Filosofia 11 - Filosofia e os outros saberes

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Filosofia 11 - Filosofia e os outros saberes
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Filosofia 11 - Filosofia e os outros saberes

  1. 1. 1. A Filosofia e os outros saberes
  2. 2. 2. A Filosofia na cidade 1.1. Realidade e verdade – a plurivocidade da verdade
  3. 3. REALIDADE Exemplos de expressões em que este termo está presente: •A realidade é que o insucesso escolar é demasiado alto. •De que realidade estás tu a falar? •A realidade é dura e cruel. Geralmente, este conceito surge como sinónimo de «verdade». Mas será que «realidade» e «verdade» são uma e a mesma coisa? Realidade é um conceito distinto de verdade, embora mantenham uma relação estreita entre si.
  4. 4. REALIDADE O ser ou existente Ser particular Seres em geral Num certo sentido, é o que existe independentemente do sujeito. - Haverá uma única realidade ou várias realidades vistas de perspetivas diferentes? - Qual das perspetivas é a mais verdadeira? - O que é a verdade? - Terá a razão humana a possibilidade de aceder ao conhecimento da realidade?
  5. 5. Será prudente considerarmos a nossa perspetiva da realidade como a única possível? Devemos admitir uma pluralidade de leituras possíveis da realidade – esta assume um estatuto multidimensional. São várias as leituras possíveis da mesma realidade. A realidade para um cientista será diferente da realidade para um filósofo, para um poeta ou para um artista plástico. Haverá uma leitura da realidade mais verdadeira que outra? Necessidade de incursão no próprio conceito de VERDADE.
  6. 6. VERDADE A palavra «verdade» possui uma pluralidade de significados. Plurivocidade do conceito de «verdade», o qual está subjacente aos diversos temas estudados. Várias aceções de «verdade»: •verdade como correspondência; •verdade como coerência; •verdade como utilidade; •verdade como consenso; •verdade como perspetiva.
  7. 7. VERDADE COMO CORRESPONDÊNCIA OU ADEQUAÇÃO: VERDADE ONTOLÓGICA É a conceção mais antiga e a mais intuitiva. Quando alguém diz «Está sol», classificamos intuitivamente o enunciado como verdadeiro ou falso se corresponde ou não à realidade. A verdade é a correspondência entre a proposição e a realidade. Este critério de verdade foi adotado por Platão, Aristóteles, São Tomás de Aquino, por grande parte dos escolásticos e pelos filósofos positivistas.
  8. 8. VERDADE COMO COERÊNCIA Diz respeito à relação das crenças entre si e não à sua relação com algo independente da mente ou do discurso. Uma crença será verdadeira ou falsa conforme seja ou não coerente com outras crenças do mesmo sistema de crenças. Um determinado sistema de crenças é coerente quando não contém crenças que sejam contraditórias entre si – quando há consistência lógica. As crenças devem estar relacionadas entre si de forma relevante. Isto significa que o conteúdo de umas se pode inferir do conteúdo de outras. A verdade como coerência equivale, por um lado, à consistência lógica ou ausência de contradição lógica e, por outro, ao facto de existirem relações inferenciais entre as crenças de um dado sistema.
  9. 9. VERDADE COMO UTILIDADE A teoria pragmática parte do princípio de que a verdade é uma característica do enunciado ou da proposição em que é útil acreditar. O que define a verdade é a possibilidade de produzir um efeito que se deseja, ao serviço de um objetivo prático qualquer. Verdade é, assim, a eficácia, a utilidade e a funcionalidade. A proposição «é útil porque é verdadeira», ou então «é verdadeira porque é útil», como salienta William James.
  10. 10. VERDADE COMO CONSENSO A verdade é negociação intersubjetiva, é consenso e efeito de convencimento dos vários discursos de verdade. O consensualismo não nega a verdade em si, apenas afirma a extrema dificuldade de obtermos um conhecimento dela. Os consensos são formas de nos aproximarmos da verdade em si.
  11. 11. VERDADE COMO PERSPETIVA A conceção perspetivista de verdade admite a existência de múltiplas verdades. Tudo o que podemos conhecer da realidade é sempre limitado, dependendo da perspetiva usada, do ângulo de visão. Cada ângulo, ou cada perspetiva nova sobre a realidade, corresponde a uma aproximação à verdade.
  12. 12. OUTRAS CONCEÇÕES DE VERDADE A verdade resulta de um processo contínuo em que se vão manifestando os diferentes aspetos da verdade (contraditórios entre si, mas reunidos numa síntese). A verdade acontece pela e na linguagem enquanto «casa do ser». HEGEL HEIDEGGER Verdade como processo. Verdade como desvelamento.
  13. 13. CONCEÇÕES DE REALIDADE E VERDADE - realidade unidimensional; - realidade imutável; - verdade unívoca; - verdade em si: - absoluta e necessária; - imutável e transtemporal; - universal e transespacial; - indivisível (ou é, ou não é). - realidade multidimensional; - realidade em devir, em mudança; - verdade plurívoca; - verdade para nós: - relativa e subjetiva; - mutável e temporal; - produto cultural e social; - probabilística (aproximação gradativa). Conceções tradicionais Conceções contemporâneas Conduzem ao reconhecimento dos diferentes saberes como narrativas, cada uma das quais apresentando níveis de realidade e verdade diferentes. Tornam-se equivalentes (embora cada um com a sua própria especificidade) saberes como a ciência, a filosofia, a arte, a religião, a poesia e a literatura.
  14. 14. 2. A Filosofia na cidade 1.2. Necessidade contemporânea de uma racionalidade prática pluridisciplinar
  15. 15. Cada saber… …apreende apenas uma das múltiplas dimensões da realidade. Visão parcelar da totalidade ou globalidade. Excessiva especialização das ciências. Separação dos saberes científicos relativamente aos que o não são. Visão fragmentada e retalhada da realidade. Atualmente reconhece-se a exigência de uma racionalidade pluridisciplinar e transdisciplinar.
  16. 16. Necessidade de laços entre as diferentes disciplinas Traduziu-se na emergência – em meados do século XX – da pluridisciplinaridade e da interdisciplinaridade. Pluridisciplinaridade Interdisciplinaridade Diz respeito ao estudo de um objeto de uma única e mesma disciplina efetuado por diversas disciplinas ao mesmo tempo. Diz respeito à transferência dos métodos de uma disciplina para outra.
  17. 17. Transdisciplinaridad e Envolve aquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de toda e qualquer disciplina. Propõe-nos a consideração de uma realidade multidimensional, estruturada em múltiplos níveis, que substitui a realidade unidimensional, de um único nível, do pensamento clássico. A sua finalidade é a compreensão do mundo atual, para a qual um dos imperativos é a unidade do conhecimento.
  18. 18. Perspetiva pluridisciplinar e transdisciplinar Única via a partir da qual poderemos obter uma visão mais integrada da realidade. Seria a visão que ofereceria, se existisse, um MACROSCÓPIO Instrumento simbólico feito de um conjunto de métodos e de técnicas extraído de disciplinas muito diversas. Símbolo de uma nova maneira de ver, compreender e atuar.
  19. 19. MACROSCÓPIO Abordagem sistémica. Só uma racionalidade pluridisciplinar e transdisciplinar poderá servir o propósito prático de resolução das grandes questões do nosso tempo. A maioria dessas questões refere-se ao viver humano: clonagem, aborto, eutanásia, eugenia, felicidade individual. Exigência de uma racionalidade prática pluridisciplinar e transdisciplinar.
  20. 20. Ciências sociais e humanas Os fenómenos são entendidos como fenómenos sociais totais. São fenómenos com implicações em vários níveis – económico, social, psicológico, antropológico. Por isso, podem ser estudados simultaneamente por várias disciplinas.
  21. 21. Conhecimento complexo (Edgar Morin) Entende a realidade como um tecido complexo. Considerando que a ciência clássica assenta sobre três pilares fundamentais – a ordem, a separabilidade e a lógica –, Morin propõe uma total reforma do pensamento que é, ao mesmo tempo, uma proposta de ação. Um pensamento complexo deve ser capaz não apenas de religar, mas de adotar uma postura em relação à incerteza, à imprevisibilidade. Discutir sem dividir: pensar a complexidade é respeitar a textura comum, o complexo que ela forma para além das suas partes. Privilegiar uma racionalidade aberta em que a lógica se encontra ao serviço da razão e não o contrário. Valorizar as paixões, a vida, o inesperado. Trata-se de romper com as velhas fronteiras das disciplinas científicas, tornando o conhecimento transdisciplinar, incluindo nele até saberes não científicos, como a arte, a literatura ou a religião.
  22. 22. A racionalidade prática pluridisciplinar e transdisciplinar é uma exigência que implica: •diferenciar entre o universalismo e o generalismo; •abdicar do papel de árbitro da verdade; •criar espaços para a dialogia entre saberes múltiplos, ampliando o debate; •demolir os muros das ideias-pátrias; •conviver com a incerteza própria aos momentos de criação; •trabalhar para o enfraquecimento dos conceitos unívocos, fixando horizontes mais ampliados em busca da complexidade.
  23. 23. A racionalidade prática pluridisciplinar e transdisciplinar pressupõe: •uma racionalidade aberta; •uma reconciliação das ciências naturais com as ciências sociais e humanas e com outros saberes, como a filosofia, a arte, a religião, a literatura, etc.; •o reconhecimento de diversos níveis de realidade, regidos por diferentes lógicas; •o reconhecimento da realidade como tecido complexo; •o reconhecimento da plurivocidade da verdade; •a revalorização da intuição, do imaginário e da sensibilidade.

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