Introdução à FotografiaAula 01 - Saturação Imagética
Modernidade - Evoluções da visualidade.Perspectiva - Influencia toda a organização do espaço nas cidades modernas.A evoluç...
Saturação ImagéticaEm um mundo de excessos de imagem, é necessário reaprender a ler, uma nova alfabetização, toda a gramát...
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: GUY DEBORD“O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma       relação social entre pessoa...
HIPER-REALIDADE: JEAN BAUDRILLARDTodo o ambiente está contaminado pela intoxicação midiática que sustenta este sistema. A ...
Nunca fotografamos tanto enunca olhamos tão pouco para as nossas imagens.As fotografias são feitas e publicadas de um modo...
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QUANTIDADE | REPRODUÇÃO DE CLICHÊSFotografia em abundância é um projeto visual do artista holandês Erik Kessels, que impri...
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Ao imprimir as imagens, Erik Kessels diz que visualiza um “mergulho em fotografias da experiência alheia”.“O seu conteúdo ...
Diante do excesso, alguns fotógrafos tratam as imagens em sua própria existência massiva, sob a forma degrandes sínteses o...
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Joachim Shmid, Photogenetic Draft, 1991Demonstra através de montagens o modo como a       fotografia constrói sempre um pe...
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Joachim Schmid, Other People Photographs, 2008-2011Percorrendo o Flickr, realizou uma curadoria que resultou em 96 livros ...
Joachim Schmid, Other People Photographs, 2008-2011
BORGES: CARTOGRAFIADo rigor na ciência:… Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma ...
GOOGLE STREET VIEW.
O ESVAZIAMENTO DA EXPERIÊNCIATURISMO NO TEMPO DA IMAGEMConhecer novas cidades praticando turismo deixou de ser um exercíci...
Corinne Vionnet,Photo Opportunities, 2009.Sobrepõe conjuntos de fotografias feitas emlocais turísticos para mostrar que a ...
Michael Wolf, Paris: Street View, 2009Street View: a series of unfortunate events, 2010.Destaca dessa paisagem contínua fa...
BANCOS DE IMAGEMPartem também da sensação de que tudo já está feito e disponibilizado na internet. Eles têm a pretensão de...
A representação se torna abrangente não porque convida à identificação com um outro, mas porque impõeum estereótipo que re...
poor woman - Banco de Imagem
Dorothea Lange,Mãe Emigrante, 1936
Dorothea Lange,Mãe Emigrante, 1936Reconhece-se o sofrimento de uma mãe,potencialmente a minha, a sua, qualquermãe que não ...
IMAGENS QUE RESISTEMAlgumas fotografias causam estupefação; outras nada provocam. Evidentemente, como vivemos o mundo doex...
Interessa refletir sobre como representar um fato através de uma construção que evidencia o contexto do visível,mas ao ope...
Árvore da Vida,Terrence Malick, 2011
Samuel Aranda, Iêmen, 2011 - Fotografia ganhadora do World Press Photo
A imagem vencedora da edição de 2011 do Word Press Photo, de Samuel Aranda, tem uma qualidade rara nofotojornalismo:   mos...
Anônimo, Pietà, c. 1390                                                              O modelo que deprendemos dessa imagem...
Eugene Smith, “Tomoko Uemura em seu banho”ou “Pietà de Minamata”, 1971Therese Frare, 1990.
Sebastião Salgado, Posto médico no campo deKatale, Congo, 1994.
Cássio Vasconcellos,Noturnos, 1988-2002O trabalho “noturnos” consiste emintervenções com luzes coloridas pelanoite da cida...
Ficcionalização - Cindy ShermanFaz sentido falar em virtual se reconhecemos na ficção o exercício de um entendimento que s...
“Tento sempre distanciar-me o mais que posso nas fotografias. Embora, quem sabe, seja precisamente fazendoisso que eu crio...
“Com implicações psicanalíticas claras, a escolha e a criação dos tipos a serem fotografados são feitas pelaprópria autora...
EDIÇÃO - APROPRIAÇÃOCada vez mais é importante a figura do editor, essa pessoa que tem o poder e a sabedoria de não mostra...
CIA DA FOTO, Bom Retiro e Luz: um roteiro (1976 – 2011)o trabalho do coletivo “CIA da foto” presente na exposição “Bom Ret...
Péter Forgacs, The Bartos Family, 1988.
DISCURSO METALINGUÍSTICODentre essa postura encontram-se artistas que exploram dispositivos específicos do fazer fotográfi...
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Andreas GurskyPotencializa as imagens através da manipulação digital.Realidade Virtual.Mergulha na linguagem digital, ress...
Aula 01 saturação imagética
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Aula 01 saturação imagética

  1. 1. Introdução à FotografiaAula 01 - Saturação Imagética
  2. 2. Modernidade - Evoluções da visualidade.Perspectiva - Influencia toda a organização do espaço nas cidades modernas.A evolução das formas de representação estão conectadas com os avanços na sociedade.A circulação de imagens, propagação de modelos para a modernidade. Paris no início do século era a grandematriz para as cidades de colônias.Economicamente vamos encontrar uma nova classe que se firma no poder e nada melhor do que autenticar estaposse que a imortalidade.O que imortaliza: o retrato. Um retrato não feito ou realizado pela imaginação de um pintor, mas obtido graças auma “técnica isenta e imparcial”
  3. 3. Saturação ImagéticaEm um mundo de excessos de imagem, é necessário reaprender a ler, uma nova alfabetização, toda a gramáticada imagem.
  4. 4. A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: GUY DEBORD“O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, media­tizada por imagens... Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produçãose anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamen­ e vivido se tesvai na fumaça da representação.”O que ele quer dizer com isso? Que perdemos a noção ou o significado desta palavra e tomamos o espetáculocomo a sociedade, portanto como ilusão.“A realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real. Essa alienação recíproca é a essência ea base da sociedade existente”.“o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais emotivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como fazer ver o mundo quejá não se pode tocar diretamente....”Perdemos a capacidade de refletir sobre o que significa ver tais imagens.
  5. 5. HIPER-REALIDADE: JEAN BAUDRILLARDTodo o ambiente está contaminado pela intoxicação midiática que sustenta este sistema. A dependência deste“feudalismo tecnológico” faz-se necessária para que a relação com dinheiro, os produtos e as idéias se estabeleçade forma plena. Esta é a servidão voluntária resultante de um sistema que se movimenta num processo espiralcontínuo de auto-sustentação.Jean Baudrillard é o pensador que mais violentamente denunciou o modo como o real se apaga diante desua hiperexposição aos sentidos: “se o Real está desaparecendo, não é por causa de suaausência – ao contrário, é porque existe realidade demais. Este excesso de realidade provoca ofim da realidade, da mesma forma que o excesso de informação põe um fim nacomunicação”Inspira os irmãos Wachowski na trilogia de Matrix.
  6. 6. Nunca fotografamos tanto enunca olhamos tão pouco para as nossas imagens.As fotografias são feitas e publicadas de um modo surpreendente: as imagens passam das gavetas e para ospendrives, dos álbuns para redes; não há mais estruturas distintas (e nem delay) para aprodução, a edição e a publicação; as imagens se tornam livres das legendas e dos textos ou,pelo menos, um tanto desconexas com relação a eles; o ciclo de interesse do olhar é mais curto,mas as imagens estão mais sujeitas à reciclagem e à recontextualização; a autoria se dilui.As notícias, os registros científicos, os álbuns familiares continuam existindo, com a mesma promessa de darconta de relatar os fatos, de transmitir conhecimentos e de garantir nossa memória. O problema que essa novasituação desencadeia é: as imagens estão mais disponíveis do que nunca mas, diante de talproliferação, nunca olhamos tão pouco para nossas fotografias. Quais as formas delidar com essa nova escala de produção e circulação de imagens?A produção fotográfica atual é quantitativamente alucinante e sua circulação é garantida pelas novas plataformastecnológicas, mas fica evidente que é quase impossível destacar as singularidades
  7. 7. Sem Sol, Chris MarkerNo filme Sem Sol, Chris Marker imagina uma civilização que habitará a Terra no ano 4001 e que será capazde lembrar de todas as coisas: “após muitas histórias de pessoas que que perderama memória, eis a de alguém que perdeu o esquecimento”. Esse habitante do futuro nãoentenderá a emoção de ouvir uma música ou de ver um retrato, coisas ligadas à miséria de sua pré-história.A conclusão já havia sido dada no começo desse relato: “uma memória total é uma memóriaanestesiada”. No filme o valor da montagem (da bricolagem) que Marker faz está mais nos saltos querealiza, nas lacunas que deixa, do que na ilusão de continuidade que o cinema poderia muito bem produzir (filmeacompanha o La Jetée no DVD lançado no Brasil).
  8. 8. QUANTIDADE | REPRODUÇÃO DE CLICHÊSFotografia em abundância é um projeto visual do artista holandês Erik Kessels, que imprimiu todas as fotoscolocadas no Flickr durante 24 horas no dia 4 de agosto último.
  9. 9. O resultado é uma pilha de fotos, cerca de 6 milhões delas, que lota uma sala de uma galeria em Amsterdã, na Holanda.“Através da digitalização da fotografia e a ascensão de sites como o Flickr e o Facebook, todo mundo agora tirafotos, e as distribui e compartilha com o resto do mundo. O resultado são incontáveis fotos à nossa disposição”
  10. 10. Ao imprimir as imagens, Erik Kessels diz que visualiza um “mergulho em fotografias da experiência alheia”.“O seu conteúdo mistura público e privado, com coisas altamente pessoais sendo exibidas abertamente e semum pingo de timidez.”
  11. 11. Diante do excesso, alguns fotógrafos tratam as imagens em sua própria existência massiva, sob a forma degrandes sínteses ou extensas paisagens de formas que se tornam idênticas.Na impossibilidade de olhar para cada uma delas, o que resta é destacar da repetição omodelo que as rege.Chamo aqui de abstração a ação de produzir um olhar generalista sobre as imagens reduzindo-as a seus seus“denominadores comuns”, como fazem os indexadores ou as “tags”. Esse parece ser o modo mais recorrentede tratamento das imagens quando se constata sua hiperabundância.Poses do XIX, Gavin Adams, Solange Ferraz e Vânia Carneiro.Poses do XXI, “bacrepaldi” Usuário do youtube.
  12. 12. Joachim Shmid, Photogenetic Draft, 1991Quando Joachim Schmid picota retratos e sobrepõe uns aos outros, ele demonstra que o que temosali não não é uma pessoa singular, é apenas uma pose, uma conduta diante dacâmera, que se repete em lugares e tempos distintos. Sua conclusão, alardeada de modo quase performático, éa de que não precisamos mais fotografar, pois o retrato que alguém faria de mim certamente já foi feito milharesde outras vezes.
  13. 13. Joachim Shmid, Photogenetic Draft, 1991Demonstra através de montagens o modo como a fotografia constrói sempre um personagemgenérico.Denunciar esse excesso, o desperdício gerado pela reprodução ao infinito de certos modelos, de estereótipos.Num primeiro momento, sugeriu a possibilidade de reciclagem das imagens já realizadas: “nenhuma novafotografia até que as antigas tenham sido utilizadas”. Como repetimos as mesmas poses, não seria precisoproduzir novamente as mesmas imagens, qualquer retrato estaria apto a representar qualquer pessoa.
  14. 14. Penelope Umbrico, Suns, 2006desdobra em grandes extensões as imagens semelhantes que encontra no Flickr, no e-Bay ou em outras redes deinformação. Penelope Umbrico, Suns, 2006
  15. 15. Joachim Schmid, Other People Photographs, 2008-2011Percorrendo o Flickr, realizou uma curadoria que resultou em 96 livros chamados “Fotografias de outraspessoas”.Temas banais como “azul”, “vermelho”, “comida de avião”, “rostos em buracos”, “lego”, “Mickey”, “Trópicode Capricórnio”, “quartos de hotel”, “porta de geladeira”, “pizza”, “sombras” e outros tantos.
  16. 16. Joachim Schmid, Other People Photographs, 2008-2011
  17. 17. BORGES: CARTOGRAFIADo rigor na ciência:… Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só Província ocupavatoda uma Cidade, e o mapa do Império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos nãosatisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o tamanho do Impérioe coincidia ponto por ponto com ele. Menos Apegadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintesentenderam que esse extenso Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às inclemências do Sol edos Invernos. Nos Desertos do Oeste subsistem despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e porMendigos. Em todo o País não resta outra relíquia das disciplinas geográficas.
  18. 18. GOOGLE STREET VIEW.
  19. 19. O ESVAZIAMENTO DA EXPERIÊNCIATURISMO NO TEMPO DA IMAGEMConhecer novas cidades praticando turismo deixou de ser um exercício de entrar em contato com uma novacultura para se transformar em consumo de imagens já saturadas. A experiência midiatizada ante­cede a experiência real esvaziando-a e tirando seu sentido.“Os turistas, por exemplo, fazem viagens quase imóveis, sendo depositados nos mesmos tipos de cabine deavião, de pullman, de quarto de hotel e vendo desfilar diante de seus olhos pai­ agens que já encontraram cem svezes em suas telas de televisão, ou em prospectos turísticos.” (GUATARRI)“Subproduto da circulação das mercadorias, a circulação humana considerada como consu­ o, o turismo, reduz- mse fundamentalmente à distração de ir ver o que já se tornou banal. A ordenação econômica dos frequentadoresde lugares diferentes é por si só a garantia da sua pasteurização. A mesma modernização que retirou da viagem otempo, retirou-lhe também a realidade do espaço.” (NELSON BRISSAC PEIXOTO)
  20. 20. Corinne Vionnet,Photo Opportunities, 2009.Sobrepõe conjuntos de fotografias feitas emlocais turísticos para mostrar que a síntese deolhares já está dada pelas próprias escolhasrepetitivas dos fotógrafos.
  21. 21. Michael Wolf, Paris: Street View, 2009Street View: a series of unfortunate events, 2010.Destaca dessa paisagem contínua fatos incidentais que podem ser convertidos em enquadramentos fotográficos.Reproduz – de um modo às vezes paródico – a atitude do “fotógrafo de rua” que sai à caça de seus “momentosdecisivos”, aqui registrados acidentalmente.Emula o olhar clássico do fotojornalismo e da fotografia documental, incluindo uma versão do “Beijo”, deRobert Doisneau.Reencontrar “focos de intensidades” nesse olhar ubíquo, neutro e diluído representado pelas câmeras que seespalham pelo planeta.
  22. 22. BANCOS DE IMAGEMPartem também da sensação de que tudo já está feito e disponibilizado na internet. Eles têm a pretensão deoferecer um catálogo de pensamentos prontos já traduzidos em imagens.Apenas pensamentos muito elementares se prestam a esse tipo de redução, e apenas imagensestereotipadas podem garantir a legibilidade prometida. traduzem raciocínios óbvios; são metáforasrasas; São imagens pobres, repetitivas, com mensagens didáticas que sempre pressupõe aidiotice do público.Mas a ausência de contexto é o trunfo dessas imagens, elas pretendem ser versáteis, globalizadase genéricas.Muitas vezes a arte almeja representar uma experiência universal numa forma particular: umretrato deseja representar um drama humano, uma paisagem deseja representar a força da natureza.Os grandes bancos, em contrapartida, substituem esse poder alegórico pela afirmação de“tipos genéricos”: o pai, a mãe, o filho, o estudante, o executivo, o chefe, a família, a equipe de trabalho, asociedade, sempre simplificando e limpando a imagem de toda experiência.
  23. 23. A representação se torna abrangente não porque convida à identificação com um outro, mas porque impõeum estereótipo que reduz todo mundo a uma coisa só.Os metadados, que deveriam ser simplificações de interpretações possíveis, passam a ditar os critérios para aprodução das imagens. Como ilustrações de “palavras-chave”, essas fotografias já nascem indexadas,já nascem simplificadas. E assim, a imagem que deveria ser estética, se torna anestésica,anula a sensibilidade do olhar.Acirculação exige padronização. Isso tem, em princípio, um sentido técnico: a expansão das redes de informaçãoexige a escolha de um protocolo de comunicação. Isso parece uma questão burocrática, que não afeta nossasexperiências, nossas viagens. O problema é que a lógica da padrozinação se torna um dadoda cultura: age sobre uma dimensão técnica, mas também sobre uma dimensão estética. O que circula e seexpande sob esse protocolo deve fazer algum sentido para todos.A maneira corajosa de enfrentar isso é assumir o ganho que, num médio prazo, pode surgir do conflito culturale do estranhamento. Esse é um belo aprendizado. Não temos encontrado esse tempo. A maneira mais fácil éestabelecer uma média daquilo que circula. Mas a média, infelizmente, nunca está no meio, está abaixo, espéciede mínimo denominador comum.
  24. 24. poor woman - Banco de Imagem
  25. 25. Dorothea Lange,Mãe Emigrante, 1936
  26. 26. Dorothea Lange,Mãe Emigrante, 1936Reconhece-se o sofrimento de uma mãe,potencialmente a minha, a sua, qualquermãe que não pudesse resgatar seus filhos deuma situação de indignade.A força da fotografia documentalé de falar de alguém que esteve dianteda câmera ao mesmo tempo em quefala de todos nós, em outras palavras,de construir com fragmentosdo passado alegorias sobre ofuturo.A fotografia documental resiste quandose liberta do passado que a gerou. Essaimagem nos oferece um relato aberto,enquanto a história está limitada econstrangida pelos fatos ocorridos.
  27. 27. IMAGENS QUE RESISTEMAlgumas fotografias causam estupefação; outras nada provocam. Evidentemente, como vivemos o mundo doexcesso de imagens técnicas, são poucas aquelas que nos pedem um olhar diferenciado ou verdadeiro.O que devemos ativar é um processo que elabora a subjetividade de modorelacional, ou seja, que busca perceber na imagem uma atmosfera que ressalta o desequilíbrio entre a visãoimediata e o conhecimento exigido para a recepção plena.“uma fotografia deve ser portadora de alguma coisa misteriosa, indecifrável, e que tal qual a Mona Lisa, nãocessa de nos interrogar”. (Claudine Doury, fotógrafa e membro da Agência Vu)Quanto mais inexplicável a imagem, maior é a chance de decifrar enigmas, deaflorar emoções, de engendrar possibilidades.Não importa o que lá está representado, e sim a capacidade dessa imagem de engendrarconexões imprevistas em nosso sistema cognitivo.
  28. 28. Interessa refletir sobre como representar um fato através de uma construção que evidencia o contexto do visível,mas ao operar na ausência de uma imagem, desencadeia no leitor uma operação damais pura imaginação.Um espaço de ausência na imagem visível, mas suficientemente provocativo, capaz de desencadearuma sensação que perturba demasiadamente o entendimento quase sempre direto da fotografia.Uma forma surpreendente de produzir fotografia que, em última instância, deve refletir o mundo visível e, nessecaso, reflete algo cujo significado se concretiza nos interstícios da imagem.A fotografia tem que trazer a “centelha do acaso”, como defende Walter Benjamin, capaz de contrastar com oóbvio aparente e desencadear perturbações que faz emergir uma experiência perceptiva singular.Fotografias parecem enigmas imobilizados diante dos nossos olhos. A esfera onírica é evocada. Marcel Proustescreveu que “a verdadeira viagem de descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em possuirnovos olhos”. Ao mesmo tempo evitar a imagem apressada e vulgarizada do mundo contemporâneo, busarregistros que impressionam pela densidade temporal, pela desintegração das formas, pela provocação do espantoe do fantástico quase inesperado.
  29. 29. Árvore da Vida,Terrence Malick, 2011
  30. 30. Samuel Aranda, Iêmen, 2011 - Fotografia ganhadora do World Press Photo
  31. 31. A imagem vencedora da edição de 2011 do Word Press Photo, de Samuel Aranda, tem uma qualidade rara nofotojornalismo: mostra pouco, mas produz forte reverberação.Em sua existência ideal, a fotografia tenta alcançar a difícil medida que lhe permitiria representar de modosingular uma experiência universal, conciliando os fatos cotidianos com sentimentos que afetam osolhares em diferentes tempos e lugares. Essas imagens, raras, tornam-se arquetípicas.Um arquétipo é o avesso do estereótipo. O estereótipo retém os traços mais banais de umaexperiência e a sacrifica em nome de uma comunicação fácil. O arquétipo é a imagem fundadora de certo tipo deexperiência, e não faz concessões: só pode reaparecer como representação no lugar em que tal experiência possaser plenamente compartilhada. O estereótipo dilui todas as singularidades. O arquétipo fazcom que essas singularidades se adensem pelo diálogo com experiências afins queocorrem em outros tempos.
  32. 32. Anônimo, Pietà, c. 1390 O modelo que deprendemos dessa imagem, que faz dela um arquétipo, e que dá sentido a outras experiências, pode ser assim descrito: ignoramos a luta de alguém que está à margem, seu sofrimento sequer tem existência para nossos olhares.É somente diante do sentimento universal de sua mãe que nos identificamos com essepersonagem. Sua história é distante, mas reconhecemos bem o amor que ali se expressa. Emcontraste com nossa negligência ou desprezo, o amor pleno que ali se revela projeta invariavelmente uma aurasobre o personagem.
  33. 33. Eugene Smith, “Tomoko Uemura em seu banho”ou “Pietà de Minamata”, 1971Therese Frare, 1990.
  34. 34. Sebastião Salgado, Posto médico no campo deKatale, Congo, 1994.
  35. 35. Cássio Vasconcellos,Noturnos, 1988-2002O trabalho “noturnos” consiste emintervenções com luzes coloridas pelanoite da cidade, fotografada com umapolaroid, dessa forma o artista revela umaoutra cidade entre a real e imagi­ ária, ncausando uma estranheza que retira ascoisas do tempo e do lugar, deixando-asem suspensão.
  36. 36. Ficcionalização - Cindy ShermanFaz sentido falar em virtual se reconhecemos na ficção o exercício de um entendimento que se descola dosfatos observados para operar no plano dos conceitos e, a partir deles, testar as possibilidades de reconfiguraçãodessa realidade.Cindy Sherman vai além do dispor de si, seu corpo levado para além dos limites de uma identidade pessoalprópria, se torna um corpo qualquer, simplesmente uma pessoa fabricada.
  37. 37. “Tento sempre distanciar-me o mais que posso nas fotografias. Embora, quem sabe, seja precisamente fazendoisso que eu crio um auto-retrato, fazendo essas coisas totalmente loucas com esses personagens”
  38. 38. “Com implicações psicanalíticas claras, a escolha e a criação dos tipos a serem fotografados são feitas pelaprópria autora, seriam uma projeção ou um querer ser? O enigma é o fascínio maior aqui. Não ser mais quem seé, ser outro, dissipar-se em ninguém é o que Cindy Sherman perturbadoramente nos propõe.” (Priscila Santos)
  39. 39. EDIÇÃO - APROPRIAÇÃOCada vez mais é importante a figura do editor, essa pessoa que tem o poder e a sabedoria de não mostrar o quenão tem força. Dizem que os fotojornalistas, num futuro próximo, em vez de se darem ao trabalho de encontraro momento certo, poderão voltar para suas redações com vídeos de qualidade suficiente para extrair o frameque será publicado. Se isso acontecer, mais do que nunca, os editores serão necessários e os bons “repórteres deimagem” ainda serão aqueles poucos que saberão encontrar no fluxo das coisas uma meia dúzia de fragmentosindispensáveis.
  40. 40. CIA DA FOTO, Bom Retiro e Luz: um roteiro (1976 – 2011)o trabalho do coletivo “CIA da foto” presente na exposição “Bom Retiro e Luz: um roteiro (1976 – 2011)”. Ocoletivo foi convidado para produzir um ensaio sobre o bairro. Depois de ver frustradas suas tentativas de sedeslocar nos bairros através do tempo, se con­ entrando na arquitetura remanescente, nas Sinagogas, e naquilo cque remetia à origem daquele entorno comercial e habitacional de predominância judaica, acabaram encontrandono acervo do Arquivo His­ órico Judaico Brasileiro o material para produção da série. Através de uma atitude tradical de edição e manipulação das imagens, reinterpretaram as mesmas, descortinando possibilidade infinitasde leituras.
  41. 41. Péter Forgacs, The Bartos Family, 1988.
  42. 42. DISCURSO METALINGUÍSTICODentre essa postura encontram-se artistas que exploram dispositivos específicos do fazer fotográfico paraelaborar suas imagensMichael Wesely, Potsdamer Platz, 1997 - 1999como. O artista alemão vai trabalhando com a expansão do “instante fotográfico”, até chegar ao tempo dedois anos de exposições da película, na sua série “Potsdamer Platz” onde conseguiu, enquanto todos buscavamuma nova imagem para Ber­im no momento de sua reestruturação, retratar de forma profunda a própria ltransformação da cidade.
  43. 43. Abelardo MorelO cubano transforma diferentes ambientesem ca­ eras escuras através da vedação e mda aplicação de películas opacas nas janelas,com um pequeno furo, fazendo com quea paisagem da cidade se projete na paredecontrária, criando uma sobreposição entrepaisagem externa e ambiente interno queevidenciam particularidades dessa relaçãoaté então veladas.
  44. 44. Andreas GurskyPotencializa as imagens através da manipulação digital.Realidade Virtual.Mergulha na linguagem digital, ressaltando o caráterda fotografia como código cons­ ruído, manipulando tatravés de softwares suas fotos, como numa pinturadigital, como forma de dar conta das escalas doscenários típicos da cidade genérica, muitas vezesinacessível ao olhar padrão.

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