Livro do ano 2015 para aventureiros king, o pregador que nã£o conseguia pregar

288 visualizações

Publicada em

Conta a historia de um pregador que nao sabia pregar

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
288
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
18
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Livro do ano 2015 para aventureiros king, o pregador que nã£o conseguia pregar

  1. 1. fÊJ; gijtarçe1211;: LUIàLJÍrânÊ *'-3.¡! N33!ÍÍÊFÍÍ, .?VEBF'. V Kimber J. Lantry
  2. 2. , O pregador que não conseguia pregar Kimber J. Lantry Tradução Carla Nogueira Modzeiesk¡ Casa Publicadora Brasileira Tatuí, SP
  3. 3. Título original cm inglês: THE KING HIO CmJLDNH' PRE/ ici¡ Copyright à) di¡ edição cm inglês; Fanfic Press Nunpu FUA Direitos internacionais mscnmdm. DÍIrI/ m J. - tna/ ¡ipíu r pnivlli". i¡^. ív› rw: /thrtu pornqçxiru rui-n Liu/ Ú¡ . i CASA PuiiucADoa/ i BRASILEIRA Rodovia SP 137 - km 106 Caixu Pnsial 31 - 18270970 - Tatuí, SP Tel. . (15) 5205-8800 - Fax: (lí) 3205-8900 Atendimento . io cliente: (IS) HD5488!! u'~'u'. i.'pb. (0m. bf l' uliçiu: vl mil exemplares Zíllil cinifrknilpl. ” Ei/ ¡I-vrul: Vanderlei Dome-lts ! SJIÍNVJPI-Iv: NCll-l D. Oliveira c Vanderlei Dirncln Raviíai: Adrian; Scrum PÍU/ ÍÍÍO Guru. : Ali-unilre Rodu e William lnbo Cup: : Alexandri- Rocha ÍÍMHLXfJ/ I Cup: : Vandir Dom jr. IMPRESSO NO BRASIL i' PminJm BIJJIÍ Dndm lnremneioniiíi de Caulognçln na Public-ni: : (CIP) (Câmara Bnnilrin do Livro. SI'. Briuil) hnrry. Kimber] King. o ; we-pular quc não conseguia pregar . ' Kimlx-rjr Lantry '. (manga Çsrla ninguem Modzeiesk¡. - "Tatuí. SP z C45¡ Publicadora Braslltlñl. 20H, Título origiml: The King who rmildrú pmcb. ISBN 'HH-&Ú- ivlí-ZIAHA l Adwiirism di¡ Shimo Di. : - líquidos Unidos . Biografia - Lirrranin ; uva-ml 2. KinpuGc-orge. 18474906 - Lizentura ¡uvmil 5. Lirer-. iiuni criar¡ - Publicsçãiv - Esmdm Umdm - Literatura ¡uvenil l. Título. l i-l 1702 CDD-ZSGÍH Índices par¡ ciiillogo siucmítico: 1. King, CINIUR' ' Urenmm ¡uvrnil ÂdVChI|4ll du Sétimo Di: : : Criammsmo 286.7¡ v v' . í f 'i na Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou purial, "xí/ por quulquer mem, ir": ;m1 n¡ . zutanupxa ami. : d: autor¡ e da Editora. VLÍIÍJOA MÍUÀMA lipulrigin. Vxrllirk Pro Lipli( Diiphy Hill( ~ [4622253043
  4. 4. Sumário Ó Bom Moço . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . . 5 O A Proposta . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . . 15 Q CMHYÍÍL* para Prcgnr . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . .'21 0 () Prcgacioi' dc lxarLirai . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. '27 Õ Ciuurgi' L' () Fazciiclciix) . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .35 O Nnclncclvbraça . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ,.49 Ó luz. nn Lugar(lasiii-vas . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . .M O ldcin lnspiiad-a . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . ... .. . . 7.3
  5. 5. Bom Moço un ndo cu cra criança. niii›gi›st;1';1clc- ir : i igreja por- . . que tinha que licar muito tempo sentado. Quando fiz I l amos, cu ; iincl-. i não gostam porquc tinha que usar satpdtos paira ir a igrciri. Durante todo o vcrào, cu ficara clt-svnlço. mas todo sabado tinha que Lisar sapatos c cu odiava sapatos! meias dc là que cu tinha que Lisar liai/ .iaim meus PCS ('()Ç'dl'Cl11 c os sapatos ; ipc-rtavani os meus dcdocs. Pomn. toda mnnhgi (lc SJlJJClU minhai mac scmprc mc lembrava: (Mho, (Jtlio (ioclsmnrlg, nào sc esqueça (le colocar suis ssapati ›s c meias! No inxt'i“iii›. ou tinha que buscar lenha para a lL1l'ClI'L1 5
  6. 6. O PREGADOR QUI; NÃo CONSEGUIA PREGAR bojuda que esquentava a igreja. lsso significava que a cada quinze minutos mais ou nrenos. eu precisava me levantar. colocar o casaco, luvas de cozinha e protetor de orelhas. e ir lá fora. no frio. buscar' uma braçada de lenha da pilha que ficava artras da igreja. Às vezes. mesmo usando luvas. firrpas de madeira entmxurm nos meus dedos. Se houvesse visitantes na igreja. o papai sempre os con- vidava para jantar em nossa casa, no sabado. Ele dizia que era nosso "dever cristão". Quase sempre eles acabavam fi- cando conosco naquela noite. o que significava que o meu "dever cristão" era dormir' no sofa da sala de estar. Esta vendo por que eu não gostava da igreja? Entretanto. naquele sabado. eu quase nao via a hora de ir' a igreiar. A razao era que o pastor Tiago White estarriar pregando naquele dia. () pastor White tinha uma voz forte que fazia as vigas do lugar vibrarem. Alem disso, ele pregava muito bem. Às vezes, pregava sobre profecias. Desenrolava o que ele chamava de "quadro profetico". Eu nao conseguia en- tender aquelas coisas - anos. semanas e dias profeticos. Em algumas paginas. ele mostrava figuras de bestas gran- des e horríveis. com varias carbeç-as, chifres e outras coisas assustaidoras. Ele sempre tinha uma historia para contar para nos. as Criancas. Agora voce entende por que eu qua- se nào via a hora de ir para a igreia naquele dia. Nossa fazcnd-a. em Bedford 'l'oivrrship. ficava mais ou menos H km ao norte de Battle Creek. físt-. ivamos a alguns 6
  7. 7. BOM Moço quilómetros da pequena igreja. Chegando ali, eu pude ver várias charretes com os cavalos já amarrados nas árvores. E lá fora da igreja, estava o pastor X/ hite, conversando com alguns irmaos. Com certeza era ele. pois era muito alto. Ele sempre usava uma cartola preta e um longo paleto preto, com cauda. Eu nao me lembro muito do culto naquele dia. pois foi o que aconteceu depois que chamou minha atenção. O que lembro mesmo e que em uma das minhas idas até a pilha de lenha, eu retirei depressa um pedaço de madeira e qua- tro ou cinco foram caindo no chão; um deles me acertou a canela. Eu fiquei pulando com um pe só por alguns mo- mentos, segurando a minha pema até que parasse de doer. Quando o culto terminou. o pastor White cumprimen- tou as pessoas. Em seguida, ele foi até o meu pa¡ e colocou o braço em volta dos ombros dele. - lrmào Godsmark - disse ele -. quero conversar com você sobre um assunto. Eu cheguei perto do meu pai o máximo que pude para conseguir cruvir' o que o pastor X/ hite tinha a dizer. Seja la o que fosse, certamente era algo que estava preocupando o homem. Finalmente ele disse: - Irmào Godsmark. ha um homem em minha casa e simplesmente nào sei o que fazer com ele. O pastor X/ hite balançou a cabeça e continuou: - Ele e do Canadá, de algum lugar de Ontario, eu acho. Esta em minha casa já faz pelo menos duas semanas. 7
  8. 8. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR Ele quer ser um pregador. Diz ter certeza de que o Senhor o chamou para pregar. Talvez seja verdade. Então o pastor White encolheu os ombros e estendeu as mãos como se estivesse sem esperança. - Para mim, ele não parece um pregador e eu acho que não conseguiremos treina-Io para pregar. Ele é consagra- do e parece ser um bom homem. Porém. não tem estudo e mal pode se expressar de forma inteligente. - O pastor ~ X/ hite fez uma pausa e então continuou: - Eu gostaria que voces o levassem para a fazenda. Ele pode trabalhar para pagar pelas refeições e pelo quarto dele. Voce o levaria. irmão Godsmark? Assim, voce pode avaliar se ele tem algum futuro como pregador. O nome dele é King, George King. Mesmo antes de meu pai responder, eu já sabia o que ele ia dizer. E, sem dúvida, meu pai concordou. Nós entramos em nossa carruagem, minha mãe, meu pai e eu, e seguimos a charrete do pastor X/ hite até a casa dele. Ao chegarmos, meu pai e o pastor White entraram na casa. Eu os segui porque desejava ver esse homem que queria muito ser um pregador. Ele saiu ate' a varanda e eu fiquei ali, olhando ñrmemente para ele. Ele não era muito velho. No entanto. para mim. um menino de ll anos. com certeza não parecia ser jovem. O homem se comportava de maneira muito formal e rigorosa Parecia não olhar diretamente nos olhos nem do 8
  9. 9. Bom Moço pastor White nem de meu pai. enquanto falava com eles. Ele agia como se estivesse envergonhado com alguma coisa. Pensando bem, ele tinha mesmo um motivo para estar en- vergonhado - suas roupas! Ora, pouquíssimas pessoas que moravam em fazendas naquele tempo tinham condiçôes de comprar roupas em lojas. Minha mãe sempre fazia muitos consertos e remendos para nos manter limpos e arrumados. Eu acho que todas as familias de fazendeiros eram assim. * Contudo, este senhor King vestia um paletó que pare- cia ter sido usado na Guerra Civil. Usava uma camisa des- botada. Suas calças tinham um furo em um dos joelhos e manchas no traseiro. Todo o seu traje dava a impressão de que ele tinha dormido sobre um monte de palha. Parecia que seus sapatos nunca tinham sido polidos. Pode ser que eles tivessem sido marrom escuro um dia. mas eu poderia errar por alguns tons. Eu não conseguia desviar meus olhos dele. Então. mi- nha mãe veio. me pegou pelo braço e me levou de volta até a carruagem. - Othniel Godsmark - ela me repreendeu. Veja. Othniel era meu nome de verdade; mas todos me chamavam de Otho, com exceção da minha mãe, quando eu estava encrencado! - Não encare as pessoas desse jeito. especialmente os estranhos - ela disse. - - Mas a roupa dele e' tão engraçada - eu falei sem pensar. - Foi por isso que fiquei olhando. 9
  10. 10. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR - Não importa como ele está vestido. Ele e' um ñlho de Deus e voce deve ser educado e cortes - disse minha mãe. Eu não estava muito feliz de ter voltado para a carrua- gem com a minha mãe. Eu não podia ouvir o que os três homens conversavam. Entretanto, depois de um breve momento, vi meu pai apertar a mão do pastor X/ hite. Em seguida, ele colocou a mão no braço do senhor King e, com a outra mão. apontou em direção à carruaw gem. Meu pa¡ tinha um sorriso no rosto e eu sabia o que havia sido decidido. › Eu sabia que havia acabado de perder o meu quarto pelo restante do invemo. Sabe, meu quarto era aquecido por uma chaminé que subia da sala de estar do andar de baixo. Então. eu teria que dormir na sala de estar do andar de baixo. Meu pa¡ estava sempre fazendo alguma coisa pela igre- ja. Certa vez, um ano antes, o pastor X/ hite tinha tido uma dessas conversas com meu pai depois do culto. A conversa foi algo sobre a falta de dinheiro na obra de publicações. Na manhã seguinte, meu pai tomou nossos dois melho- res bois - que nós chamávamos de Buck e Bright - e os entregou ao pastor Tiago White para que ele os vendesse. Buck era o meu favorito desde a época em que ele era ape- nas um bezerro. Eu tinha o costume de ajudar a segurar o balde de leite para que ele pudesse beber. Então meu pa¡ teve que vende-lo. Toda vez que iamos à cidade para ir ao mercado e às 1o
  11. 11. Bom Moço lojas. em Battle Creek. nos passavamos pela casa publi- cadora Review and Herald e ouviamos o barulho e o tinido das grandes maquinas de impressão. Papai sem- pre dizia: Voce esta ouvindo, Otho? E o velho Buck e o Bright ainda em ação. Estão inrprimindo a mensagem do terceiro anjo! Não conseguia entender o que ele queria dizer. pois eu sabia que eles não usavam bois para operar as impresso- ras. Tudo o que eu sabia era que. se meu pa¡ se desfazia de bois valiosos para a obra do Senhor', eu não teria a menor chance de permanecer em meu quarto. Por fim. seguimos para casa. George King sentou-se na frente. com minha mãe e meu pai. Eu sentei no chão. atras, ;rtropelado e esmagado pela mala do senhor King, enquanto iamos aos tra ncos e barrancos. - Bem, irmão King - meu pai disse enquanto percor- riamos o caminho -. estamos felizes em receber voce em casa por alguns meses enquanto decide o que vai fazer. Eu tinha crerteza de que meu pai estava tentando fazer o senhor King sentir-se bem-vindo. - Eu. .. eu tenho. ah. .. ah. .. Bem, eu sinto que. .. que o Senhor. aih. .. ah. .. quer que eu. , ah. .. ah. .. Ele me chamou para, ah. . ah. .. pregar, irmao Ciodsmarrk. E isso. .. ah. .. ah. .. E isso o que eu. .. eu tenho que fazer. Pensei: (uma «Quem que _Q/ Igllc/ ÍI como George King¡ tem a C. S'_1)CI'(III('(f de um dia se tornar ¡Jrcgrzr/ or? - Sim. inn-iii) - meu paicontinuotr. Nos queremos 11
  12. 12. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR que voce faça o que o Senhor o chamou para fazer. Enquanto isso, você é bem-vindo para ficar conosco. Você pode ajudar um pouco com as tarefas para cobrir as despesas com a comida e com o seu quarto. Quando ele mencionou as tarefas, eu falei: - É isso mes- mo, senhor King. Voce pode me ajudar a alimentar as ga- linhas e a bater a manteiga. Eu também queria fazer o senhor King sentir-se em* casa; e eu não me importaria nenhum pouco se ele me ajudasse com algumas de minhas tarefas-Todavia, aquele obviamente não era o meu dia. Minha mãe virou-se e me lançou um daqueles olhares que me faziam entender que essa era uma conversa de adultos e que eu deveria ficar fora dela Meu pa¡ acrescentou, falando como se fosse comigo. mas realmente dirigindo-se a George King: - lsso e' muito gentil de sua parte, Otho, Contudo. o senhor King estará muito ocupado estudando a Biblia, orando e buscando a direção do Senhor. - Bem - George King começou -, bem. .. Hm. .. Eu. .. ah. .. ah. .. pensei que. .. ah. .. Antes que ele pudesse decidir o que ia dizer. minha mãe interrompeu: - Irmão King, queremos que voce considere a nossa casa um lugar de descanso epreparação para que possa estar pronto para sair pelo mundo e lutar contra o pecado e a maldade. 12
  13. 13. Bom Moço Eu já ia dizer que se levantar todas as manhãs às 5 horas e sair no frio para alimentar as galinhas seria uma boa pre- paração para sair pelo mundo lutando contra o pecado. No entanto, algo naquele olhar que minha mãe tinha me dado me fez decidir não dizer nada 13
  14. 14. 14
  15. 15. , -c-j 'â - f l_ f ' Q l _JÍÊ ll , a , _ É, A i7 roposia O ' lainrehr rtnzri: tlillllll ; rw -nlr ; l.1liLlt^ da sala de t'sl.1f. ¡ro . rrrtiir t1t'll; llfl. lnrlra : nai ¡ri-gi ›u . rlgimx lerri orx uioberiorirx extras k' , i t . llllti que ela fu. no sHlJ. lf('()Ll qua- st' iurrriirhrivl f fl 'um dormido bem se nao liisst' o que ela tiiw - ; ro Íllt' tofu l! ” “lxqwrl lUllllllk” -i- flflii» tlt'L'lll(l“~ manu-r' ¡iitlo limpo i- . il r tllllnklt' vo¡ : :nur sua xiii-ln. sem (ltrlndlusttllxlliilvx t' i v. lkÂ-lefllh ltitll nraniur e k olm , r-los em ortlenr no , ri nm llilkl¡ r f, u? tule ll Hi» . ff r arms¡ . i hrrirlr. : r . mta. 1.1 um muito ruim. mas tu . tl, m¡ › . ulíki' , girl lrüíli rtimf l)t'lll rlqtlvlvk t Ulwl lille» iürr . ¡rir ? mijar «it» titrlrntr o tlnliro do irreu lmricirrlrn 1 l! _rir. "», ;riil1~xi: iwsittulii nrriitr Vllltlfxt'. r 13
  16. 16. 0 PREGADOR QUI-Z NÃo CONSEGUIA PREGAR Eu não sei se o senhor King me ouviu ou não, mas na manhã seguinte uma coisa esquisita aconteceu. Enquanto eu estava ali de pijama, olhando para aqueles cobertores e lençóis e pensando em como dobra-los, quem e que che- ga? O senhor King. - Otho, será. .. ah. .. ah. .. que eu poderia ajudar você? Esfreguei meus olhos e transfer¡ o peso do meu corpo de um pe' para o outro. Este senhor King, com certeza, era um ^ homem estranho, oferecendo-se para ajudar com as tarefas. Eu não perderia uma oportunidade como aquela. Além dis- so, se não fosse pelo fato de ele estar em nossa casa, eu não estaria dormindo no sofá ou tendo que dobrar cobertores. - Claro, por mim, tudo bem se voce quer ajudar a dobra-los. - Eu pensei: Bem fato para ele, por dormir no meu quarto. - Bem, Otho, eu. .. eu. .. ficaria feliz em. .. Essa é mesmo uma tarefa para dois homens. E, ah. .. Mais uma coisa. .. Voce pode me chamar de George. "Uma tarefa para dois homens! " Bem, isso me fez ver a coisa de maneira diferente. Eu estava feliz em ajudar numa tarefa de homem. Pegar lenha e alimentar as gali- nhas eram coisas de criança, e eu estava cansado de ser tratado como um bebé. Todavia. se você pedisse para Otho Godsmark realizar uma tarefa de homem, voce o veria começar rapidinho. - Esse senhor King - quer dizer, George - realmen- te já devia ter dobrado muitos cobertores, pois ele me 16
  17. 17. A PROPOSTA mostrou como segurar as duas pontas na minha extre- midade e dobra-las. e então ele fez o restante. Ora, em um instante nós tinhamos dobrado e guardado os co- bertores e os lençóis. E claro, voce entende. foram neces- sãrios dois homens; George não conseguiria ter feito tão rapido sem a minha ajuda. Assim que eu me vesti. estava pronto para alimentar as galinhas. George e meu pai já estavam trabalhanddno celeiro, alimentando os cavalos e ordenhando as vacas. Eu me esforçava para carregar o balde de ração quando, de repente, ouvi passos e o balde ficou mais leve na minha mão. George estava caminhando ao meu lado. ajudando-me a carregar aquele balde. - Otho, nós ja terminamos o trabalho no celeiro, então pensei que talvez, se não fosse muito transtorno, voce pudes- se me mostrar como alimentar as galinhas e ajuntar os ovos. Ele não gaguejou nenhum pouco desta vez. Bem, eu realmente era muito bom em alimentar as galinhas. em ajuntar os ovos e fazer as outras coisas. Portanto, se George quisesse aprender, eu poderia ensina-lo. Eu tenho que admitir que George pegou o jeito rapidi- nho, pois em metade do tempo que geralmente levava, eu havia ensinado a ele o que fazer, nós já tinhamos alimenta- do e dado água para todos os animais e voltado para casa para tomarmos o desjejum. - Otho - disse George enquanto nos caminhãvamos -. tenho uma proposta de trabalho para voce. 17
  18. 18. 0 PREGADOR Qui; NAO CONSEGUIA PRr-: GAR - O que e uma proposta? - eu nunca havia ouvido aquela palavra antes. - E um acordo; um tipo de contrato. - Ah! - George tinha um jeito de deixar voce curioso. No entanto. eu não queria demonstrar muito interesse. - (j) que eu gostaria de propor, Otho, e que todo dia, quando eu terminar as tarefas lã no celeiro, ajudarei voce a alimentar as galinhas e a ajuntar os ovos se voce fizer algo- por mim. Bem, eu achava que já tinha feito um favor a ele, ensi- nando-o a alimentar as galinhas; mas, se ele quisesse fazer uma prepa. .. prope. .. Ah, bem, seja lã qual for a palavra. eu acho que poderia pelo menos ouvir. - O que eu tenho que fazer por voce? - Otho. eu sinto que o Senhor me chamou para ser um pregador e eu estou aqui para aprender a pregar. Eu preci- so praticar bastante para que possa fazer um bom traba- lho e as pessoas queiram ouvir. Eu estava pensando se. .. Quando voce tiver tempo, voce ¡Joderia ser meu publico e eu poderia pregar para voce. Voce acha que seria um acor- do justo: Eu ajudo voce a alimentar as galinhas e voce me ajuda, apenas me ouvindo pregar? - Isso significa que eu vou ter que sair a cada minuto para pegar lenha para a lareira enquanto voce pratica? - Da para ver que eu sou um negociante muito esperto. Eu não ia deixar que ele me trapaceasse de tal forma que so- brasse mais tarefas para eu fazer. 18
  19. 19. A PROPOSTA George apenas riu. - Não. Otho, você não terá que buscar nenhuma lenha. Nós nào vamos à igreja. Vamos praticar aqui em casa, na sala de estar ou no celeiro. ~ Por mim tudo bem. George. Quando começamos? Esta manhã? - Não, esta manhã não. Eu preciso estudar muito pri- meiro. Mas sera em breve. Naquela manhã. enquanto tomávamos o desjejum, Co- mecei a pensar: Esse George Kirrg. .. Quando ele está perto de ruim. ora, ele é tagarela e interessante. Ele me olha nos olhos em vez de olhar para o chao; totalmente diferente de como czgia na igreja, no sábado. Talvez, invzaginei, ele/ iara' nervoso apenas quando esta diante de muitas pessoas. De qualquer forma. com a ajuda dele para alimentar as galinhas e para dobrar os cobertores de manhã - e em troca tudo o que eu tinha que fazer era ouvi-lo pregar de vez em quando - talvez não fosse tão ruim assim o fato de ele ter vindo morar conosco por alguns meses. 19
  20. 20. ,l i ' sã" “ "l. ,. "g7 953.7' 'ir 1;; _ ¡a- r* -› , n . . - , om/ ne pe¡ o least l aquele inverno, Cieorge pregou para mim muitas ve- zes. Em ; ilgumas ocasioes. nos tiravamiis todas as cadeiras da sala cle estar e da sala de jantar e as organi- zavaiiios em lileiras. lim seguida. c'L›locav; ui1(›s a mesa de canto em cima do banco do piano para fazer um pulpito; e eu. sozinho. lingia ser o publico. As x e/ .es. quando minha mae precisava lazer as tarelas tlomestitas, se nao estivesse muito lrio. nos iaimos para o celeiro. liLi sentava no palheirii e lazia de conta que estava na galeria (le Lima igreia grande. baias onde as vacas licaxam eram os bancos. - cheios de gente. Do outro laclo do celeiro. perto da porta. George colocava Lim bloco de madeira em cima de Lim t'; ll'l'll1l1() de maio. e . iquele era o , l
  21. 21. 0 PREGADOR QUE NÃo CONSEGUlA Piz : :can seu púlpito. Às vezes. ficava extremamente frio no celeiro. Eu me entocava embaixo da palha para me manter aque- cido e ficava só com o meu nariz para fora. George. porem, parecia nunca sentir frio. Ele só queria saber de pregar. Num dia de inverno, meu pai foi à cidade a fim de com- prar algumas coisas no mercado. Ele parou na editora Review and Herald e comprou um daqueles quadros pro- féticos em forma de rolo - iguais aos que o pastor Tiago e X/ hite usava - e dois livros novos que haviam acabado de ser escritos por Urias Smith: "Considerações sobre Daniel " e "Considerações sobre o Apocalipse". Esses livros explica- vam o significado das profecias e dos quadros. Quando meu pai voltou para casa e os entregou a George, o ho- mem perdeu a fala e não conseguiu dizer nada por um tempo. Ele ficou mais ou menos como eu havia ficado no Natal anterior. quando ganhei o novo vagão de trem feito de madeira e fiquei até tarde brincando com ele. Naquela noite, a vela ficou acesa por muito tempo no quarto de George enquanto ele lia os livros. Eu fui dormir ouvindo o roçar das folhas do quadro profético. O caso ficou tão sério que toda a familia estava ajudando George a se preparar para o ministério. Minha mãe senta- va-se e examinava a Bíblia e as profecias com George e fazia sugestoes quanto à melhor maneira de apresentar os qua- dros e os textos bíblicos para as pessoas. Papai perguntava toda noite como George estava se saindo. Entretanto, eu era o único que ficava ouvindo George treinando para pregar. 22
  22. 22. CONVITE PARA PREGAR Acho que eu era especial, já que tinha feito aquele acordo de trabalho, quer dizer, proposta. com ele. Todas as manhãs. ele me ajudava a dobrar os cobertores e a alimentar as gali- nhas. Minha mãe se ofereceu algumas vezes para ajudar a dobrar as cobertas, mas eu não deixei. pois aquela era uma tarefa para dois homens. Uma vez que George cumpria a parte dele no acordo e não deixava ninguém ouvi-lo pregar senão eu, imaginei que não seria justo eu deixar qualquer outra pessoa me ajudar a dobrar as cobertas. Com todo esse lance de pregação acontecendo, eu es- tava ficando tão bom. que eu sabia as profecias melhor do que qualquer um em minha classe de Escola Sabatina. Eu sabia quantas cabeças tinha cada besta e de que metal era feita cada parte da estátua - da cabeça de ouro até os pes de ferro e barro. Eu sabia ate' o nome dos reinos que cada parte representava! E George. .. Ora, ele pregava tão bem que, às vezes, se ele tivesse um paletó preto e uma cartola, pareceria que o próprio pastor Tiago White estaria ali. lsso foi tudo o que fizemos no invemo - as tarefas do- mésticas e a prática da pregação. Ah. sim, eu quase me esqueci de uma coisa: George orava muito. Se ele não esti- vesse estudando a Bíblia. estaria ajoelhado em seu quarto com a porta fechada, orando. Às vezes, eu colocava o meu ouvido na porta e escutava. Era sempre a mesma coisa: algo sobre, se fosse da vontade de Deus. então que ele se tornasse um pregador e levasse muitas pessoas a Cristo. Eu sabia que George faria isso. Quando ele se tomasse 23
  23. 23. 0 PREGADOR QUE NÀo CONSEGUIA PREGAR um grande pregador como o pastor Tiago White, eu iria contar a todos como o ajudei. sendo seu auditório. Um dia. quando se aproximava a primavera, meu pai e George começa ram a conversar sentados à mesa de jantar. - George - disse meu pa¡ ~, já está esquentando e o verão não está tão longe. - Eu sei - George murmurou. - Ele pareceu nervoso. - E na epoca do verão que ocorre o evangelismo e as pregações, e eu queria saber como você esta' indo. Você ainda sente o chamado para pregar? Voce está pronto? De repente, parecia que George não era o mesmo que eu conhecia. Ele estava gaguejando de novo. como no pri- meiro dia em que nos conhecemos. - Bem. ah. .. ah. .. Eu não sei. .. ah. .. se estou. - Quando estive na cidade na semana passada - meu pai continuou -. encontrei por acaso o pastor Tiago White e ele me perguntou sobre voce. Como voce se sente em re- lação a isso? Voce acha que está preparado para assumir uma tenda e pregar neste verão? Todos ao redor da mesa haviam parado de comer e olhavam para George. Ele olhava para baixo. Meu pai continuou: - Falei para o pastor X/ hite que você tem estudado muito e que vem praticando bastante. e ele sugeriu que organizassemos um culto especial e que déssemos a voce a chance de pregar para nos. O que você acha. George? - Bem. ah. .. Eu acho que. .. ah. .. e isso que devemos fazer. 24
  24. 24. CONVITE PARA PREGAR Pude perceber que havia algo errado. Então achei que era melhor eu animar o George. - George. vamos nos esforçar mais ainda para deixar as tarefas domésticas prontas e para que eu possa passar mais tempo ajudando você com a pregação. George olhou para cima e sorriu meio vacilante. - Sim, Otho, vamos fazer isso. - Ótimo - disse papai. - Convide¡ todos os vizinhos aqui da região para o jantar de sábado. Mais tarde voce pode pregar para nós sobre as profecias ou sobre qualquer coisa que o Senhor mandar você falar. - A tia Ulda vai vir? - minha mãe perguntou. - Sim, ela foi convidada - meu pai respondeu. Ao mencionarem o nome da tia Ulda, ñquei animado. A tia Ulda era uma senhora grande. Não vou dizer que é gorda, pois levei uma surra por dizer isso na úlltima vez; mas ela sempre trazia um prato cheio de biscoitos para mim. Também dava muita risada e contava histórias inte- ressantes. Eu sempre ficava feliz com a visita da tia Ulda. la perguntar para minha mãe que tipo de biscoitos ela iria trazer desta vez, quando George interrompeu: - Eu acho que. .. ah. .. ah. .. Eu. .. Bem. .. Não estou com mui- ta fome e eu preñro ir para o meu quarto, se voces. .. ah. .. puderem. .. ah. .. fazer a gentileza de. .. de me darem licença. Meu pai fez que sim com a cabeça de um jeito compre- ensivo. e eu me esqueci dos biscoitos. Fiquei pensando o que estava incomodando George e como eu poderia anima-lo. 25
  25. 25. lhñmsljfmnfli. .wva_w. mk. h Í i . i . cru/ url à
  26. 26. O Pregador de Lareira : Ll 'acordei cedo e muito ; inimado naquele dia em que . .Cieorgc- ia pregar para todos. .àquele era o dia em que ele e eLi mostrariaiiios para todo mundo o que liaviamos conseguido nos treinos la no celeiro. praticando a arte de pregar durante todo o inverno. Nesse dia. por 'alguma ra- zao. George nao desceu para me ajudar a dobrar os cober- tores. fÍLi me eslorcei por . ilgum tempo, tentando juntar as jiontas. Mas. como Cieorgt' dizia. aquela era Lima tarefa para dois homens. lintao. linalmentt' desisti. Soquei as co- bertas no armario do corredor e fiquei torcendo para que ililnliti mae nao ; il)l'lSSt' a porta e descobrisse. (ie()i'gc' lin-almenti' desceu para tomar' o desjejum. depois que todos nos ja liavraiiios comec'. icli› a comer. 27
  27. 27. O PREGADOR Qui: Não CONSEGUIA PREGAR No entanto, ele não parecia o mesmo, e comeu apenas um pouco. Embora fosse primavera, o dia estava frio; mas George insistiu em ir até o celeiro para passar o sermão mais uma vez. Eu me ofereci para ir ajuda-lo. mas minha mãe disse que não. - Não, Otho, desta vez, não. Acho que George precisa ficar sozinho. Pouco antes da hora do almoço, a tia Ulda e várias ou# tras famílias chegaram. Foi muito legal receber a visita do meu vizinho mais próximo. Johnny. e contar para ele que George seria um grande pregador e também como eu o havia ajudado. A tia Ulda trouxe um prato de biscoitos doces - que eram os meus favoritos, com exceção dos de creme de amendoim - e a minha mãe me deixou comer dois bis- coitos, já que era um dia especial. George não havia volta- do do celeiro. Ele até mesmo perdeu o almoço. Portanto. guardei para ele um dos meus biscoitos, no bolso. Só que, quando me sentei, o biscoito se esmigalhou inteiro. Então comi os pequenos pedaços. Imaginei que George iria en- tender isso. Depois do almoço, os homens tiraram do lugar a mesa da sala de jantar e arrumaram as cadeiras em fileiras, as- sim como na igreja. Eu mostrei a eles como George co- locava a mesa de canto em cima do banco do piano para servir de púlpito, e meu pai pegou os quadros proféticos de George e os pendurou no prego da parede na frente 28
  28. 28. O PREGADOR DE LaRi-: IRA de todos. Eu ja havia visto aqueles quadros tantas vezes que conhecia todas as figuras. mas acho que para as pes- soas ali os quadros não eram tão conhecidos assim. George tinha vindo do celeiro e aguardava em seu quarto la em cima. Nós todos nos sentamos. Meu pai contou a todos como o Senhor havia chamado George e como ele tinha vindo morar conosco para se preparar para a obra. Agora veriamos se ele podia ser um prega- dor. Eu esperava que meu pai dissesse algo sobre eu ter ajudado George. mas acho que ele se esqueceu. Nos to- dos curvamos a cabeça e meu pai fez uma oração pedin- do a benção do Senhor sobre George e que fosse feita a vontade divina. Em seguida, todos disseram "amem". e eu também disse. pois sabia que George pregaria bem como sempre fazia no celeiro. Então George desceu. Ele trazia consigo sua Biblia e os dois livros sobre Daniel e Apocalipse. Ele colocou tudo sobre o púlpito; porem, um dos livros estava muito perto do canto e caiu. Cinco ou seis folhas das suas anotações também cairam no chão. Felizmente eu estava sentado na fileira da frente e ajudei George a ajuntar as folhas, mas eu não olhei a numeração das páginas. George começou a falar e achei que seria sobre as bes- tas de Daniel T. mas ele se atrapalhou com as profecias e estava falando sobre o bode de um chifre e o carnei- ro, quando na verdade ele devia estar falando sobre o leopardo de quatro cabeças. Acho que foi culpa minha. 29
  29. 29. O PuzGAnou Qua Não CONSEGIJIA Pumau Quando ele derrubou as anotações, não as coloquei de volta na ordem certa. Eu não me lembro muito do que aconteceu em seguida. mas as coisas não funcionaram bem naquele dia. George apenas continuava a olhar para sua Bíblia, a murmurar e falar como se não tivesse certeza do que ia dizer em segui- da. Eu sabia que ele podia se sair melhor, pois no celeiro ele sempre olhava para cima e não gaguejava. Ele foi virai- a página do quadro profétíco e ela não dobrou muito bem na parte de cima. Então ele tentou com um pouco mais de força, e a folha rasgou bem no meio. johnny, meu vizinho. que estava sentado ao meu lado na primeira fileira, come- çou a rir, baixinho. Então de¡ um bom chute na canela dele. Ele devia ter mais noção e não rir enquanto George estava fazendo o melhor que podia. Mesmo assim o Johnny não se importou. Em vez disso, ele virou e me deu um soco no braço. Eu ía socar ele de volta. porem minha mãe veio e me levou para sentar com ela. Fiquei esfregando meu braço. que doía um pouco. Por isso, eu não lembro exatamente o que George disse, a não ser na parte final. Ele disse que esperava que todos o descul- passem. mas era basicamente aquilo que abrangia as bestas do capitulo 7 de Daniel. Pediu desculpas caso não tivesse conseguido explicar tudo com clareza; disse que esperava que todos tivessem entendidoe que isso era tudo o que ti- nha a dizer. Com isso. ele pegou a Bíblia e os livros sobre profecias e voltou para seu quarto. Ninguém disse nada 30
  30. 30. O PREGADOR na Lam-zum Dava para ouvir cada passo na escada. Ele entrou no quarto e fechou a porta. Mesmo nessa hora. ninguém falou nada. Meu pai co- çou a cabeça. Minha mãe olhava para as mãos. Johnny riu baixinho outra vez. Eu esfregava meu braço dolorido. A tia Ulda olhava fixamente para o rasgo do quadro profético. Finalmente, meu pai limpou a garganta algumas vezes, levantou-se e perguntou se alguém havia sido impressio- nado quanto ao Senhor ter chamado o irmão King para pregar, ou não. . Eu estava impressionado por George não ter tido uma chance justa, pois não foi culpa dele que o livro caiu do púlpito ou que o quadro rasgou, ou que o Johnny come- çou a rir baixinho. Antes que eu falasse. minha mãe disse: - Está claro para mim que o irmão King não foi cha- mado para pregar da mesma maneira que os outros pre- gadores. O irmão King nunca vai conseguir subir a um púlpito e prender a atencao da multidão. No entanto, creio plenamente na mesma coisa que o irmão King cre: que ele foi chamado para trabalhar para o Senhor. Acho que ele pode se dar bem como outro tipo de pregador. aquilo que poderíamos chamar de "pregador de lareira". Ele poderia ir ate os lares, pregar para as pessoas ao redor de suas larei- ras, entregar-lhes folhetos e outros tipos de boa literatura. e falar com as pessoas a respeito da verdade. Sabe. quanto mais eu pensava nisso, sentado ali na ñ- leira de trás. balançando as minhas pernas para frente e 31
  31. 31. O PREGADOR Qua Não Consscum Pnncan para trás, mais eu podia perceber que minha mãe tinha razão. George se saia muito bem quando pregava para mim no celeiro, mas ele ficava nervoso quando tinha que ñcar diante de um grupo de pessoas. Enquanto eu estava pensando, meu pai falou novamente: - Se o irmão King concordar em seguir esse plano, a familia Godsmark o apoiará porque acredita em seu cha- mado. Compraremos todos os folhetos de que ele precisar. - e todo o dinheiro que ele não conseguir ganhar sozinho para pagar suas despesas. nós vamos fornecer. Na verdade, querida, se você concordar, eu diria que enquanto o irmão King dedicar sua vida a tal obra, ele pode morar conosco e nunca lhe faltará comida, roupas ou dinheiro para as des- pesas e os folhetos. - Concordo com certeza - disse minha mãe, quase an- tes de papai parar de falar. Eu também concordava. Na verdade, eu achava ótimo que George pudesse ñcar com a gente. Então falei: - Ele pode ficar ate' mesmo com o meu quarto. A tia Ulda. meu pai e algumas outras pessoas sorriram. Pude ver que eles estavam felizes porque eu estava dispos- to a ajudar. Nós chamamos George para descer outra vez. De início, quando voltou para a sala, ele estava muito nervoso. Toda- via, enquanto meu pai falava, destacando o que havíamos proposto fazer, pude ver George sorrindo e concordando com a cabeça. Quando meu pai terminou, George falou: 32
  32. 32. O PREGADOR DE LAREIRA - irmãos e irmãs , sinto que o Senhor falou por inter- médio de voces hoje. Este é o chamado do Senhor. Du- rante todo esse tempo, pensei que houvesse apenas uma maneira de eu poder pregar: no púlpito. Eu sabia que havia sido chamado para pregar, mas eu estava com muito medo de não conseguir me sair bem no púlpito. Agora, vejo que Deus nos chama para pregar de maneiras diferentes e sei que esta é a forma que o Senhor deseja que eu pregue. ' Depois disso, nós todos nos ajoelhamos para orar e agradecer ao Senhor por sua direção. 'Em seguida. todos começaram a falar de uma só vez a respeito de como George iria sair para pregar. Todos, isto é, com exceção da tia Ulda. Ela foi pegar o prato de biscoitos e um jarro de leite e os colocou sobre a mesa. Logo, todos estavam comendo os biscoitos, especialmente George e eu. Não contei o número exato, mas acho que ele comeu mais biscoitos do que eu. 33
  33. 33. 4 ; fl
  34. 34. George e o Fazendeiro O ' a segunda-feira ¡Jela manha, George saiu de casa para t orrrec ar . r pr egar nr is lares. . l rnha nrae tinha PLISSJClU o domingo rrrteiro remendarrtlo e consertando as roupas dele para que [); ll't't't'SSL' arpresentavel. r leu pai subiu ate o sotao e errt r nrtrou uma maleta velha onde nosso pregador* poderia carregar* os folhetos e a làrblra. Nos olhamos to das as gax elas e separamos os lollretos e literaturas. lllLlu (reorge ("trluurtl tudo o que consegurtr dentro da maleta. .linha mae fe/ comida relorcadir para ele. sull( lente para durar' uma semana se ele conseguisse car'regar. lísxazrer meu cofre. e nrrnha mae me ; rrudou a contar' o drrrlrerrr ›, lu trnlra . ›'›l cent-avos girardirtlos e queria usa-los para . rruclar (reorge com as despesas dele. Papai ; rumenroir um prrtlto 33
  35. 35. O PREGADOR Qui: Não CONSEGUIA PREGAR mais a quantia; assim, George tinha dois dólares para le- var consigo naquela semana - mais dinheiro do que eu ja- mais havia tido. Todos concordaram que George voltasse na tarde da sexta-feira e fosse conosco à igreja no sábado. Levante¡ bem cedo na segunda-feira de manhã. George desceu para me ajudar a dobrar as cobertas. Naquela oca- sião. eu já dobrava as cobertas muito bem. - George - eu disse enquanto guardávamos as cober- tas -, isso significa que eu vou ter meu quarto de volta? - Bem, voce terá que perguntar à sua mãe. Otho. mas parece que sim. - E voce não vai mais me ajudar a dobrar as cobertas ou alimentar as galinhas? - Bom, talvez sábado que vem. quando eu voltar. - E nos não vamos mais ao celeiro para treinar? - eu quis saber. - Não, Otho. Terminaram os treinos. Agora eu devo ir e ser um pregador nos lares, distribuir folhetos e falar com as pessoas a respeito das profecias. Senti um no na garganta. mas não chorei. Depois do desjejum. o restante da familia disse adeus a George e acenou com a mão enquanto eu e ele saiamos de casa juntos. Acompanhei George até a estrada principal. para ajuda-lo com sua maleta cheia de literatura. Ele car- regava o lanche. que era tão volumoso que eu lhe falei da possibilidade de ele comer naquela hora. Seria mais fácil do que ficar carregando. Ele parou, tirou os biscoitos que 36
  36. 36. GEORGE a o FAZENDEIRO minha mãe havia enfiado dentro da lancheira e me deu um, para "diminuir o peso", ele disse. Em seguida, ele partiu, indo pela estrada. e num ins- tante passou a subida e desapareceu da vista. Acenei vá- rias vezes até que não pude mais vé-lo. Em seguida, eu me lembrei de que, com toda aquela empolgação, havia me esquecido de alimentar as galinhas. Então me dei conta de que eu teria de voltar a fazer tudo aquilo sozinho. Eu me sentei embaixo de uma árvore e decidi experimentar um dos biscoitos: porém, ele entalou na garganta. Percebi que meus olhos não estavam secos e, bem, eu sabia que ia sentir muita falta de George. Aquela semana inteira passou devagar. Dormir no meu quarto era legal, mas alimentar sozinho as galinhas era trabalho pesado. Além disso, o tempo simplesmente pare- cia não passar, sem ter ninguém com quem praticar a arte de pregar. George havia deixado seus quadros proféticos conosco, já que eles eram muito grandes para carregar. Eu os observava e virava as páginas com cuidado, tentando lembrar o que George dizia sobre as figuras. Finalmente. a sexta-feira chegou. A tarde, ajudei minha mãe a limpar a casa. Tomei meu banho cedo, para que. quando chegasse, George não tivesse que esperar para to- mar seu banho. Entretanto. George estava atrasado. Outra vez, minha mãe colocou um prato a mais na mesa, para George, e esperamos para jantarmos com ele. Mas George não chegou. 37
  37. 37. () Pnrzcranorz Qui: Não C(). 'Sli(¡l'lr PREGAR Entãrr) nos nos sentamos ao redor da lareira na sala de estar e meu pai ctomecou a ler a Biblia. Ele leu toda a his- toria de Samuel. e George ainda não havia chegado. Em seguida, leu a historia de Saul. o primeiro rei. e ainda nada do Cieorge. Depois ele começou a ler a historia de Davi. mas eu não me lembro muito. pois não consegui manter meus olhos abertos. Eu não me recordo de ter ido para a cama. Imaginei que George ja devia ter chegado; portanto. pulei da cama gritando: - George, George! Ele não respondeu. Pensei que ele estivesse dormindo no sofa la embaixo. Eu fui até a sala de estar, mas ele não estava la. So então minha mãe desceu. - Otho - disse ela -. George não chegou ontem a noite. ~ Ha algo errado. mãe? - Senti vir um no na garganta. - Acho que não. Não se preocupe. Provavelmente George acabou dormindo na casa de alguem pelo cami- nho. Provavelmente o veremos na igreja. Eu achava que não, mas não queria preocupar minha mãe. Portanto. eu fui corajoso e disse que imaginava ser isso mesmo que devia ter acontecido. Na carruagem, a caminho da igreja, lutei muito com aque- le no na minha garganta outra vez. Force¡ minha vista ao passarmos pela ultima subida na estrada. La' estava a igreja e varias pessoas do lado de fora. Em seguida. eu soltei um grito. Ali. na frente da igreja. estava um homem vestido com um sobretudo que eu reconheceria em qualquer lugar. (ieorgt- estava de volta! Quando ele viu o nosso veiculo e 38
  38. 38. GEORGE r. o FAZENDEIRO me Ouviu gritar. ele acenou com a mão. Pulei da carrua- gem, corri adiante e o abracei. 'fodas as outras pessoas queriam cumprimenta-lo. Elas lhe davam tapinhas nas costas, e parecia que todos fala- vam de uma so vez. Eu não sabia o que os lideres haviam planejado para a Escola Sabatina daquela manhã, mas seja la o que fosse, eles perderam o interesse - pois todos que- riam ouvir O que havia acontecido com George naquela semana. Sentei bem na frente. o mais proximo de George que consegui. A tia Ulda estava lá. com uma porção fres- quinha de biscoitos. assim eu esperava! johnny veio e sen- tou-se na fileira da frente. ao meu lado. - irmãos e irmãs ~ George começou -. o Senhor me abençoou nesta semana e abriu portas. Vejo que há uma grande obra a ser feita neste campo. Na última segunda- feira, sai daqui com uma maleta cheia de literatura e dois dolares no bolso. que a familia Godsmark me deu. incluin- do o pequeno Otho aqui. - George apontou para mim. E claro, eu virei para os lados e sorri para que todos pu- dessem ver quem e que havia desempenhado uma parte em ajudar George. George começou contando exatamente o que aconte- ceu em cada dia. Não me lembro de tudo o que ele disse. mas foi algo mais ou menos assim: - Quando eu sai, na segunda-feira passada. pela manhã. o Otho aqui foi comigo ate a estrada e me viu ir embora. Enquanto eu carminhava pela colina e descia pela estrada. 39
  39. 39. O PREGADOR QUE NAO CONSEGUIA PREGAR estava me sentindo um pouco sozinho; mas estava bas- tante empolgado, pois eu sabia que era isso que o Senhor queria que eu fizesse, e que a qualquer momento eu do- braria a curva, encontraria um fazendeiro esperando para ouvir sobre profecia e ele se tornaria um crente. Eu prestava atenção a cada palavra do George. - Eu andei, andei e andei - George continuou. - Gen- te, eu não sei bem que estrada tomei. Estava apenas an- - dando e sabia que o Senhor estava dirigindo. Mesmo assim, nada aconteceu. Não havia nenhum fazendeiro lá fora, nos campos. Acho que eu esperava encontrar fazendeiros nos campos, que parassem no lim de uma rua e acenassem para eu ir até eles e então pregar sobre profecias - ele parou de falar, esfregou as mãos e em se- guida continuou. - Estava muito frio e eles deviam estar nos seus celeiros ou teriam ido até a cidade. ou algo pa- recido. Na verdade, não parecia haver muitas fazendas; a maior parte era apenas inato. Depois de um tempo, pensei que. talvez, o que aconteceria comigo seria o que aconteceu com Filipe, o personagem da Biblia; quando o homem etiope. querendo saber sobre a Biblia, passou com a carruagem e pegou Filipe. Entretanto, não passou ninguém. Eu ri alto porque achei que George estava tentando ser engraçado. mas ninguém mais riu. Acho que eles simples- mente não entendiam o George como eu. George continuou: 40
  40. 40. GEORGE E o FAzENDErRO - Durante toda aquela manhã. ninguém desceu pela estrada: nenhum veiculo das fazendas, nenhuma charrete, ninguém a cavalo. Finalmente, conclui que talvez a me- lhor coisa a fazer fosse parar, almoçar e pensar melhor no assunto. Eu devia ser um pregador nos lares. Como iria pregar se não entrasse no lar de alguém? Ri outra vez, mas ninguem mais riu. Eu sabia que tudo terminaria bem e que George estava apenas tentando dei- xar as coisas interessantes. Todas as outras pessoas em nossa pequena igreja pareciam estar preocupadas sobre como George entraria na casa de alguem e pregaria. - Bem - disse George -, aquela parada para o almoço me ajudou bastante. A senhora Godsmark havia prepara- do uma comida muito boa e havia embrulhado a comida tão bem, que ainda estava quentinha. Enquanto eu comia, comecei a me sentir um pouco melhor. Talvez o Senhor não fosse mandar alguém em uma charrete para me pegar e me dar uma carona. Talvez os fazendeiros não estives- sem por ali esperando para ouvir sobre profecias. Talvez eu mesmo tivesse que ir encontra-los. Decidi que. na pró- xima casa que eu passasse, se o Senhor me dissesse para ir e bater à porta, era isso que eu ia fazer. As pessoas estavam atentas. - Pois bem, a menos de 800 metros ã frente, cheguei a uma colina. Ali. rodeados de campos e mata, esta- vam um celeiro e uma pequenina casa, cuja fumaça saia pela chaminé. Pensei que. com certeza, essa seria a casa que 41
  41. 41. () Prrrosrnor: Qer; Nao Coxsrzciriia PRICGSJ( o Senhor me mandaria visitar. - George fez uma pausa. - A medida que eu me aproximava, continuei aguardando o Senhor me dizer para ir em frente; porem. nada acon- teceu. Na semana passada, na casa da familia Godsmark. tive a certeza de que o Senhor estirva me dizendo que eu deveria me tornar um "pregador de lareira". Eu simples- mente podia sentir. aqui. sabe? E o sentimento que voce tem. bem aqui. - (ieorgt- apontou para (› coração. Pude perceber que ele estava com dificuldades para transmitir a ideia. Algumas pessoas concordaram com a trabeça. Acho que elas entenderam. Eu irão sabia o que era esse sentimento, mas queria que George se sentisse bem, então, tambem concordei com a cabeça. - Bem - George continuou -, eu não senti o Senhor me dizer para ir ate aquela casa: portanto, dei meia-volta e comecei a retornar para a estrada principal. Entretanto, eu sentia que essa não era a coisa certa a fazer. Simplesmente não sabia o que o Senhor queria que eu fizesse. Antes que me decidisse. ouvi uma porta bater com força. Eu sabia que a qualquer momento alguem sairia daquela casa e me veria ali. Então criei o máximo de coragem e comecei a voltar em direção a casa da fazenda. George tinha a ; itencão total das pessoas. - Então. um homenr saiu da casa: um homem enorme. usando um macacão e suspensorios de couro. Ele não me viu; e entrou no celeiro. Imaginei que ali, no celeiro, se- ria o melhor lugar para atrair a atenção dele Portanto. fui . z ') ta. ;
  42. 42. GEORGE E o FAzENDEiRo naquela direção. A porta estava entreaberta; e bem quando me virei para ficar em frente ao celeiro. ele saiu conduzindo uma carroça puxada por um conjunto de cavalos. Ele apa- receu tão de repente que fiquei assustado, derrubei minha maleta cheia de folhetos e soltei um grito de surpresa. Um dos cavalos deve ter se assustado. pois começou a pular. e o fazendeiro teve que puxar as rédeas com força. gritan- do: "Parado, menino, quieto ai! " Finalmente ele acalmou os cavalos. Peguei minha maleta. arrumei o paletó. tossi para limpar o pigarro da garganta e ia dizer alguma coisa. quando o fazendeiro se virou para mim e gritou: "Quem voce pensa que e, andando de fininho por aqui, invadindo a propriedade alheia e assustando os cavalos? " Tudo o que ele disse depois parece que foram palavrões ou maldiçóes. O rosto dele estava vermelho e. de repente, percebi que. ao lado do assento. ele guardava enrolado seu grande chicote. George fez suspense e então contou como foi o diálogo com o homem rude: - Bem, senhor - respondi -. sou um pregador que vai de casa em casa. Estou aqui para lhe falar da Biblia e das profecias e. .. - Pregador. .. - ele gritou -, voce não parece um prega- dor. Voce parece um mendigo ou um daqueles itinerantes que ficam vagueando por ai em trens de carga. Pregador. .. sei! - ele resmungou, desceu da carroça e jogou as réde- as sobre um poste de amarrar cavalos. Quando pulou da carroça. percebi que ele era um homem muito gordo. Ora. 43
  43. 43. O PREGADOR QUE Nfxo CONSEGUIA PREGrR ele devia pesar uns 90 kg. A outra coisa que me dei conta foi de que. apesar de ser tào gordo, ele desceu bem rápido da carroça. Olhe¡ para aquele chicote outra vez e tudo o que pude pensar foi o quanto eu gostaria de estar de vol- ta naquela mata, pois certamente o Senhor não havia me conduzido àquela casa. George fez uma pausa. A essa altura eu estava ficando preocupado e pude ver que lohnny. que estava sentado ao meu lado, também estava. pois ele roia as unhas. Parei de balançar minhas pernas para frente e para trás e segure¡ bem firme o canto do banco com as duas maos ate' que as juntas dos meus dedos ficaram brancas. Não seria justo se um fazendeiro velho e maldoso, que disse todo o tipo de palavrão. espancasse George ou o açoitasse com o chico- te. Afinal. George não teve culpa de assustar os cavalos. assim como nào foi culpa dele que os quadros proféticos rasgassem na semana anterior. George interrompeu meus pensamentos. continuando a historia. - Bem. esse fazendeiro disse: "Vamos ver o que voce tem nessa maleta". Ele falou mais palavrões. Então entre- guei a maleta a ele e expliquei-lhe: - São folhetos e papeis. senhor. Coisas religiosas. Pode. ah. .. ficar com alguns, se quiser. ..- Eu nào sabia mais o que dizer. Talvez. se ele ficasse com alguns. ele não continuaria tão bravo por eu ter assustado os cavalos. Ele enfiou a mao na maleta, tirou um punhado de folhetos e a derrubou. 4-1
  44. 44. Gnome a o FAzi-: Nnnino A maleta caiu em uma poça de lama. Ele ficou olhando para os folhetos bastante tempo. virando lentamente as páginas. Eu estava curioso para saber se ele estava interes- sado em aprender mais sobre a verdade, pois ele olhava tão fixamente para os folhetos. Eu sabia que eles não tinham nenhuma figura, apenas textos bíblicos e explicações. Eu queria saber qual deles ele estava lendo. Então me aproxi- mei de fininho para olhar por cima do ombro dele. ' Todos estavam curiosos, enquanto George continuava a relatar a história: - - O que eu vi quase me fez rir alto. Tive de levar a mão à boca. Aquele fazendeiro gordo estava segurando os fo- lhetos de cabeça para baixo. com os olhos cravados nos folhetos! O pobre homem não sabia ler. O que George disse me fez rir alto. Dessa vez, todo mundo riu também. Se aquele fazendeiro não tivesse sido tão maldoso com George, gritando e falando palavrões daquele jeito. daria quase para ter pena dele. Até eu con- seguia ler um pouco. Logo que as risadas diminuíram. George continuou: - De repente. o fazendeiro percebeu que eu estava olhando por cima do ombro dele e ñcou um pouco ner- voso. Ele segurou os folhetos para que eu não pudesse ver. Acho que ele ficou com medo de que eu descobrisse que ele não sabia ler. ' ' Fiquei ansioso para saber o que aconteceria em seguida. George fez um ar solene. enquanto continuava: 45
  45. 45. () PREGADOR QUI: Nao Coxsizcuia PRIZGAR -- Senhor - eu disse -. voce gostaria de ficar com esses folhetos e estuda-los a noite com sua esposa? Eu poderia retornar e estudar com voce mais tarde? - 'Talvez eu pen- sei. o Senhor quisesse que eu fosse ali desde o começo. (J homem gordo fez uma longa pausa. entretido em seus pensamentos. ~ Nao - ele disse. pegando a maleta. Depois enfiou os folhetos nela e devolveu-ai para mim. - Religião. ler papeis e coisas desse tipo nao servem para mim. Estamos em Lima epoca muito dificil. tentando produzir uma colheita decente, alimentar o gado e manter o mato aparado. E eu não tenho tempo para ficar lendo a Biblia. - Mas a sua esposa. senhor, talvez ela leia. São gratis. Pode ficar com eles. - Eu segure¡ a maleta para ele. ainda aberta. - Sim - ele disse -. minha esposa. .. ela iria gostar dis- so aqui. Ela iria gostar de ler sobre Deus, a Biblia e coisas aissim. - Bem. então pegue. senhor. para ela, por favor. - Eu (iuase implorei. - Não. e tarde demais - ele disse. Depois de uma longa pausa. ele pegou meu braço e apontou para um pomar. - Esta vendo aquela parte, onde não lia grama nenhuma? ~ Sim. -- Nlinlia mulher esta aiii. Ela morreu. Tuberculose. Agora e tarde demais. Podiamos sentir a emoçaci na voz de George. 46
  46. 46. (íizonoi: r. o FAZENDEIRO - Ele virou-se e passou muito tempo mexendo com o arreio dos cavalos. Guarde¡ os folhetos de volta na maleta. fechei-a e me ocupe¡ em tirar a lama da parte de baixo da maleta. Finalmente. o fazendeiro gordo virou-se para mim e disse: - Agora va. Chispa, e não assuste mais nenhum cavalo. Descendo a estrada. uns dois quilómetros mais ou menos. ha' uma grande casa branca com duas chaminés. uma' de cada lado. A casa fica ao lado norte da estrada. Uma famí- lia de sobrenome Henry mora ali. Dig a eles que o Mac mandou voce ir la. De a eles suas coisas religiosas e seus folhetos. Eles vão lhe dar comida. vão hospedar voce esta noite e vão querer ouvir tudo sobre profecias bíblicas c coisas assim. Agora vã. seu tonto. você já causou muito transtorno hoje. - Ele tentou parecer mau e rude, mas não conseguiu. Lã no fundo. eu sabia que ele estava chorando. pois eu o vi segurar o choro Lima ou duas vezes. George fez outra pausa. Olhei ao redor para ver como as outras pessoas da igreja estavam assimilando tudo aquilo. Minha mãe estava procurando um lenço na bolsa. A tia Ulda já assoava o nariz bem alto. Meu pa¡ parecia contrair um dos olhos. Johnny ainda roia as unhas. imaginei que essa hora seria um ótimo momento para ir até a pilha de lenha. pois não queria que ninguem me visse chorando. 47
  47. 47. l i aWJfi z. .
  48. 48. FNT o_ J (Ox "D- (V) G5 Va' 3 o; s _ps_ Liando entre¡ com os braços cheios de lenha. George começou a falar novamente. Acho que ele deve ter esperado por mim. para que eu não perdesse nenhu- ma parte. lsso era tipico do George: ele se lembrava dos aimigos. ~ lâem - disse (ieorge -. quando sai da propriedade daquele fíizendeiro robusto, Mac. e desci em direçãio a estrada, devo ter perdido a noção do tempo. Tudo o que pude fíizcsi' foi pensar no Mac e naquele local sem grama no chao, perto do pomar. onde ele tinha sepultado a es- posa. Ela li-avia morrido apenas alguns meses antes de eu chegar ali. Ah. se eu ; ipenas tivesse ido alguns meses mais cedo, ela teria ouvido sobre a verdade.
  49. 49. O Pam/ mon QUE Não CONSEGUIA PREGAR O público acompanhava as emoções de George. - Eu estava tão entretido com meus pensamentos que devo ter pegado o caminho errado na bifurcação da estrada. O fato é que fiquei completamente confuso sobre onde eu estava ou onde ficava aquela casa com as duas chaminés, onde morava a familia Henry. Conti- nuei andando. .. O sol estava se pondo; já estava ficando frio. Ao põr do sol, enquanto ainda havia luz suficiente para eu enxergar o caminho, sai do mato e chegue¡ a uma área aberta. Lá, ao longe, pude enxergar uma cons- trução. Não parecia ser uma casa de fazenda. pois não via nenhuma luz acesa. A medida que eu me aproxima- va, vi que era um barracão velho e vazio. Parece que o fazendeiro que trabalhava na terra morava um pouco longe dali. Não havia luz da lua naquela noite e estava ficando muito escuro. Eu sabia que, a menos que locali- zasse alguma luz. não haveria como eu encontrar nada até a manhã do dia seguinte. Fiquei imaginando os apuros de George. enquanto ou- via o restante da história. - Sentei à entrada do barracão e aguardei. Nenhuma luz apareceu. Começou a ficar muito frio. Eu cruzei os braços na tentativa de me manter aquecido. enquan- to decidia o que fazer. Dentro do barracão, havia um montão de palha que parecia cada vez mais convidati- vo. Finalmente. fui ate' lã. fiz uma toca naquela palha e ia entrando. engatinhando. Antes de entrar na toca. eu so
  50. 50. NADA é DE GRAÇA me lembrei de um velho truque que havia aprendido em Ontario, quando era garoto. Tirei meu paletó e a minha camisa e entrei na toca. Em seguida, coloquei minhas roupas por cima do corpo, exatamente como um cober- tor. As pessoas sempre costumavam dizer: "Você vai se esquentar mais dormindo sem suas roupas e usando-as como cobertor do que se dormir com elas. " Bem, e' incri- vel como isso é verdade. Parece que em um instante me aqueci e peguei no sono. George parou um minuto enquanto, papai se levantou e atirou mais alguns pedaços de lenha dentro da lareira. Eu sabia exatamente o que George queria dizer com se aque- cer em um monte de palha Eu me lembrei de como havia me aquecido na palha lá no celeiro, enquanto George en- saiava a pregação. - Na manhã seguinte - George continuou -. eu me levantei com o nascer do sol, tirei a palha da minha ca- misa e do meu paletó e os vesti. Bem na frente do bar- racão, vocés não imaginam, havia um poço com uma bomba de mão. Estava tão escuro na noite anterior que eu não tinha visto. Lave¡ o rosto e as mãos o melhor que pude. fiz um pequeno desjejum com as sobras do lanche, tomei um pouco daquela água limpa e gelada do poço para assentar a comida e segui meu caminho. Eu estava decidido a encontrar a casa que tinha duas chaminés, onde a família Henry morava, e ver se aquele fazendeiro robusto. Mac, tinha razão: se eles estavam si
  51. 51. 0 PIEGADOI Qu: NÃO CONsIsGUiA PRnGAR realmente interessados na verdade. já que eu havia fi- cado tão perdido na noite anterior, achei melhor voltar pela direção que eu tinha vindo até que achasse o rumo. Voltando mais ou menos um quilômetro e meio na es- trada, encontrei a curva. que eu não havia visto, e desci por ali. Não caminhe¡ mais que cinco minutos quando ouvi o barulho de um cavalo e uma charrete. Eu me vi- rei, acenei e a charrete parou ao meu lado. . - Posso lhe dar uma carona, viajante? - perguntou o homem na charrete. , - Bem, eu fiquei muito feliz em pegar uma carona. Enfim, o homem da charrete era um politico, concor- rendo a uma posição de deputado estadual nas eleições em curso. Com certeza ele estava na profissão certa, pelo que parecia, pois ele realmente falava muito. Ora, ele mal me deixou dizer uma palavra e já foi me contando sobre as grandes coisas que faria pelo pais se apenas o elegessem para fazer parte da Assembleia Estadual, em Lansing. Ele me falou das estradas de ferro, das escolas. das novas estradas e das indústrias que viriam. Prome- teu trabalho e dinheiro para todo mundo. Finalmente ele conseguiu me perguntar de onde eu vinha. Assim que ele descobriu que eu era do Canadá e que, portanto. não poderia votar nele nas próximas eleições, ele parou de falar o tempo suficiente para que lhe contasse que eu era um "pregador de lareira". George tinha conseguido prender a atenção das pessoas 53
  52. 52. NADA é De GRAÇA - O político ouviu com atenção enquanto eu lhe fa- lava a respeito das profecias. Tirei da maleta alguns dos meus folhetos e falei para ele que o Senhor está voltan- do e, com isso, ele ficou muito interessado. Parece que. em um instante, nós estávamos na frente da estradinha que dava para a casa com as duas chaminés. Então desci da charrete. Ofereci a ele um folheto e ele o segurou nas mãos. pensativo. Finalmente ele disse: "Olha só, senhor King. Voce é um homem muito bom e está fazendo um ótimo trabalho. Está dando todos estes folhetos de graça e não está recebendo nenhum salário. Nada é de graça, não nesta vida, senhor King. Se tem uma coisa que eu aprendi na politica é que tudo tem um preço. " Eu estava quase perguntando para ele. já que nada é de gra- ça, como ele podia prometer todos aqueles empregos. escolas e estradas melhores a troco de nada, se as pesso- as apenas o elegessem. -No entanto. cheguei à conclusão de que não seria educado. Portanto, continuei calado e deixei-o falar. George continuou relatando a conversa; - Senhor King - continuou o politico-. devia estar vendendo esses folhetos e usando o dinheiro para im- primir mais folhetos melhores. com figuras, e talvez até livros. Ora, não sou um homem religioso. Não sou muito dessas coisas profêticas, mas vou lhe dizer o que vou fazer. Sempre que tiver a chance. apenas mencio- ne às pessoas que eu estou concorrendo para deputado i3
  53. 53. O PREGADOR QUE NÃO CONSEGUIA PREGAR estadual na eleição deste outono pelo partido democrá- tico. - Ele enfiou a mão no bolso. tirou uma moeda de dez centavos. entregou para mim e disse: - OK, então. senhor King. vá lá fazer o seu negócio, essa coisa de pre- gação nos lares, e se eles tiverem condições de pagar, não de de graça esses folhetos. As pessoas vão dar mais valor e lerão com mais atenção também se você as levar a pagar. Apenas lembre-se do que eu disse. Nada é de¡ graça, não nesta vida. Refleti sobre as palavras do politico, enquanto ouvia George continuar a história. - Com isso, ele sacudiu as rédeas e se foi. Eu fiquei ao lado da estrada, segurando minha maleta com uma das mãos e a moeda brilhante de dez centavos com a outra. pensando no que ele havia dito. Eu me virei e subi a estradinha que dava para a casa da familia Henry. Era exatamente como Mac dissera: uma grande casa de fazenda. de dois andares, com uma chaminé de pedra de cada lado. A fazenda tam- bém parecia próspera: um celeiro enorme, alguns galpões e campos que se espalhavam nas três direções. Fui até a porta e bati. Eu me senti muito bem com aqueles dez cen- tavos no bolso e com essa nova ideia de vender folhetos; e eu até mesmo sabia o nome das pessoas que abririam a porta a qualquer momento. Mas o melhor de tudo, eu sa- bia que o Senhor havia me enviado até aquela casa. Era possível perceber a emoção nas palavras de George enquanto ele continuava; 54
  54. 54. NADA É DE GRAÇA - Eu bati à porta uma segunda vez. Um instante depois. abriram a porta. E lã estava uma senhora segurando um bebe, com outra criança pequena que espiava por de trás da saia da mãe. Em seguida. ele descreveu o diálogo: - Ola - eu disse -. sou George King. Voce e' a senhora Henry? - Bem, sim - ela disse, meio surpresa de que um coin- pleto estranho a chamasse pelo nome. - O Mac me mandou vir aqui. O Mac. sabe. que mora descendo a estrada, - aponte¡ para a direção da qual eu tinha vindo. - Ah, sim - ela sorriu. Por favor, entre. Ah. o que e' que voce deseja? - Bem, senhora, sabe. sou meio que um pregador. Sou chamado de "pregador de lareira", porque não prego nas igrejas, entende? Converso com as pessoas a respeito do Senhor. da Biblia, das profecias e coisas assim, nos lares delas. Mac disse que voces são pessoas interessadas nisso. - Sim - ela fez uma pausa. - Sim, sim. estamos muito interessados. meu esposo principalmente. Ele tem sentido que deveria entender mais das Escrituras, mas não conse- gue entender muito bem o sentido do que lé. Eu também estou interessada - ela completou. - O seu esposo está por aqui. o senhor Henry? - Sim, ele está lá fora no celeiro, tomando conta do gado. Deixe-me lhe mostrar. 55
  55. 55. O PREGADOR QUE NÂO CONSEGUIA PREGAR George prosseguiu. relatando o que havia acontecido depois disso: - Ela apanhou um casaco e seguiu rumo ao celeiro. O senhor Henry estava exatamente como sua esposa ha- via dito: muito interessado nas Escrituras. Ele pareceu feliz em me conhecer. Porém. estava muito ocupado naquele momento, então me convidou para sentar e falar enquan- to ele trabalhava. Ele estava jogando para baixo a palha do' palheiro e pensei que poderia ser útil ali. Então coloquei no chão minha maleta, tire¡ meu paletó. peguei outra for- cada e fui ao trabalho. Bem. todos voces sabem que mu- dar a palha de lugar e trabalho duro. George fez uma pausa, e todas as pessoas da igreja con- cordaram. com a cabeça. Eu ja tinha visto papai fazer isso várias vezes. Eu sabia o quanto poderia ser cansativo; por- tanto. também concordei. - Bem. não conseguimos conversar muito rápido - George continuou. - O senhor Henry pegava uma forçada cheia de palha e me fazia uma pergunta, e eu pegava outra e respondia. Assim foi, por mais ou me- nos duas horas. Contei a ele sobre como o Mac havia me enviado. sobre os folhetos que eu tinha e um pou- quinho sobre as profecias. para deixa-lo interessado. Ele começou a me fazer perguntas a respeito das Escrituras e pude perceber que ele já havia lido bastante. Ele sabia bem mais sobre a Biblia do que a maioria dos fazendei- ros. Ao meio-dia, a senhora Henry nos chamou para 56
  56. 56. NADA á DE GRAÇA entrar e almoçar. Nós conversamos sobre a Biblia du- rante todo o almoço e toda a tarde. Parece que em um instante, o sol estava se pondo e tínhamos que fazer as tarefas do entardecer. Em seguida, George contou o restante da conversa com a familia Henry". - Agradeço-lhe muito, George - disse o senhor Henry. - Eu teria levado o dobro do tempo para fazer o trabalho hoje sem a sua ajuda O tempo passou muito mais rápido. falando sobre algo que é do meu interesse. Você vai pou- sar aqui esta noite, não vai? - Aquilo foi um convite. - Eu ficaria muito agradecido, se não for incómodo - respondi. - De jeito nenhum, de jeito nenhum. Nós não recebe- mos muitos visitantes por essas bandas daqui. Além disso. é o minimo que eu posso fazer para recompensar você por todo o seu trabalho nesta tarde. , Continuávamos atentos à história de George: - Depois de uma boa refeição ao anoitecer. e depois que as crianças foram para a cama, o senhor, a senhora Henry e eu nos sentamos ao redor da lareira. Eles acen- deram algumas lamparinas a querosene, pegamos as nossas Bíblias e começamos a conversar. Explique¡ para eles a profecia do capitulo 2 de Daniel e eles ficaram tão interessados que fui direto para as profecias de Daniel 7 e 8, sobre as bestas horríveis. Parece que, para mim. foi bem mais fácil discutir sobre aqueles capitulos com 57
  57. 57. O PREGADOR QUE NÃO CONSEGUIA PREGAR eles fazendo perguntas enquanto estávamos assentados ao redor da lareira naquela noite do que subir ao púlpito e pregar sobre esses assuntos. Sei que vocé estava certa, senhora Godsmark, quando sentiu que o Senhor havia me chamado para ser um pregador nos lares. Vi minha mãe sorrir e fazer que sim com a cabeça. De repente, percebi que durante todo esse tempo George es- tivera falando sem gaguejar. hesitar ou ficar confuso como i havia acontecido na semana anterior. Apesar de ele não ter ensaiado para isso. feito sequer alguma anotação ou qualquer coisa assim. Era exatamente como ele costuma- va pregar para mim lá no celeiro, só que de maneira muito mais interessante. George interrompeu meus pensamentos outra vez, continuando sua história: - Dei à familia Henry vá- rios folhetos sobre o sábado, as profecias e a segunda vinda do Senhor. O senhor Henry estava tão empol- gado que ele queria continuar discutindo sobre todas essas coisas, mas o fogo havia se apagado e sua espo- sa lembrou-o de que era hora de irem para a cama. Na manhã seguinte, nós conversamos durante todo o desjejum e até chegar a hora de eu seguir meu rumo. Coloquei a mão na minha maleta outra vez, encontrei mais alguns folhetos sobre os assuntos que ele estava interessado e lhe ofereci. Ele me disse: - George, depois de tudo o que vocé fez por mim, deixe-me fazer apenas uma coisinha por vocé. - Ele virou e foi até o quarto 58
  58. 58. NADA É DE GRAÇA dos fundos. Quando ele saiu, apertou algo na minha mão: trinta centavos. - Fique com isso, George, para as suas despesas. Use o dinheiro para comprar mais fo- lhetos e volte mesmo. Quero estudar isso mais vezes. - Enquanto eu saia, a senhora Henry me entregou um saco e disse: - Para satisfazer as suas necessidades. - Pelo peso do saco, eu sabia que havia comida suficiente para pelo menos dois dias. A família Henry havia 'me dado os nomes e o endereço de trés outras familias que achavam que poderiam estar interessadas na verdade e dispostas a estudar as Escrituras. Meu trabalho agora estava todo esquematizado. Vi a alegria estampada no rosto de George. - E foi assim. durante toda a semana. Nem todos es- tavam interessados. Em algumas casas, as pessoas não ti- nham dinheiro para pagar pelos folhetos; então. eu lhes entreguei sem cobrar nada. Entretanto, várias pessoas es- tiveram dispostas a pagar. Sendo assim, eu vendi um total de 62 centavos nesta semana. George levantou o dinheiro para podermos ver. - Eu tenho aqueles dois dólares da familia Godsmark, mais esse dinheiro da venda dos folhetos, que usarei para comprar mais folhetos. Todos ficaram admirados. - Este "ministério da fareira" - George continuou - pode se tornar algo maior, algo que eu chamaria de, ah. .. "Ministério da colportagem". Uma coisa aquele politico 59
  59. 59. O PREGADOR QUE NÃO CoNsEGUiA PREGAR me ensinou: nada é de graça. Acho que as pessoas aprecia- rão mais nossos folhetos e é mais provável que elas leiam e os estudem se tiverem que pagar algo por eles. Além disso, o dinheiro que eu ganhar ajudará a pagar as despesas da compra de mais folhetos. Devia ter passado uma ou duas horas desde que nos sentamos ali e começamos a ouvir as experiencias que George tivera naquela semana. Sei que eu fiz quatro ou ' cinco viagens até a pilha de lenha antes que George termi- nasse e se sentasse ao meu lado na primeira fileira Cochi- chei para ele: - George, vocé e' um bom orador. Vocé ainda vai ser um pregador. Sabia disso? Pude ver que o que eu disse fez George se sentir bem. pois ele sorriu e cochichou de volta: - Não, Otho. eu não fui chamado para o ministério dos púlpitos. Acho que fui chamado para outro tipo diferente de ministério, o ministério da literatura Mas esse é tão importante como o outro. Fiz que sim com a cabeça, mas eu não pensava as- sim não. Ir de casa em casa não parecia ter metade da importancia de ficar diante de centenas de pessoas em uma grande tenda, com os quadros proféticos cheios de bestas horríveis. Eu conversaria com George sobre isso mais tarde. ' George foi para casa conosco naquela tarde de sábado e ficou até a metade do domingo. Foi como nos velhos 60
  60. 60. NADA é DE GRAÇA tempos. Ele dormiu no meu quarto, ajudou-me a dobrar as cobertas e alimentar as galinhas, na manhã de do- mingo. Entretanto. estava ansioso para sair novamente. No domingo, George foi embora logo depois que minha mãe fez um almoço generoso para ele, lavou e remendou suas roupas. 61
  61. 61. ., 4 grama). .. Lrnm atuavam. , ? dia i. .›. .
  62. 62. FT: 'V L* zr àfíê? 1*! Ii 4 , ___ _m ______' v ai¡ _U7 nf* _1_“7*'! Í?: 'C¡7¡C› u"“/7'~"- . ..nJ ¡ Lc vntan cu nan sabia. mas aquvla um ¡)n'aucalncn- - LL' a ultima c/ quc CLI mssarin tunpo (um Cícnrgv. um sclc ; Inox Durante . IqUUICS primeiros mcscs. clL' cs- tcw na obra da 'cnlpurtagctn', como Im chamado cssc trabalha. ultava a lmlllv (Tuck nuns ou menus a cada duas scnxanns para comprar mais lulhctns: v. sv uxussc [Cmpn, UÍL* ; lpglllwla L' passava . l num' umnsu) uu HCAM] ; lgtldl'tl. ll1(l(› nus dvgmus da ¡grvm mqttnnlu L |1vg;1;1¡n<›s s;1|);1(l(›dL' 111-.1111151. No cnlantu, Cicnrgt' scnuu um c| nn1n1cin para 111011131' a sua Luna ¡1.1L;1l. cn1Untann, ¡1<›L. .111;1(l;1. -- l1.1munlns; xdxx-nlistusna rcgmu (lc lhulu Ljrwlx' (imrgu nus LÍISSU z ! Cm mctadc (ias (wdadvs. hn grupm u: : S;
  63. 63. O PREGADOR Que Não CONSEGUlA Pnecan ou uma pequena igreja, ou é realizado o evangelismo de tenda, no verão. Mas. em Ontario, há quilómetros e quilómetros de fazendas e cidades onde ninguém ja- mais ouviu falar dos adventistas: não há igrejas. nem evangelismo de tenda, nem crentes. É para lá que eu preciso ir. George não conseguia vender folhetos suficientes em seu ministério nos lares para conseguir sobreviver . no Canadá. A cada seis ou oito meses. ele precisava pa- rar de vender folhetos e arrumar um emprego: ajudar na colheita nos campos ou trabalhar em alguma fábrica a fim de ganhar dinheiro suficiente para comprar rou- pas e comida. Assim que ele tinha guardado dinheiro suficiente. ele voltava a vender folhetos e livros outra vez. Eu costumava ler. espantado. as cartas de George. pensando no sacrifício que ele fazia. Ora, ele não tinha um lar fixo. Sempre ficava na casa de outras pessoas. geralmente nas casas de pessoas que tinham se tomado adventistas por intermédio de seu trabalho. Suas rou- pas, muitas vezes, estavam gastas e, ainda assim, ele pa- recia gastar cada dólar extra na compra de mais livros e folhetos. Enquanto isso. eu já havia terminado todas as séries em nossa pequena escola rural e havia ido para a facul- dade. que fora aberta em Battle Creek um ano depois que George havia passado o inverno em nossa casa. Acho que aquele período em que ajudei George a se 64
  64. 64. Luz NO LUGAR nas TREVAS tornar um pregador deve ter me influenciado. pois de- cidi estudar para ser um pastor. Eu podia ter tentado me tornar um "pregador de lareira" como George. mas simplesmente eu não via como poderia viver do jeito que ele vivia. Parece que a maioria dos outros obreiros adventistas concordavam comigo, pois em todos aque- les anos. George King foi praticamente o único a vender literatura de maneira regular. A visão dele de ter cente- nas de colportores evangelistas vendendo livros adven- tistas simplesmente parecia não ter muita chance de se tornar uma realidade. No ano de 1879. porém, aconteceu algo que começou a mudar tudo isso. O Senhor mandou uma mensagem à senhora White, que ela publicou como "Testemunho nu- mero 29" dizendo: Mediante cuidadosos cálculos, podem [os editores] fazer a luz estender-se na venda de livros e folhetos. Podem manda-los a milhares de familias que ora se acham nas trevas do erro. Outros publicadores têm sistemas regulares de in- troduzir no mercado livros de nenhum interesse vital. 'Os filhos do mundo são mais prudentes na sua pró- pria geração do que os filhos da luz' (Lc 16:8). Aureas oportunidades ocorrem'quase' que diariamente onde os silenciosos mensageiros da verdade poderiam ser in- troduzidos entre familias e individuos. [. ..I Centenas de 65
  65. 65. 0 PREGADOR QUE NÃo CONSEGUIA Pneu¡ homens deveriam estar empenhados em levar a luz a todas as nossas cidades. vilas e povoados. O espirito do povo precisa ser agitado. [. ..] Necessitam-se de missionários em toda parte. Em todas as partes do campo devem-se escolher colpor- tores. não do elemento inconstante da sociedade. não dentre homens e mulheres que para nada mais pres- tam e em nada tem tido exito. mas dentre os que tem boa apresentação. tato. fina percepção e habilidade. Tais pessoas são necessárias para ter êxito como col- portores e diretores. |. ..I O colportor eficiente. do mesmo modo que o pas- tor. deve ter suficiente remuneração por seu serviço. se seu trabalho é feito fielmente. Se há um trabalho mais importante do que outro, é o de colocar nossas publicações perante o publico. le- vando-o assim a examinar as Escrituras (Testemunhos para a Igreja. v. 4. p. 389, 390). Quando li esse testemunho da parte do Senhor. uma frase realmente me chamou a atenção: sobre o colportor. bem como o pastor. ter remuneração suficiente por seu serviço. Se George tivesse dinheiro suficiente para a obra que fazia. ele não teria de parar sua obra a cada alguns me- ses e trabalhar em outro emprego. Com um pouco mais de dinheiro, muitos outros estariam dispostos a vender livros. Ora. até eu mesmo poderia tentar. 66
  66. 66. l. L"/ . NU LUGAR DAS 'Pruzms Ate então eu não sabia, mas o doutor lohn Harvey Kellogg tambem estava lendo o testemunho da senhora White e pensando em como isso poderia ser colocado em pratica. O doutor Kellogg. um homem brilhante e um me'- dico de destaque. havia fundado o Sanatório de Battle Creek. Ele também era um escritor. Na verdade. seu então mais recente livro The Home Hand-Book of Domestic' fljgiene and Rational ¡Vledicirze ]Tratado de Higiene Domestica e Medicina Inteligente] estava pre- visto para sair das maquinas de impressão da Review and Herald no ano seguinte. O livro era tão grande como o seu titulo. Continha 1.600 páginas. O doutor Kellogg estava pensando em maneiras de vende-lo para o maximo de pessoas pos- sivel. Ele deve ter notado especialmente o comentário da senhora White. que dizia que "outros publicadores tem sistemas regulares de introduzir no mercado livros de nenhum interesse vital" e deve ter pesquisado um pouco. O que ele trouxe foi a ideia de vender livros por encomenda. A editora enviaria vendedores que fossem de porta em porta com um prospecto. uma versao menor do livro. O prospecto incluiria todas as figuras. as par- tes mais interessantes e amostras da encadernação. Os vendedores anotariam os pedidos ou encomendas das pessoas que estivessem dispostas a comprar os 67
  67. 67. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR livros e, então, retornariam algumas semanas ou me- ses depois para entregar os livros. O livro tinha de ser um tanto extenso e com um preço que permitisse ao vendedor ganhar dinheiro suficiente a fim de pagar as próprias despesas. O doutor Kellogg imaginou que. se colportores pudessem vender seu livro por encomen- da. haveria lucros suficientes para que eles pudessem se sustentar. Enquanto isso, George se ocupava vendendo livretos e assinaturas das nossas revistas, incluindo o periódico O Rejbrrnador da Saúde. em um lugar chamado Belleville. Ontario. não muito longe de Toronto. Em 1° de fevereiro de 1879. ele escreveu uma carta para encorajar os mem- bros da igreja. a qual foi publicada na revista Review and Herald. Ele disse: "Este e' um campo dificil. mas o pre- conceito parece estar diminuindo. lá consegui 125 as- sinaturas dos nossos periódicos e recebi 145 dólares pe- las assinaturas e vendas de livros. " Quando li isso. sobre George estar trabalhando em um "campo dificil". tive certeza de que ele não havia mudado. George King não trabalharia em nenhum outro lugar a não ser nos campos mais difíceis. Mais tarde naquele mesmo ano. li na Review and Herald que George estava ajudando outro pastor a realizar evan- gelismo de tenda. Ele conversava com as pessoas e esta- va ajudando até com a pregação e com o louvor nessas reuniões. Com o passar dos anos, ouvi diversas vezes que as
  68. 68. Luz NO LUGAR DAS TREVAS George havia se tornado um pregador muito dinâmico. Tenho certeza de que ele poderia ter sido um pregador em tempo integral: porém. ele sentia que o chamado especial que havia recebido em nossa sala de estar. naquela tarde depois de tentar pregar, era para um tipo diferente de mi- nistério: o ministério da pregação nos lares: e. para ele, isso era muito mais importante. Em 1880, quando o livro de 1.600 páginas do doutor Kellogg estava prestes a sair das impressoras, ele começou a recrutar jovens para vende-lo. Ele pegou os melhores que havia: George King e dois outros: X/ ilcox e Hughes. To- dos eles foram até Battle Creek, onde Kellogg lhes ensinou pessoalmente tudo o que havia aprendido com as outras editoras sobre a venda de grandes livros por encomenda. Naquela época, eu ainda estava frequentando a faculda- de em Battle Creek. Portanto. George e eu passamos um tempo juntos. conversando. Ele havia mudado muito, em sete anos de trabalho duro. vendendo livros no Canadá. George estava então com 33 anos, e eu com 19. Embora eu não admitisse isso para ele. ainda era um "herói" para mim, assim como tinha sido naquele inverno em nossa fazenda. quando treinava muito. tentando se tornar um prega- dor. George deixou a barba longa, mas eu ainda podia ver muitas linhas de expressão em seu rosto. especial- mente ao redor dos olhos. Acho que o que lhe causou isso foram aquelas muitas horas andando de fazenda 69
  69. 69. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR em fazenda debaixo do sol, ou no inverno quando o vento soprava neve em seu rosto. Eu disse a ele que deveria se cuidar mais, comer mais regularmente, gas- tar um pouco mais de dinheiro com roupas que o man- teriam aquecido. Todavia, George raramente dava ouvidos a qualquer coisa que eu dizia. Ele estava muito empolgado com essa nova ideia de vender livros por encomenda. Falava in- “ cessantemente sobre a possibilidade de centenas de col- portores, espalhados pelo mundo, venderem por enco- menda, ganharem dinheiro suficiente para o sustento, fazerem conversos e fundarem igrejas em lugares onde antes não havia presença adventista. Ele estava tão em- polgado com sua obra como quando tinha aquele desejo de ser pregador. George, o senhor X/ ilcox e o senhor Hughes partiram para Indiana. em 6 de julho de 1880. Eu fui até a estação de trem para me despedir deles. De certa maneira. foi como todas as outras vezes que caminhei com ele até a estrada principal para me despe- dir, em suas primeiras semanas de colportagem. Ele car- regava uma maleta cheia de material, incluindo o pros- pecto do livro do doutor Kellogg. Outro espaço estava cheio de literatura para distribuir ou vender. George se vestia tão mal como o fazia sete anos atrás. No entanto, tinha a mesma empolgação daquela época, a mesma ur- gencia em ir, vender livros e falar a outros a respeito da 7o
  70. 70. Luz NO LUGAR DAs TREvAs mensagem. Ele parou nos degraus do último vagão, e eu acenei até que o trem fez a curva. Enquanto eu voltava para a faculdade, pensava se mais sete anos se passariam até que eu visse George outra vez. 71
  71. 71. p) «É rj_ o J : u nao tive que esperar' mais sete anos para ver (ieorgc- _. novanrente. lim menos de um ano e mei( r. ele cost-axa de volta a cidade. entusiasmado com uma nova ideia. . t-s enconrenclas do livro flame Hand-Book. escrito pelo doutor Kellogg. feitas de porta em porta. em lllClltintl. pe- los senhores 'rlcox. l lughes e o proprio (âeorge. tinham sido um strcesso. Na verdade. ele tinha percebido que na venda por encomtrncla est-axa tl resposta para o sonho que o haxia dominado tlurantt' todos 'aqueles trnos. ÀqLlClt' em um meio de os colportores rendererrr livros religiosos em tempo integral e ganhar o sustento com isso - um mero de colocar' centenas de homens e mulheres nesse tipo de nrinisterio. indo de porta em porta. de um canto a outro do 73
  72. 72. () Piu: (;, |›(›| z Qui; Nz_() (Çoxsixuiia Piuzortn pais. Ele mal podia esperar para contar sobre o seu sonho. Entretanto, havia um problema. Ele nào tinha um li» vro para vender. Naquela epoca, a Review and Herald nào imprimia nenhum outro livro religioso semelhante ao do doutor Kellogg. Os unicos livros um pouco mais volumo- sos eram os da senhora White, OEspirito de Profecia - tres volumes que. mais tarde. foram ampliados e se tornaram no que hoje e a série O Grande Conflito - e dois livros de Urias Smith, Considerações sobre Daniel e Considerações sobre o Apocalipse. Nenhum desses era extenso o bastan- te ou ilustrado de maneira que pudesse ser utilizado por vendedores de livros por encomenda. George acreditava que os liwos religiosos poderiam ser vendidos por encomenda, e ele se propos a provar isso com uma edicao teste, juntando em apenas um volume os liwos de Urias Smith. George julgava que, com algumas boas ilus- nações, seria um grande sucesso. Portanto. ele retornou a Battle Creek em dezembro de 1881, enquanto ocorria a sessão da Associação Geral, e pros- seguiu em convencer os irmãos a dar uma chance ao projeto. George tinha consigo suas duas copias de Daniel e Apocalipse. as mesmas que meu pai, Richard Godsmark. havia lhe dado anos atras. Ele colocou os dois livros juntos para mostrar o tamanho que ficaria. Contou como havia sido um sucesso vender o Home Hand Book por encomen- da e como poderia fazer o mesmo com Daniel e Apocalip- se. se eles imprimissem os dois livros em um volume. 74
  73. 73. ÍDEIA lNsmnADA Os administradores da Review and Herald estavam muito relutantes em tentar essa nova ideia. Todos os li- vros religiosos que eles haviam imprimido até o momento tinham sido destinados à venda apenas para adventistas. Ninguém jamais havia vendido livros em quantidade para não adventistas. Se o plano desse errado, a editora pode- ria perder muito dinheiro, pois levava muito tempo para o departamento de composição tipografar um livro, espe- cialmente um livro do tamanho que George King estava propondo. Eles calcularam que teriam de vender pelo menos mil cópias para pagar os custos. - Irmãos - ele disse - , imprimam uma edição teste de 5 mil copias e pessoalmente garanto a vocês que eu sozi- nho venderei mil cópias. Como alguns pastores e administradores da Review pareciam céticos, George citou o testemunho de Ellen X/ hite, de como deveriamos obedecer ao conselho dela de vender livros de casa em casa. - Precisamos ter um livro com boas gravuras - disse George. - Peçam que Urias Smith prepare as ilustrações. imprimam as figuras em preto e vermelho e os livros ven- derào. Façam encademaçóes bonitas; deixem que o clien- te escolha entre couro e tecido. Coloquem um preço alto o bastante para que os colportores possam ganhar o di- nheiro necessário para permanecerem no ramo venden- do mais livros. Então veremos o que acontece. Por fim, George conversou com cada pastor que estava 75
  74. 74. O PREGADOR Que NÃo CONSEGUIA Passa¡ ali em Battle Creek para a reunião da Associação Geral. pois ele teve sucesso. E a Review decidiu aceitar o desafio de imprimir os livros. Eles fizeram exatamente como George havia sugerido. Urias Smith - o próprio autor dos livros e que em anos anteriores havia sido um escultor - esculpiu a imagem da grande e terrivel besta de Daniel 7, que seria em duas cores. mostrando o sangue ao redor das suas garras e da boca. ' Alguns livros teriam uma encadernação de tecido, um linho fino entrelaçado das cores azul e verde. Alguns te- riam uma encadernação de pele de carneiro, e outros de marroquim, com as bordas das folhas douradas ou cor de mármore. A Review and Herald prometeu a George King que os livros ficariam prontos durante a primeira quinzena de abril de 1882; portanto, George foi trabalhar. anotando os pedidos Ate' 10 de janeiro, George já tinha seus primeiros pedidos. Ele foi para Ohio. onde treinou um grupo de 12 colportores que venderiam o livro naquele lugar. Em seguida, à medida que se aproximava a data em que a editora disse que os primeiros livros ficariam prontos, George conseguiu um emprego na Fábrica de Vassouras Lewis, em Battle Creek, selecionando milho zaburro. Portanto, ele estaria à disposição quando os livros saissem da impressora: Trabalhando ao seu lado, estava um rapaz chamado Vebb Reavis. A medida que as horas e dias se passavam. tudo que George falava era 76
  75. 75. [meu INSPIIIADA sobre as possibl idades de vender Daniel e Apocalipse por encomenda e utilizar as vendas de livros religiosos para difundir a verdade. Em 3 de abril de 1882. no dia em que os primeiros li- vros estavam previstos para sair das impressoras. George King chegou às 9h da manhã a fábrica onde trabalhava. A Review cumpriu tão fielmente a sua palavra como - George o fez com a dele. Entregaram-lhe a primeira cópia naquela manhã. George levou a cópia consigo para a fabrica de vassouras e foi de operário a operário, mos- tra ndo o livro que planejava vender por encomenda e que mudaria a forma de trabalho dos colportores. George foi até X/ ebb Reavis e insistiu que ele comprasse o primeiro livro, para dar "boa sorte". Vebb riu com essa ideia. - George - ele disse - . por que eu deveria comprar este livro. quando já ten ho em casa tudo a respeito de Daniel e Apocalipse, em dois volumes separados? George, porem, persistiu e finalmente X/ ebb desistiu de discutir, pagando 2.5 dolares pela primeira cópia do livro a sair das impressoras. Exatamente como George havia planejado, o livro ficou caro. Com a encadernação de linho azul e verde, custava 1,5 dólar. Com encadernação de pele de carneiro, custava 2.5 dolares. Com marroquim, 4 dólares e com as bordas das folhas douradas ou cor de mármore, 5 dólares. O livro foi um sucesso. assim como George tinha pre- visto. Ate julho, 1.500 copias da nova edição ja haviam sido 77
  76. 76. O Pruzcanon QUE Não CONSEGUIA PREGAR vendidas. Antes de novembro. George e outras pessoas haviam treinado colportores para trabalhar até o territó- rio de Dakota. Entretanto, mesmo George King não fazia ideia de quão longe iria o seu plano de vender livros por encomen- da. Daniel e Apocalipse foi um dos livros mais vendidos de todos os tempos. Alguns anos depois, O Grande Conflito foi publicado. seguido do Bible Readings for tire Home Cir-- ele [Leituras Bíblicas para o Circulo da Familia] e muitos outros. Num período de dez anos, 500 colportores esta- vam trabalhando em tempo integral nos Estados Unidos e mais 100 em outros paises. Eles venderam tantos livros que a produção da Review and Herald quase triplicou. Eu me formei em Teologia mais ou menos na mesma época, tornando-me pastor das Associações de Michigan e Indiana. Casei-me com Cora Shepherd. em 1886. e logo depois disso eu me mudei para Los Angeles, na Califórnia. pa ra começar a obra na Costa Oeste. Enquanto isso, George King parecia estar em todo lugar do pais, vendendo livros onde quer que houvesse uma re- gião especialmente difícil de se trabalhar. Também treinava outras pessoas para o ministério da literatura. Ele trabalhou no Colorado e no Novo México. Depois, ele desceu para o Sul, trabalhando em vários estados dessa região. Ele fez uma viagem para a República da Guiana. na América do Sul, e vendeu 900 dólares em livros, até que ele ficou doente por causa do clima e foi obrigado a retornar aos Estados Unidos. 78
  77. 77. IDEIA ÍNSPIRADA Algum tempo depois, ele fez outra viagem, desta vez à Ja- maica. onde vendeu alguns milhares de dólares em livros. Depois de sua viagem à Jamaica, ele concluiu que a cidade de Nova York era o campo mais dificil de trabalho. Portan- to, aquele era o seu lugar, assim, ele passou os 19 anos se- guintes trabalhando nas ruas daquela grande cidade. Eu tinha noticias dele apenas de vez em quando, ã me- dida que os anos se passavam. As vezes, eu lia um artigo de George King na Review and Herald ou uma breve nota. narrando o progresso da obra, especialmente do ministé- rio de literatura, na cidade de Nova York. Também tinha noticias dele por meio de alguem que o havia conhecido ou visto em algum lugar. Eu me lembro de ouvir uma história sobre ele que me fez rir - pareceu tanto com o George King determinado e dedicado que eu havia conhecido quando garoto. Parece que os irmãos em Washington. DC - para onde havia sido transferida a sede da Associação Geral depois do incêndio em Battle Creek - haviam convidado George, que estava em Nova York, para falar sobre a obra da colportagem no concilio anual que aconteceria em Battle Creek. George respondeu o convite: "Se eu fosse, teria que me sentar nos vagões um dia e uma noite. e então me sentar para a reu- nião durante uma semana, e outra vez nos vagões para retornar à minha casa, o que e' algo a se temer. " George acreditava que poderia gastar muito melhor esse tempo vendendo livros na cidade de Nova York. 79
  78. 78. O PREGADOR QUE Não CONSEGUIA PREGAR George King foi sempre muito humilde quanto às suas próprias realizações, mas ouvi dizer que ele admitiu uma vez que devia ter vendido mais ou menos 25 mil dólares em livros e outras literaturas. Se todos os fatos fossem conhecidos, tenho certeza de que, ao longo de toda a sua vida, ele deve ter vendido muito mais do que isso. Esse valoroso homem morreu na cidade de Nova York. em 1906, com 59 anos de idade. Depois de alguns anos- no ministério, estudei medicina e me tomei médico em Chattanooga, no Tennessee. Sempre achei que o motivo de George ter morrido tão jovem foram todos aqueles anos que ele passou trabalhando, no frio e no calor, no verão e no in- verno, sempre a pe', viajando de um lugar para o outro a ñm de contar aos outros sobre a verdade, vendendo os livros e folhetos que amava e ensinando outros homens e mulheres a serem colportores Mesmo assim, se vocé pensar bem, a obra mais importante que George King realizou não foi con- quistar todos aqueles milhares de dólares que ele vendeu em livros. ou até mesmo todas as pessoas que ele ganhou para Cristo. Sua maior obra foi sua constante devoção ao minis- terio da literatura e suas ideias de vender livros religiosos por encomenda, o que deu origem a toda a obra da colportagem. Hoje, George King descansa. No entanto, em seu lugar, todos os dias milhares de homens e mulheres. meninos e meninas saem vendendo milhões de dólares em livros e revistas que divulgam a verdade bíblica. Eles vão fazer essa obra ate' o Senhor voltar. so
  79. 79. t'()l'__'_t' King (jLltTld pregar. Porem_ . sua priiiiciizi . ij7l'L'. t'Hl. lç: l() pública foi um. : tuitdsiroltrl _s . rni›trit_"r'›es tuiiixim do jieqiieno jiúlpiio e ficaram todas fora de ordem. f) quadro plhlitllltt) que ele ieiiioir (lt'_tl()l)l'; ll' rasgou. .. l'iiig_j. iiii. ris conseguiria ser' um pregador. lilt' resolreii aceitar o tlesalio PFUPUSH) jwlii Sra. (lintlsmtlrlx. Que tril »Jr m í Lim jiregritloi' lI1l()1'I“n; ll. que fosse de jiorta em porra. entregaiitlir folhetos L'C()liCI'. tll1(l()Cillliitlliiclllt' com . is jiessoris em seus lares . i respeito (l. ) i›li. i (lo Senhor? Não ó que . i l(lt'l.1(lt'll (UFU): (Kim curte/ ri_ UCÓ tll qULTUI' lk'l'l()tl.1 esta lllãlliiltl, l('l1L”lLltl. ijiüfolllt)(ititlsilitlilx. Ulii garoio que ouviu e . lC()H1jll1l1ULl de perto . is . ixeiiiiiiuis de (it-urge King, o PfllllUlft) ciilpiirlur cttiiigcllslri. l; t) rcltilo eiiiueiiiiiaiilt' (lc iliii tr. il›. illi<› que . surgiu nu eiii'. içfii› de Deus e que t'(›lllll1ll. i . i protlii/ ir lriiii» . iiiitl. i liojc. ltêhN-: Tu-! i-H* li 4 v Tum¡ <21 H4 JJl

×