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MURILO LAUREANO PINTO             HIPERCÓRTEXUMA EXPERIÊNCIA DE JORNALISMO CIENTÍFICO EM           COMUNIDADES VIRTUAIS   ...
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AGRADECIMENTOS     A meus pais, por tudo.     À ANA CAROLINA, pela paciência.     A minha família, pelo apoio e presença c...
Uma invasão de exércitos podeser resistida, mas não a de uma  idéia cujo seu tempo chegou.                  Victor Hugo
PINTO, Murilo L. Hipercórtex: uma experiência de jornalismo cientifico em comunidadesvirtuais. 2003. 102p. Trabalho de Con...
PINTO, Murilo L. Hypercortex: a science news reporting experience in virtual communities.2003. 102p. Final paper on Social...
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6     O HIPERCÓRTEX ............................................................................................ 43    6.1...
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LISTA DE FIGURASFigura 1: Elementos esperados por usuários em páginas Web, por áreas................................. 38Fi...
11      INTRODUÇÃO                                                                        Este não é um livro sobre livros...
2      Apresentamos a história das inovações que levaram à Web no capítulo 2, História daInternet: do Mainframe à Cibercul...
32     HISTÓRIA DA INTERNET: DO MAINFRAME À CIBERCULTURA                                   Computadores são inúteis. Eles ...
4As máquinas em questão não tinham nem teclado, nem tela, sua capacidade de memória eraínfima [...] Esses computadores não...
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82.3   A WEB                                    Esta proposta diz respeito ao gerenciamento de informações                ...
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11necessidade de tutores (os donos dos livros) com vários alunos, a impressão tornou-ospaulatinamente populares – à medida...
12As redes hipertextuais ou informacionais, sejam elas sociais, a Internet ou outras, têm comocaracterísticas21:          ...
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153.1       CIBERESPAÇO: O ESPAÇO DO SABER                                          Os seres humanos não habitam apenas no...
16histórias. O tempo é circular: os eventos, como as estações, se repetem indefinidamente; aslendas, ferramentas de memóri...
17                               escapa; pois só a apreendemos mediante seu nome, seu conceito, sua                       ...
18         No campo da comunicação, a imagem, e não só mais a fala, é também separada de seucontexto de criação: “o signo ...
19                               dos Estados. Na Terra, enfim, ele é sempre absorvido nos mundos cerrados e               ...
20      A geografia do Ciberespaço é definida pelos intelectuais coletivos, “comunidadeshumanas comunicando-se consigo mes...
214       AMBIENTES COOPERATIVOS                                                      Não sou “eu” que sou inteligente, ma...
22que nem sempre se encadeia da mesma forma que o pensamento, o que pode levar a mal-entendidos.38       O groupware, estr...
23                               groupwares é exatamente o de reunir, não apenas os textos, mas também as                 ...
24                            A prosa escrita não é um simples modo de expressão da filosofia, das                        ...
25língua e do pensamento; fonemas; alfabetos, romano, árabe ou outro; caligrafia ou tipologia;material ou suporte sobre o ...
26      Alguns dos principais elementos da interface de ambientes cooperativos são o tema dopróximo item.4.4   FERRAMENTAS...
27indicam também as buscas mais comuns relacionadas ao tema ou valorizam os links com maisvisitações.         Ainda, se na...
285    CIBERJORNALISMO       Optamos pelo termo ciberjornalismo por precisão. Digital remete a uma gama muitoampla de modo...
29problematização do tradicional papel de gatekeeper do jornalista [...] a qualidade dos jornaison-line”52, o formato, lin...
30      Apesar dessa definição, bastante apropriada, percebe-se que os recursos consideradosinterativos pelo UOL – bate-pa...
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Procura testar teorias relacionadas a comunidades virtuais e produção de conhecimento através da implantação de um site de divulgação e jornalismo científicos. Utilizando recursos amplamente disponíveis e em grande parte gratuitos, criou-se um ambiente complexo de comunicação entre uma equipe jornalística e a comunidade de leitores. Tentou-se ainda coletar e definir guias de como deve ser apresentada a notícia na Web, mais especificamente em ambientes cooperativos. Exemplo disso são os modos de perenizar as informações veiculadas em notícias (instituições, contatos, termos e conceitos, etc.). É mostrada a evolução da Internet e a implicação dos novos modos de leitura e escrita da Web no pensamento e transmissão dos conhecimentos. Aborda-se ainda questões de design, acessibilidade, interface, interação e redação. Apresenta-se a viabilidade técnica e econômica de implantação e manutenção de um site elaborado, que atenda às necessidades comunicativas dos novos modos de apresentação das notícias e outras informações.

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  1. 1. Universidade Estadual de Londrina MURILO LAUREANO PINTO HIPERCÓRTEXUMA EXPERIÊNCIA DE JORNALISMO CIENTÍFICO EM COMUNIDADES VIRTUAIS LONDRINA 2003
  2. 2. MURILO LAUREANO PINTO HIPERCÓRTEXUMA EXPERIÊNCIA DE JORNALISMO CIENTÍFICO EM COMUNIDADES VIRTUAIS Trabalho apresentado à disciplina 3NIC024 – Projeto Experimental em Jornalismo – como requisito parcial à conclusão do curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina Orientador: Prof. Mário Benedito Sales LONDRINA 2003
  3. 3. DEDICATÓRIAPara adam_baum – a.k.a. Greg Allan,João Bosco Loureiro eOsvaldo Rosa,que nos deixaram,e ao Victor, que a nós se juntou,durante o desenvolvimento deste trabalho.
  4. 4. AGRADECIMENTOS A meus pais, por tudo. À ANA CAROLINA, pela paciência. A minha família, pelo apoio e presença constantes. A todos os colaboradores, financiadores, inspiradores e membros da comunidade desoftware livre, pelo trabalho dedicado e competente que permitiu a realização deste projeto. Aos fundadores e desenvolvedores do PostNuke, pela visão original e inovadora e pelotempo gasto em educar e guiar-nos pelo sistema. À ADRIANA YUMI, pela ajuda indispensável. A NILSON GIRALDI, pela importante contribuição. Aos amigos que participaram desta caminhada. A todos que colaboraram de qualquer modo para a concretização deste trabalho. Aos que não nos atrapalharam.
  5. 5. Uma invasão de exércitos podeser resistida, mas não a de uma idéia cujo seu tempo chegou. Victor Hugo
  6. 6. PINTO, Murilo L. Hipercórtex: uma experiência de jornalismo cientifico em comunidadesvirtuais. 2003. 102p. Trabalho de Conclusão de Curso (Comunicação Social, habilitação emJornalismo) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. RESUMOProcura testar teorias relacionadas a comunidades virtuais e produção de conhecimentoatravés da implantação de um site de divulgação e jornalismo científicos. Utilizando recursosamplamente disponíveis e em grande parte gratuitos, criou-se um ambiente complexo decomunicação entre uma equipe jornalística e a comunidade de leitores. Tentou-se aindacoletar e definir guias de como deve ser apresentada a notícia na Web, mais especificamenteem ambientes cooperativos. Exemplo disso são os modos de perenizar as informaçõesveiculadas em notícias (instituições, contatos, termos e conceitos, etc.). É mostrada a evoluçãoda Internet e a implicação dos novos modos de leitura e escrita da Web no pensamento etransmissão dos conhecimentos. Aborda-se ainda questões de design, acessibilidade, interface,interação e redação. Apresenta-se a viabilidade técnica e econômica de implantação emanutenção de um site elaborado, que atenda às necessidades comunicativas dos novosmodos de apresentação das notícias e outras informações. Palavras-chave:Jornalismo, Internet, Comunidades Virtuais, Ambientes Cooperativos,Ciência
  7. 7. PINTO, Murilo L. Hypercortex: a science news reporting experience in virtual communities.2003. 102p. Final paper on Social Communications - Journalism Majoring – UniversidadeEstadual de Londrina, Londrina. ABSTRACTIt trials theories related to virtual communities and knowledge production by implementationof a science and technology news and information reporting Website. Using resourcesavailable at large and most of them free (both as in freedom and gratis), a complexcommunication environment between a journalism staff and readers community was created.It tried yet to compile and set guidelines on how to present news on the Web, specifically incooperative environments. Examples of these are the means of perpetuate informationpublished in articles (institutions, contacts, terms and concepts, etc.). It shows the Internetevolution and the implications of the new ways of reading and writing on the Web inknowledge transmission and thinking. It also deals with matters of design, accessibility,interface and writing. It presents the technical and economic feasibility of the implementationand maintenance of such an elaborated Website, which serves the communicative needs of thenew ways of news and other information presentation. Keywords: Journalism, Internet, Virtual Communities, Cooperative Enviroments,Science
  8. 8. SUMÁRIOAGRADECIMENTOS.................................................................................................ivRESUMO ...................................................................................................................viABSTRACT ..............................................................................................................viiLISTA DE FIGURAS..................................................................................................xi1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 12 HISTÓRIA DA INTERNET: DO MAINFRAME À CIBERCULTURA................... 3 2.1 O PC.............................................................................................................. 3 2.2 A INTERNET ..................................................................................................... 6 2.3 A WEB ............................................................................................................ 8 2.3.1 O HIPERTEXTO ............................................................................................ 93 O CIBERESPAÇO ............................................................................................ 13 3.1 CIBERESPAÇO: O ESPAÇO DO SABER ............................................................. 15 3.1.1 A TERRA................................................................................................... 15 3.1.2 O TERRITÓRIO ........................................................................................... 16 3.1.3 O MERCADO ............................................................................................. 17 3.1.4 O SABER .................................................................................................. 184 AMBIENTES COOPERATIVOS ....................................................................... 21 4.1 A ARGUMENTAÇÃO HIPERTEXTUAL ................................................................. 21 4.2 FERRAMENTAS DE MEMÓRIA ........................................................................... 23 4.3 A QUESTÃO DA INTERFACE ............................................................................ 24 4.4 FERRAMENTAS DE INTERFACE......................................................................... 265 CIBERJORNALISMO ....................................................................................... 28 5.1 INTERAÇÃO.................................................................................................... 29 5.2 REDAÇÃO ...................................................................................................... 31 5.3 DESIGN ......................................................................................................... 36 5.3.1 USABILIDADE ............................................................................................ 37 5.3.2 ACESSIBILIDADE ........................................................................................ 40
  9. 9. 6 O HIPERCÓRTEX ............................................................................................ 43 6.1 GROUPWARES E CIÊNCIA ............................................................................... 43 6.2 JORNALISMO CIENTÍFICO ................................................................................ 44 6.2.1 DEFINIÇÃO ................................................................................................ 45 6.2.2 OBJETIVOS................................................................................................ 46 6.2.3 LINGUAGEM............................................................................................... 48 6.3 O SITE .......................................................................................................... 50 6.3.1 OBJETIVOS................................................................................................ 50 6.3.2 AUDIÊNCIA ................................................................................................ 50 6.3.3 RECURSOS ................................................................................................ 50 6.3.4 EQUIPE ..................................................................................................... 54 6.3.5 CONTEÚDO ................................................................................................ 56 6.3.5.1 Serviços ......................................................................................... 56 6.3.5.1.1 Notícias.................................................................................... 56 6.3.5.1.2 Colunas ................................................................................... 57 6.3.5.1.3 Enquetes ................................................................................. 57 6.3.5.1.4 Banco de teses ....................................................................... 58 6.3.5.1.5 Links ........................................................................................ 59 6.3.5.1.6 Fóruns ..................................................................................... 59 6.3.5.1.7 Bate-papo ................................................................................ 60 6.3.5.1.8 Tira-dúvidas ............................................................................ 61 6.3.5.1.9 Eventos.................................................................................... 61 6.3.5.1.10 Frases...................................................................................... 62 6.3.5.1.11 Recomende-nos/Envie para um amigo ................................ 62 6.3.5.1.12 Glossário................................................................................. 62 6.3.5.1.13 Galeria de Imagens ................................................................ 62 6.3.5.1.14 Boletins ................................................................................... 63 6.3.5.1.15 Banco de pesquisadores....................................................... 63 6.3.5.1.16 Clipping................................................................................... 63 6.3.5.2 Informações................................................................................... 647 CONCLUSÃO ................................................................................................... 66REFERÊNCIAS........................................................................................................ 69
  10. 10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ............................................................................. 72APÊNDICES ............................................................................................................ 77APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO DO SITE ................................ 78APÊNDICE B – MANUAL DO USUÁRIO DO HIPERCÓRTEX............................... 80GLOSSÁRIO............................................................................................................ 87
  11. 11. LISTA DE FIGURASFigura 1: Elementos esperados por usuários em páginas Web, por áreas................................. 38Figura 2: Distribuição da informação em sites: profundidade vs. quantidade de opções.........39Figura 3: Logomarca do HIPERCÓRTEX................................................................................ 43Figura 4: Modos de Difusão Científica .................................................................................... 45Figura 5: Modelo tradicional, com arquivos HTML simples...................................................52Figura 6: Modelo simplificado de processamento de dados com tecnologias server-side....... 53Figura 7: Dois exemplos de telas de Administração - visão parcial do Menu de Administração, no alto, e Adicionar Notícia, acima. O uso do CMS escolhido elimina a necessidade de Webmasters dedicados...................................................................................................... 55Figura 8: Chamada para notícia, na capa. Pode-se ver links para o corpo da matéria, para comentá-la, enviá-la para um amigo, criar uma versão de impressão, ver informações sobre o autor e também para o Tópico. ............................................................................56Figura 9: Página de capa das colunas, com logo de "O Cotidiano" ......................................... 57Figura 10: Caixa de exibição aleatória de enquetes na capa: usuários registrados ..................58Figura 11: Caixa de exibição aleatória de enquetes na capa: usuários anônimos não podem votar .................................................................................................................................. 58Figura 12: Página inicial do Banco de Teses............................................................................ 58Figura 13: Página inicial do serviço de Links ..........................................................................59Figura 14: Destaque na capa para as estatísticas do Fórum .....................................................60Figura 15: Caixa de entrada no Bate-papo, na capa. ................................................................ 60Figura 16: Caixa com eventos do dia de hoje e próximos, na capa. Para usuários registrados, exibe também seus compromissos pessoais. ....................................................................61Figura 17: Glossário - página com definição de um termo (EIA) do volume Meio Ambiente. 62Figura 18: Banco de Pesquisadores - página inicial do serviço ...............................................63Figura 19: Página inicial do serviço de clippings..................................................................... 64Figura 20: Rodapé do site, com links para páginas de informação .......................................... 65
  12. 12. 11 INTRODUÇÃO Este não é um livro sobre livros. Manuel Castells - A Sociedade em Rede, v. 1 Em artigo recente1, o físico e colunista de Folha de São Paulo, Marcelo Gleiser,estabelece dois tipos de cientistas: os sonhadores e os pragmáticos. Os primeiros seriamcaracterizados por uma criatividade advinda de uma pré-concepção da organização do mundo,“geralmente inspirada por conceitos estéticos, como simetria e beleza”, mas sem que isso setorne uma coisa menor. Dá como exemplo Johannes Kepler. Os outros seriam os queconsideram a ciência fruto de observação, análise de dados e experiências, o que põe a ciênciaem íntima relação com o desenvolvimento tecnológico necessário para a aquisição dessesdados. O exemplo de Gleiser para esse tipo de cientista é Thycho Brahe. Ambos, Brahe eKepler, trabalharam juntos, este como assistente daquele. Os dados do primeiro possibilitaramao segundo comprovar sua visão do mundo, que confirmariam Copérnico e dariam base àTeoria da Gravitação Universal, de Newton2. Nessa perspectiva, este é um trabalho pragmático: ele se propõe, basicamente, acomprovar a visão e conceitos propostos principalmente por Pierre Lévy, em suas obrasrelacionadas à inteligência coletiva e ao estabelecimento de um novo modo de cogniçãosurgido com as novas tecnologias de comunicação e representação da informação. Partindo desua visão, cujos escritos datam do início da década de 90 e que em grande parte tratam oubaseiam-se em aplicações incipientes e novas práticas de organização e comunicação aindatímidos na época, utilizamos tecnologias hoje amplamente difundidas e em pleno empregopara a efetivação de algumas das ferramentas comunicacionais propostas por ele. Para isso, criamos um site de divulgação e jornalismo científicos com foco na cidade deLondrina, nesta Universidade em especial. A escolha do tema deu-se pela lacuna existente namídia local na cobertura desses assuntos e, principalmente, pela proximidade dos ideais doformato de publicação e da ciência. Esta, como as comunidades virtuais, preza pela discussãolivre de idéias, a crítica entre pares e o acesso público às informações e a construçãocolaborativa do conhecimento._____________1 GLEISER, Marcelo. Pragmatismo e Sonho. Folha de São Paulo, São Paulo, 12 jan. 2003. Mais, p. 15.2 Ibid.
  13. 13. 2 Apresentamos a história das inovações que levaram à Web no capítulo 2, História daInternet: do Mainframe à Cibercultura. Nele diferenciamos os diversos protocolos detransmissão que a Internet suporta dos meios de comunicação, linguagens e práticascomunicacionais que surgem deles, numa tentativa de eliminar ambigüidades no uso determos e conceitos. Também iniciamos a definir as diferenças observadas na cognição e nasociedade humanas com o surgimento desses novos modos de comunicação. Isso é continuado no capítulo seguinte, O Ciberespaço. Apresentamos também a visãoantropológica de Lévy sobre a Web, a interação inevitável entre técnica, cultura econhecimento, e a evolução dessas relações na história humana. O quarto capítulo, Ambientes Cooperativos, restringe a abordagem a uma forma decomunicação na Web, aquela estabelecida nos groupwares ou comunidades virtuais.Apresentamos as implicações e possibilidades específicas desse modo de comunicação naorganização de um grupo, suas características técnicas e comunicacionais e damos algunsexemplos de sistemas com esse conceito. Mostramos ainda a importância da interface nosprocessos comunicacionais e como os groupware lidam com alguns dos problemas da Web. Como o jornalismo se enquadra no cenário estabelecido é o tema do capítulo 5,Ciberjornalismo. Abordamos a redação jornalística, o design Web e a importância daparticipação da equipe do site nas discussões e no dia-a-dia da comunidade. Na seqüência é mostrado o projeto do HIPERCÓRTEX, o site de divulgação ejornalismo científicos baseado em comunidades virtuais. Especificamos o conceito dejornalismo científico, suas características de linguagem e procedimentos e alguns paraleloscom a Web. Também são considerados os serviços e seções do HIPERCÓRTEX, seupúblico-alvo, as especificidades da cobertura e redação propostas e os aspectos técnicos dotrabalho.
  14. 14. 32 HISTÓRIA DA INTERNET: DO MAINFRAME À CIBERCULTURA Computadores são inúteis. Eles só podem te dar respostas. Pablo Picasso2.1 O PC Sou um digitador, não um escritor. Até minha letra está se desintegrando, tornando-se cada vez menos a minha letra, e mais o garrancho anônimo de alguém que está aprendendo a escrever. Steven Johnson – Cultura da Interface A história das inovações que levaram à Internet pode ser contada a partir dastecnologias decorrentes dos esforços da Segunda Guerra Mundial. Os investimentos militaresamericanos em pesquisa propiciaram que, em 1946, fosse criado o primeiro computador deuso geral, o Eniac (Eletronic Numeric Integrator And Computer, ou Computador E IntegradorNumérico Eletrônico), que “pesava 30 toneladas, foi construído sobre estruturas metálicascom 2,75 m de altura, tinha 70 mil resistores e 18 mil válvulas a vácuo e ocupava a área deum ginásio esportivo. Quando ele foi acionado, seu consumo de energia foi tão alto que asluzes de Filadélfia piscaram.”3 Nos anos 50, desenvolveram-se versões comerciais pordiferentes empresas, sempre mais potentes. Esse modelo computacional, baseado em Mainframes*, só começaria a mudar em 1971,com a invenção do microprocessador, que incluía todo um computador em um único chip. Em1975, Ed Roberts, um engenheiro fabricante de calculadoras, criou o Altair, o primeiro – eprimitivo – microcomputador. O Altair foi utilizado como base para os Apple I e II, este umsucesso comercial desenvolvido nas garagens dos pais dos jovens Steve Wozniac e SteveJobs, fundadores da Apple Computers, em 1976. Nessa época, “o nec plus ultra [o que haviade melhor, limite] era construir seu próprio computador a partir de circuitos de segunda mão._____________3 FORESTER (1987), apud CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede - A era da informação: economia,sociedade e cultura. 5 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. 617p.* Palavras marcadas com asterisco são encontradas no Glossário.
  15. 15. 4As máquinas em questão não tinham nem teclado, nem tela, sua capacidade de memória eraínfima [...] Esses computadores não serviam para quase nada, todo o prazer estava emconstruí-los.”4 Um fator fundamental na massificação dos computadores pessoais deveu-se àadaptação do software Basic para o Altair, feita em 1976 por Bill Gates e Paul Allen,desistentes de Harvard que fundariam a Microsoft tempos depois. A IBM* reagiu em 1982, lançando a marca que iria eternizar o objeto: PersonalComputer, o PC. A tecnologia utilizada pela IBM não era própria, mas desenvolvida porterceiros, o que impediu um controle rígido dos clones, que se difundiram pelo mundo epossibilitaram a supremacia dos PCs, apesar da superioridade técnica dos Apple.5 Em 1984, a Apple lançou o Macintosh, primeira versão comercial e funcional dosconceitos desenvolvidos pela Xerox de Palo Alto, com o uso intensivo da interface chamadade wimp: Windows, Icons, Mouse, Pointer (Janelas, Ícones, Mouse e Ponteiro; mas também“fraco, insípido, ineficaz”), que tornou os computadores amigáveis: não era mais precisoprogramar para usá-los; bastava apontar-e-clicar, ou olhar-e-sentir, no slogan da Apple naépoca6. O desenvolvimento da capacidade de processamento dos chips (Consultar a Tabela 1)vem cada vez mais diminuindo a presença dos mainframes em favor das arquiteturascliente/servidor e, mais recentemente, Peer-to-peer*. Tais configurações otimizam o uso dosrecursos e capacidade de processamento dos diversos computadores conectados, chegando areduzir o “custo médio do processamento da informação de aproximadamente US$75 pormilhão de operações, em 1960, para menos de um centésimo de centavo de dólar em 1990”7. Essas arquiteturas, Grid computing*, peer-to-peer, em rede, só se tornaram possíveiscom a evolução simultânea da capacidade de formação de redes e transmissão de dados. Masestas também só foram possíveis devido ao aumento da capacidade de computação e novosdispositivos eletrônicos (comutadores, roteadores, fibras óticas). A velocidade da mudançapode ser medida pela evolução da velocidade de transmissão de dados: 1956, cabostransatlânticos, 50 circuitos de voz compactada; 1995, cabos de fibra ótica, 85 mil circuitos devoz compactada8. A isso, somam-se as tecnologias que permitem uma melhor utilização do“espaço físico” de transmissão, como TCP*/IP e ATM*._____________4 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência – O futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro:Ed. 34, 2001. 208p.5 CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. Op. cit.6 JOHNSON, Steven. Cultura da Interface – Como o computador transforma nossa maneira de criar ecomunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001. 181p.7 CASTELLS, Manuel. Loc. cit..8 Ibid.
  16. 16. 5 Tabela 1: Evolução da tecnologia dos computadores e redes de transmissão eletrônica Ano Processadoresa Memóriab Transmissãoc 1972 200 KHz 1.024 bytes 1974 2 MHz (Altair) 56 mil bits/s (Arpanet) 1979 5 MHz (8088) 64 Kb 1982 6 MHz (286) Sem dados s/d 1985 16 MHz 1989 25 MHz (486) 1 Mb 1,5 milhões de bits/s (Arpanet) 1993 60 MHz 16 Mb 45 milhões de bits/s (NFSNET) Escala de Gigabits, suficiente para envio de uma Biblioteca do 1995 150MHz (Pentium) s/d Congresso Norte-americano por segundo, em protótipo 1997 200 MHz 1999 450 MHz 256 Mb 1999 1 GHz s/d 1999 1,4 GHz s/d 2000 1,5 GHz 1 Gb 2001 2 GHz s/d 2002 3,06 GHzFontes: a) Folha de São Paulo, 20/11/2002. Micro chega aos 3 GHz. b) Manuel Castells, op. cit. c) Id. Ibid. Velocidade de links* principais da rede. b e c: Valores e datas aproximados. s/d: sem dados.
  17. 17. 62.2 A INTERNET O computador é um meio de comunicação! Eu sempre tinha pensado nele como uma ferramenta, talvez um veículo – uma concepção muito fraca... Se o computador pessoal [era] um meio verdadeiramente novo, o próprio uso dele iria realmente mudar os padrões de pensamento de uma geração inteira. Alan Kay, citado por Steven Jonson – Cultura da Interface A Internet teve origem também na Segunda Guerra Mundial, pois foi, até certo ponto,uma resposta aos avanços tecnológicos russos. Em plena Guerra Fria, no final dos anos 50, aUnião Soviética lançou o Sputinik, ultrapassando os Estados Unidos na corrida espacial. Parainverter a situação, a Darpa* (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, do Departamentode Defesa norte-americano) investiu em diversas pesquisas ousadas. Uma delas promoviauma idéia de Paul Baran, da Rand Corporation: Criar um sistema de comunicaçãoinvulnerável a ataques nucleares. Para isso, a tecnologia de comunicação por comutação depacotes foi usada, tornando a rede de comunicação independente de centros de comando econtrole; se um pacote de dados ou todo um nó se perdesse devido a um ataque, por exemplo,a mensagem ainda poderia ser recomposta integralmente em qualquer ponto da rede.9 Assim, em 1969, foi lançada a Darpanet*, dirigida aos centros de pesquisa quecooperavam com o Departamento de Defesa. Mas os cientistas não se limitaram a usar a redenas pesquisas militares, tanto que, em 1983, a Arpanet foi dividida com a criação da Milinet,destinada exclusivamente para estas. Neste ano também foi adotado o padrão TCP/IP paraambas as redes. Nos anos 80, a Fundação Nacional da Ciência (NSF*) criou, com a IBM, aCSNET* e também a BITNET*, voltada para assuntos não-científicos. Todas essas redesusavam a infraestrutura da Arpanet, de forma que esta logo foi chamada de Arpa-Internet e,por fim, Internet, ainda mantida pelo Departamento de Defesa e operada pela NFS. Oaumento de tráfego exigia o aumento de capacidade de transmissão (consultar a Tabela 1). A invenção do Unix* em 1969 pelos Bell Labs, da AT&T*, um monopólio privadofinanciado pelo governo, também foi importante. O Unix trazia suporte nativo à conexão entrecomputadores e foi fundamental para a Internet, depois que pesquisadores de Berkeley,_____________9 CASTELLS, Manuel. Op. cit.
  18. 18. 7patrocinados pela Arpa, adaptaram o protocolo TCP/IP para o sistema, em 1983. Ofinanciamento público do projeto possibilitou que o Unix fosse distribuído a preço de custo. Paralelamente a esses grandes inventos, patrocinados por fundos estatais e generosos, ecientistas profissionais, havia uma enorme comunidade de usuários, boa parte universitáriosinfluenciados pela contracultura dos anos 60-70. Liberdade era o grande referencial dessacultura. Assim, dois estudantes, Ward Christensen e Randy Suess, inventaram em 1978 umaparelho que possibilitasse a eles transferir arquivos entre computadores via telefone, para quepudessem evitar as ruas de Chicago no inverno: o Modem*. No ano seguinte, criaram opadrão Xmodem*, que permite a conexão ponto-a-ponto, sem a necessidade de um servidor.Ambas as tecnologias foram distribuídas sem custo. No mesmo ano, alunos de universidadesnão incluídas na Arpanet resolveram seus problemas com iniciativas próprias, modificando oUnix para que utilizasse linhas telefônicas comuns. Criaram o Usenet10*, que também tevesua tecnologia difundida gratuitamente e, hoje, é um fórum de discussões tão grande eabrangente que tem difícil utilização prática. Diversas redes pequenas começaram a serformadas e elas podiam se interconectar, desde que houvesse uma linha telefônica e modensentre elas. Foi desse modo que culturas inicialmente opostas, a militar e a contracultura,contribuíram para o surgimento da Internet11. Tinham em comum a origem universitária, quefoi e é decisiva na definição da cultura predominante da Rede, por ser sempre a precursora nasinovações e modos de usá-las. Os esforços de cada um na realização de seus objetivospossibilitaram a abertura do sistema e o desenvolvimento tecnológico em saltos. Também, acontracultura deixou sua marca libertária e utópica: a Internet ainda não vê com bons olhos apublicidade e comercialização excessiva, inspira a informalidade e tem como grandereferencial a auto-regulação. A abertura é tamanha que o único modo de se manter totalmenteprotegido ou “fechado” na Rede é não estar nela. Na década de 90, percebendo o potencial da rede, a NSF privatizou diversos de seusserviços, dando início à Internet. Desde então, o embate militar/hippie expandiu-se e passou aincluir o business. A comercialização da Internet é cada vez maior, mas nada indica que devase tornar majoritariamente uma mídia de massa, como a televisão, rádio ou jornais, comoveremos adiante._____________10 news://news.usenet.org . É necessário um leitor de newsgroup*.11 CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. Op. cit.
  19. 19. 82.3 A WEB Esta proposta diz respeito ao gerenciamento de informações em geral sobre aceleradores e experimentos no CERN. Ela discute os problemas de perda de informações sobre sistemas que evoluem de modo complexo e infere uma solução baseada em um sistema distribuído de hipertexto. Tim Berners-Lee - Information Management: A Proposal, a proposta original da World Wide Web A Web é definida como implementação gráfica da Internet. Nesta altura, é importantediferenciar a Internet, meio de transmissão, e os diversos protocolos que se utilizam dela, osmeios de comunicação, ou, como prefere Meditsch, “meios de expressão”12. É útil, como ilustração, compará-la com outros meios de comunicação e transmissão: aInternet está para a Web como as ondas eletromagnéticas estão para o rádio. Do mesmo modoque a Internet transmite, além da Web, o E-mail*, mensagens de IRC*, etc., as ondas “derádio” transmitem também as mensagens da televisão, do rádio-amador, da telefonia celular eda própria Internet... Ninguém classificaria estes diferentes sistemas que se utilizam das ondaseletromagnéticas como um único; o mesmo deve ser feito com a Internet. O que talvez seja ogrande contribuinte para essa confusão é o fato de que com a Rede, pela primeira vez, tantoem modos de comunicação muitos/muitos (bate-papo), um/um (e-mail pessoal) ou um/muitos(sites de jornais), o mesmo equipamento utilizado para recepção é utilizado na emissão e,mais que isso, na produção das mensagens. Para diferenciar de forma mais apropriada a Internet da Web, recorremos a Tim Berners-Lee, o criador desta: A Internet é uma rede de redes. Basicamente, é feita de computadores e cabos. [...] Ela distribui pacotes [de dados] – em qualquer lugar do mundo, normalmente em menos de um segundo. Muitos tipos diferentes de programas usam a Internet: [...] como a Web, [eles] codificam as informações de forma diferente e usam diferentes linguagens entre computadores (protocolos) para fornecer um serviço. A Web é um espaço abstrato (imaginário) de informações. Na Rede, você encontra computadores – na Web você encontra documentos, sons, vídeos..._____________12 MEDITSCH, Eduardo. O ensino do rádio jornalismo em tempos de internet. In: CONGRESSO BRASILEIRODE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 24, 2001, Campo Grande. Anais... [s.l.]: Intercom, 2001. CD-ROM.
  20. 20. 9 Informações. Na Rede, as conexões são cabos entre computadores; na Web, conexões são os links de hipertexto.13 Ou seja, a Web é apenas um dos diversos protocolos que utilizam a Internet, e só foicriada no início da década de 90, cerca de 20 anos após a Internet. Antes, utilizavam-se outrosprotocolos: e-mail, News*, Gopher*, etc. Pela analogia que fizemos no início deste capítulo, a Internet é um meio de transmissãoapenas, cujo suporte cada vez mais se torna indeterminável: a convergência digital faz comque todo tipo de mensagem (TV, rádio, jornais, etc.) passe pelas mesmas redes de cabos. AWeb, no entanto, só é captada por computadores, principalmente os PCs (alguns PDAs* ecelulares acessam a Web, mas não exatamente a que nos referimos aqui; são linguagens eprotocolos bastante próximos, mas essencialmente diferentes, como o Wap* e a WML*). Elaé, portanto, um suporte. Um suporte cuja linguagem é o hipertexto.2.3.1 O HIPERTEXTO Imaginar uma linguagem é imaginar um modo de vida. Wittgenstein, citado por Steven Johnson – Cultura da Interface A característica mais marcante da Web é o hipertexto. Apenas ela, de todos osprotocolos abertos da Internet, possibilita a conexão por hyperlinks. Apesar de ser possívelincluir um hyperlink em um e-mail, ele é apenas uma referência para o programa navegadorda Web. O protocolo ou o programa leitor de e-mails não irá interpretar por si mesmo oendereço HTTP*, ainda que possa “ler” cada vez melhor páginas HTML*, com imagens emesmo vídeos. Tampouco é possível fazer uma referência direta à outra mensagem de e-maildo mesmo modo que se faz a uma página da Web. Também, apesar de ser possível fazerreferência a um endereço FTP* em uma página Web, o inverso não é verdadeiro. Embora o hipertexto seja característico da Web e se encontre implementado apenas nela,não se pode dizer que tenha tido origem ou pertença apenas a ela. A idéia original dohipertexto surgiu com Vannevar Bush e foi apresentada pela primeira vez em 1945 no artigo_____________13 BERNERS-LEE, Tim. Press FAQ. Disponível em <http://www.w3.org/People/Berners-Lee/FAQ.html>.Acessado em novembro de 2002. Traduzido livremente por Murilo Pinto
  21. 21. 10As We May Think14. Em oposição aos sistemas artificiais de indexação e organização deinformações existentes, fortemente baseados em níveis e classes, ele propunha o Memex, umsistema “natural”, semelhante ao funcionamento da mente humana, que funcionaria porassociações. Todas as fontes de informação de uma pessoa seriam centralizadas nele: umasérie de periféricos converteria livros, imagens e sons em microfilmes e fitas magnéticas. Apartir disso, o usuário poderia navegar pelas informações de forma não linear, “chamando” ainformação que necessitasse a qualquer momento, não importando onde ela estivesseguardada originalmente, criando associações independentes (e mesmo trilhas, linhas depensamento) que ficariam gravadas nos documentos, podendo ser reproduzidas ao toque deum botão. 15 Na década de 70, o conceito seria retomado por Theodore Nelson, que criaria o termohipertexto para designar a idéia de seu Xanadu: um imenso sistema de escrita/leitura contendotodas as informações literárias e científicas do mundo, aberto para comentários e trocas deinformações livres a todos os usuários.16 Essas referências ideais e utópicas estão longe de serem alcançadas, mas não se podedizer que sejam inalcançáveis; seria mais apropriado dizer que é uma questão de tempo atéque a tecnologia que as possibilite seja desenvolvida. Desta forma, a melhor definição para ohipertexto, como existe atualmente, vem de Pierre Lévy: Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem ser eles mesmos hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto significa portanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira. Funcionalmente, um hipertexto é um tipo de programa para a organização de conhecimentos ou dados, a aquisição de informações 17 Para entender a novidade que o hipertexto representa e suas implicações no modo comolidamos com a informação, é preciso compará-lo com sistemas anteriores de escrita. Seselecionarmos a mudança causada na ciência, leitura e escrita a partir da introdução daimpressão, teremos um resultado satisfatório. Se as características dos livros manuscritos eram alto custo de reprodução, falta depadronização, notações pessoais em margens e rodapés e traziam consigo implícita a_____________14 Para uma reprodução integral do artigo: http://www.theatlantic.com/unbound/flashbks/computer/bushf.htm15 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.16 Ibid.17 Ibid.
  22. 22. 11necessidade de tutores (os donos dos livros) com vários alunos, a impressão tornou-ospaulatinamente populares – à medida que caiam os custos de impressão e aumentava aportabilidade e usabilidade do livro – a ponto de fazer da alfabetização uma necessidadebásica e instituiu uma série de elementos de interface que, de tão disseminados e antigospassam despercebidos: capa, cabeçalhos e títulos, numeração seqüenciada de notas, páginas eseções, sumários e índices, referências cruzadas, etc.18 A própria espessura de um livro trazinformações sobre ele. Enfim, o livro é uma interface, bastante específica e historicamentedeterminada, construída sobre um suporte existente anteriormente, que influencia há poucosséculos o modo como lidamos com as informações. O mesmo ocorre com o hipertexto. Ele é uma interface nova de leitura e escrita que temcomo suporte a interface amigável19: • representação figurada, diagramática ou icônica das estruturas da informação e dos comandos (por oposição a representações codificadas ou abstratas); • uso do mouse que permite ao usuário agir sobre o que ocorre na tela de forma intuitiva, sensoriomotora e não através do envio de uma seqüência de comandos alfanuméricos [linha de comando]; • os menus que mostram constantemente ao usuário as operações que ele pode realizar; • a tela gráfica de alta resolução. Toda interface traz implícita uma forma de usá-la. A leitura de um livro difere da de umjornal. A evolução dos livros causada pela impressão e pelo agenciamento sócio-técnico doRenascimento permitiu que a escrita deixasse de ser uma simples técnica de memorização earmazenamento de dados ou uma arte – a caligrafia – e se tornasse uma ferramenta decomunicação20. Reitere-se: a escrita só se tornou uma ferramenta de comunicação muitosséculos após sua invenção, quando a impressão foi apropriada pela sociedade com esse fim. No hipertexto, convencionou-se chamar a esse uso de navegação. Ele diferegrandemente dos usos anteriores da escrita, e mais ainda das “novas mídias” eletrônicas. Maspara definirmos uma linguagem como própria da ou apropriada à Web, é preciso compararmais detidamente as características das mídias preexistentes, suas implicações sociais e comoelas se comportaram frente às mídias nascentes, o que faremos adiante. Lévy define ainda o hipertexto como uma metáfora de diversos fenômenos sociais, numsentido que coincide com a sociedade em rede, conceito proposto por, entre outros, Castells._____________18 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.19 Ibid.20 Ibid.
  23. 23. 12As redes hipertextuais ou informacionais, sejam elas sociais, a Internet ou outras, têm comocaracterísticas21: • Encontram-se em permanente construção e reconfiguração. Nós – sites, pessoas, instituições, fábricas, cidades, etc. – surgem, crescem e morrem a cada instante. Cada nó individual não importa tanto quanto a rede, já que na falta dele, outro assumirá sua função; • Os pontos da rede não são iguais. Diferem em importância (“tamanho”), função, características, etc.; • A Rede é composta de diversas redes, constituídas por miniredes que são constituídas por microredes e assim sucessivamente. Perturbações em qualquer estágio propagam- se indefinidamente, podendo atingir um grande número de atores ou pontos da Rede não diretamente relacionados ao evento inicial; • As redes não têm centro, exceto por diversos centros temporários, que são os nós principais; • Todos os pontos de uma rede estão igualmente ligados, a uma mesma “distância”. A distância pode ser nula ou infinita, significando que se está dentro ou fora da rede, mas é igual entre todos os pontos de uma mesma rede. Todos os movimentos, ou eventos, na rede dependem dessa proximidade. Alterar o posicionamento de um elemento da rede implica alterar ela própria. Essas características, somadas a outras tantas, definem o ciberespaço e a cibercultura. Éo que veremos a seguir._____________21 CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Op. cit.
  24. 24. 133 O CIBERESPAÇO [Ciberespaço:] uma representação gráfica de dados extraídos de bancos [de dados] de todos os computadores no sistema humano. Complexidade inimaginável. Linhas de luz vagando no não espaço da mente, enxames e constelações de dados. Willian Gibson – Neuromancer, citado no site do filme Johnny Mnemonic Chamaremos de ciberespaço22 uma forma específica da Internet e da Web. Uma formaadequada ao que entendemos como o objetivo principal do desenvolvimento das tecnologiasde informação. Não é o único imaginável, mas é o nosso. É fundamental a defesa desseprojeto nas mais diversas esferas, já que o modelo de uso do ciberespaço ainda estálargamente indefinido e será consolidado a partir das práticas e decisões sociais, comerciais,políticas, técnicas, etc. que aplicarmos, implantarmos e aceitarmos. “O ciberespaço designamenos os novos suportes de informação do que os modos originais de criação, de navegaçãono conhecimento e de relação social por eles propiciados.”23 É importante ressaltar que essas escolhas, mesmo quando “apenas técnicas”, temconseqüências em todas as outras esferas. Num exemplo próximo, a Universidade Estadual deLondrina, ao optar por usar em seus servidores sistemas fechados, proprietários – servidoresWeb IIS*, da Microsoft, e banco de dados Oracle – praticamente impede a utilização deprogramas (ou scripts) livres, de menor custo ou mesmo gratuitos, adaptáveis e quetransmitem conhecimento – como no caso do servidor Apache ou do banco de dadosMySQL* – em vez de simplesmente consumi-los. Uma decisão simplesmente técnica, tomadapelos administradores da rede, tendo em vista facilitar a manutenção de sistemas criados porterceiros, dada a alta rotatividade de desenvolvedores (alunos e professores), e totalmentejustificável sob esse aspecto24. Mas com implicações amplas no contexto maior. Este projeto,por exemplo, que tem custo zero em termos de software, não poderia ser hospedado nela. “É_____________22 LEITE, Sílvia. Internet e ciência: O potencial da Internet como contribuinte para o desenvolvimento daciência. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 24, 2001, Campo Grande.Anais... [s.l.]: Intercom, 2001. CD-ROM.23 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva – por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.212p.24 Leonardo Pinheiro, administrador da rede UEL. Conversa pessoal com Murilo Pinto.
  25. 25. 14preciso deslocar a ênfase do objeto (o computador, o programa, este ou aquele módulotécnico) para o projeto (o ambiente cognitivo, a rede de relações humanas que se querinstituir.”25 Nesse sentido, entendemos o Ciberespaço como um contraponto à sociedade doespetáculo, da televisão, da mídia de massa, do entretenimento, do tempo real. Uma superaçãodela. A Internet não estará consumada com a implantação ampla da banda larga e do vídeosob demanda. Não queremos uma mesma televisão, apenas on-line e “interativa”. Isso é para aTV digital. Nem um shopping global, como Bill Gates expressa em seus projetos Hailstorm*e .Net*. Ou um pan-ótico orwelliano, como o instituído pelos Estados Unidos com seusEchelon*, Carnivore* e TIA*. Com Lévy26, pensamos que os princípios do Ciberespaço, a serem defendidos emdiferentes níveis, são representados por: • instrumentos que favorecem o desenvolvimento do laço social pelo aprendizado e pela troca do saber; • agenciamentos de comunicação capazes de escutar, integrar e restituir a diversidade, em vez daqueles que reproduzem a difusão midiática tradicional; • sistemas que visam o surgimento de seres autônomos, qualquer que seja a natureza dos sistemas (pedagógicos, artísticos, etc.) e dos seres (indivíduos, grupos humanos, obras, seres artificiais); • engenharias semióticas que permitem explorar e valorizar, em beneficio da maioria, os jazigos de dados, o capital de competências e a potência simbólica acumulada pela humanidade. Isso não significa que esses projetos sejam auto-excludentes. Eles podem e deverãocoexistir, embora nem sempre de forma pacífica. É o que tentaremos mostrar no próximocapítulo._____________25 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.26 Id. A inteligência coletiva. Op. cit.
  26. 26. 153.1 CIBERESPAÇO: O ESPAÇO DO SABER Os seres humanos não habitam apenas no espaço do físico ou geométrico, vivem também, e simultaneamente, em espaços afetivos, estéticos, sociais, históricos; espaços de significação, em geral. Michel Serres, citado por Pierre Lévy – A inteligência coletiva Lévy propõe uma visão antropológica do Ciberespaço a partir do conceito dos Espaçosantropológicos, que define como um sistema de proximidade (espaço) próprio do mundo humano (antropológico), e portanto dependente de técnicas, de significações, da linguagem, da cultura, das convenções, das representações e das emoções humanas. [...] As pessoas de pé à minha volta, no metrô, estão mais distantes de mim, em um espaço afetivo, do que minha filha ou meu pai, que estão a quinhentos quilômetros daqui. 27 Ele define também a existência de quatro espaços antropológicos: Terra, Território, dasMercadorias e do Saber, cujas características ele aborda através das identidades humanas, dassemióticas, do tempo e do espaço e das relações com o conhecimento. Nessa perspectiva,explicitaremos as características e diferenças dos Espaços.3.1.1 A TERRA Só os seres humanos vivem sobre a Terra; os animais habitam nichos ecológicos. Pierre Lévy – A inteligência coletiva A Terra é a natureza recoberta pela ação – e significação – humana. Nela, o individuo sereconhece por seu nome, seu clã, seus ascendentes, deuses e mitos. Seu corpo é o veículo e amensagem, cuja marca é a presença física necessária do emissor e do receptor no mesmocontexto. A geografia, na Terra, é criada pelas trilhas dos povos nômades e animais. Ela étambém a memória dos homens, que se referem a acidentes geográficos em seus mitos e_____________27 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Op. cit. Toda a teoria deste capítulo remete largamente a esta obra.
  27. 27. 16histórias. O tempo é circular: os eventos, como as estações, se repetem indefinidamente; aslendas, ferramentas de memória e conhecimento, são eternas, mesmo quando se referem auma novidade – um deus ou algo do gênero, situado no passado infinito, sempre estarápresente. Os rituais, que reforçam identidades, são também os mesmos, sempre, e sempre sereferem ao divino ou mitológico. O saber está encerrado na carne, nas pessoas, que o transmitem oralmente àcomunidade.3.1.2 O TERRITÓRIO O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Jean-Jacques Rousseau – Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens O Território estabeleceu-se há cerca de 5000 anos, com o desenvolvimento detecnologias que permitiram ao homem fixar sua residência e administrar as novas relaçõessociais e econômicas que surgiram, em especial a agropecuária e a escrita. Elas propiciaram onascimento do Estado, que exigiu também o desenvolvimento de exércitos, leis,administrações, cidades. O Território sobrepuja a Terra: explorando seus recursos embeneficio próprio; limitando as ações através da delegação de poder; inaugurando apropriedade, pedaço da Terra cercado pelo Território. A hierarquia e tudo que se organiza pormeio de fronteiras, escalas e níveis, são as marcas deste espaço, que se percebe em relaçõessociais, familiares, educacionais, etc. A política, a propriedade, a religião, a nacionalidade, a corporação, escola ou sindicatosão as definidoras da identidade dos homens – fronteiras. Com a escrita e a impressão, a mensagem é separada do contexto onde é produzida. Afala também é sedentarizada: Os signos já não são apenas trocados na situação, mas podem ser separados de seus autores, separados das potências vivas a que se apegavam no regime semiótico da Terra. [...] Os signos representam as coisas: tornam presentes as coisas ausentes. [...] Entre os signos e as coisas interpõe-se de agora em diante o Estado, a hierarquia e seus escribas. [...] A coisa está ausente, ela nos
  28. 28. 17 escapa; pois só a apreendemos mediante seu nome, seu conceito, sua imagem, sua percepção, sempre signos. A coisa só aparece aqui sob a forma neutra, pálida e sem vida de seu representante. Não é mais que seu inacessível ‘referente’ . A coisa em si é transcendente.28 O tempo também é fixado pelo Território. Períodos são marcados a partir de dinastias ereis; a agricultura submete-se a regras e políticas de estoque, baseadas nas previsões feitas. Otempo é linear e lento, regrado. A geografia são mapas, latitudes, coordenadas – escrita. O saber é contido por especialistas, em obras herméticas. E é universal, pois independedo contexto.3.1.3 O MERCADO Como o rei Midas transformava inevitavelmente em ouro tudo o que tocava, o capitalismo transforma inelutavelmente em mercadoria tudo o que consegue incluir em seus circuitos. Pierre Lévy – A inteligência coletiva À dominação do Território, segue-se agora a do Mercado. Como todo Espaçoemergente, o Mercado reorganiza o Território e a Terra, utiliza-se deles, os explora e supera:a globalização elimina fronteiras, desterritorializa, diz o senso comum. Pode-se fixar seu período de maior relevância nos séculos XIX e XX. A teoria de Marx,centrada na economia, serve como exemplo da predominância – porque, vale lembrar, osespaços coexistem e não podem simplesmente deixar de existir – do Mercado no período. Nele, a identidade é dada pelo salário, pelo status social, pelo consumo. O trabalho,antes ele mesmo uma identidade, serve mais para uma satisfação do desejo de consumir. O espaço no Mercado é traçado por redes globais, desnacionalizadas. As fronteiras -comerciais, políticas, culturais – são forçadas e tentadas a cair. O tempo da Mercadoria éacelerado: os estoques planejados do Território são desprezados em favor de um fluxoininterrupto de produtos, just in time. O tempo real, não mais seqüencial, mas paralelo, anulaa linearidade da história – simultaneidade. A geografia do Mercado é criada por estatísticas egráficos: tudo é média, captada instantaneamente, em fluxos, sobretudo os econômicos._____________28 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Op. cit.
  29. 29. 18 No campo da comunicação, a imagem, e não só mais a fala, é também separada de seucontexto de criação: “o signo é desterritorializado”29. O referente, a coisa, encontra-se tãodistante do signo que já nem é necessário – ilusão e ausência. A moeda continua a circular, na ausência do padrão-ouro. A melodia ouvida no rádio ou gravada no disco jamais foi cantada como a ouço: trata-se apenas de um efeito de estúdio, só existe na esfera do espetáculo. A imprensa e a televisão criam o acontecimento, produzem a realidade midiática, evoluem em seu próprio espaço em vez de nos enviar os sinais das próprias coisas. A referência só remete à midiasfera. A grande loja do signo, ou o Espetáculo, torna-se uma espécie de super-realidade pela qual toda fala, ou toda imagem, deve passar, caso pretenda ter alguma eficácia. A passagem nos circuitos midiáticos destrona a representação: ‘Visto na TV’... [...] É isso o Espetáculo: todo o real é passado para o lado do signo. Os fatos, as pessoas, as obras são signos. E são tratados, reproduzidos, difundidos como tais.30 O conhecimento é aberto, pelas universidades, pela mídia, pelas indústrias inovadoras.Como as fronteiras nacionais, as ciências se misturam em interdisciplinaridade e se difundempor bibliotecas, revistas, seminários, bancos de dados. O hipertexto – sistema de referências,notas de rodapé e citações – se revela como memória coletiva humana e sujeito do saber. Ateoria, explicação do Livro universal, é suplantada por modelos e simulações, menosdefinitivos e com respostas mais imediatas. O Espaço do Saber insinua-se.3.1.4 O SABER Sejamos francos: o Espaço do saber não existe. Pierre Lévy – A inteligência coletiva Lévy afirmava em 1994 – antes, por exemplo, do surgimento da Internet comercial noBrasil – que o Espaço antropológico do Saber não existia, no sentido de não ter se realizadoem lugar algum; existia potencialmente (ou virtualmente), mas poderia nunca ser cristalizado,jamais atingir um ponto de não-retorno. Hoje, pelo lado das mercadorias, o Espaço do saber ainda se encontra submetido às exigências da competitividade e aos cálculos do capital. No Território, ele se subordina aos objetivos de potência e à gestão burocrática_____________29 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Op. cit..30 Ibid.
  30. 30. 19 dos Estados. Na Terra, enfim, ele é sempre absorvido nos mundos cerrados e nas mitologias arcaicas da new age [...]31 A emergência de um Espaço novo traz complicações aos que a vivem. Como a maioriada população pode se reconhecer em relação ao Saber? Todos compramos e nos relacionamoscom o Mercado; todos habitamos um Território, falamos uma língua; todos temos um nome euma religião, mesmo que seja a da negação total. Mas quantos produzem ou consomemSaber? Se o conceito de Saber for limitado à produção científica, a resposta será poucos. Masnão é o caso: Saber, aqui e como em Lévy, refere-se a todo o escopo das relações humanas,que produzem conhecimentos diversos continuamente, e não somente de forma racional. “Nãose trata de autonomia do conhecimento científico em si mesmo, que tem seu direitoreconhecido há pelo menos vinte e cinco séculos, mas de um espaço do vivre-savoir e dopensamento coletivo que poderia organizar a existência e a sociabilidade das comunidadeshumanas.”32 Mas, ainda assim, como é definida a identidade no Espaço do Saber, ou comochamaremos doravante, Ciberespaço? De forma geral, a identidade é dada pelas comunidadesvirtuais, ou intelectuais coletivos, das quais os indivíduos participam. Essas identidades sãotemporárias, por vezes efêmeras, e se formam a partir das interações que o indivíduo realizacom a comunidade e seus membros. E são também múltiplas, já que os membros de umacomunidade são livres para se associar a outras tantas. E a comunidade serve também deinstrumento de identificação às outras comunidades, que também se afirmam de formadinâmica, a partir das ações de seus membros. E essa ação é principalmente, senãoessencialmente, significante. O Ciberespaço provoca o retorno do “real” ao campo da significação. As separaçõesentre signo e referente do Território e do Mercado são anuladas pela ação efetiva, recíproca,dinâmica e necessária dos indivíduos em suas comunidades intelectuais, que reconfiguram atodo instante não só a mensagem, mas o próprio contexto. Exemplo disso é a nova relação com o tempo. Se ele era determinado pelo cosmo, naTerra, pelas leis humanas e científicas no Território, e pela velocidade dos circuitos e daeconomia no Mercado, os intelectuais coletivos assumem controle de suas temporalidades deforma subjetiva. O tempo são ritmos interiores que se ajustam em um espaço coletivo._____________31 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Op. cit.32 Ibid.
  31. 31. 20 A geografia do Ciberespaço é definida pelos intelectuais coletivos, “comunidadeshumanas comunicando-se consigo mesmas, pensando a si próprias, partilhando e negociandopermanentemente suas relações e seus contextos de significações comuns”33. Toda ação, oufalta de ação, reconfigura o ambiente, o espaço, o contexto, a mensagem enfim. Ao ler umanotícia ou baixar um documento, mesmo sem a intenção, o usuário reforça a credibilidade dolink. Como formigas, o usuário está reforçando a trilha ao utilizá-la. Tecnologias de sucesso,como a do serviço de busca Google34, são baseadas nessa receita. Os inteligentes coletivos contêm o conhecimento de forma integrada, dinâmica econtínua, não compartimentada em disciplinas ou fragmentada em fluxos de dados. Ascomunidades virtuais são ambientes de troca de informações e conhecimentos. Este é seuobjetivo, um “meta-objetivo”. Diferentemente do Mercado, que tem como objetivo o lucro, doTerritório, que visa o poder e o controle, ou da Terra, que busca o divino, o Ciberespaço temcomo Norte o saber, por si mesmo. “Os produtos das novas indústrias de tecnologia dainformação são dispositivos de processamento da informação ou o próprio processamento dainformação.”35 Neste ponto, poderíamos passar a uma conclusão sobre a existência ou não do Espaçodo Saber atualmente. Mas fazê-lo não tem propósito. Como já foi dito, o Ciberespaço existe,virtual, potencialmente. Cabe a nós atualizá-lo e cristalizá-lo. Isso só é possível com esforçocotidiano no sentido de concretizar o projeto. Antes de irmos ao projeto específico de nosso trabalho, definiremos a relevância dasescolhas técnicas na constituição da sociedade e cultura, e como essas ferramentas intelectuaisalteram o modo como nos relacionamos com o conhecimento._____________33 LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Op. cit.34 http://www.google.com.br, no Brasil.35 CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Op. cit.
  32. 32. 214 AMBIENTES COOPERATIVOS Não sou “eu” que sou inteligente, mas “eu” com o grupo humano do qual sou membro, com minha língua, com toda uma herança de métodos e tecnologias intelectuais. Pierre Lévy – A Inteligência Coletiva Os ambientes cooperativos, groupwares, são ferramentas on-line de auto-organizaçãode sistemas sociais. Empresas e instituições podem ser vistas como sistemas sociais e, maisimportante, comunicacionais, nos quais as mensagens e conversas, mais que simples trocasde informações, são “atos de linguagem, que comprometem aqueles que os efetuam frente a simesmo e aos outros”36. O groupware surge como uma ferramenta de organização dessa redede interações e coordenação das ações dos indivíduos. Abordaremos suas características e relações com o conhecimento e o pensamento.4.1 A ARGUMENTAÇÃO HIPERTEXTUAL O objetivo de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso. Joseph Joubert Uma das principais características do groupware é a forma com que as mensagens sãotrocadas em sua rede: em uma conversa, a argumentação é muitas vezes superficial, menossistematizada, hierarquizada e organizada que textos escritos, em função das deficiências damemória humana de curto prazo. “Usamos processos retóricos mais do que raciocínio passo apasso. Reafirmamos nossos argumentos em vez de avaliar em conjunto as provas ejustificativas de cada inferência”37. Mesmo o texto escrito traz uma estrutura argumentativa_____________36 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.37 Ibid.
  33. 33. 22que nem sempre se encadeia da mesma forma que o pensamento, o que pode levar a mal-entendidos.38 O groupware, estruturado em hipertexto, permite uma representação gráfica da estruturade argumentos, além de sua ligação com outros documentos de referência, que ampliam eaprofundam o debate e embasam a discussão.39 Em certa medida, as discussões em um ambiente cooperativo perdem em personalismo.O que é dito importa mais do que quem o diz, apesar da identidade, construída em cima daacuidade e correção das observações avaliada pelos outros membros da comunidade – e nãosobre títulos ou posições –, ser um fator importante na credibilidade do emissor. Mas amensagem principal é resultado da discussão progressiva e acumulativa, na qual até o menor ebanal argumento pode se revelar um insight relevante. Não se pensa em réplica e tréplica, masem uma cadeia de argumentos, mesmo que discordantes, em torno da solução de um problemacomum aos integrantes. Como tende a ser também extensivamente documentada, a discussãoé um modo efetivo de transmissão de conhecimentos. Duas aplicações podem ser facilmente reconhecidas como groupwares: sistemas defóruns e de notícias que permitam comentários. No primeiro, qualquer usuário envia umamensagem, iniciando uma discussão (thread). Colocará um problema, uma pergunta, ou faráuma proposição. Outros, de acordo com seus interesses e conhecimentos individuais, irãoresponder a ela, negando sua validade, discutindo melhores abordagens, simplesmentereferendando a posição original, dizendo como o problema também os afeta ou como lidaramcom ele. Muitas vezes, a discussão muda totalmente de objetivo à medida que vão sendoacrescentadas observações. O mesmo ocorre com sistemas de notícias que permitemcomentários. Um exemplo aleatório: o portal de jornalismo e comunicação Comunique-se40noticiou o disparo efetuado contra uma equipe de reportagem londrinense. Uma nota curta éexpandida em discussão sobre punição para menores, a situação dos jornalistas e dacriminalidade e até os efeitos da corrupção do prefeito recentemente retirado do cargo. Lévy propõe que o hipertexto seja atualmente a metáfora mais apropriada do modo dopensamento e comunicação humanos: A operação elementar da atividade interpretativa é a associação; dar sentido a um texto é o mesmo que ligá-lo, conectá-lo a outros textos, e portanto é o mesmo que construir um hipertexto. […] Para que as coletividades compartilhem um mesmo sentido, portanto, não basta que cada um de seus membros receba a mesma mensagem [já que os contextos e referências intelectuais de cada um podem ser muito divergentes]. O papel dos_____________38 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit..39 Ibid.40 http://www.comunique-se.com.br
  34. 34. 23 groupwares é exatamente o de reunir, não apenas os textos, mas também as redes de associações, anotações e comentários às quais eles são vinculados pelas pessoas. Ao mesmo tempo, a construção do senso comum encontra-se exposta e como que materializada: a elaboração coletiva de um hipertexto. […] Mais uma vez, é preciso inverter completamente a perspectiva habitual segundo a qual o sentido de uma mensagem é esclarecido por seu contexto. Diríamos antes que o efeito de uma mensagem é o de modificar, complexificar, retificar um hipertexto, criar novas associações em uma rede contextual que se encontra sempre anteriormente dada. O esquema elementar da comunicação não seria mais ‘A transmite alguma coisa a B’, mas sim ‘A modifica uma configuração que é comum a A, B, C, D, etc.’.414.2 FERRAMENTAS DE MEMÓRIA Numa comparação entre sociedades orais, as baseadas na escrita e as “digitais”, Lévy42reforça as implicações desses diferentes modos de cognição no conhecimento e culturahumanos. Como já dissemos ao abordar o Espaço antropológico da Terra, nas sociedades orais oconhecimento é encarnado nos anciãos. Ele precisa ser transmitido, na forma de histórias,mitos, lendas, reiteradamente, sob risco de liquidar o conhecimento caso a história sejaesquecida pelo grupo, ou devido à morte de um membro-chave. Os rituais são um modo deatualizar e disseminar esses conhecimentos. Com o surgimento da escrita – mais especificamente após a impressão – o modo deconhecimento das sociedades orais foi desvalorizado em favor da erudição literária. A escrita,tecnologia própria do Território, permitiu a emergência da teoria como forma predominantede conhecimento. A teoria define-se como uma proposição universal, independente de umcontexto, auto-suficiente, mas que ao mesmo tempo se refere ou interpreta outras teorias etradições. O livro possibilita a acumulação e aprofundamento dos conhecimentos emensagens, ao servir de memória de longo prazo e também suporte perene dasargumentações. Para Lévy, a escrita separou a memória dos sujeitos e comunidades. Ao ser objetivadaem um conhecimento universal, impessoal, permitiu que uma outra questão, filosófica,surgisse: a verdade também independe dos sujeitos? Em outras palavras, o surgimento dopensamento racional teria sido condicionado – mas não determinado – pela existência daescrita._____________41 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.42 Ibid.
  35. 35. 24 A prosa escrita não é um simples modo de expressão da filosofia, das ciências, da história ou do direito. Ela os constitui, já que estes domínios do conhecimento, tal como os conhecemos hoje, não preexistem a ela. [...] Descartes ou Leibniz [...] jamais teriam sido aquilo que foram sem a impressão. Mas nem Descartes nem Leibniz podem ser deduzidos da prensa mecânica inventada por Gutenberg. [...] Não se trata de identificar a prensa mecânica com a ‘ciência’ou o ‘progresso’: no século XVI, foram impressos tratados de ocultismo e libelos incitando as pessoas a guerras religiosas, para não falar daquilo que se publica hoje! Mas, ainda assim, podemos sustentar que a invenção de Gutenberg permitiu que um novo estilo cognitivo se instaurasse.43 A informática ampliou exponencialmente a capacidade de armazenamento, transporte evelocidade de consulta das tecnologias intelectuais no que diz respeito ao suporte à memória,além de adicionar novos modos de comunicação, como o audiovisual. Esse aumento dainformação disponível gera não só benefícios, mas também novos problemas, em especial:credibilidade e valor de uma informação entre tantas, como encontrar “a agulha no palheiro”,fragmentação da mensagem e efemeridade das informações. Mas falamos aí de um banco de dados “em estado natural”. Para remediar essesproblemas, adicionamos, sistematicamente, interfaces.4.3 A QUESTÃO DA INTERFACE De forma geral, interface significa contato entre meios diferentes, tradução, mediação,uma relação semântica44. Um controle remoto é uma interface homem/televisão, obviamentediferente, mesmo em suas implicações, do comando “direto” via painel frontal. Mas umvídeo-cassete também é uma interface homem/tevê. Em termos informáticos, pode ser um modem, que põe em contato meios diferentes (oanalógico dos telefones e o binário dos computadores). Mas usualmente se refere à interfacehomem/máquina (HCI, na sigla em inglês), que é definida pelo “conjunto de programas eaparelhos materiais que permitem a comunicação entre um sistema informático e seususuários humanos”45. Lévy considera “a interface” como uma rede de interfaces, camadas que se superpõemsucessivamente a cada inovação tecnológica. Assim, ele ilustra, um livro, interface maiscomum de leitura há séculos, é constituído das interfaces: escrita, que é a interface visual da_____________43 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit..44 JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Op. cit.45 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit.
  36. 36. 25língua e do pensamento; fonemas; alfabetos, romano, árabe ou outro; caligrafia ou tipologia;material ou suporte sobre o qual está registrado, que pode tão diferente quanto um papiro ouuma tábua de argila, o que acarreta usos obviamente diferentes. “A interface condiciona adimensão pragmática, aquilo que pode ser feito com a interface ou o ‘conteúdo’, termo tãoinadequado”46. Qual então o papel da interface groupware na Web? Uma visão bastante popular daInternet é a que afirma sua condição fragmentária, efêmera, poluidora, ruidosa. É difícil não aderir a esse consenso geral. [...] A notícia chega de fato em blocos cada vez mais curtos (embora talvez não a ponto de se reduzir a notícia nenhuma), e o espectador ideal da maior parte dos entretenimentos visuais sofre indubitavelmente de um caso crônico do distúrbio do déficit de atenção. [...] No entanto, contra todo esse deslocamento, sobrecarga e multiplicidade, há a interface. Quase sempre falamos sobre a interface gráfica como se ela fosse a culminação lógica da revolução digital, sua glória máxima, mas a verdade é que a interface serve em geral como um antídoto para as forças desencadeadas pela era da informação.47 Assim, um sistema de busca serve como filtro para a infinidade de sites, em grandeparte insignificantes. As melhores engines, softwares, logaritmos – interfaces – terão maissucesso por serem mais úteis aos usuários. Voltando ao controle remoto: ele nos livra delevantar e rodar um sintonizador com números que significam quase nada, nos aproximarmosda tevê para abaixar o volume só para descobrirmos, ao voltarmos ao sofá, que ficou baixodemais; as tecnologias – interfaces – que automaticamente buscam sintonizar a imagem nosseparam de um complicado e preciso procedimento de ajuste, que muitas vezes é prejudicadopela falta de destreza manual do usuário. Dito de outra forma, ele também filtra asinformações, reduzindo as opções ou variáveis nos processos. É por isso que deveríamos conceber a interface, em última análise, como uma forma sintética, em ambos os sentidos da palavra. Ela é uma espécie de embuste, uma paisagem falsa que passa pela coisa real, e – o que talvez seja mais importante – é uma forma que trabalha a serviço da síntese, reunindo elementos díspares num todo coeso. [...] A turbulência conceitual – a impressão de que o mundo está se acelerando à nossa volta, puxando-nos em milhares de direções ao mesmo tempo – é uma tradição profundamente moderna, com raízes que remontam a cem anos atrás. O que distingue nosso próprio momento histórico é que surgiu uma balança projetada precisamente para contrabalançar essa tendência, combater a fragmentação e a sobrecarga com síntese e interpretação. [...] Ela torna a informação assimilável por nós ao encobrir a maior parte dela – pela simples razão que ‘a maior parte dela’ é multitudinária demais para ser imaginada num único pensamento48_____________46 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Op. cit..47 JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Op. cit48 Ibid.
  37. 37. 26 Alguns dos principais elementos da interface de ambientes cooperativos são o tema dopróximo item.4.4 FERRAMENTAS DE INTERFACE Um dos modos mais comuns de filtragem de informações atualmente é o comentário.Pode ser o comentário incluído no rodapé da notícia, o feito através de blogs ou de colunistas,todos textos que comumente remetem a outros e, ao fazê-lo, modificam seus sentidos, filtram-los. A própria mensagem dos comentários é importante, mas outro filtro está tambémimplicado em muitas interfaces: as trilhas. As trilhas podem ser definidas como os caminhos que os usuários traçaram ao navegarpor um site. Essa navegação é, sempre, registrada. Em sistemas groupware, o principalobjetivo desse registro é utilizar essa informação, essa navegação, no que ela possa significarpara a coletividade. Assim, ao emitir um comentário, mesmo que depreciativo, o usuário estávalorizando aquela informação no que ela pode ter de novidade. A trilha, aqui, se reflete naquantidade de respostas, comentários ou mesmo leitores de determinada discussão ou notícia.Da mesma forma, uma enquete será, ao menos inicialmente, considerada mais relevante semais pessoas estiverem participando dela, um arquivo terá mais valor se tiver sido maisbaixado, e um link deverá ser melhor – ou assim será considerado – se tiver mais visitas. Obviamente, o critério não poderia ser simplesmente numérico, apesar de este serefetivo, já que diferentemente de outros métodos de quantificação reflete as ações reais dosusuários. Para aumentar a validade dos dados, utilizam-se recursos de avaliação e voto: dá-semaior nota aos recursos – notícias, downloads, links, usuários – que mais auxiliaram onavegante. Ao longo do tempo, essas informações são preciosas para os usuários novatos ourecém-chegados. Os sistemas de busca também são ferramentas importantes de interface. Compare umsite com um livro – principalmente os sem índice remissivo – e terá imediatamente uma idéiadas diferenças. Todos esses recursos trabalham juntos. Nos resultados de uma busca, por exemplo, oscódigos tendem a mostrar primeiro os recursos com melhor índice de incidência dos termospesquisados, que podem ser balanceados para privilegiar os mais bem-avaliados e exibir aquantidade de comentários feitos sobre o resultado proposto, por exemplo. Alguns sistemas
  38. 38. 27indicam também as buscas mais comuns relacionadas ao tema ou valorizam os links com maisvisitações. Ainda, se na televisão o zapping de canais é fragmentador, a navegação por hyperlinks éagregadora: Um surfista de canais fica saltando entre diferentes canais porque está entediado. Um surfista da Web clica num link porque está interessado. [...] um link é uma maneira de traçar conexões entre coisas, uma maneira de forjar relações semânticas [...] [ele] deveria ser compreendido em geral como um recurso sintético, uma ferramenta que une múltiplos elementos num mesmo tipo de unidade ordenada.49 Essa confusão, entre o zapping da televisão e a navegação da Web, bastante comumprincipalmente entre críticos de mídia, talvez explique a falta de uso massivo de hyperlinkssignificativos, em meio ao texto, como complementos dele, em vez dos apenas burocráticos,distribuídos ao lado ou ao final do texto principal, que têm como destino outros “cadernos” dejornais, outras “últimas notícias” ou empresas citadas na matéria. Por não se compreenderplenamente a natureza do meio e sua linguagem, escreve-se de forma linear e isso é, nomínimo, um desperdício de recursos. Por essa razão, mais uma vez, não é apropriadopropormos aqui uma linguagem própria da Web ou, ainda pior, da Internet, mas doCiberespaço. Ou, tratando-se de jornalismo, de jornalismo on-line, digital, webjornalismo,etc., em vez de ciberjornalismo._____________49 JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Op. cit
  39. 39. 285 CIBERJORNALISMO Optamos pelo termo ciberjornalismo por precisão. Digital remete a uma gama muitoampla de modos de comunicação e se propõe mais, quando relacionado ao jornalismo, àconvergência de mídias e meios de transmissão e às ferramentas de produção dos conteúdos.On-line implica a conexão simultânea, a atualização constante, a disponibilidade imediata eem tempo real das mensagens e interlocutores, o que não ocorre sempre e, principalmente, emgroupwares; as discussões em fóruns por exemplo se estendem por longos períodos de tempocronológico e se sujeitam aos tempos subjetivos e à disponibilidade dos usuários. Ambosabrangem desde vídeo on-demand até mensagens via pager ou e-mail. O termo Webjornalismo restringe a atuação aos sites Web, mas se apresenta muitocontaminado pela moda e o modo que se faz jornalismo para a Web atualmente, deslumbradocom as possibilidades da multimídia, mesmo sem ter dado a devida atenção às inovaçõesainda exploráveis do texto – ou hipertexto – escrito, e ligado de forma muito estreita aoconceito de tempo real. Ciberjornalismo, por outro lado, se relaciona diretamente ao conceito de Ciberespaçoque apresentamos anteriormente. Evoca também, através do antepositivo ciber-, a idéia dogoverno do jornal – ou site – pelo leitor50. Ele é o elemento principal, que deve ser valorizadonesse ambiente. A interação integrada ao núcleo produtivo do site, somada ao uso dasferramentas de interface também já apresentadas e outros elementos de linguagem enavegação são as características delineadoras desse modo específico de jornalismo para aWeb. No entanto, independentemente do tipo de site ou conteúdo em que apareça, o noticiáriopara a Web deve seguir alguns padrões que se impõe: atualizar constantemente do conteúdo,fornecer informação de fundo, ser concebido para a Web, conter bases de dados, áudio,imagens e vídeo, aproveitar as possibilidades do meio e ser submetido à lógica de navegaçãoassociativa e não seqüencial51, a fim de facilitar a apreensão da informação pelos usuários. São ainda campos potenciais de análise do jornalismo para a Web: “o processo defabrico de conteúdos on-line e a reconversão das práticas profissionais, as fontes e o uso daInternet para a investigação jornalística ou a credibilidade da informação on-line e a_____________50 DICIONÁRIO Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa v. 1.0. CD-ROM51 SOUZA, Jorge P. Qualidade percebida de quatro jornais on-line brasileiros. In: CONGRESSO BRASILEIRODE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 24, 2001, Campo Grande. Anais... [s.l.]: Intercom, 2001. CD-ROM.
  40. 40. 29problematização do tradicional papel de gatekeeper do jornalista [...] a qualidade dos jornaison-line”52, o formato, linguagem e redação da notícia, o uso do site pelo público, a multimídiae a convergência digital, entre outros. Com essa perspectiva, elegemos como temas principais, na perspectiva do trabalho, osque se relacionam diretamente com a linguagem jornalística e a relação que o públicoestabelece com a informação em sites Web e com os próprios sites, considerados comosistemas sociais ou entidades.5.1 INTERAÇÃO Leitores são abundantes; pensadores são raros. Harriet Martineau Se destacamos a necessidade de interação real, integrada intrinsecamente ao processo deprodução de conteúdo do site, isto deve-se ao menosprezo com que ela vem sendo tratada,quando não nos discursos muitas vezes publicitários, na prática. Caio Túlio Costa, entãoresponsável pelo portal UOL*, dá um exemplo da maneira compartimentada com que se vê asáreas, ao falar da audiência do site: “uns 30% [vem] da área de interação, os chats, etc... aárea de notícias eu diria por volta de 18 a 20%.” [grifo nosso]53. O termo é assim definido pelo Houaiss: n substantivo feminino 1 influência mútua de órgãos ou organismos inter-relacionados Ex.: <i. do coração e dos pulmões> <i. do indivíduo com a sociedade a que pertence> 2 ação recíproca de dois ou mais corpos 3 atividade ou trabalho compartilhado, em que existem trocas e influências recíprocas 4 comunicação entre pessoas que convivem; diálogo, trato, contato 5 intervenção e controle, feitos pelo usuário, do curso das atividades num programa de computador, num CD-ROM etc. [...] 8 Rubrica: sociologia. conjunto das ações e relações entre os membros de um grupo ou entre grupos de uma comunidade [grifo nosso]54_____________52 SOUZA, Jorge P. Qualidade percebida de quatro jornais online brasileiros. Op. cit.53 ACESSAMOS Caio Túlio Costa, do UOL, maior provedor do mundo em língua não inglesa. Revista Imprensa,São Paulo, n. 150, jul. 2000.54 DICIONÁRIO Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa v. 1.0. Loc. cit.
  41. 41. 30 Apesar dessa definição, bastante apropriada, percebe-se que os recursos consideradosinterativos pelo UOL – bate-papo, fórum, enquete, etc. – são de interação homem-máquina ouusuário-usuário, vistos ou empregados comumente mais como enfeites ou gracejos, não partesintegrantes do próprio fazer jornalístico. Poucos sites nacionais, em especial os maiores, possibilitam o comentário das notícias anão ser em fóruns muitas vezes desorganizados e desvalorizados a ponto de serem inúteis.Mesmo quando tal ferramenta existe, a redação não se envolve no debate, não reage a ele, sejade forma imediata ou posterior. Não se ouve a comunidade e menos ainda se responde a ela.Nesse sentido, em vez de se fazer uma matéria tradicional e apenas adicionar a elaferramentas de debate entre os leitores, os próprios jornalistas deveriam participar dadiscussão que se seguir. Por exemplo, o portal Comunique-se noticiou uma supostaintervenção do governo paranaense no jornal O Estado do Paraná para demissão de umjornalista. A discussão desenvolveu-se com acusações diversas contra o próprio site, contra ojornal, o governo anterior e o próprio jornalista demitido. A repórter do site e o demitidousaram o sistema de comentários para se defender, assim como o diretor do sindicatoparanaense e outros profissionais para esclarecem e abordarem outras questões. No longo prazo, isso se refletiria no conteúdo e prestígio do site. O repórter ou editorestaria intimamente ligado à comunidade, conhecedor de suas vontades, e seria tambémreconhecido pelos leitores como um membro, não um estranho. Steve Outing já fazia essarecomendação, de tornar os jornalistas do site em “personalidades”, há alguns anos. Para ele,as mesmas notícias estão presentes em tantos diferentes sites (ou commoditizada) que épreciso estabelecer relações pessoais entre leitores e jornalistas específicos55. “Como aInternet é um meio claramente de dupla via, os sites plenamente interativos são aqueles queunem as pessoas, que facilitam a comunicação entre usuários e entre os usuários e a equipe deprodução do site.”56 Essa visão de interação vai além do reducionismo que se vê comumente, que consideraser uma “situação de interatividade [... o leitor] poder escolher, dentre a malha hipertextual,aqueles links que ele deseja e que lhe darão a continuidade da informação”57. Sim, a “simples_____________55 OUTING, Steve. Introduza alguma personalidade na Internet impessoal. Parem as máquinas, [s.l., 2000?].Disponível em <http://www.uol.com.br/parem>. Acessado em [2000?].56 PRIMO; CASSOL, 1999. apud LEITE, Sílvia. Internet e ciência: O potencial da Internet como contribuintepara o desenvolvimento da ciência. Op. cit.57 MIELNICZUK, Luciana. Interatividade e hipertextualidade no jornalismo online: mapeamentos para umadiscussão. [s.l., sd.].

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