História do TIFO

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Apresentação no Curso de Medicina Tropical - FIOCRUZ - BAHIA.

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História do TIFO

  1. 1. RiquettsiasRiquettsias • São bactérias Gram-negativas agrupadas na família Rickettsiaceae, constituída pelos gêneros Rickettsia, Orientia, Coxiella, Bartonella, Ehrlichia e Anaplasma. • Derivada do grego, a palavra typhus significa fumaça, vapor, ilustra o estado de confusão mental, com tendência a estupor dos pacientes infectados.
  2. 2. RiquettsiasRiquettsias • O gênero Rickettsia é dividido em dois grupos. O grupo tifo inclui três espécies, R. prowazekii, o agente do tifo exantemático e epidêmico, a R. typhi agente etiológico do tifo murino, e a Rickettsia rickettsii agente etiológico da Febre macular brasileira.
  3. 3. PATOLOGIA CAUSA MEIO DE TRANSMISSÃO SINAIS E SINTOMAS DURAÇÃO DOS SINTOMAS TIFO EPIDÊMICO Rickettsia prowazekii PIOLHO Dores de cabeça, calafrio, febre, dor no corpo e nas articulações, manchas vermelhas e toxemia . Duas a três semanas. TIFO EXANTEMÁTICO Rickettsia prowazekii PIOLHO Dores de cabeça, calafrio, febre, dor no corpo e nas articulações, manchas vermelhas e toxemia . O tempo de incubação do tifo exantemático varia de 1 a 2 semanas, mas, na maior parte dos casos, os sintomas ficam evidentes dentro de 12 dias.
  4. 4. PATOLOGIA CAUSADO PELA BACTÉRIA MEIO DE TRANSMISSÃO SINAIS E SINTOMAS DURAÇÃO DOS SINTOMAS TIFO MURINO Rickettsia mooseri RATOS Cefaleias, mialgias, artralgias, náuseas e mal estar, seguindo-se, 1 a 3 dias depois, início súbito de arrepios e febre. Náuseas e vómitos no início da doença Duas a três semanas. FEBRE MACULAR Rickettsia rickettsii CARRAPATOS O início dos sintomas é súbito e pouco específico, com febre, calafrios, cefaleia, hiperemia conjuntival, dores musculares e articulares; Entre o terceiro ao sexto dia de doença pode surgir exantema maculopapular generalizado .
  5. 5. Tifo EpidêmicoTifo Epidêmico FIOCRUZ, 20
  6. 6. TIFO
  7. 7. A HISTÓRIA DO TIFO • 430 a. C- Acredita-se que o tifo exantemático tenha sido a causa da chamada “Peste de Atenas”, descrita pelo historiador Tucídides. • Grande parte da população foi dizimada neste surto, mas as descrições sugerem que todos aqueles que trabalhavam junto ao fogo, como os forjadores, escapavam do mal.
  8. 8. Século XV • Vários autores acreditam que o tifo foi introduzido no velho continente por volta de 1489, durante a reconquista de Granada pelos soldados espanhóis, que retornavam da ilha de Chipre. • A partir de então, a doença passou a vitimar a população do velho continente de forma assustadora. • Não há notícias sobre epidemias de tifo exantemático no Brasil. Sua importância histórica para o país relaciona-se ao período colonial, quando um grande número de viajantes adoecia ou morria durante a travessia atlântica.
  9. 9. Século XV TIFO NOS NAVIOS •Pode ser explicada pela precária higiene vivenciada pelos viajantes, que conviviam com ratos, pulgas, piolhos e entre outros parasitas. •Além dos navegadores, os prisioneiros e soldados em campanha também sujeitos a toda a sorte de provações em ambientes pouco salubres, eram acometidos pelo tifo.
  10. 10. SÉCULO XIX • Um dos episódios mais conhecidos sobre vítimas em campanhas militares foi na derrota de Napoleão Bonaparte em território russo. • Concomitantemente ao frio intenso que seu poderoso exército enfrentava, seus soldados foram dizimados pelo mal. • Durante as seis semanas iniciais dos deslocamentos das tropas, 20% dos homens estavam mortos ou sem condições físicas para combate devido à doença. • Em 1812, o tifo matou mais franceses do que soldados russos. Reduzindo um exército de 600 mil homens a 40 mil homens.
  11. 11. Epidemia de tifo na Alemanha
  12. 12. Vítimas de epidemia de tifo em Bergen-Belsen- Campo de concentração na Alemanha
  13. 13. SÉCULO XIX • Em 1848 o TIFO foi responsável, juntamente com a fome, pela morte de 18 mil pessoas na Alta Silésia(zona industrial da Polônia e da República Tcheca). • Ao observar este surto, Virchow (1821-1902) elaborou um indignado relatório sobre as deploráveis condições de vida dos trabalhadores, principais vítimas da doença nas cidades. • Neste período pode-se de fato considerar que a Medicina sofria, desde o final do século XIX, uma revolução em vários campos, com destaque à infectologia.
  14. 14. SÉCULO XX • O TIFO Ocasionou 3 milhões de mortos (Europa Oriental e Rússia) -O TIFO Ocasionou 3 milhões de mortos (Europa Oriental e Rússia) - 1918 a 19221918 a 1922 • A doença estava se propagando rapidamente entre os militares que combatiam nas guerras balcânicas (1912-13), e havia uma grande preocupação de que a enfermidade, altamente contagiosa, viesse a se alastrar pela Europa. • Com o início da 1ª Guerra Mundial, em agosto de 1914, Rocha Lima e Von Prowazek tiveram de voltar para Hamburgo.
  15. 15. SÉCULO XX • Em 1914, Rocha Lima foi indicado pelo governo alemão para estudar a doença em Constantinopla, na Turquia. Em meio à primeira Guerra Mundial, em dezembro do mesmo ano retorna à Alemanha e dirige- se para o campo de prisioneiros de, onde sete mil de um total de 10 mil tinham contraído tifo. • Já se sabia que eram os piolhos os transmissores da doença, uma descoberta feita pelo pesquisador Charles Nicolle, em 1909. • Infelizmente, não demorou muito para Prowazek se contaminar com os materiais preparados a fresco, falecendo em 17 de fevereiro de 1915.
  16. 16. SÉCULO XX • Seguiram, então, para o campo de prisioneiros de Cottbus, onde sete mil de um total de 10 mil tinham contraído tifo. Já se sabia que eram os piolhos os transmissores da doença, uma descoberta feita pelo pesquisador Charles Nicolle, em 1909. • Infelizmente, não demorou muito para Prowazek se contaminar com os materiais preparados a fresco, falecendo em 17 de fevereiro de 1915.
  17. 17. SÉCULO XX • Em 15 de fevereiro de 1916, Rocha Lima finalmente anunciou a descoberta do causador do tifo epidêmico. • Suas pesquisas, no entanto, não receberam o reconhecimento devido da comunidade científica. Em 1928, Charles Jules Henri Nicolle recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia por ter descoberto que o piolho era o transmissor do tifo epidêmico e Rocha Lima sequer foi citado. • Mas seu nome foi perpetuado ao fazer surgir um novo capítulo na história da microbiologia e das doenças infecciosas – as Riquetsioses.
  18. 18. SÉCULO XX • Para investigar o agente causal do tifo exantemático, nomes de destaque na pesquisa em doenças infecciosas foram chamados para o Instituto de Doenças Tropicais de Hamburgo (Alemanha). • Um deles era membro atuante de Manguinhos, que mais tarde se tornaria o Instituto Oswaldo Cruz: o brasileiro Henrique da Rocha Lima.
  19. 19. Henrique da Rocha Lima • Nascido no Rio de Janeiro em 24 de novembro de 1879, Henrique da Rocha Lima tornou-se famoso internacionalmente pela descoberta da causa do tifo epidêmico (ou exantemático). • Rocha Lima foi um dos primeiros a frequentar o Instituto Oswaldo Cruz, na época chamado Instituto Soroterápico Federal. Antes mesmo de se formar em 1901 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, já trabalhava na instituição, mais conhecida como Instituto de Manguinhos.
  20. 20. FEBRE MACULOSA BRASILEIRA • Desde os estudos de Rocha Lima, vários micro-organismos foram - e ainda estão sendo - encontrados e classificados como Rickettsias. • Nas Américas, um grupo especial destas bactérias - o da febre maculosa - é bem caracterizado como agente da febre das Montanhas Rochosas (Estados Unidos), “fiebres manchadas” (México) e da febre maculosa brasileira.
  21. 21. FEBRE MACULOSA • Dentre os pesquisadores que investigaram a Febre das montanhas rochosas, destaca-se aquele que acabaria dando seu sobrenome a todo novo gênero de micro-organismos: Howard Taylor Ricketts. • Em sua breve vida como pesquisador, Ricketts entre 1906 e 1909, observou e descreveu micro-organismos encontrados em esfregaços de tecidos de carrapatos e comprovou a transmissão do mal em porquinhos da Índia (Cavia porcellus); • Morto precocemente por infecção adquirida em seu laboratório, seu legado somente foi complementado em 1926.
  22. 22. FEBRE METICULOSA BRASILEIRA • Lemos Monteiro e seu auxiliar Edison Dias morreram em decorrência da riquetsiose em 1933, numa época que não existia um medicamento eficaz para seu combate. • A pesquisa foi posteriormente interrompida e na atualidade, não há vacina comercializada no Brasil contra a doença. • Em relação aos dados notificados e comprovados no Brasil, no período de 1957 a 1974 consta a ocorrência de 53 casos e no período de 1976 a 1982 houve notificação de 10 casos
  23. 23. FEBRE METICULOSA BRASILEIRA • Nas décadas de 1930 e 1940, Minas Gerais também foi atingida pela doença, que passou a ser chamada de “Febre Maculosa Brasileira”. • Em 1929 já se elaborava uma vacina a partir de carrapatos infectados com R. Rickettsii, por iniciativa de pesquisadores do Instituto Butantan, Lemos Monteiro, Travasso e Avallejo Freire. • Contaminados em seu laboratório, Lemos Monteiro e seu auxiliar Edison Dias morreram em decorrência da riquetsiose em 1933.
  24. 24. Século XX • Epidemias ainda maiores em meio ao caos do pós-guerra da Europa dos anos 1940 só foram evitadas pelo uso generalizado do recém- descoberto DDT para matar os piolhos em milhões de refugiados e pessoas deslocadas e do surgimento de antibióticos. • A doença se fez presente em quase todas as guerras até então, e chegou a influir diretamente no resultado de várias delas.
  25. 25. Século XX • Em 1996 elaborou-se um programa de vigilância da febre maculosa nas regiões de Campinas e de São João da Boa Vista (onde estão situados os municípios acima), com o objetivo de controlar sua transmissão; • A doença foi declarada de notificação compulsória nestas regiões.
  26. 26. FEBRE METICULOSA BRASILEIRA • A FMB vem ocorrendo, desde sua reemergência na década de 1980, sobretudo na região sudeste e sul do Brasil, destacando-se o estado de São Paulo como o de maior ocorrência de casos (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS, 2006; GRAHAM, 2011; HERBET, 1982). • Até o ano 2001, quando a FMB passou a ser considerada doença de notificação compulsória em todo o país, os únicos estados que mantinham um programa ativo de vigilância epidemiológica para a FMB eram São Paulo e Minas Gerais.
  27. 27. FEBRE METICULOSA BRASILEIRAFEBRE METICULOSA BRASILEIRA • Segundo dados do Ministério da Saúde, entre os anos de 1997 e 2010 houve a notificação de 868 casos confirmados de FMB, entre os quais 227 evoluíram para óbito, distribuídos entre os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. • No estado de São Paulo, as primeiras descrições de FMB, quando ainda era denominada “typho exanthemático de São Paulo” (PIZA, 1932; LABRUNA, 2009
  28. 28. FEBRE METICULOSA BRASILEIRAFEBRE METICULOSA BRASILEIRA Inicialmente descrita como doença com transmissão em áreas tipicamente rurais e silvestres, a FMB vem ocorrendo também em áreas periurbanas e urbanas (SOUZA, 2004). São apontados como ambientes de maior risco áreas de pastagens, matas ciliares, proximidades de coleções hídricas e com presença de animais, como equinos e capivaras (SÃO PAULO, 2004)
  29. 29. CONSIDERAÇÕES FINAIS • As riquetsioses têm inquestionável importância médica por sua elevada mortalidade e merecem crescente atenção da saúde pública mundial. Surtos isolados de grande letalidade continuam ocorrendo, a exemplo dos recentes casos de FMB na região de Campinas (São Paulo) e de tifo exantemático,observado em áreas elevadas da América Latina (do México à América do Sul) e África. • Os conhecimentos de seus mecanismos de transmissão, fisiopatologia e controle devem-se ao estudo sistemático e cuidadoso de cientistas de diversas nacionalidades. Vários são os brasileiros incluídos neste seleto grupo. Eles se dedicaram, tiveram progressos e fracassos; outros morreram na tentativa de obter respostas
  30. 30. REFERÊNCIAS • ABRIL, SUPER. As grandes epidemias ao longo da história. Disponível em:<http://super.abril.com.br/ciencia/as-grandes-epidemias-ao-longo- da-historia>. Acesso em 17 de nov. de 2015. • EDUCADORES, Dia a Dia. Linha do tempo das grandes Epidemias. Disponível em:<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/simul adoreseanimacoes/2011/biologia/5linha_epidemias.swf>.Acesso em 17 de nov. de 2015. • FIOCRUZ. Rocha Lima, o pai das rickettsias. Disponivel em:http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm? infoid=752&sid=7. Acesso em 17 de nov. de 2015.
  31. 31. REFERÊNCIAS • FIOCRUZ. Febre meticulosa Brasileira; Disponível em:<http://www.mediafire.com/view/8xx708ufn7pqu4g/livro- carrapato-com-capa-pdf-isbn-novo.pdf>. Acesso em: 17 de novembro de 2015. • FURB. Rickettsias. Disponível em: http://www2.inf.furb.br/sias/parasita/Textos/rickettsias.htm. Acesso em : 17 de novembro de 2015. • GURGEL, Cristina Brandt Friedrich Martin et al. Investigações das riquetsioses: contribuições de cientistas brasileiros*. Rev Bras Clin Med, São Paulo, v. 1, n. 7, p.256-260, 2009.

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