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  1. 1. Universidade Federal de Minas Gerais Escola de Engenharia Departamento de Engenharia de Materiais e Construção Curso de Especialização em Construção CivilPATOLOGIAS EM REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA Autor: Márcia Taveira Roscoe Orientador: Prof. Dr. Antônio Neves de Carvalho Junior Dezembro/2008
  2. 2. MÁRCIA TAVEIRA ROSCOEPATOLOGIAS EM REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Construção Civil da Escola de Engenharia da UFMG Ênfase: Avaliação e Perícias Orientador: Professor Dr. Antônio Neves de Carvalho Junior Belo Horizonte Escola de Engenharia da UFMG 2008
  3. 3. Ao meu filho muito querido, fonte infindável de inspiração. Aos meus pais e irmão, pelo amor incondicional.Às minhas tias do coração, por estarem sempre presentes, em todas as horas.
  4. 4. AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de Minas GeraisAo Professor Dr. Antônio Neves de Carvalho Junior, pela sua orientação, que tornou possível este trabalho. A todos os Professores da Escola de Engenharia da UFMG, com os quais tive o privilégio de conviver durante o Curso de EspecializaçãoAo meu filho, por abrir mão de horas e horas no computador, possibilitando a realização deste trabalho. A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho.
  5. 5. RESUMOEste trabalho apresenta uma revisão bibliográfica a respeito de patologias em revestimentocerâmico de fachada. Aborda os principais problemas verificados em edificações, que fazemcom que o revestimento cerâmico de fachada não cumpra as funções para o qual foiidealizado. São elas: proteger contra infiltrações externas, proporcionar maior confortotérmico no interior, oferecer boa resistência a intempéries e maresia, proporcionar longa vidaútil, fácil limpeza e manutenção, oferecer diferencial estético e mercadológico aoempreendimento. Para embasar o leitor sobre o sistema de revestimento cerâmico, osprincipais conceitos a ele relacionados são abordados de forma sucinta. Abordamos aspectostécnicos e práticos da fase de projetos e da execução dos elementos que compõe orevestimento cerâmico de fachada. As patologias mais comuns são tipificadas e conceituadas.Apresentamos um estudo de caso em que todo o revestimento cerâmico das fachadas deEdifício residencial em Belo Horizonte está sendo substituído, devido à manifestação devárias e severas patologias. Representa um verdadeiro laboratório de anomalias. Por fim,conclui-se que as manifestações poderiam ser evitadas se todas as fases do processo (projeto,especificação, procedimentos de aplicação, manutenção) fossem corretamente observadas, àluz da normalização existente.Palavras chave: revestimento cerâmico, patologia, fachada, descolamento, eflorescência.
  6. 6. ABSTRACTThis paper presents a literature review regarding outer ceramic cladding patologies. Itdiscusses the major issues affecting buildings, causing it not to function how it was designedfor. Its intended functions are: protect against external moisture, interior climate control, offerwear and corrosion resistance, long life, easy cleanliness and maintenance, and providedecorative characteristics. Basic information about ceramic cladding is supplied towardseducating the reader. It also discusses technical and practical issues during design andexecution phases. Typical patologies are cited and exemplified. We also present a case studyat an apartment building in Belo Horizonte. Its entire ceramic façade cladding is beingreplaced due to the occurrence of several serious patologies, making it a real anomaly lab.Finally, we conclude that the anomalies could have been avoided if all project phases (design,specification, application procedures, maintenance) were correctly followed according to thecurrent standardization.Key words: ceramic tile, patology, façade, rupture of panels.
  7. 7. LISTA DE FIGURASFIGURA 1.1 – Produção brasileira de revestimentos cerâmicos............................................................. 13FIGURA 1.2 – Vendas de revestimentos cerâmicos no mercado interno................................................ 14FIGURA 1.3 – Tipos de produtos cerâmicos........................................................................................... 15FIGURA 2.1 – Camadas básicas do revestimento cerâmico de fachada................................................. 20FIGURA 2.2 – As juntas do sistema de revestimento cerâmico.............................................................. 36FIGURA 2.3 – Junta estrutural ou de separação...................................................................................... 37FIGURA 2.4 – Junta de movimentação................................................................................................... 40FIGURA 2.5 – Junta de dessolidarização ou de união............................................................................. 42
  8. 8. LISTA DE FOTOSFOTO 5.1 – Vista geral da fachada com eflorescências e falsa junta.................................................. 63FOTO 5.2 – Destacamento em pilar.................................................................................................... 63FOTO 5.3 – Detalhe da trinca no muro............................................................................................... 64FOTO 5.4 – Destacamento por retração hidráulica no emboço........................................................... 65FOTO 5.5 – Destacamento por expansão de ferragem exposta........................................................... 66FOTO 5.6 – Detalhes da argamassa após arrancamento...................................................................... 67FOTO 5.7 – Detalhes do tardoz das placas cerâmicas arrancadas....................................................... 67FOTO 5.8 – Detalhe do espalhamento da argamassa colante.............................................................. 68FOTO 5.9 – Vista geral da fachada com destacamentos e bolor......................................................... 69FOTO 5.10 – Detalhe do rejunte............................................................................................................ 70FOTO 5.11 – Detalhes com fertilização eólica e manchamentos.......................................................... 70FOTO 5.12 – Detalhe com destacamento e bolor.................................................................................. 71FOTO 5.13 – Detalhe com manchamentos............................................................................................ 72
  9. 9. LISTA DE TABELASTABELA 2.1 – Materiais constituintes das camadas do revestimento cerâmico de fachada................ 21TABELA 2.2 – Exigências mecânicas das argamassas adesivas industrializadas segundo a norma brasileira NBR 14.081................................................................................................. 28TABELA 2.3 – Grupos de absorção de água segundo a NBR 13.817.................................................. 32TABELA 2.4 – As classes de resistência a manchas segundo a NBR 13.818 ..................................... 33TABELA 3.1 – Especificação para fachadas........................................................................................ 16TABELA 4.1 – Origens de problemas patológicos............................................................................... 51TABELA 4.2 – Formas de manifestação da eflorescência.................................................................... 57
  10. 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASm2 – metro quadradomm – milímetrosAC-I – Argamassa Colante Tipo IAC-II – Argamassa Colante Tipo IIAC-III – Argamassa Colante Tipo IIIAC-III-E – Argamassa Colante Tipo III EspecialABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasANFACER – Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para RevestimentosBNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e SocialBSI – British Standardization InstituteCCB – Centro Cerâmico BrasileiroEPU – Expansão Por UmidadeEPUSP – Escola Politécnica da Universidade de São PauloEVA – Etil Vinil AcetatoHEC – Hidroxietil CeluloseISO – International Organization for StandardizationITC – Instituto de Tecnologia CerâmicaMHEC – Metil-hidroxietil CeluloseMPa – Mega PascalNBR – Norma Brasileira RegistradaPEI – Porcelain Enamel InstitutePH – Potencial HidrogeniônicoPIB – Produto Interno BrutoPROCON – Programa de Orientação e Proteção ao ConsumidorPVA – Acetato de PolivinilaPVAC – Acetato de PolivinilaRCF – Revestimento Cerâmico de FachadaSENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem IndustrialUFMG – Universidade Federal de Minas GeraisUSP – Universidade de São Paulo
  11. 11. SUMÁRIOCapítulo 1 – INTRODUÇÃO...................................................................... 121.1 PANORAMA DA INDÚSTRIA CERÂMICA......................................................... 121.2 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................... 161.3 OBJETIVOS ............................................................................................................. 17Capítulo 2 – COMPONENTES DO SISTEMA DE REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA............................................... 192.1 INTRODUÇÃO AO REVESTIMENTO CERÂMICO ADERIDO ..................... 192.2 BASE .......................................................................................................................... 212.3 SUBSTRATO.............................................................................................................. 222.3.1 Chapisco ................................................................................................................. 232.3.2 Emboço ................................................................................................................... 232.4 ARGAMASSAS DE ASSENTAMENTO ................................................................ 252.4.1 Argamassas dosadas em obra................................................................................. 252.4.2 Argamassas adesivas industrializadas................................................................... 252.4.3 Pastas de resinas e resinas de reação..................................................................... 282.5 A PLACA CERÂMICA ............................................................................................ 292.5.1 Definições................................................................................................................. 292.5.2 Produção da placa cerâmica................................................................................... 302.5.3 Propriedades das placas cerâmicas........................................................................ 312.5.4 A qualidade das placas cerâmicas.......................................................................... 342.6 TIPOS DE JUNTAS E REJUNTES ........................................................................ 352.6.1 Junta estrutural ou de separação........................................................................... 372.6.2 Junta de assentamento............................................................................................ 382.6.3 Juntas de movimentação ou de dilatação.............................................................. 382.6.4 Juntas de dessolidarização ou de união................................................................. 412.6.5 A argamassa de rejuntamento................................................................................ 43Capítulo 3 – ETAPAS DO PROCESSO DE REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA .............................................. 453.1 PROJETO E ESPECIFICAÇÕES .......................................................................... 453.2 FASE DE EXECUÇÃO, MÃO DE OBRA E FERRAMENTAS .......................... 473.3 MANUTENÇÃO ....................................................................................................... 49Capítulo 4 – PRINCIPAIS PATOLOGIAS EM REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA .............................................. 514.1 QUANTO À ORIGEM ........................................................................................... 514.1.1 Congênitas ............................................................................................................. 514.1.2 Construtivas ........................................................................................................... 524.1.3 Adquiridas .............................................................................................................. 524.1.4 Acidentais ............................................................................................................... 534.2 TIPOS DE PATOLOGIAS ...................................................................................... 53
  12. 12. 4.2.1 Destacamentos ou descolamentos ........................................................................ 534.2.2 Eflorescências .......................................................................................................... 554.2.3 Manchas e bolor ..................................................................................................... 594.2.4 Trincas e fissuras .................................................................................................... 594.2.5 Gretamento ............................................................................................................. 604.2.6 Deterioração das juntas ......................................................................................... 60Capítulo 5 – ESTUDO DE CASO .............................................................. 625.1 CARACTERIZAÇÃO ............................................................................................ 625.2 PRINCIPAIS PATOLOGIAS ENCONTRADAS NA EDIFICAÇÃO ................ 625.3 PROVIDÊNCIAS E CONCLUSÕES ..................................................................... 73Capítulo 6 – CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS ................ 74REFERÊNCIAS........................................................................................... 76
  13. 13. 12Capítulo 1 – INTRODUÇÃO1.1 PANORAMA DA INDÚSTRIA CERÂMICA O uso intenso do revestimento cerâmico aderido em edifícios residenciais,comerciais e industriais é uma realidade entre as maiores construtoras brasileiras. O motivo éque o material mantém o status de bom, bonito e relativamente barato. Essas vantagens explicam o grande crescimento na utilização do revestimentocerâmico, usado cada vez mais em todos os ambientes residenciais e comerciais dasconstruções modernas e fachadas de edifícios, além de alguns ambientes industriais. Segundo dados do último relatório setorial do BNDES, datado de Setembro de2006, o setor de revestimentos cerâmicos mundial atingiu a produção de 6,3 bilhões de m2 em2004. Destacam-se a Ásia, com 47% da produção mundial, Europa com 28% e América doSul com 11%. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica paraRevestimento (ANFACER)1 em 2007, os cinco principais produtores mundiais foram a China,com 3,5 bilhões de m2, a Espanha, com 685 milhões de m2, o Brasil, com 637 milhões de m2,a Itália, com 563 milhões de m2 e a Índia, com 360 milhões de m2. A China é o maior consumidor mundial, com 2,96 bilhões de m2 em 2007. OBrasil é o segundo maior consumidor mundial, com cerca de 534 milhões de m2 consumidosem 2007. Ainda, segundo a ANFACER,2 a produção brasileira estimada para 2008 é de 682milhões de m2, sendo 577 milhões de m2 destinados ao mercado interno. Estes dados indicamum crescimento na produção anual superior a 7%. No consumo interno, superior a 8%.Ambos acima do crescimento previsto para o PIB brasileiro no período (estimado entre 5 e5,5%). As FIG. 1.1 e 1.2 mostram a evolução da produção brasileira e vendas no mercadointerno.1 Disponível em: http://www.anfacer.org.br. Acesso em: out. 2008.2 Disponível em: http://www.anfacer.org.br. Acesso em: out. 2008.
  14. 14. 13FIGURA 1.1 – Produção brasileira de revestimentos cerâmicosFonte: ANFACER. Disponível em: http://www.anfacer.org.br. Acesso em: out. 2008.
  15. 15. 14 FIGURA 1.2 – Vendas de revestimentos cerâmicos no mercado interno Fonte: ANFACER. Disponível em: http://www.anfacer.org.br. Acesso em: out. 2008. Os principais pólos produtores nacionais estão localizados nas regiões Sul eSudeste: Criciúma, em Santa Catarina, Mogi Guaçu e Santa Gertrudes em São Paulo. A região que mais consumiu revestimento cerâmico em 2005 foi o Sudeste, com48,5% de participação, seguido pela região Nordeste, com 19%, região Sul, com 17,6%,Centro Oeste com 9,5% e região Norte com 5,4%. Na FIG. 1.3 pode-se observar a produção nacional nos últimos 3 anos, por tipo deproduto.
  16. 16. 15 FIGURA 1.3 – Tipos de produtos cerâmicos Fonte: ANFACER. Disponível em: http://www.anfacer.org.br. Acesso em: out. 2008. Conforme o relatório setorial do BNDES (2006/2009), a evolução do mercadointerno está vinculada à consolidação do consumo de revestimentos cerâmicos em edifíciosresidenciais e comerciais, substituindo materiais tradicionais em pisos (como carpetes,mármores e granitos, tacos de madeira) e paredes (como tintas, argamassas, concreto aparentee pedras). As vantagens oferecidas pela cerâmica levam a crer que a tendência à substituiçãodeverá prosseguir.
  17. 17. 161.2 JUSTIFICATIVA O Brasil possui condições climáticas muito favoráveis ao uso de revestimentoscerâmicos nas fachadas (RCF). O clima predominantemente tropical e chuvoso torna estaopção das mais interessantes, tanto pelo aspecto do desempenho como pela durabilidade. Emcidades litorâneas, por exemplo, esta tendência torna os revestimentos cerâmicos quase umaunanimidade para o mercado consumidor, sendo seu uso muitas vezes associado ao própriopadrão de qualidade da construção. Medeiros e Sabbatini (1999) observam que esta preferência tem razões claras. Osrevestimentos cerâmicos possuem inúmeras vantagens em relação aos demais revestimentostradicionais – incluindo as pinturas, placas pétreas, tijolos aparentes, argamassas decorativas –onde destacam-se pela maior durabilidade, valorização estética, facilidade de limpeza,possibilidades de composição harmônica, maior resistência à penetração de água, confortotérmico e acústico da fachada e valorização econômica do empreendimento. Embora sejam largamente empregados em nosso país e em praticamente todo omundo, os revestimentos cerâmicos ainda carecem de muitas melhorias e evoluçãotecnológica, notadamente no que diz respeito à tecnologia de produção de fachadas. A grandeincidência de patologias atestam esta necessidade. Existem Normas Brasileiras que estabelecem condições mínimas de qualidadetanto para produção quanto para utilização dos elementos do sistema de revestimentocerâmico. Porém, na prática, estas normas não são consideradas e, muitas vezes, são atédesconhecidas pelos profissionais responsáveis pela execução dos RCF. O resultado é um semnúmero de revestimentos com os mais diversos defeitos. Conforme Verçoza (1991), as características construtivas modernas favorecem oaparecimento de patologias nas edificações. As construções são realizadas buscando-se omáximo de economia e o menor tempo de execução. Klein (1999) cita, ainda, a má qualidadeda mão de obra, responsável por muitas das patologias verificadas. Segundo este autor, a vidaútil de uma construção irá depender e será relacionada com os cuidados que forem tomados nafase de execução. Igualmente importantes estão os cuidados nas fases de projeto emanutenção. Para se obter o melhor resultado possível com o RCF, além da mão de obraespecializada, a placa cerâmica deve ser ideal para cada ambiente e há a necessidade de um
  18. 18. 17estudo detalhado de como o substrato deve ser executado. A escolha das argamassas colante ede rejuntamento deve ser apropriada para cada caso e deve haver um dimensionamentocriterioso das juntas. As patologias de RCF são difíceis de recuperar e requerem custos elevados.Muitas vezes, quando manifestam-se visualmente, já há comprometimento da integridade dorevestimento. E os custos para recuperação podem facilmente suplantar os custos da execuçãooriginal. Com o advento do Código de Defesa do Consumidor, dos PROCONs e asexigências crescentes dos consumidores, torna-se cada vez mais importante o aprimoramentodas técnicas construtivas, especialização da mão de obra , aprimoramento dos métodos degerenciamento e controle de qualidade nas áreas revestidas com placas cerâmicas. Osprofissionais e construtoras que não acordarem para este fato, certamente terão prejuízosfinanceiros no futuro.1.3 OBJETIVOS Acreditando nas possibilidades de evolução dos revestimentos cerâmicos defachada de edifícios e no seu imenso potencial de uso, o trabalho desenvolvido tem opropósito de levantar e organizar informações sobre o processo de revestimento cerâmico defachada e suas principais patologias. Este trabalho tem como objetivos: • contribuir com Engenheiros, Arquitetos e demais profissionais da área deconstrução civil, com informações que levem ao entendimento das patologias nosrevestimentos cerâmicos de fachada, de modo a evitá-las; • relacionar as patologias mais comumente observadas nos revestimentos defachada, e suas causas principais; • estudar as características dos elementos que constituem o sistema derevestimento cerâmico aderido em fachadas, apresentando informações relacionadas aodesempenho físico e executivo; • contribuir para eliminar defeitos e falhas construtivas, de forma a garantir aestabilidade e durabilidade do sistema de RCF, diminuindo e racionalizando as manutenções;
  19. 19. 18 • contribuir com subsídios aos especificadores, para que adquiram uma maiorvisão sistêmica no processo de elaboração e execução de revestimentos de fachadas,assumindo a parcela que lhes cabe na responsabilidade pelo sucesso da performance dosistema; • fornecer informações relevantes para as equipes de mão de obra sobre a formamais recomendada de executar o sistema de revestimento cerâmico, visando minimizardefeitos e falhas construtivas e eliminar perdas; • pretendemos contribuir para a diminuição da geração de resíduos de demoliçãona construção civil, evitando a poluição ambiental e sobrecarga dos depósitos de resíduos elixo urbanos.
  20. 20. 19Capítulo 2 – COMPONENTES DO SISTEMA DE REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA2.1 INTRODUÇÃO AO REVESTIMENTO CERÂMICO ADERIDO Este capítulo tem por objetivo abordar os conceitos básicos dos revestimentoscerâmicos aderidos, visando situar o leitor acerca do assunto. Os revestimentos cerâmicos tradicionais trabalham completamente aderidos sobrebases e substratos que lhe servem de suporte e, por isso, podem ser denominados de aderidos.Compilando as informações da NBR 13.816 (ABNT, 1997a), da NBR 13.755 (ABNT,1996b), de Barros, Sabbatini e de Medeiros (1999), chega-se ao seguinte conceito pararevestimento cerâmico aderido: Revestimento Cerâmico de Fachada de Edifícios (RCF) é o conjunto monolítico de camadas (inclusive o emboço de substrato) aderidas à base suportante da fachada do edifício (alvenaria ou estrutura), cuja capa exterior é constituída de placas cerâmicas, assentadas e rejuntadas com argamassa ou material adesivo. Quando os revestimentos possuírem camadas com função de isolamento térmico,acústico e de impermeabilização que não permitem aderência entre as camadas, osrevestimentos precisam ser fixados por meio de dispositivos especiais e são chamados de nãoaderidos. A interdependência que existe entre os vários componentes do revestimento indicaa necessidade de conhecê-los profunda e individualmente e, mais importante do que isso,compreender o comportamento conjunto não só do revestimento aplicado mas também dosdemais elementos que com ele se relacionam. Esse enfoque leva-nos ao conceito de visãoholística, ou visão sistêmica, onde um todo é formado por várias partes funcionais que seinter-relacionam de maneira constante e dinâmica. Se, por um lado, essa visão constitui-se num fator necessário e fundamental para aprodução de um revestimento de longa vida útil, por outro a ignorância da visão sistêmica (ousua simples negligência) é um fator significativo no fracasso do produto final.
  21. 21. 20 A NBR 13.816 (ABNT, 1997a) conceitua o revestimento cerâmico de tal modoque a camada de regularização dele não faz parte. Isso pode ser entendido de duas formas: 1) quando as placas são assentadas diretamente sobre a base, essa camadarealmente não existe e não é mencionada; 2) quando essa camada existe, ela deve ser projetada e executada de forma aapresentar características que proporcionem condições adequadas para o assentamento dasplacas cerâmicas, garantindo um bom desempenho do revestimento. Então, nesse caso, acamada de regularização deve ser parte integrante do conceito de revestimento cerâmico. Neste trabalho, denomina-se base o suporte do revestimento cerâmico de fachadaconstituído tradicionalmente de estrutura de concreto e vedações em alvenaria. Com base no citado anteriormente, pode-se ressaltar três camadas básicas derevestimento cerâmico aderido (FIG. 2.1): camada de regularização, camada de fixação ecamada de acabamento (placas cerâmicas e juntas).FIGURA 2.1 – Camadas básicas do revestimento cerâmico de fachadaFonte: CCB. Disponível em: http://www.ccb.org.br.
  22. 22. 21 Como cada uma das camadas tem características próprias, uma abordagem maisespecífica sobre elas é realizada nos itens seguintes. As camadas que formam osrevestimentos tradicionais aderidos são constituídas dos materiais apresentados na TAB. 2.1. TABELA 2.1 Materiais constituintes das camadas do revestimento cerâmico de fachada MATERIAIS CONSTITUINTES DENOMINAÇÃO DA CAMADAConcreto armado BASE OU SUPORTEAlvenaria de blocos cerâmicosAlvenaria de blocos de concretoAlvenaria de blocos de concreto celularAlvenaria de blocos sílico-calcáriosArgamassa de cimento e areia, podendo ou não conter PREPARAÇÃO DA BASEadesivos (chapisco) (camada de regularização)Argamassa de cimento, areia e/ou outro agregado SUBSTRATOfino, com adição ou não de cal e aditivos finos (camada de regularização)(emboço)Argamassa adesiva ou colante, à base de cimento, ASSENTAMENTOareia e/ou outros agregados finos, inertes não reativos, OU FIXAÇÃOcom adição de um ou mais aditivos químicos (camada de fixação)Placa cerâmica CERÂMICAArgamassa de rejunte à base de cimento, areia e/ou (camada de acabamento)outros agregados finos, inertes não reativos, comadição de um ou mais aditivos químicosFonte: Elaborado pela autora com base em Medeiros e Sabbatini (1999).2.2 BASE No caso de edificação com estrutura convencional, a base é composta de alvenariade blocos cerâmicos ou de concreto, e pelos elementos da estrutura de concreto (pilares, vigas,etc.). As características que podem trazer influência ao desempenho dos revestimentos defachada são a rugosidade e a capacidade de absorção de água. Devem ser citadas também aspresenças de materiais contaminantes e a planicidade da superfície. A capacidade de absorção de água é importante pois quando da execução daargamassa de emboço, parte da água da sua composição será perdida para o próprio ambientee outra parte para a base e em relação à rugosidade, quanto mais rugosa a superfície, maiorserá a resistência à aderência. (BARROS; SABBATINI; LORDSLEEN JUNIOR, 1998)
  23. 23. 22 Quando a parede for constituída por diferentes materiais (concreto e alvenaria) esubmetida a esforços que gerem deformações diferenciais consideráveis, como é o caso dosbalanços, platibandas e últimos pavimentos, deve-se utilizar, na junção destes materiais, telametálica, plástica ou outro material semelhante. De modo alternativo, pode-se especificar umajunta que separe os revestimentos aplicados sobre os dois materiais, permitindo que cada partemovimente-se de forma independente.2.3 SUBSTRATO O substrato é um dos elementos do sistema e, no caso de paredes internas eexternas, é constituído pelo chapisco e emboço. O substrato é a superfície que receberá as camadas que constituem o revestimentopropriamente dito. O substrato poderá ser executado com diferentes materiais e técnicasconstrutivas, desde que atenda às solicitações previstas em projeto e apresente característicasde resistência mecânica, deformabilidade, estanqueidade, resistência ao fogo e de texturasuperficial, compatíveis com o revestimento a ser utilizado, tendo em vista a necessáriacompatibilização das superfícies em contato para um adequado desempenho e durabilidade doconjunto. (FLAIN, 1995) Ainda, segundo a autora, a influência do substrato na resistência de aderência comas demais camadas que constituem a vedação vertical está ligada, principalmente, àscaracterísticas superficiais dos componentes da alvenaria ou do concreto e às condições deexposição do substrato. Em substratos com condições não adequadas de aderência para apróxima camada, recomenda-se a execução de uma camada que melhore esta aderência, ochapisco ou apicoamento do substrato. Segundo a NBR 7200 (ABNT, 1998f), por ocasião da aplicação da camada deargamassa, o substrato deverá apresentar-se isento de partículas soltas, até mesmo de resíduosde argamassas provenientes de outras atividades, que quando presentes, poderão seremovidos, empregando-se lixas ou escovas. Além disso, a norma recomenda a remoção demanchas de óleos, graxas ou outras substâncias gordurosas através de lavagem com soluçãode soda cáustica de baixa concentração, sendo que a superfície deverá ser, posteriormente,
  24. 24. 23lavada com água limpa. As manchas de bolor podem ser removidas com uma solução dehipoclorito de sódio (água sanitária ou de lavadeira). A planicidade e prumo estão diretamente relacionadas à integridade dorevestimento. Para que o revestimento desempenhe suas funções e para manter a estética dasfachadas, é necessário a observação das tolerâncias em relação às características geométricasdo substrato, para que se evitem grandes desperdícios de material e mão de obra (FLAIN,1995). Quando constatados desvios significativos em relação às especificações de projeto,recomenda-se a adoção de algumas medidas como a análise e estudo do projeto derevestimento, redefinindo-o conforme condições da obra e verificando-se as interfaces com osdemais subsistemas do edifício, tais como com as esquadrias.2.3.1 Chapisco O chapisco tem a capacidade de reduzir ou igualar a tendência do substrato paraabsorver água da camada de regularização, além da função de melhorar a aderência dacamada de revestimento e garantir maior ancoragem do emboço à base. É considerado umapreparação da base. A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomenda traço de 1:3 em volume de cimento eareia grossa lavada, com consistência fluida. Segundo Just (2001), no chapisco podem ser adicionadas emulsões de polímerosPVA, acrílicos ou estirenos para melhorar a aderência nos casos onde a base apresentar umasuperfície muito lisa, principalmente quando se tratar de estruturas de concreto cuja películadesmoldante não consiga ser retirada de maneira eficiente.2.3.2 Emboço O emboço é a camada de regularização aplicada sobre o chapisco, cuja função édefinir o plano vertical e dar sustentação ao revestimento cerâmico.
  25. 25. 24 A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomenda traço de 1:0,5:5 e 1:2:8 em volumesde cimento, cal hidratada e areia média úmida, respectivamente. Deve apresentar texturaáspera e espessura máxima de 25 mm. A NBR 13.749 (ABNT, 1996a) trata dasrecomendações sobre resistência de aderência. No ensaio de arrancamento, pelo menos 4 dos6 corpos ensaiados devem apresentar resultados iguais ou superiores a 0,30 MPA. Segundo Carvalho Jr (1999), o emboço deve estar concluído há pelo menos 14dias, sendo que algumas publicações recomendam um tempo de 30 dias, entre o seu término eo início do assentamento do revestimento cerâmico. Este tempo é necessário para diminuir osriscos de descolamentos devido à movimentação da base do assentamento, em função daretração hidráulica. Estas movimentações geram tensões superficiais muitas vezes maior doque o conjunto cerâmica/argamassa colante poderia suportar. O emboço deve se apresentar seco, isento de poeira, barro, fuligem, substânciasgordurosas, graxas, eflorescências e quaisquer elementos estranhos que prejudiquem aaderência da argamassa colante a ele. A argamassa de emboço, deve apresentar várias propriedades, com o objetivo deatender aos esforços aos quais estará sujeita durante seu uso. Barros, Sabbatini e LordsleenJúnior (1998) citam: trabalhabilidade, aderência, durabilidade, resistência mecânica ecapacidade de absorver deformações. Just (2001), ainda cita a importância da retenção daágua, o consumo de cimento, a função da cal e a retração por secagem, sendo algumas delasdetalhadas abaixo: • Trabalhabilidade: é subjetiva, pois sua verificação é feita de acordo com aexperiência do aplicador. Na aplicação da argamassa, o aplicador determina a quantidade deágua a ser utilizada. As características físicas dos agregados também influenciam nestapropriedade, principalmente a granulometria. Uma boa trabalhabilidade facilita a penetraçãoda argamassa nas reentrâncias da base; • Aderência: é a capacidade resistente do conjunto aos esforços de tração ecisalhamento. Interferem nessa propriedade a trabalhabilidade e técnicas de aplicação, ascaracterísticas da base e as suas condições de limpeza durante a produção; • Resistência mecânica e a capacidade de absorver deformações: sãoanalisadas de forma associada, pois, embora sejam ambas desejáveis, são inversamenteproporcionais. A capacidade de absorver deformações é importante para todas as camadas quecompõem o revestimento, sobretudo externo, pois a edificação está sujeita às mais diferentes
  26. 26. 25solicitações, tanto de origem térmica como hidráulica, as quais podem gerar movimentaçõesdiferentes entre os componentes; • Durabilidade: depende de todas as propriedades.2.4 ARGAMASSAS DE ASSENTAMENTO A camada de fixação é a responsável por unir as placas cerâmicas ao substrato.Para tanto, podem ser utilizadas as tradicionais argamassas de cimento e areia dosadas emobra e que promovem principalmente aderência mecânica; as argamassas adesivasindustrializadas, que promovem aderência química e mecânica; e as resinas de reação, quepromovem principalmente aderência química. Estes materiais devem garantir os requisitos desegurança e durabilidade dos revestimentos cerâmicos estabelecidos no projeto.2.4.1 Argamassas dosadas em obra Preparadas em obra geralmente a partir da mistura de cimento, cal e areia, cedemcrescente lugar às argamassas adesivas industrializadas, seja pela facilidade de preparo eaplicação ou pela maior homogeneidade, o que é característica de um produto industrializado.2.4.2 Argamassas adesivas industrializadas Hoje em dia as argamassas adesivas são os materiais mais empregados para aexecução de RCF. A principal vantagem desta argamassa reside basicamente no uso decamada fina no assentamento, permitindo a racionalização da execução e redução de custos.Além de simplificar a técnica de colocação das placas cerâmicas, o uso adequado daargamassa adesiva proporciona as seguintes vantagens: i. maior produtividade no assentamento;
  27. 27. 26 ii. manutenção das características dos materiais; iii. maior uniformização do serviço; iv. facilidade de controle; v. menor consumo de material; vi. maior possibilidade de adequação às necessidades de projeto; vii. grande potencial de aderência. A argamassa adesiva é um produto industrializado composto de uma mistura pré-dosada pulverulenta no estado seco, fornecida em sacos. A norma brasileira NBR 14.081 (ABNT, 1998a) denomina as argamassasadesivas de colantes, definindo-as como: Produtos industrializados, no estado seco, compostos de cimento Portland, agregados minerais e aditivos químicos, que, quando misturados com a água, formam uma pasta viscosa, plástica e aderente, empregada no assentamento de placas cerâmicas para revestimento. A colagem com argamassa adesiva ocorre de duas formas principais: – ancoragem mecânica: depende da penetração da mistura nos poros e nosinterstícios da placa cerâmica e do substrato. É indicada para materiais porosos eproporcionada pelo cimento; – ancoragem química: ocorre quando existem aditivos químicos (resinas) naargamassa. É indicada para cerâmicas e substratos lisos e polidos e/ou que não absorvem águaou absorvem pouca água. As argamassas industrializadas podem ser mono ou bicomponentes, sendo queambas são produzidas como uma mistura seca formada, basicamente, por cimento Portland,agregados e aditivos em pó que têm o objetivo de melhorar algumas propriedades do produtofinal. No caso das monocomponentes, a parte liquida é representada apenas por águalimpa, adicionada imediatamente antes da aplicação. No caso das bicomponentes, a parteliquida é representada no todo ou em parte por uma emulsão polimérica que também tem afunção de melhorar algumas propriedades do produto final.
  28. 28. 27 Não há uma relação direta entre o desempenho das argamassas mono oubicomponentes, mas de modo geral estas últimas possuem desempenho superior quanto aosrequisitos de aderência e flexibilidade. A propriedade fundamental que diferencia as argamassas adesivas convencionaisdas argamassas tradicionais é a capacidade de retenção de água. É esta propriedade quepermite que o material seja aplicado em camada fina, sem perder, para a base ou para o ar, aquantidade de água necessária à hidratação do cimento Portland. No Brasil, as argamassas adesivas foram normalizadas e classificadas em quatrotipos pela norma brasileira NBR 14.081 (ABNT, 1998a) A diferenciação básica considera otempo em aberto e a capacidade de aderência. Segundo esta norma a especificação dasargamassas é a seguinte: – TIPO I – rígidas – para uso INTERIOR – indicada para colagem de placascerâmicas para revestimentos em pisos e paredes internas, com exceção de saunas,churrasqueiras, estufas e outros revestimentos especiais; o aditivo da argamassa é apenas oretentor de água; só propicia ancoragem mecânica; – TIPO II – aditivadas – para uso EXTERIOR – indicada para colagem de placascerâmicas para revestimentos de pisos externos, paredes externas e áreas sob ação de cargas;suportam esforços decorrentes de flutuações higrotérmicas, da chuva e do vento; sãoadicionadas resinas na argamassa. Nesse caso, existe ancoragem mecânica e química; – TIPO III – aditivadas – argamassa de ALTA RESISTÊNCIA – indicada paracolagem de placas cerâmicas para uso em saunas, piscinas, estufas e ambientes similares;possuem maior resistência de aderência que as demais; a quantidade de resinas adicionadas naargamassa propicia forte ancoragem química. Mesmo depois de seca, possui certaflexibilidade para acompanhar em parte a movimentação do sistema de revestimento,dificultando o descolamento por cisalhamento e por flambagem da placa cerâmica; – TIPO III E – aditivadas – argamassa ESPECIAL – similar ao tipo III, possuiaditivo que permite estender o tempo em aberto.
  29. 29. 28 TABELA 2.2 Exigências mecânicas das argamassas adesivas industrializadas segundo a norma brasileira NBR 14.081 PROPRIEDADE MÉTODO UND. TIPO DE ENSINO I II III III – E Tempo em aberto NBR 14083 Min ≥ 15 ≥ 20 ≥ 20 ≥ 30 Resistência de NBR MPa ≥ 0,5 ≥ 0,5 ≥ 1,0 ≥ 1,0 aderência aos 28 14084 dias Cura normal NBR 14084 MPa ≥ 0,5 ≥ 0,5 ≥ 1,0 ≥ 1,0 Cura submersa em água NBR 14085 MPa – ≥ 0,5 ≥ 1,0 ≥ 1,0 cura em estufa Deslizamento NBR 14085 Mm } 0,5 } 0,5 } 0,5 } 0,5Fonte: ABNT, 1998a.2.4.3. Pastas de resinas e resinas de reação As pastas de resina são largamente utilizadas em outros países e são constituídasbasicamente por resinas sintéticas, como as vinílicas e as acrílicas. As resinas de reação sãoadesivos que possuem desempenho superior em relação a praticamente todos os demais tiposde materiais de fixação e geralmente são constituídas por dois ou mais componentesfornecidos em separado e que devem ser misturados em proporções bem determinadas nomomento da aplicação. Os aditivos usados nas argamassas adesivas destinados ao assentamento de placascerâmicas podem modificar diversas propriedades importantes destes materiais. Os principais aditivos utilizados nas argamassas adesivas são as resinas sintéticasorgânicas. Entre estas, destacam-se as resinas celulósicas e os polímeros vinílicos, acrílicos eestirenos-butadienos. As resinas celulósicas são usadas como retentores de água eplastificantes, enquanto as resinas vinílicas e acrílicas modificadas são empregadasprincipalmente para melhorar a aderência e aumentar a capacidade de absorver deformações.Entre estes agentes destacam-se os hidróxietil celulose (HEC) e metil-hidróxietil celulose(MHEC) como dois dos mais empregados nas argamassas adesivas. Nas argamassas adesivas modificadas com polímeros (monocomponente) sãoempregados também polímeros à base de resinas vinílicas na forma de pós redispersíveis em
  30. 30. 29água. Elas modificam a capacidade de retenção de água, além de melhorar a aderência e aflexibilidade das argamassas adesivas. A extensão de aderência também é melhorada devido àredução na tensão superficial da água. As resinas sintéticas mais utilizadas na forma de pós redispersíveis são os acetatosde polivinila (PVAC) e os acetatos de vinila etileno (EVA). (GOLDBERG, 1998) Uma série de estudos e pesquisas têm mostrado que as argamassas adesivasmodificadas por látices acrílicos e estirenos-butadienos são as que apresentam, em geral,melhor desempenho para a fixação de placas cerâmicas em fachadas. (MEDEIROS,SABBATINI, 1999)2.5 A PLACA CERÂMICA2.5.1 Definições Tecnicamente, chama-se de placa o elemento construtivo em que duas dimensõessão bem maiores que a terceira. Na placa cerâmica, comprimento e largura são predominantesem relação à sua espessura. Segundo a NBR 13.816 (ABNT, 1997a), placa cerâmica para revestimento édefinida como sendo um material composto por argila e outras matérias-primas inorgânicas,geralmente utilizada para revestir pisos e paredes, sendo formada por extrusão ou porprensagem, podendo também ser conformado por outros processos, e queimadas a altastemperaturas. Após secagem e queima a temperaturas entre 1000°C e 1200°C, a placa cerâmicaadquire propriedades físicas, mecânicas e químicas. As principais propriedades são: dureza,rigidez, fragilidade e inércia. A dureza resulta de estruturas vitrificadas que se formamdurante a queima, com alto grau de compacidade e coesão interna, resultando na forçaresponsável pela resistência mecânica do material. A rigidez é a resistência da placa cerâmicaà deformação, quando submetida a esforços. Sujeita a esforços, a placa cerâmica pode quebrarsem deformação prévia, resultando daí sua fragilidade, que deve ser considerada como umapropriedade da placa. Sua inércia refere-se a não reagir quimicamente com outros materiais.
  31. 31. 30 A principal finalidade da utilização da placa cerâmica para revestimento é aproteção do substrato onde ela é assentada, contribuindo grandemente para a nãoinsalubridade dos ambientes, devido à impermeabilidade de seu esmalte. Possibilita vantagens quando usada como material de acabamento. As principais,de acordo com a Revista Showroom (2001), são: • facilidade de limpar, reduzindo o custo de manutenção, por dispensarprocedimentos complicados e caros; • antiinflamável: não propaga fogo, como outros materiais de acabamento(carpetes e madeira, por exemplo). Trata-se, portanto, de um material que oferece segurança; • durabilidade: sua composição química estável permite um longo tempo de uso,sem que suas características técnicas ou estéticas se alterem; • possui elevada impermeabilidade; • possui baixa higroscopicidade; • propicia excelente isolamento; • o custo final do sistema de revestimento cerâmico é compatível com osbenefícios; • beleza estética: a cerâmica evoluiu muito nos últimos anos, no campo do design,desenvolvendo novos produtos, cada vez mais adequados ao bom gosto dos usuários; • versatilidade: a evolução da tecnologia produtiva e o avanço do “design”permitiram a criação de coleções voltadas para diversos usos.2.5.2 Produção da placa cerâmica A nível ilustrativo e conforme a Revista Showroom (2001), edição especial, nafabricação das placas cerâmicas, são utilizadas matérias primas plásticas, como argilas,caulim e filito; e não plásticas, como quartzo, calcita, dolomita, talco e feldspatóides. Deforma genérica, todos esses minerais são chamados de argilas durante o processo defabricação. Nas indústrias, as argilas são tratadas para conseguir uma boa homogeneidade,além de uma granulometria adequada (o tamanho médio dos grãos). Ambas são obtidas namoagem, que pode ser feita de dois modos: por via seca ou por via úmida. Na via seca, o
  32. 32. 31material é misturado e moído com sua umidade natural, isto é, aquela com que foi extraído.Depois, segue para o granulador, a fim de obter um grão com forma adequada. Na via úmida,os diversos materiais são dissolvidos em água. A mistura (ou barbotina), segue para oatomizador que, pela injeção de gases em altas temperaturas, extrai quase toda a água domaterial, que já se agrega em grãos com as características desejadas. Depois, vem o processo de conformação da placa, decoração e esmaltação. Ao saírem do forno, as placas são inspecionadas quanto a defeitos de fabricação.Depois, são embaladas, ficando prontas para o consumo.2.5.3 Propriedades das placas cerâmicas Por serem utilizadas tanto em ambientes internos como externos para a produçãode revestimentos de pisos e paredes, as placas cerâmicas estão sujeitas às mais variadascondições de exposição. Assim, além das características estéticas, as placas cerâmicasprecisam apresentar propriedades que garantam desempenho adequado ao longo de sua vidaútil. A NBR 13.817 (ABNT, 1997b), a fim de qualificar as placas cerâmicas e facilitar suaespecificação, propõe as seguintes classificações: • quanto à esmaltação: placas esmaltadas (Glazed) e não esmaltadas (Unglazed).É bastante comum, também, o uso do termo vidrado como referência às placas esmaltadas. Opróprio termo Glazed faz alusão ao vidro, mesmo porque a composição do esmalte aplicadosobre o corpo cerâmico assemelha-se à composição desse material. Para proteger o desenho e conferir brilho à placa, é aplicada sobre ela uma camadade esmalte. O esmalte é formado por materiais que, no forno, fundem-se, formando umacamada vitrificada sobre a peça. A queima, no forno, é uma das etapas mais importantes. Atemperaturas acima de 1000°C, as argilas que compõe a base e os materiais vítreos do esmaltefundem-se e a placa adquire as características próprias da cerâmica. Tecnicamente, a queimachama-se sinterização, devido à reação química que ocorre no forno, a síntese, onde váriassubstâncias se unem, formando outras, com propriedades diferentes das iniciais; • quanto ao método de fabricação: as placas podem ser extrudadas (Grupo A),prensadas (Grupo B) e outros processos (Grupo C);
  33. 33. 32 • quanto à absorção de água: a absorção das placas cerâmicas, classificadaconforme a TAB. 2.3, tem grande influência no tipo de argamassa adesiva a ser utilizada, jáque as argamassas cimentícias isentas de aditivos proporcionam aderência apenas pelo efeitode ancoragem mecânica. Assim, baixa absorção significa baixa penetração de pasta nos poros das placas epequeno efeito de ancoragem. Um exemplo desse fato ocorre com os porcelanatos, placas deabsorção quase nula, que necessitam de argamassa especial que promova aderência mesmosob essas condições. Além do aspecto de aderência, outro ponto importante a ser observado é queplacas cerâmicas que serão utilizadas em ambientes externos devem ter absorção máxima de6%, e nos casos de climas frios sujeitos ao congelamento, esse valor cai para 3%.(GOLDBERG, 1998, p. 111) A absorção total dos revestimentos cerâmicos deve ser baixa para limitar asmovimentações higroscópias a que o revestimento de uso externo está sujeito. A normabrasileira NBR 13.818 (ABNT, 1997c) não estabelece um limite específico para a absorçãototal das placas cerâmicas destinadas às fachadas. A norma britânica BS 5385 (BSI, 1991)especifica para fachada absorção inferior a 3% para placas extrudadas e prensadas. TABELA 2.3 Grupos de absorção de água segundo a NBR 13.817 GRUPO: FAIXA DE GRUPO A GRUPO B – GRUPO C ABSORÇÃO (%) EXTRUDADO PRENSADO OUTRO PROCESSO (EXEMPLO)Ia: 0 ≤ abs < 0,5 AI B Ia (Porcelanato) CIIb: 0,5 ≤ abs < 3 B Ib (Grés)IIa: 3 ≤ abs < 6 A IIa B IIa (Semi Grés) C IIaIIb: 6 ≤ abs < 10 A IIb B IIb (Semi poroso) C IIbIII: abs ≥ 10 A III B III (Poroso) C IIIFonte: ABNT, 1997b. • quanto à abrasão superficial: o ensaio de abrasão consiste em submeter asuperfície esmaltada das placas cerâmicas ao atrito de esferas de aço de tamanhospadronizados durante um número fixo de ciclos numa câmara rotativa. Quanto maior o
  34. 34. 33número de ciclos necessários para provocar alterações no esmalte, maior é a classificação PEIda placa. O Porcelain Ennamel Institute (PEI) é um índice usado para medir a resistência àabrasão do esmalte das placas cerâmicas. No caso dos porcelanatos polidos a NBR 13.818, anexo D – especifica o ensaiopara determinação do índice PEI apenas para placas esmaltadas, o que não é o caso dosporcelanatos polidos. Mesmo que o índice PEI fosse aplicado a essas placas, sua classificaçãomáxima seria PEI IV, já que elas não resistem ao manchamento, mesmo antes da abrasão; • quanto à expansão por umidade (EPU): expansão por umidade é um aumentoirreversível de tamanho que a placa cerâmica sofre, ao longo do tempo, dado ao contato com aumidade presente no ambiente onde está assentada. É uma característica crítica para fachadas,banheiros, piscinas, saunas e outros ambientes de elevada umidade. É medida em mm/m euma pequena EPU significa um revestimento mais estável, pois a EPU pode ocasionar odestacamento, além da gretagem da placa cerâmica. A NBR 13.818 (ABNT, 1997c) limita aEPU em, no máximo, 0,6 mm/m; • quanto ao ataque químico e ao manchamento: em ambos os casos as placassão submetidas à ação de agentes padronizados, sendo então avaliada a alteração dasuperfície. A TAB. 2.4 mostra a classificação quanto á resistência ao manchamento. TABELA 2.4 As classes de resistência a manchas segundo a NBR 13.818 CLASSE DESCRIÇÃO DA REMOÇÃO DAS MANCHAS Classe 5 Máxima facilidade de remoção de manchas Classe 4 Mancha pode ser removida com produto de limpeza fraco Classe 3 Mancha pode ser removida com produto de limpeza forte Classe 2 Mancha pode ser removida com ácido clorídrico ou acetona. Classe 1 Mancha não pode ser removida sem danificar a peçaFonte: ABNT, 1997c. De maneira geral, as placas esmaltadas apresentam boa resistência aomanchamento, fato esse que pode ser atribuído à absorção nula e à baixíssima rugosidadeproporcionada pelo esmalte. Entretanto, no caso dos porcelanatos, que pertencem ao grupoBla (TAB. 2.3), o manchamento pode manifestar-se rapidamente nas peças polidas. Aexplicação para isso, segundo Arantes et al (2001), pode ser dada pelo fato de que opolimento provoca a abertura de poros anteriormente confinados numa massa monolítica,
  35. 35. 34expondo-os ao meio exterior. Assim, mesmo sendo o porcelanato um material de absorçãomuito baixa, a quebra da matriz original provocada pelo polimento deixa a superfície comporosidade exposta, proporcionando a impregnação de vários tipos de sujidades e dandoorigem ao manchamento. A resistência química indica a capacidade da placa cerâmica de manter inalteradaa sua aparência, quando em contato com produtos químicos. As classes de resistência químicasão três: classe A: resistência química elevada; classe B: resistência química média; e classeC: resistência química baixa. Todas as placas cerâmicas devem resistir aos produtosdomésticos de limpeza, classificado no nível 1. Quanto a isso, as placas cerâmicas esmaltadasrepresentam uma ótima escolha, pois são altamente resistentes aos mais variados produtosutilizados na limpeza doméstica. O nível 2 indica resistência industrial e deve ser declaradapelo fabricante. A resistência ao chumbo e ao cádmio solúveis, nível 3, refere-se à nãoliberação, pela placa cerâmica, desses elementos, quando em presença de ácido acético(vinagre). • quanto à resistência ao choque térmico: A resistência ao choque térmicodetermina se a placa cerâmica resiste a variações bruscas de temperatura sem sofrer danos. Éuma característica importante em fachadas e pisos externos quando, em calor excessivo,ocorrem pancadas de chuva, por exemplo. A dilatação térmica significa uma variação das dimensões da placa cerâmica emfunção da variação da temperatura. A resistência a danos é importante característica em pisos,principalmente externos e fachadas em locais onde a amplitude térmica diária é elevada.2.5.4 A qualidade das placas cerâmicas A qualidade das placas cerâmicas está vinculada aos conceitos de conformidade àsnormas NBR 13.816 (ABNT, 1997a), NBR 13.817 (ABNT, 1997b) e NBR 13.818 (ABNT,1997c), equivalentes às normas internacionais ISO 13006 e ISO DIS 10545, e deconformidade ao uso. O conceito de conformidade ao uso, conforme o Centro Cerâmico doBrasil (CCB), significa o atendimento das reais necessidades e desejos do usuário final dosistema de revestimento cerâmico.
  36. 36. 35 A utilização de placas cerâmicas certificadas na execução do sistema derevestimento cerâmico é princípio básico para a qualidade do acabamento final, para agarantia de perfeita adequação ao uso do sistema e para o atendimento das necessidades dosusuários dos ambientes revestidos com placas cerâmicas.2.6 TIPOS DE JUNTAS E REJUNTES Junta é o espaço regular entre duas peças de materiais idênticos ou distintos. Ostipos mais comuns de juntas são: estrutural, de assentamento, de movimentação e dedessolidarização. No sistema de revestimento cerâmico, deve-se dar especial atenção àsjuntas, dimensionando-as de acordo com as normas brasileiras vigentes do setor e com asespecificações dos fabricantes de placas cerâmicas para revestimentos, pois a função dasjuntas é absorver as tensões do sistema, garantindo a sua estabilidade. A FIG. 2.2 mostra osdiferentes tipos de juntas do sistema.
  37. 37. 36FIGURA 2.2 – As juntas do sistema de revestimento cerâmicoFonte: ABCCO-REJUNTABRÁS, 2001a. As principais deformações que originam tensões são: • dilatação higroscópica das placas cerâmicas: também chamada de expansão porumidade (EPU); • variações térmicas; • retração das argamassas do substrato; • retração das argamassas de assentamento dos elementos da alvenaria; • deformação lenta do concreto da estrutura; • recalque das fundações; • deformações provocadas pela umidade atuando nas argamassas endurecidas; • atuações de cargas acidentais; • vibrações de máquinas. Assim, as tensões nos revestimentos cerâmicos sempre existem, gerandocompressões não suportadas pelo sistema. Variam bastante, podem se compensar ou somar.
  38. 38. 372.6.1 Junta estrutural ou de separação Junta estrutural é o espaço cuja função é aliviar tensões provocadas pelamovimentação da estrutura da obra. Devem ser respeitadas em posição e largura, em todaespessura do revestimento. A FIG. 2.3 ilustra como uma junta estrutural deve ser executadaem áreas onde existem revestimentos com placas cerâmicas.FIGURA 2.3 – Junta estrutural ou de separaçãoFonte: VIEIRA, 1998.2.6.2 Junta de assentamento É o espaço regular entre duas placas cerâmicas adjacentes. São funções da juntade assentamento: • absorver parte das tensões provocadas pela EPU da cerâmica, pelamovimentação do substrato e pela dilatação térmica; • compensar a variação de bitola da placa cerâmica, facilitando o alinhamento; • garantir um perfeito preenchimento e estanqueidade;
  39. 39. 38 • facilitar eventuais trocas de peças cerâmicas; • estética. As larguras das juntas de assentamento devem ser apropriadas para cada tipo deplaca cerâmica e local de uso, interno ou externo. Assim, recomenda-se as seguintes largurasde juntas de assentamento para pisos e paredes: • áreas internas: para placas com lado maior de no máximo 20 cm, deve-se usarjuntas de no mínimo 3 mm, aumentando no mínimo 1 mm para cada 10 cm de aumento daplaca. Exemplo: uma placa com lado maior de 31 cm deve ter uma junta de, no mínimo, 5mm; • áreas externas ou sujeitas à grande umidade: a partir de placas não teladas delado maior 10 cm, deve-se usar juntas de no mínimo 5 mm, aumentando 1 mm para cada 10cm de aumento do lado da placa. Exemplo: uma placa cerâmica de lado maior de 33 cm deveter uma junta de, no mínimo, 8 mm; • grês porcelanato: usar juntas de no mínimo 2 mm para áreas internas e 5 mmpara áreas externas; • sempre seguir as especificações do fabricante da cerâmica.2.6.3 Juntas de movimentação ou de dilatação Junta de Movimentação é o espaço regular cuja função é subdividir orevestimento, para aliviar tensões provocadas pela movimentação do revestimento e/ou dosubstrato. Segundo a NBR 13.755 (ABNT, 1996b), em fachadas devem ser executadasjuntas de movimentação horizontais e verticais como segue: • horizontais: recomenda-se a execução de juntas de movimentação espaçadas nomáximo a cada 3 m ou a cada pé direito, na região do encunhamento da alvenaria. • verticais: recomenda-se a execução de juntas de movimentação no máximo acada 6 m.
  40. 40. 39 As juntas de movimentação devem ser preenchidas com selantes flexíveis, à basede poliuretano, polissulfetos ou silicones, assentados sobre um “berço” de material flexível ecompreensível, não aderente ao selante, como na FIG. 2.4, e a largura das mesmas deve ser,de acordo com o Haanbook for Ceramic tile Installation (TCA, 2002), de: • Para pisos interiores: utilizar a largura da junta de assentamento, mas nuncainferior a 6,4 mm; • Para exterior: mínimo de 9,6 mm para juntas distanciadas em até 3,7 m emínimo de 12,8 mm para juntas distanciadas em até 4,9 m; • Para interior, com uso de pastilhas e revestimentos cerâmicos de parede: utilizara mesma largura da junta de assentamento, mas nunca inferior a 3,2 mm, sendo ideal a largurade 6,4 mm. De acordo com as características dos materiais cerâmicos a serem utilizados, alargura dessas juntas pode sofrer variações.
  41. 41. 40FIGURA 2.4 – Junta de movimentaçãoFonte: VIEIRA, 1998. Note-se que a junta de movimentação deve cortar o contrapiso e/ou a camada deregularização, em uma profundidade de pelo menos 25 mm abaixo do tardoz da placacerâmica. Quando a camada de regularização for menor que 25 mm, a profundidade da juntade movimentação deve ser a mesma da camada de regularização.
  42. 42. 412.6.4 Juntas de dessolidarização ou de união Junta de dessolidarização é o espaço regular cuja função é separar a área comrevestimento de outras áreas (paredes, tetos, pisos, lajes e pilares), para aliviar tensõesprovocadas pela movimentação do revestimento e/ou do substrato. Segundo o Handbook for Ceramic Tile Installation (TCA, 2002), as juntas dedessolidarização devem ter, para áreas internas, largura de pelo menos 6,4 mm. Porém, essa largura pode sofrer variações, de acordo com as características dosmateriais a serem utilizados. A profundidade deve ser de pelo menos 25 mm ou igual àespessura da camada de regularização; quando esta for menor que 25 mm, abaixo do tardoz dacerâmica, cortando a primeira camada de regularização e/ou contrapiso. Essas juntas devem ser preenchidas com selantes à base de poliuretano, siliconeou polissulfetos, assentados sobre um “berço” de material flexível e compressível, sobre oqual o selante não deve aderir. Deve-se limpar as juntas e as bordas das placas cerâmicas nasquais o selante será aderido. A FIG. 2.5 mostra a disposição genérica de uma junta de dessolidarização.
  43. 43. 42FIGURA 2.5 – Junta de dessolidarização ou de uniãoFonte: Adaptado de VIEIRA, 1998. A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomenda executar juntas de dessolidarização: • no perímetro da área revestida; • nos cantos verticais; • nas mudanças de direção do plano do revestimento; • nas mudanças dos materiais que compõe a estrutura suporte; • no encontro do revestimento com pisos, forros, colunas, vigas ou com outro tipode revestimento.
  44. 44. 432.6.5 A argamassa de rejuntamento É a argamassa introduzida nas juntas do sistema de revestimento cerâmico. Para cada tipo e finalidade de junta existe um tipo de argamassa recomendada, emfunção de quais características são desejáveis para o revestimento, tais como: maior ou menorflexibilidade, retenção de água, uniformidade de textura, dureza, resistência a manchas, baixaabsorção de água, aspecto visual liso e fácil de limpar. Normalmente, ter algumas dessascaracterísticas significa prejudicar outras. Conforme Vieira (1998), as argamassas de rejuntamento podem ser à base decimento portland, contendo ou não látex e à base de produtos orgânicos, como silicone,poliuretano ou resinas (furânicas, epoxídicas, formaldeídicas, etc.). Argamassas de rejuntamento à base de cimento portland são misturasindustrializadas de cimento portland cinza ou branco e outros componentes homogêneos euniformes, como areia, retentor de água, impermeabilizantes, fungicidas, pigmentos fixadoresde cores e outros aditivos químicos à base de látex (emulsão aquosa) ou poliméricos secos (póredispersível). Estes aditivos químicos proporcionam certa flexibilidade aos rejuntamentos. Éum tipo de argamassa largamente utilizada nas juntas de assentamento com a finalidade depreenchê-las e absorver parte das tensões do sistema de revestimento, por isto a importânciade certo grau de flexibilidade do rejuntamento. Esse tipo de argamassa de rejuntamentoapresenta baixa resistência a ácidos e álcalis, não é impermeável e, quando usada em áreasexternas ou úmidas, recomenda-se o uso de camadas protetoras e hidrorrepelentes, com afinalidade de deixá-las impermeáveis. Argamassas de rejuntamento à base de resinas epoxídicas são misturasindustrializadas de resina epóxi, cargas minerais, aditivos e agentes de cura (endurecedores).Apresentam excelente resistência e comportamento frente a variações térmicas entre 20° C e150° C. Podem ser utilizadas em pisos e revestimentos de indústrias alimentícias, frigoríficos,laticínios e outros. Variações das argamassas de rejuntamento à base de resinas epoxídicas,adicionadas com pigmentos fixadores de cores que, embora com menor resistência química,resulta em um rejuntamento impermeável, de excelente acabamento, liso e fácil de limpar,que proporciona higiene impecável e grande beleza. É ideal para áreas úmidas, comobanheiros, saunas e piscinas, cozinhas e hospitais, por ser resistente às eflorescências, fungos,
  45. 45. 44bactérias e outros agentes contaminantes, constituindo-se na mais moderna e eficienteargamassa de rejuntamento do Brasil. Argamassas de rejuntamento à base de resinas furânicas são compostosmisturados industrialmente de resinas furânicas, cargas minerais, aditivos e agentes de cura(endurecedores). Possuem excelente resistência química e às variações de temperatura (entre20° e 150°) e podem ser utilizadas em juntas de assentamento em pisos e revestimentos delaboratórios, salas de galvanização, tanques de decapagens, laticínios, frigoríficos, e indústriasalimentícias e de bebidas. Argamassas de Rejuntamento para as Juntas de Movimentação, Estruturais ou deDessolidarização são compostos à base de poliuretano, silicone ou polissulfetos, adicionando-se cargas minerais devidamente graduadas, aditivos especiais e às vezes, pigmentos fixadoresde cor, quando se tornar desejável uma cor semelhante à cor do rejuntamento da junta deassentamento. Essas argamassas devem apresentar grande flexibilidade, em torno de 25% desuas dimensões, para absorverem esforços resultantes das tensões do sistema de revestimentocerâmico. Também devem ser impermeáveis, laváveis, resistentes a intempéries e ter grandeaderência. Durante muito tempo, utilizou-se cimento branco e alvaiade para o rejuntamentodas juntas de assentamento, apresentando grandes inconvenientes, como trincas, infiltrações,formação de mofos, desagregação, entre outros, servindo apenas como massa tapa buracos.As argamassas de rejuntamento industrializadas e de boa qualidade apresentam grandesvantagens, como bons níveis de elasticidade, maior resistência à absorção de água, baixaretração por secagem, maior resistência à formação de fungos, alta adesividade, maiorlavabilidade, cores mais firmes, entre outras, embelezando e valorizando o revestimentocerâmico, além de garantirem maior estabilidade para o sistema.
  46. 46. 45Capítulo 3 – ETAPAS DO PROCESSO DE REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA3.1 PROJETO E ESPECIFICAÇÕES A elaboração do projeto é a primeira etapa de uma seqüência lógica de qualquerempreendimento. Com toda a segurança, a experiência tem mostrado que o custo final de umaatividade realizada de modo não planejado é muito superior ao de uma adequadamenteprojetada, mesmo incorporando o custo de elaboração do projeto. Com freqüência, o revestimento cerâmico é entendido apenas como um materialdecorativo, sendo especificado e detalhado de modo muito precário no projeto arquitetônico.Deve-se salientar, porém, a necessidade da elaboração de um projeto construtivo, quecontemple todas as informações e parâmetros necessários para que se exerça total domíniosobre a execução do sistema de revestimento cerâmico. Neste projeto devem estardeterminados os materiais, as técnicas, os equipamentos e o tipo de mão-de-obra a seremempregados, bem como os procedimentos de controle de qualidade a serem implementados. Os detalhes de projetos são extremamente importantes tanto do ponto de vista docomportamento final do revestimento (resistência mecânica, resistência de aderência,estanqueidade, etc.) como também para a otimização dos serviços de execução, pois, comtodos os problemas resolvidos a este nível, o desperdício de materiais torna-se praticamentenulo, a produtividade é otimizada e incrementa-se o nível de qualidade dos serviçosexecutados. O projeto dos revestimentos deve considerar os demais projetos construtivos doedifício, envolvendo, em particular, os de alvenaria e de piso. Quando estes não existirem, asinformações deverão ser obtidas dos projetos tradicionais, como arquitetônico, estrutural,instalações e impermeabilização. Na fase de projeto são definidas a natureza, as características, as propriedades e odesempenho esperado dos materiais, através da identificação das solicitações a que osmesmos estarão submetidos. Deve-se levar em consideração as exigências funcionais deestética, estabilidade, permeabilidade à água, durabilidade e manutenção. Também nesta etapa
  47. 47. 46são definidas as técnicas executivas a serem utilizadas. O projeto executivo deve apresentarum nível de detalhes suficiente para que se reduza as improvisações no canteiro. O projeto de assentamento é primordial para a segurança das fachadas revestidaspor cerâmica. Ele deve considerar juntas de movimentação no máximo a cada 3 metros nahorizontal e 6 na vertical, levando em conta ainda as interfaces com elementos como vigas,caixilhos, varandas ou outros materiais usados no revestimento. Segundo dados do CCB, ocorreto é que as juntas sejam de mástique ou elastoméricas arrematadas por selantes depoliuretano. O silicone não é recomendado porque absorve a água da chuva, o que causamanchas na fachada. A TAB. 3.1 traz as características básicas que as placas cerâmicas para fachadadevem ter. TABELA 3.1 Especificação para FachadasRemoção de manchas Classe 4 ou 5Absorção de água Regiões sujeitas a neve: 0 a 3 % Outras regiões: 0 a 10%Resistência a ataques químicos Elevada ou MédiaResistência à abrasão (PEI) Não necessárioExpansão por Umidade (EPU) Menor ou igual a 0,6 mm/mArgamassa Colante Tipo AC IIICarga de Ruptura Maior ou igual a 800 NFonte: CCB. Disponível em: http://www.ccb.org.br. Para uma especificação eficiente de placas cerâmicas para um dado ambiente, ascaracterísticas técnicas são fundamentais. Em todas as situações, o ideal é que a placa sejacertificada pelo CCB. Ao especificar um determinado produto e acrescentar as palavras “ou similar”,deve-se requisitar a apresentação de laudos técnicos que comprovem esta similaridade. Deve-se dar preferência para cerâmicas com garras poliorientadas no tardoz, umavez que esta característica aumenta a resistência às tensões de cisalhamento a que as peçasestarão submetidas. Detalhes construtivos, como pingadeiras, molduras, cimalhas, peitoris e frisosdevem ser cuidadosamente projetados, visando dissipar concentrações de água que escorrem
  48. 48. 47pela fachada quando chove. As superfícies horizontais devem ter inclinação de pelo menos1%, de modo que a água verta para o exterior. É recomendável que o peitoril ressalte do panoda fachada pelo menos 25 mm, tenha caimento entre 8 e 10% e que sua face inferior sejaprovida de pingadeira.3.2 FASE DE EXECUÇÃO, MÃO DE OBRA E FERRAMENTAS Na etapa de execução, deve-se seguir à risca o projeto executivo. Conforme a NBR 13.755 (ABNT, 1996b), a execução de revestimentos complacas cerâmicas só pode ser iniciada após a conclusão dos seguintes serviços: revestimentosde tetos, fixação de caixilhos, execução das impermeabilizações, instalação das tubulações eensaios de estanqueidade nas tubulações hidráulicas e sanitárias. Para pisos externos, paredes externas e fachadas, recomenda-se a execuçãoquando a temperatura ambiente estiver compreendida entre 5°C e 40°C e as temperaturas doscomponentes do sistema de revestimento cerâmico (bases, placas cerâmicas e argamassas)estiver entre 5°C e 27°C. Quando a temperatura da base, por incidência do Sol, estiver acimade 27°C, deve-se umedecê-la levemente, porém sem saturá-la. Revestimentos externos devemser executados em períodos de estiagem e sem ventos fortes. Deve-se evitar a incidênciadireta do Sol nos horários de maior temperatura diária. Segundo o CCB, a base deve ter traço forte e apresentar aspecto acamurçado. Sobre superfícies de concreto deve ser utilizado chapisco industrializado ou aadição de uma resina acrílica ao chapisco comum. É interessante que o emboço tenha sido executado sobre alvenaria chapiscada,para melhorar a aderência do sistema ao substrato. O tempo mínimo recomendado para curado emboço é de 14 dias, sendo que algumas publicações recomendam 28 dias. É importantesalientar que um maior tempo entre estas etapas garante menor susceptibilidade aosdescolamentos por retração hidráulica. O emboço também deve se apresentar seco, isento depoeira, fuligem, barro, substâncias gordurosas, graxas, eflorescências e outros elementosestranhos que possam prejudicar a aderência da argamassa colante. A espessura do emboçonão deverá exceder 25 mm, o que evita descolamentos.
  49. 49. 48 A argamassa colante deve ser aplicada com desempenadeira metálica dentada,estendendo-a na parede com o lado liso e em seguida frisando-a. Desempenadeiras com osdentes gastos devem ser substituídas. Deve-se tomar cuidado especial para que o tempo em aberto (intervalo de tempoem que a argamassa colante pode ficar estendida sobre o emboço sem que haja perda de seupoder adesivo) não seja excedido. Para utilização em fachadas recomenda-se tempo em abertode no mínimo 20 min (ARGAMASSAS TIPO AC II). Observa-se o tempo em abertoexcedido quando a argamassa apresenta uma película esbranquiçada brilhante na superfície,ou quando, ao toque dos dedos, estes não se sujam; ou ainda, quando do arrancamento de umaplaca recém assentada, não se verifica grande impregnação do tardoz. É importante também que, após sua mistura, as argamassas colante e de rejuntesejam totalmente utilizadas num período inferior a 2:30 horas. Não se deve aproveitar restosde argamassa que caem no chão, remisturando-a. No assentamento de peças cerâmicas com dimensões superiores a 20 x 20 cmrecomenda-se a aplicação da argamassa também em seu tardoz. O arraste da cerâmica,proporcionando o rompimento dos cordões da argamassa colante, e a posterior percussãoeficiente da peça garantem maior estabilidade do assentamento. Antes do assentamento da cerâmica é importante definir o posicionamento dasjuntas de movimentação e de dessolidarização. A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomendaexecução de juntas horizontais de movimentação espaçadas a cada 3 metros ou a cada pédireito, na região de encunhamento da alvenaria. As juntas verticais, espaçadas a cada 6metros. As peças cerâmicas devem estar secas para não haver prejuízo da aderência, a nãoser que haja recomendações contrárias do fabricante. Superfícies pintadas ou vitrificadas não devem receber revestimento cerâmico. O rejuntamento das placas deve ocorrer após 3 dias do assentamento, no mínimo.As juntas devem ser umedecidas e estar isentas de sujeiras. Aplica-se com desempenadeira deborracha, em movimento diagonal às juntas. Para dar acabamento, as juntas devem serfrisadas com mangueira ou ferro redondo. Após 15 minutos, limpar o excesso com esponja oupano úmido. Limpar novamente com pano seco após mais 15 minutos. Todas as ferramentas e utensílios a seguir devem estar disponíveis para utilizaçãona obra: cortadores manual e mecânico de placas cerâmicas, régua de pedreiro, mangueirapara nível, nível de bolha, prumo, colher de pedreiro, martelo de borracha, ponteiro, linha de
  50. 50. 49nylon ou barbante, prego de aço, desempenadeiras denteadas de 6 mm e 8 mm, lápis decarpinteiro, desempenadeira de borracha, desempenadeira de madeira, esquadro, espátulaplástica, vassoura, rodo, broxa, metro, balde de plástico, recipiente (tipo caixa) de plástico oumetal e misturador mecânico (por exemplo, furadeira com haste misturadora de tintaacoplada). É necessário o treinamento e qualificação das pessoas e equipes de operáriosresponsáveis pela mão de obra, bem como a padronização dos procedimentos de execução einspeção do sistema de revestimento. O segredo da qualidade no revestimento cerâmico de fachada está em umconjunto de fatores que envolvem a correta especificação de todos os componentes dosistema, base adequadamente executada, bom projeto de assentamento, mão de obraqualificada, supervisão técnica permanente durante a execução e atendimento às normastécnicas referentes a todas as etapas do processo.3.3 MANUTENÇÃO A manutenção tem por objetivo preservar ou recuperar as condições adequadas daedificação, para o uso e o desempenho previstos em seus projetos. Fazem parte damanutenção as inspeções, as ações preventivas, a conservação e a reabilitação. A prática tem mostrado que os custos para reparar danos são muito maiores doque os custos com medidas preventivas. Por isso, deve-se prever um plano de manutençãoconsistente, que defina a periodicidade das vistorias e as intervenções preventivas, comolimpeza, desobstrução de drenos, revisão do rejuntamento, etc. Este plano deve levar emconta, também, o envelhecimento natural dos materiais, os padrões de manutenção exigidos, aescala de prioridades e a disponibilidade financeira. As vistorias visuais podem ser intercaladas com as vistorias instrumentadas, ouseja, aquelas em que se realizam alguns ensaios para aferição do estado dos materiais ou daestrutura. A etapa de manutenção coincide com a vida útil do revestimento. Deve-seobservar sempre o seu desgaste natural, a interferência deste no seu desempenho e avaliar aperiodicidade de intervenções para garantia da manutenção de sua qualidade.
  51. 51. 50 De acordo com as recomendações do CCB, as fachadas devem ser lavadas a cadadois anos, com hidrojateamento. No processo, não se deve usar produto químico, sobretudo oque tenha ácido, que degrada o revestimento e camadas internas. A pressão da lavadora nãopode exceder 1000 libras por polegada quadrada. Além da lavagem, deve-se aplicar biocidas, para eliminar fungos, e produtosrepelentes à água no rejuntamento.
  52. 52. 51Capítulo 4 – PRINCIPAIS PATOLOGIAS EM REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADA4.1 QUANTO À ORIGEM As patologias dos revestimentos cerâmicos de fachadas apresentam-se de diversasformas, todas elas resultando na impossibilidade de cumprimento das finalidades para as quaisforam concebidos, notadamente nos aspectos estéticos, de proteção e de isolamento. Um efeito imediato é a desvalorização do imóvel. O conhecimento da origem das patologias é importante ferramenta paradiagnosticar as causas das falhas destes revestimentos. Conforme dados do CCB, cerca de 75% dos problemas ocorrem por desrespeitoou desconhecimento das normas técnicas. A tabela a seguir exemplifica a necessidade de utilização de projetos paradiminuição de patologias, apesar de abranger de forma global todos os setores da execução deuma obra. TABELA 4.1 Origens de problemas patológicos ORIGENS DAS PATOLOGIAS ÍNDICE PERCENTUALProjetos 60%Construção 26,4%Equipamentos 2,1%Outros 11,5%Fonte: ABRANTES, 1995.4.1.1 Congênitas São aquelas originárias da fase de projeto, em função da não observância dasnormas técnicas, ou de erros e omissões dos profissionais, que resultam em falhas no
  53. 53. 52detalhamento e concepção inadequada dos revestimentos. Causam em torno de 40% dasavarias registradas em edificações. Quando o projetista deixa de observar requisitos básicos relativos aofuncionamento e qualidade global da obra, interações entre as partes da construção e deconstrutibilidade, é freqüente o aparecimento das patologias congênitas.4.1.2 Construtivas Sua origem está relacionada à fase de execução da obra, resultante do emprego demão de obra despreparada, produtos não certificados e ausência de metodologia paraassentamento das peças, o que, segundo pesquisas mundiais, são responsáveis por 25% dasanomalias em edificações. O treinamento das equipes de mão de obra, a padronização de procedimentos e averificação de conformidade podem minimizar as patologias.4.1.3 Adquiridas Ocorrem durante a vida útil dos revestimentos, sendo resultado da exposição aomeio em que se inserem, podendo ser naturais, decorrentes de agressividade do meio, oudecorrentes da ação humana, em função de manutenção inadequada ou realização deinterferência incorreta nos revestimentos, danificando as camadas e desencadeando umprocesso patológico. Como exemplo, citamos a maresia, em regiões marítimas e os ataquesquímicos em regiões industriais.
  54. 54. 534.1.4 Acidentais São caracterizadas pela ocorrência de algum fenômeno atípico, resultado de umasolicitação incomum, como a ação da chuva com ventos de intensidade anormal, recalquesestruturais e incêndios, dentre outros. Sua ação provoca esforços de natureza imprevisível, especialmente na camada debase e sobre os rejuntes. Podem também atingir as placas cerâmicas, provocandomovimentações que irão desencadear processos patológicos em cadeia.4.2 TIPOS DE PATOLOGIAS4.2.1 Destacamentos ou descolamentos Os destacamentos são caracterizados pela perda de aderência das placas cerâmicasdo substrato, ou da argamassa colante, quando as tensões surgidas no revestimento cerâmicoultrapassam a capacidade de aderência das ligações entre a placa cerâmica e argamassacolante e/ou emboço. Devido à probabilidade de acidentes envolvendo os usuários e os custos para seureparo, esta patologia é considerada a mais séria. As situações mais comuns de descolamento costumam ocorrer por volta de cincoanos após a conclusão da obra. A ocorrência cíclica das solicitações, somadas às perdasnaturais de aderência dos materiais de fixação, em situações de subdimensionamento dosistema, caracterizam as falhas que costumam resultar em problemas de quedas, explicaMedeiros . O primeiro sinal desta patologia é a ocorrência de um som cavo (oco) nas placascerâmicas (quando percutidas), ou ainda nas áreas em que se observa o estufamento dacamada de acabamento (placas cerâmicas e rejuntes), seguido do destacamento destas áreas,que pode ser imediato ou não. Segundo Bauer (1997), os descolamentos podem apresentar
  55. 55. 54extensão variável, sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: porempolamento, em placas, ou com pulverulência. Geralmente estas patologias ocorrem nos primeiros e últimos andares do edifício,devido ao maior nível de tensões observados nestes locais. As causas destes problemas são: • Instabilidade do suporte, devido a acomodação do edifício como um todo; • Deformação lenta (fluência) da estrutura de concreto armado; • Oxidação da armadura de pilares e vigas; • Excessiva dilatação higroscópica do revestimento cerâmico; • Variações higrotérmicas e de temperatura; • Características pouco resilientes dos rejuntes; • Ausência de detalhes construtivos (contravergas, juntas de dessolidarização,movimentação, assentamento e estrutural); • Utilização da argamassa colante com um tempo em aberto vencido; ou mauespalhamento da argamassa colante; ou ainda, ausência de dupla colagem, no caso de peçascom superfície maior que 400 cm2; • Assentamento sobre superfície contaminada; • Especificação incorreta de revestimento cerâmico, especialmente no que serefere a: configuração do tardoz (que pode apresentar superfície lisa, sem reentrâncias ougarras); EPU maior do que 0,6 mm/m; absorção de água superior a 6%; • Imperícia ou negligência da mão-de-obra na execução e/ou controle dos serviços(assentadores, mestres e engenheiros). Segundo Bauer (1997), o fenômeno da dilatação higroscópica é provocado pelaadsorção de água, na forma líquida ou de vapor que, ao contrário da simples absorção de águaretida apenas nos poros do material, provoca modificações na sua própria estrutura, comaumento de volume. Segundo o Comitê de Estudos de EPU do CCB, choques térmicos na fachadapossuem a mesma ordem de grandeza da EPU teórica e ocorrem, rapidamente, dezenas devezes em apenas um mês, contribuindo sensivelmente para a fadiga do conjunto. Embora não haja dados concretos e estudos científicos, nos últimos anosverificaram-se fortes indícios que mostram que a execução de estruturas mais esbeltas edeformáveis, de um modo geral, tem influenciado no aumento das solicitações impostas aosrevestimentos aderidos.

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