Sepé Tiaraju

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Sepé Tiaraju

  1. 1. Sepé Tiarajuo índio, o homem, o herói. 2010
  2. 2. Câmara dosDeputados
  3. 3. Mesa da Câmara dos Deputados CÂMARA DOS DEPUTADOS53ª Legislatura – 4ª Sessão Legislativa 2010 DIRETORIA LEGISLATIVA Diretor: Afrísio Vieira Lima Filho Presidente Michel Temer CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO Diretor: Adolfo C. A. R. Furtado 1o Vice-Presidente COORDENAÇÃO EDIÇÕES CÂMARA Marco Maia Diretora: Maria Clara Bicudo Cesar 2o Vice-Presidente SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Antonio Carlos Magalhães Neto Diretor: Sergio Chacon 1 Secretário o COORDENAÇÃO DE DIVULGAÇÃO Rafael Guerra Diretor: William França 2o Secretário SECRETARIA DE PROJETOS ESPECIAIS Inocêncio Oliveira Diretora: Andréa Costa Marques Enredo e roteiro Luiz Gatto 3o Secretário Direção de arte e desenhos Plínio Quartim Odair Cunha Cores Mateus Zanon Arte final Bruno Primo, Mateus Zanon, Plínio Quartim e Pedro Ernesto 4o Secretário Letras Pedro Ernesto Nelson Marquezelli Capa Plínio Quartim Consultoria histórica Roberto H. F. Fonseca Coordenação do projeto Luiz Gatto e Nazur Garcia Suplentes de Secretário Câmara dos Deputados 1o Suplente Centro de Documentação e Informação – Cedi Marcelo Ortiz Coordenação Edições Câmara – Coedi Anexo II – Praça dos Três Poderes 2o Suplente Brasília (DF) – CEP 70160-900 Giovanni Queiroz Telefone: (61) 3216-5809; fax: (61) 3216-5810 edicoes.cedi@camara.gov.br 3o Suplente Leandro Sampaio SÉRIE 4o Suplente Obras comemorativas. Personalidades Manoel Junior n. 2 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) Diretor-Geral Coordenação de Biblioteca. Seção de Catalogação. Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida Sepé Tiaraju : o índio, o homem, o herói. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010. Secretário-Geral da Mesa 60 p. – (Série obras comemorativas. Personalidades ; n. 2) Mozart Vianna de Paiva ISBN 978-85-736-5739-5 1. Sepé Tiaraju, m. 1756, biografia. 2. Herói, história em quadrinhos, Rio Grande do Sul. 3. Indio guarani, Rio Grande do Sul. 4. Reduções jesuíticas (1754-1756). 5. Jesuítas, missões, história, América do Sul. I. Série. CDU 929(81) ISBN 978-85-736-5738-8 (brochura) ISBN 978-85-736-5739-5 (e-book)
  4. 4. brique da redenção* – porto alegre – rs – século xxi * expressões com asterisco – ver glossário puxa, nem vamos, pai. essa no meu aniversário gente não está nem aí para vendemos nada. a arte do nosso povo. nem sempre mas é apenas foi assim, cauê. um colar... não é um colar essa gente é o nosso pega isto. qualquer. foi de um grande povo agora, meu filho. somos não achaste que herói, índio como nós. todos brasileiros. esqueci, né? feliz aniversário. nos tempos dele, a vida dos guaranisentão por que eles era bem diferente...têm tudo e a gente não tem nada?
  5. 5. P o r cerca de 150 anos, os guaranis foram o povo de mais rico de todo o sul da les homens A sabed oria daque e Deus, do por volta de to, falando dAmérica. Isso começou u dos jesuítas. vestido pre e da justiça encanto1600, com a chegada amor, do bem a que estes basta de tal formPara se ter uma ideia, os guaranis e suas crenças em s Guaranislembrar que as Missõe d abdicaram a nova fé. Foi uma nho depossuíam o maior reba um te, milhões e nome de história da gado do continen a única na hum outro experiênci . Em nen de uma milhões de cabeças, além Mas de humanida nativos se cur varam imensa produção ag rícola. s idade lugar tanto à cruz cristã. Dessa falar apenas da prosper camente ural material não explica a magia do pacifi tesouro cult arani com união, surgiu um ibilidade de encontro da cultura gu a a el e a poss de tod imensuráv vilização, da socieda a cristã. Enquanto em a ci uma nov mesmo uma história América o novo e o velho mundo ó pampas eles per feita. S eria gerar um herói se digladiavam, nestes d tão bela po Tiaraju. o. entraram em comunhã como ele: S epé vamos, no caminho pra casa te conto. aconteceu há quase 300 anos... que história é essa? “A experiência cristã das Missões Guaranis representa um verdadeiro triunfo da humanidade.” voltaire
  6. 6. missão jesuítica de são miguel arcanjo - província de são pedro do rio grande do sul - século xviii a ferida és um bravo, josé tiaraju. ainda dói? nosso povo deve ser mesmo abençoado da maldita febre escarlatina, por deus. a vida aqui é tão boa que só te restou essa marca parece a terra sem males*! da lua crescente. é um sinal de deus. é por isso que te chamam de sepé. só um sepé significa “facho de luz”. diz-se pouco. que, nos momentos de emoção, a cicatriz mal curada chegava a brilhar. isso nem sempre foi assim, meu filho. há menos de 200 anos vamos, no caminho nosso povo ainda era para o torneio te conto. perseguido e escravizado. que história é essa, pai?
  7. 7. Brasil – Século XVS ob proteção da Igreja, as Missões foram um refúgio contra os escravagistas, mas logo osbandeirantes perceberam que era maisvantajoso capturar índios cristãos. Eles A cobiça era tanta que nem oeram instruídos e pacíficos. Assim, por decreto do Papa, excomungando quemmuitos anos, as Reduções* Jesuíticas escravizasse índios cristãos, surtiu efeito.foram atacadas sem piedade. Quinze Só funcionou a autorização do Rei para mil guaranis foram, de uma única vez, que os índios usassem armas de fogo. Em levados cativos para São Paulo. Dos igualdade de condições, a bravura dos 100 mil índios das Reduções do Guairá, guaranis falou mais alto. Sob o comando ficaram apenas 12 mil. dos caciques Inácio Abiaru e Nicolau Nhenguiru, com apenas 300 mosquetes*, 4 mil guaranis massacraram os quase 7 mil homens armados de Raposo Tavares, na Batalha de M’Bororé. A vitória foi tão fragorosa que os bandeirantes jamais ousaram atacar novamente as Reduções.
  8. 8. chega de conversa. vamos isso vai te ajudar. ver tua pontaria. o torneio achaste que esqueci que já vai começar. hoje completas 150 luas? e do pai do pai dele. nosso povo já habita nossos antepassados, essas terras há mais os Tapes, chegaram pelonão acredito... é o de mil anos. norte há 6 mil anos. colar do teu pai! pensa nisso quando atirar. foi assim que ganhei meu 1º torneio. será que o sepé vai ganhar, juçara? meu coração ele já ganhou... 
  9. 9. sepé! sepé! corre, teu uma flor para pai passou mal, e parece o campeão. que tua mãe também... josé, sinto muito. ninguém deve seaproximar de teus pais. eles apresentaram sintomas de varíola.
  10. 10. mãe... em breve não pai... estaremos mais aqui sepé. não chegues perto meu filho. tu tens que ser forte agora. sê forte, sepé, nosso povo precisa de tua luz. é o destino, marcado em tua face. mas pai, não posso perder vocês. segue os conselhos dos santos padres.pobre sepé... as doenças do branco foram um inimigo ainda mais perigoso que os bandeirantes. semanticorpos, tribos inteiras foram dizimadas. uma simples gripe podia ser mortal para os índios. algumas crianças sobreviviam, mas a vida sem os pais talvez fosse um castigo pior que a morte. menos para os órfãos da missões, que eram muito bem cuidados, no cotiguaçu...
  11. 11. O va Co tig ua çu era uma casa on de circula ãos, eduçõ es não ecessário. Só os desamparados - órf Nas R ois não era n m Buenos viúvas, doentes, idosos e o, p ido e dinheir nte era vend que não podi s am s por toda adeficientes - eram cuidado e o exced ra comprar o armas e outr i o sar a tristezacomunidade. Para compen Air es pa omo ferro, os a o Rede perder os pais de sangu e, Sepé ganhou ir, c impost produz para pagar us. e soutros de coração. anização objetos panhia de Je havam, uma Os jesuítas adotaram a org om bal e à C o todos tra diárias era cristãos: comunitária dos primeiros Com seis horas ustento punham tudo em com um, conforme as a de jornad te para gara panhóntir o s is. As o havia necessidades de cada um. Nã aranis. s suficien vender aos e a casa e os gu oças propriedade privada entre e ainda s cuidavam d quanto as m não mada e n A terra comunitária era cha mulher am roupas, e ças que ainda Tupambãe (Terra de Deus) . pro duzi m as crian nha entreti scola. iam à e
  12. 12. 4 anos depois da morte dos pais de sepé... devemos escolher quem prosseguirá nos estudos para formação de lideranças. qual a vossa opinião? o ensino era obrigatório para crianças de 5 a 12 anos. Além da religião, aprendiam a ler, escrever e fazer contas. Os melhores seguiam estudando para se tornarem líderes da comunidade, aprendendo teologia, história, geografia e latim. temos alunos muito bons, mas o que mais se destaca é sepé. sepé é o melhor, mas tem a alma bravia. lembram-se do que fez àqueles índios vagos*, ladrões de cavalos? acho que eu ainda não estava nessa redução. o que houve? vamos, não podemos deixar esses ladrões carnearem* nosso gado e levarem nossos cavalos. sepé reuniu alguns jovens guerreiros e...
  13. 13. alguns dias depois voltou, triunfante... aqui estão, padre, todos os cavalos roubados. não falta nenhum. e o que é isso no saco, meu filho? hã? eh... nada padre... estamos cansados, depois falamos. que sangue é esse? mostra-me agora mesmo o que tem no saco, sepé! espetar cabeças como troféu é coisa de selvagens.ohhh... deus tenha se não abandonares esse terrível piedade de nós! costume, sepé, não poderás viver entre cristãos.
  14. 14. mas ele se arrependeu. e passou um mês na prisão. acho que merece uma por que não enviamos os segunda chance. alunos com os grupos de catequização, para ver como se saem, e então escolhemos? ademais, ninguém mais ousou nos roubar um grão de milho. boa idéia! é hora de usar o que aprenderam. vão para a mata e espalhem a palavra de jesus. mas muito cuidado com os mas padre, não são justamente minuanos*. são tão selvagens estes os que mais necessitamque não há como falar com eles. do alento do senhor? vos matariam antes... todos os que já tentaram foram mortos, meu filho. não queremos nossos futuros líderes em perigo.
  15. 15. é mais difícil do que parecia. ninguém nos ouve e, quem ouve, não acredita. não, não volto enquanto não converter alguém. vejam! minuanos! fujam, vamos voltar! eles são estás louco? não apenas homens, te lembras do que não demônios. o padre disse? volte, cauré.eu cuido disso. és meu melhor amigo, sepé. se ficares, também fico. cuidado caure! atrás de ti!
  16. 16. nao!!! ! caure acaba com o outro também. vejam o sinal na testa! não o mate, é um enviado de anhangápitã*. prende-o, vamos levá-lo ao cacique.espere... é minha culpa. cauré morreu por mim.
  17. 17. o que tens a dizer, jovem? serves ao diabo vermelho? meu único senhor o guarani parece é deus. o único que louco, mas fala existe, o todo poderoso bonito. conta-nos criador do céu mais sobre esse e da terra. teu senhor.sepé falou sobre o evangelho e a prosperidade das missões, e eles quiseram saber mais. fizeram-no prisioneiro e todas as noites pediam que falasse daquelas histórias estranhas e fascinantes. ao fim de 40 dias, estavam convertidos. soltem-no. leva-nos ao teu senhor, queremos o batismo
  18. 18. enquanto isso, nas missões... já são mais de 40 dias, nada padre. tenho nhenguiru. tuas tropas mais de cem homens são as mais poderosas do nas buscas, e nem sinal alto do prata. dai-nos esperanças, de sepé e cauré. ó senhor. nhenguiru era descendente do lendário cacique da batalha de mbororé e corregedor da redução de conceição. alerta! alerta! minuanos! vêm pela trilha do rio, contamos mais de cem. reúnam os homens. vai haver combate. vejam. é sepé que vem com eles.
  19. 19. sepé, o que está acontecendo? onde está cauré? eles eram apenas pobressepé contou tudo que ocorrera... almas que viviam na ignorância da palavra do senhor. que deus nos perdoe, filho. a culpa é de todos nós. trouxeste para batize-os. casa os assassinos se alguém tem de cauré! culpa, sou eu. por deus, padre. isso nunca tinha acontecido. esse menino é um líder nato. se não for treinado, pode desvirtuar-se do bem e da justiça. deixe-o vir comigo e o transformarei no maior dos guaranis. tens minha autorização e minha benção, nhenguiru.
  20. 20. A nt es de partir para seu tou treinamento, Sepé apresen a vida nas Missões aos recém- bólico chegados. Após o enterro sim como de Cauré, eles foram recebidos o coral irmãos e se emocionaram com seu das crianças, em homena gem ao isto. renascimento no corpo de Cr Nas oficinas comunitárias, per feição aprenderam a produzir com ele naqu todos os objetos conhecidos tempo: móveis, ins trumentos s, musicais, ferramentas, barco objetos de couro e até relógios. excelentesOs guaranis cristãos eramartistas, na pintura, esc ultura, teatro, sica.dança e, principalmente, mú ça heranSeus cantos e ritmos, uma encantavamtransmitida aos brasileiros,qualquer um que os ouvisse.
  21. 21. egaram a C ad a família recebia da R eduções ch ntes, mas, comunidade uma casa, que Algumas mil habita de 20 m novo não deixava para os filhos. A ter mais nte, fundava-se u de 10 e m herança não era necessária, pois cada normalm o quando passava ução t d jovem que se casava recebia igu almente aldeamen esse sistema, a pro is fartura mil. C om inda ma outra casa. o havia a Tudo ali maravilhava os minu anos, cre scia e log ões. inveja. assim como os visitantes europe us, nas Miss que isso causava tanto, os seus relatos: “Suas É claro riqueza, no en que descreviam em o da plicidade cidades, geometricamente planej adas, A despeit reser vavam a sim e. Não p d eram mais bonitas e asseadas que as dos guaranis estralidade nôma rios e es e mais nc sá de sua a am bens desneces edes. colonizadores. As igrejas, maior r belas, eram o coração da cidade, sempre acumulav am dormindo em v seguidas de amplas pra ças que sediavam continua as de torneios e festas santas e rodead , escolas, edifícios públicos, como hospitais eas etc. Daí partiam em ruas retilín suas casas de pedra com telhas de barro ” cozido, muito mais confortáveis. igrejacemitério escola cabildo praça
  22. 22. fazendas de criação de gado e plantaçõesolaria depósito casa de viúvas e órfãos hospital
  23. 23. chegando à redução de conceição... queima-os nesta fogueira. e descansa, pois amanhã começa teu treino.não te enganes sepé, não é fácil ser guerreiro. antes do treinamento, deves abandonar teus medos. o medo é o melhor amigo da morte, pois paralisa o guerreiro. só os audazes fácil. sobrevivem.agora mostra-me tua pontaria. atirar parado em um alvo a-há, fixo é coisa de crianças. na na mosca! guerra, tudo está em movimento. não se atira onde o alvo está, e sim onde estará.
  24. 24. aprende a atirar correndo,se esgueirando, galopando e recuando ao mesmo tempo. agora tu és o alvo. movimenta-te de uma coisa mais: os vermes da forma que o inimigo não possa adivinhar carne podre são veneno. passa nela teus passos e não serás atingido. tuas flechas e o mesmo vai acontecer com a carne do inimigo.
  25. 25. no dia seguinte... calma sepé! teu cavalo já está perdido. aproveita ao menos a chance de aprender. nhenguiru! uma suçuarana atacou meu cavalo. vou matá-la. observa o inimigo, seus pontos fortes e fracos. mais importante que a força é a inteligência. se o inimigo é mais forte, evita o confronto aberto. ataca e recua. o guerreiro sábio também viste como ela atacou? de recua e se esconde.surpresa, direto na jugular. se camufla-te na selva até que errasse, recuaria, pois o coice o inimigo esteja ao alcance do cavalo pode ser mortal. da tua lança. para te comunicares sem que o inimigo perceba, usa os sons da floresta. um pio a guerra também se dá nas e faz teus homens confiarem. dá de coruja pode ser um código mentes dos guerreiros. espalha a eles o motivo certo e lutarão para o ataque. o medo nos teus inimigos. fá-los até a morte ao seu lado. acreditar que és invencível.
  26. 26. um ano mais tarde, no último teste: uma luta corpo a corpo com o mestre. superaste teu mestre, sepé. já te ensinei tudo que podia. que golpe foi este? vou chamá-lo de quebra-onça. veja, um me rendo. mensageiro... é hora de voltar: pediram escolta ao padre gian batista prímoli, que traz materiais para a catedral de são miguel . nhenguiru, trago uma mensagem do vais precisar de cura de são miguel. um cavalo novo...
  27. 27. quero o baio. o malacara*. escolhe um. é meu presente. não. levaria meses vou montar. se até para ensiná-lo, e deves amanhã não puder dobrá-lo, todos, menos este. escolho outro. partir amanhã. é chucro, derrubou meus melhores guerreiros. não se pode confiar nele. se insistes... boa sorte. vais ver como é duro o chão deste pampa. meu espírito era selvagem,e confiaste em mim. o baio apenas quer liberdade. aprenderá que liberdade é servir. no alvorecer do dia seguinte... não é possível, ele conseguiu! está guiando aquele demônio.
  28. 28. dias depois, ao chegar a são miguel... não acredito! é ele. está de volta. quem, juçara? sepé. jesus ouviu minhas preces. restasaber se santo antônio também ouvirá. será que ainda se lembra de mim? queres casar-te com ele? reza mesmo, pois é isso que pedem todas as moças de são miguel.meses depois... o cura* já lhe falou sobre isso, mas ele só pensa na construção não sei. mas um da catedral. talvez isso sepé já é casamento trará mais assumiu a liderança o convença casar-se. homem feito. calma a ele e à nossa de tudo, administra os um membro do cabildo*será que aquietou cidade. as moças não trabalhos, materiais... precisa de uma família. seu espírito? falam de outra coisa. falam até de falamos com ele? elegê-lo alcaide*.
  29. 29. pedro, poti, acauã. chega casamento? só de massa. cortem a madeira. um minuto, padre... o telhado deve ficar pronto antes das chuvas. miguel, a parede não está de pé? precisas de ajuda? sabes muito bem pronto, padre. que isso não é permitidonão, ainda não decidi. nas reduções!acho que farei como brincadeira, padre. mas semeu bisavô, que teve vou desposar uma mulher por não sei. agora mesmo, 5 mulheres. toda a vida, devo escolher bem. ele manda um sinal: esperarei um sinal de deus. é hora de comer! que sinal? homens, façamos um intervalo. vamos comer todos juntos, na capela. vou contar-lhes uma história.
  30. 30. tive um sonho horrível.quando os padres deixavam a catedral... padre, padre, sepé falava a um grupo de espere! homens, quando de repente que foi, juçara? o céu desabou sobre eles. por que choras? precisamos preveni-lo. calma, minha filha, não há perigo algum, foi só um sonho. sepé volte pra casa. depois está bem. gostas falaremos a sepé sobre mais que tudo mas padre... muito dele, não? seus sentimentos. nesta vida. não posso perdê-lo. deixe-me sem mais, juçara. uma avisá-lo do perigo, superstição apaixonada padre. não pode parar a obra da catedr... oh meu deus! o teto da capela. todos os homens estão lá... naaao! sepé, sepé... socorro, ajudem!
  31. 31. louvado seja o senhor, eles estão bem. mas como? acalmem-se, vou contar o que aconteceu. quando os padres saíram, iniciamos uma oração, agradecendo nosso alimento. logo depois chegoueste curumim apavorado, falando do sonho de juçara. meu coração pressentiu eu pedi um sinal, de pronto a desgraça, e e deus me mandou. nem é preciso dizer que juçara aceitou. ordenei a saída dos homens. padre, se juçara quando correu o boato, a fama de sepé um segundo a mais e aceitar, caso-me ganhou ares de sobrenatural. diziam que estaríamos mortos. com ela. o amor de juçara o tornara invulnerável. logo foi nomeado membro do alcaide e, como previsto, o casamento apaziguou seu espírito.
  32. 32. nos anos seguintes, sepé aprofundou-se nos estudos e mostrou-se um líder sábio, justo e bondoso. mesmo sendo muito jovem, dava-se como certo que ganharia a eleição para corregedor, o cargo administrativo mais importante de são miguel.A org ani zaç ão política nas Missões era complexa, pois compreendia as atividadespúblicas, que não eram poucas –segurança, saúde, educação, divisão debens, moradia, etc. – e religião. ormalmente m dele, pois n velhos e A autoridade máxima era o Padre desdenhara os índios mais m,Cura, nomeado pela Cia de Jesus, mas a eram e scolhid s se opusera A té os padre a nação administração cabia aos próprios índios. experientes. a ideia de um temendo que coroa Todos os anos havia eleições para a gradasse à escolha do Corregedor e do Alcaide. in dígena desa foi Quando Sepé se candidatou, com espanhola. rpresa de todos, Sepé Para a su de. Um apenas 28 anos e a proposta de unificar unanimida as Reduções em uma confederação, mui tos eleito quase por i preparado em neio fo lanças grande tor o. Pela última vez as a comemoraçã el seriam usadas par de São Migu festejar.
  33. 33. tempos depois... senhor corregedor! temos problemas... isso acontece todo o tempo. resolve tu mesmo. agora não, alferes. estou ocupado com o relatório para o houve briga quando padre lourenço balda. expulsávamos o gado. um dos nossos foi morto. é grave, senhor. o gadodos vizinhos destruiu uma plantação de milho. prendemos os os padres não agressores, mas os achas que permitiriam. mas levarão nohomens querem vingança. o corregedor mínimo um grande açoite. estão a ponto mandará matá-los? bem feito. de matá-los. que fazemos? tragam-nos imediatamente à praça central! então é vingança o que quereis? sim. morte aos desgraçados. sim. sim. vede em volta a maravilha que construímos. se deixássemos o ódio falar mais alto que o amor, nunca aceitaríamos os brancos, e os santos padres não nos teriam trazido a luz de seu conhecimento.
  34. 34. se nossos antepassados brigassem entre si, nunca venceriam os bandeirantes e hoje seríamos todos escravos. cauré nos ensinou com a vida o valor do perdão. hoje os minuanos que o mataram dão à nossa comunidade os filhos mais devotos. mais uma vez eu pergunto: quereis vingança? vivos, esses índios espalharãopelas 30 reduções dos sete povos airmandade que nos unirá contra os inimigos que vêm de fora. mortos, semearão a guerra e a ruína de nossa gente. perdoem-nos, irmãos. achávamos que tínhamos direito àquela terra, masa ira que congelou os corações seu gesto nos mostrou algo maior nossas lanças lutarãodos índios não resistiu ao calor que a justiça: a compaixão. sempre ao seu lado, senhor das palavras de sepé. corregedor. por onde formos, o conflito acaba aqui. falaremos da grandiosidade somos irmãos, não de seu povo. inimigos. replantaremos o que destruímos. ao mesmo tempo em que os doisíndios partiam, chegava a são miguelo padre balda, trazendo nos braços os mapas do tratado de madri. enquanto aqueles levavam a esperança de união, este trazia a triste notícia de separação, que mudaria para sempre o destino das missões.
  35. 35. os sete povos s. ângelo s. nicolau s. joão s. luiz s. miguel s. borja s. lourenço rio ibicuí traçado do limite rio uruguai do tratado de madri rio negro lagoa mirim oceano atlântico arroio chuí colônia do sacramento castillos buenos aires rio da prataP el o Tratado de Madrid, árduo. Mesmo que resolvessem aceitar confabulado a milhares de a imposição, as terras selvagens que quilômetros dali, a coroa recebiam não tinham condições deespanhola cedia o território das Missões sustentar 40 mil guaranis com quasea Portugal, em troca da Colônia do 2 milhões de cabeças de gado. LevariaSacramento, na margem esquerda do rio décadas para preparar e cultivar odo Prata. terreno e, nos termos do acordo, os Tratados como gado que se toca guaranis deveriam fazê-lo em menosde uma pastagem à outra, os índios de um ano. Isso era quase o mesmo quedeveriam partir, deixando para trás o condenar seu povo ao extermínio.fruto de mais de cem anos de trabalho
  36. 36. mas padre, somos gente não vamosde boa índole. recebemos o branco obedecê-los porque e seu deus, pagamos impostos estão certos, mas à coroa e à igreja. por que nos porque são teu povo não querem fora daqui? mais fortes. tem poder para enfrentá-los. se tentarem, serão massacrados. essa conversa não foi fácil, nem rápida. a sede de poder do se dizes isso, nãobranco era para os guaranis algo irracional. sepé continuava conheces o poder do nosso fustigando o padre com perguntas, até que este explicasse povo. esqueceste do que sem rodeios a realidade cabal dos fatos... fizemos em m’bororé? não entendes, sepé? não estamos lidando com um bando de bandeirantes. portugal e espanha são duas das maiores potências militares do mundo. confiamos nos padres. quem não entendeu foi o não faças nada ainda, sepé. façam o que for precisosenhor, padre balda. não deixaremos usaremos a diplomacia e a para evitar o pior.essas terras por ordem de reis que influência da igreja parasequer as conhecem. não sem antes reverter este acordo. derramar nosso sangue. assim foi feito e, por algum tempo, não acontecerama resistência dos índios era a desculpa que as cortes fatos significativos. por duas vezes, sepé foi reeleito precisavam para condenar também a cia de jesus. os corregedor de são miguel. se a chama da discórdia padres não podiam deixar que isso acontecesse... foi abafada, porém, a brasa não se apagou...
  37. 37. ninguém ficara sabendo de nada. sepé carregou sozinho o fardo daquela notícia, que o corroía por dentro. no fundo, sepé sentia que o pior ainda estava por vir. e veio... não pode ser. e então, cura, esta as piores possíveis. as tropas por quê?carta do padre altamirano do general português gomes freire e do traz boas novidades? espanhol marquês de valdelírios já se preparam para demarcação dos limites do tratado. ante a resistência dos índios, a cia de jesus ordenou a retirada imediata de todos os padres das missões. horas depois, foi um acordo com as vamos falar na mata... cortes. acham que, com a com sepé? sepé, graças a fé abalada, os índios não deus te encontrei... não. ele é um turrão, resistirão e aceitarão não vai mudar de ideia. a transferência. enquanto sepé está fora, caçando, falaremos aos índios, na missa. eles virão conosco. não vamos obedecer. se não obedecermos, será traição! preciso o fim da cia de jesus. não temos alertar sepé... escolha. só nos resta convencer os índios a se mudarem. quando conseguiu respirar, o padre contou-lhe tudo. sepé quis partir imediatamente a são miguel, mas não conseguiu. com a base de sua fé decepada, sepé saiu perambulando desnorteado pela mata, sentindo-se impotente.
  38. 38. vagou por horas a fio. quando deu por si, estava em frente à oca de um antigo karaí, um xamã-profeta que mantinha os ritos religiosos anteriores aos jesuítas. o velho fitou sepé no fundo dos olhos. entre, meu jovem. preocupação não resolverá teus problemas. esse a bebida fez sepé se sentir diferente. como kawui ajudará a te trazer para o num transe, sepé contou tudo ao pajé... presente. conta-me o que há. a vitória sobre a doença do branco, que te deixou a lua na testa, é um sinal. nada deves temer. deves acreditar apenas nelas. a única arma do branco que pode te matar é a mentira. ela vem de onde és o invencível menos se espera. escolhido de tupã para juçara... salvar nossa gente. tupã manda suas bebida feita de milho, mensagens atravésusada em rituais sagrados. de uma mulher. mas não podem parar o no dia seguinte, mas os padres tempo. o tempo dos guaranis virá, quando sepé acordou... dizem que não podemos ainda que se passem 3 mil luas. contra os brancos. suas agora a hora é de agir, ou onde estou? armas são muito melhor, amanhã, quando acordares. onde está o karaí? poderosas. precisas descansar. foi um sonho? não importava. agora sepé sabia o que devia fazer: voltar e liderar seu povo. afinal, ele era invencível!
  39. 39. de volta a são miguel, encontrou os índios atemorizados pelas ameaças dos padres,que, sem convencê-los, fugiram sozinhos. senhor corregedor! graças a deus, estávamos preocupados! parecia o fim do casamento feliz entre os índios e jesuítas. para tentar garantir a própria sobrevivência, a igreja abandonou os guaranis. mas alguns amavam mais a seus fiéis do que a sua própria fé. estes ficaram, arriscando a própria vida, tornando os verdadeiros laços cristãos ainda mais fortes. mas como vamos fazer sem os padres, senhor? os homens estão abalados e descrentes. querem fugir. dizem que na redução de são borja já estão carregando carretas para partirem ao outro lado do rio. convoca imediatamente todos os homens válidos de sãomiguel. se vai haver guerra, temos que estar preparados. a igreja pode nos ter abandonado, mas deus ninguém fugirá. continua ao nosso lado. quem tentar será preso. e juntodele o padre miguel, que nos vai abençoar. manda nossos melhores mensageiros comunicarem a situação a nicolau nenguiru e os demais corregedores. e prepare um grupo e o padre balda, de lanceiros. vamos agora que também ficou. mesmo a são borja.
  40. 40. a determinação de sepé contagiou a todos. antes de partir, sepé distribuiu tarefas. todos deveriam participar. artesãos tornaram-se produtores de armas, lanças, flechas. os melhores negociantes tentariam comprar pólvora e armas com comerciantes clandestinos. os mais velhos limpavam os velhos mosquetes e preparavam a munição. os marceneiros mais habilidosos iniciaram uma fábrica de canhões de taquaruçu*.os mais jovens e fortes aprendiam dia e noite a manejar arcos, tacapes e os poucos arcabuzes que possuíam. os mais astutos ocuparam-se das estratégias, de obter informações e comunicar-se com outras reduções.
  41. 41. em são borja, várias carretas já estavam prontas para partir... que fazeis? estais loucos? hoje tomam vossas terras, amanhã vossas mulheres e filhos. e logo vossas almas. a covardia nunca ajudou nenhum povo queimai as a sobreviver. carrocas! nenhum guarani de vergonha deixará estas dizem que é um terras sem luta! guerreiro invencível, nossa, veja o protegido de deus. brilho do lunar na testa dele! os são borjenses não partiam por covardia, apenas seguiam ordens dos padres. agora, sob influência de sepé, tornavam-se temíveis soldados. tivesse estado em todas as reduções, sepé reuniria 20 mil homens. mas o tempo não estava ao seu lado. antes de partirem, senhor, os portugueses chega um mensageiro... se preparam para deixar o forte jesus-maria-josé, ao encontro das tropas espanholas. não podemos deixar que isso aconteça. faremos com que recuem. senhor, sou corregedor de são borja. nossos cavalos estão à sua disposição. também temos 80 lanceiros prontos para o combate. parto com eles, então. meus homens descansam e seguem amanhã. nos encontramos à margem do rio camaquã.
  42. 42. durante um tempo acamparam à margem do rio, reunindo os guerreiros que chegavam e avaliando a situação. alerta! alerta! foi quando avistaram uma tropa da demarcação... soldados espanhóis! quando eu der o sinal, onde? gritem e movimentem-se. alferes, quantos o eco fará parecer que quantos? homens temos são centenas. para combate? 90, senhor temos que fazê-los crer que somos mais. eu fico aqui com 10 muitos. vêm pelo alferes, tu e 80 homens homens esperando para oeste. armados até se espalham na mata em barrar-lhes o caminho. o pescoço, senhor. volta da clareira.quando o pelotão espanhol surgiuna clareira, sepé avançou e bradou: sou o capitão francisco zabala. meu exército tem a proteção dos reis ibéricos. deixem-nos passar e pouparei suas vidas. esta terra tem dono! nos foi confiada por deus eparem! vocês pisam são miguel arcanjo. só elesem território guarani. nos podem deserdar. não têm permissão para passar.
  43. 43. voltem e digam a seus senhores que nenhum invasor pisará este chão sem luta. hahaha! e quem nos impedirá de seguir? tu e estes 10 maltrapilhos? nós e mais trezentos guerreiros armados que vos estão cercando nestas matas. avante homens! acreditando estarem em número menor e sem ordem dosreis para iniciarem ações armadas, os espanhóis recuaram.
  44. 44. no acampamento, os homens enquanto uns comemoravam,festejaram a vitória sem luta. outros destilavam ódio... índios malditos! esperem só até o rei saber disso. sepé é o maior generaldo mundo! vence sem nem guerrear. viva sepé! viva! viva! viva! levou um mês para anotícia chegar à europa... vamos massacra-los! e mais um mês para voltar a frota com reforços militares e as ordens deguerra: tomar a terra a qualquer custo.
  45. 45. essa era a ordem oficial... pelas tropas dizia-se para não deixarem sobreviventes. para isso, recrutaram os “blandengues”, mercenários sanguinolentos... não havia volta, a guerra estava declarada. vamos dificultarlogo a notícia chegou aos mensageiros de sepé... seu caminho, enquanto nhenguiru reúne mais guerreiros. não podemos ele trará 10 milpermitir que as homens. nem comtropas aliadas canhões os brancos se reúnam. poderão nos vencer. sepé resolveu se não podemos atacar o entrar, faremos com que forte, mas saiam. queimem os campos foi repelido e e guardem as trilhas que perdeu muitos abastecem o forte. homens. isso o ensinou como enfrentar o inimigo. durante mais de 6 meses, sepé conseguiu evitar o encontro dos aliados, usando as táticas de seus antepassados... deixem o gado nos arredores para atraí-los, então atacamos e recuamos. cairão um a um pelas nossas flechas.do lado de dentro do forte... índios desgraçados! não temos outra opção senão propor um acordo. general, os homens estão famintos e sem forças. morreram mais quatro hoje.
  46. 46. a mesma estratégia manteve os espanhóis na margem direita do uruguai. a 18 de novembro de 1754, foi assinado um tratado, suspendendo os conflitos. a notícia foirecebida com grande festa nas reduções, onde a fama de sepé aumentava a cada dia. por um ano a paz voltou a são miguel. para os índios, foi um tempo de esperança. para os aliados, foi só o tempo de reorganizar o exército e voltar com força total. passados três dias do natal de 1755, veio a temida notícia... o acordo de paz era uma tampouco nós. venceremos mentira. os aliados reuniram como vencemos antes. as tropas e marcham para atacar-nos. e a guerra outra vez! faremos de seu caminho eles não vão pela mata uma marcha desistir... para o inferno. com milhares de soldados armados pesadamente, o inimigo era lento. por 40 dias, sepé e 400 índios os aterrorizaram, atacando e recuando na velocidade do vento. atacavam na calada da noite... tocavam fogo nos acampamentos e plantações... preparavam emboscadas... nhenguiru foi aclamado comandante-em-chefe da forças guaranis, mas só conseguiu reunir 1500 homens. os reforços não chegaram a tempo...
  47. 47. padre, tive outro sonho. sepé caía numa emboscada. milhares de formigas vinham de todos os lados, ferroando-lhe quase seis anos pelas costas e devorando-o depois da assinatura depois. do tratado de madri, a crença na invencibilidade de sepé mantivera intactas as terras das missões. calma, então, a única arma juçara mortal contra sepé foi usada: a mentira. por incrível que pareça, inocentemente, de ele corre perigo. não onde menos deve ir ao campo de se esperava... batalha amanhã. tenho que avisá-lo. não podes cavalgar não. eu cuidarei nesse estágio de de avisar a sepé. gravidez, juçara. tu ficas e cuida do sepezinho. mas tenho que ir. de novo estas superstições. detesto mentir, mas os homens estão tão confiantes. o sonho de juçara os abalaria.o padre foi recebido com carinho pelos índios. foi com angústia que omitiu a sepé a informação que, talvez, salvaria sua vida... sim, me pediu que abençoasse tua luta. confia mais do que ninguém na vitória. traz notícias de juçara, padre? e quem pode dizer que o padre estava errado? um homem deve agir conforme sua consciência. ninguém sabe o que aconteceria se ele falasse a verdade. só se sabe o que de fato aconteceu...
  48. 48. no dia seguinte, sepé saiu com200 homens. recebera uma notícia falsa de que os aliados queriam negociar. era uma emboscada... santo deus! osespanhóis, milhares deles! são comoformigas que vêm de todos os lados. meia volta! temos que encontrar uma rota de fuga. ao se virarem, encararam os dragões de rio pardo, da tropa portuguesa. sem saída, sepé reuniu todos os homens em um único flanco e lançou-se sobre a frente inimiga. numa loucura de sangue, os gritos dos guerreiros se confundem com sons de tiros, entrechoque de lanças e espadas, relinchos de cavalos assustados.
  49. 49. nem em seus últimos momentos, senhor! não abandonai vendo caírem um a um seus melhores estes filhos que amigos, sepé perdeu sua fé. vos amam... qualquer outro em seu lugar teria se rendido, tentado negociar.mas não ele! sepé jamais trocaria o destino que deus lhe reservou pelo que seus inimigos lhe impunham.
  50. 50. acreditou na vitória até o último minuto... precisava abrir caminho para seuspoucos companheiros vivos fugirem. quando estava prestes a conseguir...
  51. 51. a lâmina fria da realidade o atinge pelas costas. mas o ferro só lhe fere o corpo. sua crença continua intacta, invencível... até mesmo quando o governador de montevidéu, josé joaquim viana, desferiu-lhe o tiro fatal. são miguel arcanjo! olhai pelos guaranis.
  52. 52. D ali em diante tudo aconteceu muito rápido. Sem Sepé contendo-lhes os passos, os nte sobrealiados marcharam rapidameas Reduções. Sepé, Tomado de ira pela morte de uer táticaNhenguiru se esquece de qualq campo eme parte para cima do inimigo, aberto, nas colinas de Ca iboaté. O que ormou-se deveria ser uma batalha transf numa horrenda carnificina. Em pouco mais de uma hora nis cerca de 1700 guerreiros guara ues foram massacrados, e os blandeng aos feridos e encarregaram-se de dar fim prisioneiros. desdobramento e envolvimento dispositivo de nhenguiru. em linha - sem proteção nas alas e sem reservas na retaguarda ataque de fixação tr pa o sp or t ugu esas as anhol tropas esp sepé vanguarda dos índ ios destruída (tinha co objetivo retardar mo o avanço M luso-espanhol) a n o b ra s d tropas por as e espanho tug las em Ca uesas iboaté portugueses espanhóis
  53. 53. estranho, sonhei que sepé estava vivo... está tudo acabado, juçara. temos que fugir! os jesuítas quiseram acompanhá-los e dar continuidade ao trabalho das reduções, masos poucos sobreviventes reuniram o a resistência lhes custou caro. como castigo,que puderam levar de seus pertences foram expulsos de toda a américa. e transpuseram o rio uruguai. antes de partir, os índios atearam fogo à catedral de são miguel, queimando com ela toda a glória das missões guaranis.quer dizer, nem toda. restou a semente, que, como se sabe, já contém todoesplendor da árvore adulta. só é preciso paciência para esperá-la crescer.

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