História indígena e o povo terena em ms

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POVO TERENA – SUBGRUPO ARUAK Tradição e dinamismo cultural na luta pela terra

Professor: Prof. Dr. Antonio Hilário A. Urquiza – UFMS

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História indígena e o povo terena em ms

  1. 1. PO VO TERENA – SUBG RUPO ARUAK Tradição e dinam ism o cultural na luta pela terra Prof. Dr. Antonio Hilário A. Urquiza – UFMS NAVIRAI – 05/10/2013
  2. 2. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA Introdução: • A história do povoamento indígena no Brasil é, antes de tudo, uma história de despovoamento. • Quando os europeus chegaram, o total de nativos que habitava o atual território brasileiro em 1500 estava na casa dos milhões de pessoas (seis milhões), hoje mal ultrapassa os 800 mil indivíduos.
  3. 3. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA Quadro de Hans Staden: viajante alemão, aventureiro e herói-viajante, que esteve no Brasil no século XVI. Tendo sido confundido pelos Tupinambás com português e inimigo, foi preso, ameaçado de morte e de ser devorado.
  4. 4. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA Relações entre nativos e colonizadores • Os índios reagiram de formas diversas à presença dos colonizadores e à chegada de invasores, como os holandeses e franceses. Veja abaixo algumas das formas de reação. A- Aliança com os colonizadores; B- Resistência aos colonizadores; C- Alianças com invasores contra os colonizadores
  5. 5. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA Política Indigenista do séc. XVI ao XX • As barreiras à escravização dos índios datam do início da colonização, 1530. • O cativeiro indígena foi combatido somente com a chegada dos jesuítas, em 1549, e a implantação do processo de aldeamento. • Neste combate os jesuítas contaram com o apoio da Coroa.
  6. 6. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA Política Indigenista do séc. XVI ao XX 1570 • 1570 Primeira lei contra o cativeiro indígena; • 1609 Lei que reafirmou a liberdade dos índios do Brasil; • 1686 Decretação do "Regimento das Missões“; • 1755 Aprovado o Directorio, que visava, através de medidas específicas, a integração do índio na vida da colônia. • 1758 Fim da escravidão indígena: o directorio foi estendido a toda a América Portuguesa. • 1845 Aprovado o Regulamento das Missões; • 1910 Criação do Serviço de Proteção aos Índios – SPI; • 1952 Rondon criou o projeto do Parque Nacional do Xingu; • 1967 Criação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI; • 1973 ESTATUTO DO ÍNDIO • 1979 Criação da União das Nações Indígenas; • 1988 Constituição Federal do Brasil (art. 231)
  7. 7. DESPOVOAMENTO E HISTÓRIA O Índio na atualidade • Hoje, no Brasil, vivem mais de 800 mil índios, distribuídos entre 283 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,4% da população brasileira. • Cabe esclarecer que este dado populacional baseado no Censo do IBGE de 2010, foi o primeiro a incluir a auto identificação como critério do censo. • Há também indícios da existência de mais ou menos 35 grupos ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.
  8. 8. OS POVOS INDÍGENAS DO BRASILOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL POPULAÇÃO INDÍGENA 890.605 ETNIAS INDÍGENAS 283 TERRAS INDÍGENAS 597 ALDEIA INDÍGENAS 4.067 LÍNGUAS INDÍGENAS 180 Fonte: IBGE/2010Fonte: IBGE/2010
  9. 9. Região AmazônicaRegião Amazônica  98,6% da terra98,6% da terra  60% da população60% da população Mato Grosso do SulMato Grosso do Sul  0,6% da terra0,6% da terra  15% da população15% da população TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL
  10. 10. POVOS INDÍGENAS - MS ETNIASETNIAS POPULAÇÃOPOPULAÇÃO KAIOWÁ/GUARANI 42.409 TERENA 23.234 KADIWÉU 1.358 OFAIE 61 GUATÓ 175 KINIKINAU 141 ATIKUM 55 TOTAL 67.433 FUNASA/2007
  11. 11. MUNICÍPIOS COM ÁREAS INDÍGENAS POR ETNIA
  12. 12. ÁREAS INDÍGENAS - MS
  13. 13. EtniaEtnia PopulaçãoPopulação GuatóGuató 0,660,66 KadiwéuKadiwéu 3,533,53 KaiowáKaiowá GuaraniGuarani 0,020,02 OfaiéOfaié 0,060,06 TerenaTerena 0,010,01 Disponibilidade de terraDisponibilidade de terra [km²/Pessoa][km²/Pessoa]
  14. 14. 0,66 3,53 0,02 0,06 0,01 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 Guató Kadiwéu Kaiowá- Guarani Ofaié Terena Disponibilidade de terra [km²/Pessoa]Disponibilidade de terra [km²/Pessoa]
  15. 15. POVOS INDÍGENAS – MSPOVOS INDÍGENAS – MS PROBLEMAS ATUAISPROBLEMAS ATUAIS • Alternativas econômicas implantadas de fora para dentro; • Ênfase na monocultura, mecanização e incorporação de insumos químicos; • Desarticulação das economias indígenas, seus processos e relações com o território e cosmologia; • Elevados índices de pobreza (desnutrição), suicídios, educação precária e grande vulnerabilidade às doenças; • Excessiva exploração dos recursos naturais: - contaminação dos cursos d´água; - erosão e baixa produtividade; - lixo, entre outros;
  16. 16. POVOS INDÍGENAS – MSPOVOS INDÍGENAS – MS PROBLEMAS ATUAISPROBLEMAS ATUAIS • O confinamento territorial e o comprometimento dos recursos naturais aumenta a dependência dos programas assistenciais dos Governos; • Perda significativa de territórios, gerando superpopulação para os padrões de ocupação territorial indígena, o que dificulta a organização social e sua “reprodução cultural”; • Ausência de alternativas capazes de suprir as necessidades básicas; • Assalariamento e urbanização (invisibilidade)
  17. 17. POVO TERENA SUBGRUPO ARUAK • Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores populações indígenas do país: ao redor de 30 mil Terena (IBGE, 2010). • Pertencem à família linguística ARUAK (Laiana e Kiniquinau). • Os Terena, por contarem com uma população bastante numerosa e manterem um contato intenso com a população regional, são o povo indígena cuja presença no estado se revela de forma mais explícita: • Mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande; legiões de cortadores de cana-de-açúcar que periodicamente se deslocam às destilarias para changa, o trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar e álcool; artesanato; etc.
  18. 18. POVO TERENA • Essa intensa participação no cotidiano sul-mato-grossense favorece a atribuição aos Terena de estereótipos tais como “aculturados” e “índios urbanos”. • Tais declarações servem para mascarar a resistência de um povo que, através dos séculos, luta para manter viva sua cultura, sabendo positivar situações adversas ligadas ao antigo contato, além de mudanças bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou.
  19. 19. Aliados do povo TerenaAliados do povo Terena Mbayá GuaykuruMbayá Guaykuru Felix Azara afirmava, no século XVII, que: •“...à época da chegada dos espanhóis, os Guaná iam, como atualmente vão, se reunir em bandos aos Mbayá para lhes obedecer, servi-los e cultivar suas terras...é verdade que (essa) escravidão é bem doce, porque os Guaná se submetem voluntariamente” (apud Cardoso de Oliveira, 1976: 32)
  20. 20. Elementos de HISTÓRIA TERENA • Segundo os etnógrafos “clássicos” dos Terena (Altenfelder Silva e Cardosos de Oliveira), a história deste povo foi cindida em dois tempos por um evento externo de enorme significação: • A GUERRA DO PARAGUAIA GUERRA DO PARAGUAI. • Antes da guerra, existiu uma sociedade tradicional (recomposta por Cardoso de Oliveira em Urbanização e Tribalismo, em 1968, a partir de fontes históricas e alguns testemunhos tomados de velhos terena quando da sua pesquisa , no período 1955-1960);
  21. 21. Elementos de HISTÓRIA TERENA • APÓS A GUERRA DO PARAGUAI • os Terena se viram obrigados a constituir uma outra sociedade – inusitada, muito diferente da anterior – criando novas pautas sociais e culturais que dessem conta da manutenção de seu ethos – sua “marca” enquanto um povo diferenciado. • A organização espacial da aldeia muda; assim como a organização social e religião; muda-se o estilo de agricultura e relação com o território tradicional;
  22. 22. Aliados do povo TerenaAliados do povo Terena PURUTUYEPURUTUYE Carta do Governador Geral das Capitanias do Mato Grosso (1797), em troca da sua fidelidade e vassalagem à Coroa português. O documento recomenda aos agentes oficiais portugueses que: •(ao “capitão” Guaná e a “todos os seus’) “...tratem e auxiliem com todas as demonstrações de amigos e de vassalos da Coroa Portuguesa, deixando-os gozar de todas as liberdades, privilégios e isenções de que gozam os demais vassalos da mesma Coroa...”(documento original depositado no Arquivo Público do Estado do Mato Grosso, apud Carvalho & Carvalho, 1998).
  23. 23. POVO TERENA • Os Terena vivem atualmente em um território descontínuo, fragmentado em pequenas “ilhas” cercadas por fazendas e espalhadas por sete municípios sul-mato- grossenses: Miranda, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia, Nioaque e Rochedo. • As Terras Indígenas Terena atuais foram “requeridas” ao Estado do Mato Grosso pelo SPI nas décadas de 1920 e 1930; duas delas porém (Cachoeirinha e Taunay/Ipegue) foram “concedidas” pelo governo estadual no início do século XX. • Até hoje os Terena resistiram à demarcação física do território, pois sabem que é maior.
  24. 24. ANTIGA AGRICULTURA • A agricultura hoje praticada pelos Terena é diferente da que se praticava antes da Guerra do Paraguai. Anteriormente possuíam um território suficiente para desenvolver uma agricultura itinerante, de corte e queima e posterior pousio, por tempo suficiente para a regeneração da fertilidade natural do solo. • Atualmente, confinados nas Reservas os Terena possuem campos de cultivo permanentes, utilizando-se da mecanização (tratores) para preparo da terra para plantio e eventualmente para a abertura de novas áreas permanentes de cultivo. • As práticas atualmente utilizadas são adaptações posteriores a esta “modernização” forçada.
  25. 25. POVO TERENA E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS • Uma das principais características dos grupos ARUAK é a produção de alimentos. • Das atividades produtivas praticadas pelos Terena em Cachoeirinha, a agricultura continua sendo a sua principal atividade, como o foi no passado. • Os Terena que vivem exclusivamente da lavoura: • 82% na faixa etária 24-60 anos em Cachoeirinha; • 78% em Buriti e 54% em Taunay-Ipegue; • Não conseguem tirar da lavoura o alimento e a renda necessária para manter, durante todo o ano, seu grupo familiar.
  26. 26. POVO TERENA E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS • A média de membros deste grupo é de sete pessoas, segundo o levantamento efetuado; • As áreas cultivadas por grupo não ultrapassam um hectare (não é maior devido às limitações para compra de óleo e remuneração do tratorista), com uma produtividade média de 25 sacos de feijão, 12 de milho, 120 kg de mandioca e (mais raramente) de 15 sacos de arroz. • Como afirmou um líder Terena de Cachoeirinha, os Terena ainda plantam porque isto "está no sangue, mas não dá para viver...". • No entanto, em geral existe um aposentado por família, além de outros programas do governo.
  27. 27. POVO TERENA Organização Social • O povo terena na tradição era dividida em duas metades: Xumonó e Sukiriquionó; • Também eram divididos em classes sociais: • Os Naati, niolola (comuns e guerreiros) e os cauti (cativos);
  28. 28. POVO TERENA • A cerâmica terena é uma das principais atividades da cultura material;
  29. 29. Escola Estadual CACIQUE THIMÓTEO

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