Propagacão de plantas frutiferas

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Propagacão de plantas frutiferas

  1. 1. 1Propagação de Plantas Frutíferas Editores técnicos José Carlos Fachinello Alexandre Hoffmann Jair Costa Nachtigal EMBRAPA
  2. 2. 2 Infra-estrutura para Propagação de Plantas Frutíferas O objetivo de todo viveirista é produzir mudas de plantas frutíferas com elevadopadrão de qualidade (morfológica, fisiológica e fitossanitária). Essa meta é essencialpara garantir a competitividade do viveiro e o retorno certo do investimento efetuado noestabelecimento da atividade, além de assegurar ao cliente, a satisfação de suasnecessidades e, ao produtor de mudas, a idoneidade e a estabilidade do empreendimentodurante anos. Para que esse objetivo seja alcançado, é fundamental adotar um elevado níveltecnológico, que inclua todas as etapas da produção, desde a obtenção do materialpropagativo básico até o transporte da muda ao cliente. Avanços na tecnologia de propagação são cada vez mais visíveis e concretos. Emculturas de nível tecnológico mais avançado, como na citricultura, na bananicultura e napomicultura, parte dessa tecnologia já está quase totalmente incorporada à própriaexigência legal, estabelecida pelos órgãos oficiais em nível estadual e federal. Nestecapítulo, serão abordadas as principais estruturas e meios para propagação de espéciesfrutíferas, indicando algumas das condições que maximizem a qualidade das mudasproduzidas. A necessidade em infra-estrutura do viveiro é variável, conforme as exigênciaslegais, o nível tecnológico e o conhecimento da cultura, a escala de produção de mudas,o tamanho do viveiro, a disponibilidade de recursos do viveirista, o destino das mudas eo grau de exigência do mercado consumidor.Sementeiras e viveiros Para a propagação de plantas frutíferas, um dos aspectos de grande importância é ainfra-estrutura da área de produção de mudas. Uma infra -estrutura adequada, racional etecnificada é o primeiro passo para que o viveirista tenha uma atividade eficiente eeconomicamente viável. A escolha da infra-estrutura do viveiro de produção de mudasfrutíferas depende de diversos fatores, tais como:  Quantidade de mudas produzidas.  Regularidade desejada da oferta de mudas.  Número de espécies a serem propagadas.  Método de propagação.  Custos das instalações. • Grau de tecnificação do viveirista. Em relação a esse último fator, vale ressaltar que a propagação de plantas é umaatividade muito dinâmica e tem tido avanços que possibilitam a produção comqualidade e eficiência. Daí, decorre a importância do viveirista estar em contínuocontato com os órgãos de pesquisa, universidades e serviços de extensão, para constanteaperfeiçoamento. Entende-se, por viveiro, a área onde são concentradas todas as atividades deprodução de mudas. Quanto à duração, os viveiros podem ser classificados empermanentes e temporários.Viveiros permanentes São aqueles com caráter fixo, onde a produção de mudas prolonga se por váriosanos. Por isso, esses viveiros requerem um bom planejamento para a instalação,incluem uma infra-estrutura permanente e geralmente apresentam maiores dimensões.Por mais que o viveiro seja permanente, quando o plantio é feito no solo, uma mesma
  3. 3. 3área pode ser utilizada por, no máximo, 2 anos, devido à alta sensibilidade das mudas apragas, doenças e plantas invasoras, sendo necessária a adoção de rotação de culturas.Viveiros temporáriosDestinam-se à produção de mudas apenas durante certo período e, uma vez cumpridassuas finalidades, são desativados. Embora menos comuns que os viveiros permanentesna produção de mudas frutíferas, esses viveiros podem representar menor custo, já quenão é necessária uma infra-estrutura muito tecnificada. Quanto à proteção do sistema radicular, os viveiros podem ser classificados em:  Viveiros com mudas de raiz nua .  Viveiros com mudas em recipientes.Viveiros com mudas em raiz nua São aqueles feitos em área de solo profundo, drenado, com textura média e bemmanejado, para que as mudas para comercialização sejam retiradas com raiz nua(mesmo que, em alguns casos, um torrão possa acompanhar a muda). Nesse tipo deviveiro, são feitos canteiros, delimitados por carreadores, por onde transitam os veículose demais meios de transporte de mudas.Viveiros com mudas em recipientes Geralmente implicam menor necessidade de área, sendo mais versáteis epermitindo que uma mesma área seja utilizada por muito mais tempo que o tipoanterior, desde que o substrato venha de local isento de pragas, doenças e propágulos deplantas invasoras. A escolha do local é o primeiro passo para a instalação do viveiro, sendo de grandeimportância. A seguir, diversos aspectos devem ser considerados:Facilidade de acesso É conveniente que os compradores de mudas tenham fácil acesso ao viveiro, poisesse é um fator que favorece a comercialização e a escolha do viveirista. Assim, deve-sedar especial atenção às estradas que conduzem ao viveiro, possibilitando o fácil trânsitodos veículos que transportam as mudas. Por sua vez, o viveiro deve estar afastado deestradas públicas de grande movimento, para reduzir o risco de infestação das mudaspor pragas e doenças.Suprimento de águaA água é o principal insumo num viveiro. Para irrigação e tratamentos fitossanitários, ocálculo da necessidade de água depende do número de tratamentos fitossanitários, doconsumo de água por irrigação, das necessidades hídricas das mudas e das precipitaçõespluviais médias. A localização próxima a fontes de água, de preferência com poucodesnível em relação ao viveiro, reduz os custos com canalização e bombeamento. A boa qualidade da água é fundamental. Podem ser utilizadas águas de rios, lagose de origem subterrânea, devendo ser evitada a água contendo propágulos de algas, depragas, de doenças e de plantas invasoras. Além disso, é conveniente que a águaapresente baixos teores de partículas suspensas (que reduzem a eficiência dos sistemasde irrigação) e de sais. Altos teores de silte e de argila podem impermeabilizar a super-fície do substrato, reduzindo a aeração e predispondo as mudas a doenças.Distância da área de plantio Embora seja aconselhável que o viveiro seja localizado na mesma região onde se
  4. 4. 4concentram os pomares, reduzindo o tempo de transporte das mudas e as perdas - devidoà movimentação - é preciso ter o máximo cuidado para que os viveiros não fiquem muitopróximos dos pomares. Geralmente, recomenda-se que o viveiro seja localizado a, no mínimo, 50 m de umpomar de mesma espécie, pois quanto maior for a distância, menor será o risco deinfestação das mudas. Os maiores cuidados quanto ao isolamento do viveiro dizemrespeito a vetores de viroses, tanto aéreos (afídeos) quanto de solo (nematóides).Ocorrência de invasoras O viveiro deve estar localizado em área livre de plantas invasoras.Viveiros com determinadas plantas invasoras não podem ser utilizados e acomercialização de mudas produzidas nesses viveiros é proibida por lei. As principais plantas invasoras incluídas nessa classe são a tiririca (Cyperusrotundus) e a grama-seda (Cynodon dacty/on). Além disso, como o controle de plantasinvasoras é mais difícil em viveiros, deve-se fazer uma contínua vigilância e erradicaçãodas mesmas.Facilidade de obtenção de mão-de-obra Viveiros demandam grande quantidade de mão-de-obra, tanto para a produçãode mudas em si, como também para o monitoramento e controle de plantas invasoras,pragas e doenças. A disponibilidade de mão-de-obra próxima ao viveiro contribui paraa redução do custo de produção das mudas.Declividade da área É recomendável que a área tenha pouca declividade e seja localizada em zona derelevo levemente ondulado. Áreas muito planas podem acumular a água das chuvas ouda irrigação. Independentemente do grau de declividade da área, os canteiros devemestar localizados no sentido perpendicular à movimentação da água, para reduzir osriscos de erosão. Quanto maior a declividade, maiores devem ser os cuidados comrelação às práticas conservacionistas, para se evitar a degradação do solo.Aspectos físicos do solo É conveniente a instalação de viveiros em área com solos profundos emedianamente arenosos. Contudo, como nem sempre isso é possível, devem-seescolher as áreas cujo solo apresenta as melhores condições físicas possíveis. Solosmuito argilosos dificultam a mecanização e o desenvolvimento radicular. Solos comelevada porosidade são desejáveis. Essa característica pode ser parcialmente melhoradacom incorporação de matéria orgânica e adubação verde. Especialmente em áreas de chuvas intensas, o solo deve ter boa capacidade dedrenagem, devendo-se evitar áreas encharcadas ou sujeitas à inundação, pois issoaumenta o risco de podridões-de-raízes e de toxidez por manganês. Para a adoção desistemas de drenagem, devem-se estudar as características físicas do solo, tais como aprofundidade do horizonte impermeável, condutividade hidráulica e textura.Aspectos químicos do solo Embora as condições químicas dos solos possam ser modificadas, o viveiro deveestar localizado em área cujo solo não tenha acidez elevada, possua boa fertilidadenatural e adequado teor de matéria orgânica.Aspectos biológicos do solo
  5. 5. 5 Solos ricos em matéria orgânica têm vida micro e macrobiana mais ativa, o que pode favorecer o desenvolvimento das mudas. Contudo, devem-se utilizar áreas isentas de nematóides, insetos de solo, fungos patogênicos (Fusarium sp., Pythium sp., Armilaria sp, Rosellinia sp, Phytophthora sp., entre outros) e bactérias fitopatogênicas (Agrobacterium tumefasciens). Por isso, é necessário o monitoramento, por meio de análises microbiológicas do solo da área a ser utilizada como viveiro. A desinfestação do solo pode ser uma boa alternativa no controle de patógenos desolo e de plantas invasoras, mas normalmente é de alto custo e acarreta danos sobretoda a vida microbiana do solo. A escolha adequada e o manejo da área principalmenteno que se refere à rotação de culturas são fundamentais, pois até o momento, não seencontrou um método de controle eficiente contra podridões-de-raiz.Cultivos anteriores o viveiro deve estar localizado em área onde não existiram pomares há pelo menos5 anos, e onde não existiram viveiros há pelo menos 3 anos. Quando se utilizam áreas onde, anteriormente, havia mata ou outras plantasperenes, deve ser feita a destoca no mínimo 2 anos antes da implantação do viveiro,cultivando-se gramíneas anuais, entre elas o milho, a aveia-preta, o sorgo, entre outras,até que o viveiro seja implantado. Essas gramíneas podem ser incorporadas ao solo,para elevação do teor de matéria orgânica. Algumas plantas frutíferas liberam fitotoxinas no solo, as quais comprometem oscultivos posteriores, implicando a necessidade de ser feita a rotação de culturas. Porexemplo, a nogueira européia libera no solo o jiglone, a macieira libera a floridzina e opessegueiro e a ameixeira, a prunasina e a amigdalina.Aspectos climáticos o melhor clima do local onde o viveiro será implantado depende da(s) espécie(s) aser (em) propagada(s). Entre os fatores climáticos mais limitantes, estão a temperatura,a luz e a ocorrência de ventos. No que sé refere à temperatura, é importante que oviveiro esteja localizado em área o mais livre possível de geadas. Além disso, temperaturas médias mais elevadas reduzem o tempo para a produçãodas mudas. Como exemplo, pode ser citado o fato de que, no Estado de São Paulo,enquanto mudas cítricas requerem cerca de 24 meses para serem produzidas, no RioGrande do Sul requerem cerca de 36 meses, exceto se produzidas em estufas. A exposição à luz é fundamental, especialmente na fase final de propagação.Ventos muito fortes aumentam a quebra no local da enxertia, podendo requerer aimplantação de quebra-ventos. A extensão da área do viveiro depende de diversos fatores, sendo os principais:  Quantidade de mudas para plantio e replantio determinada pela capacidade operacional do viveiro e pela demanda por mudas pelos produtores.  Densidade de mudas, o que depende da espécie e do tempo de permanência, de modo a proporcionar as melhores condições para seu desenvolvimento.  Período de rotação, que se refere ao tempo que a muda permanece, desde o início de produção até o replantio ou comercialização. Esse intervalo é dependente da espécie, do método de propagação e do manejo da muda.  Dimensões dos canteiros e carreadores, que dependem da espécie a ser propagada e do grau de mecanização adotado. Viveiros com maior grau de mecanização requerem canteiros mais longos, maiores distâncias entre linhas e carreadores mais largos.  Dimensões das instalações determinadas, principalmente, pela quantidade de mudas produzidas pelo método de propagação adotado e pelo grau de tecnologia empregado.
  6. 6. 6  Áreas para rotação, fundamentais para produção de mudas sadias, especialmente se a produção de mudas for feita diretamente no solo. Para dimensionamento do viveiro, deve-se considerar a disponibilidade de áreas para rotação, de modo que uma mesma área não seja utilizada para produção de mudas por mais de 2 anos. Um dos aspectos fundamentais a ser considerado no planejamento edimensionamento dos viveiros é a seleção das espécies a serem propagadas. Existemviveiristas especializados em propagar apenas uma espécie, bem como viveiristasextremamente ecléticos, que propagam inúmeras espécies. Essa escolha depende dacapacidade do mercado de absorver a produção das mudas, do tipo de clientela, do graude especialização e de profissionalização do viveirista, das condições ambientais doviveiro e das exigências climáticas das espécies.De qualquer forma, os principais cuidados a serem tomados pelo viveirista - quando daseleção das espécies - são procurar trabalhar com uma certa economia de escala, parareduzir os custos unitários da muda, não abrindo mão da qualidade do produto.Telados e estufas A necessidade de instalações especiais em viveiros de produção de mudasfrutíferas depende de diversos fatores e deve-se considerar a máxima eficiência no usodas mesmas, economicidade para construção e facilidade no manejo para produção dasmudas. O grau de sofisticação das instalações depende da interação entre fatores comoa espécie a ser propagada, quantidade de mudas a serem produzidas e o poder aquisitivodo viveirista. Atualmente, estão disponíveis no mercado, diferentes estruturas como telados,estufas plásticas, ripados e outras, em diversos módulos de tamanho e de custos. Paraalgumas espécies frutíferas, especialmente as mais sensíveis a viroses, torna-serecomendável - e em certos casos obrigatória - a manutenção das plantas-matrizes emtelados, para garantir a sanidade das plantas fornecedoras de enxertos ou outra forma dematerial propagativo. Entre as instalações especiais para viveiros, destacam-se as seguintes:Telados É uma estrutura - de madeira ou de metal - coberta com tela, que garante osombreamento e mantém a luminosidade próxima da natural (Fig. 1). O telado é útil nasseguintes situações: na manutenção de plantas matrizes isentas de viroses, naaclimatação e na produção de mudas que exigem sombreamento inicial. As telas podem apresentar diferentes graus de sombreamento, sendo importanteconsiderar que, quanto maior for o grau de sombreamento, maior será a ocorrência deestiolamento das mudas que permanecerem por longo tempo no telado e maior afacilidade de as mudas morrerem quando forem transferidas para o pomar. O tipo de tela mais utilizado é o que permite um sombreamento de 50%. O teladopode ter diferentes dimensões, podendo ser permanente ou temporário, dotado ou não desistema de irrigação localizada. No caso de telas à prova de afídeos, a dimensão damalha deve ser inferior a 0,4 mm.
  7. 7. 7 Fig. 1. Telado para produção de mudas. Estufas Também conhecida como casa de vegetação, a estufa é uma estrutura parcial oucompletamente fechada, feita de madeira ou de metal (alumínio, aço ou ferrogalvanizado), geralmente coberta com plástico especial, para essa finalidade. Podeainda ser coberta de vidro ou fibra de vidro, o que acarreta maior custo. A grande vantagem do uso de estufas em viveiros é a possibilidade de controleambiental, de modo a maximizar a produção de mudas, reduzindo o tempo necessáriopara a propagação e permitindo que as mudas possam ser produzidas em várias épocasdo ano. Normalmente, as estufas possuem sistemas de nebulização intermitente, o quemantém a umidade relativa do ar elevada, permitindo a propagação por meio de estacascom folhas (técnica que, em certas espécies, viabiliza a propagação por estaquia). Aelevada umidade do ar e a alta temperatura aumentam a velocidade de crescimento dasplantas. As estufas podem ser construídas pelo próprio viveirista ou adquiridas deempresas especializadas. Além do sistema de nebulização, as estufas podem ser dotadasde sistemas automatizados para aquecimento do substrato e diminuição da temperatura,entre outros. Entre os problemas relacionados com o uso de estufas, podem ser citados osseguintes:  Aumento da dependência da planta em relação ao homem.  Elevado custo de implantação.  Aumento da sensibilidade.  Ocorrência de doenças. • Dificuldades na aclimatação. O enraizamento de estacas de muitas espécies - especialmente as semi-lenhosas eherbáceas - é muito difícil, se não for adotado um controle ambiental, principalmenteem relação a três pontos:  Manter alta umidade relativa do ar com baixa demanda evaporativa, de modo que a transpiração das estacas seja minimizada e a perda de água seja mínima.  Manutenção de temperatura adequada - e suficientemente amena na parte aérea - para estimular o metabolismo na base das estacas e reduzir a transpiração. Manter a irradiação num limite suficiente, para ocasionar elevada atividade fotossintética, sem causar aumento excessivo da temperatura nas folhas. As estufas têm essa final idade de controle ambiental. Quanto mais controladas ascondições de propagação, maiores as chances de sucesso, especialmente naquelas
  8. 8. 8espécies de difícil propagação. Um dos problemas a serem enfrentados em estufas, nas condições brasileiras, é oaumento excessivo da temperatura, o que implica no uso de mecanismos deresfriamento do ar. O uso de tela de alumínio na parte externa, a ventilação forçada pormeio de argila expandida com água e tela de sombreamento podem reduzir,significativamente, a temperatura. Mesmo que a luz seja favorável à atividade fotossintética das mudas, a altaluminosidade não parece ser a condição mais favorável. Filmes de polietileno maismodernos estão disponíveis no mercado com alguns aditivos, tais como acetato de vinil,alumínio e silicatos de magnésio, os quais aumentam a opacidade do plástico às ondaslongas (infravermelho), favorecendo o enraizamento. Altas temperaturas geralmente limitam a produção de mudas em estufas na maioriadas regiões do Brasil. Na literatura, há citações de que, temperaturas ao redor de 35°C a40°C limitam o crescimento das raízes da maioria das espécies lenhosas. Por isso, alémde uma boa ventilação, é fundamental um bom sistema de resfriamento e desombreamento.Estufins São pequenas estufas, com maior versatilidade, menor custo e menor tamanho.Normalmente, os estufins são construídos em madeira e com cobertura de polietileno,podendo ser utilizados tanto na produção de mudas por meio de sementes, quanto pormeio de estacas semi-lenhosas.Ripados São construções simples, relativamente duráveis, baratas e fáceis de construir, como inconveniente de não garantir sombreamento uniforme. Também têm a finalidade deproporcionar sombreamento, podendo substituir os telados.Substratos Entende-se por substrato qualquer material usado com a finalidade de servir debase para o desenvolvimento de uma planta até sua transferência para o viveiro ou áreade produção, podendo ser compreendido não apenas como suporte físico, mas tambémcomo fornecedor de nutrientes para a muda em formação. Geralmente, o termo substrato refere-se a materiais dispostos em recipientes, maspode incluir, também, o solo da sementeira ou do viveiro, onde muitas vezes se dá odesenvolvimento inicial da muda. O substrato é um dos muitos fatores que condicionam o sucesso na propagação deplantas. Na opção por um determinado material como substrato, objetiva-se otimizar ascondições ambientais, para o desenvolvimento da planta numa ou mais etapas dapropagação. Se for utilizado um material adequado, e se as demais condições também foremsatisfeitas, o desenvolvimento da muda será satisfatório, tendo-se como resultado umaplanta com capacidade de expressar, futuramente, o potencial produtivo da cultivar. Por sua vez, o uso de materiais inadequados, além da sua ineficiência nos métodosde propagação, originará plantas com problemas de desenvolvimento e com reflexosnegativos sobre a futura produção. Inúmeros materiais podem ser usados como substratos na produção de mudasfrutíferas. A escolha do substrato - ou mistura de substratos mais adequada para umadeterminada situação - é função da técnica de propagação, da espécie (em alguns casos),da cultivar, das características do substrato, do custo e da facilidade de obtenção de cada
  9. 9. 9material. Podem estar incluídos desde materiais que permitam a germinação das sementes -e o posterior desenvolvimento das plântulas - até outros que possibilitem oenraizamento de estacas e o desenvolvimento das raízes adventícias, bem comomateriais que proporcionem condições adequadas para a aclimatização de plantaspropagadas por meio de técnicas de micropropagação. Em linhas gerais, um bom substrato é aquele que:  É firme e denso o suficiente para manter a estrutura de propagação em condições até a germinação ou o enraizamento.  Não contrai ou expande com a variação da umidade.  Retém água em quantidade suficiente.  É suficientemente poroso para permitir a drenagem da água e a aeração.  Está livre de invasoras, nematóides ou outros patógenos. Não apresenta nível excessivo de salinidade. • Permite a esterilização a vapor. Na propagação por sementes, o substrato tem a finalidade de proporcionarcondições adequadas à germinação ou ao desenvolvimento inicial da muda. Conforme a técnica de propagação adotada, pode-se dispor de um mesmo materialdurante todo o período de formação da muda, bem como utilizar-se materiais diferentesem cada fase (até a germinação, da germinação até a repicagem e da repicagem aoenviveiramento). Considerando que tanto a germinação quanto o desenvolvimento das mudasrequerem água, oxigênio e suporte físico, o bom substrato deve:  Proporcionar equilíbrio adequado entre a umidade e a aeração. Para tanto, deve haver boa capacidade de drenagem da água, mas retendo suficiente teor de umidade, que garante água suficiente para a embebição da semente e o metabolismo da muda. O fornecimento de oxigênio ao embrião pode ser limitado pelo substrato, em função da má drenagem e da baixa taxa de difusão do oxigênio na água.  Proporcionar ambiente escuro, em virtude de muitas espécies serem fotoblásticas negativas e das raízes serem fototrópicas negativas.  Boa capacidade de suporte físico da muda, bem como aderência às raízes, fato especialmente importante na repicagem da muda para o viveiro ou pomar.  Conter nutrientes essenciais para o desenvolvimento sadio da planta. No caso de se utilizar um substrato apenas para a germinação, a presença de nutrientes não é necessária, podendo-se somente lançar mão de materiais inertes, pois a germinação ocorre às custas da reserva da semente. Entretanto, tão logo as raízes passem a ser funcionais, os nutrientes devem estar presentes.  Estar isento de inóculo de patógenos ou saprófitos, que podem prejudicar a germinação e o desenvolvimento das mudas. A presença de patógenos pode provocar a ocorrência de dumping off, que ocasiona desde um baixo índice de sobrevivência das plantas na repicagem, até a morte das plântulas logo após sua emergência.  Estar isento de propágulos (sementes ou estruturas vegetativas) de plantas invasoras, especialmente no caso de a muda oriunda desse processo ser comercializada ou levada ao campo com torrão. Além disso, um bom substrato deve ser de baixa densidade e ter uma composiçãoquímica e física equilibrada, elevada capacidade de troca catiônica (CTC), boa
  10. 10. 10capacidade de aeração e drenagem, boa coesão entre as partículas e adequada aderêncianas raízes. Na avaliação de um substrato, podem ser úteis parâmetros físicos tais como porosidade total, densidade, proporção do tamanho de partículas, espaços com ar e água,condutividade hidráulica saturada e insaturada. Na literatura, inúmeros materiais sãocitados como adequados para a germinação ou desenvolvimento de plantas propagadaspor sementes. A associação de materiais - especialmente em mistura com o solo permitemelhorar as condições para desenvolvimento das mudas. Assim, a grande maioria dostrabalhos com substratos nessa fase inclui misturas de solo, de vermiculita e demateriais orgânicos. É aconselhável misturar areia e materiais orgânicos, para melhorar a textura epropiciar melhores condições ao desenvolvimento das mudas. Em misturas, o solo e aturfa participam como retentores de umidade e nutrientes, enquanto a areia, serragem oucasca de arroz funcionam como condicionadores físicos. A mistura com materiais orgânicos beneficia as condições físicas do substrato efornecem nutrientes, favorecendo o desenvolvimento das raízes e da planta como umtodo. Numa sementeira, considerando-se o solo como substrato, é importante observaros seguintes aspectos:  A sementeira deve estar localizada fora da área de produção e não deve ser usada por mais de 2 anos consecutivos, como forma de diminuir o potencial de inóculo de patógenos.  Deve haver pequena declividade para exposição à luz e boa disponibilidade de água para irrigação.  É conveniente que se utilizem solos com textura média.  Para se evitar problemas com patógenos ou plantas invasoras, pode ser efetuada a esterilização do substrato. Esta pode ser feita utilizando-se fungicidas, solarização, tratamento térmico, ou agentes de controle biológico e químico, recomendados pela legislação vigente.  Deve ser prevista uma rotação de culturas antes da implantação de sementeira, especialmente se na mesma área foram cultivadas espécies perenes.  O suprimento de água deve ser adequado, pela necessidade de germinação e a sensibilidade das plântulas ao déficit hídrico.  Com o uso de corretivos, o pH do solo deve ser ajustado para o nível adequado à espécie a ser propagada.  Quanto ao suprimento de nutrientes, devem ser tomados cuidados com o excesso de adubação, especialmente a adubação nitrogenada. O excesso de sais inibe a germinação, além de o desequilíbrio nutricional favorecer a ocorrência de doenças. O manejo da adubação depende, essencialmente, do tempo de permanência da muda na sementeira. O substrato é um dos fatores de maior influência na propagação por estaquia,especialmente naquelas espécies com maior dificuldade de formação de raízes. Osubstrato não apenas afeta o percentual de estacas enraizadas, como também aqualidade do sistema radicular da muda. Destina-se a sustentar as estacas durante oenraizamento, mantendo sua base num ambiente úmido, escuro e suficientementeaerado. Num sentido mais restrito, o substrato deve garantir as condições adequadas apenas para o enraizamento das estacas. Contudo, numa abordagem mais ampla, é conveniente que algumas condições sejam oferecidas para que haja o desenvolvimento inicial das
  11. 11. 11raízes adventícias, tais como o fornecimento de nutrientes e o uso de materiaisorgânicos, que podem favorecer o desenvolvimento radicular e o pegamento, edesenvolvimento no viveiro ou no campo. O substrato mais adequado para o enraizamento varia conforme a espécie,podendo-se considerar que um bom substrato deve reunir as seguintes características:  Reter água suficiente para manter as células túrgidas, evitando o murchamento da estaca.  Garantir aeração suficiente, por meio de um adequado espaço poroso, para a formação das raízes e o metabolismo radicular.  Aderir bem à estaca e às raízes formadas.  Não favorecer a contaminação e o desenvolvimento de patógenos e saprófitos, tanto por ser fonte de inóculo, quanto por criar condições favoráveis ao desenvolvimento de microrganismos.  Permitir que as estacas enraizadas sejam removidas com um mínimo de dano às raízes.  Ter baixo custo e fácil aquisição. • Não conter ou liberar quaisquer substâncias fitotóxicas à estaca. Conforme o tipo de ambiente para propagação, deve ser dadaatenção diferenciada. No caso de uso de nebulização intermitente, a drenagem é um dosfatores mais importantes, para se evitar a asfixia na base da estaca. Ao se trabalhar comestacas lenhosas em solo ou em recipientes com outro material, mas sem nebulização, aretenção de água assume maior importância. A escolha do substrato é feita levando-se em consideração a espécie, o tipo deestaca, as características do substrato, a facilidade de obtenção e o custo de aquisição.A determinação do substrato mais adequado para cada espécie deve ser feita por meiode experimentos. Na Tabela 1, são apresentadas algumas vantagens e desvantagens dealguns substratos que podem ser utilizados em estaquia. O meio de enraizamento não afeta apenas o enraizamento em si.Tem sido obtida grande influência do substrato sobre a qualidade do sistema radicularadventício, no que tange a diversos parâmetros. É conveniente atentar-se para a qualidade do sistema radicular formado, poisessa irá, diretamente, o pegamento no viveiro e o desenvolvimento posterior da muda.Geralmente, raízes desenvolvidas em areia são mais grossas, menos ramificadas e maisquebradiças, ainda que as características do sistema radicular também sejam função daespécie. A mistura da areia com turfa ou outros materiais orgânicos permite que se formeum melhor sistema radicular. A permanência das folhas na estaca também pode serafetada pelo substrato. Substratos com menor contato com a estaca tendem a ocasionarmaior queda de folhas e a morte das estacas. A parte da estaca que fica enterrada no substrato poderá sofrer asfixia, quedesfavorece o enraizamento, podendo causar até mesmo a morte desta. A baixacapacidade de drenagem do substrato na base da estaca pode ocasionar a necrose nabase da mesma. Além disso, o pouco espaço poroso poderá favorecer a ocorrência dedoenças.
  12. 12. 12 o teor de oxigênio requerido na formação de raízes é variável conforme a espécie,mas é sempre indispensável. Por exemplo, para Salix spp., 1 mg.L-l de oxigênio ésuficiente para o enraizamento, podendo o mesmo enraizar em água, ao passo que paraHedera helix, são necessários apenas 10 mg. L-l . Em algumas espécies, o aumento do teor de oxigênio incrementou o enraizamentode estacas. Assim, é importante analisar as características físicas do substrato a serutilizado nessa condição. Espaço poroso (macro e microporosidade), oxigêniodisponível, aeração, drenagem e excesso de água no substrato são aspectos interligadosentre si, passíveis de observação. Há menções de que o espaço poroso do substrato deenraizamento deve ser de 20%, admitindo-se um intervalo de 15% a 45% de porosidade. As seguintes propriedades físicas de um substrato de enraizamento são importantes:
  13. 13. 13  Forma, textura e tamanho de partículas.  Teores de argila e silte.  Densidade, espaço poroso e capacidade de retenção de água na saturação e na capacidade de campo. A curva de retenção de água é um parâmetro que pode fornecer boas informaçõessobre o efeito do substrato no enraizamento. Mesmo em ambiente com nebulizaçãointermitente, o substrato não se mantém constantemente saturado, especialmentedurante o dia, quando as perdas de água para a atmosfera são mais elevadas. Assim, ummaterial que retém mais água, em níveis de tensão mais elevados, pode ser maisrecomendável para utilização, tendo em vista esse atributo físico. É importante que o substrato tenha uma capacidade de retenção tal que permita aplanta retirar água com um gasto mínimo de energia e apresente um espaço porosoadequado. A competição do espaço poroso pela água e pelo ar é um ponto crucial naescolha do substrato. No que se refere às características químicas, o pH e a disponibilidade de nutrientessão importantes. Em algumas espécies, o pH favorece o enraizamento e desfavorece odesenvolvimento de microrganismos. O uso de materiais como a turfa permite que o pHdo substrato seja mais baixo. O uso de materiais orgânicos pode favorecer odesenvolvimento das raízes adventícias.Geralmente, as características favoráveis de um substrato podem ser complementaresàs de outro. Assim, a mistura de dois ou mais substratos permite que se associem asvantagens e se complementem as desvantagens de cada material.Irrigação Seja na cultura instalada ou no viveiro de produção de mudas, a irrigação é desuma importância para o fruticultor ou viveirista que deseja obter mudas de qualidade.Durante o desenvolvimento da muda, existem várias fases críticas, onde adisponibilidade hídrica se faz necessária. Geralmente, o viveirista deseja obter umamuda de crescimento uniforme e ereto, o que vai facilitar todas as operações do viveiro,seja na enxertia e forçagem, ou no desponte e formação das pernadas (ramos primáriosemitidos a partir da haste principal da muda). No início do desenvolvimento das mudas, a irrigação é imprescindível,notadamente após a semeadura. A água utilizada pode ser proveniente de rios, lagos ouaté de poços subterrâneos. A única exigência é que a água deve ser limpa, tendo-se ocuidado para evitar a introdução de algas ou sementes de plantas invasoras. Segundo alguns autores, a água deve ter no máximo 200 mg.L de silte e cálcio,menos de 10 mg.L de sódio e 0,5 mg.L-l de boro. Se a água tiver alto teor de silte ou decolóides, corre-?e o risco de impermeabilização da superfície do substrato, reduzindosua aeração e aumentando a predisposição das mudas a doenças e pragas. No planejamento de um viveiro, deve-se ter uma fonte de água de boa qualidadepara irrigação e não depender apenas das chuvas. Quanto ao tipo de irrigação utilizada,dependerá do local de produção da muda, da disponibilidade de água, e de recursos,além do tipo de substrato ou solo, e das condições do local. Quanto à freqüência da irrigação, é relevante o efeito da quantidade de suprimentode água, forma e freqüência de aplicação. Logicamente, no caso de as mudas serem produzidas em casa de vegetação, comequipamentos sofisticados, não há necessidade de maior preocupação. Na verdade, osaspectos de quantidade de água, forma e freqüência estão ligados diretamente àscondições atmosféricas, qualidade física e química do substrato, poros idade e grau desaturação, estação do ano, estágio de desenvolvimento das mudas, além do tipo e
  14. 14. 14cobertura dos canteiros ou sementeiras. Os vários tipos de coberturas existentes permitem maior ou menor perda deumidade, sendo que, para cada tipo, deve-se adequar uma metodologia isoladamente. Outro aspecto a ser considerado é a espécie, já que cada uma delas se comportadiferentemente da outra. É indiscutível manter o teor de umidade adequado logo após asemeadura. Do contrário, corre-se o risco de perdas irreparáveis na obtenção das mudas.Por sua vez, o encharcamento é muito prejudicial, pois além de permitir a lixiviação denutrientes e diminuir a aeração, pode favorecer o surgimento de doenças, a exemplo dodumping off. Contudo, calcular a quantidade exata de água e saber, com precisão, o momentocerto de colocá-la, é difícil, pois depende de uma série de fatores. Geralmente, é aexperiência profissional do produtor de mudas que vai definir a freqüência e aquantidade de água a ser colocada numa dada sementeira, recipiente ou viveiro. Apesar das poucas pesquisas existentes, sabe-se que a irrigação é recomendável noinício da manhã, principalmente em regiões e épocas frias, pois permite a rápidacondensação do gelo, que eventualmente possa formar-se na superfície das folhas. A irrigação no final do dia permite que o substrato permaneça úmido por maistempo, de modo que o potencial hídrico das mudas mantenha se com valores mais altosdurante a noite. Apesar da experiência ser um fator que pode auxiliar o viveirista, estepode lançar mão de recursos técnicos de baixo custo e ótimos resultados. Como regra geral, pode-se afirmar que a época de irrigação é mais importante doque a quantidade de água aplicada. Enfim, verifica-se que há necessidade de pesquisas,direcionadas às diferentes espécies, para determinação da quantidade de água efreqüência de irrigação para obtenção de mudas de alta qualidade.Embalagens Entende-se, por embalagem, todo e qualquer material destinado a acondicionar osubstrato durante a produção de mudas. O uso de recipientes tem acompanhado aevolução tecnológica dos sistemas de propagação, pois são instrumentos indispensáveisna produção intensiva de mudas. À medida em que se avança na pesquisa de substratopara propagação, os recipientes assumem cada vez mais importância.A produção de mudas em viveiros sem uso de recipientes normalmente é maiseconômica. Mesmo assim, a produção de mudas embaladas cada vez mais vem sendoadotada devido às vantagens que proporciona. Mesmo nesses casos, os recipientespodem tomar parte em alguma das etapas da propagação. É o caso de mudas cítricas - oporta-enxerto pode ser inicialmente desenvolvido em tubetes ou bandejas e depois asmudas são transferidas para o viveiro, onde são mantidas até a comercialização. Emoutras situações, toda a produção da muda pode ser feita num ou mais recipientes. Na produção de mudas frutíferas, a adoção de recipientes apresenta comoprincipais vantagens:  Quando associada ao uso de telados ou estufas, permite o cultivo sob quaisquer condições climáticas, o que ocasiona cumprir-se rigorosamente um cronograma de produção.  Redução da utilização de tratores e carretas na área de viveiro.  Redução do tempo necessário para produção das mudas. Em mudas cítricas, no sistema de sementeira, são necessários 18 a 24 meses para produção das mudas, enquanto com o uso de bandejas ou tubetes são necessários 12 a 15 meses.  Redução da competição entre as mudas.  Redução da área necessária de viveiro.  Proteção do sistema radicular contra danos mecânicos e desidratação.
  15. 15. 15  Proteção da muda contra doenças e pragas de solo, além de facilitar, quando necessário, a prática da esterilização do substrato.  Aumento da facilidade no transporte das mudas.  Redução do estresse no momento do transplante.  Permanência do viveiro por mais tempo, evitando a necessidade de rotação de culturas devido ao risco de doenças e pragas do solo. Quando a produção de mudas é feita em recipientes, é importante observar osseguintes aspectos:  Manutenção da umidade, especialmente em recipientes com pequena capacidade de acondicionamento de substrato.  Adubação, pois o substrato pode facilmente ser esgotado quanto à disponibilidade de nutrientes.  Limitação ao desenvolvimento radicular, aspecto que deve ser constantemente observado, de modo que o recipiente não venha a ser uma barreira para as raízes, a ponto de prejudicar o crescimento da muda. Convém que um bom recipiente apresente as seguintes carac;ticas:  Ter boa resistência para suportar a pressão devida ao peso do substrato e da muda.  Permitir que a planta tenha um rápido desenvolvimento inicial.  Acondicionar o volume adequado de substrato.  Possuir bom sistema de drenagem.  Possibilitar boa retenção da umidade.  Permitir boa retenção do substrato.  Ter durabilidade, a ponto de resistir durante todo o processo de produção da muda.  Ser de fácil manejo, quando da transferência (leveza e resistência).  Ter baixo custo de aquisição. • Ser reutilizável, ou construído com material facilmente reciclável. Mesmo que um recipiente não reuna todas essas qualidades, deve-se selecionar aquele que reuna o maior número de vantagens, pois isso estáestreitamente relacionado com a eficiência do sistema de propagação e da viabilidadedo uso de recipientes. Assim, a escolha do recipiente deve considerar as qual idades decada material, o método de propagação e os efeitos que ele proporciona sobre ocrescimento da muda. Vários são os recipientes utilizados na produção de mudas frutíferas.Entre esses, podem ser citados: sacos de plástico, tubetes, citropotes, bandejas deplástico ou de isopor, caixas de madeira ou de metal, vasos de plástico, entre outros. A seguir, serão descritos alguns dos principais recipientes utilizados na propagaçãocomercial de plantas frutíferas:Sacos de plástico São recipientes que podem apresentar as mais diferentes dimensões, tais como 8cm (diâmetro) x 12 cm (altura) e 25 cm (diâmetro) x 25 cm (altura). Normalmente,apresentam coloração preta ou escura, para impedir o desenvolvimento de algas e deplantas invasoras dentro do recipiente e proporcionar melhores condições dedesenvolvimento para as raízes. Perfurados na base, para drenagem da água, são muitoversáteis, adaptando-se a uma grande variedade de situações, além de terem baixo custode aquisição, serem reutilizáveis e de fácil manejo (Fig. 2).
  16. 16. 16 Fig. 2. Mudas cítricas obtidas em embalagens de plástico. Contudo, se o plástico for de pouca espessura, esses recipientes rompem-sefacilmente com o peso do substrato ou devido ao crescimento das raízes. Além disso, asperfurações devem estar localizadas próximo à base da embalagem. Caso contrário, nãopermitem um bom escoamento da água em excesso, prejudicando o crescimento damuda. No momento da aquisição, é importante atentar para a qualidade do plástico, alémdo número e a posição das perfurações.Tubetes São recipientes de formato cônico, construídos em plástico rígido e de cor escura.Internamente, apresentam estrias que dificultam o enovelamento das raízes. Podemacondicionar diferentes volumes de substrato. Para o uso dos tubetes, é necessário umsistema de suporte, que pode ser uma bandeja de isopor, plástico ou metal, bem comouma bancada com fios de arame distanciados, para possibilitar a colocação dos mesmos.Assim, os tubetes ficam suspensos, de modo que a base destes ficam expostas ao ar,proporcionando a denominada poda das raízes pelo vento. Apresentam a vantagem de serem reutilizáveis várias vezes, além de permitirema produção de um grande número de mudas por unidade de área. Por serem unidadesindependentes, os tubetes permitem a seleção das mudas com a embalagem. Pordisporem de pequeno volume de substrato, requerem que se retire a muda tão logo asraízes ocupem todo o substrato. Por isso, são úteis para a primeira etapa da propagação,além de necessitarem de irrigações periódicas, visto que o substrato facilmente sedesidrata. Dependendo do substrato, o tubete pode não reter o mesmo, que é perdidopelo orifício na base (Fig. 3).
  17. 17. 17 Fig. 3. Porta-enxerto de citros produzidos em tubetes.BandejasPodem ser confeccionadas em plástico, normalmente apresentando um espaço único econtínuo para acondicionamento do substrato. Também podem ser feitas depoliestireno expandido (isopor), constituídas de um número variável de células, onde éfeita a produção da muda.As células apresentam forma piramidal invertida, com capacidade de até 120 cm3 desubstrato por célula. Na base, a célula apresenta um orifício para escoamento da água.As bandejas podem ser reutilizadas várias vezes. Como os tubetes, elas são úteis naprimeira etapa da propagação, pois acondicionam pequeno volume de substrato. Preferencialmente, as bandejas devem ficar suspensas, permitindo a poda pelovento. A durabilidade da bandeja está em função do ambiente onde é feita a propagaçãoe do cuidado no manuseio das mesmas. Para uma dada espécie, em sistemas tradicionais de propagação (viveiros), podemser produzidas cerca de 25 mil a 30 mil mudas por hectare, enquanto com uso debandejas, podem ser produzidas cerca de 200 mil mudas por hectare.Citropotes Também conhecidos como containers, esses recipientes são assim denominadospor serem desenvolvidos e difundidos para produção de mudas cítricas. Sãoconfeccionados em plástico preto rígido e acondicionam grande volume de substrato,permitindo que a muda seja mantida nesse recipiente desde a repicagem (produzida emtubetes ou bandejas) até a comercialização. Os citropotes apresentam diversas vantagens, dentre as quais a facilidade demanuseio, a possibilidade de produção de mudas numa mesma área por vários anos,desde que o substrato seja oriundo de local isento de patógenos e o plantio da muda nopomar não apresente danos ao sistema radicular. Uma das principais limitações ao usodo citropote é o custo elevado. Na propagação por sementes, usam-se sacos de plástico, bandejas e tubetes. Napropagação por estacas, é mais comum o uso de sacos de plástico, embora, até omomento, ensaios feitos com bandejas e tubetes tenham proporcionado resultadosbastante promissores.
  18. 18. 18Controle fitossanitário A dificuldade em encontrar mudas de qualidade tem se constituído num dos maissérios problemas com que se defronta o produtor de frutas. A qualidade sanitária damuda é, sem dúvida, um dos componentes mais importantes, tendo reflexo direto nodesenvolvimento das plantas e na produtividade do pomar. Uma das dificuldades encontradas é que, geralmente, o produtor brasileiro nãoencontra, no mercado, mudas com garantia de isenção de doenças e pragas. Aescaldadura das folhas da ameixeira - causada pela bactéria Xylella fastidiosa - é umexemplo.Cultivares sensíveis a esse patógeno, quando contaminadas, morrem em 3 anos. Como adoença é transmitida por cigarrinhas, se existir uma planta contaminada no pomar, acontaminação de outras plantas é praticamente inevitável. A maioria das cultivares de ameixeira japonesa, melhor adaptadas ao climabrasileiro, é sensível a essa bactéria, variando apenas o tempo que as plantas levam paramorrer. A gravidade dessa doença é tanta que várias regiões produtoras tiverampomares dizimados, só retornando ao cultivo a partir da limpeza c10nal e produção demudas sadias. Em outras regiões do mundo, onde ocorre essa doença, o cultivo da ameixeirapraticamente desapareceu, como aconteceu na Região do Delta, na Argentina, e nosudeste dos Estados Unidos. Em 1975, a escaldadura, doença cujo agente causal é uma bactéria Xy/ella fastidiosa,foi diagnosticada no Sul do Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, a área deameixeiras era de cerca de 400 ha, regredindo para menos de 50 ha, em 1982. Voltou,então, a crescer, com a obtenção de mudas isentas de bactéria. Com a pressa de plantar,devido aos altos preços da ameixa no mercado, esqueceu-se de questionar as garantiasde sanidade das mudas e os riscos de contaminação, a partir de ameixeiras doentes, nasproximidades do pomar. A freqüente incidência de doenças tem sido responsável pela baixa qualidade dasmudas produzidas, acarretando sérios prejuízos, tanto nas fases de sementeira e viveiro,como no plantio definitivo. Apesar de não se manifestarem nas fases de sementeira e viveiro, algumas doençassão introduzidas e disseminadas principalmente por material de propagação. Autilização de material propagativo sadio é de fundamental importância para a formaçãode pomares livres de patógenos, que causam queda na produtividade e longevidade dasplantas. Com relação ao controle fitossanitário, recomenda-se usar os tratamentosindicados para todas as pragas e doenças que ocorrem no pomar, por meio de controleintegrado ou de medidas como a limpeza e a desinfestação das ferramentas usadas nosviveiros e pomares, até o cuidado com mudas e borbulhas dos novos plantios. Em plantas frutíferas propagadas vegetativamente, a importância das doençascausadas por vírus é grande, pois todas as plantas obtidas de uma planta infectadatambém se apresentarão com o patógeno. A maioria dos vírus, viróides e fitoplasmas é transmitida por enxertos. Contudo, há alguns que são transmitidos por insetos, nematóides, sementes oumecanicamente. Nas espécies frutíferas, a transmissão por enxertia é mais comum e oscuidados devem ser redobrados para se evitar a infecção de todo o viveiro. Tratando-se de plantas em viveiro, não se pode confiar em inspeções visuais, ouseja, na identificação de plantas doentes apenas por sintomas visíveis a olho nu, porquemuitas doenças não se manifestam no período do viveiro, havendo algumas que levamanos para apresentar sintomas visíveis, ou mesmo aquelas que nunca os apresentam.
  19. 19. 19 A melhor recomendação de controle é o uso de material sadio. Para isso, énecessário que se faça a multiplicação apenas a partir de plantas indexadas, isto é,testadas e isentas dos vírus que ocorrem na cultura. Se o material infectante forimportante como variedade, poderá passar por um processo de limpeza, no qual poderáser utilizada a termoterapia ou cultura de meristema. Após passar por esse processo delimpeza, o material deve ser novamente indexado e, uma vez isento dos supostospatógenos, será liberado para multiplicação. É importante observar que não só as borbulheiras devem ser indexadas, mastambém os porta-enxertos, pois estes podem estar infectados e transmitir o vírus para acopa. É possível diminuir os danos causados por um vírus pelo uso do fenômeno daproteção cruzada, aquela conferida a uma planta infectada, sistematicamente, por umaestirpe de um vírus contra outras do mesmo vírus. Se a estirpe que infecta a planta em primeiro lugar é fraca, isto é, causa poucosdanos, a planta ficará protegida contra infecção por estirpes fortes. Inoculando-se asmudas no viveiro com uma estirpe sabidamente fraca, consegue-se, então, obter-seplantas protegidas contra as fortes que ocorrem naturalmente e irão infectar as plantasno campo. Essa é a chamada pré-imunização, largamente usada em pomares cítricospaulistas, para protegê-los contra o vírus-da-tristeza. Nesse caso do vírus-da-tristeza,optou-se pela pré-imunização, pois o vírus é transmitido por pulgões e o uso de materialsadio não resolveria o problema, uma vez que todas as plantas ficariam expostas nocampo, ao ataque do vetor. Assim, só devem ser multiplicadas plantas que tenham sido submetidas a testes desanidade. Todas as matrizes devem ser testadas periodicamente, pois uma plantaconsiderada sadia pode se tornar infectada. As pragas que atacam as mudas nas sementeiras e viveiros podem causar grandesprejuízos, tanto ao crescimento das mudas quanto à sua qualidade final. o crescimento e brotação contínuos das plantas jovens propiciam o ambiente idealpara a rápida expansão das populações de diversas pragas. Por isso, a atenção emviveiros de mudas é indispensável. De modo geral, pode-se afirmar que o primeiro passo para o controle de umapraga, no pomar, é dado no controle fitossanitário no viveiro, pois isso dificultará adisseminação das pragas por meio das mudas. Dependendo da cultura, as pragas que prejudicam as mudas em viveiros sãopulgões, lagartas, formigas, cigarrinhas, ácaros e nematóides. Às vezes, as pragas de raízes e os nematóides não são detectados nos viveiros, masadquirem grande importância porque são observados apenas depois de alguns anos daformação do pomar, uma vez que as mudas são o principal meio para dispersão dessaspragas. Em todos os casos de infestação por nematóides, o principal método de controle éo preventivo, mediante o plantio de mudas isentas do patógeno. Assim, é necessário oexame de mudas, para evitar a disseminação de nematóides em áreas não-infestadas. Àsvezes, a escolha de órgãos propagativos sadios é suficiente para manter o viveiro livreou, pelo menos, com baixa população de pragas. É bom lembrar que o controle fitossanitário em sementeiras, viveiros e em plantas-matrizes fornecedoras de material propagativo é feito de acordo com as necessidades.Esse controle deve ser monitorado utilizando se os produtos de forma correta,preservando a integridade do meio ambiente e a saúde do trabalhador. Quando da aplicação de controle químico, deve-se dar preferência a produtos debaixa toxicidade humana e, em ripados ou viveiros fechados, aos inseticidas granulados
  20. 20. 20sistêmicos para controle de insetos sugadores. Detectando-se a presença de inimigosnaturais das pragas, deve-se, pelo menos, utilizar produtos químicos seletivos.Controle de plantas invasoras Uma boa condução e formação de mudas exige uma série de operações que estãoestreitamente relacionadas, tais como: seleção das plantas-matrizes, copas e porta-enxertos, controle de pragas e doenças, além de tratos culturais adequados. Dentro desseaspecto, o controle de plantas invasoras, tanto em sementeiras como em viveiros, é degrande importância. Modernamente, tem-se propagado, principalmente, porta-enxertos, como é o caso específico de mudas cítricas, por tubetes, bandejas ou si m i lares. Essa metodologia permite a utilização de substratos tratados, isentos de plantas invasoras e garante maior controle de pragas e doenças. Entretanto, na segunda fase de propagação, com a utilização de viveiros, o controle de plantas invasoras é fundamental, porque nesse local é onde serão realizadas todas as operações que resultarão numa muda de boa qualidade. Inicialmente definido como área de terreno destinada à produção de mudas, ondeas mesmas são formadas até irem para o campo, o termo viveiro, neste caso, tem umconceito mais abrangente por englobar estruturas como sementeiras, valetas paraestratificação, áreas para plantio de porta-enxertos, casas de vegetação, câmaras denebulização e coberturas de tela de plástico. Também estão relacionados materiaiscomo sacos de polietileno, tubetes, vasos, bandejas de isopor, componentes de substratocomo solo, areia, esterco, compostos orgânicos, cascas e palhas, vermiculita, casca demadeira triturada, terriço, etc. Nesse caso, a correlação entre o enviveiramento de mudas frutíferas e os possíveisproblemas com plantas invasoras têm um sentido amplo, que envolve cuidados epráticas bem distintas, de acordo com a fase de produção da muda e a metodologiautilizada. O conceito de planta invasora ou daninha baseia-se na presença indesejável deuma planta, em relação ao homem, quando prejudicaria direta ou indiretamente suasaúde, a produção agropecuária ou outras atividades de interesse econômico. O conceito de indesejabilidade fica claro em definições como "uma planta queocorre onde não é desejada", ou "uma planta fora do lugar". Assim, uma determinadaplanta poderá ser considerada invasora, indiferente ou útil, dependendo do tempo elocal onde ela ocorre. No caso específico de viveiros, a presença de outras plantas, que não sejam asmudas, sempre é considerada danosa ou prejudicial. Existem cinco métodos de controle de plantas daninhas, distintos dos processos deprevenção e de erradicação. Prevenção é a utilização de métodos para se evitar umainfestação ou reinfestação, enquanto a erradicação é a eliminação de uma população. Deve-se considerar que viveiros de produção de mudas - em seu sentido amplo,como mencionado anteriormente - podem apresentar peculiaridades que diferem de umacultura em larga escala em campo, tais como:  Os viveiros em campo normalmente ocupam áreas reduzidas atingindo, quando muito, alguns poucos hectares.  Formação de mudas, em alguns casos, com todas as etapas diretamente em recipientes.  Espaçamentos reduzidos, quando as mudas estão instaladas em viveiro no campo.  Elevado número de tratos culturais e práticas especiais, realizados com freqüência, exigindo que durante o enviveiramento as mudas estejam livres de
  21. 21. 21 plantas invasoras.  Ciclo de produção variável, de 3 a 24 meses.  Limitações, quanto à presença de plantas invasoras impostas pela legislação.  As mudas são plantadas jovens e de pequeno porte, sendo mais frágeis e sensíveis do que as plantas adultas. Assim, independentemente do método utilizado, as particularidades, inerentes aum viveiro devem ser observadas.Controle manual de plantas invasoras Recomendável no caso de formação de mudas diretamente em recipientes (sacosde plástico, vasos, tubetes ou bandejas de isopor), bem como em sementeira, fazendo-seo arranquio das plantas invasoras com as mãos. O arranquio manual pode danificar asraízes da muda, quando as invasoras atingem um estágio de desenvolvimento maisavançado. O uso da enxada também é apropriado para pequenas áreas e espaçamentosreduzidos - como no caso de viveiros - podendo ser utilizada como componente de umsistema integrado de controle. Esse método dependerá, naturalmente, da disponibilidade de mão-de-obra,estimada em 10-15 DH/ha/capina, devendo-se considerar que o número de capinas, porano, poderá ser de 6 a 8.Controle mecânico de plantas invasoras O uso de cultivadores de tração animal, de modelos e dimensões variadas, poderáser feito em alguns tipos de viveiros instalados em campo, desde que se observem oscuidados necessários, considerando-se o porte reduzido das mudas e a fragilidade dasmesmas. É um método que poderá fazer parte de um sistema integrado, de baixo custo,bom rendimento e não-agressivo ao ambiente, mas pouco eficiente para o controle deplantas Invasoras perenes. A utilização de equipamentos de tração mecânica, tais como enxada rotativa,grades e roçadeiras, é praticamente descartada em viveiros, pelas particularidades jámencionadas anteriormente.Controle cultural de plantas invasoras Relacionam-se como métodos culturais, a rotação, a consorciação de culturas, ouso de plantas companheiras (leguminosas) e práticas de manejo. Entre esses, e especificamente em viveiros, seria recomendável após o arranquiodas mudas, fazer-se a alternância com outra cultura na mesma área (1 a 2 anos). Pode-se relacionar a cobertura da superfície do solo com restos vegetais ou filmede plástico, denominada cobertura morta. Ela mantém a umidade, protege o solo contraerosão, evita o desenvolvimento de plantas invasoras, acumula matéria orgânica enutrientes, e eleva a atividade microbiana. A escolha de resíduos orgânicos para coberturas de viveiros deveser feita mediante as seguintes observações:  Possibilidade de conterem sementes de plantas invasoras.  Ocorrência de fermentação.  Liberação de substâncias tóxicas às mudas. Possibilidade de disseminar ou aumentar a incidência de doenças e pragas. • Disponibilidade do material (10 - 20 t/ha). Entre os materiais mais comuns e disponíveis, há o bagaço de cana, a palha detrigo, o arroz e a casca de arroz. Quanto ao filme de plástico, deve-se avaliar a
  22. 22. 22viabilidade econômica do seu uso.Controle biológico de plantas invasoras Consiste num método que procura manter uma população de plantas invasoras quenão cause danos econômicos, usando-se um agente biológico (por exemplo, fungos). Autilização de bioerbicidas ainda é pouco pesquisada e não é utilizada em larga escala.Controle químico de plantas invasoras o uso de herbicidas sintéticos, em associação com o método manual, é a formamais utilizada nos vários sistemas de produção de mudas.Para se escolher um herbicida, várias características devem ser consideradas, tais como:Ser ativo biologicamente e de baixo custo/benefício.  Ser ecologicamente seguro ao aplicador e ao público.  Ser de fácil aplicação.  Ser compatível com outros químicos. • Apresentar alta margem de segurança às culturas.Destaca-se ainda o aspecto relacionado à sua seletividade, ou seja, um herbicida éseletivo quando matar ou retardar o crescimento de uma planta, sem afetar outras. Quando se diz que o produto é seletivo para folhas largas, significa que as espéciesde folhas largas são resistentes, ou tolerantes ao produto, e o mesmo irá eliminar asdemais. Essa seletividade depende das características físico-químicas do herbicida, daresistência da planta e do meio ambiente. Deve-se considerar que, em viveiros, trabalha-se com sementes, estacas, gemas egarfos, ou seja, estruturas vegetais que irão originar brotações e plantas inicialmentefrágeis, herbáceas e bastante sensíveis. Assim, os cuidados devem ser maiores do quequando se aplicam herbicidas em áreas com frutíferas já adultas e apresentam maiorresistência. A escolha do herbicida é função da recomendação para cada espécie frutífera e dainvasora a ser controlada. Para tanto, deve-se tomar todos os cuidados para prevenir aocorrência de deriva, contaminação da água, do solo e do próprio aplicador.
  23. 23. 23 Formas de Propagação de Plantas FrutíferasIntrodução A propagação é um conjunto de práticas destinadas a perpetuar as espécies deforma controlada. Seu objetivo é aumentar o número de plantas, garantindo amanutenção das características agronômicas essenciais das cultivares. Os métodos de propagação podem ser agrupados em dois tipos: propagaçãosexuada, que se baseia no uso de sementes, e propagação assexuada, baseada no uso deestruturas vegetativas. Fundamentalmente, a diferença entre as duas formas depropagação é a utilização e a ocorrência da mitose e da meiose. Enquanto napropagação assexuada a divisão celular implica na multiplicação simples (mitose),mantendo o número de cromossomos inalterado, na propagação sexuada a meioseproporciona a redução do número de cromossomos. A propagação por sementes ocorre na maioria das plantas cultivadas e pode serutilizada, também, na obtenção de mudas de plantas frutíferas. Esse método éresponsável pela variação populacional e pelo surgimento de novas variedades, uma vezque na natureza, predomina a polinização cruzada, que assegura o maior intercâmbio degenes dentro de uma mesma espécie. Na produção comercial de mudas, a propagação assexuada é, por vezes, maisimportante que a propagação sexuada, especialmente em plantas frutíferas, por diversasrazões, entre as quais:  Normalmente, é mais rápida que a propagação por sementes.  O período improdutivo é mais curto.  Permite a produção de plantas idênticas à planta-mãe, o que é importante na preservação das características agronômicas desejáveis. Isso não ocorre na propagação sexuada, devido à recombinação dos genes. A preferência pela reprodução sexuada ou assexuada é dada conforme:  A facilidade de germinação da semente.  O número de plantas que podem ser produzidas pelo método de propagação.  A importância da preservação dos caracteres agronômicos das plantas-matrizes. Os ciclos reprodutivos das plantas podem ser visualizados na Fig. 1, na qualestão especialmente destacadas:
  24. 24. 24Fase juvenil ou juvenilidade A fase juvenil, também denominada juvenilidade, é o período em que a planta tempouca resposta aos estímulos indutores do florescimento (fotoperíodo, frio,fitohormônios e outros). Essa fase é um período de longa duração (2 anos ou mais), marcado pela ausênciade produção e pela presença de algumas características, tais como espinhos, elevadovigor e morfologia diferenciada das folhas.Fase de transição Segue-se a essa etapa uma fase de transição, na qual há uma resposta parcial aosestímulos indutores, resultando na produção de poucas flores.Fase adulta Na fase adulta, há uma resposta plena a tais estímulos indutores, resultando emelevação da produção de frutas e de material propagativo, para fornecer estacas, gemasou outras estruturas de propagação. Assim, plantas propagadas, vegetativamente, apresentarão uma fase improdutivamenor, na qual há uma área foliar insuficiente, para a percepção dos estímulos indutoresdo florescimento e para o sustento da produção de frutos. Uma vez superado esseestágio, a planta atingirá a fase reprodutiva ou adulta. Entretanto, se forem utilizadospropágulos de plantas em fase juvenil ou de transição, será necessário superar a juve-nilidade e alcançar a área foliar adequada, o que representa um período improdutivomais longo. Quando uma planta é produzida por outro método de propagação, tal como aestaquia, a enxertia, a mergulhia e a micropropagação, em geral, o desenvolvimentosegue a mesma seqüência daquela planta obtida por semente, descartando-se a etapa dagerminação, embora a duração do período vegetativo seja menor. Essa menor duraçãoda fase vegetativa, quando da reprodução assexuada, deve-se à utilização de material calh ido em partes da planta-matriz, que já ultrapassaram a fase juvenil.Propagação sexuadaÉ o processo onde ocorre a fusão dos gametas masculinos e femininos para formar umasó célula, denominada zigoto, no interior do ovário, após a polinização. Esses gametaspodem ser provenientes de uma mesma flor, ou de flores diferentes de uma mesmaplanta (autopolinização) ou, ainda, de flores pertencentes a plantas diferentes(polinização cruzada). Do desenvolvimento do zigoto é produzida uma semente que originará uma novaplanta, com genótipo distinto dos progenitores, devido à troca de informação genéticana fecundação. Quando as plantas-matrizes são homozigotas e a autofecundação épredominante, os descendentes apresentarão características muito semelhantes àsplantas que os originaram. Entretanto, como na natureza predomina a polinização cruzada, a segregaçãogenética induzida pela reprodução sexual assume grande importância. Na reprodução sexuada, o embrião é, obrigatoriamente, proveniente do zigoto.Entretanto, no caso de sementes apomíticas, há formação de mais de um embrião, quepodem ser oriundos, além do zigoto, de um conjunto de células do saco embrionário ouda nucela, com a mesma constituição genética do progenitor feminino. Mesmo que as técnicas de utilização de sementes apomíticas sejam semelhantes àsda propagação sexuada, o método de propagação de plantas por apomixia é consideradopor muitos autores como um processo de propagação assexuada. Esse processo é muito
  25. 25. 25comum em plantas cítricas, e sua utilização é limitada à obtenção de clones novos ouclones nucelares a partir de plantas que produzem sementes poliembriônicas (Fig. 2 e3). Na propagação por sementes, é comum o uso do termo seedling para designarplantas jovens propagadas desse modo, que poderão ser utilizadas como porta-enxertosou como pés-francos. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantassuperiores e de, praticamente, todos os angiospermas. A população proveniente dareprodução sexuada apresenta variabilidade genética, devido à segregação e àrecombinação de genes. Em muitas espécies, esse tipo de propagação é o processo natural de disseminação.Mesmo que a variação das características entre os descendentes possa ser significativa,há casos em que a semente é a única forma de propagação viável. Quanto menor a manipulação de uma espécie pelo homem, tanto maior asignificância desse tipo de reprodução, fato especialmente observado no caso defrutíferas nativas, pouco submetidas ao melhoramento genético. Em fruticultura, a propagação por sementes tem as seguintesfinalidades:  Obter porta-enxertos ou cavalos.  Criar novas cultivares.  Formar mudas de espécies que suportam bem a propagação sexuada,
  26. 26. 26 conservando suas características. Para algumas espécies frutíferas, a propagação sexuada é ainda útil nos seguintescasos:  Na obtenção de clones nucelares (ou cultivares revigoradas, o que é comum em espécies cítricas).  Na obtenção de plantas homozigotas .  Na propagação de plantas que não podem ser multiplicadas por outro meio. A principal desvantagem da propagação por sementes, além da segregaçãogenética nas plantas heterozigotas, que provoca dissociação de caracteres, é o longoperíodo exigido por algumas plantas para atingir a maturidade. Contudo, existemexceções, como é o caso do maracujazeiro, cujo período improdutivo é semelhante entreplantas oriundas de propagação sexuada e assexuada. Uma das características da propagação por sementes é a variação que pode existirdentro de um grupo de plântulas. Na natureza, essa propriedade é importante, uma vezque torna possível a adaptação contínua de uma determinada espécie ao meio. Em cadageração, os indivíduos que estejam melhor adaptados a esse ambiente tendem asobreviver e a produzir a geração seguinte. A propagação por sementes é um método eficiente para produzir plantas livres dedoenças. Tem sido observado que vírus, nematóides e outros parasitas deletérios(nocivos) são comumente expurgados pela linha reprodutiva próxima à meiose ou pelameiose, e que, no entanto, são transmitidos e continuam a acumular em indivíduos deum done propagado vegetativamente. As sementes podem ser usadas como um filtropara algumas viroses, pois estas não se transmitem pela semente botânica, com algumasexceções. As vantagens e as desvantagens do uso da propagação sexuada em fruticulturaencontram-se na Tabela 1.Plantas propagadas por sementes apresentam o fenômeno da juvenilidade, uma fasenormalmente de longa duração, na qual a planta não responde aos estímulos indutoresdo florescimento. Plantas em estado juvenil tendem a apresentar características taiscomo a presença de espinhos, folhas lobuladas, ramos trepadores, fácil enraizamento emenor teor de RNA (ácido ribonucléico). Durante a juvenilidade, não há produção defrutos, o que acarreta um prolongamento do período improdutivo do pomar. O porte mais elevado pode representar uma desvantagem nas práticas de manejodo pomar, como na poda, no raleio, na colheita e em tratamentos fitossanitários. Alémdisso, a propagação sexuada pode induzir à desuniformidade das plantas e da produção,normalmente indesejadas em pomares comerciais. O desenvolvimento vigoroso e a maior longevidade das plantas, propagadas porsementes, podem estar associados à formação de um sistema radicular pivotante, maisvigoroso e mais profundo do que o sistema fasciculado, encontrado em plantas
  27. 27. 27propagadas por estacas. Muitos agentes causais de doenças, como vírus, bactérias, fungos e fitoplasmasnão são transmitidos por meio das sementes, de modo que plantas obtidas porpropagação sexuada tendem a apresentar melhor condição fitossanitária. Mesmo que a longevidade de plantas propagadas por sementes seja maior, uminconveniente da utilização dessas como porta-enxertos é o condicionamento da vidaútil da copa a uma baixa longevidade do porta enxerto. Isso ocorre na enxertia deameixeira sobre pessegueiro, na qual a vida útil da ameixeira, normalmente de 30 anos,fica reduzida a 15 anos, que é a vida útil do pessegueiro (porta-enxerto).Propagação assexuada A propagação assexuada, vegetativa ou agâmica é o processo de multiplicação queocorre por mecanismos de divisão e diferenciação celular, por meio da regeneração departes da planta-mãe. Esse tipo de propagação baseia-se nos seguintes princípios:Totipotencialidade As células da planta contêm toda a informação genética necessária para aperpetuação da espécie (totipotencialidade).Regeneração de células As células somáticas e os tecidos apresentam a capacidade de regeneração deórgãos adventícios. A propagação vegetativa consiste no uso de órgãos da planta, sejam eles estacasda parte aérea ou da raiz, gemas ou outras estruturas especializadas, ou aindameristemas, ápices caulinares, calos e embriões. Assim, um vegetal é regenerado apartir de células somáticas, sem alterar o genótipo, devido à multiplicação mitótica. O uso desse tipo de propagação permite a formação de um clone, grupo de plantasprovenientes de uma matriz em comum, ou seja, com carga genética uniforme e comidênticas necessidades edafodimáticas, nutricionais e de manejo. Enquanto em fruticultura a propagação sexuada tem importância restrita, apropagação assexuada é largamente utilizada na produção de mudas. Isso se deve ànecessidade de se garantir a manutenção das características varietais, que determinam ovalor agronômico do material a ser propagado, em espécies de elevada heterozigose,como as frutíferas. A utilização da propagação assexuada diz respeito à multiplicação, tanto de porta-enxertos, quanto da cultivar-copa. A importância e a viabilidade da utilização dapropagação assexuada são uma função da espécie ou da cultivar, da capacidade deregeneração de tecidos (raízes ou parte aérea), do número de plantas produzidas, docusto de cada processo e da qualidade da muda formada. De modo geral, o uso da propagação assexuada justifica-se nos seguintes casos:  Propagação de espécies e cultivares que não produzem sementes viáveis, como, por exemplo, limão-tahiti, laranja-de-umbigo e figueira.  Perpetuação de clones, pois as frutíferas são altamente heterozigotas e perderiam suas características com a propagação sexuada. A escolha do método a ser utilizado depende da espécie e do objetivo dopropagador. Basicamente, um bom método de propagação deve ser de baixo custo, fácilexecução e proporcionar um elevado percentual de mudas obtidas. Dada a sua larga utilização na multiplicação de plantas frutíferas, a propagaçãoassexuada apresenta diversas vantagens, que a torna, muitas vezes, mais viável que a
  28. 28. 28propagação sexuada. São vantagens da propagação assexuada:  Permitir a manutenção do valor agronômico de uma cultivar ou done, pela perpetuação de seus caracteres.  Possibilitar que se reduza a fase juvenil, uma vez que a propagação vegetativa mantém a capacidade de floração pré-existente na planta-mãe. Assim, há redução do período improdutivo.  Permitir a obtenção de áreas de produção uniformes devido à ausência de segregação genética. Assim, plantas obtidas por propagação assexuada apresentam maior uniformidade fenológica, bem como resposta idêntica aos fatores ambientais, o que permite uma definição mais fácil das práticas de manejo a serem executadas no futuro pomar.  Permitir a combinação de clones, especialmente quando a enxertia é utilizada. Como desvantagens da propagação assexuada, podem ser apontadas:  A possibilidade de transmissão de doenças, especialmente as causadas por vírus e fitoplasmas.  A possibilidade de contaminação do material utilizado na propagação vegetativa (estacas, ramos e gemas) por vetores ou pelo uso de ferramentas.  O uso prolongado das mesmas plantas-matrizes aumenta o risco de propagação de doenças.  Os patógenos associados à propagação vegetativa induem fungos (Phytophthora sp., Pythium sp., Rhizoctonia sp.), bactérias (Erwinia sp., Pseudomonas sp. e Agrobacterium tumefasciens), vírus e fitoplasmas. Ainda que a manutenção dos caracteres seja citada como uma vantagem, podeocorrer, ao longo do tempo, uma mutação das gemas, podendo ser gerado um clonediferenciado e de menor qualidade que a planta-matriz. Entre plantas de um clone,podem ocorrer mudanças que resultam em degenerescência e variabilidade do mesmo. A exposição a um ambiente continuamente desfavorável pode conduzir àdeterioração progressiva do done, manifestada em perda gradual do vigor e daprodutividade, ainda que o genótipo básico não se altere. A degenerescência do done écausada, principalmente, por doenças de natureza virótica. O uso inadvertido dasmesmas matrizes, sem que uma prévia indexagem tenha sido realizada, aumenta o riscode propagação de doenças e de degenerescência do done.Além disso, a replicação do DNA (ácido desoxirribonucléico), durante a divisão celularno meristema, pode resultar em alterações no genótipo e originar mutações. Navariabilidade de um c1one, o efeito da mutação depende da taxa de mutação e daextensão que as células oriundas da célula mutante original ocupam dentro domeristema. Entretanto, como as células do meristema são relativamente estáveis emenos sujeitas a mutações, a significância das mutações, em boas condiçõesfitossanitárias, é reduzida. A ausência de variabilidade gerada no c10ne pode levar a problemas na futura áreade produção, aumentando o risco de danos em todas as plantas por problemas climáticosou fitossanitários, uma vez que foram fixadas todas as características varietais e todas asplantas têm a mesma combinação genética. As principais vantagens e desvantagens da propagação assexuada são resumidas naTabela 2.
  29. 29. 29 Geralmente, espécies frutíferas que se propagam, assexuadamente, são altamenteheterozigotas e segregam amplamente, quando se reproduzem por via sexuada. Assim, apropagação assexuada é imprescindível em casos onde há interesse em se manter aidentidade do genótipo, ou seja, obter-se um número infinito de plantas, com a mesmaconstituição genética, a partir de um único indivíduo. A propagação assexuada é especial mente útil para manter a constituição genéticade um c10ne ao longo das gerações. O clone é definido por Hartmann et ai. (1990)como "o material geneticamente uniforme derivado de um só indivíduo e que sepropaga de modo exclusivo, por meios vegetativos como estacas, divisões ou enxertos". O clone também pode ser conceituado como "um grupo de organismos quedescendem por mitoses de um antecessor comum". Como o fenótipo de um indivíduo éresultante da interação do genótipo com o ambiente, plantas de um mesmo c10nepodem ter diferentes aspectos, em função do clima, do solo e do manejo das plantas. Um dos problemas sérios apresentados pela propagação vegetativa é o chamadoenvelhecimento dos clones, fenômeno causado pelo acúmulo de diversos tipos devírus, responsáveis pela perda de vigor e da produtividade dos clones. Nesse caso, algumas das soluções que podem ser apontadas, são: o cultivo demeristemas, a termoterapia e podas drásticas na planta-matriz, a fim de estimular aprodução contínua de brotações juvenis para propagações subseqüentes, entre outros,bem como o uso associado desses métodos. Um meio de se preservar o clone e de se eliminar um vírus é proporcionado pelocultivo de plântulas apomíticas, como tem sido usado em citrus, para obtenção deplântulas nucelares, que são a base de novas estirpes, livres de vírus, de variedadesantigas que se encontram fortemente afetadas por viroses. Uma vez testados e aprovados, os clones podem ser mantidos em . jardins clonais,que seriam a fonte de material vegetativo para uso subseqüente, sem a necessidade de secoletar propágulos de indivíduos mais idosos e o conseqüente risco de transmissão dedoenças. Esses jardins clonais devem ser mantidos em condições que impeçam acontaminação e que permitam esdarecer qualquer mudança em relação ao tipo original. Durante as diferentes fases do crescimento vegetativo de um done, ocorremmilhares de divisões celulares. Quanto maior o período em que o done é multiplicado,maior o risco de alterações genéticas. A propagação vegetativa dos indivíduos superiores, em grande escala,proporciona vantagens no manejo dos pomares, em função da uniformidade dos tratosculturais requeridos e da qualidade da matéria-prima produzida. Assim como na propagação assexuada, a escolha das matrizes é fundamental parao sucesso da propagação e para a qualidade da muda. As plantas-matrizes devem serobtidas em órgãos oficiais de pesquisa (Embrapa, empresas estaduais de pesquisa,universidades, dentre outros) ou em empresas idôneas, e caso haja tecnologiaadequada, no próprio Viveiro.
  30. 30. 30 Materiais importados devem ser submetidos a quarentena, atividade deresponsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de órgãos depesquisa a ele vinculados. Uma vez obtido, o material deve ser testado (caso isso nãotenha sido feito previamente), para verificar se não está contaminado por pragas oudoenças, principalmente por viroses . A verificação da ocorrência de virose numa plantamatriz pode ser por meio de três técnicas:  Indexação por inoculação mecânica sobre plantas herbáceas.  Indexação por enxertia em plantas indicadoras. Indexação por meio de testes soro lógicos, como o teste de Elisa (Enzyme Linked Immunoabsorbant Assay). A obtenção de material livre de doenças pode ser feita por termoterapia(tratamento com ar quente a uma temperatura de 35°C a 43°C por um tempo variávelentre 7 a 32 dias, dependendo da virose). A cultura de meristemas in vitro é outra técnica de larga utilização, sendo que osmeristemas podem ser extraídos de plantas submetidas à termoterapia. A micro enxertiaé também outra técnica bastante eficiente, na qual se utiliza um meristema comoenxerto (ou cavaleiro) sobre uma plântula, sob condições in vitro. A propagação assexuada pode ser realizada por meio de diversos métodos, sendoos principais os seguintes:  Estaquia e microestaquia.  Enxertia e microenxertia.  Uso de estruturas especializadas.  Mergulhia.
  31. 31. 31 Propagação por SementesA propagação por sementes tem aplicação relativamente restrita na fruticultura, emboratenha tido grande utilização no passado. As principais limitações do uso comercial dapropagação por sementes são a juvenilidade, o vigor elevado e a variabilidade genética,mesmo entre plantas originadas da mesma planta-matriz. Entretanto, a propagação comercial por sementes é de grande importância:  Na produção de porta-enxertos (citros e pessegueiro).  Em casos em que a semente é a única forma viável de propagação (mamoeiro, coqueiro, maracujazeiro, etc.).  Em espécies em fase inicial de exploração comercial, como é o caso das frutíferas nativas.Fatores que afetam a germinação das sementes A germinação abrange todo o processo que vai desde a ativação dos processosmetabólicos da semente até a emergência da radícula e da plúmula (ápice do eixo doembrião ou da plântula dos vegetais com sementes). O percentual de germinaçãodepende de fatores internos e externos. Como fatores internos, podem ser citados oestado de dormência, a qualidade da semente e o potencial de germinação da espécie.Os fatores externos mais importantes são água, temperatura, gases e luz(FACHINELLO et ai., 1995; HOFFMANN et ai., 1998; SAMPAIO et ai., 1996).DormênciaA dormência representa uma condição em que o conteúdo de água nos tecidos épequeno e o metabolismo das células é praticamente nulo, permitindo que a sementeseja mantida sem germinar por um período relativamente longo. Segundo Hartmann et ai. (1990), a dormência pode ser classificadaem:Dormência devida aos envoltórios da semente Dormência física - A testa ou partes endurecidas dos envoltórios da semente sãoimpermeáveis à água, mantendo-a dormente (quiescente) devido ao seu baixo conteúdode umidade. Dormência mecânica - Os envoltórios impõem uma resistência mecânica àexpansão do embrião. Em geral, a dormência mecânica está associada com outrascausas de dormência, como a física. Dormência química - Determinada por substâncias inibidoras da germinação, taiscomo fenóis, cumarinas e ácido abscísico; essas substâncias estão associadas ao frutoou aos envoltórios da semente, como acontece nas sementes de cultivares precoces depessegueiro.Dormência morfológica Embrião rudimentar - Quando o embrião é pouco mais do que um pró-embriãoenvolvido por um endosperma. Embrião não-desenvolvido - Quando, na maturação do fruto, o embriãoencontra-se parcialmente desenvolvido. Um crescimento posterior do embrião dar-se-áapós a maturação e a senescência do fruto.Dormência interna Dormência fisiológica - É comum na maioria das plantas herbáceas.Ocorre devido a mecanismos internos de inibição e tende a desaparecer com o
  32. 32. 32armazenamento a seco. Existem dois casos especiais de dormência fisiológica:  Dormência térmica - A germinação é inibida em temperaturas superiores a um limite variável conforme a espécie .Fotodormência - Ocorre em espécies cujas sementes necessitam de escuridão paragerminarem. Nesse caso, não há germinação na presença de luz. Dormência internaintermediária - É característica de coníferas e é induzida pela presença dos envoltórios,ou tecidos de armazenamento da semente.  Dormência do embrião - Ocorre quando o embrião é incapaz de germinar normalmente, mesmo que separado da semente .  Dormência do epicótilo - Ocorre quando a exigência do epicótilo, para germinação, é diferenciada do embrião em relação à temperatura ou fitohormônios.Qualidade da semente A qualidade da semente pode ser expressa por dois parâmetros: viabilidade evigor. A viabilidade é expressa pelo percentual de germinação, o qual indica o númerode plantas produzidas por um dado número de sementes. O vigor é definido como sendoa soma de todos os atributos da semente, que favorecem o estabelecimento rápido euniforme de uma população no campo. Uma semente em senescência caracteriza-se por apresentar uma diminuiçãogradual do vigor e subseqüente perda da viabilidade.Potencial de germinação da espécie As sementes da maioria das plantas perenes apresentam dificuldade degerminação, requerendo a utilização de métodos de superação dá dormência. Namaioria das vezes, a diferença de potencial de germinação entre espécies e cultivares édevida à interação, entre os diversos fatores, que podem afetar a viabilidade da semente.Não somente a germinação é influenciada pelo fator genético, como também pelo vigore pela longevidade.Água A água é necessária para ativação do metabolismo da semente no momento dagerminação. O teor de água mínimo para germinação depende da espécie, variandoentre 40% e 60%, com base no peso da semente ainda fresca.Temperatura É o fator mais importante para a germinação, pois exerce influência nas reaçõesmetabólicas, afetando, também, o cresci mento das plântulas. Conforme a espécie, astemperaturas mínimas, ótimas e máximas são bastante variáveis, sendo que atemperatura ótima, para a maioria das sementes que não se encontram em repouso, variade 25°C a 30°C. Temperaturas alternadas são geralmente mais favoráveis do que tem-peraturas constantes.Gases Geralmente, o oxigênio favorece a germinação, por ativar o processo darespiração. Contudo, o CO2, em concentrações elevadas, pode impedir ou dificultar odesencadeamento desse processo.Luz
  33. 33. 33 O efeito da luz sobre a germinação das sementes é variável de espécie paraespécie, ainda que sempre favoreça o crescimento das plântulas. A germinação dassementes da grande maioria das plantas cultivadas não é afetada pela luz. Contudo,sementes de muitas plantas daninhas apresentam exigências variáveis de luz, sendoalgumas favorecidas e outras inibidas pela presença desta. A presença ou a ausência deluz só é efetiva após a embebição da semente e atua na remoção de um bloqueio nometabolismo do embrião.Técnicas de propagação sexuada Para o uso adequado da reprodução sexuada, alguns cuidados devem ser tomados,desde a escolha das plantas-matrizes até o manejo das mudas.Escolha das plantas-matrizes As plantas-matrizes são aquelas destinadas ao fornecimento de sementes. Para aescolha de uma planta-matriz, devem-se considerar alguns critérios, tais como vigor,sanidade, regularidade de produção, qualidade e quantidade dos frutos, idade erepresentatividade da espécie. Além disso, é necessário que se escolham plantas comfenótipo o mais próximo possível de um padrão desejado. Características relacionadas ao hábito de ramificação, taxa de crescimento,resistência a pragas e doenças, e comportamento fenológico são parâmetros importantesna seleção de uma planta-matriz. Tais parâmetros são de suma importância quando sequer obter uma população relativamente uniforme, com características adequadas. Paratanto, é recomendável que se mantenha um bloco de plantas-matrizes no qual sejamregistradas informações sobre esses parâmetros. No caso específico do pessegueiro, é desejável o uso de sementes provenientes decultivares tardias ou de meia-estação, visto que as cultivares precoces apresentammenor período para o desenvolvimento do embrião. O uso de cultivares precoces, comomatrizes, pode acarretar baixos percentuais de germinação, além da formação deplântulas anormais e com acentuada variação no porte.Escolha dos frutos A exemplo da escolha das plantas-matrizes, a escolha dos frutos também deveobedecer a alguns critérios, como sanidade e maturação. Como regra geral, os frutosatacados por doenças, pragas, ou caídos no chão devem ser descartados, a fim de seevitar uma possível contaminação das sementes. Os frutos também devem ter atingido amaturação fisiológica, de maneira que as sementes encontrem-se completamentedesenvolvidas.Extração das sementes Geralmente, no momento da colheita, as sementes estão envoltas pelos frutos, quede acordo com suas características, são divididos em dois grandes grupos: secos ecarnosos. Os frutos secos liberam as sementes por deiscência, ou por decomposição dasparedes. Quando um fruto carnoso é formado por um ou mais carpelos, contendo uma oumais sementes, como é o caso da uva, da maçã, da pêra, dos citros, do caqui, entreoutros, é genericamente chamado de baga. Quando um fruto é formado por um único carpelo, que contém no seu interior umasó semente, como o pêssego e a ameixa, é chamado de drupa. Para extração das sementes de frutos carnosos, esses devem estar maduros, a fimde facilitar a separação da polpa e da semente. Deve-se tomar cuidado para não deixar

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