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12Entrevista
Marcelo Ramiro
Como começou seu ministério
na Igreja Meto...
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Entrevista
Poderia relatar o acidente com
o missionário David e seu...
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cultos matutinos, vespertinos e
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Expositor Cristão - maio de 2014

  1. 1. Exemplo de fé e superação Igreja na Copa do Mundo Volume correto Confira as dicas para melhorar o som da sua igreja! Discipulado RacismoPalavra Episcopal Coração Aquecido Devemos ser modelo para outras pessoas seguirem Jesus! Envolva sua igreja na luta contra o preconceito racial! Bispo Roberto ressalta o desafio da conexidade! O que a experiência de João Wesley tem a nos ensinar hoje? Páginas 12 e 13 Saiba por que é tão importante confiar e esperar a pessoa certa! Leia a mensagem. Página 5 Página 7 Nem a dor e o luto abalaram o ministério da diaconisa Jane Blackburn. Conheça essa história! Página 11 Página 14 Jornal Mensal da Igreja Metodista . Maio de 2014 . ano 128 . nº 05 Serão muitas oportunidades para manifestar o reino de Deus durante o torneio. Sua igreja está preparada? Página 10 Página 6 Página 3 Namoro cristão Unidade na diversidadePáginas 8 a 10 Arquivopessoal Ultrad EvdokimovMaxim
  2. 2. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 2Editorial “A s igrejas locais es- tão unidas entre si pelo princípio da conexidade, característica fundamental do metodismo”, anuncia os Cânones (2012, p. 224). Ser metodista é estar conectado/a com comunida- des de fé e pessoas diferentes, espalhadas pelo Brasil. Não se trata de uma aproximação te- órica, fria e que encontra sen- tido apenas no papel. Somos desafiados/as a praticar a uni- dade em meio à diversidade! Caminhar de mãos dadas é mais difícil. É preciso en- tender as limitações de quem está ao lado. No caso das igre- jas, envolve também cumpli- cidade e auxílio mútuo. En- quanto recursos sobram para algumas comunidades, outras enfrentam graves problemas financeiros. Por que não aju- dar se fazemos parte de um só corpo? Neste mês de maio, os/as metodistas terão o privilégio de exercitar o princípio da co- nexidade por meio da Cam- panha Nacional de Oferta Missionária. Será um mo- mento de orar e investir na missão nas regiões Norte e Nordeste do país. As comu- nidades metodistas em todo o Brasil devem estar unidas no mesmo propósito! Sem dúvida, esse é um diferencial do povo metodis- ta brasileiro. A conexidade confronta a lógica do indivi- dualismo e auxilia a igreja na tarefa de sair das quatro pare- des. Por isso, é também uma das ênfases missionárias da Igreja Metodista aprovadas no último Concílio Geral. Que esta edição do Expositor Cristão, seja um instrumen- to para ajudar você e sua co- munidade de fé a entender o princípio da conexidade me- todista. Boa leitura! LEITOR Assuntos mais comentados da edição de abril (Comentários postados na internet) Acesse! Fique por dentro! www.metodista.org.br Conexão Autoridade pastoral Sinto-me ainda mais honrado em exer- cer o ministério da humildade e do amor na vocação pastoral. Sinto-me também desobrigado de ter que vi- venciar estratégias de crescimento e de ceder às tentações pelo poder. Por uma verdadeira poimênica. Eis-me aqui Senhor! Jovanir Lage Dinâmica do Discipulado Fico estarrecida com a maneira com que a nossa igreja tem uti- lizado sutilmente afirmações tão irreais quanto absurdas para afirmar que o discipulado é a nova voz de Deus sobre a igreja. (...) Então somos fiéis e idôneos se participamos disso? Isabela Loureiro Um perigo brutal existe quando somos tentados a usar a Bíblia para impor nossas próprias convicções. Parece-me ser o caso da nova visão de Deus que está fazendo sucesso atualmente, que alguns insistem em chamar de discipulado. Giulliano Trindade Mudanças no Expositor Cristão Fico feliz com esta notícia! Desejo ver o Expositor sendo lido por metodistas, evangélicos e não crentes, para que se convertam ao ler suas páginas! Parabéns pela reforma! Elieser Elias Marques Aleluia! Ainda não sabemos como ficará, mas a decisão de uma tiragem maior para o nosso povo fará com que a mensagem do Reino de Deus possa alcançar mais pessoas em nosso Brasil! Márcio Toledo É extremamente gratificante saber que os jornais chegarão a to- das às igrejas e em grande tiragem. Afinal, cada comunidade independente de seu tamanho ou influência, faz parte do povo chamado metodista. Parabéns Expositor Cristão! Fábio Paprotzki Missão indígena Conheço a pastora Maria Imaculada há muito tempo e sinto or- gulho de ser metodista conhecendo o trabalho que ela faz junto aos índios! Ely Marques Saiba como foi o Encontro Nacional de Trabalho com Crianças! Confira! Eddie Fox participa de Seminário de Evangelismo no Brasil no mês de agosto. Saiba como participar! Devocionário especial para pastores e pastoras está a ven- da! Adquira o seu! Veja como foi o Ato Litúrgico de resgate da memória de metodistas vítimas do Regime Militar. O evento foi no dia 28 de março, na Catedral Metodista de São Paulo. Presidente do Colégio Episcopal: Bispo Adonias Pereira do Lago Jornalista Responsável e Editor: Marcelo Ramiro (MTB 393/MS) Conselho Editorial: Almir de Souza Maia, Camila Abreu Ramos, Luis Mendes, Odilon Massolar e Paulo Roberto Salles Garcia. Jornal oficial da Igreja Metodista Colégio Episcopal Fundado em 1º de janeiro de 1886 pelo missionário Pr. John James Ranson Repórter: Pr. José Geraldo Magalhães Revisão: Maiara Torres Diagramação: Luciana Inhan Entre em contato conosco: Tel.: (11) 2813-8600 www.metodista.org.br expositor@metodista.org.br Tiragem: 3 mil exemplares As matérias assinadas são responsabilidade de seus autores/as e não representam, necessariamen- te, a opinião do jornal. A produção do ­Expositor Cristão é realizada em convênio com o Instituto Metodista de Ensino Superior, responsável pela distribuição. Avenida Piassanguaba, nº 3031 – Planalto Paulista – São Paulo/SP – CEP 04060-004 Páscoa e Ascensão: Celebração da saída do povo do Egito; ressurreição de Cristo. Tema básico: Esperança na ressurreição de toda vida criada por Deus. Período: Da quarta-feira Santa (lava-pés) até o Pentecostes. Símbolos: Túmulo vazio; Sol nascente; Cruz vazia; Borboleta como símbolo de transformação e vida nova. Cores: Usa-se o preto na sexta-feira Santa, roxo lilás no sábado, amarelo (Cristo, o sol nascente) e branco no domingo da Ressurreição. Leituras: Ex 12; Sl 113 a 118 (cânticos pascais); Mt 26.17-30; Mt 28.1-20; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18 e At 1.1-14 ArquivoExpositorCristãoPr.JoséGeraldoMagalhãesCamilaAbreuPr.JoséGeraldoMagalhães
  3. 3. 3 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Palavra Episcopal ArquivoExpositorCristão Conexidade: fé, comunhão e serviço G eralmente nós achamos que conexidade é sinô- nimo de igualdade, mas estamos profundamente enga- nados. É unidade que se dá na diversidade, como na célebre frase de John Wesley: “os meto- distas pensam e deixam pensar”. Não somos uma Igreja conexio- nal porque somos iguais, mas porque temos unidade, ou seja, todos nós trabalhamos por um esforço comum – unidade do corpo de Cristo. Somos diferentes em tan- tas coisas: fisionomia, posição social, raça, status, formação e tantas outras dimensões da vida. Todas essas diferenças são colo- cadas perante nosso Senhor Je- sus Cristo que nos faz “um para que o mundo creia que ele nos enviou”. Na igualdade estão aspectos não essenciais da vida. Mas, na unidade está o fato de sermos “corpo de Cristo”, verdadeira Igreja. Esse fato me preocupa muito, pois vejo que muitas ve- zes, através de nossas atitudes e ações, não temos preservado a “unidade do corpo de Cristo”. A unidade passa pela pre- servação de valores mais pro- fundos, passa pela preservação da doutrina – conjunto de prin- cípios que servem de base para um sistema. Dentro da visão da Reforma Protestante, surgiu um termo muito forte e significativo que foi o termo “Sola Scriptu- ra” cujo significado é “somente a Escritura”. A Bíblia é vista como “a única regra de fé e conduta” para o cristão. Nós metodistas, adotamos literalmente esse termo da Re- forma Protestante, pois no art. 5 de Religião do Metodismo His- tórico nós temos “a Bíblia como única regra de fé e prática”. Isso deveria ser uma verdade para todos/as os/as metodistas, mas, infelizmente, parece-me mais retórica histórica que verdade vi- vida e praticada em nossos dias. Esse pensamento da Bíblia era tão forte que Martinho Lu- tero chegou a dizer que “um simples leigo armado com as Escrituras (Bíblia) é maior que o mais corajoso Papa sem elas”. Como seria bom viver dentro da perspectiva da mais pura e santa Palavra de Deus. Sem funda- mentalismo ou liberalismo, mas com uma interpretação contex- tualizada e fiel aos princípios bíblicos. Nossa conexidade passa pela fé única e verdadeira em Jesus Cristo que veio como ser huma- no para resgatar o ser humano e nos mostrar que como ele ven- ceu todas as lutas e desafios des- ta vida, nós também podemos com ele ser mais que vencedores. Não é a arte de viver da fé e não saber de fé em que. É a fé que é “a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fa- tos que não se veem” (Hebreus 11.1). É uma fé sem lógica, mas com razão, ou seja, não pode- mos explicar essa fé, mas po- demos encontrar razão para ela em Jesus Cristo – culto racional (Romanos 12.1-2). A fé deve ser vista como o firme fundamento e não como vulnerabilidade ou atos esquizofrênicos que reve- lam insanidade. Nossa conexidade passa tam- bém pela comunhão – tudo é comum, por isso traz união. Somos diferentes em tantos as- pectos da vida humana, mas em Jesus Cristo todos somos feitos servos e servas de Deus e nada mais que isso. Não devemos repetir o mode- lo putrificado da sociedade atual em nossas comunidades; temos que erradicar do nosso meio as posições sociais e econômicas que tanto trazem desconfortos e discriminações. A comunida- de primitiva não conhecia polí- ticas comunistas ou socialistas, mas declara as Escrituras que “tinham tudo em comum”. Aqui há ausência total de políticas co- munistas e socialistas, mas pre- sença viva, prática e atuante do verdadeiro cristianismo – amor a Deus e ao próximo. Se verda- deiramente não amo a Deus e ao meu irmão/ã, não sou um/a discípulo/a de Jesus Cristo. Conexidade passa também pelo serviço, pois o “Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por mui- tos”. O que marca a vida cristã não são as palavras ou belos dis- cursos que fazemos, mas a nossa vida, nossa história, nosso teste- munho de vida. Parece-me que hoje o cris- tianismo virou um belo discurso hipócrita, pois fala-se muito e vive-se quase nada. Seguir a Je- sus Cristo é entregar a sua vida a favor do próximo. I João 3.16 diz enfaticamente: “Nisto conhe- cemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”. Não há aqui teorias ou filosofias vãs, mas verdadeira prática – dar a vida. Será que queremos ser esta comunidade? Discípulas e dis- cípulos nos caminhos da missão formam uma comunidade de Fé, Comunhão e Serviço. Deus nos abençoe nesta reflexão. Bispo Roberto Alves de Souza Presidente da 4ª Região Eclesiástica Parece-me que hoje o cristianismo virou um belo discurso hipócrita, pois fala-se muito e vive-se quase nada. STILLFX
  4. 4. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 4Geral Colégio Episcopal na Faculdade de Teologia Palestras dos/a bispos/a abordam a temática do discipulado O s/as futuros/as pasto- res/as da Igreja Meto- dista estão aprendendo sobre discipulado com o Co- légio Episcopal. Desde o ano passado, palestras sobre o tema são organizadas na Faculdade de Teologia, em São Bernardo do Campo/SP. O último encon- tro foi no dia 16 de abril, com a participação da bispa Marisa de Freitas, presidente da Re- gião Missionária do Nordeste. O discipulado é uma das ênfases da Igreja Metodista no ­Brasil, aprovada no último Concílio Geral em 2010. Faz parte das metas de cada igreja local o de- safio de promover o discipulado na perspectiva da salvação, san- tificação e serviço. Para capacitar os/as metodistas, está agendado para os dias 11, 12 e 13 de se- tembro deste ano, o primeiro Encontro Nacional de Discipu- lado e de Expansão Missionária. Saiba mais informações em: www.metodista.org.br. O Concílio Mundial Metodista, consa- grou Gillian Kin- gston como sua nova vice- -presidente. A cerimônia foi realizada na Igreja Metodista Centenária em Dublin, onde teve início o movimento me- todista na Irlanda, em 1752. A cerimônia de posse foi di- rigida pelo bispo brasileiro Paulo Lockmann, presidente do Concílio Mundial Meto- dista. Gillian Kingston suce- de a bispa Sarah Davis, que faleceu em novembro do ano passado. Em nota, o Concílio Mundial declarou sua gra- tidão ao legado deixado pela bispa Davis. Concílio Mundial Metodista consagra nova vice-presidente Copa John Wesley movimenta juventude metodista Torneio chama atenção para a situação das crianças de rua A Copa de Futsal Nacio- nal “John Wesley” foi promovida pela Con- federação Metodista de Jovens, por meio da agência missionária Malta, em parceria com a Igreja Metodista da Inglaterra e apoio da Coordenação Regional de Esportes da 1ª Região. O even- to aconteceu na Igreja Meto- dista de Vila Isabel, no Rio de Janeiro/RJ, entre os dias 4 e 5 de abril, com equipes represen- tando as Regiões Eclesiásticas, além da equipe anfitriã, forma- da pelos jovens de Vila Isabel. O objetivo dessa iniciati- va foi conscientizar a juventude metodista do Brasil em prol das crianças de rua. O último levan- tamento realizado pelo Gover- no Federal, revelou que mais de 24 mil crianças vivem nas ruas em 75 grandes cidades do país. “É um alerta de que as crianças que sofrem, não são uma pai- sagem e a igreja precisa ter uma atitude profética para mudar essa realidade”, afirmou Sinval Filho, vice-presidente da Confederação de Jovens e liderança da agência Malta. Ao todo, 52 jovens meto- distas de todo o Brasil, parti- ciparam do torneio. “Foi muito mais do que um campeonato e esperamos que muitos frutos se desenvolvam a partir desta ini- ciativa”, comenta Flávia Martins, que coordenou a Copa John Wesley e integra a liderança da agência Malta. A equipe de futsal da 3ª Re- gião Eclesiástica ficou em pri- meiro lugar no torneio. /expositorcristao /sedenacionalmetodista /jornalEC /metodistabrasil @jornal_ec @metodistabrasil Acompanhe a Igreja Metodista nas redes sociais: RicardoAguiar WMC Bispa Marisa falou sobre a importância do discipulado para gerar relacionamentos saudáveis. Gillian Kingston (ao centro) é a nova vice-presidente do Concílio Mundial Metodista. Comunicação1ªRE Torneio reuniu equipes de todas as Regiões Eclesiásticas da Igreja Metodista.
  5. 5. 5 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Sociedade Oportunidades A Igreja e a Copa do Mundo Pr. Odilon Massolar Chaves O futebol é uma paixão na- cional e a Copa do Mun- do de Futebol é o maior evento esportivo do planeta. Só o sorteio dos grupos da Copa foi visto por 500 milhões de telespec- tadores. A Fifa anunciou em abril que havia vendido 2,5 milhões de ingressos para a Copa, mas a N-TV alemã diz que milhões irão às ruas para protestar porque di- nheiro foi gasto em estádios em vez de hospitais. Pesquisa aponta também que serão criados 48 mil postos de trabalho com a Copa. O que a Igreja tem a ver com a Copa do Mundo que será realizada de 12 de junho a 13 de julho? Aproveitando as oportunidades A CNBB (Conferência Nacio- nal dos Bispos do Brasil) fala em oportunidade na Copa de reconciliação universal com os povos presentes. De forma mais caseira, em nossas ruas temos a oportunidade de nos confrater- nizar com vizinhos colorindo muros e colocando bandeiri- nhas. Em nossas igrejas temos a oportunidade de promover a confraternização com os mem- bros para ver jogos na TV. As Igrejas têm a oportunidade de evangelizar de forma estraté- gica especialmente nos locais das partidas de futebol. Algu- mas igrejas traduziram folhetos evangelísticos para a língua dos 32 países. A juventude metodista fez parceria com a CTEAM (Time de Jesus Cristo), especialmente com os jovens da Asa Sul, em Brasília, para a evangelização estratégica durante a Copa do Mundo. Haverá grupos musi- cais, coreografia, pantomima, teatro e dança de rua. Serviços de aproximação com o público serão oferecidos, como barraca para aferição de pressão, distri- buição de folders com informa- ções, mapas, sachês de hidratan- tes e água1 . Muitos se mobilizaram para planejar formas de evangelização durante a Copa do Mundo, como a Coordenação de Esportes da Igreja Metodista na 1ª Região Eclesiástica, juntamente com o Secretário Executivo de Ação Social e o Assessor Episcopal. Questionamentos Em abril de 2014, a aprovação à Copa do Mundo no Brasil caiu para 48%, diz Datafolha. “Inicialmente considerada uma oportunidade para alavancar o desenvolvimento do país, a Copa do Mundo se tornou uma 1 http://goo.gl/016YKB dor de cabeça para o governo e os organizadores diante de inúmeros atrasos em obras de estádios e aeroportos, projetos de infraestrutura cancelados e protestos contra a realização do torneio”2 . A CNBB questionou as di- versas violações de direitos que estão sendo praticadas em nome da Copa do Mundo: “remoções forçadas, indenizações injustas, a falta de participação popular nas decisões, violência estatal e higienização das ruas do centro nas cidades-sede, instalação dos tribunais de exceção etc”3 . O Colégio Episcopal da Igre- ja Metodista ao se referir às ma- 2 http://goo.gl/0Zr5oj 3 http://goo.gl/1uR98e e Questionamentos nifestações públicas disse: “Ao mesmo tempo em que apoiamos as manifestações, não apoiamos seus desvios. A impressão que temos é que esperaram aprovar a festa, o orçamento, construir o bolo (estádios) e seus enfeites (toda mídia), trazer os convi- dados à nossa casa para feste- jar, para então se unirem contra tudo, tendo no movimento al- guns que saem com o propósito de ferir os convidados”4 . Ganhando a taça A marchinha “A taça do mundo é nossa” foi cantada pelo povo brasileiro na conquista mundial de 1958. Mas em 1983, ladrões roubaram a taça Jules Rimet que pesava 3,8kg de ouro. Em 1950, o futebol do Uruguai já havia roubado o sonho brasileiro ao ga- nhar, na final, do Brasil por 2x1. Hoje, sonhamos ver o Bra- sil novamente campeão, mas também temos que lutar pelos nossos direitos como cidadãos e cidadãs. Como Igreja, se quere- mos ser fiéis à Palavra, devemos ser voz profética e aproveitar to- das as oportunidades para teste- munhar Jesus. O Brasil ganhando ou per- dendo a Copa, a Igreja com sua postura ética e profética será mais do que vencedora. 4 http://goo.gl/XPHxcI
  6. 6. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 6Reflexão Eva Regina Pereira Ramão N o dia 13 de maio de 1888, foi assinada a Lei Áurea que aboliu a es- cravidão no Brasil. O país foi o último a libertar os africanos/as e afro-brasileiros/as escraviza- dos/as. Aos libertos não foi as- segurado o acesso à terra e não havia assistência social ou eco- nômica. Não tinham educação formal e, em sua maioria, não eram alfabetizados. Não houve ações do governo para integrá- -los à sociedade de forma que pudessem ascender socialmente e participar da vida política. Ao contrário, proibiram as crianças negras de frequenta- rem as escolas. Portanto, nada há para comemorar! Os movi- mentos sociais negros transfor- maram o dia 13 de maio em Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Hoje, a situação dos/ as afro-brasileiros/as ainda é muito semelhante àquela do dia 13 de maio de 1988: não pos- suem acesso à terra, propriedade e, em sua maioria, possuem bai- xa escolaridade e recebem baixa remuneração. Poucos/as desempenham funções públicas de juiz/a ou promotor/a. O acesso à univer- sidade ainda é pequeno. A de- sigualdade continua grande en- tre negros/as e não negros/as. É preciso chamar a atenção para a mulher negra que é discriminada enquanto negra, pobre e mulher. Entre os trabalhadores do- mésticos existe um contingente enorme de mulheres. Segundo dados da Secretaria de Políticas para Mulheres, 95% deles são mulheres, sendo 60% negras. Se- gundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 5 milhões de empre- gadas domésticas não possuem registro na carteira de trabalho. Denúncia contra o Racismo“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” Gálatas 5.1 O trabalho das empregadas do- mésticas no Brasil ainda é muito semelhante ao que era realizado pelas negras escravizadas, com jornadas de trabalho é excessivas chegando até a 14 horas diárias. Lembramos aqui de Cláu- dia Silva Ferreira, morta aos 38 anos, num domingo, no Morro da Congonha, Rio de Janeiro/ RJ, durante tiroteio entre po- lícia e traficantes. Os policiais colheram seu corpo do chão e colocaram no porta-malas. Ain- da estava viva. No caminho, o porta-malas se abriu, o corpo dela foi jogado para fora, ficou pendurado na traseira do carro e foi arrastado por 250 metros. Houve muita indignação por parte da sociedade, entretanto, para muitos, passou simples- mente como mais um caso po- licial. A sociedade brasileira é racista e o racismo é tão intenso que aparece até nos momentos de diversão como nos campos de futebol. Os recentes casos de racismo no futebol, envolvendo o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, o santista Arouca e o cruzeirense Tinga, ocorridos em menos de um mês, indignaram a todos/as cidadãos/ãs defensores/ as dos direitos humanos. O jornalista David Coimbra, em sua coluna no jornal Zero Hora de 11 de março de 2014, diz: “Os 300 anos de escravidão do Brasil são uma mácula horrenda que o Brasil jamais teve coragem de expor. Uma culpa nunca expiada. E, mais do que mácula e culpa, é um episódio definidor do caráter e da história do brasileiro. Por isso, toda reação a manifestações racistas será bem–vinda no Brasil. Ser cha- mado de gringo ou alemão nunca foi pejorativo. Chamar alguém de ma- caco é ofensa no mundo inteiro pela conotação histórica que a palavra ganhou. Pelo que o homem branco fez com o homem negro”. O racismo contra o/a negro/a atinge a todos/as, desrespeita a pessoa humana, mas também a outros povos e nações. Nelson Mandela, Madiba, como era chamado, uns dos maiores he- róis da luta dos/as negros/as pela igualdade de direitos na África do Sul, dizia que ninguém nasce racista, o racismo é ensinado. A educação é essencial para desconstruir o racismo e deve acontecer na família e na so- ciedade. A Igreja tem um papel importante e urgente a desem- penhar neste sentido. Na Copa do Mundo no Brasil, não pode- remos esquecer que o maravi- lhoso futebol é abastecido pelo talento de jovens da periferia e muitos são negros. O mundo tem conhecimento dos atos racistas no futebol, mas acho que nós, brasileiros/as, de- veremos fazer um esforço para que não aconteçam atos de ra- cismo durante os jogos da Copa, quer nos estádios ou fora deles. Nós cristãos/ãs não podemos fechar os olhos para a realidade, precisamos ser voz profética na desconstrução do racismo es- trutural da sociedade brasileira, reconhecendo o pecado do racis- mo, externando a sua inconfor- midade com os atos de racismo, preconceito e qualquer forma de discriminação. Assim, estaremos testemu- nhando Cristo, que deu a Sua vida para que todos/as tenham vida plena e abundante. Dica de Filme 12 Anos de Escravidão Oscar de melhor filme (2014) Duração: 133 min. 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um tra- balho que o leva a outra cidade, ele é seques- trado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus serviços. Divulgação
  7. 7. 7 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Vida cristã George Paradela Pr. Erick Farley P arece que estamos vivendo mais uma onda de produ- ções cinematográficas ba- seadas em personagens bíblicos. Vários filmes bíblicos já foram realizados, alguns bons e outros não tão bons assim, em minha perspectiva. Contudo, os gostos em relação aos filmes bíblicos são diversos e não é minha intenção nesta breve reflexão discutir e de- fender algum ponto de vista. Porém, nos últimos dias, a nova produção do diretor Dar- ren Aronofsky, em que foi adap- tado o personagem bíblico Noé, está sendo alvo de inúmeros questionamentos e críticas por parte dos cristãos em geral. Já ouvi declarações de inúmeras A quem queremos enga- nar com o discurso de um namoro segundo o coração de Deus? O discurso é muito bonito, mas a prática está longe de ser verdade. Há mui- tos jovens sérios que realmente querem honrar seu compromis- so com Deus, mas também há muitos que vivem o relaciona- mento como se nunca tivessem ouvido a respeito de Jesus, mes- mo frequentando uma igreja. Sabe por quê? No tempo em que vivemos, dizer em uma roda de amigos que você nunca transou, é ser o que alguns chamam de “cafo- na”. Somos pressionados/as por todos os lados: televisão, mí- dias sociais, rádio, internet, en- fim, uma gama de informações que, na maioria das vezes, não serve para mais nada a não ser para deturpar o valor da sua fé e deixar você em uma pior, pois começamos a dizer que pecado Namoro segundo o coração de Deus? Filme NOÉ: crítica e reflexão não é mais pecado. Para que ser puritano? O que vale é ser feliz, custe o que custar. O final desse caminho é final de morte. O texto de 1 João 2.15-17 é muito claro ao dizer que a de- cisão de amar a Deus é sua. Ela pode ser boa ou ruim, porque aquele/a que ama o mundo, o amor do Pai não está nele/a. Jovem, se você decidiu amar a Deus e sabe que Ele tem o me- lhor para você, espere e confie. Quantos relacionamentos são destruídos por terem nascido de uma escolha totalmente erra- da? Seja diferente, seja fiel, ame a Deus de todo o seu coração. Lembre-se sempre que, mesmo quando não há ninguém olhando pra você, Deus está, e isso basta. Mas, como somos movidos por nossas emoções, começa- mos a levar-nos por ensinamen- tos que vão contra a palavra de Deus. Tome uma decisão hoje e diga: eu preciso ser diferente, eu preciso confiar em Deus. Que os padrões de Deus sejam a escolha da sua vida. Por último, o texto diz que o mundo passa. Se o mundo pas- sa, o texto bíblico é claríssimo ao dizer que a farra, a bagunça, a vida “louca” não são para sem- pre, elas vão acabar. Você deve estar pensando: “Esse pastor está parecendo meu pai! Fica falando em futuro. Mas, os tempos são outros, a Bíblia deve ser contex- tualizada com os dias de hoje!”. O segundo posicionamen- to eu concordo com você, mas discordo totalmente com a ideia de que Deus negocia os princí- pios que Ele mesmo nos deixou. Preste atenção: pecado é pecado. E quer saber a grande verdade? Não vai durar muito. E quando tudo der errado, você vai lem- brar desse artigo. Meu maior desejo é que você abra os seus olhos antes da de- cepção. Seja esperto/a! Você já fez a escolha em ser um/a jovem cristão/ã, tem amigos e talvez até esteja envolvido com ministérios na igreja local. Então, por favor, antes de tudo isso, permaneça em Deus e Ele vai surpreender você em tudo, inclusive em seu namoro! Não se esqueça, Deus tudo vê. lideranças evangélicas e também a poucos dias do Vaticano, repu- diando a adaptação feita nas te- lonas. Em suma, os comentários das lideranças cristãs são que o filme: distorceu a mensagem bí- blica; que o diretor acrescentou coisas na Bíblia; recomendações para que não assistam ao filme e também afirmações de que o filme não é bíblico. Assisti ao filme e gostei bas- tante da adaptação feita. Fica claro que o filme não é fiel à nar- rativa bíblica de Noé. Todavia, também é muito claro que os diretores não possuem nenhum compromisso em expor as Escri- turas com fidelidade. Esse com- promisso fica a cargo de outras pessoas, como você e eu, que se consideram cristãos/ãs. A minha percepção sobre todo esse repúdio ao filme Noé, nos alerta para algo muito sério. Será que a rigorosidade bíblica que impomos para os outros é a mesma imposta à nós? Na mes- ma proporção que condenamos um filme, que por sinal vale o ingresso, condenamos as nossas práticas internas que sãos incoe- rentes às Escrituras? Qual será o verdadeiro mal que precisamos nos guardar? O de uma sessão de cinema ou o de uma vida cristã sem compromis- so com a Palavra? Que o Deus da vida nos guarde desse terrível mal! Divulgação O jornal Avvenire, publicado no Vaticano e ligado à Igreja Católica, fez severas críticas ao filme Noé. O épico dirigido pelo cineasta Darren Aronofsky e estrelado por Russell Crowe, foi chamado de “uma oportunidade perdida, um Noé sem Deus”. RockandWasp
  8. 8. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 8Capa Pr. Helmut Renders A palavra conexidade pa- rece estranha, mas resu- me algo muito bíblico. Podemos distingui-la em três aspectos. No primeiro, temos a forma como as comunidades fundadas pelo apóstolo Paulo se relacionaram. Paulo liderou uma equipe de colaboradores, que assim como ele, foi itinerante. Este é o modelo do nosso siste- ma episcopal e dos concílios. No segundo aspecto, vemos que as comunidades paulinas fo- ram organizadas internamente segundo o modelo de dons e mi- nistérios. Novamente, temos um jeito de relacionar pessoas e uni- -las não pelo sangue, família, et- nia, classe social ou gênero, mas, pela reconciliação em Cristo e pelo espírito do serviço mútuo. Com as palavras de Gálatas 3.28: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Isso é, em outras palavras, o objetivo da conexidade: um entrelaçamento que supera aquilo que tantas ve- Intérpretes da conexidade zes o mundo separa (também Ef 2.13-17 e At 2.15-16). Além disso, houve uma ter- ceira dimensão de superação: a conexidade além das fronteiras do próprio grupo. Novamen- te, é Paulo seu grande promo- tor. Apesar de tantas tensões (Gl 2.1-11, especialmente “11”), Paulo procura estreitar os laços com a missão do grupo de Pedro e de Jerusalém e não desiste de- les (2 Co 8, e 9; Rm 14). Assim, dá continuidade na mesma tra- dição de Jesus que apresenta sa- maritanos como exemplos, en- quanto seus discípulos não viam nada de bom neles (Lc 9.49-56; 10.30-37; 17.11-19). Intérpretes da conexidade No decorrer da história, as co- munidades metodistas interpre- taram estas três dimensões de formas diferentes. Na Inglater- ra do século 18, a conexidade destaca-se pela sua dinâmica de acolher na comunidade qualquer pessoa independente do seu pas- sado ou condição. Em busca de alianças, o metodismo procu- rou, por um lado, ser amigo de todos/as e inimigo de ninguém e, por outro lado, criar um or- ganismo transformador e soli- dário. As pessoas se uniram para identificar erros e para motivar a construção de vida nova: dei- xando o mal e fazendo o bem. Sabemos que Wesley foi inspi- rado para isso especialmente em Hebreus 10.23-24: “Retenhamos firmes a confissão da nossa espe- rança; porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. Evangelização, evangelho em ação (ação social) e educação andavam juntos. Nos Estados Unidos, esta tripla dimensão da conexida- de foi desafiada pelo horror da escravidão. Uma parte da Igreja Metodista, a igreja mãe do metodismo brasileiro, ten- tou reconciliar escravidão e fé e feriu severamente todas as dimensões da conexidade: não acolheu todas as pessoas de forma incondicional no mesmo espaço, separou-se na comu- nhão com outros metodistas e hostilizou também outros gru- pos abolicionistas. Enquanto a defesa da escra- vidão tecnicamente terminou, porém, somente por uma san- grenta guerra civil, a recupera- ção dos três aspectos da cone- xidade, como era para esperar e recear, demorou muito mais. De fato, sobreviveram daqui para frente os três aspectos da conexidade em grupos distin- tos: enquanto o grupo avivalista focava no interior, na experi- ência religiosa e na fundação de igrejas, cuidava o grupo do evangelho social da recons- trução do mundo, dos direitos humanos e de uma ordem mun- dial da paz. No limite dessa experiência – o fim da escravidão e departa- mentalização da conexidade em grupos distintos – surgiu o me- todismo brasileiro. Por um lado, representa o “trio de ouro” com- posto pelos três missionários pioneiros Kennedy (evangelista, fundador de igrejas), Tarboux (pregador e primeiro bispo) e Tucker (agente da Sociedade Bí- blica Americana e fundador do
  9. 9. 9 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Capa Instituto Central do Povo) um projeto de reaproximar as três dimensões da conexidade. Por outro lado, criaram as ditaduras de Vargas e de 1964 profundas divisões que dificultaram a in- tegração das três dimensões da conexidade. Mais uma vez, não se sabia mais manter unida a renovação do indivíduo, a reforma da igre- ja e a transformação da socie- dade. Os temores dessa época ainda assombram o país. Em meio e ao final des- sa época, surgiram no Brasil o Plano Para a Vida e Missão e o projeto Dons e Ministérios. Eles parecem-nos novamente tentativas de aproximar o ele- mento da conexidade externa, colaboração com outras igrejas e a sociedade na promoção do bem comum, com o elemento da conexidade interna, uma or- ganização fraternal e igualitária focada na transformação real de pessoas, dos seus comporta- mentos e das suas atitudes. O desafio era a condição pós-moderna, que pegou to- dos/as de surpresa seduzindo a igreja a restringir-se ao cuidado e à cura do interior das pesso- as. A grandeza da tradição da tripla conexidade e o horizonte da esperança da sua realização parcial, pareciam ser coisas de outra época. Desafio da conexidade Nunca foi fácil unir as três di- mensões da conexidade nem imaginar as três como relacio- nadas. Mesmo assim, os/as me- todistas investiram nesta for- ma de ser igreja por três vezes. Parece-nos que as diversas gera- ções compreenderam a conexi- dade como um elemento bíblico chave para descrever a missão do metodismo. Muito além de uma forma organizacional, articula o gran- de sonho de renovação pessoal, da reforma da igreja e da trans- formação da sociedade como um conjunto da existência cris- tã. Que ousadia... mas, será que para a nossa época serviria algo menor? Para que Deus chama os/as metodistas? “Para reformar a nação, especialmente a igreja, e espalhar santidade bíblica sobre toda a terra”, como dizia John Wesley. Que nessa nova época, uma nova geração de metodistas in- terprete a herança das três di- mensões da conexidade para o bem do povo brasileiro e para a glória de Deus. “Muito além de uma forma organizacional, articula o grande sonho de renovação pessoal, da reforma da igreja e da transformação da sociedade como um conjunto da existência cristã.” Campanha Nacional de Oferta Missionária Mobilização será no dia 18 de maio em todo o Brasil M etodistas em todo o Brasil são desa- fiados/as a partici- par da Campanha Nacional de Oferta Missionária 2014. Com a contribuição e o envol- vimento das igrejas será possí- vel expandir o Reino de Deus nas regiões Norte e Nordeste. Muitas vidas serão abençoa- das e beneficiadas. “A Campanha é mais uma oportunidade de abençoar os campos missionários da Ama- zônia e do Nordeste. Para nós é um grande privilégio!”, de- clara o bispo Adonias Pereira do Lago, presidente do Colé- gio Episcopal. Este ano o alvo nacional é de 600 mil reais. Assim como nos anos anteriores, cada Re- gião Eclesiástica e Missioná- ria tem um desafio a cumprir. Na Região Missionária da Amazônia (Rema) o valor arrecadado será investido na formação de obreiros (105 mil reais) e na consolidação de igrejas em Porto Velho/RO (40 mil reais), Manaus/AM (18 mil reais) e em Marabá/ PA (42 mil reais). Cinco mil reais também serão investidos para divulgação dos projetos missionários. Na Região Missionária do Nordeste (Remne), o investi- mento de 210 mil reais será na aquisição de propriedade no bairro Sam Martim em Re- cife/PE para a construção do templo. Além de investir na missão no Norte e Nordeste, parte da oferta será destinada a proje- tos sociais, emergências e víti- mas de catástrofes no Brasil e no exterior. Recursos também serão aplicados em um fundo missionário, criado para esti- mular as parcerias missioná- rias entre as Regiões Eclesi- ásticas. Acesse os materiais de apoio da Campanha e assista ao vídeo de divulgação, por meio do QR Code abaixo: goo.gl/XpfzTD
  10. 10. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 10Discipulado Servindo de ModeloPr. Emanuel Adriano Siqueira E m 1 Pedro 5.1-3, Pedro roga aos pastores e pas- toras que apascentem o rebanho de Deus, não como do- minadores ou dominadoras, mas servindo de modelo ao rebanho. Numa igreja que tem o discipu- lado como estilo de vida e méto- do de pastoreio, é necessário que pastores e pastoras sejam mode- los para o rebanho. Os instrumentos tradicionais de pastoreio continuam presen- tes, ainda utilizamos a prega- ção, visitação, aconselhamento e o estudo, mas, numa igreja de discipulado, como Jesus, cha- mamos as pessoas a estarem co- nosco, a virem e verem. No rela- cionamento, as pessoas têm um referencial prático, um modelo, de tudo que ouviram na prega- ção, aconselhamento e ensino. Numa igreja de discipulado, não dá para se ensinar o que não se vive, sem falar como o apóstolo Paulo que não julgava ter alcançado o que ensinava, desafio, de fazer discípulos e discípulas do Senhor servindo de modelo. Igrejas têm cresci- do de maneira saudável em vá- rios lugares por isso. Homens e mulheres que têm em seus/as pastores e pastoras referenciais práticos de cristianismo têm as- sumido esse desafio de também serem modelos a outros. Dizem que, entre 404 e 323 a.C., viveu um filósofo gre- go conhecido como Diógenes, o cínico. Ganhou esse apeli- do porque diziam que andava pelas ruas da cidade com uma lanterna na mão, de dia, e di- zia que estava à procura de uma pessoa honesta. O discipulado nos propõe sermos honestos e honestas em nossa vivência do Evangelho, servindo de mode- lo. Esperamos que, se Diógenes vivesse hoje, pudesse encontrar os homens e mulheres honestos que buscava. Honestos/as para servirem de modelo ao reba- nho, prosseguindo em direção ao alvo. Que Deus nos abençoe neste desafio! por isso, disse que prosseguia em direção ao alvo. Não somos modelos ao rebanho porque somos perfeitos ou melhores, somos modelos porque aceita- mos ser enviados por Jesus e o rebanho precisa de modelos re- ferencias que o ajudem a correr a carreira que Deus lhes propôs. Porém, vivemos essa crise, de servirmos de modelos sem ser- mos perfeitos. Por isso, também precisamos ser discipulados e discipuladas, acompanhados/as em nossa crise para que não venhamos a desfalecer em nosso desafio de servir de modelo. Centenas de pessoas em vá- rios lugares têm aceitado esse terá 30 mil exemplares em junho Jornal também vai ganhar novo visual e melhor distribuição pelo Brasil O jornal Expositor Cristão passa pela maior mudança ao longo de 128 anos de histó- ria. A partir do mês de junho deste ano, o informativo ofi- cial da Igreja Metodista terá uma tiragem 10 vezes maior. Serão 30 mil exemplares por mês enviados gratuitamen- te para as igrejas em todo o Brasil. Mudanças no processo de distribuição também estão con- firmadas. As comunidades me- todistas receberão pacotes com jornais de acordo com a quan- tidade de membros. “Estamos inaugurando um novo ciclo do Expositor Cristão”, anuncia o editor chefe Marcelo Ramiro. Além de maior tiragem e melhor distribuição, o Expo- sitor Cristão vai ganhar novo formato e visual. A intenção é tornar a leitura ainda mais agradável e relevante para os/as metodistas.  Aprimorar a versão eletrô- nica do Expositor Cristão e promover maior interação com as Redes Sociais são priorida- des do novo projeto. “Além de criarmos um diferencial e de- monstrarmos a preocupação em acompanhar os avanços tecnológicos, oferecemos aos leitores outra opção de acesso ao jornal”, explica Paulo Salles Garcia, membro do Conselho Editorial. O Expositor Cristão é o jor- nal protestante mais antigo em circulação no Brasil. Foi inau- gurado em 1886 com o papel de informar e promover refle- xão de qualidade aos metodis- tas espalhados pelo país. Expositor Cristão “O discipulado nos propõe sermos honestos e honestas em nossa vivência do Evangelho, servindo de modelo.” PondPond
  11. 11. 11 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Celebração Coração aquecido para transformar a nossa realidade Pra. Maria Monteiro N o dia 24 de maio, me- todistas de todo mundo comemoram a expe­ riência do “Coração Aqueci- do”, rememorando o dia em que houve uma reviravolta na vida de João Wesley. Ao ouvir a lei- tura do comentário aos Roma- nos de Martinho Lutero acerca da justificação pela fé, Wesley teve uma experiência espiritual extraordinária, sendo tocado e transformado pela manifesta- ção do Espírito Santo. Imagino a  alegria imensa que invadiu a alma dele, fazendo arder o co- ração e, como escreveu em seu diário: “senti o meu coração es- tranhamente aquecido”. A experiência de Wesley foi muito marcante, profunda, inspiradora, produzindo uma transformação da sua realidade que transcendeu o tempo: um aprofundamento na compre- ensão do que, de fato, significa ser um/a verdadeiro/a cristão/a. Esse momento se tornou um grande divisor de águas para o ministério de João Wesley, um marco histórico que neste 24 de maio de 2014 completa 276 anos. O certo é que a Inglater- ra do século XVIII, foi sacu- dida, abalada e transformada pela disposição e ousadia de dois homens valorosos: John e Charles Wesley. O impacto foi tanto que alcançou o mundo e chegou até nós, brasileiros/as, cumprindo-se o conhecido lema de João Wesley: “o mundo é minha paróquia”. Ao longo da história, Deus sempre nos traz tempos de refri- gério, visitando-nos com grande poder, através do seu Espírito. Ao mesmo tempo, vemos o me- todismo histórico distanciando- -se, em alguns aspectos, das convicções do seu fundador, enveredando por doutrinas pas- sageiras e práticas de outros gru- pos religiosos. A igreja tem crescido, mas apesar desse crescimento ex- plosivo, há um nível baixo de espiritualidade, sendo muito superficial. A igreja do presen- te está crescendo, mas não está impactando a sociedade, como nos seus primeiros tempos. A igreja cresce, mas seus frutos não amadurecem, falta o ardor de outrora, pois a busca se con- centra grande parte em volta de si mesma e de interesses pesso- ais, saindo do foco que é ir ao encontro do povo, impactando a realidade ao redor. Não nego que nestes tem- pos de celebrações em torno do 24 de maio, temos muito para agradecer e regozijarmo- -nos pelos feitos do Senhor em nosso meio. Porém, que seja também um tempo para refle- tirmos sobre nossa caminha- da no Reino e na sociedade. É um tempo para pedirmos que o Senhor reacenda a chama, com seu fogo santo, para que arda em nossos corações o desejo de sermos aquecidos/as ao ponto de impactar a nossa nação, que tem sido tomada por corrupção, violência, desigualdade social. Essa nação que muitas vezes vive um caos generalizado é a “Nossa Paróquia”, não podemos olhar para ela com frieza e dis- tanciamento, refugiados/as em nossos templos. Minha oração é para que a experiência do “coração aque- cido” leve-nos a sair do esfria- mento moral e espiritual, con- duzindo-nos a amar e agradar a Deus como resultado da Sua Graça que opera e vive em nós. Esse “aquecimento” certamente resultará numa dinâmica cons- tante de vida devocional e di- ária de oração, jejum, serviço e santificação, no lugar de tantas atividades e ativismo sem frutos.  Este é o grande desafio nosso de cada dia: aquecer nossos co- rações em meio aos apelos mo- vidos por uma espiritualidade fria e distante, que desconhece o fogo do Espírito e o calor que só se experimenta na companhia do próximo, da irmã e do irmão, dentro e fora de nossas igrejas. Que o desafio de sermos Dis- cípulas e Discípulos nos Cami- nhos  da Missão, seja uma rea- lidade na  nossa caminhada em direção ao Reino.
  12. 12. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 12Entrevista Marcelo Ramiro Como começou seu ministério na Igreja Metodista? Jane Menezes Blackburn: Eu participei de grupos de jovens que uniam a reflexão sobre a palavra de Deus e a ação social e também do movimento estu- dantil em tempos de ditadura militar. Quando nossos filhos eram pequenos (3 e 4 anos) no final dos anos 70, eu e meu ma- rido queríamos encontrar uma comunidade de fé para eles e para nós. Antes disso, eu traba- lhava como psicóloga em tem- po parcial num projeto de De- senvolvimento de Comunidade organizado pelo bispo católico Dom Helder Câmara (onde co- nheci meu marido que era pas- tor). Nos identificamos com a Igreja Metodista e começamos a participar em 1980 na Igreja em Caixa D’Água, Olinda/PE. Em 1986, David recebeu nomeação para o Alto da Bondade, que era um ponto missionário da Igre- ja em Caixa D’Água. Em 18 de setembro de 1988, fui consa- grada diaconisa e sempre servi na Igreja na área de educação e ação social paralelamente ao meu trabalho profissional. Poderia contar como foi o pro- cesso de consolidação da cre- che em Olinda/PE? Quando chegamos ao Alto da Bondade, havia duas famílias Jane Menezes Blackburn é diaconisa há 26 anos na Igreja Metodista. Seu amor e dedicação pela obra missionária no nordeste vão além das dificuldades. Mesmo depois da morte do marido – pastor David, em um trágico acidente, Jane permanece firme e nem pensa em deixar a missão. Ela é protagonista de uma história comovente e contagiante. Leia e se emocione! Mais forte comprometidas com a igreja e um terreno. Em 1987, quando estávamos nos preparando para construir um espaço de culto, as mulheres acharam que precisa- vam de uma creche para deixar as crianças em lugar seguro en- quanto trabalhavam e, assim, a creche foi construída antes do templo. No início sobrevivemos com poucos recursos e muito es- forço, mas principalmente com a graça de Deus. Hoje, a creche se tornou um projeto regional, aten- de 96 crianças e continua se estru- turando para servir à comunidade carente. Algumas crianças que fo- ram da creche, hoje são liderança em nossa Igreja Metodista. Seu marido David acompa- nhou de perto o trabalho mis- sionário, como era trabalhar ao lado dele? O sentimento que eu tenho é que éramos uma equipe em to- das as áreas da vida para servir a Deus. Ele era pastor e eu estava envolvida na área de educação e ação social. Sempre conver- samos muito sobre tudo e com relação à igreja. Analisávamos as possibilidades, os riscos, as oportunidades... que a morte Arquivopessoal Diaconisa Jane Blackburn.
  13. 13. 13 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Entrevista Poderia relatar o acidente com o missionário David e seu sentimento em relação ao que aconteceu? Nossos filhos estavam na esco- la. Eu estava numa reunião de avaliação de um material edu- cativo que havíamos produzido junto com outras igrejas e ele estava numa reunião na Dia- conia (uma ONG formada por 11 igrejas evangélicas). Alguém chamou a atenção deles porque um fio de alta tensão havia caí- do sobre a Kombi da igreja que estava estacionada em frente à Diaconia. Ele foi até a calçada, tirou o fio que estava por cima da Kombi e de outro carro (que tinha uma pessoa dentro) com um cabo de vassoura, possibi- litando a pessoa que estava no outro carro sair. Depois, per- cebendo que o pneu da Kombi tinha fogo, empurrou a Kombi, mas ao segurar a maçaneta que estava energizada, foi jogado em cima do fio que havia sido afastado e teve morte instan- tânea. A Companhia de Ele- tricidade não fez sua parte de manutenção dos equipamentos, pois quando um fio cai, um dis- positivo deveria desligar auto- maticamente em 30 segundos. Uma fatalidade que mudou a vida da gente de forma inespe- rada e indesejada. Mas a força de Deus é maior do que a força do sofrimento e, assim, conti- nuamos na missão que não é nossa, mas Dele. Como foi continuar o trabalho missionário sem o marido? Nos dois primeiros anos traba- lhei mais do que o usual. Pre- cisava organizar a vida de outra maneira e nossos filhos eram adolescentes (15 e 16 anos). Cla- ro que senti muita falta de David e ainda sinto. Estávamos juntos em todas as áreas da vida e tí- nhamos uma comunicação mui- to transparente e uma cumplici- dade grande. Organizar a vida de outra forma custou muito esforço. A senhora é uma das diaconi- sas mais antigas do metodismo brasileiro. Certamente tem muitas histórias para contar. Poderia relatar duas histórias que marcaram sua caminhada ministerial? Lembro-me que nossa creche tinha um convênio com o Go- verno do Estado para a meren- da. Mas, infelizmente, passa- mos quatro meses sem receber o dinheiro para comprar os ali- mentos. As mães traziam o que podiam para ajudar, os comer- ciantes locais doavam verdura e pão e lutávamos para garantir as quatro refeições que as 40 crian- ças costumavam receber. Numa semana crítica, quando não sa- bíamos mais o que fazer, chegou uma pessoa na nossa casa com um cheque e um recado de apoio ao projeto. O dinheiro havia sido enviado por uma pessoa de uma Igreja Metodista em outro esta- do. Saímos imediatamente para comprar comida que alimentou as crianças até que recomeçás- semos a receber o dinheiro do convênio. Essa experiência foi muito marcante para nós. A outra história foi em 1995. Um grupo de mulheres da igreja local estava discutindo maneiras de diminuir a violência contra as mulheres e decidiu fazer uma campanha na comunidade. Fi- zemos um cartaz que tinha um desenho de mulheres conversan- do e a frase: “Mulher, você não precisa apanhar”, com o versí- culo: “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” João 10.10. Espalhamos o pe- queno cartaz nos mercadinhos, padarias, ligas de dominó e en- tregamos a quem queria. Uma mulher apareceu em nossa igreja e pediu um cartaz. Na semana seguinte, voltou para pedir outro e explicou que havia colocado na porta do guarda-roupa, pois era no quarto que o seu marido a agredia. Ela contou que depois do cartaz, o homem disse que alguém se importava com ela. Como ele havia rasgado o car- taz, ela precisava de outro para continuar protegida. Qual a importância da igreja se envolver no combate à violên- cia doméstica? Se a igreja pode compreender que a violência acontece em si- tuações de desigualdade, de as- simetria de poder e que, diante de Deus somos iguais, vai perce- ber que a violência é um insulto a Deus e vai trabalhar para cons- truir uma cultura de bons tratos. A igreja pode intervir através de um processo educativo e preven- tivo, de uma ação para supera- ção e no atendimento às pesso- as que sofreram violência. Esse tema é pouco tratado nas Igrejas e só podemos intervir conhe- cendo as causas, os mecanismos, os elementos da cultura que es- timulam e justificam atitudes violentas. A igreja tem pouca experiência de intervenção nessa área, mas é uma das realidades que gritam por uma ação mis- sionária. Como a senhora avalia o en- volvimento dos metodistas com a ação social? As igrejas em geral, estão ten- tando se fortalecer para sobrevi- ver e, o foco algumas vezes, está na instituição e não no Evan- gelho. Quando o foco está no Evangelho, a espiritualidade se espalha naturalmente em amor a quem está privado de dignida- de como pessoa humana. A cul- tura do consumismo religioso, tem tornado difícil sensibilizar os membros das comunidades de fé para se comprometerem com o serviço. Existem questões muito graves na sociedade hoje como o núme- ro de usuários de crack no Brasil (40% estão no nordeste segundo pesquisa da Fiocruz) e existem poucas iniciativas, pelo menos aqui na nossa região, para en- frentar questões como essas. Cesta básica não responde mais à realidade atual e a igreja pre- cisa desenvolver ações que reve- lem o amor, o poder e a presença de Deus! Arquivopessoal Arquivopessoal Jane com o marido David e os dois filhos: Ricardo e Daniel, em 1992. Liderados por Jane e David Blackburn os/as metodistas em Olinda/PE construíram uma creche para atender dezenas de crianças carentes no final da década de 80.
  14. 14. Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br 14Boas práticas cultos matutinos, vespertinos e outras programações regulares, há uma exposição de aproxima- damente cinco a seis horas sema- nais a um som acima da capaci- dade permitida. Não há ouvido que resista a tamanha agressão! A maneira como os instru- mentos musicais são executados nas igrejas locais e também como os/as ministros/as cantam, deve ser analisada e corrigida. A in- tensidade das notas pode variar ao longo de uma música. Isso é chamado de Dinâmica Musical. Normalmente, um som musical possui três particularidades: al- tura, timbre e intensidade. Chamamos de altura tudo o que está relacionado à frequên- cia do som. Normalmente, essa frequência é assinalada pelo ma- estro através da posição da nota na partitura. Por exemplo: em um quarteto vocal, a voz mais baixa é o “baixo”, e a voz mais alta – aguda, é o “1º tenor”. O timbre já é a propriedade que nos consente apontar entre uma nota da mesma altura e intensi- dade causada por instrumentos diversos, como, por exemplo, um saxofone ou um trombone. A intensidade sonora refere- -se à potência com que a onda sonora atinge nossos ouvidos. Para mostrar a intensidade do som que ele quer que uma nota ou trecho musical seja executa- do, o maestro utiliza uma es- pécie de tabela que vai desde o molto pianissimo (intensidade sonora mínima, quase inaudível) até o molto fortíssimo (o máxi- mo de intensidade sonora que se pode obter sem danificar a voz ou o instrumento). É de praxe que o/a coordenador/a do ministério de Música e Arte e também aquele/a que lidera o sistema de sonorização, se reúnam pe- riodicamente a fim de traçarem as diretrizes de música e som com ensaios, afinação e teste dos instrumentos musicais, teste e regulagem do sistema de som. Deixo algumas dicas: Os ensaios devem ser feitos de preferência com instrumentos Pr. Edson Mudesto U m ministério de Música e Arte nas igrejas lo- cais que emite um som suave, afinado, ungido e com intensidade equilibrada, certa- mente ajudará a comunidade no processo de conquistar discípu- los e discípulas. Porém, se esse ministério não trabalha assim, o efeito será contrário, ou seja, a música irá afastar as pessoas. No que tange ao desempe- nho musical e sonoro das igre- jas locais, percebo que ainda há um longo caminho a percorrer. Os/As ministros/as de Música e Arte, bem como os/as técnicos/ as de som, precisam perceber que tocar e cantar bem não sig- nifica tocar com volume alto. Os nossos ouvidos possuem um limite de alcance/captação do som. Esse alcance é medido em decibéis e o limite máximo permitido na legislação brasi- leira é de aproximadamente 80 decibéis. Nessa vida, tudo o que é oferecido em dose excessiva, faz mal à saúde e o som também está inserido nesse contexto. Cerca de 20% da população brasileira, ouve um pequeno zumbido em um ou nos dois ouvidos. A ciência prova que o zumbido é um dos principais sintomas que dá início ao pro- cesso da perda de audição. Em muitos casos, a perda de audição é consequência da exposição a sons intensos, acima dos limites estabelecidos. Nossos cultos têm duração média de duas horas. Se o mo- mento musical durar cinquenta minutos e, contarmos com os Volume correto, acústicos para que uns possam ouvir os outros. Caso isso não ocorra, façam os ensaios com os instrumentos eletrônicos na intensidade mínima necessária. Ficará mais fácil detectar pos- síveis erros de harmonia instru- mental e de desafinação vocal. A intensidade do backing vocal não pode superar a do/a ministro/a de louvor ou solista. Quando essa regra é quebrada, a beleza da música é prejudicada. A intensidade dos instrumentos musicais também não podem superar o/a ministro/a do lou- vor, grupos vocais ou o/a solista, a não ser se algum instrumen- to fizer um solo. Quando essa regra é quebrada, a música vira uma verdadeira guerra. Na mi- nistração do louvor, quem deve estar em evidência é o Senhor. Aconselho o/a pastor ou pas- tora, investir adquirindo novos instrumentos musicais e um sis- tema de sonorização de ponta para sua igreja local. Boa par- te das nossas igrejas locais está instalada em áreas residenciais e isso é muito bom em parte, mas, por outro lado, dependendo da vizinhança que estiver em torno da igreja, o som intenso pode causar muito prejuízo, gerando até processos judiciais. Se sua igreja local possui uma vizinhança que reclama da intensidade do som, o ministé- rio de Música e Arte deve ser educado e, em alguns casos, será preciso equipar o templo com um isolamento acústico interno. Esse procedimento pode ame- nizar o barulho externo em até 100%. Procure um/a profissio- nal especializado/a! harmonia na igreja “Na ministração do louvor, quem deve estar em evidência é o Senhor.” “Na ministração do louvor, quem deve estar em evidência é o Senhor.” marimonteiro.com
  15. 15. 15 Expositor Cristão Maio de 2014 www.metodista.org.br Crianças Caminhando com os meninos e as meninas Uma conversa com pais e educadores/as Rogéria Valente Frigo C rianças estão em cons- tante crescimento. Uma das grandes preocupa- ções de seus pais é que tenham todas as condições necessárias para se desenvolverem ade- quadamente: boa alimentação, acompanhamento médico, boas escolas, bons amigos, carinho de seus familiares e tudo mais que pode garantir que venham a se tornar adultos equilibrados e felizes. Importante possibilitar que também cresçam na graça de Deus, assim como Jesus. Os pequenos precisam estar inseridos na vida da igreja: fre- quentar a Escola Dominical as- siduamente, estar presentes nos cultos, participar do discipula- do, dos grupos de coral infantil, teatro infantil, tardes alegres, EBFs, retiros de crianças e todas as atividades que a igreja local propuser. Essa participação nos projetos educativos da fé, e a constância do testemunho dado por seus pais e irmãos/ãs, fará com que sua fé se amadureça. Essa criança perceberá que faz parte dessa família de fé e ao se dar conta que a igreja é um cor- po, no qual todos estão a serviço uns dos outros, também se sen- tirá motivada a servir ao Senhor e participar dessa missão. Pais, vocês podem ministrar às suas crianças em casa sobre o serviço no corpo de Cristo, lendo o texto de João 13. 13-17 e, carinhosamente lavando seus pés numa bacia. Contar que, no tempo de Jesus, esse era um ato a ser feito por um servo, nunca pelo mestre. Falar sobre a hu- mildade de Jesus em ter lavado os pés de seus discípulos para ensinar-lhes que eles estavam sendo chamados para servir e não para serem servidos. Dizer que Deus nos chama a servir aos outros: ao falar de Jesus para quem não o conhece, ao ajudar no trabalho da igreja e ao atender os que passam por dificuldades. Quando ajudamos o próximo, estamos construindo um mundo melhor e alegrando a Deus. Crianças podem se com- prometer, desenhando numa folha de papel as suas mãos e escrevendo em cada dedo, algo que podem fazer para ajudar o próximo, a igreja ou alguém que precisa ouvir sobre Jesus. Orem juntos. “Essa criança perceberá que faz parte dessa família de fé e ao se dar conta que a igreja é um corpo (...), também se sentirá motivada a servir ao Senhor e participar dessa missão.” Shutterstock

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