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  1. 1. spfilosofa Ano 1 - Número 0 - Dezembro de 2009 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA PROJETO DE FILOSOFIA PARA A FACULDADE CÁSPER LÍBERO HEGEL UM IDEALISTA EM SÃO PAULO
  2. 2. PRIMEIRO PAPO HEGELALEMÃO IDEALISTA O idealismo Alemão surge no final do século XVII, período marcado por grandes contradições. A euforia com o progresso (técnicas novas), as possibilidades da razão e a crença na liberdade contrapunham-se à decepção com a violência das guerras e com a tirania dos governos. O idealismo alemão tentou conciliar o teórico e o prático, o ideal e a realidade, buscando reunificar a razão e construir um conceito de ABSOLUTO. A filosofia é a expressão mais alta do espírito absoluto, tendo a tarefa de compreender o ser naquilo que é, mas não podendo dizer como o mundo deve ser, porque ela vem sempre depois. Ano 1 - Número 0 DEZEMBRO DE 2009 “...a filosofia chega sempre tarde. Quando a filosofia pinta com seus tons Distribuição gratuita cinzentos já envelheceu uma figura da vida em que suas penumbras não podem rejuvenescer, mas apenas conhecer; a ave de Minerva só PROJETO EDITORIAL Marcus Vinicius Souza, levanta vôo ao amanhecer”. E é como a “ave de Minerva” (deusa da Maria Aparecida da Silva, Renan Goulart Sabedoria), que só levanta vôo ao anoitecer”, ou seja, quando o curso da e Tâmara Monzani realidade já estiver concluído. “Aconteça o que acontecer, cada indivíduo EDIÇÃO DE TEXTOS é filho de seu tempo; da mesma forma, a filosofia resume no Maria Aparecida da Silva pensamento o seu próprio tempo”. Tamara Monzoni EDIÇÃO DE ARTE Marcus Vinicius Souza Os editores. Renan Goulart CAPA Iolanda Lourenço DIAGRAMAÇÃO BIOGRAFIA 3 Renan Goulart Contextualizando: a vida do filósofo pai da dialética 9 ARTE, BELO E ESTÉTICA ORIENTAÇÃO Prof. Mauro Araújo Saiba a diferença entre o belo HISTÓRIA 4 artístico e o natural AGRADECIMENTOS Como Hegel distingue diferentes Eduardo Bajzek, Iolanda Lourenço, maneiras de considerar a história 10 CONCLUSÃO Prof. Liráucio Girardi Jr, Considerações finais sobre Amanda Nogueira, Mércia Alves METAFÍSICA, LÓGICA 6 o estudo E DIALÉTICA ACESSE NA INTERNET Entenda a filosofia de Hegel e tudo sobre 11 PARA SABER MAIS http://spfilosofa.blogspot.com “Fenomenologia do Espírito”, a mais Onde encontrar mais importante de suas obras maiores informações sobre Hegel 2 DEZEMBRO DE 2009 spfilosofa
  3. 3. biografia GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL TEXTO Marcus Vinícius Souza O alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, último filósofo clássico famoso, nasceu em Stuttgart, em 27 de agosto de 1770. Até os 18 anos estudou Gramática. Nesse período, colecionou diversas publicações de autores clássicos, artigos de jornal, trechos de manuais e tratados usados na um ginásio. Casa-se em 1811 com Marie Von Tucher, 22 anos mais nova e, com ela têm dois filhos, Karl e Immanuel. Os acontecimentos capitais na vida de Hegel foram a Revolução Francesa que ele acreditava ser uma tentativa de restaurar a cidade e as ações de Napoleão a quem considerava época; conjunto de apanhados que lhe foi útil por toda a vida. a alma do mundo. Em 1788, entrou para o seminário de Tübingen, onde ficou por O pensamento para Hegel é como um processo dialético cinco anos. Entretanto, saindo de lá, Hegel não chegou a que envolve as fases da lógica, natureza, e do espírito, trabalhar como pastor, mas apenas como tutor particular em considerando o mundo como um todo sistemático. Acreditava Berna, na Suiça, durante três anos. Nesse tempo em que ficou que a razão poderia ser construída a partir do pensamento. em Berna, Hegel escreveu Hegel theologische jugendschrifte, Seu modelo de análise da realidade influenciou, entre outros, em português, algo como "Os primeiros Rousseau e Marx. escritos de Hegel", que, porém, foi Nos últimos anos de vida, foi suspeito de panteísmo, publicado apenas em 1907. acusado de duvidar da mortalidade da alma. N o s e s c r i to s , o f i ló s o f o Sendo suas principais obras: "Fenomenologia do investiga por que a ortodoxia Espírito" (1806), "Ciência da Lógica" (1812-1816), impunha um sistema de "Enciclopédia das Ciências Filosóficas" (1817-1830), normas arbitrário, enquanto, "Filosofia do Direito" (1817-1830). por outro lado, Cristo havia Em 1831, quando retornara à vida acadêmica, ensinado a moralidade depois de refugiar-se em cidades vizinhas, devido racional, em uma religião à epidemia de cólera, adquiriu a doença e faleceu adaptada à razão dos em 14 de novembro. spf homens. Hegel escreveu resumos de obras de INTERESSES filosofia, história, política e Epistemologia, Lógica, Filosofia da História, Política, artigo de jornais ingleses após Religião, Consciência ter mudado para Frankfurt em 1796 onde ficou até 1801. IDEIAS NOTÁVEIS Foi ainda docente univer- Dialética, Idealismo Absoluto sitário em duas ocasiões, a se- gunda em Berlin onde teve grande influência, editor INFLUÊNCIAS de jornal, diretor de Platão, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Leibniz, Kant, Fichte, Schelling, Goethe, Hölderlin, Schiller, Vico, Rousseau, Montesquieu INFLUENCIADOS Karl Marx, Vladimir Lênin, Antonio Gramsci, Georg Lukács, Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, Hegel representa Friedrich Nietzsche, Ludwig Fuerbach, Jean-Paul o ápice do idealismo Sartre, Jürgen Habermas alemão do século 19, que influenciou Marx spfilosofa DEZEMBRO DE 2009 3
  4. 4. história Torre da Igreja Nossa Senhora da Consolação, em São Paulo, fundada em 1799 TEXTO Tamara Monzani ILUSTRAÇÕES Eduardo Bajzek „ O ESPÍRITO UNIVERSAL E A SUA REALIZAÇÃO NA HISTÓRIA: A LIBERDADE A história do mundo é o julgamento do mundo. acontecimentos, descobrindo suas causas e fundamentos. Se, para Hegel, há um “fim último” no mundo, e ele deve Lembrando que numa perspectiva hegeliana dialética, o realizar-se; é preciso que pergunte pelo seu conteúdo e pelo Isso nos leva, então, a fazer uma análise na resultado sempre contém em si todos os momentos anteriores. seu processo de determinação ou realização. medida em que ela pretende ser uma aplicação A história universal se desenvolve no âmbito do espírito. da liberdade no mundo atemporal. A filosofia da O OBJETO DA FILOSOFIA DA HISTÓRIA Assim, a história é a evolução do grau da consciência da história tenta responder à pergunta: Em que medida o Hegel distingue diferentes maneiras de considerar a liberdade e de sua realização. que de fato é se aproxima do que de fato deve ser? história. Partindo da ideia de que a razão governa o mundo, a filosofia deve supor a existência da ideia. E a história é a sua O PROGRESSO DA HISTÓRIA RAZÃO E HISTÓRIA realização. Ela é o desenvolvimento do absoluto; é Deus, Um dos aspectos mais sugestivos na Filosofia da História Hegel, em “Lições sobre a Filosofia da História”, revela a caminhando no mundo dialeticamente. A ideia é o diz respeito ao papel do que ele chama de “paixões humanas”, necessidade de investigar a existência de um fio condutor do “substancial” que se determina na história. A filosofia, que são todas as ações do homem impulsionadas por processo histórico. Partindo do pressuposto de que o homem é portanto, ao se ocupar da história, não pode se basear em interesses particulares, por fins especiais e propostas um ser pensante e que, portanto, não pode deixar de pensar, o alguns pontos de visita parciais, ignorando outros, mas, como egoístas. Elas são os meios da realização do espírito universal. filósofo pretende fazer uma “consideração pensante” da diz Hegel, “seu princípio espiritual é a totalidade dos pontos de Hegel adverte para o fato de que aquilo que denomina história. Define história imediata, em que os historiadores vista”. Não é seu objeto ocupar-se de situações particulares e princípio, fim último ou o que o espírito representa em seu vivem e pertencem aos acontecimentos que descrevem, define circunstanciais, mas de um “pensamento universal, que se conceito, num primeiro momento, é somente algo universal e também história reflexiva, que transcende o presente e não diz prolonga pelo conjunto”. abstrato. E diz haver um segundo momento necessário, que é a respeito a um período de tempo particular, mas sínteses de atuação, a realização efetiva, a atividade dos homens no longos períodos e, por fim, une as duas na histórica filosófica, AS CATEGORIAS DA HISTÓRIA mundo. Fala em “astúcia do homem”. que objetiva estabelecer uma ligação intrínseca entre os Na história, o movimento dialético de Hegel é apresentado na forma de categorias. A questão é entender como a história se O PROGRESSO DO ESPÍRITO UNIVERSAL apresenta ao pensamento. E a resposta é Se a história é a consciência e realização da liberdade, onde simples. A conhecida tríade dialética é está a evolução do espírito universal? O importante, na verificável na história, na forma de análise filosófica da história, é perceber que, na variação, rejuvenescimento e fim passagem de um momento a outro, há progresso. A último. A variação aparece sob dois substituição de formas de organização do Estado, aspectos: O positivo, caracterizado exemplifica esse processo. A história tem uma como a constante sucessão de direção, as diferentes modalidades do espírito acontecimentos, transformações revelam seu nexo causal imanente. Tudo o que nos povos e Estados, onde tudo acontece deveria acontecer. Cada acontecimento muda, tudo se transforma, nada é representa o resultado de um processo lógico de estático. E o negativo é que nos determinação. Dessa forma, fica claro que não há entristece, pois as pessoas que são acaso na história. A ideia de progresso deve ser mais caras para nós, têm seu fim na entendida quando tudo passa a ter necessidade de história, ela nos tira o que nos interessa.„ Jardins do Museu do Ipiranga, tornar-se cada vez mais perfeito. Isso se reflete em nível que possui grande acervo com relevância histórica individual, em nível de espírito e em nível de espírito universal. spf 4 DEZEMBRO DE 2009 spfilosofa
  5. 5. lógica/dialética METAFÍSICA E LÓGICA OU COMO A IDÉIA É REAL: HEGEL ENTRE NÓS TEXTO Maria Aparecida da Silva ILUSTRAÇÃO Eduardo Bajzek A ciência filosófica tem duas etapas: a primeira conceito. A teoria do ser cuida do ser qualitativo, „ é tanto um movimento da mente, ticular, logo, o “ser é nada”, que constitui SABER ABSOLUTO é a paideutikós (propedêutica) e estuda os quantitativo e modal. A teoria da essência cuida do ser quanto um discurso do ser. Será o mesmo, sua “antítese”. Isso leva obrigatoriamente a 1¹Conceito-limite que satisfaz verdadeiro e compreende a essência, o fenômeno e a realidade. pois, considerarmos desenvolvimento uma situação terceira em que o ser tem ao a tendência totalizante e fenômenos do espírito. Esta a razão de sua racional (lógica) ou desenvolvimento real mesmo tempo consciência de seu “não ser”, A teoria do conceito constitui a síntese do ser e da essência e se unificante do pensamento: primeira obra fundamental, a Fenomenologia do divide em: conceito subjetivo (conceito, juízo e raciocínio), (ontologia). Daí se conclui que a Lógica de originando isso o conceito do “devir” que conceito de um ser, ideal ou Espírito. A segunda etapa de sua elaboração conceito objetivo (processo mecânico, e teológico) e ideia Hegel, por ser um discurso do ser, é também constitui a “síntese” do ser e do nada. Esta material, que se definiria como filosófica está no saber absoluto e se divide em (vida, conhecimento e ideia absoluta). uma ontologia. síntese, porém não é definitiva, desde seu o princípio constitutivo e “Lógica”, “Filosofia da Natureza” e “Filosofia do A Lógica de Hegel, portanto, começa com a primeiro momento torna-se tese para novo explicativo de toda a realidade. Espírito”. DA LÓGICA posição do ser: “o ser é o ser”, que constitui a processo ternário na evolução da dialética Por extensão: Atributo A primeira etapa do saber absoluto é a Lógica, a ciência da sua “tese”. Como sendo este um conceito hegeliana. „ „ metafísico de Deus. Ideia em seu ser em si. A Lógica começa onde termina a indeterminado, pode-se dizer que o ser é tudo A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO e pela mesma razão A Fenomenologia é a ciência propedêutica ao estudo do Fenomenologia do ser, início do filosofar, e constitui o discurso, saber absoluto. O espírito, antes de atingir a consideração a dialética do ser. Como a inteligência que capta o ser real, filosófica do saber absoluto¹(veja definição na página ao captado pela inteligência, se identificam (todo racional é lado) , deve percorrer vária fases ou “fenômenos” - e o estudo real e todo real é racional e necessário), ser e destes fenômenos está contido em sua obra “Fenomenologia pensar são a mesma coisa, a do Espírito. “Pensar é diferente de conhecer. Conhecer é dialética „ saber o que as coisas são, tem um momento essencial que se refere às coisas; a que Kant chamava de “conhecimento transcendental”. Hegel distingue a mera informação (história) e o conhecimento conceitual em que se tem os conceitos das coisas (isto seriam as ciências em que há um efetivo saber). No entanto, é necessário um saber absoluto. Assim, a Fenomenologia constitui o começo da filosofia e não o próprio filosofar; expõe as várias fases pelas quais passa a consciência, desde a intuição sensível até atingir o saber absoluto. O sistema hegeliano abrange o saber absoluto ou o Espírito divino em seus três graus de desenvolvimento racional e real: 1º - a Ideia em seu ser em si (an sich) (Lógica); 2º - a Ideia em seu ser fora de si (ausser sich) (Filosofia da Natureza); 3º - a Ideia em seu ser para si (an-und- für-sich) (Filosofia do Espírito). A Lógica hegeliana compreende três partes: Parque do Ibirapuera: teoria do ser, teoria da essência e teoria do cheio de contradições hegelianas 6 DEZEMBRO DE 2009 spfilosofa
  6. 6. lógica/dialética constituindo a Religião; e como conceito, forma mais „ A FILOSOFIA DO ESPÍRITO „ perfeita do saber absoluto, constituindo a Filosofia. A Ideia em seu ser em si (Lógica) e sua própria oposição, a Ideia fora de si (Natureza) constituem a tese e a antítese do grande processo do Idealismo Absoluto, cuja CONCLUSÃO síntese é a Ideia em seu ser para si (Espírito). Quando a Ideia Saindo do plano Lógico para o da REALIDADE, Hegel exteriorizada (Natureza) volta-se para si mesma, torna-se exemplifica essa relação dialética entre as coisas da seguinte espírito e aí começa a terceira etapa do sistema do saber maneira: A Tese é o Indivíduo; Antítese é o Povo; A Síntese é absoluto. o Estado. A Ideia para si (Espírito) sofre também o processo “A ciência absoluta é o único objeto e conteúdo da ternário da evolução dialética: na tese, o pensamento como filosofia”. tal conhece o mundo como objeto e constitui o “espírito “O que é real é racional” - portanto, não se pode negar o subjetivo”, na antítese, sai de si mesmo e produz a ordem da real sem negar também a razão. liberdade, constituindo o “espírito objetivo”; por fim, na “síntese”, volta a si mesmo, liberta-se do mundo que ele LÓGICA DIALÉTICA mesmo produziu e constitui o “espírito absoluto”, ponto final A realidade da experiência em realidade absoluta, divina, do saber absoluto. Hegel elabora uma nova lógica e com esta racionalizar Cada um destes elementos por sua vez se subdivide em absolutamente o elemento potencial e negativo da mesma três: o “espírito subjetivo”, primeiramente, é alma ou experiência - o mal metafísico, moral e físico. espírito da natureza e, como tal, objeto da Antropologia; O Idealismo foi estudado por diversos filósofos, entre os depois toma autoconsciência e se torna objeto da quais Hegel. É e a filosofia idealista hegeliana que se fenomenologia; por fim será espírito perfeito e objeto da diferencia em relação às demais por atribuir ao espírito a Psicologia. responsabilidade última pelo desenvolvimento da história O “espírito objetivo” que se manifesta na comunidade humana. Esse espírito seria o criador do pensamento, da humana, imediatamente como tal é Direito, depois se torna ideia. A ideia, por sua vez, seria o fator primordial na Moralidade; por fim união da verdade no Direito e determinação da realidade do mundo. Moralidade, o que constitui a Ética. A Ética se desenvolve na Ludwig Feuerbach e Karl Marx virão por fim na filosofia família, na sociedade civil e no Estado. clássica alemã se contrapondo ao idealismo de Hegel, criando O “espírito absoluto”, voltando-se para si mesmo, torna- o materialismo dialético. A questão filosófica fundamental se plenamente autoconsciente e manifesta sua persiste, mudou apenas a linguagem, o enfoque: o homem autoconsciência de três modos: como intuição e imagem, ainda é um ser pensante e contraditório em sua contínua constituindo a Arte; como afeto e representação transformação. spf Contraste entre o MASP e seu prédio vizinho, o Edifício Dumont-Adams, comprado pelo museu em 2005. 8 DEZEMBRO DE 2009 spfilosofa
  7. 7. arte, belo e estética MAS QUE BELEZA Para Hegel, o belo artístico é superior ao natural TEXTO Renan Goulart ILUSTRAÇÃO Eduardo Bajzek D esde as origens do pensamento filosófico, o significado da beleza e a natureza da arte têm sido objeto de estudo de vários filósofos. Na antiguidade, Platão refletiu sobre o assunto e, para ele, o belo é o bem, a verdade e a perfeição. A ideia suprema da beleza pode rito enquanto o belo natural com a realidade da natureza. Sua análise exclui o belo natural, deixando-o em segundo plano, pois privilegia o belo artístico por considerá-lo superior. O espírito precisa desenvolver seu potencial determinar o que seja mais ou menos belo. Tais enquanto que a natureza já possui rígidas regras e todas as concepções filosóficas vão permear a arte grega e condições determinadas. ocidental por um longo período. Assim, Hegel contraria o pensamento corrente que No século 18, devido à grande ebulição em que se considera a beleza da arte inferior a da natureza. Ao encontram as sociedades europeias, novas ideias surgem e contrário de Kant, Hegel pensa que o momento central do o conceito de belo entra na crítica da obra de arte em belo é a ideia. Também refuta a proximidade da beleza parceria com as noções de gosto, equilíbrio, harmonia e artística com a natural, pois imitar não é a maior virtude do perfeição. Segundo Emanuel Kant, “O belo é o que agrada belo da arte, que é o único com interesse estético. O belo universalmente, sem relação com qualquer conceito”. Por artístico é um produto do espírito, portanto, só pode ser ser surpresa e não depender da intenção, o belo é o natural encontrado em seres humanos e em suas obras, resultados para Kant. de seus desdobramentos históricos. Na modernidade, o ápice do estudo da estética foi com O Ideal do belo artístico aparece na história de três Hegel, que concorda, de certa forma, com Platão ao abordar formas: a arte simbólica (a egípcia é o exemplo mais a questão do ideal e do belo. Para ele, “a beleza só pode se perfeito), a arte clássica (grega) e arte romântica (a do exprimir na forma, porque ela só é manifestação exterior Ocidente cristão da Idade Média ao século 19). Cada uma através do idealismo objetivo do ser vivente e se oferece à delas é a tradução de como a imaginação tenta escapar da nossa intuição e contemplação sensíveis”. natureza, dar forma a um conteúdo. A dificuldade de se estudar a Estética, para Hegel, é A espiritualidade atinge seu apogeu, segundo Hegel, devido ao fato de que seu objeto de estudo - o belo - é de com sua própria filosofia, que coincide com o fim da arte ordem espiritual. O belo não é de existência material, mas romântica. Entretanto, é uma tolice reter tal enorme de subjetiva, intimamente unida à atividade espiritual de ambição de Hegel, afinal, os verdadeiros sentidos de sua cada indivíduo. Se o belo é algo espiritual, não possui filosofia e estética estão contidos na dialética que está no realidade física, pertencendo ao plano da imaginação do próprio coração de seu sistema. spf sujeito. Se o verdadeiro conteúdo do belo não é senão o espírito, tal dificuldade não é compro-metedora, afinal, no centro do espírito está Deus, que é o ideal. Segundo ele, existe o belo artístico e o natural, que se diferenciam. O belo da arte está ligado com a pureza do espí- O MASP, na Av. Paulista é exemplo do belo artístico. O cinza da cidade seria natural? spfilosofa DEZEMBRO DE 2009 9
  8. 8. EM SUMA P ara construir uma filosofia que englobasse o seu tempo, do “movimento da vida” e da história, Hegel criou o seu próprio método. Emprestou a dialética dos antigos gregos de Heráclito e Platão e a reformulou. E a dialética hegeliana ficou constituída de três etapas: a tese (ou afirmação). A antítese (ou a negação da afirmação) e a síntese (negação da negação, que é uma nova afirmação), ou seja, toda afirmação contém em si a sua própria negação. Isso gera uma relação dinâmica de enfrentamento entre opostos. Dessa contradição, resulta algo que é a superação desses opostos. Hegel traduziu o absoluto na superação da cisão entre sujeito e objeto do conhecimento. E a separação entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido é apenas provisória. Mas quando o sujeito se encontra pelo lado do objeto, incorporando-o (o objeto) em uma totalidade, ele (o sujeito) ultrapassa essa superação. E se reconhece também como totalidade, como ideia absoluta. Assim como em São Paulo de hoje, o momento histórico que Hegel viveu e filosofou, contribuiu para sua obra ser marcada por uma tentativa de conciliar a realidade contraditória com o pensamento, isto é, a história e a filosofia. Para isso, reestruturou o método dialético, e em São Paulo, vive-se em intensidade e desmedida fragmentação do humano, de indivíduo a indivíduo, em busca da totalidade da espécie dispersa. Individual e universal, somos humanos diante de toda superação dialética e contraditória vivida e pensada. Os Editores. Avenida Paulista: cenário de misturas e contradições 10 DEZEMBRO DE 2009 spfilosofa
  9. 9. para saber mais LIVROS - WEBER, Thadeu. Hegel, Liberdade, Estado e História. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993. - HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich, tradução Euclidy carneiro da Silva. Introdução à História da Filosofia. São Paulo, SP: Hemus,1983. - HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Metafísica e lógica. In: MILIONARO, Aniceto. Metafísica: curso sistemático. São Paulo: Paulus, 2002. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2002. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 1997. HEGEL, Friedrich. Propedêutica Filosófica. Lisboa: Edições 70, 1989. PADOVANI, Umberto. CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1974. REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. História da Filosofia, v3. São Paulo: Paulinas, 1991 WEBER, Tadeu. Hegel: Liberdade Estado e História. Petrópolis: Vozes, 1993 NA INTERNET SOCIEDADE HEGEL BRASILEIRA HEGEL.NET http://www.hegelbrasil.org http://hegel.net/br/ Site da SHB, que tem como objetivos Site para discussão e compreensão a promover o estudo da filosofia de Hegel e respeito da filosofia de Hegel. Seu primeiro sua relevância frente aos temas e campos objetivo foi auxiliar estudantes da disciplina do conhecimento contemporâneo. a compreenderem o método hegeliano. spfilosofa DEZEMBRO DE 2009 11
  10. 10. Marcus Vinícius Souza Maria Aparecida da Silva FACULDADE CÁSPER LÍBERO Renan Goulart 1º Jornalismo C Tamara Monzani Av. Paulista, 900 - 5º andar - Sala 01

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