ANÁLISE DA ESTRUTURA E CONTEÚDO DOS POEMASSoneto De Separação (Vinícius de Moraes)= Forma fixa: Soneto (2 quartetos e 2 te...
•O soneto lírico amoroso de Vinicius de Moraes, “Soneto de separação”, dialoga com umadas mais importantes tradições da po...
•Repare que o poema centra-se em seguidas antíteses que realçam a mudança de situaçãoprovocada pela perda ( o segundo memb...
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempoMinha avóMeu avôTotônio RodriguesTomásiaRo/(as) (monossílabo)On/de es/tão/ to/dos...
— Eh, carvoero!E vão tocando os animais com um relho1 enorme.Os burros são magrinhos e velhos.Cada um leva seis sacos de c...
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Nota ii separação e profundamente ok

  1. 1. ANÁLISE DA ESTRUTURA E CONTEÚDO DOS POEMASSoneto De Separação (Vinícius de Moraes)= Forma fixa: Soneto (2 quartetos e 2 tercetos)De/ re/pen/te/ do/ ri/so/ fez/-se o/ pran/(to) ASi/len/ci/o/so e/ bran/co/ co/mo a/ bru/(ma) BE/ das/ bo/cas/ u/ni/das/ fez/-se a es/pu/(ma) BE/ das/ mãos/ es/pal/ma/das/ fez/-se o es/pan/(to) ADe/ re/pen/te/ da/ cal/ma/ fez/-se o/ ven/toQue/ dos/ o/lhos/ des/fez/ a úl/ti/ma/ cha/maE /da/ pai/xão/ fez/-se o/ pres/sen/ti/men/toE/ do/ mo/men/to i/mó/vel/ fez/-se o/ dra/maDe/ re/pen/te/ não/ mais/ que/ de/ re/pen/teFez/-se /de/ tris/te o/ que/ se/ fez/ a/man/teE/ de/ so/zi/nho o/ que/ se/ fez/ con/ten/teFez/-se/ do a/mi/go/ pró/xi/mo/, dis/tan/teFez/-se/ da/ vi/da u/ma a/ven/tu//ra er/ran/teDe/ re/pen/te/, não/ mais/ que/ de/ re/pen/te.•Versos decassílabos (medida nova); tradicionais.•ABBA: interpoladas/opostas. (disposição)•A (pranto/espanto)= rima pobre (qualidade); B (bruma/espuma)=rima pobre•Quanto à tonicidade= (graves/femininas paroxítona)•Diferenciar sílabas gramaticais de sílabas métricas/poéticas.•Decassílabos/10 sílabas métricas/Medida nova.•Plano de conteúdo: temática da separação e o sofrimento do eu lírico em relação àpessoa amada.
  2. 2. •O soneto lírico amoroso de Vinicius de Moraes, “Soneto de separação”, dialoga com umadas mais importantes tradições da poesia lírica (caracterizada, essencialmente, pormanifestar a subjetividade do eu lírico, expressando-lhe os sentimentos, as emoções, omundo interior).• De um modo geral, a musicalidade é um elemento fundamental no texto lírico.Vinícius de Moraes explora recursos poéticos no plano da sonoridade, do ritmo e das figurasde linguagens e versos decassílabos (dez sílabas poéticas em toda a sua estrutura) e umvariado jogo rimático que compreende as rimas ABBA CDCD EFE FFE. A ocorrência daaliteração ( repetição constante de um mesmo fonema consonantal) entre palavras(“espuma”, “espalmadas”, “espanto”) e a assonância (repetição constante das vogais /e/e /o/ no decorrer do soneto)consistem nos principais recursos empregados pelo artistapara alcançar a referida sonoridade.•Na primeira estrofe, o eu lírico enfatiza o trauma da “separação” através da expressão“De repente”, que aponta uma mudança súbita: da segurança para a insegurança; do certopara o incerto(instabilidades face ao inesperado). A antítese, figura de linguagem que seconstrói a partir de oposição de ideias (“riso/pranto”), estabelece o contraditório entre opassado e o presente. Antes, tudo era bom; havia o riso, o beijo... O presente é ruim;pranto, espanto... A partir deste ponto, fica nítida a sensação de que as relações amorosaspodem ser fugazes e imprevisíveis. Perceba que Vinícius também emprega outros recursosde linguagem como a comparação (atribuir características de um ser a outro, em virtudede uma determinada semelhança; há uso de termo comparativo – como, igual a ,semelhante a, etc.): “Silencioso e branco como a bruma”(imagem de algo que se esgarça ese dispersa, assim como a palavra “espuma”). Se fosse uma metáfora, seria colocado overso assim: O pranto é a bruma.•Na segunda estrofe, o eu lírico vivencia um conflito que atinge seu ápice numdeterminado momento do poema, através do verso 8: “E do momento imóvel fez-se odrama” ( drama: palavra que conota esse clímax). A imagem da “chama” simbolizando asensualidade e a finitude do amor, do ir e vir das relações amorosas, intensas mas nãoeternas, pode ser considerada o traço típico desse poeta, que dessa forma contribui com aproposta modernista de aprimorar a experiência poética da experiência vivida.•Na terceira estrofe, o eu lírico acentua o aspecto temporal do poema: “De repente, nãomais que de repente”. Neste contexto, a expressão atenua o espanto causado pelaseparação, isto é, o fato de tudo ter sido destruído num repente. Trata-se da “separação”que desencadeia, inevitavelmente, uma angústia ante a solidão. O poeta coloca comoantíteses as palavras “triste”/amante, sozinho/ contente”, demonstrando a importância dacorrespondência no amor.•Há o recurso estilístico denominado paralelismo/anáfora; isto é, a repetição de palavras noinício de vários versos.•Na quarta estrofe, o eu lírico atormenta-se, impotentemente, diante de um fatoconsumado: sem o amor, perdem-se o sentido e a direção da vida (“Fez-se da vida umaaventura errante”). O emprego de um único tempo (pretérito perfeito do indicativo),representado pelo verbo fazer (fez/desfez), esboça que o fato (separação) já ocorreu e,portanto, é uma ação acabada, visto como algo irreversível.
  3. 3. •Repare que o poema centra-se em seguidas antíteses que realçam a mudança de situaçãoprovocada pela perda ( o segundo membro da antítese sempre traz uma conotação de dor,de infelicidade: “próximo/distante”). Outro aspecto que chama a atenção é a valorização domomento, a força do destino (ou do acaso) que muda a nossa vida “De repente” ( locuçãoadverbial empregada seis vezes no poema, utilizada para demonstrar a forma imprevistacomo as ações ocorreram), quando não há mais esperança de reencontro.PROFUNDAMENTE (MANUEL BANDEIRA) Versos livres (diferentes métricas)Ver página 21/livro didático (análise do conteúdo).Quan/do on/tem/ a/dor/me/ci (7 sílabas métricas) Redondilha maior/heptassílabo.Na/ noi/te/ de/ São/ Jo/ão/ (7 sílabas métricas) Medida velhaHa/via a/le/gri/a e/ ru/mor/ (7 sílabas métricas)Vo/zes/ can/ti/gas/ e/ ri/sos (7 sílabas métricas)Ao/ pé/ das/ fo/guei/ras/ a/ce/(sas). (8 sílabas métricas) octossílaboNo/ me/io/ da/ noi/te/ des/per/tei/(9 sílabas métricas) (eneassílabo)Não/ ou/vi/ mais/ vo/zes/ nem/ ri/(sos) (8 sílabas métricas)A/pe/nas/ ba/lões/ (5 sílabas métricas)/ Redondilha menor/pentassílabo/ Medida velhaPas/sa/vam/ er/ran/(tes) (5 sílabas métricas)/ Redondilha menorSi/len/cio/sa/men/(te)A/pe/nas/ de/ vez/ em/ quan/(do)O/ ruí/do/ de um/ bon/(de)Cor/ta/va o/ si/lên/(cio)Co/mo um/ tú/(nel). (trissílabo)On/de es/ta/vam/ os/ que há/ pou/(co)Dan/ça/(vam) (dissílabo)Can/ta/(vam)E/ ri/(am)Ao/ pé/ das/ fo/guei/ras/ a/ce/(sas)?— Estavam todos dormindoEstavam todos deitadosDormindoPro/fun/da/men/(te). (Tetrassílabo)Quando eu tinha seis anosNão pude ver o fim da festa de São JoãoPorque adormeci.
  4. 4. Hoje não ouço mais as vozes daquele tempoMinha avóMeu avôTotônio RodriguesTomásiaRo/(as) (monossílabo)On/de es/tão/ to/dos/ e/(les)? (hexassílabos)— Estão todos dormindoEstão todos deitadosDormindoProfundamente.Meninos carvoeiros (Temática social/denúncia da realidade social/ trabalho infantil)Manuel BandeiraOs meninos carvoeirosPassam a caminho da cidade.
  5. 5. — Eh, carvoero!E vão tocando os animais com um relho1 enorme.Os burros são magrinhos e velhos.Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.A aniagem2 é toda remendada.Os carvões caem.(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)— Eh, carvoero!Só mesmo estas crianças raquíticasVão bem com estes burrinhos descadeirados.A madrugada ingênua parece feita para eles. (prosopopeia/metáfora)Pequenina, ingênua miséria!Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis! (comparação)—Eh, carvoero!Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,Encarapitados nas alimárias,Apostando corrida,Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.Petrópolis, 19211 Chicote.2 Sacos feitos com material de aniagem, derivado do sisal.

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