Arte Brasileira; do Império à República

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De Leandro Joaquim, a Tarsila do Amaral; um panorama da arte feita no Brasil, do Império à República. Apresentação baseada na obra de Rafael Cardoso; A Arte Brasileira em 25 quadros, pela editora Record, 2008

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Arte Brasileira; do Império à República

  1. 1. Arte Brasileira Do Império à República ● 1500 chegada no Brasil, antes chamado Ilha de Vera Cruz e posteriormente Terra de Santa Cruz ● Ainda no século XVI o Brasil é dividido em Capitânias Hereditárias, uma maneira de colonizar o novo mundo ● Fracassam as Capitânias e Portugal instala o Governo Geral, com sua primeira Constituição tem início ao governo Tomé de Souza ● Vinda dos escravos ao Brasil; Seguidamente, por Alvará de 29 de Março de 1559, dona Catarina de Áustria, regente de Portugal, autorizou cada senhor de engenho do Brasil, mediante certidão passada pelo governador-geral, a importar até 120 escravos.
  2. 2. Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! Navio Negreiro (trecho) – Castro Alves
  3. 3. ● 1695; Descoberta aurífera nas Minas Gerais, descoberta pelos Bandeirantes (atuais paulistas) foi responsável por grande imigração portuguesa ao Brasil em busca de riqueza. ● 1760; Leandro Joaquim pinta Vista da Lagoa do Boqueirão e o Aqueduto de Santa Teresa. ● 1789; na França ocorria a queda da Bastilha e por sua vez a Revolução Francesa, nas Minas Gerais ocorre o movimento da Inconfidência mineira, tenho como desfecho o enforcamento e esquartejamento de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes). ● 1808; Napoleão assume após a deposição da casa dos Bourbons (Luís e Maria Antonieta) e invade Portugal. D. João VI, príncipe regente transfere a corte de Portugal para o Brasil.
  4. 4. Pedro Américo, Tiradentes Esquartejado, 1893 Museu Mariano Procópio de Juiz de Fora (Minas Gerais -Brasil) ● Após proclamação da República, Tiradentes é tido como herói nacional ● Embora esquartejado recebe a cruz cristã ● Permanece no alto da composição ● Pedro Américo, faz sua fama como artista de pinturas de batalhas e pinturas históricas; faz nesse caso um registro heroico de Tiradentes. ● Vale lembrar que a Inconfidência Mineira ocorreu em 1789 e a pintura ocorre em 1893, ou seja, a construção deste herói ocorre após um século e fica evidenciado o processo nacionalista ocorrido ao longo deste um século.
  5. 5. Leandro Joaquim, Vista da Lagoa do Boqueirão e Aqueduto de Santa Teresa, 1790 óleo sobre tela, 86x105 cm, Museu Histórico Nacional ● Retrato do cotidiano? Ou uma propaganda do governo mostrando uma obra pública? ● Os arcos da Lapa existem até hoje, porém numa paisagem diferente, mais modernizada. ● Alto/esquerdo da tela podemos reparar o convento (a religião ocupa um lugar importante na cena, o alto, como falado anteriormente da obra de Pedro Américo, Tiradentes Esquartejado, 1893. ● Centro da composição temos os arcos, a obra de engenharia da época. ● Logo abaixo a lagoa do Boqueirão e pessoas que se divertem nela. ● Parece haver grande harmonia entre os personagens da cena.
  6. 6. Leandro Joaquim, Vista da Glória, 1790
  7. 7. ● 1808 – Chegada da família real ao Brasil ● 1816 – Criação Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (dez anos após seria aberta a Academia Imperial de Belas Artes) ● 1817 – Pintura do quadro Del Rey D. João VI, por Jean Baptiste Debret; o quadro em questão ressalta a figura do imperador em posição de rei. ● Após 1815 com a queda de Napoleão, Portugal retoma suas relações internacionais com a França, D. João envia carta solicitando a vinda da missão francesa de artes ao Brasil. ● A França ainda sendo o centro cultural irradiador do pensamento europeu, D. João VI percebe que há a necessidade de elevar o reino a um outro patamar cultural. ● Na Europa ocorre o movimento Romântico.
  8. 8. Jean-Baptiste Debret, Retrato de El-Rei Dom João VI, 1817 óleo sobre tela, 60x42 Museu Nacional de Belas Artes
  9. 9. Exercício de Reflexão ● Debret sendo francês se inspira no ensino francês de arte e pinta D. João VI, entretanto ao analisarmos uma obra do século anterior; Hyacinthe Riguad, Retrato de Louis XIV, 1701 – Museu do Louvre, Paris. Percebemos que Debret inicia a arte no Brasil baseando-se numa visão europeia da arte. ● Louis XIV conhecido como o Rei Sol, responsável pela construção do Palácio de Versalles, fora governante da França por 72 anos. ● Uma das citações atribuídas a Louis XIV - “L'état, c'est moi!” - o Estado sou eu!; representação máxima do poder do rei Sol, já que o rei se simpatizava com Apolo, aquele que portava o sol. ● Observemos as duas obras:
  10. 10. ● Embora ambas as pinturas se pareçam, a pintura de D. João VI possui o tamanho de 60x42cm, e a pintura de Louis XIV 279x190cm, sendo muito maior. ● D. João VI aparenta ostentar mais insignias e brasões denotando seus títulos de nobreza, já o rei Louis XIV ostenta pouca riqueza e entende-se que nobreza vem de berço. ● Na verdade a pintura em questão não foi feita para exposição ou adoração dos súditos; ela foi feita para posteriormente ser feitas gravuras dela como a que vemos ao lado. ● Carles-Simon Pradier, Dom João, Rei do Reino Unido de Portugal, do Brasil e Algarves, 1817 ● Em tamanho menor e impressa em papel foi possível distribuir a imagem pelo reino de D. João, assim todo o povo conheceria o rei ao vê-lo.
  11. 11. ● Outros trabalhos importantes de Debret consistem na sua retratação do negro no Brasil, Debret escreve um livro sobre sua missão no Brasil, um estudo onde o pintor tenta “vender” a melhor imagem do Brasil à Europa, em especial à França. ● Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, por Jean-Baptiste Debret; um retrato do Brasil e da escravidão.
  12. 12. José dos Reis Carvalho ● Junto com a missão francesa e a abertura a Escola de Ciências, Artes e Ofícios, era necessário começar a catalogar a flora e fauna brasileira. ● “Riscadores” ou “Desenhadores” assim chamados os artistas que reproduziam com fidelidade a nossa flora e fauna, um esforço de catalogar a registro para escola de Ciências da época. ● José dos Reis Carvalho é o primeiro pintor a se formar na então Academia de Belas Artes, discípulo direto de Debret. ● Fala-se ainda do quadro a seguir sobre o tema: Natureza-morta, tema que explora objetos ausentes de vida, ora admiradas com certo tédio, ora admiradas com espanto. Naturezas-mortas tratam de assuntos ligados a transitoriedade da vida, a exemplo das vanitas (pinturas de crânios humanos). ● As naturezas-mortas ganharam muito cenários após alguns países se tornarem protestantes, o que tornava a iconografia católica apostólica romana mal vista em suas representações.
  13. 13. José dos Reis Carvalho, Flor, sem data aquarela sobre papel, 18x11cm Museu D. João VI - UFRJ
  14. 14. José dos Reis Carvalho, Igreja de Santana em dia de festa, 1851
  15. 15. Félix-Émile Taunay ● 1824 – Félix-Émile assume acadeira de seu pai Nicolas-Antoine Taunay (pintor de paisagem) na Academia Imperial de Belas Artes ● 1834 – Assume à direção da AIBA, promove reforma na instuição ● 1840 – Organiza as Exposições Gerais de Belas Artes ● 1843 – Fundação da Pinacoteca (hoje Museu Nacional de Belas Artes) ● 1850 - Acusado de favorecimento a León Pallière (neto de Grandjean de Montigny – arquiteto - , vindo na missão francesa de 1816) quando a este contempla com uma bolsa de estudos
  16. 16. Félix-Émile Taunay, Vista de um Mato Virgem que está sendo reduzido a Carvão, 1843 óleo sobre tela, 134x195cm, Museu Nacional de Belas Artes
  17. 17. ● Gonzaga Duque descreve a seguinte crítica em 1888 em A Arte Brasileira: ● “Neste, tudo é áspero e desagradável. Umas figurinhas de negros, desgraciosamente desenhadas...” ● A crítica refere-se a paleta de cores usada pelo artista; uma cor fria, não digna das representações a flora brasileira. ● Entretanto a pintura mostra uma denúncia importante sobre o desmatamento já ocorrendo em 1843. ● As críticas por Gonzaga Duque e Araújo Porto-Alegre se estendem, já que esperava-se o ensino de arte brasileiro e Taunay ainda usava uma paleta de cores vinda da França. ● A crítica ainda se alonga sobre a emoção da imagem: ● “... deixou de transmitir a comoção sentida diante da natureza, e o que conseguiu foi pintar a óleo uma estampa para qualquer museu botânico.”
  18. 18. José Correia de Lima ● O retrato do primeiro herói negro em 1853: ● O Rio de Janeiro; Sua História, Monumentos, Homens Notáveis, Usos e Curiosidades, Moreira de Azevedo, 1877: “Naufragando em 09 de outubro de 1853 o vapor Pernambucana ao sul da Laguna, morreram 28 pessoas, salvaram-se 42, e destas 13 deveram sua vida ao intrépido marinheiro Simão, que treze vezes transpôs a nado as ondas, venceu insuperáveis perigos, expôs-se à morte conseguindo arrancar das profundezas do mar, entre outros, um cego, um militar que tinha uma perna a menos...”
  19. 19. Retrato do Intrépido Marinheiro Simão, carvoeiro do vapor Pernambucana, 1853
  20. 20. Reflexão Política ● Considerando que a Abolição da Escravidão deu-se em 1888 e o quadro em questão fora pintado em 1853, ou seja, 35 anos antes. O que teria motivado tal representação e sua ampla divulgação pelo jornalista Paula Brito? ● Em 11 de novembro de 1853 ocupa-se uma manchete no jornal Marmota Fluminense: “O Preto Simão, Herói do vapor Pernambucana.” ● 1853 – faz-se circular no mesmo jornal a imagem reproduzida do herói em litografia, por Louis Thérier, hoje no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
  21. 21. Louis Thérier Simão, o Herói do Vapor Pernanbucana, 1853. Litografia
  22. 22. Victor Meirelles ● Uma das controvérsias históricas o quadro em questão, pintado em 1860 a cena seria uma representação da primeira missa feita em 1º de maio de 1500, quando Pedro Álvares Cabral manda rezar a missa de marca de posse da Terra de Vera Cruz. ● Pintura foi executada em Paris e justificava o pensionato de Victor Meirelles pago pelo império de concedido pela AIBA; teve favorecimento direto de Manuel de Araújo Porto-Alegre, então diretor na academia entre os anos de 1854 e 1857. Porto- Alegre o mesmo quem criticava a gestão eurocêntrica de Félix-Émile Taunay e à bolda concedida anos antes a León Pallière. ● Mais de três séculos da colonização do Brasil, a primeira missa fora pintada baseando-se nos padrões vigentes da época. ● Seria o quadro um relato vivo da primeira missa no Brasil, ou um modo de externarmos nossa nacionalidade e a exploração de uma nova paleta de cores? ● Victor Meirelles, A Primeira Missa no Brasil, 1860. Óleo sobre tela, 268x356cm Museu Nacional de Belas Artes
  23. 23. Pedro Américo ● Pedro Américo se consagra como pintor dos temas históricos do país, entre eles pinta; A Batalha do Avahy, Paz e Concórdia, O Grito de Independência e Libertação dos Escravos. ● Brasileiro nato, pintou vários temas relacionados histórico e ainda absorveu parte do conhecimento do movimento romântico europeu em outra de suas obras. ● A Batalha do Avahy, 1874-1877, tanto tempo tomado na obra deveu-se pelo fato de seu tamanho 6x11m, exaltava a força militar e os triunfos do império; a batalha trata do conflito entre Brasil e Paraguaios no sul mato-grossense em 1864. Pintada em Florença, após cinco anos o término do conflito, Pedro Américo se baseia em escritos do conflito não estando em campo de batalha.
  24. 24. Pedro Américo, A Batalha de Avahy, 1877 óleo sobre tela 6x11m Museu Nacional de Belas Artes
  25. 25. Pedro Américo, Independência ou Morte, 1888 Museu Paulista
  26. 26. Pedro Américo, A Libertação dos Escravos,1889 óleo sobre tela 138,5x199cm Palácio dos Bandeirantes
  27. 27. Pedro Américo, Esquartejamento de Tiradentes, 1893
  28. 28. Pedro AMÉRICO, Paz e Concórdia, 1895 40x62cm Museu de Arte de São Paulo - MASP
  29. 29. Modesto Brocos ● Talvez a obra seja um marco no processo de miscigenação e eugenia traduzida pelo espanhol Modesto Brocos. ● 1859 – Charlles Darwin lança seu livro; Origem da Espécies, onde ele trata da questão da seleção natural (ambiente seleciona espécies mais adaptadas) ● Surge a teoria (ATENÇÃO!!! Não é uma teoria criada por Darwin) Darwinismo social; → Defende a superioridade da raça branca europeia → A raça branca é a portadora do conhecimento e esta deverá levá-lo às raças inferiores; negros e índios → Defende que grupos populacionais mais desenvolvidos devem dominar grupos populacionais menos desenvolvidos, ou socialmente inferiores → Defende ainda como “fardo” do europeu levar cultura aos selvagens
  30. 30. Modesto Brocos, Redenção de Cã, 1895 óleo sobre tela, 199x166cm Museu Nacional de Belas Artes
  31. 31. ● Eugenia (significado; bem nascer) XIX; → Francis Galton, 1883 → Tornar as raças “inferiores” (negros e indígenas) brancas, sendo assim, a extinção de determinada raça. → Por meio de seleção artificial promover a miscigenação do povo para que ao longo das gerações ocorresse o “branqueamento” de determinada raça. → As ideias pregadas no século XIX foram retomadas com o nazismo alemão na metade do século XX; promoção do holocausto e perseguição a grupos sociais fragilizados; ciganos, judeus, negros, deficientes físicos e homossexuais. → No Brasil a política de branqueamento e higienização promoveu a vinda dos imigrantes europeus afim de que houvesse a mistura e o “branqueamento” populacional, uma vez extinta a escravidão em 1888.
  32. 32. Eliseu Visconti ● La Gioconda brasileira (Mona Lisa) ● Palheta outonal (cores frias e melancólicas) ● Gioconda e Gioventù; começam com a mesma sílaba ● Primeira exposição em 1899, posteriormente na Exposição Universal de 1900; conhecida por consagrar o “estilo 1900” art nouveau - virada de século. ● Marca subjetivamente questões evitadas ser discutidas socialmente naquela época.
  33. 33. Eliseu Visconti, Gioventù, 1898 óleo sobre tela, 65x49cm Museu Nacional de Belas Artes ● O que vemos na imagem? ● Descreva o fundo da imagem e seus elementos ( o que veste a moça e o que há ao seu redor). ● O que torna esta imagem tão polemica? ● O que você acredita representar esta moça? ● O fundo da imagem o que você acredita representar? ● Do lado esquerdo da moça qual seria a representação?
  34. 34. ● Eliseu Visconti evoca nesta imagem algo que vai além do representativo, alude às imagens mentais e como elas se formam em nossa mente, reparemos em alguns pontos; → A moça que parece olhar pro nada, está tomada por um profundo pensamento como podemos ver com seu olhar profundo, estático, assim como em toda paisagem que parece tão estática quanto. → Observando o fundo da imagem temos uma floresta em tons outonais, por isso chamamos de paleta outonal, lembrando muito a paleta utilizada no renascimento pelo século XVI, observamos que a floresta quase se funde ao cabelo da jovem. → Ao lado temos os pombos, muito mal representados em contraste com o rosto da moça, logo temos uma visão embaçada dos pombos brancos que na cultura cristã trazem-nos a ideia de castidade e pureza. → 1898 – quase virada de século e existia um tema abordado na França; “mal du siècle” (mal do século); dizia-se de uma abordagem sobre fantasias sexuais e algumas liberdades nesse mesmo sentido, temas como homossexualidade e bissexualidade eram abordados mais abertamente e nesse sentido Visconti aborda uma jovem desnuda, uma menina em sua pureza e juventude, tema este delicado à época.
  35. 35. Eliseu Visconti, Gioventù, 1898 Óleo sobre tela 65x49cm Museu Nacional de Belas Artes Leonardo da Vinci, Gioconda, 1507 Óleo sobre madeira de álamo 77x53c Museu do Louvre
  36. 36. Rodolpho Chambelland ● 1913 a todo vapor está ocorrendo as vanguardas europeias; no Brasil ocorre algo parecido. ● Em 11 de setembro de 1913 o jornal Correio da Manhã emite nota; “O Salão é dos Novos” - quando fala da exposição ocorrido naquele mesmo ano. ● 1910 – um pouco antes dada a exposição referida pelo Correio da Manhã, um grupo de jovens funda o Centro Artístico Juventas, um local para abrigar os novos artistas e dar acesso àqueles que nem sempre teriam ao salão de exposições. ● 1919 – O então Centro Artístico Juventas torna-se Sociedade Brasileira de Belas Artes, com isso o monopólio dado pela Academia Nacional de Belas Artes foi minado.
  37. 37. Rodolpho Chambelland, Baile à Fantasia, 1913 óleo sobre tela 149x209cm Museu Nacional de Belas Artes
  38. 38. ● Toma-se o tema carnavalesco da obra, um ritmo frenético e cheio de movimento na composição, os confetes (rastros de tinta) parecem saltar na pintura. ● O Jornal do Comércio emite a seguinte crítica; “Incontestavelmente o quadro que mais de pronto chama a atenção e a empolga, é o denominado Baile à Fantasia, do jovem artista Rodolpho Chambelland. É uma poderosa nota de cor, um magnífico espécime de técnica colorista executada com singular gosto e habilidade. O tema deste quadro possui grande caráter local, e adapta-se perfeitamente ao tratamento que deu o artista, que soube interpretar com bastante felicidade seu espírito popular. Nem lhe falta o sentimento de expressão amorosa e algo erótico na dança.” ● O tema reflete características da vida parisiense do fim do século XIX. ● A obra emite um constante movimento, diferente das cenas de batalha de Pedro Américo, em Baile à Fantasia a cena se eterniza pelo movimento e não pela glória da vitória de uma batalha.
  39. 39. Reflexão e Produção ● Observe as seguintes obras; A Batalha de Avahy, de Pedro Américo – 1877 e Baile à Fantasia, de Rodolpho Chambelland e descreva as diferenças das cenas. ● Faça um desenho que represente uma festa popular ou festas recentes que tenha frequentado. ● Transcreva um trecho da música que ouviu nessa festa ao lado do desenho.
  40. 40. Anita Malfatti ● Principal figura do movimento de arte moderna e da semana de 22 (1922). ● Uma das maiores promessas da vanguarda de arte no Brasil, trazia da Europa uma vasta bagagem do aprendizado alemão. ● 1918 – expões trabalhos na rua Libero Badaró junto com amigos americanos; trazia um ar de novidade internacional e com isso Monteiro Lobato, um crítico de arte da época emite a seguinte crítica no jornal O Estado de São Paulo; “A respeito da exposição Malfatti” “Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas(..) A outra espécie é formada pelos que veem anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...) Embora eles se deem como novos, precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranoia e com a mistificação.(...) Essas considerações são provocadas pela exposição da senhora. Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia”.
  41. 41. ● E foi assim que Monteiro Lobato deu fim a carreira de Anita Malfatti; a elite paulistana recusou seus trabalhos depois de dada a crítica. ● O nacionalismo exacerbado de Monteiro Lobato não permitiu que ele visse além de estrangeirismos na obra de Malfatti, para ele, Anita não trazia o novo “brasileiríssimo” e sim modismos da velha Europa. ● Para Lobato a obra deveria prestar-se ao senso histórico, ao nacionalismo e ir além de sua plástica, a obra deveria ter premissas ideológicas. Pouco depois o mesmo Monteiro Lobato fora acusado até de nazista devido ao seu extremo nacionalismo. ● Devemos lembrar que na Europa os movimentos do cubismo, futurismo e expressionismo sofriam com as críticas em sua maioria.
  42. 42. Analise esta citação: ● “O medo é a reação mais previsível diante do desconhecido.” - Vilém Flusser Anita Malfatti, O Homem Amarelo, 1916, óleo sobre tela, 61x51cm. Instituto de Estudos Brasileiros/Universidade de São Paulo
  43. 43. ● E houve mais críticas de Monteiro Lobato; “Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavreado técnico, descobrem na tela intenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com independência de interpretação do artista; a conclusão é que o público é uma besta e eles, os entendidos, um grupo genial de iniciados nas transcendências sublimes duma Estética Superior.” ● E quanto ao público que visita a exposição segue a crítica; “Nenhuma impressão de prazer ou de beleza denunciam as caras; em todas se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de raciocinar e muito desconfiado de que o mistificaram grosseiramente.” ● Quanto a Anita; sua expressão era a estranheza, a opressão e a vergonha; traços característicos do expressionismo e nos perguntamos diante do quadro; - E é amarelo por quê? Por que, meu deus? - é amarelo porque assim o é e será e pessoas erradas são assim. “É a humanidade exilada de sua condição humana.” - Rafael Cardoso, Arte Brasileira em 25 quadros, Record, pag. 179.
  44. 44. Reflexão e Produção ● Pesquise obras de Anita Malfatti, Egon Schiele e Van Gogh descreva três quadros, um de cada artista e responda as perguntas: → O que chama mais a atenção no quadro? → Você achou estranho o que no quadro? → Que sentimento te causou a obra, como alegria, medo, desespero ou calma? ● Faça um desenho, fotografia ou colagem de algo que acha estranho, que sente medo ou desespero ao ver.
  45. 45. Vicente do Rego Monteiro ● 1921 – O Jornal dedica uma matéria de primeira página escrita por Ronald de Carvalho sobre o trabalho de Rego Monteiro; “uma arte verdadeiramente brasileira” ● Ocorre a Semana e Arte Moderna de 1922 e é feita a seguinte crítica no jornal O Imparcial, pelo articulista Enrico Castelli; “Em geral, o ideal do artista brasileiro é fugir da terra para ir adorar os ídolos europeus e voltar com alguns esquisitos nus “cocottes” francesas ou algum pinheiro romanos, pintados e repintados por meio mundo como se não houvesse lindas mulheres e poderosas paisagens nesta terra [...]”
  46. 46. Vicente do Rego Monteiro, Atirador de Arcos, 1925 óleo sobre tela, 65x81cm Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife
  47. 47. ● Rego Monteiro consegue fundir dois elementos importantes para construção da arte brasileira e movimento modernista; → Motivos ornamentais das cerâmicas marajoaras. → Primitivismo do atirador de flechas, tema explorado por Debret, porém sem os adornos marajoaras.
  48. 48. ● Ainda na crítica de Enrico Castelli; “ele preferiu o ineditismo das nossas lendas selvagens, com sua poesia estranha e indumentária esquisita. O aspecto obscuro das civilizações primitivas, hoje mais do que nunca, empolga o artista.” ● A idealização do índio como primitivismo e ainda como verdadeiro e autêntico originário das terras brasileiras fez com que famílias da metade do século XIX assumissem nomes indígenas ou fizessem a substituição como; Paraguaçu ou Índio do Brasil. ● Indianismo ● Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles (1860) já mostra a vontade de fusão de duas culturas. ● 1872 – Alegoria do Império Brasileiro, Chaves Pinheiro, 1872, 192x75x31cm, Museu Nacional de Belas Artes; mostra a mesma vontade, porém o índio possui traços europeus.
  49. 49. ● Denota-se ainda a exploração não só por Rego Monteiro aos motivos da cerâmica marajoara e seus estudos; Theodoro Braga, Fernando Correia Dias e Antônio Paim Vieira, entre seus elementos destacam- se: → Composições simétricas → Figuras estilizadas → Geometrização das formas → Paleta terrosa → Ornamentação decorativa ● Na Europa um movimento muito parecido ocorre com o expressionismo, fauvismo e cubismo; artista buscam a arte além-da-europa, vão a outras culturas buscar inovações e novos pensamentos.
  50. 50. Analisando Obras ● Faça uma análise entre as seguintes obras; → Jean-Baptiste Debret, Cabocle Indien Civilisé, 1834. Museu Castro Maya (litografia) → Rego Monteiro, Atirador de Arco, 1925. Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães ● Observe as obras e responda as questões: 1 – Quais semelhanças existem entre elas? 2 – Quais as diferenças entre o céu de Debret e o céu de Rego Monteiro? 3 – O indianismo é um movimento da arte brasileira, o que fizeram os artistas buscar determinados temas como vemos nas duas obras? 4 – Qual das obras escolheria e por quê? 5 – Após observar as obras, faça a sua representação de um índio em momento de caça.
  51. 51. J. Carlos ● Iluminismo classifica cinco áreas de criação; pintura, escultura, arquitetura, poesia e música, com isso classificamos “Belas Artes”. ● Divididas as cinco linguagens da arte, as demais recebem o nome de “Artes Menores”; ofícios, decorativas ou aplicadas. ● John Ruskin (1859) afirma que todas as artes são de um modo aplicada, em seu tempo ou perído, dede modo ele se opões ao termo usado para distinguir “artes maiores” e “artes menores”. ● Man Ray e Marcel Duchamp inovam no início do século XX rompendo com a academia quando em 1913 é exposto “A Fonte”, por Marcel Duchamp.
  52. 52. J. Carlos, capa da revista Para Todos, nº45, 1927 impressão litográfica sobre papel couché, 30x23cm
  53. 53. ● J. Carlos na década de 20 foi grande responsável pelo repertório visual e seus personagens tornaram-se ícones culturais; Melindrosa e Almofadinha. ● A imagem, rica em movimento pelo tecido que a o vento faz no tecido.o ● Reflete a mulher da década de 20; sensual, libertária, alegre e moderna, um ícone da mulher desejada e um modelo de mulher no auge sufragista do Brasil. ● 1930 – a mulher ganha direito ao voto. ● Ideal de Brasil urbano.
  54. 54. Tarsila do Amaral ● Tenta-se fundir uma identidade nacional, entretanto toda arte ainda tem forte influência europeia. ● O futebol era criticado como “macaqueação” da vergonha, sendo criticado por Lima Barreto como o esporte “bretão”. ● As danças e ritos afro-brasileiros eram motivo de escárnio. O samba era motivo de vergonha. ● Quem somos nós? O que nos une? ● Ano de centenário da Independência, 1922, o Brasil ainda não possuía uma identidade enquanto povo e o sentimento de frustração era grande.
  55. 55. 1922, Semana de Arte Moderna ● 1922, Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo em fevereiro. A exposição foi financiada pelo Estado de São Paulo, a prefeitura cedeu o espaço e um grupo de cidadãos notáveis contribuíram para realização do evento. ● “A burguesia pagava para receber o choque da modernidade”. ● Entre artistas paulistas, destacou-se os cariocas; Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti. ● Todos estavam lá, menos Tarsila, que entre 1921 e 1923 estava em Paris. Recebe influências de Fernand Legér e André Lhote. ● Tarsila explora uma paleta cítrica e terrosa, usa elementos nacionais na composição.
  56. 56. Tarsila do Amaral, Antropofagia, 1929, óleo sobre tela 126x142cm
  57. 57. A Negra, 1923
  58. 58. Comparação com influências de Fernand Legèr. À direita; Tarsila do Amaral, São Paulo, 1924 À esquerda; Fernand Legèr, La Ville, 1919
  59. 59. Reflexão ● Observe as das imagens, São Paulo, 1924 de Tarsila do Amaral e a imagem de La Ville, 1919 de Fernand Legèr, descreva e analise os tons das telas, os motivos e as semelhanças. Faça uma dissertação ao menos de 20 linhas. ● Faça um desenho, colagem ou representação que lembre uma paisagem de onde mora, de um lugar onde viajou ou onde espera morar.

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