Mistérios do prazer Lynne Graham
Mistérios do Prazer (Jéssica 69)
Tthe italian's inexperienced mistress
Lynne Graham
Angel...
Mistérios do prazer Lynne Graham
— Acredite, eu não quis ofender. Estou feliz em poder servi-lo.
Angelo não disse nada. Es...
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Carmelo apertou um botão ao lado da cama.
— Sente-se e tome um copo de vinho enquanto con...
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— Nada? — questionou Angelo. — Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos.
— E agora aqui...
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do sexo masculino. Felizmente, ele era tão pequenino que as pessoas pensavam que o ataque...
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— Mas não conheço você.
— Aproveite a oportunidade.
— Não... obrigada, não posso.
— Por q...
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— Obrigada, mas sempre fui a garota do quarto dos fundos. Foi a lábia de meu pai e suas i...
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Quando Donald finalmente tivera permissão de ir para casa, levara Gwenna ao seu escritóri...
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Eva a interrompeu:
— Esta casa está no meu nome e eu não vou vendê-la!
Gwenna não sabia d...
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— Não tenho intenção de negar o que ele fez.
— Por que mais estaria requisitando este enc...
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— Eu também diminuiria o risco de alguém sofrendo de arrependimentos de última hora — res...
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— Então, você é um desses homens que sempre desejam o que não podem ter?
Angelo prendeu-l...
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Uma intensa fúria surgiu nos olhos de Angelo.
— Prometo que não será ódio que você vai se...
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— Acho que esse risco já não existe mais, e a vida continua — declarou ele. — Será muito ...
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Enquanto Gwenna conversava com Toby, Angelo estava descendo da limusine parada diante da ...
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dizia sobre Gwenna? Que havia passado muito tempo sonhando com um homem que não poderia t...
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— Mas papai não o fez perder tempo nem mentiu para você. — Com os olhos azuis faiscando, ...
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demonstrar sua fraqueza. Angelo Riccardi ficaria cansado dela dentro de uma semana, confo...
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Quatro dias depois, Gwenna estava em Londres. Na manhã após sua chegada, foi recebida por...
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— Sim, mas uma casa que deve valer bilhões é loucura nessas circunstâncias, a menos que.....
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— Parece que não vou chegar a tempo — ele a informou secamente. — Os controladores de trá...
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— Não estou com fome. — Exceto por você, uma pequena voz sussurrou na cabeça dela, chocan...
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Poucos minutos depois, Gwenna acidentalmente viu seu reflexo no espelho do quarto. Apavor...
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—Não, todo confiança. — Olhando-a com a expressão confiante, de propósito, ele deslizou u...
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  1. 1. Mistérios do prazer Lynne Graham Mistérios do Prazer (Jéssica 69) Tthe italian's inexperienced mistress Lynne Graham Angelo Riccardi era do tipo de homem que não amava. Até conhecer alguém muito especial... Enquanto Angelo quer vingança, Gwenna Hamilton adiciona uma outra dimensão deliciosa aos seus planos. Inocente e bonita, ela não tem escolha quando o magnata italiano lhe oferece uma barganha torturante: pagar pela liberdade de seu pai com seu próprio corpo. Em sua ingenuidade, Gwenna acha que Angelo vai se cansar dela e de sua inocência rapidamente. Mas ele tem mais em mente do que apenas uma noite de prazer... CAPÍTULO I Angelo Riccardi desceu de sua limusine. O calor do lado de fora estava cruel. Com óculos escuros protegendo- lhe os olhos do sol brilhante da Venezuela, ignorou a conversa desagradável do intermediário inglês enviado para recebê-lo no aeroporto. Mesmo entendendo a tensão do homem, aquilo o irritava. Angelo não experimentara o medo desde criança. Havia conhecido ódio, raiva e amargura, mas o medo não tinha mais o poder de tocá-lo. Sua escalada implacável ao poder era relatada em centenas de jornais e revistas, mas seu nascimento e descendência sempre estiveram envolvidos numa nuvem de incertezas. Aos 18 anos, ficou sabendo a verdade sobre sua origem. Todos os seus ideais morreram naquele dia, quando sua escolha de carreira se tornou impossível. A cada ano que se passara desde então, tinha se tornado mais forte, mais frio e mais cruel. Havia usado seu intelecto brilhante e instintos aguçados para construir um império. O fato de não ter precisado violar a lei para tornar-se bilionário era uma fonte de orgulho para ele. — O esquema de segurança é colossal aqui — seu companheiro, Harding, murmurou desconfortável. Era verdade, reconheceu Angelo. Guardas armados estavam por toda parte: sobre os telhados das construções da fazenda, em árvores e moitas. O estado de alerta era quase palpável. — Isso deveria fazer você se sentir seguro — replicou Angelo com ironia. — Não vou me sentir seguro até que esteja em casa novamente — confidenciou Harding, secando o rosto suado. — Talvez esse não fosse o trabalho para você. Ele lançou um olhar consternado a Angelo. 1
  2. 2. Mistérios do prazer Lynne Graham — Acredite, eu não quis ofender. Estou feliz em poder servi-lo. Angelo não disse nada. Estava surpreso que um homem como Harding tivesse sido escolhido para agir como intermediário num encontro secreto. Mas então, quantos homens respeitáveis aceitavam recompensas para fazer favores confidenciais? Ele entrou na opulenta casa de fazenda, onde um homem mais velho o esperava. Harding foi dispensado como um criado sem importância, enquanto Angelo foi analisado e cumprimentado com uma curiosidade respeitosa que beirava a medo. — É um prazer imenso conhecê-lo, sr. Riccardi — o homem mais velho declarou em italiano. — Sou Salvatore Lenzi. Don Carmelo está ansioso para vê-lo. — Como ele está? O outro homem suspirou. — A condição dele é estável no momento, mas é improvável que tenha mais de alguns meses de vida. Esguio, com as feições bonitas, Angelo assentiu. Tinha pensado muito antes de concordar com a visita, e a saúde precária do homem mais velho o estimulara. O infame Carmelo Zanetti, cabeça de um dos grupos criminosos mais famosos do mundo, não passava de um estranho para Angelo. Todavia, nunca fora capaz de esquecer que o mesmo sangue que corria nas veias de Carmelo Zanetti, corria dentro de si também. O homem idoso estava recostado na cama, cercado por equipamentos médicos. Respirando ruidosamente, olhou para Angelo e suspirou. — Não posso dizer que você se parece com sua mãe, porque não é verdade. Fiorella era pequena... Quase imperceptivelmente, as feições inflexíveis de Angelo suavizaram, uma vez que sua mãe lhe mostrara a única ternura que tinha conhecido. — Si. — Mas você se parece com meu pai e com seu próprio pai. Seus pais foram Romeu e Julieta da geração deles — murmurou Don Carmelo com humor cáustico. — Um Sorello e uma Zanetti não formavam um casal ideal na opinião da família de ambos. — E por que minha mãe acabou esfregando chãos para se sustentar? — perguntou Angelo diretamente. O homem idoso suspirou. — Porque abandonou o marido e renegou a família. Quem acreditaria que ela era a minha favorita? Um dia, tive prazer em mimá-la e atender cada desejo dela. — Então, minha mamma foi uma verdadeira princesa da máfia? — Angelo falou com ironia. — Não zombe do que você não sabe. — Carmelo Zanetti lhe deu um olhar impaciente. — Sua mamma tinha o mundo inteiro a seus pés. E o que fez? Virou as costas para toda a educação e criação fina e se casou com seu pai. Comparados conosco, os Sorello eram cafoni... pessoas rudes. Gino Sorello era um homem bonito e de cabeça quente, sempre procurando por uma briga. Ela não pôde lidar com ele ou com suas atividades extraconjugais. — Como você lidou com a situação? — Angelo estava impaciente para saber os fatos que até então não fora capaz de descobrir. — Nesta família, nós não interferimos entre um homem e sua esposa. Quando Gino foi preso pela segunda vez, sua mãe abandonou o casamento. Fugiu de casa e de suas responsabilidades, como se fosse uma criancinha. — Talvez ela acreditasse que tinha uma boa causa. Olhos contendo um divertimento amargo pousaram em Angelo. — E talvez você tenha uma ou duas surpresas, porque colocou sua mamma num pedestal quando ela morreu. A raiva fez Angelo empalidecer sob a pele bronzeada. Apenas a consciência de que Carmelo se divertiria à suas custas o manteve em silêncio. O homem mais velho tombou sobre os travesseiros. — Fiorella era minha filha amada, mas me envergonhou e me desapontou quando abandonou o marido. — Ela tinha 22 anos, e a sentença de Sorello era de prisão perpétua. Por que não devia procurar uma vida nova para si mesma e para seu filho? — Lealdade não é negociável em meu mundo. Quando Fiorella desapareceu, as pessoas ficaram nervosas sobre o quanto ela poderia saber sobre certas atividades. A traição de sua mãe manchou a honra de Gino, assim como a fez ganhar muitos inimigos. — Carmelo meneou a cabeça. — Mas ela foi destruída por sua própria ignorância e estupidez. Angelo olhou para o homem mais velho. — Obviamente, você sabe o que aconteceu com a minha mãe depois que ela chegou à Inglaterra. — Você não vai gostar do que tenho a lhe contar. — Posso suportar — replicou Angelo secamente. 2
  3. 3. Mistérios do prazer Lynne Graham Carmelo apertou um botão ao lado da cama. — Sente-se e tome um copo de vinho enquanto conversamos. Desta vez, você vai se comportar como meu neto. Angelo queria negar o parentesco, mas sabia que não podia. Um pouco de cortesia era o preço que tinha de pagar pelas informações que há muito procurava para dar sentido ao seu passado. Endireitando os ombros largos, sentou-se. Um criado levou uma bandeja com um único copo de vinho tinto. Com uma expressão oculta nos olhos, Carmelo Zanetti observou o neto dar um gole. Então riu. — Dio grazia... você não é covarde! — Por que você iria querer me fazer mal? — Como é a sensação de ter rejeitado seu único parente vivo? Um sorriso sarcástico curvou a boca bonita de Angelo. — Isso me manteve fora da prisão. Talvez até mesmo tenha me mantido vivo. A árvore familiar é repleta de mortes precoces e acidentes improváveis. Don Carmelo engasgou com uma gargalhada. Alarmado por ver o homem sem fôlego, Angelo levantou-se para chamar ajuda, apenas para ser mandado de volta à cadeira. — Por favor, conte-me sobre minha mãe — pediu Angelo. — Quero que saiba que quando ela deixou a Sardenha possuía dinheiro. Minha última esposa se incumbiu de deixá-la bem provida. A desgraça de sua mãe era que tinha muito mau gosto para homens. Angelo ficou tenso. Carmelo lançou-lhe um olhar cínico. — Avisei que você não gostaria disso. É claro que havia um homem envolvido. Um inglês que ela conheceu na praia logo depois que seu pai foi preso. Por que acha que sua mãe foi para Londres quando não falava uma palavra de inglês? O namorado prometeu se casar com Fiorella assim que ela estivesse livre. Ela mudou de nome logo que chegou e começou a planejar o divórcio. — Como você sabe de tudo isso? — Tenho algumas cartas que o namorado escreveu para ela. Ele não tinha idéia das conexões de Fiorella. Uma vez que sua mãe se estabeleceu, o inglês se ofereceu para cuidar do dinheiro dela, mas cuidou tão bem que Fiorella nunca mais viu o dinheiro. Ele tirou-lhe tudo e depois lhe disse que o perdeu no mercado de ações. Angelo estava imóvel, mas os olhos brilhantes eram gelados. — E o que mais? — O homem a abandonou grávida dele, e foi quando ela descobriu que ele já era casado. Chocado com a revelação, Angelo cerrou os dentes. — Eu não tinha idéia. — Ela perdeu o bebê e nunca mais recuperou a saúde. — Você sabia de tudo isso, entretanto escolheu não ajudá-la? — disse Angelo em tom de acusação. — Ela podia ter pedido ajuda a qualquer momento, mas não o fez. Serei franco. Fiorella tinha se tornado um embaraço para nós e havia complicações. Gino saiu após um recurso. Queria você, filho dele, de volta, e queria vingar-se da esposa infiel. O paradeiro de sua mãe precisava permanecer secreto para que você não acabasse nas mãos de um bêbado violento. O silêncio manteve vocês dois seguros. — Mas não nos impediu de passar fome. — Você sobreviveu. — Mas ela não — apontou Angelo. Don Carmelo não revelou arrependimento. — Não sou um homem complacente. Fiorella decepcionou a família, e o insulto final foi a crença de que ela tinha de manter o filho longe de minha influência. Tornou-se religiosa antes de morrer e voltou-se ainda mais contra nós. — Se você nunca mais a viu, como sabe disso? Carmelo suspirou. — Ela me telefonou quando sua saúde estava precária. Preocupava-se com o que aconteceria a você. Ainda assim, suplicou que eu respeitasse seus desejos e não o reivindicasse quando ela partisse. Angelo podia ver que o homem mais velho estava ficando exausto, e que a conversa estava perto do fim. — Agradeço a sua franqueza. Quero o nome do homem que roubou o dinheiro da minha mãe. — Donald Hamilton. — Don Carmelo ergueu um grande envelope e estendeu-o. — As cartas. Leve-as. — O que aconteceu com ele? — Nada. 3
  4. 4. Mistérios do prazer Lynne Graham — Nada? — questionou Angelo. — Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos. — E agora aqui está você, orgulhoso por não ser um Zanetti ou um Sorello. Se é tão diferente de seus descendentes, por que quer o nome de Hamilton? O que pretende fazer com isso? Angelo estudou-o com olhos inexpressivos e deu de ombros. — Não faça nenhuma bobagem, Angelo. Angelo riu alto. — Não acredito que você está me dizendo isso. — Quem melhor do que eu? Passei a última década em exílio. Tenho sido perseguido pela lei e por meus inimigos. Mas meu tempo está no fim — murmurou Carmelo. — Você é o meu parente mais próximo e venho protegendo-o durante toda minha vida. — Não que eu tenha notado — contradisse Angelo, inalterado pela declaração. — Talvez sejamos mais inteligentes do que pensa. Talvez também descubra que, no fundo, você tem muito mais em comum conosco do que quer admitir. Angelo ergueu a cabeça arrogante, o semblante negando fortemente a sugestão. — Não. Realmente acho que não. Com uma cesta de flores no braço, Gwenna apressou-se pela viela lamacenta, perseguindo os dois garotinhos. Excitados pelos ruídos que ela estava fazendo em seu papel de urso caçador, Freddy e Jake davam gargalhadas. Com seu cachorro, Piglet, um pequeno vira-lata que latia como louco, eles formavam um trio barulhento. O insistente toque de um celular soou entre as risadas. Gwenna parou e, com relutância, tirou o telefone do bolso. — Aposto que é a Bruxa Malvada de novo — previu Freddy com tristeza. — Psiu — murmurou Gwenna, desejando que a mãe das crianças fosse mais cuidadosa sobre o que dizia na frente dos filhos. — Ouvi mamãe dizer que você nunca terá um homem com a Bruxa Malvada por perto. Precisa de um? — perguntou Jake. — É claro que ela precisa... para ter bebês e trocar lâmpadas. — Freddy falou para o irmão. — Estou ouvindo crianças? — Eva Hamilton exigiu saber. — Joyce Miller lhe pediu para cuidar daqueles pestinhas novamente? Dando um olhar de súplica aos gêmeos, Gwenna pôs um dedo nos lábios para pedir silêncio e esquivou-se da pergunta. — Estarei com você em menos de uma hora. — Tem idéia do quanto ainda precisa ser feito aqui? — Pensei que o serviço de bufe... — Estou falando sobre a limpeza — interrompeu sua madrasta acidamente. Gwenna suspirou. Vinha trabalhando como uma escrava durante a última semana. Até mesmo suas costas, fortes pela atividade física regular que tinha no viveiro de plantas onde trabalhava, estavam doendo. — Faltou limpar alguma coisa? — Os móveis estão empoeirando de novo, e as flores na sala de estar estão murchando — acusou Eva. — Quero que tudo esteja perfeito amanhã para seu pai, então teremos de fazer isso esta noite. — Sim, é claro — Gwenna lembrou-se de que o almoço que Eva estava organizando para alguns convidados selecionados se devia a uma boa causa. O dia seguinte seria um grande momento para seu pai. Donald Hamilton tinha trabalhado incansavelmente a fim de levantar os fundos necessários para começar a restauração dos jardins do Casarão Massey. Embora a mansão estivesse abandonada, os jardins haviam sido projetados por um notável jardineiro do século XIX, e o vilarejo precisava de uma atração turística para estimular a economia local. A imprensa estaria presente para registrar o momento que Donald Hamilton abriria os longos portões da velha propriedade, simbolizando que a primeira fase de trabalho no terreno poderia começar. — A Bruxa Malvada sempre rouba seu sorriso — lamentou-se Freddy. — Sou um urso, e ursos não sorriem — Gwenna o informou alegremente, voltando a brincar pelo bem dos garotos. Porém, mal começou a brincar quando ouviu uma explosão de latidos frenéticos. — Oh, não! — exclamou ela, correndo para o prado da aldeia, onde Piglet tinha claramente encontrado uma vítima. Estava furiosa consigo mesma por ter deixado o cachorro solto. Apesar de o pequeno animal ser amável e excelente com crianças, tinha um problema. Como fora abandonado na estrada pelos primeiros donos, e acabou sendo atropelado, Piglet desenvolvera uma antipatia por carros, e tendia a agir de modo agressivo com os ocupantes 4
  5. 5. Mistérios do prazer Lynne Graham do sexo masculino. Felizmente, ele era tão pequenino que as pessoas pensavam que o ataque fosse apenas uma brin- cadeira. — Piglet... não! — Gwenna falou no instante em que viu seu cachorro rodeando furiosamente um homem muito alto, parado perto da igreja. Apesar do sol e da paisagem pitoresca, Angelo não estava de bom humor. A limusine sofisticada provara não ser um veículo adequado para aquela área rural. Seu chofer tinha tentado dirigir por uma estrada absurdamente estreita e arranhado a pintura do carro antes de admitir que estava perdido. Enquanto sua equipe de segurança se empenhava em localizar alguma alma viva naquele vilarejo tão deserto, Angelo saíra do carro para esticar as pernas. Uma tentativa de ataque por um mini-cão com enormes orelhas e pernas curtas também não era bem-vinda. No momento em que a dona do cachorro se aproximou correndo, Angelo tinha uma expressão de censura no rosto. — Piglet, pare com isso agora! — Gwenna estava horrorizada por Piglet ter escolhido como alvo um homem vestido num terno imaculado, uma vez que, por sua experiência, tais homens eram menos tolerantes. Havia duas casas à venda do outro lado do prado, e ela imaginou que ele fosse corretor de imóveis. Angelo fitou os olhos impressionantemente azuis em um rosto de uma beleza tão rara que, pela primeira vez na vida, esqueceu-se do que ia dizer. Em um milésimo de segundo, a oportunidade de admirar aquele rosto lindo foi perdida. Ela abaixou-se num esforço de pegar o animal irritante. — Sinto muito... Por favor, não se mova — suplicou Gwenna, freneticamente perseguindo seu cão ao redor de pés masculinos em sapatos de couro fino. No momento em que conseguiu agarrar o pequeno corpo de Piglet, sentiu-se envergonhada e tola. Pelo canto do olho, Angelo avistou um dos seguranças vindo apressado em sua direção, a fim de proporcionar a usual barreira entre seu empregador e o resto da raça humana. Angelo fez um sinal para que o homem mantivesse a distância. Os raios de sol estavam refletindo lindas mechas douradas nos cabelos dela. Embora os cabelos loiros estivessem presos com uma fita na altura da nuca, ainda eram longos o bastante para tocar-lhe as costas. Angelo continuava admirando o rosto dela e questionou-se por que tivera tanto impacto sobre ele. — Piglet, seu malvado... Eu sinto muito — declarou Gwenna, pegando o cachorro e erguendo-se. — Ele mordeu você? Mesmo enquanto Angelo maravilhava-se com os belos olhos azuis, o nariz perfeito e a boca generosa, também registrou que o mundo da moda e estilo era estranho àquela mulher. O vestido azul desbotado marcava a curva exuberante dos seios antes de abrir-se numa saia rodada, revelando somente tornozelos delgados. — Como assim? — perguntou ele com a postura elegante e poderosa, esperando que ela reagisse como todas as mulheres reagiam na presença dele, com olhos arregalados, sorrisos e sinais de flertes. — Ele não mordeu você, certo? Piglet tem dentes afiados. Intimidada pelo tamanho do homem, que passava muito de 1,8Om, Gwenna manteve distância. Contudo, era impossível não notar o quanto ele era bonito. Essa consciência, assim como a compulsão que sentia em ficar olhando- o, eram tão estranhas que a deixou sem graça. — Ele não mordeu — Angelo esperou, em vão, pela resposta sexual feminina que era tão previsível. Em vez disso, ela desviou os olhos. Aquilo o irritou. — Graças a Deus... Jake, Freddy! — Gwenna estava olhando para trás à procura dos garotos e ansiosa para focar sua atenção em qualquer outro lugar. Duas cabeças ruivas saíram de trás da cerca viva que delimitava o terreno da igreja. — Vem pegar a gente, Gwenna! — implorou Freddy. — Você é a babá deles? — perguntou Angelo. Gwenna piscou com a pergunta inesperada. — Não, estou apenas cuidando deles por uma hora. Com licença — acrescentou, olhando para cima e descobrindo que os olhos dourados do homem continham um brilho que fez seu coração disparar. Pegando a cesta de flores que largara no chão, começou a se afastar. — Talvez possa me informar onde fica o hotel Peveril House. Ela parou e virou-se. — Fica a uns oito quilômetros daqui. Se pegar a bifurcação atrás da igreja, vai ver a placa para o hotel. Poucas pessoas vêm para cá. — Pergunto-me por quê — murmurou Angelo suavemente. — O cenário é muito bonito. Janta comigo esta noite? Pega de surpresa pelo convite, Gwenna enrubesceu. 5
  6. 6. Mistérios do prazer Lynne Graham — Mas não conheço você. — Aproveite a oportunidade. — Não... obrigada, não posso. — Por que não? Outros homens geralmente recuavam à primeira recusa. O fato de que ele exigia uma explicação a assustou, e ela não respondeu. — Tem namorado? Envergonhada, Gwenna achou que seria mais fácil mentir, mas não era uma mentirosa. — Não, mas... — Ela baixou a cabeça e ficou em silêncio. Ela rejeitara a única desculpa que Angelo teria aceitado. Mesmo assim, teria procurado uma nova abordagem, pois nunca conhecera uma mulher capaz de resistir ao que ele oferecia. Fidelidade, descobrira há muito, era geralmente negociável. Não podia acreditar que, pela primeira vez na vida, estava recebendo uma recusa. — Com licença — murmurou ela novamente. — Preciso ir. Angelo ficou parado boquiaberto, observando-a partir e passar pelo portão da igreja. Continuou acompanhando- lhe os movimentos na esperança de que ela olhasse para trás, o que não aconteceu. Ofegante e tensa, Gwenna prendeu a coleira do cachorro no banco de madeira e entrou na velha igreja. Freddy e Jake tagarelavam enquanto ela arrumava as flores para o batizado que aconteceria na manhã seguinte. Fazia muito tempo desde a última vez que alguém a convidara para sair, pensou. Não entendia por que estava tão perturbada. Ou por que sentia um desejo enorme de voltar para a porta e espiar se o estranho bonito ainda estava lá. É claro que não. Ele agora estaria a caminho do hotel luxuoso, no qual deveria estar acontecendo uma conferência internacional de negócios ou algo assim. O leve sotaque do estranho sugeria que sua primeira língua não era o inglês. "E daí?", questionou-se. Por que estava curiosa? Não namorava, afinal. Aprendera que, mesmo quando os homens alegavam um relacionamento de amizade, sempre queriam mais. Queriam sexo, na verdade. Mas ela não queria intimidade física sem amor, que a deixaria se sentir vazia e solitária quando acabasse. Os insultos que sofrera enquanto crescia a tinham convencido de que seus valores antiquados a protegiam dos piores erros. Tinha plena consciência de que sua própria mãe pagara um preço alto por desprezar esses mesmos princípios. A imagem do rosto bronzeado do estranho, do impacto extraordinário daqueles olhos escuros e profundos e do corpo magnífico surgiu em sua mente. Gwenna deu uma risadinha. Então, era mulher e humana, e tinha notado um homem de tirar o fôlego. Não do seu tipo, todavia. Ele era muito arrogante para agradá-la. Gostava de homens abertos, amigáveis e criativos. Adicionando cabelos castanhos e um par de olhos verdes sorridentes, pensou distraída, e estaria descrevendo seu ideal de homem perfeito. Cinqüenta minutos depois, Gwenna devolveu Freddy e Jake para a mãe deles, que tivera uma consulta pré-natal. Ela conhecia bem Joyce Miller, pois as duas tinham trabalhado juntas no viveiro de plantas por mais de um ano. — Entre um pouco — convidou a ruiva grávida. — Vou fazer um chá. — Desculpe, não posso. Joyce a estudou. — A Bruxa Malvada a acorrentou de novo? Gwenna deu de ombros. — Ainda há algumas coisas a serem feitas na casa do meu pai. — Mas você nem mora lá. Não entendo o que a propriedade Old Rectory tem a ver com você. Fazia alguns anos que Gwenna tinha se mudado para o pequeno apartamento acima do viveiro de plantas. As acomodações eram simples, mas fora um alívio ter paz e independência. — Não me importo, se isso deixa Eva feliz. Amanhã é um dia especial para papai. — E para você — apontou Joyce. — O Casarão Massey foi construído por seus ancestrais. Foi a casa de sua mãe um dia. Gwenna riu. — Há mais de uma geração o lugar já estava em ruínas. Minha avó e minha mãe moraram lá, mas nunca puderam reformar a casa. É uma pena que meus ancestrais não tiveram talento para ganhar dinheiro. — Acho que você teve muito sucesso reunindo os locais e apresentando idéias tão boas para levantar fundos para a restauração dos jardins. Gwenna sorriu. 6
  7. 7. Mistérios do prazer Lynne Graham — Obrigada, mas sempre fui a garota do quarto dos fundos. Foi a lábia de meu pai e suas incríveis conexões que trouxeram o dinheiro. Ele fez um trabalho maravilhoso. — Finalmente entendo por que ainda está solteira. Você adora seu pai — afirmou a ruiva. — Nenhum homem vai igualar-se a ele a seus olhos. Andando para Old Rectory, onde seu pai e sua madrasta viviam, Gwenna pensou sobre aquela conversa. Não tinha discutido a questão porque sua verdade estava bem guardada. Mesmo assim, acreditava que realmente seria muito difícil alguém igualar-se a Donald Hamilton. Seu pai era especial. Só um homem especial reconheceria uma filha ilegítima, levando-a para casa e mantendo-a lá apesar de isso ter custado seu casamento. Aceitava que o pai tinha seus defeitos. Quando jovem, tivera uma fraqueza pronunciada por mulheres e mais do que um caso extraconjugal. A mãe de Gwenna, Isabel Massey, havia sido uma dessas mulheres. Na manhã seguinte, Gwenna acompanhou seu pai enquanto posava para câmeras na entrada da propriedade Massey. Apesar de ter mais de 5O anos, Donald Hamilton parecia mais novo. Com os cabelos loiros e a pele bronzeada, era um homem apresentável. Como advogado, tinha construído uma carreira de sucesso em uma empresa de móveis. Estava acostumado a lidar com a mídia, e seu discurso inteligente adicionava brilho à performance pública. Os portões foram abertos e as equipes de noticiários da televisão gravaram o momento e o pontuaram com uma entrevista. A madrasta de Gwenna e suas meio-irmãs, Penélope e Wanda, deleitavam-se em ser o centro das atenções. Gwenna não tentou se juntar à reunião familiar, uma vez que sabia que não seria bem-vinda e, conseqiientemente, embaraçaria o pai. — Eu não sabia que personalidades importantes da polícia também viriam — comentou um membro do comitê dos Jardins Massey a seu lado. — Aquele é o chefe superintendente, Clarke. Gwenna olhou por sobre o ombro e viu dois homens de terno parados perto de uma viatura policial. Um outro homem conversava com seu pai, e era evidente que Donald Hamilton não gostava do que ouvia, pois estava vermelho e falando alto que aquilo não fazia sentido. Os jornalistas agora prestavam atenção no palco. Com um sorriso exasperado nos lábios, seu pai foi em direção aos homens perto do carro. De repente, um silêncio curioso se instalou entre a multidão. Gwenna ouviu o policial mais velho referir-se a "acusações muito sérias". Observou, totalmente incrédula, quando os direitos legais de seu pai foram lidos. Diante de sua família e da mídia, Donald Hamilton estava sendo preso. Em sua suíte luxuosa do hotel Peveril House mais tarde naquele dia, Angelo Riccardi colocou o vídeo da prisão de Donald. Mediante um cachê anônimo, a equipe televisiva registrará um final mais excitante do que o prometido: Hamilton sendo algemado durante um evento no qual era homenageado como um glorioso filantropo, agora desmoronando de seu pedestal de respeitabilidade. Angelo havia comprado a empresa de móveis onde sua presa trabalhava, e enviara auditores para examinar as contas. Pegar Hamilton em flagrante não era o desafio que tinha esperado. Na verdade, fora quase fácil demais. É claro, exposição pública era apenas o começo, pensou. Hamilton pagaria o preço justo por seus pecados. Ele pretendia destituir o homem que roubara e abandonara sua mãe, e o bom nome era apenas o primeiro passo daquele processo. CAPÍTULO II Gwenna olhou ao redor do cômodo com desespero e reprimiu a onda de raiva causada pelas acusações feitas ao seu pai, que tinha sido desprovido de sua alegria natural devido aos eventos recentes. A sala de visitas da Old Rectory era grande e elegante, mas o arranjo de flores que ela colocara sobre a mesa estava agora murchando. Fazia três dias que seu mundo se despedaçara, juntamente com algumas de suas convicções mais profundas. Donald Hamilton tinha sido acusado de fraude, e informado de que outros crimes ainda seriam revelados. No começo, todos tentaram defendê-lo. Não apenas a família, mas amigos e vizinhos também, uma vez que ele era uma figura popular. Todavia, o patrão de Donald e colegas de trabalho vinham mantendo distância, provavelmente temendo pela segurança de seus empregos. Afinal, não fazia uma semana que Furnridge Leather tinha sido comprada pela Rialto, a grande corporação dirigida por Angelo Riccardi. Possivelmente, devido a tais conexões de poder, o caso havia atraído muita publicidade negativa. Talvez, o maior choque de todos ocorrera quando Donald Hamilton, confrontado com as evidências de seus crimes, decidira confessar sua culpa. Gwenna ficara arrasada. O fato de que o pai que adorava e admirava tinha roubado dinheiro a apavorara, mas havia ficado orgulhosa por ele ter tido coragem de admitir os erros e a culpa. 7
  8. 8. Mistérios do prazer Lynne Graham Quando Donald finalmente tivera permissão de ir para casa, levara Gwenna ao seu escritório para uma conversa particular. Então, contara como o estilo de vida extravagante que vinha levando havia criado uma montanha de dívidas com as quais não podia mais lidar. — Eu só peguei um pouco de dinheiro emprestado da Furnridge para saldar dívidas — explicou seu pai. — Pretendia devolver. Infelizmente, os preparativos para o casamento de Penelope nos custou uma fortuna. A mãe dela gastou uma outra fortuna confortando-a quando o casamento fracassou. Então Wanda precisou de capital para iniciar sua escola de equitação. Como você sabe, foi um outro desastre e perdi muito no investimento. Mas entendo que não há desculpa para roubar. Não pense que estou culpando uma outra pessoa, também. — Eu não penso isso — disse Gwenna, cujos olhos estavam marejados ao abraçar o pai. Tinha plena consciência de que sua madrasta e suas duas meias-irmãs não se contentavam com pouco, e que esperavam que Donald satisfizesse cada um de seus desejos e necessidades. — Nunca fui capaz de dizer não às pessoas que amo. Sei que estamos vivendo além de nossas possibilidades nesta casa, mas não consegui negar nada a Eva. Eu a amo tanto, Gwenna. Não sei o que farei se ela quiser o divórcio. Após aquela conversa, Gwenna agora achava muito difícil ficar ouvindo o resto da família recriminando seu pai. — Eles fecharam minhas contas bancárias. Como vou pagar meus cartões de crédito? — reclamou Penélope, a irmã mais velha, com o rosto bonito contorcido pela raiva. Gwenna perguntou-se o que aconteceria se sugerisse que era hora de ela procurar um emprego regular. Mas as filhas de sua madrasta ainda viviam em casa. Penelope tinha 27 anos, trabalhava como modelo meio-período e tratava sua carreira como um hobby, esperando que o padrasto pagasse todos os seus luxos. A irmã, Wanda, era dois anos mais nova e nunca parara num emprego por mais de seis semanas. — E quanto às prestações de meu carro esporte? — Wanda estava exigindo. — Onde vou arranjar o dinheiro para pagar? Eva dirigiu um olhar de condenação ao marido. — Até agora, nunca tinha apreciado o quanto meu primeiro marido era bom para nos sustentar. Gwenna recuou ao perceber como a mulher era cruel, e que talvez pudesse abandonar o marido, agora que a situação financeira já não era boa. — Sim, ele era, e certamente não vou corresponder às expectativas desse desafio. — Sentado em uma poltrona no canto, Donald Hamilton estava obviamente deprimido por ser o alvo de todos aqueles ataques. — Se pelo menos você não tivesse admitido que pegou o dinheiro! Com um bom advogado, poderíamos ter contestado as acusações — disse Penelope furiosa. — Poderíamos ter uma chance se Furnridge ainda pertencesse a John Ridge. Mas não agora... Rialto é enorme e Angelo Riccardi é um homem terrível. Numa organização daquele tamanho, as regras são rígidas, e os recursos ilimitados. Eles vão me tirar até o último centavo — murmurou Donald. — Estou arruinado. — O que importa é que você confessou tudo. Tenho certeza de que isso foi um alívio para todos, e que o faz se sentir melhor — comentou Gwenna. — Aprendeu na igreja que honestidade é a melhor política? — zombou sua madrasta. — Você definitivamente não se saiu à sua mãe. Afinal, ela foi o pecado secreto de seu pai por anos! Gwenna enrubesceu com a vergonha que nunca conseguia reprimir. Era verdade, o caso de sua mãe com Donald Hamilton fora secreto e construído sobre mentiras e simulações. Entretanto, tinha parado de ser lembrada disso desde que alcançara a independência. — Ouça, vim aqui para... — Intrometer-se onde não é desejada? — acusou Wanda. — Para que tentássemos decidir a melhor maneira de lidar com a situação — disse Gwenna. — Se conseguirmos repor o dinheiro que foi retirado, papai talvez possa escapar do processo. Obviamente, os Jardins Massey e o viveiro de plantas poderiam ser vendidos. E há o apartamento em Londres... A sugestão de que o apartamento da cidade, muito usado por Eva e suas filhas, fosse colocado à venda, gerou um ataque sarcástico das outras mulheres. Mas Donald estudou Gwenna com o primeiro brilho de esperança desde sua prisão. — Você acha que uma oferta como esta pode fazer diferença? Gwenna assentiu vigorosamente. — Mas se Massey for vendida, você perderá seu emprego, o negócio que construiu e o teto sobre sua cabeça. Realmente faria isso por mim? — perguntou ele emocionado. — É claro. — Gwenna pigarreou. — Então, há esta casa... 8
  9. 9. Mistérios do prazer Lynne Graham Eva a interrompeu: — Esta casa está no meu nome e eu não vou vendê-la! Gwenna não sabia daquilo e murmurou um pedido de desculpas. O telefone tocou. A polícia queria que Donald respondesse mais algumas perguntas. Gwenna viu o pai empalidecer. Doía testemunhar o medo dele com a perspectiva de uma outra visita à delegacia. Com um ar resoluto, ela se levantou e olhou para o pai. — Vou até Furnridge Leather falar com a pessoa que tem o poder de tomar uma decisão sobre esse assunto. Angelo estava diante da janela que dava vista para a recepção no piso inferior da Furnridge Leather, e ouvia seus executivos discutirem idéias com o antigo dono, John Ridge, para renovar a empresa. Ocasionalmente, falava para descartar as idéias mais absurdas. Aquela era a menor empresa que comprara em uma década. Era um desafio para seu staff pensar sobre um projeto pequeno, principalmente quando a empresa estava com sérios problemas financeiros. Agora havia duzentos funcionários com boas razões para odiar Donald Hamilton, porque o futuro do ne- gócio oscilava. Uma mulher jovem se aproximou da recepção. Os longos cabelos loiros estavam presos num simples rabo-de- cavalo. Angelo ficou tenso ao reconhecer imediatamente o ângulo gracioso da cabeça e o perfil perfeito. Bem, Gwenna, do pequeno vilarejo em Somerset, o encontrara novamente. Ela teria visto sua limusine quando ele partira e reconhecido o seu valor financeiro? De qualquer forma, a mulher o identificara, poupando-lhe o trabalho de procurar por ela. Sentiu-se desapontado. Acreditara que por uma vez teria de se esforçar para levar uma mulher para cama. O telefone tocou. A ligação era para John Ridge. O homem mais velho desligou o telefone e murmurou: — A filha de Donald Hamilton, Gwenna, está lá embaixo, pedindo para falar comigo ou com o responsável. Há alguém aqui disposto a conversar com ela? Angelo franziu o cenho. Quando consultara as informações sobre o passado de Donald Hamilton, não houvera referência de uma filha com esse nome. — Filha verdadeira de Hamilton? — Sim, e é uma garota adorável, mas eu preferia não ter de lidar com ela. Não há nada a dizer, há? — Nada — concordou um dos executivos. — Eu a receberei aqui em 15 minutos. — Imperturbável pela surpresa de seus companheiros, Angelo imediatamente acessou o arquivo de Hamilton em seu laptop. E lá encontrou uma breve referência dela como Jennifer Gwendolen Massey Hamilton, 26 anos de idade. Então, a única filha de Hamilton era uma mulher linda e trapaceira. Gwenna estava sentada na sala de espera, sentindo o clima hostil ao seu redor. Ficara perplexa ao saber que Angelo Riccardi se encontrava na empresa e a receberia, pois imaginava que alguém tão rico e poderoso não tivesse tempo para cuidar de assuntos sobre um empreendimento rural tão pequeno. No momento em que foi conduzida ao antigo escritório de seu pai, estava pálida e tremendo de nervoso. — Srta. Hamilton — murmurou Angelo friamente, observando o choque de reconhecimento no semblante dela. — Sou Angelo Riccardi. Atônita por ser cumprimentada pelo homem que encontrara no vilarejo, Gwenna exclamou em confusão: — Você é... mas não pode ser! Angelo arqueou uma sobrancelha. Um momento interminável de silêncio se seguiu, enquanto ela o olhava, absorvendo novamente os profundos olhos dourados, os ângulos fortes do rosto esculpido, os lábios sensuais e bonitos. Um calor desconfortável instalou- se em seu corpo. Respirando profundamente, esforçou-se para se recompor. — Bem, obviamente você é... quem diz ser — gaguejou Gwenna. — Eu podia ter passado sem essa coincidência hoje. — Ainda não sei por que você quis falar comigo. — Angelo estava apreciando o estado perturbado dela. Aparentemente, a filha de seu inimigo não era fraudulenta como o pai. — Vim para falar sobre meu pai. — Fico surpreso que você ache que eu possa estar interessado. — Meu pai trabalhou aqui por muito tempo... — Enquanto sistematicamente deixava a empresa sem capital. Ela baixou os cílios, envergonhada. 9
  10. 10. Mistérios do prazer Lynne Graham — Não tenho intenção de negar o que ele fez. — Por que mais estaria requisitando este encontro? Talvez você espere o mesmo tratamento especial que seu pai teve quando trabalhava aqui. — Não sei sobre o que você está falando. — John Ridge tratava seu pai mais como amigo do que como empregado, e nunca pôde entender por que a produtividade melhorada constantemente fracassava em obter lucros. Por isso, vendeu a empresa. — Angelo a viu empalidecer e abaixar a cabeça. Estava satisfeito por ter usado aquilo contra ela. Sabia como escolher os pontos fracos nas pessoas e utilizá-los para seu próprio benefício. — Ele está arrasado agora que sabe como sua confiança foi traída. — Papai está muito envergonhado. Sei que isso não muda nada... — Você está vivendo em seu pequeno mundo, srta. Hamilton. Neste momento, meu staff está tentando encontrar uma maneira de impedir a falência da empresa. Uma sensação de derrota a percorreu. Já era ruim o bastante John Ridge ter sido enganado, e agora descobria sobre a condição precária que a empresa se encontrava. Ocorreu-lhe que merecia a repreensão de Angelo Riccardi. Ela fracassara em considerar as repercussões que poderiam surgir da fraude de seu pai. Na verdade, ingenuamente assumira que o futuro de Furnridge Leather seria mais seguro como parte de uma organização maior, como a Rialto. O risco de falência a apavorava, uma vez que a empresa de móveis era a principal empregadora local. — Eu não sabia... que os problemas estavam tão sérios. — Como poderia não saber? Foi feito uso indevido de uma grande quantidade de dinheiro. — Angelo descobriu que a raiva que sentira ao descobrir a identidade dela, agora era substituída por satisfação. Por que não? Ela era filha de Hamilton. Ele agora tinha duas pessoas para brincar, em vez de uma, e já podia ver que ela era um brinquedo lindo, com um bom repertório de respostas. — Nenhum empreendimento deste tamanho pode passar por uma crise financeira sem riscos de falência. Gwenna ergueu a cabeça. — Mas é por isso que estou aqui. Para dizer como esse dinheiro pode ser devolvido. — Devolvido? — Angelo a olhou com renovada intensidade. Os olhos azuis continham um apelo que não podia definir. O conjunto de calça e blusa podia ser antiquado e deselegante, mas a beleza da mulher era tão rara que isso se tornava insignificante. — Meu pai tem propriedades que poderiam ser vendidas, resultando em dinheiro para o reembolso. — Nervosa com a observação detalhada dele, Gwenna desviou o olhar. Não era a primeira vez que se perguntava por que ele a deixava tão desconfortável. Sentia um nó na garganta, os músculos tensos. Seria medo? — Se quaisquer dessas propriedades foram compradas com dinheiro roubado, e seu pai for considerado culpado no tribunal, esses bens podem ser apreendidos e vendidos para proporcionar compensação. Aquilo acabou com as esperanças de Gwenna, e ela sentiu a força total de sua ignorância. — Eu não sabia disso. Apesar do que Angelo tinha lhe dito, sabia que os juizes eram relutantes em relação à desapropriação e venda de bens pessoais, particularmente quando havia uma esposa envolvida. Mas estava determinado a ver Donald Hamilton punido em cada nível possível. Tirar-lhe os bens adicionaria sabor àquele processo. — Contudo, um caso como este leva tempo — ele amenizou como encorajamento para que ela insistisse na venda dos imóveis. — Papai já admitiu a culpa — Gwenna murmurou prontamente. — Ficaria feliz em concordar que as propriedades fossem postas à venda e com os procedimentos usados para eliminar seu débito... — Ele é um ladrão, não um devedor — interrompeu Angelo secamente. — Além disso, propriedades podem demorar muito para vender. — Olhos cor de ébano prenderam os dela. — É claro que se eu estivesse disposto a considerar tal acordo, uma avaliação poderia ser feita e as propriedades em questão poderiam simplesmente passar para meu nome. Isso seria conseguido rapidamente. Pronta para concordar com qualquer tipo de acordo, Gwenna assentiu para a sugestão. Então, respirou fundo, ciente do olhar intenso de Angelo e de seu próprio coração disparado. Percebendo que tinha enrubescido, foi até a janela. Como ele podia ter aquele efeito sobre ela? Era um completo estranho. Como tinha a capacidade de lhe despertar sensações físicas que estavam reprimidas e enterradas? Gwenna decidira há muito tempo que nunca daria o seu corpo sem o seu coração. 10
  11. 11. Mistérios do prazer Lynne Graham — Eu também diminuiria o risco de alguém sofrendo de arrependimentos de última hora — ressaltou Angelo, com uma expressão de triunfo por ter finalmente provocado uma reação dela. Vira o brilho de surpresa nos olhos de Gwenna. — Obviamente, seu objetivo é libertar seu pai da ameaça de um processo. Sem saber se devia se sentir aliviada ou ameaçada pela facilidade com a qual ele deduzira o fato, Gwenna virou- se para encará-lo. Ergueu o queixo e uniu as mãos fortemente. — Sim. — Isso não será possível, cara. Acredito que todos os malfeitores devem ser punidos pela lei. — Mas se o dinheiro for devolvido, isso beneficiaria esta empresa e todas as pessoas que trabalham — protestou Gwenna fervorosamente. — Você não se importa com isso? — Meu coração raramente sangra, srta. Hamilton. Angelo observou-a afastar uma mecha loira do rosto. Ela era maravilhosa, deleitável. E estava tremendo de leve. Ele gostava da idéia que pudesse ser responsável pelo efeito potente. Tinha um desejo quase incontrolável de ver aqueles cabelos soltos caindo em cachos sobre os ombros. — Mas nesse caso específico... — A base dos negócios são os lucros, e no que diz respeito a isso, não há o bastante em sua oferta para me tentar. Gwenna estava profundamente desapontada. Nunca se sentira tão nervosa ou tão inadequada. Tinha consciência de sua falta de sofisticação. Não sabia como lidar com um homem que possuía o polimento de um diamante caro e elegante, e não mostrava emoção. Uma combinação que achava altamente intimidadora. — O que seria necessário para... tentá-lo? Angelo a estudou com uma calma enervante. — Você. Gwenna piscou. — Desculpe-me... não entendi. — Eu quero você. — Eu não entendo. — Os olhos azuis se arregalaram. Sentia-se tola porque obviamente ele não podia estar se referindo ao que ela pensava. — Você é sempre tão lenta para entender? — Você está falando sobre... sexo? — Gwenna ficou tão furiosa que o embaraço a fez murmurar a última palavra num sussurro quase incompreensível. Os brilhantes olhos escuros conseguiram parecer entediados. — Do que mais? Ela o estudou longamente. Sempre tivera problemas em se ver como um ser sexual. Era muito mais freqüentemente vista como simpática e sensata do que como uma mulher sexy. Que um homem milionário e sofisticado pudesse desejá-la tanto era inacreditável. — Isso é algum tipo de brincadeira? — Não faço brincadeiras. Gwenna olhou para o homem alto e elegante em seu terno impecável. Ele era arrasadoramente bonito, mas ela afastou o pensamento assim que entrou em sua mente. — Mas está mesmo sugerindo que se eu dormir com você pode reconsiderar o processo contra meu pai? — Sim — confirmou Angelo. Ela estava atônita pela concordância sem hesitação. — Mas isso é moralmente errado. — Somos adultos e você tem uma escolha. Ela ergueu a cabeça, furiosa por estar tão envergonhada quanto uma adolescente, enquanto ele se comportava como se nada desagradável estivesse acontecendo. — Como pode me insultar dessa maneira? — O que é insulto para uma mulher, pode ser elogio para uma outra. — Angelo sorriu em desafio. — Não é meu ego falando, e sim um fato quando digo que muitas mulheres dariam tudo pela mesma oportunidade. Gwenna, que raramente perdia a calma, descobria agora que queria matar um ser humano. O jeito arrogante e insolente dele a fez cerrar os dentes. Pura raiva a assolou. — Bem, eu não sou uma delas! Tenho mais auto-estima do que isso. — O que a torna infinitamente mais desejável. 11
  12. 12. Mistérios do prazer Lynne Graham — Então, você é um desses homens que sempre desejam o que não podem ter? Angelo prendeu-lhe o olhar, mais intrigado do que nunca com a resistência e súbita raiva dela. — Nunca me encontrei em uma situação na qual "não posso ter". — Pois acaba de se encontrar — declarou Gwenna e virou-se. — Meu corpo não é negociável, sr. Riccardi. — Então, seu pai terá de pagar o preço e ir para a prisão — murmurou Angelo. Ela parou no meio do caminho para a porta e virou-se. A idéia de seu pai ir para a prisão a apavorava. Ele já tinha perdido tanta coisa: o emprego, a reputação, os amigos, a segurança financeira. Seu casamento poderia logo entrar na categoria de perdas. Ela sabia e aceitava que ele errara. Mas o que dominava os seus pensamentos era o débito que tinha para com seu pai desde o dia em que ele a recebera em sua casa após a súbita morte da mãe. Quando sua mãe, Isabel, havia engravidado durante seu longo caso com Donald Hamilton, esperara que o amante deixasse a esposa sem filhos, Marisa. Mas então Isabel descobrira que não tinha sido o único caso extraconjugal de Donald. Derrotada e amarga, se tornara uma mãe solteira sem entusiasmo. Quando Gwenna tinha oito anos, Isabel morrera num acidente de carro. Donald, ainda casado com a primeira esposa, resgatara sua filha ilegítima numa época em que Gwenna não tinha mais ninguém. Embora ele fosse quase um estranho, a fizera se sentir realmente importante. Mesmo quando sua esposa, Marisa, o forçara a escolher entre a filha e o casamento, seu pai se recusara a pôr Gwenna para adoção. Logo depois, Marisa pedira o divórcio. Donald nunca culpara a filha pelo preço que tivera de pagar por escolhê-la. Mas, apesar do casamento subseqüente de seu pai com Eva, Gwenna sempre se sentira culpada. O passar do tempo e a chegada da maturidade não alteraram sua crença de que sempre estaria em débito com o pai pelo sacrifício amoroso que tinha feito em seu nome. — Antes de você partir, ouça-me — disse Angelo, habilmente brincando com a hesitação de Gwenna. Piscando, ela o encarou. — Se as propriedades forem suficientes para cobrir o desfalque da Furnridge Leather e você concordar em ser minha amante, eu retiro as queixas contra seu pai. Um arrepio percorreu o corpo de Gwenna. Amante? O que significava aquele termo? Sexo por uma noite? A conquista era tão importante para ele? Poderia querer tanto assim fazer sexo com ela? A extensão de sua própria ignorância sexual a irritou. — O que ser amante engloba? — perguntou sem olhá-lo. — Dar-me prazer. Ela cerrou os dentes. — Não acho que eu seria muito boa nisso. — Estou disposto a dar aulas sem custos extras. — Acho que você simplesmente não suporta ser rejeitado — replicou ela furiosa. — Não acho que você vá me rejeitar duas vezes. Gwenna suspirou. Incapaz de imaginar-se se despindo diante de um homem sem encolher-se de medo, bloqueou todos os pensamentos de uma intimidade. Tinha ciência de que muitas pessoas faziam sexo por fazer. Seria físico, não emocional. Não havia necessidade de fazer um drama sobre algo que não era tão importante, disse a si mesma. Era uma pessoa prática. Talvez não gostasse da idéia, mas poderia suportar aquilo. — Bem, considero sua proposta absurda e louca, mas se dormir com você uma noite vai ajudar a minha família... — Uma noite não será suficiente. Gwenna estava pasma. Ele queria mais do que uma noite? Um silêncio se seguiu, enquanto ela inclinava o queixo em desafio. — Apenas o inferno não tem limite de tempo. Desconcertado pelo comentário, Angelo estudou-a antes de dar uma gargalhada de apreciação. — Gosto de seu senso de humor, cara. — Mas eu não estava tentando ser engraçada. Quanto tempo deseja que eu faça esse papel tão estranho em sua vida? Angelo deu de ombros. Mas de repente descobriu que o divertimento que sentira estava se transformando numa emoção muito parecida com raiva. Era um homem orgulhoso, e a relutância de Gwenna começava a se tornar insultante. Antes que eles se separassem, ela ia mudar de idéia, jurou a si mesmo. Gwenna o amaria como sua mãe um dia amara gratuitamente o impostor do pai dela. — Quero você pelo tempo que me proporcionar entretenimento. — Considera entretenimento quando uma mulher o odeia? 12
  13. 13. Mistérios do prazer Lynne Graham Uma intensa fúria surgiu nos olhos de Angelo. — Prometo que não será ódio que você vai sentir. Gwenna comprimiu os lábios. Pura raiva a percorreu, causando-lhe tontura. Mas então, a realidade veio à tona, e pensou no seu pai e no quanto o amava. Angelo Riccardi estava lhe dando a chance e o poder de impedir que seu pai fosse preso. Como poderia negar? Donald Hamilton não seria o mesmo homem quando saísse da prisão, enquanto que, se ela lhe garantisse a liberdade, seu pai poderia recomeçar a vida. Que direito tinha de negar-lhe essa chance de redenção? — Quero sua resposta agora — disse Angelo sem rodeios. — Sim... Você me fez uma oferta que não posso recusar — respondeu Gwenna tremendo. Ele estendeu a mão. — Mas não vamos fingir que esta é uma oferta civilizada — ela ouviu-se dizendo quando deu um passo atrás, afastando-se. Angelo deu um passo à frente, e antes que ela adivinhasse-lhe a intenção, segurou-lhe o rosto entre as mãos e baixou aquela boca linda e insolente em direção à dela. O choque a deixou paralisada pelos primeiros dez segundos, e então um calor alucinante instalou-se entre suas coxas. Era como uma chama em temperaturas geladas, chocante e repentina, e incrivelmente doce. Ele ergueu a cabeça arrogante, os olhos dourados absorvendo a expressão confusa dela. — Ser civilizado pode significar supervalorização, cara. Meus advogados entrarão em contato. Se tudo estiver em ordem, eu a procurarei na próxima semana. CAPITULO III Donald Hamilton meneou a cabeça lentamente. — Nada me restou, nem mesmo minha independência. — As avaliações não são o que você esperava? Mesmo para o apartamento de Londres? — Gwenna questionou, ansiosa. — Eu diria que os números não são generosos. Ela franziu o cenho. — É claro que o preço das propriedades caiu em algumas áreas. Como foram avaliados os jardins e o viveiro? — A propriedade Massey está listada como patrimônio histórico e protegida por lei — Donald a relembrou. — Isso mantém seu valor baixo, porque o terreno não pode ser usado para fins lucrativos. O viveiro é um empreendimento pequeno. Você fez maravilhas lá, mas... — Não é um grande negócio — completou Gwenna. — Mesmo assim, se a venda das propriedades me protege de um processo, como posso reclamar? — murmurou seu pai. — Quanto ao que me contou sobre você e o dono da Rialto, isso torna tudo ainda mais incrível. Incrível? Parecia uma estranha escolha de palavra. Gwenna enrubesceu. Ainda se perguntava se seu pai tinha entendido o que ela faria a fim de salvar-lhe a pele. Para disfarçar o embaraço, abaixou-se para acariciar Piglet, que estava deitado aos seus pés. — Você é uma mulher linda. — Donald Hamilton olhou para a filha com orgulho. — Não me surpreende que um homem do calibre de Angelo Riccardi tenha notado você e esteja interessado. Talvez pudesse conversar com ele sobre os valores — continuou casualmente. — Não de imediato, mas talvez em uma ou duas semanas. Nervosa, Gwenna levantou a cabeça. — Conversar com ele? — Você não pode ser tão ingênua — disse seu pai com uma risada. — Obviamente, tem influência sobre o homem poderoso. — Não acho que se possa dizer isso... — Não é hora de falsa modéstia — interrompeu ele, meio irritado. — Escolha o momento para contar a Riccardi o quão infeliz você está em relação à sua família. Tem idéia de como vai ser minha vida sem um centavo, Gwenna? Dependendo de sua madrasta para tudo? Mas ela estava tanto perplexa quanto consternada pela suposição de que seria capaz de persuadir Angelo Riccardi a oferecer um melhor preço pelas propriedades de seu pai. — Sinto muito, mas minha preocupação não chegou tão longe. Tudo que tenho pensado é em mantê-lo longe da prisão. Donald Hamilton recuou, como se estivesse se culpando por sua falta de tato. 13
  14. 14. Mistérios do prazer Lynne Graham — Acho que esse risco já não existe mais, e a vida continua — declarou ele. — Será muito difícil conseguir um outro emprego. — Suponho que sim. Mas como espera que eu o ajude, conversando com Angelo Riccardi? — perguntou Gwenna apreensiva. Seu pai sorriu. — Não seja ingênua. Durante o tempo em que você tiver o interesse de Riccardi, o mundo será seu. Idealmente, eu gostaria de meu emprego de volta na Furnridge Leather. Gwenna estava chocada pela declaração. — Seu antigo emprego? — Sim. — Sem notar a incredulidade da filha, ele acrescentou: — Isso silenciaria os difamadores. E me ajudaria a erguer-me novamente. Ela engoliu em seco. — Honestamente, não acredito que eu possa fazer nada para ajudá-lo a recuperar seu emprego. — Bem, então, alguma coisa com um status equivalente em algum outro lugar. Por que está chocada? — perguntou ele. — Não seria nenhum problema para Riccardi lhe fazer um pequeno favor. Pela primeira vez Gwenna ficou aliviada com a chegada de Eva e das meias-irmãs. Não sabia como dizer ao pai que não tinha a influência que ele imaginava, mas que sentia que suas esperanças eram ilusórias. Ao mesmo tempo, esforçou-se para entender o comportamento do pai. Ele estava sob estresse e o relacionamento com a esposa não estava ajudando. — Vejo que continua usando sua jaqueta enlameada e seu jeans barato — Penelope falou para Gwenna. — Angelo Riccardi vai transformá-la numa mulher sensual? Ou será que lama o excita? Gwenna não queria considerar o que poderia excitar Angelo Riccardi. Desde aquele beijo arrasador, vinha tentando esquecê-lo. A descoberta de que ele poderia lhe provocar uma resposta física tão intensa não fora bem- vinda. — Você tem sorte — murmurou Wanda com inveja — Quando penso no esforço que faço para ficar bonita, é deprimente vê-la sair mal vestida e ainda atrair um bilionário. — Isso não vai durar cinco minutos — previu sua madrasta, Eva. — Essas coisas nunca duram. — É melhor eu ir. Tenho pedidos para enviar pelo correio — disse Gwenna, ansiosa para escapar do trio. — Não se esqueça do que estou passando aqui. — Seu pai a acompanhou até a porta. — É claro que não vou esquecer. — Gwenna ficou tocada pelo abraço afetuoso que ele lhe deu. — Veja se consegue alguma coisa para mim com Riccardi. Gwenna dirigiu o jipe lentamente de volta para o viveiro de plantas. Não havia mais nada que pudesse fazer por seu pai no momento, pensou com tristeza. Ele teria de aceitar o fato de sua vida nunca mais voltar a ser a mesma. A cabeça dela estava latejando de tensão. Era difícil aceitar que, num espaço de dez dias, tudo tinha virado de ponta-cabeça, ameaçando o futuro com o qual sempre contara. O vilarejo que vivia desde que nascera não seria mais o seu lar. O negócio que lutara tanto para construir seria passado para as mãos de um estranho, e talvez nem mesmo sobrevivesse. Gwenna estava no estoque dos fundos, e tinha acabado de empacotar os pedidos que enviaria pelo correio, quando seu celular tocou. Era Toby. Sorrindo com prazer, ela foi para a loja a fim de conversar e ouvir as novidades. Ele lhe falou que estava na Alemanha. Arquiteto paisagista, Toby James já tinha uma carreira de sucesso e freqüentemente trabalhava no exterior. Gwenna o conhecera na faculdade, e o via menos do que gostaria. — Eu soube da história de seu pai através de um amigo que leu no jornal — disse Toby. — Você deve estar arrasada com isso. Por que não me contou? — Não havia motivo para espalhar a notícia ruim. — Quantas vezes chorei em seu ombro? — censurou ele. — Só uma vez — replicou ela, lembrando-se da noite em questão. — Os viveiros e os jardins vão ser vendidos. — Isso é um desastre! Não posso crer! Gwenna visualizou Toby passando uma das mãos impaciente pelos cabelos castanhos, os olhos verdes brilhando com preocupação por ela. Ele era bonito e muito divertido. Demorara bastante para ela entender que a amizade deles não poderia passar de amizade, porque, embora poucas pessoas apreciassem o fato, Toby era gay. No momento em que Gwenna havia descoberto, estava apaixonada por ele, e nunca mais encontrara um homem que pudesse fazê-la sentir o mesmo tipo de afeição. 14
  15. 15. Mistérios do prazer Lynne Graham Enquanto Gwenna conversava com Toby, Angelo estava descendo da limusine parada diante da casa dela. Olhou as redondezas com desdém. O viveiro de plantas não passava de um galpão desorganizado e uma estufa antiquada. Ele foi em direção à porta aberta da loja, e no momento em que sentiu o forte perfume no ar, viu Gwenna. Com pernas delgadas e longas coberta por um jeans justo e cabelos loiros menos num rabo-de-cavalo, ela estava encostada contra o balcão, um sorriso glorioso iluminando o rosto adorável. Estava conversando, inconsciente de sua presença. Imediatamente, ele soube que não ficaria satisfeito enquanto ela não lhe sorrisse daquele jeito. — Parece que faz um século que não o vejo. Estou com saudade. Parado à porta, Angelo escutou. Embora estivesse perto, ela não o viu, o que nunca acontecia a Angelo. As mulheres geralmente sentiam sua presença de longe. Ela parecia falar ao telefone com seu amor... os olhos brilhando, a voz rouca e sorridente, o jeito absolutamente feminino. — As coisas estão incertas no momento — murmurou Gwenna, após contar a Toby apenas o que considerava estritamente necessário. — Vamos nos encontrar quando você voltar. Gwenna não sabia o que a fez olhar para cima, mas quando olhou, quase derrubou o telefone. Angelo Riccardi estava parado à porta, com um casaco preto de cashmere sobre o terno escuro, incrivelmente elegante e bonito. — Toby... preciso desligar... alguém chegou à loja — murmurou ela apressada. O sorriso tinha desaparecido do rosto. Angelo entrou. — Quem é Toby? — Um amigo. — Ela guardou o celular no bolso. — Em que posso ajudá-lo? — Vai me perguntar isso na cama? — disse ele. — Não sou um cliente. As faces de Gwenna coraram, os olhos azuis baixaram. Mesmo sem olhá-lo, podia sentir a energia sexual na atmosfera, o que fez seu coração disparar, a respiração tornar-se ofegante e até mesmo os mamilos enrijeceram. — Eu gostaria que você me mostrasse o lado externo da propriedade — disse Angelo. — Não há muito o que mostrar. — Tanto faz. Preciso de ar fresco. Mal posso respirar com o perfume daqui. — Ele gesticulou para os vasos de rosas e outras flores misturadas no canto. Sem comentários, ela abriu a porta do depósito para libertar Piglet. O cachorrinho se dirigiu para Angelo, cheirou-o para reconhecimento, então saiu latindo, a fim de investigar os estranhos. Gwenna e Angelo também foram para o lado de fora. A área de estacionamento estava repleta de carros e homens. — Quem são essas pessoas? — Gwenna franziu o cenho. — Seguranças. Ela ficou tentada a dizer-lhe que não havia necessidade para tais precauções em sua loja, mas decidiu que aquilo poderia deixá-lo de mau-humor. — Apenas uma pequena parte do jardim foi restaurada. Uso a parte velha para distribuir as plantas que crescem em seu habitat natural. — Eu não diria que este é o seu habitat natural. — Bem, nesse caso, você estaria errado. — Raramente estou errado sobre alguma coisa. Gwenna controlou a irritação com dificuldade. Ele parou diante dela. Em silêncio, Angelo pegou-lhe a mão e ela teve de reprimir a vontade de puxá-la. Longos dedos bronzeados circularam-lhe o pulso com total frieza, expondo a pele áspera das palmas e o estado deplorável das unhas. — Quando soube que você dirigia um viveiro, não pensei que precisasse trabalhar diretamente com a terra. Desequilibrada pelo contato físico, Gwenna respirou fundo. — É a parte de que mais gosto. — Você leva uma vida restrita. — Eu não acho. — E é muito teimosa. — Olhos escuros prenderam os seus, e o coração de Gwenna disparou violentamente no peito, até que não tinha consciência de mais nada, exceto dele. Angelo levou-lhe os dedos à boca e pressionou os lábios neles num gesto elegante. — Gosto disso. Num mundo de mulheres que só dizem sim, você brilha como uma estrela, gioia. Tremendo, ela removeu a mão, mas ainda podia sentir o toque dos lábios dele em sua pele, enquanto um estranho calor a percorria. Nada o intimidava. Ele era cruel e impiedoso. O fato de saber disso e ainda ser capaz de responder com excitação a envergonhava. Excitação? Ele beijava-lhe a mão e a deixava naquele estado. O que isso 15
  16. 16. Mistérios do prazer Lynne Graham dizia sobre Gwenna? Que havia passado muito tempo sonhando com um homem que não poderia ter? Respirando fundo, começou a falar sobre o jardim, os planos de restauração e fundos que já existiam. Angelo ouviu sem interesse ou comentários. Não tinha intenção de comprometer-se com um projeto que não oferecia perspectivas de lucro. Não estava interessado em espaços verdes. Nunca tivera tempo ou paciência para ficar parado, sentindo o aroma de rosas ou admirando uma vista. O amor e o entusiasmo dela pela natureza eram óbvios. Mas a mente de Angelo estava ocupada com prazeres menos inocentes. Perguntava-se como ela podia parecer tão maravilhosa quando estava vestida como mendiga. Estava ávido por vê-la toda enfeitada em trajes bem femininos. Irritava-o o fato de Gwenna parecer se afastar cada vez que ele se aproximava dela. — Pare com isso. — Parar com o quê? — exclamou Gwenna. Angelo fechou uma das mãos sobre as dela e puxou-a para seu lado. — Sr. Riccardi... E a maneira formal pela qual ela o chamou o deixou tão insatisfeito que a beijou com todo o desejo que geralmente mantinha sob controle. Gwenna deixou escapar um gemido abafado antes que aquela boca bonita e sedenta a silenciasse. Ele roubou-lhe as palavras, o fôlego, a habilidade de raciocinar, e deixou-a com os joelhos bambos. Angelo a encostou contra uma parede de pedras, então, segurando-lhe as nádegas, ergueu-a do solo para que ela fizesse contato com sua ereção. Uma sensação sedutora fez o corpo de Gwenna formigar. A paixão de Angelo era crua e excitante, e completamente nova para ela. Subitamente, ergueu a cabeça escura e praguejou em italiano antes de anunciar: — Seu cachorro está me mordendo. Momentaneamente sem fala, Gwenna focou na visão de Piglet rosnando e puxando freneticamente a bainha da calça de Angelo. — Oh, meu Deus, ele realmente não gosta de você. — Abaixando-se, tremendo por dentro e por fora, ela ficou grata pela desculpa de pegar o cachorro nos braços. — Não vai nem perguntar se estou machucado? Sangrando? Precisando de uma injeção antitetânica? — disse ele com sarcasmo. — Sinto muito. Você está bem? — Não acho que vou sangrar até morrer. E minhas vacinas estão atualizadas. — Angelo notou como o cão estava sendo acariciado gentilmente. Podia jurar que havia uma expressão de triunfo nos olhos redondos do animal. Com as pernas trêmula, Gwenna agradeceu aos céus pela intervenção do cachorro e afastou-se. Colocando Piglet no chão novamente, endireitou o corpo com relutância. Estava envergonhada de seu próprio comportamento e não era hipócrita o bastante para repreender seu cão. Não quando Piglet a salvara de perder sua virgindade. Pelo menos por enquanto. — Os jardins estão em mau estado além do muro. Não há mais nada para lhe mostrar — murmurou ela. — E a mansão? Minutos depois, Gwenna parou diante da grande casa onde sua mãe tinha nascido. A construção arruinada havia amargurado Isabel Massey, que nunca superara a convicção de que seu destino era muito cruel. Em comparação, Gwenna respeitava aquela parte de sua história familiar com tristeza, pois, na verdade, seus ancestrais Massey nunca tinham sido capazes de manter o grande investimento que fizeram. — Como é o interior da casa? — Está em ruínas. Teve de ser fechada com tábuas anos atrás, por segurança. — Esta é apenas uma visita breve — murmurou Angelo enquanto andavam de volta para o viveiro. — Seu pai foi chamado para uma reunião esta tarde. Gwenna ficou tensa. — Posso perguntar do que se trata a reunião? — Ele não deu uma descrição verdadeira de seus bens. O rosto dela esquentou, raiva a percorrendo. — Isso é mentira! Angelo a fitou com o semblante impassível. — Não gosto de pessoas que me fazem perder tempo. 16
  17. 17. Mistérios do prazer Lynne Graham — Mas papai não o fez perder tempo nem mentiu para você. — Com os olhos azuis faiscando, Gwenna cerrou os punhos na lateral do corpo. — Não pode presumir que ele o está enganando somente porque cometeu o erro de pegar um dinheiro emprestado da Furnridge Leather. — Não estou presumindo. Foi pedido que seu pai fizesse uma revelação completa de seus bens. — E ele fez isso. — Enquanto cuidadosamente omitiu detalhes do outro apartamento que possui em Londres. — Ele só tem um, pelo amor de Deus! — Ele possui um segundo, que ainda não acabou de pagar. Gwenna suspirou longamente. — Você entendeu errado. — Lamento que não. Minhas informações sobre essa segunda propriedade vêm de fontes seguras. — Angelo observou-lhe o olhar subitamente incerto e assustado. Ela não podia esconder o sofrimento. Ele podia ter lhe dito que sua lealdade e afeição estavam sendo desperdiçadas por uma causa não merecedora. Donald Hamilton era mentiroso, trapaceiro e ladrão. Mordendo o lábio, Gwenna virou a cabeça, porque seus olhos estavam queimando pelas lágrimas. Gostasse daquilo ou não, havia algo muito convincente na confiança suprema de Angelo. — Se você estiver certo, realmente não sei o que dizer. — Nosso acordo não será rompido por isso. Seu pai vai vender os bens mencionados antes, e vamos esquecer essa questão. Gwenna engoliu em seco. — Sob as atuais circunstâncias, isso é muita generosidade sua. Angelo sorriu. Tudo estava acontecendo exatamente conforme o plano. Sabia que Hamilton cometera pelo menos mais uma ofensa, que apareceria mais cedo ou mais tarde. Quando isso acontecesse um processo e uma sentença de prisão seriam certos. E no momento em que Angelo tivesse terminado, já teria perdido o interesse em Gwenna. — Meu pai não é um homem ruim, é apenas tolo Não sei o que deu nele... talvez seja alguma crise de meia-idade — disse ela desesperada. — Honestamente, não posso explicar por que ele fez essas coisas. Mas posso lhe dizer que foi um pai maravilhoso para mim. Fez muitos trabalhos para a comunidade, também. Angelo pegou-se focando os olhos úmidos que revelavam pura sinceridade. Sentia-se fascinado pelos sentimentos que ela era incapaz de esconder. Suas parceiras de cama sempre possuíam uma concha protetora que combinava com a própria contenção de Angelo. Cheia de idéias e otimismo, Gwenna era ridiculamente vulnerável. Em alguns meses, se tornaria mais triste e mais sábia. Uma fraca onda de arrependimento o assolou. Perturbado pela aparente sensibilidade, reprimiu o sentimento. — Arranjei acomodação para você. Gwenna tremeu com a notícia. — Que tipo de acomodação e onde? — Uma cobertura em Londres. Gosto de ambientes altos. — Eu não... Há um jardim lá? Piglet vai precisar de um jardim — murmurou ela insegura. — Piglet? — Meu cachorro. — Pago a conta para que ele fique num hotel de cachorros — replicou ele friamente. — Não. Ele tem de ficar comigo. Piglet fica deprimido e se recusa a comer quando não estou por perto — começou ela, sem tentar esconder a ansiedade. — Sei que parece tolice para alguém que não é sentimental com os animais, porém, ele é um cão muito emotivo. Angelo olhou para o pequeno cachorro atrás dela. O animal abanava o rabo alegremente. De maneira alguma Angelo iria compartilhar um lugar, mesmo que por períodos breves de tempo, com aquele cão. — Ele vai para o hotel. Meu staff vai escolher o melhor disponível. — Mas se eu não estiver lá, ele não vai comer... — Bobagem. — Não é bobagem. — Não gosto de animais em locais fechados — finalizou Angelo com firmeza. Gwenna suspirou enquanto lembrava-se de que, dois anos atrás, Piglet tinha feito greve de fome quando ela saíra de férias. Agora podia sentir os olhos marejados com a perspectiva de viver sem Piglet, e preferia morrer a 17
  18. 18. Mistérios do prazer Lynne Graham demonstrar sua fraqueza. Angelo Riccardi ficaria cansado dela dentro de uma semana, confortou a si mesma. Teria de entediá-lo. — Tenho direito a um pedido? — perguntou ela sem rodeios. Angelo considerou aquilo. Se tivesse uma corrente atada ao tornozelo dela, teria removido as argolas para restringir-lhe a liberdade ainda mais. Era uma atitude estranha para um homem acostumado a conquistar com facilidade, e aquilo o irritava. — É sobre sua acomodação? Gwenna assentiu. — Quero morar em algum lugar com um jardim. Vou enlouquecer se ficar na cidade, trancada entre paredes. — Há uma piscina com um telhado que abre e fecha. — Eu quero um jardim. Até mesmo um homem condenado tem direito a um último pedido. — Você não está enfrentando um pelotão de fuzilamento — murmurou Angelo. Um jardim? Por que ela queria tanto um jardim? Não era um pedido razoável. Aquilo levaria mais tempo para reorganizar, e esperar por Gwenna o estava matando. Desde a primeira vez que a vira, imagens eróticas vinham perturbando sua concentração. Estava cansado daquela invasão mental e perdendo a paciência. — Em quanto tempo você virá para mim? — questionou ele. Nervosa pela pergunta ousada, Gwenna cometeu o erro de fitá-lo diretamente. Encontrou olhos dourados sexualmente ardentes, e seu rosto esquentou. — Não finja que não sabe o que quero dizer — soou a voz profunda e rouca de Angelo. — Quando eu for obrigada a fazer isso. Quando eu não tiver escolha. — Típica resposta de uma virgem virtuosa enfrentando violação no século passado. — Ele sorriu com ironia. — Esse não é seu caso. — Você acha que sabe de tudo, não acha? — devolveu ela furiosa. — Mas não sabe. Na verdade, este é meu caso. Os olhos de Angelo se estreitaram, os cílios pretos baixaram para intensificar o exame detalhado. Ele a estudou em silêncio, e Gwenna desviou o olhar, envergonhada e com raiva ao mesmo tempo. — Não ouse fazer nenhum comentário depreciativo — ela o avisou. A surpresa de Angelo de repente se transformou em uma onda poderosa de satisfação. Era aquela inocência dela que o atraía? Ele havia sentido, de alguma maneira, a sutil diferença entre Gwenna e as outras mulheres que conhecia? Uma virgem. Pedir-lhe que o acompanhasse até Londres para preencher o tempo que ele tinha antes de voar para Nova York agora parecia muito impróprio. Rude. Por um segundo, o cenário inteiro pareceu rude, mas quando ele a fitou, bloqueou o pensamento. Nunca tinha sentido um desejo tão urgente por uma mulher, e agora que entendia que a fonte da relutância dela era a inexperiência, a necessidade de possuí-la tornou-se ainda mais forte. Gwenna não era indiferente a ele. Era apenas tímida, e Angelo tinha de admitir que não estava acostumado com mulheres tímidas. Um longo silêncio se instalou. O fato de Angelo não fazer nenhum comentário subitamente a enfureceu e a fez se sentir tola. Desejava agora que não tivesse contato um de seus maiores segredos. — Ouça, tenho muito trabalho a fazer — murmurou ela. — Quando espera que eu vá para Londres? — Na próxima semana. Você será informada dos arranjos. — Angelo tirou um cartão do bolso. — Se quiser falar comigo, aqui está meu número particular. Poderá me encontrar em qualquer lugar. Gwenna aceitou o cartão, incapaz de imaginar que sentiria vontade de contatá-lo. Seus pensamentos estavam concentrados numa questão muito mais importante e, finalmente, reuniu coragem e perguntou: — O que você planeja fazer com este lugar? Ele deu de ombros, a expressão ilegível. A indiferença dele em relação ao futuro do viveiro ou dos jardins históricos deprimiu Gwenna profundamente, e tirou-lhe qualquer resquício de esperança. Angelo provavelmente era o último homem do mundo que investiria num negócio que se esforçava para sobreviver fora da estação turística. Antes de entrar na limusine, Angelo olhou novamente na direção dela. Gwenna não devolveu o cumprimento. Pegando o cachorro no colo, entrou apressadamente na loja. O maxilar dele se contraiu. CAPÍTULO IV 18
  19. 19. Mistérios do prazer Lynne Graham Quatro dias depois, Gwenna estava em Londres. Na manhã após sua chegada, foi recebida por uma elegante morena com cerca de 3O anos. Coordenadora a serviço de Angelo Riccardi, Delphine Harper telefonara para Gwenna e combinara de encontrá-la. — É meu trabalho garantir que você tenha uma transição suave para a vida da cidade. Seu dia está programado com diversos compromissos. — Delphine deu um sorriso educado. — A primeira coisa é ver a propriedade que o sr. Riccardi selecionou para você. Uma transição suave? Gwenna podia ter chorado com aquela frase. Somente agora que haviam lhe tirado tudo, tinha idéia de como era com suas plantas. No mesmo dia em que Angelo a visitara, seu pai vendera-lhe todas as propriedades que possuía. Dentro de 24 horas, um empregado da Rialto tinha aparecido para assumir o viveiro de plantas. A velocidade da tomada de posse impressionara Gwenna, que teve dificuldade em entregar o controle do negócio e dos jardins que amava. Também tivera de esvaziar seu apartamento em cima da loja apressadamente. O novo gerente precisava de acomodação, o que a forçou a mudar-se temporariamente para Old Rectory, onde todos, exceto seu pai, a fizeram sentir-se uma intrusa indesejada. Pressionado pela referência da filha sobre o segundo apartamento que possuía em Londres, Donald Hamilton suspirou. — Tive boas razões para fazer segredo disso. Eva teria desejado que eu o vendesse e comprasse uma casa maior para a família, e eu queria guardá-lo para nossa aposentadoria. Meus motivos não eram inteiramente egoístas. O inquilino atual é uma senhora idosa com um aluguel que seria renovado. Fiquei preocupado que a mudança de dono a forçasse a sair. — Mas você não mencionou o apartamento quando tinha prometido declarar todos os seus bens. Isso deve ter causado uma má impressão no pessoal da Rialto — apontou Gwenna. — Se eu não cuidar de meus próprios interesses, que vai cuidar? — replicou seu pai sem remorso. — É claro, estou esperando que, quando você tiver uma chance, fará o melhor possível para amenizar nossos problemas aqui. Recordando-se daquela conversa, Gwenna sentiu seu nível de estresse aumentar. A falta de preocupação de seu pai sobre a desonestidade a enervara. O roubo na Furnridge não demonstrava apenas o caso de um homem levado ao desespero devido a problemas financeiros. Os problemas dele eram mais profundos do que isso. Havia uma fraqueza no caráter de seu pai, reconheceu ela com tristeza. Isso podia explicar o fato de ter sido mulherengo quando mais jovem, e talvez Gwenna o tivesse perdoado muito rapidamente. — Chegamos — anunciou Delphine alegremente, tirando-a dos pensamentos. Saindo do carro, Gwenna olhou atônita para a propriedade substancial diante de si. Delphine balançou as chaves com um ar de importância e abriu a porta imponente. — Este deve ser um dos melhores endereços de Londres. Gwenna parou no hall de mármore, olhando maravilhada para os pilares e escadaria elaborados. Diversas questões surgiram em sua mente, mas estava muito embaraçada para perguntá-las a Dalphine, que provavelmente suspeitava qual seria o relacionamento de Gwenna com seu fabuloso empregador milionário. — É uma propriedade muito grande, e não se engane pelo aspecto antigo. A casa tem ar-condicionado, controles eletrônicos que funcionam com o tato, um sistema de som integrado e segurança absoluta — declarou Delphine. O tour oficial começou na parte inferior da casa, onde havia uma piscina, sala de ginástica, adega de vinhos, seguido pelos andares superiores com uma vasta quantidade de quartos vazios e banheiros sofisticados. Delphine começou a parecer ansiosa com o silêncio contínuo de Gwenna. — Nos fundos, há uma casa para empregados e a garagem. Agora, deixe-me lhe mostrar o jardim, que creio ser o seu principal interesse. É grande, e com face para o sul. — Com licença, por favor... Eu preciso ligar para seu chefe. — Gwenna entrou em um dos quartos no andar de baixo e vasculhou a bolsa até encontrar o cartão que Angelo lhe dera. Enquanto discava o número em seu celular, meneou a cabeça diversas vezes. No minuto em que ouviu a voz dele começou a falar: — É Gwenna. Desculpe-me perturbá-lo. Angelo quase sorriu. — Sem problemas, gioia mia. — Estou vendo a casa e não entendo. É uma mansão enorme com oito quartos! Angelo virou a cadeira de rodinhas em seu escritório para apreciar a vista de Manhattan. — Todas as propriedades que uso precisam de três coisas essenciais: espaço máximo, privacidade e segurança. 19
  20. 20. Mistérios do prazer Lynne Graham — Sim, mas uma casa que deve valer bilhões é loucura nessas circunstâncias, a menos que... Você não planeja morar comigo, planeja? — perguntou ela apavorada. Aquela era a única explicação possível para tamanha extravagância. Houve silêncio do outro lado da linha. Angelo estava cerrando os dentes. Ela podia ser graciosa, mas não tinha um pingo de diplomacia. Gwenna sabia alguma coisa sobre ele? Nem mesmo tivera a curiosidade de procurar informações na Internet ou nas páginas de fofocas dos jornais? Ele não se comprometia ou morava com alguém. — Naturalmente, não planejo morar com você. Lamento se isso a desaponta. — Oh, meu Deus, não! — respondeu ela, inconsciente de que seu tom se tornara mais alegre. — Nós dois juntos nunca daríamos certo. Mas isso não explica a casa, quando não vamos durar cinco minutos juntos. Todo esse trabalho e gasto são tão desnecessários. Angelo irritou-se. — Talvez você preferisse que eu a levasse para um hotel barato que aluga quartos por hora! Gwenna mordeu a língua. Então percebeu que estava tremendo. Honestidade não funcionava com ele, pensou. Ela o deixara nervoso e sabia que isso não era uma boa idéia. Não ousaria dizer, mas, em sua opinião, uma casa sofisticada em Chelsea não alteraria a natureza da transação sexual que ele tinha lhe oferecido, e se um hotel barato acabasse logo com aquilo tudo, ela seria a última a reclamar. — Se é meu desejo, você vai viver numa grande mansão mesmo que seja por cinco minutos. Isso está entendido? — Angelo falou em tom de finalidade. — Sim — replicou ela sem emoção na voz. — Tenho trabalho a fazer. Vejo você quando eu voltar para Londres. — Furioso, ele desligou o telefone. Esperara que Gwenna ficasse encantada com a casa, que possuía um jardim espetacular. Selecionara-a pessoalmente. Quando tinha feito tanto esforço por uma mulher? Gwenna reuniu-se novamente com sua guia e foi para o lindo jardim, um oásis de paz e sol bem no centro de uma cidade enorme. Sentia-se abalada pela conversa com Angelo. Sabia que não cometeria o erro de telefonar-lhe novamente. Não tinha direito a opiniões. Sua próxima visita com Delphine foi ao luxuoso hotel para cães, onde uma programação já fora feita para Piglet. O local bonito e aquecido, com uma cama miniatura, webcam e a promessa de um boletim diário sobre seu animal de estimação não impressionou Gwenna. Explicou que faria uso apenas ocasional das instalações. Piglet ficaria exilado somente quando Angelo estivesse na casa, o que, segundo Delphine, não aconteceria com freqüência, uma vez que seu chefe estava sempre muito ocupado. Uma semana depois, com uma tensão crescente, Gwenna pensou no seu encontro com Angelo às três horas, e sua provável conclusão. Um almoço e então? Bloqueando os pensamentos de intimidade, estudou seu reflexo no grande espelho do hall. Seu vestido branco com pequenos detalhes em preto era extremamente elegante. Tinha o design de uma marca famosa, assim como todo o vestuário escolhido por um consultor de modas, que tivera a tarefa de fornecer a Gwenna um fabuloso guarda-roupa novo. Na verdade, ela mal podia reconhecer a si mesma depois de ter passado a manhã em um salão de beleza. Seus cabelos loiros cacheados haviam sido penteados e alisados, o rosto maquiado e as sobrancelhas desenhadas em curvas perfeitas. Achou que lembrava uma boneca de olhos azuis e uma boca artificialmente cheia. Sempre gostara da aparência natural, preferindo conforto e praticidade. Seu uso de cosméticos envolvia um toque de rímel e de batom em ocasiões especiais. Mas Angelo a mergulhara num mundo de moda e beleza, no qual a aparência era tudo que importava. Gwenna achou difícil andar sobre saltos altos, detestou as unhas postiças e sentiu-se desconfortável usando branco porque estava convencida de que sujaria o vestido. Todavia, nenhuma palavra de reclamação saiu de seus lábios pintados. Tinha aprendido aquela lição durante o único telefonema que dera a Angelo Riccardi. Ele não estava interessado em suas preferências pessoais ou em seu conforto físico. Ele a queria bonita e sofisticada para o prazer dele. — O carro está aqui. — A empregada abriu a porta da frente e conduziu Gwenna para fora. Fazia apenas 48 horas desde que se mudara para a casa e ainda se sentia como uma hóspede de um hotel cinco estrelas. Sua casa nova tinha sido mobiliada, totalmente equipada e provida de empregados. Gwenna entrou na limusine. Estava uma pilha de nervos. Quando o telefone tocou, teve um sobressalto. Era Angelo. 20
  21. 21. Mistérios do prazer Lynne Graham — Parece que não vou chegar a tempo — ele a informou secamente. — Os controladores de tráfego aéreo aqui estão anunciando um dia de greve. Gwenna piscou. — Oh. — Dannazione. Sinto muito. Eu estava ansioso para vê-la — disse Angelo, percebendo que ela não ficara insatisfeita com a notícia. — Ligo quando tiver mais informações. Gwenna disse ao chofer para apanhar Piglet no hotel de cães. Enquanto estavam parados no trânsito, não pôde deixar de visualizar a figura elegante de Angelo, as feições bonitas impacientes. Descobriu que seus sentimentos estavam divididos: um senso de inesperado desapontamento acompanhado por um imenso alívio. Ficou abalada pela onda de tristeza. O que estava lhe acontecendo, afinal? Certo, ele era incrivelmente bonito e fascinante. Mas em termos de compaixão e decência, Angelo Riccardi era um patife. Sabendo disso, como podia responder a ele em qualquer nível? Seu telefone tocou novamente, fazendo-a tencionar. Mas dessa vez era Toby. — Tentei achá-la em casa, mas acabei falando com sua madrasta. Tirar informações dela não foi fácil. Desde quando você se mudou para Londres e se envolveu num relacionamento com um homem de quem nunca ouvi falar? Gwenna suspirou. — Mudei-me esta semana... e o relacionamento é muito novo. — Sem mencionar repentino e impulsivo, e isso não combina com você. Só pode ser uma paixão louca... e estava na hora! — disse Toby alegremente. — Ouça, estou voando amanhã para uma reunião com um novo cliente, e adoraria encontrá-la de noite. Podemos ir a um bar ou algo assim. Gwenna sorriu. — Eu adoraria. Você vai ficar muito tempo? — Não. Tenho de voltar para a Alemanha e resolver umas pendências sobre o projeto do parque. Confortada pela perspectiva de ver Toby novamente, ela foi para o hotel de animais. Embora eles tivessem se separado apenas por uma noite, Piglet ficou extasiado ao ver sua dona. Depois de convencê-lo a comer, ela o levou para dar um passeio. Porém, seu plano de levá-lo para casa foi destruído quando o chofer apareceu para dar o recado que recebera no telefone do carro: Angelo a encontraria no mesmo restaurante exclusivo para um jantar, em vez de almoço. Despreparada para a notícia de que ele conseguira um jeito de chegar a Londres, Gwenna foi envolvida por um pânico renovado. Tendo movido montanhas metafóricas para superar um problema em sua escala de viagem, Angelo ainda sentia o fluxo de adrenalina nas veias. Fatos haviam conspirado para mantê-lo fora do país mais tempo do que esperara, e sua impaciência para ver Gwenna não lhe era nada familiar. — A srta. Hamilton chegou — murmurou Franco, seu chefe de segurança, aproximando-se da mesa. Angelo ergueu a cabeça para vê-la entrando no restaurante. No primeiro momento, a beleza estonteante dela prendeu-lhe o olhar. Então, arrependeu-se das mudanças que proporcionara. Gostara dos cabelos cacheados de Gwenna e do brilho da pele sem maquiagem. O toque artificial de perfeição, todavia, já tinha sofrido algum abalo. Os cabelos lisos estavam meio desalinhados, e ela tinha um par de patas de cachorro claramente definidas na frente do vestido. Ele levantou-se para cumprimentá-la com um sorriso. Hipnotizada pelo lindo rosto bronzeado, Gwenna não podia desviar a atenção dele. Quando aquele sorriso brilhou na boca sensual, decidiu que o homem era um espetáculo de tirar o fôlego. Com as faces coradas, sentou-se na cadeira que ele lhe puxou. — Não pensei que você voltaria hoje — disse ela, notando que a mesa estava posicionada num canto isolado, a fim de criar privacidade para ambos. Lindos olhos dourados prenderam os seus, e roubaram o ar de seus pulmões. — Eu queria estar com você, e quando quero alguma coisa, faço de tudo para conseguir. Desviando os olhos, Gwenna abaixou a cabeça. Agora, sentia o corpo todo quente e havia uma tensão sexual quase palpável no ar. Quando o champanhe foi servido, ela deu um gole e estudou o menu com fervorosa determinação. Angelo começou a falar sobre Paris, e Gwenna ficou intrigada pela descoberta de que ele era um brilhante contador de histórias, capaz de evocar imagens incríveis com algumas palavras bem colocadas. Encantada, ouviu e bebeu mais do que comeu. Conforme o champanhe a relaxava, ficou contente em ser entretida. — Você não está comendo — apontou Angelo. 21
  22. 22. Mistérios do prazer Lynne Graham — Não estou com fome. — Exceto por você, uma pequena voz sussurrou na cabeça dela, chocando-a com a mensagem que ia contra tudo o que acreditava sobre sua natureza. Mas era verdade. Pura fascinação a dominava e a voz do bom senso parecia ter desaparecido de repente. Era quase impossível quebrar o contato com aqueles olhos dourados, não admirar o rosto bronzeado e a boca esculpida. Ciente da atmosfera sexual no ar, Angelo pôs o prato de lado. Finalmente, tinha a total atenção de Gwenna, e sua reação predatória foi instintiva: aproveitar-se de imediato. Pegou-lhe a mão. — Vamos. — Mas nós não terminamos — murmurou ela. Angelo ajudou-a a se levantar. Olhou-a de cima a baixo com tanta sensualidade que fez os joelhos dela tremerem. — Ainda nem começamos, bellezza mia. O murmurinho de conversas ao redor do ambiente parou. Gwenna estava consciente dos olhares quando Angelo a escoltou para fora, um braço possessivo ao redor de suas costas. Sem aviso, pegou-se imaginando se ele estivera com alguma outra mulher enquanto viajava, e uma sensação de desconforto se instalou em sua alma. Após segui-la para dentro da limusine, Angelo a puxou para si. Um segundo depois, a boca sedenta estava na sua, e uma excitação inexplicável percorreu o corpo de Gwenna, provocando-lhe uma resposta intensa. Angelo liberou-lhe os lábios, deixando-a respirar e sentindo-se abalado pela perda de contato. Os confusos olhos azuis focaram nele. — Você é incrível — murmurou Angelo. — Eu sabia que seria. Gwenna baixou os cílios para ocultar a expressão envergonhada. Queria que ele a tocasse mais, e sentia-se chocada por isso. Sob o sutiã de renda, seus mamilos formigavam. O ponto feminino entre as pernas parecia pulsar. Ela o queria. É claro, algumas taças de champanhe haviam diminuído suas inibições disse a si mesma na defensiva. Mas isso não era bom? Angelo Riccardi tinha lhe oferecido uma barganha terrível, e Gwenna fizera sua escolha quando concordara em compartilhar a cama dele se as acusações contra seu pai fossem retiradas. Não era mais sábio fazer o melhor de uma situação ruim, em vez de resistir ao inevitável? Angelo podia sentir o tremor dela, e o fato de sentir-se sensibilizado com isso o perturbou, da mesma forma que tantas coisas o vinham perturbado nas últimas semanas, assim como noites maldormidas, enquanto rolava na cama ardendo de desejo por ela. O conceito de satisfação adiada não era para ele. Não estava acostumado a esperar por uma mulher. Mas não era um animal também, era? Gwenna era virgem, afinal de contas. E a aura de serenidade que notara nela quando a conhecera havia desaparecido. A pressão brutal que ele utilizara tinha deixado sua marca. Mas por que isso deveria perturbá-lo? Como filha de Donald Hamilton, Gwenna fora criada com o conceito de respeitabilidade da classe média, lembrou-se. A descoberta de que o mundo podia ser um lugar muito mais desafiador seria um exercício de construção de caráter para ela. No hall da casa de Chelsea, Gwenna lançou um olhar inseguro. Angelo fechou uma das mãos sobre a dela num gesto de aprisionamento. — Você persegue meus sonhos — confessou ele com uma risada rouca. — Você pode ser altamente prejudicial à minha saúde. Gwenna sentia-se levemente zonza pelo champanhe. Sua mente estava repleta de pensamentos confusos e desorientados, mas o brilho amargo nos olhos de Angelo causou-lhe uma estranha dor interna. Sem uma decisão consciente, ergueu uma das mãos e traçou-lhe o maxilar. Notando que ele estava igualmente surpreso pelo gesto e com uma expressão interrogativa nos olhos, ela parou, confusa. — Per amor di Dio — sussurrou Angelo, segurando-lhe o rosto entre as mãos. — Neste momento, acho que eu poderia morrer de desejo por você, mia bella. Ele provou-lhe os lábios com uma doçura que destruiu todas as barreiras de Gwenna. Ela recusou-se a pensar quando Angelo abaixou-se e a pegou nos braços para carregá-la em direção à bonita escadaria. Mas o medo de ser vista a fez murmurar: — A empregada... — Está de folga até segunda ordem. — Angelo deu-lhe um beijo apaixonado para silenciá-la. CAPÍTULO V 22
  23. 23. Mistérios do prazer Lynne Graham Poucos minutos depois, Gwenna acidentalmente viu seu reflexo no espelho do quarto. Apavorada, olhou para suas faces rosadas e lábios intumescidos. Parecia uma mulher atrevida. Um arrepio percorreu-lhe a coluna quando Angelo desceu o zíper de seu vestido e deslizou-o pelos ombros. — Sinto-me como uma prostituta — sussurrou ela nervosa. Angelo a virou, estudando-lhe o rosto infeliz. — Esta é a coisa mais ridícula que já ouvi, bellezza mia — censurou ele. — Eu a quero e você me quer. O que pode ser mais natural do que o desejo de fazer amor? Diversas respostas ácidas vieram à cabeça dela, mas manteve-as para si, evitando aborrecer-se ainda mais. Estava apenas tendo um caso, disse a si mesma. Não fora sempre uma pessoa prática? Viveria o momento presente, lidando com um dia de cada vez. Angelo soltou-lhe os cabelos num movimento tão gentil que a fez piscar em surpresa. — Eu a vi e a desejei antes mesmo que você falasse. Uma única olhada e soube que a queria. — Mas isso é loucura. — Dio mio, eu teria movido céus e terra para viver este momento — sussurrou ele. — Ser desejada tanto assim deveria ser uma fonte de prazer para você. Desconcertada pelo comentário, ela meneou a cabeça. — Nós... não pensamos da mesma... Ele a puxou para si, um brilho ardente nos olhos. — Eu não iria querê-la se você fosse como eu. Angelo clamou pela boca de Gwenna e ela tremeu, enfraquecendo pelo desejo que ele podia despertar-lhe tão facilmente. Enquanto lutava para recuperar o fôlego, ele tirou-lhe o vestido e a colocou sentada na cama, removendo-lhe os sapatos e, mais devagar e de maneira provocativa, as meias de nylon presas pela cinta-liga. Angelo pontuava cada ação tocando-a com os lábios. Ela estava tão excitada com tal tratamento, que quando ele recuou um pouco, Gwenna automaticamente estendeu os braços e procurou aquela boca maravilhosa. Uma risada rouca ecoou da garganta dele enquanto mordiscava-lhe o lábio inferior antes de inserir a língua de maneira erótica. Gwenna deitou-se então, seus sentidos em total ebulição. Vestida apenas de sutiã branco e calcinha, logo começou a se sentir exposta e tímida. Observou Angelo tirar o paletó e a gravata numa série de movimentos flexíveis. No momento em que ele removeu a camisa, a visão do peito musculoso e abdômen reto a deixou tensa. — Relaxe. — Registrando a apreensão de Gwenna, Angelo esforçou-se para usar um tom suave pela primeira vez na sua vida. — Você está adorável. Gwenna lançou um olhar relutante. Ele estava somente com uma cueca preta que revelava o estado de sua ereção. Foi uma visão que a chocou, fazendo-a desviar os olhos, o coração disparado no peito. Começou a entrar em pânico quando pensou que estava prestes a dormir com um homem que mal conhecia — Eu realmente gostaria de um outro drinque. — Na mesa de cabeceira, ao seu lado. Gwenna, que esperara que ele saísse do quarto para lhe apanhar um drinque em algum lugar, olhou apavorada para a garrafa de champanhe e a taça prontas ao lado da cama. Angelo rodeou a cama abriu o champanhe e serviu. Então, estendeu a taça com relutância. — Você não precisa se anestesiar com isso. Recusando-se a olhá-lo, ela abraçou os joelhos com um dos braços, enquanto pegava a taça e dava um grande gole. — Entendo que esteja nervosa... — Não seja ridículo — disse ela. — Será bom, bellezza mia. Na verdade, tornarei a experiência tão boa, que você ficará viciada. — Isso seria impossível. Angelo sentou-se na cama com toda a segurança de um tigre estendendo-se no sol. — Acho que alguém tem lhe contado histórias antigas. Não vai doer. — O que você poderia saber sobre isso? — perguntou ela, enrubescendo. — Você pode ser minha primeira virgem, mas tenho inteligência, bom senso e capacidade excepcional em certas áreas. — Gentilmente, ele tirou-lhe a taça de champanhe das mãos e puxou-a para seus braços. — Não deixe que o álcool embote o que promete ser um acontecimento altamente prazeroso. Ao primeiro contato com o calor daquele corpo poderoso, ela tremeu violentamente. — Você é todo ego... 23
  24. 24. Mistérios do prazer Lynne Graham —Não, todo confiança. — Olhando-a com a expressão confiante, de propósito, ele deslizou uma das mãos possessivas pela coxa delgada de Gwenna. — Confie em mim. Não sou um amante desajeitado ou egoísta. Tremendo com o toque íntimo em sua perna, ela o fitou com o semblante confuso. Confie em mim. Aquele devia ter sido um pedido absurdo. Mas de repente descobriu que estava pronta e disposta a ser convencida, mesmo que não entendesse por quê. Angelo a beijou e Gwenna parou de refletir e racionalizar. O desejo a dominou. Ele abriu-lhe o sutiã, revelando curvas delicadas, coroadas por mamilos rosados e enrijecidos. — Você é encantadora — sussurrou ele. Abaixando-a para os travesseiros, provocou-lhe os mamilos com polegares habilidosos, e finalmente com o calor de sua boca. A extrema timidez de Gwenna foi substituída por uma onda de prazer arrebatadora. Fechou os olhos com força e sentiu. Seus mamilos pulsavam sob a boca sensual, enquanto um calor alucinante se instalava entre as coxas. — Você pode igualar minha paixão a cada passo — murmurou ele suavemente. — Isso não significa nada — protestou ela, lutando para separar-se das mensagens urgentes de seu corpo. Ele voltou a atenção aos pequenos seios convidativos, provocando os bicos rosados a tal ponto, que a fez contorcer os quadris contra o colchão. — Significa que somos maravilhosamente compatíveis, bellezza mia. O fato de que não podia controlar seus sentimentos a assustava. Contudo, era incapaz de resistir ao prazer. Em algum ponto daquela paixão ardente, sua última peça de roupa foi removida. Dedos hábeis deslizaram através dos pêlos loiros para explorar o centro da feminilidade. Ele brincou ali, enquanto Gwenna arqueava as costas e gemia, chocada pela sua própria resposta intensa. — Diga que você me quer — comandou Angelo, parando as carícias quando ela estava escravizada pelo desejo de sentir mais prazer. Os olhos azuis o focaram. — Preciso ouvi-la dizer, bellezza mia — admitiu ele, olhando-a fixamente. Gwenna podia sentir o baixo ventre pulsando de desejo. Movimentou-se contra a coxa musculosa, absolutamente desesperada pelo toque dele, controlada por instintos mais fortes do que jamais tinha imaginado. — Eu não posso... Angelo a examinou com determinação. — Pare de agir como vítima. Fale a verdade. Não havia o mínimo de suavidade naquele rosto bonito e bronzeado, e a excitação que ele lhe despertara chegava perto de uma dor física. Lágrimas de vergonha e frustração acumularam-se nos olhos de Gwenna. —Tudo bem! — exclamou ela, desprezando a si mesma por render-se. — Quero você. Imediatamente, a vergonha e frustração desapareceram sob os toques maravilhosos de Angelo. Ela o abraçou e entregou-se. Nada mais importava, contanto que ele continuasse tocando-a e provocando-a com aquele erotismo que a fazia sentir como se pudesse voar para um lugar tão alto e tão brilhante quanto o sol. No exato momento em que a excitação ameaçou se tornar um tormento indescritível, Angelo posicionou-se sobre ela e deslizou entre suas pernas. Gwenna sentiu o sexo rijo pressionar a entrada macia e, embora estivesse ansiosa pela consumação do ato, ficou preocupada ao notar que ele era muito bem favorecido. — Não fique tensa — ordenou Angelo. Gwenna ficou deitada imóvel, olhos firmemente fechados. Ele roubou-lhe um beijo sexy que a fez erguer os cílios para vê-lo sorrindo com uma expressão de desafio no rosto. Posicionando-se de joelhos, ele pegou um travesseiro e colocou-o embaixo dos quadris dela. — Será sublime — prometeu Angelo com voz baixa e rouca. O sexo rijo e poderoso então penetrou as profundezas da pele úmida e resistente. Ele era enorme. Gwenna emitiu um gemido de desconforto. Imediatamente, ele parou e desculpou-se, praguejando em italiano em seguida. Gwenna o fitou com olhos acusadores. O rosto forte de Angelo estava tão tenso de puro desejo que a fez sentir-se estranhamente poderosa. Os olhos ardentes encontraram os seus. — Você é muito apertada. Podemos tentar em uma outra posição... — Não... faça isso — murmurou ela envergonhada. Ele foi habilidoso e delicado, mas no momento que a barreira da virgindade se rompeu, os olhos de Gwenna se encheram de lágrimas. Ele ficou imóvel então, permitindo-a ajustar-se à invasão. 24

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