Juízes

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Aula sobre Juízes baseado em Paul R. House

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Juízes

  1. 1. JUÍZESJUÍZES SÉRGIO ZILOCHI
  2. 2. Juízes é um livro bem direto. Sua teologia espelha as advertências de Deuteronômio 28.15-68, pois o povo comete idolatria, sofre as consequências do seu pecado, arre- pende-se e clama a Yahweh por ajuda, recebe auxílio e então volta-se de novo para a idolatria (v. Jz 2.6—3.6). A idolatria envolvida soa parecida com a de Êxodo 32—34 e Números 25, como também soa parecida a resposta do Senhor à transgressão. Ademais, Israel tem uma sequência de líderes que aparentemente ocupam o lugar de Moisés e Josué, mas que não alcançam os mesmos padrões estabelecidos por aqueles dois homens ou por Deuteronômio.
  3. 3. O livro descreve o que acontece quando um povo que estabeleceu uma aliança com Deus abandona essa aliança e faz o que cada indivíduo ou tribo bem entende em vez de seguir a palavra revelada do Criador de todas as terras e povos (v. 17.6; 21.25). O livro assim o faz mediante descrição do que parece ser um ciclo de pecado, arrependimento, livramento e pecado repetido, mas que na verdade é um declínio na direção de um abismo moral cada vez mais profundo e que ameaça a existência de Israel na terra. Esse declínio desenrola-se em três etapas em Juízes. Primeiro, o autor antecipa o declínio na introdução do livro (1.1—3.6). Relatam- se mais uma vez o sucesso militar inicial de Israel e fracassos posteriores como lembretes de que Israel chegou a Canaã por consequência da obra de Deus a seu favor (1.1—2.5). Seguindo-se a essa introdução histórica, uma introdução teológica declara que a idolatria levou Israel a abandonar a aliança. Por isso o Senhor decidiu “testar” o povo, ao permitir que os inimigos do povo permaneçam na terra (2.6—3.6). Nessa seção Yahweh age como o Deus que testa o povo, um papel não desempenhado com tanto vigor desde Gênesis 22.
  4. 4. Segundo, o declínio é expresso no trecho mais longo do livro (3.7— 16.31). Aqui uma série de doze juizes de maior e menor importância e com caráter variável conduz Israel à liberdade de seus opressores. Esses líderes vão diminuindo em conteúdo teológico até que o último demonstra ser alguém de apetite sexual, intelectual e físico tanto quanto é um homem de Deus. Nesses capítulos o Senhor chama os juizes como resposta aos clamores de Israel por ajuda, contudo assim mesmo envia os opressores para castigar a idolatria de Israel. Nessas passagens Yahweh é o Deus que responde. O Senhor responde devido ao seu senso de justiça e às decisões de vida do povo escolhido. Em todos os momentos Yahweh é fiel à aliança, mas às vezes Israel não desfruta essa fidelidade.
  5. 5. Terceiro, a depravação total de uma nação onde cada um faz o que cada um bem entende vem à tona quando a descida chega ao fim (17.1— 21.25). Atos terríveis acontecem, equiparáveis aos mais abjetos atos encontrados em qualquer texto da literatura antiga. A essa altura Yahweh entrega o povo à própria impiedade. Agora a nação castiga a si mesma. Agora o problema do pecado na nação santa parece ser tão real quanto no mundo em geral. Ainda muitos outros escritos canônicos serão necessários para aliviar esses fardos teológicos. Em Juizes nenhuma outra questão é mais importante do que o compromisso de Israel com o monoteísmo pactuai. Qualquer desvio desse princípio resulta em catástrofe para a nação. Cada vez que o autor declara que Israel desagrada a Deus, é a idolatria que provoca a disjunção relacional. Outros tipos de pecado podem ser perdoados quando indivíduos voltam- se para o Deus perdoador, mas os adoradores de ídolos separam-se da realidade teológica e de um relacionamento com o Deus vivo. O juízo é a única conseqüência possível.
  6. 6. Exatamente o que é um juiz é algo que tem provocado muito debate no meio acadêmico. Vista fora de seu contexto, a palavra, julgar possui implicações judiciais, e pelo menos um juiz enquadra-se nessa função (v. 4.4). G. E Moore afirma que no contexto geral do livro o verbo significa “defender”, “livrar”, “vingar” e “castigar”, bem como “governar”.9 J. Alberto Soggin diz que os juizes principais, ou os que ocupam maior espaço nos relatos, possuem uma função militar.10 Em outras palavras, o trabalho desses indivíduos deve assemelhar-se ao de Josué, um líder militar e religioso, embora num contexto diferente. Israel recusa-se a ouvir os juizes enviados por Deus (2.17) ou somente segue Yahweh enquanto juizes excepcionalmente fortes estão vivos (2.19).
  7. 7. Apesar desse momento de alívio, o compromisso pactuai da nação não se torna duradouro. De forma igualmente trágica, mesmo juizes capacitados pelo Espírito, como é o caso de Jefté (11.29) e Sansão (13.25; 14.6,9; 15.14,19), são pessoalmente incapazes de ser fiéis à aliança. Numa carta diplomática Jefté fala favoravelmente do deus de Edom (v. 11.24), um gesto pragmático que revela que ele é alguém que praticamente não está inclinado a remover os não-deuses denunciados por Moisés.18 Pior ainda, ele contamina a adoração de Yahweh. Ele faz um voto de, caso Deus lhe conceda vitória na guerra, sacrificar, quando estiver de volta, o que quer que saia de sua casa (11.30,31), sem dúvida esperando que algum animal saísse da casa de um único cômodo onde muito provavelmente morava Em vez disso, sua filha sai para encontrar-se com ele, e, violando leis acerca da redenção de primogênitos (v. Nm 18.16; Lv27.1,2) e leis que proibiam sacrifícios humanos (e.g., Lv 18.21), ele cumpre o voto. Esse sacrifício também oferece um contraste gritante com os princípios implícitos no livramento de Isaque em Gênesis 22. Na melhor das hipóteses, Jefté é alguém que mistura a adoração de Yahweh com práticas politeístas e não conhece os reais padrões divinos.20 Dessa forma ele representa a condição espiritual do povo em geral.
  8. 8. Síntese canônica: o preço da depravação sexual São raros os usos canônicos desses capítulos. Oséias 9.9 e Oséias 10.9 referem-se às batalhas de Juizes 20 para advertir ouvintes do século oitavo a.C. a evitar a depravação e a derrota que aconteceram naqueles dias. A tentativa pelo populacho de estuprar os homens em Juizes 19 relembra o episódio de Gênesis 19.1-11. Charles Fox Burney assinala os vários paralelos lingüísticos entre os dois textos,30 ao passo que Klein assinala tanto as semelhanças quanto as diferenças entre os dois relatos.31 Pelo menos é possível alegar que a terrível depravação dos desejos do populacho chocam-se com as regras de conduta sexual estabelecidas em Levítico 20.13 e Deuteronômio 22.23- 27. Paulo cita tais práticas sexuais como indicadores de que pessoas de mente depravada foram “entregues” aos próprios pecados por um Deus que tentou sem sucesso fazê-las viver de acordo com a verdade revelada (Rm 1.26,27). Essa interpretação do contexto social de Paulo equipara-se ao tom de Juizes, visto que a sexualidade descontrolada caracteriza os dois contextos.
  9. 9. Em cada oportunidade o autor declara que essa idolatria faz Yahweh enviar exércitos opressores ou entregar Israel aos próprios pecados. Aqui o princípio de adorar um só e único Deus é um tema centralizador tanto quanto, ou até mesmo mais do que, na Lei. O monoteísmo será o critério teológico para a interpretação do restante dos Profetas Anteriores.
  10. 10. Os juízes eram estadistas, homens e mulheres que Deus levantava para liderar o povo a fim de livra-los das mãos dos opressores.  

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