1                            ESSE TAL DE ROCK’N’ROLL:    COMO OS JOVENS CONSTROEM SUA IDENTIDADE, EM                      ...
21 INTRODUÇÃO       As identidades pessoais e coletivas são construídas a partir de característicassimbólicas, produzidas ...
3adota, a fim de ter um grupo de pertença. Falar de jovem não é algo simples,principalmente no que se refere ao conceito. ...
4Rock FM e do pesquisador no Twitter5, a fim de falar sobre rock no Shopping Total, emPorto Alegre. Para encontrar pistas ...
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7juventude prepara-se, forma-se, e na idade adulta trabalha-se” (p.29), seguindo o mesmoraciocínio de Dayrrel (2005). Dess...
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11                             A partir do rock’n’roll ficou mais clara a relação entre indústria                         ...
12durante um flash mob10. O convite11 não foi convencional: foi postado no Twitter12 dopesquisador e da rádio Pop Rock FM ...
13tradicional, apesar de não conseguirem construir de forma crítica uma única definição.Na tentativa de explicar, citam os...
14                      “El principio generativo de criación estilística proviene del efecto                      recíproc...
15                        as vezes tu vê uma pessoa de longe, com um All Star, calça de brim e                        uma ...
16de amigos é a forma mais citada, pela facilidade de troca de arquivos por celular einternet.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS      ...
17através da mídia – o cinema – e continuou sendo produzido e reproduzido por todos osmeios porque é um produto comercialm...
18<http://www.nucleohumanidades.ufma.br/pastas/CHR/2007_3/benedito_souza2_v5_ne.pdf>. Acesso em: ago. 2010.FONTANARI, Ivan...
19ROHDE & CARVALHO. Pesquisa encomendada pela rádio Pop Rock FM. PortoAlegre, 2010.SILVA, Rafael Rodrigues da. Música bala...
20AGRADECIMENTOSAo Deivison, por me orientar neste campo tão complexo que é o comportamento humano.Pela minha família e am...
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This study aims to examine how Young people from 17 to 24 years, who
live in Porto Alegre, built their identity making use of rock’n’roll's characteristics,
considering Cultural Studies, with Bauman, Hall, Kellner and Dayrrel. For the
research, they were invited for a flash mod, where they were submitted to a
questionnaire and an audio recorded interview.
After that they responded to e-mail interview. From the results it was possible to
conclude that they make use use of a few characteristics of Rock to scape the ordinary
behaviour, but don’t define themselves as rokers so that it makes easier for them to
transit between different groups.

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  1. 1. 1 ESSE TAL DE ROCK’N’ROLL: COMO OS JOVENS CONSTROEM SUA IDENTIDADE, EM PORTO ALEGRE1 Fernando Pisoni Queiroz2RESUMO: O presente trabalho tem o objetivo de analisar como jovens, de 17 a 24anos, moradores de Porto Alegre, se constroem a partir de características identitárias dorock’n’roll, a partir de referenciais dos Estudos Culturais, como Bauman, Hall, Kellnere Dayrrel. Para a pesquisa, os jovens foram convidados a participar de um flash mob3,onde responderam um questionário e uma entrevista gravada em áudio, e, num segundomomento, responderam a entrevista por email. Através disso, é possível concluir que osjovens entrevistados utilizam fragmentos identitários do rock para demonstrar um euque subverte códigos tradicionais. Porém, não se definem, somente, como roqueirospara poder transitar entre diferentes grupos.PALAVRAS-CHAVE: Identidade. Representação. Pertencimento. Rock. Jovem.ABSTRACT: This study aims to examine how Young people from 17 to 24 years, wholive in Porto Alegre, built their identity making use of rock’n’rolls characteristics,considering Cultural Studies, with Bauman, Hall, Kellner and Dayrrel. For theresearch, they were invited for a flash mod, where they were submitted to aquestionnaire and an audio recorded interview.After that they responded to e-mail interview. From the results it was possible toconclude that they make use use of a few characteristics of Rock to scape the ordinarybehaviour, but don’t define themselves as rokers so that it makes easier for them totransit between different groups.KEYWORDS: Identity, representation, belonging, rock, young1 Artigo realizado como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Comunicação Social –habilitação em Jornalismo, pela Universidade Luterana do Brasil, sob orientação do Prof. MestreDeivison Moacir Campos (deivison_compos@hotmail.com).2 Graduando. Email: pisoniqueiroz@gmail.com3 “Flash Mob, por definição, é uma súbita mobilização coletiva, em espaços públicos físicos, organizadaatravés da Internet ou outras redes de comunicação digital. Sua característica principal é a de ser realizadaem um curto período de tempo, com a intenção de ser instantânea, surpreendente, de causarestranhamento e incomodar.” (KATO et.al., 2010, p.2).
  2. 2. 21 INTRODUÇÃO As identidades pessoais e coletivas são construídas a partir de característicassimbólicas, produzidas nas instancias de sociabilização. Se há algumas décadas afamília, a escola, e a igreja cumpriam este papel, construindo identidades mais fixas,hoje a fluidez apresenta-se como principal característica (BAUMAN, 2005). Nesteprocesso, a centralidade da mídia na cultura contemporânea faz com que esta se torneum espaço privilegiado de referenciação, gerando valores através de filmes, novelas,personagens e a música – neste caso, criando estilos. O estilo rock, surgido nos anos 50, sempre esteve vinculado à juventude erebeldia. Com a maior circulação de elementos identitários, como diz Bauman (2005),os jovens tornam-se, na contemporaneidade, sujeitos das transformações individuais,moldando seus referenciais baseados em uma representação de um nós em movimento,a partir de características simbólicas. Nessa perspectiva, essa pesquisa investiga como jovens, moradores de PortoAlegre, consumidores da música rock, constroem sua identidade a partir decaracterísticas identificatórias desse estilo musical. Para isso, é preciso identificar quaiscódigos do rock eles utilizam na construção da sua identidade e o que eles buscamrepresentar a partir disso. A observação das práticas é importante porque permite que se entenda aconstrução identitária dos jovens, a influência e o impacto do conteúdo midiatizado e ageração de valores e sentidos na juventude. Além disso, o sentimento e o discursocomercial de juventude são construídos, mercadologicamente, através destesparâmetros. Tudo isso acontece em um momento de centralidade da mídia eenfraquecimento das instituições reguladoras, como a igreja, escola e família(BAUMAN, 2005). Este trabalho se enquadra nos Estudos Culturais, visto que analisa a forma comoo “meio mercantizado e estereotipado da cultura de massa” (HALL, 2003, p.12) tem suarepresentação junto à audiência. Kellner (2001) afirma que “o estudo da cultura populare de massa” (KELLNER, 2001, p.12) tem o “nome genérico de estudos culturais”(KELLNER, 2001, p.12). A partir dessa perspectiva, alguns conceitos tornam-se referenciais. Identidade é,segundo Bauman (2005), um conjunto de fragmentos de representação que o indivíduo
  3. 3. 3adota, a fim de ter um grupo de pertença. Falar de jovem não é algo simples,principalmente no que se refere ao conceito. Neste trabalho, jovem é entendido atravésde Hebdige (1981), que diz que ser jovem passa a ser visto como um momento de liberdade, de prazer, de expressão de comportamentos estranhos e exóticos, enfim, a juventude como sinônimo de divertimento (HEBDIGE apud DAYRELL, 2005, p. 30). Algumas pesquisas realizadas recentemente analisam o comportamento dosjovens e o processo de construção de sua identidade a partir de referenciais simbólicos,impactados pelos discursos midiáticos. Nestas abordagens, a música aparece emdiversos artigos, como um dos principais produtos culturais que influenciam asociedade. Garbin (1999) diz que “as imagens e os sons da mídia dominam cada vezmais nosso senso de realidade e a maneira como definimos a nós mesmos e ao mundoao nosso redor” (p.1), afirmando ainda que nossa sociedade contemporânea vive“saturada pela mídia” (p.1). Silva (2009) mostra que os jovens valem-se de diferentesformas de utilizar a vestimenta para expressar seu estilo musical. Dayrell (2001) afirmaque “a imagem, o olhar e o visual são as mediações mais presentes nas relações sociais”(p.24) e que “a música acompanha os jovens em grande parte das situações no decorrerda vida cotidiana: música como fundo, música como linguagem comunicativa [...]”(p.21). O artigo é resultado de um estudo de campo, qualitativo porque tem [...] por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se de reduzir a distância entre indicador e indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação (MAANEN, 1979a, p. 520 apud NEVES, 1996, p. 1). Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram entrevistas gravadas equestionário - aplicado no momento das entrevistas gravadas, completadas porentrevistas feitas por email, com jovens de 17 a 24 anos. Os entrevistados foramconvidados para um encontro no formato de flash mob4, através do perfil da rádio Pop4 “Flash Mob, por definição, é uma súbita mobilização coletiva, em espaços públicos físicos, organizadaatravés da Internet ou outras redes de comunicação digital. Sua característica principal é a de ser realizadaem um curto período de tempo, com a intenção de ser instantânea, surpreendente, de causarestranhamento e incomodar.” (KATO et.al., 2010, p.2).
  4. 4. 4Rock FM e do pesquisador no Twitter5, a fim de falar sobre rock no Shopping Total, emPorto Alegre. Para encontrar pistas nos dados coletados para a resposta do problema, aanálise dos dados é realizada a partir da uma perspectiva indiciária de Ginzburg (2004): [...] permitir saltar de fatos aparentemente insignificantes, que podem ser observados, para uma realidade complexa a qual, pelo menos diretamente, não é dada à observação (GINZBURG, in ECO, 2004, p. 8). Esta pesquisa terá quatro seções. Inicialmente será apresentada a relação dajuventude com a música e, na segunda, será abordada a construção da identidade de jovensque consomem rock. Na terceira seção, são apresentados os resultados da pesquisa com osentrevistados, e, para concluir, as considerações finais.2 HISTÓRIA DA JUVENTUDE E A MÚSICA O culto à juventude é uma das principais diferenças da cultura contemporânea(HOBSBAWM, 2009). No pós guerra, carpe diem6 tornou-se um dos objetivos esinônimos de juventude (BAUMAN, 2005). Hobsbawm (2009) diz que, com ocapitalismo, a cultura juvenil tornou-se um dos bens mais desejados e exemplificafalando que antigamente o jeans azul era sinônimo de juventude, irreverência, despojo,e passou a ser utilizado por corpos envelhecidos, que pretendem manter ”os verdesanos”. Um dos principais ditadores dos modos juvenis foram - com a perda de poder dasinstituições escola e família - os produtos da cultura da mídia, como a música. Ser jovem é compreendido de diferentes formas. Pode-se considerar ser jovem -mesmo que com uma idéia estereotipada - ter atitudes rebeldes, aparência desleixada eao mesmo tempo asseada. Usar roupas que chamam atenção, entre outras tantaspossibilidades, que não necessariamente devem ser unificadas em uma só pessoa. Estessímbolos de juventude representam o desejo de viver intensamente o presente. Permitir-se ser responsável por seu prazer momentâneo (BAUMAN, 2005).5 “Twitter é um site popularmente denominado de um serviço de microblog (Java., 2007; Honeycut &Herring, 2009). É construído enquanto microblog porque permite que sejam escritos pequenos textos deaté 140 caracteres a partir da pergunta “O que você está fazendo?”.” (RECUERO, 2009, p.174).6 Carpe Diem é um produto comercial veiculado para gerar a necessidade de viver a vidaintensamente, de forma que o consumidor sente-se à vontade para extravasar em comprar.(BAUMAN, 2005).
  5. 5. 5 Bauman (2005), para exemplificar uma sociedade fullgás, ao estilo carpe diem,busca na filósofa Frydryczak a figura de Don Juan7: não poderia ser um colecionador, já que para ele só contava o “aqui e o agora”, a fugacidade do momento. Se de fato colecionasse alguma coisa, faria uma coleção de sensações, emoções, Erlebnisse. E as sensações são, pela própria natureza, tão frágeis e efêmeras, tão voláteis quanto as situações que as desencadearam. A estratégia de carpe diem é uma reação a um mundo esvaziado de valores que finge ser duradouro (FRYDRYCZAK apud BAUMAN, 2005, p. 59). A noção de juventude, como espaço e tempo, surgiu nas classes de maior poderaquisitivo (CAVALLI apud DAYRREL, 2005). Segundo o autor, os jovens estudavamem colégios militares e universidades, onde a educação era rígida, focada nas“competências e capacidades, mas também na formação do caráter e das vontades”(p.28). Essas instituições tinham que preparar o aluno no presente para que, no futuro,pudesse ter uma posição social privilegiada. Com a responsabilidade em ter um futurosocial elitizado, “a disciplina educativa era aliviada pelas formas quaseinstitucionalizadas de transgressão, como a libertinagem ou a cultura da boemia”(DAYRREL, 2005, p.28). Naquela época, tornou-se permitido extravasar, como sevivessem em uma “zona franca, com margens de liberdade para comportamentosdesviantes. Estes eram tolerados porque eram tidos como provisórios” (p.28). Dessa forma, levando em consideração a construção do jovem como nãoacabada, e por isso, à espera de um fim, Peralva (1997) diz que a juvetude é um vir-a-ser, tendo, no futuro, na passagem para a vida adulta, o sentido das suas ações no presente. A fase adulta é vista como a plenitude, na condição plena de cidadania, o resultado que dá sentido às fases anteriores, sempre vistas na perspectiva de uma preparação (PERALVA apud DAYRELLl, 2005, p. 29). Segundo Dayrrel (2005), como a formação era uma possibilidade remota para asclasses baixas, esses não tinham juventude. Na década de 1950, no entanto, o conceitode juventude começou a ser comercializado, por ganhar visibilidade na cultura doconsumo. Nesse período,7 Personagem criado por Mozart - um personagem que, para Serres, é um “herói da modernidade”, jáque pode ser considerado um representante da “vitalidade do viver espontâneo”, pois era hábil, no quetange a paixão, terminar rápido e ir para um novo começo (BAUMAN, 2005).
  6. 6. 6 os jovens das classes alta e média [...] começaram a aceitar a música, as roupas e até a linguagem das classes baixas urbanas, ou o que tomavam por tais, como seu modelo. O rock foi o exemplo mais espantoso. Em meados da década de 1950, subitamente irrompeu do gueto de catálogos de “Raça” ou “Rhythm and Blues” das gravadoras americanas, dirigidos aos negros pobres dos EUA, para tornar-se o idioma universal dos jovens, e notadamente dos jovens brancos (HOBSBAWM, 2009, p. 324). Como os símbolos de juventude tornaram-se um produto cultural, o desejo de serjovem vira um bem de consumo. Assim, através de conceitos construídos e veiculadospela mídia, a sociedade passa a perceber o ato de ser jovem como “um momento deliberdade, de prazer, de expressão de comportamentos estranhos, exóticos, enfim, ajuventude como sinônimo de divertimento” (HEBDGE, 1981 apud DAYRELL, 2004, p.30). Antes, os professores, pais e outros referenciais ditavam o que era de bom gosto,supervisionando os códigos da moda e também da identidade (KELLNER, 2001). Apartir dos anos 60, aconteceu uma generalizada tendência de acabar com os códigosculturais antigos, numa busca de romper com a tradição. A moda foi um dos principaiselementos para que se construíssem identidades novas, juntamente com o sexo, drogas eo rock, que também foram parte das modificações da década (KELLNER, 2001). Essa mudança fortaleceu o vínculo da música com o jovem, por ser materialcarregado de informações midiatizadas. Além de ser influência, estes discursosconstruíram mitos, símbolos da juventude até hoje. [...] grupos como os Beatles, os Rolling Stones, Jefferson Airplaine e interpretes como Janis Joplin ou Jimi Hendrix sancionavam a revolta contracultural e a adoção de novos estilos de vestuário, comportamento e atitude. A associação entre rock, cabelo comprido, rebeldia social e inconformismo em moda continuou por toda a década de 1970 com ondas sucessivas de heavy metal, punk, e new wave (KELLNER, 2001, p. 339). A partir desse panorama fragmentado, o conceito de ser jovem mantém-seconflituoso. Os estudos da Sociologia da Juventude, segundo Dayrell (2004), definem ajuventude como classista ou geracional. A classista compreende que a juventude variaconforme as classes sociais, afirmando que as culturas juvenis dependem da diversidadede formas de reprodução do social e da cultura. Para a Organização das Nações Unidas(CARDOSO, 2010), jovem é definido por faixa etária, ou seja, adota a perspectivageracional. Peralva (1997 apud DAYRREL) escreve que “na infância brinca-se, na
  7. 7. 7juventude prepara-se, forma-se, e na idade adulta trabalha-se” (p.29), seguindo o mesmoraciocínio de Dayrrel (2005). Dessa forma, se as classes definem modelos derepresentação de jovem, ou se a juventude é um período de preparar-se, ou ainda aperspectiva de faixa etária, pode-se entender que o conceito é uma representaçãoinstável que não pode ser definida a partir de um referencial fixo, possibilitando utilizar-se como parâmetro de juventude as autodefinições do grupo pesquisado, já que cadaindivíduo entende jovem de forma diferente. Outra característica desta fase é a necessidade de ter um grupo de pertencimento,de auto-afirmação, que possa gerar segurança. Bauman (2005) diz que a pertençadireciona este sentido, já que ser aceito pelo grupo é sinal de ter uma identidade“correta”. Para Wexler (1992), “no colegial”, atual ensino médio, é um momentoquando “os jovens constroem sua identidade, tentando „tornar-se alguém‟”. Na busca por este “tornar-se alguém” (WEXLER, 1992), os jovens encontramnos produtos midiatizados referenciais identitários a serem seguidos, procurandorepresentar e gerar sentimento e sentido de pertencimento. A subversão dos códigosculturais tradicionais, a fim de auto-afirmar a necessidade de não ser um indivíduoconvencional, mantém-se como característica importante. No entanto, a mídia, por suacentralidade, também acaba indicando o que é ser não convencional. A cantora Madonna é um exemplo de que os códigos representativos - comoroupas, corte de cabelo, cor de esmaltes para as unhas etc - fazem parte do discursomidiático de se ter uma imagem não convencional. Para Kellner (2004), na década de80, vivia-se uma época conservadora, e em meio a isso, surgiu a cantora que,inicialmente, [...] sancionava a rebeldia, o inconformismo, a individualidade e a experimentação com um jeito de vestir e de viver. Suas constantes mudanças de imagem e identidade preconizavam a experimentação e a criatividade nesses campos. Suas transformações às vezes drásticas em matéria de imagem e estilo indicavam que a identidade é um construto, algo que, produzido por nós, pode ser modificado a vontade. O modo como Madonna usava a moda na construção de sua identidade deixava claro que a aparência e a imagem ajudam a produzir o que somos, ou pelo menos como somos percebidos e nos relacionamos (KELLNER, 2001, p. 341). As variadas possibilidades de absorver e utilizar códigos e símbolos para criarum eu faz como que os indivíduos tenham que escolher elementos identitários, entre asmuitas possibilidades oferecidas, para criar uma imagem representativa de sujeito
  8. 8. 8social. Isso implica pertencer a um grupo e apropriar-se de seus referenciais identitários.Essa liberdade, no entanto, foi adquirida nas últimas décadas. Até o final do século XVIII, as possibilidades de ter uma identidade individualeram ínfimas e, diferente de como Bauman (2005) define a identidade e o pertencimentoatual, a solidez era a característica da época. O sujeito nascia com a identidade definidapor seu contexto sócio-cultural e quase nada poderia ser mudado. Tal característicaestendeu-se até o século XX, de maneira diferente em cada lugar. A crise da identidade surge pela problematização e crises nas instituiçõestradicionais do pertencimento, que tornou necessário, para inserir-se na sociedade,construir uma identidade e pertencer a um grupo (BAUMAN, 2005). A partir dissoentende-se que as afiliações sociais – mais ou menos herdadas – que são tradicionalmente atribuídas aos indivíduos como definição de identidade: raça...gênero, país ou local de nascimento, família e classe social agora estão...se tornando menos importantes, diluídas e alteradas nos países mais avançados do ponto de vista tecnológico e econômico. Ao mesmo tempo há a ânsia e as tentativas de encontrar ou criar novos grupos com os quais se vivencie o pertencimento e que possam facilitar a construção da identidade. Segue-se a isso um crescente sentimento de insegurança... (DENCIK apud BAUMAN, 2005, p. 30). Assim, a ação de construir uma identidade está relacionada também aopertencimento a redes sociais, também sugeridas ou mediadas pelos meios decomunicação, e não necessariamente atribuída ao pertencimento no antigo modelo deforma socializadora do Iluminismo (HALL, 2000). Dessa forma, concretiza-se a idéiade que os grupos sociais definem a relação do sujeito com a sociedade, uma vez que eleencontrará no etnos8 as características possíveis para a construção do seu eu social. Hall (2000) diz que a identificação acontece pelo reconhecimento decaracterísticas partilhadas e a busca de um mesmo ideal. Para ele, isso fecha “a base dasolidariedade e da fidelidade do grupo em questão” (p. 106). Nessa construção de identidade, os símbolos e códigos identificatórios de gruposgeram sentido social aos pertencentes. A percepção de que os símbolos são de umgrupo, e não de outro, faz com que a sociedade identifique e localize o sujeito como ummembro de uma tribo, encaixando-o em um estereótipo. Nesse processo, a juventude8 Grupo que compartilha um sentimento de origem comum (BARTH, 1998).
  9. 9. 9busca ser identificada com o grupo que lhe gera sentido de pertença, afirmando aopróximo sua inclusão social. Bauman (2005) diz que carregar uma imagem de pertençaafasta a possibilidade de sentido de exclusão social, um dos maiores medos geradoresde insegurança da sociedade atual. A condição do homem (sic) exige que o indivíduo, embora exista e aja como um ser autônomo, faça isso somente porque ele pode primeiramente identificar a si mesmo como algo mais amplo – como membro de uma sociedade, grupo, classe, estado ou nação, de algum arranjo, ao qual ele pode até não dar nome, mas que ele reconhece instintivamente como seu lar (SCRUTON, 1986, p.156 apud HALL, 2003, p. 48). As possibilidades de construir a identidade fazem com que sejam utilizadasreferências identificatórias representativas de diferentes grupos, entendidas comocomunidades simbólicas para Bauman (2005). Kellner (2001), no entanto, discorda que as identidades sejam totalmentefragmentadas. Ele diz que elas [...] são relativamente substanciais e fixas; ainda têm origem num conjunto circunscrito de papeis e normas: pode-se ser mãe, filho, texano, escoteiro, professor, socialista, católico, homossexual – ou então uma combinação desses papéis e dessas possibilidades sociais. Portanto, as identidades ainda são relativamente fixas e limitadas, embora os limites para identidades possíveis e novas estejam em continua expansão (KELLNER, 2001, p. 296). Por mais que se aceite essa idéia de que as identidades não são totalmenteinstáveis, não é possível discordar que as fragmentações são uma constante (BAUMAN,2005). Se na pré modernidade “alguém era caçador e membro da tribo, e por meio dessepapel e dessas funções obtinha a sua identidade” (KELLNER, 2001, p. 295), agora essaé construída a partir de uma combinação desses e de outros vários sentidos. Oindivíduo, na modernidade, é uma relação entre o tudo que se pode ser, como umquebra-cabeças (BAUMAN, 2005). Nesse caso, a cultura da mídia é um dos principais territórios para a construçãode parâmetros de identificação, através dos sentidos criados aos símbolos identitários, épossível a identificação do outro, e escolher os fragmentos para a construção daidentidade. Através de filmes, música, programas e personagens,
  10. 10. 10 [...] ela exerce importantes efeitos socializantes e culturais por meio de seus modelos de papéis, sexo e por meio de várias “posições do sujeito” que valorizam certas formas de comportamento e modo de ser enquanto desvalorizam e denigrem outros tipos (KELLNER, 2001, p. 307). O fato de escutar alguma música se transforma num ato identificatório(TROTTA apud SILVA, 2009). Isso porque a atitude de escolher um som e entrar nomundo dele “significa tomar contato com „códigos culturais, valores sociais, esentimentos compartilhados que fornecem‟”, e os fragmentos acessados servirão paraconstruir a identidade (SILVA, 2009, p.32). Entendendo a música como uma ferramentade sociabilização e sabendo que os jovens entram em contato com as músicas tambématravés dos seus amigos, pode-se depreender que esse contato com outros símbolosidentificatórios é mediado pelo círculo social.3 A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE MEIO ROQUEIRA POR JOVENS A noção contemporânea de juventude construiu-se ao som do rock, ligando osconceitos de jovem e música. Com o rompimento da juventude com códigos dasinstituições tradicionais na década de 50, pôde-se observar o aparecimento de uma“„cultura juvenil‟, com um novo padrão de comportamento e de valores, centrados, dentreoutros, na liberdade, na autonomia e no prazer imediato” (DAYRREL, 2005, p.30). A contracultura, segundo Kellner (2004), foi tendência nessa década e a moda,aliada ao sexo, rock e drogas, foi importante para o processo de superação dos códigostradicionais. Surgem grupos que buscam marcar o estilo com uma “identidade própriaexpressa no estilo, que implicava a articulação de uma escolha musical e uma estéticavisual, como os teads, mods ou os rockers” (DAYRREL, 2005, p.30). As mudanças comportamentais, da década de 50, aconteceram relacionadas àmúsica e ao cinema (DAYRREL, 2010). Inicialmente, os produtos midiatizadosconsumidos pelos jovens eram os filmes e, através deles, a música. Diversas produções,como Sementes da Violência [Blackboard jungle, 1955], que continha a música RockAround the Clock, de Bill Haley and His Comets como trilha, lançaram o rock para osucesso. As mídias, portanto, criaram o imaginário a partir do qual os jovens passaram ase construir, buscando romper com a tradição, ou seja, seus pais e as instituições sociaisreguladoras.
  11. 11. 11 A partir do rock’n’roll ficou mais clara a relação entre indústria cultural e juventude, no contexto das culturas juvenis. Depois do pós- guerra a cultura de massas passou a investir na criação de um mercado próprio, estimulando um estilo peculiar de vestir, com produtos privilegiados de consumo, desde chicletes e refrigerantes até meios de locomoção, como a motocicleta (DAYRREL, 2010, p. 38). Também as referências de paz e amor, sexo livre e “flower power” determinaramo contexto e revolucionaram a forma de comportamento dos jovens (BOX1824, 2010).Os códigos tradicionais foram afrontados e aos poucos afrouxados pela iniciativas dosjovens. Foi a partir da década de 50, no chamado boom econômico (FERRARETTO,2008) que a juventude passou a ser um produto cultural, midiatizado, industrializado evivenciado como imagem de mudança e quebra do tradicional. Nesse processo, osjovens viram o rock tornar-se um produto mundial, deixando de ser classificado comode negros ou brancos: [...] indústria fonográfica dos Estados Unidos rompe a sua histórica divisão entre os produtos para brancos, os discos das grandes gravadoras voltadas ao mercado nacional e para os negros – o rhythm and blues – com concessões aos brancos pobres – o country and western, no caso das pequenas empresas de alcance regional. Da união desses dois últimos e amparado pelo rádio, nasce o rock’n’roll, não por acaso uma denominação cunhada por um disc-jóquei. Usando como referência uma expressão comum em letras de rhythm and blues – “rocking and rolling” – um eufemismo para o ato sexual [...] (FERRARETO, 2008, p. 150) Essa relação entre a moda do rock, o boom, a quebra de paradigmas e códigostradicionais, utilizados pelos jovens para se expressar, viraram sinônimo de juventudeem todo o mundo, desde então. Não raramente, a publicidade atual utiliza-se da imagemde jovens, trasmitindo sensação, através de códigos simbólicos, de liberdade, commúsica de rock ao fundo. Essa relação da juventude com a música estilo rock’n’rollficou marcada e ainda são relacionadas pela mídia e produtos culturais.3.1 OS JOVENS Partindo desses parâmetros, foram pesquisados cinco pessoas9, de 17 a 24 anos,autodefinidos jovens, na maioria residentes de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, comensino médio completo e dependentes financeiramente dos pais. A entrevista aconteceu9 Três do sexo masculino e dois do sexo feminino
  12. 12. 12durante um flash mob10. O convite11 não foi convencional: foi postado no Twitter12 dopesquisador e da rádio Pop Rock FM o comunicado: “Amanhã estarei no ShoppingTotal para falar com jovens que gostam de rock, para o meu TCC”. A partir desteconvite, no dia 8 de agosto de 2010, os entrevistados compareceram no localcombinado13 com o objetivo de falar sobre rock. Eles chegaram aos poucos, em tornodas 18 horas. Cada entrevista durou cerca de 30 minutos e foi individual, mas às vezesalguns dos jovens fizeram comentários no meio das respostas dos outros entrevistados,o que acabou por gerar pequenos debates sobre o assunto. Na chegada, os entrevistados receberam um questionário para preencher, a fimde verificar idade, estado civil, com quem residem e quem mantém a casa, seconsideram-se roqueiros, onde mais escutam música e através de quais dispositivos ofazem. Na semana seguinte ao encontro, foi enviado email para todos os entrevistadoscom o objetivo de esclarecer dúvidas e tentar extrair um conceito pessoal de roqueiro. Como o convite foi destinado às pessoas que gostam do estilo de música, amaioria se definiu roqueiro – mesmo através dos emails-, porém, deixam claro que, dealguma forma, não o são da maneira tradicional. “Sou roqueira, mas não de me vestir”(G. 22 anos) e “sou roqueiro, mas não daqueles que usam moto e andam de roupa decouro” (G. 22 anos). Assim, demonstram não construir sua identidade exclusivamentepertencendo a este estilo musical. Dessa maneira, os jovens buscam escapar de umadefinição, ou classificação, confirmando o que Hall (2003, p. 106) fala ser umaidentidade. Para ele, [...] a identificação é construída a partir do reconhecimento de alguma origem comum, ou de características que são partilhadas com outros grupos ou pessoas, ou ainda a partir de um mesmo ideal [..] (HALL, 2003, p. 106). O conceito de roqueiro não foi definido objetivamente pelos entrevistados,mesmo que estes tenham apontado as características pela qual identificam um roqueiro,principalmente a partir da vestimenta e acessórios que usam. Assim, eles conseguemvisualizar as peças do “quebra cabeças” (BAUMAN, 2005), reconhecendo as “peças”que servem para gerar a imagem de quem gosta de rock. Ao mesmo tempo em que sedizem roqueiros, definem as características para a construção da representação10 Ver página 3.11 Convite feito diversas vezes entre os dias 4 e 8 de agosto de 2010.12 Ver página 3.13 Em frente ao restaurante Habib‟s, na praça de alimentação externa do shopping.
  13. 13. 13tradicional, apesar de não conseguirem construir de forma crítica uma única definição.Na tentativa de explicar, citam os símbolos identificatórios. Como as identidades são fragmentadas (BAUMAN, 2005), não querem seidentificar somente com uma tribo, ou gosto, já que isso faz com que eles sejamforçados a abdicar de outras coisas ou pessoas - como ocorria na década de 80 com osjovens que passaram a se definir como “normais” para poder circular em diferentesgrupos (BOX1824, 2010) - pela fidelidade etnológica. Com a intenção de viver todos osdias um carpe diem14, eles não adotam uma única referência de identidade, já que estadeve ser descartável (BAUMAN, 2005). Um dos entrevistados diz que parecer roqueiro,“é indiferente” (R. 22 anos), já que ele gosta de rap também. Outro diz que “o estilo tupega umas coisas aqui, outras ali” e “antes o roqueiro era somente quem se vestia depreto” (R. 22 anos). Por outro lado, a afirmação de Bauman (2005), que diz que a representação éuma forma de segurança social nessa modernidade, vai ao encontro das entrevistas dosjovens: encontro um cara que eu vejo a percepção dele pra música [...] pergunto: „que tipo de música tu toca?‟, ele fala „ah, toco rock‟. Eu tento conversar com ele, aí eu me identifico com ele...por causa do estilo...alguma coisa parecida que a gente tenha, dentro do rock (G. 24 anos). As comunidades guarda-chuvas (BAUMAN, 2005), nas quais diferentesfragmentos são utilizados e abandonados, são características da modernidade. Exemplodisto, é que todos os três entrevistados que se definiram roqueiros, dizem gostar deoutros tipos de música e cultura, como o rap e o hip hop. Por isso, utilizar diversosfragmentos passa a ser essencial para se representar e poder interagir com diferentesgrupos. Os símbolos utilizados por pessoas que ouvem rock, ou são roqueiras, fazemcom que o outro os identifique. Para estes entrevistados, o fato de escutar rock não fazde uma pessoa um roqueiro. Para os jovens, que dizem seguir a moda às vezes, o uso davestimenta é apontado como o principal recurso. A apropriação de camisetas pretas,calça jeans, tênis All Star e camiseta xadrez são os símbolos coletivos de representaçãodo estilo referido. Para Feixa,14 Ver página 4.
  14. 14. 14 “El principio generativo de criación estilística proviene del efecto recíproco entre los artefatos o textos que um grupo usa y los pontos de vista y actividades que estructura y define su uso” (FEIXA, 1988, p. 97 apud DAYRREL, 2005, p. 41) O fato de ver uma pessoa vestida com os referenciais apontados nas entrevistas,instantaneamente faz com que o indivíduo seja relacionado a uma pessoa que gosta derock’n’roll: [...] as vezes, tu vê uma pessoa de longe com um All Star, calça de brim, e uma camiseta preta e diz: "ó, é roqueiro, emo". Já virou uma imagem meio que padrão. Tu olha de longe uma pessoa de All Star de camiseta preta, ou até de calça preta ou calça jeans e diz “ah é roqueiro” [...] (C. 17 anos) Isso confirma que os códigos representativos geram um sentido de pertença auma comunidade simbólica (BAUMAN, 2005), no caso os que ouvem rock. Outro dos sentidos gerados pela representação do pertencimento ao rock, para osjovens pesquisados, é a atitude de ouvir um estilo que se mantém o “menos comercial”e o que ainda tem o valor de contestação. Esta última característica faz parte do rockdesde que ele ganhou o mainstream (HOBSBAWM, 2009). Pode-se dizer que a quebra dos códigos acontece porque os jovens buscam negaros produtos ditados pela mídia, ou ao menos sugeridos por ela, como aconteceu naépoca em que a cantora Madonna tornou-se referência de estilos de roupas ecomportamento (KELLNER, 2001). A moda, como o principal meio para aidentificação (KELLNER, 2001), que gera o sentido de pertença ao rock’n’roll, faz comque a identidade representada seja a de uma pessoa que gosta de música de qualidade,portanto não comercial, e libera sentimentos ruins ao ouvi-la. Buscam, também, sediferenciar do que é considerada uma pessoa convencional, muitas vezes citada comopessoas “padrão”: [...] eu, por exemplo, me visto de forma roqueira, tipo All Star, calça jeans, camiseta de banda, camiseta preta, ou algo relacionado a isso. Eles (os amigos) não seguem nada disso. Tanto que tu vê eles na rua e pensa: sei lá, ele gosta de qualquer estilo de música. Porque não tem como predefinir. É meio padrão [...] (C. 17). Ao mesmo tempo em que apontam sua diferença das pessoas que para elesparecem normais, eles incluem o rock dentro do modelo padrão:
  15. 15. 15 as vezes tu vê uma pessoa de longe, com um All Star, calça de brim e uma camiseta preta e diz: ó, é roqueiro ou emo. Já virou uma imagem meio que padrão (C. 17). Mesmo assim, para estes jovens, não ser padrão, ou igual a todos, faz parte darepresentação da identidade de ser roqueiro. Para eles, o ideal é não consumir músicasque são comerciais. Por isso, criticam bandas que estão no ápice de sucesso, comoRestart e Fresno: “eu tenho que admitir que eu escutava a Fresno. Mas eles não eramtão comerciais, não tocavam tanto nas rádios [...] eu era do fã clube deles” (R. 17 anos).Essa foi uma das frases faladas pelos entrevistados, que consideram as informaçõesmidiatizadas um produto inferior aos não veiculados com tanta freqüência. Tambémcomparam Fresno, com bandas de menor visibilidade: “Iron Maiden é rock, e não tocanas rádios, pelo menos toca menos que a Fresno, né? E se tocar em rádio, poucaspessoas vão gostar porque não é comercial” (C.17 anos), como se a mídia diminuísse osentido de contestação, de valoração, tanto do artista, como do receptor. Como a identidade é construída a partir de referências do rock e esse, comoproduto midiatizado, estabelece uma conexão com características de consumo, os jovensacabam por identificar os mais comercializados e buscam alternativas que os distingamdos demais. Tentam, com isso, mostrar que não são comerciais, “são autênticos”.Através destas características relacionadas pelas mídias e artistas (KELLNER, 2001),portanto, convencionais, eles buscam se posicionar como opositores ao padrão – mesmoo do rock, seguindo os passos dos que primeiros ouviam rock na década de 50 einiciaram o rompimento com os códigos tradicionais. Mesmo que a tradição seja o rock, eles assumem não gostar desse produtocomercializado. No entanto, quando o contato com essas músicas acontece mediado porseu círculo de amizade, eles dizem não se importar em escutar, pois o que vale “é omomento” (R. 17 anos), a festa, o “sentido da coisa” (R. 17 anos), ou seja, opertencimento. Essa relação dos jovens com a música acontece em duas instâncias sociais(ROHDE & CARVALHO, 2010). A “música de ouvir em casa” é o que o jovem gosta,e a “música de balada” são de diferentes tipos, “dependendo do momento, o que importaé o programa, os amigos”. Essas classificações e os depoimentos demonstram que o fatode identificar-se com um estilo, não exclui o fato de consumir outros tipos de música,reforçando a ideia de uma identidade fragmentada. No flash mob, os jovens deixaramclaro que as influências de contato com músicas passam pela família, mas a indicação
  16. 16. 16de amigos é a forma mais citada, pela facilidade de troca de arquivos por celular einternet.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os jovens pesquisados constroem sua identidade através do sentido decontracultura, de rejeição ao padrão e ao normal. Para isso, se apropriam dos símbolos efragmentos identitários representados pelo rock, que nada mais é do que um produtocultural midiatizado e comercialmente representado como contracultural, devido à suahistória social. Nesta época de centralidade da mídia, o rock virou um produto culturalcomercial. Tanto que o conceito de roqueiro para eles é vinculado principalmente aprodutos, símbolos representativos e comerciais, como o jeans, tênis All Star, camisetapreta e camisa xadrez. No entanto, também fala de atitude, que neste caso é a tentativade fugirem do comercial. A partir dos fragmentos, que compõem uma identidade nunca terminada, osjovens representam pertencer a um grupo social e também reconhecer o outro destaforma. Para eles, consumir rock é contestar, ser visto como um sujeito que questiona asociedade e é contra um sistema dominador, no caso a mídia. Os jovens pesquisadosprocuram subverter os códigos através do rock’n’roll, da mesma forma como aconteceuda década de 50. Eles buscam se diferenciar dos demais para se representarcontraculturais, inteligentes e pertencentes ao rock, que para eles, é o único estilo aindapouco comercial. Mesmo o velho estereótipo de roqueiro, vira motivo para não seidentificar ou representar totalmente, mostrando que a tradição deve serpermanentemente quebrada. As tentativas da juventude de quebrar a tradição e os códigos existem há muitotempo. Nos anos 50, essa movimentação teve o rock como trilha sonora, impulsionadopelo cinema. Juntos, rock’n’roll e os jovens trouxeram práticas contraculturais, como osexo, drogas e o sentimento de viver como o último dia, ou carpe diem15, para o centrodos debates. Como o poder de consumo dessas práticas é grande, transformaram o serjovem em mais do que uma fase etária, mas um sentimento de pertença. Essa representação, para pertencer e gerar sentidos, não acontece de forma alheiaà midiatização do rock, como pretendem os entrevistados. O estilo tornou-se popular15 Ver página 4.
  17. 17. 17através da mídia – o cinema – e continuou sendo produzido e reproduzido por todos osmeios porque é um produto comercialmente rentável. Desse modo, a valorização daquebra de códigos vem sendo sugerida pela mídia. O rock, identificado como sentimento e ferramenta de contestação, tem comomídia, além das vestimentas e os meios de comunicação, os corpos dosautoidentificados com o estilo, que guarda significações de juventude. Através de suaspráticas, modificam permanentemente, como acontece desde a década de 50, ascaracterísticas que servem de identificação para os jovens, considerando ser a quebra datradição a principal característica, mesmo que essa tradição seja pós-moderna. REFERÊNCIASBARTH, Fredrik. Grupos étnicos e suas fronteiras. In: POUTIGNAT, Philippe. Teoriasda etnicidade. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Tradução: CarlosAlberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.__________________. Modernidade Líquida. Tradução: Plinio Dentzien. Rio deJaneiro: Jorge ZAHAR, 2007.BOX1824. We all want be young. 2010. Disponível em: < http://www.youtube.com >.Acesso em: jun. 2010.CARDOSO, Rodrigo Lúcio. O novo jovem e o velho rádio: a relação do públicojovem com o rádio na atualidade. Canoas, RS: Universidade Luterana do Brasil(ULBRA), 2009, 34f. Artigo (graduação), Curso de Comunicação Social, Publicidade ePropaganda. 2010.DAYRREL, Juarez. A música entra em cena: o rap e o funk na sociabilização dajuventude. Belo Horizonte, MG: UFMG, 2005.DAYRREL, Juarez. A música entra em cena: o rap e o funk na socialização dajuventude em belo horizonte. São Paulo: Faculdade de Educação USP. 2001.Disponível em: <http://www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/1591/1/tese.pdf>. Acessado emdez. 2010.FERRARETTO, Luis Artur. Desafios da radiodifusão sonora na convergênciamultimídia: o segmento musical jovem. Conexão – Comunicação e Cultura, UCS,Caxias do Sul, v.7, n.13, jan./jun.2008. Disponível em:<http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/viewFile/157/148>. Acessoem: nov. 2010.FILHO, Benedito Souza. A identidade como identificação. 2006. Ciências Humanasem Revista. São Luís, MA, v. 5, número especial. Jun. 2007. Disponível em:
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  20. 20. 20AGRADECIMENTOSAo Deivison, por me orientar neste campo tão complexo que é o comportamento humano.Pela minha família e amigos, pela força e oração, para que este trabalho alcançasse o objetivo.Amorosamente à minha esposa, Rita, e filhas Catarina e Sofia, pela compreensão e amor.E aos meus pais, irmão e avós pela base desta construção que eu trilho e acredito todos os diasda minha vida. Por isso, esta pesquisa é mais que um trabalho acadêmico, é uma experiência eoportunidade de conhecer e compreender mais e mais. “Não há nada de automático na maneira como achamos que vemos o mundo.” Oliver Sacks

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