Contexto e sentidos

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Contexto e sentidos

  1. 1. Professor PDE: Maxwel Lima
  2. 2. CONTEXTO E SENTIDOS Em 1964, o governo Norte Americano, em conluio com setores da burguesia, da política e das forças armadas brasileiras desferem um golpe fatal à democracia no Brasil ao deporem, em um Golpe Militar, o Presidente João Goulart, como cita o filme documentário “O dia que durou 21 anos”, de Camilo Tavares.
  3. 3. Como não aconteceu a resistência que se esperava, o Golpe conseguiu manter as aparências, o Congresso permaneceu aberto, se bem que enfraquecido. No entanto a “Caixa de Pandora” havia sido aberta e, a contragotas os golpistas vão se revelando.
  4. 4. Em 1965 com a promulgação do AI-2 os partidos políticos são extintos e com eles as eleições diretas para presidente da República; em 1966 com o AI-3 o Congresso é fechado e, finalmente em 1968 com a promulgação do AI-5 o regime se mostra por inteiro –DITADURA MILITAR- começa a censura, e as perseguições.
  5. 5. No ano de 1968, a juventude do Mundo se rebela contra a ordem estabelecida, surge o movimento de contracultura com manifestações por uma sociedade mais justa e democrática: Na França, “O Maio de 68”, na Tchecoslováquia “A Primavera de Praga”, nos EUA, as passeatas contra a Guerra do Vietnã.
  6. 6. O Brasil, apesar de ser um país, à época, predominantemente rural, com a população, de maioria analfabeta, com meios de comunicação de massa muito precários, em uma época em que o veiculo mais moderno era a televisão,
  7. 7. que dava seus primeiros passos, e era artigo de luxo, acessível a poucas e abastadas famílias das principais cidades, época em que ainda não existiam satélites, estações repetidoras e nem se quer o vídeo tape, o radio era o meio mais rápido de comunicação, mas estava fortemente censurado.
  8. 8. Devido à censura ou autocensura- imposta aos meios de comunicação, prisões, mortes e exílio aconteceram sem que a população ficasse sabendo.
  9. 9. Mesmo assim a juventude, politizada, não se calou e, apesar da forte repressão, saiu às ruas em protesto contra a ditadura, alguns “Quixotescamente” pegaram em armas.
  10. 10. Contraditoriamente, com o advento dos festivais da canção, nas principais emissoras de TV como Excelsior, Record e Globo, a música popular brasileira vivia um grande momento de criação e repercussão, autores como Geraldo Vandré, Chico Buarque entre outros viram uma maneira de ludibriar a censura e servir à Nação como instrumento de divulgação e resistência ao regime militar.
  11. 11. Foram vários os festivais da canção que fizeram sucesso durante os “anos de chumbo”, suas estruturas narrativas mexiam com os sentimentos dos telespectadores,
  12. 12. como o do bom moço, do rebelde e a heroína, como revela a Chico Buarque, o repórter do documentário “Uma noite em 67” citando Paulinho Machado de Carvalho, diretor da TV Record. É nesse contexto histórico que surgem as canções que analisaremos.
  13. 13. Para esclarecer o percurso que seguiremos, análises aqui propostas, consideramos que os festivais da canção foram mais do que um mero suporte ao gênero canção, tornaram-se eles próprios, também enunciadores, produzindo seu próprio gênero discursivo -programas de TV.
  14. 14. Para tanto as emissoras criaram argumentos que dividiam as platéias como torcidas de futebol, a favor ou contra essa ou aquela canção.
  15. 15. No argumento criado pela tv, o compositor Chico Buarque era o bom moço, branco, jovem, bonito, “olhos claros”, filho de uma família de intelectuais do calibre de um Sérgio Buarque de Holanda, seu pai, e sobrinho de Aurélio Buarque de Holanda.
  16. 16. Chico era o “queridinho do Brasil”, compositor da canção “A Banda" que fazia enorme sucesso, em todas faixas etárias e classes sociais; os militares quiseram usá-la para uma campanha de alistamento militar, a proposta foi recusada pelo artista.
  17. 17. Os militares nunca o perdoram e começou aí seu martirio, como o artista mais censurado pela ditadura.
  18. 18. Contudo o compositor resistiu e, produzindo uma obra recheada de metáforas e efeitos de sentido, ludibriou a censura e, serviu como um alto falante que denunciou os crimes cometidos pelos usurpadores da Pátria.
  19. 19. Sua bagagem intelectual e conhecimento do discurso foram os passaporte que fez com que sua obra sobrevivesse para além do regime.
  20. 20. Fato esse que não ocorreu com Geraldo Vandré, artista contestador desempenhou o papel do revoltado no argumento montado pela televisão e, ao se opor ao regime, com seus discursos diretos, conclamando a juventude à resistência e luta, despertou a ira dos orgãos de repressão.

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