O TRAÇADO DIAGONAL DE UMA AULA: a linha filosofar-aquarelar-escrever
Autora: Ana Lygia Vieira Schil da Veiga
Instituição: ...
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talvez não se encontrem em mim
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Uma diagonal é traçada
Liberar a linha, liberar a diagonal:
não há músico nem pintor que não tenham essa intenção
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A escrita... é produzida por vozes.
Quais vozes estão ecoando?
Vozes cartesianas? Vozes
nietzschianas?
Vozes embaraçadas?
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Assim, na Faculdade de Educação, uma escrita se fez junto ao que se estudou e pintou.
Viu-se a materialidade da pintura im...
Um papel em branco, tintas, pincéis, secador, cores, cheiros.
Um corpo, espaço, tempo, tarefas, metas, afetos e desafetos....
REFERÊNCIAS
DELEUZE Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 5.
São Paulo: Ed. 34, 2008.
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Veiga, 11.º encontro de pesquisa em educação

  1. 1. O TRAÇADO DIAGONAL DE UMA AULA: a linha filosofar-aquarelar-escrever Autora: Ana Lygia Vieira Schil da Veiga Instituição: Doutoranda Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGE/FACED/UFJF), Minas Gerais. Agência de Fomento: CAPES Eixo Temático: Pesquisa, Artes, Mídias e Educação Categoria: Pôster Resumo: Este pôster recorta um aspecto de uma pesquisa de doutorado em curso. Apresenta, como objeto de pesquisa, o traçado diagonal de uma aula, conceito pensado junto a Deleuze e Guattari (2008), principal referencial teórico do trabalho, como um espaço de produção de relações que se dão em um entre. Traz a visualização, através das vozes dos alunos, de uma linha de tensão entre filosofia, pintura e escrita na proliferação de modos de existir. O recorte nasce das inquietações surgidas na disciplina “Tópicos Especiais em Educação: Conhecimento e Verdade”, ministrada para as licenciaturas. As aulas aconteciam no âmbito da História da Filosofia, tendo como base o estudo comparativo do pensamento de Nietzsche e Descartes, no que tange suas concepções de conhecimento e verdade. Na metodologia, a pintura em aquarela abria-se ao encontro da leitura dos textos, um exercício de aproximação que se narrava nas composições textuais feitas pelos alunos, onde os ecos do vivido e do estudado se mostravam. Pretende-se apresentar alguns efeitos dessa experiência onde se vê as marcas da aula em diagonal nos processos de subjetivação. Assim, como resultado, pode-se pensar os modos de subjetivação como uma produção de mundos que eclode no espaço da aula e invade a vida. Palavras-chave: arte, aula, educação.
  2. 2. Conhecimento e Verdade Agora refletirei mais precisamente se talvez não se encontrem em mim outros conhecimentos que ainda não haja percebido (DESCARTES, 1999). Este pôster procura problematizar o traçado diagonal de uma aula, conceito pensado junto a Deleuze e Guattari (2008), como um espaço de produção de relações que se dão em um entre. Traz a visualização, através das vozes dos alunos, de uma linha de tensão entre a filosofia, a pintura e a escrita na proliferação de modos de existir. O recorte apresentado nasce a partir das inquietações surgidas durante a experiência realizada em um estágio docente como parte de uma pesquisa de doutorado em curso. A atividade artística se deu no decorrer da disciplina “Tópicos Especiais em Educação: Conhecimento e Verdade”, ministrada na Faculdade de Educação para os cursos de licenciatura. Entre os alunos, graduandos dos cursos de Matemática e Pedagogia. As aulas semanais aconteciam no imbricamento da filosofia com a arte, no âmbito da História da Filosofia, tendo como base o estudo comparativo do pensamento de Nietzsche e Descartes, no que tange suas concepções de conhecimento e verdade. Uma inquietação: como se dá a verdade? Na inquietação, a produção de um problema: o encontro verdade-conhecimento. Produção de verdades. Produção de conhecimentos. Produção de pensares e viveres. Na inquietação-problematização implicar o corpo que produz e se produz com/na arte. Pensar a educação com suas produções de verdade e conhecimento junto ao pensamento de Descartes e Nietzsche (Ementa da disciplina Tópicos Especiais em Educação: Conhecimento e Verdade, Faculdade de Educação, 2013). Tendo como texto base o livro “Razão e conhecimento em Descartes e Nietzsche”, de Olímpio Pimenta (2000), as leituras se faziam também nos fragmentos das obras de Descartes e Nietzsche. O Discurso do método, As Paixões da alma e as Meditações de Descartes eram recordadas e se faziam estar com trechos de Crepúsculo dos Ídolos, A Gaia Ciência, Sobre Verdade e Mentira no Sentido Extra-Moral, de Nietzsche. Entre elas, a poetagem de Manoel de Barros e Fernando Pessoa. A pintura em aquarela abria-se ao encontro da leitura dos textos
  3. 3. desses autores, um exercício de aproximação, traçando uma diagonal que se narrava nas composições textuais feitas pelos alunos, onde os ecos do vivido e do estudado se mostravam. Pensamento e Vida Durante o banho... pensei sobre pensamento e vida! O que escrever? Nada em mente. Verdade! Um pouco antes de dormir: ainda sobre pensamento e vida. Oh, Descartes... você que me mostrou que existo... e mais ainda, que penso! Oh, Nietzsche... o que você fez com a minha vida? Melhor nem pensar. (Pensador-escritor-artista)1 . Figura 1 – A pintura em aquarela na aula de filosofia Neste recorte2 , pretende-se apresentar alguns efeitos dessa experiência, através dos fragmentos das produções dos alunos, especialmente os que fazem ver as marcas da aula em diagonal nos processos de subjetivação. Na percepção desses processos, pode-se pensar os modos de subjetivação, uma produção de mundos que eclode no espaço da aula e invade a vida. As produções textuais dos alunos deixam ver os vestígios da experiência nas marcas que se imprimem no encontro da atividade artística com a aula de filosofia. Imprevisibilidade curricular que deixa viver e produz conhecimento no agenciamento da arte com uma disciplina filosófica. Desenho de uma dimensão da aula como procedimento vivo na educação. 1 Aluno de Licenciatura em Matemática. 2 Este recorte, que se atém à aula em diagonal, fará parte do capítulo que discutirá currículo, em uma tese ainda em fase de escrita.
  4. 4. Uma diagonal é traçada Liberar a linha, liberar a diagonal: não há músico nem pintor que não tenham essa intenção (DELEUZE; GUATTARI, 2008, p. 94)3 . O que acontece quando uma diagonal inesperada é traçada na aula? É possível riscar uma linha que deslize um saber sobre o outro? Que se dá quando a aula reúne elementos de campos distintos? Questões se apresentam e se põem a problematizar a aula. A problematização da aula é sua desacostumação. É a composição de um traçado de aula que se inaugura na discordância com os modelos, esquemas e estruturas aconselháveis para a elaboração de uma aula. O problematizar se dá no fazer uma outra coisa, porém no mesmo espaço onde os modos de aula compartimentizam, dividem o saber e o estudar em disciplinas estanques. Problematizar faz discordar, provocar um estranhamento nas faculdades, um desassossego do pensar. E, assim, produzir outros modos estudar, de escrever, de pintar. E, assim, produzir outros modos de existir. E, assim, intensificar as forças criadoras da educação. [...] liberar a linha e a diagonal, traçar a linha em vez de coordenadas, produzir uma diagonal imperceptível [...] (DELEUZE; GUATTARI, 2008, p. 94) Uma diagonal produz flexão nas forças do filosofar e do aquarelar colocando-as em relação4 e, assim, tornando possível a constituição de uma aula como procedimento educativo na vida. O que se dá nessa relação, os efeitos que essa diagonal produz, implicam na configuração da aula. Outros modos de filosofar, escrever e pintar passam a existir neste agenciamento. Intensidades subjetivantes movimentam a aula quando a filosofia e aquarela se relacionam com a escrita. Viver que produz questões. Questões que proliferam na aproximação de campos heterogêneos. Questões que apontam para outros modos de pensar a aula para aquém e além de suas necessidades conteudistas. 3 As epígrafes com as citações de Deleuze e Guattari (2008) atravessam o texto, uma linha que permite ver o fora conceitual da experiência. 4 Colocar em relação está próximo ao conceito de agenciamento em Deleuze: “se está em presença de um agenciamento todas as vezes em que pudermos identificar e descrever o acoplamento de um conjunto de relações materiais e de um regime de signos correspondente” (ZOURABICHVILI, 2004, p. 9), onde a produção de sentido se dá na articulação de heterogêneos.
  5. 5. A escrita... é produzida por vozes. Quais vozes estão ecoando? Vozes cartesianas? Vozes nietzschianas? Vozes embaraçadas? Vozes baixinhas. Sussurros e alguns silêncios. Um conhecimento fazendo seus caminhos: territorializar e desterritorializar. Isso mesmo, um oferecendo chão e outro tirando o chão. As singularidades fazem rebolir os conhecimentos. Nesse reboliço, quanto um corpo suporta? Quanto cada corpo pode aguentar? (Escritor-artista-pensador)5 . Figura 2 – A sala de aula de pintura-filosofia A aula-diagonal se configura provisoriamente na compreensão da aula enquanto composição de linhas (DELEUZE; GUATTARI, 2008). Linhas que juntas formam a superfície da aula. Linhas em multiplicidade que possibilitam o surgimento de uma configuração provisória da aula como mundo em devir. Uma ação que procura instituir a aula em um entre, uma fronteira mantida, onde a tensão do existir pode habitar. [...] Com efeito, não é o ponto que faz a linha, é a linha que arrasta o ponto desterritorializado, que o arrasta para sua influência exterior; então, a linha não vai de um ponto a outro, mas entre os pontos ela corre numa outra direção que os torna indiscerníveis [...]. (DELEUZE; GUATTARI, 2008, p. 97). A aula como um acontecimento singular: filosofar-aquarelar-escrever. Um indistinto atuar, desinstalador de hierarquias, instaurador de simultaneidades. Uma aula produzindo e inventando simultaneidades: a simultaneidade entre o pensar da pintura e fazer da filosofia. A simultaneidade entre o abordar temas filosóficos em sala de aula e o construir artístico de um escrever. Produção de uma zona de tensão. 5 Aluna de Licenciatura em Pedagogia.
  6. 6. A aula como um acontecimento singular, registrado em composições textuais, nos vestígios de um vivido que deixa deixando marcas. Marcas que vão produzindo um existir, disparando diferenças, engendrando rupturas que se abrem à passagem do inédito em outras produções. Marcas que são a gênese de um devir. A linha filosofar-aquarelar-escrever [...] A linha está entre os pontos, no meio dos pontos, e não de um ponto a outro [...]. (DELEUZE; GUATTARI, 2008, p. 97). Uma linha tensiona: filosofar-aquarelar-escrever, linha em fuga na aula. Processo de desterritorialização. Potência de produção de uma filosofia, de uma pintura, de uma escrita. Produção de tensão, de entre, fazendo fugir certos modos de produção da aula. Fazendo fugir algo dela: potências de vida. Zona fronteiriça onde os modos de existir fazem fugir um sistema, escapando dele, dentro dele. Figura 3 – Técnica do velado em aquarela Um projeto: produzir uma obra. Como? Criar superfícies em tons bem claros, fazendo uma sobre a outra, ao final, terá as cores e formas desejadas. Um projeto: viver a vida. Como? Organizar as tarefas, dividir o tempo, ponderar as relações, ao final, alcançará o sucesso. Um papel em branco, tintas, pincéis, secador. Um corpo, espaço tempo, tarefas, metas. Começo com as cores primárias, azul, vermelho, amarelo. Começo do mais simples, escola, graduação, trabalho, mestrado... Papel demarcado, deixo a surpresa para depois. Vida planejada, deixo o melhor para depois. (Artista-pensador-escritor)6 6 Aluna de Licenciatura em Matemática.
  7. 7. Assim, na Faculdade de Educação, uma escrita se fez junto ao que se estudou e pintou. Viu-se a materialidade da pintura implicando a escrita no pensar filosofia. Viu-se uma diagonal movendo espaços de aula, deslocando lugares estabelecidos, impossibilitando estruturas prévias, deslizando saberes uns sobre os outros. Linhas em produção. Linhas de atividades artísticas produzindo superfícies. Superfícies ocupadas por conceitos de filosofia. Conceitos imbricados em instâncias outras: papel, água, tinta, pincel. Que vidas se produziram neste experenciar? Que corpos se inventaram nessa produção? Entre as inquietações de como se dá a verdade, os exercícios de cor e forma escaparam à figuração e produziram véus de cor por onde o ar e o pensamento puderam passar, atravessar. Encontros inquietos, moventes, desterritorializando saberes constituídos. Nesta inquietação, a problematização conceitual da aula manteve-se presente: que conhecimento? Que verdade? A materialidade da pintura produzindo efeitos na filosofia. Uma produção inventada na aula. Uma produção de vida. Uma produção de conhecimento. Uma aquarela-filosofia-escrita disparando intensidades, produzindo uma aula-vida-educação. Figura 4 – Técnica do molhado em aquarela Um susto: a obra precisa ser terminada em 20 minutos. Um susto: a vida nem precisa de 20 minutos para terminar. A obra não pode terminar assim. A vida não pode terminar assim.
  8. 8. Um papel em branco, tintas, pincéis, secador, cores, cheiros. Um corpo, espaço, tempo, tarefas, metas, afetos e desafetos. Sentado não dá mais para ficar. O corpo se levanta. Pinta, corre, dança, se movimenta... Posso pegar o seu amarelo? Vou pegar seu vermelho! Uma mão pinta, a outra seca. O que é derramado vira parte da obra. Como buscar a surpresa deixada para o futuro? O melhor deixado para depois? Não há tempo de planejar, apenas fazer para salvar a obra, para salvar a vida... No fazer, o colorido surge no entre das cores primárias. E as potências no entre das relações das forças. O tempo acabou. O colorido vivificou. A singularidade de cada pincelada produziu a pluralidade das formas. A obra não acabou, mas ficou pronta. A vida foi salva pela obra... A obra foi salva pelo devir... A vida virou obra de arte... Devires...7 7 (Artista-pensador-escritor)
  9. 9. REFERÊNCIAS DELEUZE Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 5. São Paulo: Ed. 34, 2008. DESCARTES. Discurso do método. As Paixões da alma. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1999. (Coleção Os pensadores). NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Obras Incompletas. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os pensadores). PIMENTA, Olímpio. Razão e conhecimento em Descartes e Nietzsche. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2000. ZOURABICHVILI, François. O vocabulário de Deleuze. Campinas: IFCH, Unicamp, 2010. Disponível em: http:gridserver.comp=3076 . Acesso em: 20 jun. 2011.

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