Historia Geografia Completo

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Historia Geografia Completo

  1. 1. 11/7/2003, 09:12 ENCCEJA Livro do Professor / Ensino Fundamental e Médio História e Geografia / Ciências Humanas e suas Tecnologias 1 Humanas.pmd
  2. 2. República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva Ministério da Educação – MEC Cristovam Buarque Secretaria Executiva do MEC Rubem Fonseca Filho Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP Otaviano Augusto Marcondes Helene Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências Dirce Gomes Humanas.pmd 2 11/7/2003, 09:12
  3. 3. História e Geografia Ciências Humanas e suas Tecnologias Livro do Professor Ensino Fundamental e Médio HistÛria e Geografia 1-8.pmd 1 11/7/2003, 09:13
  4. 4. HistÛria e Geografia 1-8.pmd 2 11/7/2003, 09:13
  5. 5. História e Geografia Ciências Humanas e suas Tecnologias Livro do Professor Ensino Fundamental e Médio Brasília MEC/INEP 2003 HistÛria e Geografia 1-8.pmd 3 11/7/2003, 09:13
  6. 6. © O MEC/INEP cede os direitos de reprodução deste material às Secretarias de Educação, que poderão reproduzi-lo respeitando a integridade da obra. Coordenação Geral do Projeto Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências (DACC) Maria Inês Fini Equipe Técnica Maria Inês Fini – Diretora Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Fundamental Alessandra Regina Ferreira Abadio Maria Cecília Guedes Condeixa Andréia Correcher Pitta André Ricardo de Almeida da Silva Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Médio Augustus Rodrigues Gomes Zuleika de Felice Murrie Célia Maria Rey de Carvalho David de Lima Simões Coordenação de Texto de Área Denise Pereira Fraguas Ensino Fundamental Dorivan Ferreira Gomes História e Geografia Érika Márcia Baptista Caramori Antonia Terra de Calazans Fernandes Fernanda Guirra do Amaral Ensino Médio Frank Ney Souza Lima Ciências Humanas e suas Tecnologias Ildete Furukawa Circe Maria Fernandes Bittencourt Irene Terezinha Nunes de Souza Inacio Jane Hudson Abranches Leitores Críticos Kelly Cristina Naves Paixão Área de Psicologia do Desenvolvimento Marcio Andrade Monteiro Márcia Zampieri Torres Marco Antonio Raichtaler do Valle Maria da Graça Bompastor Borges Dias Maria Cândida Muniz Trigo Leny Rodrigues Martins Teixeira Maria Vilma Valente de Aguiar Lino de Macedo Mariana Ribeiro Bastos Migliari Área de Historia e Geografia Nelson Figueiredo Filho Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias Suely Alves Wanderley Paulo Celso Miceli Teresa Maria Abath Pereira Raul Borges Guimarães Valéria de Sperandyo Rangel Nidia Nacib Pontusschka Modesto Florenzano Capa Milton José de Almeida (a partir de desenhos de Leonardo da Vinci) Coordenação Editorial Zuleika de Felice Murrie H673 História e geografia, ciências humanas e suas tecnologias : livro do professor : ensino fundamental e médio / Coordenação Zuleika de Felice Murrie . - Brasília : MEC : INEP, 2002. 150p. ; 28cm. ISBN 85-296-0026-6. 1. História (Ensino médio). 2. Geografia (Ensino médio). I. Murrie, Zuleika de Felice. CDD 981 HistÛria e Geografia 1-8.pmd 4 11/7/2003, 09:13
  7. 7. SUMÁRIO I. AS BASES EDUCACIONAIS DO ENCCEJA .................................................................... 9 A. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA A CERTIFICAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL ....................................................................................... 14 B. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA A CERTIFICAÇÃO DO ENSINO MÉDIO ....................................................................................................... 18 II. EIXOS CONCEITUAIS QUE ESTRUTURAM O ENCCEJA ................................... 23 A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS ..................................................................................... 24 B. AS ORIGENS DO TERMO COMPETÊNCIA .................................................................. 27 C. AS COMPETÊNCIAS DO ENEM NA PERSPECTIVA DAS AÇÕES OU OPERAÇÕES DO SUJEITO ......................................................................... 31 III. AS ÁREAS DO CONHECIMENTO CONTEMPLADAS NO ENCCEJA .............. 39 HISTÓRIA E GEOGRAFIA - Ensino Fundamental ..................................................... 39 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ............................. 49 IV. AS MATRIZES QUE ESTRUTURAM AS AVALIAÇÕES ................................... 59 HISTÓRIA E GEOGRAFIA - Ensino Fundamental ..................................................... 61 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ............................. 67 V. ORIENTAÇÃO PARA O TRABALHO DO PROFESSOR HISTÓRIA E GEOGRAFIA - Ensino Fundamental ..................................................... 73 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ........................ 115 HistÛria e Geografia 1-8.pmd 5 11/7/2003, 09:13
  8. 8. Livro do Professor 6 HistÛria e Geografia 1-8.pmd 6 11/7/2003, 09:13
  9. 9. I. As bases educacionais do ENCCEJA 7 HistÛria e Geografia 1-8.pmd 7 11/7/2003, 09:13
  10. 10. Livro do Professor HistÛria e Geografia 1-8.pmd 8 11/7/2003, 09:13
  11. 11. I. As bases educacionais do ENCCEJA Os brasileiros têm ampliado sua envolveram-se, de alguma forma, em escolaridade. É o que demonstra o Censo práticas sociais da língua. É desse modo 2000, em recente divulgação feita pelo que se pode entender que o analfabeto Instituto Brasileiro de Geografia e possui um certo conhecimento das Estatística (IBGE). O principal fato a linguagens, ao assistir a um telejornal comemorar é a ampla freqüência às (que usa, em geral, a linguagem escrita, escolas do nível fundamental que, no oralizada pelos locutores), ao ditar uma ano 2000, acolhiam 94,9% das crianças carta, ao apoiar-se numa lista mental de entre 7 e 14 anos. Pode-se afirmar, produtos a serem comprados ou ao portanto, que o Ensino Fundamental, no reconhecer placas e outros sinais urbanos. Brasil, é quase universal para a faixa Evidencia-se, assim, importância de etária prevista e correspondente. Além reconhecer, como ponto de partida, que o disso, comparando-se dados de 1991 e estilo de vida nas sociedades urbanas 2000, há crescimento na freqüência modernas não permite grau zero de escolar em todos os grupos de idade. letramento. Persiste, entretanto, um contingente Há uma possibilidade de “leitura do populacional jovem e adulto que carece da mundo” em todas as pessoas, até para formação fundamental. Segundo o referido aquelas sem nenhuma escolarização. Censo, 31,2% da população brasileira com O Censo Escolar realizado pelo Inep mais de 10 anos de idade tem apenas até 3 indica um total de 3.410.830 matrículas anos de estudo; logo, cerca de um terço em cursos de Educação de Jovens e dos brasileiros (mais de 50 milhões de Adultos (EJA) em 1999. Desse total, mais pessoas) não concluíram nem a primeira ou menos 1.430.000 freqüentam cursos parte do Ensino Fundamental. Esses correspondentes ao segundo segmento do cidadãos que não tiveram possibilidades ensino fundamental, de 5ª a 8ª série. de completar seu processo regular de Nesses cursos, encontra-se um público escolarização, em sua maioria, já são variado e heterogêneo, uma importante adultos, inseridos ou não no mundo do característica da EJA. Entre eles, há uma trabalho, e têm constituído diferentes parcela dos jovens de 15 a 17 anos de saberes, por esforço próprio, em resposta idade freqüentando a escola e que, às necessidades da vida. Nesse sentido, segundo o IBGE, representa quase 79% assinala-se, nos termos da Lei, o direito a da população dessa faixa. Os demais cursos com identidade pedagógica própria 21%, por diversos motivos, mas àqueles que não puderam completar a principalmente por pressões ou alfabetização, mas, que, ao pertencerem a contingências socioeconômicas, um mundo impregnado de escrita, deixaram precocemente o ambiente escolar. 9 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 9 11/7/2003, 09:14
  12. 12. Livro do Professor Sendo dever dos poderes públicos e da físicas interessadas em colaborar. sociedade em geral oferecer condições Os objetivos desses programas ou para a retomada dos estudos em salas projetos são oferecer vagas e subsidiar de aula, destinadas especificamente a professores que trabalham com os jovens e adultos, diversos projetos têm cidadãos que não puderam iniciar ou sido desenvolvidos no âmbito do concluir seus estudos em idade própria governo federal. Para atender os ou não tiveram acesso à escola. Em municípios do Norte e Nordeste com conjunto com diversas outras iniciativas 1 baixo IDH, o Ministério da Educação de organizações não-governamentais 2 (MEC) é parceiro no Projeto Alvorada, (ONGs), universidades ou outras formas organizando o repasse de verbas a de associação civil respondem ao enorme Estados e Municípios. Em apoio ao desafio de minimizar os efeitos da projeto, a Coordenadoria de Educação exclusão do Ensino Fundamental, de Jovens e Adultos (COEJA), da fenômeno histórico em nosso país que Secretaria do Ensino Fundamental (SEF– hoje está sendo superado na faixa etária MEC), tendo como parceira a Ação correspondente. Contudo, mais do que Educativa, organização não em razão do número de alunos em salas governamental de reconhecida de aula (ainda pequeno, considerando-se experiência no campo de formação de o enorme contingente de jovens e jovens e adultos, apresentou Proposta adultos não-escolarizados), tais ações do Curricular para Educação de Jovens e governo e da sociedade civil têm Adultos, 1º Segmento, que visa ao oferecido educação aos cidadãos mais programa Recomeço – Supletivo de afastados da cultura letrada, por viverem Qualidade. Além disso, em resposta às em lugares quase isolados do nosso país- demandas dos sistemas públicos continente ou por estarem desenraizados (estaduais e municipais) que aderiram de sua cultura de origem, habitando as aos Parâmetros Curriculares Nacionais periferias das grandes cidades. (PCN) em ação, a mesma COEJA Já nos primeiros artigos da Lei de promoveu a formulação e vem Diretrizes e Bases da Educação Nacional divulgando uma Proposta Curricular (LDB) de 1996, valorizam-se a para a EJA de 5ª a 8ª série, experiência extra-escolar e o vínculo fundamentada nos Parâmetros entre a educação escolar, o mundo do Curriculares Nacionais desse segmento. trabalho e a prática social. O Programa Alfabetização Solidária, por sua vez, foi lançado em 1997 e relata a Esse fato sinaliza o rumo que a alfabetização de 2,4 milhões de jovens educação brasileira já vem tomando e em 2001. Em 2002, encontra-se em marca posição quanto ao valor do 2.010 municípios. Caracteriza-se por ser conhecimento escolar, voltado para o um trabalho de ação conjunta entre pleno desenvolvimento do educando, seu diferentes parceiros, coordenados por preparo para o exercício da cidadania, e organização não-governamental, e que sua qualificação para o trabalho (Artigo inclui universidades, estados, 2). Essas orientações são reiteradas em municípios, empresas e até pessoas muitas outras partes da mesma Lei, como nas diretrizes para os conteúdos 1 Índice de Desenvolvimento Humano, indicador estabelecido pelo Programa de Desenvolvimento Humano da UNESCO, que considera a esperança de vida ao nascer, o nível educacional e o PIB per capita. 2 Programa do governo federal de gerenciamento intensivo de ações e programas federais de infra-estrutura 10 social, de combate à exclusão social e à pobreza e de redução das desigualdades regionais pela melhoria das condições de vida nas áreas mais carentes do Brasil. HistÛria e Geografia 9-38.pmd 10 11/7/2003, 09:14
  13. 13. I. As bases educacionais do ENCCEJA curriculares da educação básica, propósitos e conceitos centrais: a anunciadas no seu Artigo 27, difusão dos valores de justiça social e destacando-se a primeira delas, que dos pressupostos da democracia, o preconiza a difusão de valores respeito à pluralidade, o crédito à fundamentais ao interesse social, aos capacidade de cada cidadão ler e direitos e deveres dos cidadãos, de interpretar a realidade, conforme sua respeito ao bem comum e à ordem própria experiência. democrática. Respondem por um paradigma com Ainda outros documentos do Ministério lastro nos legados de Jean Piaget e da Educação, como os Parâmetros Paulo Freire, verificando-se, com eles, Curriculares Nacionais, para os níveis que é necessário disseminar as Fundamental e Médio, a Proposta pedagogias que buscam promover o Curricular da EJA (5ª a 8ª série) e a desenvolvimento da inteligência e a Matriz de Competências e Habilidades do consciência crítica de todos os Exame Nacional do Ensino Médio envolvidos no processo educativo, (ENEM), abordam o currículo escolar, tendo, na interação social e no diálogo integrado por competências e autêntico, o mais importante habilidades dos estudantes, ou norteado instrumento de construção do por objetivos de ensino/aprendizagem, conhecimento. Um paradigma com em que os conteúdos escolares são denominações variadas, pois usufrui de plurais e só têm sentido e significado se diferentes vertentes teóricas, mas com mobilizados pelo sujeito do algo em comum: a crítica à tradição do conhecimento: o estudante. Pode-se currículo enciclopédico, centrado em reconhecer, no conjunto desses conhecimentos sem vínculo com a documentos e em cada um deles, experiência de vida da comunidade esforços coletivos por um melhor e escolar e na crença de que a aquisição maior comprometimento da do conhecimento dispensa o exercício da comunidade escolar brasileira com um crítica e da criação por parte de quem novo paradigma pedagógico. Um aprende. Mas é essa tendência que ainda paradigma multifacetado, como orienta a maioria dos currículos costuma acontecer com as tendências praticados e, conseqüentemente, os sociais em construção, diverso em suas exames de acesso a um nível escolar ou nomenclaturas e que se vale de para certificação. numerosas pesquisas, em diferentes Os exames de certificação para os campos científicos, muitas ainda em jovens e adultos não constituem fase de produção e consolidação. exceção, uma vez que, na sua maioria, Esse rico cenário acadêmico precisa submetem os alunos a provas massivas, ainda ser mais eficazmente disseminado sem o correspondente cuidado com a no ambiente complexo e plural da qualidade do ensino e o respeito com o educação brasileira. Mesmo assim, o educando, como se encontra assinalado conjunto dos documentos que nas Diretrizes Curriculares Nacionais da estruturam e orientam a Educação Educação de Jovens e Adultos Básica no Brasil é coeso em seus (DCNEJA). Por outro lado, recomenda- 11 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 11 11/7/2003, 09:14
  14. 14. Livro do Professor se que o estudante da EJA, com a Embora que não seja possível, em âmbito maturidade correspondente, deva nacional, prever a enorme gama de encontrar, nos cursos e nos exames conhecimentos específicos estruturados dessa modalidade, oportunidades para em meio à vivência de situações reconhecer e validar conhecimentos e cotidianas, procurou levar em competências que já possui. A mesma consideração que o processo de Diretriz prevê a importância da estruturação das vivências possibilita avaliação na universalização da aquisições lógicas de pensamento que são qualidade de ensino e certificação de universais para os jovens e adultos e que aprendizagem, ao apontar que os se, de um lado, devem ser tomadas como exames da EJA devem primar pela ponto de partida nas diversas qualidade, pelo rigor e pela adequação. modalidades de ofertas de ensino para A proposta do Exame Nacional de essa população, de outro, devem Certificação de Competências de Jovens participar do processo de avaliação para e Adultos (ENCCEJA) busca satisfazer certificação. esses fundamentos político- Desse modo, objetivou-se superar a pedagógicos, expressos de forma mais concepção de estruturação de provas abrangente na Lei maior da educação fundamentadas no ensino enciclopedista, brasileira, e, de modo mais detalhado ou centradas em conteúdos fragmentados e com ênfases especiais, nas Diretrizes, descontextualizados, quase sempre Parâmetros e outros referenciais que a associados ao privilégio da memória sobre contemplam, inclusive, o Documento o estabelecimento de relações entre Base do Exame Nacional do Ensino idéias. Ainda que se reconheça o Médio (ENEM). inequívoco papel da memória para o Baseados na experiência dos conhecimento de fenômenos, das etapas especialistas e nesses documentos, dos processos, ou mesmo, de teorias, é buscou-se identificar conteúdos e preciso considerar, nas referências de métodos para a construção de um provas, bem como na oferta de ensino, as quadro de referências atualizado e múltiplas capacidades de operar com adequado ao Encceja. Um dos informações dadas. Ou seja, está-se resultados do processo são as Matrizes valorizando a autonomia do estudante em de Competências e Habilidades, em ler informações e estabelecer relações a nível de Ensino Fundamental e em nível partir de certos contextos e situações. E, de Ensino Médio. assim, o exame sinaliza e valoriza um cidadão mais apto a viver num mundo em As Matrizes de Competências e constantes transformações, onde é Habilidades constituem referencial de importante possuir estratégias pessoais e exames mais significativos para o coletivas para a solução de problemas, participante jovem ou adulto, mais fundamentadas em conhecimentos adequados às suas possibilidades de ler e básicos de todas as disciplinas ou áreas da de interagir com os problemas educação básica. cotidianos, com o apoio do conhecimento escolar. O processo de elaboração das Matrizes de Competências e Habilidades do 12 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 12 11/7/2003, 09:14
  15. 15. I. As bases educacionais do ENCCEJA ENCCEJA, Fundamental e Médio teve submetidas ao tratamento cognitivo das como meta principal garantir uma competências do sujeito do proposta de continuidade e coerência conhecimento e permitiram a definição entre o que se estabeleceria para os de habilidades específicas que exames em nível de Ensino Médio ou estabelecem as ações ou operações que Fundamental. Dessas etapas resultaram descrevem desempenhos a serem a definição das quatro áreas dos exames avaliados nas provas. Nessa concepção, e um conjunto de proposições para cada as referências de cada área descrevem uma delas, que foram também as interações mais abrangentes ou reconsideradas à luz das Diretrizes complexas (nas competências) e as mais Curriculares Nacionais da EJA específicas (nas habilidades) entre as (DCNEJA), das políticas educacionais ações dos participantes, que são os vigentes em âmbito federal e nas sujeitos do conhecimento, com os propostas estaduais, a fim de organizar conteúdos disciplinares, selecionados e os quadros de referência dos exames. organizados a partir dos referenciais As Matrizes de referência para a prova de adotados. cada área ou disciplina foram organizadas Para a elaboração das competências do em torno de nove competências amplas, Ensino Médio, foram consideradas as por sua vez, desdobradas em habilidades competências por área, definida pelas mais específicas, resultantes da Diretrizes do Ensino Médio. Constituiu- associação desses conteúdos gerais às se um importante desafio à elaboração cinco competências do ENEM. As das matrizes do ENCCEJA para o Ensino competências já definidas para o ENEM Fundamental, especificamente no que correspondem aos eixos cognitivos diz respeito à definição das competências básicos, a ações e operações mentais que gerais das áreas. Isso porque, para o todos os jovens e adultos devem Ensino Fundamental, os Parâmetros desenvolver como recursos mínimos que Curriculares Nacionais (PCN) e as os habilitam a enfrentar melhor o mundo Diretrizes Curriculares Nacionais trazem que os cerca, com todas as suas outra abordagem, não tendo incorporado responsabilidades e desafios. a discussão mais recente, que visa à Nas Matrizes do ENCCEJA, os determinação de competências e conteúdos tradicionais das ciências, da habilidades de aprendizagem como arte e da filosofia são denominados produto da escolarização, ainda que competências de área, à semelhança dos preservem e ampliem consideravelmente conceitos já consagrados na reforma do outros elementos didático-pedagógicos ensino médio, porque já demonstram do mesmo paradigma. aglutinar articulações de sentido e Os documentos legais permitiram significação, superando o mero elenco construir matrizes semelhantes para o de conceitos e teorias. Essas ENCCEJA - Ensino Fundamental, apesar competências, em cada área, foram de oferecerem contribuições distintas para a configuração das competências e habilidades a serem avaliadas. 13 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 13 11/7/2003, 09:14
  16. 16. Livro do Professor A. A PROPOSTA DO ENCCEJA pertence um número maior de PARA A CERTIFICAÇÃO DO brasileiros. Esses jovens e adultos, já ENSINO FUNDAMENTAL trabalhadores com experiência profissional, leitores, participantes de Considerando-se a população que não vias informais da educação, com completou seus estudos do nível expectativa de melhor posicionamento fundamental, é possível aventar a no mercado de trabalho e/ou da existência de significativo número de retomada dos estudos em nível médio, pessoas desejosas de recuperar o precisam ter reconhecidos e validados reconhecimento social da condição os seus conhecimentos. Para eles, foi letrada, obtendo certificação de elaborado o ENCCEJA, correspondente conhecimentos por meio de Exame ao nível fundamental. Supletivo do Ensino Fundamental. Tendo a LDB diminuído a idade mínima Essas pessoas, tendo-se afastado da para a certificação por meio de exames escola há bastante tempo ou mesmo supletivos, instalou-se uma questão tendo retomado estudos parciais de contraditória na educação nacional, pois forma esporádica, continuaram é supostamente desejável a aprendendo pela prática de leitura e permanência dos jovens de 15 anos na análise de textos escritos, de cálculos e escola, a fim de desenvolver suas outros estudos em situações específicas capacidades e compartilhar de seu interesse. Participam de meios conhecimentos, com o apoio e a informais, eventuais, ou mesmo, mediação da comunidade escolar. incidentais de educação com diferentes Entretanto, alguns precisaram propósitos. Por exemplo, em cursos interromper os estudos por motivos oferecidos por empresas para capacitação contingenciais e financeiros, por de pessoal, em grupos de estudo mudança de domicílio ou para ajudar a comunitários, ou mesmo, através de família, entre outros motivos. Além programas educativos na TV, no rádio disso, como já apontado nas Diretrizes ou outras mídias. Assim, são capazes de Curriculares Nacionais para Educação de leitura autônoma para efeito de lazer, Jovens e Adultos (DCNEJA), há aqueles demandas do exercício da cidadania ou que, mesmo tendo condições do trabalho. Desse modo, lêem revistas financeiras, não lograram êxito nos esportivas e folhetos de instrução estudos, por razões de caráter técnica, programas de candidatos a sociocultural. Para esses jovens, a cargos eletivos e publicações vendidas certificação do Ensino Fundamental por em banca de jornal que dão instruções meio do ENCCEJA significa a para a realização de muitas atividades. possibilidade de retomar os estudos no Além disso, calculam para fins de mesmo nível que seus coetâneos, não compra e venda, analisam situações de sofrendo outras penalidades além qualidade de vida (ou sua carência). daquelas já impostas por suas condições de vida até então. Logo, já são leitores do mundo, superaram um estágio de decifração de As Diretrizes do Ensino Fundamental códigos da língua materna, ao qual contribuem diretamente para a seleção de 14 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 14 11/7/2003, 09:14
  17. 17. I. As bases educacionais do ENCCEJA conteúdos a serem avaliados pelo Encceja linguagens. Ressalte-se que esses de, pelo menos, duas maneiras. aspectos guardam evidente proximidade Primeiramente, ao esclarecer a natureza com os Temas Transversais, dos conteúdos mínimos referentes às desenvolvidos no PCN do Ensino noções e conceitos essenciais sobre Fundamental: Ética, Meio Ambiente, fenômenos, processos, sistemas e Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e operações que contribuem para a Consumo, e Pluralidade Cultural. constituição de saberes, conhecimentos, Com os mesmos propósitos, estudaram-se valores e práticas sociais indispensáveis também os textos da V Conferência ao exercício de uma vida de cidadania Internacional sobre Educação de plena, e, depois, ao recomendar: ao Adultos, com uma orientação temática utilizar os conteúdos mínimos, já de mesma natureza que os PCN e DCN divulgados inicialmente pelos Parâmetros do Ensino Fundamental. Isso pode ser Curriculares Nacionais, a serem ensinados exemplificado pela menção especial dos em cada área de conhecimento, é temas I, IV e VI. indispensável considerar, para cada I- Educação de adultos e democracia: o segmento (Educação Infantil, 1ª a 4ª e 5ª a desafio do século XXI. Alguns 8ª séries), ou ciclo, que aspectos serão compromissos desse tema: desenvolver contemplados na intercessão entre as participação comunitária, favorecendo áreas e aspectos relevantes da cidadania, cidadania ativa; sensibilizar com relação tomando-se em conta a identidade da aos preconceitos e à discriminação no escola e de seus alunos, professores e seio da sociedade; promover uma cultura outros profissionais que aí trabalham. da paz, o diálogo intercultural e os Decorre que também a EJA do direitos humanos; Fundamental deve considerar os aspectos IV- A educação de adultos, igualdade e próprios da identidade do jovem e adulto eqüidade nas relações entre homem e que retoma a escolarização, tanto para mulher e a maior autonomia da efeito de cursos, como para exames. Por mulher. Esse tema tem como um dos outro lado, corrobora a referência aos compromissos: promover a capacitação e conteúdos (conceitos, procedimentos, autonomia das mulheres e a igualdade valores e atitudes) debatidos nos PCN de dos gêneros pela educação de adultos, 5ª a 8ª série (subsidiários à Proposta entre outros. Curricular da EJA), na escolha dos conteúdos do Encceja do Ensino VI- A educação de adultos em relação Fundamental. ao meio ambiente, à saúde e à população. Esse tema tem como A segunda linha de contribuições reside compromissos: promover a capacidade e no levantamento do rol de aspectos da a participação da sociedade civil em vida cidadã que devem estar articulados responder e buscar soluções para os à base nacional comum, quais sejam: a problemas de meio ambiente e de saúde, a sexualidade, a vida familiar e desenvolvimento, estimular o social, o meio ambiente, o trabalho, a aprendizado dos adultos em matéria de ciência e a tecnologia, a cultura e as população e de vida familiar, reconhecer 15 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 15 11/7/2003, 09:14
  18. 18. Livro do Professor o papel decisivo da educação sanitária na considerando valores e direitos humanos. preservação e melhoria da saúde pública e Tais ações ou operações do participante individual, assegurar a oferta de programas estão representadas na matriz do de educação adaptados à cultura local e às ENCCEJA, nas diferentes habilidades. necessidades específicas, no que se refere à Não se deve supor, contudo, que uma atividade sexual. prova organizada a partir de habilidades Todas essas recomendações foram (articulações entre operações lógicas com consideradas para a seleção de valores e conteúdos relevantes) negligencie as conceitos integrados às competências e exigências básicas de conteúdos mínimos e habilidades organizadoras do ENCCEJA do a capacidade de ler e escrever. Ensino Fundamental. Já para a definição do Para o participante da prova, é escopo e redação das competências das imprescindível a prática autônoma da áreas e disciplinas, consideraram-se leitura, que possibilita a percepção de especialmente os objetivos gerais para possíveis significados e a construção de ensino e aprendizagem delineados na opiniões e conhecimentos ao ler um texto, Proposta Curricular da EJA (5ª a 8ª série) de um esquema ou outro tipo de figura. Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Espera-se, de fato, que o jovem e o adulto, Naturais, História e Geografia, e os ao certificarem-se com a escolaridade objetivos gerais de todo o Ensino fundamental pelo ENCCEJA, já estejam Fundamental dos PCN e dos Temas lendo autonomamente, com certa fluência, Transversais. a partir de sua experiência com textos Assim, foram constituídas as referências diversos, em situações em que faça sentido para as provas de: ler e escrever. Cabe a eles construir os 1- Língua Portuguesa, Artes, Língua sentidos de um texto, ao colocar em Estrangeira e Educação Física, sendo as diálogo seus próprios conhecimentos de três últimas áreas de conhecimento mundo e de língua, como usuários dela, e consideradas sob a ótica da constituição as pistas do texto, oferecidas pelo gênero, das linguagens e códigos, não como pela situação de comunicação e pelas conteúdos conceituais isolados para escolhas do autor: avaliação; Nessa perspectiva, entende-se que ler não é 2- Matemática; extrair informação, decodificando letra por letra, 3- História e Geografia; palavra por palavra. Trata-se de uma atividade 4- Ciências Naturais. que implica estratégias de seleção, antecipação, A Matriz para o ENCCEJA concorre para a inferência e verificação, sem as quais não é promoção de provas que dêem possível proficiência. É o uso desses oportunidade para jovens e adultos procedimentos que possibilita controlar o que aproveitarem o que aprenderam na vida vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante prática, trabalhando com aspectos básicos de dificuldades de compreensão, avançar na da vida cidadã, como a tomada de decisões busca de esclarecimentos, validar no texto e a identificação e resolução de problemas, suposições feitas. a descrição de propostas e a comparação (Brasil, c2000, v.2, p.69, 7º parágrafo) entre idéias expressas por escrito, 16 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 16 11/7/2003, 09:14
  19. 19. I. As bases educacionais do ENCCEJA Devem-se considerar, entretanto, problematizando-os para que, por meio diferentes níveis de proficiência na leitura da reflexão própria, ele reconheça o que dos códigos e linguagens que já sabe e estabeleça conexões com o constituem as informações da realidade. conhecimento novo apresentado. Assim, A meio termo da formação básica, na para enfrentar situações-problema, são conclusão do Ensino Fundamental, os mobilizados elementos lógicos textos lidos ou formulados pelo pertinentes ao raciocínio científico e estudante da EJA já evidenciam uma também ao cotidiano, podendo explorar visão de mundo um tanto complexa, interações entre fatos e/ou idéias, para ainda que expressa em discurso mais entre eles estabelecer relações causais, sintético, mais direto, com muitos espaço-temporais, de forma e função, ou nomes do cotidiano preservados e seqüenciando grandezas. elementos do senso comum, se Não se pode perder de vista, tampouco, o comparados com produções do estudante exercício simplificado da metacognição em nível de Ensino Médio. por parte daqueles que pouco É a partir dessas concepções de leitura freqüentaram a escola. Não é de se esperar que as provas são elaboradas, como que possam raciocinar com desenvoltura possibilidades de abordagem pedagógica sobre a estrutura do conhecimento em si, das competências e habilidades do uma qualidade intelectual daqueles que Encceja na avaliação para certificação. freqüentaram a escola (Oliveira, 1999). Para tanto, os textos oferecidos em Respeitar essa característica representa questões de prova são rigorosos do ponto uma exigência para a formulação de uma de vista conceitual, ao observarem os prova em que se reconhecem as marcos teóricos de referência em cada possibilidades intelectuais dos cidadãos área de conhecimento. Contudo, procura- que não tiveram oportunidade de exercitar se delimitar cuidadosamente a diversidade a compreensão dos objetos de do vocabulário utilizado, além da conhecimento descontextualizada de suas magnitude da rede conceitual empregada ligações com a vida imediata. e das operações lógicas exigidas. Isso Portanto, sem perder de vista a pluralidade porque o participante precisa de situações das realidades brasileiras e a diversidade adequadas para estabelecer relações mais daqueles que buscam a certificação nesse abrangentes e mais próximas das teorias nível de ensino, propõe-se uma prova que científicas. Não se pode perder de vista apresenta uma temática atualizada, em que, em nível fundamental, ele necessita nível pertinente aos jovens e adultos que, de orientação clara e concisa, além de um para realizá-la, se inscrevem. Deve tempo maior para a observação das representar um desafio consistente mas representações de fenômenos, para as possível, exeqüível e motivador, para que comparações, as análises, a produção de os participantes exercitem suas sínteses ou outros procedimentos. potencialidades lógicas e sua capacidade crítica em questões de cidadania, Com esses cuidados, é desejável propor reconhecendo e formulando valores aos jovens e adultos uma variedade de essenciais à cultura brasileira, ao convívio questões, envolvendo temas das áreas de democrático e ao desenvolvimento conhecimento, sempre explicitando pessoal. conceitos mais complexos e 17 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 17 11/7/2003, 09:14
  20. 20. Livro do Professor B. A PROPOSTA DO ENCCEJA Desse modo, a função reparadora da EJA, PARA CERTIFICAÇÃO no limite, significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração DO ENSINO MÉDIO de um direito negado: o direito a uma Pode-se afirmar que são múltiplos e escola de qualidade, mas também o diversos os fatores que estimulam a reconhecimento daquela igualdade busca de certificação do ensino médio na ontológica de todo e qualquer ser humano. Educação de Jovens e Adultos. Desta negação, evidente na história brasileira, resulta uma perda: o acesso a Dentre eles, destaca-se a exigência do um bem real, social e simbolicamente mundo do trabalho, pois, atualmente, a importante. Logo, não se deve confundir a necessidade da certificação no ensino noção de reparação com a de suprimento. médio se faz presente em diferentes atividades e setores profissionais. Ressaltam-se, também, os fatores É muito provável que, com as elevadas pessoais da busca do cidadão pela taxas de repetência e evasão nas últimas certificação: a vontade de continuar os décadas do século XX, muitos alunos estudos e a vontade política de obter o que não tiveram sucesso no sistema direito da cidadania plena. Esses educacional regular optem por essa aspectos são mais significativos do modalidade de ensino. Soma-se a esse ponto de vista daqueles que discutem a fato o difícil acesso à escola básica por Educação de Jovens e Adultos para motivos socioeconômicos diversos. certificação no ensino médio. Ela é Segundo o IBGE, em 1999, havia cerca direcionada para jovens e adultos com de 13,3% de analfabetos acima de 15 mais de dezenove anos que, por motivos anos. Em 2000, a distorção idade/série, diversos, não puderam freqüentar a no ensino médio, de acordo com dados escola no seu tempo regular. do MEC/INEP, é da ordem de 50,4%. No Tal fato é previsto na LDB 9.394/96 mesmo ano, os dados registram, quando considera o ensino médio como aproximadamente, 3 milhões de alunos etapa final da educação básica e a EJA matriculados em cursos da EJA. A oferta como uma das modalidades de da Educação de Jovens e Adultos para o escolarização. O direito político ensino médio (EM) está principalmente subjetivo do cidadão de completar essa a cargo dos sistemas estaduais, em etapa e, por sua vez, o dever de oferta parceria, muitas vezes, com redes educacional pública que permita superar privadas. as diferenças e aponte para uma Nesse sentido, as Secretarias de eqüidade possível são princípios que Educação têm-se mobilizado para criar não podem ser relegados, como afirma uma rede de atendimento e uma o Parecer da Câmara de Educação proposta de escola média coerente com Básica do Conselho Nacional de as necessidades previstas para essa Educação - Parecer CNE/CEB 11/2000, população, diversificando o Diretrizes Curriculares Nacionais para a atendimento no País. Educação de Jovens e Adultos: 18 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 18 11/7/2003, 09:14
  21. 21. I. As bases educacionais do ENCCEJA Deve ser também ressaltada a Por sua vez, o Art. 4º da Resolução importância da avaliação e certificação CNE/CEB 1/2000 diz que as Diretrizes nessa modalidade de ensino. De acordo Curriculares Nacionais (DCN), com o Art. 10 da Resolução CNE/CEB 1/ estabelecidas na Resolução CNE/CEB 3/98 2000, que estabelece as diretrizes e vigentes a partir da sua publicação, se curriculares nacionais para a Educação estendem para a modalidade da de Jovens e Adultos: no caso de cursos Educação de Jovens e Adultos no semi-presenciais e a distância, os alunos ensino médio, sua organização e só poderão ser avaliados, para fins de processos de avaliação. certificados de conclusão, em exames A direção curricular proposta pelas supletivos presenciais oferecidos por DCN-EM destaca o desenvolvimento de instituições especificamente autorizadas, competências e habilidades distribuídas credenciadas e avaliadas pelo poder em áreas de conhecimento: Linguagens, público, dentro das competências dos Códigos e suas Tecnologias, Ciências respectivos sistemas... Humanas e suas Tecnologias, Ciências da O Exame Nacional de Certificação de Natureza e Matemática e suas Competências de Jovens e Adultos do Tecnologias. O caráter interdisciplinar Ensino Médio (ENCCEJA/EM) está das áreas está relacionado ao contexto articulado tanto para atender a essa de vida social e de ação solidária, prerrogativa quanto para responder à visando à cidadania e ao trabalho. demanda, em sintonia com a lógica da Vale a pena lembrar que a LDB é a base avaliação nacional. Nesse sentido, o das DCNEM. No Art. 36, a LDB destaca ENCCEJA/EM constitui uma que o currículo do ensino médio deve possibilidade de avaliação que, ao observar as seguintes diretrizes: a mesmo tempo, respeita a diversidade e educação tecnológica básica; a estabelece uma unidade nacional, ao compreensão do significado da ciência, apontar o que é basicamente requerido das letras e das artes; o processo para a certificação no ensino médio que histórico de transformação da sociedade faz parte atualmente da educação básica. e da cultura; a língua portuguesa como A Constituição de 1988, no Inciso II do instrumento de comunicação, acesso ao Art. 208, já apontava para a garantia da conhecimento e exercício da cidadania. institucionalização dessa etapa de Além disso, dois aspectos merecem escolarização como direito de todo menção especial, pois marcam a cidadão. A LDB estabeleceu, por sua vez, diferença em relação à organização a condição em norma legal, quando curricular do ensino médio: o eixo da atribuiu ao EM o estatuto de educação tecnologia e dos processos cognitivos básica (Art. 21), definindo suas de compreensão do conhecimento. finalidades, ou seja, desenvolver o Assim, a caracterização das áreas procura educando, assegurar-lhe a formação ser uma forma de estabelecer relações comum para o exercício da cidadania e internas e externas entre os fornecer-lhe meios para progredir no conhecimentos, de abordá-los sob o trabalho e em estudos posteriores. (Art. ângulo das correspondências próprias à 22) sua divulgação para o público que 19 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 19 11/7/2003, 09:14
  22. 22. Livro do Professor necessita dos saberes escolares para a como ator no contexto de preservação e vida social, o trabalho, a continuidade transformação social. dos estudos e o desenvolvimento pessoal. A noção de desenvolvimento e A definição na LDB do que é próprio aos avaliação de competências pode ensinos fundamental e médio não é permitir alguma compreensão desse colocada como forma de ruptura, mas sim processo de diversidade e unidade. de aprofundamento (compreensão) e O foco sobre a noção de competência, contexto (produção e tecnologia). Se, no nos documentos oficiais referentes à ensino fundamental, o caráter básico dos educação básica e no discurso acadêmico saberes sociais públicos foi desenvolvido, educacional, principalmente a partir de cabe, no ensino médio, aprofundá-los ou, 1990, instaura um eixo para então, desenvolvê-los. Essa consideração, reestruturação dos conteúdos escolares e para EJA/EM, se deve ao fato de que a de suas formas de transmissão e certificação no ensino médio não está, por avaliação, ou seja, é uma proposta de lei, atrelada à certificação no ensino mudança que procura aproximar a fundamental, havendo, no entanto, uma educação escolar da vida social continuidade entre as duas etapas da contemporânea. Nessa proposta, educação básica. De qualquer forma, ao destaca-se a perspectiva da término do EM, espera-se que o cidadão flexibilização da organização da tenha desenvolvido competências educação escolar, em respeito à cognitivas e sociais inseridas em um diversidade e identidade dos sujeitos da determinado sistema de valores e juízos, aprendizagem. Quais são as ou seja, aquele referente à ética e ao competências comuns que devem ser mundo do trabalho. socializadas para todos? A resposta a No caso do público participante da EJA/ essa pergunta fundamenta a educação EM, isso se torna mais evidente. A básica. Em seqüência, há outra questão idade, a participação no mundo do não menos relevante: como avaliá-las? trabalho, as responsabilidades sociais e O respeito à diversidade não deve ser civis são outras, diferentes daquelas dos identificado com o caos. Daí, a alunos da escola regular que se necessidade da responsabilização política preparam para a vida. O público da EJA/ e institucional em traçar um fio EM está na vida atuando como condutor que delimite os saberes e as trabalhador, pai de família, provedor. competências gerais com os quais todo Entretanto, se o ponto de partida é e qualquer processo deve comprometer- diferente, o ponto de chegada não o é. se, principalmente o de avaliação. Ao final do EM, espera-se que esse As diretrizes legais para a organização público possa dar continuidade aos da educação básica estão expressas em estudos com qualificação, disputar uma um conjunto de princípios que indica a posição no mercado de trabalho e transição de um ensino centrado em participar plenamente da cidadania, conteúdos disciplinares (didáticos) compartilhando os princípios éticos, seriados e sem contexto para um ensino políticos e estéticos da unidade e da voltado ao desenvolvimento de diversidade nacionais, colocando-se 20 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 20 11/7/2003, 09:14
  23. 23. I. As bases educacionais do ENCCEJA competências verificáveis em situações Educação básica e avaliação, portanto, específicas. A avaliação assume um têm por objetivo promover a eqüidade na papel fundamental nessa perspectiva, participação social. definindo o sentido da escolarização. A proposta do ENCCEJA para certificação A ação prevista pelos sujeitos envolvidos do Ensino Médio assume parte desse na educação básica extrapola papel institucional, procurando, por meio determinados padrões de pensamento até de uma prova escrita, aferir, em condições então valorizados pela escolarização observáveis e com exigências definidas, acrítica (identificar, reproduzir, as competências previstas para a memorizar, repetir) e aponta para a educação básica. necessidade de a escola sistematicamente O foco do ENCCEJA é a situação- realizar, em situações de aprendizagem, o problema para cuja resolução o desenvolvimento de movimentos de participante deve mobilizar saberes pensamento mais complexos (analisar, cognitivos e conceituais (competências). comparar, confrontar, sintetizar). Tal A aprendizagem é destacada como proposição, amparada pelos estudos da referência à autonomia intelectual do Psicologia Cognitiva, Sociologia, sujeito ao final da educação básica, Lingüística, Antropologia, exerce um mediada pelos princípios da cidadania e efeito de reestruturação na Didática. O do trabalho, na atualidade. As saber, que por si só já é ação do sujeito, competências para a participação social ganha o status de uma intenção racional e incluem a criatividade, a capacidade de intelectual situada socialmente. O sujeito solucionar problemas, o senso crítico, a desse saber é compreendido como um ser informação, ou seja, o aprender a único no contexto social. O saber fazer conhecer, a fazer, a conviver e a ser. envolve o conhecimento do contexto, das ideologias e de sua superação, em prol de A Matriz de Competências indicada para uma democracia desejada, para que o a avaliação do ENCCEJA/EM é um homem possa conquistar de fato seus produto de discussão coletiva de direitos. inúmeros profissionais da educação, buscando contemplar os princípios O poder público e a administração legais que regem a educação básica central assumem a responsabilidade de (Brasil,1999a; Brasil,1996; CNE, 1998; indicar a formação requerida para os CNE, 2000). sujeitos na educação básica, na modalidade de EJA/EM, e mais, propõem O ENCCEJA/EM está estruturado com formas de avaliação das aprendizagens. base em Matrizes de referência que consideram a associação de cinco A avaliação é assumida como diálogo competências do sujeito com nove com a sociedade, garantindo o direito competências previstas na Base democrático da população interessada em Nacional Comum para as áreas de saber o que de fato deve ser aprendido (e conhecimento (Linguagens, Códigos e aquilo que deveria ter sido aprendido), suas Tecnologias; Ciências Humanas e para que possa compreender a função do suas Tecnologias; Ciências da Natureza processo educativo e exigir os direitos de e Matemática e suas Tecnologias), cujos uma educação de qualidade para todos. 21 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 21 11/7/2003, 09:14
  24. 24. Livro do Professor cruzamentos definem as habilidades a da aprendizagem que se apropriam dos serem avaliadas. As competências conhecimentos e os transpõem para a cognitivas básicas a serem avaliadas vida pessoal e social. No elenco das são: o domínio das linguagens, a habilidades de cada área, estão compreensão dos fenômenos, a seleção valorizadas as experiências extra- e organização de fatos, dados e escolares e os vínculos entre a educação, conceitos para resolver problemas, a o mundo do trabalho e outras práticas argumentação e a proposição. sociais, de tal maneira que o exame, Essas competências cognitivas são estruturado a partir das matrizes, não articuladas com os conhecimentos e perca de vista a pluralidade de realidades competências sociais construídos e brasileiras e não deixe de considerar a requeridos nas diferentes áreas, tendo diversidade de experiências dos jovens e por referência os sujeitos/interlocutores adultos que a ele se submetem. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988: atualizada até a Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1988. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 1999a. ______. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. 2. ed. Brasília, DF, c2000. 10 v. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. 2.ed. Brasília, DF, : 2000. v. 2. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Educação de Jovens e Adultos: salto para o futuro. Brasília, DF, 1999c. (Estudos. Educação a distância; v. 10) BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, DF, 1999d. 4v. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 11, de 10 de maio de 2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação de Jovens e Adultos. Documenta Brasília, DF, n. 464, p. 3-83, maio 2000. Documenta, ______. Parecer n° 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Documenta Brasília, DF, n. 441, p. 3-71, jun. 1998. Documenta, OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio- histórico. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 111p. (Pensamento e ação no magistério). 22 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 22 11/7/2003, 09:14
  25. 25. II. Eixos conceituais que estruturam o ENCCEJA O ENCCEJA se vincula a um conceito constata é que alguns pressupostos mais estrutural e abrangente do aceitos no passado tornaram-se desenvolvimento da inteligência e gradativamente questionáveis e, até construção do conhecimento. Essa mesmo, abandonados diante de concepção, de inspiração fortemente investigações mais cuidadosas. construtivista, acha-se já amplamente Em que pese os processos avaliativos contemplada nos textos legais que escolares no Brasil caracterizarem-se, estruturam a educação básica no Brasil. ainda, por uma excessiva valorização da Tais concepção privilegia a noção de que memória e dos conteúdos em si, aos há um processo dinâmico de poucos essas práticas sustentadas pela desenvolvimento cognitivo mediado pela psicometria clássica vêm sendo interação do sujeito com o mundo que o substituídas por concepções mais cerca. A inteligência é encarada não como dinâmicas que, de um modo geral, levam uma faculdade mental ou como expressão em consideração os processos de de capacidades inatas, mas como uma construção do conhecimento, o estrutura de possibilidades crescentes de processamento de informações, as construção de estratégias básicas de ações experiências e os contextos socioculturais e operações mentais com as quais se nos quais o indivíduo se encontra. constroem os conhecimentos. A teoria de desenvolvimento cognitivo, Nesse contexto, o foco da avaliação proposta e desenvolvida por Jean Piaget recai sobre a aferição de competências e com cuidadosa fundamentação em dados habilidades com as quais transformamos empíricos, empresta contribuições das informações, produzimos novos mais relevantes para a compreensão da conhecimentos, reorganizando-os em avaliação que se estrutura com o Encceja. arranjos cognitivamente inéditos que Para Piaget (1936), a inteligência é um permitem enfrentar e resolver novos “termo genérico designando as formas problemas. superiores de organização ou de equilíbrio Estudos mais avançados sobre a avaliação das estruturas cognitivas (…) a inteligência da inteligência, no sentido da estrutura é essencialmente um sistema de que permite aprender, ainda são pouco operações vivas e atuantes”. Envolve uma praticados na educação brasileira. construção permanente do sujeito em sua Ressalte-se, também, que a própria interação com o meio físico e social. Sua definição de inteligência e a maneira avaliação consiste na investigação das como tem sido investigada constituem estruturas do conhecimento que são as pontos dos mais controvertidos nas áreas competências cognitivas. da Psicologia e da Educação. O que se Para Piaget, as operações cognitivas possuem continuidade do ponto de 23 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 23 11/7/2003, 09:14
  26. 26. Livro do Professor vista biológico e podem ser divididas combinação que os levará a um em estágios ou períodos que possuem resultado desejado. características estruturais próprias, as Em muitos dos seus trabalhos, Piaget quais condicionam e qualificam as enfatizou o caráter de generalidade das interações com o meio físico e social. operações formais. Enquanto as Deve-se ressaltar que o estágio de operações concretas se aplicavam a desenvolvimento cognitivo que contextos específicos, as operações corresponde ao término da escolaridade formais, uma vez atingidas, seriam gerais básica no Brasil denomina-se período das e utilizadas na compreensão de qualquer operações formais, marcado pelo fenômeno, em qualquer contexto. advento do raciocínio hipotético- As competências gerais que são dedutivo. avaliadas no ENCCEJA estão É nesse período que o pensamento estruturadas com base nas científico torna-se possível, competências descritas nas operações manifestando-se pelo controle de formais da Teoria de Piaget, tais como a variáveis, teste de hipóteses, verificação capacidade de considerar todas as sistemática e consideração de todas as possibilidades para resolver um possibilidades na análise de um problema; a capacidade de formular fenômeno. hipóteses; de combinar todas as Para Piaget, ao atingir esse período, os possibilidades e separar variáveis para jovens passam a considerar o real como testar a influência de diferentes fatores; uma ocorrência entre múltiplas e o uso do raciocínio hipotético-dedutivo, exaustivas possibilidades. O raciocínio da interpretação, análise, comparação e pode agora ser exercido sobre enunciados argumentação, e a generalização dessas puramente verbais ou sobre proposições. operações a diversos conteúdos. Outra característica desse período de O ENCCEJA foi desenvolvido com base desenvolvimento, segundo Piaget, nessas concepções, e procura avaliar para consiste no fato de as operações formais certificar competências que expressam um serem operações à segunda potência, ou saber constituinte, ou seja, as seja, enquanto a criança precisa operar possibilidades e habilidades cognitivas por diretamente sobre os objetos, meio das quais as pessoas conseguem se estabelecendo relações entre elementos expressar simbolicamente, compreender visíveis, no período das operações fenômenos, enfrentar e resolver formais, o jovem torna-se capaz de problemas, argumentar e elaborar estabelecer relações entre relações. propostas em favor de sua luta por uma sobrevivência mais justa e digna. As operações formais constituem, também, uma combinatória que permite que os jovens considerem todas as A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS possibilidades de combinação de Desde o princípio de sua existência o elementos de uma dada operação homem enfrentou situações-problema mental e sistematicamente testem cada para poder sobreviver e, ainda, em seu uma delas para determinar qual é a estado mais primitivo, desprovido de 24 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 24 11/7/2003, 09:14
  27. 27. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA qualquer recurso tecnológico, já buscava construídos e adquiridos no passado, à conhecer a natureza e compreender seus medida que ele podia contar com a fenômenos para dominá-la e assim tradição ditada pelos hábitos e garantir sua sobrevivência como espécie. costumes da sociedade de sua época, No entanto, à medida que, em seu com aquilo que sua cultura já processo histórico, foi alcançando formas determinava como certo. As mais evoluídas de organização social, características culturais, sociais, morais seus problemas de sobrevivência imediata e religiosas, entre outras, serviam-lhe foram sendo substituídos por outros. A como referências, indicando-lhe cada novo passo de evolução, o homem caminhos ou respostas. superou certos problemas abrindo novas Dessa maneira, ele orientava seu possibilidades de melhor qualidade de presente pelo passado, tendo no vida, mas, ao mesmo tempo, abriu as passado o organizador de suas novas portas para novos desafios, importantes ações. Como resultado, ele podia para sua continuidade e sobrevivência. planejar seu futuro como se este já A história do homem registra o estivesse escrito e determinado em enfrentamento de contínuos desafios e função de suas ações presentes. situações-problema, sempre superados O avanço tecnológico dos dias atuais em nome de novas formas de desencadeou uma nova ordem de organização social, política, econômica transformações sociais, culturais, políticas e científica, cada vez mais evoluídas e e econômicas, imprimindo ao mundo complexas. Pode-se dizer que o novas relações numa velocidade tal, que enfrentamento de situações-problema traz para o homem, neste século, uma constitui uma condição que acompanha outra necessidade: a de se pautar não só a vida humana desde sempre. nas referências que o passado oferece Cada vez mais tecnológica e globalizada, como garantias ou tradições, mas, a sociedade que atravessou os portais do também, naquilo que diz respeito ao século XXI convida o homem à resolução futuro. de grandes problemas em virtude das Quanto mais as sociedades contínuas transformações em todas as contemporâneas avançam em seus áreas do conhecimento. Exige, ainda, conhecimentos tecnológicos e constantes atualizações, seja no mundo científicos, mais distanciado parece estar do trabalho ou da escola, seja no ritmo e o homem de sua humanidade. Quanto nas atribuições de enfrentamento do mais conforto e comodidade a vida cotidiano da vida, como, também, uma moderna pode oferecer, mais se outra qualidade de respostas, à proporção acentuam as diferenças sociais, culturais que assume características bem e econômicas, criando verdadeiros diferenciadas daquelas que anteriormente abismos entre os povos e entre as percorreram a história. populações de um mesmo país. Quanto Durante muitos séculos, o homem, para mais se conhece e se aprende, mais fica resolver problemas, contou com a distanciada uma boa parte da população possibilidade de se orientar a partir dos mundial do acesso à escolaridade, de conhecimentos que haviam sido modo que, muito antes de se erradicar o 25 HistÛria e Geografia 9-38.pmd 25 11/7/2003, 09:14

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