O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE UM ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN EM SITUAÇÃO DE INCLUSÃO
RESUMO A família é a primeira entidade responsável pela formação da identidade da criança. A escola assume posteriormente ...
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Conclusões    O objectivo deste trabalho não foi o de produzir avaliações senão as necessárias para a compreensão da real...
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Conclusões (continuação)    Por outro lado, deveremos alargar a nossa visão de futuro aquando da sua passagem para a adol...
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Evolução de um aluno com Sindrome de Down

  1. 1. O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE UM ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN EM SITUAÇÃO DE INCLUSÃO
  2. 2. RESUMO A família é a primeira entidade responsável pela formação da identidade da criança. A escola assume posteriormente um papel preponderante pelo tipo de inter-relações que proporciona. As crianças com Necessidades Educativas Especiais requerem cuidados ainda mais específicos. O princípio da Inclusão preconiza a escola regular como o meio ideal para estimular habilidades e fomentar competências, promovendo o desenvolvimento social e a autonomia, desde que seja flexível e proporcione as diversas condições necessárias. O presente trabalho é um Estudo de Caso de uma criança com Síndrome de Down em meio inclusivo e analisa o seu desenvolvimento social no contexto educativo e familiar em que se insere. Resultam desta análise indicadores de desenvolvimento social do aluno satisfatórios, mas é observado um reduzido desenvolvimento intelectual e comunicacional, a par de uma escola pouco estruturada para o processo inclusivo, sendo ainda enfatizada a necessidade de mais apoio e intervenção na família.
  3. 3.  O trabalho realizado foi um Estudo de Caso de uma criança com Síndrome de Down em meio inclusivo.  O objectivo foi o de conhecer o contexto educativo e familiar que influi no seu desenvolvimento para se estabelecer uma compreensão do seu processo inclusivo. <ul><li>A pergunta de partida que suportou esta investigação foi : </li></ul><ul><li> A inclusão de alunos com Síndrome de Down no ensino regular favorece o seu desenvolvimento social? </li></ul> Para a compreensão da problemática foram levantadas algumas questões de investigação: - Quais as expectativas dos pais do aluno perante a sua inclusão? - Qual o impacto do aluno em inclusão na turma do ensino regular? - Como tem sido o desenvolvimento académico do aluno? - Quais os comportamentos do aluno na inter-relação com colegas e profissionais de educação? - Estará o desenvolvimento social evidenciado pelo aluno ao nível esperado para a idade? - Será que esta escola regular assegura as condições mínimas para o seu sucesso educativo?
  4. 4. <ul><li> Procurou-se atenuar algumas limitações inerentes ao Estudo de Caso tendo-se delineado a seguinte estratégia: </li></ul><ul><li>Definição da unidade de estudo que é o desenvolvimento social de um aluno com S.D. em meio inclusivo; </li></ul><ul><li>Consulta de documentos escolares do aluno em estudo; </li></ul><ul><li>Elaboração de entrevistas semi-estruturadas aos pais e professores que forneceram parte dos dados qualitativos; </li></ul><ul><li>Selecção de um instrumento complementar de avaliação que foi a observação através de um inventário adaptado (Envolvimento na tarefa; Autoconfiança; Capacidade de organização; Comportamento no grande grupo; Relação com os colegas; Relação com os professores); </li></ul><ul><li>Análise dos dados de forma a triangular as fontes da informação obtida. </li></ul>
  5. 5. O referencial teórico que suporta este trabalho sintetiza-se nos seguintes conceitos:  A Socialização  Processo de integração permanente do indivíduo no colectivo;  Exige uma adaptação e acomodação constantes das estruturas mentais aos novos dados sociais;  Os modelos das crianças são todos os seus contactos diários;  A imitação é a base das condutas interpessoais.  O objectivo é a aceitação social como adulto com capacidade de vida e potencial autonómico.  A Inclusão  A Declaração Mundial de Salamanca (1994) preconiza a escola regular como o meio ideal para estimular habilidades e fomentar competências combatendo as atitudes discriminatórias e criando comunidades abertas e solidárias no respeito pela diversidade, numa perspectiva de educação para todos.
  6. 6.  N.E.E. – Síndrome Down  Problemas de desenvolvimento, em maior ou menor grau, dos seguintes processos:  Os mecanismos de atenção, estado de alerta e atitudes de iniciativa;  Os processos de memória a curto e a longo prazo;  Mecanismos de correlação, análise, cálculo e pensamento abstracto;  Expressão do temperamento, comportamento e sociabilidade; Linguagem expressiva. A aprendizagem é lenta: - É essencial avançar passo a passo e metódicamente no processo de ensino-aprendizagem.
  7. 7. ESTUDO DE CASO  História Compreensiva  O aluno M. tem 11 anos de idade, é do género Masculino e no ano lectivo de 2006/2007 frequentava o 4° ano do 1º Ciclo do Ensino Básico numa escola do concelho de Paços de Ferreira.  É o filho mais novo e provém de uma família com características socio-económicas desfavorecidas. O seu agregado familiar mostra-se adaptado na utilização de recursos ao seu alcance e revela apoio mútuo entre os membros e com a família mais próxima.  A família parece reconhecer a importância do papel da escola no desenvolvimento social e académico do filho. As expectativas são que o M. se tome o mais autónomo possível para conseguir viver integrado na sociedade e não se tornar num “peso” para a família.O M. ainda necessita de alguma supervisão com o vestuário e ao nível da higiene e alimentação.  Na dinâmica familiar e social ele convive e interage com todos, particularmente as duas irmãs e os primos, gosta de ajudar nas tarefas domésticas e gosta que se lhe dê muita atenção, “amuando” se isso não acontece. Emocionalmente mostra-se uma criança alegre, meiga mas por vezes teimosa.  Iniciou em 2000 apoio clínico de um psicólogo com visitas mensais que mantém, e também em 2000 começou a fazer terapia da fala duas vezes por mês que também mantém em curso, ambos apoios providos pela Segurança Social.  Este aluno enquadra-se no regime educativo especial conforme o Dec.-Lei 319/91 de 23 de Agosto, art. 2, alínea i), currículo alternativo.  Esteve exclusivamente aos cuidados da mãe e da avó até à sua entrada no Jardim-de-Infância aos três anos, que terá decorrido sem problemas de adaptação e que frequentou até aos 6 anos.  Na entrada para o 1° Ciclo do Ensino Básico teve uma fraca adaptação ao meio escolar e apresentava alguns comportamentos inadequados, como birras e isolamento do grupo de pares.
  8. 8.  Transitou para o 2º ano de escolaridade com muitas dificuldades em todos os parâmetros de avaliação.  Foi reformulado o PEI ao nível do desempenho do aluno, da avaliação educacional e ao nível das áreas curriculares (cognição, linguagem, motricidade, autonomia e socialização nos anos seguintes.  Aquando da realização deste trabalho o ambiente vivido pelo aluno era harmonioso e propício para o seu enriquecimento, uma vez que está perfeitamente integrado na comunidade escolar.  Frequentou as actividades de enriquecimento curricular de Expressão Plástica, Educação Musical e Educação Física, embora esta escola apenas disponha de uma sala multiusos.  Ambos professores foram consonantes em caracterizá-lo como um aluno que revela interesse inicial pelas actividades propostas mas com dificuldades sentidas na concretização, como também revela muitas dificuldades na linguagem de expressão.  São apontados como aspectos positivos no seu desenvolvimento a boa capacidade de inter-relação com a comunidade escolar, é disciplinado e empenhado se acompanhado. Os aspectos negativos situam-se no desenvolvimento cognitivo e de linguagem expressiva (oral e escrita) e ainda algumas dificuldades na motricidade fina.  História Compreensiva (continuação)
  9. 9. Resultados da Observação  Na área “envolvimento na tarefa” o aluno revelou uma capacidade escassa na execução do trabalho individual, solicitando amiúde explicações das actividades.  A “autoconfiança” demonstrada pelo aluno é mediana, habitualmente requer um acompanhamento director e de ajuda para enfrentar a realização das actividades.  A “capacidade de organização” evidenciada é de bom nível, pois usualmente os seus trabalhos têm boa apresentação e revelam cuidado.  O “comportamento no grande grupo” do aluno é bastante satisfatório na generalidade, porém, manifestou défice de atenção.  Na “relação com os professores” revela-se participativo apenas quando directamente solicitado e recebe amiúde reforço positivo.  A “relação com os colegas” pareceu-nos funcional e positiva. Interage com todos no recreio sendo habitualmente bem tolerado.
  10. 10. Conclusões  O objectivo deste trabalho não foi o de produzir avaliações senão as necessárias para a compreensão da realidade deste processo inclusivo.  Concluímos que esta escola fornece ao aluno M. um conjunto limitado de recursos e condições necessárias ao seu sucesso educativo que consideramos estar aquém do que entendemos como mínimo, mediante o que está legalmente consagrado.  De acordo com a informação recolhida no PEI, o aluno apresenta um atraso cognitivo significativo típico de uma criança com Síndrome de Down.  Pudemos constatar pela observação realizada que o aluno apresenta uma capacidade escassa na execução do trabalho individual solicitando amiúde explicações das actividades, mas que habitualmente concretiza e tenta refinar os seus trabalhos, o que nos direcciona a considerar que detém uma capacidade de adaptação superior ao nível de estimulação instituído no PE.
  11. 11. Conclusões (continuação)  O desenvolvimento das competências de comunicação depende estreitamente das aptidões de leitura. Entendemos que esta lacuna se traduz em território livre para uma maior estimulação cognitiva.  Consideramos por isso que se o aluno apresentasse um grau de desenvolvimento maior nestas áreas, o seu grau de desenvolvimento social iria paralelamente ser mais rico em competências pessoais e sociais como a autonomia, a auto-estima, a autoconfiança e sentido de responsabilidade e colaboração, o que favoreceria manifestamente a formação de uma auto-imagem e um autoconceito igualmente mais positivos.  Concluímos face ao exposto que o meio inclusivo em que esta criança cresce não lhe concede o potencial necessário ao seu desenvolvimento integral enquanto percursor de competências que o aluno evidencia ter já habilidades, nomeadamente para o nível linguístico, que ao ser melhorado irá repercutir-se positivamente no desenvolvimento global do aluno.
  12. 12. Conclusões (continuação)  Por outro lado, deveremos alargar a nossa visão de futuro aquando da sua passagem para a adolescência e posteriormente para a idade adulta. Assim, reforçamos mais uma vez a importância de uma maior concentração de esforços no seu desenvolvimento cognitivo e de comunicação para que o M. possa alicerçar convenientemente as suas competência sociais com vista à sua futura entrada no mercado de trabalho.  O sucesso do seu processo inclusivo carece do envolvimento de uma equipa multidisciplinar capaz de atender globalmente e de modo interligado às necessidades do aluno que abrangem também a intervenção na família.
  13. 13. FIM

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