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Povos Pré-Colombianos – Indivíduos alóctones
• A questão da antiguidade da ocupação humana nas Américas
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• Acredita-se que os primeiros habitantes da América tenham
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• Comunidades asiáticas teriam atravessado o estreito de
Bering, alcançado o Alasca e, lentamente, se espalhado pela
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Europa e Ásia) teriam penetrado na América pelo ártico.
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genericamente de índios – todavia não
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O Brasil indígena antecede o Brasil lusitano e
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 historicamente foram explorados;
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• Uma parcela significativa do Brasil já era ocupado;
• As condições climáticas eram mais frias e secas, com
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 O termo índios dada aos povos nativos continua até hoje;
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• Na primeira metade do séc. XVII os jesuítas criaram as
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• Durante a invasão holandesa quando o tráfico de africanos
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Geografia histórica do Brasil - Construção do território brasileiro - os povos índígenas e a história do Brasil

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A substituição dos espaços geográficos indígenas pelos dos luso brasileiros

  1. 1. A substituição dos espaços geográficos indígenas pelos espaços luso-brasileiros Éderson Dias de Oliveira ADAS, M. e ADAS S. Panorama Geográfico do Brasil: contradições, impasses e desafios socioespaciais. Editora Moderna, São Paulo, 1998. "Todo dia era dia de Índio, mas agora ele só tem o dia dezenove de abril“ (Baby Cunsuelo)
  2. 2. Povos Pré-Colombianos – Indivíduos alóctones • A questão da antiguidade da ocupação humana nas Américas é ainda controversa; • A hipótese mais aceita é de que os povos pré-colombiano são alóctones; • Sua origem está relacionada a correntes migratórias: (Paul Rivet – hipótese multirracial)
  3. 3. • Acredita-se que os primeiros habitantes da América tenham migrado para o continente: estreito de Bering / Oceano Pacífico – 12.000 - 40.000 anos ?; • Milhares de anos após as migrações, surgiram as civilizações complexas no continente, com base em comunidades agrícolas - assentamentos sedentários a 6000 a.C; Hipóteses para o povoamento da América • Beríngia (Ponte Terrestre de Bering) foi uma porção de terra firme, com cerca de 1600 km de norte a sul na sua máxima extensão, que juntou o atual Alasca e Sibéria, durante as glaciações.
  4. 4. • Comunidades asiáticas teriam atravessado o estreito de Bering, alcançado o Alasca e, lentamente, se espalhado pela América até sua extremidade meridional; • Um outro caminho teria sido trilhado atravessando o arquipélago das Aleutas. • A corrente asiática é a mais aceita dada a uniformidade de traço culturais e raciais; • Essa ocupação teria acontecido quando a Ásia e a América estavam interligados, devido ao rebaixa- mento das águas dos oceanos durante a última glaciação;
  5. 5. • Malaio-polinésia - grupos melanésios e polinésios teriam aproveitado o sentido das correntes marítimas e navegado, de ilha em ilha, desde a polinésia até a costa ocidental da América Central e do Sul; • Australiana - comunidades teriam navegado bordejando a Antártica alcançaram a Terra do Fogo, no América austral; • Seus representan- tes mais expressivos seriam certos grupos do sul da Argentina e Chile – índios Patagões;
  6. 6. • Esquimó ou uraliana: povos dos Montes Urais (entre a Europa e Ásia) teriam penetrado na América pelo ártico.
  7. 7.  Os povos encontrados foram apelidados genericamente de índios – todavia não existe nenhum povo com essa denominação;  Cada “índio” pertence a uma etnia identificada por uma denominação própria – uma autodenominação, ex. Guarani, Yanomami etc. Por que Índios ou Indígenas  Segundo os dicionários da língua portuguesa, o termo índio significa nativo, natural de um lugar. É também o nome dado aos primeiros hab. da América - ameríndios;  Todavia esta denominação é o resultado de um mero erro náutico. O navegador italiano Cristóvão Colombo, numa viagem em 1492 rumo às Índias, desembarcou na realidade na América (Novo Mundo);
  8. 8. O Brasil indígena antecede o Brasil lusitano e contemporâneo  Para muitos o estudo da pré-história do território brasileiro, representa um esforço sem sentido;  Outros consideram as culturas indígenas “inferiores” – preconceito cultural;  Todavia esse descaso para com a história e situação atual dos indígenas é um equívoco, pois eles:  possuem conhecimento da flora e fauna;  são os primeiros habitantes da terra;  participaram da formação do país;  possuem cultura distinta;
  9. 9.  historicamente foram explorados;  sofrem preconceitos (mentalidade euro-ocidental) e;  tem uma outra relação sociável com a natureza; Dificuldades de reaver uma cultura esquecida  Resgatar a cultura dos povos pré-cabralianos, é uma empreitada difícil, porque a base documental é precária;  O índio brasileiro não deixou nada escrito - não possui monumentos, a ex. dos maias, astecas etc.;  Todavia sua presença é muito mais impressa do que expressa – essa se esboça na nossa carne, língua, toponímia dos lugares – num mundo novo chamado Brasil;  Os índios foram os “professores” que nos ensinaram na nova terra a andar, a aproveitar o que comer, e usar plantas para se curar, e etc.;
  10. 10.  Pré-história (preconceito eurocêntrico) - conceitos:  Pré-história geral - é o período compreendido entre o aparecimento do homem sobre a terra (há aproximadamente 2 milhões de anos) e o surgimento da escrita, por volta do ano 4000 a. c., quando, a partir daí, teve início a história.  Pré-história americana - corresponde ao período anterior a chegada dos europeus ao continente americano, que ocorreu em 1492.  Pré-história do Brasil - corresponde ao período anterior a chegada e a colonização dos portugueses no país, que ocorreu em 1500.
  11. 11. Povos Pré-Cabralianos: tentativa de obscurecer o eurocêntrismo • O sistema de periodização empregado pelos arqueólogos nas américas é diferente daquele do velho mundo e termos, como por ex. paleolítico e idade da pedra, não são utilizados; • O sistema mais usado em arqueologia americana apresenta os seguintes períodos: Paleoíndio, Arcaico e Formativo. • Período Paleoíndio • O primeiro período é denominado Paleoíndio. refere-se a grupos caçadores-coletores que viviam num ambiente onde predominavam espaços abertos; • Esse período estende desde os primeiros sinais de ocupação do continente, até ao estabelecimento da agricultura e outras técnicas de subsistência características de proto-civilizações a cerca de 8.000 a. C.
  12. 12. • Uma parcela significativa do Brasil já era ocupado; • As condições climáticas eram mais frias e secas, com predominância de cerrados, cantigas e florestas menos extensas; • Período Arcaico – 8.000 a.C. à 2.000 a.C. • Nesse período, havia igualmente caçadores que adotaram modos de vida mais diversificados: alguns grupos exploraram mais intensivamente os recursos aquáticos, enquanto outros iniciaram o cultivo de vegetais; • O clima era mais próximo do atual; • São reconhecidos dois grandes grupos que habitavam o território brasileiro: tradição Umbu e a tradição “humerangues” (Humaitá);
  13. 13. • Tradição Umbu: viveram na sua maioria no sul do país, caçando e coletando frutos silvestres; • Tradição Humaitá: habitavam as florestas subtropicais do SE, caçavam e coletavam, além de frutos silvestres, moluscos fluviais; • Período Formativo - vai do século XX a.C. ao século III d. C. • Foi marcado pela dependência da agricultura, pela produção da cerâmica e aumento da população. • Surgem culturas complexas na ilha de Marajó e na bacia do rio Tapajós. • Os europeus encontraram uma grande diversidade de grupos falando diferentes línguas e com distintas formas de organização socioeconômica; • Há a prática da agricultura de coivara, com a redução do nomadismo;
  14. 14. Chegada dos portugueses e os primeiros contatos • O primeiro registro histórico dos índios brasileiros foi a Carta de Pero Vaz Caminha. • Num contato amistoso e curioso, os índios foram atraídos por artefatos. • Na carta ao rei português ficou clara a superioridade com que lidavam com os na- tivos da ilha de Vera Cruz. • A ideologia religiosa é, para Caminha, o aspecto mais importante nessa relação.
  15. 15. "Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.” “Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por
  16. 16.  No processo de colonização do Brasil, Evangelista (20008) afirma que os índios brasileiros foram muito mais assimilados do que extintos;  Nós brasileiros somos indígenas; devemos o que somos aos índios;  A fusão das raças, possibilitou a assimilação da cultura aborígine, essencial na formação do mito da Ilha-Brasil;  O índio conhecia e praticava as rotas fluviais que insulavam o território, e os varadouros, por onde arrastavam as canoas dum rio para o outro;  Ao unir-se com o português transmitia-lhe a herança dos caminhos e das grandes linhas que delimitavam o meio geográfico, a economia e a cultura;
  17. 17. Espaço geográfico indígena: reciprocidade relacional com o meio • O capitalismo e mercantilismo são alguns dos principais elementos que favoreceu o aniquilamento do modo de relação homem x meio dos nativos da nossa terra; • Os indígenas possuem uma relação de reciprocidade/respeito pela natureza, diferente da concepção moldada pela tradição judaico/cristã da cultura ocidental – Porto Gonçalves, 2011. • A cultura autóctone degradava menos a natureza por: 1) ausência de propriedade privada; 2) conhecimento da diversi- dade biológica/ecológica e; 3) Concepção de natureza como fonte de vida;
  18. 18. A apropriação do espaço indígena: o seu massacre e destino • No processo de apressamento dos índios é que começou a ser usurpado os territórios indígenas pelos conquistadores; • Os índios (inferiorizados técnica/militarmente), foram escravizados, ou expulsos para o interior, sendo seus espaços desestruturados; • Estereótipo de “índio preguiçoso” criado pela cultura ocidental capitalista; • Todavia, os índios formavam uma socieda- de igualitária e trabalha a para atender suas necessidades
  19. 19.  O termo índios dada aos povos nativos continua até hoje;  Para muitos brasileiros brancos, o “índio” tem um sentido pejorativo (ser sem civilização, sem cultura, selvagem, preguiçoso e traiçoeiro), resultado de todo o processo histórico de discriminação e preconceito sofrido pelos índios;  A denominação original de caboclo na Amazônia, por ex., está fortemente relacionada a uma negação de identidades étnicas dos índios;  Invenção daqueles que não queriam se identificar como índios - identidade de transição  Para outros ainda, o índio é um ser romântico, protetor das florestas, símbolo da pureza, quase um ser como o das lendas e dos romances.
  20. 20. • Na primeira metade do séc. XVII os jesuítas criaram as reduções – essas além de completar o sentido dos aldeamentos tinham também fins geopolíticos nas fronteiras avançados; • Criação de “aldeamentos” – falácia cristã para criar “estoques” de mão-de-obra; • Processo de destribalização – junção de povos distintos;
  21. 21. • Durante a invasão holandesa quando o tráfico de africanos foi comprometido, as reduções foram severamente atacadas; • A Vila de São Paulo foi o grande centro irradiador para o apressamento de índios - bandeiras de apresamento; • Essas bandeiras permiti- ram a sobrevivência dos paulistas, fornecendo escravos para a região açucareira; • Percorreram o interior alargando o território sob o domínio português e detiveram a expansão espanhola representada pelos jesuítas
  22. 22. • Na fim do século XVII, com o declínio das bandeiras apresadoras, os paulistas buscaram novas alternativas; • Autoridades coloniais, senhores de engenho do Nordeste passaram a contratar bandeirantes para combater as tribos indígenas rebeladas e os negros fugidos; • Sertanismo de contrato: em 1649, Domingos Jorge Velho destruiu o Quilombo de Palmares; • Enfim, historicamente os povos indígenas tem sofrido abusos que levou à extinção ou ao declínio acentuado - muitos povos foram expulsos de suas terras; • Os direitos dos índios à preservação de suas culturas originais, à exclusividade de posse e desfrute de suas terras são garantidos constitucionalmente; • Todavia na prática a efetivação desses direitos tem se mostrado pouco produtiva, sendo cercada de violência e

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