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Governador
Rodrigo Garcia
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Nelson Baeta Neves Filho
Secretário-Adjunto
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Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap
Geraldo Biasoto Jr.
Diretor Executivo
Lais Cristina da Costa Manso Nab...
Caro(a) estudante,
É com grande satisfação que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia, em parceri...
Sumário
Geografia............................................................................................................
História
Caro(a) estudante,
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ção e desen...
Na primeira parte da Unidade, será apresentada a 1a
Guerra Mun-
dial (1914-1918). Na sequência, será analisada a Revolução...
expansionista e as competições econômicas que haviam caracterizado
o fim do século XIX se acentuavam. Somando-se a isso, a...
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Depois de 1917, os Estados Unidos, que até então só participavam
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O desenlace da 1a
Guerra Mundial precipitou a queda de diver-
sos impérios. Além do Império Alemão, caíram também os impé-...
Atividade 2	 	 O porquê das guerras
1.	 Você conheceu até agora os vários motivos que levaram à 1a
Guerra
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Geralmente, quando falam em Revolução Russa, as pessoas se
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O que era a Rússia no começo do século XX?
O imenso território russo situa-se em dois continentes: o europeu
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Mas essa liberdade durou pouco. Retomando o controle da situação,
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Enquanto o Governo Provisório, comandado por políticos con-
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A Rússia revolucionária
Os revolucionários russos que assumiram o poder em outubro de
1917, liderados por Lênin, defendiam...
•	 a estatização dos bancos e das fábricas, incluindo empresas es-
trangeiras;
•	 o controle direto das fábricas pelos ope...
Assim, os bolcheviques não tiveram uma trégua. Antes mesmo de que
se encerrasse a 1a
Guerra Mundial, a revolução precisara...
Conforme visto nos Cadernos anteriores, o Estado constituiu-se com base na con-
centração do poder político nas mãos de um...
Você estudou
As causas da 1a
Guerra Mundial (1914-1918) estão vinculadas à concorrência entre
as nações no contexto da exp...
Hegemonia
Segundo o filósofo
e cientista político
Antonio Gramsci,
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entendida como o
controle e a direçã...
A Europa depois da 1a
Guerra Mundial
O final da 1a
Guerra Mundial não trouxe a paz para a Europa.
Embora tenha havido muda...
Apesar dessas importantes mudanças na Europa, as novas nacio-
nalidades não triunfaram em todos os casos: o princípio de a...
Atividade 1	 	 Crise capitalista hoje e ontem
A Crise de 1929, que começou nos Estados Unidos, foi uma crise
financeira de...
Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, pessoas correram aos bancos para tentar resgatar suas aplicações.
Atividade 2	 	 Tay...
Da crise econômica para a crise social
Os Estados Unidos eram os maiores exportadores do mundo, res-
ponsáveis por mais de...
foi a de reativar a economia por meio da iniciativa do Estado. Rea-
lizaram-se, dessa forma, inúmeras obras públicas, visa...
Atividade 3	 	 O poder da coletividade
1.	 Em pequenos grupos, discuta com seus colegas as seguintes questões:
a)	 Quais g...
contrário ao das organizações convencionais de trabalhadores. Em
outras palavras, Mussolini parece ter aprendido que o mov...
Terceiro Reich
Em alemão, significa
“Terceiro Império”.
Foi com esse nome
que ficou conhecido o
regime nazista liderado
po...
Ainda no mesmo ano, os nazistas culparam os comunistas por um
incêndio no Parlamento (Reichstag) que eles mesmos haviam pr...
Mas, se o regime nazista reprimiu os trabalhadores alemães, por que
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Você estudou
A Unidade enfocou alguns processos históricos ocorridos en-
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  1. 1. 8o ANO 3o TERMO
  2. 2. Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Geografia, História e Trabalho: 8o ano/ 3o termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), 2013. il. (EJA – Mundo do Trabalho) Conteúdo: Caderno do Estudante. ISBN: 978-85-65278-61-4 (Impresso) 978-85-65278-62-1 (Digital) 1. Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Ensino Fundamental 2. Geografia – Estudo e ensino 3. História – Estudo e ensino 4. Trabalho – Estudo e ensino I. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia II. Título III. Série. CDD: 372 FICHA CATALOGRÁFICA Sandra Aparecida Miquelin – CRB-8 / 6090 Tatiane Silva Massucato Arias – CRB-8 / 7262 A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei no 9.610/98. *Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas neste material que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais. Nos Cadernos do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho são indicados sites para o aprofundamento de conhecimentos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados e como referências bibliográficas. Todos esses endereços eletrônicos foram verificados. No entanto, como a internet é um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia não garante que os sites indicados permaneçam acessíveis ou inalterados, após a data de consulta impressa neste material.
  3. 3. Geraldo Alckmin Governador Rodrigo Garcia Secretário Nelson Baeta Neves Filho Secretário-Adjunto Maria Cristina Lopes Victorino Chefe de Gabinete Ernesto Masselani Neto Coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante SECRETARIA DA EDUCAÇÃO Herman Voorwald Secretário João Cardoso Palma Filho Secretário-Adjunto Fernando Padula Novaes Chefe de Gabinete Maria Elizabete da Costa Coordenadora de Gestão da Educação Básica
  4. 4. Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap Geraldo Biasoto Jr. Diretor Executivo Lais Cristina da Costa Manso Nabuco de Araújo Superintendente de Relações Institucionais e Projetos Especiais Coordenação Executiva do Projeto José Lucas Cordeiro Coordenação Técnica Impressos: Selma Venco Vídeos: Cristiane Ballerini Equipe técnica e pedagógica Ana Paula Lavos, Clélia La Laina, Dilma Fabri Marão Pichoneri, Emily Hozokawa Dias, Fernando Manzieri Heder, Lais Schalch, Liliana Rolfsen Petrilli Segnini, Maria Helena de Castro Lima, Paula Marcia Ciacco da Silva Dias, Silvia Andrade da Silva Telles e Walkiria Rigolon Autores Arte: Eloise Guazzelli e Gisa Picosque. Ciências: Gustavo Isaac Killner. Geografia: Mait Bertollo. História: Fábio Luis Barbosa dos Santos. Inglês: Eduardo Portela. Língua Portuguesa: Claudio Bazzoni. Matemática: Antonio José Lopes. Trabalho: Maria Helena de Castro Lima e Selma Venco. Fundação Carlos Alberto Vanzolini Antonio Rafael Namur Muscat Presidente da Diretoria Executiva Hugo Tsugunobu Yoshida Yoshizaki Vice-presidente da Diretoria Executiva Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação Direção da Área Guilherme Ary Plonski Coordenação Executiva do Projeto Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Gestão do Portal Luiz Carlos Gonçalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogério de Oliveira Gestão de Comunicação Ane do Valle Gestão Editorial Denise Blanes Equipe de Produção Assessoria pedagógica: Ghisleine Trigo Silveira Editorial: Adriana Ayami Takimoto, Airton Dantas de Araújo, Beatriz Chaves, Camila De Pieri Fernandes, Carla Fernanda Nascimento, Célia Maria Cassis, Cláudia Letícia Vendrame Santos, Gisele Gonçalves, Hugo Otávio Cruz Reis, Lívia Andersen França, Lucas Puntel Carrasco, Mainã Greeb Vicente, Patrícia Maciel Bomfim, Patrícia Pinheiro de Sant’Ana, Paulo Mendes e Tatiana Pavanelli Valsi Direitos autorais e iconografia: Aparecido Francisco, Beatriz Blay, Olívia Vieira da Silva Villa de Lima, Priscila Garofalo, Rita De Luca e Roberto Polacov Apoio à produção: Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valéria Aranha e Vanessa Leite Rios Projeto gráfico-editorial: R2 Editorial e Michelangelo Russo (Capa) CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Coordenação Geral do Projeto Juan Carlos Dans Sanchez Equipe Técnica Cibele Rodrigues Silva e João Mota Jr. Concepção do programa e elaboração de conteúdos Gestão do processo de produção editorial
  5. 5. Caro(a) estudante, É com grande satisfação que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, apresenta os Cadernos do Estudante do Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho, em atendimento a uma justa rei- vindicação dos educadores e da sociedade. A proposta é oferecer um material pedagógico de fácil compreensão, para complementar suas atuais necessidades de conhecimento. Sabemos quanto é difícil para quem trabalha ou procura um emprego se dedi- car aos estudos, principalmente quando se retorna à escola após algum tempo. O Programa nasceu da constatação de que os estudantes jovens e adultos têm experiências pessoais que devem ser consideradas no processo de aprendi- zagem em sala de aula. Trata-se de um conjunto de experiências, conhecimen- tos e convicções que se formou ao longo da vida. Dessa forma, procuramos respeitar a trajetória daqueles que apostaram na educação como o caminho para a conquista de um futuro melhor. Nos Cadernos e vídeos que fazem parte do seu material de estudo, você perceberá a nossa preocupação em estabelecer um diálogo com o universo do trabalho. Além disso, foi acrescentada ao currículo a disciplina Trabalho para tratar de questões relacionadas a esse tema. Nessa disciplina, você terá acesso a conteúdos que poderão auxiliá-lo na procura do primeiro ou de um novo emprego. Vai aprender a elaborar o seu currículo observando as diversas formas de seleção utilizadas pelas empresas. Compreenderá também os aspectos mais gerais do mundo do trabalho, como as causas do desemprego, os direitos trabalhistas e os dados relativos ao mercado de trabalho na região em que vive. Além disso, você conhecerá algumas estra- tégias que poderão ajudá-lo a abrir um negócio próprio, entre outros assuntos. Esperamos que neste Programa você conclua o Ensino Fundamental e, pos- teriormente, continue estudando e buscando conhecimentos importantes para seu desenvolvimento e para sua participação na sociedade. Afinal, o conheci- mento é o bem mais valioso que adquirimos na vida e o único que se acumula por toda a nossa existência. Bons estudos! Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Secretaria da Educação
  6. 6. Sumário Geografia..........................................................................................................................7 Unidade 1 Capitalismo e espaço geográfico: antecedentes do mundo em que vivemos 9 Unidade 2 As transformações do espaço geográfico mundial pós-2a Guerra 27 Unidade 3 A globalização e seus efeitos 41 Unidade 4 A América Latina e a globalização 59 História............................................................................................................................ 73 Unidade 1 O início do século XX: a 1a Guerra Mundial e a Revolução Russa 75 Unidade 2 O período entreguerras 93 Unidade 3 2a Guerra Mundial e Guerra Fria 107 Unidade 4 Revolução e Contrarrevolução no mundo da Guerra Fria 127 Trabalho......................................................................................................................143 Unidade 1 Sobre os direitos de cidadania 145 Unidade 2 Direitos do trabalho 163 Unidade 3 Trabalho e saúde 177 Unidade 4 A saúde mental e o trabalho 189
  7. 7. História Caro(a) estudante, Este Caderno será dedicado ao século XX. Após ter estudado o feudalismo e a forma- ção e desenvolvimento do capitalismo até o século XIX, você vai entrar em contato com alguns temas da história contemporânea. Inicialmente, será discutida a 1a Guerra Mundial (1914-1918), assunto ligado ao impe- rialismo, último tema abordado no Caderno do 7o ano/2o termo. Em seguida, você estudará a Revolução Russa. Essa revolução política, econômica e social – que eclodiu no final da guerra – teve grande impacto no mundo todo, e não apenas no Ocidente. Você também verá que uma revolução resulta sempre de um processo que leva tempo para amadurecer. Ao final da 1a Guerra Mundial, outras conturbações emergiram no cenário mundial. A experiência russa, que pretendia instalar um Estado de operários e camponeses para construir o comunismo, despertou sentimentos contraditórios: inspirou trabalhadores que queriam seguir esse caminho, ao mesmo tempo que gerou pânico entre aqueles que defen- diam a ordem capitalista. Essa conjuntura ficou mais delicada com a crise econômica do capitalismo, precipitada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. Como uma resposta à crise, reforçou-se o papel do Estado nos países capitalistas, particularmente onde prevalecia a tradição liberal, como nos Estados Unidos e na Grã- -Bretanha. Em outros casos, foram instituídos regimes autoritários, como o fascismo ita- liano, liderado por Benito Mussolini, e o nazismo alemão, comandado por Adolf Hitler. Quando o nazismo começou a se expandir pela Europa, estourou a 2a Guerra Mun- dial. Esse conflito envolveu diversas motivações, algumas antigas, como a disputa imperia- lista, aliada a outras novas, como o anticomunismo. Terminado o confronto, os Estados Unidos emergiram como uma grande potência, pois a Europa estava fragilizada pelos esforços de guerra. Além do mais, eles desenvolveram a bomba atômica. A tecnologia nuclear, logo alcançada também pela União Soviética, fez com que as duas potências evitassem um confronto direto. Porém, o antagonismo entre o capitalismo e o socialismo soviético desencadeou o que ficou conhecido na história como Guerra Fria, influenciando as lutas sociais em vários países do mundo após o fim da 2a Guerra Mundial. Na Ásia e na África, diversas lutas pelo fim da dominação colonial direta dos países europeus se tornaram vitoriosas. Na América Latina, considerada pelos Estados Unidos uma área sob sua influência geo- política, a Guerra Fria acentuou-se após o triunfo da Revolução Cubana em 1959. Nos anos seguintes, golpes militares que instalaram ditaduras foram apoiados pelos Estados Unidos, sob a alegação de combate ao comunismo. Isso aconteceu no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai, apenas para citar alguns países, interrompendo inúmeros pro- cessos de mudança social que questionavam totalmente, ou em parte, o modelo capitalista e que se configuravam com base em um processo democrático e legal. Como você pode perceber por essa breve apresentação, o século XX, que será estu- dado neste Caderno, foi bastante intenso do ponto de vista social, político e econômico, e definiu o modo como vivemos e organizamos o mundo do trabalho hoje em dia. Bom estudo! 8o ANO 3o TERMO
  8. 8. Na primeira parte da Unidade, será apresentada a 1a Guerra Mun- dial (1914-1918). Na sequência, será analisada a Revolução Russa. Ao estudar a Grande Guerra, você verá que o desgaste gerado por um conflito que sacrificava milhões de camponeses e operários provocou comoções sociais em muitas partes. A mais radical delas foi na Rússia, onde ocorreu um fato inédito na história: a tomada do poder por trabalhadores, difundindo um clima de insegurança entre as classes dominantes no mundo todo. Na Alemanha, país que contava com o movimento operário mais avançado do continente, o temor de uma revolução social foi um dos fatores que precipitaram o final da guerra. Para compreender o signi- ficado desses movimentos, será analisado com maior detalhe o que aconteceu na Rússia. Para iniciar... Recorde o percurso do Caderno do 7o ano/2o termo: as primeiras Unidades concentraram-se na Europa, porque foi nesse continente que o capitalismo se formou. Ao abordar o imperialismo, a área geográfica de seu estudo começou a se ampliar, porque o alcance do próprio capitalismo se estendeu. Como consequência, quando os países que lideravam a expansão do capitalismo entraram em con- flito entre si, envolveram todos os continentes, ainda que o centro dos acontecimentos tenha sido a Europa. Foi o que ocorreu na 1a Guerra Mundial. • Você já tinha ouvido falar dessa guerra? O que sabe a respeito dela? Quando e onde ela aconteceu? • Quais foram os principais países envolvidos nesse conflito? • Quais eram os problemas econômicos e políticos da época? Antecedentes da guerra A Europa entrou no século XX com um equilíbrio de forças muito delicado entre os países. As disputas territoriais, a política Oinício do século XX:a 1a Guerra Mundial e a Revolução Russa 1 75
  9. 9. expansionista e as competições econômicas que haviam caracterizado o fim do século XIX se acentuavam. Somando-se a isso, as ideolo- gias nacionalistas contribuíam para acirrar os preconceitos étnicos em todo o continente. A raiz da tensão que fez eclodir a 1a Guerra Mundial está nesses interesses conflitantes entre as principais potências europeias, que dispu- tavam a dominação econômica e política de diferentes regiões, na Europa e em outros continentes. Por que essas tensões, que existiram por algumas décadas, explo- diram em 1914? No final do século XIX, o equilíbrio político-econômico europeu era mantido por meio de um elaborado jogo de alianças políticas. Seu principal articulador foi o chanceler alemão Otto von Bismarck (1815-1898), que tinha uma reputada habilidade em construir com- plicados arranjos diplomáticos. Esses acordos evitaram que a tensão estourasse, mas não diminuíram a “voltagem” da situação. É como se houvesse muitos fios de alta tensão embaralhados e qualquer um desencapado pudesse provocar um incêndio. Durante muitos anos, a diplomacia teve êxito em conter as ten- sões, mas não pôde diminuí-las. Ao contrário, cresciam na medida em que os interesses dos países europeus chocavam-se entre si em outros continentes, em razão das políticas imperialistas praticadas. Em suma, as disputas econômicas e políticas na Europa eram inflamadas pelo sentimento nacional, em um arranjo político de delicadas alianças diplomáticas. Tal tensão explodiu com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, em Sarajevo, em 1914. Seu algoz foi um nacionalista sérvio que protestava contra o domínio da Áustria-Hungria sobre suas províncias eslavas. Esse evento provocou o rompimento das frágeis relações diplo- máticas vigentes na Europa, e as nações, insufladas por sentimentos nacionalistas, entraram em conflito. Dessa maneira, o Império Austro- -Húngaro aproveitou o atentado contra o arquiduque Francisco Ferdinando e, dando vazão às suas pretensões de expansão imperia- lista, declarou guerra à Sérvia. A Rússia enviou tropas em defesa da Sérvia, motivada pela ideia da união dos povos eslavos. A Alemanha, aliada do Império Austro- -Húngaro, pôs-se ao seu lado. A França, motivada por conflitos 76 História – Unidade 1
  10. 10. territoriais com a Alemanha na Europa e em suas colônias na África, uniu-se aos russos e sérvios. Com a invasão alemã da Bélgica, usada como caminho para atacar a França, a Grã-Bretanha, que já tinha uma aliança com o país invadido, entrou na guerra para combater a Alema- nha, também motivada por conflitos com esse país em suas colônias na África e no Pacífico. Arquiduque Francisco Ferdinando momentos antes de ser assassinado. Atividade 1 Alianças para a 1a Guerra Mundial 1. Localize no mapa a seguir os países que participaram da 1a Guerra Mundial e suas alianças. ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. São Paulo: Ática, 2008, p. 27. Mantida a grafia original. ©TimeLifePictures/GettyImages História – Unidade 1 77
  11. 11. Preencha o quadro a seguir, indicando quais países estavam de cada lado: Tríplice Entente Tríplice Aliança 2. Agora, discuta com seus colegas o que motivou cada país envol- vido a entrar na guerra e a escolha por um dos lados do conflito. Registre as conclusões da turma. O conflito A 1a Guerra Mundial foi um conflito de escala sem precedentes na história. Embora outros confrontos durassem mais anos, nenhum envolveu tantas pessoas, direta ou indiretamente. Protagonizada por alguns dos países industriais mais avançados do mundo, a guerra mobilizou toda a estrutura econômica e social das nações que dela participavam. Isso significa que, até aquele momento, nunca se havia lutado com tantos recursos. E esses recursos apoiavam-se em um desenvolvimento tecnológico que ampliava o alcance e a escala da destruição. Estima-se que mais de 8,5 milhões de pessoas tenham morrido na guerra (cf. PBS, disponível em: <http://www.pbs.org/greatwar/ resources/casdeath_pop.html>. Acesso em: 12 nov. 2012.). Os principais países europeus alinharam-se em dois blocos rivais: de um lado, formou-se a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria 78 História – Unidade 1
  12. 12. e Itália); de outro, a Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França e Rússia). A dinâmica da guerra mostrou um equilíbrio entre o potencial bélico dos dois campos. Após anos de luta nas trincheiras, o entusiasmo nacionalista que motivara os primeiros combates foi se esvaziando. A guerra tornou-se impopular nos diferentes países, convertendo-se em muitos casos em um grave problema doméstico, em função das insatis- fações da população das nações envolvidas. Batalha de Route de Menin, na Bélgica, durante a 1a Guerra Mundial, em fotografia de 1917. Soldados britânicos formam as tropas dos “Condados do Norte“, que, em suas trincheiras, aguardavam a ordem para atacar. ©CollectionRoger-Viollet/GlowImages História – Unidade 1 79
  13. 13. Depois de 1917, os Estados Unidos, que até então só participavam do esforço econômico da guerra, apoiando principalmente os ingleses e os franceses, entraram no confronto aliando-se à Tríplice Entente. Foi uma mudança decisiva: a entrada de tropas novas, apoiadas por uma das maiores potências econômicas mundiais, desempatou a contenda. Por outro lado, em outubro de 1917, operários e camponeses tomaram o poder na Rússia, que também participava da guerra. O exemplo da Revolução Russa tornou-se um estímulo para muitos sol- dados e operários de outros países e, ao mesmo tempo, foi motivo de preocupação para diversos chefes de Estado aliados à classe burguesa dominante. A situação foi particularmente delicada na Alemanha, país que contava com a organização socialista mais forte da Europa no começo do século XX, e que estava em contato direto com os russos nas trincheiras. As pressões exercidas pelo movimento operário ale- mão, sob influência do que acontecia na Rússia, levaram setores da classe dominante na Alemanha a favorecer o término da guerra. No final de 1918, o exército alemão enfrentava crescentes dificuldades, assim como seus aliados, mas não estava completamente vencido. Por exemplo, havia tropas alemãs em território francês. Mas, além da situação militar desfavorável, havia o temor de um desfecho que, na visão das classes dominantes, seria pior do que a derrota nacio- nal: a revolução social. Com a queda do Império Alemão e a procla- mação da República, em novembro de 1918, chegou a seu término a 1a Guerra Mundial. O desfecho da guerra Do ponto de vista econômico, os Estados Unidos emergiram como a principal potência mundial. Abastecendo alguns dos mais importan- tes mercados europeus ao longo da guerra, o país crescera muito, sem sofrer com a destruição doméstica causada por uma guerra que não atingiu o seu território. A Europa, que havia sido o centro do capitalismo, passou da condição de credora à de devedora dos Estados Unidos. Essa situação foi reforçada pela necessidade de reconstrução do continente nos anos seguintes. A desmoralização política e militar do Império Russo facilitou o triunfo da revolução socialista naquele país. A formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que será trabalhada mais à frente neste Caderno, marcaria o século XX. Você sabia que a queda do Império Alemão e o estabelecimento da República na Alemanha foram impulsionados por uma revolução? Essa revolução foi organizada pelo Partido Social-Democrata Alemão, com o apoio dos comunistas e socialistas – já que ambos sempre atuaram na oposição ao regime imperial –, obrigando o imperador Guilherme II a ir para o exílio. 80 História – Unidade 1
  14. 14. O desenlace da 1a Guerra Mundial precipitou a queda de diver- sos impérios. Além do Império Alemão, caíram também os impé- rios Russo, Turco-Otomano e Austro-Húngaro. Diversos Estados nacionais nasceram (ou renasceram) como resultado desses desmem- bramentos, como Polônia, Hungria, Finlândia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. A Turquia e diversos países do Oriente Médio surgiram em decorrência do esfacelamento do Império Turco-Otomano, que apoiou a Tríplice Aliança. A Itália, que mudou de lado ao longo do confronto, não foi atendida em suas reivindicações territoriais ao final da guerra, o que seria explorado posteriormente pelo fascismo. Os mapas europeus a seguir mostram tais mudanças. Com o fim da guerra, as nações vencedoras reuniram-se na cha- mada Conferência de Paris, a fim de discutir sobre as condições que levariam ao estabelecimento da paz na Europa. O principal resultado desse encontro foi a assinatura do Tratado de Versalhes, que impôs severas perdas aos alemães, a quem os vencedores atribuíram a respon- sabilidade pela destruição causada aos adversários durante a guerra. Para muitos alemães, a assinatura do tratado significou uma humilhação que deveria ser reparada assim que possível. Esse foi um dos aspectos que favoreceram a ascensão do nazismo, a ser estudada na próxima Unidade. Fonte: Veja como a Primeira Guerra mudou o mapa da Europa. Folha Online, 11 nov. 2008. Disponível: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u466294.shtml>. Acesso em: 12 nov. 2012. Oceano Atlântico Oceano Atlântico Mar MediterrâneoMar Mediterrâneo Rússia Alemanha Alemanha URSS Espanha Espanha PortugalPortugal SuíçaSuíça ItáliaItália BélgicaBélgica Luxemburgo Luxemburgo FrançaFrança Áustria-Hungria Áustria Hungria Sérvia Albânia Montenegro Albânia Grécia Turquia Império Otomano Grécia Bulgária Bulgária Romênia Romênia Reino UnidoReino Unido DinamarcaDinamarca HolandaHolanda NoruegaNoruega SuéciaSuécia Iugoslávia Tchecoslováquia Polônia Prússia Letônia Lituânia Estônia FinlândiaOceano Atlântico Oceano Atlântico Mar MediterrâneoMar Mediterrâneo Rússia Alemanha Alemanha URSS Espanha Espanha PortugalPortugal SuíçaSuíça ItáliaItália BélgicaBélgica Luxemburgo Luxemburgo FrançaFrança Áustria-Hungria Áustria Hungria Sérvia Albânia Montenegro Albânia Grécia Turquia Império Otomano Grécia Bulgária Bulgária Romênia Romênia Reino UnidoReino Unido DinamarcaDinamarca HolandaHolanda NoruegaNoruega SuéciaSuécia Iugoslávia Tchecoslováquia Polônia Prússia Letônia Lituânia Estônia Finlândia Europa antes da Primeira Guerra (1914) Europa depois da Primeira Guerra (1919) EduardoDutenkefer História – Unidade 1 81
  15. 15. Atividade 2 O porquê das guerras 1. Você conheceu até agora os vários motivos que levaram à 1a Guerra Mundial e também as consequências econômicas, políticas, sociais e psicológicas dessa guerra, sem contar a enorme perda de vidas humanas e as destruições materiais. Em grupos e tendo como base o que foi apresentado: a) Relembrem os motivos que levaram à 1a Guerra Mundial. b) Realizem uma pesquisa sobre as guerras atuais e comparem- -nas com a 1a Guerra Mundial. Os motivos que levaram às guerras foram os mesmos? c) Discutam o que a mídia destaca sobre as guerras atuais e ve- jam se está de acordo com o que já concluíram sobre os moti- vos das guerras. d) Apresentem para a turma as conclusões a que vocês chegaram. 2. Aproveitem o momento para refletir e respondam: Há maneiras pacíficas de povos e nações resolverem os problemas que motivaram a 1a Guerra Mundial? Em caso de resposta positiva, quais? A Revolução Russa Embora a eclosão da Revolução Russa de outubro de 1917 esteja relacionada à 1a Guerra Mundial, suas raízes são mais profundas e suas consequências para o mundo foram duradouras. A tentativa de construir uma sociedade diferente do capitalismo, e que fosse orien- tada inicialmente por valores comunistas, polarizou a política ao longo do século XX: as opiniões dividiram-se entre os que se sentiam estimulados pelo exemplo russo e os que nele enxergaram uma tragé- dia que deveria ser evitada. Seu objetivo agora será entender como foi possível acontecer uma revolução operária na Rússia, um dos países mais desiguais e menos desenvolvidos da Europa no começo do século XX. Você verá que, ao contrário do que se possa imaginar, uma revolução não é um aconte- cimento pontual, mas o desfecho de longos processos históricos. 82 História – Unidade 1
  16. 16. Geralmente, quando falam em Revolução Russa, as pessoas se referem à revolução mais famosa: aquela que, em outubro de 1917, pela primeira vez na história, colocou os trabalhadores no poder, iniciando uma tentativa de construção de uma sociedade comunista. No caso russo, por exemplo, ocorreram três revoluções entre 1905 e outubro de 1917, quando triunfou o setor mais radicalizado dos socialistas russos, os bolcheviques. A seguir, você poderá ter uma ideia geral do conjunto desse processo: • Revolução de 1905: abalou, mas não derrubou as estruturas do Império Russo, terminando em um banho de sangue. • Revolução de fevereiro de 1917: levou à abdicação do czar e ao fim do Império Russo em plena 1a Guerra Mundial. • Revolução de outubro de 1917 (ou Revolução Bolchevique): levou os bolcheviques, o setor mais radicalizado dos socialistas russos, ao poder e à criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéti- cas (URSS), em 1922, e, para além desses fatores políticos, elimi- nou a propriedade privada, coletivizando a produção. Domingo Sangrento: soldados do governo czarista massacraram trabalhadores russos que em 1905 exigiam reformas políticas, econômicas e sociais. ©album/akg/Latinstock História – Unidade 1 83
  17. 17. O que era a Rússia no começo do século XX? O imenso território russo situa-se em dois continentes: o europeu e o asiático, abarcando uma variedade de etnias. Essa imensa nação era, no século XIX, uma das mais atrasadas da Europa do ponto de vista econômico e social. Assim mesmo, a Rússia era considerada uma potência, como Inglaterra, França, Alemanha e Áustria, por causa de sua vasta extensão territorial e da unidade política do império, contro- lado pelos czares. A maioria da sua população era camponesa e sofria a exploração dos grandes proprietários rurais, que submetiam essa enorme massa de trabalhadores à servidão, abolida apenas em 1861. O Império Russo era considerado uma das monarquias mais conservadoras da Europa, sob diversos aspectos: pela repressão às liberdades civis; pelo apoio à exploração do trabalho camponês e operário; pela opressão às minorias nacionais e aos judeus em seu território; e por ter a Igreja Ortodoxa como religião oficial. No entanto, o atraso político e social da Rússia governada pelo czar não impedia o florescimento de importantes concentrações industriais, principalmente em torno das cidades de São Petersburgo e Moscou, sobretudo após a segunda metade do século XIX. Essa industrialização era muitas vezes baseada em capital estrangeiro e explorava os abundantes recursos naturais do país. Desse modo, conviviam na Rússia uma população rural que trabalhava a terra em condições de atraso técnico e opressão senhorial, e um crescente ope- rariado envolvido com as indústrias mais modernas daquele tempo. Essa forma de desenvolvimento, que associava a exploração dos trabalhadores rurais e urbanos sob a dominação despótica do czar, foi definida por Leon Trotski, um dos principais pensadores e líderes socialistas, como “desenvolvimento desigual e combinado”. E gerou agudas contradições sociais, que constituíram o pano de fundo das revoluções ocorridas na Rússia no começo do século XX, culminando na Revolução Bolchevique. O processo revolucionário Em 1905, manifestações populares massivas atenuaram o despo- tismo com que o czar governava: um Parlamento foi criado e convo- cou-se uma Assembleia Constituinte. A monarquia absolutista, na qual o poder do imperador não tinha limites jurídicos, cedeu lugar para a monarquia constitucional. Nesse contexto, foi formalmente admitida a atuação de partidos políticos. 84 História – Unidade 1
  18. 18. Mas essa liberdade durou pouco. Retomando o controle da situação, o czar voltou a perseguir seus opositores, enquanto os trabalhadores não encontravam solução para seus problemas. Em 1905, o czar derrotou os protestos populares, mas os confrontos sociais voltaram a atingir dimen- são revolucionária na Rússia no ano de 1917. O país estava envolvido na 1a Guerra Mundial, que consumia a vida de milhões de camponeses e operários, mobilizados como soldados. As perdas humanas entre os russos foram extremamente elevadas, chegando a quase 2 milhões de pessoas, número superior ao de qualquer outro país aliado da Tríplice Entente (cf. PBS, disponível em: <http://www.pbs.org/greatwar/resources/ casdeath_pop.html>. Acesso em: 12 nov. 2012.). O esforço nacional para a guerra infligia crescentes sacrifícios à população civil, que convivia com desabastecimento alimentar e alto custo de vida. Ao descontentamento dos trabalhadores somava-se a insa- tisfação de setores burgueses da sociedade russa, favoráveis a mudanças liberais. E assim, enfrentando uma difícil situação militar no exterior, somada à pressão dos trabalhadores e da burguesia liberal no próprio país, o czar não conseguiu manter-se no poder no momento em que os protestos sociais se reacenderam com muita força, no início de 1917. No auge da agitação popular, soldados e trabalhadores invadi- ram o Palácio Tauride, local onde se reunia a Duma (Parlamento) em Petrogrado, capital do país naquele tempo. O czar Nicolau II, então, renunciou, abrindo espaço para a formação de dois organismos que exerceriam um poder paralelo nos meses seguintes: • o Governo Provisório, constituído por deputados moderados da Duma; • o Soviete (conselho) de Petrogrado, formado por trabalhadores e soldados de diversas correntes políticas. Você sabia que a atual cidade de São Petersburgo, capital da Rússia até 1918, teve vários nomes? Após 1914, ela foi chamada de Petrogrado. Com a morte do líder revolucionário russo Lênin, em 1924, foi rebatizada como Leningrado. Em 1991, com o fim da União Soviética, retomou seu nome original. Soviete reunido no Palácio Tauride, em Petrogrado. ©HultonArchive/GettyImages História – Unidade 1 85
  19. 19. Enquanto o Governo Provisório, comandado por políticos con- vencionais, assumia a condução política do país, crescia o prestígio dos sovietes como expressão legítima do poder dos trabalhadores. A convivência desses dois órgãos nos meses posteriores à queda do czar expressava uma dualidade de poderes na sociedade russa: nenhum dos dois organismos tinha força ou legitimidade para exer- cer o poder absoluto. No entanto, na medida em que representavam interesses divergentes, essa dualidade não poderia sustentar-se para sempre. O que decidiria a situação seria novamente a intervenção do povo na política. Em um primeiro momento, o Governo Provisório adotou medidas liberais, como liberdade de expressão, anistia aos presos políticos, além de redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Tam- bém convocou uma Assembleia Constituinte, que deveria ser eleita no final do ano por meio do voto universal. No entanto, havia dois pontos cruciais para o povo russo que o Governo Provisório se mostrou incapaz de resolver: a reforma agrária e a retirada do país da guerra. Esses motivos alimentavam a esperança de que os sovietes, compostos de trabalhadores, pudessem ser um ins- trumento de mudança social eficaz. Em meio a essa situação, líderes revolucionários, como Lênin, aproveitaram-se da anistia concedida pelo Governo Provisório, dei- xaram o exílio e voltaram para a Rússia. Defendendo a bandeira de “Paz, terra e pão”, a influência dos bolcheviques crescia sobre os sovietes, apoiada na relação de confiança que estabeleceram com organizações operárias sob o czarismo. Conscientes da debilidade do Governo Provisório e do potencial dos conselhos de trabalhadores, os bolcheviques estimularam a for- mação de sovietes de soldados, camponeses e operários por todo o país. Eles fizeram isso porque vislumbraram uma possibilidade de revolução inédita na história da humanidade: uma sociedade gover- nada diretamente pelos trabalhadores, na qual o poder seria exer- cido em especial por meio desses conselhos. Fortaleceu-se, então, uma segunda bandeira revolucionária: “Todo poder aos sovietes”. O pres- tígio dos bolcheviques nos sovietes crescia a cada mês. Em agosto de 1917 houve uma tentativa de golpe militar na Rús- sia, que só pôde ser barrada pela atuação decidida dos sovietes. Como resultado do fracasso do golpe, duas coisas ficaram claras para os revolucionários: a debilidade do Governo Provisório e a força dos 86 História – Unidade 1
  20. 20. sovietes. Assim, naquele momento, sob a liderança dos bolcheviques, os sovietes começaram a articular uma ação para a tomada efetiva do poder, realizada em 25 de outubro daquele ano. Nesse dia, tropas populares lideradas por Trotski ocuparam os principais edifícios da capital e o governo provisório foi obrigado a renunciar. Era o fim da dualidade de poder e, pela primeira vez na história, uma revolução de operários e camponeses assumia o comando de um país. Atividade 3 Os sovietes Baseado no texto a seguir, discuta com seus colegas qual foi a importância dos sovietes no desenvolvimento da Revolução Russa. Registre no caderno algumas das conclusões. A história dos sovietes O Estado dos Sovietes baseou-se nos Sovietes – ou Conselhos – dos operários e camponeses. Estes conselhos – instituição característica da Revolução Russa – fizeram a sua aparição em 1905, quando, durante a primeira greve geral dos operários, as fábricas de Petrogrado e as organizações sindicais enviaram delegados a um comitê central. Este comitê de greve foi chamado de “Conselho dos Deputados Operários”. Ele organizou no fim de 1905 a segunda greve geral, enviou emissários através de toda a Rússia e, durante um breve espaço de tempo, foi reconhecido pelo governo imperial como órgão oficial e autorizado da classe operária revolucionária russa. Quando a Revolução de 1905 fracassou, uma parte dos membros do Conselho pôs-se em fuga enquanto os outros foram enviados para a Sibéria. Mas este tipo de organização unitária mostrou-se tão extraordinariamente eficaz, enquanto organismo político, que todos os partidos revolucionários incluíram um Conselho dos Deputados Operários no seu programa para a próxima sublevação. Em março de 1917, quando, perante toda a Rússia agitada como um mar em fúria, o czar abdicou, o grão-duque Miguel renunciou e a frágil Duma [Parlamento] foi forçada a tomar nas mãos as rédeas do governo, o Conselho dos Deputados Operários surgiu de novo, completamente estruturado. Em poucos dias, ampliou- -se de modo a incluir também delegados do exército e passou a chamar-se “Con- selho dos Deputados Operários e Soldados”. Por outro lado, o Comitê da Duma era composto – com a exceção de Kerenski – por burgueses e não tinha qual- quer relação com as massas revolucionárias. [...] pouco depois formaram-se Sovietes de camponeses. [...] REED, John. A história dos sovietes. In: Como funcionam os sovietes (Escrito entre 1918-1919). Centro de Mídia Independente. Disponível em: <http://www.midiaindependente.org/pt/ blue/2004/07/286750.shtml>. Acesso em: 12 nov. 2012. História – Unidade 1 87
  21. 21. A Rússia revolucionária Os revolucionários russos que assumiram o poder em outubro de 1917, liderados por Lênin, defendiam um projeto político inspirado nas ideias de Karl Marx, crítico radical do capitalismo. Como subs- tituição ao sistema econômico capitalista, eles propunham a constru- ção de uma sociedade comunista, sem patrões nem empregados, sem propriedade privada e sem Estado, como um projeto para o mundo, e não somente para um país. No entanto, você também viu, no Caderno do 7o ano/2o termo, que não se imaginava a construção do comunismo como uma realização ime- diata, do dia para a noite, mas como um longo processo histórico, que poderia durar séculos, tal qual havia sido a passagem do feudalismo para o capitalismo. A transição entre o capitalismo e o comunismo, na visão original dos revolucionários russos, seria o socialismo, que apresentaria elementos da sociedade passada (o capitalismo), com outros da sociedade futura (o comunismo). O Estado socialista, ao invés de desaparecer, concentraria os meios de produção, que anteriormente pertenciam aos capitalistas. Em outras pala- vras, o Estado seria o principal proprietário de terras, fábricas, bancos etc., representando os interesses dos trabalhadores, e não dos capitalistas. No quadro a seguir, foram esquematizadas as diferenças entre capi- talismo e comunismo, bem como a proposta imediata para o socialismo. Capitalismo Comunismo Socialismo Propriedade privada. Propriedade coletiva ou comum; fim da propriedade privada dos meios de produção. Propriedade estatal gerida por trabalhadores. Estado burguês. Gestão econômica, social e política direta dos trabalhadores, por meio de comunas, conselhos e outras associações de livres produtores. Estado dos trabalhadores. Divisão de classe. Fim das classes sociais: todos são produtores. Expropriação dos capitalistas e divisão dos recursos por meio de serviços estatais. Com o triunfo da revolução, os bolcheviques, fiéis a esses ideais, imediatamente propuseram: • uma reforma agrária, expropriando as grandes propriedades e divi- dindo a terra entre os camponeses pobres; 88 História – Unidade 1
  22. 22. • a estatização dos bancos e das fábricas, incluindo empresas es- trangeiras; • o controle direto das fábricas pelos operários; • a negociação da paz com os alemães e a retirada dos russos da guerra. Como se pode perceber, a Revolução de Outubro indicava uma ruptura não somente com a Rússia imperial, mas com o próprio capi- talismo. Por esse motivo, seu ideário tinha consequências que ultra- passavam as fronteiras russas: o triunfo dos bolcheviques sinalizava aos trabalhadores de todo o mundo que era possível tomar o poder. Os próprios bolcheviques tomaram a iniciativa de formar uma organização com o objetivo de reunir os Partidos Comunistas do mundo inteiro, visando trabalhar por uma revolução mundial. Essa organização foi conhecida como a III Internacional. Mesa diretora da abertura do Congresso da III Internacional em Moscou. Entre os participantes estava Lênin, o terceiro da esquerda para a direita. É evidente que a vitória dos bolcheviques preocupou as nações capitalistas do mundo inteiro, inclusive aquelas envolvidas na 1a Guerra Mundial. Lembre-se de que a agitação operária na Alema- nha foi um fator que influenciou a retirada desse país da guerra, em um momento em que seu exército ainda não estava militarmente derrotado. O medo de que o exemplo da Rússia pudesse espalhar-se para além das fronteiras russas não apenas encorajou o final da guerra, como tam- bém estimulou muitos países, que até então lutavam entre si, a enviar tropas contra a Revolução de Outubro. ©MaryEvans/Diomedia História – Unidade 1 89
  23. 23. Assim, os bolcheviques não tiveram uma trégua. Antes mesmo de que se encerrasse a 1a Guerra Mundial, a revolução precisara formar um exér- cito popular, conhecido como Exército Vermelho, para enfrentar os con- trarrevolucionários russos que sustentavam o Exército Branco, que era apoiado por ingleses, estadunidenses, franceses e japoneses, entre outros. Com a intenção de defender a revolução, os bolcheviques orienta- ram a produção industrial e agrícola para o esforço de guerra, o que fez com que a população civil sofresse terríveis privações. Em muitos casos, o governo revolucionário enfrentou um dilema: para assegurar a eficiência no combate à contrarrevolução, precisava centralizar deci- sões e implementá-las com rigorosa disciplina. Isso colocava em risco, muitas vezes, os princípios democráticos da revolução. No entanto, para os bolcheviques, tratava-se de uma questão crucial: não haveria chance de democracia se a revolução fosse derrotada. Em 1921, consumou-se a vitória do Exército Vermelho. A revolu- ção havia sobrevivido. No entanto, o país estava arrasado: plantações foram queimadas, cidades foram destruídas e muitas vidas, ceifadas. O governo revolucionário deveria enfrentar então o desafio de, em um contexto de hostilidade mundial, reconstruir uma sociedade devastada. Essa não seria uma tarefa fácil. Com a morte de Lênin, em 1924, o país perdeu sua liderança revolucionária indiscutível. E com a pro- gressiva ascensão do líder revolucionário Josef Stálin, que se tornou secretário-geral do Partido Comunista quando Lênin ainda estava vivo, o processo revolucionário russo avançaria em uma direção dife- rente daquela prevista por seus idealizadores. A utopia da revolução mundial deu lugar a uma política de defesa dos interesses do novo país, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Nas políticas econômicas internas, investiu-se no desenvolvimento industrial e na mecanização do campo. Visto por esse ângulo, o regime liderado por Stálin foi um sucesso: em pouco tempo, a União Soviética tornou-se uma potência econômica mundial. Mas, do ponto de vista social, pagou um alto preço por isso: a realização dos progra- mas do governo muitas vezes contrariou os trabalhadores e os ideais comunistas. O Estado tornou-se uma estrutura opressora e o regime stalinista perseguiu implacavelmente seus dissidentes. Assim, a experiência do chamado “socialismo real” acabaria dis- tanciando-se de seus propósitos originais. Apesar disso, a União Sovié- tica seria, ao longo do século XX, uma referência para trabalhadores e intelectuais no mundo inteiro, que acreditavam na necessidade de cons- trução de uma sociedade diferente da capitalista. E foi também uma referência negativa para aqueles que temiam uma revolução social e que combateram a experiência soviética de todas as maneiras possíveis. Doutor Jivago (Doctor Zhivago, direção de David Lean, 1965). O filme é baseado no livro homônimo do escritor russo Boris Pasternak, um crítico da Revolução de Outubro. Reds (Reds, direção de Warren Beatty, 1981). Esse filme conta a história do jornalista americano John Reed. Ele estava na Rússia quando estourou a Revolução de Outubro e escreveu o famoso livro Os dez dias que abalaram o mundo, simpático ao movimento. Fica a dica 90 História – Unidade 1
  24. 24. Conforme visto nos Cadernos anteriores, o Estado constituiu-se com base na con- centração do poder político nas mãos de um monarca absoluto. Após sua consolidação, tornou-se objeto de disputa de diferentes grupos e classes sociais que pretendiam assumir o governo da sociedade em que viviam. Assim, dependendo da orientação ideológica e dos interesses dos grupos que assumem o poder, a máquina estatal pode ser usada para implementar preferencialmente certas políticas em detrimento de outras. Se, por exemplo, a classe burguesa estiver no poder, a tendência é que o Estado seja usado para garantir a proteção da propriedade privada e promover o livre merca- do, bem como garantir determinados direitos civis, e talvez políticos. Se, no entanto, o Estado estiver sob orientação socialista, provavelmente o governo promoverá o que conhecemos como direitos econômicos e sociais, defendendo os interesses do trabalha- dor por meio da promoção de serviços públicos de qualidade, como saúde, educação e assistência social, bem como regulando o mercado de acordo com as necessidades da maioria da população, estipulando e controlando salários e turnos de trabalho, juros e câmbio, entre outros. Nas sociedades democráticas, nas quais os poderes Legislativo e Executivo definem o rumo político da sociedade pela votação de leis e estipulação de políticas a serem imple- mentadas, tende a haver maior pluralidade de grupos e classes sociais no poder político. Por isso o aparato estatal é usado em diferentes direções, tanto mais opressivas como mais promotoras dos interesses coletivos. Atividade 4 As consequências mundiais da revolução A Revolução Russa, primeira revolução que levou a classe tra- balhadora ao poder, influenciou intelectuais, partidos, movimentos sociais e outras organizações políticas no mundo inteiro. Ainda que tenha seguido rumos diferentes daquele inicialmente planejado por seus primeiros líderes, essa revolução ficou marcada na história como a principal ameaça ao sistema capitalista vigente, fazendo polarizar a política no mundo inteiro ao longo do século XX. 1. Pesquise partidos, movimentos sociais e outras organizações políticas, do Brasil e do mundo, que foram influenciados pela Revolução Russa. 2. Debata com seus colegas, na sala de aula, se os motivos e as práticas dessa revolução ainda fazem sentido no mundo de hoje e por quê. História – Unidade 1 91
  25. 25. Você estudou As causas da 1a Guerra Mundial (1914-1918) estão vinculadas à concorrência entre as nações no contexto da expansão do capitalismo pelo mundo. Ou seja, estão relacio- nadas ao imperialismo. O delicado sistema de alianças cultivado pelo chanceler alemão Bismarck no final do século XIX foi eficaz para adiar as hostilidades entre as nações europeias, mas não para acabar com elas. Quando o confronto finalmente eclodiu, em 1914, os países envolvidos comprometeram seus recursos humanos e econômicos em um esforço de guerra total, alimentado pelo nacionalismo. A consequência foi uma destrui- ção territorial e humana sem precedentes na história mundial. Após alguns anos de enfrentamento, nenhum dos blocos inimigos conseguiu se impor ao adversário. O impasse bélico foi desfeito por uma conjunção de dois fatores: do ponto de vista militar, a entrada dos Estados Unidos na guerra desequilibrou a correlação de forças contra os alemães. Do ponto de vista social, o triunfo da Revolução Bolchevique na Rússia encorajou movimentos de trabalhadores em todo o mundo, principalmente na Alemanha, país em que a organização socialista tinha grande força. Com a queda do Império Alemão e a proclamação da República, a guerra chegou ao fim. No entanto, perdas impostas aos alemães pelo Tratado de Versalhes não assegurariam uma paz duradoura no continente europeu. Você estudou que a famosa Revolução de Outubro, liderada pelos bolcheviques, foi na realidade o resultado de três revoluções: em 1905, o protesto dos trabalhadores foi frustrado, mas conseguiu o estabelecimento da monarquia constitucional; no início de 1917, caiu o czar, mas o Governo Provisório foi incapaz de resolver os problemas relacionados à necessidade de uma reforma agrária e ao fim da participação russa na 1a Guerra Mundial; em outubro de 1917, os bolcheviques tomaram o poder, instituindo o primeiro Estado comandado por trabalhadores na história. Após uma guerra civil que exauriu o país, a revolução sobreviveu. Consumida pelo esforço de guerra, a sociedade russa foi incapaz de consumar o ideário revolucionário original, progressivamente deturpado pela ascensão de Stálin ao poder. A destruição causada nos territórios e nas sociedades envolvidas na 1a Guerra Mundial moti- vou a formação da Liga das Nações, organização internacional que deveria impedir a eclosão de confrontos similares. No entanto, ela foi impotente para evitar que, poucos anos depois, eclodisse a 2a Guerra Mundial. A Liga foi dissolvida em 18 de abril de 1946, mas sua experiência foi uma referência para a formação da atual Organização das Nações Unidas (ONU). Na sua percepção, a ONU tem feito um trabalho eficaz para o estabelecimento da paz mundial e a efetivação dos direitos humanos? Pense sobre 92 História – Unidade 1
  26. 26. Hegemonia Segundo o filósofo e cientista político Antonio Gramsci, hegemonia pode ser entendida como o controle e a direção político-ideológica de uma classe/grupo dirigente sobre o restante da população, colocando esta última a serviço dos interesses socioeconômicos da primeira, buscando aprovação, em toda a sociedade, de sua concepção de mundo até esta concepção se tornar senso comum. 2 O período entreguerras Nesta Unidade, você estudará um período turbulento da história mundial: os anos entre a 1a e a 2a Guerra Mundial. Na Unidade ante- rior, você pôde ver que as causas da 1a Guerra estavam vinculadas ao imperialismo, que, por sua vez, foi um desenvolvimento do próprio capitalismo. Você aprendeu também que, depois de alguns anos de confronto, triunfou na Rússia uma revolução que se opunha ao sis- tema capitalista. Ao final da 1a Guerra Mundial, em 1918, as potên- cias capitalistas não resolveram suas desavenças; ao contrário, estas ficaram mais complexas. Para que você possa compreender esse momento da história, a Uni- dade será dedicada, inicialmente, ao estudo da crise do capitalismo, em 1929. Em seguida, será analisada a ascensão dos regimes fascistas, que logo colocariam a Europa novamente no centro de um conflito mundial. Para iniciar... O triunfo da Revolução Russa concretizou uma ameaça que sem- pre assombrou a disputa pela hegemonia entre os países capitalistas: a revolução social. Na configuração do mundo no período pós- -guerra, a Rússia – esse novo país, que se considerava uma república de operários e camponeses – era vista por alguns como um exemplo a ser seguido e, por outros, como um perigo a ser evitado. Assim, o período que antecede a eclosão da 2a Guerra Mundial, em 1939, foi marcado por três fenômenos relacionados entre si, embora essa conexão nem sempre seja fácil de enxergar: • a crise econômica do capitalismo, que teve seu marco central na quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929; • a ascensão de regimes totalitários em diversos países da Europa, como a Itália fascista de Mussolini e a Alemanha nazista de Hitler; • a consolidação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1922, que, nos anos seguintes à revolução, foi liderada por Stálin. O que você sabe sobre o contexto econômico, político e social do período entreguerras na Europa? Quais foram as consequências dessa conjuntura para o resto do mundo? 93
  27. 27. A Europa depois da 1a Guerra Mundial O final da 1a Guerra Mundial não trouxe a paz para a Europa. Embora tenha havido mudanças entre 1914 e 1918, os pontos de tensão entre os países permaneceram e elementos novos, alguns dos quais serão comentados a seguir, predispunham ao surgimento de futuros conflitos. Você viu que o final da guerra foi precipitado na Alemanha pela ascensão do movimento operário, ao mesmo tempo que a vitória dos bolcheviques na Rússia era um estímulo revolucionário. A agitação social da época não foi restrita a esses países: na Hungria e na Itália também eclodiram movimentos de trabalhadores que colocavam em risco o próprio capitalismo. Capa do documento do II Congresso do PCB, partido fundado em 1922. Na Itália, os operários assumiram o controle de diver- sas fábricas, que seriam comandadas temporariamente por “conselhos de operários”. Na Hungria, os comunistas chegaram a tomar brevemente o poder em 1919, procla- mando a República Soviética da Hungria. Embora ambas experiências tenham sido derrotadas, elas eram uma expressão clara da agitação que os trabalhadores de outros países experimentaram com a vitória dos bolchevi- ques. Outro indício desse entusiasmo foi a fundação de parti- dos comunistas pelo mundo nos anos seguintes à Revolução Russa, como o Partido Comunista do Brasil, em 1922. Mesmo em países onde a pressão dos trabalhadores não era suficientemente forte para ameaçar o capitalismo, houve mudanças significativas com o final da 1a Guerra Mundial. Você observou que vários impérios ruíram, como o Turco-Otomano e o Austro-Húngaro, além dos casos russo e alemão. Em todas essas situações, monar- quias cederam lugar para repúblicas. Esses impérios abrigavam diversas nacionalidades, e muitas delas tiveram sucesso em seu esforço para se tor- nar países independentes. Veja alguns exemplos: Situação antes da 1a Guerra Mundial Estados que se desmembraram após a guerra Império Turco-Otomano Turquia, Síria, Iraque, Líbano, Palestina e Transjordânia Império Austro-Húngaro Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia e parte do território da Romênia Império Alemão Alemanha (perdeu territórios para a França, Bélgica e Polônia) Império Russo Rússia, Finlândia, Lituânia, Estônia, Letônia e parte do território da Polônia ©ColeçãodoArquivoHistóricodoMovimentoOperárioBrasileiro/InstitutoAstrojildoPereira 94 História – Unidade 2
  28. 28. Apesar dessas importantes mudanças na Europa, as novas nacio- nalidades não triunfaram em todos os casos: o princípio de autodeter- minação dos povos, isto é, a capacidade e o direito de os povos defini- rem a si mesmos e escolherem o caminho que querem tomar, não foi considerado para as nacionalidades colonizadas ao redor do mundo, principalmente na Ásia e na África. A luta pela independência de mui- tos destes povos eclodiria com violência depois da 2a Guerra Mundial. Os Estados Unidos após a 1a Guerra Mundial Outra decorrência já mencionada da 1a Guerra Mundial foi a afirmação dos Estados Unidos como principal potência capitalista do planeta. A economia desse país foi fortemente estimulada durante o confronto, porque ele fornecia às nações envolvidas diretamente na luta mercadorias que elas tinham dificuldades em produzir. Ao final da guerra, a destruição ocorrida no continente europeu ofereceu oportunidades de investimento para os Estados Unidos, que tiveram seu território preservado das batalhas. Assim, a economia desse Em 2011, Wall Street foi palco de manifestações que contagiaram o mundo: o chamado Occupy (ocupar, em inglês). O lema do movimento é uma cifra: “99%”, que tem a intenção de chamar a atenção para a concentração de renda no planeta. O movimento considera que 1% da população decide os rumos financeiros do mundo e seria responsável por crises que afetam os demais 99%. Você sabia que em 2007 foi desencadeada uma grave crise nos países mais desenvolvidos e que afetou todo o mundo? Assim como em 1929, essa crise iniciada em 2007 atingiu um dos lugares-símbolos do capital financeiro mundial: a rua conhecida como Wall Street, o centro financeiro de Nova Iorque. Manifestação do movimento Occupy em Wall Street, Nova Iorque, em 2011. país viveu um período de forte expansão após a 1a Guerra Mundial. Entre 1926 e 1929, ele era responsável por 42,2% da produção mundial de produtos industrializados, o maior consumidor de petróleo e o primeiro produtor mundial de car- vão, eletricidade, aço e ferro fundido. Além de ser o maior exportador do mundo, cresciam os inves- timentos de empresas estadunidenses no exterior. No entanto, essa euforia acabou em 1929, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Ior- que, provocando uma crise no sistema capita- lista que afetou diversos países do mundo. Essa não foi, contudo, a primeira e nem a última crise econômica mundial. De modo geral, há duas linhas de interpretação sobre as crises no capitalismo: • algumas procuram as causas imediatas que a desencadearam, ou seja, os fatores con- junturais por trás da crise; • outras atribuem suas causas à dinâmica do capitalismo, sublinhando os aspectos estrutu- rais da crise. ©CraigRuttle/APPhoto/CraigRuttle/GlowImages História – Unidade 2 95
  29. 29. Atividade 1 Crise capitalista hoje e ontem A Crise de 1929, que começou nos Estados Unidos, foi uma crise financeira de cunho internacional que causou desespero e pobreza para muitas nações. Nos anos de 2007 e 2008 vivenciou-se, tam- bém nos Estados Unidos, outra crise financeira que afetou o mundo inteiro, inclusive o Brasil. Faça uma pesquisa utilizando revistas, jornais e outros materiais sobre essas e outras crises que muitos especialistas consideram típicas do capitalismo. Descubra suas principais características, veja o que elas têm em comum e responda em seu caderno: O que caracteriza as crises capitalistas em geral? O estopim da Crise de 1929 O que causou esta crise? E por que ela se alastrou pelo mundo? Você estudou que os Estados Unidos emergiram como principal potência econômica mundial ao final da 1a Guerra Mundial. O inves- timento na reconstrução europeia favoreceu essa expansão, aumen- tando os vínculos entre as economias dos dois lados do Atlântico. Em virtude do crescimento econômico dos Estados Unidos, a pre- sença estadunidense nos negócios intensificou-se, não somente na Europa, mas no mundo inteiro. No entanto, no final dos anos 1920, havia sinais de recuperação da capacidade produtiva europeia, o que diminuía sua dependência dos Estados Unidos. Internamente, a prosperidade dos EUA deveu-se a novas tecnolo- gias que ampliaram a capacidade produtiva das indústrias. Contudo, se o crescimento dos Estados Unidos gerava riqueza, também aumen- tava a concentração de renda e o desemprego, fatores que diminuíram a capacidade de consumo da população. Essa circunstância foi agravada por operações na Bolsa de Valo- res que fizeram os preços das ações subir artificialmente, isto é, acima das possibilidades reais de lucro das empresas. Essas opera- ções são conhecidas como especulação financeira. Por sua vez, os especuladores não levavam em consideração a realidade econômica das empresas que disponibilizavam suas ações para compra e venda. Muitas pessoas investiram bastante dinheiro em ações de empresas que entraram em crise e faliram, e, dessa maneira, esses investidores faliram com as empresas. Isso gerou desespero em milhares de pessoas que dependiam das aplicações financeiras para sustentar seus negócios. Assim, com a queda da Bolsa de Valores, toda a sociedade foi financeiramente atingida. Trabalho 7o ano/2o termo Unidade 2 96 História – Unidade 2
  30. 30. Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, pessoas correram aos bancos para tentar resgatar suas aplicações. Atividade 2 Taylorismo, fordismo e a Crise de 1929 O taylorismo e o fordismo constituíram o típico modo de produção capitalista, orientados para a produção em série na perspectiva de agi- lizar o processo produtivo, visando a maior lucratividade. No entanto, muitas vezes, a produção é excessiva e não há demanda ou consumo suficiente, o que gera uma crise de “superprodução”. Essa crise acon- tece da seguinte maneira: a empresa capitalista entra em crise e, no limite, pede falência, porque não consegue vender tudo o que produziu. Com isso, demite seus trabalhadores. Estes, por estarem desempre- gados, não consomem também os produtos de outras empresas, que também decretam falência e demitem mais trabalhadores. E, assim, sucessivamente, até que toda a sociedade entra em crise. Baseando-se nessas informações, qual é a relação entre esse modo de produção capitalista e a Crise de 1929? Trabalho 7o ano/2o termo Unidade 2 Fica a dica Loucura americana (American madness, direção de Frank Capra, 1932). O filme narra o momento da Crise de 1929 sob o ponto de vista de um diretor de banco. Ele sofre enorme pressão em virtude da crise que assola o país e que, por consequência, afeta o banco em que ele trabalha. As vinhas da ira (The grapes of wrath, direção de John Ford, 1940). Nesse filme, o ponto de vista é o de uma família de trabalhadores rurais que busca novas oportunidades, mas depara com as dificuldades provenientes do momento da crise. ©MaryEvans/Diomedia História – Unidade 2 97
  31. 31. Da crise econômica para a crise social Os Estados Unidos eram os maiores exportadores do mundo, res- ponsáveis por mais de 40% da produção industrial e com negócios espa- lhados por todo o planeta. Vários países tinham suas economias depen- dentes da economia estadunidense, isto é, vendiam para esse país muito do que produziam e dele importavam boa parte do que precisavam. Isso significou que, quando os Estados Unidos, em função da crise econômica pela qual passavam, não puderam mais consumir os pro- dutos desses países e nem fornecer-lhes suas mercadorias, todos foram atingidos economicamente. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Brasil, que na época usava grande parte das suas terras produtivas e da sua força de trabalho para plantar café para os Estados Unidos. Portanto, quando eles para- ram de comprar café, muitos proprietários brasileiros faliram e mui- tos trabalhadores ficaram sem emprego. Assim, a crise desencadeada naquele país significou uma crise no capitalismo mundial. O efeito imediato dessa crise foi a recessão econômica, que causou a falência de vários negócios e o aumento do desemprego. Fábricas foram fechadas, enquanto banqueiros tomavam as terras dos agricultores, que não conseguiam quitar suas dívidas com os bancos. Os trabalhadores procuraram resistir e a agitação generalizou-se, não apenas nos Estados Unidos, mas em muitos outros países: a crise econômica converteu-se em uma grave crise social. Geografia 7o ano/2o termo Unidade 2 Desempregados e famintos em Detroit, Michigan, em 1930. Trabalhadores sem ocupação recebiam doação de sopa nos EUA na época da crise. Tentativas de saída da crise Diante dessa situação, os países afetados pela crise ado- taram políticas que tinham um fundo comum: a intervenção do Estado na economia. Isso ocorreu mesmo onde prevale- cia a tradição liberal, como nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nos Estados Unidos, com a vitória do candidato democrata Franklin Roosevelt nas eleições de 1932, foi implantado o pro- grama conhecido como New Deal (em português, “Novo Acordo”). Sua proposta central ©Bettmann/Corbis/Latinstock 98 História – Unidade 2
  32. 32. foi a de reativar a economia por meio da iniciativa do Estado. Rea- lizaram-se, dessa forma, inúmeras obras públicas, visando empregar trabalhadores e injetar dinheiro na produção, ao mesmo tempo que se ofereciam créditos e energia barata para os agricultores. Depois de alguns anos, o New Deal conseguiu melhorar a situação econômica do país. No entanto, seria somente no final da década de 1930, com o estímulo econômico gerado pela 2a Guerra Mundial, que a economia estadunidense voltaria a crescer aceleradamente e o desemprego dei- xaria de ser um problema socioeconômico. Embora muitos países adotassem medidas similares às dos Esta- dos Unidos, as decisões políticas nem sempre foram tomadas em uma direção democrática. Alemanha e Japão, por exemplo, eram países relativamente pobres em reservas internacionais e em maté- rias-primas, e não tinham colônias para explorar. Dispunham, por- tanto, de menos alternativas para lidar com a crise e com a crescente insatisfação popular. Nesses países, na década de 1930, consolidaram-se governos ditatoriais que mobilizaram parte significativa da população em nome de um expansionismo militar agressivo, que logo provocaria a 2a Guerra Mundial. Fascismo e nazismo Muitas pessoas que se interessam por história habituaram-se a enxergar no nazismo e na sua liderança principal, Adolf Hitler, um fenômeno excepcional na história europeia e mundial. No entanto, nem todos sabem que o tipo de regime adotado por Hitler na Alemanha não foi inventado por ele, mas inspirado, em muitos aspectos, em uma experiência que acontecia na Itália desde os anos 1920: o fascismo. Muitos países europeus, nesses anos, apre- sentaram regimes políticos semelhantes a esses dois casos: Espanha, Portugal, Romênia, Grécia, Albânia e Polônia são alguns exemplos que podem ser citados. A constatação de que muitas nações europeias conheceram movi- mentos políticos similares ao fascismo italiano e ao nazismo alemão exige que se examinem não somente os aspectos particulares da Ale- manha de Hitler, mas também que se busquem pistas para entender o fenômeno em seu conjunto. História – Unidade 2 99
  33. 33. Atividade 3 O poder da coletividade 1. Em pequenos grupos, discuta com seus colegas as seguintes questões: a) Quais grupos organizados você conhece? b) Você participa, ou já participou, de algum grupo organizado e até uniformizado? Por que você decidiu fazer parte desse grupo? c) Quando está com esse grupo, você se sente mais fortalecido para expressar uma ideia que defende ou reivindicar algo? 2. Procure saber quem foram os Camisas Negras da Itália fascista e os Camisas Pardas da Alemanha nazista. Você consegue fazer al- guma ligação entre esses dois grupos e as questões sobre as quais acabou de discutir com seus colegas? Fascismo italiano No final da 1a Guerra Mundial, havia na Itália uma intensa agi- tação operária. Diversas fábricas foram ocupadas por trabalhado- res, principalmente em Turim, centro industrial do país. Impulsiona- dos pela Revolução Russa, os operários italianos radicalizavam-se, enquanto os deputados socialistas ocupavam um terço do Parla- mento. Naquele momento, em que o país parecia estar à beira da revolução social, o fascismo oferecia, aos olhos dos setores burgueses, ou a eles vinculados, uma alternativa. Desse modo, o fascismo iniciou-se no país antes mesmo do final da 1a Guerra Mundial e cresceu vertiginosamente com a intensa agi- tação social na Itália do pós-guerra. Seu principal líder foi Benito Mussolini, um ex-militante socialista, expulso do partido por apoiar a entrada da Itália na Grande Guerra. Os Camisas Negras A crise que se abatia sobre o país levou muitas pessoas a procu- rarem um “bode expiatório” no qual jogar a culpa. Os alvos visados foram os trabalhadores organizados que defendiam o socialismo e o comunismo como alternativas àquele Estado. A principal novidade polí- tica do fascismo foi a capacidade de mobilizar as massas em sentido Fascismo É um movimento social e político que se originou na Itália entre as décadas de 1910 e 1920 sob a liderança de Mussolini. Ao longo das duas décadas seguintes, expandiu-se por vários países da Europa, chegando, em alguns casos, a tomar o poder do Estado e se impor como regime político, com apoio de elites tradicionais conservadoras, de parte das forças armadas e mesmo de trabalhadores que se viam ameaçados pela crise econômica da época. Caracteriza- -se principalmente pelo anticomunismo, descrença na democracia, uso da violência como forma de se impor sobre seus opositores, preconceito e perseguição em relação às minorias étnicas, e ultranacionalismo. Esse regime, quando instaurado, promoveu a recuperação econômica baseada na militarização da nação e na guerra, na repressão às organizações autônomas dos trabalhadores (o controle policial dos sindicatos e das reivindicações dos trabalhadores) de forma a permitir o avanço capitalista. 100 História – Unidade 2
  34. 34. contrário ao das organizações convencionais de trabalhadores. Em outras palavras, Mussolini parece ter aprendido que o movimento de massas era uma força social considerável, mas que poderia ser utili- zada contra os socialistas. Além disso, o líder fascista percebeu que os homens, quando reunidos e uniformizados em prol de uma ideia, eram capazes de atos de violência que dificilmente cometeriam sozinhos. Para que se tenha uma visão aproximada do que isso significa, atualmente é possível visualizar as brigas de torcidas organizadas de futebol. Mas, no caso do fascismo, o alvo da violência dos Camisas Negras eram os socialistas e os comunistas. Se a princípio o fascismo foi visto com desdém pelos poderosos italianos, ao longo da década de 1920 muitos deles passaram a apoiar o movimento. Já em 1922, após uma ameaça de marchar com os Cami- sas Negras em Roma, Mussolini assumiu a liderança de um governo de coalizão apoiado pelo Partido Popular, um tradicional reduto católico. A base social do fascismo não eram os trabalhadores, porque suas organizações de classe eram silenciadas. A base eram os desemprega- dos do campo e da cidade, que muitas vezes encontravam no fascismo uma identidade social e a forma de ganhar a vida, pois, em geral, recebiam um salário por atuar como militantes. Os pequenos-bur- gueses, que manejavam negócios de pouco volume e eram motivados muitas vezes pelo receio de uma revolução similar à soviética, tam- bém foram forças de sustentação importante ao governo fascista. Esse mesmo temor motivou grandes capitalistas a apoiar o regime, tanto na Itália como em outros países. Socialista e comunista Apesar de você ter estudado que, teoricamente, o socialismo era considerado a etapa de transição até o comunismo, na prática, na Europa e em outras partes do mundo, aqueles que lutavam contra o capitalismo nem sempre concordavam quanto ao método de transformação dessa sociedade, nem sobre como organizar a nova sociedade dos trabalhadores. Com isso, para se diferenciarem entre si, uns se denominavam socialistas, e outros, comunistas. Jogadores italianos saúdam Mussolini antes da partida contra a seleção francesa, durante a Copa do Mundo de Futebol de 1938, na França. Como o uniforme titular das duas equipes era azul, a Itália deveria utilizar seu segundo uniforme, de cor branca. No entanto, Mussolini ordenou que a equipe se vestisse de negro, em uma alusão aos Camisas Negras fascistas. ©SchirnerSportfoto/picture-alliance/Easypix História – Unidade 2 101
  35. 35. Terceiro Reich Em alemão, significa “Terceiro Império”. Foi com esse nome que ficou conhecido o regime nazista liderado por Hitler entre 1933 e 1945. O Primeiro Reich, chamado Sacro Império Romano-Germânico, existiu sob diferentes formas entre 962 e 1806. O Segundo Reich (1871- 1918) foi estabelecido com a unificação alemã. Nazismo alemão O contexto histórico que permitiu a formação do movimento nazista e sua ascensão ao poder na Alemanha tem muitas similarida- des com a situação italiana, ainda que quando Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha, em 1933, Mussolini já comandasse a Itália havia mais de uma década. Naquela época, os fascistas italianos já tinham iniciado incursões expansionistas na direção do Mar Adriático e do norte da África. Na Alemanha houve, igualmente, uma intensa mobilização operá- ria ao longo dos anos 1920, apoiada pelos partidos socialistas de maior tradição do continente europeu. Por exemplo, os soviéticos deposita- vam grandes esperanças na revolução alemã, que interpretavam como o prelúdio de uma revolução comunista mundial. Mesmo depois do assassinato das principais lideranças revolucionárias alemãs em 1919, o movimento ressurgiu com força entre 1922 e 1924 e, depois, entre 1929 e 1930, tendo sido derrotado, contudo, em todas essas ocasiões. Mas a incapacidade de os socialistas e os comunistas se aliarem na política nacional e, por outro lado, o temor que os capitalistas alemães tinham de uma revolução social facilitaram a ascensão do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhe- cido como Partido Nazista, que se identificava ideologicamente com o partido fascista italiano. Quando explodiu a Crise de 1929, os trabalhadores alemães esta- vam fragilizados. Enfrentando a inflação e o desemprego desde o final da 1a Guerra Mundial, a frágil república alemã caiu em descrédito entre setores importantes da sociedade, que a viam como um símbolo de fracasso, derrotas e humilhações. Além desses fatores políticos e econômicos, havia alemães que ainda se sentiam ultrajados com o Tratado de Versalhes, que selou o fim da 1a Guerra Mundial. Nesse contexto de intensa agitação social, o Partido Nazista elegia cada vez mais representantes para o Parlamento alemão, indício de sua maior penetração popular, até que Hitler, seu líder, acabou sendo indicado para chanceler (primeiro-ministro) em 1933. Ainda nesse ano, o Parlamento alemão aprovou um ato que deu ao Chanceler amplos poderes executivos e legislativos, primeiro passo para sua ascensão como ditador. Era o começo do regime nazista e da constituição do Terceiro Reich, que duraria até o final da 2a Guerra Mundial, com a derrota da Alemanha. 102 História – Unidade 2
  36. 36. Ainda no mesmo ano, os nazistas culparam os comunistas por um incêndio no Parlamento (Reichstag) que eles mesmos haviam provocado. Desencadeou-se, assim, uma perseguição implacável aos comunistas e a outros representantes dos trabalhadores. Com isso, após alguns meses, o Partido Nazista foi declarado o único partido político legal do país. Em 1934, com a morte do então presidente, Paul von Hindenburg, Hitler acumulou os cargos de chanceler e presidente, tornando-se líder soberano da Alemanha nazista. O incêndio no Parlamento alemão (Reichstag), em 1933, foi um símbolo da destruição da democracia na Alemanha. Do ponto de vista econômico, o capitalismo alemão apoiou-se na repressão ao movimento operário para estabelecer um período de notável expansão. Em vez de se oporem ao nazismo, algumas gran- des corporações lucraram direta ou indiretamente com ele. E muitas delas fariam negócios relacionados à militarização do Estado alemão, enquanto outras simplesmente se beneficiariam do disciplinamento da mão de obra garantido pela repressão estatal. ©UniversalImagesGroup/UniversalHistoryArchive/Diomedia História – Unidade 2 103
  37. 37. Mas, se o regime nazista reprimiu os trabalhadores alemães, por que ele teve tanto apoio popular? Alguns fatores podem explicar isso, entre os quais: • a melhoria da economia alemã com sua reindustrialização, prin- cipalmente bélica, e com o sucesso no combate à inflação, o que gerou um período de prosperidade para boa parte da população; • a militarização da sociedade alemã, que dava à população, princi- palmente aos jovens, uma perspectiva de emprego e de carreira no serviço militar, além de algum tipo de inclusão social. No plano das ideias, os nazistas tinham muita semelhança com os fascistas italianos: aliavam um nacionalismo fanático a um racismo que pregava a superioridade da raça ariana. Essa crença na supe- rioridade racial justificava o expansionismo nazista, que pregava a necessidade de estender o que definiam como o “espaço vital” da nacionalidade alemã. A diferença fundamental entre a Itália e a Ale- manha estava no poderio econômico e militar alemão, muito superior ao italiano. Esse poder permitiu aos nazistas enfrentar seus inimigos e causar-lhes grandes destruições durante a 2a Guerra Mundial. Em termos sociais, no entanto, nem todos os alemães eram consi- derados membros da raça ariana: judeus, ciganos, homossexuais, defi- cientes físicos e mentais, entre outros, eram vistos como pertencentes a uma raça inferior. Assim como os comunistas, todos foram perseguidos durante o regime nazista. Essas ideias de intolerância racial, política e moral embasaram as agressões do exército alemão para com os outros povos, como os eslavos, contribuindo para o desencadeamento da 2a Guerra Mundial, em 1939. Atividade 4 O eterno perigo do fascismo Com base nas orientações e dicas do professor sobre filmes e tex- tos que tratam da ascensão do fascismo e do nazismo na Europa, somado ao que você estudou neste Caderno, faça uma pesquisa mais profunda sobre o tema e discuta com seus colegas: 1. Quais foram as condições sociais, econômicas e políticas que per- mitiram a ascensão desses regimes? 2. Essas condições podem existir ainda hoje? Em quais lugares? 3. Você acha que o perigo nazifascista já foi afastado ou pode ocorrer de novo? Eslavos Denominação usada para se referir a diversos povos que habitam o centro e o leste da Europa. Fica a dica O grande ditador (The great dictator, direção de Charles Chaplin, 1940). Esse filme, realizado durante a 2a Guerra Mundial, é uma sátira ao nazismo e ao fascismo. Raça ariana De acordo com a apropriação que os nazistas fizeram desse termo, os membros da raça ariana eram aqueles considerados brancos de origem germânica, de preferência os de cabelos e olhos claros, e “puros”, isto é, sem mistura com outras raças. 104 História – Unidade 2
  38. 38. Você estudou A Unidade enfocou alguns processos históricos ocorridos en- tre o fim da 1a Guerra Mundial e o começo da 2a Guerra Mun- dial, aproximadamente entre os anos de 1918 e 1939. Inicial- mente, você estudou a ascensão econômica dos Estados Unidos e a crise capitalista subsequente, que teve como momento mar- cante a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. As raízes da crise estavam vinculadas à expansão da econo- mia estadunidense depois da 1a Guerra Mundial e às contradi- ções entre a expansão da produção e os limites para o consumo. Sendo os Estados Unidos a maior potência econômica mundial, os efeitos da crise nesse país se espalharam por quase todo o planeta. As reações dos diversos países envolvidos nessa situação tiveram um ponto em comum: a intervenção do Estado na eco- nomia, mesmo onde havia uma forte tradição liberal. Em seguida, você estudou dois fenômenos políticos que se fortaleceram no contexto da crise: o fascismo e o nazismo. Você viu que o tipo de governo ao qual o nazismo pertenceu não foi uma invenção de Hitler. Antes dele, houve regimes similares em diversos países da Europa, sendo que o fascismo italiano pode ser considerado o pioneiro entre eles. Analisando o fascismo e o nazismo, você pôde identificar alguns elementos comuns: ultrana- cionalismo; ideias racistas; um sentimento de frustração nacional após a 1a Guerra Mundial; dificuldades econômicas e políticas; radicalização e derrota do movimento operário; apoio dos gran- des setores burgueses aos regimes ditatoriais; culpabilização de alguns grupos sociais pelos problemas que os países enfrentavam. Você estudou que o fascismo, assim como o nazismo, muitas vezes oferecia um salário e uma identidade social a pessoas de- samparadas em uma época de crise e desemprego. Esses indi- víduos constituíram movimentos de massa que atacavam com violência as organizações tradicionais dos trabalhadores. Uma vez no poder, reprimiram toda dissidência e estimula- ram a expansão econômica do país. Muitas empresas apoiaram e fizeram negócios com esses dois regimes, inclusive quando iniciaram um processo de militarização que desembocaria na 2a Guerra Mundial. História – Unidade 2 105
  39. 39. Pense sobre Primeiro, eles vieram atrás dos comunistas e eu não protestei porque não sou comunista. Depois eles vieram atrás dos sindicalistas e eu não protestei porque não sou sindicalista. Então, eles vieram atrás dos judeus e eu não protestei porque não sou judeu. Finalmente, eles vieram atrás de mim e não havia ninguém para protestar. NIEMÖLLER, Martin. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: <http://www.britannica.com/EBchecked/ topic/414633/Martin-Niemoller>. Acesso em: 12 nov. 2012. Tradução: Eloisa Pires. 106 História – Unidade 2

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