Entrevista a Luiz Rosemberg Filho

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Entrevista a Luiz Romemberg Filho sobre seu novo filme "Dois Casamentos".

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Entrevista a Luiz Rosemberg Filho

  1. 1. “ E se um dia hei de ser pó,/ cinza e nada/ que seja a minha noite/ sua alvorada/ que me saiba perder.../ para me encontrar.” FLORBELA ESPANCA “DOIS CASAMENTO$” PARA ANA ABBOTT, PATRÍCIA NIEDERMEIER, & VINICIUS BRUM 1 – Como foi que o senhor chegou a esse texto tão feminino de sua autoria? R – Na verdade, nasceu como idéia em Sorocaba na filmagem de um delicado curta do queridíssimo Joel Yamaji, lá pelos anos 90. Acho que o curta se chamava “O ESPECTADOR QUE O CINEMA ESQUECEU”. Ouvi algumas mulheres falando da mesmice dos dias, do espaço, da política e dos afetos. Quase todas divididas entre o desejo de se apaixonarem enloquecidamente, o tédio e a vontade de partir para uma cidade grande. Depois, iríamos fazer um longa em episódios com o Tonacci e o Joel que não saiu, e o meu episódio em princípio seria esse “DOIS CASAMENTO $”, embora eu o achasse um pouco longo para um episódio. Como não saiu deixei-o de lado, até o aparecimento e interesse do Cavi Borges de produzi-lo como longa. Ensaiamos o possível dentro de uma produção barata e trabalhamos com pérolas afetivas como o próprio Cavi Borges, Patrícia Niedermeier , Ana Abbott , Vinícius Brum,
  2. 2. Gustavo Herdt, Marcinha Pitanga, Danielle Cherman, Pedro Rodrigues, Renaud Leenhardt, Iara Camara, Cristiano Lippmã Brito, Ana Clara... Uma equipe pequena mais muito empenhada e criativa começando pelo Cavi que ao fazer vai se superando pois quer ser um diretor melhor e um produtor de filmes independentes e experimentais. Convenhamos, um terno caminho a ser seguido, e é o que o diferencia da maior parte dos nossos velhos produtores cooptados pelo lixo televisivo de comediazinhas idiotas com peruas e canastrões. Em geral são bárbaros que sempre viveram do dinheiro público, e com um profundo desprezo pelo pensamento e pelo afeto. Beleza e poesia então, nem sabem o que é. Vivem da cafetinagem de um passado onde até foram importantes, mas traíram! Viraram patrões sovinas, imediatistas, oportunistas e burros. E arrogantes, né? Pena pois poderiam ser seres melhores, mais humanos e doces. Só que optaram pela imobilidade e o culto da nefasta relação patronal esvaziando encontros, realizações e esperanças. 2 - Mas “DOIS CASAMENTO$” não foi escrito para ser uma peça de teatro? r – Objetivamente nem pensei nisso, embora tenha sim uma terna homenagem ao bom teatro do Tchekov, do Strindberg e do Ibsen, abrasileirados né? As duas personagens se movimentam como se fossem fantasmas num só espaço duro e pobre e como se estivessem presas no horror existencial que antecede morte de vidas comuns e vazias. Elas sabem que vão morrer um dia, e nem por isso conseguem ser felizes no ato manipulador e rasteiro do casamento. A idéia era levantar a mesmice, o medo e o tédio no que foi
  3. 3. transformado o casamento, numa produção possível e barata. Se em algum momento o casamento foi um percurso seguro ou duvidoso do afeto, logo foi transformado num negócio lucrativo. Convivo com muitos casais onde o casamento já deixou de existir a muito tempo, mas vai sendo levado pelo medo de mudar, da liberdade e da diferença. E liberdade e diferenças são difíceis de serem entendidos e vividos. Mas, ainda vejo o casamento tradicional, conservador e reacionário sendo defendido com unhas e dentes pelas religiões que o transformaram num prolongamento de negócios, fascismos e violências domésticas como mortes, espancamentos e silêncios que acabam virando sensacionalismo na TV. E isso no mundo do afeto é um estranhamento doentio a serviço do medo. E mudar exige vontade, força, sonhos, conhecimento e postura. Do contrário é o que dizia Shakespeare em “MACBETH”: “ (...) a vida/ É uma sombra ambulante: um pobre ator/ Que gesticula em cena uma hora ou duas,/Depois não se ouve mais; um conto cheio/ De bulha e fúria, dito por um louco,/ Significando nada.“ Ou seja, filmamos o nada de vidas comuns e vazias sem grandeza alguma. E finalmente terminaremos todos sós! Tudo acaba virando uma representação teatral Tchekoviana. 3 – E como foi que o Cavi Borges chegou até você como produtor de um filme ainda que muito falado, original como idéia e roteiro? r – Acho que foi por uma indicação do cuidadoso, straubiano e talentoso Marcelo Ikeda. Um jovem amigo e cineasta muito querido. Abandonou a mamata porca da burocracia
  4. 4. partidária para dar aulas de cinema no Ceará. Ou seja, não é um carreirista, oportunista ou idiota deslumbrado com o poder como muitos que se recusam a largar o osso. Ficam em qualquer cargo que o Partido conseguir, até inconstitucionalmente. E claro, se dizem democratas! Ora o que é a ANCINE para o cinema brasileiro? Não é uma EMBRAFILME piorada? E só piora, né? Quem a defende senão ratos, porcos e urubus, sempre grudados no poder e sustentados pelo dinheiro público? Vampiros da felicidade humana! Ikeda ousou voar, conscientemente jogando tudo para o alto. Mas... bem que poderia ser um ótimo presidente de uma nova ANCINE, pois mudaria tudo e abriria espaço para todos. E não só para os velhos puxa-sacos, lambedores e picaretas que se perpetuam no tempo transformando o cinema num programinha televisivo boçal, sem um mínimo de grandeza. E que cercam e sufocam a burocracia com um profundo desprezo pela doçura criativa autoral e pelo cinema de idéias. Não a toa fazem meu passado me condena e outras tantas bobagens. Ganhar o público dopando-o como faz a TV, não vejo nenhuma vantagem a não ser o dinheiro. Mas não é pouco? 4 – Como foi a relação com a equipe e a produção? r - Poder filmar o que se quis ainda é um luxo raro nos dias de hoje. No Brasil o cinema é só um exercício de poder e malandragem. E volto a repetir: nos “DOIS CASAMENTO $”, só trabalhei com pérolas negras. Ou seja, raras! Se com pouco dinheiro o Cavi faz milagres, o que não faria com algum na produção? É um jovem produtor, e um bom exemplo a ser seguido. O cinema não precisa só ser
  5. 5. manipulado pela máfia da burocracia e do capital, pois estão no cinema não pelo exercício do pensamento, mas para explorar mesmices e fascismos. Jogam com os podres poderes para termos um cinema e um país sem identidade alguma. E não sabem filmar, né? E sem saudosismo, nosso cinema já foi muuuuuuito melhor. O que se faz hoje, na maior parte das vezes é lixo! Pode interessar a TV, mas não a experimentação e a poesia. 5 – Sendo só duas personagens femininas como foi que as atrizes chegaram até “DOIS CASAMENTO$”, e como foi o trabalho? r - Duas indicações do Cavi. Patrícia Niedermeier e Ana Abbott foram exatamente a luz solar e criativa das personagens. Claro que tivemos todos dificuldades, mas que foram sendo vencidas com a experiência e a capacidade poética-musical e visceral de cada uma. Patrícia foi o tempo todo uma leoa raivosa por estar sendo encarcerada pela moral dominante, que ainda se sustenta na ilusão do matrimonio. Tem consciência disso como personagem mas não soube como sair da representação do casamento ou mudar. Joga no sexo a sua amargura e saída. Ana foi a cor da imobilidade provocada pela timidez e pelo medo. Foi conscientemente uma nova “CABÍRIA”, estilizada e bonita. Muito bonita e talentosa. Foram e são uma espécie de musicalidade selvagem dos mais nobres sentimentos humanos, empobrecidos pela religião e pela ordem social. Trabalhamos o texto em alguns ensaios e se jogaram de boca no trabalho a ser feito. O virtuosismo solar de ambas deu um sentido orgânico ao esforço e lógica das contradições de
  6. 6. cada uma. É um filme cru sem objetos e babilaques. É só um banco de madeira, uma velha mesa quebrada e abandonada, um lampião, duas taças de vinho, uma garrafa e uma pomba branca imaginada pela Marcinha Pitanga e Daniele Cherman, e feita na Mangueira. Lembrando muito o espaço como personagem no teatro do saudoso Grotowiski. E a estranheza do espaço foi o exercício a ser desenvolvido. E ambas lindíssimas se saíram bem, como se tivessem sido mesmo abandonadas numa espécie de apatia crônica e enloquecida do medo. Patrícia e Ana se respeitaram e se abandonaram como se fossem doenças latejantes da nossa civilização da guerra e do medo de amar e serem amadas, com o casamento sendo transformado numa expressão do horror e da estupidez. Uma enfermidade da paixão. Na verdade, teme-se mais a paixão e o encantamento, que a segurança equivocada dos porcos. Porcos obstinado pelo dinheiro e pelo poder. Quem ousa hoje confrontar o status quo afetivo de peruas e canastrões? Nosso cinemão é que não é! Muito menos as duas personagens. Pena. 6 – O senhor acha que esse “DOIS CASAMENTO$” dá continuidade aos filmes-ensaios que você vinha fazendo? r - Os filmes-ensaios são fenômenos ligados diretamente ao pensamento das grandes idéias que deixaram de estar no nosso cinema. Eu ainda as penso para manter as suas reflexões vivas entre nós. Já, “DOIS CASAMENTO$” é uma doce e enloquecida homenagem ao mundo do afeto tentando uma fórmula de representação e encenação experimental assumida visceralmente por todos. Com muito pouco dinheiro, só o Cavi ainda consegue esse mimo criativo
  7. 7. para com o cinema. É uma demonstração de jovialidade e também de ousadia que temos que reconhecer. Todo lixo foi evitado para não contaminar as flores desse jardim perfumado e florido. Fizemos um desesperado manifesto a desobediência, ao gozo e a vida. Ora, o que desses elementos existe hoje no casamento? O casamento não foi transformado num mar de lama religioso e televisivo? Quem se assume como esquizóide ou covarde? E o casamento é sim, reflexo da enfermidade das idéias, da política e do país. A constante verborragia religiosa é sim o que antecede ao rastejamento, ao medo, a escuridão e ao suicídio. E o fracasso é só a farda suja do poder totalmente apodrecido como expressão. E não é coisa do diabo, e sim dos homens que não mais sabem amar suas lindas mulheres. A vida foi os ensinando o desaprender da paixão e do gozar. Pena. 7 – Lendo com cuidado o argumento de “DOIS CASAMENTO$”, não poderia passar uma idéia de um culto a homossexualidade feminina? r – É-nos indiferente essa picuinha e preocupação dos fundamentalistas religiosos. Vamos muito além. É um ensaio jovem e potente de liberdade absorvida como uma sucessão de afetos não desgastado na interpretação delicada das duas atrizes. Se o casamento se tornou só uma enfermidade, um negócio, nossa colocação cinematográfica passa por um outro registro amoroso. Patrícia e Ana são na verdade uma só personagem atônitas num espaço duro e sufocante belíssimamente filmado pelo fotografo e diretor genial, chamado Vinícius Brum. Ousaria dizer que “DOIS CASAMENTO$” é uma tentativa de tornar visível o império
  8. 8. do mal da religião a TV, que se abate sobre o afeto. É um filme contra a rapinagem suja dos sentimentos. O que pode um fanático fundamentalista religioso, entender do afeto? Claro que podem bostejar verbalmente seja lá o que for pois dizem que vivemos numa Democracia, mas que na verdade são apenas símbolos de um fascismo em formação, a satisfazer ideologias vazias impostas como a culpa e o medo. Encantamento, afeto, paixão, beleza e o gozar...é uma outra coisa. Passa por um outro registro onde a estabilidade passa pela grandeza e pelos sonhos de gestos ricos e obscenos. E entre a empoeirada retórica religiosa e televisiva e a beleza infinita dos sentimentos, nosso entendimento não pode ser uma máscara de rigidez. Defendemos sim, um mundo mais justo, humano, terno, criativo e amoroso. Um mundo sem arrogâncias imobilizadoras. Não estamos mais na Idade Média. Cada um que assuma o seu desejo e seja feliz! Preconceitos e censuras deveria ter acabado com o fim da ditadura. Ou ela continua disfarçada na religião como poder? Não tem coisa mais importante para serem feitas, pensadas e vividas? 8 – Como e porque agora mais velho participar de Mostras e festivais? r – Lamentavelmente o cinema foi transformado numa monumental estupidez burocrática. E na megalomania partidária deles, uma submissão odiosa a pontuações e arrogâncias. Poder, né? Então como resposta ao autoritarismo obsessivo dos porcos, um filme comovente para ajudar jovens produtores e diretores não descendentes da pilantragem repressiva da burocracia! Continuam a
  9. 9. arrogância do passado, né? Só que agora encostados e escondidos em partidos vagabundos. Tornou-se necessário estar na pobre festa do nosso cinema. Festa artificial, né? Ora, o que de sério pode-se diagnosticar num festival? Festivais que sempre premiam um acumulo de enfermidades e armadilhas. E se só servem aos canastrões televisivos, não servirá nunca ao pensamento. Talvez tirando o festival de Brasília que dá prêmio em dinheiro, que é o que interessa, nunca vi mérito algum estar nessas festas na maior parte das vezes forçada. Faz-se turismo com dinheiro público, né? Não seria mais interessante diminuir o número de festivais e seguir o exemplo do Ponto Cine? Ou seja, criar mais cinemas nas periferias e formar um público mais preparado para Sétima Arte que engloba todas as demais. 9 – O que você poderia falar da tua relação com um jovem fotografo desconhecido do teu círculo de amizades, e da montagem eminente? r – Nos demos super bem. Vini é um escultor de imagens poéticas que também dirige. Seus dois curtas são melhores que 99% dos nossos longas querendo imitar a imbecilidade de Hollywood, com espetáculo barato e a violência. Como fotografo sabe disseminar afetos e discernimento diante da liberdade. É um obstinado pelo belo que sabe esculpir a luz e o tempo. É um poeta do olhar que vai muito mais longe que todo e qualquer filme feito. Amei o seu trabalho inteligente e delicado. Já a montagem, ainda não cheguei nela. Mas só trabalho com inventoras! Seja a doce Joana Collier, seja Paula Sancier, seja Pedro Bento, seja Lupercio Bogea, seja...
  10. 10. São mais que montadores, mas sim inventores de uma nova maneira de um olhar a ser pensado. 10- Como “DOIS CASAMENTO$” se coloca em relação ao cinema brasileiro atual? r – Uma vez mais vai na contra-mão de tudo, flertando ao longe com “SUDOESTE”, “SANTIAGO”, “SERRAS DA DESORDEM”, “MENTIRAS SINCERAS”, “ELENA”, “SETENTA”, “FILME FRANCES”, “CINEMA NUNCA MAIS”, “PAIXÃO E VIRTUDE”, “FILME POLICIAL”, “LET’S PLAY JAZZ”... Sendo um filme contra o status quo da ideologia dominante do casamento, sua singularidade está no desejo poético de transgressão de todos que dele participam. Também não é um filme de certezas, mas de dúvidas existenciais. É um filme que possivelmente vai semear desentendimentos e paixões. Imagina brincar com a falida instituição do casamento num país idiotizado pela religião e pela TV como o nosso ? 11- Mas pensando bem, de certa forma o casamento não é ainda muito uma tentativa de entendimento do afeto? r – E precisa casar para isso? Quanto custa um casamento? Penso que é só um negócio organizado como compensação religiosas, financeiras e um espetáculo para as famílias conservadoras. Quando uma tonta do mundo do espetáculo se casa, é uma festa para as revistinhas mundanas. Casamento que não vai durar dois anos! Mas... vira notícia, imagem e bobajadas de um jornalismo criminoso tipo revista Caras ou Quem. Ora, e por que o casamento da Maria com o
  11. 11. João Sem Nome, operário ou desempregado, não tem imagem alguma? Ousaria dizer que o casamento é sim também, o reflexo da luta de classes. O afeto, o desejo, o prazer é o que menos importa. Inverteu-se o afeto num negócio para satisfazer a patética organização dos urubus da religião. Ou seja, regride-se o desejo ao capital para se lucrar com uma falsificação dos afetos para vender a debilidade como luxo e desejo. Não é como fazem os padrecos, pastores e as novelinhas na TV? E o que na verdade existe e resiste é a burrice, o ódio, a submissão a culpa, o fingimento, a caretice e o sistema como salvação da família conservadora. Como bem dizia David Cooper: “Por falta de deuses (concretos e palpáveis) tivemos que inventar abstrações potentes, nenhuma delas mais poderosamente destrutiva que a família.” Corretíssimo! E é dentro dela que todos dançam conforme a música. E pode quase tudo. Só não pode pensar, gozar e ser feliz; pois nada disso imobiliza o ser humano. Torna-o sim mais elevado na nobreza dos afetos muitas vezes proibidos. 12- Você sempre assumiu influências e foi além. Quais seriam as mais fortes neste novo trabalho? r - O cinema do Bergman de “PERSONA” e “GRITOS E SUSSURROS” como terra-mãe. “MADRE JOANA DOS ANJOS” do Kawalerowicz, como imagem referencial a ser pensada. “SIMÃO DO DESERTO” do Buñuel como liberdade. E Straub como rigor cênico. Mas o que é falado passa pelos contos e o teatro do Tchekov e o genial “OS CONVALESCENTE” do nosso saudoso Zé Vicente. Aliás, em Paris lhe pedi os direitos para filmar essa monumental
  12. 12. peça esquecida, mas muito próxima da genialidade do “TERRA EM TRANSE”, pois falava da impotência e prepotência na luta política contra a ditadura. Mas não era um panfleto, mas um longo poema inspirado em Rimbaud. Também me orgulho de ter estado sempre ao lado, e na defesa do nosso Cinema de Invenção. Um cinema que não mendigou, não se camuflou e não se esclerosou em comediazinhas idiotas, logo passadas na TV! É um orgulho defender Tonacci, Santeiro, Ikeda, Paulo Augusto Gomes, Capovila, Ricardo Miranda, Renato Coelho, Joel Yamaji, Priscyla Bettim, Isabel Lacerda, Zé Sette, Fabio Carvalho, Geraldo Veloso, Petra Costa, Pedro Asbeg, Cavi Borges, Joel Pizzini, Vinícius Brum, Leonardo Esteves, Ana Carolina... E claro, Nelson Pereira dos Santos uma referência definitiva para todas as gerações. O Cinema de Invenção segue sendo um cinema autoral, ousado e criativo. E feito defendendo um saneamento profundo nas grandes produções que não se pagam na bilheteria mas enganam os investidores, e na burocracia como certeza da enfermidade dos sonhos não vividos e muitas vezes proíbidos. Ela é responsável sim, pelo atual horror cultural do cinema brasileiro! E se hoje só temos pornochanchadas medíocres a culpa maior é da burocracia e da TV que transformaram o cinema numa privada entupida de uma estação rodoviária. Mas que é o reflexo de um país como um todo né? 13- E para onde vai o cinema de Luiz Rosemberg Filho, Rô para os mais íntimos? r - Volto aos curtas pois ainda não acabei “MOMENTOS” e “CARTA A UMA JOVEM CINEASTA” já rodados. “DOIS
  13. 13. CASAMENTO$” é um presentão de todos ao Cavi que fez seu último aniversário no nosso set de filmagem, e em seguida casou uma vez mais com a mesma companheira de muitas batalhas pela sétima ou oitava vez. No caso, transformando o casamento numa doce brincadeira com o filme que estávamos fazendo. Mas foi mais que uma brincadeira. Mas uma encenação da sua paixão pela Patrícia. Para onde vou, eu não sei responder. No que se pode acreditar na cultura do país? Lutamos fa-zen-do, contra os anos de chumbo e continuamos lutando contra a zona da burocracia partidária deixada pela ditadura. Mais de trinta Partidos dá para se acreditar na seriedade da política? Dá para acreditar em dias melhores? Não dá né? A ministrinha do “relaxa e goza” na cultura pode ser uma referencia do bem, ou mais uma enfermidade dos nossas tantas tristezas? Cinema é antítese de periguetes que acham que podem ser tudo, ou qualquer coisa. Cinema não é a imobilidade suja e baixa da política! É mais nobre né? Lida-se com o afeto, o encantamento e a poesia. Fundamentalmente com o entendimento, a pintura e o olhar. FIM/ 2013.

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