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Foto: Sebastião VieiraReferências BibliográficasCHARNEY, L. e SCHWARTZ, V. R. (Orgs.). O cinema e a invenção da vida moder...
COUTO, H. H. O. de Magalhães. Juventude e Divulgação Científica: um estudo derecepção audiovisual na Internet. Trabalho Fi...
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Documentário de divulgação científica em tempos de redes sociais e uma experiência na escola municipal joão bento de paiva itapissuma

  1. 1. DOCUMENTÁRIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS E CIBERCULTURA: Uma experiência na Escola Municipal João Bento de Paiva Itapissuma/PE Sebastião da Silva Vieira1 (Escola Municipal João Bento de Paiva) Escarlete Alves Leal 2 (Escola Municipal João Bento de Paiva) Resumo: O presente trabalho tem como tema: “DOCUMENTÁRIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS E CIBERCULTURA: Uma experiência na Escola Municipal João Bento de Paiva – Itapissuma/PE”. O projeto teve como objetivo propiciar à aprendizagem significativa dos educandos, através do contato prazeroso com a arte na criação de vídeos, no trabalho colaborativo entre os participantes de cada equipe, despertando a criatividade, o talento, a análise crítica, a comunicação e expressão em audiovisual e a ousadia em inovar, além de trabalhar com os mais variados materiais e recursos tecnológicos disponíveis, como por exemplo, ferramentas computacionais de criação e edição, câmera digital, filmadora, entre outros. Este trabalho apresenta uma experiência educacional de sucesso realizada com alunos do Ensino fundamental do 9º ano da Escola Municipal João Bento de Paiva, uma escola pública do município de Itapissuma, Pernambuco. Palavras-chave: 1.Documentário, 2. Cibercultura, 3. Escola. Abstract: The present work has as its theme: "DOCUMENTARY FOR DISSEMINATION IN TIMES OF SCIENTIFIC AND NETWORKS Cyberculture: An experiment at the Municipal School John Benedict de Paiva - Itapissuma / PE." The project aimed to provide meaningful learning for learners, through sharing with the art in creating videos in collaborative work among participants of each team, awakening the creativity, talent, critical analysis, communication and expression in audiovisual and boldness to innovate, and work with various materials and technology resources available, such as computational tools for creating and editing, digital camera, camcorder, among others. This paper presents an educational experience of students successfully performed with the Primary school in 9th grade Municipal School John Benedict de Paiva, a public school in the city of Itapissuma, Pernambuco. Keywords: 1.Documentário, 2. Cyberculture, 3. School.Universidade Federal de Pernambuco 1NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  2. 2. Introdução O projeto foi desenvolvido em várias etapas, como por exemplo: organizaçãodas equipes, reuniões semanais, escolha dos temas, pesquisa sobre o tema, criaçãodo roteiro, sinopse, filmagem, gravação, entrevistas, edição dos vídeos dentro daescola através da utilização do “Windows Movie Maker”, que faz parte do pacote“Windows”, finalização, gravação em DVD, avaliação (que envolve alunos eprofessor orientador). Os alunos com a orientação de um professor realizavam as edições eproduções visuais, em seguida ao final das etapas, realizaram dentro da escolacomo forma de exibição, uma palestra para as demais turmas do ensinofundamental, divulgando a produção e o trabalho coletivo dos alunos. Depois detoda divulgação os alunos juntamente com o professor orientador realizaramfestivais, palestras dentro da escola com os alunos, e o envio dos vídeos paraparticipação em concursos nacionais de vídeos como forma de expor o trabalhodesenvolvido. Os resultados indicam que os alunos produziram conhecimentosfundamentais para a vida e que poderão aplicá–los no futuro em muitas situações,tanto acadêmicas quanto pessoais e/ou profissionais. O uso das tecnologias nesseprojeto reflete a evolução de um tipo de linguagem que não é mais baseadasomente na oralidade e na escrita, mas também no audiovisual, pois permite que osujeito além de receptor seja produtor, podendo, assim, resgatar valores básicosde educação e principalmente, de cidadania. Diante desse panorama, a escola devereconhecer essa evolução da linguagem audiovisual, se apropriar e incorporá–la noprocesso de ensino e aprendizagem.·. Os recursos visuais e a criação documentários estão cada vez mais presentesno cotidiano das crianças e dos adolescentes. Dessa maneira, oportunizou-se aosalunos um contato inicial com as técnicas de produção de vídeos.Universidade Federal de Pernambuco 2NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  3. 3. A escola como ambiente privilegiado do saber, espaço de construção dacidadania, importante centro formador de opiniões, não poderia deixar deincorporar as novas tecnologias de informação e comunicação. No entanto, asmudanças no contexto escolar são necessárias, pois o aluno hoje não é mais omesmo e diante desse cenário, vislumbramos a necessidade de oportunizar aosnossos educandos uma formação integral que contemple a utilização docomputador, capacitando nossos alunos no domínio de outras linguagens que estãopresentes no cotidiano como o audiovisual.. Fazendo uso de tecnologias que permitem não apenas registrar, mas exibir edifundir e, por isso mesmo discutir, com muitos outros grupos, questões que lhesafetam diretamente, ao mesmo tempo em que produzem conhecimentos e osdisponibilizam, possibilitando o acesso a informações que só registros oudocumentos, constituídos como “prova de verdade”, como é o caso do cinemadocumentário, assinala o realizador, permitiriam. Em tempos que a produçãoaudiovisual constitui-se uma atitude-cinema (LIPOVETSKY & SERROY, 2009)podemos considerar o vídeo em questão um documentário? Em recente investigação qualitativa (COUTO, 2010) ouvimos de jovensestudantes de nível médio, que a internet e os documentários científicosdivulgados na TV, especialmente os provenientes dos canais Discovery, são suasprincipais fontes de pesquisa. Não apenas os jovens, mas o público em geral, sobcertos aspectos, “confia” no documentário. Na acepção de alguns ele se “parece”tanto com os dados, ou vestígios coletados, que se não constitui a verdade, pelomenos contribui para uma nova maneira de pensar sobre o tema ou assunto tratado(Rosenstone, 2010). A produção audiovisual seria então um documentário paradivulgação cientifica? Buscando responder a essas questões tratamos inicialmente de entender oque é o gênero de cinema documentário, suas formas de representação, suaconfiguração para a divulgação científica, à luz de um discurso sobre as Ciências,proferido por Boaventura de Souza Santos.Universidade Federal de Pernambuco 3NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  4. 4. Referencial teóricoCinema documentário A atividade cinematográfica tem pouco mais de cem anos e é decorrente deum longo processo de que tem origem na Antiguidade, passa pela câmera escura,cresce a partir do século XVII, com o uso da lanterna mágica e com odesenvolvimento de pesquisas ópticas, visando o registro e a reprodução domovimento. No mesmo ano em que os irmãos Lumière lançavam o cinematógrafo, aLiga de Ensino distribuía por toda a França, como instrumento pedagógico, 477lanternas, com oito mil diferentes vistas. O cinema foi experimentado então comouma nova articulação de técnicas já conhecidas e não representou uma rupturaradical (Da-Rin, 2005). Ao divulgar os primeiros filmes (1895), Louis e Auguste Lumière não julgavamque o seu invento tivesse utilidade, além do entretenimento e da reprodução decenas da vida real e logo enviaram dezenas de câmeras pelo mundo para captar oque só se podia conhecer a partir das viagens. Em dois anos o cinematógrafo jáhavia percorrido os cinco continentes buscando revelar culturas e localidadesdesconhecidas. Vanessa Schwartz (2004) ao examinar as práticas culturais da Paris, do fimdo século XIX, ressalta que o espectador de cinema incorporou à experiênciacinematográfica modos de ver, ou elementos que já faziam parte de aspectos davida moderna, ou seja, o primeiro cinema era um componente do gosto do públicopela realidade. Thomas Edison, que patenteou o cinematógrafo nos EUA, em 1896, tambémpercebeu que as cenas de vida cotidiana costumavam ser recebidas com muito maisentusiasmo (Da-Rin, 2005).Universidade Federal de Pernambuco 4NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  5. 5. No final do século XIX, período de muitas conquistas técnicas e científicas, asinvenções eram apresentadas em feiras industriais, exposições universais e salõesde novidades. A confiança positivista no progresso técnico e nas descobertas da Ciênciaimplicava em representantes de vários países se fazerem representar nessa vitrinede atrações tecnológicas, para exibir seus novos produtos e serviços. Feiras denovidades tecnológicas, mas também artísticas e culturais. Dentro desse contexto,os filmes exibidos, em geral, reproduziam paisagens externas, com caráter dedocumentário, mas se configuravam também como um cinema de atrações, cujafinalidade era deslumbrar, espantar o espectador. Tendo iniciado como espetáculode feira, esse primeiro cinema se integrou à tradição de espetáculos coletivos. Aospoucos inventou uma gramática e uma linguagem que lhe permitiram configurar-secomo arte e indústria. Alguns educadores de várias partes do mundo, conhecendo o sucesso daprodução cinematográfica junto às camadas populares e o enorme poder sugestivodas imagens começaram a investigar o potencial educacional e as formas eestratégias de uso do cinema em sala de aula. Nos Estados Unidos, desde a chegadado cinematógrafo, foram experimentadas possibilidades de aplicá-lo ao ensino.Tomas Edison produziu vários filmes sobre conhecimentos elementares de Física,Química e História Natural (LEITE, 2005). O cinema rapidamente se disseminou pelo mundo, tendo a produçãocinematográfica aparecido simultaneamente em diversos países. Inclusive no Brasil.A bela época cinematográfica brasileira, entre 1908 e 1911, ocorreu antes do paísser invadido pelas companhias de distribuição norte-americana, logo após a 1ªGuerra Mundial. O documentário, que nos seus primórdios, documentou as cenas de ruas emvárias partes do mundo, sempre fez mais do que espelhar o mundo real. RobertFlaherty, em seu primeiro trabalho, Nanook, o esquimó, teve, por exemplo, queensinar a pesca com arpão, uma habilidade que se perdeu com o tempo. ParaUniversidade Federal de Pernambuco 5NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  6. 6. divulgar um quadro preciso da cultura dos esquimós ele precisou, em algunsmomentos, encenar a realidade, criar uma ficção em nome da verdade. Ao contrário do que era freqüente nos documentários de viagens de então,Flaherty tornou a vida cotidiana do caçador Nanook o fio condutor de uma história,que relatava a dura luta pela sobrevivência em um ambiente hostil. O espectadorpodia ver pessoas comuns envolvidas em suas atividades do dia a dia – comer,dormir, caçar, brincar, etc. – como se a câmera lá não estivesse. Essa forma denarrar o conflito entre o homem e a natureza, como se estivéssemos espiando umacontecimento real, com a incorporação de elemento dramático e de suspense,dentro de um documentário, foi uma contribuição inovadora e significativa para ogênero. Tratamento criativo da realidade foi como documentarista John Griersondenominou essa característica do documentário. Grierson foi o idealizador e,principal organizador, do movimento do filme documentário, que se desenvolveuna Inglaterra a partir de 1927. Ele estava convencido que os métodos educacionaistradicionais eram insuficientes para enfrentar um mundo em mudança, que afetavaos modos de pensar e agir, e acreditava que só os meios de comunicação de massa:jornal, rádio, cinema e propaganda, pareciam sensibilizar e motivar o cidadãocomum. Ele estabeleceu uma base institucional e impulsionou o patrocínio dogoverno inglês na produção de documentários (Da-Rin, 2005). Os filmes clássicos do grupo de Grierson também foram marcados por valoresde classe e pelas trajetórias de vida de seus realizadores. As visões particularessempre se confundiram com os objetos e objetivos dos documentários. Se o cinema documentário esteve, desde sua origem, comprometido com afunção de representar o real, e não de reprodução da realidade; sua tradição étransmitir uma impressão de autenticidade. Se o que vemos é testemunho do que omundo é, podemos basear nossa ação nele, o que é notório na Ciência, quandoemprega o diagnóstico por imagem (Nichols, 2005). No entanto, os documentáriosnão adotam um conjunto fixo de regras e de técnicas, não apresentam um conjuntoUniversidade Federal de Pernambuco 6NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  7. 7. de estilos, não tratam de apenas determinadas questões, mas constituemcategorias que produzem e mantém essa forma de fazer cinema desde os anos1920. Para Bill Nichols (2005) o objeto do cinema documentário configura-se comoresultado de um conjunto de práticas e discursos, e segue uma evolução emdireção a um acréscimo de real. Há uma construção contínua e não uma essênciana definição desse objeto. É a partir das próprias obras e da experimentação detécnicas e práticas, dos movimentos instituídos, de seus avanços técnicos (câmeraleve, vídeo, som direto, entre outros), que observamos as várias maneiras deproduzir documentários. Para ele, definir documentário significa também conhecera estrutura institucional que o patrocina, o conjunto de profissionais que o produz,os filmes e vídeos e o público que tem o desejo de aprender através de umdocumentário.Os seguintes modos de pensar e fazer cinema documentário: expositivo (documentário clássico; anos 20); poético (experimentos com articulações visuais, ritmos, justaposições espaciais;anos 20); de observação (cinema direto; anos 60); interativo (cinema-verdade; anos 60); reflexivo (expõe as convenções que regem o cinema documentário; anos 80); performático (ênfase no aspecto subjetivo do próprio cineasta; anos 80). Cabe destacar que tal classificação deve ser entendida pela sua funçãopedagógica e pelo esforço de compreender a história do documentário. Não háfilmes puros, mas híbridos e podem existir filmes que não se encaixam em nenhumdos modos. Nos modos: expositivo e de observação, a imagem é representaçãoprivilegiada do real. O expositivo enfatiza o comentário verbal e uma lógicaUniversidade Federal de Pernambuco 7NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  8. 8. argumentativa. É o modo que a maioria das pessoas identifica como documentárioem geral. No modo de observação se pretende uma objetividade produzida por umacâmera discreta, que não intervém sobre os acontecimentos. O modo interativo vaidizer que essa objetividade não é possível, que a neutralidade não existe, que asubjetividade está sempre presente. A filmagem geralmente acontece através deentrevistas. Enquanto o modo reflexivo enfatiza a construção da representação derealidade engendrada pelo filme; o modo poético é muito próximo do cinemaexperimental, ou de vanguarda. O modo performático enfatiza o aspecto subjetivo,com ênfase no impacto produzido no público. Segundo Couto (2010) Os documentários de Divulgação Científica não sãoaulas oferecidas a alunos à distância, nem mera divulgação de resultados deexperiências científicas publicadas, ou ainda um serviço informativo simplificado,ou uma comunicação específica para especialistas da área. Trata-se de fazerchegar a um público mais amplo, de maneira agradável e rigorosa, a presença e adinâmica da Ciência na vida cotidiana. Seu principal desafio é superar a distânciaque separa o conhecimento científico do saber comum, vis-à-vis o entendimento dopúblico a que se destina. Não se define um filme como de divulgação científicaapenas por apresentar conteúdos científicos, mas também por seu formato eabordagem, que contribuem para que haja envolvimento, reflexão, estímulo àbusca de conexões com outros conteúdos, com outras situações, e principalmentemotivação para querer aprender mais. A divulgação científica através de umdiscurso audiovisual tem suas próprias especificidades. Nos últimos anos o cinema documentário tem atraído um interesse crescentee parece que, em um mundo marcado pela tecnologia e pela técnica, cada vez émais importante a divulgação científica. Durante séculos os conhecimentoscientíficos foram patrimônio de uma elite intelectual. No entanto, a partir doséculo XVII, contrapontos ao desenvolvimento da Ciência Moderna, surgem razõespolítico-sociais para a disseminação desses conhecimentos e a Ciência começa ainteressar a muitos. Conforme progride a influência estratégica da ciência e daUniversidade Federal de Pernambuco 8NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  9. 9. tecnologia nas estruturas políticas, econômicas e culturais vai crescendo anecessidade de revisão das relações Ciência e Sociedade. Ao final do século XIX asinovações e conquistas científicas passam a ocupar um lugar importante na vidacotidiana. Acentua-se a influência das correntes positivistas e científicas queapregoam o poder ilimitado da Ciência para solucionar os problemas humanos esociais. O progresso científico e tecnológico precisava estar incorporado nasquestões de domínio público. Era preciso conhecer e controlar o que se fazia emCiência e o que dela resultava. As próprias exposições universais, como vimos,funcionavam para disseminar inventos, além de promoverem mercado paraconsumo. As primeiras iniciativas de disseminar conhecimento científico a um públicomais amplo foram realizadas através de artigos em jornais. Durante os séculos XVIIe XVIII são conteúdos habituais da imprensa. A primeira obra de divulgaçãosignificativa é designada Entretiens sur la pluralité des mondes, de 1686, quandoBernard de Fontenelle explica a cosmologia a uma marquesa imaginária (Léon,2001). A partir de 1825, a imprensa francesa começa a publicar folhetoscientíficos, que fornecem informações semanais sobre questões da atualidaderelacionadas às diferentes especialidades científicas (León, 2001). Desde o início, a produção audiovisual não apenas contribuiu com adivulgação de conhecimentos, mas se tornou relevante para as pesquisascientíficas, especialmente às relacionadas à área da Saúde, já que se constituiuuma nova ferramenta de investigação, ao permitir a observação de fenômenosimperceptíveis ao olho humano. Foucault (2004) descreve em Nascimento daClínica como os novos dispositivos de produção visual derivados da fotografia searticulam com as novas ciências que regulam o corpo como a Fisiologia e aPatogenia. Aliás, ele demarca como a Medicina Moderna nasce da soberania doolhar.Universidade Federal de Pernambuco 9NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  10. 10. De maneira geral os documentários de divulgação científica podem sercorrelacionados ao modo expositivo, proposto na classificação de Nichols. O modoexpositivo enfatiza a impressão de objetividade e facilita a generalização e aargumentação abrangente. Para isso dirige-se ao espectador diretamente, expondoum argumento, com legendas ou vozes. São documentários que dependem muito deuma lógica informativa transmitida verbalmente. As imagens esclarecem, ilustram,evocam, ou contrapõem, mas desempenham um papel secundário. Umacaracterística marcante, que se configura quase uma marca de autenticidade, é atradição da voz de autoridade (a voz de Deus): um orador que é apenas ouvido, quetudo sabe e tudo vê. O documentário não tem uma essência realista. Ele seconstituiu a partir dessa crença, que é na verdade uma convenção produzida porpráticas e discursos.MetodologiaProdução dos documentários O projeto foi organizado em diversas etapas. Primeiramente, a sala foidividida em pequenas equipes com a divisão das tarefas. Outra etapa foi à escolhado tema pelos alunos. O professor orientador cede parte de suas aulas para queseja discutido amplamente com os alunos o planejamento do vídeo, assim comoencontros semanais e aos sábados na escola. A criação do roteiro é a transformaçãode uma idéia em história, que assume o formato de um roteiro, dividido emsequencias e planos. A intervenção do professor é oportuna quando sente que ogrupo está com algum problema, tanto de relacionamento como quando a equipeperde o foco do tema em questão ou as cenas descritas são incompletas, nãodetalhadas e até sem sentido, sem uma mensagem educativa. O professor faz aleitura dos roteiros e questionam o porquê de tudo. Na etapa de gravação, osUniversidade Federal de Pernambuco 10NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  11. 11. alunos fazem o plano com horários, locais, ordem das sequencias e fotos. Logo apósa gravação de cena, e fotografias os alunos assistem a sua atuação, escolhem asfotos que se enquadram na temática abordada, e muitas vezes decidem regravar ascenas que não ficaram boas, assim como as fotos. Os alunos são acompanhadospelo professor orientador em todas as gravações. Outra etapa é a da edição dosvídeos, quando se dá a seleção do que realmente interessa para contar a história esão separados os erros de gravação. A edição é feita no salão de recreação e nabiblioteca da escola pelos alunos da equipe acompanhados do professor que orientana seleção, cortes, inserção de trilha, créditos, entre outros através da utilizaçãodo “Windows Movie Maker”, que faz parte do pacote “Windows”. Os alunostambém criaram um conta no Youtube, faceboock, Orkut para a publicação vídeona Internet, visando divulgar o trabalho como fonte de pesquisa . A última etapa doprojeto foi a finalização, gravação em DVD, avaliação (que envolve alunos eprofessor orientador).Resultados e discussões Os documentários são produzidos pelos alunos, onde eles podem seexpressar, mostrar a realidade do mundo em que vivemos como drogas,preconceito, álcool, prostituição, bullying, juventude e cidadania. E demonstraruma forma de combater esses problemas. Esses filmes, também proporcionam umachance de revelar o talento que alguns alunos têm, e não tinham chance demostrar. Ou até mesmo, fazer com que outros alunos descubram o prazer e aalegria de ser um astro de cinema, demonstrando seus sentimentos em forma deimagens. Segundo Vygotsky (1996), a aprendizagem desperta, promove odesenvolvimento e tem papel central na construção de conhecimentos. Ele afirmaque a mediação deveria seguir a seguinte lógica: estabelecimento de um nível dedificuldade, não muito complexo, mediação com organização de estímulos eUniversidade Federal de Pernambuco 11NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  12. 12. avaliação do grau de independência adquirido na realização de uma tarefa ou naresolução de um problema. Considera ainda impossível o ensino de conceitos. Um professor que tentar fazer mera transmissão de conceitos acabará emum verbalismo sem sentido. Sendo assim, o professor deveria implantar o discursovivo em sala de aula, no qual todos, de modo participativo, se empenhassem nareflexão e na discussão que leva ao pensar autônomo, tornando a sala de aula umacomunidade investigativa. Outro aspecto do trabalho que merece destaque é em relação ao trabalhoem equipe. Os problemas de relacionamento e conflitos no grupo geralmenteinterferem no desenvolvimento das atividades e exige maior atenção dosprofessores em sua atuação mediadora. Vale lembrar que essa ação mediadora doprofessor para com o aluno também se aplica no desenvolvimento das atividades, oque leva o aluno a novas conquistas e novas descobertas na medida em que resolveos desafios ou problemas propostos. Vygotsky (1996) propôs uma explicação para odesenvolvimento cognitivo a partir da ação mediada, o que implica dizer que todoser humano está inserido em uma realidade sócio-histórica e que só adquire acondição humana se for mediado em sua relação com o mundo. A ação damediação tem incidência no que ele denominou de zona de desenvolvimentoproximal, que indica a distância entre o nível de desenvolvimento real(determinado pelo modo como o aprendiz resolve sozinho os problemas), e o nívelde desenvolvimento potencial (determinado pela maneira como ele resolve osproblemas quando mediado). A orientação do professor orientador é fundamentalcomo forma de contribuição para o efetivo desenvolvimento do projeto. Nesse processo de avaliação, o professor também tem a oportunidade de seautoavaliar, revendo as metodologias utilizadas na sua prática pedagógica, fazendouma reflexão sobre a sua ação. Reconhecer as falhas e suas limitações no processoé o primeiro passo para a mudança e para um envolvimento eficaz. O conceito deprática reflexiva proposto por Schön (2000) surge como um modo possível dosprofessores interrogarem as suas práticas de ensino. A reflexão forneceUniversidade Federal de Pernambuco 12NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  13. 13. oportunidades para rever acontecimentos e práticas. Uma prática reflexiva conferepoder aos professores e proporciona oportunidades para o seu desenvolvimento.Considerações finais A divulgação científica, ao longo dos séculos, respondeu a motivações einteresses diversos. Um dos objetivos foi cooperar com a escola na transmissão deinformações e de conhecimentos práticos acerca do processo científico e de sualógica, com a finalidade de promover a permanente atualização. A escola não pode prover toda a educação e informação científicanecessárias para o cidadão, ao longo da vida, entender e participar efetivamentede decisões relacionadas às transformações técnico-econômicas, ou influenciadaspelo conhecimento científico. Daí a relevância das atividades de divulgação científica, que tanto podemservir como instrumentos para maior consciência social, como para transmitir umavisão exagerada das possibilidades da Ciência, ou seja, podem tanto estar fundadasno paradigma da Ciência Moderna, como no paradigma emergente. As novas tecnologias de informação e comunicação podem desempenhar umsignificativo papel no debate crítico entre a Ciência e a Sociedade. A articulaçãoentre escola, divulgação científica e tecnologias de informação e comunicaçãopode configurar estratégias cuja intenção seja edificar mais espaços de discussãosobre resultados científicos efetivamente relevantes para a realidade brasileira. A tecnologia na educação é sem dúvida um caminho a excelência emqualidade educacional. A demanda da sociedade atual e a flexibilidadecaracterística as tecnologias impulsionaram seu crescimento nos ambientes. Como toda evolução tecnológica que provoca a mudança de hábitos, adigitalização de conteúdo também tem gerado preocupações por conta dasassociações entre texto, vídeos e sons. Algo que se torna ainda mais delicadoUniversidade Federal de Pernambuco 13NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  14. 14. quando envolve o campo da educação. Compreender as tecnologias é, portanto,apropriar-se das linguagens que as constituem, e a escola pode desempenhar umimportante papel nesse processo se, desde já, aprofundar-se no estudo dessesmeios para incorporá-los a sua prática. Esse tipo de pesquisa com os alunos doensino fundamental é de extrema importância para a construção das interpretaçõessociais, no aluno fazendo-o enxergar a realidade em seu entorno. As escolas podem ser as oficinas que engendram a nova cultura seprofessores e alunos aprenderem a superar as intransigências e compreenderemque: A intransigência em relação a tudo quanto é novo é um dos piores defeitos do homem. E, inversamente, perceber a realidade pelos meios não convencionais é o que mais intensamente deveria ser buscado nas universidades [e nas escolas]. Porque isso é capacidade de invenção em estado puro: cultivar o devaneio, anotar seus sonhos, escrever poesias, criar imageticamente o roteiro de um filme que ainda vai ser filmado. (...) “Inventividade e tradição mantêm entre si uma relação muito complexa, que nunca foi constante ao longo do tempo: às vezes foi de oposição e exclusão, outras vezes foi complementar e estimulante”.(LEONARDI,1999, p. 57-58). Talvez o grande desafio para a educação na sociedade telemidiática sejajustamente o de estimular a expressão dessa complementaridade que permanece,muitas vezes, latente entre a educação e as mídias, em especial a televisão, porser aquela que, hoje, consegue alcançar o maior número de pessoas e compõe deigual maneira, o cotidiano de professores e alunos, supera a hierarquia impostapela escola e transforma todos os envolvidos no processo em telespectadores dosmesmos programas, das mesmas imagens e sons. É notória a excelente performance que os jovens de hoje demonstram nocontato e utilização dos mais diversos equipamentos eletrônicos e dispositivosdigitais. Saber aproveitar essas facilidades como aliadas do professor éfundamental para propor atividades significativas, ousadas e inovadoras noprocesso de ensino e aprendizagem. Neste sentido, o aluno além de consumidorpassa a ser produtor de conhecimento. Diante desse panorama, a escola precisaUniversidade Federal de Pernambuco 14NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  15. 15. reconhecer que há uma evolução da linguagem audiovisual e, portanto, deve seapropriar e incorporá-la no processo de ensino e aprendizagem. Assim, pôde-se perceber nos resultados alcançados com o desenvolvimentodeste projeto, que nossos alunos construíram conhecimentos fundamentais para avida e que poderão aplicá-los no futuro em muitas situações, tanto acadêmicasquanto pessoais e/ou profissionaisIlustrações Figura 1: Núcleo de Pesquisa e Extensão em produção audiovisual - NUPIC VÍDEOS na produção do “Documentário a Vida no Lixão” 2012 Foto: Sebastião Vieira Figura 2: Discentes na produção do “Documentário a Vida no Lixão” 2012Universidade Federal de Pernambuco 15NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  16. 16. Foto: Sebastião VieiraReferências BibliográficasCHARNEY, L. e SCHWARTZ, V. R. (Orgs.). O cinema e a invenção da vida moderna.2. ed. rev. São Paulo: Cosac &Naify, 2004.Universidade Federal de Pernambuco 16NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  17. 17. COUTO, H. H. O. de Magalhães. Juventude e Divulgação Científica: um estudo derecepção audiovisual na Internet. Trabalho Final do curso Estudos de RecepçãoAudiovisual na Pesquisa em Educação em Ciências e Saúde. PPG/UFRJ, RJ, 2010.DA-RIN, Silvio. Espelho partido: tradição e transformação do documentário. Riode Janeiro: Azougue Editorial, 2004.FOUCAULT, M. O Nascimento da Clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: ForenseUniversitária, 2004.LEITE, S. F. Cinema Brasileiro: das origens à Retomada. São Paulo: PerseuAbramo, 2005.LEÓN, Bienvenido. O Documentário de divulgação científica. Avanca, Portugal:Edições Cine-Clube de Avanca, 2001.LIPOVETSKY, G. e SERROY, J. A tela global: mídias culturais e o cinema na erahipermoderna. Porto Alegre: Sulina, 2009.LEONARDI, Victor. Jazz em Jerusalém: inventividade e tradição na históriacultural. São Paulo: Nankin Editorial, 1999LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1993.LIBÂNEO, J. C. As teorias pedagógicas modernas revisitadas pelo debatecontemporâneo na Educação. Educação na Era do conhecimento em Rede etransdisciplinaridade. Campinas-SP, Alínea, n. p. 43, ISBN: 8575161334, Impresso.2005.MORAN, J., BEHRENS, M. A., MASETTO, M. T. Novas tecnologias e mediaçãopedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2006.NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas, SP: Papirus, 2005.ROSENSTONE, R. A. A História nos Filmes. Os Filmes na História. São Paulo: Paz eTerra, 2010.SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as Ciências. 12. ed. Porto, Portugal: EdiçõesAfrontamento, 2001.SCHON, D. A. Formar professores como profissionais reflexivos. In: NÓVOA, A. Osprofessores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1997.VYGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1996.Universidade Federal de Pernambuco 17NEHTE / Programa de Pós Graduação em LetrasCCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação
  18. 18. 12

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