Periodização táctica: porquê?      Durante anos, a periodização nos desportos colectivos, nomeadamente no futebol,baseou-s...
necessidade interior de escolher outro caminho, e escolhi o da complexidade.” (JoséMourinho, cit. por Lourenço, 2010: 39)....
A definição de um padrão de contracção muscular para cada unidade do morfociclopermite gerir o esforço muscular, cumprindo...
vocês viram, eu dizia aos 3 jogadores em situação defensiva “não quero que corram… vocêsestão em recuperação. O que eu que...
Neste contexto, as prioridades deste dia incidem, essencialmente, sobre sub-sub-princípios e sub-princípios. Isto é, as pr...
proporciona a vivenciação dos grandes princípios do modelo de jogo por parte da equipa,tendo em atenção as “nuances” tácti...
Em termos de descontinuidade, esta sessão manifesta-a claramente, ainda que não deforma tão marcada como a de quarta-feira...
Os exercícios pensados para este dia são exercícios que reflectem, sobretudo, contextosposicionais baseados nos grandes pr...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Periodização tactica

3.316 visualizações

Publicada em

A pedido de várias famílias aqui vai um pequeno documento que fala superficialmente sobre Periodização Táctica.

0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.316
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
258
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
200
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Periodização tactica

  1. 1. Periodização táctica: porquê? Durante anos, a periodização nos desportos colectivos, nomeadamente no futebol,baseou-se no desenvolvimento das capacidades físicas do atleta, trabalhando por picos deforma. Cargas, volume, improviso táctico… eram algumas das palavras-chave quecaracterizavam uma metodologia nascida para os desportos individuais, mas clonada para otreino dos desportos de equipa.Como é óbvio, a diferença entre um e outro tipo de desportos era demasiado grande para quea mesma metodologia os pudesse servir de forma completa e eficaz. Planear, operacionalizar ecoordenar o desempenho de um só atleta nada tem a ver com preparar uma equipa para acompetição. Vejamos o que Mourinho nos tem a dizer sobre este tema: “Quando entrei para oInstituto Superior de Educação Física (ISEF), para me licenciar precisamente em EducaçãoFísica, houve um livro que me marcou pela negativa – mas que fui obrigado a estudar - e que évisto como a “Bíblia” da metodologia da educação física e do desporto. É uma obra de um talMatveyev, que foi – e ainda é – um marco no ensino relativamente aos desportos individuais.Porém, em meu entender, uma coisa é um desporto individual com um homem a serpreparado para um determinado objectivo e outra é um desporto colectivo onde um homem,por si só, nada vale. As qualidades que se podem trabalhar num desporto individual com um sóatleta não têm nada a ver com as qualidades que se trabalham num desporto colectivo, aindapor cima num desporto como o futebol, com onze futebolistas – para não dizer vinte e tal. Oraeu revelei-me completamente discordante, como estudante minimamente atento e talvez atéfacilitista – já que só pretendia acabar o meu curso porque sabia que a minha pesquisaposterior iria ser bem mais importante do que aqueles cinco anos de licenciatura. Fui obrigado,em simultâneo, a debitar a minha sabedoria sobre algo com que não concordava e a tentardesenvolver ideias sobre as quais estava em completo desacordo. O livro de Matveyev é, defacto, uma “bíblia” para os desportos individuais, mas de pouco vale para os colectivos.Acredito, hoje, que vai haver – e já está a haver – um corte com aquele passado porque ohomem é um ser complexo e, onze homens à procura de um objectivo é completamentediferente de um homem à procura de um objectivo. Assim, a minha metodologia foi todavirada para nesse sentido. Depois recebi influências diversas baseadas na minha própriaexperiência. Manuel Sérgio, filósofo e meu professor no antigo ISEF, também foi fundamentalna minha aprendizagem, porque nem me apresentou caminhos rígidos que eu teria de trilharnem verdades feitas às quais me deveria agarrar e sim pistas para novos entendimentos. Mas,para responder directamente à pergunta, depois de tudo o que me começaram a ensinar tive a
  2. 2. necessidade interior de escolher outro caminho, e escolhi o da complexidade.” (JoséMourinho, cit. por Lourenço, 2010: 39). O trabalho em equipa contempla relações, cooperação, solidariedade, gestão deambições e objectivos, interacção… O grupo tem de vir antes de tudo, mas as partes nãopodem ser ignoradas. Todos os elementos precisam ser sintonizados para trabalharem comouma unidade, rumo a um objectivo comum e, para que isso aconteça, torna-se necessáriofornecer à equipa um modelo de acção – o modelo de jogo. Sendo o modelo de jogo uma espécie de guia de acção, algo que prepara a equipa paraos confrontos com os adversários e lhe confere uma dinâmica comum, e com a evolução que ofutebol sofreu nas últimas décadas, tornou-se necessário transformar a táctica numasupradimensão. Assim o microciclo passou a ser ordenado tendo em conta o desenvolvimentode sub-sub-princípios, sub-princípios e princípios de jogo, não desprezando, contudo, o tipo detrabalho muscular mais indicado em cada momento da semana, de maneira a controlar aocorrência de fadiga exagerada ou lesões. Da periodização tradicional à periodização táctica: o “físico” como um ponto departida comum na operacionalização do treino Chegámos à Era da Periodização Táctica! Uma Era onde se coloca o “trabalho físico” aoserviço da táctica e onde cada capacidade condicionante tem um valor. Se não vejamos porexemplo: ▪ Resistência aeróbia: mobilidade em organização, contenção, trocas posicionais,ocupação do espaço… ▪ Força: arranques, travagens, mudanças de direcção, saltos, remates, passes longos,dribles, pressing, contacto físico… ▪ Velocidade: existem vários tipos de velocidade – de reacção, de deslocamento, deraciocínio (leitura de jogo)… Aqui podemos considerar as seguintes acções: sprints, “entradas”no espaço, recuperações no terreno, passes de primeira… Todas estas capacidades físicas podem ser contextualizadas com o jogo. Podem sertrabalhadas de forma específica e em interacção com o modelo de jogo. Assim, cada dia domorfociclo padrão utilizado na periodização táctica é também caracterizado por umdeterminado padrão de contracções musculares e de desgaste.
  3. 3. A definição de um padrão de contracção muscular para cada unidade do morfociclopermite gerir o esforço muscular, cumprindo o princípio da Alternância Horizontal emEspecificidade1, mas ao mesmo tempo facilita a definição dos conceitos tácticos a desenvolverem cada dia. Atentemos nas seguintes palavras de Mourinho: “Qual é, para mim, o significadode “força” no futebol? É ter a capacidade de arrancar, de travar, de mudar de direcção, desaltar para cabecear… Temos de a contextualizar em função daquilo que são as acçõesespecíficas dos nossos jogadores no jogo. Temos, portanto, de trabalhar de acordo com aespecificidade do nosso jogo. Se queremos que na unidade de treino haja uma predominânciade acções táctico-técnicas em regime de “força técnica”, aquilo que fazemos é procurar umconjunto de situações de jogo onde isso esteja presente. Agora não temos é a preocupação dequantificar se o jogador faz 10 ou 15 mudanças de direcção. A nossa preocupação é que asituação em si arraste consigo uma dominância dessas acções.” (Mourinho,J. in Oliveira et al.(2006):113). Fica assim bem clara a forma como as componentes fisiológica e táctica se ligam naplanificação e construção do morfociclo semanal. De seguida, e com a ajuda das declaraçõesdo Professor Mourinho, vamos explorar de forma mais profunda o tipo de trabalho levado acabo em cada dia do morfociclo:Terça-feira: Recuperação Activa. “O facto de a sessão de treino ser dedicada à recuperação não implica que eu nãotrabalhe aspectos do meu modelo de jogo. Em vez de fazer corrida lenta contínua, aplico omesmo princípio, mas inserido em regime táctico-técnico. Faço jogos de posição em que osúnicos jogadores que estão em movimento efectivo são os que procuram a posse de bola, efazem-no sem ser nos limites. Os outros, os que não têm a bola, fazem apenas pequenosmovimentos de aproximação e afastamento, o suficiente para haver “oxigenação”. Para mim, o treino tem de estar condicionado àquilo que é a minha forma de jogar.Tenho de ir à procura no treino daquilo que eu quero que se atinja no jogo. Mesmo num treinorecuperativo puro, eu incido sobre aspectos da nossa forma de jogar. Por exemplo, no 7x3 que
  4. 4. vocês viram, eu dizia aos 3 jogadores em situação defensiva “não quero que corram… vocêsestão em recuperação. O que eu quero é que a bola corra e que os sete que estão em posse debola a conservem, abram linhas de passe, comuniquem entre eles”. O que é que eu pedi aos 3jogadores que estavam em situação defensiva? Pedi-lhes comunicação e interacção. Nãoqueria que fizessem um sprint para fazer um desarme, não queria que fizessem 7 intercepçõesnum minuto e meio, não queria sequer que roubassem a bola. Queria apenas que simulassemuma pressão e que a simulassem de uma forma conjunta, com interligação. Quando um fossepressionar, se os outros vissem que não havia condições para aquela pressão individual, queriaque comunicassem, queria que o fossem “buscar”:”Não vás, fica aqui connosco na coberturade um determinado espaço”.” (Mourinho, J. in Oliveira et al. (2006):134) Portanto, daqui retiramos, que a recuperação concebida pela periodização táctica, eoperacionalizada por Mourinho, inclui exercícios de baixo carácter aquisitivo, baseados emjogos de posição e movimentos pequenos que permitam a oxigenação tecidular. No fundo, este é o tipo de actividade muscular concebida pela recuperação activatradicional (conseguida através de corridas lentas e contínuas). Contudo, a forma como ospadrões de contracção muscular são conseguidos, nesta metodologia, estão totalmenterelacionados com o modelo de jogo. Aí está a grande diferença! A constante relação com o“jogar” pretendido permite um desenvolvimento específico da equipa, rentabilizando aomáximo o tempo de treino. Esta concepção de recuperação permite ainda aos jogadores perceber quais osmomentos do jogo mais adequado para “descansar” (gerir o esforço).Quarta-feira: “Força Técnica” Como direccionar os exercícios para o regime de elevada tensão específica pretendido?Bem, a resposta é simples: manipulando as variáveis espaço, duração e número de jogadores,de maneira a assegurar uma grande densidade do padrão de contracção muscular desejado. Sabendo-se que as contracções musculares se caracterizam pela velocidade e duraçãoda contracção e pela tensão manifestada, Mourinho cria, para este dia, exercícios quecontemplem uma velocidade de contracção significativa, curta duração e tensão elevada. Estesexercícios comportam uma elevada densidade de contracções excêntricas, incluindo, por isso,bastantes travagens, acelerações, saltos, quedas, mudanças de direcção, contactos físicos, etc.É importante referir que, apesar da definição deste regime de contracção muscular, osobjectivos inerentes a cada exercício prendem-se com a sua forma de jogar. As contracçõesexcêntricas são apenas “um meio” para superar certas dificuldades associadas ao seu jogar.
  5. 5. Neste contexto, as prioridades deste dia incidem, essencialmente, sobre sub-sub-princípios e sub-princípios. Isto é, as preocupações recaem sobre um nível menos complexo dojogar – subdinâmicas do Modelo de Jogo – devido à existência de resíduos de fadiga (queimpedem os jogadores de se concentrarem totalmente na aquisição e vivenciação dos grandesprincípios e suas articulações) e à necessidade de terminar a recuperação, sobretudo,“mental”. Tendo em conta esta preocupação de gerir a fadiga ainda existente neste dia, e aelevada tensão específica associada a esta unidade de treino, revela-se essencial a existênciade sucessivos períodos de recuperação intercalados com as acções planeadas. Desta forma,este dia é caracterizado por uma descontinuidade acentuada. Para sintetizar tudo aquilo que foi dito, passo a citar Rui Faria, adjunto/”preparadorfísico” de Mourinho no Real de Madrid: “A melhor adaptação é aquela que se consegue apartir daquilo que vai perspectivar uma determinada competição. Ao pretendermos jogar deuma determinada forma e ao trabalharmos, semanalmente, num contexto todo eledireccionado para isso, toda a estrutura fisiológica se adapta concretamente e de formaespecífica. Já o trabalho com máquinas de musculação levanta uma série de questões. Porexemplo, até que ponto o desenvolvimento muscular que se consegue dessa forma seidentifica com as sinergias musculares que a modalidade e o nosso modelo de jogo requerem?Para nós, a adaptação concreta a partir das situações de jogo permite direccionar muitomelhor a preparação do jogador, tendo em vista a competição. A questão é esta: cada um optapelo caminho que está mais direccionado para o seu objectivo final. O nosso é colocar a equipaa jogar segundo o nosso modelo de jogo.”Quinta-feira: Dinâmica Específica A quinta-feira, sendo o dia “mais distante” da competição, e tendo em conta o Princípioda Alternância Horizontal em Especificidade, passa para um regime de descontinuidadeinferior (atenção, embora esta seja a unidade de treino mais contínua, isso não implica queMourinho não dinamize a duração do exercício em fracções de maneira a garantir a qualidadedo desempenho. Por exemplo, se um exercício tem uma duração de 30’, Mourinho podedividir esse período em 3 fracções de 10’, com intervalos cuidadosamente calculados entrecada para garantir a recuperação desejada). Devido a este facto, o padrão de contracçãomuscular dominante caracteriza-se, neste dia, por um aumento de duração, velocidade dacontracção e tensão. Os exercícios pensados para esta unidade de treino acontecem, por isso, em espaçosmais amplos, durante mais tempo e envolvendo um maior número de atletas, o que
  6. 6. proporciona a vivenciação dos grandes princípios do modelo de jogo por parte da equipa,tendo em atenção as “nuances” tácticas inerentes ao próximo adversário. É esta semelhançacom o contexto competitivo e o “debruçar” sobre as grandes dinâmicas associadas ao “jogar”preconizado que permite designar este regime como regime de Dinâmica Específica. Sendo uma espécie de aproximação do contexto de jogo (aumento da complexidadedecisional e da duração das acções), compreende-se que este seja o regime mais desgastanteincluído no morfociclo. Por esse motivo, percebe-se facilmente o porquê de Mourinho não pôrem prática este regime nos 2 dias que antecedem a competição. Para resumir o que acontece no treino de quinta-feira, atente-se nas seguintes palavrasde Mourinho: “O treino de quinta-feira acontece em espaços largos, com mais deslocamentose, nesta medida, posso dizer que se aproxima de algo que, para ajudar ao entendimento,posso chamar “resistência específica”, mas que nada tem a ver com a ideia tradicional deresistência. Eu não faço treinos de resistência! Para mim, resistir é estar-se adaptado a umconceito de jogo, é ser-se capaz de realizar as acções colectivas e individuais implícitas nanossa forma de jogar. Portanto, a única coisa que nós fazemos é treinar aquilo que fazemosem jogo em espaços mais alargados, mais próximos de uma situação real. Ou seja, a nossapreocupação é encontrar contextos tácticos, situações de jogo, que permitam uma adaptaçãoespecífica à nossa forma de jogar. O que eu não faço é utilizar o espaço total de jogo, mas issojá tem a ver com os contextos de propensão, com a necessidade de aumentar a densidade dedeterminadas coisas.”Sexta-feira: Regime de elevada velocidade de contracção Neste dia, Mourinho procura criar exercícios que promovam um padrão de contracçãomuscular caracterizado pela presença de elevada velocidade de contracção, curta duração etensão não máxima. É este padrão que permite designar o regime deste dia como regime deelevada velocidade de contracção. Para permitir aos atletas recuperarem fisiologicamente do desgaste do dia anterior,cumprindo o princípio da Alternância Horizontal em Especificidade, Mourinho procura reduzirsignificativamente a quantidade de contracções excêntricas presentes no treino. Como é que oconsegue fazer? Retirando aos exercícios tudo aquilo que cause estorvo e que implique saltos,quedas, mudanças de direcção, travagens… É certo que um regime de velocidade máxima pressupõe máxima tensão inicial,contudo, o que importa é o padrão de contracção muscular e a densidade de exigências detensão máxima.
  7. 7. Em termos de descontinuidade, esta sessão manifesta-a claramente, ainda que não deforma tão marcada como a de quarta-feira. Isto porque, devido à proximidade com o jogoseguinte, esta secção pressupõe acções muito intensas no que diz respeito à locomoção, querequerem um tempo significativo de recuperação, e cuja densidade deve ser menor que naunidade de treino operacionalizada na quarta-feira. Esta densidade controlada através donúmero de repetições permite a Mourinho “antecipar” os efeitos que as exigências do jogopodem ter sobre os seus atletas. Por tudo isto, esta sessão de treino é caracterizada por ummenor desgaste global, relativamente aos 3 dias de carácter aquisitivo do morfociclo (quarta,quinta e sexta). Sobre o “treino de velocidade” realizado na sexta feira, Mourinho diz-nos o seguinte:“Não encarámos a “velocidade” da forma tradicional, ou seja, de um ponto de vistaestritamente fisiológico. Temos de considerar a “velocidade” como a análise ou o tratamentoda informação e a execução. A nossa preocupação, em termos de “velocidade de execução”, éa “velocidade” contextualizada, ou seja, aquela que a nossa forma de jogar requisita. Esta é anossa grande preocupação. No treino, o que fazemos é ir à procura de situações de jogo quearrastem consigo uma dominância dessa necessidade fisiológica, mas uma necessidade para anossa organização de jogo.” “A velocidade tem dois aspectos que são completamente diferentes: a velocidade dabola e a velocidade dos jogadores. A velocidade da bola tem a ver com um bom jogoposicional, uma boa leitura de jogo, grande capacidade de usar indistintamente os dois pés,um bom primeiro toque, um bom controlo e uma boa qualidade de passe. Isto é fundamentalna nossa filosofia. Mais importante do que a velocidade dos jogadores sem bola é a velocidadede circulação de bola. Fazer 7 ou 8 segundos aos 60 metros é, para mim, pouco importante.Importante é ter velocidade de circulação da bola nesse espaço. O modo de se operacionalizar esta velocidade da bola não passa por situações analíticas.Eu vou muito mais por um bom jogo posicional, pela segurança que todos os jogadores têm aosaber que em determinada posição há um jogador, que sob o ponto de vista geométrico háalgo construído no terreno de jogo que lhes permite antecipar a acção.”Sábado: Predisposição para o Jogo Neste dia, a principal preocupação passa por “afinar” os jogadores para a competição dodia seguinte, reforçando as ideias principais e evitando situações de grande desgaste. Assim, oregime concebido para este dia contempla uma regime de força e velocidade moderadamentebaixas e elevada descontinuidade.
  8. 8. Os exercícios pensados para este dia são exercícios que reflectem, sobretudo, contextosposicionais baseados nos grandes princípios, de baixa intensidade e curta duração. O objectivoé que os atletas consolidem os hábitos2 adquiridos ao longo das semanas de treino e que os“armazenem” na sua “memória recente”, de maneira a que, perante contextos semelhantesno jogo, sejam capazes de decidir mais rapidamente. Como a aquisição dos princípios já foi realizada nas 3 sessões anteriores do morfociclo,neste dia o carácter aquisitivo é quase nulo.CONCLUSÃOConcluímos assim, a revisão da construção do morfociclo padrão tendo em conta as suascomponentes “fisiológica” e “táctica”. Por todos os dados apresentados, percebemos que,embora a periodização táctica tenha revolucionado o mundo do treino nos desportoscolectivos, a sua base advém da periodização tradicional. O “regime de contracção muscular”trabalhado em cada dia baseia-se na ordenação tradicional das capacidades condicionais emcada unidade de treino do microciclo. Contudo, as semelhanças entre estas metodologiasficam-se por aqui, visto que a forma como as “capacidades condicionais” são trabalhadas pelaPeriodização Táctica está totalmente relacionada com aquilo que são as exigências do jogo.Enfim, resumidamente, a Periodização Tradicional trabalha o físico para alcançar a “formaideal” e vencer o jogo, enquanto que a Periodização Táctica trabalha “o jogar” desejado paramelhor adaptar a equipa às “surpresas” do jogo e poder ter sucesso no actual mundocompetitivo do Futebol!

×