Os media e a educação

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Os media e a educação

  1. 1. Samira Ortet, Márcia Bento, Ana Beatriz Ferreira, Patrícia Valério Sociologia da Educação I – Licenciatura Educação e Formação Instituto de Educação – Universidade de Lisboa MEDIA E EDUCAÇÃO
  2. 2. Jovens e vocações e as suas escolhas – Vídeo montado com peças televisivas por Samira Ortet, Ana Beatriz Ferreira, Márcia Bento e Patrícia Valério APRESENTAÇÃO
  3. 3. OS FATORES SOCIAIS NAS DECISÕES INDIVIDUAIS Família Escola Amigos Media
  4. 4. Qual o enquadramento nacional das profissões, que caminho tem seguido o país. Como se reflete na educação, como se caracteriza a sociedade portuguesa. O EMPREGO E O ENSINO
  5. 5. QUEM SOMOS, DE ONDE VIMOS, PARA ONDE VAMOS
  6. 6. VALORES DA E PÓS MODERNIDADE Como se realiza a entrada no mundo laboral? Passagem do pleno emprego para a flexibilização e desemprego estrutural Confronto de valores relacionados com o trabalho Valores materialistas Valores pós-materialistas Como se realizou a transição entre os valores Essa transição está ou não relacionada com crise económica e desemprego
  7. 7. VALORES MODERNOS E PÓS MODERNOS Segurança física Segurança económica Atribuição de sentido Desenvolvimento pessoal Sentimentos de pertença Sentimentos de auto-estima VALORES MATERIALISTAS VALORES PÓS MATERIALISTAS
  8. 8. SISTEMA DE EMPREGO Dos anos 60 para os anos 90 Agricultura e indústria perdem peso na população activa portuguesa 42% da geração que frequentou o ensino médio no inicio da década de 90 descendia de pais com habilitações ao nível do ensino básico 23,4% de empresários e dirigentes eram filhos de pais operários
  9. 9. SISTEMA DE EMPREGO Em 2001 as profissões intelectuais quadruplicaram 2,8% para 8,6% Operários não especializados mantém os 30% de quase 50 anos De 2000 a 2010 predominam prestadores de serviços pouco qualificados, sector transformativo tradicional, pequenas empresas e administração pública Crescente dinamismo banca e seguros Emergência do imobiliário Sector das novas tecnologias
  10. 10. O DESEMPREGO JOVEM Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal
  11. 11. STATUS SOCIAL O Sistema de Ensino Superior, geralmente considerado um dos principais canais de promoção da mobilidade – apesar de ter crescido massivamente nas últimas décadas, e acolher hoje um volume significativo de estudantes provenientes dos estratos da classe média-baixa e trabalhadora -, debate-se com indefinições diversas e muitos jovens que o frequentam, vêem-se perante a impossibilidade de aceder a uma profissão que lhes garanta um estatuto socioprofissional substancialmente superior ao das suas famílias de origem.
  12. 12. STATUS SOCIAL O sucesso educacional, no plano da formação superior, é o elemento fundamental no estímulo à mobilidade social O sucesso educacional é a ligação mais forte entre o capital humano e a produtividade laboral Em Portugal, as habilitações alcançadas pelos pais – nomeadamente o facto de o pai ter ou não o ensino secundário completo – são o factor mais influente na conclusão de um curso superior por parte do filho In “A Classe Média: Ascenção e Declínio” (Estanque,2012)
  13. 13. MOBILIDADE, IMOBILIDADE E REPRODUÇÃO SOCIAL Mobilidade social associada a classe média Mudanças de estrutura do emprego e os efeitos sociais relacionados Oportunidades ao dispor dos mais talentosos Acesso com base no mérito posições socioprofessionais mais compensatorias
  14. 14. PONTO CHAVE: EDUCAÇÃO “os níveis educacionais e as características ocupacionais das variáveis demográficas são considerados referências para a definição dos valores do trabalho. A educação é ponto chave em todas as estratégias de desenvolvimento e o esforço de modernização na sociedade portuguesa foi notório nas últimas décadas.” (Ponte, 2012)
  15. 15. A EDUCAÇÃO E O (DES) EMPREGO
  16. 16. QUAL O EFEITO DOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
  17. 17. Cristina Ponte Observatório (OBS*) Journal, vol.6 – nº4 (2012), 077-107 *CIMJ, FCSH – Universidade Nova de Lisboa Jovens e escolhas vocacionais em magazines informativos portugueses (2000-2008)
  18. 18. MEDIA: A REVISTA GENERALISTA Capacidade de surpreender Fornecer temas (in)esperados Confirmação de impressões Espelho onde leitores se encontram Domínios de interesse dos leitores Convocação directa Sugestão indentitária
  19. 19. MEDIA: A REVISTA GENERALISTA Quem são os leitores: Durante décadas a imprensa diária foi associada ao leitor adulto, do sexo masculino, cidadão culto e letrado As revistas penetram mais nas leitoras adultas, pela sua linguagem: Uso de expressões defensivas Recurso à avaliação emocional mais do que á avaliação intelectual Uso de intensificadores de expressão, diminutivos e adjectivos Artigos de comportamento, resportagem, testemunhos, perfis e histórias exemplares
  20. 20. “Este efeito de espelho é realizado pela escrita e pela imagem” PODIA SER VOCÊ!
  21. 21. Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores Classe Média, Média Baixa Zona Sul e Grande Lisboa Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores entre os 25 e os 44 anos Classe Alta, Média Alta, Média Baixa Quadros Médios e Superiores Residentes em regiões Urbanas Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores todas as classes Território Nacional e Madeira AS REVISTAS GENERALISTAS
  22. 22. 0S JOVENS, ESCOLHAS VOCACIONAIS E O TRABALHO Com que frequência se fala(va) do tema em revistas informativas de grande circulação? Como se falava de emprego juvenil entre 2000 e 2008? Em que momentos aparecem referenciadas as opções vocacionais? Quais as perspectivas profissionais dos jovens? Que jovens aparecem? Que jovens estão ausentes? Como são apresentados os jovens?
  23. 23. PEÇAS SOBRE PROBLEMÁTICAS ASSOCIADAS A JOVENS
  24. 24. INFOGRAFIA
  25. 25. * *valor extrapolado tendo em conta que cada publicação tem um mínino de 20 peças
  26. 26. AS CAPAS
  27. 27. SER JOVEM EM “REVISTA” Jovens em plural Idade, geração, histórias da atualidade: Oportunidades/desafios ensino superior Precariedade laboral Vivências geracionais na recessão e crise Jovens que se distinguem Enfoque em projectos e desempenhos: Notável sucesso escolar Artistas Cientistas Desportistas de Alta Competição Contexto Cosmopolita Experiência de vida transcende fronteiras Busca pelo saber, beleza e vigor GERACIONAL – 17 PEÇAS EXCEPCIONAL – 18 PEÇAS
  28. 28. “São apolíticos, consumistas e um pouco menos letrados que os seus colegas Europeus. Recusam o individualismo e ainda não se desligaram da “roupa de marca”. Em Portugal, a geração que sucede à X adora o telemóvel, a Net e os Chats. Mas só agora começa a ter comportamentos“à la Britney Spears”:Sexo seguro ou só depois do casamento…” in Visão N.º481 – 23 a 28 Maio 2002 JOVENS – A GERAÇÃO
  29. 29. “Individualistas e consumistas, cultivam mais corpo do que os livros. não passam sem as novas tecnologias. mas também são capazes dos sentimentos mais nobres, política é que não: metade dos 375 mil novos eleitores não tenciona votar, nas próximas eleições” JOVENS – A GERAÇÃO
  30. 30. “Têm as melhores qualificações de sempre e vivem no país europeu com o menor número de licenciados. Mesmo assim, os jovens portugueses não arranjam emprego ou esbarram na precariedade. Retrato de uma geração adiada. “ In Visão N.º 782 28 de Fevereiro de 2008 JOVENS – A GERAÇÃO
  31. 31. JOVENS – A GERAÇÃO Jovens no plural, como grupo de idade e geração Histórias marcadas pela atualidade Oportunidades e desafios de estudante no contexto do ensino superior Precariedade laboral Vivências geracionais num ciclo de recessão e crise económica Duas narrativas distintas Condição dos jovens estudantes Retrato geracional com interesses e preocupações dos jovens e empregabilidade (destaque após 2005)
  32. 32. JOVENS – A GERAÇÃO Diversidade de oportunidades dos jovens Valorização Mobilidade social Optimismo Competitividade Calculismo Ambição Valores materialistas Pai: Eng.º Civil Mãe: Empresária É um dos futuros génios da Nação. […] O avô é o seu ídolo:”Era uma pessoa de poucas posses mas subiu a pulso na vida. In Domingo 14/12/2002 Pai: Empresário Mãe: Bancária Reformada Escolheu o curso de Estudos Africanos com o secreto sonho de trabalhar numa ONG e judar aquele país (Angola) In Domingo 14/12/2002
  33. 33. JOVENS – A GERAÇÃO “As trajectórias e as escolhas vocacionais (ou a sua ausência) em excertos nas legendas de imagens de jovens fotografados nos seus ambientes, evidenciam as diferenças entre os meios, capitais educacionais, as perspectivas de futuro:” (Ponte, 2012) Sofia Marques 1.º Ano de Medicina A média de 19,73 valores valeu-lhe um prémio Puto da Musgueira Aluno do Ensino recorrente “Era um rebelde”: Abandonou a escola aos 15 anos sem saber ler nem escrever
  34. 34. OS EXCEPCIONAIS – vocação e esforço Vocação pressentida desde cedo Valores idealistas, pós materialistas  envolvimento afectivo/desenvolvimento pessoal Sinais de transmissão cultural por parte das famílias Predominância de meios socioeconómicos mais favorecidos e com maior capital cultural “Eu sempre gostei de matemática, mas tive uma professora primária que me incentivava e a minha mãe também gostava dessa disciplina” In Domingo 22/10/2000
  35. 35. OS EXCEPCIONAIS – redes e trajectórias As redes sociais, as influências de professores, os conhecimentos do meio e as hipóteses económicas de ir estudar para fora do país são especialmente importantes para os jovens cientistas. Claramente há quem um capital social mais alargado ou mais restrito, em relação com a posse de capital económico e cultural, recorrendo de novo aos conceitos de Bourdieu. As oportunidades decorrentes não são iguais para todos” Além dos amigos, Miguel Santos conta aínda com o forte apoio dos pais In Domingo 22/10/200 Michelle tinha apenas 9 anos quando os pais foram abordados por um olheiro norte- americano
  36. 36. OS EXCEPCIONAIS - vivências Em discurso directo Enfoque na paixão e num tempo sem horários Despojamento e recusa de valores materiais “Que tem um trabalho como o meu é uma pessoa de sorte, porque é como se tivesse um hobby, e não um empreso na verdadeira acepção da palavra. Quando existe um desafio para vencer trabalha-se 24 horas sem cansaço e com as mais alta motivação” In Domingo Magazine 01/01/2006 “Gosto muito do que faço. Faço-o durante 12 horas/dia. Nunca paramos porque a ciência é isso mesmo. In Domingo Magazine 03/12/2006
  37. 37. OS EXCEPCIONAIS – iniciativa e pioneirismo Sucesso associado ás habilitações académicas Sucesso associado à credibilidade dos graus académicos Outras formas de considerar o sucesso: Perfis de sucesso de jovens sem formação universitária Jovens de sexo feminino que optam por profissões tradiconalmente masculinas Jovens imigrantes com excecional rendimento escolar
  38. 38. OS EXCEPCIONAIS – cá dentro/lá fora Sobretudo jovens cientistas Contrastes de políticas públicas de intervenção nas ciências e artes “O ambiente universitário inglês é mais dinâmico. Contactamos com pessoas que publicam em grandes revistas” In Visão 16/08/2001 “Continua a faltar uma aposta clara na ciência, financiamento que chegue a tempo e horas e o fortalecimento da carreira de investigação” In Visão 25/08/2005
  39. 39. Autoria: Claudio Munoz …
  40. 40. CARACTERIZAÇÃO Revelou-se uma escassa atenção e espaço editorial atribuido a problemáticas associadas a jovens e à sua consideração enquanto agentes dessas escolhas. Tendência para publicação das temáticas num momento de agenda de acontecimentos reduzida – verão Clara desigualdade por tipo de revista
  41. 41. CARACTERIZAÇÃO Domingo, associa-se ao jornal popular – constitui-se como um espelho para aqueles que, em contextos de menores capitais educacionais e de desfavorecimento económico, se empenham em “virar o destino”. Noticias Magazine  distingue-se pela quase ausência de atenção a este tema. Visão  Com uma voz rápida, reduzida e redutors, apresenta imagem de jovens com condições de progressão nos seus estudos, de desenvolvimento das suas capacidades intelectuais e de redes sociais. O que no final causa a deceção aos jovens ao tentarem entrar no mercado de trabalho.
  42. 42. CARACTERIZAÇÃO  Essa diferença é transversal a ambas as grandes narrativas identificadas: a dos jovens excecionais dos jovens enquanto grupo e geração.
  43. 43. CARACTERIZAÇÃO Embora com marcas de diálogo, o discurso destas revistas é dominado pela voz editorial É marcadamente influenciada pela agenda política É repleta de detalhes aparentemente banais e de impressões que fornecem um background sobre a sociedade envolvente Revela a forma como o jornalismo está a trabalhar estas problemáticas e como as poderia trabalhar de forma a: Estimular a reflexão acerca dos temas Apelar à participação dos jovens
  44. 44. ENTÃO QUAL O VERDADEIRO PAPEL DOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
  45. 45. M. Benedita Portugal e Melo Sociologia da Educação Revista Luso-Brasileira ano 2 n 4 Dezembro 2011 Escolhas escolares e opções profissionais – entre a família a escola e os amigos, que papel desempenham os media?
  46. 46. ENTÃO QUAL O PAPEL DOS MEDIA? A sua influência depende sempre de um conjunto diversificado de factores Fazendo-se sentir no plano das intenções, conhecimentos, crenças ou opiniões Têm o poder de nos dizer sobre que assuntos devemos pensar e como devemos pensar sobre esses mesmo assuntos
  47. 47. FONTES UTILIZADAS PELOS ALUNOS Fontes de Informação N % Mãe 981 55,3 Amigos 973 54,8 Professores 969 54,6 Psicólogos/Orientadores Vocacionais 962 54,3 Internet 822 46,3 Pai 816 46,0 Outros familiares 503 28,4 Irmãos 395 22,30 TV 281 15,80 Revistas 171 9,60 Jornais 164 9,20 Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
  48. 48. QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? Fontes de Informação N % Mundo Escolar (professores, orientadores) 1309 73,0 Família ( pai, mãe, irmãos, outros) 1206 67,9 Amigos 973 54,8 Internet 822 46,3 Media Tradicionais (TV, revistas, jornais) 386 21,5 Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
  49. 49. QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? A influência dos media é mediada e amenizada por outras redes informativas No caso de estudantes de meios sociais cultural e económicamente privilegiados, a família, mais concretamente a mãe, desempenha uma papel relevante no seu processo de escolha No caso de estudantes sem acesso a “bússolas parentais” (por ausência de recursos culturais), irmãos ou outros familiares, assim como pares e a escola são as referências
  50. 50. QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? Os media (novos e tradicionais) são uma fonte complementar de in(formação) de recurso Utilizada ao nível da consolidação e reorientação A internet é mais procurada do que jornais e a TV
  51. 51. OS MEDIA NAS ESCOLHAS VOCACIONAIS As entrevistas e inquéritos realizados, mostram que os meios de comunicações sociais ocupam um lugar inferior em relação ao peso das redes familiares e de pares, nas escolhas vocacionais jovens È a figura da mãe, ou de quem exerce o papel maternal, que ocupa o lugar de destaque Associação da mãe, com a leitora de revistas generalista, levando a uma complementação de ambos os estudos efectuados (Ponte, 2012) e (Melo, 2011)
  52. 52. A ESCOLA, A FAMÍLIA E A REPRODUÇÃO SOCIAL A escola se tem revelado um mecanismo de reprodução das diferenças sociais, as variáveis de tipo social, como o nível socioeconómico ou as habilitações literárias dos pais são também importantes quer para as escolhas vocacionais, quer para os tipos de percurso escolar dos alunos. (César, 1992)
  53. 53. PORTUGAL E OS MEDIA “Em Portugal tem sido diagnosticada uma «fraca interação» entre a imprensa e a opinião pública (Oliveira, 1995), denunciada pela inexistência de um massivo público leitor de jornais (Seaton e Pimlott, 1983), não obstante existir uma forte relação, ou mesmo «interpermutação» (Garcia, 1995), entre a imprensa e a elite política. No passado, esta diferenciação manifestou-se num profundo distanciamento entre a «maioria sociológica» e as «minorias ideológicas», de modo que a monopolização do poder simbólico pelas elites acentuou o fosso comunicacional entre estas e as massas (Cabral, 1998).”

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