Apostila fruticultura

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Apostila fruticultura

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRECENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA NATUREZA FRUTICULTURA TROPICAL Profº. Sebastião Elviro de Araújo Neto Rio Branco – Acre 2012
  2. 2. SUMÁRIO1. IMPORTÂNCIA DA FRUTICULTURA BRASILEIRA .......................................................... 3 1.1 - Aspectos econômicos e sociais .......................................................................................... 3 1.2 - Exportações brasileiras de frutas .................................................................................... 4 1.3 - Em busca da auto-suficiência........................................................................................... 5 1.4 - Desperdiço de frutas no Brasil ......................................................................................... 5 1.5 - Consumo Per Capta de frutas .......................................................................................... 6 1.6 - Principais países produtores de frutas ............................................................................ 6 1.7 Pólos frutícolas do Brasil .................................................................................................... 7 1.8 Divisão das plantas frutíferas quanto ao clima .......................................................... 7 1.9 - Aspectos sociais ................................................................................................................. 8 1.10 - Aspectos nutracêuticos ................................................................................................... 8 1.11 Função medicinal das frutas........................................................................................... 16 1.12 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 182. PANORAMA ATUAL E POTENCIAL DA FRUTICULTURA ACREANA ........................ 20 2.1 Fruticultura na Amazônia ................................................................................................ 20 2.2 Aspectos Gerais do Estado do Acre ................................................................................. 20 2.3 Principais fruteiras cultivadas no Acre ........................................................................... 20 2.4 Frutas potenciais ............................................................................................................... 24 2.5 Fruticultura nos Sistemas Agroflorestais-SAFs ............................................................. 25 2.6 Tecnificação dos pomares ................................................................................................. 25 2.7 Agroindústria ..................................................................................................................... 26 2.8 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 263. SISTEMAS DE PRODUÇÃO NA FRUTICULTURA ............................................................ 284. PROPAGAÇÃO DE PLANTAS FRUTÍFERAS ..................................................................... 39 4.1 - Propagação por semente................................................................................................. 39 4.2. Propagação assexuada ..................................................................................................... 45 4.3. Métodos de propagação vegetativa ................................................................................. 48 4.5 Matrizes copa e porta-enxertos ........................................................................................ 69 4.6 Referências ......................................................................................................................... 705. VIVEIROS ................................................................................................................................ 71 5.1 Tipos ................................................................................................................................... 71 5.2 Localização ......................................................................................................................... 72 5.3 Dimensionamento .............................................................................................................. 73 5.4 Instalações .......................................................................................................................... 73 5.5 Formação da muda............................................................................................................ 74 5.6 Substratos e recipientes .................................................................................................... 75 5.7 Recipientes ......................................................................................................................... 79 5.8 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 806. PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO DE POMAR ............................................................ 82 6.1 –Planejamento do pomar .................................................................................................. 82 6.2 – Talhões............................................................................................................................. 82 6.3 - Sistema de Plantio ........................................................................................................... 84 6.4 - Marcação das Covas ....................................................................................................... 85 6.5 - Preparo do solo ................................................................................................................ 86 6.6 - Abertura e preparo das covas ........................................................................................ 86 6.7 - Plantio .............................................................................................................................. 87 6.8 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 887. PODA DAS PLANTAS FRUTIFERAS ................................................................................... 90 7.1 Princípios fisiológicos que regem a poda......................................................................... 90
  3. 3. 7.2 Poda e condução de frutíferas .......................................................................................... 92 7.3 Tipos de poda ..................................................................................................................... 93 7.4 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 978. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO ................................................................................ 98 8.1 Fatores internos que afetam a frutificação ..................................................................... 98 8.2 Fatores externos que afetam a frutificação ................................................................... 102 8.3 Efeito hormonal na frutificação ..................................................................................... 105 8.4 Referências ....................................................................................................................... 1059. COLHEITA E PÓS-COLHEITA DE FRUTOS ..................................................................... 106 9. 1 Definição de Fruto e Fruta ............................................................................................ 106 9.2 Fisiologia do desenvolvimento dos frutos ...................................................................... 106 9.3 Tipos de colheita .............................................................................................................. 111 9.4 Estádio de maturação...................................................................................................... 113 9.5 Pré-resfriamento.............................................................................................................. 114 9.6 Higiene do campo e aspectos fitossanitários ................................................................. 115 9.7 Sistema de armazenamento ............................................................................................ 118 9.8 Padronização e classificação ........................................................................................... 121 9.9 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 12210 CULTURA DO AÇAIZEIRO ................................................................................................ 124 10.1. Produção brasileira de açaí ......................................................................................... 124 10.2 Produtividade ................................................................................................................ 124 10.3 Origem, Dispersão e Botânica ...................................................................................... 125 10.4 Período de produção ..................................................................................................... 127 10.5 Ecofisiologia ................................................................................................................... 128 10.6 Melhoramento Genético ............................................................................................... 129 10.7 Cultivares ....................................................................................................................... 130 10.8 Propagação ..................................................................................................................... 131 10.9 Nutrição mineral ........................................................................................................... 132 10.10 Manejo agronômico..................................................................................................... 133 10.11 Pragas ........................................................................................................................... 134 10.12 Doenças ......................................................................................................................... 134 10.13 Colheita e Pós-colheita ................................................................................................ 134 10.14 Pós-colheita .................................................................................................................. 135 10.15 Mercado e Comercialização ....................................................................................... 138 10.16 Coeficiente técnico ....................................................................................................... 140 10.17 Referências ................................................................................................................... 14011 CULTURA DO CUPUAÇUZEIRO ...................................................................................... 142 11.1 Aspectos Sócio-Econômicos .......................................................................................... 143 11.2. Origem, Dispersão, Botânica e Ecologia .................................................................... 144 11.3 Ecofisiologia ................................................................................................................... 144 11.4 Melhoramento Genético ............................................................................................... 145 11.5 Cultivares ....................................................................................................................... 151 11.6 Propagação ..................................................................................................................... 151 11.7 Nutrição mineral ........................................................................................................... 151 11.8 Manejo agronômico....................................................................................................... 152 11.9 Pragas do cupuaçuzeiro ................................................................................................ 154 11.10 Doenças do cupuaçuzeiro............................................................................................ 155 11.11 Colheita e beneficiamento ........................................................................................... 158 11.12 Mercado e Comercialização ....................................................................................... 159 11.13 Coeficiente técnico ....................................................................................................... 159 3
  4. 4. 11.14 Referências ................................................................................................................... 16012. CULTURA DO MARACUJAZEIRO .................................................................................. 162 12.1 Aspectos socioeconômicos ............................................................................................. 162 12.2 - Produção Brasileira .................................................................................................... 162 12.3 Origem, Dispersão e Botânica ...................................................................................... 163 12.4 Ecofisiologia ................................................................................................................... 164 12.5 genéticA do maracujazeiro ........................................................................................... 164 12.6 Melhoramento Genético do Maracujazeiro ................................................................ 166 12.7 Cultivares ....................................................................................................................... 167 12.8 Propagação ..................................................................................................................... 169 12.9 Solos e Nutrição Mineral .............................................................................................. 172 12.10 Manejo agronômico..................................................................................................... 173 12.11 Pragas ........................................................................................................................... 177 12.12 Doenças ......................................................................................................................... 180 12.13 Colheita e Pós-colheita ................................................................................................ 182 12.14 Mercado e Comercialização ....................................................................................... 185 Custo de produção e rendimento econômico ...................................................................... 186 12.15 Coeficiente técnico para implantação de 1 hectare de maracujá (espaçamento 3,0 x 3,0m) ....................................................................................................................................... 187 12.16 Referências ................................................................................................................... 19013 CULTURA DO ABACAXIZEIRO ....................................................................................... 19514 CULTURA DO MAMOEIRO ............................................................................................... 210 4
  5. 5. Importância da fruticultura brasileira1. IMPORTÂNCIA DA FRUTICULTURA No Brasil, o estado de São Paulo se destaca naBRASILEIRA produção de frutas, principalmente pela alta produção de citros e exportação de suco de laranja concentrado e O Brasil por possui uma extensa área congelado (SLCC), colocando o Brasil como o maiorterritorial, com 8.500.000 km2 encontra-se uma produtor mundial de citros e maior exportador dogrande variação climática e seus microclimas que SLCC. Além disso, destaca-se também pela grandepossibilitam o cultivo econômico da maioria das variedade de espécies frutíferas cultivadas em cada umfruteiras, que torna o país o terceiro produtor mundial de seus microclimas. Aliado a outros fatores, o altode frutas, atrás apenas da China e Índia, primeiro e índice tecnológico nos pomares paulistas, contribuisegundo maiores produtores, respectivamente. Aliado para a boa produtividade alcançada.ao volume de produção, a geração de renda eemprego, o consumo interno de frutas, torna a Quadro 1.1 Produção, produtividade e área cultivadafruticultura um ramo econômico que promove das principais espécies cultivadas no Brasil em 2009.desenvolvimento social no país. Além do valor da produção, a fruticultura fazparte de rotas turísticas, como os vinhedos do sul dopais, incorporando recursos econômicos e sociaisimportante para odesenvolvimento dessas regiões,especificamente do campo, com maior agregação devalor, diversificação de produtos e serviços.1.1 - Aspectos econômicos e sociais A cadeia produtiva das frutas no campo,abrange 2,5 milhões de hectares, gera 6 milhões deempregos diretos ou seja, 27% do total da mão-de-obra agrícola ocupada no campo. Este setor demandamão-de-obra intensiva, fixando o homem no campo. Apesar do baixo retorno econômico nosprimeiros anos do pomar, durante a frutificação de A maioria da produção brasileira é destinadamuitas espécies, há redução da mão de obra e do ao consumo interno, tanto ao natural quantocusto de produção, podendo garantir renda na processada na forma de doces, geléias, sucos, vinhosagricultura familiar, principalamente em propriedades e outros. Pois o terceiro maior produtor de frutas nãocom pouca mão-de-obra ou mão de obra de idosos. é um dos principais exportadores, em 2009, exportou Em se tratando de empresas rurais, é possível apenas 1,8% da produção. Porém, apesar de nãoalcançar um faturamento bruto de R$1.000 a aumentar o saldo na balança comercial brasileira comR$20.000 por hectare. Além disso, para cada 10.000 as exportações, o consumo interno pode reduzir adólares investidos em fruticultura, geram-se 3 importação pelo consumo das frutas brasileiras e comempregos diretos permanentes e dois empregos isso, melhorar a saúde da população que seindiretos. O valor bruto da produção de frutas em consientiza cada vez mais da importancial alimentar2009 situou-se em 17,5 bilhões de reais. das frutas na saúde humana. As principais frutíferas cultivadas no Brasil O principal motivo da baixa exportação desão: laranja, banana, abacaxi, melancia, coco, frutas pelo Brasil é a baixa qualidade das frutas,mamão, uva, maçã, manga, tangerina, limão, infraestrutura deficiente e principalmente osmaracujá, melão, goiaba, pêssego, Caqui, abacate, embargos econômicos e sanitários impostos pelosfigo, pêra dentre outras (Quasdro 1). Outras frutas países importadores.regionais “raras” (exóticas e nativas) possuem altopotencial de mercado, incluindo acerola, atemoya,açaí, cupuaçú, bacuri, marolo, pinha, castanhas, cajá,ceriguela, mangaba, sapoti, graviola, envira-cajú eoutras que necessitam ser estudadas (Alves et al.,2008, Farias, 2009). Dessas frutas, a laranja, representam 42,9% dototal da produção de frutas brasileria, seguida dabanana com 16,5% da produtção, por isso, seucomportamento tem influência muito forte nosnúmeros gerais. E elas registraram desempenho bemdiferenciado de 2004 para 2005. Atualmente, o Brasil é o maior produtor delaranja e o segundo produtor mundial de banana,atrás apenas da Índia. 3
  6. 6. Importância da fruticultura brasileira1.2 - Exportações brasileiras de frutas 1000000 US$ 900000 t As frutas brasileiras, aos poucos, vão 800000ganhando o mercado mundial e abrindo espaço para 700000transformar o Brasil em um grande exportador, 600000criando novas oportunidades de negócio para osagricultores brasileiros em um empreendimento com 500000alta rentabilidade. No total, a receita com as 400000exportações brasileiras de frutas cresce 300000constantemente e atinge seus 609 milhores de reais 200000em 2010 (Figura 1.1). 100000 A colheita mundial de frutas, no entanto, é de 0540 milhões de toneladas, correspondendo ao 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2009 2010montante de US$ 162 bilhões, em valor comercial. AChina, sozinha, é responsável por 157.716 milhões de Figura 1.1 – Evolução das exportações brasileiras detoneladas (Quadro 1.2). Embora o País constitua um frutas frescas 1998-2010 (IBRAF, 2012).grande produtor, a participação do Brasil nosnegócios mundiais de frutas é pequena, representando Quadro 1.3 Exportação brasileira de frutas em 2009.1,6% em divisas e 2,3% em volume. A Nação situa- Frutas Valor Quantidadese em 20º lugar entre os exportadores. (US$) (kg) Uva 136.648.806 60.805.185Quadro 1.2 Produção dos principais países produtores Melão 121.969.814 177.828.525de frutas. Manga 119.929.762 124.694.284 País Produção (t) 2004 Maçã 55.365.805 90.839.409 China 157.716.081 Banana 45.389.163 139.553.134 Índia 54.581.900 Limão 50.693.603 63.060.909 Brasil 39.112.663 Mamão 35.121.752 27.057.332 Estados Unidos 32.523.920 Laranja 16.276.736 37.821.810 Itália 18.091.800 México 16.863.506 Abacaxi 998.318 1.889.842 Turquia 16.305.750 Melancia 12.356.105 28.261.716 Irã 15.139.110 Figo 7.310.886 1.446.458 França 11.764.270 Tangerina 1.850.034 1.977.479Fone: FAO/DATAFRUTA-IBRAF. Goiaba 326.364 147.348 Coco 121.240 407.737 Esse mercado movimenta US$21 bilhões por Outras frutas 1.931.663 815.874ano. Mas as vendas brasileiras vêm crescendo, tendo Outros citrus 4.978 4.51941.117aumentado em torno de 200% nos últimos seis anos. Total Frutas Frescas 609.612.136 759.420.595Em 2007, a receita com o comércio de frutas ao Fonte: SECEX/IBRAF em 03/12/2012exterior foi de US$ 642.743 milhões. A valorização do real em relação ao dólar foi o Mesmo com esses problemas, e com todas asprincipal obstáculo para um melhor comportamento exigências comerciais e sanitárias dos paísesdas vendas brasileiras de frutas a outros países. importadores, o Brasil continua com sua imagemAnalisando o caso da maçã: muitas empresas fortalecida como grande fornecedor mundial, poisexportaram porque havia contrato firmado e também ocupa o terceiro lugar nas exportações de mangapara não perder o cliente, pois o preço da espécie no (com 111 mil toneladas), depois de México (212 mil)mercado externo não compensava. A queda da maçã e Índia (156 mil), em números da safra 2004. O Paísfoi de 36,91% em valor e de 35,1% em volume em fica em quinto lugar nas exportações de melão, atrás2005, no comparativo com o ano anterior, quando ela da Espanha, Costa Rica, Estados Unidos e Honduras.fora a grande estrela. A banana, que representa o maior volume de vendas Outra fruta que teve redução acentuada – de por parte do Brasil (188,087 mil toneladas em 2004),58,34% em valor e de 65,99% em volume – nas torna o País o 15º exportador, sendo as primeirasexportações de 2005 foi a laranja. Além do dólar posições ocupadas por Equador, Costa Rica,baixo, a doença conhecida como pinta-preta Filipinas, Colômbia e Guatemala. No coco, osdificultou as remessas para o exterior. “Todos os brasileiros ocupam o 20º lugar; na maçã e na laranja,contêineres eram verificados e, se fosse constatado o 12º; e na uva, o 18º.qualquer indício, a firma era riscada do rol dos Além de ter havido crescimento nasexportadores por parte da Europa”, assinala o gerente exportações brasileiras nos últimos anos, com ade Exportação do IBRAF. Em razão disso, muitas conquista de novos mercados na Ásia e no Orienteempresas nem chegaram a abrir seus packing-houses. Médio, um ponto fundamental é que as importaçõesSebastião Elviro de Araújo Neto 4
  7. 7. Importância da fruticultura brasileirade frutas foram acentuadamente reduzidas. Elas têm Quadro 1.4. Importação brasileira de frutas em 2009.se limitado a alguns períodos do ano em que aindanão se registra produção interna ou a alguns tipos Frutas Valor Quantidadeespecíficos. As mais importadas são pêra, maçã, (US$/mil) (tonelada)ameixa, kiwi, cereja e nectarina. Em 2005, segundo Pêra 161.974.250 189.840.518dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e Maçâ 60.046.723 76.879.090do Ibraf, as importações brasileiras chegaram a Ameixa 32.417.159 24.278.543224,494 mil toneladas em volume e a US$ 125,634 Quiwi 21.867.849 20.596.664milhões em valor. Uva 36.074.860 24.794.695 Os maiores compradores são os países baixos Ameixas 32.417.159 24.278.543(Holanda), com 32% do volume exportado, seguido Pêssegos 13.322.481 11.074.033pelo Reino Unido, com 18%, este, desde a década de Nectarinas 13.221.893 10.421.85790 vem se constituindo como o principal mercado Laranjas 4.841.635 6.002.603para as frutas brasileiras. Tangerinas 2.960.118 3.438.598 Também no Mercosul está crescendo o Total Outras Frutas 367.491.907 374.037.298mercado para a fruticultura nacional, sendo a Fonte: SECEX/DECEX/MDIC;DECOM/SPC/MAPAArgentina responsável por 12% das nossasexportações e o Uruguai por outros 6%. Além disso, Os investimentos realizados nos pólos deo Brasil exporta para Estados Unidos, Portugal, fruticultura irrigada no Nordeste, no sudeste do País eBélgica, Finlândia e Emirados Árabes Unidos. no Sul estão se consolidando porque há um grande Apenas para fazer uma comparação, o Chile retorno econômico e social nesta atividade. Para cadaque é um dos maiores exportadores de frutas ao hectare de pomar é gerada uma renda denatural, exporta cerca de US$1,6bilhão, aproximadamente R$ 15 mil. Isso que dizer que,aproximadamente o mesmo valor que rende a dentro da agricultura, o segmento frutícola está entreexportação do suco de laranja brasileiro, exportação os principais geradores de renda, de empregos e dede fruta na forma de suco e com valor agregado nas desenvolvimento rural.grandes industrias paulistas. Fatores que incentivam a produção Além dos US$ 643 milhões, o Brasil exportou 1. Geração de empregos no campo e na cidadeem frutas processadas, o equivalente a US$ 2.7 bi. 2. Renda de R$ 1 mil a R$ 25 mil por hectare 3. Sustentabilidade da produção1.3 - Em busca da auto-suficiência 4. Disponibilidade de recurso 5. Grande demanda no mercado interno Mesmo sendo o terceiro maior produtor 6. Grande demanda no mercado internacionalmundial de frutas, o Brasil, país de dimensões 7. Incentivo às exportaçõescontinentais, encontra dificuldade em atender ao seumercado interno e precisa importar para suprir sua Exemplos de rentabilidadedemanda de consumo. Mas, nos últimos anos, Cada hectare de vinho gera:observa-se um crescente aumento nas exportações e Renda/hectare/ano: R$ 20 mil de dinheiro novodiminuição na importação de frutas (Figura 1.2). circulando na região produtora Renda com industrialização Os problemas para este atendimento vão desde Mais R$ 20 mil (R$ 40 mil/ha/ano)aspectos culturais, precariedade de logística, falta de Cada hectare de vinhedo ofereceplanejamento e integração dos mercados regionais, 1 emprego direto, a permanência de uma família noaté as dificuldades econômicas da maioria da campo e 2 empregos indiretospopulação. Atualmente, o mercado interno segue atendência mundial de aumento do consumo de frutasfrescas, dentro dos princípios difundidos de melhoria 1.4 - Desperdiço de frutas no Brasilda qualidade de vida e cuidados com a saúde.Portanto, além de exportar para o mercado O Brasil acumula prejuízos de milhões deinternacional, o Brasil precisará aprender a exportar dólares todos os anos na produção e processamentopara ele mesmo, qualificando a produção, a de frutas. As perdas variam de 30% a 60% do totaldistribuição e a comercialização. produzido nos pomares brasileiros, dependendo da Contudo, a cadeia produtiva da fruticultura é a espécie e do estágio em que a fruta é descartada peloárea que mais cresce dentro do agronegócio brasileiro mercado.e deverá alcançar um patamar de grande exportador. As perdas começam na lavoura e terminam nas Todos os estados da federação acordaram para gôndolas dos supermercados. Antes disso, passa pelauma realidade: a fruticultura gera dinheiro, o País tem embalagem inadequada, o transporte indevido,potencial para produzir muito e com qualidade, há manejo equivocado e estocagem errada. As perdas naum mercado com alta demanda e em crescimento. lavoura ocorrem por desconhecimento do produtor, que adota manejo inadequado do pomar e usa variedades não-adaptadas. Além disso, há os fatoresSebastião Elviro de Araújo Neto 5
  8. 8. Importância da fruticultura brasileiraclimáticos que podem influenciar, como tempestades,  O consumo de frutas do quintal também nãoventos, geadas, excesso hídrico ou estiagens. entra nas estatísticas. A utilização de embalagens inadequadastambém é fator de prejuízos à produção nacional de Quadro 1.5 Consumo Per Capta de frutas em algunsfrutas. No Brasil é costume utilizar caixas de madeira países.estreitas, impróprias para acondicionar o produto.Isso aperta as frutas, machuca e ainda provoca País Consumo (Kg / ano)contaminações pelo uso contínuo sem os cuidados de Alemanha 112,00higiene necessários. Por isso é necessária a Reino Unido 68,50adequação das embalagens. França 91,40 Outro ponto fraco do processo pós-colheita da Itália 114,80fruticultura brasileira é o transporte, que deveria ser Países Baixos 90,80feito em caminhões refrigerados e já com as frutas Espanha 120,10embaladas. Normalmente a operação é realizada em EUA 67,40caminhões comuns cobertos com lonas. E na comercialização, pelo falta de um bom Canadá 81,10sistema de informações para viabilizar o Japão 61,80planejamento da produção, medida que é rotineira na Brasil 57,00Europa e nos Estados Unidos. Com informações demercado, o produtor poderia se planejar para produzir De Angelis (2001) afirma que a educaçãoexatamente o volume de frutas que terá demanda. nutricional ao longo da vida é uma necessidade para melhorar as condições nutricionais.1.5 - Consumo Per Capta de frutas 1.6 - Principais países produtores de frutas O consumo per capta brasileiro é praticamentea metade em relação à Itália, Espanha e Alemanha e A China foi o maior produtor mundial debem abaixo de outros países (Quadro1.4). Vários frutas no ano de 2002, com a quantidade defatores estão relacionados a este fato: 133.077.000 toneladas e destacando-se como grande  O brasileiro ainda não tem consciência da produtora mundial de melancia, maçã, melão e pêra.importância das frutas na alimentação. A Índia foi o segundo produtor mundial neste  O baixo índice tecnologia empregada na mesmo ano quando registrou a quantidade defruticultura brasileira causa preços elevados das 58.970.000 de toneladas e sendo um grande produtorfrutas, além da baixa renda per capta do brasileiro. de banana, manga e coco.  O consumo de frutas nativas, como açaí,jabuticaba, cajá, jaca, cupuaçu, graviola e outras nãoentram na estatística do consumo per capta brasileiro.Quadro 1.6 Produção mundial de frutas em 2004. (mil toneladas) Mundo China Índia Brasil USA Filipinas Indonésia Itália México Espanha TurquiaTotal 503.278.149 157.716 54.582 39.113 32.524 18.092 16.864Melancia 94.938.957 68.300.000 255.000 622.060 1.669.940 107.056 - 500.000 970.055 764.600 4.300.00Banana 71.343.413 6.420.000 16.820.000 6.602.750 10.000 5.638.060 4.393.685 400 2.026.610 412.700 110.000Uva 66.569.761 5.527.500 1.200.000 1.278.885 5.418.160 120 - 8.691.970 456.638 7.147.600 3.600.000Laranja 62.814.424 1.977.575 3.100.000 18.256.500 11.729.900 28.700 871.610 2.064.099 3.969.810 2.883.400 1.280.000Maçã 61.919.060 22.163.000 1.470.000 977.863 4.571.440 - - 2.069.243 503.000 603.000 2.300.000Melão 27.703.132 14.338.00 645.000 180.000 1.150.440 19.000 - 608.200 590.000 1.102.400 1.700.000Manga 26.573.579 3.582.000 10.800.000 850.000 2.800 967.535 1.006.006 - 1.503.010 - -Tangerina 22.942.253 10.556.000 - 1.270.000 492.600 55.500 - 576.446 360.000 2.368.700 565.00Abacaxi 15.288.018 1.420.000 1.300.000 1.435.190 270.000 1.759,290 463.063 - 720.900 - -Limão 12.338.795 611.300 1.420.000 1.000.000 732.000 52.000 - 564.794 1.824.890 908.700 535.000Mamão 6.708.551 161.000 700.000 1.650.000 16.240 131.869 - - 955.694 - -Abacate 3.078.111 84.000 - 175.000 200.000 - 177.263 - 1.040.390 75.699 370Fonte: FAO (2005). O Brasil está classificado em terceiro lugar produtor de manga, citros, melão e outras frutascom a quantidade de 39.113.000 toneladas, sendo um tropicais.grande produtor de laranja, banana, coco e mamão. Depois em quarto lugar aparece os EstadosUnidos como grande produtor mundial de laranja,uva, maça e pomelo, a Itália em quinto lugardestacando-se como produtora de uva, maçã epêssego. O México em sexto lugar como grandeSebastião Elviro de Araújo Neto 6
  9. 9. Importância da fruticultura brasileira1.7 Pólos frutícolas do Brasil Existem hoje no Brasil 30 pólos defruticultura, espalhados de norte a sul e abrangendomais de 50 municípios. O Pólo Assu/Mossoró, no Rio Grande doNorte, que se tornou a maior região produtora demelão do País, e o Pólo Petrolina/Juazeiro, que jáconta com mais de 100 mil hectares irrigados,exportando manga, banana, coco, uva, goiaba epinha, e garantindo emprego a 4000 mil pessoas emáreas do semi-árido da Bahia e Pernambuco, sãoexemplos de sucesso. Outro que vem crescendo e que é um dos maisavançados na produção de frutas para exportação é oPólo Baixo Jaguaribe, no Ceará, que já conta com 52mil hectares irrigados. Também o Pólo de desenvolvimento Norte deMinas/MG merece ser citado por sua importância naprodução frutícola que atingiu, em 1999, 264.050 Figura 1.1 – Localização do pólos frutícolas dotoneladas de banana, limão, manga, uva, coco e Brasil.mamão. Não pode ser esquecido o Pólo de São Paulo, 1.8 Divisão das plantas frutíferas quanto aoum dos primeiros a surgir no País e que hoje sofre a climaconcorrência do Nordeste nas exportações, mas queainda é o grande fornecedor do mercado interno de Quanto às exigências de clima, as plantasfrutas frescas, o primeiro nas exportações de citros e podem dividir-se em plantas de clima temperado,suco de laranja e tem forte presença em banana, subtropical e tropical.manga, goiaba, uva de mesa e outras. São Pauloexportou, em 2001, 194.660 toneladas de frutas, com Plantas de clima temperadodestaque para laranja (139.553 t), tangerina (17.250t), limão (12.498 t), banana (9.695 t), mamão (4.808 Essas plantas podem ser sub divididas, emt), abacaxi (2.560 t), manga (1.996 t), melão (1.783), muito exigentes e pouco exigentes em frio.uva (1.436 t) e outras, representando um faturamento Dentro de uma mesma espécie, encontramosde US$ 50,1 milhões. variedades que se acomodam a essa exigência, como Há ainda o pólo do Rio Grande do Sul, o pessegueiro, a macieira, a pereira, a ameixeira, atradicional produtor de uva para produção de vinho e pecã, o caqui. Existem variedades que produzemde pêssego para a industria e de mesa. Além disso, na satisfatoriamente em regiões de inverno brando, aoregião de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra, passo que outras exigem inverno longo e rigorosoflorescem os pomares de maçã, dando ao Estado o para frutificar economicamente, que dure de dois asegundo lugar nas exportações dessa fruta, depois de três meses, com temperatura de 0ºC, podendo atingir,Santa Catarina, onde as macieiras se estendem pelos no verão, de 30 a 40ºC.municípios de Fraiburgo e São Joaquim. As espécies de clima temperado podem desenvolver a frutificação na área subtropical e mesmo na tropical, desde que o repouso hibernal seja substituído por período seco que impeça a vegetação, porém as plantas de clima tropical e subtropical dificilmente encontram condições para prosperar nas zonas temperadas. A área de distribuição favorável para as espécies frutíferas de clima temperado concentra-se no sul do Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Encontram-se, entretanto, dispersas pelo país, regiões microclimáticas, como a serra da Mantiqueira, a serra dos Cristais e regiões do interior e do norte do Brasil, que compensam a latitude com a altitude, oferecendo também microclimas favoráveis.Sebastião Elviro de Araújo Neto 7
  10. 10. Importância da fruticultura brasileiraPlantas de clima subtropical e tropical em sistemas de produção de alta tecnologia geram apenas entre 2 a 40 horas/ha (Mello et al., 2000). Os vegetais tropicais e subtropicais encontram, A alta geração de emprego ocorre por se tratara partir do centro do Estado de São Paulo até o de cultivo extensivo e intensivo, exigindo a presençaAmazonas, condições ecológicas para o seu constante de mão-de-obra.desenvolvimento, com exceção das regiões Por isso, existe atualmente grandes incentivosmontanhosas, onde a queda de temperatura oferece à projetos de irrigação, principalmente por ser umasmicroclima favorável às culturas temperadas. das atividades agrícolas que exige pouco recursos Pelos conhecimentos adquiridos sobre espécies para gerar empregos.de clima temperado, subtropical e tropical, econhecendo-se as condições ecológicas de cada 1.10 - Aspectos nutracêuticosregião, podem-se estabelecer pomares comerciaiscom grande probabilidade de êxito. A estimativa dos órgãos governamentais é que Assim, as culturas de abacaxi, anona, banana, 70% das mortes de brasileiros ocorreram por motivococo-da-bahía, mamão, manga, tâmara, citros, abacate, de doenças crônicas. Aproximadamente 35% dosgoiaba, jabuticaba encontrariam condições ecológicas casos de câncer no mundo tem como causa principaldas mais favoráveis a partir da parte central do Estado uma alimentação desequilibrada.de São Paulo até o norte, incluindo as regiões central e Os alimentos vegetais, em geral, são alimentosnordeste, que se enquadram dentro de clima indispensáveis e mais importantes para a vida. Elessubtropical e tropical. As espécies de clima temperado, são fontes principais de minerais, vitaminas, fibras,entretanto, como ameixeira, figueira, macieira, açúcar, além de proteínas e gorduras, em menoroliveira, pecã, pessegueiro, pereira e videira, quantidade, substâncias essenciais para todo oencontrariam condições mais satisfatórias do sul do funcionamento do organismo. Os vegetais contém,Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul. também, substâncias protetoras e curativas, com ação anti-infecciosa, anti-inflamatória, anti-parasitária,1.9 - Aspectos sociais anti-reumática, anti-hipertensiva, diurética, laxativa, desintoxicante e vitalizadora de todo organismo. São Os 6 milhões de empregos gerados nos 2,5 alimentos equilibrados e determinam uma perfeitamilhões de hectares de fruticultura é em grande parte saciedade do apetite, impedindo o comer excessivo, apor causa do baixo investimento necessário para a busca constante por comidas, portanto, evitam egeração de emprego, pois, para cada 10.000 dólares curam a obesidade.investidos em fruticultura, geram-se 3 empregosdiretos permanentes e dois empregos indiretos. Visto 1.10.1 Comportamento alimentar do homempor outro ângulo, 2,5 milhões hectares com frutas noBrasil significam 6 milhões de empregos diretos (2 a Uma grande parte de nossa população passa5 pessoas por hectare). fome, no sentido de escassez ou de impossibilidade Química de adquirir os alimentos fundamentais, outra parte 220000 Investimento médio para gerar um emprego (US$) gasta-se além do necessário em sistemas alimentares de verdadeiras manias (De Angelis, 2001). Mas, para os que comem, “comer não é apenas uma questão de matar a fome” (Burgierman, Metalúrgica 145000 2002). A decisão sobre que comida colocar no prato Pecuária tem implicações econômicas, ambientais, éticas, 100000 Automobilísmo culturais, fisiológicas, históricas, religiosas e etc. 91000 Turismo Assim, os lactovegetarianos comem ovos, leite e 66000 Agricultura derivados, por não “resultarem” do sofrimento animal 37000 ou por não conter toxinas produzidas antes da morte Fruticultura animal; os vegans acreditam na liberdade total dos 6000 2500 animais e não se alimentam de produtos de origem animal e deveriam fotografar apenas com máquinasFigura 1.2 - Investimento médio para gerar um digitais, devido os filmes das máquinas analógicasemprego em algumas atividades industriais, turismo e conterem uma gelatina retirada da canela da vaca; osagropecuárias. frugivoristas não só rejeitam carne como evitam machucar ou matar vegetais. Por isso, comem apenas Um exemplo de geração de emprego é o caso aquilo que as plantas “querem” que seja comido:da atemóia no Estado de São Paulo. Segundo estudos frutas, castanhas e sementes, consideram o consumode Mello et al., (2004), a atemóia assim como outras de folhas, caules e raízes uma violência.frutíferas, é grande absorvedora de mão-de-obra, Mas afinal, o homem é onívoro ou frugívoro?requer cuidados agronômicos sistemáticos cerca de1.153 horas/ha/ano, enquanto que as culturas anuaisSebastião Elviro de Araújo Neto 8
  11. 11. Importância da fruticultura brasileira Baubach, (1992) cita o Dr. Friedman, que como alguns biscoitos. A vitamina B12 pode estáafirma ser o homem um frugívoro, não só pela forma presente em alguns pró-bióticos, como o Kefir,e disposição do seu sistema dentário, mas, também, colônia de microrganismos lácticos.pela constituição dos órgãos digestivos, e muitos Um outro cuidado no balanceamento da dietaafirmam que é erro considerarmo-nos onívoros. dos vegetarianos é o iodo. Um trabalho de Portanto, acredita-se que as frutas são investigação constatou que a população vegetarianaalimentos naturais do homem, mineralizantes por (sem consumo de qualquer alimento de origemexcelência, e é nesta fonte pura e não nos cadáveres animal), a ingestão média de iodo foi abaixo de 100que se deve apoiar-se para a reparação das forças do g/dia, enquanto as recomendações são de 150organismo. g/dia (De Angelis, 2001). Um outro problema sério na alimentação dos1.10.2 Valor nutritivo das frutas vegetarianos é a pouca concentração de ferro nos vegetais ao contrário das carnes e víceras. Mas, aÉ possível o homem alimentar-se apenas de frutas? ingestão diárias de diversas frutas, hortaliças e outros Nas frutas tem-se os princípios necessários vegetais, garante a necessidade diária de ferro. Apara atender as necessidades vitais dos humanos goiaba é um dos frutos mais completos, em termos de(Quadro 1.7). balanço nutricional, mas possui baixo teor de Fe. No O tamarindo, as uvas, a banana, o açaí e geral, não existe um fruto ideal que possa serviroutros, fornecem os carboidratos; o coco, as como única fonte de alimento vegetal, mas que acastanha-da-amazônia1 e castanha-de-caju, sementes alimentação deve ser feita de uma “salada” de frutas,de baru e outras, fornecem gorduras e proteínas. As ou seja, uma alimentação com vários tipos de frutas efrutas também suprem com os mais variados sais de preferência respeitando a sazonalidade regional.minerais, vitaminas, fermentos, água (com o selo da As castanhas, a exemplo a castanha-da-vida) e fibras. Com regime exclusivo de frutas, o amazônia, pode suprir a necessidade diária dehomem pode viver em bom estado de saúde, mas é proteínas e cálcio, este último é encontrado em maiorpreciso individualiza-lo devidamente (Quadro 1.8). concentração que no leite de vaca, o leite de vaca e seus derivados, por ter também elevado teor de cálcio, leva os nutricionistas convencionais aQuadro 1.7 – Composição química em 100g de recomendarem este alimento, porém, esquecem dealgumas frutas. que o leite, muito importante para os mamíferos jovens, pode trazer problemas para a saúde humana, Vit.A Vit.B1 Vit.B2 Vit.B3 Vit.C Ca P Fe Prot principalmente pela contaminação por doenças dos Frutas Kcal (µg) (µg) (µg) (mg) (mg) (mg) (%) animais, muitas vezes mal tratados. Abacate 162 20 70 100 0,80 10,2 13 47 0,70 1,3 Em natureza, não se observa mamíferos Açaí 247 150 360 10 0,40 5,0 118 0,5 2,00 3,5 adultos mamando em suas genitoras, será que o Ameixa 54 200 120 150 0,37 6,8 11 16 0,36 0,6 homem adulto poderia alimentar-se de leite natural? Banana 89 10 92 103 0,82 17,3 15 26 0,20 1,3 Caqui 87 250 30 45 0,80 17,1 4 42 0,41 0,8 Quadro 1.8 – Necessidade diária de um homem Caju 37 16 58 50 2,56 200,0 50 18 1,00 0,8 adulto e elementos consumidos em 1,6 kg de frutas, Castanha 700 7 1094 118 7,71 10,3 172 746 5,00 17,0 Coco seco 619 0 60 40 0,50 1,6 108 209 4,80 5,0 castanhas e sementes. Goiaba 43 245 190 154 1,20 45,6 17 30 0,70 1,0 Necessidade Consumo 1,6 kg de frutas e Laranja 43 14 40 21 0,19 40,9 45 28 0,20 0,9 diária castanhas Limão 28 2,5 55 60 0,31 30,2 41 15 0,70 0,8 Maracujá 90 70 150 100 1,51 15,6 13 17 1,60 1,8 Energia Kcal >2600 3075 50 g de cada fruta Manga 64 220 51 56 0,51 43,0 21 17 0,78 0,6 Proteína (g) 56 83 Castanha-da- Coca-cola 39 0 0 0 0 0 2 1 0 0 Amazônia, Castanha- Fibra (g) 20 - 35 92Fonte: Franco, 1992; Aguiar et al., 1980; Donadio et al., 2002. de-Caju, Amêndoa, Cálcio (mg) 800 733 Burití, Pinhão, Ferro (mg) 10 41 Bacurí. Na alimentação dos frugivoristas e dos vegans, Fósforo (mg) 800 1650 100g de cada frutadeve haver um cuidado especial quanto ao Caju,açaí, manga, Vit. A (g) 1000 1200suprimento de vitamina B12, pois estas não contem maracujá, biribá, Vit. B1 (g) 1400 2940 jenipapo, baru,nos vegetais, é sintetizada por bactérias de solo, Vit.B2 (g) 1700 1620 goiaba.consumidas pelos animais durante o pastejo e Vit. B3 (mg) 18 22 150 g de cada frutaencontrada nas carnes dos mesmos. Porém, pode ser laranja, abacate Vit. C (mg) 60 560 200 g de bananaencontrada facilmente em alimentos enriquecidos, Fonte: Franco, 1992; Aguiar et al., 1980, Donadio et al., 2002.1 Castanha-da-Amazônia é o termo que respeitosamenteemprego para a Castanha-do-Pará, que não é apenas do Um concorrente direto na comercialização dasPará, ou Castanha-do-Brasil, que não é apenas do Brasil, frutas é o refrigerante, um produto artificial, semmas, a Bertholletia excelsa é da Amazônia Real, inclusive nenhum valor nutricional, intoxica e desmineraliza oda Bolívia, Peru, Colômbia, Guianas, Suriname eVenezuela. organismo. Têm muita caloria inútil e engorda. O "diet", com menos calorias, é artificial e tóxico. AoSebastião Elviro de Araújo Neto 9
  12. 12. Importância da fruticultura brasileiracontrário das frutas, não contém vitaminas, proteínas, Os ácidos biliares são derivados do colesterolsais minerais (raro poucas exceções) e contém e sintetizados no fígado. Se mais componentes de bilecorantes e acidulantes, tóxicos ao organismo. Além são eliminados do corpo, mais estes deverão serde não respeitar o próprio corpo ao beber um sintetizados para fazer a bile normal. Este processorefrigerante multinacional, que tem inclusive acaba gastando mais colesterol (substrato), reduzindoincentivos fiscais (não oferecido às industrias assim o colesterol circulante (De Angelis, 2001).nacionais de refrigerante), paga-se aos estrangeiros e  Vitaminas e minerais – está comprovadodesempregam-se brasileiros nos campos de produção que a lignina, as hemiceluloses ácidas, as pectinas ede frutas, café e chás. algumas gomas são capazes de fixar determinados minerais, como cálcio, fósforo, zinco, magnésio eFibras dietéticas ferro, e algumas vitaminas podem ter alterado sua absorção. Esses efeitos, que, à primeira vista, Além dos carboidratos, proteínas, vitaminas e poderiam ser prejudiciais, na prática não constituemsais minerais, as frutas têm um outro componente problema quando a ingestão de fibras dietética émuito importante na nutrição humana, as fibras. moderada, ou seja, dentro das recomendaçõesAtualmente as fibras deixam de exercer apenas a nutricionais. Pode se observar balanço negativo defunção digestiva muito preconizada no passado e cálcio, magnésio, fósforo, ferro e zinco em grandespassa a ocupar o lugar que lhe corresponde dentro do consumidores de pão integral. Essas alteraçõesarsenal terapêutico atual, ganhando um novo subclínicas desapareceram quando se aumenta oconceito: o de “fibra dietética”. consumo de pão branco. Indivíduos que ingerem As características físico-químicas, menos que 50g de fibras ao dia, não estão expostos aconcernentes à solubilidade, viscosidade, nenhum desequilíbrio nutricional.geleificação, capacidade de incorporar substâncias As fibras dietéticas chegam ao intestino grossomoleculares ou minerais, determinarão as de forma inalterada e, ao contrario do que ocorre nodiferenciações entre fibras. intestino delgado, as bactérias do cólon, com suas As fibras classificam em fibras solúveis em numerosas enzimas de grande atividade metabólica,água (pectinas, gomas, mucilagens, hemicelulose B) podem digerir as fibras em maior ou menor grau,e Insolúveis em água (celulose, lignina e dependendo de sua composição química e estrutura.hemicelulose A). E ainda tem algumas substâncias As moléculas complexas são desdobradas aque participam do grupo das “fibras dietéticas” por hexoses, pentoses e álcoois, que já podem sersua similaridade (amido resistente, absorvidos pelo intestino, servindo de substrato afrutooligossacarídeos, açúcares não-absorvidos e outras colônias bacterianas, que, por sua vez, asinulina). degradam em ácido lático, água, dióxido de carbono, A fibra dietética passa através do intestino, no hidrogênio, metano e ácidos graxos de cadeia curtaqual desenvolve sua capacidade de hidratação e (acetato, propionato e butirato), com produção defixação, interferindo na absorção de substâncias energia. A produção e ação metabólica desses ácidosorgânicas e inorgânicas como segue: graxos têm sido o principal foco de investigação atual  Proteínas, carboidratos e lipídios – são os sobre fibras, pois podem se constituir de importanteprimeiros nutrientes a serem hidrolisados no intestino substrato energético, serem utilizados pelo fígadodelgado para serem absorvidos. Como a ação das para gliconeogênese, além de exercerem açãofibras solúveis, principalmente das gomas, pectinas e antitumoral.mucilagens, estas substâncias terão sua absorção Por outro lado, é sabido que uma dieta pobreretardada e algumas vezes sua excreção ligeiramente em fibras pode ocasionar mudanças na microbiota eaumentada. As perdas de proteínas, carboidratos e converter os lactobacilos habituais do cólon emgorduras nas fezes não são importantes do ponto de bacterióides capazes de desdobrar os ácidos biliaresvista nutricional, mas são, sem dúvida, relevantes em compostos cancinogênicos.para o controle de algumas doenças como os diabetese as coronariopatias. Carboidratos -  Sais biliares – a lignina, as gomas, pectinase mucilagens são capazes de seqüestrar os sais As frutas são ótimas fontes de carboidratos ebiliares, permitindo sua eliminação nas fezes, o que açúcar simples. Os carboidratos são recomendadostem grande importância na prevenção de tumores, já como o principal nutriente da composição dasque determinadas cepas de bactérias, particularmente pirâmides alimentares, mas podem se tornarema Clostridium putrificans, têm capacidade de vilões, como nos EUA, por exemplo, causandosintetizar cancerígenos utilizando-se dos ácidos obesidade, hipoglicemia e diabetes.biliares e colesterol como substrato. Não basta apenas consumir carboidratos, é A absorção de gorduras torna-se diminuída, preciso que esse carboidrato esteja nas frutas,pela impossibilidade de não serem emulsionadas e hortaliças e nos cereais integrais. Sua energia énem transportadas na mucosa intestinal. liberada durante um período mais longo e contínuo, ao contrário dos curtos derrames de energia do açúcarSebastião Elviro de Araújo Neto 10
  13. 13. Importância da fruticultura brasileirasimples. Apesar de não serem considerados como vez mais sobre como a dieta pode prevenir doenças.complexos de carboidratos, os açúcares simples O tema nutrição é o ponto alto na relação entre dietaencontrados nas frutas estão misturados com e doenças crônicas como obesidade, doençasvitaminas, sais minerais e fibras. É nisso em que cardíacas e câncer. Em outras palavras, estamosdiferem do açúcar branco, refinado, que é usado em caminhando para promoção da saúde, longevidade ealtas concentrações associados com muitos alimentos qualidade de vida.ruins, repletos de “calorias vazias” (Blauer, 2004). As Por ser um tema “recente” e despertarfibras contidas nesses alimentos retardam a absorção interesses diversos, recebem também, diversasde glicose, permitindo que as pessoas se sintam terminologias. Os mais usuais são alimentosalimentadas por mais tempo. Isto também impede as funcionais, fitoquímicos ou compostos bioativos eoscilações da insulina, que sobe violentamente com a também nutracêutico, estudado pela “medicinaingestão de açúcares de tudo que se transforma ortomolecular", que consiste no combate aosimediatamente em açúcar no organismo, como o pão "radicais livres" através de substânciasbranco e a batata. "antioxidantes", representadas principalmente pelas vitaminas e pelos minerais.Os minerais das frutas Lajolo define os nutracêuticos como: “Alimento semelhante em aparência ao alimento Os minerais das frutas são minerais quelantes, convencional, consumido como parte da dieta usual,diferente dos minerais sintéticos, porque o organismo capaz de produzir demonstrados efeitos metabólicos oureconhece e usa mais facilmente, é por isso que uma fisiológicos úteis na manutenção de uma saúde física edieta rica em minerais orgânicos, é de fácil mental, podendo auxiliar na redução do risco deassimilação e ajuda a garantir que o organismo doenças crônico-degenerativas, além de manter suasreceba todos os minerais importantes de que precisa. funções nutricionais” (Lajolo, 2001). Os minerais das frutas e sucos naturais ajudam Estudos epidemiológicos, por exemplo, têma manter alta a energia do corpo, os nervos calmos, associado a dieta rica em vegetais ao uso da soja,os dentes, os ossos e as unhas. Além disso, mantêm o com uma menor incidência de osteoporose e câncersangue limpo e seu pH equilibrado. E fazem isso de mama na mulher. A dieta mediterrânea, rica emneutralizando os resíduos ácidos e alcalinos, ou seja, frutas e vegetais, óleo de oliva e carboidratos, leva aresíduos da digestão e do metabolismo humano. níveis de colesterol elevados, mas não correlacionado Em adição a essas funções gerais, cada mineral a um maior número de mortes por enfarto.tem uma função específica. As funções específicas devários dos mais importantes minerais existentes nas 1.10.4 - Fome ocultafrutas estão relacionados abaixo. O potássio é o mineral responsável pelo “Os fitoquímicos defendem as células doequilíbrio eletroquímico dos tecidos do coração e de corpo, as quais estão constantemente sofrendooutros músculos. O ferro é um componente das ataques, seja do meio ambiente, da alimentaçãocélulas vermelhas do sangue, que transporta o inadequada ou da própria genética”. A essaoxigênio para os pulmões e ajuda os alvéolos na necessidade do organismo em receber proteçãorespiração. O fósforo é essencial para o bom contra doenças por meio dos fitoquímicos. É umafuncionamento do cérebro e dos nervos. fome que não se percebe, mas de algo de que o corpo O cálcio mantém o equilíbrio ácido/alcalino do precisa (De Ângelis, 1999).sangue e fortalece os ossos. O enxofre ajuda o Estudos epidemiológicos têm confirmado essacérebro e os nervos a funcionarem; e é o depurador tendência que indica déficit do consumo de ácidosdo organismo. O iodo alimenta a glândula tireóide, graxos polinsaturados, proteínas de alto valor biológico,que controla o metabolismo. O magnésio ajuda o vitaminas, cálcio, ferro, iodo, flúor, selênio e zinco. Esterelaxamento muscular, a sintetização das proteínas, a estado nutricional carente tem originado elevadasprodução de energia e é um laxante natural. incidências de doenças crônico degenerativas, dentre O manganês é necessário para o elas, doenças cardiovasculares, câncer, hipertensão,funcionamento cerebral. O selênio funciona em diabetes, obesidade, entre outras. A fome oculta é umaconjunto com a vitamina E para evitar a oxidação dos fome universal, que agrava principalmente os habitantesácidos graxos. O sódio com o potássio, o cálcio e o de países desenvolvidos. Segundo dados da OMSmagnésio, agem na neutralização de ácidos, mantém mostram que essas doenças são responsáveis por 70% aa integridade das células e conserva a energia 80% da mortalidade nos países desenvolvidos e cerca deeletromagnética dos tecidos. 40% naqueles em desenvolvimento.1.10.3 Fitoquímicos ou alimentos funcionais 1.10.5 Antioxidantes Apesar da conexão entre dieta e saúde serreconhecida há muito tempo, à medida que Oxidação em sistemas biológicoscaminhamos para o século XXI, descobrimos cadaSebastião Elviro de Araújo Neto 11
  14. 14. Importância da fruticultura brasileira A oxidação nos sistemas biológicos ocorre aberrações cromossômicas. Além destes efeitosdevido à ação dos radicais livres no organismo. Estas indiretos, há a ação tóxica resultante de altasmoléculas têm um elétron isolado, livre para se ligar concentrações de íon superóxido e peróxido dea qualquer outro elétron, e por isso são extremamente hidrogênio na célula.reativas. Elas podem ser geradas por fontesendógenas ou exógenas. Por fontes endógenas, Compostos antioxidantesoriginam-se de processos biológicos quenormalmente ocorrem no organismo, tais como: Os processos oxidativos podem ser evitadosredução de flavinas e tióis; resultado da atividade de através da modificação das condições ambientais ouoxidases, cicloxigenases, lipoxigenases, pela utilização de substâncias antioxidantes com adesidrogenases e peroxidases; presença de metais de propriedade de impedir ou diminuir otransição no interior da célula e de sistemas de desencadeamento das reações oxidativas.transporte de elétrons. Os antioxidantes são capazes de inibir a Esta geração de radicais livres envolve várias oxidação de diversos substratos, de moléculasorganelas celulares, como mitocôndrias, lisossomos, simples a polímeros e biossistemas complexos, porperoxissomos, núcleo, retículo endoplasmático e meio de dois mecanismos: o primeiro envolve amembranas. As fontes exógenas geradoras de radicais inibição da formação de radicais livres quelivres incluem tabaco, poluição do ar, solventes possibilitam a etapa de iniciação; o segundo abrangeorgânicos, anestésicos, pesticidas e radiações. a eliminação de radicais importantes na etapa de Nos processos biológicos há formação de uma propagação, como alcoxila e peroxila, através davariedade de radicais livres. São eles: doação de átomos de hidrogênio a estas moléculas, interrompendo a reação em cadeia.- Radicais do oxigênio ou espécies reativas do Sabe-se que, por um lado, as vitaminas C, E eoxigênio íon superóxido (O2 -*) os carotenóides funcionam como antioxidantes emHidroxila (OH·); Peróxido de hidrogênio (H2O2); sistemas biológicos, e por outro, o processoAlcoxila (RO*); Peroxila (ROO*); Peridroxila carcinogênico é caracterizado por um estado(HOO*); Oxigênio sinlete (1O2); oxidativo crônico, especialmente na etapa de promoção. Além disso, a fase de iniciação está- Complexos de Metais de Transição associada com dano irreversível no material genéticoFe+3/Fe+2; Cu+2/Cu+ da célula, muitas vezes devido ao ataque de radicais- Radicais de Carbono livres. Desse modo, os nutrientes antioxidantesTriclorometil (CCl3*); poderiam reduzir o risco de câncer inibindo danos oxidativos no DNA, sendo, portanto considerados- Radicais de Enxofre como agentes potencialmente quimiopreventivosTiol (RS·) (Silva e Naves, 2001). Outras doenças degenerativas do- Radicais de Nitrogênio envelhecimento, incluindo câncer, doençasFenildiazina (C6H5N = N·) cardiovasculares e cataratas são prevenidas ouÓxido nítrico (NO*) retardadas no início, por esses três antioxidantes Estes radicais irão causar alterações nas (vitamina C, vitamina E e carotenóides).células, agindo diretamente sobre alguns Para se ter uma idéia sobre a oxidação naturalcomponentes celulares. Os ácidos graxos no organismo, “o DNA em cada célula do corpopolinsaturados das membranas, por exemplo, são recebe aproximadamente 10.000 ataques oxidativosmuito vulneráveis ao ataque de radicais livres. por dia” (Ames et al., 1993). Estas moléculas desencadeiam reações deoxidação nos ácidos graxos da membrana • Carotenóideslipoprotéica, denominadas de peroxidação lipídica, Os carotenóides compreendem um grandeque afetarão a integridade estrutural e funcional da número de compostos, muitos dos quais commembrana celular, alterando sua fluidez e atividade biológica. Alguns, como o -caroteno, sãopermeabilidade. Além disso, os produtos da oxidação pró-vitaminas A (transforma-se em vitamina A nodos lipídios da membrana podem causar alterações organismo). Outros como o licopeno não sãoem certas funções celulares. Os radicais livres podem precursores de vitamina A, mas agem no organismoprovocar também modificações nas proteínas como antioxidantes, na eliminação de espécies ativascelulares, resultando em sua fragmentação, cross de oxigênio, formadas ou não no nosso organismo.linking, agregação e, em certos casos, ativação ou Ao contrário de muitas vitaminas, ainativação de certas enzimas devido à reação dos biodisponibilidade de carotenóides é aumentada comradicais livres com aminoácidos constituintes da o aquecimento dos alimentos, como nocadeia polipeptídica. A reação de radicais livres com processamento do tomate ou da goiaba, por exemplo.ácidos nucléicos também foi observada, gerandomudanças em moléculas de DNA e acarretando certasSebastião Elviro de Araújo Neto 12
  15. 15. Importância da fruticultura brasileira • Vitamina C cancerígena ou alteração celular promove O termo vitamina C é uma denominação sucessivamente o crescimento do câncer. Estegenérica para todos os compostos que apresentam crescimento não ocorre, porém, até que um dosatividade biológica do ácido ascórbico. Dentre eles, o vários fatores chamado “promotores” aja alterando aácido ascórbico é o mais largamente encontrado nos célula. Em câncer de mama, a causa mais comum dealimentos e possui maior poder antioxidantes mortalidade em mulheres, estes fatoresencontrado nos alimentos e possui maior poder (“promotores”) incluem danos oxidativos, a ação deantioxidante. Os possíveis efeitos anticarcinogênicos hormônios esteróides, e a ação de certos tipos deda vitamina C estão relacionados com sua habilidade prostaglandinas (PGS). Na Figura 1.3, estar umem detoxicar substâncias carcinogênicas e suas esquema altamente simplificado, ilustrando como eatividades antioxidantes. Além disso, tem-se quais estágios certos fitoquímicos podem agir paraconstatado que a vitamina C pode inibir a formação bloquear o processo de promoção do câncer,de nitrosaminas in vivo a partir de nitratos e nitritos combatendo o efeito de certos cancerígenos,usados como conservantes, sendo, portanto iniciadores e promotores (Caragay, 1992).adicionados para prevenir a formação dessescompostos reconhecidamente carcinogênicos. Danos oxidativos carotenóides, fenólicos, s fibras, terpenos, • Vitamina E flavonóides, terpenos. fenólicos, sulfetos, A vitamina E é uma substância lipossolúvel e isoflavonas Carcinogênicosexistente na natureza como tocoferóis e tocotrienóis, sem quatro formas diferentes (, ,  e ), sendo o - Iniciação Promoção dotocoferol a forma antioxidante mais ativa e do tumor tumor hormôniosamplamente distribuída nos tecidos e no plasma. A esteróidevitamina E constitui o antioxidante lipossolúvel mais cumarina, sulfetos, s flavonóides, isoflavonas fenólicos, flavonóides,efetivo encontrado na natureza, e importante fator de triterpenóides sulfetos, poliacetilenosproteção contra a peroxidação lipídica nas Prostaglandinasmembranas celulares e na circulação sanguínea. Figura 1.3 - Fitoquímicos podem afetar o padrão • Flavonóides metabólico associado com câncer dos seios. Os flavonóides são ativos, em geral variáveis, (Adaptada de Pierson, 1992).contra radicais livres, os quais, por sua vez, podemestar associados a doenças cardiovasculares (melhor Consumo de carne ou não consumo de vegetaisdistribuição periférica do sangue, melhora fluxoarterial e venoso), câncer, envelhecimento e outras: “Cerca de 80% dos cânceres de mamas,- antiinflamatória; próstata e de cólon são atribuídos aos hábitos- estabilizadora do endotélio vascular – melhora alimentares, especialmente consumo de carnesfunção da célula endotelial, diminuindo a vermelhas e gorduras” (Binhham, 1999, citado porpermeabilidade; De Angelis, 2001).- antiespasmódica- ação principal na musculatura lisa; A carne parece estar associada com câncer,- cardiovascular- - antialérgico; apenas em povos que não tem uma dieta variada. Os- antiulcerogênico; franceses e os mediterrâneos em geral, têm uma dieta- antivirais. variada e rica em vegetais frescos, azeite de oliva, Os flavonóides são constituídos vinho e carne de todos os tipos. Ao contrário dosprincipalmente de antocianina, flavonois, flavonas, americanos, esses povos comem com calma, emcatequinas e flavonoides. ambiente descontraídos, fatores também relacionados Para se ter uma alimentação saudável, com prevenção de doenças e qualidade de vida.recomenda-se comer pelo menos cinco (5) refeições Uma coisa ninguém tem dúvidas: vegetaisde frutas e hortaliças diariamente. As frutas e fazem bem. Uma dieta rica em frutas, e hortaliçashortaliças são as principais fontes dos três nutrientes claramente reduz as chances de ter câncer noantioxidantes mais importantes: vitamina C, estômago, na boca, no intestino, no reto, no pulmão,carotenóides e vitamina E. na próstata e na laringe, além de afastar os ataques cardíacos. Frutas e hortaliças amarelas têm caroteno,1.10.6 – Prevenção de câncer que previne câncer no estômago, a soja possui isoflavona, que diminui a incidência de câncer deCausas de indução mama e osteoporose; o alho tem alicina, que fortalece o sistema imunológico e por aí vai. Até o momento, a pesquisa determinou muitos Mas, a carcinogênese que não dependem daaspectos de desenvolvimento do câncer, se conhece alimentação pode ocorrer inclusive em vegetarianos,que o crescimento do tumor tem dois estágios com ocorrência de câncer de estômago, por exemplo,críticos: iniciação e promoção. A “iniciação” pois outros fatores estão relacionados com câncer,Sebastião Elviro de Araújo Neto 13
  16. 16. Importância da fruticultura brasileiracomo a predisposição genética, o tabaco, o álcool, Muitas frutas são adequadas para as pessoas deinfecções viróticas e o ambiente (Anelli, 2004). Tipo O. Mas, algumas frutas são consideradas1.10.7 – As frutas e o tipo sanguíneo nocivas. A razão por que ameixas são tão benéficas ao Tipo O é que a maior parte das frutas de cor Os doutores James D’Adamo e Peter vermelha escura, azul e roxa tende a provocar umaD’Adamo, revelaram por meio de suas pesquisas e reação alcalina em vez de ácida no aparelhoestudos, que a escolha do tipo de alimento não deve digestível. O aparelho digestivo das pessoas de Tiposer casual, simplesmente por questões culturais ou O tem alto nível de acidez e precisa equilibrar areligiosas, mas que deve obedecer o tipo sanguíneo alcalinidade para reduzir úlceras e irritações dade cada pessoa. Seus estudos estão publicados no mucose estomacal.livro A dieta pelo tipo sanguíneo, publicado em 1996, Devido a sua alcalinidade, sucos de hortaliçaslançado no Brasil pela Editora Campus, em 1998 e são mais indicados para os de Tipo O que sucos dereeditado em 2005 (D’Adamo e Whitney, 2005). frutas. Os sucos de frutas devem ser de frutas pobres O sistema imunológico encontra-se no sangue, em sacarose (Tabela 1.9).e possui mecanismos sofisticados para determinar se O suco de abacaxi pode ser particularmenteuma substância é estranha ou não ao corpo. Um dos eficaz para evitar retenção de líquido e inchaço,métodos reside nos marcadores químicos chamados ambos fatores que contribuem para o aumento de“antígenos”, que são encontrados nas células do peso.corpo humano. Quando o antígeno do tipo sanguíneo percebe A dieta para o tipo Aque um antígeno estranho entrou no sistema, a As pessoas de sangue Tipo A se dão bem comprimeira coisa que ele faz é criar anticopos contra dietas vegetarianas – herança de seus ancestraisesses antígenos. agricultores, mais sedentário e menos guerreiros. Quando ocorre uma reação química entre o Precisam consumir alimentos em estado o maissangue e os alimentos consumidos, essa reação faz natural possível: frescos, puros e orgânicos. Esseparte da herança genética do tipo sanguíneo. É cuidado é importante para o sensível sistemaestranho, mas verdadeiro que hoje, no século XXI, imunológico dos organismos. Pois são pessoasnosso sistema digestório e imunológico ainda biologicamente predispostas para diabetes, câncer emantenha uma preferência pelos alimentos que doenças do coração.nossos ancestrais com o mesmo tipo sanguíneo O sistema digestível de pessoas Tipo A é maiscomiam. alcalino que ácido. Sabe-se disso devido a um fator chamado As laranjas devem ser evitadas, pois elaslectina. As lectinas são abundantes e variadas irritam o estômago do Tipo A e interferem tambémproteínas encontradas nos alimentos, têm propriedade na absorção de importantes nutrientes. Embora ade aglutinação, afetando o sangue. acidez estomacal seja em geral baixa nos organismos As lectinas dos alimentos incompatíveis com o de Tipo A e possa admitir um estimulante, as laranjasantígeno de um determinado tipo sanguíneo, ao irritam a delicada mucosa estomacal. O limão maisserem ingeridas atingem um órgão ou sistema ácido que a laranja, é excelente para esse tipocorporal (rins, fígado, cérebro, estômago etc.) e sanguíneo, pois apresenta tendência de alcalinidadecomeçam a aglutinar células sanguíneas nessa área. na digestão, auxilia na digestão e eliminação do muco do organismo, recomendado inclusive para A dieta para o tipo O tratamento de azia (acidez no estômago). O aparelho digestível de pessoas Tipo O A dieta para o tipo Bconserva a memória dos tempos antigos. A dieta rica As maiorias das frutas podem ser consumidasem proteína animal de caçador-coletor e as enormes pelas pessoas de Tipo B, pois possuem aparelhosdemandas físicas do sistema dos primitivos seres digestível muito equilibrados, com um saudável nívelhumanos de Tipo O provavelmente manteve a ácido-alcalino, de modo que, se pode consumir frutasmaioria deles em um branco estado de cetose – uma que são muito ácidas para outros tipos de sangue.condição em que o metabolismo do corpo fica O abacaxi pode ser particularmente benéficoalterado. A cetose é o resultado de uma dieta rica em para organismos de Tipo B. que são susceptíveis aproteína e em gordura que inclui poucos carboidratos. edemas – especialmente quando não inclui laticíniosO corpo metabolisa as proteínas e gorduras em e carnes na dieta. A bromelaína, uma enzimacetoses, que são usadas em lugar dos açúcares numa existente no abacaxi, ajuda-o a digerir maistentativa de manter os níveis de glicose estáveis. facilmente os alimentos. Para digerir melhor uma dieta rica em carnes,o sistema digestível de pessoas Tipo O é ácido. Por A dieta para o tipo ABisso, uma dieta ácida, acidifica cada vez mais oestômago dessas pessoas, causando problemas de O sangue Tipo AB é biologicamentesaúde, como úlcera e gastrites. complexo. Ele não se encaixa bem em nenhuma dasSebastião Elviro de Araújo Neto 14

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