdade Sixty-us uu- ~L= Iw›s'Ií-x-¡EN'I't xtumi l 1.- uma-L. , | 41 | sobre a situação, mostrando da maneira mais vivida possível minha desgraça e o perigo em que me encontro, essa pessoa me prestará o maior dos favores. Pergunto a qualquer um: não e' este mesmo o cami- nho que os homens tomariam se corressem perigo de uma grande calamidade natural? Suponhamos que algum de vocês que são chefes de família visse um de seus filhos dentro de uma casa totalmente em chamas; se, na iminência de ser consumida pelo fogo, a criança estivesse com- pletamente inconsciente do perigo e não fizesse nenhuma tentativa para fhgir depois de você lhe ter gritado, você passaria a falar com ela de maneira apenas fria e indi- ferente? Você não gritaria bem alto, chamando-a com seriedade do modo mais vigoroso possível, mostrando- lhe o perigo em que se encontra e sua insensatez em se demorar? Será que sua própria natureza não lhe ensinaria isso, obrigando-o a tomar tal atitude? Se você continuasse a falar apenas friamente, como fazemos em conversas comuns sobre assuntos indiferentes, será que aqueles que estão a seu redor não pensariam que você está destituído de suas faculdades mentais? Não é assim que a humanidade se comporta em acontecimentos seculares de grande im- portância que requerem a máxima atenção e muita urgência, e com os quais os homens estão bastante preocupados. Eles não estão acostumados a falar com os outros sobre o perigo que correm e adverti-los apenas superficialmente ou de maneira fria e indiferente. A natureza os ensina de outro modo. Se nós, que cuidamos das almas, soubéssemos como e' o inferno e conhecêssemos a situação dos condenados à perdição, ou se por algum outro meio nos tornássemos conscientes de quão pavorosa
  26. 26. l 42 I - 'i'lll›: ñl'. lll. ~ 11mm m; íhPÍRI : o é a condição deles; se ao mesmo tempo soubessemos que a maioria dos homens foi para lá e víssemos que nossos ouvintes não se dão conta do perigo - nessas circunstâncias, seria moralmente impossível que evitássemos mostrar-lhes com muita seriedade a terrível natureza de tal desgraça e como estão extremamente ameaçados por ela. Nós até mesmo lhes clamaríamos em voz alta. (bando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que ele é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, como observei anteriormente, as ações tam- bém tem sua própria linguagem. Se o sermão de um pre- gador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, ao mesmo tempo que seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso - mostrando que ele não pensa assim -, tal ministro vai contra seu próprio objetivo, porque nesse caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras. Não que eu acredite que devemos pregar somente a lei; acontece que os ministros talvez preguem insuficien- temente outras coisas. O evangelho deve ser proclamado tanto quanto a lei, e esta deve ser pregada apenas para preparar o caminho para o evangelho, a fim de que ele possa ser proclamado de modo mais eficaz. A principal tarefa dos ministros é pregar o evangelho: "Pois Cristo é o fim da lei para a justificação de todo aquele que crê" (Rm 10.4). Portanto, um pregador ficaria muito além da verdade se insistisse demais nos terrores da lei, esquecendo seu Senhor e negligenciando a proclamação do evangelho. Mesmo assim, porém, a lei realmente deve ser enfatizada, SINAIS QUI', >LíI"(')5l': !xlEí*TE Naum um uam. .. | 43 | e sem isso a pregação do evangelho talvez seja em vão. Certamente, é belo falar com seriedade e emoção, de acordo com a natureza e a importância do assunto. Não nego que possa existir um pouco de impetuosidade imprópria, diferente daquilo que, pela lógica, decorreria da natureza do tema, fazendo com que forma e conteúdo não estejam de acordo. Alguns dizem que é ílógico usar o medo a Em de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para añigentar as pessoas do inferno, em cuja margem elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem se dar conta do perigo. Não seria justo afugentat alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico.
  27. 27. Capítulo 2 Sinais bíblicos de uma obra do Espírito de Deus _as 1. ATÉ aqui! , sxI0sTR. -m«1()s íxLcztlNs EXEMI-*I -OS daquilo que não prova que uma obra reali- zada em meio a um povo não é do Espírito de Deus. Como proposto anteriormente, em segundo lugar, prossigo agora com uma exposição positiva acerca dos sinais e evidên- cias bíblicos, certos e distintivos de uma ação do Espírito de Deus, através dos quais pode- mos proceder no julgamento de qualquer operação que encontremos em nós mesmos ou que vej amos em meio a um povo, sem cor- rer o risco de sermos enganados. Para isso, como disse antes, estarei inteiramente limitado às evidências que nos são dadas por João no texto a que me refiro em minha argumentação, ou seja, o capítulo 4 de sua primeira epístola, em que o assunto é particu- larmente examinado de uma forma mais clara e completa do que em qualquer outro lugar na Bíblia. Ao comentar os sinais, irei aborda- Ios na ordem em que os encontro no capítulo.
  28. 28. | 46 | ,-' 'ERl'. ).-L'JI'. IR= 0mm no ESPÍRI m 1. O fato de a ação produzir efeitos que engrandeçam a estima das pessoas por aquele Jesus que nasceu da Virgem e foi crucificado fora dos portões de Jerusalém - parecendo confirmar e estabelecer ainda mais na mente humana a verdade declarada pelo evangelho de que ele é o Filho de Deus e o Salvador dos homens - é sem dúvida uma comprovação de que tal obra é do Espirito de Deus. Em ljoão 42,3, o apóstolo nos dá essa evidência: “Assim conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em corpo é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus, mas é o espírito do antícristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir, e agora já está no mundo". Isto implica confessar não só que houve um homem assim que surgiu na Palestina, o qual realmente fez e sofreu as coisas narradas a respeito dele; implica também confessar que ele era o Cristo, isto é, o Filho de Deus, ungido para ser Senhor e Salvador, como está subentendido no nome Jesus Cristo. A existência de tais implicações no texto do apóstolo é confirmada pelo versículo 15, no qual João continua falando desse mesmo assunto, dos sinais do verdadeiro Espírito: “naquele que confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus”. Note-se que a palavra música, como normalmente usada no Novo Testamento, significa mais do que apenas admitir, implica estabelecer e confirmar algo pelo testemunho, proclamando-o com manifestações de estima e zelo: "Portanto, todo aquele que me toryfessar diante dos homens, eu também o con estarei diante de meu Pai, que está no céu" (Mt 10.32); "pelo que eu te canfrsrarei entre as nações e salmodiarei o teu nome" (Rm 15.9; Biblia de Jerusalém); e “mtoda língua conftêsre que Jesus Cristo é summs lill-SLKUS DL L¡'1.r()1$ll. ~l)1') Lwnu m m. 1m x l 47 | o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.11). Em lJoão 5.1 é confirmado o sentido do termo empregado pelo apóstolo nesse trecho: "Todo aquele que crê que Jesus e' o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama o que o gerou ama também o que dele é nascido". Vemos essa confissão também no texto paralelo em lCoríntios 12.3, em que Paulo nos dá a mesma regra para distinguirmos o verdadeiro Espírito de todas as imitações: "Portanto, vos declaro que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, pode dizer: Mal- dito seja Jesus! (ou mostra uma consideração desfavorável ou desprezível por ele) E ninguém pode dizer: Jesus é Senhor! a não ser pelo Espírito Santo". Portanto, se o Espírito que age em meio a um povo é claramente percebido como aquele que realiza uma obra que convence as pessoas acerca de Cristo e as conduz até ele - com a finalidade de confirmar em suas mentes a crença na história do Cristo que veio em carne e que ele e' o Filho de Deus, enviado pelo Senhor para salvar os pecadores, o único Salvador de quem os pecadores têm imensa necessidade -; e, ainda, se esse Espírito parece gerar nas pessoas pensamentos sobre Cristo superiores e mais honrosas do que elas costumavam ter, fazendo com que sc voltem para Jesus, tudo isso, sem dúvida, é sinal de que esse é o Espirito verdadeiro e certo, por mais incapazes que sejamos de determinar se, para serem salvíficas, a convicção e a emoção sentidas pelas pessoas devem ter determinada forma ou grau. Contudo, as palavras do apóstolo são notáveis. A pessoa a respeito de quem o Espírito dá testemunho e por quem ele engrandece a estima dos homens deve ser aquele Jesus que veio em carne e não algum outro Cristo,
  29. 29. | 48 | A 'v1 ltDAlH-. IIH msm no Esvikrrt) místico ou fantástico, como seu substituto. Assim era a luz interior, enaltecida pelo espírito dos quacres, mas que, na verdade, diminuía sua consideração por um Cristo exterior e a dependência dele - ou seja, o Jesus que veio em carne r; isso os desviava de Cristo. Mas o espirito que dá testemunho de Jesus e conduz os homens a ele só pode ser o Espírito de Deus. O Diabo tem a mais cruel e implacável inimizade pela pessoa de Cristo, especialmente no que diz respeito a seu caráter de Salvador dos homens. Satanás tem ódio mortal da história e doutrina da redenção e nunca tentaria gerar nos homens pensamentos mais honrosos a respeito de Cristo, a fim de que as pessoas dessem mais valor às instruções e mandamentos do Senhor. O Espírito que inclina o coração dos homens para o Descendente da mulher não é o espírito da serpente que nutre contra ele uma inimizade tão irreconciliável. .. 2. Se o espírito que opera agir contra os interesses do reino de Satanás, que consistem em promover e estabelecer o pecado, acalentando as concupiscências mundanas dos homens, então teremos aí uma evidência segura de que tal Espírito é verdadeiro c não Falso. Esse sinal nos é dado em Úoão 4.4,5: "Filhinhos, vós sois de Deus ejá tendes vencido os falsos profetas, pois aquele que está em vós é maior do que aquele que esta no mundo. Eles são do mundo; por isso falam como quem é do mundo, e o mundo os ouve”. Eis uma clara antítese: é evidente que o apóstolo ainda está comparando aqueles que são influenciados pelos dois tipos opostos de espírito, o verdadeiro e o falso, mostrando a diferença entre eles. Um é de Deus e vence o espírito do SINAIS ním. ¡t'<›s nr UNIA uam m: ¡smm m n: pros | -W | mundo; o outro é do mundo e fala e tem o sabor [ruim] das coisas do mundo. O espírito do Diabo é aqui deno- minado "aquele que está no mundo”. Cristo diz: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Com o reino de Satanás, ocorre o contrário: ele é "o deus deste mundo". O que o apóstolo quer dizer com o nzundo ou "as coisas que há no mundo” é explicado por suas próprias palavras: “Não ameis o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, o desejo da carne, o desejo dos olhos e o orgulho dos bens, não vem do Pai, mas sim do mundo” (Ho 215,16). Assim, é evidente que o apóstolo entende por “mundo” tudo o que é de interesse do pecado, consistindo em todas as corrupções e ambições seculares do homem, bem como todos os atos e objetos por meio dos quais essas inclinações podem ser atendidas. Portanto, com base nas palavras de João, podemos determinar com segurança qual é o espírito que tem agido, avaliando tais procedimentos: se diminui o apego dos homens aos prazeres, benefícios e honras do mundo; se arranca de seus corações a procura ambiciosa dessas coisas; se os envolve em uma profunda solicitude pela condição futura e pela felicidade eterna reveladas no evangelho, levando-os a uma busca zelosa do reino de Deus e sua justiça; se os convence a respeito da terrível natureza do pecado, da culpa que ele provoca e da desgraça a que expõe as pessoas - esse só pode ser o Espírito de Deus, Não devemos supor que Satanás convenceria ou despertaria a consciência dos homens para o pecado. Não lhe seria de nenhuma utilidade fazer com que a Candeia do Senhor seja iluminada com uma luz mais brilhante, dando
  30. 30. I 30 I A YElllíiAhflt-in min-x 1m IIRNRIHI voz ao representante de Deus na alma. Em tudo o que faz, porém, e' de seu interesse embalar o sono da consciência e mantê-la calada. O fato de ter a consciência com a boca e com os olhos abertos na alma tenderá a atrapalhar e prejudicar seus desígnios das trevas, perturbando constan- temente suas ações, indo contra. seus interesses e inquie- tando-o, de tal forma que ele não consiga fazer mais nada que deseja sem ser incomodado. No momento em que está quase fumando os homens no pecado, iria o Diabo tomar tal caminho? Iria ele iluminar e despertar as consciências para que as pessoas enxerguem a terrível natureza do pecado e passem a teme-lo excessivamente, por conhecerem as desgraças provocadas por seus pecados anteriores e sua imensa necessidade de libertação de suas culpas? Será que ele tornaria os homens mais cuidadosos, questionadores e vigilantes para poderem discernir o que é pecaminoso, evitar futuros pecados e, portanto, temerem mais as tentações do Diabo e serem mais zelosos a fim de se guardarem contra elas? Onde está a lucidez dos que acham que um espírito agindo assim provém do Diabo? É possível que algumas pessoas digam que Satanás pode até mesmo despertar a consciência dos homens para engana-los, fazendo-os pensar que foram objetos de uma ação salvífica do Espírito de Deus, enquanto na verdade eles ainda estão em fel de amargura. Em resposta a isso, porém, pode-se argumentar que o homem que está com a consciência atenta é o menos passível no mundo de ser enganado. A mente entorpecida, insensível e tola é a que se deixa cegar mais facilmente. Quinto mais sensível for a consciência em uma alma perturbada, tanto mais dificilmente ela será tranquilizada se não houver uma verdadeira cura. Quinto smms ntm_u_'0s DE um 0mm no l-. .l'l| §l'| '('J l')¡-_ : Mills | 31 | mais essa consciência se toma sensível à natureza pavorosa do pecado e à grandeza da culpa do próprio homem, menos probabilidade há de que ele dependa de sua própria justiça ou seja acalmado apenas com imagens irreais. Uma pessoa que ficou totalmente aterrorizada ao sentir seu próprio perigo e desgraça não é facilmente iludida e levada a crer em sua salvação, se não houver algum fundamento sólido. Despertar a consciência e convence-la da perversidade do pecado pode não tender a lhe dar autoconfiança, mas com certeza tende a abrir caminho para a eliminação do pecado e de Satanás. Portanto, esse é um bom sinal de que o Espírito que assim opera não pode ser o espírito do Diabo, a menos que supo- nharnos que Cristo não sabia como argumentar, pois ele disse aos fariseus w os quais pensavam que o Espírito pelo qual ele agia era o espírito do Diabo - que Satanás não expeiiria Satanair (Mt 12.26). Assim, se vemos pessoas sendo conscientizadas da terrível natureza do pecado e da ira de Deus contra ele; se elas se conscientizam de sua própria condição miserável e estão seriamente preocupadas com sua salvação espiritual; se estão cientes de sua necessidade de misericórdia e ajuda de Deus, comprometendo-sc abuscá-las por meio dos recursos divinamente indicados - então sem dúvida podemos concluir que essa consciência provém do Espírito de Deus, quaisquer que sejam os efeitos provocados no corpo dessas pessoas, isto é, ainda que elas gritem, estremeçarn ou desmaiem, tomadas por convulsões ou haja qualquer outra agitação da carne ou do espírito. A influência do Espírito de Deus é manifestada com maior abundância se o coração das pessoas é desviado do mundo, libertado dos objetos de suas ambições e arrancado de suas ocupações mundanas pela percepção da excelência
  31. 31. | 52 I -. v 'l3_lll). Al)l. -.ll'u uniu no ESPÍKIIU das coisas divinas e por se apegar às alegrias espirituais de outro mundo, as quais estão prometídas no evangelho. 3. O espírito que opera gerando nos homens uma profunda consideração pelas Sagradas Escrituras, fir- mando-os ainda mais na verdade e divindade da Palavra do Senhor, certamente é o Espírito de Deus. Essa regra nos é dada pelo apóstolo em lJoão 4.6: "Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. É assim que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro". Nós somos de Dear, isto é, "nós, os apóstolos, somos enviados e indicados por Deus para ensinar o mundo, proclamando as doutrinas e man- damentos que serão a regra de fé dos homens; quem roubam a Deus nos ouve”, etc. Aqui, a declaração do apóstolo abrange igualmente todos os que num mesmo sentido são de Deus; ou seja, todos os que Deus nomeou e inspirou para proclamar à igreja as normas de fé e prática. São todos os profetas e apóstolos, cuja doutrina Deus colocou como alicerce para a edificação de sua igreja, como vemos em Efésios 2.20. Enfim, são todos os amanuenses da Bíblia. O Diabo jamais tentaria criar nas pessoas qualquer estima pela Palavra divina, concedida por Deus para ser a grande e permanente regra de orientação da igreja em todos os assuntos religiosos e em tudo o que se refere as almas dos homens, ao longo de todas as eras. Um espírito de engano não levaria as pessoas a buscarem instrução na boca de Deus. Os espíritos malignos, que não têm luz interior, nunca conclamam: “À lei e ao testemunho”, pois o próprio Senhor ordenou que desmascarássemos suas ilusões: "Qi-ando vos disserem: Consultai os que con~ SINAIS lsii-: Llrns m. UMA OBRA 1m Esrílerrr: nr' DFL a | S35 | sultam os mortos e os feiticeiros, que sussurrarn e mur- muram, respondei: Por acaso um povo não consultará o seu Deus? Em favor dos vivos se buscarão os mortos? À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem conforme esta palavra, nunca verão raiar o amanhecer" (Is 819,20). O Diabo não diz o mesmo que Abraão: “Eles têm Moisés e os profetas, que os ouçam” (Lc 16.29); nem fala sobre Cristo como a voz que veio do céu: “. ..a ele ouvi" (Mt 17.5). Será que o espírito de engano, querendo iludir os homens, gera- ria neles um alto conceito da regra infalível, dispondo-os a dar~lhe muito valor e a se familiarizarem com ela? Iria o príncipe das trevas levar os homens para a luz do sol com o intuito de promover seu reino de trevas? O Diabo sempre demonstrou rancor e ódio mortais pelo livro sagrado, a Bíblia. Ele tem feito tudo o que pode para extinguir essa luz e dela desviar os homens. Ele sabe que esta é a luz pela qual seu império de trevas será destruído. Há muitas eras Satanás vem experimentando o poder dessa luz a impedir seus objetivos e frustrar seus planos: é seu eterno flagelo. É a principal arma usada por Miguel em sua peleja contra o Diabo - a espada do Espírito, que o traspassa e subjuga. É a grande e poderosa espada com a qual Deus pune a Leviatã, a serpente perversa. É aquela espada afiada que sai da boca do cavaleiro e com a qual ele derrota seus inimigos, como lemos em Apocalipse 19.15. Cada texto é como uma ferroada a atormentar a velha serpente. O Diabo já sentiu essa dor pungente milhares de vezes; assim, ele está empenhado na luta contra a Bíblia e odeia cada palavra nela contida. Podemos estar certos de que ele jamais tentará aumentar a estima ou o amor das pessoas pelas Escrituras. Consequentemente, e'
  32. 32. | 54 | ,x 'l', ltl›. l)l: lli- ums-x m") iawiizrrt» comum vermos alguns fanáticos depreciando essa regra escrita, estabelecendo acima dela a luz interior ou alguma outra norma. 4. Outra regra para discernirmos os espíritos pode ser inferida a partir das formas de tratamento dadas aos espíritos inimigos, nas últimas palavras de ljoão 4.6: ". .. o espírito da verdade e o espírito do erro". Elas revelam as características opostas entre o Espírito de Deus e os outros espíritos que falsificam suas obras. Portanto, se ao observarmos a maneira de agir de um espírito vemos que ele opera como espírito da verdade, levando as pessoas à verdade e convencendo-as de coisas verdadeiras, então podemos concluir com segurança que esse é o espírito certo e verdadeiro. Por exemplo, se notamos que o espírito em operação aumenta nas pessoas a consciência de que: existe um Deus e ele é um Senhor magnífico que abomina o pecado; a vida é curta e muito incerta e há outro mundo além deste; os homens têm almas imortais e devem prestar contas de si próprios a Deus; as pessoas são excessivamente pecadoras por natureza e atos, indefesas em si mesmas - enfim, se tal espírito é confirmado nas questões relativas à sã doutrina, então ele está operando como espírito da verdade, pois apresenta os fatos como realmente são. Ele traz os homens para a luz, porque tudo o que manifesta a verdade e' luz, como observa o apóstolo Paulo, em Efésios 5.13: "Mas todas essas coisas, sendo condenadas, mani- festam-se pela luz, pois tudo que se manifesta é luz". Logo, podemos concluir que não é o espírito das trevas que assim descobre e manifesta a verdade_ Cristo nos diz que Satanás é “mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44), que seu reino é . Sl. Íl BIBLIKIUS Dl: LlMAUlãlãAIN)ll'll§ll'i,1])El7kl“ l x4' . J. um reino de trevas, sendo apoiado e promovido somente pelas trevas e pelo engano. Por meio das trevas, Satanás obtém todo seu poder e império; por isso lemos sobre tal poder (veja Lucas 22.53 e Colossenses 1.13). Os demônios são chamados "príncipes deste mundo de trevas” (Ef 6.12). Qialquer espírito que remove nossas trevas e nos traz à luz livra-nos do engano e, por convencer-nos da verdade, faz uma grande gentileza. Se sou levado a enxergar a verdade e me conscientizo dos fatos como realmente são, meu dever é agradecer de imediato a Deus, sem antes ficar parado, indagando por quais meios recebo tal benefício. 5. Se o espírito que está em ação em meio a um povo opera como espírito de amor a Deus e ao homem, temos ai' um sinal seguro de que esse é o Espirito de Deus. O apóstolo João enfatiza esse sinal do versículo 7 até o fim do capítulo: “Amados, amemos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" etc. A ui é evidente ue oão continua 7 7 comparando os dois tipos de pessoas que estão sob a ação das duas espécies opostas de espíritos. Ele menciona o amor como um sinal por meio do qual podemos identificar quem tem o espírito verdadeiro. Isso se torna especialmente claro nos versículos 12 e 13: ". ..se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e seu amor é em nós aperfeiçoado. Assim sabemos que permaneccmos nele, e ele em nós: por haver ele nos dado do seu Espírito". Nesse trecho, João fala do amor como se nisso consistisse a própria natureza do Espírito Santo; ou seja, é como se o amor divino permanecendo em nós e o Espírito de Deu: habitando em
  33. 33. | 56 | a 'FllD, -IÇ)E| IL-v (uma 1m í-. svnum nós fossem a mesma coisa (assim também ocorre no versículo 16 desse capítulo e nos dois últimos versículos do anterior). Portanto, esse último sinal do Espírito verdadeiro, dado pelo apóstolo, parece ser considerado o mais eminente, sendo aquele sobre o qual João insiste de modo mais amplo do que todos os outros. Ele fala especificamente do amor tanto a Deus quanto aos homens: do amor aos homem, nos versículos 7, 11 e 12; do amar a Deus, nos versículos 17, 18 e 19; de ambos, nos dois últimos versículos; e do amor aos homens como algo proveniente do amor a Deus, também nos dois últimos versículos. Portanto, quando o espírito em meio a um povo age dessa forma, gerando em muitas pessoas pensamentos elevados e sublimes sobre o Ser Divino e suas gloriosas perfeições; quando lhes confere uma percepção admiradora e aprazível da excelência de Jesus Cristo, apresentando-o como o chefe entre dez mil e totalmente digno de adoração, tomando-o precioso para a alma; quando o coração é conquistado e atraído pelas razões e estímulos do amor de que o apóstolo fala nas passagens mencionadas acima* isto é, o esplêndido e gracioso amor de Deus ao enviar seu único Filho para morrer em nosso favor e o maravilhoso amor sacrificial de Cristo por nós, mesmo quando não tinhamos nenhum amor por ele, e éramos seus inimigos; forçosamente, trata-se do Espírito de Deus, como podemos notar nas seguintes passagens de ljoão 4: “O amor de Deus para conosco manifestou-se no fato de Deus ter enviado seu Filho unigênito ao mundo para que vivamos por meio dele. Nisto está o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados" (v. 9,10); "E conhecemos o amor S[N. ~ISHlI«: LIH)s11l ¡*1;(lLl»u um LxI-Ikírc» n¡ m Lis | 5T | que Deus tem por nós e cremos nesse amor. Deus é amor; quem permanece em amor permanece em Deus, e Deus nele” (v. 16); e "nós amamos porque ele nos amou primeiro” (v. 19). O espírito que estimula nosso amor com esses motivos e transforma em agradáveis objetos de contem- plação os atributos de Deus, conforme revelados no evanw gclho e manifestados em Cristo; o espírito que faz com que a alma tenha anseio por Deus e Cristo - após ter sentido a presença e a comunhão divinas, tido conhecimento deles e com eles se ter harmonizado - e viva para agradá- los e honra-los; o espírito que acalma as contendas entre os homens, dando-lhes paz e boa vontade, incentivando~ os a praticarem ações de bondade prática e a desejarem com firmeza a salvação das almas; o espírito que inunda de contentamento aqueles que se mostram filhos de Deus e seguidores de Cristo - insisto, o espírito que opera dessa maneira em meio a um povo dá a prova mais sublime da influência do Espírito verdadeiro e divino. De fato, existe um amor simulado que muitas vezes aparece em meio àqueles que são levados por um espírito de engano. Nos fanáticos mais desenfreados, geralmente há uma espécie de união e afeição gerada pela autoestima e ocasionada por um acordo mútuo referente a questões sobre as quais eles muito diferem dos outros e devido às quais são objetos de ridículo perante o resto da huma- nidade. Naturalmente, isso os leva a se orgulharem muito mais dessas peculiaridades que os tornam objetos do desprezo alheio. Era assim que os antigos gnósticos e os fanáticos impetuosos, que apareceram no começo da Reforma, vangloriavam-se de seu imenso amor uns pelos outros. Em uma das seitas especificamente, as pessoas
  34. 34. | SS | A 'l: iêl). ›l)l. lll. › : num Im IÍSI'ÍRIH') denominavam-se ajtzmüia do amor. Isso, porém, é muito diferente do amor cristão que acabei de descrever, pois é apenas a exibição de uma autocstima natural, não havendo verdadeira caridade; é como a união e o companheirismo que podem existir em meio a um grupo de piratas que estão em guerra com o resto do mundo. Nesse texto de João, e' dito o suficiente sobre a natureza do verdadeiro amor cristão para que este possa ser distinguido de todas as imitações. Esse amor surge da percepção das mara~ vilhosas riquezas provenientes da livre graça e soberania do amor de Deus por nós em Cristo Jesus. A isso, sejam somados um reconhecimento de nosso completo demérito, por sermos inimigos que odeiam a Deus e a Cristo, e uma renúncia de toda nossa excelência e retidão pessoal (veja os versículos 9, 10, 11 c 19). A característica mais evidente do verdadeiro amor divino sobrenatural - dis- tinguindo-o das imitações que surgem de uma autoestima natural -- é que nele brilha a virtude cristã da humildade, qualidade que, mais do que todas as outras, renuncia, degrada e aniquila a palavra azul-o. O amor cristão, ou a verdadeira caridade, é um amor humilde: "O amor é paciente; o amor é benigna. Não é invejoso; não se van- gloria, não se orgulha, não se porta com indecência, não busca os próprios interesses, não se enfurece, não guarda ressentimento do mal. ..” (lCo 13.45). Portanto, quando vemos em alguém um amor acompanhado do reconhe- cimento de sua própria insignificância, sordidez, fraqueza e total insuficiência; e, ainda, quando há autodesconñança, autodesprendimento, autorrenúncia e humildade de espírito ~ estes são sinais claros do Espírito de Deus. Aquele que assim permanece no amor permanece em sixms uílaurus ni. L| .'l. -' (num D0 Esviurn; m_ mim | SU | Deus, e Deus nele. A grande prova do verdadeiro Espírito a que o apóstolo se refere é o amor de Deus ou o amor de Cristo: “. ..seu amor é em nós aperfeiçoado" (v. 12). No exemplo de Jesus, vemos melhor que tipo de amor é esse. O amor demonstrado pelo Cordeiro de Deus não era somente pelos amigos, mas também pelos inimigos, sentimento este acompanhado por um espírito manso e humilde. Ele mesmo diz: "n. aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Amor e humildade são as duas coisas mais contrárias ao espírito do Diabo neste mundo, pois, acima de tudo, o caráter desse espírito maligno consiste em orgulho e maldade. Assim, estive falando especialmente dos vários sinais que o apóstolo nos dá de uma obra do Espírito verdadeiro. Vimos que há algumas coisas que o Diabo não faria sob hipótese alguma, mesmo se pudesse: ele não despertaria as consciências, tornando os homens conscientes de sua condição desgraçada devido ao pecado e de sua grande necessidade de um Salvador; não confirmaria os homens na crença de que Jesus é o Filho de Deus e o Salvador dos pecadores, nem aumentaria a estima e consideração das pessoas por Cristo. Satanás não criaria na mente humana uma percepção da necessidade, utilidade e verdade das Sagradas Escrituras, nem faria com que as pessoas bus- cassem fazer uso delas', ele também não mostraria aos homens a verdade sobre os assuntos da alma, a fim de abrir seus olhos e arranca-los da escuridão, levando-os à luz e dando-lhes urna visão das coisas como realmente são. Há ainda outras coisas que o Diabo não pode nem ira' fazer: ele nunca dará aos homens um espírito de amor divino, humildade e desprendimento cristãos. Na verdade,
  35. 35. I 60 I A 'l; lil). zl)l. ll'xz (uma Eli. ) ESPÍRI m ele nem poderia se quisesse. O Diabo não pode dar aquilo que ele mesmo não possui, e essas coisas são totalmente opostas à sua natureza. Assim, quando há uma influência ou operação extraordinária na mente de um povo, e os aspectos acima são nela verificados, podemos determinar com segurança que aquela obra é de Deus, quaisquer que sejam as outras circunstâncias que a acompanham, os instrumentos usados ou os métodos aplicados para efetiva- la. Não importam os meios empregados por um Deus soberano - cujos juízos são um abismo profundo _ para realizar sua ação, nem os impulsos provenientes dos instintos animais, nem os efeitos provocados no corpo humano. Os sinais descritos por João são autossuñcientes e se sustentam, mostrando claramente o dedo de Deus. Esses sinais pesam muito mais na balança do que mil pequenas objeções que muitos levantam a partir de extravagâncias, irregularidades e falhas na conduta, superando também as ilusões e escândalos de alguns estudiosos. Nesse ponto, porém, algumas pessoas podem questionar se as evidências apresentadas são suficientes, citando o apóstolo Paulo: “Esses homens são falsos após- tolos, obreiros desonestos, disfarçando~se de apóstolos de Cristo. E não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz" (2Co 1113,14). Responda que isso não pode ser um argumento contra a suficiência desses sinais para discernirmos o espírito verdadeiro e o falso nos falsos apóstolos e profetas, aqueles nos quais o Diabo se transforma em anjo de luz. Isso porque é pensando principalmente nesses “obreiros desonestos” que João apresenta tais evidências, como fica claro pelas palavras do texto: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, SINAIS ¡SHXLKKIS l)| :. L. '.'l¡ OBRA D17 l'bl'lltl'l'í. 'l LVL' IHUS I Õ' I mas avaliai se os espíritos vêm de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo" (v. l); ou seja: “Há muitos que saíram pelo mundo, que são ministros do Diabo e se transformam em profetas de Deus, por meio destes o espírito do Diabo é transformado em anjo de luz. Portanto, avaliem os espíritos com estas regras que lhes darei, para que sejam capazes de discernir o espírito verdadeiro do falso, disfarçado com tanta astúcia". Sem dúvida, os falsos profetas aludidos por joão são homens do mesmo tipo dos fiz/ Jor apóstolos e obreiros desonestos a respeito dos quais Paulo fala, por meio dos quais Satanás se transformou em anjo de luz. Assim, podemos estar certos de que os sinais estão especialmente adaptados para podermos distinguir entre o espírito verdadeiro e o Diabo transformado em anjo de luz, porque são propostos espe- cialmente para tal fim. Fornecer os sinais pelos quais o verdadeiro Espírito pode ser discernido desse tipo de imitação é o claro propósito e desígnio de João. Além disso, se examinarmos o que é dito sobre esses falsos profetas e apóstolos (e há muita coisa a esse respeito no Novo Testamento) e prestarmos atenção à maneira como por meio deles o Diabo se transformava em anjo de luz, não encontraremos absolutamente nada que prejudique no mínimo detalhe a suficiência desses sinais para discernirmos o verdadeiro Espírito de tais imitações. O Diabo trans~ formava-se em anjo de luz, pois havia nesses homens exi- bição e grandejactância de um conhecimento extraordinário das coisas divinas (Cl 2.8; lTm 1.6,7; 63-5; 2Tm 2.1448; Tt 1.10,16). Consequentemente, seus seguidores deno- minavam-se gnõrtiros, por aparentarem vasta sabedoria. Por meio deles, o Diabo imitava os dons miraculosos do
  36. 36. I 62 l 'A = ›'R1), 1›í'¡k. ›x (uma nr) i-: svíkircü Espírito Santo, em visões, revelações, profecias, milagres etc; daí serem chamados falsos apóstolos e falsos profetas (veja Mateus 24.24). Havia ainda aparências ilusórias e falsas alegações de santidade sublime e devoção em palavras (Rm 1617,18; Ef 4.14) - eis por que são chamados de obreiros desonestos (2Co 11.13) c fontes e nuvens sem água (lPe 2,17; Jd 12). Fingiam também extraordinária piedade e retidão em sua adoração supersticiosa (Cl 2.16- 23). Tinham, portanto, um zelo falso, soberbo e amargo (Gl 4.17,18; ITm 1.6; 6.45). Aparentavam igualmente humildade, fingindo extrema pobreza e sujeição, enquanto na verdade estavam enfatuados “sem motivo algum na sua mente carnal” (Cl 2.18). E faziam dessa humildade sua própria justificação, envaidecendo-se excessivamente por sua eminente piedade (Cl 2.153,23). De que maneira, porém, fatos assim podem prejudicar de alguma forma as coisas mencionadas acima como sinais distintivos do Espírito verdadeiro? Além dessas demonstrações vãs, que podem ser do Diabo, há influências comuns do Espírito de Deus que muitas vezes são confundidas com a graça salvífica; mas isso não vem ao caso, pois, mesmo não sendo salvíñcas, ainda assim são obra do Espírito verdadeiro. Portanto, considero concluída a explanação que a princípio me propus a fazer, ou seja, considerar os sinais distintivos e infalíveis por meio dos quais podemos proceder com segurança no julgamento de qualquer obra que Venhamos a presenciar, reconhecendo se é ou não do Espírito de Deus. Passo agora às ínfzrénrías práticas. Capítulo 3 Inferências práticas 1. A PARTIR DO Quit m¡ Drro ATIñ Amir, arrisco-me a tirar a seguinte conclusão: a exlmordimíría infuéntía que surgiu rermte- mente, gerando uma preorupação notável e um enool-Uímento incomunz da: mente: em relação aos assunto: ligado: à religião, sem dúvida, em termo: gerais, provém do Espírito de Deus. Há apenas duas coisas que precisam ser conhe- cidas para se julgar uma obra desse tipo, a saber: orfzíos e as regras. Já foram expostas à nossa frente as regra¡ da Palavra de Deus. Quanto aos fatos, não há mais do que duas maneiras por meio das quais podemos aborda-los, a fim de que sejamos capazes de compara-los às regras: por nossa própria observação ou pelas informações daqueles que tiveram a oportunidade de presencia-los. Muitas coisas que dizem respeito a essa obrajá são conhecidas, e, se o apóstolo João não errou em suas regras, elas seriam autossu- ficientes para identifica-la como sendo, de modo geral, obra de Deus. O Espírito que

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