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As ramificações da tradição editorialística
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Análise e discussãoGonzález Reyna (1991) apresenta classificação de editoriais daprática jornalística do México, relaciona...
Análise e discussão•Editorial polêmico - busca convencer o leitor sobre o ponto de vista propostopor meio de argumentos a ...
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Análise e discussãoAs denominações no espaço variacional do século XIX-Artigo de fundo – designação correspondente a edito...
Análise e discussãoAs denominações no espaço variacional do século XX-Carta do editor – teor de merchandising; autoria do ...
Análise e discussão                                  Variantes do editorial      Variantes do                             ...
Considerações parciais- Os estudos preliminares revelam que a denominação do gênerotambém ilustra a dinâmica de variações,...
REFERÊNCIASASCHENBERG, Heidi. Historiche Textsortenlinguistik. Beobachtungen und Gedanken. In:DRESCHER, Martina. Textsorte...
REFERÊNCIASMARCUSCHI, Luiz Antônio. (2002). Gêneros Textuais: definição de funcionalidade. In:Angela Paiva Dionísio, Anna ...
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Editorial uma tradição discursiva e suas variações, mudanças, permanências e múltiplas denominações - profa. dra. valéria gomes

  1. 1. XXIV JORNADA GELNEEDITORIAL: UMA TRADIÇÃO DISCURSIVA E SUAS VARIAÇÕES, MUDANÇAS, PERMANÊNCIAS E MÚLTIPLAS DENOMINAÇÕES VALÉRIA SEVERINA GOMES (UFRPE) Natal, setembro de 2012
  2. 2. INTRODUÇÃOContextualização do tema desta comunicaçãoProjeto para a História do Português Brasileiro (PHPB)Grupo de trabalho: Diacronia do Gêneros TextuaisAlessandra Castilho Costa – testamentoAna Aldrigue e Roseane Nicolau – anúnciosÁurea Zavam e Valéria Gomes – editorialAlessandra Castilho Costa, Cleber Ataíde e Tarcísia Travassos – notíciaMaria Cristina Assis – cartas oficiaisKonstanze Jungbluth – livros de família pernambucanosLucrécio Araújo, Belliza Mello e Lindaurte Rodrigues – cordelMarlos Pessoa – interrogatórioNukácia Araújo – bandoPaulo Gonçalves – padrões de construção discursiva dos editoriaisKelly Oliveira - anúncio de empregoFábio Lima – noticiário sobre eleiçãoRafaela Ribeiro – carta do editorRose Mary Fraga – carta do leitor
  3. 3. INTRODUÇÃOQuais critérios nos permitem identificar um texto dentro de uma identidadediacrônica (se é subgênero, gênero, classe de gênero, tipo de texto, etc)?Diferentes tradições discursivas sob o mesmo rótulo = cartas oficiais/cartasadministrativas (um requerimento, um testamento etc, com finalidadecomunicativa específica e atos de fala específicos. Há, em outros casos, mais de um rótulo para uma mesma tradição. Permanências - Mudanças - Variações O caso do editorial: -Identificação de algumas variantes da tradição editorialística - As múltiplas denominações do editorial -Objetivo é, com base nessas dimensões de análise, identificar as variantes do editorial e suas múltiplas denominações.
  4. 4. ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS“Já que eles (gêneros textuais), por diversas razões, sedesenvolvem e se transformam continuamente, não é razoável enem praticável desejar levantar um inventário completo ou até“definitivo” dos gêneros textuais praticados numa comunidadelinguística ou cultural” (RAIBLE, 1996, p. 72 apud ASCHENBERG,2002).“Temos, então, de um lado, uma tendência de manter constantesas denominações para as tradições discursivas e, do outro, umamistura de elementos constantes e variáveis na realidade dastradições discursivas (sob o aspecto diacrônico, mas também sob oaspecto sincrônico).” (KOCH, 1997, p.60)
  5. 5. ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOSPerspectivização da metodologia de análise (ASCHENBERG, 2002) Análise Sincrônica DiacrônicaRelacionada com uma A Blíngua/cultura individual= não contrastiva, nãocomparativistaRelacionada com várias C Dlínguas/culturas =contrastiva,comparativista
  6. 6. ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS Nesse sentido, Jucker (2000, p.102-103) analisa receitas culinárias de línguainglesa do século XVII ao século XX. Para isso, o autor sugere a seguinte descriçãodiacrônica de gêneros[1]: 1º passo: a descrição individual dos gêneros em diferentes épocas nahistória de uma língua; 2º passo: a comparação de um gênero específico em dois diferentespontos na história da língua; 3º passo: a análise da evolução de uma espécie de gênero específica aolongo do tempo. Descrição das sincronias passadas das variantes do editorial: 1º passo: descrição individual do gênero por século, verificarseparadamente as ocorrências das variantes do gênero por século (XIX e XX); 2º passo: comparação de exemplares de um gênero específico em umdeterminado ponto da história da língua; 3º passo: análise da variação de uma espécie de gênero específica emum determinado recorte temporal.
  7. 7. ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS“O que se pode dizer é que a melhor forma de montar uma tipologia seriaestabelecer alguns poucos critérios, por exemplo de natureza linguística (traçoslinguísticos), critérios funcionais (objetivos do texto, intenções pretendidas, atosde fala etc.) e critérios contextuais (produtores e suas relações, situações deprodução, condições de produção) e com base nisso formar uma matriz detraços que determinem critérios de enquadramento nas diversas formas de umconjunto mais amplo em que várias ordens tipológicas se encadeiam nocontínuo da produção textual” (MARCUSCHI, 1997, p.26) Dimensões de análise postuladas por Jucker (2000, p.103), a saber: - os traços externos do gênero (quando e onde as receitas forampublicadas); - os traços sociais (o tipo de linguagem usada; quem escreveu); - os traços linguísticos (as formas linguísticas usadas, verbosimperativos, sentenças abreviadas); - a macroestrutura do gênero (a organização das partes individuais dareceita).
  8. 8. As ramificações da tradição editorialística
  9. 9. Análise e discussãoA fase inicial da imprensa é político-panfletáriaA herança panfletária dos PasquinsConforme Rizzini (1977), o nome remonta à cidade de Roma, em1501, com a estátua de um ser da mitologia grega: Paquino. Por trásda imagem eram colados versos satíricos.Papa Adriano VI, em 1523, impediu as festas e surgiram ospasquineiros, que pregavam seus versos satíricos e malignos nasparedes, portas e praças.No século XIX, a tradição continua em forma de folhas volantes,pequeno jornal, sem autoria explícita, na maioria das vezes com umsó artigo. Ex. Sentinela da Liberdade – Cipriano Barata
  10. 10. Análise e discussãoNo exemplo seguinte, o editorial assumiu a forma de poema, porém não perdeu asua função comunicativa:Exemplo: Visitas de Senhoras. || As visitas das senhoras| (init.) muito, queaproveitar: | Quem traçalas ao vivo| E ver, se as posso pintar. || Logo que chega avisita, | Corre-se ao topo da escada, | E des d’a porta da rua| Principia matinada.|| Alguma das senhoritas| Tira o xale a seus Agrados, | Depois do que háchorrilho| De beijocas, e obraçados. || (...) Acadeirão-se as meninas| Em torno davisitante, | E começa desde logo| Huma conversa incessante. || (...) Ahí se senta,e baralha. | Qual o valete com sotas, | Vai-se vasando em finezas, | Em tudo maismette as botas. || Faz dos dedos brando pente, | Com qu’alisa a cabecinha, | Afimque se não apague| Da liberdade a estradinha. || (...) Talvez faltem circunstancias,| Outras serão mal descritas; | Mas eis pouco mais, ou menos| A mór parte dasvisitas. (O Carapuceiro, 1838 – nº 39)
  11. 11. Análise e discussãoGonzález Reyna (1991) apresenta classificação de editoriais daprática jornalística do México, relacionando a dimensão social e adimensão linguística.•Editorial informativo - também chamado de editorial expositivo, cita os fatos jámencionados na seção informativa, mas expressa o ponto de vista institucional.EX. Diario de Pernambuco nº 25, 31/01/1837•Editorial explicativo - explica um acontecimento quando só a informação não ésuficiente e assemelha-se ao expositivo.Ex. Diario de Pernambuco nº 64, 22/03/1842•Editorial interpretativo - necessita apresentar uma interpretação; requer que ojornalista seja justo; não exige conclusão e permite que o leitor tire suasconclusões.Ex. O Liberal Pernambucano nº 2, 09/09/1852
  12. 12. Análise e discussão•Editorial polêmico - busca convencer o leitor sobre o ponto de vista propostopor meio de argumentos a favor ou contra um fato ou uma situação.Ex. O Argos Pernambucano nº 16, 06/03/1851•Editorial exortativo - denominado editorial de luta, apresenta ataques adeterminadas situações e exige condutas específicas e espera a reação dopúblico.Ex. Diario de Pernambuco nº 1, 02/01/1838•Editorial de campanha - também conhecido como editorial de ação, denuncia aspolíticas locais corruptas que necessitem de correção.Ex. Diario de Pernambuco nº 48, 02/03/1838•Editorial persuasivo - convence sutilmente com o uso de argumentos, posto quenão pedem nem exortam.Ex. Diario de Pernambuco nº 3, 04/01/1839
  13. 13. Análise e discussãoEditorial de interesse humano - informa e diverte ao mesmo tempo; não seescreve com o propósito de convencer, mas de entreter. Distingue-se dos demaispor ser mais pessoal que institucional.Ex. Diario de Pernambuco nº 230, 15/10/1845Quanto à natureza: tomam a aparência promocional, quando acompanhamregularmente os eventos e ideias atuais, definindo uma posição; circunstancial,quando surgem eventualmente para fixar ou apreciar um movimento de opinião;polêmico, quando têm por fim reforçar suas convicções e enfraquecer oadversário.- Permanência: o ponto de vista discursivo; o teor opinativo; status de gênerojornalístico nobre.
  14. 14. Análise e discussãoAs denominações no espaço variacional do século XIX-Artigo de fundo – designação correspondente a editorial, essênciaopinativa; autoria do proprietário do jornal; suporte é o jornal.-Carta do redator – essência opinativa; autoria do redator do jornal;suporte é o jornal.-Artigo editorial – artigo de opinião sob a responsabilidade do periódico;suporte jornal.- Introdução; Prospecto; Artigo de apresentação; Editorial deapresentação; editorial – (latim edere = dar à luz) indicam o início decirculação de um periódico; misto de crítica, tomada de posição eexposição de propósitos.-Artigo comunicado –
  15. 15. Análise e discussãoAs denominações no espaço variacional do século XX-Carta do editor – teor de merchandising; autoria do editor darevista; suporte é revista.- Carta do redator –-Editorial jornalístico –-Editorial de apresentação --Editorial de relançamento (ex. Correio do Povo em 1986)
  16. 16. Análise e discussão Variantes do editorial Variantes do Características da variante Editorial séc. XIX Variante 01 – - Tipo de texto: informativo (função referencial) 1837 PE – - Classe de gênero: texto jornalístico (forma de comunicação: texto escrito editorial publicado em jornal); informativo - gênero: editorial de jornal (enunciador: correspondente do jornal); - tema: - desenvolvimento temático: descritivo - orientação temporal do tema: anterior - resposta a alguma das seguintes perguntas: quem, o quê, onde,por que, com quem, como, para quê (narratio) - estrutura: organização em forma de “correntes”, na maior parte das vezes desligadas tematicamente; não há separação entre as notícias por meio de título; - microestrutura: predomina a subordinação, com poucos e longos períodos; uso predominante do pretérito imperfeito, marcando ações apresentadas paralelas, que não obedecem a uma lógica linear; formas de apagamento do sujeito (voz passiva, -se indeterminador; posposição do sujeito); contêm, em sua maior parte, notícias provindas de outro jornal; fórmulas de introdução da notícia. - denominações (rotulações - designações) da variante: ......... - características gerais:.....................
  17. 17. Considerações parciais- Os estudos preliminares revelam que a denominação do gênerotambém ilustra a dinâmica de variações, mudanças e permanências queconfiguram a historicidade da língua e dos textos.- Importante destacar o deslocamento de perspectiva.- É possível esboçar um contínuo de variantes, com mais ou menosproximidade da prototipicalidade (identidade histórica dos gêneros,KOCH, 1997).-Editorial – gênero com variantes- o estudo concentrou-se em editoriais pernambucanos, mas terácontinuidade, posteriormente, em parceria com a Professora ÁureaZavam, com a inclusão de editoriais do Ceará e de um estado de cadaRegião participante do Projeto Para a História do Português Brasileiro(PHPB): Sul, Sudeste e Norte.
  18. 18. REFERÊNCIASASCHENBERG, Heidi. Historiche Textsortenlinguistik. Beobachtungen und Gedanken. In:DRESCHER, Martina. Textsorten im romanischer Sprachevergleich. Tübigen: StauffenburgVerlag. S 153-170, 2002. (Linguística histórica de gêneros textuais – observações ereflexões – Tradução de Hans Peter Weiser)BONINI, Adair. Os gêneros do jornal: questões de pesquisa e ensino. In: KARWOSKI, Acir;Mário GAYDECZKA, Beatriz & BRITO, Karim Siebeneicher (orgs.). Gêneros textuais:reflexões e ensino. União da Vitória: Kaygangue, 2005. Pp. 61-77.CASTILHO, Ataliba T. de. Projeto de história do português de São Paulo. In: CASTILHO,Ataliba T. de (org.). Para a história do português brasileiro. São Paulo: Humanitas / FFLCH /USP, 1998.FIX, Ulla. Wie wir mit Textsorten umgehen und sie ändern – die Textsorte als ordnenderZugriff auf die Welt. Der Deutschunterricht. Sprachchwandel – Vom Sprechen zur Spracher.3/00: 54-65, 2000. (Como usamos e mudamos os gêneros textuais – o gênero textual comocompreensão ordenadora do mundo – Tradução de Hans Peter Weiser)GUEDES, Marymarcia & BERLINK, Rosane de Andrade (ed.). E os preços eram commodos– Anúncios de jornais brasileiros século XIX, São Paulo,Humanitas, 2000.KABATEK, Johannes. Tradiciones discursivas y cambio linguístico. In: GuiomarCIAPUSCIO, Konstanze JUNGBLUTH, Dorother KAISER, Célia LOPES (orgs.) Sincronía ydiacronía de tradiciones discursivas en Latinoamérica. Vervuert, 2006. pp. 151-171.
  19. 19. REFERÊNCIASMARCUSCHI, Luiz Antônio. (2002). Gêneros Textuais: definição de funcionalidade. In:Angela Paiva Dionísio, Anna Rachel Machado e Maria Auxiliadora Bezerra (orgs.).Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna. pp. 19-36.NASCIMENTO, Luiz. O Carapuceiro. In: GAMA, Miguel do Sacramento Lopes. OCarapuceiro. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1983. v.1 Estudointrodutório.__________. O Carapuceiro. In: GAMA, Miguel do Sacramento Lopes. OCarapuceiro. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1983. v.2 Estudointrodutório.__________.O Carapuceiro. In: GAMA, Miguel do Sacramento Lopes. O Carapuceiro.Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1983. v.3 Estudo introdutório.PORTELLA, O. A fábula. Revista Letras, América do Norte, 32, out. 2010. Disponívelem <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/letras/article/view/19338/12634>. Acesso em:13 Dez. 2011.

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