Frederich Myers

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Frederich Myers

  1. 1. Frederic William Henry Myers 1
  2. 2. Vida pessoal e obra académica e literária • Nasceu em Keswick (Cumberland), Inglaterra, a 6 de fevereiro de 1843, e faleceu em Roma a 17 de janeiro de 1901. • Estudou no Trinity College de Cambridge; • Destacou-se no estudo da cultura clássica greco-latina, tornando-se, mais tarde, professor nessa área; • Mais tarde exerceu as funções inspetor escolar; • Casou com Eveleen Tennant e tiveram três filhos: Leopold, Harold e Sylvia. • Foi poeta e escreveu váris estudos e ensaios sobre Virgílio e sobre os Oráculos da Grécia Antiga. 1 2
  3. 3. Vida pessoal e obra académica e literária 3 • Foi professor no Trinity College e • grande amigo do Professor Henry Sidgwick; • Activista do direito à educação académica superior das mulheres. • Por influência de Sidgwick, Myers começou igualmente a interessar-se pelos fenómenos do mesmerismo, clarividência, automatismo e pelo espiritualismo em geral. • Outra razão para este seu interesse foi uma alteração nas suas convições religiosas. Professor Henry Sidgwick
  4. 4. A sociedade de investigações psíquicas de Londres 1 4 • Foi fundada em 1882 por Frederic Myers, Henry Sidgwick, Edmund Gourney, Frank Podmore, entre outros; • Myers foi porta- voz desta associação em 1900, também seu presidente; • Tem por objecto os " factos e habilidades comumente descritas como psíquicas ou paranormais através da promoção e apoio a importantes pesquisas nesta área" bem como "examinar alegados fenómenos paranormais de maneira científica e imparcial."(Wikipédia) • Pretendiam investigar os fenómenos espiritas de um ponto de vista racional, preciso, empírico e desapaixonado a partir de análises de relatos e também da participação in loco em sessões onde ocorriam esses fenómenos paranormais.
  5. 5. A sociedade de investigações psíquicas de Londres 1 5 • Por volta de 1886, esta associação tinha já perto de setecentos membros associados, nos quais se incluíam muitos cientistas de renome ingleses mas também franceses, italianos, alemães, russos e americanos. • SPR editou um jornal científico divulgando as suas investigações, e continua ativa até o presente momento, permanecendo a sede em Londres.
  6. 6. 6 “A questão que mais importa ao homem é a de saber se ele possui ou não uma alma imortal ou, para evitar a palavra imortal, que pertence ao domínio do infinito, se a sua personalidade implica algum elemento susceptível de sobreviver à morte corporal.” (…) De outro lado, o método que nossa raça encontrou como mais eficaz para aquisição de conhecimento é agora familiar a todo o mundo. É o método da Ciência moderna, o procedimento que consiste em interrogar a Natureza sem paixão e sem preconceito, de modo paciente e sistemático, mediante experimentação minuciosa e registo dos resultados que permitam adivinhar as verdades mais árduas segundo as indicações quase sempre mais simples.(…) Esse método, dizemos, não foi aplicado nunca ao problema capital concernente à existência, às faculdades e ao destino do espírito humano ( Myers, A personalidade humana, pág.8).
  7. 7. As suas pesquisas • Em 9 de maio de 1874, na companhia de Edmund Gurney, Myers avaliou o médium William Stainton Moses, • Os dois tornaram-se grandes amigos, e • As atas da Society for Psychical Research (vols. 9 e 11) contêm os melhores relatos daquela notável mediunidade; • Também participou em experiências realizadas com outros médiuns famosos, tais como Annie Fairlamb Mellon e Eusapia Palladino. • Não obstante as suspeitas iniciais de fraude relativamente aos fenómenos ocorridos na presença de Eusápia Palladino, mais tarde, após várias experiências realizadas em Paris, Myers concluiu que tanto a Telecinesia como a Ectoplasmia eram fenómenos genuínos. • Investigou também a casa assombrada dos Ballechin em Perthshire, Escócia e publicou dois artigos nas Atas da SPR sobre esta experiência. 1 7
  8. 8. Livro “Os fantasmas dos vivos” • extensa obra publicada no ano de 1886 em dois volumes pela SPR; • considerada um dos primeiros estudos importantes da SPR acerca do paranormal; • são analisados 702 casos ou acontecimentos que abrangem "todas as transmissões de pensamento e sentimento de uma pessoa para outra, por outros meios que não as reconhecidas vias sensoriais“; • Myers utilizou o termo telepatia para designar tais transmissões; 1 8
  9. 9. Livro “A Personalidade Humana” • Valiosa contribuição no campo das investigações psíquicas; • Considerado a primeira tentativa de se considerar em conjunto os fenómenos de alucinação, telepatia, hipnotismo, fantasmas, automatismo, genialidade ou sobredotação e dupla personalidade como partes de um só todo; • Baseado em vasto material empírico e numa grande coleção de casos, • Myers pretendia que o seu livro e as suas teorias servissem como uma base para o desenvolvimento de uma completa teoria da personalidade humana; 1 9
  10. 10. “Eu subliminar” ou alma humana • O "eu" consciente de cada um de nós ou, designando-o melhor, o "eu supraliminar" (porque situado acima do limiar da nossa consciência) não pode compreender a totalidade da nossa consciência e das nossas faculdades. Existe uma consciência mais vasta, com faculdades mais profundas, da qual a consciência e as faculdades desta vida se desenvolveram em consequência de uma seleção. A maioria dessas faculdades permanecem latentes durante a vida terrena, e só se restabelecem em toda a sua plenitude depois da morte. • O cérebro, em vez de ser o produtor da consciência, é o mecanismo que, em resposta às demandas do meio-ambiente do organismo, filtra, limita, e modula a nossa consciência ordinária de vigília (ou supraliminar) a partir de uma consciência mais ampla, primariamente latente ou subliminar. • (...) designo por "eu subliminar" a parte do "eu" que permanece abaixo do limiar da consciência, e admito que possa existir não só cooperação entre essas duas correntes de pensamento quase independentes, mas também mudanças de nível e variações da personalidade, de tal forma que o que está sob a superfície pode chegar à superfície e manter-se ali de maneira mais ou menos provisória ou permanente. 1 10
  11. 11. “Eu subliminar” ou alma humana • em certas situações, é possível, segundo Myers, observar ou constatar a acção do “eu subliminar”. • Cheguei lentamente a esta conclusão, que tomou para mim a forma atual há uns 14 anos, como consequência de profundas reflexões baseadas em provas que se multiplicavam progressivamente. Trata-se de um conceito que foi até agora considerado como exclusivamente místico. Se eu agora me dedicar a dar-lhe uma base científica, não terei a oportunidade de poder formulá-lo em termos definitivos, nem de apoiá-lo com a ajuda de bons argumentos, que só uma experiência mais extensa é capaz de fornecer. Mas o valor deste conceito aparecerá aos olhos do leitor, se examinar a sucessão das diferentes provas expostas neste livro. ( - ) 1 11
  12. 12. Analogia do espectro eletromagnético • Espectro visível é a porção do espectro electromagnético cuja radiação é capaz de sensibilizar o olho humano de uma pessoa normal. • a mais ampla e oculta consciência subliminar é comparável ao espectro inteiro; • a nossa consciência supraliminar, ou consciência de vigília, é comparável ao pequeno fragmento daquele espectro que é visível para nós; • Na maioria dos indivíduos, a "porção visível do espectro psicológico oscila à medida que elementos entram e saem da consciência de vigília, mas ele permanece relativamente estável. “ 1 12
  13. 13. Manifestações do “eu subliminar” • Em outros indivíduos, porém, como histéricos ou pacientes com múltiplas personalidades, génios criativos, ou nos médiuns ( que Myers designa por automatistas), a "barreira" que controla o fluxo de elementos psicológicos entre o supraliminar e as porções subliminais da consciência é mais "permeável", permitindo o aparecimento ocasional de faculdades ocultas como a telepatia, ou outras alterações na estrutura e no conteúdo ordinários da consciência. • No livro “A personalidade Humana” são sucessivamente analisados diversos grupos de fenómenos que nos mostram precisamente esses impulsos e comunicações que chegam das camadas profundas da personalidade . • Toda a minha obra visa justificar esta ampla afirmação. De fato, a telepatia, percepção de pensamentos sem a intervenção dos órgãos sensoriais conhecidos, e a telestesia, visão de cenas à distância, sugerem uma incalculável extensão de nossas faculdades mentais e uma influência exercida sobre nós por espíritos mais livres, menos embaraçados que o nosso. (A Personalidade humana, pág. 25 ) 1 13
  14. 14. 1 14 “Vicary Boyle, enquanto permanecia em Simla (Índia), viu, certa noite, em sonhos, seu sogro, que morava em Brighton (Inglaterra), pálido e estendido sobre a cama, enquanto que a sua sogra atravessava, silenciosamente, a habitação e prodigalizava-se em cuidados ao marido. A visão dissipou-se; a seguir, Boyle continuou dormindo, mas ao despertar tinha plena convicção de que seu sogro, de cuja enfermidade não tinha notícia e em quem nem pensara sequer há vários dias, estava morto. Isso foi confirmado por um telegrama que chegou dias depois, o que confirmava a visão que Boyle teve de seu sogro morto, nove horas após o acontecimento.” Demonstramos que entre um grande número de fatos que se podem atribuir ao erro, à mentira, à fraude e à ilusão, existem manifestações indiscutíveis que nos vêm de além-túmulo. A afirmação capital do cristianismo recebe, dessa forma, uma concludente confirmação. (A Personalidade humana, Pág. 329)
  15. 15. A telepatia • Podemos, então, influenciar-nos mutuamente à distância pela telepatia. E se os nossos espíritos encarnados podem trabalhar assim, de um modo independente, pelo menos na aparência, do organismo material, temos então uma presunção a favor da existência de outros espíritos independentes dos corpos e suscetíveis de nos influenciarem da mesma maneira. (A Personalidade humana, pág. 26 - ) • O conceito de telepatia, por sua própria natureza, não deve estar limitado aos espíritos ainda presos a um corpo, e teremos provas a favor das comunicações diretas entre os espíritos encarnados de um lado, e os espíritos desencarnados do outro. ( - ) . 1 15
  16. 16. 1 16 Pela descoberta da telepatia, que nos diz serem possíveis comunicações directas quer entre espíritos encarnados, quer entre espíritos desencarnados; pelas revelações contidas nas mensagens que se originam dos espíritos desencarnados e que mostram, de maneira directa, o que a filosofia só suspeitou: a existência de um mundo espiritual e a influência que exerce sobre nós. (Pág. 329)
  17. 17. Sobrevivência do espírito após a morte física • Myers desafiou a posição espírita de que todos, ou a maioria dos fenómenos supernormais eram devidos aos espíritos dos mortos, propondo, ao contrário, que, de longe, a proporção maior era devida à ação do espírito ainda encarnado do agente ou do próprio percipiente. • O seu trabalho aumentou grandemente a evidência da probabilidade da sobrevivência após a morte. • constatou que, como os poderes do Eu subliminar não se degeneraram durante a evolução, e como não serviram a nenhum propósito nesta vida, eles obviamente foram destinados para uma existência futura. 1 17
  18. 18. O princípio da continuidade • Frederic Myers constatando a realidade da fenomenologia mediúnica, especialmente por meio da sra. Newham, teve a coragem de afirmar que as comunicações não afetavam o "estado normal" das pessoas.” (Joana Dángelis “Psicologia da Gratidão”); • O método de Myers consistia em pegar numa grande variedade de fenómenos psicológicos — inclusive histeria e personalidades múltiplas, génios e criatividade, sono e sonhos, hipnotismo e mesmerismo, alucinações, aparições, outros automatismos sensórios, e fenómenos de mediunidade, como a escrita automática, e ainda o transe, possessão e êxtase e demonstrar que estes, de fato, não são anomalias isoladas, mas todos eles são partes integrantes de um quadro maior da personalidade humana. 1 18
  19. 19. Myers e a ideia das “correspondências cruzadas” • As correspondências cruzadas são comunicações obtidas pela escrita automática de médiuns diferentes; • Cada mensagem é ininteligível quando apreciada isoladamente e o seu sentido só é apreensível quando elas são conjugadas umas com as outras, como se fosse um puzzle; • Os mediuns não têm qualquer comunicação entre si, muitas vezes habitam cidades diferentes e nem se conhecem e as mensagens quase sempre são entregues ao mesmo tempo; • Visam demonstrar a imortalidade da alma uma vez que esses fenómenos são obra de inteligências bem definidas, distintas da de qualquer dos mediuns. • Myers considerava que que os desencarnados cada vez mais se esforçam para aperfeiçoar as provas da sua sobrevivência. 1 19
  20. 20. Myers e a ideia das “correspondências cruzadas” • Quando Myers faleceu, em janeiro de 1901, as provas foram esperadas com bastante impaciência. • Acharam-nas sob a forma de mensagens cruzadas emitidas por notáveis médiuns automáticos ingleses, tais como as SrasThompson, Forbes, Holland e Verrall. • tendo em conta o conteúdo das comunicaçãoes e a riqueza de conhecimentos clássicos exibido nos fragmentos dados pelas diversas médiuns, os quais eram apresentados como sendo da autoria de Meyers, levantaram uma presunção forte que eles realmente emanaram da mente ou espírito de Myers. 1 20
  21. 21. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS • O livro EVOLUÇÂO EM DOIS MUNDOS pode ser citado como um exemplo de correspondências cruzadas, • A convite de André Luiz, os médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira receberam os textos deste livro em noites de domingos e quartas-feiras, respectivamente nas cidades de Pedro Leopoldo e Uberaba, Estado de Minas Gerais, em 1958. 1 21
  22. 22. Cristo, ciência e religião • A vida de Cristo “foi a resposta mais alta que o instinto moral humano jamais recebeu” e “viu-se corroborada por fenómenos que todo o mundo, por falta de conhecimentos específicos, considera milagrosos, e dos quais a Ressureição foi a expressão culminante”. • O cristianismo repousa, incontestavelmente, sobre uma base formada por fatos observados. Estes fatos, tal como nos transmitiu a tradição, tendem seguramente a provar o caráter super- humano do fundador do cristianismo e seu triunfo sobre a morte, e, ao mesmo tempo, a existência e a influência de um mundo espiritual, que é a verdadeira pátria do home. (A personalidade Humana pág. 326) 1 22
  23. 23. Cristo, ciência e religião • “Jesus Cristo gerou "a vida e a imortalidade". Por sua aparição após a morte corporal, provou a imortalidade do espírito. Por seu caráter e seus ensinamentos, provou a paternidade de Deus. Tudo o que sua mensagem continha de dados demonstráveis estão aqui demonstrados; todas as suas promessas de coisas indemonstráveis para a época, estão aqui comprovadas.” (A personalidade Humana pág.. 326) “Os nossos recentes conhecimentos confirmam, dessa forma, as antigas correntes de pensamento, de um lado corroborando o relato da aparição do Cristo após a morte, e nos fazendo ver, de outro, a possibilidade de uma encarnação benfazeja de almas que, antes de sua encarnação, eram superiores à do homem.” 1 23
  24. 24. Princípio da Evolução • os novos conhecimentos adquiridos “confirmam o conceito oriental de uma infinita evolução espiritual à qual se submete todo o Cosmos • fato de nossa comunicação com os espíritos libertos nos proporciona um sustentáculo imediato e nos deixa entrever a perspectiva de um desenvolvimento infinito • acréscimo da santidade • evolução da energia e da vida na tríplice concepção da sabedoria, do amor e da felicidade • a vida, que nasce da energia primitiva, diviniza- se, para se converter na felicidade suprema 24
  25. 25. Importância da obra de Myers para o espiritismo • Resulta das pesquisas dos fenómenos psíquicos que Myers realizou bem como pelo idealismo que o norteou; • Convenceu muita gente mediante um trabalho metódico e de divulgação das verdades espíritas; • Sir" Arthur Conan Doyle afirmou que a obra de Fredrich Myers "A Personalidade Humana" foi aquela que mais o impressionou, contribuindo decisivamente para a sua conversão ao Espiritismo. 1 25
  26. 26. Conclusão • “Eu nunca conheci um homem tão esperançoso quanto ao seu destino final" , escreveu Sir Oliver Lodge, in memoriam. "Ele, uma vez, perguntou-me se eu trocaria — se fosse possível — o meu destino incerto qualquer que ele fosse, por muitas eras de sábia felicidade terrestre que pudessem existir até o último secular pôr do sol, e depois um fim. Ele não trocaria.". 1 26
  27. 27. Adenda: Pesquisas em colaboração com Staiton Moses • William Stainton Moses, Speer e o Espírito materializado de Rector, 1872- 1873 • “A sua inteligência, desenvolvida, severa e precisa, exigia provas absolutas antes de entrar nesse novo caminho que devia modificar-lhe profundamente as crenças anteriores.” • “Durante muito tempo esperei em vão pela prova reclamada. (...) Pouco a pouco, ora de um lado, ora de outro, por fragmentos e gradualmente, (...), essa prova chegou, e como meu espírito estava bem preparado para recebê-la, foram gastos seis meses inteiros em esforços diários, contínuos, para bem fixar em mim a demonstração da persistência do espírito humano e da sua faculdade de se comunicar comigo, dando-me a prova da conservação da sua individualidade, bem como da continuidade, sem interrupção, da sua existência.” 1 27
  28. 28. Pesquisas em colaboração com Staiton Moses • William Stainton Moses e o Sr. e Sra. Parkes Draped com uma figura, reconhecida como a mãe de Sitters, 1872-1873 Vejamos um exemplo de fatos ignorados pelo médium, revelados pelos espíritos. A cena passa-se de manhã, no gabinete de trabalho do sr. Moses, Ele está no estado normal e quer assegurar-se de que o espírito que se comunica pela escrita possui uma existência independente. Pede-lhe que reproduza, por sua própria mão, uma frase de um livro apanhado ao acaso na biblioteca: P. — Podeis ler? (Quem pergunta é Stainton Moses.) R. — Não, amigo, não consigo ler, mas Zacharie Gray consegue, assim como R. Não sou capaz de me materializar, nem de comandar os elementos. P. — Acha-se aqui algum desses espíritos? R. — Acharei um em algum lugar. Vou enviar-lhe R. Ele está aqui. P. — Disseram-me que podeis ler. É exato? Podeis ler num livro? (Aqui a letra da escrita muda) R. — Sim, amigo. Mas com dificuldade. P. — Podeis escrever-me a última linha do primeiro livro da Eneida? R. — Um momento... Omnibus errantem terris et fluctibus oetas. (Estava exato.) 28
  29. 29. 1 29 P. — Muito bem. Mas eu poderia sabê-la. Podeis ir à biblioteca, pegar o penúltimo livro, na segunda prateleira, e ler-me o último parágrafo da página noventa e quatro? Não o vi e nem mesmo sei seu título. R. — 'Vou provar rapidamente, por um breve relato histórico, que o papado é recente e elevou-se gradualmente ou desenvolveu-se depois da primeira e pura época da cristandade, não depois do período apostólico, mas desde a união lamentável entre a Igreja e o Estado, sob Constantino.' (Ao examinar o livro, constata-se que é uma obra singular intitulada Antipopepriestian de Roger, tentativa para liberar a Cristandade do Papado, da política clerical e do comando dos padres. O extrato dado estava exato, só a palavra relato tinha sido usada em vez de resenha.) P. — Como caí numa frase tão apropriada? R. — Não sei, meu amigo. Foi apenas uma coincidência. A palavra foi mudada por engano. Percebi assim que o cometi, mas não quis modificá-la. P. — Como ledes? Escrevestes mais lentamente, atabalhoadamente. R. — Escrevia o que me lembrava, depois lia a continuação. É preciso um esforço muito especial para chegar a ler e só o fazemos para fornecer uma prova. Vosso amigo tinha razão ontem à noite; nós podemos ler, mas só quando as condições são muito favoráveis. Vamos ler e escrever de novo; em seguida vos diremos em que volume: 'Pope é o último grande escritor dessa escola de poesia, a poesia da inteligência, ou melhor, da inteligência unida à fantasia.' Está realmente escrito assim. Ide pegar o décimo primeiro volume da mesma prateleira. (Apanhei um volume intitulado Poésie Roman et Rhétorique.) Ele se abrirá na página que procurais. Pegai-o, lede e reconhecereis nosso poder e a autorização que o grande e bom criador nos dá para provar-vos o poder que temos sobre a matéria. Glória lhe seja dada. Amém. (O livro se abriu na página 145 e lá encontramos a citação perfeitamente exata. Eu não tinha visto aquele volume antes; por certo, não tinha a menor idéia do seu conteúdo.)

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