Os 300 da UFS, por Matheus Alves

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Cobertura da manifestação do dia 20 de junho de 2013, na cidade de Aracaju, com saída da Universidade Federal de Sergipe, em direção à concentração dos demais manifestantes na Praça Fausto Cardoso.

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Os 300 da UFS, por Matheus Alves

  1. 1. Os 300 da UFS por Matheus Alves Dia 20 de junho de 2013, Aracaju foi palco de manifestações que já ocorriam em todo país. Aproximadamente 30 mil pessoas saíram de casa demonstrando insatisfação com a gestão dos governos. Cerca de 300 estudantes da Universidade Federal de Sergipe foram ao Terminal Campus em busca de um coletivo que os levassem até a concentração da manifestação na Praça Fausto Cardoso, centro de Aracaju, por volta das 15h. Para infortúnio deles, o Setransp emitiu nota pública informando à população que os validadores eletrônicos entrariam em manutenção a partir das 16h para uma atualização do sistema. Por conta disso, seria necessário que, excepcionalmente, os terminais de ônibus da cidade fechassem às 16h. Mas às 15h30 o Terminal Campus já se encontrava fechado - nenhum ônibus entrava, e os que passavam não paravam. Assim, restou aos estudantes seguir caminhando para o centro. Os trezentos alunos ocuparam a Avenida Marechal Rondon e seguiram em direção ao Bairro América, provocando o congestionamento de uma das vias. Durante o inicio do percurso, nenhum dos ônibus que passou pelo grupo parou para que eles pudessem subir, a exceção do ônibus do Ministério da Educação, que seguia para o Instituto Federal de Sergipe (IFS) e, até onde foi possível, levou uma parte dos estudantes . Como a marcha já havia sido iniciada, isso não tornou-se um empecilho e nem a distância os intimidou. Enquanto seguia pela avenida Desembargador Maynard, o grupo foi ovacionado por buzinas de carros que passavam no sentido contrário. Com palavras de ordem, rostos pintados de verde e amarelo, e cartazes com reinvindicações, os estudantes seguiram o percurso atraindo os olhares curiosos que timidamente apontavam nas esquinas, janelas, varandas e algumas lojas que permaneceram abertas, para observar o que acontecia. O grupo seguia clamando “vem pra rua!” e os curiosos, com máquinas fotográficas e celulares, registravam o momento. O grupo de estudantes viu seu número crescer consideravelmente para além de 300, cerca de 1000, quando outras pessoas juntaram-se a eles na Praça da Bandeira. Eles seguiram pela Av. Barão de Maruím em direção à Av. Ivo do Prado, com cada vez mais pessoas juntando-se a eles, atendendo aos chamados: “vem pra rua!”. Quando uma tropa da Cavalaria da Polícia Militar de Sergipe (PM-SE) surgiu de uma das ruas laterais da avenida, gritos de “sem violência” ecoaram, sem nenhum motivo aparente, fazendo com que os policiais se afastassem. O grupo seguiu pela Rua Itabaiana, onde encontrou mais pessoas vindo da direção oposta, em frente ao Quartel da PM. Os policiais que estavam de prontidão no local, a pedido do Comando, permaneceram em seus postos
  2. 2. enquanto os manifestantes seguiram seu caminho. Quando o grupo reuniu-se aos manifestantes que se encontravam na Av. Ivo do Prado, contavam com cerca de 5 mil pessoas. Entre as avenidas Barão de Maruim e Ivo Prado, ocorreu uma grande concentração de pessoas, que não seguiam em direção alguma, pois houve divergência sobre qual direção seguir. Um grupo queria seguir pela Barão em direção à Hermes Fontes e outro que queria seguir pela Avenida 13 de Julho. O impasse durou pouco mais de 15 minutos, onde a grande maioria permaneceram parados, numa mistura de cartazes, tintas, bandeiras e máscaras. Algumas pessoas aproveitaram para tirar fotos, encontrar os amigos ou conversarem e rirem da situação. O motivo para a indecisão sobre qual caminho seguir, não estava claro para nenhuma das pessoas que estavam ali presente. Todas apenas esperavam que alguma decisão fosse tomada e que algum caminho fosse escolhido. Entidades de sindicatos de trabalhadores, como a CUT e a CSP Conlutas, foram vaiados pelos manifestantes que gritavam “sem partido”. O grupo que estava à frente daqueles que queriam seguir pela 13 de Julho, aproveitaram o momento para clamar que aqueles que estivessem com os “partidos”, seguissem pela Hermes Fontes. Dessa forma o impasse “se resolveu” e os manifestantes se dividiram em dois grupos, mas nem todos sabiam para onde estavam indo ou o que havia acontecido. Cerca de 15 mil pessoas que seguiram pela Avenida Beira Mar. À medida que passavam em frente aos grandes prédios luxuosos da avenida, mais pessoas desciam e se juntavam à passeata. O grito de “vem pra rua” deixou de ser um pedido ou sugestão, para se tornar quase uma ordem àqueles que apenas assistiam de suas varandas. O sopro de apitos também passou a fazer parte do coro, numa cacofonia de gritos e sons diversos, tornando difícil compreender o que era dito pelos manifestantes à frente e os que se encontravam ao fundo. Diante dos desencontros das palavras de ordem, o hino nacional passou a ser entoado por todos, à medida que se aproximavam do viaduto sobre o rio Sergipe, o mesmo que dá acesso ao Shopping Riomar. A passeata seguiu em direção ao Shopping Jardins, enquanto os manifestantes pediam para aqueles que estavam das sacadas “piscassem a luz” se apoiassem à manifestação. Quase todas as varandas que possuíam alguém assistindo, piscaram suas luzes em resposta aos pedidos, como exóticas árvores de natal. Quando a passeata chegou na rua Silvio Teixeira, as duas vias foram tomadas pelos manifestantes, que receberam salvas de palmas e buzinas, enquanto gritavam “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. As pessoas presas no engarrafamento causado pela manifestação, não demonstravam nenhum incomodo pela situação e alguns mais entusiasmados ainda os motivavam, dizendo o quanto estavam orgulhosos daquela demonstração de luta por seus direitos.
  3. 3. A Avenida Adélia Franco ficou apinhada de pessoas, com carros buzinando e os prédios piscando suas luzes, sem que fosse necessário o pedido das pessoas. Alguns manifestantes comentaram o fato, achando inusitado a situação, como se já soubessem o que fazer. Um pequeno número de manifestantes já começava a vir da direção oposta, regressando do Terminal D.I.A. Quando o grupo passou em frente ao Palácio do Governador, o mesmo se encontrava com todas as luzes apagadas, inclusive as da fachada do prédio. Alguns poucos manifestantes se detiveram no local, mas os demais seguiram caminhando. Diversos manifestantes já regressavam do terminal, mas ainda havia uma enorme quantidade de pessoas ocupando o viaduto e as ruas. O cansaço estava estampado no rosto da maioria das pessoas, mas ainda assim, elas sorriam e comentavam sobre a manifestação. Mesmo que diversas pessoas já houvessem retornado, cruzando caminho com o grupo que veio pela 13 de Julho, ainda havia uma enorme concentração de pessoas. Todas as vias de acesso ao viaduto se encontravam fechadas. Os manifestantes se encontravam sentados ao longo das pontes de acesso e em toda a extensão do mesmo. O terminal ainda contava com algumas pessoas que esperavam, pacientemente, os ônibus voltarem a rodar. Em todos os sentidos que levavam ao terminal, os engarrafamentos seguiam a perder de vista, fosse de pessoas, ou de carros. Diversos grupos de pessoas evitavam que os carros furassem o bloqueio, isolando os braços do viaduto e criando um clima de tensão entre as partes. Os trezentos estudantes que saíram da UFS se encontravam dispersos ao final do percurso, mas os poucos ainda visíveis, estavam satisfeitos com suas participações no ato. Quando o grupo chegou ao viaduto, colchões já haviam sido ateado fogos, grupo de pessoas discutiam com motoristas de ônibus que tentavam furar o bloqueio, mas tudo seguiu tranquilamente, apesar do clima de tensão. O “Primeiro Grande Ato: Acorda Aracaju!”, na opinião de quem esteve presente, foi um verdadeiro sucesso. Todos estavam orgulhosos e satisfeitos consigo mesmo e com o papel que desempenharam na passeata. Era possível perceber isso no rosto dos integrantes dos pequenos grupos que se formaram no final e nos comentários que fizeram sobre tudo que ocorreu e das esperanças que tinham. O sentimento de dever cumprido pairava no ar, no final do percurso.

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