Filosofia 11 - A filosofia e o sentido

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Filosofia 11 - A filosofia e o sentido
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Filosofia 11 - A filosofia e o sentido

  1. 1. 3. A Filosofia e o sentido
  2. 2. 3.1. Finitude e temporalidade – a tarefa de se ser no mundo
  3. 3. 3.1.1. As filosofias da existência e o sentido da vida
  4. 4. Dimensões da filosofia Teórica Prática Conhecer o real e argumentar sobre ele. Saber como nos devemos orientar no mundo. A questão do sentido da vida
  5. 5. EXISTENCIALISMO (FILOSOFIAS DA EXISTÊNCIA) Corrente filosófica que se desenvolveu numa época de desorientação, entre as duas guerras mundiais. Os filósofos existencialistas reagem contra o “abstracionismo racional e objetivo” e centram a sua atenção no indivíduo concreto. Principais pensadores: Jean-Paul Sartre (1905-1980), Karl Jaspers (1883-1969), Martin Heidegger (1889-1976), Albert Camus (1913- 1960) e Gabriel Marcel (1889-1973). Precursor: Sören Kierkegaard (1813-1855).
  6. 6. A existência O ser humano Refere-se apenas a realidade que é o eu concreto, no seu modo de estar-no- mundo. Não pode ser demonstrada, captada pela razão ou inserida num sistema: é subjetiva, singular, finita. Surge como projeto, ligando-se às circunstância s e à temporalidad e. Primado da existência sobre a essência. Não tem uma natureza ou essência; ele é antes “invenção” da sua liberdade. Não está encerrado em si mesmo: abre-se ao mundo e à comunicação com os outros. É uma realidade irredutível e única. Afirma- se assim a originalidade da existência individual. É visto como um ser livre, não determinado, embora condicionado e situado. Ideias principais das filosofias da existência Enquanto existência subjetiva e singular, o ser humano encontra-se em construção, escolhe livremente os seus valores, compromete-se nos seus projetos, constrói-se como pessoa e procura dar sentido à sua vida e à realidade.
  7. 7. Sentido prático, funcional ou instrumental TIPOS DE SENTIDO Sentido incondicionado ou absoluto Está relacionado com as tarefas, as atividades e os comportamentos ligados à utilidade e à satisfação das necessidades da vida individual e coletiva (ganhar dinheiro para nos sustentarmos, ler o jornal para saber as notícias, etc.). Refere-se à justificação última da vida e do sentido prático. Trata-se do sentido que explica a finalidade da vida como um todo. Uma vida tem sentido se tiver, pelo menos, uma finalidade e se essa finalidade tiver valor para a pessoa.
  8. 8. Qual o sentido da vida? Outras questões associadas a essa questão: •Qual a razão de ser e a finalidade da vida? •De onde vimos e para onde vamos? •Qual o valor das ações concretas e da vida como um todo? •Será que a vida merece ser vivida ou são preferíveis a morte e o aniquilamento? As respostas a estas questões pressupõem uma compreensão da nossa condição enquanto espécie. Mas o próprio progresso ao nível científico acaba por contribuir para uma certa desorientação.
  9. 9. Experiência da dor e da infelicidade Total satisfação das necessidades e dos desejos Certeza da morte A pergunta pergunta pelo sentido último da existência decorre de três situações suscetíveis de gerar um sentimento de crise Podemos sempre tentar ignorar o problema do sentido da existência em si mesma, mas ele nunca deixa de surgir, sobretudo quando pensamos na finitude, associada ao tempo e à morte.
  10. 10. 3.1.2. A temporalidade, o absurdo e a finitude
  11. 11. É OCUPAÇÃO COM AS COISAS VIDA As várias possibilidades, que nos abrem ao mundo e aos outros, são indissociáveis do facto de existirmos no tempo: lembramos o passado, agimos no presente e antecipamos o futuro. É preocupação relativamente ao futuro e consequente ocupação com as coisas no presente. É não- indiferença É E NÃO NOS É DADA É uma tarefa de se ser no mundo, uma exigência de construção, um apelo de sentido. É um confronto com diversas possibilidades. É necessidade de viver e temor de deixar de ser. CARACTERIZA- SE PELA ANGÚSTIA
  12. 12. O tempo é imaterial – um meio indefinido e vazio. O tempo não se circunscreve: é infinito, universal e englobante. O tempo é muitas vezes traduzido em termos de espaço. As suas partes (presente, passado e futuro) estão em movimento. O tempo é apreendido ora pela experiência vivida ora pela inteligência. DESCRIÇÃO INTELECTUAL DO TEMPO – DIFICULDADES Aquele que reflete sobre a natureza do tempo está também mergulhado no tempo. O tempo é a dimensão universal, necessária e mensurável da sucessão irreversível dos fenómenos. Definição possível
  13. 13. Temporalidade subjetiva Formas de entender o tempo É a temporalidade que se refere às mudanças sucessivas da consciência, à perceção das nossas mudanças interiores. Tempo objetivo É o tempo medido e calculado com rigor. É quantitativo, homogéneo e universal, mas não absoluto (segundo a teoria da relatividade geral de Einstein). É a síntese do tempo objetivo e do tempo subjetivo, encontrando-se em ligação com os ritmos sociais, religiosos, culturais, económicos, etc. Tempo antropológico
  14. 14. Passado Tempo Dimensão das lembranças e da memória. Presente Dimensão das perceções e ações atuais. Futuro Dimensão da expectativa e da antecipação. A nossa existência é inseparável do tempo, tal como o é o sentido que descobrirmos para ela.
  15. 15. Albert Camus (1913-1960) Defende que a existência humana é absurda, não tem sentido Valerá então a pena viver? Absurdo Há uma contradição entre as aspirações do ser humano, marcado pela «nostalgia de unidade» e pelo «apetite de absoluto», e aquilo que a vida lhe oferece: a contingência, o fracasso, o sofrimento e a finitude. É experienciado como um divórcio entre o ser humano e a sua vida
  16. 16. O esforço de Sísifo é totalmente inútil, a sua tarefa é absurda e sem sentido. Trata-se de uma tarefa desprovida de valor, orientada para uma finalidade inalcançável. A existência humana assemelha-se ao esforço de Sísifo. Sísifo foi condenado por Zeus a empurrar eternamente, nos Infernos, uma pedra enorme até ao cume de um monte. Quando estava prestes a atingi-lo, o rochedo voltava a cair e o trabalho recomeçava. Isto acontecia indefinidamente. Ticiano, Sísifo, 1548-1549.
  17. 17. Absurdo da condição humana Inexistência de Deus Inutilidade do sofrimento Carácter hostil da natureza Crueldade humana Inevitabilidade da morte O ser humano sente-se um estrangeiro, um exilado num mundo sem esperança. O suicídio não é opção. A opção é viver, mesmo sem ilusões. É confrontar-se com o absurdo, recusar a atitude passiva e a consolação religiosa, e viver com lucidez o instante, a fim de conquistar mais liberdade e dominar melhor a injustiça.
  18. 18. Morte Pode conferir à vida humana um carácter absurdo. Mas é o risco permanente de perder a vida que nos ajuda a compreender o seu valor. Principais características da morte Ninguém pode morrer por outro: é impossível que alguém com a sua própria morte possa evitar a de outrem. Perante a morte, ninguém é mais nem menos que ninguém, e ninguém pode ser outro em vez daquele que é. A morte pode surgir a qualquer momento: estamos sempre à mesma distância da morte. A morte continua a ser desconhecida: ignoramos o que é morrer “visto por dentro”. A morte é inevitável, e a certeza da morte faz da vida uma espécie de milagre pelo qual devemos lutar. Necessária (inevitável) Pessoal e intransmissível Igualitária e individualizadora Iminente Incompreensível
  19. 19. Morte Fim definitivo Passagem da alma para uma dimensão diferente do mundo terreno Eventual imortalidade da alma A tese da imortalidade é defendida por grande parte das religiões. Elas procuram conferir um sentido à existência ao colocar o ser humano em contacto com a realidade divina ou Deus. Salvação – supremo bem que o ser humano pode atingir. Objeções: -Se a vida não tiver sentido no caso de não sobrevivermos à morte, não o ganha necessariamente se lhe sobrevivermos ou até se formos imortais. - A ideia de imortalidade surge como uma forma de esconder a finitude do ser humano. Segundo Epicuro, não há razão para ter medo da morte, pois jamais coexistimos com ela .
  20. 20. 3.2. Pensamento e memória – a responsabilidade pelo futuro
  21. 21. Memória Faculdade que permite fixar, conservar e recordar informações ou reconhecer algo que se repete no presente. Isso possibilita o saber e o pensar, pressupondo que o passado pode exercer uma influência ativa no presente. Pensamento
  22. 22. Codificação Estádios do processo de memória Aquisição da informação, através de um determinado código. Armazenamento Conservação da informação de forma mais ou menos permanente. Recuperação Atualização de determinada informação, por recordação ou reconhecimento.
  23. 23. Episódica Tipos de memória Memória dos acontecimentos particulares da vida: o que aconteceu, quando e onde. Genérica Recordação de itens de conhecimento, qualquer que seja a ocasião em que foram aprendidos. Semântica Memória relacionada com o significado das palavras e com os conceitos.
  24. 24. Memória Encontra-se pressuposta tanto ao nível da vida individual como da vida coletiva. Possibilita a acumulação e a aplicação de saberes e experiências vividas. Leva o ser humano a viver uma sobreposição do passado, do presente e do futuro. É uma faculdade essencial da vida, do conhecimento e da ação do ser humano sobre o mundo. Permite estabelecer uma ordem racional, inseparável do sentido.
  25. 25. Individual Memória Coletiva Estruturação do pensamento e da ação individuais. Estruturação da vida coletiva. Identidade pessoal Cultura Diversidad e de valores Orientação para determinados horizontes de sentido.
  26. 26. Humanidade Horizontes de sentido “Nada do que é humano me é estranho” é um lema que sintetiza a valorização do ser humano como horizonte de sentido. Natureza É necessário um processo educacional para entender e apreciar a vida, respeitando assim a diversidade biológica. Deus A experiência humana da transcendência tem sido um facto, sendo impossível descrever essa transcendência em linguagem conceptual normal. A dimensão pessoal do sentido inscreve-se não apenas num contexto ontológico e metafísico, como também num contexto coletivo, histórico e social. Responsabilidade individual e coletiva.
  27. 27. Responsabilidade Situação ou característica de todo aquele que pode ser chamado a “responder” em relação a algo que fez ou em que supostamente interveio. Cada pessoa é responsável perante si mesma, mas também perante os outros, seja aqueles que coexistem com ela, seja os que farão parte das gerações futuras. Carácter global da responsabilidade. Obrigação de assumir as consequências dos atos praticados e de responder por eles. Obrigação de reparar o mal que se causou ao outro.
  28. 28. Conhecimento da história da humanidade Forma de evitar repetir os erros do passado. «Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo» (George Santayana). Trata-se de aumentar a consciência relativamente ao passado, assumir a responsabilidade no presente e estabelecer compromissos perante o futuro. A memória é tempo: observa o passado, mas também o presente e o futuro.
  29. 29. Susan Wolf (1952) Defende que a o sentido da vida se descobre para lá da mera felicidade individual. A vida de cada ser humano, independentemente de haver propósitos divinos ou transcendentes para ela, poderá sempre ser norteada por algo de significativo, tendencialmente universal e objetivo. Teorias hedonistas O prazer é a essência da felicidade, o supremo bem do ser humano. Teoria das preferências O bem identifica-se com aquilo que mais importa para uma determinada pessoa. Teoria de listas objetivas O bem é algo independente das meras preferências ou do mero prazer pessoal. Amar objetos merecedores de amor e entregar-se a eles de uma maneira positiva.
  30. 30. A maior parte de nós acredita que algumas atividades e projetos valem mais a pena que outros: •as realizações morais e intelectuais; •as relações com amigos e familiares; •as iniciativas estéticas, tanto criativas como de apreciação; •a dedicação a virtudes pessoais e a práticas religiosas. Uma vida com sentido é uma vida que se caracteriza pela entrega ativa a projetos de valor – projetos esses que, pelo menos parcialmente, têm êxito. Partindo do princípio de que algumas coisas são objetivamente melhores que outras, Susan Wolf entende que os projetos de valor são aqueles que não dependem da mera atração subjetiva, antes equivalem a algo objetivamente valioso.
  31. 31. Sentido da existência «Ter-se consciência» é o contrário da «imbecilidade moral» Agir moral Prestar mais atenção ao que fazemos. Desenvolver o bom gosto moral. Assumir a responsabilidad e pelas consequências dos nossos atos. Saber que nem tudo vem a dar no mesmo. Talvez o sentido da existência vá para além do prazer pessoal, pressupondo antes uma vida orientada por ideais e valores tendencialmente universais, que têm em conta os outros e ultrapassam o nosso egocentrismo. Paradoxo do hedonismo As pessoas que procuram a felicidade pela felicidade quase nunca a conseguem encontrar. Outras encontram-na ao buscarem objetivos completamente diferentes.

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