Organizadores:Erineu FoersteGerda Margit Schütz-FoersteRogério Caliari                           INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO ...
INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPOPovosTerritóriosMovimentos SociaisSaberes da TerraSustentabilidade       Organizadores:     ...
Presidente da RepúblicaLuiz Inácio Lula da SilvaMinistro da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação Continuada, Alfa...
© 2009. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECADMEC)Universidades p...
SUMÁRIOMOVIMENTOS SOCIAISTexto I – Professor Danilo Romeu Streck ............................................................
EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADETexto I – Professor Carlos Rodrigues Brandão......................................................
APRESENTAÇÃO DO CURSO     Queremos dar boas vindas a todos vocês!      O Curso de Especialização Lato Sensu em Educação do...
APRESENTAÇÃO DAS TEMÁTICAS I E II DO EIXO ESPECÍFICO IIINTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPO       O Eixo Específico - Introdução...
Finalmente, no Capítulo – Educação e Sustentabilidade os artigos disponibilizados       problematizam a relação predatória...
CAPÍTULO   MOVIMENTOS SOCIAIS                       Recomendações     Realize uma leitura inicial dos textos, fazendo anot...
Movimentos Sociais              14     Capítulo: Movimentos Sociais
Texto I – Professor Danilo Romeu Streck      Objetivo: Discutir aspectos sobre Movimentos Sociais na Amé-rica Latina e edu...
3 O texto serviu de base para a                     conferência sobre o tema Práticas                                     ...
Notas sobre movimentos sociais na América Latina                       4 O livro Mundialización de las re-                ...
que uma cultura colonizada não é uma cultura morta, “é uma cultura                                                        ...
são de uma crise, que se refere à desintegração do sistema e induz a        6 O Município de São Leopoldo                 ...
dente quando se compreende a educação como o processo auto-                     formativo da sociedade. Essa compreensão d...
Enraizamento e ruptura: Os movimentos sociais, como           vimos acima, expressam conflito, mas eles também são instru-...
ciais. Criam-se rituais, existem símbolos próprios e organizam-                                                           ...
A produção de saberes: os movimentos sociais criam           condições para valorizar os saberes do próprio grupo como    ...
O que há se sujeito em nós está sempre ao mesmo tem-                                                                      ...
ConclusãoA grande lição deixada pelos movimentos sociais para a educação é ade inserir as práticas educativas no movimento...
Referências (Leituras complementares)                     AMIN, Samir e HOUTART, François. Mundialización de las resisténc...
STRECK, Danilo; FOLLMANN, José Ivo (Ogg.) Religião, cultura e edu-cação. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2006.RAMIREZ, Jan...
Atividades                                                             Orientar a segunda leitura do texto a partir de que...
Texto II – Professor Geovanni Semeraro     Objetivo: Discutir “libertação” e “hegemonia” como conceitoscomplementares nas ...
DA LIBERTAÇÃO À HEGEMONIA: FREIRE E GRAMSCI NO                     PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO BRASIL                   ...
Referências (Leituras complementares)ASSMANN, H. 1974. Teologia della prassi di liberazione. Assisi : Cittadella.BONDY, A....
Atividades:                                                            Para aprofundamento do estudo do texto, realize as ...
Texto III - Professor Damián Sánchez Sánchez     Objetivo: Avaliar lutas de povos indígenas pelo direito à terra,com valor...
Referências (Leituras complementares)                     BASTOS, Elide Rugai. As Ligas Camponesas. Petrópolis: Vozes, 198...
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Educacaodocampo
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Educacaodocampo

3.782 visualizações

Publicada em

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.782
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
58
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Educacaodocampo

  1. 1. Organizadores:Erineu FoersteGerda Margit Schütz-FoersteRogério Caliari INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPO Povos Territórios Movimentos Sociais Saberes da Terra SustentabilidadeMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação Continuada, Alfabetização e DiversidadeUniversidade Aberta do BrasilUniversidade Federal do Espírito SantoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUFES
  2. 2. INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPOPovosTerritóriosMovimentos SociaisSaberes da TerraSustentabilidade Organizadores: Erineu Foerste Gerda Margit Schütz-Foerste Rogério Caliari Colaboradores: Ademar Bogo Bernardo Mançano Fernandes Carlos Rodrigues Brandão Danilo Romeu Streck Damián Sánchez Sánchez Derly Casali Edmerson dos Santos Reis Eliesér Toretta Zen Flávio Moreira Giovanni Semeraro Janinha Gerke de Jesus Josimara Pezzin Maria das Graças F. Lobino Maurice Barcellos da Costa Pedro Jacobi Roseli Salete Caldart Sônia A. B. Beltrame VitóriaES - 2009
  3. 3. Presidente da RepúblicaLuiz Inácio Lula da SilvaMinistro da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação Continuada, Alfabetização e DiversidadeAndré LázaroEducação do Campo da SECADMECCoordenador GeralWanessa Zavarese SechimUniversidade Aberta do BrasilCoordenador GeralCelso CostaUniversidade Federal do Espírito SantoReitorRubens Sérgio RasseliCoordenação da UAB / UFESMaria José Campos RodriguesCentro de EducaçãoUFESDiretoraMaria Aparecida Santos Correia BarretoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUFESCoordenadoraDenise Meyrelles de Jesus
  4. 4. © 2009. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECADMEC)Universidades parceirasUniversidade Federal de Alagoas – UFALUniversidade Federal do Espírito Santo - UFESUniversidade de Montes Claros - UNIMONTESUniversidade Estadual do Maranhão – UEMAUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMSUniversidade Federal do Paraná – UFPRInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - IFPACoordenação Editorial – SECAD/MECMaria Adelaide Santana ChamuscaConselho Editorial de Educação do Campo – SECAD/MECCezar Nonato Bezerra Candeias - UFALEdmílson Cezar Paglia – UFPRErineu Foerste – UFESIcléia A. de Vargas – UFMSEquipe de Apoio – SECAD/MECDivina Lúcia BastosEliete Ávila WolffEquipe de Apoio – UFESAdriana Vieira Guedes HartwigAndressa Dias KoehlerArlete Maria Pinheiro SchubertCharles MoretoCláudio David CariJaninha Gerke de JesusJorcy F. JacobJosimara PezzinMaria PeresMarli da Penha Vieira Gomes dos SantosOzirlei Teresa MarcilinoRachel Curto Machado MoreiraRevisãoElida Maria Fiorot CostalongaProjeto gráfico e DiagramaçãoLeandro Macêdo Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)E24 Introdução à Educação do Campo : povos, territórios, saberes da terra, movimentos sociais, sustentabilidade / or-ganizadores, Gerda Margit Schütz-Foerste, Erineu Foerste, Rogério Caliari ; colaboradores, Ademar Bogo ... [et al.]. - Vitória,ES : UFES, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2009. 154 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-60050-18-5 1. Educação rural. 2. Movimentos sociais. I. Schütz-Foerste, Gerda Margit. II. Foerste, Erineu. III. Caliari, Rogério. CDU: 37.018.51 Os autores são responsáveis pelas opiniões expressas nos respectivos textos, que não são necessariamente as do Ministério da Educação.
  5. 5. SUMÁRIOMOVIMENTOS SOCIAISTexto I – Professor Danilo Romeu Streck .................................................................................................................................................... 15PRÁTICAS EDUCATIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA: APRENDER NAS FRONTEIRASTexto II – Professor Geovanni Semeraro....................................................................................................................................................... 29DA LIBERTAÇÃO À HEGEMONIA: FREIRE E GRAMSCI NO PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO BRASILTexto III - Professor Damián Sánchez Sánchez ........................................................................................................................................... 33MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO - LUTAS DOS POVOS INDÍGENASTexto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Josimara Pezzin ...................................................................................................... 37O CAMPESINATO MORREU?Texto V – Professor Bernardo Mançano Fernandes.................................................................................................................................. 43TEORIA E POLÍTICA AGRÁRIA: SUBSÍDIOS PARA PENSAR A EDUCAÇÃO DO CAMPOEDUCAÇÃO DO CAMPOTexto I – Professor Bernardo Mançano Fernandes ................................................................................................................................... 49EDUCAÇÃO DO CAMPO E TERRITÓRIOTexto II - Professor Derli Casali ......................................................................................................................................................................... 71O CAMPO DA EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto III – Professor Flávio Moreira ................................................................................................................................................................. 73AS IMAGENS SOCIAIS PRODUZIDAS A RESPEITO DA “ROÇA”Texto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Janinha Gerke de Jesus ....................................................................................... 75ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO ESPECÍFICO DO CAMPOTexto V – Professor Rogério Caliari ................................................................................................................................................................. 77CONTEXTOS CAMPESINOS: QUAL EDUCAÇÃO?Texto VI – Professor Erineu Foerste e Professora Gerda Margit Schütz-Foerste ............................................................................. 83EDUCAÇÃO DO CAMPO: QUEM ASSUME ESTA TAREFA?Texto VII – Professor Erineu Foerste e Professora Janinha Gerke de Jesus ...................................................................................... 87EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL: UMA APROXIMAÇÃOTexto VIII – Professora Sônia Beltrame .......................................................................................................................................................... 91CENÁRIOS DA ESCOLA DO CAMPOTexto IX – Professora Roseli Salete Caldart.................................................................................................................................................. 95SOBRE EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto X – Professores Erineu Foerse e Eliesér Toretta Zen .................................................................................................................... 99DISCUSSÕES SOBRE PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto XI – Professores Erineu Forste, Gerda Margit Schütz-Foerste e Lírio Drescher ................................................................... 103PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA BÁSICA: QUESTÕES SOBRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO CAMPO
  6. 6. EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADETexto I – Professor Carlos Rodrigues Brandão............................................................................................................................................ 109CONVIVER, APRENDER A SER RECÍPROCOTexto II – Professor Ademar Bogo................................................................................................................................................................... 133A EDUCAÇÃO E A DISPUTA DE PROJETOS EM NOSSA AGRICULTURATexto III - Professor Edmerson Santos dos Reis.......................................................................................................................................... 135ENTRELAÇANDO SABERES PARA A CONSTRUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVELTexto IV – Professor Pedro Jacobi ................................................................................................................................................................... 139EDUCAR PARA A SUSTENTABILIDADE: COMPLEXIDADE, REFLEXIVIDADE, DESAFIOSTexto V – Professor Pedro Jacobi .................................................................................................................................................................... 141MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOS DA MUDANÇATexto VI – Professores Alexandre de Gusmão Pedrini e Maria Inês Meira Santos Brito............................................................... 143EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTOOU SOCIEDADE SUSTENTÁVEL?UMA BREVE REFLEXÃO PARA A AMÉRICA LATINATexto VII – Professor Maurice Barcellos da Costa ...................................................................................................................................... 147QUESTÕES AMBIENTAIS E EDUCAÇÃOTexto VIII - Professora Maria das Graças F. Lobino ................................................................................................................................... 151DIMENSÕES INTER/TRANSDISCIPLINARES NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR(A)
  7. 7. APRESENTAÇÃO DO CURSO Queremos dar boas vindas a todos vocês! O Curso de Especialização Lato Sensu em Educação do Campo é uma conquista co-letiva dos profissionais da educação. Há muito tempo vínhamos lutando para que isso setornasse realidade. A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade doMinistério da Educação do Ministério da Educação – SECADMEC vem favorecendo parceriasno desenvolvimento de trabalhos na formação continuada de professores do campo, resga-tando assim uma dívida histórica de nosso país com aqueles que vivem no campo. Os profissionais do ensino que atuam na educação do campo produziram e acumu-laram conhecimentos a partir de práticas educativas em contextos campesinos e desenvol-veram ferramentas para garantir educação aos trabalhadores do campo. Isso tem sido feitocom reflexões e esforço para produção de saberes da experiência, que precisam ser sistema-tizados através de pesquisas em colaboração com pesquisadores da academia, bem comosocializados de forma mais efetiva. A parceria entre Universidade, Escola Básica diferentes órgãos públicos (Secretaria Es-tadual de Educação, Secretarias Municipais de Educação) e setores organizados da socie-dade civil (Movimentos Sociais, Entidades, Sindicatos, Associações etc.) abre possibilidadesconcretas de trocas de saberes (acadêmicos e práticos), fortalecendo identidades profissio-nais dos docentes e a autonomia daqueles que se dedicam ao magistério. Precisamos unir esforços para construir em diferentes contextos campesinos a escolaque os trabalhadores do campo querem, levando em consideração povos tradicionais (indí-genas, quilombolas, pomeranos, trabalhadores sem-terra, ribeirinhos, pescadores etc.), terri-tórios e saberes da terra. O projeto político e pedagógico da educação do campo não é umaobra que se pode dar por terminada num determinado tempo. Deve ser permanentementeproblematizada e construída a partir das necessidades dos sujeitos do campo, fortalecendolutas contra o latifúndio e agronegócio.
  8. 8. APRESENTAÇÃO DAS TEMÁTICAS I E II DO EIXO ESPECÍFICO IIINTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPO O Eixo Específico - Introdução à Educação do Campo do Curso de EspecializaçãoLato Sensu em Educação do Campo: Interculturlidade e Campesinato em Processos Educa-tivos, na modalidade aberta e a distância articula discussões sobre os cinco Eixos Temáticos,a saber: Povos Territórios Movimentos Sociais Saberes da Terra Sustentabilidade Para o desenvolvimento dos trabalhos propostos, produzimos este Caderno Impressoe CD – Rom (em anexo), organizados em três capítulos que abordam os cinco Eixos Temáti-cos do curso. O propósito foi manter os Eixos Temáticos como articuladores. A partir disso,possibilitam-se condições concretas para a indissociabilidade do Eixo Específico: Intro-dução à Educação do Campo, onde são desenvolvidos os capítulos: Movimentos Sociais,Educação do Campo e Educação e Sustentabilidade, a partir dos textos selecionados e osdemais Eixos Específicos que constituem o currículo do Curso. O material digital apresentaos textos integrais, da forma como foram disponibilizados pelos respectivos autores de dife-rentes contextos do cenário nacional. O CD – Rom contém os roteiros para aprofundamento do estudo dos textos, propostospelos autores e/ou organizadores. O Caderno Impresso apresenta para cada Eixo Temáticoum texto integral com as questões para aprofundamento das reflexões individuais e nosgrupos. Além disso, selecionamos fragmentos de alguns artigos, seguidos de sugestões de tí-tulos para leituras complementares. São igualmente apresentadas questões eou roteirospara aprofundamento das leituras a partir de pesquisas bibliográficas eou de campo. No Capítulo – Movimentos Sociais estão apresentados textos que discutem questõessobre as lutas dos oprimidos por mais dignidade. Isso significa dizer que os trabalhadorescampesinos organizam-se coletivamente e fortalecem movimentos de resistência e de liber-tação dos povos historicamente marginalizados no projeto de desenvolvimento econômicodas elites, que tem fortalecido o latifúndio e agronegócio no contexto brasileiro e na Améri-ca Latina, em detrimento da agroecologia e sustentabilidade. No Capítulo - Educação do Campo encontram-se textos para aprofundamento dereflexões a respeito do tipo de educação que os povos tradicionais do campo vêm cons-truindo em suas lutas históricas pela valorização das culturas, seus saberes e identidadescampesinas. Para os povos campesinos há que se mostrar as contradições da sociedade de classes,que produz e reforça imagens muito negativas do campo e sujeitos que nele produzem seusustento. Observa-se que os movimentos sociais articulam saberes que remetem as práticaseducativas ao modo de produzir existência e sua noção de territorialidade, através do culti-vo da terra, na perspectiva da agricultura familiar sustentável. Não se trata de negar o conhe-cimento sistematizado a estes sujeitos, mas sim de cotejá-los a prática daqueles que vivemnas comunidades indígenas, nas comunidades quilombolas, nas comunidades pomeranas,nos assentamentos de reforma agrária etc.
  9. 9. Finalmente, no Capítulo – Educação e Sustentabilidade os artigos disponibilizados problematizam a relação predatória do ser humano com a Terra, criticando o projetode desenvolvimento proposto pela racionalidade capitalista. Os autores colocam-se nummovimento pela formação de uma consciência humana, no sentido proposto por PauloFreire, buscando contribuir no debate pela relação responsável da espécie humana com aNatureza. A educação é compreendida, nesse contexto, como possibilidade concreta paraconstrução coletiva de outro projeto de produção da existência humana a partir do cultivoda Terra. Nesse sentido as culturas e identidades dos povos do campo e os saberes da terraremete-nos ao projeto de sustentabilidade agrícola, sobretudo quando se trata de agricul-tura familiar como contraponto ao latifúndio e ao agronegócio. Cada Capítulo apresenta textos na íntegra e parte de outros, sempre remetendo o lei-tor ao conjunto de textos integrais disponiblizados no CD - Rom e/ou na plataforma Moodle.Os artigos estão seguidos de propostas de trabalho, para aprofundamento das reflexões.Parte do pressuposto que a prática da leitura requer rigor do pesquisador na busca do co-nhecimento novo, que favoreça a problematização da prática e registros de saberes produ-zidos a partir das experiências. Cabe ressaltar que este Eixo Específico não se esgota em si mesmo. Ele deve ser pro-blematizado no processo de aprofundamento de estudos a partir de outras fontes bibliográ-ficas inclusive. O presente Eixo Específico, portanto, deve ser tomado como produto de de-terminado tempo, produzido por sujeitos concretos, e como tal, é marcado por contradição.Tomando o princípio do movimento e da precariedade das ações humanas, compreende-seque está em permanente construção, para superação de lacunas e fragilidades que carrega. Bom estudo! Os organizadores, maio de 2009.
  10. 10. CAPÍTULO MOVIMENTOS SOCIAIS Recomendações Realize uma leitura inicial dos textos, fazendo anotações paraelaboração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo.Em seguida retome os artigos, buscando dados para resolver as ati-vidades propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistasao compartilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro daturma de que você faz parte no Polo da UAB.
  11. 11. Movimentos Sociais 14 Capítulo: Movimentos Sociais
  12. 12. Texto I – Professor Danilo Romeu Streck Objetivo: Discutir aspectos sobre Movimentos Sociais na Amé-rica Latina e educação em contextos de fronteira. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo . Em Movimentos Sociaisseguida retome o artigo, buscando dados para resolver as questõespropostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao com-partilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro da turma deque você faz parte no Polo da UAB. Grupo de estudo: formar grupos de até quatro componentes para trabalhar os textos e realizar ativi-PRÁTICAS EDUCATIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS NA dades propostas. Este grupo pre- para discussões para os encontrosAMÉRICA LATINA: APRENDER NAS FRONTEIRAS coletivos. Danilo R. Streck/UNISINOS 1 Não morrerá a flor da palavra. Poderá morrer o rosto es- condido de quem a pronuncia hoje, mas a palavra que brota do fundo da história e da terra já não poderá ser arrancada pela soberba do poder. Nós nascemos da noite. Nela vivemos. 1 Professor do Programa de Pós- Morrermos nela. Mas a luz será manhã para os demais, para to- Graduação em Educação da Uni- dos os que hoje choram a noite, para quem se nega o dia, para versidade do Vale do Rio dos Sinos quem a morte é um presente, para quem a vida está proibida. – UNISINOS, São Leopoldo – RS Correio eletrônico: Para todos, tudo. Para nós a dor e a angústia, para nós a alegre dstreck@unisinos.br rebeldia, para nós o futuro negado, para nós a dignidade insur- reta. (Quarta Declaración de la Sielva Lacandona) 2 2 No morirá la flor de la palabra. Podrá morir el rostro oculto de quien la nombra hoy, pero la pala- bra que vino desde el fondo de la historia y de la tierra ya no podrá ser arrancada por la soberba del Resumo: poder. Nosotros nacimos de la no- che. Em ella vivimos. Moriremos O artigo analisa a relação entre práticas educativas e movimen- em ella. Pero la luz será mañanatos sociais populares na América Latina, destacando tanto aprendiza- para los más, para todos aquellos que hoy lloran la noche, para quie-gens que os mesmos proporcionam para os seus integrantes quanto nes se niega el día, para quienesaprendizagens que possibilitam para a sociedade. Dentre os aspec- es regalo la muerte, para quienes está prohibida la vida. Para todostos abordados encontram-se os seguintes: o redimensionamento la luz. Para todos todo. Para no-do popular, o enraizamento, a ruptura e a insurgênia como parte da sotros el dolor y la angustia, para nosotros la alegre rebeldía, parapedagogia dos movimentos sociais, a participação como uma princí- nosotros el futuro negado, parapio metodológico, uma nova compreensão de sujeito, a produção de nosotros la dignidad insurrecta. Para nosotros nada. (Quarta De-saberes específicos da área de atuação dos movimentos sociais e um claración de la Sielva Lacandona).redimensionamento do local e do global. Como conclusão, procura- In G. Caparó, Ansias del alba: tex- tos zapatista, 2001, p. 312.se sinalizar o que significa, hoje, a inserção crítica da educação nosmovimentos da sociedade. Palavras-chave: Movimentos sociais – práticas educativas -América LatinaCapítulo: Movimentos Sociais 15
  13. 13. 3 O texto serviu de base para a conferência sobre o tema Práticas Aproximações ao tema educativas e movimentos sociais no seminário “Fronteiras étnico- culturais e fronteiras da exclusão” Neste tema cabem muitas perguntas, motivo pelo qual a pri- promovido pela Universidade meira tarefa consiste em definir as questões que estarão postas para Católica Dom Bosco, de Campo Grande, MS, de 21 a 24 de setem- análise neste artigo. Situo o tema no contexto das discussões sobre bro de 2006. as mediações pedagógicas nos processos sociais 3 , entendendo que os movimentos sociais se constituem hoje em espaços privilegiadosMovimentos Sociais para alavancar o desenvolvimento de uma cidadania ativa e compro- metida com a superações da realidade e das condições de exclusão social. A pergunta poderia ser colocada da seguinte forma: De que maneira os movimentos sociais populares na América Latina se cons- tituem como mediações pedagógicas para gerar uma sociedade que tenha lugar para todos? O que se pode aprender neles, com eles de- les? Algumas advertências iniciais são necessárias. A primeira delas diz respeito a tomar a América Latina como referência. Muito já se escreveu e discutiu sobre a identidade latino-americana. Este próprio fato parece ser sintomático de uma experiência sentida e vivida nes- ta parte do mundo e que se expressa no sentimento de que vivemos num tempo e numa realidade que não são nossos. Quem sabe a pró- pria idéia de busca do que se é como conjunto de povos e nações, com traços comuns de formação histórica, possa ser uma base da identificação como América Latina. Foge-se assim tanto de identida- des fixas, não raro de caráter folclórico, e também de um vazio que apenas exacerba o espírito de orfandade. Uma segunda advertência tem a ver com o risco de idealização de movimentos sociais e do popular como entidades quase sagra- das, portadoras da verdade e acima de críticas. Aprendemos a ver que a ética não é um atributo fixo de determinadas pesssoas e tam- bém não está colada a determinados grupos sociais. Essa visão ide- alizadora se opõe a outra, no campo ideológico oposto, que procura demonizar os movimentos sociais, especialmente os populares, des- qualificando-os como promotores de desordem. Se neste trabalho os movimentos sociais são vistos, sobretudo pelo seu lado positivo é por causa do pressuposto de que, mesmo não isentos de falhas e acima de críticas, eles trazem importantes contribuições para o de- senvolvimento da sociedade. A partir da pergunta acima anunciada, elaboro a abordagem enfocando os seguintes itens: a) um olhar sobre a compreensão de movimentos sociais e o seu papel na América Latina; b) uma refle- xão sobre o seu potencial pedagógico, verificando tanto a educação dentro do movimento quanto a sua função educadora na sociedade enquanto movimento que dela faz parte; c) por fim, a título de con- clusão, retomo o significado do movimento social para a superação da exclusão através da educação. 16 Capítulo: Movimentos Sociais
  14. 14. Notas sobre movimentos sociais na América Latina 4 O livro Mundialización de las re- sisténcias: Estado de las luchas, or- ganizado por Samir Amin e Fran- çois Houtart (2004), que textos de Ao falar de movimentos sociais na América Latina é impossí- acadêmicos e militantes dos mo-vel não lembrar imediatamente do Movimento dos Trabalhadores vimentos sociais, é uma tentativa de proporcionar uma visão globalRurais Sem Terra (MST), no Brasil, e do Exército Zapatista de Liberta- dos movimentos sociais dentroção Nacional (EZLN), no México. São movimentos que se constituem da compreensão do Fórum Social Mundial.como forças sociais com atuação marcante em seus países e contam Movimentos Sociaiscom uma grande visibilidade nacional e internacional. No entanto,ao focarmos a atenção nestes movimentos grandes corremos o ris-co de não ver o contexto no qual eles próprios encontram o nichopara continuar existindo. Principalmente a partir da década de 90 ogrande pano de fundo dos movimentos sociais é a contestação daspolíticas neoliberais, seja em suas repercussões na educação, na eco-logia, no mundo do trabalho, na organização política ou nas diversasformas de expressão cultural. 4 Se os movimentos sociais são diversos, também a compreen-são sobre eles não é menos diversificada. A definição proposta porMaria da Glória Gohn (2002, p.25) dá conta daquilo que neste traba-lho se entende por movimentos sociais. Segundo ela, movimentossociais são “ações sociais coletivas, de caráter sociopolítico e cultural,que viabilizam distintas formas de organização e de expressão dasdemandas da população.” Estão presentes aqui as idéias de confli-to em torno de projetos sociais e políticos, de identidade cultural,de solidariedade interna, de ação coletiva e de inovação social que,com ênfases distintas, encontramos em autores como Alain Touraine(1994), Alberto Melucci (2002) e Boaventura de Sousa Santos (1996). Historicamente os movimentos sociais estão entre as vozessilenciadas. Ao menos a história ensinada para os cidadãos comunstraz muito pouco sobre os movimentos da sociedade que não se en-quadram na perspectiva hegemônica, aquela que conta como se for-mou o império, depois a república, com os seus respectivos heróisprotagonistas. Na educação, por exemplo, aprendemos sobre a açãode Anchieta e o grande esforço dos jesuítas dentro do projeto coloni-zador. Hoje começam a ser desveladas estratégias de resistência e deenfrentamento que também passavam pela educação. Começa-se aabandonar a idéia de tabula rasa para reconhecer que havia um com-plexo sistema pedagógico para dar conta desta maneira específicade viver. “Da parte dos povos nativos, diz Helena Dias da Silva (2000,p. 95), estes procuravam manter seus processos educativos própriosde todas as formas. Mesmo nas fugas, refúgios ou na escravização,procuraram recriar espaços que possibilitassem construir e recons-truir sua história, seus valores e seus projetos de vida, educando asfuturas gerações.” O mesmo pode ser dito em relação aos negros - por exemplo,sua organização nos quilombos - e a outros grupos sociais cuja atua-ção se tornou invisibilizada na história. Boaventura de Sousa Santosfala da necessidade de uma “sociologia das ausências” para recomporas lacunas da história, o que muitas vezes pode significar contar o ou-tro lado da mesma história. Vítor Westehelle (2000, p. 36) argumentaCapítulo: Movimentos Sociais 17
  15. 15. que uma cultura colonizada não é uma cultura morta, “é uma cultura que esconde, nas profundezas de seus silêncios, vozes prontas para sair à superfície.” É uma cultura que se torna invisível e se comunica através do silêncio, da dissimulação e do ocultamento. A presença desta história encoberta (Dussel, 1993) nos atuais processos sociais na América Latina é bem expressa por Alcira Argu- medo quando escreve que não existem marcos teóricos inocentes eMovimentos Sociais que é possível recuperar o potencial teórico autônomo contido no pensamento latino-americano: O reconhecimento da heterogeneidade cultural dos se- tores populares da América Latina – que se destaca diante da crescente homogeneização de suas classes dominantes e das camadas médias acomodadas – surge com força como pro- blemática das ciências sociais ao calor da crise dos “paradig- 5 “Os movimentos contemporâne- mas teóricos”. A emergência de novas formas de organização os são profetas do presente. Não e solidariedade; de movimentos sociais reivindicatórios que têm a força dos aparatos, mas a força da palavra. Anunciam a mu- ultrapassam os partidos políticos; o aumento de massas mar- dança possível, não para um futu- ginais e de seus novos comportamentos de desesperação; a ro distante, mas para o presente persistência de identidades sociais que ligam o presente com de nossa vida. Obrigam o poder a tornar-se visível e lhe dão assim vários séculos de memórias culturais, para além das caracterís- forma e rosto. Falam uma língua ticas adquiridas nas diversas regiões, dão conta de fenômenos que parece unicamente deles, que não podem ser explicados integralmente a partir das con- mas dizem algumas coisas que os transcende e, deste modo, falam cepções oficializadas nas ciências sociais e na análise política. para todos.” (Melucci, 2001, p. 21) (Argumedo, 2004, p.15) Esse breve pano de fundo histórico parece importante para entender que a quantidade e diversidade de movimentos sociais na América Latina, hoje, não se devem a um processo de geração espon- tânea. Houve uma luta silenciosa pela terra, pelo respeito de identi- dades, por direitos de cidadania que hoje passa a ser ouvida e vista. E dependendo do lugar social de onde se olha, passa a ser vista como profecia 5 ou como ameaça. Embora os movimentos sociais façam parte da dinâmica da sociedade, o conceito surge por volta de 1840 como categoria para estudar o movimento proletário e o comunismo e socialismo emer- gentes. (Ramirez, 2000, p. 50). Houve, na segunda metade do sécu- lo passado importantes deslocamentos e rupturas, ocasionando o surgimento do conceito de novos movimentos sociais. Segundo Boaventura de Sousa Santos (1996, p. 258) a novidade maior reside no fato de estes novos movimentos identificarem novas formas de opressão, para além da crítica da regulação social tanto capitalista quanto socialista. Isso se comprova na diversidade de temas presen- tes nestes movimentos: gênero, paz, anti-racismo, anti-produtivismo, além de lutas por direitos como moradia, terra, saúde e educação. Na medida em que os movimentos sociais são a expressão da sociedade em movimento (Rucht, 2001) eles parecem fugir a tentati- vas de classificação e se constituem num desafio para a compreensão dentro de parâmetros preestabelecidos porque eles próprios procu- ram romper estes parâmetros. Seguindo a argumentação de Melucci (2002, p. 34), os movimentos sociais não são simplesmente a expres- 18 Capítulo: Movimentos Sociais
  16. 16. são de uma crise, que se refere à desintegração do sistema e induz a 6 O Município de São Leopoldo (RS) foi o primeiro a criar uma leireações que tendem a restabelecer o sistema. Eles são, em sua visão, anti-discriminatória de gays noantes expressões de um conflito onde estão em jogo interesses an- Brasil, em 2006, a partir da luta do movimento gay aliam com outrostagônicos e por isso têm como resultado produzir mudanças no sis- movimentos sociais da cidade etema e não simples ajustes. Estes conflitos surgem por uma série de da região.contingências em lugares diferentes e nem sempre previsíveis. Para Touraine (1994, p. 254) um “movimento social é ao mes- Movimentos Sociaismo tempo um conflito social e um projeto cultural.” Estão em jogonos movimentos sociais tanto as disputas sociais e políticas quanto aaposta em determinados valores culturais. Por exemplo, o movimen-to gay não apenas cria estratégias para convencer as comunidadesde seu direito de ser diferente, mas procura criar mecanismos legaispara coibir discriminação no mundo do trabalho e em lugares públi-cos. 6 Estas duas dimensões – conflito social e projeto cultural – po-dem variar em intensidade, ora prevalecendo um ora outro. A força dos movimentos sociais na América Latina é corrobora-da pela eleição de dois presidentes. No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silvaformou-se no movimento sindical durante o período de lutas contraa ditadura militar. Na Bolívia, Evo Morales passou de líder cocaleroa presidente de um país onde a maioria indígena é historicamentealijada do poder. No México, embora os zapatistas com o Comandan-te Marcos não ambicionem a conquista do poder na forma cargospúblicos, também é incontestável que eles representam uma impor-tante força política. Essas breves considerações mostram que é praticamente invi-ável compreender a realidade latino-americana sem levar em contaos movimentos sociais. Eles são responsáveis por grande parte dasconquistas hoje transformadas em políticas sociais, buscando garan-tir direitos básicos do cidadão. A educação no e pelo movimento social Os movimentos sociais podem ser analisados como um espaçoda educação em dois sentidos. Uma vez, pelo tipo de práticas peda-gógicas que promovem em seu interior e, outra, pelo que represen-tam como fator pedagógico para a sociedade em que se realizam.Tomando como exemplo os MST pode-se constatar a preocupaçãopela formação interna, desde a escola itinerante para as crianças dosacampamentos até a formação de professores e outras lideranças. Oaspecto formativo para a sociedade começa com a relação que o Mo-vimento estabelece com as comunidades até o uso dos modernosmeios de comunicação para expor seus argumentos, muitas vezesatravés de ações com grande expressão, concreta e simbólica. Parafins desta exposição estas duas dimensões serão consideradas deforma integrada. Os itens abaixo pretendem dar uma visão geral dacontribuição do movimento social enquanto também um movimen-to pedagógico para a sociedade. A relevância dos movimentos sociais para a educação fica evi-Capítulo: Movimentos Sociais 19
  17. 17. dente quando se compreende a educação como o processo auto- formativo da sociedade. Essa compreensão de educação situa-a no âmago das práticas sociais e no cruzamento dos conflitos. Uma das razões da atual crise da escola é que ela assume o lugar de “ilha”, onde os alunos se encontram sob a orientação dos professores para ser formados. Em primeiro lugar, esta ilha não existe. Em segundo lugar, a pretensão de ser esta ilha ou de permitir ser colocada nesta posi-Movimentos Sociais ção, ocasiona um isolamento de fato daquelas forças que poderiam impulsionar mudanças. Ao referir-me à educação como autoformação da so- ciedade desejo acentuar a necessidade de ter o máximo de consciência e lucidez possível das forças e dos conflitos que alimentam e são alimentados pelos movimentos sociais. Ali estão impulsos que, se incorporados às práticas educativas, podem ajudar estas a encontrar o seu lugar na sociedade ao lado das forças que buscam construir e ampliar a cidadania e as possibilidades de vida. O redimensionamento do popular: A categoria “popular” passou de uma compreensão genérica como algo do “povo” para uma compreensão mais específica de identificação com as classes subalternas. Assim, a partir da segunda metade do século XX temos referência à cultura popular, ao teatro popular e à educação popular como expressão contra-hegemônicas. Havia, nestas definições, uma clara conotação classista. Os as- sim chamados novos movimentos sociais trazem um redimen- sionamento do popular, devolvendo-lhe um sentido mais am- plo de público, muitas vezes nitidamente transclassista, como é o caso dos movimentos ecologistas, feministas ou de gays. O desafio consiste em abrir a categoria popular para abranger outros grupos, mas ao mesmo tempo não perder de vista a impor- tante conquista de uma identificação mais restrita com grupos so- ciais excluídos ou subalternizados no sistema de produção. O Fórum Social Mundial (FSM) é uma boa expressão da articulação dos movi- mentos sociais e dos cruzamentos entre diversas categorias dando ao popular um caráter mais multifacetado (Streck, 2004). Isso não signi- fica que todos os movimentos sociais presentes ou representados no FSM pudessem ser incluídos na categoria de populares, mas indica novas possibilidades de encontro e maior porosidade nas fronteiras. As práticas educativas, nos diversos contextos, podem alimen- tar-se dessa riqueza de experiências que brotam em muitos setores da sociedade. Mais importante ainda, podem colocar-se junto nessa diversidade de movimentos que a sociedade realiza e procurar ser protagonista. No caso da escola, por exemplo, pode significar abrir as portas para o grupo de mulheres não apenas para usarem uma sala para reuniões, mas para trazerem as suas experiências para as crianças e jovens. 20 Capítulo: Movimentos Sociais
  18. 18. Enraizamento e ruptura: Os movimentos sociais, como vimos acima, expressam conflito, mas eles também são instru- mentos para a manutenção ou recriação da identidade cultu- ral. Os conflitos sinalizam rupturas com padrões ou processos sociais hegemônicos vistos como limitadores de direitos de ci- dadania ou como ameaças à própria vida. Sua luta é para que a partir de determinadas rupturas se possa recompor o senso Movimentos Sociais comum em um nível que amplia as possibilidades de realiza- ção humana. Por exemplo, é difícil que hoje alguém conteste o direito de voto das mulheres ou o acesso de negros à esco- la, esquecendo que estes direitos são frutos de duras e longas conquistas. Junto com isso, no entanto, é importante destacar o enraiza-mento na cultura do grupo, que pode ser expresso na busca de res-posta do que se é: “Quem somos, como sem-terra, para além ou forados estereótipos que encontram guarida nas ideologias conservado-ras?” “Quem somos, como “gays” num mundo que tende a não veralém do preto e branco?” A partir da experiência do MST, Roseli Salete Caldart (2000, p.140) vê no enraizamento o início da educação no interior do movi-mento. “Saber que não está solta no mundo é a primeira condiçãoda pessoa se abrir para esta nova experiência de vida. Este costumaser o sentimento que diminui o medo em uma ocupação, ou que fazenfrentar a fome em um acampamento.” Mas não se trata de uma raizdesvinculada da utopia e de projetos. Daí o uso da expressão enraiza-mento projetivo, numa combinação criativa de raiz e projeto. Do ponto de vista das práticas educativas pode-se aprendermuito com a forma como os movimentos lidam com os conflitos nasociedade circundante; com as suas estratégias para experienciar ascontinuidades e as rupturas. Pode-se aprender também a enraizar aspráticas educativas na cultura ou nas culturas do lugar ou da região,colocando as perguntas sobre quem se é e quem se pretende sere recompondo a memória. É impressionante a riqueza e o vigor doconhecimento produzido por movimentos que buscam recuperar asua trajetória, seja de negros, de povos indígenas, dos movimentosdo campo ou das mulheres. Trata-se de aproveitar estes saberes aliproduzidos, mas também de conhecer a metodologia desenvolvida. Analisando o movimento indígena equatoriano, reuni- do na CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas no Equador) Pierre Mouterde (2003, p.81) constata que “justamen- te porque começa como um movimento social fortemente en- raizado nas comunidades autóctones que seu discurso político de aspirações democráticas parece tão crível, justificado e legí- timo.” Isso também vale para outros movimentos sociais. A participação: Sendo uma ação coletiva, o movimento social precisa encontrar os mecanismos de manter a coesão in- terna. A solidariedade entre os membros parece ser, por isso, uma característica importante na maioria dos movimentos so-Capítulo: Movimentos Sociais 21
  19. 19. ciais. Criam-se rituais, existem símbolos próprios e organizam- se manifestações públicas que aproximam os membros entre si e dão um senso de pertença.(Melucci, 2001, p. 36). Evelina Dagnino (2000, p.81) reconhece a tendência de misti- ficar as ações coletivas dos movimentos como expressões da virtu- de, mas argumenta que nem por isso se deveria deixar de perceberMovimentos Sociais as “mudanças moleculares” que resultam de ações de movimentos sociais. Segundo ela, mesmo fragmentárias, incompletas e contradi- tórias essas práticas devem ser vistas como “constitutivas de esforço dos movimentos sociais para redefinir o significado e os limites da própria política.” Pierre Mouterde (2003, p. 155) conclui em sua análi- se de alguns dos grandes movimentos sociais da América Latina que todos eles salientam a idéia de uma ruptura democrática no sentido de romperem e superarem os limites formais da democracia repre- sentativa. Em termos de práticas educativas o desafio consiste em trans- formar a participação em um princípio metodológico, portanto, mui- to mais do que em usá-la como técnica de ensino. Dos movimentos pode-se aprender que, como dito antes, participação implica neces- sariamente em conflitos. Os movimentos sociais, apesar de terem um foco de atuação e direcionarem a sua luta, encerram uma pluralida- de de idéias e de posições que nem sempre são perceptíveis a partir de fora. Um elemento importante para garantir a participação é o que no MST é chamado de mística. Nela se encontram os elemen- tos evocativos, convocativos e provocativos que garantem a força do movimento. (Peresson, 2006). Evocativo no sentido de recomporem 7 Estima-se que, uma árvore de a memória, convocativo no sentido de chamarem à solidariedade e eucalipto necessita de 38 mil litros provocativo no sentido de, partindo da denúncia de determinada re- de água por ano. O que significa a plantação de milhares de hectares alidade, anunciarem alternativas. para o ecossistema? A lida com o poder: Os movimentos sociais colocam em pauta algum tema que conflitua com os interesses dominantes na sociedade e por isso a relação com o poder é um dos seus mais importantes desafios. Decidir sobre a ocupação de terras, o bloqueio de estradas ou o boicote a produtos representa um confronto com o poder estabelecido. Nessa relação, possivel- mente uma das mais importantes lições é a desmistificação da autoridade. O confronto força o poder a se relevar, a dizer de que lado e a serviço de quem está. Muitas práticas educativas, especialmente através do movi- mento da educação popular incorporaram o pressuposto da reali- dade do poder no seu cotidiano. Aconteceu, assim, um interessante deslocamento, em termos metodológicos, da “troca de saberes” em direção à “negociação cultural” (Mejía y Awad, 2001, p. 119) onde se reconhece que na relação pedagógica se negociam desde visões de mundo e valores até conhecimentos práticos; e que na negociação estão em jogo relações de poder. Faz parte também da aprendiza- gem através dos movimentos sociais que não basta tomar ou ocupar o poder, mas que é necessário reinventá-los (Freire), uma tarefa per- manente. 22 Capítulo: Movimentos Sociais
  20. 20. A produção de saberes: os movimentos sociais criam condições para valorizar os saberes do próprio grupo como contraponto aos saberes que os mantêm à margem e causa- ram o próprio movimento. Com isso, no entanto, eles se colo- cam também como produtores de novos saberes. Um exemplo é a disputa entre conhecimento que neste momento se trava entre os defensores do uso de grandes extensões de terra na Movimentos Sociais metade sul do Rio Grande do Sul para plantação de eucalip- tos com o fim de alimentar a indústria de celulose e o contra- argumento de grupos ecologistas sobre o perigo de perdas irreparáveis para o eco-sistema do pampa 7 . O mérito está, em primeiro lugar, em trazer o assunto à consciência publica atra- vés de debates. Em segundo lugar, gera condições para nego- ciações políticas que repercutem regulação para o uso do solo. A relação entre o local e o global: Uma das tendências verificadas entre os movimentos sociais é a sua capacidade de funcionamento em rede. Os novos meios de comunicação, es- pecialmente a Internet, contribuíram para que a situação de agressão aos direitos humanos numa pequena localidade em um pequeno país longínquo do centro do poder seja conheci- do e se transforme em um caso e eventualmente em notícia. Este funcionamento em rede não é privilégio nem invenção dos movimentos sociais, dado que hoje presenciamos a este tipo de funcionamento inclusive entre quadrilhas de assaltan- tes e gangues. O que está em jogo é uma nova relação entre ações em nível local ou regional e ações em nível global, com várias implicações. Para o indivíduo isso significa criar novas referências através de contatos físicos ou virtuais como, por exemplo, as comunidades do Orkut. Para a cidadania repre- senta uma revisão do conceito de fronteiras do estado-nação, uma vez que os controles em limites territoriais fixos se tornam praticamente inviáveis. Para os movimentos sociais se traduz na possibilidade de conectar ações locais em diferentes luga- res de um país ou do mundo. Este movimento exige mais do que aprender o domínio dastecnologias ou de habilidades lingüísticas. Exige sobretudo o reco-nhecimento das diferenças de formas de ação e de estratégias, enfim, 8 Para uma elaboração deste temade viver. O viver junto se coloca nestes tempos de globalização, para- veja Educação para um novo con- trato social (Streck, 2003).doxalmente, como um grande desafio. Revisão da idéia de sujeito: As discussões sobre pós-mo- dernidade trouxeram à tona o debate sobre o sujeito e a possi- bilidade da ação histórica. Em alguns momentos a vara foi cur- vada para o outro lado, numa tentativa de desconstrução do sujeito consciente e fazedor da história, bem como da história como um projeto imbuído de uma linearidade de certa forma previsível. Os movimentos sociais interferem na idéia do sujei- to ao mostrarem que o mesmo não existe de forma abstrata e fixa, mas se constrói no movimento da história. É ao assumir os riscos de ser histórico e cultural que o ser humano se constitui como sujeito. Nas palavras de Alain Touraine (2004, p. 150):Capítulo: Movimentos Sociais 23
  21. 21. O que há se sujeito em nós está sempre ao mesmo tem- po engajando e desengajado. É por essa razão que você não pode dizer que tal grupo social, tal indivíduo ou mesmo tal idéia, tal convicção, constitui um sujeito social. O sujeito é uma força de desligamento, de superação, e não pertence à ordem do ter. Eu “não tenho”um sujeito; há um sujeito em mim, e eu pago caro por isso.Movimentos Sociais O sujeito pedagógico pode ser entendido dentro desta mesma visão. Na medida em que a aprendizagem é um processo do sujeito, o pólo do processo desloca-se para o sujeito aprendente. Mas também não é mais o sujeito como indivíduo, mas construído na intersubjeti- vidade. Essa é sem dúvida uma das grandes diferenças entre o Emílio 9 “Tenho o direito de ter raiva, de de Rousseau e o educando de Paulo Freire 8. Enquanto o primeiro manifestá-la, de tê-la como moti- vação para minha briga tal qual te- é protegido para não ser corrompido pelo meio, o segundo desde nho o direito de amar, de expres- cedo sabe que não tem como sair do mundo, como Robinson Crusoé sar meu amo ao mundo, de tê-lo como motivação de minha briga em sua ilha, e que por isso precisa conhecê-lo para transformá-lo. porque, histórico, vivo a Hitória como tempo de possibilidades A insurgência como princípio pedagógico: os movimen- e não de determinação.” (Freire, tos traduzem a insatisfação de grupos sociais com a realidade 1997, p. 84). existente. Eles são, por isso, forças com uma potencialidade de trazer mudanças, representando um momento instituinte na sociedade. Este é um tema difícil para a educação formal uma vez que a escola se institui basicamente como uma força con- servadora e disciplinadora na sociedade moderna. Sabemos também que há uma infinidade de formas de subverter esta força, desde a rejeição até a resistência passiva ou violenta. O desafio para a educação parece estar em deixar cair cercas entre a educação formal e a não-formal, especialmente aquela nos movimentos sociais populares para possibilitar que a insurgência como um movimento de inovação seja uma possibilidade real no in- terior das práticas educativas. Trata-se de insurgência no sentido de recuperar ou criar a possibilidade de dizer a sua palavra, de fazer com que a revolta e a indignação contra condições opressivas seja trans- forme numa força potencializadora de mudanças. Quando Paulo Freire no “direito de ter raiva” 9 ela aponta para esta condição humana que está na base do agir ético. Mas esta con- dição precisa ser educada para que se evite que a raiva vire raivosida- de, que a indignação se transforme em cinismo. No mesmo sentido que Freire (1992) propôs uma pedagogia da esperança e não para a esperança, considerando ser esta ontologicamente constitutiva do ser humano, assim também proporá uma pedagogia da indignação (2000). 24 Capítulo: Movimentos Sociais
  22. 22. ConclusãoA grande lição deixada pelos movimentos sociais para a educação é ade inserir as práticas educativas no movimento da sociedade, contra-riando a tendência de tornar o espaço pedagógico um lugar preser- 10 “Por trabajar nos matam, por vi- ver nos matam. No hay lugar paravado dos conflitos e das tensões que existem na sociedade, mas com nosotros em el mundo del poder. Movimentos Sociaisisso também tornando-o relativamente inócuo como promotor de Por luchar nos matarán, pero así nos haremos um mundo dondemudanças e como força inovadora. Para tanto, a título de conclusão, nos quepamos todos y todos noscabe registrar algumas implicações para a própria pedagogia. vivamos sin muerte en la palabra.” (Quarta Declaración de la Selva A primeira é a de repensar hoje os espaços pedagógicos, es- Lacandona. In: Caparó, 2001, p. 314)pecialmente retomando a pergunta sobre quem forma o educadore onde ele é formado. Os movimentos sociais – por serem o que são- não ocupam o centro da sociedade ou determinam as relações deprodução e de poder. Eles se constituem nas margens e, por ocupa-rem este lugar, eles representam forças questionadoras. A educaçãovoltada para os parâmetros da eficiência dificilmente reconhece queexatamente ali possam estar competências sem as quais a sociedademorre por asfixia. Uma segunda questão, de cunho epistemológico, diz respeitoà superação da noção estática de conhecimento como produto a sertransmitido. Esta é uma velha luta pedagógica, mas está longe de servencida. Quem sabe a dificuldade seja até maior hoje, porque as no-vas tecnologias educacionais passam a falsa noção de que o simplesfato de buscar o conhecimento através da internet já significa estarenvolvido no processo de criação. Os movimentos sociais ensinamque o conhecimento produtivo do ponto de vista social e humanotem como referência a experiência do sujeito. O pensar certo, confor-me uma lição de Freire (1997, p. 42), começa com o pensar a própriaprática. Por fim, os movimentos sociais realçam a necessidade de ali-mentar e reelaborar as utopias. O ideal zapatista do mundo como umlugar onde caibam todos é uma bela metáfora para uma sociedadeque vive a unidade na diversidade: Por trabalhar nos matam, por viver nos matam. Não há lugar para nós na sociedade. Por lutar nos matarão, mas assim faremos para nós um mundo onde caibamos todos e todos possamos viver sem morte na palavra. (Quarta Declaración de la Selva Lacandona. In: Caparó, 2001, p. 314) 10Capítulo: Movimentos Sociais 25
  23. 23. Referências (Leituras complementares) AMIN, Samir e HOUTART, François. Mundialización de las resisténcias: Estado de las luchas 2004. Bogotá: Ed. Desde Abajo, 2004. ARGUMEDO, Alcira. Los silencios y las voces em América Latina: No-Movimentos Sociais tas sobre el pensamiento nacional y popular. Buenos Aires: Colihue, 2004. ALVAREZ, Sonia E.; DAGNINO, Evelina; ESCOBAR, Arturo. (Org.). Cultu- ra e política nos movimentos sociais latino-americanos: Novas leitu- ras. Belo Horizonte: UFMG, 2000. CALDART, Roseli Salete. O MST e a formação dos Sem-Terra: o movi- mento social como princípio educativo. In: GENTILI, Pablo & FRIGOTT, Gaudêncio (Org.). A cidadania negada: Políticas de exclusão na edu- cação e no trabalho. Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 125-144. CAPARÓ, Gabriel (Comp.) Ansias del alba: Textos zapatistas. La Haba- na: Editorial Caminos, 2001. DUSSEL, Enrique. O descobrimento do outro: A origem do mito da modernidade. Tradução de Jaime A. Frankfurt. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à práti- ca educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997. ______. Pedagogia da esperança: Um reeencontro com a pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992. ______. Pedagogia da indignação: Cartas pedagógicas e outros escri- tos. São Paulo: Editora Unesp, 2000. GOHN, Maria da Gloria. Movimentos sociales: Participación sociopo- lítica y educación en el Nuevo Milenio. In: GARCÉS, Fernando Rosero. (Org). Formación de líderes y movimientos sociales: Experiencias y propuestas educativas. Ecuador: Abya-Yala, 2002. MEJÍA, Marco Raúl & AWAD, Myriam. Pedagogías y Metodologías en Educación Popular. Quito: Fe y Alegria, 2001. MELUCCI, Alberto. A invenção do presente: Movimentos sociais nas sociedades complexas. Tradução de Maria do Carmo Alves do Bomfim. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. MOUTERDE, Pierre. Reinventando a utopia: Práticas alternativas da esquerda latino-americana. Tradução de Ethon Fonseca; Patrícia Chit- toni Ramos Reuillard; Sandra Dias Loguércio. Porto Alegre: Tomo edi- torial, 2003. PERESSON, Mario L. Pedagogias e culturas. In: SCARLATELLI, Cleide; 26 Capítulo: Movimentos Sociais
  24. 24. STRECK, Danilo; FOLLMANN, José Ivo (Ogg.) Religião, cultura e edu-cação. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2006.RAMIREZ, Janett. Movimentos Sociais: Lócus de uma educação para acidadania. In: CANDAU, Vera Maria; SACAVINO, Susana. (Org.). Educarem direitos humanos: construir democracia. Rio de Janeiro: DP&A,2002. Movimentos SociaisRUCHT, Diether. Sociedade como projeto: projetos na sociedade: so-bre o papel dos movimentos sociais. Civitas. Porto Alegre: EDIPUCRS,2001, ano 1, n. 1, p. 13-28, jun.SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: O social e o políticona pós-modernidade. 2º edição. São Paulo: Cortez, 1966.STRECK, Danilo R. O Fórum Social Mundial e a agenda da educaçãopopular. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro: ANPED, 2004,n. 26, p. 58-69, Mai/Jun/Jul/Ago.______. Educação para um novo contrato social. Petrópolis: Vozes,2006.TOURAINE, Alain. Critica da modernidade. Tradução de Elia FerreiraEdel. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994._____ e KHOSROKHAVAR, Alain. A busca de si: Diálogo sobre o sujei-to. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.WESTHELLE, Vitor. Voces de protesta en América Latina. México: CE-TPJDR, 2000.Capítulo: Movimentos Sociais 27
  25. 25. Atividades Orientar a segunda leitura do texto a partir de questões suge- ridas pelos organizadores para aprofundamento de reflexões, abaixo apresentadas: Atividade I: Localizando movimentos sociaisMovimentos Sociais 1. Que movimentos sociais você conhece, em seu município, re- gião, ou distrito e o que você sabe /conhece sobre os seus objetivos, Recomendações: Fazer registros propósitos (o que eles querem)? escritos de cada atividade 2. Relate sobre alguma das atividades/ações por eles realizadas. 3. Em sua experiência de ensino, que ações/temas construídos pelo movimento social tiveram, ou têm, implicações na sua prática educativa. Atividade II: Analisando as contribuições dos movimentos sociais para a construção da prática pedagógica escolar 1. Liste os itens comentados no artigo como sendo as “contri- buições dos movimentos sociais enquanto também um movimento pedagógico para a sociedade”: Sublinhe (no texto) as idéias que você considera importante serem discutidas, em cada um dos itens. 2. À luz dos itens listados na questão acima, analise, critique e avalie sua atividade pedagógica na sala de aula, levando em conside- ração a sua experiência profissional e de vida. Atividade III: Refletindo sobre limites e possibilidades das contribuições do autor para a construção conceitual da educa- ção 1. Após ler as conclusões do texto, analise e critique as noções de conhecimento, explicitadas pelo autor. 2. Reconhece nessas práticas dos movimentos sociais alguma contribuição possível de nos questionar, nos fazer revisar e mesmo, reconstruir nossos conceitos sobre educação? 28 Capítulo: Movimentos Sociais
  26. 26. Texto II – Professor Geovanni Semeraro Objetivo: Discutir “libertação” e “hegemonia” como conceitoscomplementares nas lutas coletivas pela terra e por uma educaçãodo campo diferenciada e de qualidade. Movimentos Sociais A construção coletiva de projeto diferenciado de educação docampo remete-nos à história do pensamento, para compreender oque é “libertação” e o que é “hegemonia”. Na década de 1970, Paulo Freire lançou o livro Pedagogia doOprimido que traz importantes contribuições para compreender ediscutir lutas coletivas dos oprimidos pela de uma sociedade eman-cipada. Antonio Gramsci, por sua vez, é intelectual que contribui paraaprofundar análise sobre hegemonia, na correlação de forças na so-ciedade de classes. Como debates sobre libertação e hegemonia podem contribuirpara discutir a construção de processos de participação das popula-ções excluídas, superando estruturas de exploração de classes e dedistribuição desigual de riquezas materiais e bens culturais? O professor Geovane Semeraro da Universidade Federal Flumi-nense aprofunda análises nesse sentido, partindo de questões con-cretas de nosso tempo. Por isso estamos lançando o desafio para ini-ciarmos discussões sobre esta problemática, a partir de um de seusartigos: “Da libertação à hegemonia: Freire e Gramsci no processo dedemocratização do Brasil”. Leia a introdução do artigo, buscando estabelecer di- álogo com o autor a partir de algumas questões iniciais. Em seguida, acesse o artigo na íntegra na plataforma Moodle e/ou CD Rom, para aprofundamento das análises propostas pelas questões aqui apresentadas. Como o autor discute “libertação” e “hegemonia”? Vamos à leitura do texto! Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomCapítulo: Movimentos Sociais 29
  27. 27. DA LIBERTAÇÃO À HEGEMONIA: FREIRE E GRAMSCI NO PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO BRASIL Giovanni SEMERAROUFF RESUMOMovimentos Sociais As lutas populares que se desencadearam no Brasil desde os anos 1960 até hoje podem ser caracterizadas por dois grandes para- digmas: “libertação” e “hegemonia”. A “libertação” foi a tônica predo- minante nos anos 1960 e 1970. A “hegemonia” tem sido a palavra de ordem ao longo dos anos 1980 e 1990. A primeira, representada par- ticularmente por Paulo Freire, e a segunda, tendo em Antonio Gra- msci sua referência maior, foram se entrelaçando e tornaram-se inse- paráveis no desenho de um projeto alternativo de sociedade. Neste artigo, apresenta-se uma análise crítica de seus significados em de- corrência dos dez anos da morte de Paulo Freire e dos 70 da morte de Gramsci. O texto que segue, além de percorrer os significados, as diferenças e o entrelaçamento de “libertação” e “hegemonia” em seu contexto histórico e social, apresenta uma reinterpretação dos dois paradigmas ante as mudanças políticas e culturais atualmente em curso no Brasil e na América Latina. Palavras-chave: hegemonia; libertação; política. 30 Capítulo: Movimentos Sociais
  28. 28. Referências (Leituras complementares)ASSMANN, H. 1974. Teologia della prassi di liberazione. Assisi : Cittadella.BONDY, A. S. 1968. Existe una filosofia de nuestra América? México : Siglo XXI. CAR-DOSO, F. H. & FALETTO, E. 1967. Dependencia y desarrollo en América Latina. Mé-xico : Siglo XXI. Movimentos SociaisDUSSEL, E. 2002. Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão. Petró-polis : Vozes.FREIRE, P. 1967. Educação como prática da liberdade. São Paulo : Cortez._____. 1970. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro : Zahar._____. 1980. Conscientização. São Paulo : Moraes._____. 1982. A importância do ato de ler. São Paulo : Cortez._____. 1992. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro : Zahar. FREIRE, P. & SHOR, I. 1987. Medo e ousadia : o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra.FREIRE, P.; GADOTTI, M. & GUIMARÃES, S. 1986. Pedagogia : diálogo e conflito. SãoPaulo : Cortez.GOHN, M. G. 1997. Teorias dos movimentos sociais. Paradigmas clássicos e contem-porâneos. São Paulo : Loyola.GUTIERREZ, G. 1972. Teologia de la Liberación. Salamanca : Sígueme._____. 1981. A força histórica dos pobres. Petrópolis : Vozes.GRAMSCI, A. 1975. Quaderni del carcere. 4 v. Torino : Einaudi.LOSURDO, D. 2005. Controstoria del liberalismo. Roma : Laterza.LÖWY, M. 1991. Marxismo e Teologia da Libertação. São Paulo : Cortez._____. 2006. Introdução. In : MARIÁTEGUI, J. C. Por um socialismo indo-americano.Rio de Janeiro : UFRJ.MARX, K. 1998. O Capital. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira.MARX, K. & ENGELS, F. 1998. A ideologia alemã. São Paulo : Martins Fontes.QUIJANO, A. 1967. Dependencia, cambio social y urbanización latinoamericana.Revista Mexicana de Sociologia, Ciudad de México, n. 30, p. 505-510.SANTOS, T. 1969. Crise de la teoria del desarrollo y las relaciones de dependencia enAmérica Latina. Ciudad de México : Siglo XXI.SEMERARO, G. 1994. A primavera dos anos 60. São Paulo : Loyola._____. 2001. Gramsci e a sociedade civil. 2ª ed. Petrópolis : Vozes._____. 2006. Gramsci e os novos embates da filosofia da práxis. Aparecida : Idéiase Letras.Capítulo: Movimentos Sociais 31
  29. 29. Atividades: Para aprofundamento do estudo do texto, realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Analisando conceitos Leia inicialmente a introdução do artigo, buscando estabelecer diálogo com o autor a partir de algumas questões iniciais. Em segui-Movimentos Sociais da, acesse o artigo na íntegra na plataforma moodle e/ou CD Rom, Recomendações: Fazer registros para aprofundamento das análises propostas pelas questões aqui escritos de cada atividade apresentadas. 1. Como o autor discute “libertação” e “hegemonia”? Atividade II: Ressignificando a Educação do Campo A partir dos anos 1990, no entanto, intensas mudanças na polí- tica, na economia e na cultura vêm provocando uma ressignificação dos paradigmas de “libertação” e “hegemonia”, sinalizando um novo ciclo da história das lutas populares. Nas páginas que se seguem, queremos mostrar como Paulo Freire (1921-1997) e Antonio Gramsci (1891-1937) aparecem juntos não apenas nas datas comemorativas de nascimento e morte, mas continuam associados na inspiração das atuais lutas dos “oprimidos” e dos “subalternos” do Brasil e do mun- do. A leitura do texto nos leva compreender o sentido das palavras “libertação” e “hegemonia” e sua utilização ao longo das ultimas dé- cadas da História do Brasil. Seu entendimento nos conduz a reflexões sobre as incoerências estruturais; as profundas raízes da dominação; a geração de forças organizativas; e as articulações políticas junto aos movimentos sociais. Responda: 1. Que argumentos você empregaria para apoiar a idéia de que uma Educação do Campo envolvida com sua realidade de inserção promoveria um projeto alternativo de sociedade? 2. Tendo como espaço de análise sua a prática educacional su- gira ações para famílias camponesas da área de inserção da escola em que você atua. Ações que: a) proporcione melhoria na qualidade de vida; b) fortaleça politicamente suas formas de organização so- cial; c) encoraje práticas de produção que respeite suas diversidades e lógicas produtivas e; d) resgate e valoriza suas formas de manifes- tações culturais e lingüísticas. 32 Capítulo: Movimentos Sociais
  30. 30. Texto III - Professor Damián Sánchez Sánchez Objetivo: Avaliar lutas de povos indígenas pelo direito à terra,com valorização de suas culturas, identidades e saberes. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no subgrupo de estudo. Movimentos SociaisEm seguida retome o artigo, buscando dados para resolver as ques-tões propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas aocompartilhamento das mesmas no seu subgrupo e no encontro daturma de que você faz parte no Polo da UAB. Aprofunde suas inves-tigações navegando nos sites sugeridos pelo autor, no final do texto.MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO - LUTAS DOS PO-VOS INDÍGENAS Damián Sánchez Sánchez 11 Nesses mais de 500 anos de existência de uma sociedade fun-dada na invasão e no extermínio dos povos indígenas, construída na Leia atentamente os textos do livro e doescravidão e na exploração dos negros e dos setores populares, as CD- Rom.revoltas, insurreições, movimentos políticos e sociais emergem como Registre as atividades de forma escrita, oralformas de resistência dos povos que aqui viviam há mais de 40 mil e fílmica.anos. Há estimativas de que, em 1500, existiriam cerca de 6 milhões12 de nativos no País. Hoje, estima-se a população indígena em pouco 11 Aluno do curso de doutorado do Programa de Pós-Graduaçãomais de 350 mil, não chegando a 0,20% da população brasileira. Eles em Educação do Ceentro de Edu-estão espalhados em quase todo o País, encontrando-se, principal- cação da Universidade Federal do Espírito Santo. Ex-coordenador damente, nas regiões Norte e Centro-Oeste. O maior local de concen- Comissão Pastoral da Terra - CPTtração é a Amazônia legal. 13 Atualmente, sobrevivem cerca de 241 da Regional do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Foi membro da Articu-povos indígenas identificados . 14 lação Nacional “Por uma Educação Os índios foram escravizados pelos portugueses assim que es- Básica do Campo” e coordenador da grande região Minas Gerais, Es-tes chegaram e se apropriaram do País. A partir de 1595, fica proibi- pírito /santo e Rio de Janeiro. Foido o aprisionamento dos índios, porém isso só acontece no papel. membro da comissão organizado- ra da I Conferência Nacional “PorO fato é que a escravização, a aculturação e o extermínio deliberado uma Educação Básica do Campo”.continuaram ocorrendo, fazendo com que vários grupos indígenas Participou do I ENERA - Encontyro Nacional de Educadores e Educa-desaparecessem ou ficassem restritos a um número reduzido de doras da Reforma Agrária.membros. 12 Fonte: Conselho Indigenista Missionário (CIMI). 13 Área geográfica criada pelo Go- verno em 1966, compreendendo os Estados de Maranhão, Pará, To- cantins, Amapá, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Mato Grosso, abrangendo uma área total de 4.900.000km2 (60% do território nacional). 14 Para maiores informações remetemos o leitor à página do Conselho Indigenista Misi- sionário: <http://www.cimi.org. br/?system=news&eid=292Capítulo: Movimentos Sociais 33
  31. 31. Referências (Leituras complementares) BASTOS, Elide Rugai. As Ligas Camponesas. Petrópolis: Vozes, 1984. COMISSÃO PASTORAL DA TERRA. CPT: pastoral e compromisso. Pe- trópolis: Vozes, 1983Movimentos Sociais FREI BETO. Para uma melhor distribuição da terra: o desafio da refor- ma agrária - versão popular. São Paulo: Loyola, 1998 GÖRGEN, Frei Sérgio Antônio. A resistência dos pequenos gigantes: a luta e a organização dos pequenos agricultores. Petrópolis: Vozes, 1998 STÉDILE, João Pedro. Situação perspectiva da agricultura brasileira: texto para o manual de monitor do conselho popular. Brasília, 1998. Mimeografado. MEINCKE, Sílvio. Luta pela terra e reino de Deus. São Leopoldo-RS: Sinodal, 1987. Sugestões de sites e endereços eletrônicos: Comissão Pastoral da Terra - http://www.cptnac.com.br/ Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - http://www.mst. org.br/ Sugestões de Filmes: Sarandi Direção: Carlos Carmo * Duração: 26 min * 2007 * Apoio: NEAD No dia 7 de setembro de 1979, um grupo de mais de 100 famílias de agri- cultores marcou a história da luta pela terra no Brasil. Expulsas de uma reserva in- dígena em Nonoaí (RS), essas famílias reúnem-se e organizam a primeira ocupação de terra bem sucedida após a implantação da ditadura militar, em 1964. Os agri- cultores familiares ocupam as granjas Macali e Brilhante, duas fatias de um grande latifúndio chamado Fazenda Sarandi, no Norte gaúcho. Na ocasião, as expectativas dos sem-terra foram documentadas, em Super 8, no filme “Fazenda Sarandi”. Esse registro raro é um dos materiais históricos usados no documentário “Sarandi”, que traça, por meio de depoimentos e memórias, um panorama da região ao longo desses 27 anos. Memórias Clandestinas Direção: Maria Thereza Azevedo * Duração: 52 min * 2007 * Apoio: NEAD e PPIGRE O filme narra parte da história de vida de Alexina Crespo, primeira mulher de Francisco Julião – ex-deputado estadual e advogado pernambucano, liderança das Ligas Camponesas, – e sua atuação na organização e ampliação das Ligas. A obra traz depoimentos de Alexina e seus quatro filhos - Anatailde, Anatilde, Ana- 34 Capítulo: Movimentos Sociais

×