Tcc versão final nivaldo

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  1. 1. p UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS NIVALDO FRANCISCO NEVES FILME: A HISTÓRIA DAS COISAS. LEONARD, A. EUA:2006 A Supremacia e o Poder da Imagem na Vida: Um olhar de inquietação, de esperança e conscientização. Campinas, S.P. 2011 NIVALDO FRANCISCO NEVES
  2. 2. FILME: A HISTÓRIA DAS COISAS. LEONARD. A. EUA:2006 A Supremacia e o Poder da Imagem na Vida: Um Olhar de inquietação, esperança e conscientização. . Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em História e Cinema. Orientador: Professor Breno de Souza Juz Campinas, SP 2011 2
  3. 3. DEDICAÇÃOUm força maior, que chamamos de Deus, que tudo proporciona na vida.Dedico este trabalho a minha esposa, Márcia Abrinhosa Neves, amor que brilhana minha vida, pela tolerância com que encarou com serenidade as minhasausências durante os vários momentos na realização desse curso deespecialização. Foi um tempo a mais além das outras obrigações.A minha doce e encantadora filha, Victória, nela vejo a esperança e a ternura,ao Fábio pela sua amizade, e a Mari, pela sua determinação, ousadia e porestar vivendo um momento mágico e encantador: o de “Ser Mãe”. (Filhos doCoração).Ao meu pai Fidelsino (In Memoriam), quem me ensinou o senso de justiça ehonestidade, minha mãe, Maria, que sempre nos orienta e indica o caminho doaltruísmo e do respeito. É uma gratidão grandiosa e cheia de ternura.As minhas irmãs, que se fizeram presente em vários momentos da minha vida,uma mais, mas todos juntos, na coragem, sempre solidárias, meu porto seguro.Enfim, para todos meus sobrinhos e familiares, que mesmo longe dos meusolhos estão no meu coração para sempre, em especial, minha afilhada Gabi.E, finalmente, aos meus alunos e por todos aqueles que vem sendo enganado enão consegue construir uma visão mais realista e concreta da sociedade, já quesão manipulados ideologicamente com argumentos falaciosos pela mídia, quedistorce a realidade e os transforma em mercadoria / cliente. A eles, o meucompromisso de levar o conhecimento para além da escola, numa linguagemsimples, acolhedora e humana.A presença marcante dessas pessoas na minha vida e de outras tantas tornou-se possível de realização deste sonho, que contribuíram e torceram para maisuma batalha vitoriosa, que passa ser dessas pessoas maravilhosas. 3
  4. 4. AGRADECIMENTOS Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou... Sejamos simples e calmos, Como os regatos e as árvores, E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos, E dar-nos-á verdor na sua primavera, (...) (Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos”.)Se há uma força maior que regem todas as forças cósmicas deste lugar chamado Terra, então em meus devaneios, penso. Quando penso, sinto algo indescritível. Então, tudo é possível quando se volta o olhar com ternura para esta “energia cósmica” que transcende palavras....Então sou grato! Sou grato, porque hoje tenho a oportunidade de poder contemplar as belezas indescritíveis que estão vivas na natureza. Sou grato, porque sou uma pessoa que tem um lar, uma família, onde partilhamos tudo o que é inerente ao ser humano. Sou grato por ter belas amizades.Sou grato porque posso desfrutar do encanto das águas, da beleza das florestas e das flores e do sorriso de crianças brincando nos jardins. Sinceramente, não quero deixar de contemplar essas belezas como também não quero que as futuras gerações não contemplem as inúmeras belezas do nosso planeta. Não vamos deixar o nosso planeta pedindo socorro e nem vamos deixar crescer o número de pessoas que são colocadas como caminhantes nas estradas sem rumo, sem pátria, sem nada. Você, pensa, assim, então, somos irmãos. 4
  5. 5. AGRADECIMENTOSAo Prof. Dr. José Alves de Freitas Neto, Coordenador do Curso deEspecialização em História para o Ensino Médio da UniversidadeEstadual de Campinas (UNICAMP), pela participação ativa e diretaneste passo singelo a caminho do nosso engrandecimento eaprimoramento profissional e a equipe da Redefor fica meusagradecimentos.Ao orientador do Trabalho de Conclusão de Curso, Prof. Breno deSouza Juz, que mesmo não conhecendo pessoalmente se mostroudedicado e prestativo em passar informações significantes, quepossibilitaram a realização deste trabalho, minha eterna gratidão.Agradeço à todos os tutores, que ao longo dessa jornada, semostraram atenciosos, solidários e que nos incentivaram chegar atéaqui, nos apoiando de forma indescritível, o meu sinceroagradecimento.Agradeço, também, aos colegas professores - educadores, pelasnossas trocas de esperanças e pelas nossas lutas para espantar odesencanto, que às vezes invade o nosso fazer pedagógico.Enfim, a todas as pessoas que participaram, contribuindo para arealização deste trabalho, direta ou indiretamente. Viver é uma eternanovidade e uma eterna paixão.A todos o meu mais profundo reconhecimento e gratidão. 5
  6. 6. O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos)Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar... Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos" 6
  7. 7. RESUMOEste artigo tem como base a discussão sobre o processo de extração,produção, consumismo, descarte e os desdobramentos em torno de questõesambientais, sociais e a crise de valores ligados ao lugar da “pessoa” noplaneta terra. O apito inicial do nosso trabalho reflexivo fundamenta-se numprimeiro momento um olhar com nitidez e sensibilidade no filme: “História dasCoisas”, de LEONARD, A. 2006: EUA.Nesse caminho, faremos uma abordagem simplificada de como a mídia no geralvem influenciando as pessoas ao consumo desenfreado, em especial as novasgerações. Para tanto, com base no filme trataremos como as corporaçõesmundiais pensam o processo de produção, apresentando a obsolescênciaplanejada e perceptiva, como um desastre ambiental no futuro do nosso planeta,por conta do esgotamento dos nossos recursos naturais, senão houver umaalfabetização ambiental imensa das pessoas como um todo na pós-modernidade.E, como toda essa conexão da extração até venda dos produtos vai intensificandoo aumento da desigualdade e a degradação tanto humana como ambiental.Posteriormente, faremos algumas considerações a partir do pensamento deautores da pós – modernidade, que vem fazendo inúmeras considerações equestionamentos sobre o uso irresponsável de recursos da natureza bem dascríticas objetivas que colocadas de forma coerente sobre a lógica de exclusão dosandarilhos numa sociedade pautada pelas incertezas, flexibilidade e fragilidadesdos vínculos de humanização.Palavras-chave: Sociedade de Consumo – Globalização – DegradaçãoAmbiental – Obsolescência - Mídia – Conscientização. 7
  8. 8. SUMÁRIO AGRADECIMENTOS................................................................................. 4 RESUMO.................................................................................................... 71. INTRODUÇÃO........................................................................................... 92. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................133. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 344. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 385. ANEXOS................................................................................................... 41 8
  9. 9. 1. INTRODUÇÃO “Vivemos em um mundo dominando por imagens e sons obtidos “diretamente” da realidade, seja pela encenação ficcional, seja pelo registro documental por meios de aparatos técnicos cada vez mais sofisticados” (NAPOLITANO: 2005 p.235.) Com essa argumentação marcante de NAPOLITANO é inegável quererdesconsiderar o quanto somos influenciados por vários tipos de imagens e sonsobtidos em nosso cotidiano, que sequer paramos para pensar nos reflexos e nosdesdobramentos que as mesmas exercem em nossa memória e em nossoinconsciente. Contudo, há várias pesquisas que demonstram como elas vãomoldando o nosso pensamento, os nossos valores e como, transformam umaimagem ou várias imagens do cotidiano, seja do movimento social ou qualquersituação normal do dia a dia num emaranhado de palavras que muitas vezes nãocontempla a realidade em si. Por conseguinte, quando afirmarmos que as imagens veiculadas namídia em geral em todas dimensões muitas vezes não contemplam, a realidadeem si, quero afirmar que o resultado na maior parte das vezes é sempre deacordo com os interesses das grandes corporações que estimulam a passividadee o consumismo com a intenção clara de obter inúmeras vantagens e aindabuscam ir além do trabalho excedente e do acumulo do capital. Contudo, o nossointeresse com este artigo, é mostrar como os cidadãos podem dar conta destasquestões postas na sociedade em toda sua amplitude. No ponto de vista sociedade informatizada, temos a : “TIC” - tecnologiade informação e comunicação - que, através de rede de relacionamentos, como“Facebook, Orkut, E-mails Pessoais e Similares”, vem bombardeando nossasmentes e pensamentos através de imagens com frases curtas dos benefícios decomprar este ou aquele produto, o que acaba cumprindo o mesmo papel deincentivo ao consumo permanente. Tal afirmação é notória, pois uma vez que sãoapresentados para as pessoas os bens e os produtos prontos essas pessoas 9
  10. 10. passam a ser meros consumidores tanto de produtos como de ideias. É lógico,que estamos nos referindo especialmente no que diz respeito à questão do papelda publicidade voltada essencialmente para a proposição do capitalismo queincentiva o consumismo como caminho para conquistar a felicidade. Enfim, diante deste contexto de inquietação, o nosso propósito é pensarmeios que sejam eficazes para despertar um olhar de esperança e deconscientização individual e coletiva dos fenômenos sociais, econômicos eambientais que permeiam esta realidade da pós-modernidade do qual estamostotalmente inebriados nesta sociedade pós-moderna. Nesta dimensão será transcrito abaixo um breve relato do filme: “AHistória das Coisas”; LEONARD, A. EUA, 2006 - Título Original: The Story offStuff . O que é a História das Coisas?.... É um filme que nos apresenta o processo de produção, da extração e produção até a venda, consumo, disposição e descarte. E, ainda nos apresenta como todos os produtos que usamos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas ficam longe de nossos olhos, que são escondidos de forma proposital pelas grandes corporações e políticos. Este filme tem a duração de 20 minutos, direto, e nos mostra passo a passo, o sistema de extração, produção, consumo até chegar nos aterros sanitários ou lixos. Este filme abre discussões relevantes sobre o uso irresponsáveis de recursos ambientais e os problemas sociais que vem abrindo ao longo dos anos. Por outro lado, revela a necessidade de criarmos com urgência um mundo mais sustentável e justo para todos e para a vida de todas as espécies a nossa mãe terra. História das Coisas nos ensina muita coisa, nos sensibiliza, nos faz pensar sobre as mazelas e falcatruas criadas pelas grandes corporações. Enfim, esse filme poderá mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas. (Zepter: 2006 – Grifo Nosso) 10
  11. 11. Por si só, a sinopse acima nos mostra quais são as temáticas abordadasno transcorrer deste filme, a saber: processo de produção, extração derecursos,consumismo (venda), degradação ambiental, produção de lixo, exclusãosocial, descartabilidade, as mídias, tecnologia de informação, saúde esustentabilidade. Em nosso artigo sobre este filme vamos voltar nossas reflexões em tornode três questões básicas: meio ambiente, humanização e saúde. E, como, asempresas que concentram poderes midiáticos vão manipulando, seduzindo einfluenciando pessoas em torno dos ideais de consumo exacerbado. Neste aspecto é interessante, em oposição ao pensamento deDescartes, que afirma: “penso, logo existo”, podemos dizer: “consumo, logoexisto” ou então dentro da vertente do filme “A História das Coisas”, asociedade, através das diversas tecnologias de informação (Tv, Internet, Rádio,Celulares, Ipod, etc.) vão demonstrando para as pessoas de todas as classessociais que o conceito de status e celebridade ocorre conforme o grau deconsumo e da rapidez que elas tem no ato de consumir. Portanto, a equaçãomáxima é “consumo, logo viro celebridade”. Mas, por trás de toda estapublicidade, LEONARD: 2006, demonstra que no fundo está enriquecendo osdonos das grandes corporações e destruindo a natureza. Contudo, a nossa pesquisa procura dar alguns embasamentoscientíficos do que escreveram alguns autores sobre os desdobramentos e osimpactos que vão acontecendo a partir das conexões; da extração, produção,consumo, obsolescência planejada e perceptiva, degradação ambiental ehumana. Em especial buscamos referências a partir das reflexões de HALLStuart, que faz abordagens significantes sobre as transposições de identidadesfora do lugar; na obra de BAUMAN, Zygmunt., que apresenta uma concepção dehomem na sociedade fragilizado, já que tudo que é líquido flutua no ar das 11
  12. 12. incertezas e dos medos; e de SENNENT, Richard., que enfatiza como ocorre acorrosão do caráter nesse capitalismo flexibilizado, onde as leis são construídasconforme os interesses das grandes corporações. No artigo de BRUNE, F. , que nos mostra como a pós – modernidadepassa a ser um era de passividade. E, no texto de LEAL FILHO, Laurindo L., queenfatiza como a tv passa a ter um poder colossal na sociedade mundial. Já nas reflexões do BETO, frei., fica evidente a transformação do profanoem sagrado, especialmente com a justaposição do deus mercado. Enquanto,MATOS, Olgária de., nos mostra como a mídia atua com perversidade, quandoincentiva as pessoas ao consumo e depois humilham. Por fim, a simplicidade deBOFF, Leonardo, que mostra alguns caminhos que devem “sulear” ¹ as nossasações como cidadãos e amantes do nosso planeta terra. Enfim, daremos umdestaque especial sobre a importância de nos conscientizarmos, para depois,conscientizarmos o outro, o próximo, rompendo com a celebração do consumopara criar uma celebração do cuidar, cuidar da nossa mãe terra, nosso habitatcósmico E, para fechar esse trabalho de reflexão, o pensamento de SARAMAGO,José, que defende a ideia de fazer um grande debate sobre o que é democraciade fato, para que depois, de alguma forma possa ser desenterrada a justiça._________________________________________________________________1. O termo “sulear” não é novo história, pois tive a oportunidade de ouvir pela primeira vez numapalestra proferida pelo Professor da PUC – Campinas / SP e Padre Benedito Ferraro na décadade 1990, na comunidade religiosa Nossa Senhora Auxiliadora no Jardim Garcia em Campinas /SPque apresentava esse termo fazendo justificativa da nossa localização geográfica, invertendo alógica norte x sul. A nossa intenção com o uso deste termo é mostrar que as ações humanas temmais pertinência e respaldo usando esse termo, pois estamos localizando geograficamente nohemisfério sul.. 12
  13. 13. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. O filme “História das Coisas” da cineasta e produtora norte-americanaLEONARD: 2006., procura mostrar com ideias simples como ocorre o processode produção de bens e produtos na sociedade contemporânea. Para tanto, elautiliza recursos tecnológicos, denominado como animação gráfica, o que facilita acompreensão de leitores médios e outros. Como foi transcrito anteriormente, o filme nos mostra as várias etapas daprodução, do consumo de produtos industrializados, a função dos meios decomunicação de massa e sobre as ações das diversas campanhas publicitárias,que incentiva o consumo exageradamente de produtos e bens. E, ainda,apresenta, como os desdobramentos deste consumismo desenfreado, vãogerando uma quantidade desproporcional de lixos. Por outro lado, o filme nos apresenta como vem sendo construindo eestruturando na sociedade contemporânea, a organização de grandescorporações capitalistas e como estas vão submetendo governos e países aosseus interesses, além de transformar pessoas em mercadorias e clientes. A cineasta não deixa por menos e vai mostrando como as grandescorporações se apropriaram de recursos naturais em seus respectivos países ecomo vem se apropriando dos recursos naturais nos países mais pobres,denominado por ela, no filme, como ”terceiro mundo”, mas que atualmente, com anova “(des) ordem política”, são denominados como países periféricos. Dentro deste tema, a cineasta desenha, como está ficando a novadivisão internacional do trabalho, onde a “pessoa” é sujeitada a trabalhar emqualquer tipo de serviços, muitas vezes se expondo em citações de riscos atépara a própria saúde. Como é citada pela cineasta em seu filme. Vejamos as informaçõessignificativas: “Há atualmente no comércio, mais de 100.000 químicos sintéticos,apenas um punhado foi testado para avaliar o seu impacto na saúde, e nenhum foi testado em relação aos impactos sinérgicos na saúde, ou seja, à interação com todos os outros químicos aos quais estamos expostos diariamente. Por isso, desconhecemos o impacto total deles na saúde e no ambiente. 13
  14. 14. Mas sabemos uma coisa: os tóxicos entram e saem. Enquanto continuarmos a introduzí-los nos nossos sistemas de produção industrial, continuaremos a inserir estes tóxicos nos produtos que levamos para nossas casas, trabalho e escolas, e claro para nossos corpos. Como os BFRs, ou retardantes de incêndio à base de brometo, que tornam as coisas mais resistentes ao fogo, mas são super tóxicos. São neurotóxicos, ou seja, tóxicos para o cérebro. O que é que estamos fazendo usando estes químicos? Apesar disso, os usamos em nossos computadores, eletrodomésticos, sofás, colchões e até alguns travesseiros. Sim, pegamos nossos travesseiros, os revestimos com neurotoxinas, os levamos para casa e dormimos por 8 horas com eles!?! Não sei... mas acho que num país com tanto potencial, poderíamos ter uma maneira melhor de evitar que as cabeças peguem fogo a noite. Sabia que essas toxinas se vão acumulando ao longo da cadeia alimentar e se concentram nos nossos corpos?” (LEONARD:2006) Mas, o que dizer sobre os B. F.Rs? Confesso que não tinha esseconhecimento e provavelmente a maioria das pessoas também não tem. Qual é oproblema de tudo isso apresentada pela cineasta? Em primeiro lugar, pelosmalefícios que o uso de produtos que tenham tais substâncias perigosas para asaúde humana, já que os mesmos causam sérios distúrbios no sistema hormonale no processo de recomposição dos neurônios ao longo da vida. Em segundolugar pela divulgação e conscientização lenta da mídia e do próprio governo,ficando a desejar no contexto social como um todo. Dentro desta perspectiva ainda temos as pessoas que ainda trabalhamna produção, já que nem sempre sabem sobre os efeitos destas substâncias noseu organismo. Sobre a sujeição da pessoa, trabalhar em qualquer serviço, deixamo-nosBAUMAN sensibilizarmos, ao afirmar que: “(...) A preferência, entre os empregadores, por empregados “flutuantes”, descomprometidos, flexíveis, “generalistas” e, em última instância, descartáveis (do tipo “pau-pra-toda obra”, em vez de especializados e submetidos a um treinamento estritamente focalizado), foi o mais seminal de seus achados”.(BAUMAN: 2008, p.17) Considero relevantes as argumentações de BAUMAN, de modo que,completa e vai além do que LEONARD demonstra com clareza em seu filme.Não há dúvida da preferência dos empregadores em contratar empregados semnenhum vínculo com suas empresas, já que ficam livres de assumir os encargos 14
  15. 15. sociais e trabalhistas com seus empregados, o que evidência a velha regra docapitalismo, a mão de obra no mercado de trabalho numa proporção maior efundamental para seu avanço na sociedade. Agora mais do que nunca fica claroque “flutuação”, a “efemeridade” são as novas faces da pós-modernidade. Mas, BAUMAN é bem mais objetivo quando se refere ao mercado dotrabalho, pois: “O mercado de trabalho é um dos muitos mercados de produtos em que se inscrevem as vidas dos indivíduos; o preço de mercado da mão-de- obra é apenas um dos muitos que precisam ser acompanhados, observados e calculados nas atividades da vida individual. Mas em todos os mercados valem as mesmas regras. Primeira: o destino final de toda mercadoria colocada à venda é ser consumida por compradores. Segunda: os compradores desejarão obter mercadorias para consumo se, e apenas se, consumi-las for algo que prometa satisfazer seus desejos. Terceira: o preço que o potencial consumidor em busca de satisfação está preparado para pagar pelas mercadorias em oferta dependerá da credibilidade dessa promessa e da intensidade desses desejos”. (BAUMAN: 2008, p.18) Por assim dizer, BAUMAN nos mostra que o mercado de trabalho é maisum dos mercados que existem e são regulamentados, mas a validade e a crençaocorrem quando há sintonia entre necessidades e desejos, pois o ato de desejar éum movimento contínuo e alimentador da economia. Já que fica sempre a ideiade consumir para se sentir bem, para obter satisfação e realização. Porém, podemos dizer que é um “bem“ estar, uma “satisfação” e uma“realização” provisória que evapora no ar, em decorrência do surgimento denovos desejos voltados para o consumo, mas que deixa sequelas imensas nosaspectos sociais, econômicos e ambientais. Nesse sentido, BAUMAN nos apresenta, que maior templo de consumosurgido no século XX fez e ainda continua fazendo uma função essencial parasuprimir os desejos de consumo, pois: “Os shopping centers muito têm feito para reclassificar o labor da sobrevivência a como diversão e recreação. O que costumava ser sofrido e suportado com uma mistura de ressentimentos e repulsa, sob a pressão refratária da necessidade, tem adquirido os poderes sedutores de uma promessa de prazeres incalculáveis sem a adição de riscos igualmente incalculáveis”. (BAUMAN:2004, p.40). 15
  16. 16. Com arquiteturas moderníssimas, os Shopping Centers, então, vem parafacilitar o ato de consumir, pois oferece segurança e a tranquilidade na hora dacompra. Sedução, fascínio, encantamento sãos traços marcantes que envolvemas pessoas e apagam a noção de tempo e são embutidas as noções de lugar, olugar do sagrado, mas em torno do consumismo. Tudo é beleza, tudo é bonito,as vitrines são decoradas de forma esplendida, mas as garras vorazes dapublicidade que são desenvolvidas por profissionais desta área vão incentivandoao consumismo. E, nessa perspectiva, as campanhas publicitárias transmitidas,especialmente pela “TV” já embutiram esta ideologia de consumo nestes templosfaraônicos de consumo. Então, voltamos o nosso olhar e a nossa reflexão sobre o que escreveLEAL FILHO sobre o papel da Tv na atualidade: “Impondo vontades (...), a Tv se sobrepõe aos poderes da República (...). Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; pode mesmo dizer-se que é potencialmente o mais importante de todos, como se estivesse substituído a voz de Deus”. (LEAL FILHO:2008) Com esses argumentos LEAL FILHO, nos mostra que o poder da Tv estáconsolidado na sociedade a tal ponto que às “vezes” tem a “pretensão” de ocuparo lugar de “Deus”. A expressão que conta é impressão deixada pela Tv entre aspessoas, que vai maquiando e impondo desejos de e para o consumo. Nesta mesma perspectiva, temos o entendimento de NAPOLITAMO queafirma: “(...) a televisão interfere na concepção de tempo histórico e mas formas de fixação da memória social sobre os eventos passados e presentes”.(NAPOLITANO:2005,p.252). No caso, trata-se da construção e consolidação da ideia de consumo,que ocorre a partir da repetição de propagandas de produtos que vãoincentivando mais e mais o ideal de consumo. Tais ideias acabam sendointrojetadas no inconsciente coletivo das pessoas e ficam latentes namemorização social. 16
  17. 17. As estratégias impostas pela pós – modernidade criam mecanismos paradespertar nas pessoas o encanto e assim vão induzindo-as ao esquecimentodos problemas e das consequências no que tange ao ritual de consumo, poistoda a beleza contemplada desperta a vontade de consumir. As pessoas buscama beleza, querem a beleza, vivem em função de conquistar a beleza e o papel dascampanhas publicitárias que são veiculadas na mídia em geral usam destesartifícios para despertar o desejo de consumir. Mas, o que dizer sobre desejo? “Desejo é vontade de consumir. Absorver, devorar, ingerir e digerir aniquilar...” (BAUMAN:2008, p.12). Por conseguinte, fica evidente a relação entre a afirmação de BAUMANque insinua com a ideia consumir o produto e depois aniquilar, destruir, o queesbarra direto no problema crucial mostrado no filme por LEONARD, mas que nãoé novidade da história da humanidade. É um assunto polêmico e gigantesco quejá foi debatido em outros momentos da história, isto é, estamos tratando daquestão em torno da obsolescência planejada e perceptiva, ou seja, umaprodução e consumo voltado para o descarte, o que não é novidade na história. Produzir e jogar fora não é uma novidade, mas é um legado marcante queveio conquistando espaço significativo nas prerrogativas de consumo de formaintensa na sociedade capitalista, especialmente depois da segunda metade doséculo XX e atualmente essa prática é preocupante, pois nessa proporção deconsumismo o futuro da vida no planeta terra estará ameaçado. Por conseguinte, é relevante buscar a definição dos termosobsolescência planejada e perceptiva, para fundamentar melhor nosso propósitode reflexão. Num primeiro momento, vamos entender o que é obsolescênciaplanejada: “Obsolescência planejada é a condição que ocorre a um produto que deixa de ser útil, mesmo estando em perfeito estado de funcionamento. Ou seja, são produtos deliberadamente projetados para deixar de funcionar em um curto espaço de tempo. São as porcarias industrializadas que consumimos em nosso dia-a-dia crentes que estamos adquirindo produtos de uma boa qualidade. Entretanto, a qualidade deles são boas para quem os produz, pois, esses produtos são fabricados visando a minimização dos custos 17
  18. 18. e a maximização dos lucros. Por isso os produtos precisam ser baratos e frágeis, tendo sua obsolescência planejada para serem trocados seguidamente. Sendo caros, as pessoas não aceitariam sua má qualidade”.(ARAUJO:2010) Podemos dizer em outras palavras que é obsolescência planejada é acriação de um produto ou mercadoria com projeção para ser descartado numprazo inferior a dois anos para não ser mais cético, pois a produção foi planejadapara não funcionar com qualidade. Como exemplo, podemos dizer: celulares,computadores, máquinas fotográficas e outros. E, nesse planejamento é claro, osprodutos precisam baratos e frágeis E, no que diz respeito à definição conceitual de obsolescência perceptivapode-se dizer que a publicidade acaba tendo uma função essencial, pois atravésda: “obsolescência perceptiva, que nos faz adquirir algum bem simplesmente por ser de aparência mais moderna, mais bonita, se adapta melhor à nova tecnologia (ex: TV digital), e está na moda. Desta forma nos desfazemos de coisas que são perfeitamente úteis, para estarmos sempre “atualizados”. A moda tem uma grande culpa nisso tudo, as coisas entram e saem de moda, basicamente para fazer esse sistema de “compra e troca” girar de uma forma assustadora”.(Ramos: 2009) Por assim dizer a mídia no geral procura nos convencer trocar o produtovelho pelo novo, o produto com tecnologia ultrapassada com a tecnologiamoderna e assim por diante. A persuasão é forte, pois muitas vezes nosconvence jogar fora bens e produtos que estão funcionando normalmente. Masque estratégias usam? Simplesmente mudam a aparência dos produtos. Então,nesse sistema a mídia geral induz as pessoas trocar o feio pelo belo. Um exemplo clássico foi o discurso de SUZUKI, na Conferência dasNações Unidas em 1992 no Rio de Janeiro que fez a seguinte afirmação, entretantas, uma que nos chamou atenção foi a respeito da obsolescência perceptiva,pois naquela ocasião ela disse que já era uma prática comum entre pessoas emrelação ao consumo. É óbvio, seguindo os impulsos vindos das grandes 18
  19. 19. corporações, que financiavam campanhas publicitárias que incentivavam oconsumismo. O que ela disse literalmente foi: “compre e jogue fora”.,(SEVEM:1992). O que ainda é uma realidade dramática em nosso tempohistórico. O impulso para o consumo é um dado real e concreto na sociedade pós-moderna para tanto, vejamos, o que BRUNE., deixou registrado sobre essamesma temática: “O mundo do consumo eufórico, onipresente, impõe-se a cada um como lugar natural da vida social e meio essencial para dar rédeas soltas à personalidade (...). Existir é consumir, eis tudo. Escolher uma marca é conferir-se uma identidade, como indica esta pequena antologia: “Meu creme, sou eu”, “Meu corsa, sou eu” (...) sem esquecer o “clássico” do pensamento pessoal oferecido a todos “Seja diferente: pense Pepsi”...(..) Isso não passa de mais um exemplo banal da interiorização pelos dominados do modelo dominante”. (BRUNE:2000) A euforia como elemento motivador para o consumismo é umacaracterística visível na sociedade pós - moderna, contudo, BRUNE, indica umaproximidade de surgir uma patologia insidiosa no meio social, pois o sujeito acabase confundido no objeto. Daí, podemos mais uma vez inverter a máximacartesiana na seguinte proposição: Consumo, logo existo. Se existo a minha émais visível quando o “eu” , sujeito pensante, perde sua identidade e passa a serescravizado pelo objeto, pois, as coisas passam a ser interiorizado pelo sujeito,sendo que, o sujeito passa a viver em função do querer ter cada vez mais e mais.Muitas vezes as campanhas publicitárias têm a função passar a ideia que apessoa será melhor ou mais moderna se ter este ou aquele produto. Nesta dimensão é interessante se plasmar com a descrição de LEBOW,Victor., analista de venda e “guru” de economia, que disse após segundaguerra mundial e que está presente no filme analisado: “Nossa economia altamente produtiva exige que façamos o consumo nosso meio de vida, que devemos converter a compra e o uso desses bens em rituais, que busquemos nossa satisfação espiritual, a satisfação 19
  20. 20. do nosso ego, (...) em consumo. Precisamos ter coisas consumidas, queimadas, substituídas e descartadas de modo mais e mais acelerada”.(LEONARD:2006) A cineasta, enfatiza bem o papel dos EUA no cenário mundial em relaçãoao comércio, conforme o que foi dito por LEBOW após o final da segundamundial. Neste sentido, ela afirma que essas ideias vão tomando forma e corpoaos longos dos anos, o que está levando as pessoas na sociedade fazer escolhasequivocadas, o que infelizmente poderá num futuro não muito distante o planetaao caos e a desordem cósmica, isto porque esta ideologia foi e vem sendoespalhada por todos os continentes. No que tange a outra ideia de obsolescência perceptiva, que se fazpresente na ideologia liberal no Ocidente, onde as pessoas precisam ficarconectadas com as novidades do mercado, comprando e usando os bens eprodutos mais avançados e melhores, mesmo que já tenham este ou aqueleproduto. Vejamos como vem sendo moldado culturalmente, na visão deBERARDI, o Ocidente: “A ideologia ocidental liberal é baseada em uma fantástica dupla ligação ou injunção contraditória ao mundo dos excluídos. Esta injunção pode ser enunciada assim: 1. Todos devem ser como nós ricos, consumistas e felizes; 2. A condição pela qual somos ricos, consumistas e fazemos de conta que somos felizes está justamente no fato de que todos os outros não o sejam”.(BERARDI:2002) Com esta premissa de alinhar consumismo com felicidade, BETTO, Freié mais enfático, quando transcreve os mandamentos da era do consumo.Vejamos seus argumentos: 1º) Adorar o mercado sobre todas as coisas. Tudo se vende ou se troca: objetos, cargos públicos, influências, idéias etc. (...) Segundo o mercado, tombam os seres humanos, mas seguram-se os preços e “aumentam o lucro”. 2º) Não profanar a moeda, desestabilizando-a. Dizem que outrora povos indígenas sacrificavam vidas humanas para aplacar a ira dos deuses. Abominável? Nem tanto. O ritual prossegue; mudaram-se apenas os métodos. (....). 3º) Não pecar contra a globalização. Graças às novas tecnologias de comunicação, o mundo se transformou numa pequena aldeia. De fato, o 20
  21. 21. Planeta ficou pequeno frente às imensuráveis ambições das corporações transnacionais. Por que investir na proteção do meio ambiente se isso não aumenta o valor das ações na Bolsa? (...) 5º) Prestar culto aos sagrados objetos de consumo. Percorremos aceleradamente o trajeto que conduz da esbeltez física à ostentação pública de celulares, da casa de veraneio ao carro importado, fazendo de conta que nada temos a ver com a dívida social. Expostos à má qualidade dessa mídia eletrônica que nos oferta felicidade em frascos de perfume e refrigerante, alegria em maços de cigarro e enlatados, já não há espaço para a poesia nem tempo para curtir a infância. Perdemos a capacidade de sonhar sem ganhar em troca senão o vazio, a perplexidade, a perda de identidade.(...)”. (BETTO, Frei: 2001) Enfim, aqui nos resta refletir como o profano vai se transformando emsagrado na vida das pessoas de forma acentuada, já que a base da felicidade temde estar alinhado com as premissas de consumo, portanto, pode-se dizer que o“ser feliz” conforme modelo liberal é: “Consumo, logo sou feliz”. É claro que talprerrogativa é absurda, mas, no entanto, se faz presente no imaginário social.Desse modo, há conexões no que está transcrito com um trecho do filme, quandoa cineasta LEONARD, afirma que: “(...) as pesquisas atuais mostram que a felicidade dos norte-americanos estão entrando num processo de declínio, a felicidade teve seu pico na década de 1950, engraçado, a mesma época que a febre consumista explodiu, temos mais coisas,porém menos coisas que realmente nós fazem felizes: amigos, passeios, piqueniques, contemplar o por do sol, se encantar com o brilho das estrelas e do luar, boas conversas regadas com humor e alegria, mais encontros reais menos virtuais....” (LEONARD:2006 - Grifo nosso) Há um alinhamento claro das proposições deste filme na contramão doconsumismo, como também dos autores que estamos utilizando parafundamentar nossa discussão, principalmente não só em relação a vivência plenada condição humana, mas também da pessoa em sua integridade para construirde fato uma realização plena, mas fora do consumo para ser feliz. Contudo, é importante lembrar que o consumo tem de ser comedido eresponsável em pro do bem estar de todas as formas de vida que existe no 21
  22. 22. planeta terra. Enfim, não dá para pensar que o conceito de felicidade deve estarvinculado ao consumismo. Vejamos o que BAUMAN têm a nos dizer sobre as gerações depensadores anteriores, no que tange ao trabalho e consumo: “Se os nossos ancestrais filósofos, poetas e pregadores morais refletiram se o homem trabalha para viver ou vive para trabalhar, o dilema sobre o qual mais se cogita hoje em dia é se é necessário consumir para viver ou se o homem vive para poder consumir. Isto é, se ainda somos capazes e sentimos a necessidade de distinguir aquele que vive daquele que consome”. (BAUMAN:1999, p.88 -89) Num outro trecho de filme, a cineasta se apropria de um discurso doDwight D. Eisenhow para mostrar como a economia norte-americana foiestruturada após segunda guerra mundial, citado por LEONARD, “O objetivoúltimo da economia americana é produzir mais de bens deconsumo”.(LEONARD:2006) E, assim, no decorrer do filme, a cineasta LEONARD:2006., afirma numtom de eufemismo: “Como assim? E, a educação? A Saúde? Transporte Seguro? Sustentabilidade? Justiça? Como conseguiram adotar bens de consumo?” (LEONARD:2006). Podemos dizer que é um trecho marcante do filme, quando a cineastadiz: “Bens de Consumo”? E as outras coisas importantes? Talvez, podemosimaginar que a história do Ocidente teria sido diferente e o futuro da humanidadenão seria tão assombroso como parece ser se os governos e corporações nãotivessem assumido essa proposição de consumismo. Mas, o maior problema deste princípio, é justamente a expansão destemodelo para outros países, como, no caso, o Brasil, onde a mídia no geral emparceria, com as empresas produtoras de bens e empresas produtoras de ideiasvão impregnando a mente das pessoas com as ideias de compra fácil, através de 22
  23. 23. financiamento, compra a longo prazo e crediários. Isso cria uma bola de neve nassociedades contemporâneas e, essa é a ordem imposta pelas grandescorporações, mas para as pessoas, especialmente as que possuem menosrecursos representa concretamente, o caos, a desordem, o conflito. É, justamente, o que HALL, nos mostra neste trecho do seu livro : “As pessoas que moram em aldeias pequenas, aparentemente remotas, em países pobres, do "Terceiro Mundo", podem receber, na privacidade de suas casas, as mensagens e imagens das culturas ricas, consumistas, do Ocidente, fornecidas através de aparelhos de TV ou de rádios portáteis, que as prendem à "aldeia global" das novas redes de comunicação”. (HALL:2006. p.74) Por assim dizer, os argumentos de HALL vem de encontro com asproposições de LEONARD, Annie, que estabelece conexões de venda e consumoem todos lugares e para todas as classes sociais. No entanto, aquele que não élevado ao consumismo conforme os moldes padronizados ou mesmo aqueles quenão podem ficam excluídos literalmente da sociedade e não podem participar dafesta de adoração ao “deus mercado”. E, ainda sobre essa temática, HALL Stuart é mais direto quando afirmaque: “Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas —desalojadas —de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem "flutuar livremente". (HALL:2006, p.75) Ao que tudo indica, fica evidenciado com HALL, como ocorre odesajolamento das pessoas pelas regras criadas pelo mercado global e comoocorre a substituição por novos padrões culturais do fazer e do agir das pessoasnesta sociedade pós-moderna. Pode-se dizer, numa loucura descomunal, quetudo isso é o começo do fim do lado sublime da cultura e de elementos idílicos 23
  24. 24. locais numa velocidade intensa. E, no lugar vão moldando uma culturaglobalizante, amoral, hedonista e imediatista para o consumo de forma fervorosae voraz. Como afirma HALL, “a homogeneização cultural”.1 Neste modelo, aspessoas e os grupos de menor poder e até mesmo a sociedade em si são apenas“depósitos”, na perspectiva de educação bancária, (FREIRE:1987) deinformações que vão “corroendo o caráter” (SENNENT:2009) e distorcendo seusgostos e interesses estéticos. A cultura unificada estruturada pela globalização econômica molda aspessoas por um modelo único e isso impede as pessoas de ser pensantes eanalíticas, pois: “tudo é banalizado para neutralizar a análise critica. É o “pronto- para- o- consumo” com o qual o público não avança de modo algum na compreensão do mundo”. (BRUNE:2000) Isso é o conflito entre o local e o global, que as vezes oculta criatividade,que rompe a diversidade cultural numa única cultural, ou então colocandoelementos novos de acordo com os ideais de consumo. Dentro dessa conjuntura, é fundamental voltar mais uma vez o nossoolhar com nitidez no que diz respeito a dicotomia entre cultural local e global, queé apresentada por HALL: “(...) globalização está tendo efeitos em toda parte, incluindo o ocidente, e a “periferia” também está vivendo seu efeito pluralizador, embora num ritmo mais lento e desigual.(...), “pois”, (grifo nosso) a globalização é um processo desigual e tem sua própria geometria do poder” (HALL:2006 p.80) Não há com negar que essa infiltração cultural da globalização vemsolapando as estruturas e os valores, intensificando as desigualdades e gerandonovas linguagens, mas totalmente desvinculadas de qualquer reflexão crítica,inventiva e criativa. No entanto, retomamos nossa reflexão com BAUMAN, que afirma que énecessário ter a clareza de que o que acontece num lugar pode acontecer em2.HALL, Stuart. A identidade Cultural na pós-modernidade.In: O global, o Local e o retorno daEtnia. Rio de Janeiro: DP&A Editora,2002, p.77 24
  25. 25. outros. Mas, vamos deixar o trecho selecionado ecoar em nossa reflexão: “(...) ... num planeta aberto à livre circulação de capital e mercadorias, o que acontece em determinado lugar tem um peso sobre a forma como as pessoas de todos os outro lugares vivem, esperam ou supõem viver. Nada pode ser considerado com certeza num "lado de fora" material. Nada pode verdadeiramente ser, ou permanecer por muito tempo, indiferente a qualquer outra coisa: intocado e intocável. O bem-estar de um lugar, qualquer que seja, nunca é inocente em relação à miséria de outro. No resumo de Milan Kundera, essa "unidade da espécie humana", trazida à tona pela globalização, significa essencialmente que "não existe nenhum lugar para onde se possa escapar". (BAUMAN: 2007- p.12) Julgo que essas indagações são extremamente pertinentes ao nossoobjeto de estudo, pois com certeza se não houver uma mudança de paradigmapara romper com a obsolescência planejada ou perceptiva, as gerações futurasnão terão como escapar do colapso social e ambiental. Por conseguinte, é sempre bom lembrar que, conforme as palavras deNAPOLITANO que: “(...) é muito importante perceber as estratégias de informação, sensacionalismo, (...) e glamorização em torno de “produtos” diversos (ídolos musicais, sabonetes, carros, bebidas, empresas), imprimindo-lhes um sistema de valores morais, ideológicos, sociais e culturais. Apesar de curtos, esses dois tipos de materiais televisuais condensam muitas problemáticas e linguagens complexas, canais diretos com valores sociais de segmentos específicos da sociedade ...”. (NAPOLITANO:2005 – p.280) Neste sentido, caberá ao pesquisador e ou professor – educador oumesmo pessoas interessadas de “Organizações não Governamentais ou mesmosegmentos do Poder Público” se apropriar dos discursos midiáticos e se colocarcomo o interlocutor para desconstruir as falácias e os arranjos maquiados pelosdonos das grandes corporações que vão e vem abalando os princípios éticos ehumanísticos na pós-modernidade, onde tudo que é liquido flutua no ar. Mas, independente da liquidez, fragilidade, efemeridade, fruição ou 25
  26. 26. flexibilidade que permeia a sociedade pós-moderna, é preciso pensar, re-pensar,criar, re-criar e reinventar formas e estratégias para a atuar neste contexto dedegradação da vida, que vem sendo demonstrado a mais de três décadas porvários pesquisadores e ONGs Por conseguinte, nos valemos das palavras de BOFF: “Se não cuidarmos do planeta como um todo, podemos submetê-lo a graves riscos de destruição de partes da biosfera e, no seu termo, inviabilizar a própria vida no planeta. Basta que (...) continue irresponsavelmente poluindo as águas, envenenando os solos, contaminando a atmosfera e agravando as injustiças sociais entre o Norte e o Sul para se provocar um quadro apocalíptico” (BOFF:2009 – p.12) Neste trecho, de seu livro, Ética da Vida, BOFF procura nos sensibilizarsobre a importância de mudar as formas de se apropriar dos recursos danatureza bem como outros autores, pois do contrário será prenúncio do fim, ocomeço da agonia, o que completa e vem de encontro com a reflexão deBAUMAN, que afirma categoricamente que o ser humano diante da desordemnão terá como escapar. Mesmo que estes questionamentos tenham sido há mais de um ano, taisquestionamentos e argumentos, continuam bem atuais, pois pouco foi feito deconcreto para pensar uma nova maneira de romper com este ciclo, pelo contrário,houve um aumento significativo desta cadeia que foi elencada pela cineasta emseu filme. Nesta linha de pensamento, sobre a exclusão, a filósofa Olgária Matos,nos mostra como essa massa de caminhante é tratada pelos donos das grandescorporações que dão as ordens e coordenam as ações em boa parte do comérciomundial, que alimenta e sugere o consumo para todos, mas nem todos podemfazê-lo. No entanto, deixam rastros de humilhação, por não poder consumir. “Encontra-se aqui o mal-estar contemporâneo que se expressa em um sentimento de monotonia ou “tédio crônico”, monotonia que conduz a um desinvestimento em valores. Tudo isso se passa em uma temporalidade 26
  27. 27. monótona, específica de uma sociedade organizada, também, de maneira específica - e que é uma desorganização da consciência social pelo sentimento de desvalorização de si e de humilhação: “a privação específica de si, a questão do sentimento mais do que o da consciência da humilhação, do não reconhecimento de si pelo outro, encontra-se no cerne 18 da humilhação nas sociedades contemporâneas” . Tanto mais humilhante é uma situação quanto mais cada um é chamado a consumir e quanto menos poderá fazê-lo. Desprezo dos dominantes, por um lado, humilhação dos excluídos do luxo e da abundância, de outro, resultam em apatia e hiperatividade - ambos os sintomas de excessos - de frustração, de possibilidade de consumir efetivamente o que o que quer que seja. Esse tempo patológico é preenchido por esportes radicais, obesidade mórbida, anorexia, bulimia, terrorismos e guerras contemporâneos. Esta agitação permanente é a expressão do empobrecimento psíquico e da perda de qualquer sentido da vida - de onde a “desvalorização de todos os valores”. A contemporaneidade é a do “crepúsculo do dever”, pois requer tão somente uma “ética indolor” à qual corresponde ausência de normatividade na vida pública, a descrença nas instituições, na aplicabilidade e na eficácia das leis”.(MATOS:2008) O que MATOS nos mostra é uma análise clara e objetiva sobre asartimanhas das grandes corporações que estão atuando praticamente em boaparte da sociedade mundial, por conta da globalização econômica que vai seapropriando de recursos, expulsandos os moradores de suas comunidades. O lamentável são as contradições, expulsa e transforma em andarilhoserrantes, fazem promessas hilariantes, induzem ao consumo, mas nem todos tême não podem para participar desta “Santa Ceia do Consumo”. Resultado:humilhação, desprezo, alguns resistem e não entram em depressão, já outrosficam totalmente apáticos a tudo e a todas as coisas. É a descrença nasinstituições. A “mídia” e a “tic” vão bombardeando, as massas ao consumo de tudo etodas as coisas, desde bebidas até celulares ultramodernos, mas depois de seismeses são obsoletos, pois já tem um melhor esperando por você na vitrine, isto éum jogo de sedução. As pessoas não podem comprar tudo, então veem à 27
  28. 28. descrença em tudo e em todos. E , nesse jogo de sedução, as pessoas deixamser contaminadas pelos vírus do consumismo exagerado e esquecem de pensarna amplitude da questão e se realmente aquele produto é necessário, já que ascampanhas publicitárias vão gerando a necessidade de comprar coisas que nãose precisa. Mas, retomando o pensamento de BOFF, veremos que caminhos sãoindicados em relação a temática muito bem estruturada no filme pela cineastanorte americana: “1. Cuidado com o nosso único planeta Cuidado todo especial merece nosso planeta Terra. (...), pois, o assalto predador do processo industrialista dos últimos séculos esse equilíbrio está prestes a romper-se em cadeia. (...) Parca é a consciência que pesa sobre o nosso belo planeta. Os que poderiam conscientizar a humanidade desfrutam gaiamente a viagem em seu Titanic de ilusões. Mal sabem que podemos ir ao encontro de um iceberg ecológico que nos fará afundar celeremente.(...)” “3. Cuidado com a sociedade sustentável Atualmente quase todas as sociedades estão enfermas. Produzem má qualidade de vida para todos, seres humanos e demais seres da natureza. E não poderia ser diferente, pois estio assentadas sob modo de ser do trabalho entendido como dominação e exploração da natureza e da força do trabalhador.(...) Não se trata somente de impor “Limites ao Crescimento” (título da primeira solução apresentada em 1972 pelo Clube de Roma) mas de mudar o tipo de desenvolvimento. Diz-se que o novo desenvolvimento deve ser sustentável. Ora, não existe desenvolvimento em si, mas uma sociedade que opta pelo desenvolvimento que quer e que precisa. Dever-se-ia falar de sociedade sustentável ou de um planeta sustentável como pré- condições indispensáveis para um desenvolvimento verdadeiramente integral. Sustentável é a sociedade ou o planeta que produz o suficiente para si e para os seres dos ecossistemas onde ela se situa; que toma da natureza somente o que ela pode repor; que mostra um sentido de solidariedade generacional, ao preservar para as sociedades futuras os recursos naturais de que elas precisarão. Na prática a sociedade deve mostrar-se capaz de assumir novos hábitos e de projetar tipo de desenvolvimento que cultive o cuidado com os equilíbrios ecológicos e funcione dentro dos limites impostos pela natureza. Não significa voltar ao passado, mas oferecer um novo enfoque para o futuro comum. Não se trata simplesmente de não consumir, mas de consumir responsavelmente. 5. Cuidado com os pobres, oprimidos e excluídos Um dos maiores desafios lançados à política orientada pela ética e ao modo-de-se-cuidado é indubitavelmente o dos milhões e milhões de pobres, oprimidos e excluídos de nossa sociedade. Esse antifenômeno resulta de formas altamente injustas da organização social hoje mundialmente integrada. 28
  29. 29. Com efeito, graças aos avanços tecnológicos, nas últimas décadas verificou-se um crescimento fantástico na produção de serviços e bens materiais, entretanto, desumanamente distribuídos, fazendo com que 2/3 da humanidade viva em grande pobreza. Nada agride mais o modo-de- ser-cuidado do que a crueldade para com os próprios semelhante. Como tratar esses condenados e ofendidos da Terra? A resposta a esta pergunta divide, de cima a baixo, (...) Cresce mais e na convicção de que as estratégias meramente assistencialistas e paternalistas não resolvem como nunca resolveram os problemas pobres e dos excluídos. Antes, perpetua-os, pois os mantêm na condição de dependentes e de esmoleres, humilhando-os pelo reconhecimento de sua força de transformação da sociedade. (BOFF:1999.) Como podemos perceber BOFF:1999., é ainda mais direto e nos convidaa cuidar mais de perto do nosso belo planeta, com paixão e entusiasmo bemcomo de usar os recursos da natureza com mais responsabilidade eprincipalmente nos convida a cuidar da massa de caminhantes excluídos dosistema e da regra imposta pelas grandes corporações. Enfim, BOFF, nos mostra caminhos relevantes que devem seranalisados, tais como cuidar ternamente do nosso planeta, das nossas águas, donosso solo, de usar com responsabilidade nossos recursos, alinhando sobretudoe principalmente com a questão da sustentabilidade como um ético. Diante deste contexto e de toda a explanação teórica sobre estatemática, o que se pode fazer? A globalização econômica é real, a exclusão é umdado real e concreto, queria não afirmar, mas senão afirmar estarei entre aquelesque concordam com as injustiças, a opressão e demais adjetivos perversoscriados pela globalização econômica. Dessa forma, vejamos o que nos tem a dizer SARAMAGO, sobre estabrutal realidade: “(...)se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização econômica...”.(SARAMAGO:2002) 29
  30. 30. Faço das palavras de Saramago as minhas, pois não dá para ficar debraços cruzados, o que está em questão: é a vitória ou derrota da vida em todosos aspectos, isto é, uma paixão humanizadora e descomunal com a nossa mãeterra, com a massa de caminhantes, que estão sendo privados de direitosbásicos, nós todos sabemos, só sabemos e nada mais. E, como deve ser a nossa intervenção, o próprio SARAMAGO, indica ocaminho, o seu caminho, o nosso caminho de pessoas que tivemos e estamostendo a ainda a oportunidade de frequentar um seleto grupo de pessoas bemconscientes e portadores de conhecimentos que vão além do senso comum, umconhecimento mais elaborado que não se deixa ser levado por babadosdominicais ou mesmo de programas enlatados que nos transforma em “objeto” demanipulação, mas que infelizmente nos deparamos muito no cotidiano do nossotrabalho. Contudo, não podemos radicalizar afirmando que as pessoas podemficar alienadas assistindo alguns programas dominicais ou então alguns enlatadosque nos moldam de acordo com esta ou com aquela ideologia. A questãoprincipal são as escolhas. As escolhas feitas podem determinar mais qualidade devida ou não. Entre assistir programas que defende a vida plena ou ficar perdendotempo com programas pouco educativos, fico com a primeira opção. Enfim, omelhor é fazer sempre as escolhas certas. Mas, então, o que SARAMAGO sugere: “Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder econômico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos 30
  31. 31. juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo”.(SARAMAGO:2002) É, novidade? Não! Mas que alternativa temos? Socialismo? Umaterceira via? Qual? Bom, particularmente, considero um encaminhamentoinstigante a proposta de SARAMAGO, que coloca como premissa maior umrepensar mais significativo do ser e do viver do ser humano numa sociedadedemocrática. Enfim, considero instigante pensar uma sociedade democrática,onde os discursos deixam de ser palavras mortas, mas que sejam carregadas deações concretas pelo fim da exclusão social e do uso irresponsável dos recursosda natureza. As pessoas no mundo estão indignadas com tantas falcatruas ecorrupção. É uma realidade, grande parte da população mundial, estão afirmando:“os governos não estão representando os interesses das pessoas”. É preciso pensar novas estratégias sociais de combate as injustiçassociais, como afirma Zygmunt Bauman: “Precisamos urgentemente de novos conceitos, para acomodar e organizar nossas experiências de uma forma que permita perceber sua lógica e ler as mensagens escondidas”. (BAUMAN:2010,p.80) Procurando alinhar com as necessidades de pensar novas possibilidadesde ações políticas que possam garantir mais inclusão social se faz necessáriobuscar uma nova cultura política, fora dos moldes vivenciados em todassociedades. Então, é necessário aprofundar com mais ética o conceito dedemocracia na atualidade. Como fazer? Mobilizando, engajando-se emmovimentos sociais e ambientais, nos sindicatos, associações de moradores, nascooperativas, enfim, em todos os segmentos sociais, e principalmente nasescolas, todas as escolas precisam ir além do seu muro, tornar “a escola na vidae a vida na escola”. Mas, quando afirmamos da importância de ter uma escola na vida e avida na escola, não é na concepção defendida pelas grandes corporações, comoé apresentado por Moacir Gadotti: “(...) O neoliberalismo concebe a educação como uma mercadoria, reduzindo nossas identidades a meros consumidores...” (GADOTTI: 2009, p.27.) 31
  32. 32. Mas, uma escola , onde professores e gestores priorizam uma formaçãopara a vida, longe obviamente dos moldes neoliberais, mas perto, bem perto, deuma educação humanista e democrática. Onde tudo que é ensinado sejacarregado de significado. É inaceitável uma educação que prioriza uma formaçãode meros consumidores, pelo contrário, precisamos pensar uma educação quefaça abordagens humanistas e que possa qualificar as pessoas no sentido criticoe analítico. Existem muitas pessoas dispostas para fazer do nosso mundo umlugar melhor para se viver, mais justo, e com mais dignidade. Mas, por que antes de refletir sobre a democracia falamos de educação?Porque somente pessoas bem conscientes, dotadas de saberes e conhecedorasde uma quantidade imensa de conceitos e palavras terão mais condições departicipar do processo de discussão e reflexão sobre essa nova maneira depensar a democracia, pois se trata de uma democracia planetária. De uma coisa todos temos certeza, precisamos ter esperança e sonhos. Éfácil promover um debate sobre o conceito de Democracia? Não...! Mas, o que éfácil na vida marcada com ética e justiça? Nada...! Então, todo começo, começa,começando, assim como jogo de futebol começa como o apito do juiz. Em primeiro lugar vejamos o que Paulo Freire nos deixou escrito sobre oregime democrático: “precisamos de uma democracia onde o Estado deixa de assumir posições silenciosas ou autoritárias, passe a respeitar realmente a liberdade dos cidadãos e dar condições para que os cidadãos possam democraticamente enquanto responsável pelo desenvolvimento econômico seja também capaz de promover a solidariedade social e a justiça com dignidade” (FREIRE:2000 – Grifo Nosso) Para tanto, faço-me das palavras de FREIRE, Paulo, as minhas quandorenunciou os princípios da democracia liberal, pois tais princípios com certezafogem dos moldes da alegria do aprender a ser mais. 32
  33. 33. Nessa linha de pensamento que abraço, o sonho e a esperançaprecisam acontecer e fazer parte ação humana em toda a sua dimensão. Mas,sonho regado com luta e crença na capacidade dos homens, mas homens de boavontade. Tal afirmação vem de encontro com afirmação que foi escrita pelosociólogo polonês: “...Existe, porém, uma terceira atitude possível: a esperança, da confiança na capacidade que o ser humano tem de ser sensato e digno. Acredito que o mundo que habitamos pode ser melhor que hoje e podemos fazer com que ele seja mais “amigável”, mais hospitaleiro, para a dignidade humana...”.(BAUMAN: 2010, p.81) Pensamento de Bauman que pode ser comparado com a linha depensamento de Paulo Freire que afirma: “O futuro não nos faz. Nós é que nos refazemos na luta para fazê- lo”. (FREIRE: 2000, p.27) Enfim, o homem se quiser pode transforma a humanidade e agir em proda ética e da cidadania, afinal ele faz a história e a história de inclusão somentepoderá acontecer se houver um querer, um agir e um movimento “para” e “com” ooutro, com a intenção clara de tirar os andarilhos da estrada sem rumo. Nessa mesma perspectiva de mudança e consciência temos um trechoselecionando da obra de Moacir que nos mostra: “Não se pode mudar o mundo sem mudar as pessoas: mudar o mundo e mudar as pessoas são processos interligados.Mudar o mundo depende de todos nós: é preciso que cada um tome consciência e se organize em coletivos, redes e multidões. Educar para outros mundos possíveis é educar para superar a lógica desumanizadora do capital que tem no individualismo e no lucro seus fundamentos, é educar para transformar radicalmente o modelo econômico e político atual.Educar para outros mundos possíveis exige dos educadores um compromisso pela desmercantilização da educação e uma postura ecopedagógica de escuta do universo (...),considerando a todos e a todas como cidadãos e cidadãs da mesma Mátria.(GADOTTI: 2004. p.31e32) 33
  34. 34. Penso ser de grande relevância que a proposição de mudança tem comoponto de partida, o sair do singular para chegar no plural no contexto político,social e humano com a intenção clara de romper com os ideais das grandescorporações, que vem estimulando numa velocidade imensa o consumismopatético de bens e produtos, as vezes produtos supérfluos e que estão em plenofuncionamento. Nesse sentido, podemos dizer que o resultados serãosignificativos, contudo, retomo a ideia da importância das pessoas receber umaexcelente formação escolar, mas uma formação fora dos moldes da democracialiberal.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Bom, antes de qualquer coisa, acredito que as indagações sobrepostasaté o momento nos deram inúmeras possibilidades de reflexão. Mas, todos nóssabemos que tudo que falamos e escrevemos, sempre nos sensibiliza e sempresensibiliza os outros. Uma questão crucial que deve fazer parte da nossa vida éver “o ser humano”, na sua condição de pessoa, de ser gente, de olhar para ooutro não com indiferença, mas com alteridade, no sentido de colocar-se no lugardo outro numa relação interpessoal, tentando imaginar o que o outro sentequando é excluído e colocado como um andarilho sem rumo conforme osrequisitos da globalização. Imaginar na pele e no coração, o que outro sente,dialogar com o outro, quando o outro é banido da convivência social e humana eprincipalmente se fazendo amigo, partilhando o pão alimento e o pão da alegriacom ternura no jardim da cidadania e da solidariedade. Uma alegria que envolvecumplicidade por um mundo melhor, que levará certamente o ser humano aconsciência do dever cumprido e da responsabilidade partilhada. Mas, o que tudo isso tem a ver com a nossa reflexão? Nada e Tudo.Nada, se ficarmos reproduzindo o besterol que foi e vem sendo criado porgatunos e espertalhões de vem tirando proveito dos privilégios da globalizaçãoeconômica. Tudo, se começarmos a pensar uma outra realidade, que sejapautada pela ética, pela solidariedade ativa, pela construção e vivência dacidadania, no dizer de BOFF: 34
  35. 35. “(...)conceder a cidadania à nossa capacidade de sentir o outro, de ter compaixão com todos os seres que sofrem, humanos e não humanos, de obedecer mais à lógica do coração, da cordialidade e da gentileza do que à lógica da conquista e do uso utilitário das coisas...” (BOFF:1999) O ser humano somente poderá conseguir realizar melhor as coisas ecom uma amplitude maior quando nas relações sociais, agir na medida e na justaproporção de deixar de lado, tudo aquilo, que fere, que exclui e brutaliza o outropara agir numa interação entre coração e razão, mas sem jamais querercomover ou tirar proveito pessoal. Neste aspecto ao colocar essa interação, entre razão e coração, ainvisibilidade torna-se mais nítida aos nossos olhos, a invisibilidade do que estápor trás das intenções e proposições das grandes corporações que controlam ocomércio mundial. Por conseguinte, este filme é uma celebração para aconscientização em oposição ao consumismo exagerado e irresponsável, que nãocanalisa energias para um fazer mais ético e pautado na cidadania. No decorrer desta nossa reflexão procuramos mostrar como são asestratégias de produção de bens e mercadorias bem como procuramos relacionartais mercadorias e bens com os mecanismos de divulgação na sociedade,principalmente com a consolidação da indústria cultural e com a chegada da tic =tecnologia de informação e comunicação. Isso é o enredo do filme, pois o filmecriar um grande impacto para as pessoas se plasmar e a partir desses caminhosabrir possibilidades para reinventar níveis elevados de conscientização. Nesta perspectiva, a ideia do belo, de viver como celebridades econquistar o sucesso é colocado como um movimento permanente, que estãovinculadas diretamente com os ideais de consumo. Com isso, repete uma velhaforma do capitalismo: a geração de riqueza e acumulo de capital nas mãos deuma minoria em detrimento da exploração da maioria, que estão indo cada vezmais para o submundo dos “sem nada”. Isso nos incomoda. 35
  36. 36. Como já foi transcrito este filme mostra como as grandes corporações,numa relação de interação e aliança - empresários, produtores de mercadoria ebens de consumo - e de ideias, se unem para que tudo seja vendido e ambostenham lucros e mais lucros. Enfim, como registra NAPOLITANO “este filme em questão traduz uma realidade preocupante com o futuro da vida, mostrando fatos no presente mas resgatando elementos no passado, já que o presente é o resultado de um passado recente. Como afirma, Eduardo Moretin, ao dizer que: o filme é um resgate do passado e um testemunho do presente, mas ao mesmo tempo é um prenúncio do futuro.” (NAPOLITAN:2005 - p.243, 244- Grifo Nosso) No que tange ao prenúncio do futuro, a cineasta é bem contundentequando apresenta as consequências drásticas em relação à obsolescênciaplanejada pelas grandes corporações que induzem a permanentedescartabilidade. Enfim, ela mostra como é nova face do capitalismo nasociedade pós-moderna e como o sistema linear de produção vem prejudicando onosso planeta. Finalmente, o que devo deixar registrando como considerações finais?Mais uma vez quero voltar no texto do SARAMAGO que afirma categoricamente: “Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor” (SARAMAGO:2002) O que tem de ser escrito, já está mais do que escrito, ditado e re-editado,cabe a nossa ação para encontrar alternativas e estratégias que sejam eficazesdiante de todo este contexto dramático apresentado no filme e amplamenterefletido, especialmente nos textos de BAUMAN, HALL, NAPOLITANO, MATOS,SARAMAGO, BOFF, BRUNE, BETTO E LEAL. 36
  37. 37. Assim, neste exato momento que acabo de escrever “TCC” até o dia daapresentação do mesmo, infelizmente, teremos um aumento significativo deandarilhos sem rumo, sem pátria, pedindo uma pequena oportunidade de catar osrestos, as migalhas da “Santa Ceia dos Ricos” , proprietários das grandescorporações, onde nenhum quer lavar o pé do outro. No entanto temos algumaspessoas, algumas empresas , diversas ongs, diversas comunidades religiosas einúmeros educadores querendo quebrar os elos da corrente da globalizaçãoeconômica. Meus respeitos. Para finalizar, parafraseando SARAMAGO, quero pedir um instante desilêncio: Um andarilho está fazendo inúmeros malabarismos e acrobacias parater nem seja apenas um dia de reconhecimento e valorização pela pessoa que é,hei é só um dia, e esse mesmo andarilho está nos chamando para juntosdesenterrar, tirar toda a terra, o óculos escuro, a venda que está escondendo a“justiça”. Ele não é nenhuma celebridade, é apenas um querendo ser visto comogente, como pessoa e como cidadão. A ele e tantos outros que sabemos que estão nesta situação, o nossosilêncio e a certeza que nada será em vão. Ele não está sozinho, tem muita gentequerendo inverter a lógica da exclusão, pois é preciso urgentemente resgatarvalores humanos significativos, como o que foi afirmado por BAUMAN,:“(...) omais precioso dos valores humanos, (...) é uma vida de dignidade, não asobrevivência a qualquer custo”.³ Então, que juntos possamos pensar em construir um mundo como sendoum lugar melhor para se viver, mais justo, com fraternura, na solidariedade sociale planetária._________________________________________________________________3. BAUMAN. Zygmunt. Capitalismo parasitário. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. p.44. 37
  38. 38. BIBLIOGRAFIA.ARAUJO Renato. Obsolescência Planejada. Disponível in<http://www.artigonal.com/meio-ambiente-artigos/obsolescencia-planejada-1692566.html>Acesso em 02/11/2011BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: sobre fragilidade dos laços humanos. Rio deJaneiro: Zahar , 2004.________________. Globalização: As conseqüências humanas. Rio deJaneiro:Zahar,1999.________________. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.________________. Vida para consumo: A transformação das pessoas emmercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.________________. Capitalismo parasitário. Rio de Janeiro: Zahar: 2010.BERARDI, Franco. Transformar a guerra globalista em seção ativa da inteligência.In: Lugar Comum – Estudo de Mídia, Cultura e Democracia n° 15 -16, setembro2001 – abril 2002. 9.98 Disponível in:<http://www.universidadenomade.org.br/userfiles/file/Lugar%20Comum/25-26/Consertos/6.pdf> Acesso em 25/09/2011BETTO, Frei. “Os Mandamentos do Consumismo”. Disponível in:<http://www.dominicanos.org.br/textos/artigos/fbetto/consumo.htm> Acesso em25/09/2011.BOFF, Leonardo. Cuidar da Terra. Disponível in:<http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/boff/boffeticahumano.html#3> Acessoem 25/09/2011._____________. Ética da Vida: A nova centralidade. Rio de Janeiro: Ed.Record,2009.BRUNE, François. A Era da passividade. Le Monde Diplomatique, 01/04/2000.Disponível in: <http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=62&tipo=acervo>Acesso em 30/09/2011FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação – Cartas Pedagógicas e outrosescritos. Editora Unesp: SP:2000. Disponível in:<http://www.mda.gov.br/portal/saf/arquivos/view/ater/livros/Pedagogia_da_Indigna%C3%A7%C3%A3o.pdf> Acesso em 02/11/2011. 38
  39. 39. ____________.Pedagogia do Oprimido. 17ª Ed. Rio de Janeiro:Paz e Terra, 1987.GADOTTI, Moacir. Fórum Mundial de Educação: pro-posições para um outromundo possível /Moacir Gadotti. — São Paulo: Editora e Livraria Instituto PauloFreire, 2009. — Disponível in:<http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000162/EdL_Forum_Mundial_de_Educacao_Moacir_Gadotti.pdf> Acesso em 03/11/2011.HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade.11ª Ed. Rio de Janeiro:DP&A,2006.LEAL FILHO, Laurindo Lalo. O poder da TV. Carta Maior, 24/11/2008. Disponívelin: <http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4037>Acesso em 30/09/2011LEONARD, Annie. História das Coisas:2006. Disponível in:<http://video.google.com/videoplay?docid=-7568664880564855303#> Acesso em25/09/2011.MATOS, Olgária. O mal-estar na contemporaneidade: performance e tempo.10/092008. Disponível in:<http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=38&id=459> Acessoem 29/09/2011.NAPOLITANO, Marcos. A História depois do papel. Disponível in:<http://ggte.unicamp.br/redefor1/cursos/diretorio/apoio_282_394//NAPOLITANO_A_Historia_depois_do_papel.pdf?1317471922> Acesso em 25/09/2011RAMOS, Juliano. Obsolescência Planejada e Perceptiva. Disponível in:<http://julianoramos.wordpress.com/2009/08/14/a-obsolescencia-planejada-e-perseptiva/> Acesso em 02/11/2011SARAMAGO, José. Este mundo da injustiça globalizada, 18/03/2002. Disponívelin:<http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2913> Acesso em 25/09/2011.SENNENT, Richard. A Corrosão do Caráter. 14ª Ed. Rio de Janeiro: Record,2009.SUZUKI, S. A Criança que calou o mundo. ECO , Representante de umaorganização das crianças em defesa do meio ambiente – Canadá. Disponível in:<http://www.youtube.com/watch?v=OlvKFaROXOk> Acesso em 25/09/2011ZEPTER, Denise e GAVI, Fábio. Breve Relato do filme História das Coisas.Disponível in: <http://sununga.com.br/HDC/> Acesso em 12/10/2011. 39
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