Renascimento shakespeare e o teatro elisabetano

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Renascimento shakespeare e o teatro elisabetano

  1. 1. APOSTILA ARTES CENICAS2º BIMESTRE 2009PROFESSORA: AMANDA REGINA2º ANO: A ARTE RENASCENTISTA Até fins da Idade Média, a Igreja monopolizava a educação e, em conseqüência,tinha-se uma cultura teocêntrica. Com o surgimento de novas condições de vida, umacultura de caráter humanista e antropocêntrica começou a nascer. É ao aparecimento eao desenvolvimento dessa cultura que atribuímos o nome de Renascimento. A inspiração dos renascentistas na arte greco-romana não significou meraimitação, pois as condições históricas imperantes na Antiguidade Clássica eramcompletamente diferentes. Ela serviu como base para uma visão de mundo maisracional, que colocava o homem não apenas no papel de criatura, mas também decriador. O Renascimento não pode ser separado do humanismo, movimento amplo peloqual o homem torna-se o centro das preocupações intelectuais. Numa época de certezasperdidas, a fé declinante entre os intelectuais e as camadas ricas da Europa, ohumanismo ofereceu às pessoas dotadas de riqueza e poder grande número de respostaspara suas dúvidas e incredulidades. O homem tornara-se a medida de todas as coisas,capaz de vencer todos os obstáculos que a vida lhe antepunha. Durante a idade média, na Europa, o teatro tinha um papel muito importante paraa Igreja Católica. A produção e a apresentação de peças religiosas atingiram seu auge noséculo 14. Mas a situação se transformou no século 15, com a decadência do teatroligado à religião, devido ao impacto do renascimento. O homem, e não Deus, passa aprotagonizar a cena! Não foi por acaso que a figura do bobo da corte se tornou popular durante orenascimento, embora o personagem tivesse nascido na antigüidade. Depois de terpassado sem destaque durante a idade média, o bobo ganhou espaço no teatrorenascentista, articulando as dúvidas e incertezas de um momento de grandetransformação ideológica.O TEATRO ELISABETANO Podemos situar o aparecimento de um dos grandes marcos da história do teatroocidental no período que se estende da segunda metade do século XVI ao início doséculo XVII. Este teatro é chamado de elisabetano porque a maior parte de sua existênciacorresponde ao reinado da rainha Elisabete I, que se estendeu de 1558 a 1603. Atradição crítica assinala o término deste já no governo de Jaime I, sucessor de Elisabetee iniciador de uma época denominada de "jacobina", devido ao rigor do puritanismovigente. As características da corte elisabetana expressam a efervescência poética doperíodo, sendo o teatro sua forma mais popular e bem sucedida . Devido às influênciascalvinistas, a pintura e as artes plásticas em geral não tiveram tanta relevância como naItália ou França, por exemplo, o que não significou que não houvesse intercâmbios einfluências recíprocas entre esses países.
  2. 2. Esta efervescência é expressa na quantidade de peças escritas no período, bemcomo na elevação da qualidade de seus textos. Sabemos que de 1576 - data em que foiconstruído o segundo teatro público elisabetano - até 1613 foram registrados mais deoitocentos títulos de peças, das quais só nos restou pouco mais da metade. No mesmoperíodo, Londres contava com cerca de 16 estabelecimentos teatrais em plenofuncionamento, alguns com companhias permanentes - inclusive as formadasinteiramente por crianças - e mais dúzia de dramaturgos famosos, sem contar os nãomuito famosos, competindo entre si ou escrevendo a quatro e até a seis mãos"(9) A escrita de peças para os novos teatros populares era feita, também, pelossábios da Universidade (The University Wits), homens com talento, mas sem dinheiro,que premidos pelas necessidades de sobrevivência se dedicavam a este tipo de literatura. O teatro amador ganha espaço nas escolas e nas universidades com propósitosnão só didáticos. As faculdades de direito (inns of court), onde os jovens moravamenquanto estudavam leis, serviam de palco para estas apresentações, além deproporcionarem certo ganho aos seus autores. Londres, cidade próspera, atraía vagas de visitantes. Ao longo das estradas queconduziam a Londres, grupos ambulantes de atores encontravam boas platéias nasestalagens. Erguiam seus palcos no pátio, coletavam dinheiro em suas apresentações edecidiam dar espetáculos diariamente no mesmo lugar, fazendo com que novas platéiasviessem até eles. Isso não invalida o fato de as representações também serem realizadas empraças, nos mercados, nos salões dos grandes senhores e nos auditórios das escolas,seguindo assim, não só uma certa tradição medieval, como mantendo uma tradiçãoteatral inglesa. Eis a estrutura do teatro elisabetano - um edifício dando para um grande pátio,com o palco no fundo. Um terço das galerias que conduziam originalmente para osquartos, fornecia os lugares para os "mais afortunados", enquanto pessoas comunsficavam no pátio, em pé ou sentados. Os serviços de hospedaria eram mantidos, como ode bebidas e refrescos, e os próprios nomes desses novos teatros sugeriam sua origemcomo hospedarias - O Touro Negro, O Cisne, O Fortune, O Hope e outros.Através de alguns desenhos, relatos de visitantes e dos próprios textos teatrais é possívelperceber outros elementos deste espaço teatral. Em geral o teatro é circular, hexagonalou octogonal; o Fortune, no entanto, era quadrado ou retangular. Possuíam uma parte aoar livre, sendo que as galerias e o palco eram cobertos. A bandeira içada era sinal de espetáculo, dependendo do tempo era içada aomeio dia e o espetáculo iniciado às duas horas da tarde. Depois de passar pela porta oespectador pagava para entrar: se tivesse pouco dinheiro ficava no pátio em pé; sequisesse ir para as galerias pagava-se um pouco mais: esta "ala" era chamada de salados cavalheiros ou dos senhores. Um teatro como o Globe continha três palcos: O palco externo, chamado de"avental", era cercado por uma cortina à volta do estrado e um alçapão com múltiplasfunções (por exemplo, Ofélia era enterrada nele). No centro havia outro palco, interno,que também tinha uma cortina, onde geralmente se davam as cenas de pessoas quemorriam na cama. O terceiro palco - o superior - era uma galeria em cima do palcoexterno, onde ficavam os músicos ou os atores (a cena de Julieta no balcão, porexemplo). Nos bastidores encontravam-se o vestiário, os camarins, o depósito dasroupas e das peças mais importantes do teatro. Na parte de cima, havia uma casinhacom uma roldana para descer os deuses ou os seres sobrenaturais. Também em cima dopalco externo duas pilastras sustentavam o "céu" pintado com a lua e algumas estrelas. Quando o espetáculo estava prestes a começar ouvia-se um soar de trombetas.
  3. 3. Com a representação à luz do dia, atores e espectadores se viam uns aos outros. Parasinalizar a escuridão utilizava-se uma tocha carregada pelos atores ou um texto poéticonas falas. As cenas eram contínuas, sucedendo-se umas às outras, com duas horas deduração, sem intervalos. Em 1574, o conde de Leicester obteve uma licença para que seus "criados"(atores que usavam sua libré) pudessem representar em lugares públicos, em Londres ououtras províncias. Com aproibição pelo Conselho da Cidade (composto por membros puritanos) da construção deum teatro para tais fins, foi construído fora dos limites da cidade, o Teatro. Umapesquisa mais recente demonstra que houve um teatro chamado de Red Lion, quedataria de 1567, considerado assim o primeiro teatro construído especificamente paraesse fim. O "Grande Globe" de Shakespeare foi construído em 1598, a partir das vigasdo velho Teatro. Estes teatros chamados de "públicos" ou "abertos" concentravam-se na parte sulde Londres, mas havia também os chamados "teatros privados" ou "fechados",encontrados na parte norte da cidade: o Saint Paul’s, dentro daquela catedral, oBlackfriars, dentro de um convento, e o Cockpit (Arena), especialmente construídoenquanto os outros dois foram adaptados para os espetáculos das companhias decrianças. Os teatros públicos eram ao ar livre e, durante o inverno, devido ao mau tempo,era conveniente os atores apresentarem-se em um teatro fechado. Explica-se assim ofato de a companhia de Shakespeare que já possuía o Globe (público) arrendar oBlackfriars (privado), tendo assim um teatro de verão e outro de inverno. Esta descrição aponta algumas características necessárias à compreensão da"escrita" da peça, ou seja, a proximidade da platéia (o palco, uma plataforma nua,estendia-se em uma parte até o meio da platéia que, em pé ou acomodada em assentos,durante a encenação, fazia comentários a respeito da peça, dos atores e chegava até atocar suas vestes para avaliar-lhes a qualidade do tecido), as poucas opções de trocas decenário, os papéis escritos especialmente para determinados atores que compõem asCompanhias, os papéis femininos interpretados por jovens homens, ainda estreantes naCompanhia (daí os recursos de "transformação" de personagens femininos emmasculinos em algumas peças, onde as heroínas passam de repente a usar roupas derapazes e o afluxo constante de pessoas promove um número e variedade muito grande,seja de gênero ou estilo, de peças teatrais. A tradução de obras da literatura clássica influencia a composição das peças:Terêncio e Plauto na comédia, e Sêneca na tragédia (com suas cenas de vinganças eassassinatos). O predomínio do verso branco do período anterior, de cunho poético, e a típicaestrutura da linguagem, misturando prosa e verso, torna-se parte intrínseca dacomposição de peças produzidas naquela época. Shakespeare toma de forma maissimples e flexível esta rica linguagem poética, repleta de imagens e metáforas, sendo eleo primeiro a transformar uma crônica inglesa na primeira tragédia histórica elisabetana(Eduardo II). Podemos considerar que o teatro elisabetano utilizou as três linguagensessenciais (a falada, a visual e a musical), seguindo uma longa tradição cultural oral emedieval, para compor um movimento rico e único na literatura. Assim, para os autores daquele período, as palavras eram o principal recurso, doqual, talentosamente, uniam dramaturgia e poesia. (a palavra poeta, no tempo deElisabete, designava um escritor teatral). As circunstâncias deste período, favorável ao cultivo e apreciação das palavras,
  4. 4. deveu-se à tradição oral, a qual as pessoas estavam treinadas para ouvir, ao ensinoobrigatório de oratória e retórica nas escolas e universidades, e a flexibilidade da línguainglesa, cunhando expressões e novas palavras. Ovisual, "ver" uma peça, está intimamente ligado às cerimônias e rituais públicos,presentes no cotidiano da população: aberturas de Parlamento, procissões reais,comemorações em homenagem à rainha cercadas de canto, dança e declamações deversos. A presença destes rituais está evidente nas peças shakespearianas: casamentos,banquetes, coroações, batismos, muitas vezes imbuídos de significados mais sutis dedelineamento psicológico de seus personagens: em Macbeth, a interrupção do banqueteem que o fantasma de Banquo aparece faz com que os nobres não respeitem a ordemsocial e política hierárquica junto à mesa, sinalizando a desordem presente na Escóciaapós a morte do rei legítimo, e dando também indício da culpabilidade e desvario deMacbeth no desfecho do episódio. A música é um elemento importante deste teatro: os autores colocavam músicaao vivo em suas peças, não só para dança, mas também para acompanhar canções ousublinhar a atmosfera de uma cena. Muitas peças encerravam-se com uma giga (espéciede canto e dança popular). Lembremos que os atores elisabetanos deveriam serextremamente versáteis: além de representar, estavam entre suas "funções" esgrimir,dançar, cantar, tocar um instrumento e declamar. Consideremos por fim o vestuário e aparticipação da platéia. O recurso da vestimenta era essencial para a visualização e efeitos indicativos demudanças de comportamento ou atitude no personagem. As roupas eram luxuosas ebonitas para preencher o espaço da cena e devido à disposição do palco, para nãodecepcionar a platéia. No segundo caso, como exemplo, Hamlet, todo de preto, de lutopela morte do pai, contrasta com as roupas coloridas dos outros membros da corte. A platéia era colocada como cúmplice da história desenvolvida na peça echamada a colaborar ativamente com a representação. Isto é facilitado tanto pelaproximidade do palco, como pelo recurso dos autores: seja pelo fato de os personagensdeclararem seus planos diretamente (vide Iago em Otelo), seja pela convenção de estar"escondido", através de frases (o personagem fingia que não era visto enquanto o outro,com que contracenava, fingia que acreditava), seja principalmente, pela participaçãoimaginativa. No prólogo de Henrique V há um apelo: Será que esta arena pode conter osvastos campos da França? Será que conseguiremos colocar neste "o" de madeira todasas batalhas tonitruantes que agitaram o ar em Agincourt, na França? Então, deixem quenós, os autores, que somos apenas cifras para contar esta grande história, trabalhemossobre as suas forças de imaginação. Imaginem que dentro da parede deste círculo estãoagora confinadas duas grandes monarquias, dois grandes exércitos. [...] Pensem quandonós falamos de cavalos que vocês os estão vendo. Consideramos assim, o teatro elisabetano como uma incrível mistura detradições poéticas e teatrais, nativas daquela ilha e da história clássica, onde, com ajunção do poder da palavra, a composição dramática e a imaginação do público, osautores podiam contar qualquer história, esquadrinhando romances e tragédias gregas,contos medievais, comédias italianas, dramaturgia clássica, histórias de Roma e daInglaterra. Alguns dramaturgos do período que justificam também uma leitura: John Lyly(1554-1606), George Peele (1558-1597), Robert Greene (1560-1592), ChristopherMarlowe (1564-1593), Thomas Dekker (1572-1632), Ben Jonson ( 1572-1637) e PhilipMassinger (1583-1640), entre outros.
  5. 5. SHAKESPEARE William Shakespeare nasceu aos 23 de abril de 1564 em Stratford-Avon,Inglaterra, e gozou de uma vida rica até os 12 anos. A partir de então, com a falência dopai, foi obrigado a trocar os estudos pelo trabalho árduo, passando a contribuir para osustento da família. Guardava, entretanto, os conhecimentos adquiridos na escolaelementar, na qual havia iniciado seus estudos de inglês, grego e latim. Além disso,continuou a ler autores clássicos, poemas, novelas e crônicas históricas.Aos 18 anos casou-se com a rica Anna Hathaway, oito anos mais velha, com quem tevetrês filhos. Não se sabe ao certo o motivo por que seguiu sozinho para Londres quandotinha 23 anos. Nessa cidade teve vários empregos, o mais significativo foi guardador decavalos em um teatro. Algum tempo depois Shakespeare passou a copiar peças erepresentou alguns papeis. Mais tarde, virou sócio do teatro, depois de algum tempotornou-se dono do lugar. Atribui-se a William Shakespeare a autoria de 37 ou 38 peças, das quaisdestacam-se Antony e Cleópatra, Rei Lear, Hamlet, Otelo, A Tempestade, A comédiados erros, A Megera domada, Macbeth etc. Shakespeare é autor também dos seguintes poemas: Vênus e Adônis, 1593; Orapto de Lucrécia, 1594 e 154 sonetos, publicados em 1609, que expressam, entre outrascoisas, agitação e frustração.Shakespeare morreu em 23/4/1616, ao que se diz, das conseqüências de um banquetecom Samuel Jhonson. É impossível estabelecer as datas exatas das obras de Shakespeare, mas pode-seclassificá-las em quatro grandes grupos, que representam os períodos de sua vida, dajuventude à velhice: As obras do primeiro período são marcadas por sonhos juvenis epelo espírito exuberante; O segundo período foi o das grandes crônicas e comédiasromânticas; Depressão e tristeza marcam terceiro período. O motivo de ou a desilusãoque levou o dramaturgo a sentir-se deprimido durante essa fase da vida, não se sabe aocerto. No quarto período a tempestade abrigada no espírito de Shakespeare parece terdesvanecido. Antes de Shakespeare, nenhum outro dramaturgo ou poeta havia mostrado anatureza humana em toda a sua complexidade: a paixão de Romeu e Julieta, a sua obramais conhecida, o ciúme cego de Otelo, a ambição de Macbeth. Shakespeare tambémdeve ser um dos escritores mais citados no mundo. Mesmo quem nunca leu Hamletcertamente conhece a famosa frase: "Ser ou não ser, eis a questão". Assim, o gênio William Shakespeare completa seu ciclo vida sem diminuir seupoder poético e com um retorno quase divino ao seu apogeu na literatura universal.

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