Antropologia Cultural: Parentesco e família

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Antropologia Cultural: Parentesco e família

  1. 1. As esferas da vida social – Sistema Social PARENTESCO E FAMÍLIA PROFESSORA DR.ª MARLENE OSSAMI DE MOURA
  2. 2. Parentesco  As sociedades que estão compostas por um número reduzido de indivíduos, dão muito valor à importância social do parentesco, contudo, as “grandes” sociedades, não dão muita importância para o sistema de parentesco segundo John Beattie.  Já para Serge Tornay, possui uma consideração oposta em relação ao que Bottie propõe: para ele as relações de parentesco entre nós são muito importantes, contudo, elas estão tão consolidadas nas pessoas que acaba sendo imperceptível a sua execução.  Segundo Tornay, os costumes e as práticas com relação ao parentesco entre os povos “primitivos” e europeus ou mesmo euro-americanos apontam existir uma grande disparidade.  Estes estudos foram realizados até a década de 30, ficando estagnados até a década de 60, quando a comunidade francesa volta a realizar estudos de parentesco a partir da obra de Lévi-Strauss “Les structures élémentaires de la parenté.”
  3. 3.  Em sociedades de pequenas proporções, o sistema de parentesco está fundamentalmente entrelaçado com as relações políticas, religiosas e econômicas.  Em suma, se tratando de parentesco dentro das sociedades costumeiramente estudadas pela antropologia, para elas, o parentesco funciona como o norteador de todas as relações sociais realizadas dentro do espaço de convívio. As Estruturas Elementares do Parentesco Livro por Claude Lévi-Strauss Publicado em 1949
  4. 4. O parentesco é marcado por um duplo caráter: ao mesmo tempo em que se mostra diretamente relacionado a aspectos da reprodução biológica, seus modelos representam expressões culturais. Parentesco Atitudes/comportamento/posicionamento '' O parentesco não é um fenômeno estático; existe apenas para perpetuar-se. Não nos referimos ao desejo de perpetuar a raça, mas ao fato de que, na maioria dos sistemas de parentesco, o desequilíbrio inicial que se produz, numa dada geração, entre aquele que cede uma mulher e aquele que a recebe só pode ser estabilizado pelas contraprestações que ocorrem nas gerações seguintes.''
  5. 5. Termos Técnicos  Alguns estudiosos afirmam que esse campo dentro da antropologia poderia ser o que possui a maior quantidade de conceitos.  Houve uma necessidade de criar uma sistematização que acaba por transformar estudos de parentesco em álgebra de parentesco. “Em função disso, para cada termo técnico utilizado, estabeleceu-se definições: A. Parentesco: pode ser usado tanto para casamento, laços de afinidade, quanto para laços de sangue (consanguinidade). B. Laços de Parentesco: existem três tipos de laços de parentesco – laços de sangue (descendência), laços de afinidade (casamento ou matrimônio) e laços fictícios (de adoção). C. Descendência: esse termo faz alusão às relações de indivíduos e seus parentes consanguíneos. o Descendência Matrilinear: consanguínea e Patrilinear: agnóstica. o Patriarcal/matriarcal ≠ patrilinear/matrilinear (o primeiro possui sentido político).
  6. 6. D. Descendência Unilinear dupla: é um caso com pouca incidência. Se trata de uma sociedade onde a descendência das duas linhas não é considerada da mesma forma. Ou seja, em alguns casos é reconhecida patrilinear para alguma finalidade e para outras matrilinear. E. Pai e Genitor: Genitor – pai biológico. Pai – pai social, reconhecido socialmente. o Nas sociedades matrilineares o pai biológico não é reconhecido como pai, mas sim o tio materno. F. Nomenclatura de Parentesco: se trata da denominações simbólicas com relação as posições relativas aos laços de descendência e afinidade como por exemplo: pai, mãe, irmão, cunhada etc. Esse termo se divide em duas terminologias: o Descritivo: utilizam um termo para diferenciar cada parente. o Classificatório: utilizam um termo denominador para outros indivíduos, não há restrições.
  7. 7. G. Clã, gens e sib: grupos de pessoas que possuem um nome de descendência unilinear. Acreditam descender de um único ancestral, podendo ser um patriclã ou matriclã. o O termo gens é mais utilizado para se referir a patriclãs. o Dentro de um clã, em geral os casamentos não podem ser realizados, ou seja, um indivíduo de um determinado clã só pode se casar com outro de outro clã.
  8. 8. Apresentação Gráfica dos Laços de Parentesco  É utilizado esse método de análise de parentesco quando se objetiva um rápido entendimento das relações. Símbolos ou sinais representativos dos sexos: Representação da relação matrimonial:
  9. 9. Representação dos irmãos A) Família Patrilinear B) Família Matrilinear C) Família de Descendência bilateral
  10. 10. Sinas correspondentes a filhos de um homem (A) e filhos de uma mulher (B).
  11. 11. Família  Neste item o foco será sobre as relações de afinidade. Normalmente nas famílias, marido e mulher não são parentes consanguíneos. Então, os laços de afinidade tem uma importância muito grande no conjunto da organização social de qualquer agrupamento humano.  Quando falamos em família logo nos ocorre a ideia de uma unidade social composta de pessoas unidas por laços de afinidade e de sangue. Mas o que o termo “familiar” significa para vocês? a) O grupo composto de pais e filhos. b) Uma linhagem patrilinear ou matrilinear. c) Um grupo cognático , isto é , de pessoas que descendem de um mesmo antepassado, seja através de homens ou de mulheres. d) Um grupo de parentes e seus descendentes , que vivem juntos.
  12. 12.  Como se pode observar , torna-se difícil distinguir a família de um clã . Alguns preferem considerar a família como a menor unidade social ligada por laços de consanguinidade de afinidade e de adoção. Esta porem corresponde ao que os etnólogos denominam de Familia nuclear em oposição a família extensa , que congrega varias famílias nucleares, isto é , agrega a vários casais. Tipos de Família Quanto ao número de cônjuges 1. Monogamia: Casamento entre um só homem e uma única mulher/ Soc. ocidental. 2. Poligamia: Casamento do homem ou da mulher com dois ou mais cônjuges. 3. Poliandrica: casamento de uma mulher, simultaneamente, com dois ou mais homens.
  13. 13. Tipos de Família  Quanto a descendência, podemos falar de famílias consanguíneas (onde geralmente a filiação se da ou pela materna ou pela paterna) podendo ser patrilinear ou matrilinear; e famílias conjugais com descendência bilateral.  Schusky , em seu manual de Analise de Parentesco , fala dos seguintes tipos de família: 1. Família composta: unidade composta de três ou mais conjugues e seus filhos; pode existir em sociedades monogâmicas quando um segundo casamento da origem as relações de adoção do tipo madrasta, padrasto e enteados. 2. Família de orientação: aquela que na qual o Ego nasceu e foi criado ; inclui Fa (pai), Mo (mãe) e siblings (irmãos) 3. Família de procriação: aquela em que Ego se forma através de casamento; inclui seu cônjuge , ou cônjuges e filhos. 4. Família consanguínea: fundava-se sobre Inter matrimônio de irmãos e irmãs carnais e colaterais , no interior do grupo. 5. Família sindiásmica ou de par: Fundava-se sobre o matrimônio entre casais singulares ,mas sem obrigação de coabitação exclusiva . O casamento continuava enquanto o desejassem as duas partes. 6. Família monogâmica: Fundava-se sobre matrimônio de casais singulares , com obrigação de coabitação exclusivas.
  14. 14. Casamento  Vai dar continuidade as relações de sangue. Homem e mulheres estabelecem a aliança conjugal e esta dará origem a novas relações de consanguinidade, ou melhor, à sua continuidade através do tipo de descendência adotado: patrilinear, matrilinear ou bilateral.  Embora, atualmente, o casamento tenda a se transformar em escolha mútua individual, sabe- se que o matrimônio implica das união de dois grupos, de duas famílias.  Toda as sociedades possuem regras de restrições sobre quem pode ou não casar-se com quem. Há muitas formas de classificar os vários tipos de casamentos registrados na etnografia. Entre os vários critérios de classificação estão, entre outros, os critérios na escolha dos nubentes, a forma como ocorre o casamento, o numero de nubentes, o local da moradia dos recém-casados, etc.  Por seu turno , nas sociedades de pequena escala é muito frequente o denominado casamento prescrito , isto é , aquele casamento compulsório e preestabelecido , isto é , aquele casamento futuro ou antecipado . A dois tipos de casamento prescrito que são de primos cruzados ( que pode se matrilateral ou patrilateral ). E o de Primos paralelos ( também patrilateral ou matrilateral).
  15. 15.  Uma outra dominação que se dá ao casamento está relacionado com a procedência dos cônjuges. Diz-se que um casamento é exógamo quando os cônjuges são de grupos diferentes, isto é , o casamento realiza fora de grupo; no mesmo grupo . Algumas maneiras de se obter esposa de acordo com os documentos etnográficos:  Casamento por captura: existem vários modos e um era a compra da esposa veio posteriormente como dulcificação da conquista de outrora, fraudando ao pai da noiva que pela filha receberia compensações materiais.  Casamento por serviço: Isto se da quando recém-casados passa a morar na aldeia ou na casa dos pais do noivo, quando os recém-casados passa a residir com pai da noiva.  A Herança das esposas: Trata-se dos costumes de o filho herdar as esposas do pai, exceção da própria mãe.
  16. 16. Incesto  Incesto: Consiste em manter relações sexuais com um parente consanguíneo.  Lévi-Strauss (1985) traz três explicações acerca do assunto: 1. “A proibição do incesto seria uma medida de proteção, tendo por finalidade defender a espécie dos resultados nefastos dos casamentos consanguíneos.” 2. “Tende a eliminar um dos termos da antinomia entre os caracteres natural e social.” 3. “Tabu do incesto exclusivamente de fator social.” “O tabu do incesto garante a exogamia, as alianças fora do grupo e entre grupos, além de favorecer a mistura genética. “ ¹Exogamia: ( exo, fora; gamos, casamento) Casamento com uma pessoa de fora do próprio grupo ou espaço territorial. Alarga assim a rede social intergrupal.
  17. 17. PRÍNCIPIO DA RECIPROCIDADE: ESTARIA NA BASE DA PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, DE ACORDO COM LÉVI-STRAUSS, A PRESENÇA SUBLIMINAR NA ORGANIZAÇÃO FAMILIAR (TROCA DE MULHERES), NA ECONOMIA (TROCA DE BENS), E NA COMUNICAÇÃO SIMBÓLICA (TROCA DE PALAVRAS). TODA CULTURA IMPLICA UM ENORME SISTEMA DE INTERAÇÃO SOCIAL: INTERAÇÃO DE PESSOAS, INTERAÇÃO DE BENS E INTERAÇÃO DE PALAVRAS.
  18. 18. Família  Vale ressaltar que família é uma palavra que não oferece um conceito fechado para a antropologia, mas que pode ser estudada como uma noção processual, dinâmica, visto que é uma instituição cultural e, por isso, modifica-se geográfica e historicamente.  Evolucionismo biológico Coleta de dados a vida familiar está presente em praticamente todas as sociedades (nhambiquaras – seminômades – Brasil Central).  Raramente encontraremos tribos que não possuem laços familiares. Ex.: “Naires, extenso grupo que vive na costa do Malabar, na India.”
  19. 19. O massais e os jagas (tribos africanas) Grupo Massai. Foto retirada do Wikipédia.
  20. 20.  Alemanha nazista: de um lado homens dedicados às atividades políticas e guerreiras, com ampla liberdade decorrente de sua enaltecida posição; de outro as mulheres com os “3K” (cozinhar, igreja e crianças.” Levou a um tipo de organização social.  Costumes ≠ casamento em grupo.  Wunambal: “muito cúpido” /Procriação fisiológica  “Da cá, toma lá.” o Deve-se encarar esses “problemas” de modo relativo, até mesmo, no que diz respeito à família poligâmica – sistema pelo qual o homem tem direito a várias esposas, bem como a poliandria, que é o sistema complementar, onde vários maridos compartilham uma esposa. A família tornava-se um grupamento econômico onde o homem trazia os produtos de sua caça e a mulher os de sua coleta e sua apanha.
  21. 21. • Tupi-cavaíbas (Brasil Central)  Mesmo homem desempenha papel de marido com todas esposas.  Combinação de poliginia (estado de um homem casado simultaneamente com várias mulheres) com poliandria (estado de uma mulher casada simultaneamente com vários homens).
  22. 22. Características de uma Família 1. Tem sua origem no casamento. 2. É constituído pelo marido, pela esposa e pelos filhos provenientes dessa união, conquanto seja lícito conceber que outros parentes possam encontrar o seu lugar próximo ao núcleo do grupo. 3. Os membros da família estão unidos entre si por: A. Laços legais, B. Direitos e obrigações econômicas, religiosas ou de outra espécie. C. Um entrelaçamento definido de direitos e proibições sexuais, e uma quantidade variada e diversificada de sentimentos psicológicos, tais como amor, afeto, respeito, medo, etc. Começa-se a ver por que o problema da família não deve ser encarado de maneira dogmática. Sabe-se pouco acerca do tipo de organização pre-dominante nos primeiros estágios da humanidade.
  23. 23. O casamento  Existe uma distinção entre o casamento, isto é, um vínculo legal e aprovado pelo grupo entre um homem e uma mulher, e o tipo de união, permanente ou temporária, que resulta da violência ou do simples consentimento.  Todas as sociedades possuem algum modo de estabelecer uma distinção entre uniões livres e as uniões legítimas.  Repulsa quanto aos solteiros – Ex.:Bororos do Brasil Central.  Embora o casamento dê origem à família, são as famílias que produzem o casamento, como principal expediente legal de que dispõem para estabelecer alianças entre si.  “O VERDADEIRO PORPÓSITO DO CASAMENTO NÃO É TANTO O DE OBTER UMA ESPOSA MAS O DE CONSEGUIR OS CUNHADOS.”
  24. 24. Formas de Família  Família nuclear: É uma unidade formada por um homem, sua esposa e seus filhos, que vivem juntos em uma união reconhecida pelos outros membros de sua sociedade.  Família Composta: É uma unidade formada por três ou mais cônjuges e seus filhos. Refere-se a um núcleo de famílias separadas, mas ligadas pela sua relação com um pai comum. A) Sociedade Poligâmicas: ou seja, duas ou três conjugadas, tendo como centro um homem ou uma mulher seus cônjuges. Ex: Baganda (África), Tanala ( Madagáscar). B) Sociedade monogâmicas: isto é, por meio de relações de adoção ( madrasta, padrasto, enteados).
  25. 25.  Família Fantasma: É uma unidade familiar formada por uma mulher casada e seus filhos e o fantasma. O marido não desempenha papel de pai, é apenas o genitor ( pai biológico). A função de pater ( pai social ) cabe ao irmão mais velho da mulher (fantasma). Exemplo: Naires, da costa do Malabar - Índia. Formas de Família
  26. 26. Laços Familiares  No decurso dos séculos acostumamo-nos à moralidade cristã, que considera o casamento e a constituição da família como únicos meios de evitar que a satisfação sexual seja pecaminosa.  Entre a maioria dos povos, o casamento pouco tem a ver com a satisfação do desejo sexual, de vez que a estrutura social proporciona várias oportunidades para isto, as quais podem ser não só externas ao casamento, mas até contrárias ao mesmo. As necessidades econômicas sempre estiveram em primeiro lugar.  O princípio da divisão de trabalho por sexo estabelece a dependência mútua entre eles, compelindo-os a se perpetuar e a constituir uma família, a proibição do incesto estabelece a dependência mútua entre as famílias, compelindo-as, para que se possam perpetuar, a dar origem a novas famílias.
  27. 27.  Para toda a humanidade, o requisito absoluto para a criação de uma família é a existência prévia de duas outras famílias. Uma apta a proporcionar um homem e a outra uma mulher, os quais, mediante o casamento, iniciarão uma terceira e assim indefinidamente.  O que realmente diferencia o homem dos animais é o fato de que, na humanidade, uma família não poderia existir se não existisse uma sociedade, isto é, uma pluralidade de famílias prontas a reconhecer que existem outros laços que não os consanguíneos, e que o processo natural de filiação somente pode ocorrer através do processo social de afinidade.  Não se sabe quando essa interdependência se iniciou. • Supõe-se que seja a proibição do incesto e; os tabus.  Entretanto, a grande maioria dos povos primitivos descobriram métodos para resolver este problema. 1. Regra de cruzamento entre primos: os parentes colaterais são divididos em duas categorias - colaterais paralelos quando as relações de parentesco conduzem a dois irmãos do mesmo sexo e colaterais cruzados quando conduzem a dois irmãos de sexo oposto. O casamento entre eles é incestuoso.
  28. 28. Obrigado! ALUNOS: CAIO RUIBERTE GUILHERME HALAX PONCIANO DO VALE MATHEUS MARTINS DE ARAÚJO NATHALIA BASTOS MUNDIM PEDRO MATEUS O. A. PROCEDINO

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