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A descoberta do mundo das idéias em platão

  1. 1. Osmar de Almeida Junior<br />Portfólio de filosofia 2010, UNIFRAN<br />Relação entre pensamento agostiniano e platônico<br />A descoberta do mundo das idéias em Platão<br />Existe um ponto diferencial em começo na filosofia de Platão que o distinguia de seus antecessores, o mundo das idéias. Durante a”segunda navegação” a partir da nova disposição levantada por Platão a respeito da filosofia ”physis”desdobrou-se o surgimento de uma nova realidade _a realidade supra-sensível (um gênero de ser não físico). Para encontrar as respostas aos problemas levantados pelos pré-socráticos ao tentar solucionar o que denominavam “physis” (essência de todas as coisas), Platão tentou recorrer a respostas não naturais (ou não físicas), pois os pré-socráticos encontraram a principal dificuldade em não conseguir explicar o sensível através do próprio sensível. Então Platão introduz o que chama de” mundo das idéias”, onde tais problemas seriam resolvidos, com a libertação dos sentidos e do sensível e um deslocamento para o plano do raciocínio puro, daquilo que é captável pelo intelecto e pela mente, o inteligível.<br />Somente após a segunda navegação de Platão que se começou a questionar o mundo das idéias.<br />Em Platão esse mundo das idéias não são simples conceitos ou representações puramente mentais, mas representam “entidades”, “substancias”. O que pensamos não só se torna idéia quando liberto do sensível, mas constitui o “verdadeiro ser o ser por excelência”. Come se as idéias fossem essência das coisas, é aquilo que faz cada coisa ser o que se é ou o que deve ser.<br />A partir que Platão tornou as idéias substancias forjou ele as expressões “em si” e ”por si”, como se as idéias ganhassem um caráter individual absoluto e então se impunham ao sensível, e não sendo relativo em relação a ele. Implicar que no mundo das idéias as idéias podem existir em si e por si, é implicar que tais idéias não podem ser arrastadas pelo fluxo do devir. Em resumo as verdadeiras causas do sensível não podem por ele sofrer mudança, e seriam assim as razões ultimas e supremas, sendo o sensível simples co-causas.<br /> O mundo das idéias (ou hiperuranio como chamava Platão), é um lugar em que nada se assemelha ao mundo físico. Platão salienta que o hiperuranio e as idéias que nele existem são captadas apenas pela parte mais nobre da alma, isto é pelo intelecto. <br />Podemos concluir que Platão sustentou que o mundo sensível, (mutável ), só pode ser explicado através do supra-sensível, (imutável), corruptível pelo eterno.<br />Estrutura do mundo das idéias em Platão.<br />Platão concebia seu mundo das idéias como um sistema hierarquicamente organizado e ordenado, no qual as idéias inferiores implicam as superiores numa ascensão continua até a idéia que ocupa o vértice da hierarquia (idéia que condiciona todas as outras e não é condicionada por nenhuma delas ,”o absoluto”).<br />Sobre qual seria esse princípio incondicionado, absoluto, Platão expõe de forma clara em a republica que se trata da idéia do Bem. E do Bem afirmou que não somente é absoluto mas também fundamento que torna as idéias cognoscíveis e a mente capaz de conhecer. E que acima de tudo produz o ser e a substancia, e esta acima destes. Nota-se que esse Bem não é um bem produzido, mas como diria o próprio Platão, um Bem em si de onde todos os outros bens se derivam. Percebe-se uma dualidade do bem, o Bem em si e o bem gerado, entendida por Platão como princípio indeterminado limitante e determinado ilimitado. <br />Santo Agostinho, filosofar na Fé<br />Após a conversão de Agostinho ao cristianismo a fé em Cristo e em sua Igreja tornaram-se horizonte de sua vida e de seus pensamentos. Um dos maiores estudiosos de Patrística_ B. Altanes_ deu o seguinte juízo sobre Agostinho: ”O grande Bispo unia em si a energia criadora de Tertuliano, a amplitude de espírito de Orígenes, o sentido eclesiástico de Cipriano, a agudeza dialética de Aristóteles, o idealismo elevado e a especulação de Platão, o sentido pratico dos Latinos com a flexibilidade espiritual dos Gregos. Ele foi o maior filosofo da Patrística e sem dúvida o mais importante e influente teólogo da igreja em geral”.<br />Agostinho com sua conversão, sofreu também uma mudança de rota filosófica que a partir de então precisava ser renovada a cada dia, e ainda no movimento do filosofar do autônomo ao crente-cristão considera tratar-se do mesmo filosofar, só que com um acréscimo fundamental de que as antigas idéias filosóficas , por si mesmas já impotentes, tornavam-se meios para pensar, em um movimento que nunca mais acaba.<br />Embora Agostinho possa passar a idéia de fideísmo está bem distante dela, embora sua postura espiritual não deixe de ser uma forma de irracionalismo; a fé não substitui e nem elimina a inteligência; pelo contrario, a fé estimula e promove a inteligência; em suma, Fé e razão em Agostinho são complementares. Partindo desses pressupostos nascia a posição que próprio Agostinho: ”a autoridade exige a fé e encaminha o homem para a razão. A razão Leva ao entendimento consciente. Por outro lado, nem mesmo a autoridade não pode ser desprovida de um conhecimento racional, desde que se considere a quem se devota, a fé.” E ainda: ”todos sabemos que nós somos estimulados para o conhecimento pelo duplo peso da autoridade e da razão. Assim eu considero que definitivamente não devo me afastar da autoridade de Cristo, porque não encontro outra mais válida. De resto, aquilo que se deve alcançar com o pensamento filosófico, tenho entrementes a confiança de encontrar nos Platônicos temas que não repugnem a palavra sagrada. Essa com efeito, é a minha atual disposição: desejo aprender sem demora as razões do verdadeiro, não só com a fé, mas também com a inteligência.” Nessa ultima passagem nota-se a claramente que Agostinho encontrou proposições espirituais em Platão condizentes com a sua espiritualidade.<br />Agostinho vale-se ainda de formas Platônicas para definir o homem (particularmente a formula de gênese socrática), segundo a qual o homem” é uma alma que se serve de um corpo”. Porem nele tanto o conceito de alma como o de corpo ganham um novo significado em virtude do conceito de criação, do dogma da ressurreição, e sobre tudo, do dogma da encarnação de Cristo. Mas a novidade esta sobre tudo, pra Agostinho, o homem interior é a imagem do Deus Trindade. Diante da unicidade da Trindade, Agostinho encontra no home toda uma serie de tríades, que refletem de vários modos a trindade. Para fazer tal comparação, afirmava: Nós existimos, sabemos que existimos e amamos o nosso ser e o nosso conhecimento, e isso podemos afirmar com toda certeza, pois tal verdade esta dentro de nós,sem que nada do sensível me indique isso, e disso estou certo, de ser de me conhecer e me amar. Assim Deus se assemelha a alma, e a alma e Deus, são os pilares da filosofia cristã agostiniana.<br />A verdade e as idéias<br />Nessa temática Alma-Deus, o papel de alicerce é desempenhado pela idéia de verdade, a verdade era a expressão da alma a partir de sua proximidade com deus, e afirma:” não a busques fora de ti (...), entra-te em ti mesmo. A verdade esta no interior da alma humana.” Diante das varia afirmações sobre a verdade, Agostinho cita as idéias Platônicas ao notar que as verdades são captadas pelo intelecto e são constituídas pelas idéias, como já dizia Platão:”as supremas realidades inteligíveis”. Agostinho sabia que o termo ”Idéia” em sentido técnico foi introduzido por Platão mesmo sem o conhecimento do cristianismo, mas estava convencido de que o valor das idéias é tal que ninguém pode ser filosofo se não tiver delas conhecimento. Entretanto, Agostinho reforma a teoria das idéias de Platão em dois pontos fundamentais: faz das idéias pensamentos de Deus e rejeita a doutrina da reminiscência, tendo como base a doutrina do criacionismo.<br />Conclui-se que a filosofia Agostiniana é a filosofia Platônica transformada com base no criacionismo e a semelhança da luz citada por Platão com a luz citada nas escrituras. Da mesma forma que Deus é ser puro com a criação transmite o ser as outras coisas, analogamente com a idéia do bem em Platão.<br />Referencias:<br />REALE, Giovane/ ANTISERI, Dario; HISTÓRIA DA FILOSOFIA; volume 1, Terceira edição; São Paulo: PAULUS, 1990.<br />CIVITA, Victor; A REPÚBLICA, Os pensadores; São Paulo, Nova Cultura, 1999.<br />

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