Volume 4 Agropecuaria

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Volume 4 Agropecuaria

  1. 1. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO NA AGROPECUÁRIA VOLUME IV
  2. 2. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME IV TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais
  3. 3. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Conselho de Administração José Augusto Trópia Reis - Presidente Murilo Paulino Badaró - Vice-Presidente Edgard Martins Maneira Elvira Fonseca Garcia Fábio Proença Doyle José Pedro Rodrigues de Oliveira Diretoria Murilo Paulino Badaró - Presidente Francisco José de Oliveira - Vice-Presidente José Lana Raposo Ignácio Gabriel Prata Neto Júlio Onofre Mendes de Oliveira Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Equipe Técnica do Departamento de Planejamento, Programas e Estudos Econômicos – D.PE Bernardo Tavares de Almeida Frederico Mário Marques Gislaine Ângela do Prado Juliana Rodrigues de Paula Chiari Marco Antônio Rodrigues da Cunha Marilena Chaves Tadeu Barreto Guimarães - Gerente Apoio Administrativo Cristiane de Lima Caputo Diully Soares Cândido Gonçalves Henrique Naves Pinheiro Hiram Silveira Assunção Marta Maria Campos 3 Introdução
  4. 4. As idéias expostas nos textos assinados são de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião do BDMG. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Rua da Bahia, 1600, Lourdes 30160.907 Caixa Postal 1.026 Belo Horizonte - Minas Gerais Tel : (031) 3219.8000 http://www.bdmg.mg.gov.br e-mail: contatos@bdmg.mg.gov.br Editoração de Textos IDM / Técnica Composição e Arte Criação da Capa Fernando Fiúza de Filgueiras Projeto e Produção Gráfica Fernando Fiúza de Filgueiras Otávio Bretas Rona Editora Ltda Avenida Mem de Sá, 801 Santa Efigênia 30260-270 Belo Horizonte/ MG Telefax: (31) 3283-2123 Revisão e Normalização Dila Bragança de Mendonça Elzira Divina Perpétua (Coordenação) Marlene de Paula Fraga Raquel Beatriz Junqueira Guimarães Vicente de Paula Assunção Virgínia Novais da Mata Machado Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais Minas Gerais do Século XXI / Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. B213m 2002 Belo Horizonte: Rona Editora, 2002. 10 v. : il. - Conteúdo: v.1 - O Ponto de Partida. v. 2 - Reinterpretando o Espaço Mineiro. v. 3 - Infra-Estrutura: sustentando o desenvolvimento. v. 4 - Transformando o Desenvolvimento na Agropecuária. v. 5 - Consolidando Posições na Mineração. v. 6 - Integrando a Indústria para o Futuro. v. 7 - Desenvolvimento Sustentável: apostando no futuro. v. 8 - Investindo em Políticas Sociais. v. 9 - Transformando o Poder Público: a busca da eficácia. v. Especial – Uma Visão do Novo Desenvolvimento 1. Condições econômicas – Minas Gerais. 2. Desenvolvimento econômico – Minas Gerais. I. Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. II. BDMG. III. Título CDU: 338.92(815.1) Catalogação na publicação: Biblioteca BDMG 4 Minas Gerais do Século XXI - Volume I - O ponto de partida
  5. 5. VOLUME 4 TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Coordenador Técnico do Volume Gislaine Angela do Prado
  6. 6. ECCON - Estudos, Sistemas e Consultorias em Negócios Ltda. Universidade Federal de Viçosa - UFV EQUIPE TÉCNICA Coordenação Rúbio de Andrade Eduardo A. P. Campelo Viviani Silva Lírio Elaboração Rúbio de Andrade Eduardo A. P. Campelo Viviani Silva Lírio Brício dos Santos Reis Marília Fernandes Maciel Gomes Wilson da Cruz Vieira Apoio Cleiton Ladeira Faustino Elaine Cristina Pinto Karine Ribeiro Raslan Michele Costa e Souza Patrícia Lopes Rosado
  7. 7. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 9 2. NOTAS METODOLÓGICAS 11 3. PANORAMA DA AGROPECUÁRIA NACIONAL E ESTADUAL 17 3.1. ASPECTOS RELEVANTES DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA 17 3.2. VISÃO GERAL DA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS 21 4. AS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS EM MINAS GERAIS 51 4.1. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO CAFÉ 51 4.2. AS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS DE CARNES 59 4.3. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO LEITE 86 4.4. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DAS FRUTAS 96 4.5. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DA CANA-DE-AÇÚCAR 115 4.6. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO ALGODÃO 126 5. AS CADEIAS AGRÍCOLAS EM MINAS GERAIS 134 5.1. AS CADEIAS AGRÍCOLAS DE GRÃOS 134 5.2. A CADEIA AGRÍCOLA DA BATATA 162 5.3. A CADEIA AGRÍCOLA DA MANDIOCA 167 6. PROPOSIÇÕES POLÍTICAS 173 6.1. O AMBIENTE INSTITUCIONAL RELATIVO ÀS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS 174 6.2. O MARCO LEGAL DO SETOR AGROPECUÁRIO ESTADUAL 179 6.3. PROPOSTAS PARA A POLÍTICA AGRÍCOLA ESTADUAL 181 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 190 8. ANEXO - SUMÁRIO EXECUTIVO 199
  8. 8. BDMG 40 anos 1. Introdução Na última década, o setor agropecuário nacional - e também o mineiro - vêm passando por modificações estruturais em suas atividades mais relevantes. A par de um importante processo de modernização tecnológica e gerencial, que resultou na profissionalização de parcela relevante das atividades produtivas, observa-se um significativo rearranjo espacial no sentido da concentração na direção Oeste do País (e do Estado de Minas Gerais), paralelamente a uma integração crescente da produção primária à agroindústria, com aumento do porte e redução do número de unidades produtivas. Esses movimentos foram reflexo de um intenso processo de modernização, em boa parte induzido pela abertura da economia nacional à competição internacional e pela retirada do governo do estabelecimento e operacionalização das principais políticas públicas para o setor, que causavam distorções competitivas e desequilíbrios de alocação de recursos. A estrutura geral de preços agropecuários resultante desse processo tornou-se incompatível com as práticas produtivas que não fossem comercialmente competitivas. A sobrevivência econômica do setor rural passa a ser definida pela situação tecnológica dos produtores e sua capacidade de inserção empresarial nos mercados agropecuários, cujas estruturas são as mais competitivas da economia nacional. Como conseqüência, atividades localizadas em regiões com custos de produção - associados a condições naturais edafoclimáticas ou a dificuldades logísticas de acesso aos mercados - menos competitivos, estão sendo induzidas a se deslocar para regiões competitivas, como estratégia de sobrevivência econômica. Em Minas Gerais, a evolução desse cenário em transformação não se fez acompanhar por levantamentos sistemáticos e estudos que permitam o conhecimento objetivo de sua economia rural, suas tendências e o estabelecimento de diretrizes estratégicas para o seu fomento. Com efeito, os últimos estudos abrangentes sobre a agropecuária estadual foram realizados há muitos anos, sendo os mais relevantes aqueles constantes do diagnóstico da economia mineira realizado pelo BDMG em 19891, os estudos de cenários das principais cadeias produtivas desenvolvidos pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 19942 e o levantamento de dados sobre a agropecuária mineira feito pela Fundação João Pinheiro em 2001, com dados de 1995/ 963. Em função da dinâmica setorial, esses estudos, naturalmente, já estão defasados. Assim, o planejamento de políticas setoriais e implantação de ações de fomento à produção agropecuária estadual requerem uma nova avaliação da realidade desse setor. As cadeias produtivas sob análise neste trabalho foram selecionadas pela sua relevância econômica e social para o Estado e para o País. Atualmente, Minas Gerais é o primeiro produtor nacional de café, abacaxi, batata e leite; o segundo na produção de milho e gado bovino; o terceiro em feijão e suínos, o quarto em cana-de-açúcar e laranja; o sexto na produção de banana e aves, o sétimo na produção de soja, mandioca e algodão e o oitavo na produção de arroz. Em todas essas cadeias, existe grande potencial de expansão tanto na esfera produtiva quanto no processamento e comercialização de seus subprodutos. BDMG. Economia Mineira 1989: diagnóstico e perspectivas. Belo Horizonte, 1989. 1 SEAPA. Cenários e tendências da agropecuária mineira. Belo Horizonte, 1994. 2 FJP/Rocha, Patrícia A. M. (Coord.). Indicação e análise das transformações do setor agropecuário, 1995-96, com ênfase em 3 Minas Gerais. Belo Horizonte, julho de 2001. 9 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  9. 9. Ainda que o Estado seja importante produtor de outros produtos, em especial de produtos BDMG 40 anos da olericultura - a exemplo do alho, tomate e outros - as áreas ocupadas e a renda gerada por eles são, relativamente às cadeias consideradas, pouco relevantes, razão pela qual não são aqui abordados. Há de se mencionar, ainda, a ausência, neste trabalho, da produção florestal. Com efeito, Minas Gerais ocupa a primeiro lugar nacional em plantios de madeira (eucalipto e pinus), com cerca de 35% do total, em uma área reflorestada de 1,27 milhões de hectares, o que coloca essa cultura na primeira posição estadual em área ocupada. Não obstante, no caso de Minas Gerais, a madeira é uma matéria-prima eminentemente industrial, destinada à produção de carvão para a indústria siderúrgica. Os grandes maciços foram implantados por um reduzido número de grandes empresas de siderurgia para o auto-abastecimento de carvão siderúrgico. Assim, a vinculação principal desse segmento não é com o setor agropecuário, mas com a cadeia produtiva minero- metalúrgica, ainda que as florestas disputem os mesmos fatores de produção com os demais produtos agrícolas (terra, insumos, sol e água). Concluindo, o presente trabalho tem por objetivos: • Apresentar um panorama agregado do setor agropecuário mineiro, destacando a realidade atual e tendências gerais dos principais indicadores rurais do Estado; • Caracterizar a estrutura e o funcionamento das cadeias produtivas agroindustriais selecionadas em de Minas Gerais; • Identificar os fatores que afetam o desempenho atual e futuro do sistema; e • Quando oportuno, propor estratégias empresariais e políticas públicas para a melhoria do seu desempenho. 10 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  10. 10. BDMG 40 anos 2. Notas Metodológicas A análise de cadeias produtivas agroindustriais tem sido realizada a partir de diferentes abordagens metodológicas, que contemplam desde simples estudos exploratórios até complexas análises quantitativas. Assim sendo, a opção metodológica é definida, a princípio, em função dos objetivos da análise pretendida e da base conceitual adotada. Neste estudo, a metodologia de análise utilizada toma por referência conceitual principal o enfoque sistêmico de produto (Commodity Systems Approach - CSA), complementado pelo enfoque mais recente de Supply Chain Management - SCM. Esse método de pesquisa tem sido bastante utilizado na construção de diversos diagnósticos de cadeias produtivas agroindustriais, tendo por característica central seu viés qualitativo, bastante útil na diagnose de entraves e na construção de perspectivas setoriais. Embora se considere de fundamental importância a construção de uma base sólida de dados acerca de cada segmento analisado possuindo, portanto, nuanças quantitativas, seu enfoque é essencialmente sistêmico. Nessa abordagem, segundo Silva et alii (1999) um sistema é compreendido por dois aspectos básicos: uma coleção de elementos e uma rede de relações funcionais, as quais atuam em conjunto para o alcance de algum propósito determinado. De forma geral, esses elementos interagem por meio de ligações dinâmicas, envolvendo o intercâmbio de estímulos, informações ou outros fatores não-específicos. As análises de cadeias agroindustriais; portanto, se beneficiam dessa visão conjunta, uma vez que sua eficiência e competitividade são fruto do bom desempenho de cada um de seus elos constitutivos. De maneira geral, define-se cadeia produtiva como o conjunto de atividades econômicas que se articulam progressivamente desde o início da elaboração de um produto. Isso inclui desde matérias-primas, insumos básicos, máquinas e equipamentos, componentes, produtos intermediários até o produto acabado, a distribuição, a comercialização e a colocação do produto final junto ao consumidor, constituindo elos de uma corrente. Segundo Davis e Goldberg (1957), citados por Batalha et alii (1997), a agricultura não poderia ser abordada de maneira indissociada dos outros agentes responsáveis por todas as atividades que garantiriam a produção, transformação, distribuição e consumo de alimentos. Eles consideravam as atividades agrícolas como parte de uma extensa rede de agentes econômicos que iam desde a produção de insumos, transformação industrial até armazenagem e distribuição de produtos agrícolas e derivados. De fato, Goldberg utilizou a noção de Commodity System Approach no estudo de matérias-primas de base, sendo estas as fornecedoras de um ponto de partida para análise. Ou seja, nessa metodologia, são realizados cortes verticais no sistema econômico a partir de uma matéria-prima de base, para só depois se estudar o comportamento de seu funcionamento como um todo. De fato, a noção de CSA está mais ligada ao consumo final, destacando o importante papel do consumidor. Durante a aplicação dessa abordagem, Goldberg abandona o referencial teórico da matriz insumo-produto para aplicar conceitos oriundos da economia industrial. Assim, o paradigma clássico da economia industrial: Estrutura - Conduta - Desempenho, passa a fornecer os principais critérios de análise (Batalha et alii, 1997). Em síntese, a principal característica da abordagem CSA é sua fundamentação na área de sistemas. Para que essa análise seja mais bem-entendida, a agricultura deve ser vista dentro de um sistema mais amplo composto principalmente, pelos produtores de insumos, pelas agroindústrias 11 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  11. 11. e pela distribuição/comercialização. É necessária uma sucessão de etapas produtivas, desde a BDMG 40 anos produção de insumos até o produto acabado, como forma de orientar a construção de suas análises (SEBRAE, 2000). Os principais aspectos assumidos pelo modelo CSA são a análise mesoanalítica e sistêmica dos estudos em termos de cadeia agroindustrial. Para Batalha et alii (1997), a mesoanálise pode ser definida como quot;a análise estrutural e funcional dos subsistemas e de sua interdependência dentro de um sistema integradoquot;. Essa definição remete diretamente a um enfoque sistêmico, segunda característica importante de uma cadeia agroprodutiva. Dessa maneira, um sistema pode ser definido como um conjunto formado de elementos ou subelementos em interação. A interação desses fatores forma as chamadas cadeias de produção que, quando analisadas, devem, necessariamente, levar em consideração as seguintes características: • Estar localizadas em um dado meio ambiente; • Cumprir uma função ou exercer uma atividade; • Estar dotadas de uma estrutura e evoluir no tempo; • Ter objetivos definidos. De acordo com Silva et alii (1999), uma análise sistêmica tem como pré-requisito a definição de vários aspectos que caracterizam o problema a ser estudado. Isto é, a definição do sistema e de seu meio ambiente passa, necessariamente, pela definição do objetivo a ser alcançado pela análise. Assim, uma análise em termos de cadeia de produção deve definir também várias condições que são conseqüência do objetivo a ser atingido. A partir do final dos anos 60, diversas análises de cadeias agroindustriais foram realizadas nos Estados Unidos, tomando o enfoque sistêmico de produto como referencial de pesquisa. Estudos foram realizados por universidades, para os setores de suinocultura, avicultura, carne bovina, laticínios e grãos, entre outros. De acordo com SEBRAE (2000), a motivação para essa série de estudos foi a necessidade de melhor compreender as formas de organização das cadeias agroindustriais norte-americanas, que, à época, passavam por transformações significativas nos padrões de controle e coordenação vertical. A predominância até então típica dos mercados locais como principais coordenadores das relações entre produtores, processadores e outros atores nas cadeias agroindustriais, estava sendo mudada para a de sistemas mais complexos de coordenação, envolvendo contratos, integração vertical ou parcerias. Os padrões de controle nas cadeias produtivas moviam- se cada vez mais para empresas de fora do setor de produção agrícola. A avaliação dos efeitos dessas mudanças sobre o desempenho do setor seria, portanto, relevante elemento na formulação de políticas para o setor agroindustrial. Outra característica fundamental do enfoque sistêmico é a noção de sinergia, que reconhece o fato de que um sistema não constitui a mera soma das partes de um todo. Assume-se que o sistema expresse uma totalidade composta dos seus elementos constituintes, tais como produtores, cooperativas, empresas agroindustriais, sindicatos, etc... Entretanto, a noção de sistema é maior do que a soma das partes, ou seja, deve-se demonstrar que o sistema se caracteriza pelos padrões de interações das partes e não apenas pela agregação destas (FIG. 1). 12 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  12. 12. BDMG 40 anos Macroeconômicos Político-institucionais Internacionais Mercado Inovação Recursos humanos Produção Gestão Configuração da Regime de incentivo Indústria Legais e regulatórios Sociais Infra-estruturais FIGURA 1: Representação dos elementos que compõem o ambiente no qual se insere uma CPA FONTE: MDIC, 2001. A identificação dos elementos, juntamente com as suas propriedades isoladas, não é suficiente para expressar um sistema. Nessa estrutura conceitual, as propriedades relacionais não são redutíveis a propriedades atomísticas. O sistema agroindustrial provém de padrões sistemáticos de interação dos agentes da cadeia produtiva: produtores, cooperativas, sindicatos, agroindústrias, supermercados, consumidores, etc., e não da agregação de propriedades desses componentes (SEBRAE, 2000). Em síntese, o enfoque sistêmico de produto oferece o suporte teórico necessário à compreensão da forma como a cadeia funciona e sugere as variáveis que afetam o desempenho do sistema. É importante destacar, em adição, que, segundo esses autores, a principal característica dessa definição é que a interdependência dos componentes é reconhecida e enfatizada na abordagem sistêmica. Assim, a generalidade dessa perspectiva permite o estudo de questões diversas sob esse ângulo, possibilitando, em princípio, o melhor entendimento de fatores que afetam critérios de desempenho global, fatores esses que podem estar presentes em quaisquer dos elementos constituintes do sistema. Por exemplo, em análises do desempenho de sistemas é freqüente a identificação de problemas que, embora aparentes apenas em determinado componente, têm sua origem em outros elementos remotamente localizados no espaço ou no tempo. Com efeito, as inter-relações dos elementos de um sistema envolvem geralmente mecanismos de propagação e realimentação, os quais dificultam a identificação de ciclos de causa-efeito ou de estímulo-resposta, a partir de análises tradicionais segmentadas por elementos. A realização de diagnósticos de sistemas agroalimentares pode ser fundamentada em um conjunto variado de opções conceituais e metodológicas. Dependendo dos objetivos específicos estabelecidos, da disponibilidade de recursos físicos e financeiros e da flexibilidade dos cronogramas de execução, essas opções contemplam desde estudos baseados em grandes amostras de integrantes do sistema a análises simplificadas, fundamentadas essencialmente em informações de caráter secundário. O presente trabalho elegeu uma abordagem bastante pragmática, que combina o uso 13 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  13. 13. intensivo de informações de fontes secundárias com a realização de entrevistas com especialistas BDMG 40 anos em cada uma das cadeias produtivas selecionadas, a fim de que seja possível promover a validação das informações obtidas durante o processo de revisão de literatura. Para a avaliação dos padrões de eficiência da cadeia produtiva, o estudo tomará por base, além das medidas tradicionais de produtividade, custos de produção e preços, a metodologia originalmente proposta por Van Duren et alii (1993), adaptada por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de Santa Catarina (Silva e Batalha, 1999). Esse enfoque, já utilizado em diagnósticos de cadeias produtivas agroindustriais, considera que a eficiência em um sistema produtivo é determinada por fatores diversos sobre os quais é possível ou não o exercício de controle pelas empresas ou pelo governo. De fato, essa primeira caracterização é importante para que se possa verificar quais fatores se prestam mais facilmente a alterações direcionadas pelos próprios empresários e pelas instituições governamentais, o que é essencial no delineamento de sugestões para a superação dos eventuais entraves detectados4. Essa descrição está ilustrada na FIG. 2. Em seguida esses fatores, aqui denominados direcionadores, são agrupados em seis grandes blocos: tecnologia, gestão, relações de mercado, insumos, estrutura de mercado e ambiente institucional, sendo importante destacar que cada um desses direcionadores encontra-se presente em cada elo da cadeia produtiva analisada. Competividade em Sistemas Agroindustriais Indicada por Parcela de Mercado Lucratividade Avaliada por direcionadores Gestão Estrutura de Mercado Ambiente Institucional Insumos Tecnologia Relações de Mercado P&D, Processos, Equipamentos, etc. FIGURA 2: Competitividade de Sistemas Agroindustriais FONTE: Van Duren, 1993. Adaptado por Silva e Batalha, 1999. No âmbito dessas notas, abordamos o termo cadeia produtiva foi usado de forma abrangente. Não obstante, tomando-se por base as informações teóricas e empíricas até aqui delineadas, percebe-se a existência de significativas diferenças de constituição entre as cadeias selecionadas. A descrição detalhada dessa metodologia pode ser encontrada em AGUIAR e LAGO (2002). 4 14 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  14. 14. Tais diferenças expressam-se tanto em termos dos padrões de eficiência analisados quanto do BDMG 40 anos grau de controle e coordenação vertical a que a atividade específica está submetida. Respeitando- se o enfoque sistêmico, pode-se, para efeito de ordenação lógica, convencionar a classificação das cadeias em duas categorias: as cadeias agrícolas e as cadeias agroindustriais, conforme definição abaixo: Cadeia agrícola: conjunto de atividades que, embora articule os elementos básicos que sistematizam uma cadeia (localização determinada, cumprimento de uma função, dotação de estrutura / evolução no tempo e objetivos definidos), apresenta grau de coordenação vertical e padrões de eficiência relativamente menores. Quanto ao grau de coordenação vertical, cabe destacar que, nesse caso, agrega as etapas produtivas que vão da matéria-prima ao produto em bruto, estabelecendo um padrão de controle que pouco ultrapassa os limites do setor agropecuário. Cadeia agroindustrial: conjunto de atividades que transcende a articulação dos elementos básicos de sistematização da cadeia produtiva, avançando para uma rede de relações funcionais mais complexas. Dessa forma, apresenta um grau mais consistente de coordenação vertical, que se revela na extensão das etapas produtivas às atividades de transformação industrial, distribuição, comercialização e logística. Além disso, os padrões de eficiência produtiva (gestão, tecnologia, estrutura e relações de mercado, ambiente institucional) são mais avançados, e a interdependência entre as partes constitutivas do sistema é mais profunda. As etapas da metodologia seguida são resumidas a seguir: a) Definição das Cadeias A escolha das nove cadeias, em alguns casos subdivididas em mais de um produto, como é o caso das frutas, dos grãos e das carnes, norteou-se pela representatividade delas no PIB agropecuário do Estado e no potencial de desenvolvimento que apresentam. a1) Cadeias Agroindustriais: • Cadeia Agroindustrial do Café; • Cadeia Agroindustrial das Carnes (bovinos, suínos e aves); • Cadeia Agroindustrial do Leite; • Cadeia Agroindustrial das Frutas; • Cadeia Agroindustrial da Cana-de-açúcar; • Cadeia Agroindustrial do Algodão. a2) Definição das Cadeias Produtivas • Cadeia Produtiva dos Grãos (arroz, feijão, milho e soja); • Cadeia Produtiva da Batata; • Cadeia Produtiva da Mandioca. 15 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  15. 15. b) Levantamento de antecedentes BDMG 40 anos Os trabalhos foram iniciados por um abrangente processo de identificação e análise de informações de fontes secundárias. Foram pesquisados estudos prévios e informações estatísticas sobre cada uma das cadeias produtivas agroindustriais analisadas. As informações foram buscadas junto a instituições de pesquisa, empresas, associações de classe, órgãos de governo e outras fontes tradicionalmente detentoras de dados e análises sobre o tema. c) Construção do relatório preliminar O levantamento bibliográfico realizado na primeira etapa da pesquisa resultou na construção de um relatório preliminar, já nos moldes previstos para a formatação final. Esse documento, de circulação restrita, foi encaminhado, no formato de um sumário executivo, a especialistas em cada uma das cadeias produtivas analisadas. d) Entrevistas com especialistas A partir das informações sistematizadas preliminarmente, foram realizados contatos com diferentes especialistas em cada uma das cadeias produtivas analisadas. As entrevistas/leitura do documento preliminar permitiram a validação do conhecimento obtido durante a revisão de literatura e a sua complementação, quando necessário. Serviram ainda para dar maior sustentação ao processo de identificação dos fatores que influenciam o desempenho atual e futuro do sistema. e) Elaboração do relatório final. 16 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  16. 16. BDMG 40 anos 3. Panorama da agropecuária nacional e estadual 3.1. Aspectos relevantes da agropecuária brasileira As atividades agropecuárias sempre desempenharam papel fundamental no processo de desenvolvimento econômico brasileiro, evidenciado no estreito vínculo socioeconômico do setor rural com o setor urbano, seja através do fornecimento de matérias-primas industriais e alimentos para as cidades, seja pelo intenso fluxo migratório observado, principalmente, na segunda metade do século XX. Nas três últimas décadas desse século, observa-se a crescente subordinação dos interesses rurais à dinâmica do desenvolvimento industrial, evidenciada nas principais funções desempenhadas pela agropecuária nacional, como: • Provisão de divisas para viabilizar a importação de bens e serviços para os segmentos urbanos, papel que tem sido viabilizado com grande competência pela agropecuária nacional; • Manutenção da estabilidade de preços da economia, dada a relevância dos preços agrícolas no cálculo dos principais índices de preços do País; • Liberação de mão-de-obra para os segmentos urbano-industriais e de serviços onde ocorra demanda, podendo assumir, também, como ocorre atualmente em alguns casos, a função inversa, de reter ou mesmo reabsorver o excedente demográfico urbano; • Liberação de recursos financeiros para os demais setores, através de impostos, políticas de preços e transferências voluntárias de poupança agropecuária; • Expansão do mercado interno de bens e serviços, através da demanda de produtos industriais, em especial de máquinas, equipamentos, fertilizantes e defensivos, além de serviços de natureza variada; • Expansão do emprego urbano, através do segmento agroindustrial e de serviços associados à agropecuária; • Provisão de alimentos a custos compatíveis com a renda da população, item de grande importância para países em que, como no Brasil, a alimentação absorve grande parcela dos dispêndios de consumo; • Viabilização da ocupação de áreas inexploradas do território nacional. As transformações estruturais por que vem passando a agropecuária nacional nas últimas décadas deslocaram os interesses sociais e econômicos baseados na propriedade da terra em favor dos interesses industriais, comerciais e financeiros vinculados à agropecuária moderna, resultando na formação e no fortalecimento do que se denomina complexo agroindustrial ou cadeias produtivas agroindustriais. Nesse sistema, que abrange a produção de insumos (fertilizantes e corretivos, defensivos, rações, medicamentos, etc.), a produção agropecuária propriamente dita, as etapas de beneficiamento e industrialização, o setor de embalagem, os serviços de logística (transporte, comercialização, conservação, armazenagem) e os demais serviços (assistência técnica, pesquisa, informação e financiamento), sobressai a dinâmica imposta pelos setores agroindustriais, financeiros e de comercialização/logística, que determinam as macroações e tendências do desenvolvimento do setor agropecuário, subordinando a autonomia da produção primária. 17 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  17. 17. A consolidação desse modelo, que ocorre tanto no Brasil quanto em outros países, tem como BDMG 40 anos conseqüência três fenômenos determinantes para a agropecuária nacional: a oligopolização crescente, a exclusão tecnológica e a mobilidade geográfica da base produtiva. A oligopolização é um fenômeno econômico geral nos principais setores industriais, ocorrendo de forma acentuada a montante e a jusante da cadeia agroindustrial, com reduzido número de grandes empresas dominando a produção e oferta de corretivos, adubos e defensivos, máquinas e equipamentos, determinando, assim, o padrão tecnológico disponível para a agropecuária. A jusante da cadeia produtiva é cada vez mais relevante a participação de grandes empresas de logística de distribuição e comercialização, com os supermercados, grandes varejistas e grandes empresas de beneficiamento de matérias-primas agropecuárias dominando os mercados e determinando as suas tendências. O fenômeno de exclusão tecnológica - que é também um fenômeno de exclusão social - resulta do constante aprimoramento tecnológico da produção agropecuária, determinado, sobretudo, pelo esforço dos grandes grupos empresariais industriais e comerciais da cadeia produtiva no lançamento de novos produtos e novas técnicas de produção. Esse constante aprimoramento tecnológico faz com que os produtores mais dinâmicos e financeiramente mais capacitados adotem primeiro as novas tecnologias, beneficiando-se da redução dos custos de produção e dos conseqüentes sobrelucros. À medida que as novas tecnologias vão sendo adotadas por um número crescente de produtores (retardatários) a expansão da oferta tende a reduzir os preços de mercado e comprimir as margens de lucro do conjunto dos produtores. Isso tende a excluir do mercado os produtores que demoram a adotar os novos avanços tecnológicos e/ou que estejam descapitalizados, uma vez que os preços tendem a não cobrir os custos de produção. Tais produtores acabam vendendo suas terras e demais ativos para a parcela mais dinâmica de empresários rurais que conseguiu captar os sobrelucros temporários. Assim, o contínuo desenvolvimento tecnológico das cadeias produtivas resulta num movimento de concentração da produção nos produtores mais articulados com os segmentos industriais, financeiros e comerciais, o que induz à adoção permanente dos avanços técnicos e à exclusão dos produtores menos articulados com esses segmentos, que são, normalmente, os menos capitalizados e de menor porte. A mobilidade geográfica da base de produção, muito importante em países, como o Brasil, que possuem significativas áreas aptas à expansão da produção agropecuária, refere-se ao deslocamento dessa produção para novas áreas de cultivo ou criação - as denominadas fronteiras agrícolas - deslocamento esse viabilizado pelo desenvolvimento de tecnologias de produção adaptadas às condições edafoclimáticas dessas novas áreas (sobretudo de cerrados), associado aos preços relativos das terras, significativamente inferiores aos das regiões tradicionais, e ao crescimento da infra-estrutura de apoio à produção (estradas, comunicações, armazenamento, etc.). Nesse sentido, tem-se observado, a partir dos anos 1970, um movimento que persiste até os dias atuais, de deslocamento da produção agropecuária das regiões Sudeste e Sul para o Centro-Oeste e o Norte, que hoje já são as principais produtoras de grãos e de gado de corte do País. Tal movimento repete-se em Minas Gerais, com as regiões do Triângulo/Alto Paranaíba e Noroeste passando a liderar todas as cadeias produtivas mais relevantes do Estado. A capacidade de expansão da base produtiva e a difusão constante de novas técnicas de produção têm permitido ao setor agropecuário um desempenho altamente relevante para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Três indicadores se destacam. As estimativas mais recentes 5 mostram que o agronegócio - que considera desde o produto primário até sua industrialização e comercialização, incluindo os setores fornecedores de insumos, máquinas e Confederação Nacional da Agricultura/Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - USP. <www.cna.org.br/ 5 SistemaN/ab.htm>. Acesso em: 18 jun. 2002. 18 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  18. 18. implementos - tem contribuído, na média dos últimos dois anos, com cerca de 27,5% na formação BDMG 40 anos do PIB nacional, ou seja, cerca de R$ 307 bilhões em 2000 e R$ 339 bilhões em 2001. Como o setor de serviços representa cerca de 56% do PIB, conclui-se que o agronegócio é o segundo setor mais relevante na formação do PIB nacional. Porém, a produção agropecuária primária corresponde a 7,75% do PIB brasileiro; a agricultura representa 46%, e a pecuária, 54% desse percentual. Ao mesmo tempo, o setor agropecuário, considerando apenas a produção primária, destaca- se na geração de emprego, contribuindo com cerca de 23% da ocupação no País (ou 14 milhões de postos de trabalho, aproximadamente), enquanto o setor industrial ocupa cerca de 20%, e o setor de serviços, 57%6. Contudo, o maior destaque macroeconômico da agropecuária brasileira tem sido a sua contribuição ao comércio exterior do País, através da geração de grandes saldos comerciais positivos. Na média dos últimos três anos (1999/2000/2001), a balança comercial da agropecuária registrou saldo médio de US$ 12,8 bilhões7, enquanto a balança comercial brasileira, no mesmo período, apresentou saldo médio de apenas US$ 210 milhões. Isso significa que o setor agropecuário tem sido o grande responsável pela geração de divisas para o País, possibilitando o pagamento de importações de bens e serviços para os demais setores da economia e de outros compromissos externos, sem o que o equilíbrio macroeconômico já estaria comprometido. A modernização do setor agrícola e a consolidação do complexo agroindustrial - viabilizada pelo desenvolvimento tecnológico da produção primária e pela expansão e ascendência dos grandes grupos industriais e comerciais vinculados ao setor agropecuário - que vêm se notabilizando por permitir notáveis avanços de produtividade e no comércio exterior, ainda são parciais em termos de produtos, regiões e produtores. O avanço da agropecuária moderna iniciou-se em São Paulo e no Paraná, estendendo-se pelas áreas de cerrados, a partir do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, prosseguindo pela Região Centro-Oeste e atingindo o oeste baiano, parte do Maranhão e de Tocantins, e Rondônia. A expansão tem se baseado, principalmente, em produtos agrícolas orientados para o mercado externo - soja e café - e pecuária de corte. Porém, a continuidade da ocupação de novas áreas, principalmente dos cerrados, que se estendem para Oeste, Noroeste e Norte do País, tem tido sua velocidade reduzida, em função da incapacidade do setor público de prover infra-estrutura básica, das inconsistências da política de crédito rural e da política agrícola, bem como da relação de preços pagos e recebidos pelo setor (GRÁF. 1), em que se percebe a maior capacidade de mercado dos segmentos a montante e a jusante do agronegócio, comprimindo os preços recebidos em relação aos preços pagos pelos produtores rurais, o que somente pode ser compensado com aumentos de produtividade e, portanto, com desenvolvimento tecnológico. A evolução desfavorável da relação de preços na agropecuária nacional é conseqüência da crescente oligopolização da indústria de insumos e de máquinas agrícolas e do segmento de distribuição e comercialização. A expansão da capacidade de controle dos mercados por esses agentes não se faz acompanhar da organização dos produtores rurais e nem de ações de governo para o equilíbrio dos mercados. Assim, a atuação das agências públicas em defesa da concorrência poderia ser um fator relevante para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. IPEA. IPEADATA. <www.ipeadata.gov.br> 6 Confederação Nacional da Agricultura/ Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - USP. <www.cna.org.br/ 7 Informações02/últimas.htm> e <www.cna.org.br/Indicadores/>. Acesso em: jan./fev. 2001. 19 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  19. 19. BDMG 40 anos Índices 250 200 IPP 150 100 IPR 50 0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Anos GRÁFICO 1: Brasil: índices de preços pagos (IPP) e recebidos (IPR) pela agropecuária. FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Considerando como indicador de modernização agropecuária a renda monetária por hectare ocupado, ou seja, a análise da renda monetária bruta total dos estabelecimentos por área (total) - medida que dá uma idéia do produto médio por unidade de área - tem-se um indicador da tecnologia adotada nos estabelecimentos. Nesse sentido, pesquisa da Confederação Nacional da Agricultura8 mostra que a renda média por hectare no Brasil é de R$ 661,70/ano, com uma distribuição extremamente heterogênea entre regiões, conforme mostra a TAB. 1. Verifica-se que, no Sul, um hectare rende, em média, o equivalente ao valor de 85 sacas de milho (ao preço de R$ 7,50/saca), enquanto em Pernambuco o mesmo hectare rende o equivalente a 42 sacas do produto. TABELA 1 RENDA BRUTA/ÁREA TOTAL DOS ESTABELECIMENTOS AGROPECUÁRIOS REGIÕES SELECIONADAS - BRASIL, 2000 REGIÕES RENDA ANUAL MÉDIA (R$/HA) Sul 726,46 Sudeste 1.085,39 Centro-Oeste 355,81 Nordeste 221,43 Média 661,70 FONTE: Confederação Nacional da Agricultura. Um perfil do agricultor brasileiro. 2001. <www.cna.org.br>. A pesquisa mostra que os produtores rurais que podem ser considerados modernos, ou seja, aqueles com renda/hectare próxima ou superior à média nacional (acima de R$ 500/ha) representam apenas 34% do total, conforme mostra o GRÁF. 2. Persiste, assim, um grande grupo de produtores tradicionais, pouco articulado com o capital industrial, com sua produção ainda centralizada na terra e no trabalho, mas que são socialmente muito relevantes. Tais produtores, porém, têm um bom potencial de dinamização de suas atividades, cujos limitantes de modernização são a incompatibilidade entre a escala mínima de produção requerida pelo padrão tecnológico das grandes culturas e o tamanho de suas propriedades; a insuficiência de recursos de financiamento compatíveis com sua realidade; e, em parte, por fatores culturais/ educacionais que dificultam o acesso desses produtores a tecnologias e a sistemas de comercialização mais eficientes. Confederação Nacional da Agricultura. Um perfil do agricultor brasileiro. CNA. 2001. <www.cna.org.br>. 8 20 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  20. 20. BDMG 40 anos Percentual 30 25 20 15 10 5 0 Até 100 100 a 300 300 a 500 500 a 1000 1000 a 1500 Acima de 1500 R$/ha GRÁFICO 2: Brasil: estabelecimentos por estrato de renda (%) FONTE: Confederação Nacional da Agricultura. Um perfil do agricultor brasileiro. CNA. 2001. A mesma pesquisa mostra, também, que o porte dos estabelecimentos é fortemente correlacionado com a renda agrícola. Assim, entre os estabelecimentos predominam as pequenas unidades familiares, com área cultivada de até 20 hectares, mas sua participação na geração de renda agropecuária perde para os grandes estabelecimentos, que contribuem com, aproximadamente, 70% da renda. A incorporação dos produtores tradicionais à dinâmica da agricultura moderna depende, sobretudo, da ampliação da demanda interna, uma vez que o mercado externo, pelos produtos demandados e pelas suas dificuldades de escala e operacionalização, é mais acessível aos grandes produtores. A ampliação significativa da demanda interna depende de uma política consistente de distribuição de renda. Na verdade, a ausência de uma política consistente de distribuição de renda constitui não apenas um foco de possíveis conflitos sociais, mas também um fator limitante ao avanço do processo de modernização da agricultura brasileira, ao deixar de incorporar ao mercado, uma grande parcela de produtores rurais e da população que hoje consome quantidades de alimentos abaixo do mínimo requerido para o regular desenvolvimento do organismo humano. A incorporação dessa parcela, ao elevar a demanda de produtos agropecuários, pode refletir-se em preços remuneradores para as culturas de mercado interno, que são exatamente aquelas com os menores níveis tecnológicos, constituindo, portanto, medida de grande relevância para a modernização do setor rural. 3.2. Visão geral da agropecuária de Minas Gerais Este item objetiva situar a agropecuária mineira dentro da economia estadual e relacioná-la com a realidade brasileira. Os temas escolhidos foram a evolução do produto agropecuário, o comportamento agregado da agropecuária estadual e dos doze principais produtos agrícolas explorados no Estado (que representam 95% da área colhida em Minas Gerais), o segmento da pecuária, abrangendo pecuária bovina, suína e avícola, a absorção de mão-de-obra setorial, a estrutura fundiária, indicadores de produtividade e de rentabilidade, balança comercial do agronegócio mineiro e a atuação institucional do governo estadual na agropecuária. A abordagem é mais descritiva, pois sua finalidade é proporcionar uma visão panorâmica do setor rural mineiro frente ao brasileiro e à economia estadual, bem como sua distribuição espacial nas regiões do Estado. 21 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  21. 21. 3.2.1. Características rurais das regiões de Minas Gerais BDMG 40 anos Minas Gerais é dividido pelo governo do Estado em dez regiões de planejamento. Já o IBGE utiliza a divisão em microrregiões ou em doze mesorregiões. Em ambos os casos, essas regiões têm peculiaridades importantes em relação às condições edafoclimáticas e ao desenvolvimento econômico-social, entretanto do ponto de vista da agropecuária, as distinções entre a divisão em macrorregiões ou mesorregiões são pouco importantes. Uma das principais características da produção agrícola mineira encontra-se em sua diversidade. Convivem regiões de uso intensivo com tecnologia e alta produtividade com outras cuja base produtiva é extremamente rudimentar e voltada para a subsistência. Assim sendo, para melhor delinear as regiões sob análise, será realizada breve descrição das principais características rurais de cada uma das regiões Em seguida, serão discutidos alguns indicadores socioeconômicos, a fim de que se possa obter uma visão mais integrada do setor agropecuário mineiro9. Deve-se ressaltar que, embora os dados representem um corte temporal, como as alterações estruturais na agropecuária são relativamente mais lentas que em outros setores, os resultados descritos podem ser considerados bastante úteis para a discussão aqui delineada. A Região Mata é bastante acidentada, mas com vales férteis propícios à atividade agrícola. A produção de grãos na região é explorada, principalmente, em pequenas propriedades, como culturas de subsistência, sendo comercializado apenas o excedente. O café, outro produto de expressividade regional, tem crescido tanto em volume produzido quanto em qualidade, tendo alcançado reconhecimento internacional nesse último quesito. Recentemente, a fruticultura tem ganhado espaço como alternativa para os produtores locais, com destaque para a goiaba e a manga; contudo, pode-se afirmar que a capacidade produtiva local é ainda subutilizada. Nessa região localizam-se, também, importantes pólos de produção de suínos e aves voltada, essencialmente, para o mercado regional. A Região Central é também muito acidentada, com solos pobres e pouca tradição agrícola. Destacam-se as culturas de arroz e feijão (subsistência), e de milho, tendo esta última como principal destino a fabricação de rações para suínos e aves. Merece realce, ainda, a produção de frutas temperadas (de caroço) em alguns municípios, sem que tais culturas possam ser consideradas de grande expressão para o Estado. Importante destacar que essa região possui a maior densidade populacional de Minas Gerais, o que a classifica como principal mercado consumidor de produtos agropecuários. Na Região Sul, de clima ameno e com bom nível de precipitação e distribuição de chuvas, a agricultura é praticada, em grande parte, por pequenos produtores. Entretanto, diferentemente de outras áreas, o produtor de pequeno porte não atua apenas em âmbito de subsistência, possuindo, também, atitude empresarial. Destaca-se a produção de café, batata, tomate, frutas temperadas de caroço (pêssego, nectarina e ameixa), milho e leite. No Triângulo e no Alto Paranaíba, predominam os cerrados. Em virtude da facilidade de mecanização, a exploração agrícola é desenvolvida por empresários rurais de médio e grande porte, com uso intensivo de tecnologia. Além disso, a região conta com boa infra-estrutura de armazenamento e de beneficiamento. De fato, esta é a principal e mais dinâmica região agrícola do Estado, possuindo grande potencial produtivo tanto para grãos quanto para pecuária. Nessa região, o plantio de arroz é normalmente utilizado para abertura de novas terras. Com a melhoria da qualidade do solo, o produtor quase sempre opta pelo plantio do milho ou da soja, culturas conduzidas comercialmente, com elevado uso de insumos (corretivos, fertilizantes Os indicadores foram calculados pela Fundação João Pinheiro com base nas informações do Censo Agropecuário de 1995-96 9 do IBGE, que são as últimas disponíveis para o tema. A descrição da metodologia adotada pode ser encontrada no ANEXO A. Neste trabalho, os resultados, sempre que possível, foram atualizados a partir de dados de fontes complementares de pesquisa. 22 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  22. 22. e sementes melhoradas). A cafeicultura, a bovinocultura e a suinocultura também possuem forte BDMG 40 anos presença na região; entretanto, uma parcela da cadeia agroindustrial regional tem se deslocado, recentemente, para os estados de Mato Grosso e Goiás, devido a questões tributárias. A Região Centro-Oeste de Minas insere-se entre o Sul e a Região Centro-Norte de Minas Gerais. A temperatura é elevada na maior parte do ano, e observa-se, com freqüência, a presença de veranicos. Grande parte das propriedades rurais é de pequeno ou médio porte, possuindo contornos predominantemente comerciais. Essa região recebe influências modernizadoras do agronegócio do Triângulo e do Sul de Minas. As regiões Noroeste, Norte e Jequitinhonha possuem algumas características comuns no que tange às condições edafoclimáticas: nelas são observados extensos chapadões, em áreas de cerrado, com altas médias anuais de temperatura e relevante escassez hídrica. Entretanto, existem importantes diferenças no perfil produtivo. No Noroeste, o perfil da produção agropecuária assemelha-se, em muitos aspectos, ao das regiões Triângulo e Alto Paranaíba, com grandes propriedades de produção de grãos e de pecuária, de forma empresarial e tecnologicamente atualizadas. Na Região Norte, ocorre o uso freqüente de irrigação e tecnologia de suporte à produção local. As culturas de banana, manga, goiaba e coco, entre outras, nos pólos irrigados de Gorutuba e Jaíba, têm constituído fonte importante de renda e desenvolvimento para essa região, onde a pecuária extensiva ainda é a principal atividade rural. Por outro lado, o Jequitinhonha classifica-se como a região agropecuária mais pobre de Minas Gerais, com altas taxas de analfabetismo e práticas agrícolas bastante rudimentares (baixo índice de utilização de insumos, uso quase exclusivo de mão-de-obra familiar e parca mecanização). Por fim, a Região do Rio Doce possui clima quente, com distribuição irregular de chuvas, o que torna a exploração agrícola uma atividade arriscada e exigente em termos de tecnologia de apoio à produção. Embora se observe extensa faixa de terras férteis do longo do Rio Doce, a agricultura praticada é, quase sempre, de subsistência, com presença de práticas de manejo danosas ao meio ambiente. Nessa região, prevalece a pecuária de corte, conduzida de forma empresarial. 3.2.2. Estrutura e evolução do produto agropecuário mineiro Como tendência geral do desenvolvimento econômico, nacional e internacional, a produção primária agropecuária vem perdendo posição relativa no PIB brasileiro e estadual. Em 1990, o setor respondia por 11,2% do produto interno bruto do Estado, passando para 10,0% em 1995 e para 8,5% em 2000. No País, a redução foi de 8,3% em 1990, para 7,4% em 2000 (TAB. 2). Verifica-se, portanto, que a agropecuária é mais representativa para Minas Gerais do que para o Brasil. Como o agronegócio responde por 27,5% da renda nacional, pode-se supor que, talvez, essa participação, no Estado, seja ainda mais significativa, uma vez que a agroindústria e os demais serviços associados à agropecuária são bastante desenvolvidos em Minas Gerais. TABELA 2 ESTRUTURA SETORIAL DO PIB: MINAS GERAIS X BRASIL - 1990/2000 (EM %) SETORES MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS/BRASIL 1990 1995 2000 1990 1995 2000 1990 1995 2000 Agropecuário 11,2 10,0 8,5 8,3 8,5 7,4 12,6 11,4 11,4 Industrial 41,1 39,0 42,9 41,8 34,4 35,8 9,1 10,9 12,0 Serviços 47,7 51,0 48,6 49,9 57,1 56,8 8,8 8,7 8,6 FONTE: FJP/CEI. 23 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  23. 23. A posição do produto agropecuário mineiro em relação ao brasileiro sofreu pequena redução BDMG 40 anos na última década, passando de 12,6%, em 1990, para 11,4%, em 2000. Esse processo está associado à expansão da fronteira agrícola em outros estados, principalmente no Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Bahia, enquanto em Minas Gerais a fase mais intensa da expansão da fronteira agrícola em direção aos cerrados ocorreu nas décadas de 70 e 80. Assim, o crescimento da produção rural mineira se dá mais em função de ganhos de produtividade do que de expansão de área. Na verdade, a área cultivada sofreu uma redução de 12% na década de 90. Por outro lado, o desempenho do PIB agropecuário mineiro, medido pelo índice de crescimento real, mostrou-se mais dinâmico do que o dos demais setores, tendo acumulado expansão de 60% na década de 90 (de 0,954 para 1,531), enquanto o PIB global do Estado cresceu 32% (de 1,053 para 1,422), com o setor industrial crescendo 35%, e o de serviços 26% (TAB. 3). Essa tendência também se verificou nacionalmente, resultado do contínuo aumento das exportações agropecuárias e do crescimento da demanda interna por alimentos propiciada pelo Plano Real. TABELA 3 EVOLUÇÃO DO PIB DE MINAS GERAIS SEGUNDO SETORES DE ATIVIDADE 1985/2000 (ÍNDICES ACUMULADOS COM BASE EM PREÇOS BÁSICOS, 1985=100) SETORES 1985 1990 1995 2000 Agropecuário 1,000 0,954 1,108 1,531 Industrial 1,000 1,053 1,207 1,422 Serviços 1,000 1,254 1,310 1,460 PIB a preços básicos 1,000 1,106 1,260 1,466 FONTE: Fundação João Pinheiro. Anuário Estatístico de Minas Gerais - 2000-2001. Não obstante ser a agropecuária - considerando apenas o valor da produção primária - o setor de menor participação no PIB estadual, sua importância transcende a esse indicador, quando se avalia sua dispersão e relevância para os municípios mineiros. Nesse sentido, o setor aparece como o de maior participação no PIB municipal em 18,6% dos municípios e, em segundo lugar, em 54,3%, enquanto o setor industrial é o maior em 10,3%, e o de serviços, em 71,1% dos municípios (TAB. 4). Considerando que o desempenho e o tamanho do setor de serviços é resultante, principalmente, da dinâmica dos setores agropecuário e industrial, pode-se concluir que a agropecuária mineira representa o mais importante setor para a maioria dos municípios do Estado, conduzindo a dinâmica econômica em 72,9% deles, e a população representa 31% da população estadual. TABELA 4 CLASSIFICAÇÃO RELATIVA DE IMPORTÂNCIA DOS SETORES NO PIB DOS MUNICÍPIOS MINEIROS - 2000 (% DE MUNICÍPIOS) CLASSIFICAÇÃO SETORES DO PIB 1° 2° 3° Agropecuário 18,6 54,3 27,1 Industrial 10,3 17,8 71,9 Serviços 71,1 27,9 1,0 Total 100,0 100,0 100,0 FONTE: FJP: Anuário Estatístico de Minas Gerais - 2000-2001. 24 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  24. 24. No que se refere à distribuição regional do produto agropecuário mineiro, observa- BDMG 40 anos se que a Região Sul é, individualmente, a mais importante, representando 24,6% do PIB agropecuário estadual (TAB. 5). TABELA 5 DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DO PIB AGROPECUÁRIO DE MINAS GERAIS. (EM %) REGIÕES DE PLANEJAMENTO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Central 9,91 8,94 9,18 9,15 7,89 9,03 8,34 7,53 7,31 Mata 9,55 9,13 10,01 9,90 10,90 10,83 10,32 10,24 8,51 Sul de Minas 20,00 21,07 21,35 21,85 25,52 21,26 24,81 21,76 24,65 Triângulo 16,34 15,90 16,76 15,61 15,34 17,15 14,82 17,06 15,92 Alto Paranaíba 9,29 9,41 9,30 9,90 10,47 9,63 11,20 9,88 10,91 Centro-Oeste de Minas 7,14 6,49 6,54 6,35 5,95 7,02 7,03 7,29 6,87 Noroeste de Minas 5,63 7,06 6,77 6,67 6,31 6,52 6,15 7,41 7,52 Norte de Minas 7,23 7,71 6,54 7,21 6,16 7,22 5,71 6,59 6,76 Jequitinhonha/Mucuri 6,88 6,40 5,97 6,14 5,23 5,32 4,94 5,88 5,13 Rio Doce 8,04 7,90 7,58 7,21 6,31 6,22 6,70 6,47 6,32 Total do Estado 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 FONTE: FJP/CEI. Tal posição deve-se à grande importância da produção regional de café e leite. Contudo, as regiões Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba somam 26,8% do PIB agropecuário mineiro, cabendo ao Triângulo 15,9% e ao Alto Paranaíba 10,9%, destacando-se aí a produção de grãos e também da pecuária de corte e leite. Considerando a Região Noroeste, verifica-se que as áreas de cerrado representam 33,5% do PIB estadual. A importância da agropecuária na formação do PIB das regiões mineira é mostrada na TAB. 6. Como tendência geral, observa-se uma generalizada perda de importância do setor em todas as regiões do Estado, na década de 90. Contudo, em cinco regiões, a agropecuária é ainda de alta relevância para as economias regionais, destacando-se o Noroeste (35,61%), o Alto Paranaíba (30,68%), o Jequitinhonha (22,87%), o Sul (17,97%) e o Triângulo (17,73%). Inversamente, na Região Central, a agropecuária não aparece como setor relevante para a formação do PIB, representando apenas 1,45% e refletindo a dinâmica industrial e de serviços nessa região. TABELA 6 PARTICIPAÇÃO DO SETOR AGROPECUÁRIO NA FORMAÇÃO DO PIB REGIONAL - MINAS GERAIS - 1990-1998 (EM %) REGIÕES DE PLANEJAMENTO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Central 2,30 2,01 1,67 1,77 2,41 1,87 1,60 1,37 1,45 Mata 12,88 11,48 9,79 11,10 17,78 12,87 11,05 10,12 9,32 Sul de Minas 18,82 18,66 16,15 17,20 28,02 18,31 18,63 15,27 17,97 Triângulo 23,82 21,42 18,51 18,75 26,09 20,39 16,48 17,41 17,73 Alto Paranaíba 34,54 31,74 26,79 29,35 40,60 31,11 32,70 27,76 30,68 Centro-Oeste de Minas 17,35 14,96 12,51 13,16 18,11 15,46 14,18 13,38 13,39 Noroeste de Minas 43,48 47,41 35,45 34,87 43,99 38,07 34,21 35,13 35,61 (Continua...) 25 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  25. 25. TABELA 6 (Continuação) BDMG 40 anos PARTICIPAÇÃO DO SETOR AGROPECUÁRIO NA FORMAÇÃO DO PIB REGIONAL - MINAS GERAIS - 1990-1998 (EM %) REGIÕES DE PLANEJAMENTO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Norte de Minas 17,61 17,98 12,49 14,30 18,86 15,94 11,69 12,23 13,65 Jequitinhonha/Mucuri 37,29 33,24 28,74 31,37 37,02 27,21 23,23 24,74 22,87 Rio Doce 10,94 10,06 7,67 7,93 10,90 7,80 7,53 6,85 7,36 Total do Estado 11,20 10,63 8,67 9,29 13,95 9,97 9,11 8,50 9,17 FONTE: FJP/CEI 3.2.3. Estrutura e evolução do valor bruto da produção agropecuária Ao se analisar o desempenho do setor agropecuário mineiro através do valor bruto da produção, verifica-se que o tradicional binômio café com leite permanece atual; o café é o produto mais valorizado da pauta produtiva do Estado, com 24,9% do valor bruto da produção, e o leite vem em segundo lugar na média da década de 90, com 15,4% (TAB. 7). Atualmente, a segunda atividade mais relevante é a pecuária bovina de corte, cujo valor da produção representou, no ano 2000, 17,4% do total. Assim, esses três produtos, no seu conjunto, representam, considerando a média da década de 90, 57,4% do valor bruto da produção agropecuária mineira, o que caracteriza a concentração da pauta produtiva estadual. Em ordem de importância quanto ao valor da produção, seguem a suinocultura (6,9%), o milho (6,6%), a avicultura (4,7%), a cana (4,1%) e a soja (3,0%). Deve-se observar que as atividades de produção animal em conjunto, aí incluída a produção de milho - cujo principal destino é a ração animal - responde por mais da metade da produção agropecuária de Minas Gerais, alcançando, em 2000, 51% do valor total. TABELA 7 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA MINEIRA POR PRODUTO A PREÇOS CORRENTES - 1985/2000 (EM R$ MILHÃO) 1985 1990 1995 2000 SUBSETORES VALOR % VALOR % VALOR % VALOR % Agricultura 0,00000568 62,2 0,0582 42,1 3.137,81 50,2 5.099,29 53,7 Café 0,00000330 36,1 0,0204 14,8 1.315,98 21,0 2.358,14 24,9 Arroz 0,000000254 2,8 0,00243 1,8 94,64 1,5 52,28 0,6 Milho 0,000000528 5,8 0,00641 4,6 357,15 5,7 623,67 6,6 Soja 0,000000209 2,3 0,00241 1,7 146,13 2,3 287,60 3,0 Cana 0,000000286 3,1 0,00461 3,3 234,54 3,7 388,45 4,1 Abacaxi 0,0000000223 0,2 0,000461 0,3 26,81 0,4 28,35 0,3 Banana 0,0000000582 0,6 0,00123 0,9 79,30 1,3 102,81 1,1 Laranja 0,0000000816 0,9 0,00172 1,2 94,93 1,5 109,70 1,2 Batata 0,000000107 1,2 0,00242 1,7 120,97 1,9 141,40 1,5 Feijão 0,000000199 2,2 0,00419 3,0 174,78 2,8 267,77 2,8 Mandioca 0,0000000688 0,8 0,00184 1,3 85,76 1,4 82,45 0,9 Outros 0,0000005661 6,2 0,010079 7,3 407,32 6,5 657,67 6,9 (Continua...) 26 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  26. 26. TABELA 7 (Continuação) BDMG 40 anos EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA MINEIRA POR PRODUTO A PREÇOS CORRENTES - 1985/2000 (EM R$ MILHÃO) 1985 1990 1995 2000 SUBSETORES VALOR % VALOR % VALOR % VALOR % Pecuária 0,000003464 37,9 0,0801 57,9 3.118,44 49,8 4.388,07 46,3 Corte 0,00000139 15,2 0,0288 20,8 1.077,31 17,2 1.655,19 17,4 Leite 0,00000128 14,0 0,0305 22,1 1.165,74 18,6 1.464,24 15,4 Suínos 0,000000278 3,0 0,00880 6,4 466,18 7,5 650,01 6,9 Aves 0,000000321 3,5 0,00804 5,8 279,07 4,5 449,96 4,7 Ovos 0,000000168 1,8 0,00303 2,2 97,29 1,6 124,78 1,3 Outros 0,00000002101 0,2 0,000899 0,7 32,85 0,5 43,89 0,5 Total 0,000009144 100,0 0,1383 100,0 6.256,25 100,0 9.487,36 100,0 FONTE: FJP. Anuário Estatístico de Minas Gerais - 2000-2001. Em termos da evolução da participação relativa dos segmentos na última década, o maior destaque é a ampliação do valor da produção de café, que passa de 14,8% para 24,9% do total. Tal evolução ilustra os ciclos de produção desse produto: os produtores ampliaram os plantios com base nos preços muito rentáveis do último qüinqüênio da década de 90, cujos resultados atuais são uma enorme queda de preço, que deverá resultar em um ciclo de contração da atividade nos próximos anos. No período analisado, chama a atenção a redução do valor da produção de arroz, mandioca e leite, enquanto milho, soja e cana ampliam sua importância na geração da renda agropecuária mineira. É notável também a ampliação do valor bruto da agricultura em relação à pecuária, com a inversão das posições na década: em 1990, a agricultura respondia por 42,1% do valor da produção agropecuária, passando para 53,7% em 2000. A distribuição da geração da renda agrícola entre as regiões do Estado mostra uma alta concentração do valor da produção. As duas principais regiões, Triângulo/Alto Paranaíba e Sul/Sudoeste, respectivamente com 31,3% e 28,6%, respondem por 59,9% do valor da produção agrícola estadual (TAB. 8). Além disso, a evolução desse indicador na década de 90 mostra que essas duas regiões, juntamente com a Noroeste, são as que apresentaram aumento significativo do valor da produção. Ou seja, essas três regiões são as únicas do Estado que apresentaram dinamismo da agricultura. Das onze culturas analisadas, essas regiões são as que concentram a maior parte do valor da produção de oito delas. Verifica-se, ao mesmo tempo, que a concentração regional da renda agrícola estadual se intensificou na última década, com a ampliação da participação das regiões Triângulo/ Alto Paranaíba, Sul/Sudoeste e Noroeste - esta em menor escala - de 59,0% para 66,8%. Todas as demais regiões - exceto a Oeste de Minas e Jequitinhonha, que praticamente mantiveram os mesmos níveis de participação - tiveram sua participação relativa diminuída. No que se refere ao valor bruto da produção, o Triângulo Mineiro/ Alto Paranaíba se destaca na produção de abacaxi (93%), soja (75%), laranja (65%), cana (59%) e milho (33%), nas quais é a principal produtora do Estado. A Região Sul/Sudoeste é a principal produtora de batata (71%) e café (45%). A Região Norte se destaca na produção de banana (35%) e mandioca (25%), enquanto a Região Nordeste é a maior produtora de feijão e destaca-se também na soja. Essa distribuição geográfica reflete a ascendência dos ramos industriais vinculados à agropecuária, sobre a produção primária, uma vez que a Região do Triângulo/Alto Paranaíba é também aquela 27 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  27. 27. que concentra o maior parque agroindustrial do Estado, abrigando grandes e médias BDMG 40 anos indústrias de insumos (fertilizantes, corretivos, defensivos e equipamentos) e de processamento de produtos agropecuários (grãos, sucos, carnes, farinhas, rações, etc.). Por seu lado, a importância da produção da Região Sul/Sudoeste está vinculada à fertilidade natural dos solos e ao clima, que permitiram o desenvolvimento de uma moderna agricultura de café e batata, principalmente. A Região Noroeste vem se destacando na produção de grãos em função da expansão da agricultura rumo aos cerrados, em terras de menor valor e que permitem o uso intensivo de máquinas e insumos agrícolas, enquanto a proximidade do parque agroindustrial do Triângulo/Alto Paranaíba permite uma comercialização mais eficiente dos produtos. A Região Norte se destaca na produção de banana, como conseqüência da presença dos maiores projetos públicos de irrigação do Estado, com destaque para o Jaíba, Gorutuba e Pirapora, onde o custo da tecnologia empregada (irrigação, com uso intenso de insumos modernos, o que exige a exploração de culturas de alto valor agregado) e as condições edafoclimáticas têm permitido o desenvolvimento intensivo da fruticultura. Contudo, o aumento da oferta de frutas exige a ampliação do parque agroindustrial e a logística regional, sem o que a expansão da agricultura irrigada ficará comprometida. Deve ser mencionado que o Projeto Jaíba, um megaempreendimento que já consumiu recursos oficiais da ordem de US$ 500 milhões nos últimos vinte anos, encontra sérios problemas para sua consolidação, relacionados à infra-estrutura social, meio ambiente, comercialização e beneficiamento de frutas, assentamento de irrigantes, indefinições de modelo de gestão e descoordenação entre o governo estadual e federal na condução do Projeto. Trata-se de um grave problema para o setor público, cujo equacionamento deve ser priorizado no intuito de concluir os assentamentos e as infra-estruturas, organizar um sistema de comercialização mais eficiente e atrair agroindústrias, sem o que o empreendimento permanecerá como exemplo de ineficiência no uso de recursos públicos. A realidade do Projeto Jaíba impõe uma reflexão sobre a incapacidade do Estado em implantar e gerir atividades produtivas no setor agropecuário. 28 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  28. 28. TABELA 8 MINAS GERAIS: VALOR DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA POR REGIÃO DE PLANEJAMENTO. PRODUTOS SELECIONADOS - 2000 (EM R$ MIL) REGIÃO DE ABACAXI ARROZ BANANA BATATA CAFÉ CANA FEIJÃO LARANJA MANDIOCA MILHO SOJA TOTAL % MG PLANEJAMENTO 2000 1999 Central 3.342 3.924 18.202 15.623 10.993 22.451 17.301 8.644 17.105 63.424 210 181.219 3,7 3,6 Mata 37 8.770 18.262 371 296.890 28.779 28.001 8.160 9.461 50.257 3 448.991 9,1 9,1 Sul de Minas 19 9.258 19.613 187.817 973.508 34.343 39.803 11.549 27.641 165.993 447 1.469.991 29,9 31,9 Triângulo 160.120 7.452 1.878 6.452 57.981 223.600 2.947 81.396 12.334 134.688 208.705 897.553 18,3 15,3 Alto Paranaíba 177 3.382 3.202 51.084 326.049 3.849 15.302 2.183 12.392 142.125 82.412 642.157 13,1 15,4 Centro Oeste Minas 145 5.023 2.647 2.969 148.400 16.705 10.073 3.294 7.405 71.405 848 268.914 5,5 6,4 Nordeste 2.609 10.521 2.199 - 21.370 9.277 75.465 2.200 10.225 115.612 88.849 338.327 6,9 6,8 Norte de Minas 1.868 5.240 47.749 - 6.342 23.395 52.966 5.242 48.238 39.100 5.700 235.840 4,8 4,3 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária Jequitinhonha/ Mucuri 3.434 1.230 1.849 18 115.258 11.798 7.125 3.129 38.062 14.752 9 196.664 4,0 2,3 Rio Doce 87 9.654 21.691 21 118.767 10.817 15.285 3.271 8.552 47.619 - 235.764 4,8 4,9 Minas Gerais 171.834 64.452 137.290 264.352 2.075.555 385.012 264.265 129.064 191.416 844.973 387.182 4.915.395 100,0 100,0 Brasil 463.892 2.586.649 1.038.273 810.243 4.299.427 6.652.318 1.658.867 1.262.673 2.585.041 6.037.136 8.658.735 6.053.254 - FONTE: IBGE 29 40 anos BDMG
  29. 29. 3.2.4. Panorama da produção agropecuária mineira BDMG 40 anos Minas Gerais é, em termos agropecuários, um dos principais estados do País. Além de sua produção de grãos (arroz, feijão, milho e soja), de 6,34 milhões de toneladas na safra de 2000 representar, aproximadamente, 8% da produção nacional e de ser o principal estado produtor de café, com cerca de 45% da produção total, de abacaxi, com 24% e batata, com 27%, o Estado possui o segundo maior rebanho bovino do País, com cerca de 20 milhões de cabeças e é o maior produtor de leite, com quase um terço da produção brasileira. É ainda o segundo estado produtor de milho, o terceiro de feijão e o quarto de cana e laranja. A área plantada de Minas Gerais representou, na safra 2000, 7,8% da área plantada nacional. A produtividade da agricultura estadual, de 2.633kg/ha de grãos na safra 2000, é superior à média nacional de 2.365kg/ha, mas é bastante inferior às dos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. 3.2.5. Produção agrícola estadual No âmbito estadual, os produtos mais relevantes quanto à área colhida são, pela ordem, o milho (30,5% da área estadual), café (24,4%), soja (14,8%), feijão (10,7%), cana (7,2%), arroz (3,2%), mandioca (1,7%) e algodão (1,2%). Em conjunto, essas culturas somam, aproximadamente, 95% da área colhida de Minas Gerais10. Não obstante, chama a atenção a reduzida participação que o arroz, a soja e a mandioca têm no cenário nacional, com área cultivadas que correspondem a somente 3,5%, 4,4% e 4,0%, respectivamente, das áreas cultivadas nacionais (TAB. 9). TABELA 9 INDICADORES DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA PARA CULTURAS SELECIONADAS: MINAS GERAIS X BRASIL - 2000 QUANTIDADE PRODUZIDA ÁREA COLHIDA PRODUTIVIDADE RANKING DE CULTURAS (HECTARE) (KG/HA) MG NO BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL Banana (Mil cachos) 566.336 44.452 524.750 41.383 1.079 1.074 6º Café (Tonelada) 3.807.124 1.651.261 2.267.968 993.118 1.678 1.662 1º Laranja (Mil frutos) 106.651.289 2.563.360 856.422 40.553 124.531 63.210 4º Abacaxi (Mil frutos) 1.335.792 322.964 60.406 13.240 22.113 24.393 1º Arroz (Tonelada) 11.134.588 262.664 3.664.804 130.562 3.038 2.011 8º Batata (Tonelada) 2.606.932 707.570 151.731 33.137 17.181 21.352 1º Cana (Tonelada) 326.121.011 18.706.313 4.804.511 291.083 67.878 64.264 3º Feijão (Tonelada) 3.056.289 407.097 4.332.545 436.329 705 933 3º Mandioca (Tonelada) 23.040.670 901.579 1.708.875 69.509 13.482 12.970 7º Milho (Tonelada) 32.321.000 4.232.225 12.648.005 1.240.549 2.718 3.411 2º Soja (Tonelada) 32.820.826 1.438.829 13.656.771 600.054 2.403 2.397 7º Algodão 2.007.102 99.743 801.618 49.306 2.503 2.022 7º Outras Culturas - - 7.142.337 175.979 - - - Total - - 51.819.125 4.065.496 - - - FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal Estes dados não incluem as áreas ocupadas com reflorestamentos em Minas Gerais, que são da ordem de 1,27 milhões de hectares, 10 o que confere às florestas plantadas o primeiro lugar em ocupação de terras no Estado. 30 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
  30. 30. A dinâmica da produção de cada uma dessas culturas é, contudo, bastante diferente, BDMG 40 anos distinguindo-se três grupos. O grupo de produtos mais dinâmicos na década - que aumentaram a área plantada e a quantidade produzida, é composto pelas frutas, café, soja e batata, todos de cunho eminentemente comercial - não constitui cultura de subsistência, incorporando os incentivos de mercado e uso de tecnologia. O grupo de produtos menos dinâmicos, ao contrário, teve área e produção reduzidas; é composto pelo arroz e mandioca, ou seja, de subsistência, é importante, sendo, assim, culturas que respondem menos aos sinais de mercado e apresentam baixo uso de tecnologia. Por fim, o terceiro grupo é constituído pelos produtos que reduziram a área plantada, mas aumentaram a produtividade, que são milho, feijão e cana, mostrando o avanço da profissionalização da produção, com mais uso de tecnologia e, portanto, importantes ganhos de produtividade. Porém, em todos os produtos analisados, houve aumento de produtividade, com destaque para o milho, com 112%; soja, com 79%; feijão, com 67%; café, com 54%; e arroz, com 47% (TAB. 10). Isso reflete a característica de competição dos mercados agrícolas, cuja redução das margens médias de lucratividade, conforme mostrado na evolução dos índices de preços pagos e recebidos, resulta na redução do número de produtores, permanecendo no mercado apenas aqueles que utilizam modernos processos gerenciais e tecnológicos. TABELA 10 EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM MINAS GERAIS: PRODUTOS SELECIONADOS - 1990/2000 PRODUTO QUANTIDADE PRODUZIDA ÁREA COLHIDA (HA) PRODUTIVIDADE (KG/HA) 1990 1995 2000 1990 1995 2000 1990 1995 2000 Abacaxi (mil frutos) 186.993 311.079 322.964 10.003 15.622 13.240 18.693 19.912 24.393 Arroz (toneladas) 580.149 625.702 262.664 422.694 355.302 130.562 1.372 1.761 2.011 Banana (mil cachos) 35.731 45.253 44.452 35.217 38.620 41.383 1.014 1.171 1.074 Batata (toneladas) 535.078 704.802 707.570 28.278 33.258 33.137 18.922 21.191 21.352 Café (toneladas) 1.040.799 931.983 1.651.261 963.151 833.015 993.118 1.080 1.118 1.662 Cana (toneladas) 17.533.368 16.726.400 18.706.313 298.065 267.551 291.083 58.823 62.516 64.264 Feijão (toneladas) 293.478 344.004 407.097 523.031 522.148 436.329 561 658 933 Laranja (mil frutos) 2.020.141 3.374.718 2.563.360 33.432 50.525 40.553 60.425 66.793 63.210 Mandioca (toneladas) 949.652 961.633 901.579 82.708 75.130 69.509 11.481 12.799 12.970 Milho (toneladas) 2.272.804 3.744.524 4.232.225 1.410.772 1.496.606 1.240.549 1.611 2.502 3.411 Soja (toneladas) 748.794 1.199.666 1.438.829 558.387 600.655 600.054 1.340 1.997 2.397 FONTE: IBGE/SIDRA. 3.2.6. Produção pecuária estadual Considerando a década de 90 como um todo, a pecuária mineira teve um expressivo desempenho econômico, com um aumento de 24,3% no valor bruto da produção total (TAB. 11). Destaca-se o avanço da suinocultura, de 67,5% no período, como resultado da expansão da produção tecnificada no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Zona da Mata, principalmente. A pecuária bovina também expandiu o valor da produção em 30,4%, destacando-se, também, a expansão da produção moderna do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Tal desempenho está 31 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária

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