Ilka+vieira renascitudes

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ILKA VIEIRA - "uma valise de poesia para o dia a dia".

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Ilka+vieira renascitudes

  1. 1. ILKA VIEIRA Patronesse do Blogue Expressão Mulher-EM Um Tributo À Arte da Escrita Feminina www.expressaomulher-em.blogspot.com.br "O poeta é o ser que mais necessita de renovação. Cansa-se com facilidade do cotidiano, mas através dele adquire passaportes para as mais profundas paisagens. O poeta chama de alma a essência que salvaguarda suas emoções, o alicerce que sustenta sua vida e a eternidade que sobrevive à sua morte. O poeta deixa deslizar a pena através da folha, transparecendo em cenário o renascimento de atitudes da alma." Ilka Vieira (1954-2014)
  2. 2. Vencedora Ilka Vieira Sobrevivi a labaredas abertas diante dos meus caminhos. Ousei abrir passagens incertas,
  3. 3. defendendo-me dos espinhos. Uni com perfeição as partes mais quebradas. E ainda que algemada, salvei meu coração. Perdi os anos na selva, aprendizado duro e cruel. Mas, poupando-me da relva, transformei-me num corcel. Venci fortes inimigos com palavras de carinho. Resgatei méritos antigos, perdidos por desalinho. A batalha mais complicada - pela qual fui premiada - venci nos últimos tempos: entendi que a vida é curta, não vale contra mim nenhuma luta que não seja perdoar para viver. Minha Cor-de-Rosa Ilka Vieira Preciso resgatar a minha Cor-de-Rosa!
  4. 4. Perdi-a no decorrer da vida Tornei-me nebulosa, Fazendo-me fortalecida. Fui trancando o glamour Abrindo a face valente Apagando meu abajour, Fiz-me inevidente. Deixando a jarra vazia sobre a mesa, Flores ao relento pediam-me moradia. Saindo das paixões à francesa, Perdi a noção de companhia. Desmarcando parcerias de dança, Esqueci como dançar... O silêncio foi marcando o descompasso Não dancei... não vi o dia raiar. Hoje, a farda impecável Faz-se mais feia do que a roupa desbotada. O dedo indicador ordenável Impulsiona minha alma delicada. Agora entendo: Vão-se as responsabilidades exageradas De nada vale a vida ou vale quase nada, Se a minha cor-mulher está tão recolhida Se a minha cor-de-rosa está descolorida. Que venha o meu pôr-de-cor, Renascerei... Que caiam as pétalas, Brotarei, sei que brotarei!...
  5. 5. ÚLTIMO ATO Ilka Vieira ... E o peito embutiu o som em si A melodia findou chorando em dó Era tarde, passou a lua, não a vi Borrei de red o blue, noite em pó. Tic-tac , pêndulo entre mim e o vão Paisagens de outono traçando destino Despi a alma em voto de comunhão Corpo presente sem tom de figurino. Já havia cinzas, mas acendi as velas No passo lento minha estrela apagou Criei por mim minhas próprias celas Impossível fugir da morte se ela chegou. Beijou-me a vida, despediu-se de mim Como num voo brando soltei a mão Senti a suave cobertura de jasmim E no último ato afaguei meu coração.
  6. 6. Passageiros do Meu Coração Ilka Vieira Ainda guardo comigo os amores que por mim passaram. Alguns deixaram flores, outros deixaram dores mas todos foram passageiros do meu coração. Uma boa parte deles chamo de achado outra parte, prefiro denominar como perdido... extraviado mas todos provaram da minha fartura de sentimentos. Aqueles que viraram o meu barco, certamente souberam da minha sobrevivência. Os que me resgataram, obviamente receberam lição de recomeço. Regouguei frente a frente com muitos deles não por ira, mas por tese. Em circunstâncias raras, permiti-lhes fazer sangrar minha solidez, descuidei. Alimentei os famintos de espírito aumentei a sede dos apressados dei corda aos dissimulados salvei das minhas maldades os generosos, fugindo...
  7. 7. Acendi o fogo dos resignados desregrei os perfeitos enrijeci os pegajosos lapidei os brutos... embruteci os polidos converti em amigos os mais antigos madurei... deitei à sombra de histórias cancelei meus projetos amorosos... ... e, por pouco não me sobro. Já ia me fazer dormir, mas optei por relembrar. Contrapartida Ilka Vieira Não me digas que já é tarde. Guardei-me para o teu regresso Em mim, a força do sol ainda arde, Não deixo que a brisa sopre, confesso!
  8. 8. Com tempo, fui talhando-me com maestria. Maturei, retocando princípios e passados; Cada traço, iluminado pela luz da poesia, Despiu de dor os sonhos mais delicados. Equilibrei, nivelando o medo com a bravura, Ora protegendo-me no calor do teu abraço, Ora lutando contra minha própria loucura, Mas recolhendo vestígios em estilhaço. Suavizei minha pele com água do lago. Perfumei-a com essência do puro jasmim. Lembrando as nuanças do teu afago, Compus melodia para o nosso festim. Selei meu ciúme emprestando tua paisagem; Sem céu, sem mar, preparei a terra, Há de chover, brotar, não é visagem, Algumas nuvens já dançam lá na serra. Eis-me aqui inteira após tantos anos; Refeita, serena, renascida, enfim. Meu olhar acena para o teu sem danos... Mas tu, o que guardaste pra mim?
  9. 9. Alma Viva Ilka Vieira Quero da vida o encontro com a magia da arte Colher dela a sabedoria insigne do silêncio Sair ilibada em passeio poético por toda parte Soprando pétalas do meu coração "florêncio" Quero da vida vagar lúcida sentindo-me louca Chamando quem não conheço à luz da natureza Na troca de prosa sem pressa ou de pressa pouca Compartilhar a ópera silvestre em sua grandeza Quero da vida envelhecer jovem sem esmolar cuidados Repintar sonho desfeito, rir de sonho errante Descalçar meus pés e deixá-los seguir descasados Na brincadeira entre passado e impulsos doravante Quero da vida rejuvenescer velha à brisa do mar Tornar-me onda, passarada, barco à deriva... Poeta triste, morto e ressuscitado para amar Ilha habitada, corpo aquecido, Alma Viva !
  10. 10. Confissão Ilka Vieira Chega próximo, ouve o choro dos meus segredos... Circulam em torno d'alma cansados de se guardar... Protegendo-me da lama, escondem-se nos rochedos, Vestem-se de virtudes, cobrem meu descaminhar... Vem, encosta tua face leiga no meu peito, Deixa que me revele com muita coragem... Perdi as rédeas, não tem mais jeito, Exponho hoje minha armazenagem... Eu sei, vais sofrer ouvindo meus segredos, Erros cometidos no decorrer do abandono... Enquanto a primavera cobria teus arvoredos, Eu os despia, acelerando teu outono... Já que vieste sondar minhas rotinas, Não sei se te peço ou se te devo perdão... Se minha sentença és tu quem a assinas, Leva de brinde minha ousada confissão!
  11. 11. Desfecho Ilka Vieira No árduo momento da partida Reguei flores esparzindo aromas Porta aberta, minh’alma sem saída Olhar perdido buscando sintomas. Incôndita, arrastei o peso do fracasso Fiel ao sigilo da mente na escuta Ainda suplicaria um último abraço Se assim fosse revista a minha luta. Tropecei no tapete já desbotado Procurando cheiros do prazer Mas nem ele se fizera meu aliado Tudo incentivava o meu fenecer. Fechei cortinas trancando a vida Saindo da casa senti um vazio Voltei pra cama arrependida Fruta rejeitada pelo teu fastio.
  12. 12. Paisagem de Amor Ilka Vieira Não há como empalidecer... São cores pintadas pelas retinas Pincéis bailantes do amanhecer Traçando sonhos sem neblinas Não há como desperceber... São belezas expressivas a convidar Advindas da vida sem merecer... Ledices que a alma sabe desnudar Não há como fugir... São flores meninas criando raízes Perianto ansioso a se definir Cenário de magia sem deslizes Não há como afogar... São águas sem profundidade Repouso de pássaros em seu banhar Espelho de lua na flor da idade Não há como morrer... São sinais de vida que adiam a morte Serenidade dos EUS querendo viver Renascimento do amor encontrando seu norte.
  13. 13. Descaminho Ilka Vieira As chuvas hão de lavar os teus ressentimentos A noite extensiva recolherá a fartura de queixas Caminhante, escutarás a voz dos meus lamentos Pensarás nos sonhos que partindo me deixas Admito, errei descaminhando o corpo da alma E ele, tão fraco e vaidoso, roubou dela o ego Na carícia animal, vi que o amor não espalma Perdoa, meu amor, este âmago tão cego! A chance que te peço é o reaprendizado Já vi, não se mata sede com água salgada Varro meu futuro se te tornares meu passado Enfim, saberei distinguir o beco da estrada Não esperes que a manhã decida por ti A razão é tão clara, mas inimiga da sorte Meu dossiê desprezível, o excluí daqui Refaz comigo a vida que desvia da morte.
  14. 14. Recriando-se Mulher Ilka Vieira De si, foi tirando sem comedir Peças que compunham seu tormento: Parte delas, deixando descolorir... Outras, esquecidas ao relento. A alegria não brotava nenhum sorriso A segurança dependia de respostas Sonhos rabiscando todo o paraíso Que um dia a feriu pelas costas. Quando o sinal chega tarde demais Faz-se escuro quando ainda é dia Não há janela que esconda os varais Sustentando tantas peças em agonia. Sobrando-lhe a tristeza de nada sobrar Apegou-se à meta do “bem-se-quer” Ergueu-se na força de se recriar Fez-se gigante... INATINGÍVEL MULHER! Viagem pela PAZ Ilka Vieira Vieste comigo, minha linda criança Nesta viagem de amor e fé Contemplando o que a paz alcança Entre o céu, a terra e a maré Ouça a voz da harmonia descrevendo Este passeio que nos parece tão distante Próximo da alma que não o está vendo Porque olha em torno de si, circulante Sinta a pureza da brisa despoluída Conservada pelo zelo de quem a conhece
  15. 15. Isto é lição da rica qualidade de vida A natureza produz para quem a merece Toque a calmaria das águas com ternura Ela lhe responderá ao carinho com frescor O homem pode tornar isto mais que aventura Doando.-se a vida como seu regador Observe, minha linda criança Lá na linha obscura do horizonte É o futuro, vá, afaga a tua herança Não deixe que o hoje a desaponte. Solidão em Bando Ilka Vieira A criança negra não entrou na roda Fitou brancas crianças na roda-viva Brincou com as próprias mãos algemadas Sorriu da alegria alheia sem expectativa Criança briga e brigaram em branco Partiu-se a ciranda discriminativa Negra criança viu tudo do banco Viu solidão em bando desfazer comitiva. Quem Sou Ilka Vieira Sempre me vês com a face sorridente Aspirando ou plantando flores belas Não sabes que nesta alegria torrente Plantei e não colhi muitas delas. Quando me encontras adornada Com olhares de quem vai se dar Não sabes que sou indomada Virei fera no meu derivar. Quando me sentires escondida
  16. 16. Guardada no meu eu profundo Entendas minh’alma recolhida Ela chora as dores do mundo. Quando me pegares sonhando Banhada pela minha poesia Só sintas o que estou criando Não acordes a minha magia. Quando me vires quase nua Descortinando o nosso leito Faze de mim apenas a lua Despindo o coração do peito Se descobrires o meu lado criança Brinca comigo nos contos de fadas Compartilha comigo a esperança De ainda ser um dia muito amada. VISITE: www.renascitudes.com.br ILKA VIEIRA nasceu na cidade do Rio de Janeiro/RJ em 15 de junho de 1954, graduou-se em Administração de Empresas, trabalhando por 31 anos na área hospitalar de uma mesma empresa, onde se aposentou.
  17. 17. Na área literária, mostra o seu indiscutível talento já a partir dos títulos que dá aos seus escritos, intensos na verve de abordagem, altamente criativos no gestual das palavras. Fala da dor e do amor cantados por tantos poetas, porém o faz com personalíssimas cores, trabalhando os textos com acuidade, bom gosto e requinte, como seus olhos veem o mundo e sua alma borda os sentimentos. Apaixonada pela obra poética de Fernando Pessoa, ela diz: Ah, Fernando quando um dia eu e for, Em testamento já declaro meu desejo: Que sejam os olhos meus a se pôr Nas páginas pessoanas onde hoje versejo! De uma família numerosa, pais e suas seis irmãs, venera a convicção vinda da infância de que "... o que aproxima a família é a voz do coração." Esta é ILKA VIEIRA, Patronesse do Blogue Expressão Mulher-EM: ser humano, poeta e mulher muito além das palavras. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro/RJ em 19 de setembro de 2014. http://expressaomulher-em.blogspot.com/2015/09/ilka-vieira- brasil.html Rio de Janeiro/RJ, 19 de setembro de 2015.

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