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No início, a ideia não pareceu má. O “plano A”     bro de 2008, a Agência Internacional de Energia      fenómeno de retroa...
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  1. 1. ediÇÃO especial PORTUGALEnergIA O granDE dilema dO nOSSo futuro A horaDESAFIOS E soluÇÕEs de mudar
  2. 2. ILUMINAr O CAMINHOD a minha infância no estado do oregon (EUA), conservo vivas duas Eis o futuro da luz. Alimentada apenas por imagens: as montanhas cobertas de neve já com o Verão bem avançado e oito watts de electricida- a quinta da minha família em Portland, dividida em duas por uma estrada de, a lâmpada GeoBulb de C. Crane utiliza díodos asfaltada. As duas imagens traduzem o preço cada vez mais elevado que emissores de luz (LED, da temos de pagar por termos desfrutado, durante décadas, de energia barata. sigla em inglês) e “dedos” de malha de arame que O degelo dessas montanhas próximas, que enchia os rios e as barragens dissipam o calor para hidroeléctricas da região, trazia energia eléctrica até minha casa: energia emitir mais luz e menos calor do que uma lâmpada renovável, muito antes de esse se ter tornado um objectivo prioritário. No incandescente de 60 entanto, os verdadeiros reis eram os automóveis. Uma estrada dividiu em watts. Actualmente, estas lâmpadas são muito mais duas a nossa quinta de criação de ovelhas e a gasolina barata acabou por caras do que as converter o campo num bairro residencial de pequenas moradias. incandescentes e a sua fiabilidade ainda está em Hoje, as neves estão a recuar porque o Inverno é cada vez mais curto teste, mas pode suceder devido ao aumento da temperatura. As reservas de petróleo que fizeram que um dia ocupem um lugar de destaque entre os crescer os subúrbios já não são tão seguras nem tão baratas. Presos na descendentes dos frágeis armadilha, precisamos de novas ideias e de novas tecnologias. filamentos criados por Thomas Edison. Esta edição especial da National Geographic explora esse desafio. Ao longo de 124 anos, a revista descreveu com rigor o ambiente em que vivemos. Actualmente, o nosso planeta está ameaçado pela dependência dos combustíveis fósseis. O que podemos conseguir, e com que rapidez, aplicando determinadas medidas de conservação? Podemos continuar a queimar carvão para produzir energia sem que a emissão dos gases de efeito de estufa dispare? O que faria falta para explorar a imensa fortuna energética que se derrama, todos os dias, sobre a face da Terra sob a forma de luz solar e vento? O preço do petróleo flutuou muito devido às recentes turbulências eco- nómicas e políticas, mas continuará a aumentar no futuro. A menos que aprendamos a alimentar o nosso planeta com outras formas de energia, talvez os nossos netos não saibam o que é viver em abundância energética, nem conheçam as neves generosas que iluminaram a minha infância. A energia para manter acesa uma lâmpada incan- Perito da National Geographic descente de 60 watts durante um ano custa cerca em temas de ciência e ambiente de cinco euros. Para uma lâmpada de tecnologia LED, o custo equivalente seria de 1,10 euros.2  E N E RG I A Tyrone Turner e n e r g I A  3
  3. 3. O NOSSODESAFIOENERGÉTICOO mundo começa a reconhecer a sua dependênciados combustíveis fósseis baratos e abundantes.a comodidade do fogo é também a sua maldição.Desde que os seres humanos aprenderam a dominar o calor,a luz e o poder das chamas, o seu desejo de possuir estas trêsformas de energia não parou de crescer. Um desejo incon-trolado que conduziu a excessos perigosos e que produzagora consequências sobre a Terra. O carvão, o petróleo e ogás natural cobrem cerca de 80% das necessidades de ener-gia do mundo e produzem a maioria das emissões de dió-xido de carbono (CO2) e outros gases com efeito de estufaque estão a aquecer o planeta. Segundo um relatório daAgência Internacional de Energia (AIE), a procura poderáaumentar quase 50% até ao ano 2030, com o consequenteaumento das emissões, uma tendência que, se não se alterar,poderá elevar em 6ºC a temperatura média mundial. Em muitos países em desenvolvimento, O relatório conclui que a tendência é “manifestamente centenas de milhões deinsustentável, tanto para o ambiente como do ponto de vista pessoas obtêm mais de 75% dos seus recursoseconómico e social”. Para desabituar a humanidade da sua energéticos a partir dadependência dos combustíveis fósseis será precisa nada lenha. Apesar de as partículas e as toxinas domenos do que uma “revolução energética mundial”, diz fumo poderem ser noci-Nobuo Tanaka, que foi director-executivo da AIE até vas para a saúde, a lenha é barata e renovável, e asSetembro de 2011. Isso será possível se o mundo investir suas emissões de gasesmaciçamente em energias renováveis, reduzir as emissões com efeito de estufa são baixas, ao contrário dode carbono, melhorar a eficiência e apagar umas quantas carvão, do petróleo e doluzes. Acontecerá? “Veremos”, diz ele. gás natural. PETER ESSICK e n e r g I A  5
  4. 4. 1 tonelada Quantidade de carvão necessária para fornecer energia eléctrica a um lar nos Estados Unidos durante dois meses. 264 mil milhões Número de toneladas correspondentes às reservas de carvão dos Estados Unidos. Ao ritmo de consumo actual, durariam cerca de 225 anos. 46 por cento – percenta- gem da produção mundial de antracite correspondente à China, o principal produtor. A central eléctrica Hunter, do Utah, alimenta a rede do Oeste dos Estados Unidos e está em plena expansão. Consome 14 mil toneladas de carvão por dia. Abundante e acessível, o carvão gera metade da energia eléctrica daquele país, mas também aquece o planeta. Em 2007, as centrais térmicas dos Estados Unidos libertaram para a atmosfera 2.400 milhões de toneladas de dióxido de carbono, superadas apenas pela China.6  E NLefkowitz / Corbis Lester E RG Í A directional: image credit goes here e n e r g I A  7
  5. 5. A majestosa torre Jin Mao de Xangai domina o novo distrito financeiro, onde pratica- mente todos os edifícios têm menos de 20 anos. Para fomentar a urbanização e o rápido crescimento da economia, a China quadruplicou a sua produção eléctrica entre 1990 e 2006. Provavelmente, o valor voltará a duplicar antes de 2020, à medida que as cidades continuarem a acender mais luzes.Fritz Hoffmann e n e r g I A  9
  6. 6. VOLUME DAS RESERVAS MUNDIAIS DOCUMEN-TADAS DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL LÍQUIDOS:1,2 BILIÕES DE BARRIS. TEMPO QUE O MUNDODEMOROU PARA CONSUMIR O SEU PRIMEIROBILIÃO DE BARRIS DE PETRÓLEO: 140 ANOS.TEMPO QUE DEMORARÁ PARA CONSUMIR OBILIÃO SEGUINTE: 30 ANOS. A QUANTIDADE DEGÁS NATURAL NECESSÁRIA PARA EXTRAIR UMÚNICO BARRIL DE PETRÓLEO DAS AREIAS BETU-MINOSAS CANADIANAS PODERIA AQUECER UMACASA NORTE-AMERICANA MÉDIA DURANTE QUA-TRO DIAS. ATÉ 2008, A CALIFÓRNIA CONSUMIUMAIS GASOLINA DO QUE QUALQUER OUTRO PAÍSDO MUNDO (SEM CONTAR obviamente COM OSEUA), INCLUINDO A CHINA. CERCA DE DOIS TER-ÇOS DE TODA A ENERGIA É CONSUMIDA NAS As imagens sísmicasÁREAS URBANAS, EMBORA APENAS METADE DA da Empresa Petrolífera Anadarko, do Texas,POPULAÇÃO DO MUNDO VIVA EM CIDADES. mostram uma secção transversal tridimensional da Terra a uma profundida- de de 3.000 metros, sob o leito do golfo do México, onde olhos treinados podem detectar possíveis “armadilhas”, bolsas de petróleo ou gás. Este tipo de técnicas vanguardistas é cada vez mais decisivo, à medida que as reservas diminuem.10  E N E RG I A Sarah Leen e n e r g I A  11
  7. 7. Garrafões de gasolina aguardam comprador numa rua poeirenta da cidade de Doba, próxima dos campos petrolíferos do Chade. A nascente indústria petrolífera do país, que começou a exportar crude em 2003, depositou mais de 2.200 milhões de euros nos cofres do Estado. O governo, contudo, não cumpriu a promessa de destinar 70% das receitas do petróleo à ajuda aos mais necessitados, que só recebem uma parte mínima desta enorme riqueza.12  e n e r g ía Pascal Maitre e n e r g i A  13
  8. 8. BARACK OBAMA AFIRMOU QUE GOSTARIA DE VERUM MILHÃO DE VEÍCULOS ELÉCTRICOS NASESTRADAS ANTES DE 2015. AO PREÇO ACTUAL DAELECTRICIDADE, O CUSTO DE FAZER FUNCIONARUM CARRO ELÉCTRICO NOS ESTADOS UNIDOSEQUIVALE A PAGAR O LITRO DA GASOLINA A 14CÊNTIMOS. O HAWAI, QUE DEPENDE DO PETRÓLEOESTRANGEIRO PARA COLMATAR A MAIOR PARTEDAS SUAS NECESSIDADES ENERGÉTICAS, PREVÊINSTALAR ESTAÇÕES DE SERVIÇO ELÉCTRICASPARA REDUZIR EM 70% O USO DE COMBUSTÍVEISFÓSSEIS ANTES DE 2030. AS ENERGIASRENOVÁVEIS REPRESENTAVAM 18% DO TOTAL DAPRODUÇÃO ELÉCTRICA MUNDIAL EM 2007, UMVALOR QUE PODERÁ DUPLICAR ATÉ 2030.O CARVÃO CONTINUA A DOMINAR E, DE Pronto para a produção em série, o Aptera eléctricoACORDO COM AS PREVISÕES, A SUA PRODUÇÃO converte em realidade as promessas de inovação.AUMENTARÁ ATÉ 60% NOS PRÓXIMOS 25 ANOS. Elegante e veloz, consome o equivalente a pouco mais de um litro de gasolina por 100 quilómetros em velocidade de auto-estrada. Tem uma autonomia de mais de 160 quilómetros com uma única carga e gasta cerca de um euro por dia em electricidade, uma vantagem para o bolso e para o planeta.14  E N E RG Í A I Misha Gravenor e n e r g I A  15
  9. 9. 182 .000Número de espelhosparabólicos que giramseguindo o percurso doSol na Nevada SolarOne, a central solarque a empresaespanhola Accionaconstruiu no Nevada,EUA (à direita).73 ,Por cento — percenta-gem de crescimentoanual da capacidadeinstalada das energiasrenováveis, a fonte deenergia que crescemais rapidamente.Para captar o sol emgrande escala, a centralsolar Nevada Solar One“semeou” mais de cemhectares de desertocom espelhos parabóli-cos. Concentram assimo calor do sol paragerar vapor que, porsua vez, accionaráturbinas para produzirenergia. Com umaprodução capaz deabastecer 14 mil lares,é uma das maiorescentrais termoeléctri-cas do mundo.16  E N E RGi A Michael Melford e n e r g i A  17
  10. 10. No deserto do Saara,um painel solar forneceenergia a uma casatradicional argelina.Apesar de ser ocontinente com maiorpotencial fotovoltaicoe solar térmico, 70%da população emÁfrica não tem acessoà rede eléctrica.Várias empresasinternacionais planeiaminstalar enormescentrais de energiasolar na áreasubsariana, com oobjectivo de satisfazeras necessidadesenergéticas dos paísesindustrializados.18  E N E RG I A Michael Runkel / Getty Images e n e r g I A  19
  11. 11. Raios laser fazemexplodir uma esferadiminuta de isótoposcongelados dehidrogénio, numaexperiência de fusãorealizada no Laboratóriode Energia Laser daUniversidade deRochester. Com picosde geração de 30terawatts (cerca de 30vezes mais do que ototal da capacidadeeléctrica dos EstadosUnidos) durante um milmilionésimo desegundo, os 60 raiosconvergentes podemaquecer um alvo a maisde vinte milhões degraus e comprimi-locom a força de milharesde milhões de atmos-feras. Os investigadoresesperam demonstrarque a implosãoresultante pode produzirum ganho líquido deenergia de fusão, o querepresentaria uma fonteinesgotável de energia.20  E N E RG I A Eugene Kowaluk / Cortesia do Laboratório n e r g I A  21 e de Energia Laser da Universidade de Rochester
  12. 12. O nosso desafio energético Por Bill McKibben Estamos presos entre um subsolo esgotado e uma atmosfera sobreaquecida. Teremos de demonstrar perícia se quisermos sair daqui. O desfecho do dilema decidirá se este sécu- lo passará à história como uma época de progresso continuado ou como o início de uma longa e inexorável decadência. No fundo, vamos saber se poderemos salvar este lar que é o nosso planeta. A energia não é apenas mais um elemento da nossa economia. Para todos os efeitos, ela é a economia. O economista John May- nard Keynes disse certa vez que o nível de vida da maioria da humanidade tinha, na melhor das hipóteses, duplicado no tempo decorrido desde os primórdios da espécie até ao início do século XVIII, quando aprendemos a usar carvão para operar as máquinas. A partir daí, foi como se tivéssemos esfregado uma lâmpada da qual saiu um génio disposto a trabalhar para nós a um preço razoá- vel. Subitamente, no Ocidente consumidor de energia, o nível de vida começou a duplicar com intervalos de algumas décadas. Deixámos de depender exclusivamente da energia que podíamos captar para alimentar os nossos músculos e os dos nossos animais de carga, bem como do vento que soprava as velas dos nossos barcos quando o Sol aquecia algum ponto do planeta e criava uma diferença de pressão. De repente, tínhamos à nossa disposição um capital enorme: os depósitos de fetos, plâncton e dinossauros acumulados durante milhões de anos, que o tempo havia compri- mido até convertê-los em carvão, gás e petróleo. Éramos, quase literalmente, os felizes herdeiros de um antepassado muito rico que morreu há muito tempo e cujo testamento acabava de ser revelado. E começámos a gastar sem pensar duas vezes. Esse esban-Na cidade alemã de jamento converteu-nos no que somos. Cada uma das nossas revo-Bergheim, as torres de luções (a industrial, a química, a electrónica e até a da informação)refrigeração da central é tributária desse novo sangue que corre agora nas veias da nossatérmica de Niederaus- economia. A revolução do consumo é porventura a que mais lhesem dominam a paisa- deve. A nossa expansão urbanística descontrolada revelou-se agem. Este gigante forne-ce electricidade a mais maneira definitiva de multiplicar o consumo de combustível. Asde vinte milhões de casas cada vez maiores, com mais electrodomésticos e ligadas entrepessoas. O carvão si por carros cada vez maiores e mais vazios fizeram que os con-proporciona 41% da tadores da electricidade e das bombas de gasolina girassem maisenergia eléctrica, mas rápido do que nunca. E qual foi a imagem que o nosso Ocidenteproduz emissões demercúrio, dióxido de desenvolvido enviou para o resto do mundo através do cinema eenxofre e outras da televisão? Precisamente a do conforto. Não é de estranhar quesubstâncias tóxicas. todos quisessem juntar-se à festa. 22  e n e rg Ia Ralph Orlowski / Getty Images
  13. 13. No início, a ideia não pareceu má. O “plano A” bro de 2008, a Agência Internacional de Energia fenómeno de retroalimentação. A fusão do solo anteriormente tínhamos considerado ou porven-para a espécie humana era que todos seríamos calculou que a produção dos jazigos de petróleo permanentemente gelado (permafrost) na tundra tura tínhamos equacionado apenas uma vez: nosricos mais tarde ou mais cedo, passando por essa maduros do mundo estava a sofrer uma diminui- setentrional, por exemplo, liberta para a atmos- piores momentos do terror nuclear.etapa de escravidão energética que havia funcio- ção anual de 6,7%, um ritmo que provavelmente fera mais dióxido de carbono e metano, outro O prestigiado climatólogo James Hansen, danado tão bem para os países industrializados. piorará com o tempo. Para compensar esse declí- gás de efeito de estufa. As estações mais quentes NASA, forneceu-nos um número para definir aClaro que surgiriam problemas pelo caminho. As nio seria preciso encontrar todos os anos a pro- resultantes favorecem a difusão de pragas que nova condição crítica da vida tal como a conhe-primeiras gerações de centrais térmicas de carvão dução de um novo Koweit ou explorar a fundo os acabam com milhões de hectares de árvores, e os cemos. James e os seus colaboradores estudaramproduziriam grandes nuvens de contaminação jazigos conhecidos. Muitos observadores pensam incêndios alimentados pela madeira morta acres- a relação histórica entre o carbono atmosféricoem Pequim, tal como tinha sucedido no passado que já deixámos para trás o auge da produção centam mais nuvens de carbono à atmosfera. e fenómenos como o aumento do nível do marna Grã-Bretanha, e as vastas frotas de veículos petrolífera; os mais optimistas crêem que é uma Não os produzimos directamente, mas na origem (durante toda a história humana até ao início dapoluiriam o céu da China, como havia aconteci- questão de anos. Mas o futuro não oferece muitas estamos nós novamente. É evidente que os nos- revolução industrial, o ar não conteve mais de 275do na Califórnia. Mas com alguma rapidez, à dúvidas. O preço do barril de crude já flutuou em sos carros e fábricas iniciaram uma reacção emmedida que o aumento da energia produzisse função de crises e entusiasmos no mercado, mas cadeia à escala mundial, o que, em retrospectiva, não deveria surpreender-nos. No fim de contas,mais riqueza, também nesses lugares haveria manter-se-á alto. E o preço da gasolina terá de pegámos em todo aquele carbono acumulado ao O carvão é o mais sujodinheiro para instalar filtros nas chaminés e cata- acompanhar essa evolução.lisadores nos tubos de escape e em pouco tempo Quais são as opções? Há os outros combustí- longo de milhões de anos (o plâncton e os antigos dos combustíveis: quandoo ar voltaria a estar limpo. veis fósseis. Mas o gás natural não durará muito fetos armazenados) e libertámo-lo na atmosfera arde, liberta para a atmosfera Tudo parecia estar a funcionar de acordo com mais. O substituto mais óbvio é o carvão, do qual no espaço de algumas gerações. Como pudemos grandes quantidades de CO2.o planeado. Durante a década de 1990, a nossa ainda restam reservas, mas a sua utilização con- esperar que os problemas não emergissem?prosperidade e o nosso modelo de uso maciço de duz-nos directamente à outra face do problema. Inclusivamente agora, somente duas décadasenergia começaram a estender-se para a Ásia. Mas Este é o mais sujo dos combustíveis; quando arde, depois de os meios de comunicação terem come- partes por milhão de CO2) e depois analisaram oshavia dois pequenos problemas – pormenores que liberta para a atmosfera quantidades muito gran- çado a falar do aquecimento global, estamos cla- dados mais recentes do planeta. A sua conclusão:anteriormente não tínhamos considerado e que, des de dióxido de carbono, o principal culpado ramente à beira de uma série de pontos de infle- “Se a humanidade deseja conservar o planeta emna realidade, não queríamos ter em conta, apesar do aquecimento global que, tal como o pico do xão. Os dados prevêem um aumento rápido dos que a civilização se desenvolveu e ao qual a vidade serem cada vez mais evidentes. Há vinte anos, petróleo, está a chegar muito mais rapidamente períodos secos (porque o ar quente retém mais na Terra está adaptada […], será preciso reduziros poucos que pensavam no aquecimento global do que gostaríamos. vapor de água do que o ar frio) e o consequente o CO2 dos seus actuais 385 ppm para um máxi-viam-no como uma ameaça improvável e longín- No Verão de 2007, por exemplo, o Árctico aumento de chuvas torrenciais e inundações (o mo de 350 ppm.” O número actual é demasiadoqua. No início do novo século, a maioria das pes- derreteu. No final do Verão, havia cerca de 22% que sobe tem de descer), assim como uma ex- elevado e é por isso que o Árctico está a fundir.soas não tinha ouvido falar do pico do petróleo. menos de gelo marinho do que em toda a histó- pansão chocante dos mosquitos transmissores O aquecimento do planeta não é um problemaAgora os dois conceitos são as duas faces de uma ria desde que existem registos. Um degelo seme- de doenças e uma redução drástica dos glaciares para o futuro, mas sim uma crise do presente.ameaça cada vez mais premente, que limita as alter- lhante, no Verão seguinte, abriu brevemente e de que dão de beber às cidades andinas ou ao sub- Instantaneamente, 350 converteu-se no nú-nativas num momento em que precisamos deses- forma simultânea as passagens do Noroeste e do continente da Índia. Talvez mais ominosos ainda mero mais importante do globo, o limiar da ân-peradamente delas. Se os analisarmos com Nordeste, o que deu pela primeira vez ao ser hu- são os dados sobre os grandes campos de gelo sia de todo um planeta. Voltar pouco a poucocuidado, talvez nos mostrem a cara com que o mano a oportunidade de circum-navegar todo o da Gronelândia e do Oeste da Antárctida, que a esse nível exigirá adoptar alterações de umafuturo se nos apresenta: parte da energia que neces- Árctico em águas abertas. Este degelo antecipou-- nos estão a obrigar a redefinir a expressão “ve- magnitude difícil de imaginar. Segundo Jamessitamos esgotar-se-á e não poderemos usar o res- -se trinta anos às previsões efectuadas pelos mo- locidade glaciar”. Escavadas inferiormente por Hansen, em 2030 não se deveria queimar car-to sob risco de destruirmos a atmosfera. Será um delos informáticos do aquecimento global e foi mares cada vez mais quentes, as camadas geladas vão em nenhuma parte do planeta e, no mundofuturo muito diferente do que tínhamos pensado. uma confirmação de que estamos efectivamente estão a deslizar até ao oceano. Segundo estudos desenvolvido, a meta deveria ser atingida antes Um pouco de matemática mostrar-nos-á a a aquecer o planeta. Não há outra explicação. Pior recentes, um aumento de dois metros do nível dessa data. O abandono da economia dos com-causa. Alguns peritos prevêem que o consumo ainda: o degelo faz parte de uma cadeia de fenó- do mar está dentro da esfera de possibilidades no bustíveis fósseis implicará a perda de enormesmundial de energia aumentará 50% até 2030. menos retroalimentados que amplificam o aque- decurso deste século. Seria um duro teste para a investimentos em tecnologia antiga à qual aindaÉ um bom número redondo para resumir o dese- cimento: em vez do bonito manto de gelo que civilização porque converteria a maioria das ci- restam várias décadas de vida útil. Teremos dejo de frigoríficos, televisores, cubos de gelo, ham- cobria o Árctico, um espelho que reflectia 80% da dades costeiras do mundo num equivalente de deixar de resgatar instituições financeiras parabúrgueres e motocicletas das pessoas de todo o radiação solar incidente e a devolvia ao espaço, Nova Orleães após o furacão Katrina, e grande começar a resgatar centrais térmicas de carvão.planeta e talvez também de um pequeno aparelho de repente temos grandes extensões azuis de água parte das terras mais férteis em algo semelhan- E a menos que alguém tenha um plano parade ar condicionado nos trópicos. que absorvem 80% dos raios do sol. te ao delta do Ayerawaddy, em Myanmar, onde convencer o mundo de que na realidade não ne- O que não está claro é de onde sairá toda essa Nós pusemos o aquecimento em marcha, mas em 2008 o tufão Nargis inundou os arrozais com cessita de frigoríficos, também teremos de en-energia, uma vez que vivemos na época em que o agora a natureza encarregou-se do assunto e está água do mar. Esta perspectiva coloca em dúvida contrar outras fontes que nos ofereçam toda essapetróleo está a começar a esgotar-se. Em Novem- a trabalhar por sua conta. E este não é o único a actividade humana de uma maneira que nunca energia. Essa é a tarefa da nossa geração.24  E N E RG I A e n e r g I A  25
  14. 14. SoluçõesPODEMOS EUROPA ARMÉNIA 70 ISLÂNDIA 153 Consumo de carvão 1.172.462 LETÓNIA MOLDÁVIA ALBÂNIA 168LIMPAR 110 117 LUXEMBURGO 153 SUÍÇA 171 BIELORRÚSSIA 230 LITUÂNIA 408 De 1980 a 2006, o consumo de CROÁCIA 915 NORUEGA 1.012 carvão aumentou dois terços,O CARVÃO? IRLANDA 2.908 SUÉCIA 3.484 PORTUGAL 5.476 igualando o ritmo do consumo total de energia. Na China, o uso de carvão triplicou. ESLOVÉNIA 5.230 MACEDÓNIA ARÁBIA 6.091Como parte do plano para fomentar a independência energética e ÁSIA SINGAPURA SAUDITA ÁUSTRIA 3.488.879 7 21 GEÓRGIA 5.936 CONSUMO TOTAL DE CARVÃO 23 FINLÂNDIA SÍRIA MILHÕES DE TONELADAS, 2006combater as alterações climáticas, Barack Obama prometeu 9 AFEGANISTÃO 33 BÉLGICA 8.192 EUROPA BUTÃO 65 7.416 TAJIQUISTÃO 95 ÁSIA“desenvolver e aplicar tecnologia limpa para o uso do carvão”. No SRI LANKA 101 DINAMARCA 8.481 AMÉRICA DO NORTE ESLOVÁQUIA LAOS 120 8.390 ÁFRICAentanto, o prémio Nobel Al Gore e outros peritos argumentam que LÍBANO 200 AMÉRICA DO SUL HUNGRIA MYANMAR 239 BÓSNIA - 11.825 OCEÂNIAo conceito de “carvão limpo” é em si mesmo contraditório. Quem NEPAL 302 -HERZEGOVINA 9.124 HOLANDA AMÉRICA PANAMÁ EL BANGLADESH 700 12.338tem razão? Tudo depende da definição de “limpo”. Essa fonte de DO NORTE 2 SALVADOR 2 QUIRGUÍZIA 907 1.090.368 COSTA IRÃO 1.930 RICA CUBA ESTÓNIAenergia contém uma grande quantidade de contaminantes, em 2 30 JAMAICA 32 USBEQUISTÃO 3.050 14.454 NICARÁGUA 115 FRANÇA MONGÓLIA 5.693 ILHAS VIRGENS 22.827especial dióxido de enxofre, azoto e vestígios de mercúrio. Há EUA 290 HONDURAS 130 PAQUISTÃO 7.539 ITÁLIA GUATEMALA 396 25.204muito tempo que o enxofre é eliminado através da trituração e REPÚBLICA FILIPINAS 10.146 DOMINICANA 398 MÉXICO 19.105 BULGÁRIA MALÁSIA 11.923 27.901lavagem do carvão antes da sua queima e do uso de filtros nas MALAWI NIGÉRIA ÁFRICA 2 CANADÁ ISRAEL 188.536 8 MOÇAMBIQUE 59.312 ROMÉNIAchaminés para captar os resíduos. Mediante os sistemas modernos NAMÍBIA MADAGÁSCAR 23 12.175 38.066 4 VIETNAME 10 18.705 ESPANHAde leito fluidizado, que queimam o carvão a temperaturas TANZÂNIA 68 INDONÉSIA 38.659 SENEGAL 160 21.837 SÉRVIA E QUÉNIA 140 MONTENEGROrelativamente baixas, reduzindo assim a formação de óxido de NÍGER 178 ESTADOS TAILÂNDIA 39.750 ZÂMBIA 171 28.641 REP. DEM. DO CONGO 306 UNIDOS REP. CHECA 1.010.554azoto (smog), as centrais que usam este combustível eliminam SUAZILÂNDIA 220 COREIA DO NORTE 58.525 MAURÍCIA 330 ARGÉLIA 409 33.437 UCRÂNIA95% ou mais dos contaminantes que causam chuva ácida. Talvez AMÉRICA URUGUAI ARGENTINA TAIWAN 66.095 DO SUL 3 822 BOTSWANA 938 63.539 EGIPTO 32.239 1.130 VENEZUELAisso seja “limpo” em comparação com os dados do passado, mas 70 CAZAQUISTÃO GRÉCIA PERU 66.799 1.140 COLÔMBIA ZIMBABWE 69.082serve de pouco para neutralizar outra ameaça: o CO2, o elemento 4.011 3.266 REINO TURQUIA UNIDOque mais aquece o planeta. Os partidários do uso do carvão CHILE MARROCOS 78.299 67.320 4.732 4.625apregoam agora o conceito de “captura e armazenamento do BRASIL 21.461 COREIA 85.378 POLÓNIA NOVA 140.434 OCEÂNIA FIJI 12 ZELÂNDA ÁFRICA SULcarbono”, que consiste em extrair o CO2, enviá-lo através de 145.325 3.135 176.548 JAPÃO NOVA 179.299tubagens para uma área de acumulação e injectá-lo no subsolo, CALEDÓNIA 300 RÚSSIA ÍNDIA 223.571 499.601um processo que poderia reduzir 90% das emissões de CO2. ALEMANHAOs críticos assinalam que a captura de carbono também reduz a 244.459eficiência das centrais, o que aumenta a procura de combustível AUSTRÁLIA 141.878em 50%. Obama disse que ainda não dispomos da tecnologia CHINA 2.355.783necessária para limpar o carvão de maneira eficiente, mas oinvestimento de 150 mil milhões de dólares em tecnologias limpasprevisto pelo seu governo poderia mudar as coisas.26  E N E RG Í A Fonte do GRÁFICO: agência de informação de energia
  15. 15. SOLUÇÕESO QUE É UMAREDE INTELIGENTE?O que aconteceria se todo o sangue do nosso corpo circulasse numa única direcção? Foi mais ou menosisso que sucedeu no “organismo eléctrico” dos países industrializados desde que se criou, há mais de umséculo, a rede eléctrica: um gigantesco sistema unidireccional de centrais que alimentam subestações, apartir das quais esse sangue vital é canalizado através de linhas de alta tensão (à direita) até à economia,mas com escassa capacidade de reabastecer ou de conhecer as suas pulsações durante o trajecto.Contudo, tudo isso está a mudar, porque a procura de eficiência energética empurra as companhias paraa construção de uma rede “inteligente”. Em vez do sistema antiquado que simplesmente distribui energiaaos utilizadores, uma rede inteligente permite que estes produzam parte da sua electricidade (e inclusiva-mente devolvam a restante ao sistema, para que outros a usem) mediante instalações domésticas deenergia eólica e solar, bem como outros microgeradores. Uma rede inteligente caracteriza-se, além disso,pela capacidade de calcular a “distribuição”, como acontece com a Internet, que se ajusta em função dasnecessidades do momento. Por exemplo, poderia programar-se uma máquina de lavar para se ligarquando a rede indicasse que está num momento de baixa procura, quando o preço do consumo é menor.Se uma central sofresse uma avaria, pequenas “ilhas” de distribuição da potência (desde painéis fotovol-taicos nos telhados das casas até células de armazenamento de energia) poderiam ocupar o seu lugar,pelo menos para manter os serviços mínimos como os semáforos nas ruas e os quartéis de bombeiros.O resultado final seria uma rede que faria coincidir o fornecimento com a procura, o que aumentariaa eficiência e reduziria a necessidade de construir mais centrais eléctricas.28  E N E RGi A sam robinson / getty images e n e r g i A  29
  16. 16. A ENERGIA NAS NOSSAS VIDAS um gesto simples: carregamos num botão ou num inter- ruptor e acende-se a lâmpada, o televisor, o termóstato ou o carro. Acções simples ao alcance da mão, multiplicadas por milhões de mãos, que bebem de longínquas fontes de ener- gia como centrais eléctricas de carvão, refinarias de petróleo, centrais nucleares ou turbinas hidroeléctricas. Para o bem ou para o mal, essas fontes fazem funcionar grande parte do nosso mundo. Custos ambientais à parte, o preço económi- co de carregar no interruptor varia segundo as oscilações do preço das matérias-primas, os problemas de transporte ou de transmissão e outras questões políticas que escapam ao nosso controlo. As instalações da BASF No entanto, quase tudo o que requer energia (as casas, os em Ludwigshafen escritórios, as fábricas, os tractores e os automóveis) poderia (Alemanha) empregam 33 mil trabalhadores e funcionar de maneira mais económica e eficiente, aplicando consomem um volume de um pouco de senso comum. Isolar melhor as casas, ajustar energia que poderia iluminar dois milhões os termóstatos, levantar o pé do acelerador. Sem esquecer as de habitações e aquecer técnicas inovadoras e os esboços avançados que estão a sur- outro meio milhão. A BASF actua em todo o sector gir no vasto horizonte da energia, desde a sua oferta e pro- energético: perfura em cura até à sua conservação. busca de petróleo, produz polímeros plásticos e uma Sucede com a energia o mesmo que com as calorias. miríade de outros produtos É necessário consumi-la, mas com prudência. Consumamos e desenvolve projectos verdes que favorecem o apenas o necessário, tomemos decisões saudáveis, reduzamos desenvolvimento ao mínimo o desperdício. Vivamos bem. sustentável.30  E N E RG I A RGi BASF e n e r g I A  31 i

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