O JULGAMENTO
ApresentAção      O Grupo Domo vem apresentar o espetáculo “O Julgamento”, estreado em novembro de2008 (Centro Cultural de...
SINOPSE      O    desenvolvimento     do    enredodramatúrgico se dá no “Tribunal Popular” umtipo de picadeiro onde o públ...
repartição, marionetes raivosas de uma engrenagemmassificante, e o Réu, o reflexo de uma ética queestá em formação, mas ai...
CONCEPÇÕES DA ENCENAÇÃO      A idéia deste espetáculo vem dos primórdios do Grupo Domo. Quando André Garcia estavaescreven...
O intuito original não era político numsentido mais direto, mais stricto sensu da palavraem sua aplicação partidarista e/o...
FIGURINOS      O Figurino foi criado a partir de uma mesclade elementos de épocas diversas, com símbolosque remetem a cond...
saber o que está havendo. Conforme a peça sedesenvolve, a máscara e o arreio são retirados,para que ele possa fazer sua de...
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inocência, um acobertamento do lôdo espúrio de umamoral altamente questionável, e de uma imposiçãoda imagem do estado como...
Preparação de Ator      O caráter argumentativo e densodo texto, em que muitas frases dãosentido a várias interpretações, ...
amplos e elegantes, que acompanham sua argumentação envolvente, como se quisessearrebatar os espectadores numa seqüência s...
Ficha TécnicaDireção e Texto:   Assistente de Direção:   Iluminação:    Arte Gráfica:André Garcia       Magno Telles      ...
repercussão
Jornal da Comunidade, 14 de novembro de 2009
Jornal Correio Braziliense,14 de novembro de 2008.
Jornal da Comunidade, 15 de novembro de 2008.
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Espetáculo "O Julgamento" do Grupo Domo de Teatro - Brasília/DF, Brasil.
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O Julgamento

  1. 1. O JULGAMENTO
  2. 2. ApresentAção O Grupo Domo vem apresentar o espetáculo “O Julgamento”, estreado em novembro de2008 (Centro Cultural de Brasília), com temporadas em novembro de 2009 (Teatro Goldoni) eabril de 2010 (Teatro SESC Garagem). Também em 2010 o espetáculo foi contemplado com opatrocínio do Fundo de Arte e Cultura - FAC, do Governo do Distrito Federal, para a difusão doespetáculo em nova temporada, que será realizada em abril de 2011. A peça mostra um tribunal surreal onde um jovem rapaz está sendo julgado por um Estadototalitário por difundir idéias sobre política e sociedade que divergem daquelas que os seusgovernantes antevêem e pretendem inalteráveis. O espetáculo pode ser considerado uma “distopia” (antítese da “utopia”), ao projetar umasociedade atemporal, onde os direitos humanos e civis são renegados em prol da manutençãodo status quo de uma ordem autocrática. A linguagem utilizada é a tragicomédia, muitasvezes com toques de surrealismo e absurdo, que ressaltam os desvios de pensamento daquelasociedade, além de servir como alegoria para a nossa própria contemporaneidade. Assim, as mazelas de nossos conceitos pré-concebidos vão sendo exibidas, dando lugar auma reflexão mais severa sobre como admitimos, inconscientemente, certos valores. E também,quanto nossa sociedade tem ainda que caminhar para superar sua adolescência evolutiva,para nos tornarmos mais afins com o nome que recebemos: Humanos. O texto, escrito em 1995/1996 e finalizado em 2008, vem dar continuidade a um projeto deelaboração e montagem de textos autorais do próprio Grupo Domo, que neste trabalho levantaimportantes discussões sobre os limites sociais, poder, política e liberdade de expressão, temasimportante de serem revistos, sobretudo num mundo que anda tão oprimido pela descrença napolítica da atualidade, tão carente de desenvolver melhor a relação homem/natureza, e tãoestigmatizado na idéia do que o homem deve ser, como ser social. Os trabalhos do Grupo Domo, que já atua há dezesseis anos, de certa forma, giraramsempre em torno das relações entre as pessoas (mesmo em ambientes e com personagens nãonaturalistas), as suas crenças, e a maneira com que encaramos nossa cultura, nossa sociedadee civilização.
  3. 3. SINOPSE O desenvolvimento do enredodramatúrgico se dá no “Tribunal Popular” umtipo de picadeiro onde o público vem assistira julgamentos de pessoas seqüestradaspelo Estado. O tribunal é um tipo de “circusmáximus”, um dramático espetáculopromovido pelas lideranças ocultas. O circoda vida real num mundo de fantasia. Um Juiz autoritário, que ao mesmotempo é o advogado de defesa e o promotor,confronta-se com um Réu, consideradopelo Estado como ativista político e social,no que diz respeito às suas liberdades civis,as noções de ordem e justiça, os limitesdo poder sobre o cidadão e sobre como asociedade sofre pelos paradigmas criadospor ela própria. Sete personagens, o Réu, o Juiz, suaAssistente, o Guarda e as Testemunhas,interpretados por apenas quatro atores,com o auxílio de um contra-regra/ator, dãoconta da encenação propriamente dita. Composta de cinco cenas (prólogo,julgamento de três crimes e veredicto), apeça tem como argumento o modus operandido Tribunal Popular. Assim, a peça é abertacom um Prólogo, que deixa clara a posiçãode cada um ao longo da tragicomédiaque virá: O juiz em seu papel de acusadore redentor das vítimas, os funcionários da
  4. 4. repartição, marionetes raivosas de uma engrenagemmassificante, e o Réu, o reflexo de uma ética queestá em formação, mas ainda assim ética, que podeaté ser encoberta por sete palmos de terra, mas quesempre existirá. Todos humanos, todos no mesmojogo, todos na mesma condição terrenal, a despeitode desfechos diversos. OJuiz fala aos seus, mas falatambém diretamente à platéia, rompendo a quartaparede (que se restabelece quando necessário),envolvendo a todos na movimentação da máquinaindustrial do direito estatal Em seguida vêm os crimes, o julgamento delespropriamente dito. Sorteados pela platéia (massempre em ordem determinada) vêm em seqüênciaos temas do Assalto, onde o Réu é acusado de roubarmentalmente as jóias do pensamento ocidental etransformá-las em armas anti-manutenção da calmae ordem das massas; a Propaganda Enganosa, ondeo Réu é acusado de prometer um mundo utópico efictício de bem aventurança que não pode e nãodeve se materializar, um bem prometido que ele nãotem como entregar; e por fim a Heresia, no qual oRéu é confrontado com suas crenças mais profundasna fogueira da Inquisição ideológica do Estado.Para cada crime há uma testemunha, sempre deacusação, pois o Réu não tem direito à defesa. Assim, depois desta jornada, vem o Veredicto,que sentencia o Réu de forma a não deixar dúvidasde que a realidade da distorção do poder existe,mas que em contrapartida não se poderá calar aVerdade nunca.
  5. 5. CONCEPÇÕES DA ENCENAÇÃO A idéia deste espetáculo vem dos primórdios do Grupo Domo. Quando André Garcia estavaescrevendo os primeiros textos para o espetáculo “O Grito” (primeiro espetáculo do Grupo,encenado pelo Grupo em 1995) elaborou três pequenas cenas chamadas “O Julgamento”,inspiradas num artigo lido em um jornal, que tratava de comentário sobre alguma obra literáriaonde um juiz perverso sentenciava um réu à morte. Isso despertou uma reflexão muito profunda,em diversos níveis, desde nossos direitos estabelecidos como cidadãos e entes sociais ao longodos séculos, até um ponto de vista mais filosófico, onde o livre-arbítrio, a conduta acima deregras temporais, o estabelecimento de princípios éticos ante um decadentismo das instituiçõessão temas que se mostram tão atuais quanto convenientes (aos que querem avançar nopensamento sobre a condição humana, mas certamente inconveniente para quem prefere amanutenção do status quo de Estados totalitários, mesmo que disfarçados de democráticos).
  6. 6. O intuito original não era político numsentido mais direto, mais stricto sensu da palavraem sua aplicação partidarista e/ou institucional,mas político num nível mais profundo, filosóficomesmo, porque as instituições e o Estado são,em suma, formado por pessoas, que atendem aconceitos que idealizam e/ou que alimentam.No fim das contas, a questão central é essa:Nós mesmos, como membros e produtos destacivilização, como parte do mundo. A despeito de ser uma distopia alegóricae quase atemporal, trata diretamente de nossaestrutura social hodierna, e de nossa condutaíntima, aquela que tentamos atribuir a uma“tradição”, mas que são de fato nossas pequenase/ou grandes vontades reveladas em ato. E cadapessoa com o tipo de ato que escolhe, com asconseqüências advindas disto, e com o alerta,sobre a importância de nossas decisões pessoaiscomo seres pensantes e atuantes, e de que cadaum, ator ou platéia, está inserido neste contexto. As três cenas curtas foram retiradas do textode “O Grito”, e transformadas então no espetáculo“O Julgamento”, por ter seu autor percebido aprofundidade e extensão do tema, que gerou umamotivação muito estimulante no Grupo. Levamosmuitos anos para montar este espetáculo. Nãopor não querer, mas por entender a necessidadede maturação de nossa própria forma deencenação para atender a qualidade da peça. Apeça foi quase toda escrita no ano de 1995/1996,e guardada na gaveta, passando por pequenasreformas ao longo dos anos, e chegando a suaversão definitiva, encenada pelo Grupo em 2009.
  7. 7. FIGURINOS O Figurino foi criado a partir de uma mesclade elementos de épocas diversas, com símbolosque remetem a condição de cada íntimo,de cada papel das personagens no dramadesenvolvido. O Juiz possui coturnos e casacocom insígnias militares, um uniforme, mas quenem por isso deixa de lado o tom de realezadesse poder naquela sociedade, pois que feitodo mais puro veludo cromo alemão, mangasde renda importada, botões com brasão, golaelisabetana, peruca de cachos brancos. O preto,o branco e o dourado são as cores mestras destacomposição de estilos. O guarda segue o padrãomilitar, mas com elementos não tão nobres, nemtão rigorosamente sóbrios no acabamento e nacor. O pobre guarda tenta ser como ele, o grandeJuiz, mas ainda não o alcança, nem mesmo nagraça pensada de seus movimentos. O Réu vem com uma camisola, aquela doshospícios do século XVIII, com longas mangasamarráveis. No peito a marca de nosso tempo:Um imenso código de barras que definemquem ele é, sem a necessidade de um nomepara designá-lo, além daquilo que ele é, umréu. Por baixo, um macacão, com o mesmocódigo, que é mostrado quando este aprendea se comportar melhor, demonstrando que nãovai morder os funcionários. Na boca, um arreiode bestas impacientes e agressivas, um freiode cavalos, que, se preciso, são puxados. Nosolhos, máscara, vendando a visão, enxotandoaquela consciência ao mundo do temor, do não
  8. 8. saber o que está havendo. Conforme a peça sedesenvolve, a máscara e o arreio são retirados,para que ele possa fazer sua defesa, inútil cena,pois que o desfecho geral já o ronda desde aprimeira palavra dita. A Assistente, com ar de coquete de luxo,anda em saltos vermelhos e meia arrastão,num corpete de veludo roxo e cartolaacompanhando, que confunde e ilude osdesavisados de sua posição subserviente, comum glamour garimpado nas melhores imagensde apresentadoras de espetáculos de umMoulin Rouge imaginário. As testemunhas, cada uma com seupadrão de cor e textura, dão um colorido àmultiplicidade de atuação do tribunal. Umabibliotecária idosa, com sua longa saia marromdrapeada, sua blusinha de seda branca combordados de borboletas, seu imenso óculospara horas infindas de leitura e consulta. Umasecretária neurastênica e desequilibrada, comseu chapéu de plumas de luto, seu vestidoamarelo a La Brigitte Bardot, sua bolsa repleta decigarros, de pó compacto e chicletes. A Freira,que desliza pelo palco com patins invisíveis, usauma túnica que esconde seu conteúdo, masrevela na aparência a sordidez das intenções.Seu Chapéu, branco e antigo, ostenta a supostaautoridade de um poder sacerdotal perdido,e por isso mesmo, cômico em sua flacidezsimbólica. No dorso, o bordado da cruz e dacoroa, requerendo a ascensão das instituiçõesreligiosas sobre qualquer outro poder.
  9. 9. As Máscaras Ainda na composição estética da peça, todas as personagens ligadas diretamente ao Estado usam máscaras, símbolo do poder oculto, da impossibilidade de se revelar o que de fato vai por trás das aparências imperialistas. As outras personagens não a usam, porque não são partícipes das lideranças que manobram, mas massas móveis nas mãos destas lideranças. As mulheres, todas com perucas, procurando dar forma particular áquilo que na verdade não consegue se diferir. Os homens, por regra do Estado, têm cabelos tosados à moda militar, sejam réus, sejam juízes, afinal, por trás deles, também tem alguém que decide tudo isto, alguém ainda mais oculto, alguém ainda mais enterrado nas engrenagens que governam a política.Cenários Os cenários e objetos de cena englobamessa visão lúdica das partes dissonantes quecompões o todo, o universo das personagens,cada uma contribuindo com um aspecto. De umlado, o Juiz e seus acessórios, sua escrivaninhapequena, deixando-o desconfortavelmentegrande em relação a qualquer objeto. Sobrea mesa, o telefone vermelho com o qual o Juizconversa com lideranças ocultas, aqueles querealmente estão definindo o destino do réu. Aindasobre a mesa, sua caneta/pluma dourada, seusinstrumentos de trabalho, carimbos diversos, e oprocesso de milhares de páginas. Seus charutos,brinquedos e livros. Os réus possuem um lugarpróprio, uma piscina de bolinhas, embaixo deum móbile de sórdidos e distorcidos bichinhos.Esses objetos pseudo infantis, essa infantilizaçãoobscura, revela uma aura de tentativa de
  10. 10. inocência, um acobertamento do lôdo espúrio de umamoral altamente questionável, e de uma imposiçãoda imagem do estado como o grande adulto queconhece seu meio e o rege, frente a criança queprecisa ser corrigida por seus atos falhos. Ao fundo,um painel de personagens bizarras apresentandoa entrada das testemunhas (pintado por LeopoldoWolf, que elaborou toda a cenografia juntamentecom André Garcia), e uma cadeira a espera delas,rodeadas pelos inocentes espectadores de pelúcia.O Juiz ainda possui, para momentos de maiordescontração, um trono, um urso rosa que serve deassento a própria barriga, e que assiste sorridente eimpassível ao desenrolar dos acontecimentos. O tribunal ainda é munido de uma parafernáliatecnológica e engenhosa, que às vezes remete a umcerto futurismo, e que está sempre à mão do Juiz,seja para apoiar sua posição acusadora (como umcapacete que o juiz utiliza para “ouvir” a testemunhacom problemas nas cordas vocais) ou para ameaçaro réu, em freqüentes torturas, a fim de obter a confissão(equipamento de eletro-choque).
  11. 11. Preparação de Ator O caráter argumentativo e densodo texto, em que muitas frases dãosentido a várias interpretações, exigiudos atores um longo período de estudode leitura dramática, na busca de umacompreensão mais profunda sobrecada palavra e intenção superficial eoculta do texto. Numa peça onde aspectoscômicos são abruptamente convertidosem trágicos e aspectos trágicos sãomuitas vezes travestidos de cômicos,e onde o público transita entre oespectador passivo e o sentenciadordo julgamento, foi necessário por partedos atores um profundo trabalho desensibilização para que se pudessebuscar a imersão nos diversos climasda peça, num fluxo contínuo, numredemoinho de ações e de sensações.Além disso, foram necessárias aulasde preparação física e vocal, a fim dealcançar as diferentes texturas de voze de movimentação que exige a peça. A movimentação, por sua vez, éalgo sempre marcante na cena, sendoque os personagem que representam oEstado têm seu próprio ritmo, mas todospactuam de uma mesma dança. Essadança é o próprio status quo, e o Juizo promulga sempre com movimentos
  12. 12. amplos e elegantes, que acompanham sua argumentação envolvente, como se quisessearrebatar os espectadores numa seqüência sedutora. O guarda sempre busca acompanhá-lo,às vezes imitando-o, como que ensaiando para galgar futuros degraus na hierarquia governante,mas seus movimentos ainda são muito desengonçados, nunca alcançam a perfeição do Juiz. Especial atenção aos quatro papéis femininos, que em cada temporada são representadospor uma única atriz. André Garcia e Leudo Lima, que protagonizam e produzem o espetáculo,passaram por anos de leitura e refinamento do entendimento da cena desta peça, e revelamno palco o resultado de seus esforços.
  13. 13. Ficha TécnicaDireção e Texto: Assistente de Direção: Iluminação: Arte Gráfica:André Garcia Magno Telles Lina Borba Leudo LimaAtores: Cenografia: Sonoplastia: Fotos:André Garcia Leopoldo Wolf André Garcia Camila RussiLeudo Lima André Garcia Fernando Nisio Produção:Lina Borba Imagem BSB Leudo LimaTiago Medeiros Figurinos: Murici Galasso André Garcia André Garcia Ivan Marques
  14. 14. repercussão
  15. 15. Jornal da Comunidade, 14 de novembro de 2009
  16. 16. Jornal Correio Braziliense,14 de novembro de 2008.
  17. 17. Jornal da Comunidade, 15 de novembro de 2008.

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