Aula 32 o capital com pressa e o jornalista sem fonte (economia brasileira)

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Aula 32 o capital com pressa e o jornalista sem fonte (economia brasileira)

  1. 1. O Brasil sob a Nova Ordem A economia brasileira contemporânea – Uma análise dos governos Collor a Lula Rosa Maria Marques eMariana Ribeiro Jansen Ferreira Organizadoras 1ª Edição | 2010 |
  2. 2. Capítulo 15O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem Fonte Jorge Felix
  3. 3. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem Fonte1. Imprensa: origem e criseÉ necessária uma breve retrospectiva histórica para entender aorganização do mercado de mídia no Brasil.As condições verificadas em fins do século XIX (quando ocorreu apassagem da imprensa artesanal à imprensa industrial, ou seja, aconstituição da chamada “grande imprensa”) estão presentes narealidade desse segmento até o século XXI e marcam suas relaçõessociais.O capital originado na agricultura, cana-de-açúcar principalmente,buscava outras paragens com o enfraquecimento dessas atividades ecom o fim do trabalho escravo.
  4. 4. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteNo Império, uma certa imprensa independente sobrevivera à custa deanúncios publicitários, embora ainda com características artesanais eabrangência limitada.A “grande imprensa” surge, como sobrevivente de depredações eempastelamentos de jornais opositores à República. Ela surge areboque do novo poder e destinada a lhe dar apoio.Como diz Sodré, a história da imprensa no Brasil é uma história decrise – entendendo como crise o momento em que as formas antigasjá não satisfazem, ou não correspondem ao novo conteúdo, e vãosendo quebradas sem que se tenham definido ainda plenamente asnovas formas.
  5. 5. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteO advento da internet e da fibra ótica jogou a ousada e antesvisionária tese da “aldeia global” de McLuhan para o campo datimidez. O mundo surpreendeu a futurologia da ficção científica.Essa revolução ocorre a partir da segunda metade da década de 1990com o surgimento de um sistema de comunicação eletrônica formadoda fusão da mídia de massa personalizada com a comunicaçãomediada por computadores.No Brasil, essa revolução tecnológica chega no momento de sucessãodaqueles que iniciaram o processo empresarial na primeira metade doséculo XX com apoio da subvenção estatal.
  6. 6. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteEm 2004, no seminário “Imprensa e Sociedade, o diálogo necessário”,promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo(Abraji), representantes do mercado publicitário foram testemunhasdo impacto do crescimento do capital estrangeiro na economia emfunção das privatizações da década de 1990.E também do fenômeno da globalização no setor de mídia brasileiro,em particular, na “grande imprensa”.Se, pelo lado político, com a redemocratização e a liberdade deexpressão, ampliou-se consideravelmente o mercado consumidor deinformação, pelo lado econômico a crise impôs restriçõesorçamentárias para o consumo de bens como jornais e revistas,principalmente.
  7. 7. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem Fonte2. A Privatização do Sistema de Telecomunicações e a NovaCriseApesar de os discursos oficiais, nos anos 1990, desenharem umageopolítica na qual o Brasil passava a integrar o Primeiro Mundo, arealidade insistia em revelar a persistência de um relacionamentoentre a “grande imprensa” e a política ainda segundo os parâmetrosestabelecidos no início da República.As empresas jornalísticas, estrategicamente, entraram no processo deprivatização, que, no setor de telecomunicações, a partir de 1998,envolveu recursos da ordem de US$ 29 bilhões com transferência deUS$ 2,1 bilhões, totalizando, assim, US$ 31,1 bilhões.
  8. 8. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteA Folha de S.Paulo criou o Universo On-Line (UOL), em parceria com aEditora Abril e com a Portugal Telecom. O Estado de S. Paulo investiuna BCP, de telefonia celular, assim como a RBS se associou àTelefónica da Espanha.Na década seguinte, com a desvalorização do real e a queda daNasdaq, a Bolsa de tecnologia, as empresas de comunicaçãobrasileiras amargaram uma das piores crises de todos os tempos,ampliando seu montante de endividamento a patamares impossíveisde serem honrados.A Editora Abril (incluídos os investimentos em TV por assinatura)apresentou no balanço de 2002 um dívida de R$ 926 milhões.
  9. 9. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem Fonte3. Mudanças InstitucionaisAo contrário da expectativa do mercado, a falência dos novos projetosfez do setor ainda mais dependente das verbas oficiais.Depois da crise de 2001/2002 e diante da manutenção desse cenáriohistórico no mercado publicitário, as demandas do setor de mídia emrelação ao governo passaram a ser maiores.A Lei n. 10.610, sancionada em 20 de dezembro de 2002, liberou aentrada de 30% de capital estrangeiro na composição acionária dasempresas de comunicação, no caso de emissoras de TVs abertas,rádios e jornais, e de 49% no caso das TVs a cabo.
  10. 10. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteA mudança da legislação foi cercada, evidentemente, de grandepolêmica.No entanto, diante da gravidade da crise financeira do setor, amudança na legislação, cinco anos depois de entrar em vigor,demonstrou-se pouco eficiente para atrair investidores – e mesmo“oportunistas” – e equacionar um problema emergencial da mídia.4. Consequências da FinanceirizaçãoSem nenhuma das duas saídas para a crise, BNDES e capitalestrangeiro, as empresas de comunicação conseguiram solucionarparcialmente o endividamento aproveitando-se da queda do dólarobservada no período imediatamente posterior, mas isso não impediriao fato de o ambiente de negócios no setor ganhar um novo desenhono início do século XXI.
  11. 11. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteO único modo de fazer frente à força de tal capital, que passou aatuar do outro lado, como concorrente, foi reduzir custos com a mãode obra.Antes de expor as consequências dessa alteração de relacionamentotrabalhista para o exercício do jornalismo, cabe destacar o conceito docapital financeiro ou, seguindo a categoria marxista, capital portadorde juros.A entrada desse “capital apressado”, seja nas empresas de internet,nas empresas jornalísticas tradicionais ou em pequenas editoras,exigiu do exercício do jornalismo uma urgência incompatível com amaturidade ou o prazo de reflexão, investigação e apuração inerentesà característica artesanal do trabalho intelectual, no qual está inseridoo jornalismo.
  12. 12. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteOutra consequência para o exercício da liberdade de imprensa e suaqualidade na prestação de seu serviço básico (revelar, vigiar, informar)é o êxodo de profissionais para as áreas de negócios, empresaspróprias e, principalmente, para o mercado de revistas customizadas(empresariais).Os baixos salários ou a precarização empurraram os jornalistas aatividades outras – no caso dos profissionais de televisão, aapresentação de eventos ou participação em vídeos institucionaisfeitos por produtoras independentes, cujos principais clientes são osbancos.Na internet, onde o capital financeiro desembarcou em maior volume,o saber do jornalista já é até substituído por um robô.
  13. 13. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteConsiderações FinaisAs tecnologias do século XXI abriram uma nova fase para a imprensa.Depois de assistir à falência de suas empreitadas para dominar estanova era digital, a “grande imprensa” permanece em sua situaçãohistórica.Se não em “penúria”, como se verificou no início dos anos 2000, emdesvantagem diante do capital financeiro, porque passou a oferecer,como demanda esse capital, “mais do que pode dar”.A “grande imprensa” ou a empresa jornalística, passou a seradministrada por CEOs selecionados por headhunters. Taisprofissionais assumiram, em quase todo o mercado, aresponsabilidade pela gestão – sobretudo financeira.
  14. 14. Capítulo 15 O Capital com “Pressa” e o Jornalista sem FonteDepois de mais de 15 anos de treinamento nas redações, osprofissionais, excluídos do meio jornalístico, que passou a absorvermenos mão de obra, são disponibilizados para as empresas nãojornalísticas, como as do setor financeiro.Esses profissionais passam a oferecer, a quem resistiu nas redações,informação sob a ótica da empresa, informação que é publicada dianteda precariedade da empresa jornalística.Segundo Stiglitz (2000), a imprensa está diante de configurar-secomo o único meio de informação do mercado, mas, acredita-se serconsenso, constitui peça importante para garantir o equilíbrio.

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